Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, maio 21, 2012

1607. Passear no Minho








Desta vez foi o meu filhote o culpado. No Natal passado ofereceu-nos uma smartbox com uma escapada pitotresca de duas noites para usufruirmos de um merecido descanso, ou melhor, de um merecido passeio. A oferta é variada e acredito com muito boas propostas. Decidimo-nos pela Casa da Paz do Outeiro em Venade, Paredes de Coura e em boa hora o fizemos. Não só porque tivemos a oportunidade de reviver o lindíssimo Alto Minho no maravilhoso mês de Maio, mas também porque deparamos com uma simpatia de receção e serviço a cargo da proprietária da casa a senhora D. Aida Covas. E se não tivemos a sorte suprema com as condições meteorológicas que teimavam em nos brindar com uma carga de água de cada vez que chegávamos a um local a visitar, tivemos a gentileza de a nossa anfitriã nos ter alojado numa bonita e funcional suite. A decoração da casa, à boa moda da província, apresentando vários elementos rústicos e de gosto pessoal e familiar o que nos fez sentir em casa mesmo a quase 500kms de distância. Pena que não pudemos dar um mergulho na piscina. Não pudemos é como quem diz. Há muito boa gente capaz de saltar, em mortal encarpado com ou sem pirueta para uma piscina de água fria com 11º graus de temperatura ambiente e a chover com abundância. Ou pior. Mas nós não fomos nisso e preferimos o calor das lareiras. Bom a publicidade já vai longa mas é sincera. Ficam algumas fotos, sem esquecer de dizer que no Minho se come muito bem. Muito bem mesmo.


terça-feira, março 10, 2009

Saudades


Eu bem sei que as minhas amigas leitoras do PreDatado e os meus amigos leitores, também, estavam cheiinhos de saudades minhas. Não mais do que o Schubert, só visto porque contado não tem piada, mas o meu gato Schubert desde a hora que cheguei até agora ainda não me largou nem por um minuto. Está com medo que o dono parta de novo e que depois não haja posts para ninguém. Também eu tive saudades vossas porque além das melhores e dos melhores comentadores do mundo, lêem o meu blog, poucos é verdade, mas sem dúvida as e os melhores leitores do mundo. E saber isso dá cá uma saudade de tê-los perto de mim... É claro que não vão pensar que aqui venha detalhar todos os pormenores (passe o pleonasmo) da minha viagem, mas um ou outro será de vez em quando referido. Nada de coisas em catadupa e se o fizer será a talhe de foice. E, já agora, a primeira que vou fazer hoje é sobre o clima (sempre ouvi dizer que quem não sabe do que há-de falar – neste caso escrever – fala do clima). Dia 1º, chuva, máxima 5ºC, dia 2º neve, máxima 0ºC, dia 3º sol, lindo, radioso, máxima 10ºC, dia 4º sol, nuvens, chuva, máxima 8ºC, dia 5º granizo, chuva, neve, chuva, sol, máxima 3ºC e hoje aqui na minha terrinha já tive o termómetro a chegar aos 25 graus centígrados em pleno inverno. Se eu fosse má-língua dizia já que o facto de não termos invernos como deve ser é culpa do governo. Como não sou, digo que é do Quique Flores. A gente não consegue ganhar por mais do que uma bola de diferença, não? Nem à Naval? Já não há Benficas com antigamente.

Foto PreDatado, Março 2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

1358. Histórias de viagens (iii)


Einbahnstraße

Falo com alguma fluência francês, leio sem muita dificuldade o inglês e, entendo os nuestros hermanos, como eles, na generalidade, não me conseguem entender a mim. A propósito, quase toda a gente tem a mania de dizer que os espanhóis não nos entendem porque não querem e não fazem o mínimo de esforço. De facto não concordo com isso e vem-me à ideia uma história com um amigo, colega da delegação madrilena da empresa onde trabalhavamos. Como a empresa era francesa, encontrávamo-nos cinco a seis vezes por ano em reuniões em Paris onde, só se falava francês. Nós que, durante mais de seis anos, sempre conversamos em francês, propusemo-nos falar cada um na sua língua mãe, eu em português e ele em castelhano, é claro. À mesa do jantar, o António não tirava os olhos do meu rosto, talvez tentando discernir no movimento dos lábios aquilo que os ouvidos não conseguiam entender. Pouco mais de cinco minutos depois, ele pedia-me encarecidamente “Biquetór por favor volvemos a hablar en francés porque yo no te entiendo nada”. Obviamente que ele não fez de propósito e eu reconheço-lhe o esforço que fez em tentar. Já tenho contado isto mais de uma vez e insistem em dizer que não, que na maioria são mesmo preguiçosos e até presunçosos. É nesta altura que me dá ganas de defender os nossos vizinhos e atiro-lhes com desdém una crema de afeitar sin brocha ou digo-lhes que hay la sospecha de que hay sido un coche trampa que tenga explotado. Se não souberes castelhano estás hodido que não vais entiender nada. Adelante.

Nem sei porque andei a vaguear na história anterior se não era nada disso que fazia tenção de referir na minha crónica de hoje. Talvez para dizer que se há tanta diferença nas línguas que têm as mesmas origens imaginemos as que basicamente têm raízes bastante diferentes como por exemplo, o alemão. Na verdade não sei mais do que uma meia dúzia de palavras em alemão incluindo, Telefunken e Vokswagen.

Ora a verdade é que, por instinto ou por verdadeiro sentido de orientação, sempre que me encontro em país estrangeiro vou fixando referências para poder voltar ao local de partida ou a outros locais a que me interesse voltar. E com tanta confiança de que os pontos de referência que normalmente tiro me valem praticamente em todas as ocasiões, quando me perguntou se eu saberia regressar ao hotel, depois de ter constatado de que me tinha esquecido da planta da cidade, respondi à minha mulher que apesar da sua localização ser meio incaracterística, sem uma igreja, um teatro ou um restaurante típico por perto eu não me esqueceria do nome da rua adjacente, que aliás fiz questão de fixar. Bastaria encontrar a Einbahnstraße e o hotel seria logo ali ao lado. Alguns minutos depois, com ar trocista, exclamou: “Que bom! Temos o nosso hotel espalhado por toda a cidade” E foi-me apontando pelo caminho várias Einbahnstraße iguaizinhas à ”minha”. Foi um fartote de rir, mas não foi por isso que deixamos de encontrar o hotel que ficava mesmo ao lado daquela pequena RUA DE SENTIDO ÚNICO.


Foto daqui

quinta-feira, janeiro 08, 2009

1330. Histórias de viagens (ii)


O dia em que eu ladrei

Estava um dia bonito. São sempre bonitos os dias que se aproveitam para ir passear a terra ao fim de algumas semanas, às vezes meses, embarcados em alto-mar. Desembarcamos ao largo de Algeciras que é um lugar onde, praticamente, com uma torção de pescoço nos dá para vislumbrar Marrocos, a Espanha e a Inglaterra. Pois claro a Inglaterra, já que Gibraltar faz jus a que a que dos ingleses nunca se lhes fale do Império. Não sei mesmo se é o único país imperial do mundo a quem nunca ninguém se refere como imperialista. O célebre pinhão é, para além disso, um belíssimo monumento natural. Conseguia-se, à época desta história, vislumbrar-se facilmente o movimento de vai vem de contrabandistas e polícias, de tráfego clandestino de pessoas, de clandestinos traficando coisas, de coisas à espera de serem compradas em clandestinas lojas, que os marujos conhecem como a palma da mão. E era, por isso, também uma cidade típica de compras. Compras a que se não dispensa nenhum embarcadiço já que a bordo não há onde gastar o dinheiro a não ser que se entretenha a jogar à batota.

Tinha, sempre tive e ainda tenho, um pequeno senão com os cães. Acho-os uns bichos maravilhosos mas tenho um medo atroz de cães. Eu diria pavor. Alguns há que, ainda que a uma distância considerável, me provocam subidas incontroláveis de adrenalina de modo que quem fica incontrolável sou eu com os nervos completamente à flor da pele. É mariquice, dirão vós e eu aceito, até porque quando ganho confiança com os simpáticos bichos sou mesmo capaz de lhes fazer festas, brincar com eles, criar uma quase relação de amizade. Mas, na generalidade, quando os vejo na rua, atravesso a estrada e vou passar pelo passeio do lado contrário.

Estava a contemplar Algeciras, junto ao mar, tão ledo e tão quedo, esperando a lancha que me haveria de devolver ao navio, orgulhoso das compras que tinha feito nas lojas de contrabando, de certo coisas que não me faziam falta nenhuma mas pelo menos tinha agido como bom embarcadiço, eis senão quando, a uma velocidade tal que se fosse cavalo diria que vinha a galope, o bicho a correr para mim. Fiquei na dúvida se seria um cão ou uma pantera, um tigre ou um puma, um leão ou um leopardo, Ai meu Deus desta é que é, disse-o quase a rezar, o bicho era bravo, não me conhecia, talvez eu estivesse a invadir um território de sua vigilante responsabilidade, ladrando tão estrondosamente que parecia que uma trovoada se estava a abater sobre a minha cabeça. Não há fuga possível, não me posso atirar ao mar não vá dar cabo das compras todas, pensei, Estou perdido, voltei a pensar, a adrenalina no máximo, a boca do animal bem aberta, a minha perna à distância de um pulo, de um palmo, de um centímetro. Eu ladrei tão alto, tão alto que o bichano se assustou e tão veloz se aproximou como deu meia volta e se foi. Eu ladrei, o cão fugiu, eu tremi. Eu não cheguei a ficar em estado de choque. O cão, talvez!

Foto encontrada neste site, e reproduzida com a devida vénia.

PS. Enquanto pesquisava algumas fotos na Web deparei-me com um interessantíssimo blog sobre navios. Para quem for interessado nestas coisas do mar, aqui fica o link. Encontrei também, provavelmente as únicas, fotos do N/T Neiva onde embarquei em 1979. Não as pude reproduzir aqui por estarem protegidas. No entanto aqui fica também o link,

sexta-feira, dezembro 26, 2008

1319. Histórias de Viagens (i)


Tinha ido duas vezes a Paris para reuniões de trabalho quando no regresso de uma, chamado pelo meu patrão para que lhe fizesse o balanço e conclusões da viagem ele me perguntaria o que tinha eu achava da sua cidade. Respondi-lhe que com grande pena minha teria de responder que o aeroporto era interessante, o hotel óptimo, o jantar delicioso e a sala de reuniões, quente. Quando à cidade-luz, propriamente dita, eu não tinha opinião pois que mais não vislumbrei que ténue eifeliana silhueta pelas foscas janelas do táxi, ademais que nesta última visita chovia água, como diz o povo que é sábio nestes dizeres, que Deus a dava. Levei logo ali uma espécie de reprimenda como se tivesse sido ofendido e de ‘castigo’ estaria eu, desde já que o homem não era de adiar assuntos, intimado a não voltar a Paris sem tirar uns dias, que com muito prazer a empresa me ofereceria para visitar e conhecer um pouco melhor Paris. Refeições, deslocações (se bem que andei que me esfalfei a pé) e entradas em locais culturais (moulin rouge não incluído), também seriam oferta. É assim que viajo de facto, sendo a terceira, a primeira vez a Paris com olhos de ver sendo que o trabalho funcionou apenas como pano de fundo. E foi também aí que me dei conta de duas coisas que se viriam a confirmar por mais uma boa dúzia de outras cidades que visitei, que há portugueses espalhados por tudo quanto é cantinho do mundo e que eu tenho olho, dizem que de lince, para os detectar sem que outro indício me seja dado. Se bem que em Paris não seja nenhuma oxaria encontrar um português ou dois ou até três, a verdade é que entrando numa linha de metro e ficando às tantas incerto se teria tomado a boa direcção, dirigi-me a dois casais de adolescentes que encontrei no cais e perguntei em português como se estivesse a caminhar por uma rua de Almada (aqui sim com grande probabilidade de me dirigir a um ucraniano), Esta é a direcção certa para a catedral de Notre Dâme?, É esta mesmo meu caro senhor, também em português. E como complemento ainda tive de agradecer mais algumas informações turísticas que os jovens me deram em português com sotaque parisien.

PS. O PreDatado escreveu várias destas histórias de viagens no falecido blog colectivo "ante-et-post". Irão ser aqui reproduzidas algumas delas em companhia de novas histórias, tal como é o caso de hoje, que nunca foram passadas a blog.

foto de PreDatado