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domingo, julho 19, 2009

1463. Ponto de ordem

Tenho uma vaga ideia de que o primeiro ponto que conheci foi o Ponto Azul. A minha tia Felismina tinha um rádio Ponto Azul e a minha prima Helena, a primeira pessoa a ter televisão na família, se a memória não me falha, tinha uma Ponto Azul também. A partir daí os pontos passaram a fazer parte da minha vida quotidiana tão inevitáveis que alguns ainda me causam pontos de interrogação. Um tio meu foi ponto num teatro de revista em Lisboa, a minha mãe fazia doces onde era presença frequente o ponto caramelo, o ponto pérola ou o ponto estrada e mais tarde, era eu assim já espigadote e com pontos negros no nariz e nas bochechas, além do acne juvenil, a minha namorada, quando eu lhe punha sorrateiramente uma mão na perna, picava-me com a agulha com que se entretinha a fazer ponto cruz. Entretanto já eu me acostumara a ir espreitar o livro de ponto entre duas aulas a ver se a professora de História me tinha marcado falta de atraso na única aula que começava antes do meu autocarro chegar, a estudar que nem um marrão para o ponto de química, ou a não perceber nada dos códigos nos cartões de ponto quando comecei a trabalhar na Lisnave. Ficaram aqui muitos pontos por referir como é, por exemplo, o caso das sextas-feiras, dia da semana feito de propósito para os nossos deputados irem lá picar o ponto e pirarem-se para as suas santas terrinhas ou então para Paris ou Nova Iorque que são pontos de encontro muito mais chiques. Mas eles podem porque de quatro em quatro anos lá estamos nós a votar que é como quem diz a marcar o ponto para os legitimarmos. Não sei porque é que falei nisto tudo se a minha intenção era apenas falar nos ecopontos. Os ecopontos são aquelas caixas de plástico grandalhonas que povoam os nossos bairros residenciais e que vieram resolver todo o problema do consumo e exaustão de recursos do planeta. Basta reciclar. Há-os para quase todos os gostos, para embalagens de muitas espécies sendo que, algumas embalagens têm mesmo pontos especiais para elas, que o digam as de vidro e as de cartão. Mas tal como os nossos relvados, sejam os de ao pé da porta que apenas tentam mitigar os efeitos dos aglomerados de betão onde vivemos, sejam os de jardins e parques públicos, se tornaram ponto obrigatório onde madames e cavalheiros levam os seus canitos a defecar (eu por acaso até ia escrever cagar mas, no ponto em que vou, achei feio), também os ecopontos rapidamente se tornaram depósitos dos mais variados lixos. Está-se mesmo a ver qualquer dia as ruas cheias de sofaponto, vesturióponto, movelóponto, frigorificoponto, televisãoóponto e outros objectópontos até chegarmos ao ponto em que um engraçadinho se lembre de intalar o sograóponto. O que nós somos todos é uns grandes pontos e ponto final! (ponto final, ponto e vírgula, que isto é um ponto de exclamação).

Foto: Predatado

sexta-feira, junho 05, 2009

1444. Sméxe?

Hoje tenho vontade de falar de coisas que andam à volta do desporto. E a primeira que me vem à cabeça é o HD. Desde que tenho TV em HD raramente vejo programas que não sejam transmitidos neste protocolo. Infelizmente, tirando a experiência dos jogos olímpicos e outras tímidas tentativas, os nossos canais generalistas nem tão pouco nos dizem quais as previsões para transmitirem em HD. É de facto outra coisa. Experimentem ver um jogo de futebol ou uma partida de ténis.

Por falar em futebol vamos assistir a um roubo sucessivo e permanente de jogadores ao Benfica. Como os jornais desportivos, desde Abril, não param de anunciar novos jogadores que interessam ao Benfica, cada jogador contratado por outros clubes, nacionais ou estrangeiros, será forçosamente roubado ao Benfica. Depois, até ao final da próxima época, em cada jogo que figure um destes jogadores, será também uma constante ouvir-se o comentador “fulano de tal, que esteve quase certo no Benfica, etc etc etc”.

Parece-me que isso já está a acontecer com um defesa direito (ou esquerdo?), um uruguaio que joga na Roménia, que vem para o FCPorto e que já tinha sido vendido ao Benfica por um diário desportivo. Eu por acaso acho que não, que o Benfica não o comprou ao jornal. O que eu acho é que Cissohko, Fucsile, Marec Cheh, Sapunaru, Lucas Mareque, Lino e mais uns quinze defesas laterais que pululam ou pulularam no clube das antas, se andavam a sentir muito sozinhos.

Falei também em ténis e digo-vos que tenho assistido a alguns resumos e a outras partidas (ou pedaços delas) em directo na Eurosport. Eurosport HD, pois claro. Eu sempre pensei, pelos visto enganado, que a terra batida era uma característica do piso. Isto é, o piso é em terra e por força de uma pressão que lhe é exercida por meios mecânicos o pavimento fica batido. Daí terra batida. Pois um dia destes, a tenista russa Kuznetsova caiu e ficou toda suja. Segundo o comentador ficou toda coberta de terra batida. O que a gente aprende.

Apesar de um ou outro lapso, quero aqui deixar a minha opinião sobre a generalidade dos comentadores portugueses do Eurosport, para mim os melhores comentadores portugueses de desporto. Por isso não me custa nada perdoar um tanhamos, em vez de tenhamos, numa reportagem do Giro de Itália. Aliás, Luis Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici só são batidos (e isso é discutível) por Marco Chagas no comentário ao ciclismo. O lapsus lingue, que até alguns com pinta de eruditos cometem, foi por mim imediatamente relevado para segundo plano.

Se no futebol já nos acostumamos a algumas adaptações linguísticas quer sintácticas, quer semânticas, naquilo que vulgarmente chamados futebolês, a verdade é que, ao longo do século XX, fomos assistindo a algumas evoluções positivas na utilização dos termos relacionados com esse desporto. Já não se diz corner nem offside, os backs passaram a defesas e os liners passaram a fiscais de linha sendo hoje, por mariquice, chamados árbitros auxiliares. Até o penalty, que é tão giro de dizer (e gritar), passou a grande penalidade ou, em Gabriel-Alvês, a pontapé da marca de grande penalidade. Mas no ténis, amigas leitoras e amigos leitores, ainda há os puristas. E, portanto, não é nada de admirar se virmos um tenista breakar (eles dizem breicar) o serviço ao outro ou responder com bolas muito topspinadas. Mas mesmo a esses puristas eu gostaria de lhes pedir para não dizerem seméxe. É que um smash é um smash é um smash.

sexta-feira, maio 29, 2009

1439. vanity fair

A Directora do Posto Médico do Pragal em Almada é a Dr.ª Deolinda. Hoje fui lá para tratar de um assunto da minha mãe e o atendimento não tinha ninguém. Iam iniciar uma reunião. Confrontei a Dr.ª Deolinda com o facto de um atendimento que pressupostamente deveria estar aberto, dado o horário de funcionamento, estar fechado para reunião. Disse-me a Drª Deolinda que se houvesse algum caso urgente estaria lá uma recepcionista para chamar alguém. A Dr.ª Deolinda transformou hoje (se calhar já o terá feito antes) um serviço que deveria estar aberto ininterruptamente ao público num serviço intermitente de urgência. Provavelmente ter sido boa aluna na escola levou-a a ser boa médica. Não faço ideia pois não é médica de ninguém da minha família, não tenho opinião. Mas ser boa médica não significa ser boa gestora. Nem todos os sapateiros sabem tocar rabecão.

A Dr.ª Deolinda é uma estátua. Conhecemo-nos desde adolescentes e até hoje nunca tivemos o menor quiproquó. Fomos não apenas colegas de Liceu mas sim colegas de turma. Iniciamos e fomos dois dos cabecilhas de um projecto de alfabetização para ciganos e crianças desfavorecidas nos bairros de barracas de Almada, antes do 25 de Abril de 1974. Demos entrevistas e fomos capa de revista em 1972, quando a nossa acção conjunta, além de ser vista em alguns sectores como subversiva, representava de facto uma lança em África. Militamos no mesmo partido político e chegamos até a ser vizinhos. A Dr.ª Deolinda fez tábua rasa de tudo isso e hoje tratou-me por senhor. De facto eu acho que ela tem razão. Eu sou um Senhor. Ela é uma estátua. De vez em quando as estátuas são arreadas dos seus pedestais.

quarta-feira, maio 20, 2009

1432. Abram alas pró Pre



Longe dos olhos, longe do coração. Era assim que os antigos (este provérbio deve ser muito antigo mesmo), diziam. Eu sinceramente espero que não, pois se o Prezinho não tem andado por aqui, digamos assim como que a olhos vistos, a verdade sei-la eu, é que não saio dos vossos corações. Bom, estou a ouvir um ou outro a tossir, está bem pronto, não é do coração de todos, mas é do coração de todas. Confessem, não se acanhem.

Pois andei a banhos por alentejos e sem internet por perto, já que deixei o computador em casa para ter tempo de cortar a relva. Não fiquem com inveja deste dolce fare niente que também não é bem assim. Ainda trabalhei um bocadinho a pintar o portão. Bem, a MJ pintou mais do que eu, a verdade tem de ser dita mas, em compensação, eu dormi mais do que ela.

Já devem ter reparado pelos dois parágrafos anteriores que estou a encher chouriços e a escrever só para não ficar mais um dia em branco.

A verdade é que quase não vi TV, talvez uma ou outra notícia e um jogo de futebol. E como também não li jornais, seria uma chatisse falar aqui das minhas hortênsias e das roseiras, dos amores-perfeitos e dos hibiscos, das malvas e dos malmequeres. Ou então dos nossos “afilhados”, um gatil completo que se instala no nosso quintal desde que chegamos até que partimos. Pois não vou falar disso.

Ah, já sei! Se não fosse triste daria até para rir. Ouvi um responsável do hospital de Faro a pronunciar-se sobre o relatório que ilibou aquele hospital da morte de 8 pessoas com uma bactéria adquirida no próprio hospital. Há relatórios com uma grande lata, não há?

Foto: PreDatado©2009

sábado, maio 09, 2009

1428. Ler o Pre pode causar viciação


Eu chego a comentar cá em casa, com a família humana e com a família felina, o que vós amigas leitoras e amigos leitores falarão nas minhas costas sobre o facto de o PreDatado não ter escrito, ultimamente, todos os dias no seu blog. Sei muito bem quanto isso vos intriga e sei até que houve já algumas leitoras e alguns leitores que entraram em desespero a ponto de tentarem cortar as veias e/ou (gosto mesmo deste e barra ou) de esgotarem o stock de cordas de enforcar nas diversas casas de ferragens, quinquilharias e afins. Soube até de um caso de uma leitora que começou a entrar em depressão, sendo que, o seu psicólogo a terá mandado ler os livros da Margarida Rebelo Pinto para que ela pudesse esquecer o PreDatado. Pois bem, a todas vós e a todos vós, eu vos devo uma explicação que só não será mais detalhada para que não encha aqui vários ecrans (telas ou pantalhas) de texto. E se o não faço, não é porque vós queridas leitoras e vós compadres leitores não o lessem. O meu receio é do addict. É que se acabarem viciados em PreDatado poderia haver alguém, tipo mauzinho, que me tentasse levantar um processo por não ter avisado, a seu tempo, que ler o PreDatado pode causar viciação, sei lá, que conduza por exemplo a um estado tão vegetativo que faça o seu leitor ou leitora votar em Vital Moreira. Sendo assim, vou rapidamente explicar que esta não assiduidade diária se deve a pequenos factores que me alteraram as rotinas. Recomecei a dar explicações de matemática, a fazer caminhadas diárias, a ver televisão em alta definição. Tudo isso dizem vocês, assim tipo à laia de chacota, "eu também faço". O que acho que nem todos vocês fazem e que vos tira o tempo todo para escrever por aqui, é ler a Playboy de fio a pavio e explorar cada detalhe da Cláudia Jacques. Estou desculpado?

quarta-feira, abril 29, 2009

1423. Hoje há caracóis


· Eu bem quero emagrecer mas hoje comi um pacote de amêndoas “tipo Milão”.
· Não gosto de ir às compras com a minha Maria. Hoje comprou um par de calças depois de ter experimentado 14.
· Gosto de comer bacalhau com grelos de nabo. Grelo e nabo juntos ou “a língua portuguesa é muito traiçoeira”.
· Costumo tirar o som da TV quando vejo um jogo de futebol. Normalmente oiço música. Às vezes distraio-me e “deixo” os comentadores falarem. Farto-me de rir.
· Conheci pessoalmente a fadista Maria da Conceição e também o seu marido (para mim, o Sr. Bessa) que ainda foi guitarrista da Hermínia Silva. Maria da Conceição foi a “criadora” de mãe preta. Enquanto a chibata batia no seu amor embalava a mãe preta o filho branco do senhor. Obrigado Dulce Pontes por cantares a versão original. Hoje (re)ouvi-te em Anthologia do Fado.
· Estou a usar e abusar das aspas. Prefiro escrevê-las aqui do que levantar as duas mãos e abanar para cima e para baixo os indicadores e os dedos médios de cada mão. Aliás aqui no blog nem daria para ver o gesto.
· Gosto da fadista Cristina Branco.
· O Victor do Blog “Oficina das Ideias” (mais aspas) ofereceu-me o selo Este blog promove amizade e investe na informação. Agradeço-lhe publicamente, sendo que para mim é sempre uma honra receber uma distinção de alguém distinto. Só não ponho aqui o selo porque caracóis com selos não gruda. Prefiro com imperial. Obrigado Victor.
· Por falar em caracóis, amanhã não posso mas prometo que na quinta-feira vou cortar o cabelo.
· Beijinhos e abraços em conformidade. Santa paciência para aturar o Prezinho, não é?

PS. Esclarecimento: Estive a ver o debate na SIC Notícias com os cabeças de lista, dos maiores partidos portugueses, às eleições para o Parlamento Europeu. O Nuno Melo praticamente só falou de agricultura. Juro que não foi por isso que falei em grelos de nabo.

A foto estava neste blog

quarta-feira, abril 15, 2009

1413. Pavões


Tenho assistido ultimamente em Portugal a uma aristocratizante denominação de filhos e filhas (dasse que frase mais aristocrata). Ele é Beatrizes e Teresas, Marias e Antónios além de Rodrigos, Duartes, Diogos, Franciscos e Catarinas. Nada me move contra isso nem contra os pais, nem contra as crianças e também nada contra a aristocracia.

Nos Estados Unidos da América, para dar um exemplo que conheço bem, poucos serão os James que não Jimmy, os Richard que não Dick (pois!), os William que não Bill ou os Eduard que não Ted. E lá, pouco importa se o rapazinho vai ser o homem mais rico do mundo ou o presidente da república. Mesmo na nossa bem conhecida e aristocrata velha albion não é por se ser Sir que é como quem diz, ter levado umas espadeiradas no ombro dadas por HM the Queen que um Alexander não possa ser Alex.

Mas não, aqui não, nós os aristocratas de Telheiras ou da Cruz de Pau, do Pátio Bagatela ou de Azeitão, da Foz e da Maia ou de Massarelos, já não temos Toys nem Tonys, nem o tão nortenho Tono ou o carinhoso Toninho e então de Tó nem falar. Não senhor que o menino é António. E adeus Chico e Manel se quiserem alguém da vossa laia procurem por uma Bia ou uma Mimi que Manuel só procura Maria.

Pois eu, oriundo da burguesia Almadense e actualmente frequentando os mais nobres, aristocratas e senhoriais locais do Miratejo fico feliz por me chamarem de Pre e mais ainda de Prezinho. Que isso de PreDatado é coisa de certidão de nascimento. Juro pelas espadeiradas que já levei nos dois ombros. Bom, se quiserem tratem-me por Sir Pre que eu não fico chateado.

PS. Com este feitiozinho hás-de ter muitos amigos…

Foto PreDatado (aliás Sir Pre), Jardim Botânico da Madeira, 2004

sexta-feira, abril 03, 2009

1406. Um post completamente em branco

As hipóteses que temos, num dia vulgar, para escrever um post. Ordinary day, assim à americana. Várias. A mais óbvia seria cair em vulgaridades (atenção leitoras e leitores brasileiros a palavra vulgar em português de Portugal tem um significado diferente do dado pelo português do Brasil) e falar, por exemplo, do tempo que esteve quente durante o dia mas que dá cá um arrepio na espinha agora pela noite, não só quando saímos à varanda, mas também quando apenas pensamos em sair. A segunda hipótese seria trazer aqui efemérides que para o dia de hoje não são muitas, mas que não deixam de ter relevante importância como comemorar o 65º aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes o célebre diplomata português que conseguiu livrar alguns milhares de Judeus da sanha nazi. A terceira que também é muito normal ser usada entre nós, bloggers de plantão, é a de fazer referência a um post interessante que tenhamos lido aqui ou ali, fazermos um link e deixar uma nota de rodapé como se fosse um comentário. Há mais, acho que já vou na quarta hipótese como, ainda por exemplo, embeber aqui o código gerado pelo Youtube deixar uma música bonita ou um sketch cómico isto para não falar de uma cena de apanhados que tem sempre saída. E entre mais uma mão cheia de hipóteses para escrever um post há uma que custa um pouco mais, mas que não deixa de ser interessante, que é a de ser criativo. Mas isso custa mais, muito mais. E eu, que tenho um jeitinho meio estúpido de inventar coisas, hoje não seria capaz de escrever nem uma linha. Por isso este não-post está aqui, não por obrigação diária que ninguém me paga para isso, mas sim para vos dizer que o Pre também tem dias que não consegue escrever uma única linha.

PS. Eu não sei se algum Ministro da Educação actual ou que o tenha sido nos tempos mais recentes esteve a assistir ao concurso O Duelo da RTP1. Eu creio que não porque tão eruditas criaturas terão muito mais que fazer. Mas se eu tivesse sido um deles teria sentido uma grande vergonha que um concorrente num concurso de cultura geral não faça a mínima ideia de quem foi o Presidente da República que sucedeu a António de Spínola. Estamos a falar da nossa história dos últimos 40 anos. Não estamos a falar nem na história do Burkina Faso nem da do Sri Lanka.

sexta-feira, março 27, 2009

1401. Dia Mundial do Teatro


No silêncio. Um fogão de lenha a crepitar de onde se vislumbra uma pequena cortina de fumo a sair de uma panela de ferro meio escurecida. Numa mesa de tosca madeira, um marcador em linho já esgaçado. Um cesto com um pão partido e outro inteiro, dois copos ainda sujos de vinho. Uma garrafa de vidro branco meio cheia. Dois bancos, tão toscos como a tosca mesa de madeira no chão, meio desarrumados, indiciando que há pouco alguém os abandonou. Ao fundo da sala à direita, na penumbra da casa apenas alumiada aqui e além pelas pequenas línguas de labareda que teimam em se levantar das chapotas de azinho que ardem na lareira, uma cama. Parece descortinar-se um vulto mas não é certo que alguém ali esteja encostado. Do lado esquerdo da parede do fundo, uma porta em madeira verde escura, tanto quanto é possível descortinar a cor na semi-obscuridade da divisão, parece dar para um jardim. Mais perto da lareira, um gato preto e branco dorme enroscado em si mesmo.

Dois pequenos toques na porta quebram por instantes o silêncio do cenário. Depois duas palmadas de mão aberta fazem tremer ligeiramente a mesa onde se ouviu tiritar um copo contra a garrafa. O gato acordou. Finalmente uma sequência de pancadas, quase como que de aflição fazem até estremecer o palco.

Palco? Eu disse palco? Isto é o cenário para uma peça? Sendo assim terei de deixar a narrativa por aqui.

Ao palco quem é de palco.


PS. A foto que hoje exponho é do próprio PreDatado há quase 30 anos atrás numa das suas incursões em Café-Concerto. Achei engraçado colocar aqui nesta ligeira homenagem ao Dia Mundial do Teatro. Os restantes elementos da fotografia foram apagados para reserva da privacidade.
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Entretanto há glicinias aqui e a "terrivel" janette aqui.

terça-feira, março 24, 2009

1398. O gajo é louco



Introdução. Hoje tenho vontade de escrever muitos posts. Sei que poucos leitores de blogs resistem a mais de dois posts de um só blog e sei também que nenhum leitor gosta de posts muito grandes. Deverei deixar para amanhã e para depois de amanhã? Tipo blog tântrico? Oh filho o que é isso de blog tântrico?, Olha começas agora e vens-te, quer dizer, escreves o blog tipo punch line lá para terça-feira da semana que vem. Se estivesse aqui o meu espelho diria:
- Previsível (isto é o espelho a iniciar as provocações)
- Eu? (isto sou eu a fazer-me de novas)
- Repetitivo (isto é o espelho a tentar fazer-me a cabeça)
- Ai ai ai ai ai (isto era eu a dizer ao espelho que não estava a gostar nada da conversa)
- Erudito de meia-tijela (isto era o espelho, já em desespero de causa, a usar expressões popularuchas)
- Desembucha, caralho – Eu já tão mal-educado como qualquer tipo quando entra para dentro de um carro e decide conduzir em Lisboa.
- Usaste duas vezes a palavra tipo e disseste punch line e queres que eu fique calado?
(É por estas e por outras que eu lhe viro, sistematicamente, as costas. Há pachorra?)

Dizia eu que me apetece escrever muitos posts que ninguém vai ler e que não estou muito a fim de escrever um post granjola que ninguém vai ler também. Decidi então escrever vários capítulos de um só post. Como diz o nosso povo, Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és, os meus leitores amigos e as minhas amigas leitoras poderão pelo título dos capítulos ler ou passar à frente. Pronto vou começar que ainda não disse nada até agora.


Recado. Para o puto que fez uma ultrapassagem, ao volante de um cabriolet verde alface, hoje cerca das 15 horas na Rua do Trevo em Corroios (só não escarrapacho aqui a matrícula porque nem tive tempo de a ver), a alta velocidade, mesmo em frente ao jardim-de-infância e que me fez subir o passeio, eu que vinha em sentido contrário, para que não chocássemos de frente. Pareces ser um gajo de tomates, oh meu! Vê lá se não bates com os cornos numa esquina próxima que isso de alface e tomates ainda pode dar uma grande salada.



Tenho medo sim senhor. Sinto sempre um arrepiozinho na espinha quando leio “saída de emergência”. Não sei porquê mas associo sempre a catástrofes, lembro-me da discoteca em Bali e tantas outras situações semelhantes. Se calhar também me lembro daquela igreja relatada em "The Reader" com as portas trancadas por fora. E fico em transe quando, como hoje, numa sala do Hospital de S. José em Lisboa, vejo uma porta, para ser usada em caso de emergência sem maçaneta/puxador que a impede que se abra em tal circunstância. A foto, mesmo que de telemóvel, não me deixa mentir.





Vamos falar de economia. Quanto custa um penalty? Não, amigas e amigos, não vou alinhar na histeria quase colectiva que assolou o país devido ao penalty fantasma do jogo de Sábado. Eu sou sócio, há muitos, mesmo muitos (sou cota, não esqueçam) anos do S L Benfica. De alma e coração. Mas também sou accionista da SAD Benfica. E espantem-se se se quiserem espantar, também o sou da SAD Sporting e da SAD Porto, isto é, das três maiores empresas de futebol do país. É por isso que hoje em dia, para mim, vale tanto um golo do Nuno Gomes como um do Levezinho ou do Hulk. Economico-financeiramente falando, naturalmente. Quando entram três empresas em campo, três más empresas, diga-se de passagem, dando o exemplo do passado Sábado, a empresa SAD Benfica e a empresa SAD Sporting com gestões financeiras, dizem os entendidos, ruinosas que se não fossem de futebol há muito seriam insolventes e a empresa árbitros de futebol, com uma gestão de recursos, se não ruinosa pelo menos desastrosa, apenas a empresa árbitros é visada pelos erros que comete. Se não fosse terem sido distribuídos 750 mil euros à empresa SAD Benfica e outros tantos 750 mil euros à empresa SAD Sporting quem me ressarciria a mim, accionista da SAD Sporting por tão mau desempenho dos seus funcionários na marcação das penalidades de desempate? É que as minhas acções desvalorizaram por causa disso. Já agora, o penalty mal assinalado contra a empresa SAD Benfica na contenda pública num campo da freguesia das Antas há bem pouco tempo, arredou a empresa SAD Benfica do 1º lugar do ranking das melhores empresas de futebol deste ano na tabela Sagres. E esse penalty sim pode valer alguns milhões a menos nas contas da empresa SAD Benfica dada pela confederação patronal chamada UEFA. E não fosse eu accionista das duas empresas, da gloriosa empresa de Lisboa e da (pffff, béécckkk) empresa azul do Porto e estaria agora a ver a minha carteira de acções a ser penalizada.




Quanto custa a ineficiência? Estive hoje, como já se devem ter apercebido, no Hospital de S. José. O meu sogro foi para uma consulta de anestesia e, porque tem 81 anos e dificuldade em se movimentar sozinho, a minha mulher teve de o acompanhar. Eu fui fazer de motorista, caso contrário um táxi para ir e voltar custar-me-ia os olhos da cara. Para uma consulta marcada para as 11 da manhã, esperámos até às 14h30 para sermos chamados e mais 3 minutos para sermos consultados. Eu não sei quantas pessoas, por este país fora, tiveram de acompanhar hoje familiares idosos a consultas. Mas, sem ter de fazer nenhum exercício difícil de extrapolação, tenho a certeza que isto custa muitos milhares de euros ao país por debilitar substancialmente os índices de produtividade. Tendo em conta que esta situação mais não é do que o reflexo de uma péssima gestão hospitalar, não deveriam, no final de cada mês, estes gestores indemnizarem o estado pelos prejuízos causados ao erário público em vez de receberem os chorudos ordenados que recebem?






Cheirinhos. Nunca entendi porque é que os parques de estacionamento dos hospitais, por maiores que sejam (conheço S. José, Garcia de Orta e Sta. Maria todos muito bem), nunca têm lugares disponíveis para quem vai a consultas médicas. A alguém, algum dia, que o saiba peço e agradeço que me deixe um comentário explicativo. Tive por isso que, depois de deixar o meu sogro com a minha mulher na sala de espera da consulta que procurar um parque de estacionamento. Deixei-o no parque subterrâneo do Campo dos Mártires da Pátria. Como gosto de andar a pé, não saí nem entrei pelo elevador tendo antes utilizado as escadas. Estas são arejadas e bem cheirosas, ao contrário das do parque de estacionamento da praça S. João Baptista em Almada que tresandam de cheiro a mijo. Devo concluir que os almadenses são muito mais mijões que os lisboetas ou que em Almada não há fiscalização e muito menos limpeza? (Ao cuidado da ASAE e da Bragaparques).
Por falar em Campo dos Mártires da Pátria, realço o verdadeiro conceito de espaço público, com uma fauna interessante de patos, pombos, galos da índia, galinhas pedreses, pavões e outras espécies. Um parque calmo e sossegado. Não sei se seguro, mas a verdade é que até à data não tenho razão de queixa.







Paisagem. Gosto de fazer caminhadas e faço-o com frequência no Parque da Paz em Almada. Têm várias espécies arbóreas, muitas delas classificadas e assim vou aprendendo um pouco mais de botânica, o que não é difícil visto o meu bem escasso conhecimento da matéria. Em meados de Fevereiro as Ameixoeiras de Jardim estavam lindas de floração. Hoje estão lindas de folhagem.








A natureza é muito mais bonita do que os mijões, os árbitros, os dirigentes das empresas de futebol e os gestores hospitalares. (No dia 8 de Agosto de 2007 escrevi aqui no PreDatado um post com crítica ao funcionamento do Hospital de Beja. O seu director não terá gostado muito dessa crítica e pediu-me detalhes sobre o que eu afirmava. Alguns dias depois mandei-lhe um relatório completo. Sei que respondeu ao meu cunhado, há relativamente pouco tempo, considerando normal a situação. Não é má fé gostar mais da Natureza do que, por exemplo, do corporativismo, pois não?).




Porque hoje é terça

Como doce, de minha infância, é a lembrança
Cada cor, à saída do vapor, seu paladar.
De doces cores se adoçava a boca da criança
Açúcar, água e lume brando a crepitar.

Hoje és tu de mil cores a tentação
Te beijar, te lamber, te devorar
Em turbilhões de volúpia e de tesão,
Como um vapor, em doce leito, a navegar!



segunda-feira, março 23, 2009

1397. Mil novecentos e setenta e quatro (ler 1974)


Sem exagero sei de cor mais de mil anedotas. Só de padres contabilizo 37 e do menino Carlinhos 71. Se o meu blog fosse de anedotas alimentar-se-ia mais uns três anos sozinho.

Sem exagero, desculpem repetir-me, tiro mais de mil fotos por mês. Tiro de patos e de andorinhas, de aranhas e estevas, de amendoeiras em flor e em fruto com certeza. E alguns retratos também. E até ao Cristo-Rei! Se o meu blog fosse de fotografia alimentar-se-ia mais de dez anos de imagens.

Sem exagero (lá estou eu), há casos e factos políticos mais de mil em cada ano. E se não os houvesse pediria ao professor Marcelo para os criar. E com eles, discorrendo da esquerda para direita ou da direita para esquerda escreveria neste blog mais de 100 anos seguidos ou, se a tanto não me sorrisse a vida, tantos anos quantos os que Pacheco Pereira escrevesse.

Sem exagero, e agora é mesmo sem nenhum exagero, já escrevi mais de 100 poemas e os poetas verdadeiros, mais de mil e outros mil e, se bem contados mais mil lhes somarei. Se o meu blog fosse de poesia eu poderia alimentá-lo mais um ano, quiçá mais um e outro um se rimasse com atum!

Sem exagero já se marcaram de penaltis mil e de foras-de-jogo outros mil. De chicotadas mais mil e de jogadas boas nem tantas mas quase mil eu diria. Se o meu blog fosse de bola, redondos números, seriam mil anos de escrita sem parar.

Sem exagero vos digo e sabeis que eu vos não minto, só de felinos há quatro que me povoam os dias. De anfíbios outros dois e plantas há rosas, amores-perfeitos e coentros e outras de cujo nome se me escasseia a memória. Mais de mil não é certo mas muita história contaria e até pardais eu criei e a galinha “solipanta” e até o “pinto da bosta”.

Mas o meu blog não é isso e, sem exagero vos digo que o meu blog é de amor. E isso custa porque um amor como este não se alimenta de beijos, tão pouco de cartão Visa. É de letras e palavras e palavras feitas frases e frases feitas sentido. E isso custa. Sem exagero vos digo que este meu amor me cansa, mas a vós vos devo não me divorciar dele. Enquanto me lerem eu existo. Mais de mil dias e quase outros mil também. 1974 dias na vossa presença. E se não escrevo o número por extenso é porque 1974 é para mim, também, uma data de amor.

Foto PreDatado

domingo, março 22, 2009

1396. Domingo antes de almoço


A boda e a baptizado não vás sem ser convidado. Vem isto a propósito de que hoje não fui eu o autor do faustoso (bom, não será faustoso, mas o cheiro que me chega da cozinha inspira-me palavras bonitas) repasto que hoje provirá os nossos pratos. Como diz o povo a fome é a melhor cozinheira, espero que a minha vizinha, neste caso a minha querida mulher que nem tem uma galinha melhor do que a minha, faça a boda, que é como quem diz burro com fome até cardos come. Sei que tudo acima parece não fazer sentido mas como para bom entendedor meia palavra basta e como cada um sabe de si e Deus sabe de todos o que eu quero exactamente dizer é que estou com tanta fome e que como comer e coçar o pior é começar, estava aqui a pensar em ir já directo para a mesa comer um pouco de paio de porco preto e/ou um queijinho de cabra alentejano com uma pinga tinta para fazer boquinha. Mas como na casa deste home quem não trabalha não come, o melhor é levantar o rabinho daqui da cadeira, deixar-me de escrita sem sentido e ir eu próprio preparar as entradas. E onde comem dois comem três, tal é a hospitalidade deste povo, não soubesse eu que vós queridas leitoras e vós amigos leitores sois bem mais que três e franquear-vos-ia as portas de imediato para que comigo se sentassem À mesa. Temos de pedir ao povo um ditado que onde comam dois comam pelo menos mais uma dúzia para que o convite seja feito. E como não há mês mais irritado do que Abril zangado vamos todos aproveitar este domingo de Março, o último deste período com horário de inverno porque no próximo o galo cantará mais cedo. E como saber esperar é uma grande virtude peço-vos que tenham a santa paciência de esperarem por algo mais interessante que isto para lerem durante a próxima semana porque isto só pode mesmo ser da fome. Até porque por casar nunca ninguém ficou, não foi com quem quis, foi com quem calhou.

quarta-feira, março 18, 2009

1392. Um dia fodido

























a) Disciplina militar

Não. Hoje não é realmente um daqueles dias em que um tipo se sinta particularmente feliz. Aliás, já nem diria feliz. Contentava-me com um dia recompensado. Mas nem isso. Levantei-me (quase rastejei) com o meu nervo ciático em alvoroço. Não fosse eu ter sido militar de carreira – grande aldrabice – e não lhe tivesse incutido o respectivo correctivo analgésico – pura verdade – e ainda estaria aí gemendo por um canto. Não basta? Não, não basta pois hoje, a descer apenas três degrauzinhos em Almada, escorreguei, dei uma valente queda, tenho um braço todo esfolado e claro a coluna ressentiu-se e chamou de novo à parada a citadíssima dor ciática. Já a pus em sentido, mas acho que ela não é de muita obediência.

b) Volta companheiro Vasco e nacionaliza já esta porra toda

Farto-me de ouvir loas à iniciativa privada e de ouvir que tudo o que é público é uma merda. Uma merda, digo eu, para a conversa. Dirigi-me ao balcão da minha (?) companhia de seguros para participar um sinistro. Como não vi nenhuma sinalética que me indicasse caminho ou direcção, dirigi-me à primeira funcionária que vi sem nenhum segurado em frente, Bom dia minha senhora, desculpe interromper-lhe o trabalho mas gostaria de saber a quem devo participar um sinistro, Sinistros é com o meu colega, se não se importa aguarde um pouco que ele deve estar a chegar. Pois daí a uns quinze minutos chegou um senhor, vindo da rua, não sei se o horário de entrada dele era mesmo às 11h35, talvez, que quando me atendeu e lhe disse para o que vinha, me facultou, simpaticamente, diga-se em abono da verdade, um número de telefone para o qual eu deveria ligar e participar o sinistro. Só isso, perguntei, Só, respondeu-me. Foda-se, a gaja a quem eu me dirigi primeiro não poderia ter-me dado esse número de telefone? É uma companhia privada, caneco, não é nenhum balcão das finanças ou da conservatória do registo civil.

c) Quando for grande quero ter uma bicicleta

Tirei as fotos que vos mostro na Avenida D. Afonso Henriques em Almada. Acho que no seu tempo o nosso rei se deslocava a cavalo, ou de égua, ou talvez de burro e que hoje em dia a gente anda de carro e de autocarro e de metro de superfície e de mota, já não há burros, nem em Cacilhas, ali a dois passinhos. Mas a C. M. de Almada ainda acha que a gente anda de bicicleta e vai daí até instala parque de estacionamento para as ditas. Apenas duas notas de má-língua (as fotos são de telemóvel mas talvez dêem para ver)
1. O parque está vandalizado. Não sei se por “viaturas autorizadas” já que ali é zona supostamente de trânsito restrito e portanto apenas aberto a viaturas autorizadas, se por vândalos pedestres (não lhes chamo pederastas porque tenho algum respeito pelos gays).
2. A senhora presidente da Câmara não me parece gente de muitas rezas, mas mesmo com promessas ao S. Joãozinho da Ramalha o parque se encherá. Pudera, em Almada não há pistas para bicicletas e assim continuará vazio (hei, não me batam, eu sei que há uma lá para os lados do Parque da Paz, mas aí não há parque para bicicletas; quem lá vai e depois acaba correndo ou caminhando, deixa-as amarradas às árvores).

quarta-feira, março 11, 2009

1385. Twitterucá twitterulá acho que não me fará mal ao Fígaro


Se desse prémio penso que conseguiria escrever pelo menos uns quinhentos twits por dia. O Paulo Querido ia ter que pedalar muito…

Ontem uma certa equipa de futebol fez-me relembrar os meus tempos de menino. Colocavamos as sacolas a fazer de balizas e era muda aos 6, acaba aos 12.

Parece que o Vale e Azevedo enganou a UNITA em 1 milhão de dólares. Eu acho que este rapazinho é um verdadeiro guerrilheiro.

Estive numa cidade, na semana passada, onde não consegui ver um único papel no chão. Confesso que até me deu náuseas.

Gosto de tomar banho de água quente em piscina ao ar livre, ao mesmo tempo que me neva na cabeça. Infelizmente foi uma experiência quase única para mim que vivo num país com Verão em Fevereiro. Mas é bem feito! Os suíços também não têm Costa da Caparica.

Por falar em Costa da Caparica, parece que a areia que lá foi colocada para “refazer” a praia já o mar a levou quase toda. Não era nada que até um leigo não esperasse. Mas há quem não saiba como gastar o dinheiro. Ou então sabem de mais.

Ontem andou por cá Sua Excelência o Presidente da República Popular de Angola. Consta que não se encontrou com Bob Geldorf.

Querem mais um twitzinho, querem? Então cá vai: hoje vou mandar imprimir umas fotos digitais em papel. Eu tenho tiques de saudosista.

Se alguém que saiba alemão passar por aqui, deixe-me nos comentários, p.f., qual a diferença entre ausgang e ausfahrt. Fahrretei-me de ver as duas e era sempre para sair.

Carpe (o resto do) Diem!

Foto PreDatado, Março 2009

quarta-feira, março 04, 2009

1383. Sopinhas


Eu não sou uma pessoa de muitas certezas. Tenho várias dúvidas e construo o meu conhecimento essencialmente sobre as dúvidas que tenho (tive). Mas entre as poucas certezas que tenho há duas que são quase irrefutáveis. Reparem que eu disse quase e já saberão porquê. A primeira certeza, quase, quase de La Palice é que esta terça feira eu não escrevi (publiquei) nenhum poema. Se em algum blog, eu creio que sim, terá aparecido algum poema ou ele não é meu ou foi copiado de algum mais antigo. Hoje não houve poema no PreDatado.
A segunda certeza é que a esta hora, no hemisfério norte, no fuso horário em que se encontra Lisboa não é muito habitual se estar a comer sopa. Eu digo talvez (não digo, mas quero dizer), porque toda a gente sabe, que quando vamos aos fados ou a uma festa mais castiça, chega a uma da manhã e lá vem o inevitável caldo verde. E porque é que eu vim aqui a esta hora falar sobre sopas. Porque de quinta-feira em diante até ao próximo dia 11 (alguma probabilidade de 10 à noite) eu não virei à blogosfera para escrever ou ler blogs dos meus amigos e das minhas amigas, porque estarei ausente em viagem de férias e quer queiramos, quer não, férias são férias, sopas são sopas. Enunciado que está o ditado e porque sopa de peixe é a minha sopa preferida principalmente aquela que é feita com o que sobra da caldeirada, não deixem neste intervalo em que o PreDatado não está por aqui de irem ler a Guerra de Travesseiro. Na verdade está cá a ficar uma caldeirada que só visto. Se eu fosse um dos Duponts do Tintin diria mais, que só lido! Finalmente, não deixem também de ler e comentar, claro, o Diálogo de Monólogos. Pode não ser como a sopa de peixe mas vai por ali um caldinho… Provem-no.

PS. Comam a caldeirada ao almoço. Façam-na de modo a sobrar. Desfiem o peixe, retirem-lhe as espinhas. Acrescentem algum caldo (de preferência caldo de peixe, se não água quente), juntem uns cotovelinhos. No momento de servir, moam um pouco de pimenta preta já no prato. Bom apetite.

Foto:Elaine Skowronski encontrada aqui.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

1377. Cinco sentidos e nobre povo


Pôr um pé na rua, ou os dois, com a descontracção de quem anda a passear, aguça-nos os sentidos. É uma conversa que se ouve aqui ou ali e que nos faz rir ou até pensar, é um aroma que se descortina, seja o do rosmaninho a florir ou a de um borrego no forno que sai pela frincha da janela de uma cozinha qualquer, é a senhora da banca dos chouriços e dos queijos que, na feira, nos dá a provar um bocadinho daquele paio caseiro, assim meio a medo que a asae ande por perto, é o ar fresco da beira-mar que nos bate na cara em dia soalheiro e que nos transmite um prazer de respirar até à profundeza dos oceanos e é o que vemos por aqui e por ali, coisas boas e coisas más, uma mini-saia a passar que nos faz ficar com um torcicolo no pescoço, ou um cagalhão de cachorro no chão que nos faz dar um salto e ficar com uma entorse no tornozelo. E se eu acho, vou escrever sobre isso um dia destes, que no nosso hino nacional há tanta coisa errada na letra, essa do “Nobre Povo” deixa-me com os cabelinhos em pé. A maior das porcarias que o nosso nobre povo faz e deixa por essas ruas fora dava para escrever um milhão de posts. Ou dois!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

1371. Eventos

Eventos
I. De Beja a Vila Real de Santo António são cerca de 120 kms. De Beja a Sines são cerca de 100 Kms. Assim grosso modo serão as distâncias mais perto do mar a que se encontrará Beja. Foi em Beja que vi o maior bando de gaivotas em toda a minha vida. E eu moro a 10 kms do mar.

II. A ponte internacional do Pomarão, que ligará esta localidade no concelho de Mértola, Distrito de Beja a El Granado em Espanha, Ayuntamiento de Huelva já está praticamente terminada. Será inaugurada no próximo dia 26, com toda a pompa e circunstância. A estrada de acesso, novinha em folha, no lado espanhol já está terminada. Do lado português nem a missa vai na metade. Como é costume.


III. O meu limoeiro está carregadinho de limões (vide fotos do Pre). Como estão quase todos os limoeiros, já que é essa a sua função. Para colhê-los, basta que eu suba ao muro. Para subir ao muro basta que eu suba ao poço. Tarefa fácil excepto quando se dá uma senhora cacetada com o joelho no dito. Um saco de gelo e pomadas, mas ainda ando à rasca.

IV. Ontem, como o faço habitualmente, tomei o pequeno-almoço numa pastelaria em Lisboa. Um copo de leite =0,70€ (2dl, a 0,60/l, equivale a cerca de 580% de mais-valia bruta), uma sandes de fiambre = 1,90€ (1 carcaça + 1 fatia finíssima de fiambre equivale a cerca de 520% de mais-valia bruta), um descafeinado = 0,65€ (para o cálculo utilizei o café em pacote mais caro que se usa cá em casa, o que daria cerca de 696% de mais-valia bruta). A mais-valia bruta média é então de 566%. Sendo o IVA da restauração 12%, teremos um lucro bruto de 506%. Pois claro que teremos de abater a água, a luz, a renda, os salários etc. Sendo que numa empresa bem gerida os custos gerais não ascendem normalmente a 30%, teríamos uma margem bruta antes de impostos (IRC) de 389%.Uma mina! Eu gostava de conhecer estatísticas de quantas destas firmas apresentam lucros ao fisco em cada final do ano.

Fotos: PreDatado, Beja, 14-02-2009
(A primeira foto, é apenas uma parte do bando que consegui fotografar. Em simultâneo, uma outra parte estava pousada como mostro na 2ª foto. Dispersas haveria outras tantas em pequenos bandos)



Entretanto, não deixem de ler o Diálogo de Monólogos. Só porque os episódios são espaçados, não se perdeu o élan.
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A Janette continua a ter um bom desempenho na sua Guerra de Travesseiro (com bolinha vermelha no cantinho).
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5 minutos de fama. O Vitorino publicou em Debaixo do Bulcão, alguns poemas do Pre. Grato.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

1363. Estou pior da miopia


Na semana passada fui finalmente ao oftalmologista. Andei a prometer a mim mesmo esta consulta há meses uma vez que já estou a sentir que vejo um pouco pior ao longe e que para ver ao perto preciso sempre tirar os óculos, principalmente para ler. Nunca me adaptei à posição de “perto” das minhas lentes progressivas apesar de já as usar há uns 6 anos. De modo que vou voltar ao velho esquema de uns óculos para o longe e outros para o perto e siga a marinha. Como era de esperar a minha graduação aumentou desde a última visita e, vaidoso como sou, ando a experimentar modelos novos, das mais conceituadas casas, gucci, rabanne, dior, d&g, prada, armani, bvlgari, sei lá a panóplia que já experimentei só para ver quais me deixam mais catita (catita é muito popularucho para aquelas marcas, não é?). Acabei de tirar uma foto, a que ilustra o post,aos últimos experimentados e gostaria de saber da vossa opinião. Gostam?

foto PreDatado, 2009

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não deixem de ler Diálogo de Monólogos

domingo, fevereiro 08, 2009

1360. Afectado, eu?

Ontem tivemos festa cá em casa. A refeição, segundo os presentes estava deliciosa. Pontificou a massada de cherne, mas as entradas, como é habitual, não ficaram atrás. Aliás, eu próprio acho que os preliminares são tão importantes como o prato principal seja à mesa, seja noutras circunstâncias. Mas adiante que não é de outras circunstâncias que estamos aqui a escrever. Aliás, até podemos dizer que sim, que é, mas há que explicar quais. Quero eu, na minha, dizer que além do almoço também o convívio foi muito agradável e as conversas interessantes. E teve situações engraçadas já que entre os comensais estavam o Carlos, o Luís e o Rui. Ora não teria nada de extraordinário não fosse o facto de o Carlos não falar com o C (nem com o Q), do Luís não falar com o L, nem o Rui com o R, sendo que este o substitui por g. Engraçada foi mesmo a coincidência de termos ao mesmo tempo o arlos, o uís e o gui. Já disse que o gui substitui o r por g, e quando quegue falague depguessa é uma gaguegalhada pegada. Já o uís dá uma vouta tau à uingua que o éue paguece um u. Poguisso o uís que nasceu em uisboa não só não consegue dizegue o nome como também não o faz em gueuação ao uocau-e de nascimento. Já o arlos, não diz o quê e também não o substitui. Assim uando o agueos omeça a fauague om os outgos tguês paguece uma convegueça de paguevinhos. Eu que estive peguesente dugante uase toda a onvegueça estava a vegue ue saía de uá afé-etado e fauaguia sem as uêguetas todas. Guegaças a Deus não a-onteceu nada disso e eu pude tegueminague a onvegueça espui-ando ue ueiguia fi-ava nas maguegens do guiu uis. Ompeguendegam?
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É claro que o diálogo se continua a fazer de monólogos

segunda-feira, janeiro 19, 2009

1344. Se há coisas com que eu embirro é vir para o blog falar de mim

Um dos sintomas de que estou a ficar melhor de saúde é que começo a interessar-me por coisas do futebol de modo que hoje vi o Almeria x Atlético de Madrid. Eu podia lá perder um jogo onde peleja um tal de Sinama Pongolo. Quando deixar os comprimidos será também a política que me passará a consumir algum tempo diário, o que, diga-se de passagem , o facto de ainda os estar a tomar evitou-me uma série de congressos e moções e coisas que tais este fim de semana e, finalmente, quando abandonar definitivamente os xaropes, ela que se cuide.
Bom, mas não foi para falar de mim que hoje vim escrever um post, foi mais para falar de uns e-mails que recebi não hoje, nem ontem mas que de vez em quando vou recebendo a perguntarem-me em que jornal é que escrevo, se sou eu que sou fulano ou beltrano deste semanário ou daquele outro diário e se PreDatado é um nick que por sua vez esconde o pseudónimo tal. Ora se eu escolhesse um pseudónimo teria de ser tipo Sinama ou Pongolo que são muito mais sonantes mas o que eu acho curioso e até intrigante é porque é que nunca me fizeram essa pergunta nos comentários e a reservaram para uns quantos e-mails, tenho de confessar que não muitos, sendo que, se até o meu endereço o sabem é de certeza através do cabeçalho do blog. Mas adiante, como sou educado a todos (poucos, como disse) respondi, agradecendo o interesse mas que de facto não sou nenhum jornalista conhecido. Melhor dizendo, não sou nenhum jornalista. E apesar de ter sido director de uma revista de grande expansão nacional, que no tempo em que estive à frente da mesma tirava mais de 100.000 (cem mil, sim) exemplares, só o era por inerência da minha situação profissional, sem que para isso fosse necessária qualquer carteira de jornalista. É verdade que também colaborei como cronista num jornal on-line brasileiro – escrevendo em português de Portugal, e esta hein? – e, quer num caso quer noutro, sempre constava o meu nome de baptismo e nunca qualquer pseudónimo ou nickname. Fica aqui o esclarecimento e também cumprida a promessa de que hoje não iria falar de mim.

- O quê, filha? O termómetro? Ah sim já me estava a esquecer. 38,5ºC porquê, é muito?

E continuamos a actualizar os monólogos