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terça-feira, outubro 18, 2016

1629. Lunch Time Blog

É a Justiça, estúpido!

Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu lugar, vamos lá por partes.

Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa, senhora Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática, venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia "deficitária". Isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR  já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele, que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo, que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu socorro.

E então, para que o "vamos lá por partes" se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial, de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na Justiça, coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça, ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à Justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir, por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos à espera da pensão de alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva à náusea.

Vá lá senhora Ministra da Justiça, faça coisas bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é? Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá uma finta, que qual Messi, qual Ronaldo...

PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água, mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...

1628. Lunch Time Blog

É a Justiça, estúpido!

Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu lugar, vamos lá por partes.

Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa senhora Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática, venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia "deficitária". isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR  já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele, que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo, que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu socorro.

E então, para que o "vamos lá por partes" se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial, de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na justiça, coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça, ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir, por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos da pensão de alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva à náusea.

Vá lá senhor Ministro da Justiça, faça coisas bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é? Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá uma finta, que qual messi, qual ronaldo...
PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água, mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...

sexta-feira, maio 01, 2015

1624. O direito à greve


O direito à greve foi, em quase todo o mundo e em Portugal apenas após o 25 de abril de 1974, uma conquista dos trabalhadores. É bem provável que mais de metade dos trabalhadores portugueses de hoje nunca tenham trabalhado antes do 25 de abril de 1974 ou que já tenham nascido com este direito adquirido, alguns dos quais sem lhes passar pela cabeça que este direito já custou muito sangue, muito suor e muitas lágrimas. Sou totalmente contra aqueles que afirmam que este direito deve ser usado parcimoniosamente.  A greve deve ser usada como uma arma de quem trabalha contra as agressões de que são vítimas enquanto trabalhadores, agressões ao seu direito ao trabalho, ao seu direito a uma remuneração justa e até ao seu direito ao descanso.  

Vem este meu texto hoje, a propósito das duas greves anunciadas para, ou a começar, no dia 1º de maio, dia do Trabalhador num grande número de países do mundo. A greve dos pilotos da TAP e a greve dos trabalhadores do comércio. Se à greve dos trabalhadores do comércio está para mim fora de questão não lhe dar o meu total apoio, dada a justeza das reivindicações, já em relação à greve dos pilotos da Tap tenho a maior das reservas. No entanto, é esperado que uma e outra tenham níveis de adesão e até mesmo motivos para a não adesão completamente diversos.

Os trabalhadores do comércio convocados foram os das grandes superfícies de distribuição. Está condenada à partida, quer ao nível da adesão, quer ao impacto mediático. O impacto mediático está praticamente reduzido a zero dada a simultaneidade com a greve dos pilotos da Tap e do que esta representa parece representar para a privatização anunciada. Mesmo os critérios jornalísticos, que é uma direção para a qual não vou agora intensamente disparar não estão para aí virados. O que é isso de relevante de licenciados em relações internacionais ou em patologia forense, ou apenas com o "miserável" 12º ano,  estarem a ganhar 2,00 € por hora em lojas dos centros comerciais?  Se é para falar em miséria que se façam reportagens na China, na Coreia do Norte ou em Cuba...

"Mas os trabalhadores do comércio também não aderiram à greve", poderá, quem lê, argumentar. Pois, não! Reitero eu. Caminha-se a passos largos para a destruição dos direitos conquistados pelos senhores do capital com a conivência dos governos democraticamente eleitos. Quem é que, mesmo ganhando miseravelmente, com contatos precários de 3 e 6 meses (falaram-me já de casos de contratos mensais), com quase 1 milhão de desempregados à espera e bocas em casa para sustentar, estudos para pagar, medicamentos, muitos destes trabalhadores andam a trabalhar doentes, vidé o comunicado do sindicato, transportes, vestuário e renda de casa, se pode dar ao luxo de ceder o seu lugar a outro? Nem que morram no posto de trabalho, não "poderão" fazer greve.

Quanto à greve dos pilotos são outros quinhentos. Mas essa é amplamente debatida nos media.

Miguel Torga escrevia no seu Diário, em 1946. O Portugueses são imbecis ou por vocação, ou por coação ou por devoção.

A atender às sondagens, por devoção não tenho dúvida. Como por vocação é tão evidente que nem vale a pena argumentar, resta-me dizer que sob coação, se calhar, até eu sou português.

sexta-feira, junho 14, 2013

1620. A descapitalização previsível da Segurança Social



O senhor F. foi, em meados dos anos 90, contratado para exercer determinadas funções na empresa E. Na altura negociou o seu salário, enfim, as partes estavam de acordo, estava na média para as funções exercidas numa empresa da dimensão da referida. O que iria auferir era composto por duas partes. Um salário que constaria como oficial, sobre o qual recairiam os descontos para a Segurança Social e o IRS à tabela, recalculado anualmente como ainda hoje se faz. O patrão pagaria, sobre esse salário, a sua quota-parte para a Segurança Social. A segunda parcela da sua remuneração era constituída por um conjunto de mordomias que segundo soube constaria de subsídio de almoço, subsídio para telefone fixo (na verdade a conta telefónica), subsídio de combustível, cartão de crédito com um determinado plafond, telemóvel, automóvel de serviço com todas as despesas pagas (seguros, manutenção, parqueamentos) e uma panóplia de ajudas de custo quando das deslocações em serviço (viagens, hotéis, refeições, etc). Não sei se havia mais, o caso é antigo e não me recordo de tudo quanto soube. Tudo isto que aqui relato era e parece-me que ainda é, absolutamente legal.  Mas também tanto quanto soube estes valores de mordomia aproximavam-se do montante do salário oficial.

Sendo assim o empregado tinha uma vantagem, mas corria dois riscos. A vantagem era a de que pagaria apenas impostos e taxas sobre o salário oficial. O primeiro risco era a arbitrariedade que ficava na mão da entidade patronal de, quando lhe aprouvesse, eliminar alguns ou todos estes complementos remuneratórios. O segundo era o de, no futuro, quando este trabalhador se reformasse, o cálculo da sua pensão seria feito na base oficial declarada e não sobre os outros montantes que não constituíam salário. A entidade patronal, que atuava estritamente dentro da legalidade, não corria nenhum risco, antes pelo contrário tinha uma vantagem. A sua contribuição para a Segurança Social era cerca de metade daquela que teria de fazer se toda a componente de mordomias fizesse parte do salário.

Mais tarde, vim a saber que a empresa e o trabalhador, fazendo os ajustes necessários devido ao acréscimo de IRS de taxa para Seg. Social que recairiam sobre o trabalhador, acordaram no englobamento de algumas daquelas mordomias no salário. Ficaram a ganhar o empregado que embora possa ter perdido algum rendimento no imediato passou a ter uma perspetiva de uma velhice com uma pensão condigna e o Estado que passou a receber mais Impostos e mais contribuições para a Seg. Social. Quanto à empresa uma vez que a sua contribuição ao nível de TSU aumentou deve ter tido outras vantagens que desconheço ao ter acordado neste processo de integração.

Hoje em dia, este Governo ao confiscar descaradamente as pensões e reformas, reduzindo-as a seu bel-prazer e ao da troika que nos asfixia, está a dizer aos novos trabalhadores que o melhor é tirarem o cavalinho da chuva em relação às pensões que pensem vir auferir no futuro. O que o Governo está a dizer é para que os empregados e os patrões utilizem o estratagema que eu relatei no início. Está a promover a descapitalização da Segurança Social e a potenciar a diminuição de receita no IRS. E segundo percebi do que ouvi hoje da Senhora Presidente do Conselho de Finanças Públicas, Dra. Teodora Cardoso, isto irá começar em breve, se é que não está já em marcha. Este governo está a destruir Portugal.


segunda-feira, fevereiro 20, 2012

1601. Com SCUTs e sem humor negro, ou vice-versa


Ontem à noite, Domingo, ouvi nas notícias que tinham sido contabilizados nas estradas portuguesas sete mortos na operação Carnaval, mais cinco do que no ano anterior, isto desde sexta à noite. Quer dizer, em dois dias. Ninguém, não sei se convém ou não, fez ainda uma comparação, uma analogia, sequer uma especulação, se estes acidentes estão ou não relacionados com um maior afluxo às estradas “alternativas” às antigas SCUTs, hoje em dia autoestradas com portagem. A muita gente estes dados não interessam para nada até porque viriam logo alguns daqueles comentadores das rádios, TVs e jornais, sempre os mesmos, que até ganham para dizer palermices, do género das que eu aqui digo mas que o faço de borla, que a medida do Governo de taxar as SCUTs é perfeitamente adequada porque não só faz entrar dinheiro nos cofres do Estado por via direta, as portagens, mas também por via indireta já que alguns dos mortos são funcionários públicos a quem deixará de pagar ordenados ou pensionistas e reformados a quem se deixarão de pagar pensões. Esquecem-se os comentadores oficiais do regime que também o Governo a alguns deles vai deixar de poder roubar os 13º e 14º meses e, pior ainda, vai ter de pagar alguns subsídios de funeral e pensões de viuvez. E se calha, algumas horas extras a coveiros e outros funcionários dos cemitérios. Numa visão economicista, que tanto agrada a este governo, há ou não que repensar as SCUTs?

terça-feira, setembro 01, 2009

1476. Início do mês político.

Depois de ter ouvido hoje o Eng.º Sócrates, nosso Primeiro Ministro, fiquei com um desejo tremendo: ir viver para Portugal.

terça-feira, janeiro 20, 2009

1345. YES, WE CAN


Hoje não dará para eu colocar o tradicional poema das terças-feiras.
Hoje um outro poema está no ar e chama-se Barack Obama.
Yes, We can!

sexta-feira, janeiro 02, 2009

1325. A seu tempo e sem tempo!


I. Ainda a mensagem de Ano Novo do Sr. Presidente da República. Para além de ter afirmado que iria falar verdade aos portugueses o que, para que tenha valido a pena a frase, deverá significar que os outros políticos não o fazem, disse também, entre outras, uma coisa que refuto de muito importante. Disse o Sr. Prof. Cavaco Silva que há oito anos que nos atrasamos sistematicamente dos restantes países da Europa. Ora, tendo em conta que, nos últimos oito anos estiveram à frente dos destinos económico/financeiros dos nossos governos Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix e Teixeira dos Santos, devidamente avalizados por Durão Barroso, Santana Lopes e José Socrates, não deveriam estes senhores e senhora virem à televisão e aos jornais dizer que afinal o PR não falou verdade ou, o que me parece de facto que deveriam, virem publicamente pedir desculpa aos portugueses? Isso sim seria digno. Até porque eles não gostam nada que se diga que os políticos são todos iguais.


II.
Wowwwww!!!!! Finalmente um primeiro lugar. Já não era sem tempo caramba. Andamos sempre nas caudas das estatísticas. Lanternas vermelhas crónicas nas classificações europeias. Ah, mas desta vez não! Primeiríssimos e mainada! Primeiro lugar em assaltos em 2007. Já não era sem tempo, hein?



PS. O João Espinho, fotógrafo e blogger e outras coisas não menos importantes, entre elas o de ser meu amigo, já editou 5000 posts no seu Praça da República. É obra que não está ao alcance de todos. Muitos parabéns!

quinta-feira, novembro 27, 2008



1301. Eu também gosto de discorrer sobre a coisa pública

(Eu ía deixar um comentário neste post do Ferreira-Pinto; às tantas o texto já ía longo, escrito ao correr da pena, sujeito a erros de teclagem, de sintaxe e até de um ou outro ortográfico. Peguei no texto, levei-o ao word para ter uma visão global e corrigi-lo e, de repente, arrependi-me de lá deixar como comentário. Transformei-o em post. E como gosto de uma boa polémica, vamos lá, não se acanhem e comecem a dar-me na cabeça se faz favor. A caixa de comentários é vossa. os poemas voltam dentro de momentos).

Na realidade embora eu ache que o artigo do Ferreira-Pinto atire em várias direcções, na sequência da referência inicial - “Perante os tempos extraordinários desta crise do capitalismo, a Esquerda tem a missão urgente de encontrar uma alternativa de poder, deixando de lado velhos dogmatismos” defenderam em uníssono Paulo Pedroso, Francisco Louçã e Paulo Fidalgo (ex-PCP e hoje no Movimento de Renovação Comunista) na cerimónia de apresentação do livro “A Nova Esquerda”, de Celso Cruzeiro - foram expostas algumas ideias (embora eu não apadrinhe todos os pressupostos), que me parecem interessantes. Começando pela direita, área onde não me situo e que portanto me interessa apenas como parceira do jogo democrático é-me, completamente indiferente que se refunda, que crie um novo partido ou que se extinga, paz à sua alma. De Santana, inclusive, para a direita estamos conversados. Quanto ao centrão que nos tem governado, PS e PSD concordo com Ferreira-Pinto na sua refundição. No entanto, para mim, a sua fusão (e refiro-me ao PS actual e à sua entourage) seria nem mais nem menos que amalgamar as duas não-correntes ideológicas existentes em Portugal. De facto de um partido que é apenas uma feira de vaidades - PSD - onde ninguém se entende, onde cada líder fala o pior do líder anterior, onde cada líder é bombardeado até ao limite com o fim de o fazerem cair (mota pinto, balsemão, marcelo, santana, mendes, menezes e até mesmo ferreira leite) pelos próprios correligionários, não tendo mais inimigos internos porque não os há mais e, um PS que abandonou completamente qualquer teoria política de esquerda (nem mesmo a terceira via blairiana hoje pode ser considerada como base ideológica deste partido), ficariam muito bem nesse ramalhete. Teríamos, assim, até à eternidade, a governar-nos a pior coisa que qualquer pais pode ter - e não é o que tivemos quase sempre? - a maximização do vazio ideológico. Quanto à esquerda, pode até ser que os velhos paradigmas e a ortodoxia vão parar ao caixote do lixo. Mas eu - velha mentalidade - não o acredito. A(s) esquerda(s) têm os seus próprios espaços, formados desde a revolução francesa, que já passaram pelas mais diversas "grupagens". Não será possível, nem nos tempos mais próximos, sob pena de se mandar às urtigas toda a riqueza ideológica da esquerdas, a não ser por estratégia eleitoral ou pela tal "alternativa" de governo, a que eu chamaria uma certa - eufemismo - sede de poder, juntar fraternalistas, malreauistas, anarquistas, marxistas, trotskistas, leninistas, maoistas e porque não, até, stalinistas. Se no caso que falei, do centrão, é a ausência de referências ideológicas que permitiria a tal amálgama, esta, na esquerda seria uma mistura explosiva de -ismos que mais cedo ou mais tarde explodiria com certeza. No entanto e apesar destas considerações tenho o espírito aberto para esperar e ver no que dá. Só não gostaria de ver nascer um PPD/PSD/PS de esquerda.

Imagem encontrada aqui

segunda-feira, setembro 22, 2008


1237. Votos voadores
Fosse eu emigrante nos Estados Unidos da América e hoje estaria certamente envolvido e preocupado com as eleições americanas. A “luta” McCain vs. Obama está ao rubro e não me permitiria desviar atenção para qualquer guerra de alecrim e manjerona entre Sócrates e Ferreira Leite. Pois bem eu tenho a certeza que não seria caso único. Seja nos Estados Unidos, Canadá ou Macau, seja na Suiça, Alemanha ou França, quiçá em Andorra há uma larga, diria larguíssima maioria que pensa como eu. E o que me faz afirmá-lo? A frieza dos números. Pois bem dizem por aí que há 5 milhões de portugueses emigrados. Eu daria de barato que este número é exagerado mas não o conheço. O que sei é que em Fevereiro de 2005, quando das eleições legislativas últimas, estavam recenseados 75803 portugueses na Europa e 72575 no resto do mundo. Se este número de recenseados (cerca de 3%), face ao número presumível de emigrantes, já mostra considerável indiferença, o nível de participação, 23427 na Europa e 13277 fora desta, mostra claramente que estes 36714 votantes (25% dos inscritos ou seja uma abstenção média de 75% e, a atender ao numero de emigrantes considerado, menos de 1%) são realmente quem se interessa pela política em Portugal. É claro que o método de Hondt e a distribuição por círculos criam deturpações tais que permitem que este número de votantes inferior ao total nacional do PND (40358) ou do MRPP (48186) atribuam quatro deputados emigrantes contra zero de qualquer daqueles partidos. Se o debate fosse em torno da lei eleitoral geral, da distribuição por círculos, dos métodos de proporcionalidade, da representatividade efectiva das várias correntes ideológicas talvez eu entrasse na conversa. Mas teorizar sobre a democracia apenas porque foi aprovada uma lei que acaba com o voto por correspondência de quem efectivamente já não vota é um peditório para o qual não dou.

PS. Meu caro e prezado José Pimentel Teixeira, este foi o meu modesto contributo para a sua batalha sobre a matéria. Não estamos do mesmo lado, neste caso concreto, mas isso nunca me impedirá de continuar a lê-lo com atenção.
imagem daqui

sexta-feira, junho 20, 2008



1210. Que chatice, pá

Os gajos agora sem futebol vão outra vez voltar-se para mim.

terça-feira, junho 10, 2008


1204. Raça progressista


A União Europeia preconiza já a semana de 60 horas de trabalho podendo em determinados casos e actividades chegar às 65. Estamos a atingir o pior do século XIX e a passos largos para o restabelecimento oficial do esclavagismo. Tenho ouvido o nosso ministro do trabalho, Vieira da Silva, criticar a esquerda por se opôr a horários deste cariz, chamando-lhe conservadora e imobilista. Pois! Estamos a caminho do progresso só que em marcha à ré. Talvez o nosso Presidente da Republica não chame a isto progressismo mas sim Raça. É preciso muita raça para trabalhar 65 horas por semana.

sábado, junho 07, 2008


1201. Lá se vai o Santo António


Segundo notícias de hoje, há sondagens a atribuir 35% ao NÃO e 30% ao SIM, para o referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda no próximo dia 12. É verdade que ainda há 28% de indecisos e portanto tudo pode acontecer, mas a manter-se a tendência o nosso primeiro não vai brincar ao Santo António. Cá para mim fica amuado.

Oh senhores da Guiness adiem isso para depois do S. Pedro. Não estraguem as festas aqui do burgo. Seriam cá uns porreiros, pá.

sexta-feira, junho 06, 2008







1199. Números

Foram mais de 200 mil, mas ao senhor engenheiro Sócrates não lhe interessam os números. Vamos ver se lhe interessa a contagem em 2009.

foto tirada daqui com a devida vénia

quarta-feira, junho 04, 2008

1194. Perspectiva

Após as eleições no PSD, com a vitória de Manuela Ferreira Leite, há agora uma necessidade de reposicionamento do Partido Socialista. A grande onda de simpatia que José Sócrates tem recolhido na direita, empresários, banqueiros e outros sectores da burguesia ou seus apoiantes, têm agora uma nova opção que é a líder do PSD, pouco mais que, digamos, um Sócrates de saia.
E é com este deslizamento, que vai ser inevitável, dos apoios (de direita) de Sócrates para Ferreira Leite que há a necessidade de voltar a contar espingardas à esquerda sob pena de a própria maioria do PS poder estar em risco.
É nesta perspectiva que encaro a participação de Manuel Alegre no comício do Bloco de Esquerda de ontem. Um chamada de atenção ao seu partido e principalmente ao seu chefe, numa iniciativa que iria ser obviamente mediatizada e discutida em todos os quadrantes.
Se o PS nem com este balde de água acordar, o próximo governo poderá ser de Manuela Ferreira Leite. Esperemos por novas sondagens para ver como vão as tendências.
Não me pareceu mesmo nada que o BE tenha ganho algo com isto.

quarta-feira, maio 21, 2008

1184. Tenho pena

Tenho pena porque o Presidente do Grupo Parlamentar é uma pessoa que eu gostava de respeitar mais, pelo seu passado contra a ditadura, talvez até mais pelo seu passado contra o status quo instalado na sua época de estudante (minha também, embora em estágios estudantis diversos dada a nossa diferença de idades). Talvez alguns dos poucos leitores deste blog, pela sua juventude ou origem geográfica não se lembrem ou desconheçam, mas havia um tipo que editava um programa semanal na RTP, antes do 25 de Abril, chamado João Coito. Este tipo era a voz do dono, na época de Marcelo Caetano. Sempre que oiço o Dr. Alberto Martins na Assembleia da República, como foi o caso de hoje ou dos outros debates quinzenais, ou mesmo noutras intervenções aos orgãos de informação, vem-me à memória esta funesta figura. E não é pela pronúncia, podem crer. Acho que merecia desempenhar outro papel. Mas a obediência ao dono (do PS) assim o obriga.

segunda-feira, maio 19, 2008

1182. Satisfação

O nosso primeiro-ministro entrou doente nos serviços de urgência de um hospital e saiu deslumbrado com a eficiência. Vejam bem que até foi logo assistido. Bravo!

domingo, maio 18, 2008

1180. O óbvio

Mais um ataque à esquerda feito hoje pelo primeiro-ministro a propósito do código de trabalho. Nem outra coisa se esperaria. É histórico, a esquerda ataca a direita e a direita ataca a esquerda. O óbvio.

segunda-feira, janeiro 28, 2008


1155. Deslocalizações e tomates

Quando a Opel fechou as portas na Azambuja, o PreDatado, num post que editou nas suas rubricas (quase habituais) no ante-et-post, colocou o símbolo que se pode ver aqui hoje. Não sei quantas pessoas estavam ou não imbuídas do mesmo espírito, o que o Pré sabe é que não viu da parte das autoridades políticas nenhuma palavra que pudesse indiciar uma penalização pragmática aquela marca. Hoje lembrei-me disto quando li o post da Micas (Nokia - so nicht) sobre o fecho das fábricas da Nokia na Alemanha e a sua deslocalização para a Roménia. Só que nem todos têm tomates.