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domingo, abril 05, 2009

1405. Ondas


E em branca espuma me desfaço.
Bendita rocha que me tolhes a viagem,
Cansada de vaguear de vaga em vaga.


Foto PreDatado, C. Caparica 2009

terça-feira, março 31, 2009

1403. Uma terça-feira muito bem disposta e a cores


Humor vermelho e verde - Estou a deixar crescer a barba. Só a corto quando o Prof. Carlos Queiroz qualificar uma selecção, a nossa ou outra qualquer, para uma fase final de um campeonato do mundo.

Humor negro - Foram espalhados no Algarve milhares de fotos de Madeleine McCann. Parece que os promotores vão ser processados por plágio pelo Cardeal D. Henrique que fez o mesmo quando do desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer Quibir.

Humor cor-de-rosa – Andam alguns jornais a dizer que há magistrados a serem pressionados para que se arquive o caso FreePort. Assim tipo o efeito da rosa mas não na Caras nem na Lux.

Humor a preto e branco - Em Barcelos um estudante universitário que parece que também é guardador de vacas e uma estudante universitária que não adjectivo nem insinuo acertaram no euromilhões num boletim introduzido a meias. Tiveram uma grande vaca porque aquilo é quase impossível de acertar. Eles é que parece que se desacertaram, acabaram o namoro e andam às marradas por causa da massa. Coisas de vaquinhas.

Humor verde alface - Os gestores do BCP vão passar a ganhar muito menos do que ganhavam. Por causa da crise vão deixar de ter ordenados multi-milionários para passarem apenas a ter ordenados milionários. Pobrezinhos!

Humor azul passarinho: twitter. Aqui: http://twitter.com/PreDatado

Humor mulato – Hoje, uns dias atrasado mas mais vale tarde do que nunca, comprei a Edição nº1 da Playboy de Portugal. A Mónica descascada, mais silicone menos silicone, é de pôr os cabelinhos em pé. Ao Rubim, claro, que aos outros é capaz de não ser só os cabelos.

Branco humor que é como quem diz… ‘Às terças…’

De luz, alva cor se ilumina
Teu corpo nu a cuja neve causa inveja,
Que tentas encobrir pela cortina
Que de diáfana nada cobre que eu não veja.

E de pudor sorris, de mim desvias
Teu olhar e um rubor de envergonhada
Cobre teu rosto e eu te lanço, “São manias” ,
Findando o jogo em sonora gargalhada.


Foto PreDatado 2009– Uma foto a cores

_______

Não tenham vergonha de comentar o que a Janette diz. Ela é meio depravada. Meio até agora, daqui para a frente não sei.

terça-feira, março 24, 2009

1398. O gajo é louco



Introdução. Hoje tenho vontade de escrever muitos posts. Sei que poucos leitores de blogs resistem a mais de dois posts de um só blog e sei também que nenhum leitor gosta de posts muito grandes. Deverei deixar para amanhã e para depois de amanhã? Tipo blog tântrico? Oh filho o que é isso de blog tântrico?, Olha começas agora e vens-te, quer dizer, escreves o blog tipo punch line lá para terça-feira da semana que vem. Se estivesse aqui o meu espelho diria:
- Previsível (isto é o espelho a iniciar as provocações)
- Eu? (isto sou eu a fazer-me de novas)
- Repetitivo (isto é o espelho a tentar fazer-me a cabeça)
- Ai ai ai ai ai (isto era eu a dizer ao espelho que não estava a gostar nada da conversa)
- Erudito de meia-tijela (isto era o espelho, já em desespero de causa, a usar expressões popularuchas)
- Desembucha, caralho – Eu já tão mal-educado como qualquer tipo quando entra para dentro de um carro e decide conduzir em Lisboa.
- Usaste duas vezes a palavra tipo e disseste punch line e queres que eu fique calado?
(É por estas e por outras que eu lhe viro, sistematicamente, as costas. Há pachorra?)

Dizia eu que me apetece escrever muitos posts que ninguém vai ler e que não estou muito a fim de escrever um post granjola que ninguém vai ler também. Decidi então escrever vários capítulos de um só post. Como diz o nosso povo, Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és, os meus leitores amigos e as minhas amigas leitoras poderão pelo título dos capítulos ler ou passar à frente. Pronto vou começar que ainda não disse nada até agora.


Recado. Para o puto que fez uma ultrapassagem, ao volante de um cabriolet verde alface, hoje cerca das 15 horas na Rua do Trevo em Corroios (só não escarrapacho aqui a matrícula porque nem tive tempo de a ver), a alta velocidade, mesmo em frente ao jardim-de-infância e que me fez subir o passeio, eu que vinha em sentido contrário, para que não chocássemos de frente. Pareces ser um gajo de tomates, oh meu! Vê lá se não bates com os cornos numa esquina próxima que isso de alface e tomates ainda pode dar uma grande salada.



Tenho medo sim senhor. Sinto sempre um arrepiozinho na espinha quando leio “saída de emergência”. Não sei porquê mas associo sempre a catástrofes, lembro-me da discoteca em Bali e tantas outras situações semelhantes. Se calhar também me lembro daquela igreja relatada em "The Reader" com as portas trancadas por fora. E fico em transe quando, como hoje, numa sala do Hospital de S. José em Lisboa, vejo uma porta, para ser usada em caso de emergência sem maçaneta/puxador que a impede que se abra em tal circunstância. A foto, mesmo que de telemóvel, não me deixa mentir.





Vamos falar de economia. Quanto custa um penalty? Não, amigas e amigos, não vou alinhar na histeria quase colectiva que assolou o país devido ao penalty fantasma do jogo de Sábado. Eu sou sócio, há muitos, mesmo muitos (sou cota, não esqueçam) anos do S L Benfica. De alma e coração. Mas também sou accionista da SAD Benfica. E espantem-se se se quiserem espantar, também o sou da SAD Sporting e da SAD Porto, isto é, das três maiores empresas de futebol do país. É por isso que hoje em dia, para mim, vale tanto um golo do Nuno Gomes como um do Levezinho ou do Hulk. Economico-financeiramente falando, naturalmente. Quando entram três empresas em campo, três más empresas, diga-se de passagem, dando o exemplo do passado Sábado, a empresa SAD Benfica e a empresa SAD Sporting com gestões financeiras, dizem os entendidos, ruinosas que se não fossem de futebol há muito seriam insolventes e a empresa árbitros de futebol, com uma gestão de recursos, se não ruinosa pelo menos desastrosa, apenas a empresa árbitros é visada pelos erros que comete. Se não fosse terem sido distribuídos 750 mil euros à empresa SAD Benfica e outros tantos 750 mil euros à empresa SAD Sporting quem me ressarciria a mim, accionista da SAD Sporting por tão mau desempenho dos seus funcionários na marcação das penalidades de desempate? É que as minhas acções desvalorizaram por causa disso. Já agora, o penalty mal assinalado contra a empresa SAD Benfica na contenda pública num campo da freguesia das Antas há bem pouco tempo, arredou a empresa SAD Benfica do 1º lugar do ranking das melhores empresas de futebol deste ano na tabela Sagres. E esse penalty sim pode valer alguns milhões a menos nas contas da empresa SAD Benfica dada pela confederação patronal chamada UEFA. E não fosse eu accionista das duas empresas, da gloriosa empresa de Lisboa e da (pffff, béécckkk) empresa azul do Porto e estaria agora a ver a minha carteira de acções a ser penalizada.




Quanto custa a ineficiência? Estive hoje, como já se devem ter apercebido, no Hospital de S. José. O meu sogro foi para uma consulta de anestesia e, porque tem 81 anos e dificuldade em se movimentar sozinho, a minha mulher teve de o acompanhar. Eu fui fazer de motorista, caso contrário um táxi para ir e voltar custar-me-ia os olhos da cara. Para uma consulta marcada para as 11 da manhã, esperámos até às 14h30 para sermos chamados e mais 3 minutos para sermos consultados. Eu não sei quantas pessoas, por este país fora, tiveram de acompanhar hoje familiares idosos a consultas. Mas, sem ter de fazer nenhum exercício difícil de extrapolação, tenho a certeza que isto custa muitos milhares de euros ao país por debilitar substancialmente os índices de produtividade. Tendo em conta que esta situação mais não é do que o reflexo de uma péssima gestão hospitalar, não deveriam, no final de cada mês, estes gestores indemnizarem o estado pelos prejuízos causados ao erário público em vez de receberem os chorudos ordenados que recebem?






Cheirinhos. Nunca entendi porque é que os parques de estacionamento dos hospitais, por maiores que sejam (conheço S. José, Garcia de Orta e Sta. Maria todos muito bem), nunca têm lugares disponíveis para quem vai a consultas médicas. A alguém, algum dia, que o saiba peço e agradeço que me deixe um comentário explicativo. Tive por isso que, depois de deixar o meu sogro com a minha mulher na sala de espera da consulta que procurar um parque de estacionamento. Deixei-o no parque subterrâneo do Campo dos Mártires da Pátria. Como gosto de andar a pé, não saí nem entrei pelo elevador tendo antes utilizado as escadas. Estas são arejadas e bem cheirosas, ao contrário das do parque de estacionamento da praça S. João Baptista em Almada que tresandam de cheiro a mijo. Devo concluir que os almadenses são muito mais mijões que os lisboetas ou que em Almada não há fiscalização e muito menos limpeza? (Ao cuidado da ASAE e da Bragaparques).
Por falar em Campo dos Mártires da Pátria, realço o verdadeiro conceito de espaço público, com uma fauna interessante de patos, pombos, galos da índia, galinhas pedreses, pavões e outras espécies. Um parque calmo e sossegado. Não sei se seguro, mas a verdade é que até à data não tenho razão de queixa.







Paisagem. Gosto de fazer caminhadas e faço-o com frequência no Parque da Paz em Almada. Têm várias espécies arbóreas, muitas delas classificadas e assim vou aprendendo um pouco mais de botânica, o que não é difícil visto o meu bem escasso conhecimento da matéria. Em meados de Fevereiro as Ameixoeiras de Jardim estavam lindas de floração. Hoje estão lindas de folhagem.








A natureza é muito mais bonita do que os mijões, os árbitros, os dirigentes das empresas de futebol e os gestores hospitalares. (No dia 8 de Agosto de 2007 escrevi aqui no PreDatado um post com crítica ao funcionamento do Hospital de Beja. O seu director não terá gostado muito dessa crítica e pediu-me detalhes sobre o que eu afirmava. Alguns dias depois mandei-lhe um relatório completo. Sei que respondeu ao meu cunhado, há relativamente pouco tempo, considerando normal a situação. Não é má fé gostar mais da Natureza do que, por exemplo, do corporativismo, pois não?).




Porque hoje é terça

Como doce, de minha infância, é a lembrança
Cada cor, à saída do vapor, seu paladar.
De doces cores se adoçava a boca da criança
Açúcar, água e lume brando a crepitar.

Hoje és tu de mil cores a tentação
Te beijar, te lamber, te devorar
Em turbilhões de volúpia e de tesão,
Como um vapor, em doce leito, a navegar!



quarta-feira, março 18, 2009

1391. Frutas e outros comeres


Melancia


Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
Em racha de onde a pevide já espreita,
Tarda o tempo em que te vou comer.

Num ritual de preliminares feito,
Apalpo-te o bojo e oiço sons
Que de dentro emites, como queixa;
- e olhas-me o instrumento já em riste.
Mas antes que te prepare o fino leito
Admiro-te a pele (de vários tons)
E como que à espera de uma deixa
Coloquei-te na mesa, e tu te abriste.

Não estás intacta, dá para ver
Teu interior vermelho, reluzente.
A água que me escorre já da boca
Que de pecaminosa gula se deleita
Quer que avance sem mais tempo perder.
E prestes chegarei com ar demente
E mordo e chupo e lambo, à louca,
Em racha onde a pevide já espreita.

É agora. Meu desejo mais não espera,
Que de esperas poderá desesperar.
E apareces-me assim feita talhada,
E no centro um castelo de prazer
Da arte de cortar a linda esfera.
Melancia, que a sede faz matar
Como se fora sede saciada.
Tarda o tempo em que te vou comer.

O PreDatado©, in Frutas e outros comeres


PS. Reposte de outros tempos, do PreDatado e do ante-et-post só para vos ir abrindo o apetite para as frutas de Verão.

Foto encontrada em vários sites da net

sexta-feira, março 13, 2009

1387. Distraído


Tenho andado distraído
E até muito pouco cuidado
Com viagens e passeios
E a ouvir cantar o fado
Tenho andado distraído
Aumentam os meus receios
De me ficar na caminhada
Da coisa pública sei nada
E pior, do futebol.
E mais não ponho no rol,
Como brócolos com pescada
Bebo tinto do barril
Aumentam os meus anseios.
Tenho andado distraído
Perdi alforge e cantil
E nem o baião do Brasil
Ou outro som tropical
Já me arrepia o pêlo.
E se não tenho cuidado
Com aquilo, coisa e tal
Ainda fico sem cabelo.
E se careca brancura
É já um rimar perdido
(A minha intenção é pura)
Tenho andado distraído.

E para findar esta cena
Cantemos em desgarrada
Este verso sem sentido
Só pra que ‘inda valha a pena
Toda esta trapalhada
D’ andar por aí, distraído.

Foto PreDatado, Março 2009

PS. Num post aqui atrasado escrevi colocava-mos em vez de colocavamos. Raramente cometo este erro, embora o encontre por aí amiude. Eu que sou demasiado crítico aos erros ortográficos não propositados ou provocados por falta ou troca de tecla, senti-me envergonhado. Fui, e bem, repreendido por duas atentas leitoras, a minha filha e a Karla que foram tão elegantes que mo fizeram em privado. A minha filha no MSN e a Karla por e-mail. Embora a repreensão tenha sido privada, como disse antes, o agradecimento é público. Fiquei foi, por enquanto e durante uns tempos, desarmado em relação aos "entretias" e aos "suponha-mos". Mas a sabática não durará muito. E não vos disse já que sou um má-língua?

terça-feira, fevereiro 24, 2009

1376. Às terças...


Partilhas

Passeamos à beira mar e abraçamo-nos.
Cheiramos a mistura do iodo
Com o cloreto de sódio
E escutamos o marulhar das ondas
Teimosas em nos invadir
De alva escuma.

Passeamos de mão dada e respiramos
O ar um do outro
Num terno beijo de sal.

Depois voltamos as costas à praia
E subimos a colina.
Tirei-te um retrato quando o Tejo
Te sussurrou ao ouvido algo que não ouvi.

E as gaivotas seguiam a traineira
E os pombos bebiam na fonte
E os gatos espreitavam o pardal
E uma estudante recitava o Cântico Negro
E um bebé tinha um nariz de palhaço
E o Carnaval acenava-nos um pesaroso adeus.

Porque me encheste o dia
Fiquei vazio
De talento para te dar.


Versos de PreDatado©2009
Foto: PreDatado, Costa da Caparica

terça-feira, fevereiro 17, 2009

1370. Zé, abraça este ramo de flores


Ficaste

Deixaste um espaço livre na tua cama.
Deixaste uma cadeira vazia na tua mesa.
Deixaste (mais) um beijo por dar a cada filha.
Deixaste um carro parado à tua porta.
Deixaste um órfão em cada amigo teu.
Deixaste o púlpito vazio na tua igreja.
Deixaste um bocado de futuro para construir.
Deixaste uma anedota por contar.
Mas deixaste, também, preenchido um espaço nos nossos corações.

Para o meu cunhado Zé Manel, nosso mano, que se não tivesse partido tão cedo faria hoje 51 anos. O mano Zé Manel morreu a 26 de Fevereiro de 2008.

Foto PreDatado, 2009

sábado, fevereiro 14, 2009

1368. Um poema errado


Hoje é dia de S. Valentim, aliás S. Martinho, não, S. Valentim. Pois, S. Valentim é que é. Sabes, amor, depois de uma semana inteirinha a chover estes três dias de Sol e o aumento da temperatura baralharam-me todo e às tantas já pensava que estava no verão de S. Martinho. Daí até confundir as lendas foi só um passinho e escrever-te um poema errado, foi outro. Então, pé ante pé, quer dizer em dois passinhos e como quem não quer a coisa, porque o que conta mesma é a intenção, cá vai ele. E dois em um também não é para desaproveitar, pois não?


Tantos anos e ainda te namoro, amor.
E tu me namoras a mim.
Beleza que a simetria tece.
Mas não te namoro hoje por ser hoje
Nem tu me namoras hoje por ser hoje.
Ou por ser o dia de hoje, amor.
E para mais, amor, hoje não está frio.
E hoje eu não preciso te dar metade da minha capa, amor.
Mas mesmo assim, mesmo sem capa,
Hoje, amor, hoje eu sou o teu Valentim.

Versos de PreDatado©2009
Imagem algures da net, desconhecendo o autor.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

1362. Às terças...


Soneto dos idos de Agosto

Estava quente, o dia era de Agosto,
Quando Cristo-Rei decidiu abençoar
O beijo que sem papel p’ra firmar,
O nosso amor em selo ficou posto.

E quando vi o espanto em teu olhar
E que a alegria do momento reprimiste
O tremor que no peito tu sentiste
Era a sombra da ilusão a despertar.

Recordo o dia azul e o sol de mel
Cores que o tempo não amarelece
Momentos quentes de terna ternura.

E com todos os sentidos à flor da pele
Apenas de te amar, meu amor cresce,
Amor, paixão, desejo e até loucura.


Versos e foto de PreDatado©2009

terça-feira, fevereiro 03, 2009

1357. Às terças...

















I. Conchas

Tu e eu, metades iguais
Do mesmo fruto
Que o mar, de paixão,
Salga.

E a concha se abre,
Bivalve moradia onde
Em teu corredor me esquivo.

E a concha se fecha
E de duas, uma só se faz.

Feita de tu e eu.

II. Jogos de salão

Cuidadoso aplica o giz azul. Boleando.
Deitou-a sobre a mesa de bilhar,
Os mamilos
Parecem-lhe dois pontos azuis no pano verde.

Os pontos no pano verde parecem-lhe mamilos azuis.

Risca a preceito o triângulo,
(como se fosse pélvico em negros reflexos de azul)
Sobre o pano verde.

O taco aponta para não falhar o embolse
(consumado)
Rasgado no pano verde.

III. Árvore de Fruto

Estremeceu quando
Um riacho de vida a invadiu.

(Estremeceram as margens quando
O rio de enchente se fez.
Fertilizam os campos de água
Encharcados. )

Nascerá o fruto de
Tão bem tratada árvore.

IV. Cio

Como um gato dissimulo-me
Por detrás das ramagens.
Aguardo-te a chegada distraída,
Confiado no silêncio do luar.
Cheiro-te a passagem de odor
Feito passaporte.
Ataco-te o cio num miado
Lancinante.


Versos: PreDatado©2009
Foto: Retirada deste site

quarta-feira, janeiro 28, 2009

1353. Chuva na minha cidade


Só quero contar o que vi
Da janela do meu carro
E por pouco não esbarro
Num outro parado à frente
Uma idosa com dois sacos
E um guarda-chuva na mão
Esse não abria não
E a passar-me muito rente
Uma grávida, 7 meses
E a atravessar a estrada
Outra meio esgrouviada
(Eu exagero às vezes)
E um buzinão e tanto
A chuva a bater no espelho
E o taxista já velho
Parem lá com o barulho
E espreitava entretanto
Um gato pela janela
A enxurrada era tamanha
Que passou um barco à vela
E um cachucho a nadar
Um pargo a esvoaçar
E uma gaivota com manha
No bico levava um sapo
Tive de pegar num trapo
Pra limpar de novo o vidro
Que a confusão era tal
Que a velha se atravessou
O taxista gritou,
E o pargo estrebuchou.
E a moça esgrouviada
Que atravessou a passadeira
Deu um bolo à barriguda
P’ra’limentar o rebento
E uma rajada de vento
Fez o carro estremecer
E passou uma traineira
A apitar, que barulheira
Era tal a confusão
Sai do táxi a passageira
Cai-lhe uma lula no chão.
E se a prosa não é boa
Chove tanta confusão
Nestas ruas de Lisboa.

PreDatado©2009
Foto deste site

quarta-feira, janeiro 21, 2009

1346 Fora de horas
















Tu, meu sonho

Sonho-te.
Povoas-me as noites em que me deixas só.

Sonho-te de abraços mil.
Povoas-me o peito latejante de desejos.

Sonho-te de nuas coxas em mim laçadas.
Povoas-me a libido e colas-me a noite luxuriante.

Sonho-te de húmida entrega.
Povoas-me de tesão incandescentes sonhos.

Sonho-te, amor, mesmo quando te não sonho.

Predatado©2009
Foto Pat Merz, via Aliciante

Entretanto, o Diálogo e os Monólogos, a não esquecer.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

1339. Às terças... (todos os dias são bons para serem terças-feiras)


Poema da lembrança

Lembram-me as calmas águas do Guadiana e então frias
Te acalmavam a rubra cor em áurea tez.
Lembram-me as cobras de água que o medo
Pretexto não era que para fugirmos de olhares mil.
Lembram-me as longas viagens ao poço e lembrança tenho
Das pequenas enfusas que nunca mais o tempo enchia.
Arquivo na memória estrelas cúmplices e luares
Silenciosos, que só no Monte resplandecem e que
Nos prateavam desejos.
Guardo a recordação dos dias abrasadores e nós
Em fresco quarto onde diáfana cortina transformava as silhuetas.
Dissimulação de sono.

E de carinho fazíamos os dias.
E eu, dono e senhor daquela paisagem de ébano
Que a púbis povoava na tua pele dourada.

PreDatado©2009
Foto: Michał Tokarczuk via
Imagens

terça-feira, janeiro 06, 2009

1328. Às terças...
















Tempestade


E queria que fosses uma flor.
E que te abrisses em pétalas douradas,
E que o vento te beijasse ao bater-te
E que no beijo te derramasse polén.

E do polén flor fecunda, florisses.

Não, não és. És mulher.
És mulher feita amor
E de pétalas feitas abertas de amar.

E no amor
E no amar
E no amar de amor
Unimo-nos num sopro,
Em um só corpo, o nosso sopro de prazer
E de amor.

E em ti derramo o polén
Num cálice
Num copo
Num vaso
De embriaguez luxuriante.

PreDatado©2008
Foto: PreDatado

Repost de Abril de 2008 (no PreDatado e no Ante-et-Post) para as novas leitoras e para os novos leitores que têm chegado ao meu blog.

terça-feira, dezembro 30, 2008

1322. Às terças...


Saudade

Quando tu não estás,
Nem sei. Fico assim
No desespero da espera…

Riscando fósforos em lixa gasta,
Enfumando os céus de raros odores
Alisando pedras que os meus pés calqueiam
Transportando o pensamento para além do cônscio
Ensimesmando-me .

Saudade.

Mas quando te vejo ao longe
Afogo canículas em brisas de desejo.


Versos de PreDatado©2008
Foto de Victor Ivanovski

terça-feira, dezembro 16, 2008

1314. Às terças...


Em ti

Aperto-me em ti, minhas mãos já sentes
Aqueço meu corpo, em ti me esfrego.
Beijo. Em ti em mim, nossas bocas quentes
Suo em ti porque a ti me entrego.
Enlaço em ti tresloucado, as coxas
E deslizo em ti com leveza de alma.
Encosto em ti minha face. Nossas faces roxas
De rubor que em ti nem a noite acalma.
Depois… depois expludo em ti
E tu, em mim, tremes em meus braços,
Em mim, paixão tal que nunca vi.
Por ti e para ti risquei estes traços.

PreDatado©2000
Foto Lorenzo Renzi via Imagens

sexta-feira, dezembro 12, 2008

1311. Momento Ecológico


Pesca

O pai pescador, a mãe pescadora, o filho pescador.
O avô pescador também.
O rio e a barragem.
As canas de pesca os anzóis afiados.
De dupla barbela.

Os achigãs, as carpas e os barbos…
Um a um introduzidos na manga.

Fizeram uma caldeirada de avô e avó.
Vazaram a manga na barragem.

Para preservação da espécie.

PreDatado©2004 (in Livro das Artes)
Foto: PreDatado

terça-feira, dezembro 09, 2008

1308. Às terças...


As Tuas Mãos

Caminhando enredadas como nós nas minhas,
Acariciando meu corpo de desejo ardendo,
Ardendo, como em piras se incendeiam pinhas,
Ou geladas, por vezes, vão de frio tremendo,

Na lida, como mulher, só mulher o sabe,
Banhando os filhos, como mãe ternura,
Talhando um fato (tomara que acabe,
Pois meu corpo reclama para si ternura),

Artesãs inatas, ou por ti criadas,
Encetam obras qu’ inda mal findas,
Já carinhosas são, doces de cetim forradas,
São lindas, meu amor, tuas mãos são lindas.

PreDatado©2000

Foto Dominique Lefort (DomiL)

sexta-feira, dezembro 05, 2008

1306. Artes





















Escrita


Abriu um caderno em branco.
Rabiscou duas linhas na primeira página
E foi dormir.
Às seis em ponto da tarde
Chovia e a chuva molhava-lhe
Os pensamentos.
Acordou, tirou o lápis de trás da orelha
Abriu o caderno quase em branco.
Acabou de o preencher.
Deu-o a ler, o editor num movimento suave
(como devem ser suaves os movimentos com as mulheres),
Mas decidido
(como devem ser decididos os movimentos dos editores),
Jogou o manuscrito no lixo de papéis.
É bem feito!
Quem manda a escritora
Pegar no lápis ainda húmida?


Versos de PreDatado©, 2004
Este e outros poemas em Livro das Artes
Foto de Pascal Triponez via Imagens

PS. Alves Fernandes é o meu nome. Os meus quadros (acrílicos e óleos sobre tela) são assinados como Alves/nn sendo nn o ano da sua execução. Os meus poemas foram na blogosfera também assinados como Alves ou Alves Fernandes em alguns posts ou blogs, mas geralmente como PreDatado. Qualquer destes poemas pode ser copiado, transcrito em outros blogs, musicado e cantado. O mesmo se aplica a quaisquer outros dos meus textos, bem como as fotos de minha autoria aqui colocadas ou no meu outro blog, fotos do Pre, sem consentimento prévio do autor. A única exigência sob pena de violação dos meus direitos, é a de ser referido o autor e a origem da cópia. Obrigado.

terça-feira, dezembro 02, 2008


1303. Às terças...











Sementes

Aos poucos aquele grãozinho que parece areia vai-se aproximando
E não é de areia mas parece areia de tão pequenino que é o floco
E aquele floco se enrola em outro floco e não é mais um grão de areia, é uma semente de neve.
E a neve se semeia em bola que cresce e, bola de neve se transforma em bola de neve,
Como um olhar que começou num olhar e se enrolou em outro olhar…
E de um beijo se fez dois e de dois se fez semente de abraço;
E o abraço se semeia em outro que já não é mais um abraço mas apenas um corpo de dois.
Como se tu foras a minha bola de neve.

PreDatado©2008
Foto “Beijo” (colecção particular do autor)