sábado, setembro 05, 2009
1478. Se souberem quem queira...
quarta-feira, agosto 26, 2009
1475. Se alguém souber quem queira, mande-me um e-mail

O meu sogro era uma pessoa humilde de cuja vida não faziam partes grandes manifestações sociais. Casamentos, baptizados, festas de aniversário, um ou outro convívio entre amigos e funerais, quase que poderia resumir assim a sua participação na vida colectiva. Ah, é verdade, o meu sogro votava e não dispensava de se apresentar de fato e gravata no cumprimento do seu dever cívico. Poderíamos assim pensar que, para tão resumidas necessidades, não lhe fosse necessário ter um guarda-roupa por aí além, mas na verdade a coisa não era bem assim. Só dos genros e filho “herdava” em cada estação uma substancial quantidade de camisas que, ora porque tinham passado de moda, ora porque um colarinho menos apropriado não lhes assentava bem a gravata, ou ainda porque genros e filho decidiam engodar mais do que os botões das ditas camisas suportariam. Mas calças e fatos tinham o mesmo destino pelas mesmas razões ou até outras. Se acrescentarmos as pouco originais prendas de aniversário e Natal com que a família o brindava, ele era pulôveres, ele era camisas, ele era peúgas, ele era ceroulas, quando o meu sogro faleceu deixou algumas dezenas destas peças em roupeiro. Pois minhas queridas leitoras e meus queridos leitores, vocês nem imaginam a dificuldade que nós cá em casa temos tido para doar este, modesto mas asseado, espólio. Nem lares, nem asilos, nem igrejas, nem mesmo particulares necessitam de nada disto. Tenho mais medo de que seja presunção do que pobreza envergonhada. Esta última, eu compreendo, a primeira entristece-me.
Esta foto publicou o LFM há mais de dois anos no blog dele. Fui lá e pifei-a mas não sei quem é o autor.
segunda-feira, junho 29, 2009
1452. Sinais (de crise)

O mercado é pequeno mas é bem organizado. De um lado os legumes do outro, o peixe. As caixas de sardinha prateada, o carapau fresquinho a brilhar e até as sardas tinham os olhos bonitos. Besugos, bicas e salmonetes de tamanhos e preços diversos mas de qualidade igual, as douradas de aquicultura e de mar, o mesmo com os robalos. Safios, moreias, raias, pargos legítimos e mulatos, cachuchos e gorazes, corvinas, garopas e chernes de crescer água na boca. Linguados, pregados, solhas, xaputas e tamboris. Sargos de pesca à linha e amêijoa, berbigão e conquilha. Lulas, chocos e polvos. Também os percebes frescos e o camarão e a gamba da costa. A bela caldeirada já em postas com pata-roxa e cação e outros já mencionados, tinha um aspecto divinal. Espadarte, atum e salmão às postas precipitavam-se para as grelhas. A pescada era linda e o peixe-espada de fazer inveja. As peixeiras e os peixeiros simpáticos e profissionais, as bancas cheias de peixe, o mercado vazio. A crise não perdoa. As enguias ainda estavam vivas.
Foto de Filipe Araújo em Flickr
domingo, junho 28, 2009
1450. Amanhã ainda é S. Pedro

Fim de festa
Santo António era careca
São João tinha um cordeiro
São Pedro pesca faneca
Eu preciso é de dinheiro.
Só peço esse milagre
Nestas festas animadas
Azeite, sal e vinagre
Para temperar as saladas.
Por falar nas comidinhas
(esta é para ti milagreiro)
Já estou farto de sardinhas
Quando é que toca o dinheiro?
S. João está mais cansado
Mas tu F. de Bulhões
Em vez de pimento assado
Que tal o Euromilhões?
S. Pedro, eu já pressinto
Um pedido em saco roto
Mas troco o jarro de tinto
Por um seis no Totoloto.
Ouve-se já a gritaria:
Alto! E para o bailarico!
Se bater a lotaria
Ofereço-vos um manjerico.
E pronto está-se a acabar
Festa Junina é assim
Com a crise a chatear
E a gente sem pilim.
E saio já de tamanquinhos,
Esperança é coisa que não falta.
Peço a todos os santinhos
Saúde e sorte prá malta!
PreDatado©Junho 2009