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sábado, abril 14, 2012

1602. Sinais de alerta



Por ter lido este post da maray, lembrei-me de alguns avisos a que achei muita graça. Um deles tinha a ver com o tipo que colocou à entrada da residência murada onde vivia “Cuidado com o papagaio”. Não intimidou o ladrão que se introduziu por uma janela. Ao ver o papagaio numa gaiola riu-se e comentou o que é que ele poderia fazer para proteger a moradia. O papagaio apenas disse “Ataca Rex!”. Rex era um Rotweiller. Outro dos avisos a que sempre achei piada é o mais que tradicional “Cuidado com o cão”. Este já afasta, respeitosamente, alguns intrusos. Lá dentro, para o caso, de algum abusador entrar, estava um outro cartaz. “Cuidado com o cão. Não me pisem o Chihuhaua, ele é tão pequenino. Obrigado!”. Mas o aviso a que mais piada achei foi no restaurante onde jantava com frequência. Um dia, quando entrei, no bengaleiro e pregado com um alfinete, estava um cartaz num casaco que dizia: “Não tocar, pertence ao campeão mundial de Kung Fu”. Ri a bom rir quando saí porque no lugar do casaco estava um cartaz: “Roubado pelo campeão mundial da maratona”. Mas bom mesmo é ler o post da maray.

sexta-feira, novembro 13, 2009

1507. Molhar a minhoca, diz ele

Jaquinzinhos com arroz de tomate, bacalhau à lagareiro, arroz de tamboril com gambas, sardinha assada na brasa, salmonetes na grelha, caldeirada à fragateiro, sopa rica de peixe, salmão fumado com cebolinho, gambas à la planche, amêijoas à bolha pato, salmão marinado com gengibre, pargo no forno à moda da avó maria, mexilhões à marinheiro, fataça na telha à moda do ribatejo, cachuchos fritos com arroz de grelo, pregado frito com açorda, peixe assado no forno com tomate, cebola e salsa, bacalhau à brás, pescada cozida com feijão verde, tímbalo de polvo, chocos assados com e sem tinta, caldeirada de lulas à moda da nazaré, espetada mista de tamboril com camarão e pimentos, lulas recheadas, bacalhau à moda de lafões, sopa de peixe à moda da costa verde, filetes de polvo com arroz do dito, pescada à florentina, vieirinhas recheadas, lagosta suada, lavagante na chapa, ostras frescas abertas ao natural com sumo de limão, açorda de sável à ribatejana, sopa de cação, achegãs de caldeirada em forno de lenha, bacalhau espiritual, espetada de lulas com chouriço, rissóis de camarão, safio com ervilhas à moda da póvoa, fritada mista de peixinhos do rio, carapaus alimados, escabeche de carapaus fritos de um dia para o outro, arroz de sardinhas à algarvia e não me venhas cá tu, grande rafeiro, dizeres que passavas bem com uma sandocha de couratos. Dedica-te mas é à pesca. E podes levar a tua jove contigo que ela ajuda-te a pôr a minhoca no piercing.

domingo, julho 05, 2009

1456. Novas referências, ao domingo...

Talvez porque aos fins-de-semana fico com mais tempo livre para visitar os blogs dos outros vou descobrindo coisas bonitas que merecem referência. Por isso, o domingo acaba sendo o dia que mais dá jeito para fazer referência a este ou aquele local. Esta semana encontrei o blog do Alex que fala de plantas de interior. Se o Alex vier a tratar o blog com o mesmo carinho com que trata as plantas, vamos ter obra. Eu estou simultaneamente confiante e expectante. Força, Alexandre avança com isso.

Quem já tem trabalho avançado é a JET. Nos Olhares a sua galeria é um sítio por onde vale a pena passar e ficar. O trabalho não é só fotografia, o que de per si já seria suficiente para lhe chamar artista, mas a autora junta-lhe outras artes por cima. É melhor irem lá ver porque mais de 100 fotos falam muito mais do que 100 000 palavras. Entretanto a Paula Carvalho, é assim que se chama, tem um sítio num projecto de BJS. É um local colectivo com o Hélder e com a Silvana, a quem endereço também os meus parabéns. É aqui!

Imagem de JET retirada de uma das suas galerias em Olhares.

domingo, junho 28, 2009

1451. Apenas uma nota domingueira...


... para referir o excelente blog de Janette. Mais de 40 posts a pedirem uma leitura sequencial. A não perder desde o primeiro dia.

Foto: Vendetta Li (via Aliciante)

quinta-feira, junho 18, 2009

1449. Manel

Se o meu blog fosse um jornal era certo e sabido de que os seus accionistas já teriam declarado falência, fechado as portas e mandado os seus jornalistas procurar emprego em outras freguesias (neste caso apenas um desempregado, dado a escassez de recursos no seu quadro redactorial). Se este blog fosse uma televisão não teria já nenhum anunciante e, creio eu, teria menos audiência que o baby channel da TV Cabo. Aliás, eu acho que tenho razão no que digo porque, quase com seis anos de blog, este ainda não foi visitado (consequentemente ainda menos lido) sequer por 100.00 visitantes. É de facto um número miserável mas que me obriga a respeitar mais ainda quem aqui vem ler. E porque sei que quem cá me vem ler é gente boa e gente bonita é que eu venho aqui de vez em quando trazer novas de alegria. E hoje compete-me fazê-lo e partilhar convosco uma notícia que nos encheu o coração. Nasceu o Manel! O Manel é o primeiro filho de uma jóia que escreve sob o nome de Panamá no blog Chapelaria Janota. O porque nós gostamos muito da Teresa é que nos estamos nas tintas para os blogs que têm dois ou três mil visitantes por dia. Os cinquenta que hoje lerem esta notícia estão com certeza a erguer também a sua taça à felicidade do Manel. E a votar de parabéns a Teresa e o Alexandre.

PS. O Schubert, aqui mesmo ao meu lado, acabou de me dar um enorme miau. E porque isto não é um LTB sabemos os dois, eu e ele, que não me está a pedir para cheirar a comida. Está a relembrar-me que os parabéns são também para os avós e para o tio.

Foto do Manel tirada hoje pela Anita, noiva do tio.

terça-feira, junho 02, 2009

1442. Quem sai aos seus (cof.. cof.. cof...)

Ele perguntou-me pai e tal eu gramava ter uma máquina fotográfica o que é que me aconselhas, como se eu fosse um expert. Aliás, eu sei que para os meus filhos eu sou normalmente um expert em quase todas as matérias, um pai herói e isso deixa-me, claro, muito babado. Mas nem sempre nós estamos à altura das expectativas e como quem não quer a coisa a gente vai à procura, fala com quem sabe, ainda ouve piadinhas, eu tenho uma Canon, oh pá o que é isso? mas a gente finge que não percebe. Mas falar com quem sabe é que é, mesmo que seja teimoso e da Nikon não saia. Pronto quando surgiu a oportunidade, espreitando campanhas aqui e promoções acolá, lá o rapaz comprou a sua Nikon e o pai volta a ser herói, não pela escolha e conselho, mas sim agora pelos primeiros passos na 8ª arte. E para completar o que uma blogger me disse um dia destes, na apresentação do livro do Rafeiro, o seu filho escreve muito bem, agora eu digo que o miúdo também tem jeito para bater chapas.

Olha o passarinho,

Diz xize, diz xize,

Oh rapazinho não mexa a cabeça,

Vá agora todos. Xiiiiiiiiiiizzzzzzeeeeee....

Passou o passarinho e click,

O rapazinho ganhou um torcicolo

E o grupo tem os dentes bonitos,

(menos a menina que usa aparelho).

O queijo está cheio de buracos

Vê-se carga aos ombros nas docas,

E o rato foi apanhado.



E saiu a foto de um velho

Dobrado ao peso dos sacos.

Então, no meio de umas fotos loucas,

O fotógrafo foi premiado!



Versos PreDatado©, Fotografia, para O Livro das Artes

Foto: João Capote (filho de Sir Pre)

domingo, maio 31, 2009

1441. Destaques ao Domingo

Como algumas das minhas amigas leitoras e alguns dos meus amigos leitores já devem ter notado eu acrescentei na minha lista da direita mais uns bons pares de blogs. Eram blogs que eu já vinha seguindo há uns tempos e que apenas por inércia (palavra bonita para preguiça) ainda não tinha dado para a actualizar o modelo. Hoje, por três ordens de razão, a primeira, a segunda e a terceira como é ex-líbris do Engº Ângelo Correia, vou fazer alguns destaques. A primeira é porque é Domingo, dia nobre para se falar bem das pessoas. Antigamente ao Domingo era o dia de eu ir à missa. Agora já não vou, portanto sempre se ganha um tempo para escrever. A segunda razão tem a ver com os 50º aniversário do Cristo-Rei, com a deportação da Alexandra aliás Sacha, com a saída do Quique e a entrada do Jesus, com a reeleição de Soares Franco encarnado em Bettencourt (encarnado não, esverdeado), com o Oliveira Costa e com o Dias Loureiro, com a Manuela Moura Guedes e o Marinho Pinto e ainda com os comícios presididos por José Sócrates. O que é que todos estes personagens têm em comum, estão em uníssono os meus leitores e as minhas leitoras a perguntar. Pois eu acho que todos de uma maneira ou de outra, todos têm contribuído nas duas últimas semanas a esquecer o estado em que este país vive. A esquecer mesmo que Portugal tem um Governo ou, melhor ainda, no caso de Sócrates a esquecer-se de Governar o País. Sendo assim, não há nada para escrever ao Domingo, nem tão pouco como balanço. Finalmente, a terceira, a mais importante razão dos meus destaques, eles merecem-no. E Por isso aqui ficam:

Vinho e Bom Senso – Até o cheiro do precioso líquido ele nos consegue fazer sentir no meio de histórias deliciosas. A não perder por quem é amante do belo néctar mas também para quem gosta de uma história bem contada.

Rafeiro Perfumado – Não escreve sempre mas escreve sempre bem. E é divertido. Quase tão divertido como eu (ups, isto não era para dizer) e edita livros que nos fazem esquecer que vivemos em Portugal (é mentira, às vezes fazem-nos lembrar) Are you ladrating to me? É hoje na Bertrand da Avenida de Roma, às 16h07m.

Mar Arável – Eu nunca conheci pessoalmente o Eufrázio Filipe mas conheço-lhe parte da sua intervenção política que admirei. Admiro agora uma outra faceta a que dá corpo no seu blog Mar Arável. A não perder a sua poesia. Qualidade é o que se encontra ali.

Histórias de Embrulhar Castanhas – A Castanha Pilada que eu “conheço” de outros blogs com mais uma mão cheia de apelidos (repararam que mais acima eu escrevi modelo em vez de template e aqui apelido em vez de nickname?) escreve com alegria e deixa-nos alegres. Provem-lhe as castanhas e digam se eu não tenho bom gosto.

PS. Este é um destaque com interesse de causa. Não se esqueçam de continuar a ler a Guerra de Travesseiro o colectivo erótico com mais classe da blogosfera. Digo eu que não sou suspeito.

segunda-feira, maio 25, 2009

1435. Por ser verdade, testemunho.

Fácil não é manter um blog com a diversidade e a com a qualidade que nos presenteia desde há 6 anos. Noticia os eventos do seu Alentejo, particularmente os do seu distrito, oferece-nos fotografias excepcionais dos mais conceituados fotógrafos internacionais, deseja-nos fins-de-semana com uma sensualidade desmesurada, são de qualidade inquestionável as suas incursões na poesia e na prosa poética, escreve contos que nos oferece em capítulos para que nunca nos falte o apetite, dá-nos de presente as suas crónicas num dos jornais da terrinha e como se tudo isto não bastasse ainda tem opinião política (com a qual estou quase sempre em desacordo) e é um exímio fotógrafo. De fazer inveja. Refiro-me ao João Espinho, autor do Praça da República, blog que hoje completa 6 anos. Bem hajas João pela tua qualidade e grato por eu fazer parte do teu círculo de amigos.

Foto: João Espinho, surripiada da Praça com a devida vénia.

terça-feira, abril 21, 2009

1417. Para variar


Hoje vou fazer citações. De outros blogs. Não se acostumem, vai, mas uma de borla não é nada mau. Só uma mesmo que eu não sou o super homem.

“E de crianças, aprendem a guardar o resto de uma garrafa de água, por nós desperdiçada, como se de um tesouro se tratasse.” – Ana C. em Vadiagens. Este é um blog novo que não me enganarei se disser que será muito mais do que um fotoblog.

“No Domingo, dia 26, para comemorar a canonização de D. Nuno Alvares Pereira, será inaugurado o Largo D. Juan I de Castela frente ao Mosteiro de Aljubarrota. A festa vai contar com a presença de um grupo de flamengo e, segundo o programa oficial, vai haver "paelha".
A presença da Padeira lá do sítio ainda não está confirmada”. – Teresa em Cabra de Serviço .

“…mas eu estou envergonhada por nunca me ter deitado com o Luís Pedro Nunes. Assim eu teria a certeza que ele não escreveria que mulher que bem escreve fode mal.” – Janette em Guerra de Travesseiro.

“Não sei …se é a alma que detém o corpo ou se é o corpo de detém a alma.” – Madalena em Aliciante.

“Gosto duma certa ideia de unidade que nunca construo senão do dois. Talvez a possível, a tentada no sopro do primeiro beijo. Há, naqueles instantes tacteados, uma procura – e um achamento - de parte de nós que nem sabíamos perdida.” – Hipatia em Voz em Fuga.

“Faço um lombo de porco, assado no forno, que merece sempre grandes elogios de quem o prova” – João Espinho em Praça da República. Quero a receita.


… E um poema

Crava no meu peito a ilusão
rainha do meu poema
razão de uma vida
beija e trinca e agradece
eu ser só eu
musa e fantasia
loucura e esperança
e ganha-me todas as flores
que me apetecem.
Devora-me.
Porque eu, lúcida, te amo.

Poema de Paula Raposo em As minhas romãs.


Pronto vá lá, outro dia darei mais uma… borla.


Foto: PreDatado – Costa da Caparica, Paraíso


PS. Não pedi autorização aos citados para os citar ou “copiar”. Espero que não levem a mal.

sábado, janeiro 24, 2009

1349. Um caldeirão de criatividade


Tenho uma cyber amiga super criativa. Senhora de vários blogs, parece bruxedo mas não é, consegue escrever histórias atrás de histórias, novelas atrás de novelas, pequenos contos (alguns deliciosamente eróticos), colabora em colectivos e ainda tem tempo de ler uma boa mão cheia de outros blogs e comentar. Além disso, se deixamos um comentário num post seu tem sempre uma palavra a propósito para nos deixar de resposta. Numa conversa no MSN, sem bajulação gratuita (como ela diria, sem rasgação de seda), fui adjectivando esta sua capacidade. Ela foi rebatendo por modestia pura. Pediu-me até para parar. Mas chamar de criativa não é ruim, nem muito puxadinho. Bem sei que mal ela se senta no computador o texto já está. Ok, será serial criativity? Pode ser. Ou será uma criativa parideira? Cá para mim tem um affaire com o notebook. É que este tipo de procriação assistida por computador, só com flirt é que vai lá.

PS. Viram quantas palavras estrangeiras ou estrangeiradas aqui estão? É que tenho a certeza que ela, brasileira, e muitos outros amigos e amigas brasileiras, entende melhor assim do que se eu aplicasse, directo (direto), o Acordo (Reforma) Ortográfico. E olhem que não estou nem estressado nem estou esnobando, tá?
___
Não tem nada a ver com o post, mas vocês já ali foram?

domingo, janeiro 18, 2009

1342. Obrigado. Eu gosto muito de vocês.

Por muito que outros o reinvindiquem, não há nesta blogosfera melhores comentadores do que os comentadores do meu blog. Eu sei que a alguns custa-lhes ouvir (ler) isto, sei sei, já ouvi alguém dizer o mesmo noutros blogs, mas estão redondamente enganados. Vocês que aqui vêm são mesmo as/os melhores comentadores do mundo. Querem um exemplo? Só este, como símbolo de todos vós, de quem gosto do fundo do coração. A Lisa do blog Fardilha's deixou-me este comentário no post anterior. Leiam e digam-me cá se vocês são ou não são mesmo as/os melhores comentadores do mundo!

Os Homens e a gripe….

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

adenda: autor - António Lobo Antunes (informação da própria Lisa)

quarta-feira, janeiro 14, 2009

1338. Apelo

(É a minha forma de solidariedade Zé)


Agradeço a todos os meus leitores e leitoras, que leiam o apelo feito pelo nosso amigo Zé do blogue Apenas + 1. Não se trata de nenhuma daqueles apelos que circulam nos e-mails e que normalmente desconhecemos a origem. Leiam e se por acaso puderem de aguma forma dar uma ajuda o Zé tem lá o e-mail dele. É só clicarem no link. Obrigado.

sábado, janeiro 03, 2009

1326. Eu e os meus PSs

Eu e os meus PSs nada tem a ver com o partido político que ostenta esta sigla. Esta, que em latim se diz Post Scriptum é mais antiga que aquele e mesmo que o não fosse em termos de utilização tê-lo-ia sido em termos de criação. E apesar do segundo governar com maiorias absolutas que o método do Sr. Hondt lhe confere, muito maior é a maioria daqueles que escrevem e utilizam o primeiro para os fins, provavelmente, similares aos que me fazem utilizá-lo. Pois cada PS meu é usado, normalmente, em duas circunstâncias distintas sendo que se outra circunstância houver a adicionar a estas não serão apenas duas mas serão tantas quantas as que da aritmética dos números resultarem. Essas duas que passo a explicar brevemente para não vos enfastiar de texto que enfastiados andareis pela certa com tanta comezaina de Natal e Ano Novo, para não falar que ainda faltam os Reis e dos respectivos acompanhamentos líquidos que não escassas vezes vos obriga aliviar de joelhos no chão, rabinho içado e cabeça enfiada na sanita ou vaso como lhes chamam os meus amigos brasileiros. Mas adiante as razões serão então, a primeira para completar um texto com um assunto que ainda lhe pudesse ter respeito mas que se desenquadraria da prosa cortando-lhe a sequência, pelo que é melhor tratar mais tarde, sendo que esse tarde acaba por resultar num PS e a segunda, a que mais vezes utilizo é para complementar um texto com uma ou outra nota que lhe não dizem em absoluto respeito mas que não deverão perder a actualidade, quer isto dizer aproveitando o balanço do escriba e o momento de o dizer. Está neste caso o PS ontem escrito sobre o 5000º post do Praça da República que como era bom de ver não se enquadra não só no texto que o precedeu mas também, e principalmente, na imagem com que o ilustrei.



PS. 1. Escrevi um texto atrevidote para o blogue Ménage a Quattre onde colabora a minha amiga blogger e escritora Mirian Martin, Senhora também do Caldeirão da Bruxa. Até ao momento não teve nenhum comentário nem positivo nem negativo e eu não gosto de indiferenças. Portanto é lá ir e mandar palpites, ok?
2. A foto de hoje não é a de nenhum militante (pelo menos mediático) do PS mas sim para ilustrar este PS. Por protesto de várias leitoras, a Nanny, a Teté, a Mirian e outras que talvez se tenham esquecido de o fazer a que o Pre só arranje calendários com gajas… aqui vai!
3. Se o Presidente da Câmara do Seixal ou se algum seu assessor ler este blog (o mais certo é que não), informo-vos que desde que, à boa maneira das empresas capitalistas, iniciaram o downsizing da vossa Câmara com o outsourcing da limpeza das ruas, que a merda de cão cresceu exponencialmente na minha praceta. Ainda ontem borrei um sapato todo.



Imagem: calendário FOCH

quarta-feira, dezembro 10, 2008

1309. Da janela do quarto dele


- O miúdo tem jeito, atirou mal o encarei esta manhã.
- Ai, estamos mal a falar de bola a estas horas, ripostei ainda esfregando os olhos com sono.
- Qual bola, meu? Não é desse, é do teu, informou-me deixando-me perplexo.
- O que é que queres dizer com isso? – acabei perguntando eu que até lhe conheço as artes, a música, a pintura, o design e outras, mas que quando acordo ainda tenho uma série de interruptores desligados.
- Para escrever, homem. Já leste o blog dele?

(…)

Acabei de fazer a barba e de lavar os dentes. Não continuamos o diálogo. Aliás nesta altura eu ainda só tinha a pestana do olho direita levantada. Nesta pausa na conversa com o meu espelho, continuei a tratar de mim. Tomei o meu comprimido diário para a hipertensão, tomei banho, preparei o pequeno-almoço, comi e vesti-me. Vim também ao computador ler os títulos dos jornais da manhã e obviamente ler o blog do garoto. Voltei ao espelho ajeitando o nó da gravata.

- Se eu tivesse a paisagem que ele tem da janela do quarto dele também eu me inspiraria assim, disse-lhe em tom meio de desculpa, meio de justificação, enquanto sacudia um cabelo na banda do blaser, dando-lhe a entender que já tinha ido ler o blog do rapaz.

(… deu uma gargalhada, como quem pergunta: o quê tu?)

- O quê tu? – perguntou.
- Sim eu, respondi-lhe peremptório – Ou achas que não sou capaz? Ainda lhe perguntei enquanto me “despenteava” com o gel, wet effect.
- Vaidoso – terminou, acabando por me virar as costas.

(ainda gostava de saber porque é que este meu espelho me vira sempre as costas em fim de conversa)

PreDatado©2008, in Conversas com o meu espelho
Foto, Lausanne, “da janela do meu quarto”, João Capote

domingo, novembro 16, 2008


1292. Por (puro) acaso.

Tive um fim-de-semana espectacular lá no “meu” Alentejo. Além da satisfação de ver chegar, quase em simultâneo com a nossa chegada, uma boa meia dúzia de gatos da vizinhança que, sabendo da nossa presença, estacionam no nosso quintal para, pelo menos durante dois dias, terem repasto extra, foi um fim-de-semana de fados e de cantares alentejanos. Cada coisa na sua vez, escreverei alguns posts sobre esses assuntos acompanhados de fotos dos eventos mas o que aqui me traz hoje é um outro acontecimento. Na dita fadistagem, o fadista principal, chamemos-lhe assim, era também o locutor / apresentador de serviço. Quando anunciou algumas pessoas ilustres que estavam a assistir ao espectáculo, referiu o nome do escritor Luís Maçarico. Alto lá que este nome eu conheço! É nem mais nem menos do que um amigo virtual, agora também pessoal, antropólogo, autor do blog Águas do Sul, actualmente a fazer o Mestrado “Portugal Islâmico e o Mediterrâneo”. Conhecia o seu blog pois faz parte das minhas leituras frequentes e por isso, mas não só dado que o Luís é um excelente interlocutor, foi muito fácil interpelá-lo e estabelecermos diálogo. Depois de uns minutos de agradável conversa, no intervalo de uma bonita sequência de fados, o Luís Maçarico presenteou-me com o seu último livro de poemas, Cadernos de Areia, com dedicatória e autógrafo. Os poemas estão relacionados com as suas diversas viagens à Tunísia, país do qual é um apaixonado. Já saboreei alguns desses poemas e digo-vos que são muito bonitos. Daqui um abraço de novo ao Luís e dêem uma vista de olhos ao seu blog. Vale a pena ler, valeu, absolutamente, a pena tê-lo conhecido.

sábado, novembro 08, 2008


1282. Estes são momentos meus e não teus, ok?

Gosto de comprar alhos, cebolas, batatas e fruta no mercado.
Gosto do borrego e do acém e da vazia e do pernil e do chispe e da galinha do talho do Fua.
Gosto de ir à pedra do Zé Maria comprar pargo e dourada e jaquinzinhos.
Gosto de ir à tendinha comprar pão alentejano.
Gosto de comprar as lixívias e os amaciadores e as pastilhas para máquina no supermercado.
Gosto de comprar fatos no alfaiate.
Gosto de ir à Bertrand perder-me nos escaparates.
Gosto de comprar tintas e pincéis e telas na Fernandes.
Gosto de tomar a bica em casa porque acho a nespresso uma dádiva divina (quer dizer foram 179 euros).
Gosto de comprar o jornal em quiosques.
Gosto de jogar na lotaria.
Gosto de vocês.

PS. Tive a sorte de conhecer na blogosfera (como aliás tive essa sorte em outros locais e circunstâncias) pessoas encantadoras. Ela é uma dessas pessoas.

sexta-feira, novembro 07, 2008


1282. Ai que invejoso

Entrei num blog que leio amiúde e verifiquei que tinha 19 comentários. Fui ver de quem eram e eram de dezanove leitores diferentes. Quase todos tinham uma página e visitei quase todos ou seja, todos os que tinham uma página. Nenhum dos comentários era a resposta do blogger aos comentários dos seus leitores o que significa que eram 19 comentários de 19 leitores. E fiquei aqui a pensar, imaginem que até coloquei o cotovelo na mesa e a mão por debaixo do queixo, como é bom ter 19 comentários. Olha aí companheiro, não é inveja não, o título é que tinha de ser chamativo.

domingo, novembro 02, 2008


1268. Atingido

No dia das bruxas saiu do Caldeirão dela este selo que aqui se mostra. Eu acho que já o conhecem pois praticamente todos vós já receberam um, uma vez que por cada recebido se devem fazer 15 nomeações. Mesmo tendo em conta que de quando em vez haverão nomeações duplicadas ou até mesmo tripli e por aí fora, o factor multiplicativo é tão grande que se a corrente não se quebrasse aqui e ali, desde que eu comecei a constatar a existência destas nomeações já teria, quase de certeza, dado 10 voltas à blogosfera. E se fosse apenas à de língua portuguesa teria dado muitas mais, embora a alguns possa passar ao lado. Por isso, minha querida Mirian, tenho de te deixar aqui um muito obrigado pela distinção (que eu tenha notado foi a primeira que recebi), mas não vou fazer repassagens que, ou seriam redundantes pelos motivos expressos, ou pecaria de certeza por defeito pois teria muitos mas muitos mais do que quinze bloguistas a distinguir. Sei que com isso perco o direito à ostentação do símbolo mas não me apoquenta. O único que nunca me sai da lapela é mesmo o emblema do meu querido e glorioso Sport Lisboa e Benfica.

terça-feira, outubro 21, 2008



foto de Giuseppe Sarcinella retirado do blog à frente referido com a devida vénia a ambos, ao fotógrafo e à blogger

1257. A sobremesa

Durante vários meses, aí pelos idos de 2005 e 2006 (ou seria 2004 e 2005?), o PreDatado escrevia uns textos com alguma frequência, chamados Lunch Time Blog, por muitas das minhas amigas leitoras e dos meus amigos leitores também conhecido por LTB. Pois o Lunch Time Blog aka LTB misturava situações com pratos, fazia referência à sua confecção e aspecto, algumas vezes indicava os ingredientes e a forma de os misturar. O vinho era apresentado com devoção e as reacções ao conteúdo, do então seu único (agora são quatro) gato, o Schubert, eram também relatadas, normalmente em post-scriptum. O LTB de vez em quando ainda aparece revisitado quando ao seu autor lhe dá na real veneta, embora o tenha deixado de escrever com a regularidade de outros tempos. Lendo e relendo os textos de antanho constata este escriba que as sobremesas nunca foram o forte, nem tão pouco o leitmotif de tais escritos. E não poderiam sê-lo, porque dessem as voltas que dessem na forma ou no forno, na geladeira ou na máquina dos batidos, levassem natas ou creme de ovos, tivessem frutos silvestres ou tropicais, misturassem chocolate com baunilha ou simplesmente menta com nozes a verdade, a verdadinha é que nenhuma sobremesa chegaria aos calcanhares desta com que nos presenteou a Madalena.

PS. Embora as terças tenham ultimamente sido reservadas para o “às terças…” esta rúbrica não é exclusiva. Quando se justifica escreve-se mais um bocadinho. E a Madalena justificou-o.

quarta-feira, setembro 24, 2008






1239. Desembaraçadamente

Tal como a minha amiga Maria Árvore eu também acho o José Mário Silva um rapaz muito simpático e bem-falante. Só o “conheço” do tempo dos blogs diria mesmo só o conheço desde o Blog de Esquerda que, creio mesmo, nem terá sido o primeiro em que participou. Depois, com aspirinas pelo meio fui perdendo o contacto com a sua prosa e pior (para mim, claro) faz muito que deixei de ler o Expresso, excepção feita quando ele me é oferecido aquando da compra de algum DVD do CSI. Apesar da consideração que fiz no primeiro parágrafo não significa, nem teria de significar, que teria de concordar com ele sempre que tece uma crítica a alguma obra literária. Sem assumir a defesa de Rosa Lobato de Faria, não só não fui indigitado para tal como tampouco o saberia fazer, discordo da análise de José Mário Silva aposta neste seu post de ontem de onde realço o extracto “O que separa as duas histórias é o abismo que vai do génio literário de James à prosa desembaraçada, mas tão fácil de ler quanto banal, da autora portuguesa”. Pessoalmente, sou um adepto da chamada prosa desembaraçada e tenho alguma dificuldade em considerar a de Rosa Lobato de Faria, banal.

Lembrei-me a propósito disso de um conto que escrevi que começava assim:


“A disceptação teve o seu epílogo. Estava decidido. Como bom dendrófobo dirigir-me-ía para o deserto. Ele caminharia para os antípodas. Sentia-me fatigado de ser sempre apoucado nas minhas decisões. Assumiria de uma vez por todas o meu eremitismo. O badano, já cambado, haveria de suportar as duas ou três horas que me faltavam para chegar ao destino. Quando as adelfas e as carvalhinhas começaram a rarear nas margens do caminho, o dia abaçanava. A alimária alentecia e nem os golpes de butuca a fariam mover. Paramos. Coligi os escassos haveres, cobri-me com um bedém, com o qual me tinha abispado antes da partida, sentei-me ao velho jeito índio, pernas cruzadas uma sobre a outra e adormeci. A minha mente extenuada achapuçava-se de sonhos. Abentesmas albípedes, cujas restantes partes corporais se não viam, bandarreavam no meu espírito deixando-me azabumbado. Como seria possível em lugar tão ermo me sentir cercado. Acordei abruptamente. Autócnes de aspecto boçal faziam a festa. Nunca na vida tinham deparado com tão alva tez. Com as mãos enrugadas esbarbavam-me o capote como que se inteirando da minha condição de real.”


Era tudo menos uma prosa desembaraçada. Se banal ou não, não sei. A única coisa que sei mesmo é que ninguém leu. Quanto ao cronos subscrevo o último parágrafo do post da Maria.