Sinceramente
Quando tanto havia para dizer sobre “esquerda” e “direita”, a sua origem histórica, a clandestinidade de ser de esquerda, a clandestinidade de ser de direita, qual a cultura associada a ambas as alas, porquê hoje ainda se utilizar efectivamente a classificação, o que socialmente ainda causa receios ao nosso povo estar num lado ou no outro e sei lá que mais, a cultura doutor, a cultura, deparo-me com um post tão sensaborão como este do dia de hoje, sobre a temática, no Abrupto.
Fosse eu uma pessoa culta e conhecedora da causa política, que:
a) Não iria ao Abrupto, pois já seria culto e não precisaria;
b) Não iria ao Abrupto, pois percebendo eu de política não precisaria que outros me explicassem.
Mas infelizmente como vós sabeis amigas e amigos leitores, não só sou quase analfabeto como nunca fui nada, mas nada mesmo de meter na política. Por isso eu, entre outros, vou ao Abrupto (os outros, depois eu digo). E se culturalmente tenho dado por bem empregue o meu tempo, politicamente sr. Dr. José Pacheco Pereira, sinceramente, porque é que o senhor se mete nisso?
terça-feira, março 30, 2004
Cost…uecas
Ai meuzedeuses. Descrever um almoço, principalmente quando ele não é o que o meu estômago esperava receber, tem um tudo-nada de depressivo. Mas ser acedido por alguém que anda à procura de “fotos de costeletas com batatas fritas”, haja paciência! Já parece aquele que andava à procura de cuecas comestíveis no blog da Gotinha.
Ai meuzedeuses. Descrever um almoço, principalmente quando ele não é o que o meu estômago esperava receber, tem um tudo-nada de depressivo. Mas ser acedido por alguém que anda à procura de “fotos de costeletas com batatas fritas”, haja paciência! Já parece aquele que andava à procura de cuecas comestíveis no blog da Gotinha.
Olhos
Alínea a) Olhos propriamente ditos
Eu sou assim. Preto no branco. Às vezes azul no branco, quando a caneta falha e, não tenho outra à mão. Já experimentei outras cores. Definitivamente não dá. Talvez por eu ter olhos clarinhos. Muitos dos blogs que eu gosto têm um design bonito. Mas custa-me tanto ler. Mesmo assim, alguns valem o esforço. Por exemplo hoje lembrei-me deste apenas porque o vou espreitar diariamente. A menina, senhora, lady, escreve bem e faz postagens muito interessantes. É, com certeza, pelo aspecto gráfico do blog, uma pessoa de bom gosto. Mas se um dia, por força do acaso, eu a venha a conhecer pessoalmente vai ter de me pagar um almoço. É que ela, se me lê, sabe que eu também como com os olhos!
Alinea b) Comentários à parte
Não gosto do nome do blog. Faz-me lembrar o banho checo. Chec Chec chec.. ai que impressão. Estou todo húmido, bolas ! Mas lá que o mocinho tem um blog engraçado, lá isso tem. E engraçado não quer dizer sempre com piada. Quer dizer legível, escorreito, interessante, consultável e obviamente com humor q.b. E preocupa-se com os comentários das “gaijas”. É d’homem!
Alínea c) Não é só a Catarina que tem um filho
A felicidade de uns pode ser o sacrifício de outros. Mas aqueles que estão felizes, não significa que não façam sacrifícios. Pois o meu querido Disperso, anda a pedir desculpa aos seus leitores porque não tem tido tempo para escrever, devido aos deveres de estudante universitário. E embora eu goste de ler esse garoto que eu amo, estou feliz pela sua dedicação à escola. Não sei se todos vós entendestes este comentário. Ele entendeu.
Alínea a) Olhos propriamente ditos
Eu sou assim. Preto no branco. Às vezes azul no branco, quando a caneta falha e, não tenho outra à mão. Já experimentei outras cores. Definitivamente não dá. Talvez por eu ter olhos clarinhos. Muitos dos blogs que eu gosto têm um design bonito. Mas custa-me tanto ler. Mesmo assim, alguns valem o esforço. Por exemplo hoje lembrei-me deste apenas porque o vou espreitar diariamente. A menina, senhora, lady, escreve bem e faz postagens muito interessantes. É, com certeza, pelo aspecto gráfico do blog, uma pessoa de bom gosto. Mas se um dia, por força do acaso, eu a venha a conhecer pessoalmente vai ter de me pagar um almoço. É que ela, se me lê, sabe que eu também como com os olhos!
Alinea b) Comentários à parte
Não gosto do nome do blog. Faz-me lembrar o banho checo. Chec Chec chec.. ai que impressão. Estou todo húmido, bolas ! Mas lá que o mocinho tem um blog engraçado, lá isso tem. E engraçado não quer dizer sempre com piada. Quer dizer legível, escorreito, interessante, consultável e obviamente com humor q.b. E preocupa-se com os comentários das “gaijas”. É d’homem!
Alínea c) Não é só a Catarina que tem um filho
A felicidade de uns pode ser o sacrifício de outros. Mas aqueles que estão felizes, não significa que não façam sacrifícios. Pois o meu querido Disperso, anda a pedir desculpa aos seus leitores porque não tem tido tempo para escrever, devido aos deveres de estudante universitário. E embora eu goste de ler esse garoto que eu amo, estou feliz pela sua dedicação à escola. Não sei se todos vós entendestes este comentário. Ele entendeu.
Passarário
A elegância no voo
A beleza nas cores
O carinho nos ninhos
A protecção ecológica
A… de andorinha,
P… de pardal e de perdiz e de pintassilgo.
A arara e o papagaio
O bico de lacre e o rouxinol
A toutinegra e a trombola
O periquito e o melro
Comos são lindos os pássaros.
Não devemos fazer mal às avezinhas.
Eu gosto muito de passarinhos fritos.
AF in Livro das Artes
A elegância no voo
A beleza nas cores
O carinho nos ninhos
A protecção ecológica
A… de andorinha,
P… de pardal e de perdiz e de pintassilgo.
A arara e o papagaio
O bico de lacre e o rouxinol
A toutinegra e a trombola
O periquito e o melro
Comos são lindos os pássaros.
Não devemos fazer mal às avezinhas.
Eu gosto muito de passarinhos fritos.
AF in Livro das Artes
Putz
Ontem perto da meia-noite telefonaram-me a dizer que o navio iria acabar por volta das cinco da manhã e que eu deveria lá estar às sete para fazer o draft.
Esta alminha que estava a preparar-se para mais uma noite de escritas ao som do vento e no murmúrio da Diana Krall, teve de reprogramar o switch de modo a deitar-se cedo. Por volta das duas da manhã mergulhou no edredon e enterrou-se nos lençóis tendo ficado que nem o seu Schubert, um olho fechado e um ouvido à escuta, não fosse pensar que o som do despertador, lá longe, fosse os sinos da igreja da Moreanes. Às sete da manhã, como era de se esperar, lá estava esta alminha (eu hoje sou mesmo alminha) a bordo do navio para receber a notícia que antes das nove não terminava. E depois antes das dez também não e também não antes das onze. Terminou quase à uma da tarde e lá vai ficar para amanhã o Lunch Time Blog. Assim se passa uma manhã a ver navios. Putz!
PS. Mesmo com tempo nublado, a Arrábida estava linda e Tróia vista de longe até parece um lugar bonito. Só não tirei fotos porque desta vez, não levei a máquina. Mas da próxima, antevendo um corte destes, acho que encontrarei matéria para um fotoblog.
Ontem perto da meia-noite telefonaram-me a dizer que o navio iria acabar por volta das cinco da manhã e que eu deveria lá estar às sete para fazer o draft.
Esta alminha que estava a preparar-se para mais uma noite de escritas ao som do vento e no murmúrio da Diana Krall, teve de reprogramar o switch de modo a deitar-se cedo. Por volta das duas da manhã mergulhou no edredon e enterrou-se nos lençóis tendo ficado que nem o seu Schubert, um olho fechado e um ouvido à escuta, não fosse pensar que o som do despertador, lá longe, fosse os sinos da igreja da Moreanes. Às sete da manhã, como era de se esperar, lá estava esta alminha (eu hoje sou mesmo alminha) a bordo do navio para receber a notícia que antes das nove não terminava. E depois antes das dez também não e também não antes das onze. Terminou quase à uma da tarde e lá vai ficar para amanhã o Lunch Time Blog. Assim se passa uma manhã a ver navios. Putz!
PS. Mesmo com tempo nublado, a Arrábida estava linda e Tróia vista de longe até parece um lugar bonito. Só não tirei fotos porque desta vez, não levei a máquina. Mas da próxima, antevendo um corte destes, acho que encontrarei matéria para um fotoblog.
segunda-feira, março 29, 2004
Embuchei
Ontem apeteceu-me desbloquear uma conversa. Aquelas, as da treta, que não chegam a ser conversa. O tipo apareceu sorridente. Devia estar feliz porque no grupo ninguém estava a contar anedotas. Depois disse “então, cá estamos”. Um deu-se ao trabalho de dizer “é verdade”. Um terceiro “belo dia”. O sorridente “se calhar ainda chove”. O do belo dia “não”. O que teve trabalho a dizer é verdade “não sei não”. O sorridente “e então?”. O do belo dia “cá estamos”. O sorridente que já tinha dito antes cá estamos “anda tudo ao mesmo” . O do é verdade “essa é que é essa”. E eu com uma vontade tão grande de dizer ao sorridente “você além de ser muita alto é muita feio”. Só não disse porque tive medo que ele respondesse “é a vida”. Só por isso é que não desembuchei.
Ontem apeteceu-me desbloquear uma conversa. Aquelas, as da treta, que não chegam a ser conversa. O tipo apareceu sorridente. Devia estar feliz porque no grupo ninguém estava a contar anedotas. Depois disse “então, cá estamos”. Um deu-se ao trabalho de dizer “é verdade”. Um terceiro “belo dia”. O sorridente “se calhar ainda chove”. O do belo dia “não”. O que teve trabalho a dizer é verdade “não sei não”. O sorridente “e então?”. O do belo dia “cá estamos”. O sorridente que já tinha dito antes cá estamos “anda tudo ao mesmo” . O do é verdade “essa é que é essa”. E eu com uma vontade tão grande de dizer ao sorridente “você além de ser muita alto é muita feio”. Só não disse porque tive medo que ele respondesse “é a vida”. Só por isso é que não desembuchei.
Lunch Time Blog
Segunda-feira. Uma pessoa vai ao mercado e ou encontra as bancas vazias ou vê carapau de olho vermelho. Não lhe resta senão optar pelo restaurante. Olha para as vitrinas e o que vê? Uma miséria franciscana. Depois pensa, não vou sair daqui sem comer. Embora nunca tenha ouvido o badalo do relógio, o cuco a fazer cu-cu, a corda no seu tic tac, tic tac, é aquela sensação da barriga a dar horas. Fica sem capacidade de raciocínio. Lê o cardápio e fica a coçar a cabeça. Não lhe apetece nada e ao mesmo tempo parece que o que vier à rede é peixe. Vê passar o garçon com uma travessa de óptimo aspecto, parecem boas as bifanas, pelo menos vêm bem ornamentadas. Come com os olhos, torna-se invejoso e diz, também quero. No início ataca com toda a adrenalina que a fome lhe transmite, mas, à segunda mastigadela, parece aqueles putos pequenos a quem se lhes começa a enrolar a comida na boca e a dizer “não quéiu mais”. Põe de lado, olha para as sobremesas e já sabe que não vai comer nada daquilo. Pede uma bica. Pede a conta também, paga, deixa gorjeta, a pensar que mal empregadinha e vai-se embora. Quando entra no carro está tão desconsolado… Mas ainda tem tempo. Então vai até à Costa, senta-se numa esplanada, pede uma garrafa de água das pedras bem fresquinha e fica a contemplar o mar.
PS. Nem vou contar nada ao Schubert quando chegar a casa. Já sei que me vai miar, roçar-me nas pernas, levar-me ao restaurante dele, pedir para me ajoelhar, baixar a cabeça na gamela e obrigar-me a comer da sua ração. Ele não quer que me falte nada.
Segunda-feira. Uma pessoa vai ao mercado e ou encontra as bancas vazias ou vê carapau de olho vermelho. Não lhe resta senão optar pelo restaurante. Olha para as vitrinas e o que vê? Uma miséria franciscana. Depois pensa, não vou sair daqui sem comer. Embora nunca tenha ouvido o badalo do relógio, o cuco a fazer cu-cu, a corda no seu tic tac, tic tac, é aquela sensação da barriga a dar horas. Fica sem capacidade de raciocínio. Lê o cardápio e fica a coçar a cabeça. Não lhe apetece nada e ao mesmo tempo parece que o que vier à rede é peixe. Vê passar o garçon com uma travessa de óptimo aspecto, parecem boas as bifanas, pelo menos vêm bem ornamentadas. Come com os olhos, torna-se invejoso e diz, também quero. No início ataca com toda a adrenalina que a fome lhe transmite, mas, à segunda mastigadela, parece aqueles putos pequenos a quem se lhes começa a enrolar a comida na boca e a dizer “não quéiu mais”. Põe de lado, olha para as sobremesas e já sabe que não vai comer nada daquilo. Pede uma bica. Pede a conta também, paga, deixa gorjeta, a pensar que mal empregadinha e vai-se embora. Quando entra no carro está tão desconsolado… Mas ainda tem tempo. Então vai até à Costa, senta-se numa esplanada, pede uma garrafa de água das pedras bem fresquinha e fica a contemplar o mar.
PS. Nem vou contar nada ao Schubert quando chegar a casa. Já sei que me vai miar, roçar-me nas pernas, levar-me ao restaurante dele, pedir para me ajoelhar, baixar a cabeça na gamela e obrigar-me a comer da sua ração. Ele não quer que me falte nada.
Extractos ao acaso
“A comida, tal como o erotismo, entra pelos olhos, mas há pessoas capazes de meterem qualquer coisa na boca (…) Se você for dos que acreditam a pés juntos nas virtudes mágicas de algo horripilante, sugiro que coma sozinho e sem apregoar”.
Isabel Allende, Afrodite
Há pessoas que em vez de meterem na boca coisas horripilantes, fazem saltar essas horripilantes coisas da boca para fora. É só ouvi-los. Eles andam aí. A apregoar.
“A comida, tal como o erotismo, entra pelos olhos, mas há pessoas capazes de meterem qualquer coisa na boca (…) Se você for dos que acreditam a pés juntos nas virtudes mágicas de algo horripilante, sugiro que coma sozinho e sem apregoar”.
Isabel Allende, Afrodite
Há pessoas que em vez de meterem na boca coisas horripilantes, fazem saltar essas horripilantes coisas da boca para fora. É só ouvi-los. Eles andam aí. A apregoar.
Profissão
Vós sabeis que eu não sou nada de fazer conjecturas, nadinha mesmo, mas mesmo assim eu arrisco dizer que ao contrário da maioria das minhas amigas leitoras e dos meus amigos leitores, este Domingo foi dia de trabalho para mim. Mas também é bem feito, pois quem me manda a mim passar uma semana inteira sem fazer népia? Pois é, mas subir e descer escadas, descer para e subir da lancha para ir fazer leituras à roda dos navios e subir e descer escadas de portaló, estou aqui que nem posso. A minha perna esquerda está quase presa, mas também é bem feito, quem manda a perna direita ter andado toda a semana a queixar-se? Oh meus amigos, isto, quando há ciática, tem de tocar às duas (fora as costas). Falando estritamente de pernas, a esquerda não é mais que a direita. Portanto ela que faça o favor de não armar ao pingarelho. Mas mesmo assim não me posso queixar muito. É bem melhor do que ser vendedor. Foi aliás por causa das coisas, que eu deixei de trabalhar em vendas. Ah não sabiam? Pois é verdade eu trabalhava em vendas e a minha alcunha era “A prostituta”. Eu, como vós sabeis não sou nada (onde é que eu já li isto?), mesmo nada de depreciar qualquer profissão. E ser prostituta não é nenhuma profissão que eu considere menos. Mas ser vendedor e chamarem-me prostituta, só mesmo coisa dos meus amigos. Querem saber porquê? Pois é, já esperava que tivésseis respondido em uníssono: “Queremos!”. Vejam só:
Eu trabalhava nos horários mais estranhos…
Pagavam-me para fazer o cliente feliz…
Às vezes, o cliente até pagava bem, mas os meus empregadores ficavam com quase tudo...
O meu trabalho ía sempre além do expediente…
Eu era recompensado quando aceitava realizar as ideias dos meus clientes…
Cada vez reduzia mais o meu leque de amigos sendo que praticamente só andava com outros colegas da mesma profissão…
Sempre que ía a um encontro com um cliente tinha de estar bem apresentável…
Os meus clientes queriam sempre pagar menos e que, ainda assim, eu fizesse maravilhas…
Quando me perguntavam em que é que eu trabalhava, tinha sempre dificuldade em explicar com precisão…
Quando as coisas davam para o torto era sempre culpa minha…
Todos os dias, ao acordar, pensava e dizia para com os meus botões: NAO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!
Então? Qualquer semelhança com uma prostituta não é pura coincidência.
Vós sabeis que eu não sou nada de fazer conjecturas, nadinha mesmo, mas mesmo assim eu arrisco dizer que ao contrário da maioria das minhas amigas leitoras e dos meus amigos leitores, este Domingo foi dia de trabalho para mim. Mas também é bem feito, pois quem me manda a mim passar uma semana inteira sem fazer népia? Pois é, mas subir e descer escadas, descer para e subir da lancha para ir fazer leituras à roda dos navios e subir e descer escadas de portaló, estou aqui que nem posso. A minha perna esquerda está quase presa, mas também é bem feito, quem manda a perna direita ter andado toda a semana a queixar-se? Oh meus amigos, isto, quando há ciática, tem de tocar às duas (fora as costas). Falando estritamente de pernas, a esquerda não é mais que a direita. Portanto ela que faça o favor de não armar ao pingarelho. Mas mesmo assim não me posso queixar muito. É bem melhor do que ser vendedor. Foi aliás por causa das coisas, que eu deixei de trabalhar em vendas. Ah não sabiam? Pois é verdade eu trabalhava em vendas e a minha alcunha era “A prostituta”. Eu, como vós sabeis não sou nada (onde é que eu já li isto?), mesmo nada de depreciar qualquer profissão. E ser prostituta não é nenhuma profissão que eu considere menos. Mas ser vendedor e chamarem-me prostituta, só mesmo coisa dos meus amigos. Querem saber porquê? Pois é, já esperava que tivésseis respondido em uníssono: “Queremos!”. Vejam só:
Eu trabalhava nos horários mais estranhos…
Pagavam-me para fazer o cliente feliz…
Às vezes, o cliente até pagava bem, mas os meus empregadores ficavam com quase tudo...
O meu trabalho ía sempre além do expediente…
Eu era recompensado quando aceitava realizar as ideias dos meus clientes…
Cada vez reduzia mais o meu leque de amigos sendo que praticamente só andava com outros colegas da mesma profissão…
Sempre que ía a um encontro com um cliente tinha de estar bem apresentável…
Os meus clientes queriam sempre pagar menos e que, ainda assim, eu fizesse maravilhas…
Quando me perguntavam em que é que eu trabalhava, tinha sempre dificuldade em explicar com precisão…
Quando as coisas davam para o torto era sempre culpa minha…
Todos os dias, ao acordar, pensava e dizia para com os meus botões: NAO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!
Então? Qualquer semelhança com uma prostituta não é pura coincidência.
domingo, março 28, 2004
Azul
Pela cor pensei que fosse de um planeta desconhecido. De Marte não é, porque em Marte eles são verdes. Dizem, porque o robot ainda não os descobriu. Pela leitura do blog, que eu desconhecia até hoje, vejo que a cor só pode ser de uma tripeirinha. E já que tenho um lagarto na minha lista e, ela tem um blog bem interessante, vou pô-la de lado. Que é como quem diz aqui na lista do lado. E ainda bem que comer também é um prazer para ela. Não gosto de anorécticas.
Pela cor pensei que fosse de um planeta desconhecido. De Marte não é, porque em Marte eles são verdes. Dizem, porque o robot ainda não os descobriu. Pela leitura do blog, que eu desconhecia até hoje, vejo que a cor só pode ser de uma tripeirinha. E já que tenho um lagarto na minha lista e, ela tem um blog bem interessante, vou pô-la de lado. Que é como quem diz aqui na lista do lado. E ainda bem que comer também é um prazer para ela. Não gosto de anorécticas.
Lunch Time Blog
Às camadas. A primeira de cebola, tomate, pimentos, alhos. Digamos leguminosas para facilidade de escrita. Depois uma camada de Safio, Tamboril, Raia, Pata-roxa. Digamos peixe para facilitar a escrita. E por cima uma camada de batatas às rodelas. Digamos tubérculos para complicar. Outra camada de leguminosas, outra camada de peixe, outra de tubérculos e finalmente outra de leguminosas. Arrumadinhos assim, juntou-lhe um pouco de vinho, um fio de azeite, um pequeno piripiri, salsa, louro, sal q.b. Tapadinho que foi o tacho isovapórico e regulado o fogo para uma distribuição uniforme foi deixar os aromas espalharem-se pela casa. Seguindo o cheiro, nem abri a boca enquanto comi. No final virei-me para a minha mulher e apenas tive palavras para dizer. Parabéns!
É verdade que eu de brancos não falo. Não é uma questão etnológica. É enológica mesmo. Mas hoje vou abrir uma excepção porque a caldeirada mereceu. É da Herdade do Esporão de 2001. Tenho a certeza que se o tivesse bebido antes teria ganho mais. Mesmo assim o seu aroma jovem e fresco, mantinha-se. E a cor citrina que se lhe via no ano passado ainda lá estava. O sabor macio e um pouquinho mas suportável acídulo. Não foi um erro exagerado ter-me esquecido dela na garrafeira e não desacompanhou a qualidade do peixe. Fiz uma boa opção. Ah o nome? Vinha da Defesa.
PS. O Schubert roçava-nos nas pernas, dengoso, insinuante. Amimado é o que ele é. Mas os temperos e as espinhas não nos convidava a convidá-lo a ele, Schubert. Assim foi recambiado para a ração de gatinho. Tadito.
Às camadas. A primeira de cebola, tomate, pimentos, alhos. Digamos leguminosas para facilidade de escrita. Depois uma camada de Safio, Tamboril, Raia, Pata-roxa. Digamos peixe para facilitar a escrita. E por cima uma camada de batatas às rodelas. Digamos tubérculos para complicar. Outra camada de leguminosas, outra camada de peixe, outra de tubérculos e finalmente outra de leguminosas. Arrumadinhos assim, juntou-lhe um pouco de vinho, um fio de azeite, um pequeno piripiri, salsa, louro, sal q.b. Tapadinho que foi o tacho isovapórico e regulado o fogo para uma distribuição uniforme foi deixar os aromas espalharem-se pela casa. Seguindo o cheiro, nem abri a boca enquanto comi. No final virei-me para a minha mulher e apenas tive palavras para dizer. Parabéns!
É verdade que eu de brancos não falo. Não é uma questão etnológica. É enológica mesmo. Mas hoje vou abrir uma excepção porque a caldeirada mereceu. É da Herdade do Esporão de 2001. Tenho a certeza que se o tivesse bebido antes teria ganho mais. Mesmo assim o seu aroma jovem e fresco, mantinha-se. E a cor citrina que se lhe via no ano passado ainda lá estava. O sabor macio e um pouquinho mas suportável acídulo. Não foi um erro exagerado ter-me esquecido dela na garrafeira e não desacompanhou a qualidade do peixe. Fiz uma boa opção. Ah o nome? Vinha da Defesa.
PS. O Schubert roçava-nos nas pernas, dengoso, insinuante. Amimado é o que ele é. Mas os temperos e as espinhas não nos convidava a convidá-lo a ele, Schubert. Assim foi recambiado para a ração de gatinho. Tadito.
Horário
Porque é que escrevo à noite e de dia também? É porque à noite eu não tenho sono. E de dia também não tenho. Sempre que à noite me apetece escrever sento-me no Word e teclo. Faço-o sempre com letras pretas sobre folhas brancas. De dia também faço isso, excepto ao lusco-fusco. Ao lusco-fusco utilizo um bloco de notas e uma máquina fotográfica. Então faço das palavras a minha noite. Porque durante o dia falo. À noite não. Só me apetece dizer até amanhã. Mas às vezes, está errado porque nesse dia à noite já é amanhã. È por isso que faço das minhas noites, por vezes dias inteiros. E é nessas alturas que eu digo que só escrevo à noite e de dia também. Porque de dia não há nada para escrever. Aquilo que se escreve de dia já é antigo à noite. Aquilo que se escreve de noite é novo de dia. Eu gosto de coisas novas. Quantas pessoas se lembram quanto tempo demoraram ontem de manhã para ir de casa ao emprego? Isso foi ontem demanhã. Mas de manhã quase todos sabem a que horas se deitaram ontem à noite. É também por isso que a noite é mais fascinante que o dia. Se houvesse Sol à noite, então, a noite ainda seria mais bonita. Porque as cores realçam mais com o Sol. Excepto as cores da noite. As cores da noite também são mais bonitas que as cores do dia. Porque de dia não há preto e branco. E por não haver preto e branco a escrita é mais triste de dia. Porque é uma escrita a cores e eu não sou pintor. Hoje os relógios roubaram uma hora à minha noite.
Porque é que escrevo à noite e de dia também? É porque à noite eu não tenho sono. E de dia também não tenho. Sempre que à noite me apetece escrever sento-me no Word e teclo. Faço-o sempre com letras pretas sobre folhas brancas. De dia também faço isso, excepto ao lusco-fusco. Ao lusco-fusco utilizo um bloco de notas e uma máquina fotográfica. Então faço das palavras a minha noite. Porque durante o dia falo. À noite não. Só me apetece dizer até amanhã. Mas às vezes, está errado porque nesse dia à noite já é amanhã. È por isso que faço das minhas noites, por vezes dias inteiros. E é nessas alturas que eu digo que só escrevo à noite e de dia também. Porque de dia não há nada para escrever. Aquilo que se escreve de dia já é antigo à noite. Aquilo que se escreve de noite é novo de dia. Eu gosto de coisas novas. Quantas pessoas se lembram quanto tempo demoraram ontem de manhã para ir de casa ao emprego? Isso foi ontem demanhã. Mas de manhã quase todos sabem a que horas se deitaram ontem à noite. É também por isso que a noite é mais fascinante que o dia. Se houvesse Sol à noite, então, a noite ainda seria mais bonita. Porque as cores realçam mais com o Sol. Excepto as cores da noite. As cores da noite também são mais bonitas que as cores do dia. Porque de dia não há preto e branco. E por não haver preto e branco a escrita é mais triste de dia. Porque é uma escrita a cores e eu não sou pintor. Hoje os relógios roubaram uma hora à minha noite.
Arquitectura
O prédio tem cento e vinte e cinco andares.
A escada vai até ao trigésimo.
Do trigésimo ao nonagésimo uma corda,
Com nós.
Daí para cima tem um elevador
Descai para a direita no sexagésimo segundo.
Uma ponte aérea atravessa-o,
No nonagésimo quinto
Onde existe um shopping center.
Lindos jardins interiores
Nos patamares do octogésimo sétimo,
Irradiam o verde no sentido norte-sul.
Um homem faz a barba,
Olhando o reflexo nos vidros espelhados
Do quadragésimo quinto andar,
E assobia.
AF in Livro das Artes
O prédio tem cento e vinte e cinco andares.
A escada vai até ao trigésimo.
Do trigésimo ao nonagésimo uma corda,
Com nós.
Daí para cima tem um elevador
Descai para a direita no sexagésimo segundo.
Uma ponte aérea atravessa-o,
No nonagésimo quinto
Onde existe um shopping center.
Lindos jardins interiores
Nos patamares do octogésimo sétimo,
Irradiam o verde no sentido norte-sul.
Um homem faz a barba,
Olhando o reflexo nos vidros espelhados
Do quadragésimo quinto andar,
E assobia.
AF in Livro das Artes
sábado, março 27, 2004
Cabeçadas
Ontem, ao entrar para o carro, dei uma cabeçada tamanha no rebordo da porta. Vi tantas estrelas, mas tantas, que acho que descobri uma super nova. Não cuidei de imediato de pôr um pouco de gelo e vai daí, hoje estou com uma dor de cabeça que nem me aguento. Portanto se por acaso, eu escrever algum disparate, e vós amigas leitoras e amigos leitores, bem sabeis que eu não só nada, mesmo nada, de escrever disparates, se isso acontecer, como estava escrevendo, peço que me desculpem.
PS. Além disso também não dormi por causa da ciática. E lá fora chove. E acho que vou almoçar peixe de novo. E podia ser pior?
Ontem, ao entrar para o carro, dei uma cabeçada tamanha no rebordo da porta. Vi tantas estrelas, mas tantas, que acho que descobri uma super nova. Não cuidei de imediato de pôr um pouco de gelo e vai daí, hoje estou com uma dor de cabeça que nem me aguento. Portanto se por acaso, eu escrever algum disparate, e vós amigas leitoras e amigos leitores, bem sabeis que eu não só nada, mesmo nada, de escrever disparates, se isso acontecer, como estava escrevendo, peço que me desculpem.
PS. Além disso também não dormi por causa da ciática. E lá fora chove. E acho que vou almoçar peixe de novo. E podia ser pior?
Tempo
Hoje foi o dia de abrir a correspondência. Durante a semana vou trazendo para cima e ponho no montinho em cima da secretária. Se olho para o envelope e me parece estranho eu abro na mesma altura. Mas a norma é amontoar. Esta semana: conta da luz, conta do gás, extracto do banco, visa para pagar, publicidade das Selecções, da art gallery, da loja Masculini, declarações (ainda?) para o IRS, seguro do carro, conta do telefone, factura da TV cabo, carta do Benfica para subscrever o empréstimo obrigacionista, convites da Academia Almadense (infelizmente um já fora de prazo, mea culpa), imposto municipal sobre imóveis, jornal do Seixal, jornal Lidl, Revista Unibanco, Revista da CGD (esta com bonitas fotos), Tap Navigator (perdi o Gold, há tanto tempo que não viajo), revista Selecções. Ufa, não sei se me lembrei de todas. Agora vejam, a maioria eram contas para pagar. Depois do tempo todo que perdi a abrir cartas e a ler o conteúdo será que me sobra tempo para pagar as contas? Que esperem, porque um homem não é de ferro. E além disso vamos ter uma hora a menos este fim-de-semana.
Hoje foi o dia de abrir a correspondência. Durante a semana vou trazendo para cima e ponho no montinho em cima da secretária. Se olho para o envelope e me parece estranho eu abro na mesma altura. Mas a norma é amontoar. Esta semana: conta da luz, conta do gás, extracto do banco, visa para pagar, publicidade das Selecções, da art gallery, da loja Masculini, declarações (ainda?) para o IRS, seguro do carro, conta do telefone, factura da TV cabo, carta do Benfica para subscrever o empréstimo obrigacionista, convites da Academia Almadense (infelizmente um já fora de prazo, mea culpa), imposto municipal sobre imóveis, jornal do Seixal, jornal Lidl, Revista Unibanco, Revista da CGD (esta com bonitas fotos), Tap Navigator (perdi o Gold, há tanto tempo que não viajo), revista Selecções. Ufa, não sei se me lembrei de todas. Agora vejam, a maioria eram contas para pagar. Depois do tempo todo que perdi a abrir cartas e a ler o conteúdo será que me sobra tempo para pagar as contas? Que esperem, porque um homem não é de ferro. E além disso vamos ter uma hora a menos este fim-de-semana.
Títulos
No Expresso: “João Soares avança contra Ferro”. A última vez que me aconteceu foi contra uma parede. Avancei demais e parti o carro todo. Vou ler o artigo completo para ver como foi o acidente.
Também no Expresso “Portugal está fora de moda”. Se calhar é por isso que está em saldo. Deve ser fim de estação. Mas parece-me que os espanhóis não são vaidosos e compram tudo.
Diário de Notícias: “Mário Soares critica brutalidades de Durão”. Pois, pois violência doméstica.
No Expresso: “João Soares avança contra Ferro”. A última vez que me aconteceu foi contra uma parede. Avancei demais e parti o carro todo. Vou ler o artigo completo para ver como foi o acidente.
Também no Expresso “Portugal está fora de moda”. Se calhar é por isso que está em saldo. Deve ser fim de estação. Mas parece-me que os espanhóis não são vaidosos e compram tudo.
Diário de Notícias: “Mário Soares critica brutalidades de Durão”. Pois, pois violência doméstica.
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