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sábado, setembro 20, 2008



1236. A lista

O nome dela estava na lista. Antes, alguns outros nomes e depois também. A lista era longa onde não parecia haver qualquer relação entre as graças. Nem parental, nem profissional. Talvez a ligação de maior nexo fosse a proximidade geográfica. Vários pertenciam ao mesmo distrito e até mais particularmente à mesma península. No entanto, uma análise mais cuidada atentaria que de quando em quando um dos nomes não seria daquelas paragens.

Sempre achei pouco imaginativa a introdução de nomes cortados numa lista. Mas como era inevitável a lista também os tinha. Voilà! O terceiro e o quarto nome cortados e, mais adiante, talvez uns dois nomes depois do dela, um risco a vermelho. A cor da tinta e a distinção do traço indicavam claramente que os riscos feitos sobre o terceiro e o quarto nome teriam sido feitos por outra pessoa que não a do traço vermelho.


Um Bentley grená parou à porta. Uma figura de meia-idade cujas patilhas curtas acinzentadas se deixavam ver por debaixo do boné, de postura ligeiramente curvada provavelmente de vénia acostumada, saiu do banco de chauffeur e diligente abriu-lhe a porta. Uma silhueta magra, toda vestida de negro com uma écharpe cinza e preta, ligeiramente debruada a cadilhos, realçava-lhe o cabelo loiro atacado sobre as costas, saltos altos que na elegância felina do andar a conduziriam ao chefe. Murmurou-lhe um nome. A lista fora consultada e eis que era chegada a sua vez.

Sentou-se discretamente numa mesa de fundo, reservada. Provou e aprovou o vinho. Do jarro, claro está. A travessa de sardinhas loiras e crepitantes não tardou a chegar. Riscaram-lhe o nome da lista.

imagem daqui

segunda-feira, junho 30, 2008



1217. Força campeão!

O R. nasceu como a maioria dos meninos. Parto normal, sem complicações e um regresso a casa que não faria prever os dias seguintes. Com apenas 15 dias de idade dá entrada no hospital de Vila Franca de Xira onde lhe foi diagnosticada uma bronquiolite. Desconheço se é um problema grave, se o seu tratamento é complexo, principalmente devido à idade do paciente. Sei que durante o internamento o R. foi atacado por uma bactéria hospitalar. Aí sim o caso agravou-se e imediatamente transportado para Santa Maria, durante um mês o R. lutou com a morte. A(s) equipa(s) médica(s) – coloco assim com a hipótese de plural por desconhecer quem em concreto - que dia e noite o acompanharam apenas davam como esperança aos pais o minuto seguinte. Viver um minuto de cada vez era o que era pedido. Finalmente ao fim de um mês os médicos/as e enfermeiros/as foram bem sucedidos. O R. achou que não era a hora de se ir embora e hoje está já com um ano e meio e cheio de vitalidade. Ontem fui ao baptizado desde valente guerreiro, que tem por madrinha uma das enfermeiras que o ajudou a salvar e como padrinho honorário o médico que chefiou a equipa. Sem lhes dizer os nomes dou-lhes aqui a minha mais admirada saudação. Ao R. desejo que para enfrentar a vida não lhe falte nunca a força que teve para enfrentar a morte.