sexta-feira, junho 30, 2006

1001. Olhem lá, ele se há putas é para todos os gostos, ouviram?

(Prostituta, Georges Rouault, 1871-1958)

Há coisas que eu sei.
Por exemplo:
- Sei que o estilo PreDatado não agrada (nem tem de agradar) a toda a gente e por isso,
- Sei que abordar temas como a deslocação de empresas, a corrupção, os pressupostos interesses de alguns, nos e dos municípios, as presidências abertas, hoje roteiros ou os interesses americanos nas petrolíferas do Sudão versus Darfur, deveriam ser tratados em exclusivo nos blogs políticos e (principalmente) nos de figuras públicas, em vez de o ser em blogs generalistas como este e como tal não dá muitas visitas;
- Sei que se o PreDatado escrevesse contos eróticos, apelativos, com fotos de gajos e gajas a dar valentes quecas, talvez hoje fosse um blog de sucesso;
- Sei que se o PreDatado publicasse receitas de pratos exóticos comidos com dois pauzinhos, ou à beira mar tropical ou, ainda, receitas de bolos conventuais portugueses hoje tinha aqui uma troupe de fans, cozinheiras e cozinheiros amadores a copiar e a experimentar;
- Sei que se o PreDatado linkasse os 4876 blogs portugueses, mais os talvez 2.430.000, aproximadamente, blogs internacionais, teria por cada um deles, pelo menos uma visita de retribuição, assim S. Technorati o ajudasse.

Mas meus amigos tenham lá a santa paciência. Virem aqui todos os dias à procura de “putas pretas”, não vale. Se Maomé não vai à montanha terá, forçosamente, a montanha que se desmoronar e cair-lhe em cima? Quantas vezes terei aqui que dizer que o PreDatado não é um blog racista?

quinta-feira, junho 29, 2006

1000. Mil

Este é o post número 1000 publicado aqui no PreDatado. Poderiam ter sido dois mil ou apenas quinhentos. Mas não foram, foram mil. E como o PreDatado é feito de originais, esta é a milésima vez que o Pré teve que inventar um texto para aqui publicar. É claro que ao PreDatado, quando começou a publicar, jamais lhe passaria pela cabeça ser capaz de se aguentar assim à bronca. E uma vez que o PreDatado nunca ganhou um único prémio daqueles que sistematicamente a blogosfera teima a atribuir a uns e a outros por esta ou aquela razão, o Pré decidiu atribuir hoje um prémio ao PreDatado ou seja, a ele próprio. E como quando se recebem prémios é usual fazer um discurso de agradecimento, aqui vai: Quero agradecer este prémio a todos vós meus fieis leitores, sem os quais o PreDatado não teria razão de existir.

terça-feira, junho 27, 2006

999. Darfur

Na frente dos amigos ele sempre se apresentava como um indivíduo muito culto. A sua boa memória levava-o a discutir pormenores da História de Portugal tais como o casamento de Maria Francisca Isabel de Sabóia com D. Afonso VI e com D. Pedro II ou a detalhes da História Universal como a biografia de Emiliano Zapata. Tão depressa se mostrava um defensor da teoria da moral de Immanuel Kant como em outros fóruns se deliciava a bisturiar a obra de Marquês de Sade. Sabia tudo sobre armas convencionais e nucleares, tinha opinião formada sobre o ensino, a educação e a justiça. Não era raro vê-lo dissertar sobre o papel das instituições, da câmara Municipal ao Presidente da República e, aqui e ali, deixava recados que, dizem as más-línguas, eram muito tidos em consideração. Quando, em frente de um televisor, assistia com a família e amigos aos concursos televisivos tinha sempre uma resposta na ponta da língua para as mais rebuscadas perguntas ou mesmo, quando errava, sabia desenvolver uma teoria sobre a falha que cometera onde em larga prosa, que poucos entendiam, explicava o motivo da sua confusão. Era também um colunista de jornais, usava a Internet com frequência e tinha até um blog de referência. A sua vocação política obrigava-o a aceitar fazer prelecções públicas, fosse para assistências de 50 pessoas, em pequenos espaços de sociedades recreativas ou estúdios de cine-teatro, fosse em Universidades ou em debates televisivos, onde era visto por muitos milhares de telespectadores. Defendeu a intervenção dos Estados Unidos da América no Afeganistão e no Iraque e é um defensor também da teoria do eixo do mal. Quando lhe perguntaram uma opinião sobre Omar-Al-Bashir e a situação em Darfur, recusou fazê-lo. Parece que não quer misturar a sua aura de humanista com os interesses americanos nas companhias petrolíferas do Sudão. Ainda há pessoas com pudor, digo eu.

segunda-feira, junho 26, 2006

998. Adoptem-me




Toda a noite miou debaixo do capot de um carro. Alguém que descobriu de onde o som vinha, colocou um aviso: “Por favor, não ligue o motor antes de abrir o capot”. E lá estava esta bigodinhas linda. Depois de a salvarmos, lavarmos e desparasitarmos, a bonequita da foto ficou à nossa guarda. O Schubert, a Yasmim e a Flora estão a tentar convencer-nos a ficar com a Charline (já notaram aquele bigode à Charlie Chaplin?). Mas nós não podemos porque nos arriscamos a que cada bicharoco que salvemos entre para a família e a nossa missão de Família de Acompanhamento Temporário não será bem cumprida. Assim e porque a Charline quer viver 15 anos, com mimos, bem tratada e compromissada com uns donos que nunca a abandonem, nem mesmo nas férias, ela está disposta a ser adoptada. Se você que me lê reúne os atributos necessários para cuidar de uma doçura destas não hesite em me mandar um e-mail (vmaf@netcabo.pt). A Charline ficará grata, nós e os potenciais candidatos a novo salvamento também. Ah, é verdade, eu moro na região Almada / Corroios.
997. O dia seguinte

Ele parou ali o carro porque ali havia um quiosque. E ao lado, um pequeno café com três mesas na esplanada. Tudo junto perfazia as suas necessidades de espaço, de tempo e também de um café e de um cigarro. Não poderia demorar mais do que meia hora já que não era seu hábito chegar atrasado a nenhum compromisso. Estava numa pequena vila, num subúrbio da grande cidade.
Isto foi hoje, nos arredores de Lisboa.
Nos subúrbios podem-se encontrar pequenos cafés com só três mesas na esplanada. E podemo-nos sentar, com o jornal comprado, mas ficar a olhar o garoto que sozinho dá uns pontapés na bola em cima do passeio onde uma senhora, que aparenta não ter mais de 40 anos, passeia um caniche. Podemos ver as duas vizinhas que se encontram e não se cumprimentam apenas, mas que ficam ali uns minutos na conversa. Talvez a dissertar sobre o custo de vida, atendendo à alcofa de onde saía uma rama de nabos. Na porta da padaria em frente, talvez reformado, um idoso suporta numa mão uma bengala e na outra um saquinho plástico com quatro papo-secos. Também passou o carteiro que cumprimentou cada um sem nunca abrandar o passo, excepto na porta de cada prédio. Puxou de um segundo cigarro, olhou furtivamente a capa do jornal acabado de comprar, levantou a cabeça e interrogou-se porque é que toda aquela gente, inclusive o fulano que estava a aspirar o carro, junto á janela de onde saía um cabo eléctrico por baixo da persiana, assobiava, interrogou-se, continuo narrando, porque é que haveria tantos sorrisos nos rostos daquelas pessoas. Apagou a beata no cinzeiro improvisado com uma taça de gelado, dobrou o jornal, olhou o relógio e levantou-se. Ergueu a cabeça e deu uma olhada em redor. E viu em cada varanda uma bandeira portuguesa.
Não queria nem deveria chegar atrasado. Ligou a ignição do carro e o rádio onde falavam de futebol.

domingo, junho 25, 2006

996. Roteiro

O galo cantou quatro vezes, mas nem teria sido preciso. Ela estava atenta e pulou da cama ao primeiro có-có-ró-có. Na véspera tinha-se deitado cedo, mais ou menos quando o noticiário da TVI começava a dar uma reportagem de futebol. A bola não lhe interessava para nada e, o mais importante já ela tinha visto.
Isto foi no Alentejo, no ano de 2006.
Abriu a porta do galinheiro e ao mesmo tempo que, entre cacarejos, as galinhas saíam para a rua, ela recolhia os primeiros ovos da manhã, quase todos eles ainda quentes. Eram bem mais de duas dúzias. Depois foi ela quem saiu, ligou a bomba do poço e começou a regar a horta. As alfaces, a couve-galega, os tomateiros, os pepinos e as várias leiras de nabiças não podiam deixar de beber logo pela manhã. Eram o seu sustento, mas hoje não haveria colheita. Amanhã, bem cedo, logo ela iria acartar mais umas cestas de legumes onde os venderia na vila e recolheria os magros cobres da sua subsistência. Hoje era um dia especial e por isso também não se importava de ter de gastar mais água. Hoje iria tomar banho completo. E vestiria o mesmo vestido preto e cuidaria melhor do lenço da cabeça e até as meias e os sapatos seriam os mesmos com que vai à missa. Hoje era um dia especial e ela também (lá no seu íntimo não sabia bem o que isso queria dizer) achava que era uma excluída. E o Senhor Presidente iria vê-la lá no meio da multidão, talvez até lhe acenasse e, com sorte, coisa que ela nunca teve na vida, vinha-lhe sempre à memória o ter ficado viúva com 30 anos de idade e já três filhos, um dois quais ainda de colo, talvez, com sorte pensava ela, quem sabe lhe desse um beijo.

sábado, junho 24, 2006

995. Os intelectuais e o rei na barriga

Talvez eu tenha alguma raivinha de estimação por políticos, jornalistas, intelectuais e outros fazedores de opinião. Talvez seja algum recalcamento, um trauma de infância, alguma dor de corno. É um bom tema a explorar nas minhas próximas consultas com a minha psicóloga. O que eu não tenho é a má-criação que muitos deles aparentam sob a intelectualoide capa com que se revestem. E se há coisa que não tenho é o rei na barriga.
Vem isto a propósito de um comentário que deixei, num dos raros blogs, que leio, escritos pelas classes que mencionei.
Eu conto a história.
Um famoso senhor Fernando Venâncio, ao que sei (saberei?) ligado aos meios universitários, intelectuais e de opinião da nossa praça, publicou uma tradução portuguesa, a partir de uma versão holandesa de um poema de um poeta que ele (Fernando Venâncio) considera (ou pelo menos faz eco), "…Han Dong, representante - assim foi dito - de certa nova corrente, que preza a linguagem comum". Porque eu não gostei do poema, não achei nada de interessante nessa linguagem comum, mas os intelectuais lá sabem, serão porventura mais avalizados para achar o que é bom do que eu, resolvi fazer uma pequena charge num comentário. Um comentário ao estilo do PreDatado, blogger, mas não desligado do Alves Fernandes, pessoa, pois tudo o que aqui escrevo não só o assumo, mas é também, obviamente, um reflexo do seu autor.
Ora o Senhor Fernando Venâncio não gostou nada da brincadeira o que eu, mesmo sem ser um intelectual do seu nível, reconheço ser um direito dele. O que não lhe reconheço é o direito de me ter apelidado de estúpido. Por isso lhe dei uma resposta imediata na caixa dos comentários e agora à posteriori aqui no meu blog, para que se posterize. É que ser intelectual não é forçosamente sinónimo de ser bem formado ou de ser bem educado. Pode apenas ter sido consequência do berço que tiveram. Pode não ser o caso do senhor Fernando Venâncio. Mas eu conheço vários assim. E quando alguém me quiser chamar estúpido que me chame, mas que o demonstre primeiro.


PS. Senhor Fernando Venâncio fique também a saber o seguinte, já que fez o favor de me referir as suas competências. 1- Não sei chinês; 2 – Falo razoavelmente português, espanhol e francês; 3 – Antes dos seus “há 37 aninhos” a falar holandês, já eu falava inglês. 4 – Gosto de bolacha Maria a acompanhar o café com leite.

sexta-feira, junho 23, 2006

994. Tiramissus e pasteis de nata

Ricardo tinha terminado um curso superior. Via negro o seu futuro. Não negro como um carvoeiro vê os seus dias, porque essa é a cor do seu futuro. Nem negro como o fato do gato-pingado pois essa é a cor do seu presente. Vê negro como quem espreita aquele túnel do comboio, sem comboio. Sem nenhuma luz lá no fundo.
Isto foi em Portugal, na cidade de Lisboa, em 2006.
Ricardo pegou no Correio da Manhã que estava em cima da mesa do café para ler os classificados. É um café de bairro, do bairro onde vive, onde conhece toda a gente e toda a gente o conhece desde miúdo. Foi por isso que teve de perder uns minutos a conversar sobre as prestações da selecção no Mundial com o Sr. Joaquim, o dono do talho onde a D. Henriqueta, a mãe, lhe compra o inevitável bife diário do almoço Também é porque conhece toda a gente lá da zona que a Fernandinha, uma solteirona militante, se senta sempre na mesa dele para beber o galão e comer a tacinha de tiramissu (*) diária. E para ouvir o humor sempre brejeiro de Ricardo. A Fernandinha fica corada com a malandrice sub-reptícia de Ricardo, mas pela-se por ouvi-lo. Depois deve sair dali a pensar num casamento que nunca conseguiu ou que nunca quis e quiçá a tentar desvendar se a culpa é dela ou do tiramissu. É que na mente de Fernandinha tem sempre de haver um culpado. O Ricardo acha que não, que nem sempre tem de haver um culpado. E hoje foi com Fernandinha que dissertou sobre o tema, ainda com o Correio da Manhã na mão. Deu-lhe a ler (enfatizando algumas passagens com leitura simultânea em voz alta), aqueles artigos que falavam de uma suspeita venda de terrenos ao Metro do Porto, numa história mal contada, lá para os lados de Gondomar, uma outra que falava de um tipo que outrora foi secretário pessoal de um conhecido apresentador de televisão e que dizia que este tinha fontes privilegiadas no processo Casa Pia, outra ainda que dizia que o processo Apito Dourado estava mais uma vez suspenso. A Fernandinha, decepcionada por não descortinar culpados, pagou a sua despesa e gentilmente a bica de Ricardo. Saiu, como sempre, pensando que se calhar culpados só mesmo os tiramissus (malditos homens que não gostam de gordas), pois no meio daquelas notícias havia outra que dava conta de uma intensa actividade da justiça italiana sobre a corrupção no futebol transalpino. Ricardo, devorava agora um pastel de nata enquanto voltava aos classificados. Pelo olhar distante, supõe-se que estaria a culpabilizar-se por não se ter licenciado em Engenharia da Corrupção.


(*) para quem estiver interessado, encontram-se na Internet várias receitas de tiramissu.
993. Fecharam 195 parques infantis

O dia nasceu azul quando o Sol lhe beijou as roseiras do quintal.
Isto foi em Portugal em 2006. Era Sábado.
Na televisão, acesa desde que o pequeno Carlos, sorrateiro, saiu da cama, passavam os desenhos animados mais estúpidos que as crianças podem assistir. Isto dizia o avô Luís que ainda era do tempo do Bip-Bip e do Coyote, do Pernalonga e do Gaguinhas, do Silvestre e Piu-Piu, do Tom e do Jerry, do Poppey e até do Super Rato e também do Gato Félix. A mãe colocou-lhe à frente um prato de cereais com leite que ele devorou sem levantar os olhos da tela. Depois de o obrigar a lavar os dentes, vestiu-lhe aquela blusa branca e o calção azul às riscas, com alças e peitilho de jardineiro, que a tia Ivone lhe tinha oferecido quando fez quatro anos. Ajudou-o a apertar as sandálias e passou-lhe os dedos pelos cabelos encaracolados.
Saíram de mão dada, cumprimentaram a D. Gertrudes que chegava do supermercado (o que faz correr esta senhora, viúva, mais de 70 anos, bicos de papagaio, a chegar do supermercado às dez da manhã, terá pensado). Carlos ainda perguntou à mãe porque é que a D. Gertrudes andava assim meio agachada, mas a resposta não lhe deve ter interessado muito, pois não fez mais nenhuma pergunta. Continuaram o passeio em silêncio, com o Carlos de olhos muito abertos a observar tudo quanto o rodeava, duas raparigas que corriam para o autocarro com os braços levantados a acenar, o cego que tocava acordeão na esquina da Rua 25 de Abril com a Rua de Angola, dois polícias com as mãos agarrada aos sacos de plástico pretos (com roupa contrafeita, mas isso só a mãe o sabia) e a algazarra que rodeava a acção, um senhor a ler A Bola encostado ao semáforo.
Pararam e esperaram o sinal verde. Só atravessavam no sinal verde, de pequenino é que se torce o pepino. Iriam repetir a travessia tantas vezes quantas as passadeiras que circundavam a rotunda. Deram duas voltas à rotunda, depois voltaram para casa. A vila tem muitas rotundas, mas aquela tem relva e flores. Só não tem baloiços.
Carlos sentou-se à frente da televisão e continuou a ver os desenhos animados. Aqueles desenhos estúpidos, como dizia o avô Luís.

quinta-feira, junho 22, 2006

992. Deslocação

Uma nuvem de cheiros atravessou a casa e penetrou-o no estremunhado sono que ainda lhe restava. Um agradável odor, misto de café e torradas, anunciava-lhe a presença de alguém na cozinha, onde um tiritar de colher beijando a chávena confirmava um, agora, leve receio. Estendeu o braço esquerdo perpendicularmente ao corpo e obteve a certeza da primeira desconfiança. Ela já lá não estava, apenas um quase vazio preenchido por uma almofada. Do outro lado com uma ligeira apalpadela descobriu os óculos e colocou-os. Depois abriu os olhos e pestanejou várias vezes como que a dar os bons dias ao raio de luz que atravessava a frincha da janela mal fechada. Desceu cuidadosamente da cama (a malvada dor de coluna acompanhava-o há largos anos), mal acordado, olhou em volta e descobriu na cadeira onde tinha deixado de véspera o roupão em cetim azul-escuro que ela lhe tinha oferecido no início deste verão. Por uns momentos ficou a pensar na importância que tem uma cadeira de quarto, no seu papel de fiel depositária e da tranquilidade de um objecto que durante anos não sai do mesmo local. Palermices, pensou, será a idade… De repente alteraram-se-lhe os humores (terá descoberto que dia era hoje?). Arrastou os pés até estes se enfiarem nos chinelos, quase com uma precisão matemática. Pudera. Durante mais de quarenta anos colocava os chinelos de quarto sempre no mesmo sítio e sempre que se levantava era a segunda coisa que procurava. A primeira eram os óculos depositados sobre o livro da noite na mesa de cabeceira. Pegou no roupão, seguiu a trilha dos cheiros e observou-lhe a nuca prateada na entrada da porta da cozinha. – Bom dia!, disse-lhe ela, mal o pressentiu. - Bom dia, respondeu-lhe acariciando-lhe o cabelo e debruçando-se para lhe beijar o pescoço. - Acho que adormeci, como que a desculpar-se. Porque não me acordaste? Hoje vou chegar atrasado. Maldito vício o de adormecer agarrado aos livros. Esta noite, juro, apagarei a luz mais cedo e serei eu quem fará o pequeno-almoço. Ela rodou a cabeça, olhou-o com ternura nos olhos, pediu-lhe que se sentasse no lugar em frente e respondeu-lhe. – Agora já não precisas. Uma pequena lágrima correu-lhe, inevitável, pelo rosto. Pela primeira vez, desde os seus vinte anos que não tinha de ir trabalhar à segunda-feira. E vieram-lhe à memória, numa catadupa de imagens, os anos da fábrica que acabara de fechar. Um macaréu subiu-lhe corpo acima num curso percurso do estômago ao peito. Baixou a cabeça, e começou a barrar o pão com doce de cereja. Uma segunda lágrima caiu-lhe na chávena de café.

domingo, junho 18, 2006


990. Eu estive de férias

I - As férias e o tempo

Um gajo sai de casa depois de um trinta e seizão de calor e ruma aos algarves de D. Sancho II. Chegado que foi, o tempo parece dar razão ao investimento ferial e vai daí aproveita o primeiro dia, que é Domingo, para dar uma vista e olhos à terra dos seus antepassados com o argumento de que terá uma semana inteirinha para trabalhar para o bronze. E se bem o disse, bem o fez e na segunda-feira lá estava ele a banhos na Rocha. Parece que o S. Pedro não gostou deste abuso de confiança e vai daí mandou chuva e vento que foi um fartote. Não tive outro remédio senão virar-me para

II – As férias e a gastronomia

E em vez de um bronze daqueles, acompanhado de umas sandochas, acabei caído em restaurantes e em petiscadas em casa de amigos. Resultado, mais três quilos e um furo diferente no cinto. Mas se a morada dos amigos não forneço, há dois restaurantes, dos que frequentei, que tenho de recomendar. Como estive centrado em Silves, não percam a marisqueira Rui. Ostras de primeira, da Ria Formosa, as amêijoas muito bem cozinhadas, as sapateiras e santolas cheias e temperadas quanto baste e um serviço muito simpático a merecer uma boa gorjeta. Não me aproximei da lagosta porque o médico (€h! €h! €h!) me disse que me fazia mal. O outro, o Caçador, na estrada Silves – Monchique, vale pelo prato especial da casa. Todo à base de carne de porco preto criado na serra, vale a pena experimentar. E não é caro… por falar nisso lembrei-me de

III – As férias e os preços

Estou totalmente de acordo que museus, exposições, parques naturais, etc., sejam de entrada paga. Mas 8€ de entrada no Parque da Mina, é um perfeito exagero. Talvez por isso, no que respeita a visitantes, estivesse praticamente às moscas. Mas as moscas que me preocupam não são essas, são as da política. Como alguém disse um dia, só mudam as moscas… e

IV – As férias e a política

Mesmo de férias lá fui arranjando um tempinho para ouvir os telejornais. E ouvir o discurso da Ministra da Educação. Devo ter andado muito distraído para nunca ter percebido porque é que quase toda a direita, tem aplaudido as suas medidas e a consideram um dos melhores ministro deste governo. Que o Diga, Luís Delgado, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos outros. O seu discurso sobre a greve dos professores e o papel dos sindicatos, deve ter deixado o deputado Nuno Melo e o deputado Telmo Correia a roerem as unhas de inveja por nunca terem ido tão longe. Quanto a si, Sr. Primeiro-Ministro em plena crise da Ford-Azambuja e dos previsíveis mais 1500 desempregados, responder aos jornalistas que só “quer falar da Europa”…(não, não, não era da Auto-Europa), fico sem comentários. Talvez seja melhor eu comentar o futebol.

V – As férias e o futebol

Como não sou um intelectual não sei comentar as opções de Scolari. Mas no dia que eles tiverem que morder a língua, eu direi mais qualquer coisa. Força Selecção! Força Figo, Deco, Petit, Ricardo, Costinha… Força Felipão!

sexta-feira, junho 09, 2006



989. Até logo, fiéis

1. O Supremo Bispo está quase a abdicar. Vai tirar uma semanita de férias, para terras algarvias e não quer regressar com o rosto coberto de vergonha pela obra que Criou lá em baixo. Haja Deus!

2. Foi bom ter sido o Supremo da Igreja da Pré-Concepção. Poderia ter sido melhor se os meus fiéis tivessem pago o dízimo. São uns forretas do caraças.

3. Os Bispos e Bispetas desta igreja e que hoje entram para os supra-numerários tirem o cavalinho da chuva que não lhes pagarei 5/6 do ordenado. Pensam que a Igreja é a casa do Sócrates ou quê?

4. Os textos que emanaram deste exercício, foram distribuídos por aqui e pelo Ante & Post, por questões de gestão do espaço e do tempo. Não são nada de especial, que o diga o número de comentários que obteve. Mas eu gostei de os escrever e isso é que é importante. Se eu não tivesse escrito o 1º ponto deste texto, agora estaria a dizer que vocês, figurinhas da minha diversão, não comentaram porque Eu não quis.

5. Então, até para a semana, quer dizer para a outra, se Eu quiser!

quinta-feira, junho 08, 2006

988. Eu sei que sou chato, mas a Deus tudo se permite

Eu não sei se a vós, figurinhas da minha diversão, já vos tinha posto na cabeça que sou Eu que ando a minar o processo Casa Pia. Mas se não acreditam leiam mais uma que Eu engendrei para PROVAR que todos os arguidos são inocentes: “A PJ transportou crianças, nas suas viaturas, sem usar a respectiva e OBRIGATÓRIA cadeirinha”. Assim, entre aspas porque esta notícia saiu, por Minha determinação, previamente em jornais. Ora sem cadeirinha não vale, é ilegal, portanto a investigação está mal feita. E claro, os coitados dos arguidos não podem ser condenados num processo assim. Mas fiz mais coisas destas, atenção. Ou já se esqueceram do envelope 9, sobre o qual eu tinha prometido um rápido e urgente inquérito, pela voz do antigo PR, e ainda ninguém sabe de nada? Acham que Eu vou deixar vocês, hologramas, gente sem alma nem coração, apenas projecções da minha imaginação, saberem tanto quanto eu?
987. Eu, Supremo Bispo, e as contas certas

Eu decidi quem seria o próximo Campeão do Mundo de Futebol. E como estamos na véspera do seu início vou já revelar o meu veredicto. Será o Brasil!

A Itália ao ganhar em 1934 e 1938 quebrou a regra dos 3964. Por isso tive de lhe aplicar o castigo (ainda hesitei entre a Itália e o Uruguai) de não voltar a vencer até 1982. É que 1982 + 1982 = 3964.

A Alemanha ganhou em 1954, 1974 e 1990. Ora 1974 + 1990 = 3964. Portanto terá de esperar mais quatro anos para voltar a vencer: 1954 + 2010 = 3964.

A Argentina ganhou em 1978 e 1986. Porque 1978 + 1986 = 3964.

O Brasil ganhou em 1970 e 1994; 1970 + 1994 = 3964.

O Brasil ganhou em 1962 e 2002, porque 1962 + 2002 = 3964.

O Brasil ganhou em 1958: Ora 3964 – 1958 = 2006.

Está decidido o vencedor.

PS. Já quebrei uma vez esta regra. A Inglaterra ganhou em 1966 e deveria ter voltado a ganhar em 1998, porque 1966 + 1998 = 3964. Mas Eu, Supremo Bispo, dei a vitória à França. Não foi um erro, foi uma vingançazinha por aquilo que eles fizeram aos magriços em 1996. Se há Deus, e como é óbvio Eu existo, então Ele é Português!

986. Ser Deus, dá muito trabalho

De facto ser Deus, ou se preferirem ser o Bispo Supremo, dá uma trabalheira danada.

Vós figurinhas de diversão, hologramas projectados no tempo e no espaço, não fazem a mínima ideia do que isso é, excepto quando me dá vontade de distribuir problemas por cada um de vós.

Ontem lembrei-me de:

* Mandar prender um líder nazi, mas depois dar poder a outro holograma para o mandar libertar;
* Convocar uma manifestação de polícias e baralhar aquelas cabeças todas que ficaram sem saber se haveriam de desfilar pela Avenida abaixo. Depois lá me decidi em mandar alguns até ao Terreiro do Paço;
* Lesionar o Cissé, só porque vocês, portugueses, aqui nesta quase jangada que construí, têm uma malapata com os franceses que desde os tempos de Soult, Junot e Massena, nunca mais vos deixei derrotá-los;
* Pôr as tropas australianas em confronto com os pacíficos GNR que mandei até àquele crocodilo de pedra flutuante chamada Timor;
* Atear mais uns quantos fogos e fazer o mundo pensar que queimar o vosso país, aos poucos e poucos, é um desígnio nacional.
* Fazer o Nuno Gomes dizer na conferência de imprensa que se os angolanos levassem uns quantos cartões vermelhos seria mais fácil aos portugueses vencer o jogo. Agora estou aqui numa trabalheira do caraças a meter na cabeça do Cristiano Ronaldo de que ele não é angolano. Esta noite o rapazinho vai se ver negro para dormir;
* Mandar uns 70 hologramas lerem o PreDatado e não conseguir que nenhum deles me pedisse a bênção, na caixa de comentários, a Mim, que sou o seu (deles) Bispo Supremo.

quarta-feira, junho 07, 2006

985. Eu, Supremo Bispo, gosto de espalhar a confusão



Tenho-me divertido à brava não só a pensar em coisas que fiz, como também em polémicas que crio e em medidas que tomo.

Em relação às coisas que fiz, falo-vos agora nos deputados que elegi o ano passado para a Assembleia de República. Quando manipulei os resultados, para que fosse aquela a distribuição parlamentar, eu já sabia da mescla que iria lá meter. Uns com convicções políticas, aos quais lhes incuti o espírito da defesa dos interesses do país acima de qualquer outra coisa (digo-vos de passagem que era essa a minha intenção quando um dia criei o conceito de política e de democracia) e outros, para que isto tudo não fosse uma monotonia sedativa, que eu lá colocaria para defesa de interesses particulares, inclusive os deles próprios. Por isso, não se admirem de que as incompatibilidades entre política e interesses seja aquilo que é, pois é assim mesmo que eu quero para continuar a alimentar a confusão. Aliás se assim não fosse, eu não teria escrito aquele poema que imortalizei na voz de outro Génio da minha Criação, que a todos vós apresentei como Zeca Afonso. É que eu não tenho por hábito, a não ser quando ando extremamente deprimido com as minhas figurinhas de diversão, de criar coisas efémeras, tais como o “pimba, pimba” e o “chama o antónio”. Por essa razão, Eu escrevo canções que não perdem a actualidade.

“…A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos,
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do universo todo
Senhores à força. mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei.

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada…”





No que respeito ás medidas que tomo, fiquem com esta sobre os fumadores, a proibição em certos locais e a afixação de caveiras e pulmões dilacerados nos maços de tabaco. E para que não abusem, mando-vos a polícia. Afinal sou o Supremo Bispo, para quê?

terça-feira, junho 06, 2006

984. Eu, Supremo Bispo, me confesso: eu também criei o futebol

Não, Scolari não é um deus, porque Deus só há um, Eu. E infelizmente ainda não consegui criar ninguém à minha imagem e semelhança. Criei um ser que gosta de futebol e a quem confiei a missão de ser seleccionador de Portugal e que, desde que chegou, tem exaltado as populações a aderirem, quase fanaticamente, ao fenómeno futebolístico a ponto de esquecerem que Eu também criei condições miseráveis para o povo, o qual, em tempo de euforia do pontapé na bola, se esquece de tudo isso. Mas há outros que eu criei a quem lhes incuti um demasiado espírito anti-futebol. São alguns intelectuais, ou reconhecidos como tal, ou pior, que se arvoraram em tal, sem que Eu lhes tivesse conseguido segurar o pulso. Hoje, algumas dessas criaturas, bajuladas por uns, naquele conceito que um dia Eu tive a infelicidade de denominar “politicamente correcto”, ou honestamente seguidos por outros que perfilham a mesma opinião, escrevem e debitam as maiores aleivosias sobre o desporto-rei (rei terreno, entenda-se) esconjurando-o ou diabolizando-o. Claro que nenhuns deles existem, uns e outros são apenas hologramas da minha diversão pessoal e vós que ledes este texto, não mais estais aqui que não por minha própria vontade, por mim mascarados de seres reais que alimentam as figurinhas da minha colecção pessoal. Mas sois, para todos os efeitos, aqueles com quem falo todos os dias e para quem inventei esta linguagem interactiva que denominei de blogosfera. Por isso, em verdade vos digo, que também criei outros seres superiores, esses sim capazes de meter no fátuo bolso das calças, que urdi para vos cobrir podengas partes, os tais intelectuais lusos, que não sei se lhes preservarei “obra valerosa” para que da lei da morte se libertem. E permiti que vos traga aqui, uma dessas superiores mentes que de vez em quando a minha veia criadora trás ao mundo e que nos deixou coisas assim:

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líqüido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

Ademir da Guia - João Cabral de Melo Neto








PS. Para saberem mais de João Cabral de Melo Neto, de Ademir da Guia, de Ascenso Ferreira e de muitas outras obras-primas da minha Criação, leiam o blogue que Eu inspiro – e respiro - sob a pena de Manoel Carlos Pinheiro, (outro) génio da cultura Pernambucana.
Para o indispensável Manoel Carlos, daqui deste lado do Atlântico, aquele abraço.

segunda-feira, junho 05, 2006

983. Diverti-vos figurantes

Ouvi contar esta história há algum tempo atrás. Em cura de toxicodependência, Maradona foi internado num hospital psiquiátrico. Alguns pacientes começaram-se a apresentar-se. Um dizia ser Napoleão, outro dizia ser Fidel Castro e por aí fora. Perguntaram a el pibe quem ele era. Quando respondeu que era o Maradona, os outros voltaram-lhe as costas, dizendo: “Este gajo deve ser maluco”.

Conheço uma pessoa que pensa que é Deus. Não o Deus dos católicos, ou dos islâmicos, nem o dos budistas ou hindus, também não é nenhum dos antigos deuses romanos, nem gregos, nem vikings, nem celtas. Ele é apenas Deus, o criador de tudo e de todos. É um Deus vivo, presente e tudo o que existe é porque ele quer que assim seja. Na verdade não há guerra, nem paz no mundo. Não há riqueza, nem fome. Não há estrelas no céu, nem magma incandescente no ventre da Terra. Vós próprios não existis. Todos sois frutos da imaginação criativa dele. No dia que Ele morrer, o mundo acaba. Todos morrereis com a sua morte cerebral. Não vos poderá mais dar vida. Não passará o carro vermelho que ele vê da janela dele, o filme que estiver em produção não terá um epílogo, o quadro não se acabará de pintar. Ele inventou as maravilhas tecnológicas que vós pensais conhecer apenas para se divertir, fazendo-vos crer que elas existem mesmo. Ele um dia explicará melhor quando lhe apetecer interagir com cada um de vós, figurantes da sua imaginação. E podereis perguntar. Se não existo como posso estar a ler este texto? E Ele responderá: porque eu quero.


Foto de José Muñoz Reales, fotógrafo espanhol, criado por Ele para trazer aos outros figurantes (e a Ele próprio), a ilusão de que o Sol materialmente existe.

sexta-feira, junho 02, 2006

982. Party Time Blog



Reunir-se-á, amanhã, em Beja o grupo dos ante-et-postadores. É o segundo convívio colectivo desde o seu nascimento, desta vez em território alentejano, não muito longe de onde eu costumo passar muitos dos meus fins-de-semana. Não sendo eu um alentejano de nascimento sou-o por afinidade já que a minha cara-metade nasceu por essas paragens e logo que a vida nos proporcionou re-adoptamos a sua terra natal como o nosso segundo lar. O Alentejo interior exerce sobre mim vários fascínios. O primeiro é a aproximação à Paz. Na “minha” zona não sou agredido pelo constante ruído dos carros, pela poluição citadina, pela má cara de quem já acorda em stress e de quem chega a casa mais ainda stressado. Eu não dou a saudação apenas às gentes da minha rua nem recebo os bons dias apenas dos vizinhos da porta do lado. Na “minha” terra todos somos vizinhos, todos nos saudamos e até os forasteiros que àquelas paragens rumam, mesmo que por horas, se cumprimentam. O segundo é a gastronomia. Ficarei por estes dois, mas se me apetecer, voltarei ao tema noutra ocasião. Mas a gastronomia de um povo, que durante anos e anos, não soube, na sua maioria, o que era comer mais de um naco de pão com toucinho salgado ou uma sopa de acelgas é na verdade espantosa. Atrevo-me a dizer que ninguém cozinha borrego como os alentejanos, que ninguém lida o porco como eles nas suas mais variadas utilizações, da banha aos torresmos, do entrecosto ao presunto, das febras aos enchidos. Comer um cozido de grão à alentejana ou uma feijoada em púcara de barro, uma sopa de cação, umas migas, uma carne de porco com amêijoas, umas ovas de saboga, um javali estufado, uma açorda de coentros, um arroz de fressura, um ensopado de borrego, um grelhado de achegas, uma lebre com feijão branco, um coelho guizado à caçador, uns pezinhos de coentrada ou um cabrito no forno é sempre um momento solene, naquelas paragens. E há o gaspacho! Ah... o gaspacho fresquinho, comido em tardes abrasadoras. Nada pode ser mais prazenteiro. E se eu começasse a discorrer pelas sobremesas… Pela sericaia, pela encharcada, pelo arroz doce, pelo pão de rala, pelo bolo de requeijão, nunca mais parava. E o post sairia longo, longo, longo que ninguém seria capaz de ler. Por isso, neste convívio que vai ser de gentes, de amigos, de familiares, vai também, pelo que temos vindo por aqui a escrever, um convívio de sabores. Alentejanos, pois claro! E regado, bem regado com vinho tinto que é como quem diz, com o néctar de todos os Deuses. E que Eles estejam connosco.

quinta-feira, junho 01, 2006

981. Começo a gostar deste Governo














A partir de hoje, quem desrespeitar a bandeira vermelha lixa-se!