quinta-feira, setembro 15, 2016

1627. Lunch Time Blog (revisited). Favas com futebol.

Cheira-me lá dentro à morcela e à cacholeira, às ervas aromáticas e ao entrecosto no estrugido que promete. As favas estão quase a invadir a panela e dou uma vista de olhos pelos jornais desportivos. Como não sou masoquista, quase só leio as "gordas". Não sou um saudosista, mas tenho saudades. Lembro-me de Carlos Miranda, de Aurélio Márcio, de Carlos Pinhão, de Alfredo Farinha e comparo-os, dececionado, a escribas de hoje em dia. Meu Deus quanta diferença. Bem sabemos que hoje há mais canais de televisão que as mães que os pariram, mas como era belo ler uma crónica de um jogo que não vimos e estarmos "lá dentro" do próprio jogo. E no momento do golo escrito nos apetecer gritar goooollllooo a plenos pulmões, mesmo quando esse golo já tinha acontecido vinte e quatro horas antes. Que pena a imprensa desportiva escrita ter descaído tanto e agora, para vender jornais, se decida pela opinião escrita de adeptos famosos (adeptos a quem a televisão deu fama, mesmo que advenha de minutos consecutivos a insultarem-se uns aos outros). Mas hoje, neste LTB ainda consegui sentir o perfume da pena de Santos Neves, não sei se inebriado pela sua escrita inteligente e assertiva se num misto de palavras com o aroma de umas favas com entrecosto numa tarde que se apresenta com menos 15 graus 15, que a tarde homónima de há uma semana atrás. Cheira-me a favas com entrecosto, cheira-me a outono, que quase me bate à porta e só já me falta escolher o vinho. Os jornais desportivos estão já arrumados, daqui a pouco é hora de reler Saramago, de preparar mais umas aulas de fotografia. Acho que vai ser alentejano. Regional, que os enchidos também o são! Só o meu Schubert não me fará companhia neste novo LBT. Partiu há mais de dois anos e será lembrado por muitos mais. Quanto ao Lunch Time Blog, se o ou os governos não aplicarem um imposto direto sobre quem escreve blogs, talvez eu venha a (re)tomar-lhe o gosto. Desculpem partir assim, repentinamente, mas já tenho o almoço na mesa.

PS. Ainda há tempo para um PS. O Schubert era o meu gato siamês. Era lindo!

segunda-feira, julho 18, 2016

1626. Roast

Costumo achar, como se diz agora noutras linguagens que não vêm a propósito, que tenho um critério muito largo no que respeita ao humor. Chego mesmo, por vezes, a sentir-me isolado ou deslocado quando esboço um sorriso enquanto os outros que me estão perto parecem estar num velório. Não admira pois que ainda hoje, apesar de ter visto dezenas de vezes as mesmas cenas, "parta o coco" a rir com Vasco Santana, com António Silva, com Ribeirinho e que, a imagem do eterno compère  Eugénio Salvador me seja, também, tão presente.  Raul Solnado é para mim (a expressão ainda se não usava nessa altura) o melhor ator em stand-up comedy que alguma vez vi e ouvi e o grande José Viana o homem a quem melhor escutei a contar uma anedota. Não por ser intelectualmente correto dizê-lo, mas porque não me revejo em anedotas contadas como sketchs televisivos, não faz parte das minhas preferências o humor tipo «Malucos do Riso», pese embora o meu anunciado critério largo, confessando, no entanto, que em um ou outro momento tenha soltado uma gostosa gargalhada. Nunca conheci um comediante "tão sério" como Mário Viegas e ainda hoje não ouvi ninguém ler um poema de Mário-Henrique Leiria como ele em que não sabemos se havemos apenas rir ou, em alternativa, chorar a rir.  Herman José  fez-me, durante muitos anos, sentir apaixonado pelos seus programas de humor e até  com os Gato Fedorento ri a bom rir (já sei que vou levar porrada de alguém). E vi também aparecer em programas mais recentes (?) como o «Levanta-te e Ri» alguns personagens que me alegraram os serões televisivos, como o Bruno ou o Serafim.


Vem este relambório a propósito de uma coisa que ontem passou na SIC Radical, chamada «Roast». Já sei que a resposta ao que vou dizer é que só vê quem quer, quem não quer muda de canal. Mas isso é treta. Então nunca poderia haver crítica. Toda a gente mudaria de canal quando a coisa não prestasse (ou não gostasse) e, pronto, mandava-se às urtigas a análise crítica e o direito à opinião contrária. Felizmente tenho bom estômago e não vomitei durante o programa. Consistia aquela coisa (chamo-lhe coisa porque não consigo arranjar um adjetivo qualificativo para aquilo) em apresentadores e criadores de programas da SIC Radical aproximarem-se do microfone para falarem mal dos colegas presentes, embora também o tenham feito de ausentes, pretendendo ter piada nas suas apreciações. O que se assistiu foi a um rol de ordinarices em que quase todos referiam que cada um dos outros e das outras só tinha conseguido um programa na SIC Radical porque passavam o tempo a fazer bobós ao seu diretor ou a dar-lhe o rabo. E isto ainda era, talvez, o menos ofensivo. E os outros que depois viriam insistir na mesma tecla quando chegava a sua vez riam feitos papalvos destas insinuações, fazendo até crer o espectador que poderia ser verdade. Houve então um que saiu na rifa aos restantes colegas e passou a noite toda a ser apelidado de paneleiro e sempre com um sorriso na cara. Culminava a apresentação com cada um a falar mal da própria SIC Radical, provavelmente na única verdade que diziam, pois o resto era pressuposto ser apenas piada (?????), referindo que a SIC Radical havia batido no fundo. Recuso-me referir os nomes dos protagonistas para não propagandear tão baixa qualidade mas abro duas exceções. A primeira é para a blogger Pipoca Mais Doce . A senhora até escreve umas coisas giras, conseguiu uma legião de fãs, tem, provavelmente, o blog mais lido na blogosfera, é profissional contratada por várias marcas, ganha uma pipa de massa assim, aceito, obviamente, que merecidamente e esteve menos mal na apreciação dos companheiros, não caindo na ordinarice pura e dura, malgré não ter resistido a chamar puta a uma outra que lá estava. Acho que a Ana Garcia Martins não precisava de ter aceitado aquele convite, mas da carteira de cada um, cada um é que sabe e é lá com ela. A outra para o diretor da SIC Radical, um tal Boucherie que é mais conhecido por ser júri no programa «Ídolos» e ter gozado com a deficiência de um concorrente efetivamente deficiente do que por ser diretor daquele canal do cabo. E refiro-me a ele porque fiquei com a impressão de que ele não estava nada envergonhado com aquilo a que assistiu. Se fosse eu o diretor, apesar do meu estômago ser bastante resistente era capaz de ter levado um baldinho comigo. É que ao vivo e a cores não sei se conseguiria resistir ao vómito.

quinta-feira, novembro 12, 2015

1625. A privatização da TAP



O lado para o qual me deito melhor é o de considerarem esta minha opinião de esquerda ou de direita. Posto isto, afirmo que a minha convicção é de que uma companhia aérea comercial não me parece estratégica para a economia e desenvolvimento de um país. Nem que esse país se chame Portugal e tenha relações (hoje em dia relevadas pelo PR na constituição do governo) privilegiadas com a CPLP e nas suas rotas inclua Moçambique, Angola, Guiné e por aí fora... e, se calhar também a Guiné Equatorial que o (ainda)  governo atual colocou no mapa dos países lusófonos. Uma empresa que tem mais de 100 milhões de prejuízos anuais, quanto mais depressa um governo se ver livre dela, melhor.  E a mais um governo (e outros anteriores) que deveriam corar de vergonha por pagarem salários principescos (quantos salários mínimos isso dá, quantos?) a gestores de uma companhia que acumula, ano após anos, prejuízos. Até abriria um parêntesis para dizer que se alguém a compra não será para perder dinheiro, antes pelo contrário e que, como consequência, porá no olho da rua todos estes gestores incompetentes. Se o não fizer e a TAP passar a dar lucros então o que o próximo governo tem de fazer é colocar os atuais gestores em tribunal por eventual boicote à economia nacional. Mas posto isto, o que me leva hoje a escrever este post não é facto de eu achar que a TAP deve ao não deve ser privatizada. Já dei isso de barato. O que eu quero chamar a atenção é para o oportunismo e falta de caráter de um governo demitido avançar com este processo à revelia de uma nova maioria parlamentar que o relegou para fora das portas de S. Bento. É que nesta política de vale tudo não sobra vergonha na cara a estes descarados.  As metas do deficit justificam isto? E a dignidade de quem quer ser, aos olhos dos outros efetivamente digno, hein? Não vale nada?

sexta-feira, maio 01, 2015

1624. O direito à greve


O direito à greve foi, em quase todo o mundo e em Portugal apenas após o 25 de abril de 1974, uma conquista dos trabalhadores. É bem provável que mais de metade dos trabalhadores portugueses de hoje nunca tenham trabalhado antes do 25 de abril de 1974 ou que já tenham nascido com este direito adquirido, alguns dos quais sem lhes passar pela cabeça que este direito já custou muito sangue, muito suor e muitas lágrimas. Sou totalmente contra aqueles que afirmam que este direito deve ser usado parcimoniosamente.  A greve deve ser usada como uma arma de quem trabalha contra as agressões de que são vítimas enquanto trabalhadores, agressões ao seu direito ao trabalho, ao seu direito a uma remuneração justa e até ao seu direito ao descanso.  

Vem este meu texto hoje, a propósito das duas greves anunciadas para, ou a começar, no dia 1º de maio, dia do Trabalhador num grande número de países do mundo. A greve dos pilotos da TAP e a greve dos trabalhadores do comércio. Se à greve dos trabalhadores do comércio está para mim fora de questão não lhe dar o meu total apoio, dada a justeza das reivindicações, já em relação à greve dos pilotos da Tap tenho a maior das reservas. No entanto, é esperado que uma e outra tenham níveis de adesão e até mesmo motivos para a não adesão completamente diversos.

Os trabalhadores do comércio convocados foram os das grandes superfícies de distribuição. Está condenada à partida, quer ao nível da adesão, quer ao impacto mediático. O impacto mediático está praticamente reduzido a zero dada a simultaneidade com a greve dos pilotos da Tap e do que esta representa parece representar para a privatização anunciada. Mesmo os critérios jornalísticos, que é uma direção para a qual não vou agora intensamente disparar não estão para aí virados. O que é isso de relevante de licenciados em relações internacionais ou em patologia forense, ou apenas com o "miserável" 12º ano,  estarem a ganhar 2,00 € por hora em lojas dos centros comerciais?  Se é para falar em miséria que se façam reportagens na China, na Coreia do Norte ou em Cuba...

"Mas os trabalhadores do comércio também não aderiram à greve", poderá, quem lê, argumentar. Pois, não! Reitero eu. Caminha-se a passos largos para a destruição dos direitos conquistados pelos senhores do capital com a conivência dos governos democraticamente eleitos. Quem é que, mesmo ganhando miseravelmente, com contatos precários de 3 e 6 meses (falaram-me já de casos de contratos mensais), com quase 1 milhão de desempregados à espera e bocas em casa para sustentar, estudos para pagar, medicamentos, muitos destes trabalhadores andam a trabalhar doentes, vidé o comunicado do sindicato, transportes, vestuário e renda de casa, se pode dar ao luxo de ceder o seu lugar a outro? Nem que morram no posto de trabalho, não "poderão" fazer greve.

Quanto à greve dos pilotos são outros quinhentos. Mas essa é amplamente debatida nos media.

Miguel Torga escrevia no seu Diário, em 1946. O Portugueses são imbecis ou por vocação, ou por coação ou por devoção.

A atender às sondagens, por devoção não tenho dúvida. Como por vocação é tão evidente que nem vale a pena argumentar, resta-me dizer que sob coação, se calhar, até eu sou português.

terça-feira, novembro 05, 2013

1623. Não havia necessidade



Durante alguns anos, após a inauguração do metro do sul do tejo na região de Almada, a ex-presidente da Câmara criou uma zona pedonal numa área nobre da cidade, nomeadamente, o eixo central desde a praça S. João Baptista  até, aproximadamente, metade da Av. D. Afonso Henriques. Na verdade não era totalmente reservada a peões, havia via aberta para algumas carreiras de autocarros, táxis, veículos em marcha de urgência e os chamados veículos autorizados. Aqui d’El Rey, gritaram os comerciantes e alguns outros que não tendo nada a ver com o comércio, faziam coro ideológico contra a Câmara Municipal de Almada (CMA). E Aqui d’El Rey que as alterações feitas tiravam a frequência dos clientes às lojas por ausência de estacionamento e de passagem pelas montras, etc. e tal e mais um par de botas e um conjunto de imbecilidades, perdoem-me a franqueza. Não sei por que razão, se tática ou se de falta de coragem ou mesmo falta de convicção numa solução que fazia parte integrante da mobilidade reconhecida internacionalmente, vejam os prémios recebidos, caraterística da cidade de Almada. Hoje o “canal está aberto”, a circulação pedonal é um perigo e uma aventura para corajosos, misturam-se zonas de passeio com faixas viárias (já assim era, na verdade, mas com um número muito reduzido de veículos) e um estacionamento anárquico. Vou desde já pedir ao Exmo. Presidente Dr. Joaquim Judas, pessoa por quem nutro estima, para que arrepie o caminho entretanto traçado e volte à fórmula antiga dos veículos prioritários. Porque o comércio no centro de Almada continua às moscas, é penoso o número de lojas fechadas e os que gritavam por esta solução hoje parecem bem mais calados porque se calhar ainda estão a engolir a própria gritaria. Deem uma voltinha pelo centro de Almada e confirmem. É que enquanto houverem  zaras e pulls e outras âncoras espanholas em grandes superfícies comerciais, só se safam as lojas de chineses no chamado comércio tradicional. E não me venham com o tratamento personalizado e de proximidade que eu já não ganho para isso.

sexta-feira, setembro 27, 2013

1622. Eu vou votar

Antes que comece o período de reflexão, tenho de mandar cá para fora as minhas mágoas. Estou num pentalema ou mais, porque isto já não é dilema, nem trilema nem o raio que o parta. Já recebi na minha caixa do correio as listas de todos os principais partidos em jornais, brochuras ou flyers  e dos que não recebi vou olhando para os outdoors e para os mupis.  Oiço dizer que nas Autárquicas o que interessa são as pessoas, normalmente dito pelos partidos que estão à rasca. Tenho de vos dizer que nem nas listas da CM, nem nas da AM nem mesmo, estas que deviam ser das pessoas mais pertinho de mim, da Junta de Freguesia, não conheço uma única pessoa. É obra. Bem sei que o Concelho tem mas de 180 mil habitantes, mas eu conheço pelo menos 3 mil deles. Nenhum nas listas? Bolas!

Bom, tendo em conta que o PCP mais uma vez ganhou estas eleições, que o PS mostrou aos portugueses que este governo não tem futuro, que o PSD vai dizer que esta votação não pode ser confundida com o mandato que recebeu dos portugueses para governar, que o CDS vai dizer que onde há lavoura, as pessoas não esquecem quem lhes quer bem, apesar de não estar muito satisfeito com Ponte de Lima, que o BE vai dizer que Salvaterra de Magos é o exemplo da justeza da sua política anti-piropos e quiçá anti-touradas, que o MRPP voltará a dizer que se não fosse as pessoas confundirem a foice e o martelo no símbolo da CDU teria ganho muitas câmaras, principalmente no Alentejo, vejo-me na obrigação de declarar que não voto em independentes. Eles são independentes de quem? E se correr bem para eles mas mal para as populações vamos penaliza-los como? Não votando no partindo independente?


Ufa! Isto já não é um pentalema. Isto é uma confusão do caraças. Mas uma coisa é certa. Vou votar. Não dou a chance a ninguém me dizer, “não faz mal, eu votei por ti”.

sexta-feira, setembro 13, 2013

1621. Eles andam literalmente a cavar a sua própria sepultura



Hoje vou-vos contar uma coisa que sei que ninguém vai acreditar em mim. Vão todos dizer, “pode lá ser, estás a pintar, a ZON não trabalha assim, etc e tal”. Pois eu juro por tudo quanto é sagrado que isto é verdade. A ZON tem um produto que se chama SPORTV Multiscreen que permite a um cliente ver a Sportv em duas boxes em sua casa. Eu tenho a Sportv há muitíssimos anos e pago por isso 26,79 € por mês. Segundo a ZON isto é porque eu beneficio de um voucher que me permite pagar este preço e não 29,35€ que é o custo normal. Seja como for eu solicitei que me ativassem a segunda box, tendo dado quer o número de série da box, quer o do cartão. Mas eles ainda não ativaram porque dizem que têm um problema informático por causa do tal voucher. E é aqui que eu acho que vocês não vão acreditar em mim. É que eu pedi a ativação da Sportv Multiscreen no dia 24 de Agosto. Há portanto 21 dias ou seja 3 semanas! Alguém acredita que a ZON ainda não o tenha feito? Só posso estar a mentir não é? Eu acho que a ZON está a querer, com o meu caso, bater o record das listas de espera dos hospitais. Acho, sim.