quarta-feira, março 10, 2004

Lunch Time Blog

Estou quebradinho. Hoje foi dia de Cozido à Portuguesa. Enchi o bandulho e depois? Depois, vós tereis de reconhecer que assim não vou perder o peso que a minha médica, a minha fisiatra e o meu endireita-acumpunctor me pediu para perder, a modos que a minha coluna sofra menos. (E também o meu cardiologista e o meu endocrinologista, mas estes é por outras causas). A ciática ataca ao amanhecer, poderia ser um bom nome para um filme ou para um livro. Mas aí eu teria de ser bem mais produtivo, tipo, a ciática ataca ao entardecer, a ciática ataca ao anoitecer, a ciática não me larga a peúga, ou mais vernaculamente, já não sei que fazer a esta f.d.p. de ciática. Mas não é só isso. Amanhã já não posso ir fazer as análises. É que vou enganar o colesterol ou não é?

PS. Vós sabeis, amigas leitoras e amigos leitores que eu não sou nada de fazer pêésses que tenham a ver com os textos que escrevo. Mas hoje não aguentei. È que eu gosto tanto, mas tanto, da palavra bandulho!

terça-feira, março 09, 2004

Eu e a música

Existe em mim uma profunda relação entre a música e a lágrima. Não posso escutar um fado português (existe outro?), um tango argentino (existe outro?), um flamenco espanhol (existe outro), uma folksdans sueca (eu sei que existem outras) que não desate imediatamente a chorar. Pois é, nem tenham dúvidas, mas eu ainda não disse tudo. Eu, como todos vós sabeis, amigas leitoras e não menos amigos leitores não sou nada pieguinhas. Aposto que nenhum de vós me viu andar por aí a chorar nos cantos. Mas sou assim mesmo. A música dá-me uma enorme vontade de chorar. Pois bem, eu estava por aqui blogueando, que é como quem diz, aos saltinhos de blog em blog, como o carapau aos saltinhos de nenúfar em nenúfar sempre que quer atravessar o rio de um lado para o outro, sem sofrer da síndrome da bicha da ponte, quando deparo com o blog da bomba inteligente a apontar-nos a setinha para a grafonola. E não é a primeira vez que ela faz isso. E eu que deveria estar, ou a pensar (eu reflicto muito no que leio, vós sabeis, não é nenhuma novidade), ou a rir (eu rio das piadas a que vulgarmente chamam anedotas e das anedotas ou dos anedotas que opinam a torto e a direito sobre todos e sobre tudo, qual Nuno Rogeiro… adiante), ou então, simplesmente, a passar tempo quando leio blogs assim tipo este, dou por mim a chorar baba e ranho. E agora numa completamente a sério: sabem porque é que eu choro? Quereis saber? Perguntai: Porque é que choras PreDatado? – “Porque é que choras PreDatado?” – Então eu vou responder. Eu não choro só quando escuto as músicas que enumerei. Eu choro quando ouço qualquer música, por mais alegre que ela seja. Choro de desgosto por não ter jeitinho nenhum para as notas. Se me pedirem para cantar logo a seguir, eu já não sei. Se me pedirem para acompanhar eu desafino. Não é mesmo para chorar?

PS. Depois disto só me resta colocar um sertanejo, um luar de sertão, ou melhor estava-me a esquecer. Vou ouvir o Tony Silva a cantar música ró. È de ir ás lágrimas.
Apresados Sen Presa

Abrir a boca en ti, onde as estrelas
configuran a constelación dos nosos nomes,
abrandar a vontade que nos puxa
implacabelmente para os extremos opostos
con esa forza de non sermos nen eu ti nen ti eu,
cortar a fita para inaugurar o tempo
no que nos miramos o ollo no ollo multiplicado
como o rio aquel, o suor, o beixo continuado
balizado por latexos que se escapan,
e palavras atadas que nos fican dentro,
para fabricar o xesto de buscar-nos
por debaixo das sombras e os vestidos.
Abrir a boca à escuridade para encontrar o dia.


Luisa Villalta, escritora galega, faleceu no passado dia 6 de Março, aos 46 anos de idade.
Ai os nomes!

Quase toda a gente se queixa do trânsito, das filas incomensuráveis. Eu dou graças a Deus. Não fossem as bichas para a Ponte 25 de Abril e eu não estaria informado, nem metade, do que estou hoje. Agora já não são só essas. As obras do Metro do Sul do Tejo, têm provocado bichas tais que, de Almada a Corroios (3 kms), se demora bem uma horita. Abençoada bicha! Ontem enquanto percorria esta “via-sacra”, tive a oportunidade de escutar quase toda a entrevista no programa Conversas Pessoais e Transmissíveis da TSF com Onésimo Teixeira de Almeida. Entre muitas outras coisas falou-se de humor. Das três principais teorias, Aristotélica, Kantiana e Freudiana, sobre o humor e, de como o referido escritor e professor universitário, actualmente, encara a compra de livros sobre estas teorias. Diz ele que conhecendo profundamente este tema acaba por comprar os livros apenas para descobrir no meio deles, uma anedota nova. Não deixa de ser curioso. Mas também se falou de nomes. E de Onésimo obviamente. Não sendo normal nos EUA, colocarem-se acentos nas vogais, o seu nome acaba por escrever-se Onesimo, sendo até que uma vez, contou ele, viu-se aflito para perceber que era ao Sr. Onésimo que estavam a chamar, quando chamaram Mr. One Simo (Uane Saimow).
Esta história fez-me lembrar uma outra. Uma vez, num estágio que fiz na Califórnia, indicaram-me que a minha orientadora seria a Jenny Freitas… Assim mesmo (Dgéni, Freitas). Na manhã seguinte procurei nas plaquinhas de cada biombo, no imenso open space, a minha conterrânea Freitas. Até que eureka, lá estava a Jenny Fratus. Sim Fratus, qual é a admiração? Eu explico. O avô da Jenny era um minhoto, António Freitas, de sua graça, a quem os americanos chamavam, sempre que viam o nome dele escrito, de Mr. Fritéze. Ora o homem, era Freitas e não Fritéze. E como poderia ele manter a descendência Freitas? Simples, obrigar a que os seus filhos e, posteriormente, os seus netos, tivessem um nome que os americanos, por mais imaginativos que fossem ou arrevesados na pronúncia, não deixassem de lhes chamar Freitas. Assim nasceu um novo apelido Fratus, que à maneira americana se leria Fra (frei) tus (tas). Imaginativo o nosso amigo António, não?
Só espero que quando um americano (ou inglês, tanto faz) escreva a lista dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos não substitua o nome do nosso Figo (faigow), por Feegw, apenas para se poder ler em português. É que mesmo que soe bem, tem cá um mau aspecto!
Cof...Cof...Cof...

Sempre que leio uma banda desenhada e o autor quer pôr alguem a tossir, é assim, como neste título que ele escreve. Eu que tenho (tinha) uma tosse desgraçada sempre num misto de uma constipação eterna e de um eterno vício cigarral, não acredito nada em xapores para a tosse. Pelo menos desde que li (ou vi na TV) já não me recordo, uma notícia em que a maioria dos xaropes à venda em Portugal, dizia-se, tinha apenas um efeito placebo. Mas há horas para tudo, e como a tosse não me abandonava, cada vez mais forte nos últimos dias, ontem resolvi pedir à minha médica um xaropito que ajudasse a aliviar este meu, já bem transtornado, peito. Quando fui ler a literatura inclusa, não encontrei nem contra indicações, nem composição quimica, nem quase nada do que é habitual. Reparei apenas que se tratava de um medicamento homeopático. Aí eu desconfiei. Eu não sou nada, mas mesmo nada, como vocês bem sabem amigas leitoras e amigos leitores, de tomar remédios por dá cá aquela palha. Mas desta vez tomei. E não é que ao fim de dois dias estou bem mais aliviadinho? Ele há com cada placebo...

PS. Não vos tenho dado notícias do Schubert. Sei que estão ávidos de informação. Pois é, o Schubert está cada vez mais engraçado. Ontem filmei-o. Quando eu souber coloco-vos aqui um mini-clip do bichaninho.
Recordações do Alentejo

Que lindas eram as águas do Guadiana
Recordas-te ainda do medo
Que tinhas das cobras de água?
E nós na margem,
Onde a pesca era só um pretexto
Para estarmos ali.

E ao poço, as viagens eram longas,
Embora pouco mais de cem metros
E duas enfusas só para encher?

Que os olhos da mãe não podiam
Ser testemunha.

E a cumplicidade das estrelas
No céu limpo de Agosto?

E as quentes, abrasadoras tardes
Em que fingíamos dormir
E nós, acariciava-mo-nos, sós
Na escuridão do quarto interior?

Alves Fernandes, in Amo-te

segunda-feira, março 08, 2004

1857 - 2004

Violência doméstica.
Excisão do clitóris.
Burka.
Véu Islâmico.
Catarina Eufémia.
A grávida e o trabalho.
Assédio.
Praxe académica.
Violação.
Salário desigual.
Tráfico.
Criminalização no aborto.
Aung San Suu Kyi.
Poder e decisão.
Ordenação católica.
Lilis, Kikis, Kakás, Bibás.
Escravatura.
Luísa sobe, sobe que sobe, sobe a calçada.

Fim-de-semana

Churrasco misto, pezinhos de coentrada, cabidela de galinha do campo, Festival de Peixe do Rio, um passeio à tapada da Mina, vinho tinto, o jardim com a relva cortada, uma rede cerarence, o canto dos pássaros e os silêncios, o balir das ovelhas e os guizos, o luar lindo, lindo como só o do Alentejo é, justificam esta ausência de dois dias.

sábado, março 06, 2004

Enquanto eu puder sou vício

Fumo, que de fumar me agonia.
Jogo (porquanto o dinheiro dê),
O fundo da garrafa já se vê,
Que deixar-lhe gota, não podia.

Bebo café - uns dez por dia.
Passo horas diante da TV.
Devoro livros, como quem não lê,
Exagero no riso. Haja alegria!

Até o rádio alto, o som transmite,
Deliro viver em extremidade,
Tanto quão a vida mo permite.

E não fora, eu ter esta idade
Faria amor, sem ter limite.
Exageraria até á eternidade.

Alves Fernandes in Amo-te

sexta-feira, março 05, 2004

Tenho o meu PC de volta

Não sei se estais recordados, mas em 22 de Janeiro referi aqui que o meu HD tinha dado o bafo e que depois de o entregar na loja, teria ido para o representante para ser reparado. Pois bem, hoje está de volta. Não achais que foi rapidinho? Daaahhh.
O meu e-mail (I)

Quase toda a gente que eu conheço recebe e-mails com muito interesse. Infelizmente devem ter confundido o meu e-mail com o Recycle Bin do Windows ou qualquer outra trash box que quando o S.O. pergunta: “Tem a certeza que quer enviar este documento para o lixo?” , do outro lado da pantalha devem responder “Não! Vá directamente pró e-mail do PreDatado”. Só pode, não é? E é por isso que eu já quase nem os leio. Mais de 75% eu “dilito” de imediato. Mas de vez em quando lá vou abrindo um ou outro. E ontem recebi este com muita graça. Dizia-me uma amiga minha que tinha encontrado no super mercado lá da cidade onde vive, uma nova campanha de uma marca de papel higiénico que vou escusar de referir (escreverei apenas Marca). Nesta campanha eram apresentadas três linhas. Bom, mas o melhor é lerem os comentários dela:

Marca linha Ultra: Relevo de flores, perfume e uma micro textura, que, segundo o texto da embalagem, proporciona aos seus felizes utilizadores "suavidade de uma pétala de rosa". Perguntar não ofende: alguém já limpou o cú com uma pétala de rosa???

Marca linha Ultra Soft Color, laranja que vem com extracto de pêssego. Como se o cú da gente conseguisse ver a cor e sentisse o cheiro...

Mas, demais é o Marca linha Ultra Protection, o top de gama. Este Rolls Royce dos papéis higiénicos, além de conter óleo de amêndoas ("garante maciez superior e um cuidado maior com a sua pele") na sua delicada fórmula, vem com Vitamina E (!!!). Para quem é que interessa esse negócio de cagar e sair com o cú vitaminado?


PS. Não sou nenhum santinho nem minimanente puritano, mas como vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores eu não sou nada de palavrões. Só que não resisti a esta transcrição.
Histórias de provincia

Tenho andado a ler um blog de histórias. O autor, que na verdade desconheço, conta histórias de uma forma simples, mas que cativam na leitura. Já o linkei. Pena que não tenha o e-mail dele para o incentivar. Se souberem, avisem-me.
Adenda ao PS do post anterior

No mesmo site indicado tem lá essa: "O gato lambendo as patas e lavando a cara com estas, é sinal de chuva". Isto eu já vi o Schubert fazer muitas vezes. Mas uns dias faz sol, outros chove. Será que o Schubert ainda não sabe ler? Tenho de lhe mostrar o site para ele não me andar a enganar.
Calos e chuva

Já vos falei do meu pôr-do-sol de ontem. Eu, como vós bem sabeis meus amigos leitores e minhas amigas leitoras, não sou nada de superstições. Mas tem crendice popular… fala sério aí…
É que ao olharmos aquele céu bonito, com nuvens de bom tempo, se eu soubesse pintar teria feito um quadro impressionista que nem vos conto. E a Maria José a dizer. “Desta vez nem sei porque me está a doer um calo. Com um tempo destes não é normal. Nada indica que vá chover.” Ai não? Então vejam o maravilhoso dia que aí está. E eu que já estava preparado para ir ao Pomarão (sim, lá no Alentejo profundo), à festa do peixe do rio. Mesmo assim vou arriscar.
A propósito de crendice popular consultei um almanaque brasileiro, que tem lá tudinho sobre a meteorologia e a crendice. E entre outras a frase “Dor nos calos e nas juntas, quebraduras, chuva próxima”. Então é porque não é mania da minha Maria, não é? E para quem não tem pachorra para andar de link em link vou transcrever, com a devida vénia, uma oração que achei muito curiosa, para rezar quando a chuva é de mais:

Oração para fazer parar a chuva:
"Senhô meu Jesus, amado de todo meu coração, trago-vós. A chuva que vóis mandô, pra nós já chega, agora peço, peço pra vóis uns dias de sor pra tempero da chuva (pede-se o número de dias de sol que se quer: 10 ou 15) e depois o Senhô Amado meu Jesuis vós sabe do meu coração e eu não sei do coração de vóis, pela santa fé que tenho em vós, tenho certeza que vóis me favorece, por este meu pedido que peço pra vóis. Pelas dores de vossa mãi, pelo amô da Virgi Santíssima nossa soberana, pelo amô de vóis que este meu pedido será aceito que vóis está aqui no meu coração guardado e vóis me favorece Sinhô Deus de Misericordi."

PS. O Schubert tem pouco mais de um mês. Ainda não descobri se existe algum comportamento especial do meu gatinho, quando a chuva se aproxima.
E as crianças Senhor…?

Bem sei que o que vou escrever aqui não é politicamente correcto. Ser de esquerda, não é obrigatoriamente ser carneiro e alinhar pelo mesmo diapasão, quer se concorde, quer não. Pelo menos é o que eu acho. E por achar isso, nunca deixei de considerar que me coloco bem à esquerda. Uma esquerda de livre pensamento. Ontem estourou mais um escândalo na Câmara de Lisboa. Quem me conhece, e alguns posts que aqui escrevi anteriormente, sabe que eu não morro de simpatias pela actual vereação Lisboeta. Bem antes pelo contrário. No meio do trânsito e da balbúrdia de Lisboa, escutei uma longa entrevista nas notícias das 17h da TSF à vereadora da Câmara de Lisboa que tinha assinado um despacho para as escolas, sobre uma iniciativa da MacDonalds, no intuito de proporcionar a 5 crianças carenciadas, o acompanhamento dos jogadores de futebol no Euro 2004. Este despacho continha uma inconstitucionalidade, pois descriminava as crianças portadoras de deficiência física ou mental. Ora bem, na minha simples e talvez irrelevante opinião, a Câmara de Lisboa, querendo associar-se à iniciativa, deveria ter negociado com a MacDonalds, no sentido de que esta clausula não fosse incluída. Não o fez, e mal. No entanto, verificando que meteu “o pé na argola”, e segundo a informação da mesma vereadora, terá encontrado uma solução que “remediaria” o caso e que consistia, não só em levar as tais 5 ditas carenciadas crianças, mas também, proporcionar o mesmo número de entradas a crianças com handicap, que não iriam acompanhar os jogadores, mas sim assistir aos jogos, em local onde pudessem ter segurança e conforto. Estava portanto aberta, a possibilidade de, não 5, mas 10 crianças irem assistir aos jogos do Euro (sem contar com os necessários acompanhantes, para as 5 crianças deficientes). Hoje li nos jornais, que a Câmara Municipal, entretanto, devido a toda a polémica levantada desistiu da sua adesão a esta iniciativa. Concluindo. Apesar do processo ter sido pessimamente conduzido no início, fico hoje a saber que acabam por ficar 10 crianças sem poder assistir aos jogos, devido a todo o alarido que se levantou. Estão satisfeitos?
É de noite que me lembra o dia

Ontem fui ver o pôr-do-sol à Costa da Caparica. A tarde estava fresca mas agradável. O dia tinha sido uma estucha de dor e trânsito. Esta cidade está pior. Quando escrevo pior deveria relativizar. Eu deveria ter dito pior do que eu esperava que estivesse ou, pior do que eu acho que deva estar. Mas pior chega. Chega para perceber que cada dia que passa menos me agrada o funcionamento da minha Lisboa.A manhã quase toda sem me poder mexer, devido à maldita ciática. O almoço agradável, uma pizza feita pela minha filhota, leve, como se quer para quem teve de juntar o pequeno-almoço ao almoço. Depois, Lisboa. Os buracos, o trânsito caótico e o pagamento duplicado do estacionamento. O tipo que acena com um jornal ou revista enrolado, um lugar que eu já descortinei antes, um “destroce, destroce”, um “oh amigo, não se arranja aí uma moedinha?”. Não conheço o tipo de lado nenhum, qual amigo? Não sei porque tenho de lhe dar a moedinha, mas dou-lhe. Eu próprio a alimentar as faltas de soluções desta cidade, deste país. Só depois me lembro que fiquei sem moeda para o parquímetro. Um quiosque ou um café, um jornal ou uma bica, sempre se arranja trocos. Desvios de trajectória por causa das obras, avenidas de 3 faixas, reduzidas a duas, porque há uma segunda fila de estacionamento paralela, tipos que saem deste, sem piscas, taxistas que entram à “má-fila” e fazem a rotunda sempre por fora, onde quer que seja que vão, pois os outros que cedam, e não escrevo mais, porque reviver o pesadelo desta Lisboa, dos tapumes de mamarrachos em construção, dos parques mayeres prometidos, dos túneis caprichosos, dos tipos com um rolo de papel na mão, reviver o pesadelo. Felizmente, havia pôr-do-sol na Costa da Caparica.

quarta-feira, março 03, 2004

Pena de morte

Está a generalizar-se na blogosfera a discussão sobre a pena de morte. Apesar de Doutroux...eu sou contra. Absolutamente CONTRA. Às vezes, um pensamento radical, em casos como o Doutroux, em outros similares, com ou sem crianças, sobrevoa-me o espírito. Mas quando "acordo", não admito que tenha sido eu a pensar.
Uffa!!!!!!!!!!

Custou mas foi! Ainda estou a suar. Com Nuno Gomes e apesar de Nuno Gomes! Viva o Glorioso SLB.

terça-feira, março 02, 2004

Como é que eu me vou desenrascar?

No outro dia jantávamos os quatros como habitualmente, à hora do Telejornal. Quero avisar-vos que o que eu vou dizer a seguir não é comentário político. Vós sabeis que eu não sou nada de falar de política porque disso eu não percebo nada. Mas o assunto que passava na televisão era política. Qualquer coisa sobre o 11 de Março de 1975. Quando fixamos de orelha mais alerta ouvimos qualquer coisa como o Sr. Primeiro-ministro a desculpar-se do que teria feito nessa época, por apenas ter 18 anos. Por acaso não tinha, pois ele é da minha idade e já íamos a caminho dos 20. Mas andando. O que foi relevante foi a minha filha me dizer que eu estou sempre a pedir-lhes responsabilidades e que “no meu tempo” aos 18 anos ainda éramos todos uns irresponsáveis. Eu engoli em seco e respondi. “Não ligues filha, coisas da política”. Para meu espanto, hoje enquanto via a novela das sete num canal e a televisão lá de dentro sintonizada na SIC Notícias (eu estou sempre com um olho num burro e outro no cigano, é o meu feitio, pronto, não tenho culpa de ser cusco), dou de repente com uma entrevista ao Sr. Ministro de Estado, Paulo Portas. Pedi ao meu puto se podia fazer um zapping – é só um cadinho, filho – e ouvimos, ouvimos digo bem, eu e o meu filho – este referido Sr. Ministro a dizer que não fazia sentido relembrarem coisas que ele escreveu (acho que era sobre o aborto, não sei bem) quando tinha 19 anos. O meu filho, que por acaso tem 19 anos, levantou-se e foi para o quarto dele ver o resto da novela. Até me olhou de soslaio. E agora? E quando ele me argumentar: “Pai, mas eu só tenho 19 aninhos”. Será que poderei pedir-lhe que seja responsável?
Publicidade

Os que aqui forem referidos não necessitam de ficar preocupados. Não faço da publicidade a minha profissão, nem vocês me encomendaram nada. Por isso não vou facturar. Eu não sou nada de andar a bajular ninguém e vós, amigas leitoras e amigos leitores sabem-no bem. Só que eu também gosto de partilhar os meus gostos pessoais. Como todos. Até há uma amiga aí que diz … eu é mais bolos… então? E eu? Não posso dizer o que … eu sou mais?
Hoje vou publicitar os blogs que eu gosto. Não é bem os que eu gosto, é mais, os que eu mais gosto e também os que eu mais leio. Claro que não leio todos os blogs da Internet, não só porque não tenho tempo, mas também por alguns mal começo a ler me dá ao vómito. Do you know what I mean?
Pois cá vão os meus gostinhos pessoais.
Este, eu não deveria publicitar. Quem tem mais de 480.000 visitas seja em que período de tempo for não precisa de publicidade. E depois tem uma coisa que vós bem sabeis. Eu não sou nada Maria vai com as outras. Mas seria violentar-me a mim mesmo se eu não referisse a minha quase, quase coca-cola. É que “…depois entranha-se”. Pelo estilo, pelo conteúdo e também pelo que já aprendi, o meu “number one” é o Abrupto. Não vou colocar em PS, vou dizê-lo já aqui. Em opinião política estamos frequentemente nos antípodas.
Pelo estilo, este é talvez um blog onde melhor se escreve em português. O interessantismo (nem sei, se a palavra existe, nem me interessa, mas é um sentimento, pelo menos), dos temas também me seduz. Não vou colocar em PS, vou dizê-lo já aqui. Em coração futebolístico, estamos nos antípodas. É o Aviz, pois claro.
Um raio de sol num clima ameno. Um cheiro a tropicalidade numa visão “lisboeta”. É o Diário de Lisboa, caras. Não deu pra entendê? Fala sério…
Os meus blogs do coração. Não do cor-de-rosa, nem das acções do Damásio. É mesmo do meu coração que eu estou a falar. O Disperso que se dispersa em temas e em estilos, mas que cada vez me surpreende mais quando escreve criações próprias, nomeadamente alguns poemas muito bem conseguidos. Não vou colocar em PS, vou dizê-lo já aqui. Se eu tivesse que dar um nome a este blog, chamar-lhe-ía O Disperso. Daaaahhh. E também as Coisas da Ruiva. Logo agora que ela anda apaixonada. E ainda a Ai Vida, que só tem um caminho. Mas o caminho do blogo-vício esse já está trilhado.
Depois aquele blog que eu também gostaria de escrever quando eu tinha 19 anos e estava cheio de “pica” revolucionária. Não vou colocar em PS, vou dizê-lo já aqui. O Barnabé, é claro. Mas particularmente os posts do André Belo. Há outro que eu gostaria de raiar as faldas da sua intelectualidade. É o blog-de-esquerda. Admiro o Luís Rainha e o José Mário Silva. Não preciso colocar em PS que, pelo facto de eu preferir estes bloggers, não goste dos outros. Mas gostos não se discutem.
Depois vêm os indispensáveis porque me faz sentir bem lê-los. A Catarina do 100nada, a ternura da Catarina no Amo-te, a Charlotte do Bomba-Inteligente, as frutas e a chocolate do FrotoXocolate, as pseudo-banalidades de óptimo estilo e um conteúdo que dá gosto ler do homem-banal. A beleza (porque é que não escreves mais vezes?) da Cúmplice. A irreverência adolescente, que escreve no blog, como quem está num chat, da Patrícia. E um especial musica, para quem me “ajuda” a ouvir, o Critico Musical. Não vou colocar em PS, vou dizê-lo já aqui. Não existe nenhuma coincidência de estilos, entre todos quantos referi. Talvez até por não se limitarem a copiar me agradem. Mas tenho de colocar algo em PS.

PS. De todas as pessoas que referi, apenas 3 conheço pessoalmente. E amo-as. Há outros blogs que também gosto, que hoje não referi. Ficará para Publicidade II.