domingo, abril 04, 2004

Higiene

Embora ainda o seja, hoje foi Domingo. Aos Domingos armo-me em snob, e decido ser diferente. Por isso, hoje fiz a barba, não fui comprar o jornal em pijama e roupão, não vesti o fato de treino, não foi ao supermercado passear o dito, não fui dar uma volta pelos shoppings, não me meti na fila de trânsito de nenhuma A, não fui passear pelo paredão da Costa da Caparica, não vi o Jornal Nacional da TVI nem o inevitável Marcelo e não vou ver o Herman na SIC.
Ai como estou muito lavadinho.
Empatas

Em casa vemo-nos "à rasca". Fora só empatamos. Somos uns empata foras.

PS. Uma vez Benfica, Benfica até morrer!
Lunch Time Blog

Cebola às rodelas, alho laminado, pimentos vermelhos e verdes cortados às tirinhas, tomate cortado às rodelas, chouriço cortado aos quadradinhos pequenos (hoje foi usado, de porco preto de Barrancos), um piri-piri, uma folha de louro, um raminho de salsa, um pouco de azeite puro de oliveira no fundo da frigideira (pode-se usar uma caçarola de fundo largo) e vinho branco. Estufamos em lume brando. Este foi o molho / tempero que o pargo previamente deitado no fundo de um tabuleiro de barro ganhou, ao fim de algumas horas de descanso em sal e sumo de limão. Depois cortamos as batatinhas em quadrados e cercamos o pargo por todos os lados, não antes de as termos feito rolar num alguidarzinho com sal, q.b. e azeite. Foi ao forno e assou lentamente em lume brando. Cerca de duas horas naquele calorzinho, qual garina no solário e regado de 15 em 15 minutos com o próprio molho, para não secar. O vinho, hoje, optou-se por um branco alentejano. Conventual da Adega Cooperativa de Portalegre. Citrino e de aroma frutado, portou-se à altura de tão faustoso repasto. Os morangos no final deram aquele agridoce que se impunha à mistura dos azeites e das leguminosas. Um café moído na altura e um charuto que acabei agora mesmo de fumar, vão-me deixar a tarde em ponto rebuçado. Como eu gosto. Calma, tranquila que a semana é já amanhã.

PS. O filho de um amigo meu, um dia que almoçamos juntos, ao chegar a hora da sobremesa e depois de ter comido, sozinho, um bife à casa para duas pessoas, pediu como sobremesa, uma sandes de fiambre e um galão. O Schubert já tinha almoçado. A sua ração sólida para gatinhos misturada com uma goluseima das latinhas da Whiskas. Como sobremesa, uns pedacinhos de pargo, minuciosamente escolhidos. Sem espinhas, nem temperos. Ai puto gato, que qualquer dia não cabes nas portas!
Frangos

Definitivamente, Vítor Baía não gosta de Pinto da Costa. Na passada terça-feira, Moreira guarda-redes da selecção de esperanças é altamente responsável por um dos golos sofridos pela selecção portuguesa. Na quarta-feira, Ricardo dá um frango monumental no jogo da selecção A. Depois da derrota contra a Itália, ninguém calou o presidente do FêCêPê. Apesar de não o ter argumentado, todos sabemos, que a origem desta animosidade contra Scolari tem a ver com a não convocação de Vítor Baía. Então não é que o guarda-redes do Porto se lembrou ontem de dar uma bofetada ao Pintinho da Costa? Toma lá dois frangalhões que é para aprenderes. Pela boca morre o peixe. E nem os tubarões duram para sempre.
Continua

Eu tenho escrito. Vocês têm lido?
Música

Tinha uma paixão.
Sentou-se,
Aqueceu os dedos.
Alguns estalidos ecoaram no silêncio da sala.
Atacou o piano
Com Chopin.
Os primeiros acordes de Nocturnos op. 48
Faziam-se agora ouvir.
Primeiro em Do menor,
Depois em Fa sustenido.
Doze minutos e vinte segundos depois
Ouviram-se as primeiras palmas.
Ainda não estava suficientemente excitado.
Entre a op. 55 parte um, em Fa menor e
A parte dois em Mi bemol maior
Começou a arfar.
O suor escorria-lhe pela face
E só a respiração ofegante
Atrapalhava a melodia.
Parou um pouco.
Na plateia nem um ruído.
Tirou de uma caixinha de meia dúzia,
Um preservativo.
Colocou-o no piano (não no órgão) e teve um orgasmo.

AF in O Livro das Artes

sábado, abril 03, 2004

Lunch Time Blog

Afazeres de carácter social, amizade e solidariedade, não deram tempo para um almoço de Sábado como o que seria de prever. Ainda assim, as natas estavam bem cremosas, os cogumelos (as minhas leitoras e os meus leitores mais chiques, leiam champignons por favor), eram de primeiríssima qualidade, e os escalopes tenros, como só o meu amigo do Talho 30 no Laranjeiro é capaz de vender. Mergulhados naquele molho que me encheu de pão (depois queixo-me das calças me deixarem de servir), a triglicémia a rir à gargalhada, o colesterol a bater palmas, o meu alfaiate a esfregar as mãos de contente, lá estavam os escalopinhos calmos, indiferentes, sem darem por nada e sem se queixarem a cada golpe de faca. Hoje apenas bebi um copo de vinho tinto, um excelente Douro, porque o tempo era pouco e não pude ficar no repasto. Mas fiquei de barriguinha cheia.

PS. Schubert seu guloso. Hoje foi dia de festa hein? Comeste um escalope grelhado, feito especialmente para ti. Agora vai-te queixar à veterinária que os teus donos só te dão ração, que eu te meto a pão e água durante vinte e quatro horas.
Vendo

Uma motorizada em segunda mão.
Dois rolos de fotografia 35mm, quase novos.
Seis pares de calças, que me deixaram de servir (tenho umas um pouco coçadas nos joelhos, faço bom preço).
Uma caixa tuperware cheia de berlindes.
Quatro conjuntos de gillette sensor, por estrear.
27 balões de água para brincar ao Carnaval.
Uma batedeira eléctrica novíssima.

Mas não vendo nem macela, nem a respectiva infusão.
Por isso pergunto quem é que no google se lembra de vir ao meu blog à procura de “onde comprar macela em Portugal”!

Agora digam lá se não tenho leitores tão ecléticos.
Pintura

Dois riscos, a trincha grossa vermelha sobre a tela.
Ao longe, ouvia-se uma valsa de Strauss.
Os pincéis valsavam aqui, ali e de novo aqui.
Compondo a obra.

Na parede não se ouve nada.
Olha-se. E os pincéis, incansáveis
Continuam, agora mais lentamente,
A valsar.

O pintor morreu em valsa lenta.

AF in O Livro das Artes

sexta-feira, abril 02, 2004

Snooker

PreDatado 154 x Disperso 113

Oh puto ainda vais levar mais. Não treines não!
Calma

Hoje foi o Ritto. Calma, eles vão sair todos. Só falta saber quando é que prendem o Juiz Rui Teixeira e os miúdos da Casa Pia. Já faltou mais. Calma!
Crónicas

Graças a uma atribuição de prémios aqui pela escrita bloguistica descobri um estupendo site. Para a autora o meu aplauso. Também pelo prémio, mas especialmente pelo blog. Bravo!
Lunch Time Blog

Querida leitora e, barra ou, querido leitor. Imaginem uma grande travessa. Daquelas capazes de comportar um leitão inteiro, daqueles que a gente vê nas festas, com limão na boca e raminho de salsa no nariz. Imaginem à volta o feijão verde sedoso, a cenoura cortada longitudinalmente em gomos de quatro. Imaginem as batatinhas cozidas e os ovos. Também cozidos. Agora no meio coloquem, com os olhos bem brilhantes uma enorme cabeça garoupa. Até os ossinhos se chupam. Agora imaginem um tipo que só gosta dos lombinhos do peixe. Aqueles muito fresquinhos, assim a saltarem da parte posterior da cabeça do peixe. Onde não há espinhas, parece tudo uma febra. Bom, se já imaginaram tudo vamos cair na realidade. O tipo que só gosta dos lombos, sou eu. Os outros deliciavam-se com o que eles dizem que é o melhor. Se calhar até é. E eu ralado. Não sou gato.

PS. Falar em gato. Oh Schubert vê lá se cresces e apareces para te sentares à mesa connosco nestes pitéus. É que gato que é macho, não dispensa uma cabeça de garoupa, pá!
Liderança

Queria ser o chefe de uma igreja.
Sempre gostou de falar
Para multidões,
Ordená-las,
Conduzi-las.
A voz potente, eloquente, convicta, empolgante.
Sabia vender ideias.
Consta que não passava recibo.

AF in Livro das Artes
Hoje

Hoje é dia de parabéns. Na blogosfera há várias pessoas a comemorar. Mas os meus parabéns especiais vão para a Catarina, pelo seu aniversário. Felicidades!

O mundo virtual tem destas coisas. Há 6 meses atrás eu nem sabia que existiam blogs. Foi o meu filhote quem me dirigiu para aqui. Fui fazendo do meu blog uma forma de expressão que também reflecte um pouco a minha maneira de ser. Como as cerejas, umas atrás das outras fui puxando a escrita de uns e a escrita de outros e de outras para o meu mundo. O meu mundo de partilha e de absorção. Às tantas dei com o teu blog e encantei-me. Não apenas com o que escreves, mas também como o escreves. Forma e conteúdo completam-se. O por detrás de um blog ligeiro como o 100nada, está uma mulher que eu ainda não conheço mas da qual vou tendo vestígios. Uma pessoa bem humorada, uma pessoa frontal, uma pessoa que tem amigos (eu vejo por alguns comentários, que são verdadeiros) e uma mãe carinhosa, extremosa e dedicada. Agora juntaste-te ao clube dos "entas". Nunca mais de lá (cá) vais sair, até que o destino o determine. Vais ver que é tão bonito como os "intas" ou os "intes". Cada dia com o seu fascínio. Por isso goza-as e aproveita-os todos como puderes e como quiseres. Por hoje desejo-te as maiores felicidades do mundo. Embora ainda não tenha o privilégio de pertencer ao teu grupo de amigos, aproximei-me. Vou continuar a estacionar nas tuas páginas.
Carpe Diem!
Ontem

Obviamente, ontem, foi primeiro de Abril e o meu blog comemorou-o (lá vão ter que aturar este chato por mais uns tempinhos).

quinta-feira, abril 01, 2004

Fim

Afinal não sou só eu que acabo hoje. A Carla de Almeida também. Que pena, mas tudo tem um principio, um meio e um fim. Logo eu, que só ía a meio.
Merendando

Todas as tardes, às 5 e 30 em ponto, faço uma pausa para uma bebida. Quase sempre eu e o meu amigo Artur, bebemos uma SuperBock cada, ou uma Sagres, ou uma Heineken, dependendo das promoções da semana nos supermercados daqui da zona. Hoje, qual foi o meu espanto (eu sou uma pessoa que me espanto por tudo e por nada, como vós amigas leitoras e amigos leitores, já deveis ter reparado), a cerveja era a novíssima TreBeer. Nunca tinha visto à venda no mercado. O pior é que eu tenho a mania (outro defeito meu, ter manias) de beber as cervejas bem geladinhas directamente do gargalo. Para não aquecerem. Vai daí garrafa à boca, uma enorme engasgadela, tosse, cerveja espirrada por todos os lados (que porcaria). E isto porquê? Porque fiquei com um tremoço entalado na garganta. Um quê? Tremoço, já disse! Mas não tinhas dito que estavas a comer tremoços. Pois não, mas a cerveja TreBeer trás já o tremoço incluído. Aproveitem, está em promoção, oferecem uma grade de 6 na compra de outra. Em quase todos os supermercados.
Semáforo

Na sequência do meu acidente desta manhã e todo ligadinho até ao pescoço, fui à Aviz alugar um carrito para me poder locomover. Parado que estava num semáforo de Lisboa, um casal de ar bem posto, solicitou-me a abertura do vidro da janela. Abri pensando tratar-se de um pedido de informação. Qual foi o meu espanto quando, o casal, me disse que estavam a fazer um peditório porque a Ministra das Finanças tinha sido raptada e os sequestradores estavam a exigir um milhão de euros para a libertarem, caso contrário, regá-la-iam com gasolina e lhe pegariam fogo. Como eu não quero que lhe falte nada, solícito, perguntei ao casal qual era a média de contribuição que os outros condutores estavam a dar. Ao que eles me responderam que era entre 5 a 10 litros de gasolina.
Fax

Acabei de receber o fax que me agrada e me deixa triste em simultâneo. O contrato com a editora vai para a frente e os meus queridos blogs vão terminar. Com uma lágrima passo a transcrever:

quote

Dear Mr. Post-dated

Following our today’s lunch and conversations it’s my pleasure to inform you that our publishing company did agree with your kind proposal. Effectively the quality of your posts, jointly with the increasing interest of the Portuguese communities, mainly at New Jersey, New Bedford and Boston, had influenced strongly positively our decision. However, as we think you are conscientious of the costs of this decision, it’s my painful duty to say you that you must stop publishing anything else at your private blog. From the 2nd of April forward if we detect any new post from you, here at Predatado or wherever, we will cancel immediately our agreement. The monthly fee of $xxxx US dollars is acceptable.

Best Regards

Bob Tail


unquote
Lunch Time Blog

O editor americano é um maricas. Verdade, apareceu-me de camisa às flores, calça vermelha apertadinha e rabo-de-cavalo a cair no meio das costas. Não tenho nada contra, isto, é meramente descritivo. «Mr. Pri Dateidow, ai lóve “marriscow”». È por isto é que lhe estou a chamar maricas. Então não é que me fez gastar 230 Euros num almoço? O gajo pensa que eu ando a nadar em dinheiro? «Parra mi caldino de camarrau», «como se chamau essas amájuas?». Eu respondi à Bolhão Pato. «Isso, bulhau patow». Depois quis Percebes. Só lhe faltou chamar understands. «Mr. Pri Dateidow, esses lávágantés estau deliziosos», enquanto se lambuzava com um lavagante grelhado na chapa. Não posso dizer que a comida não era boa. Estava de facto deliciosa. Ainda por cima eu a pensar que o gajo é que ía pagar a conta. «As vozas lagustas sau muto boas». Na verdade, a lagosta suada não podia estar melhor. O pior foi que tive de beber Matéos Rose. Estes camones não sabem beber mais nada? E no fim a dolorosa veio para mim. Grande maricas!


PS. Quem ficou a ganhar foi o Schubert. O americano achou o máximo, eu ter chamado a DHL para me levar a casa dois camarões tigre para o meu gato. «Mr. Pri Dateidow vozé é wonderfull». Se este blog não fosse sério, só me apetecia dizer p… que o pariu!
Impecável

Atendimento impecável no Garcia de Orta. Derrapei na chuva da estrada. Resultado: 3 costelas partidas e um carro na sucata. Entrei há meia hora nas urgências e agora enquanto espero alta, estão a deixar-me a usar o meu portátil. O pior é que esta comunicação wireless está a sair cara. Estou a comprometer o almoço. Sem carro, sem livro publicado, sem dinheiro para pagar a conta do telefone e com três costelas partidas. Isto hoje está a correr bem, está.
Nova Eureka

Já recuperei o w. Já posso escrever New York, New York.
Editar

Hoje vou almoçar com um editor norte-americano. Telefonou-me ontem a dizer que o PreDatado é muito apreciado nas comunidades portuguesas da América. Se as coisas correrem bem, este espaço, aquele e este outro, irão ter de fechar. Já me falou em exclusividade.
Eureka

Encontrei a letra a do meu teclado. O Schubert deve ter estado toda a noite, aqui, a teclar com as gatas e fez saltar a tecla para o chão. O pior é que agora também não sei do dabliú. Se ao almoço tiver de tomar um hiskye como é que vos vou dizer?
G lo!

Logo pel m nh~ p rti um tecl do meu tecl do. Foi a letr que t nt f lt me f z. Pelo f cto s minh s desculp s.
Mentiras

Hoje é dia primeiro de Abril. Dia das Mentiras. Pois eu como sou do contra vou já avisar-vos: A partir de hoje nunca mais minto!


PS. Até me engasguei…

quarta-feira, março 31, 2004

Reflexão

Um dia, há vários anos li qualquer coisa semelhante mas não me lembro onde. No entanto, desde essa data que não deixo de reflectir nisto. Logo eu que adoro sobremesas. Se a banana soubesse a morango, o morango a pêro, o pêro a laranja, a laranja soubesse a maçã e a maçã soubesse a kiwi. Se o kiwi soubesse a ananás e o ananás soubesse a banana, a salada de frutas teria exactamente o mesmo sabor.

PS. Não me lembro do autor. Nem me lembro se as frutas da salada, no original, eram as mesmas. Mas a ideia é aqui reproduzida com a devida vénia. O seu a seu dono.
Inverno

Ai! Esta chuva que me encharca a alma!
Ai! Este frio que me obriga a ter
A nostalgia de uma tarde calma,
D’ uma primavera que me alegre o ser.

E até o sabor a fumo do cigarro
Que tenta aquecer-me a natureza
E que me provoca demanhã, catarro
ainda mais atesta esta tristeza.

Mas se o poeta quer, pode fingir
Então o sol raiará na madrugada
A alegria voltará a ressurgir

Sou um filho do sol e do calor
Amante do mar e do sereno
E do prazer de suar se faço amor.

AF in Complexus
Lunch Time Blog

Tenho um compadre que um dia me disse que seria incapaz de comer língua de vaca, pelo facto de esta andar na boca dos animais. Que antes queria comer um ovinho estrelado. “Mas oh compadre Anastácio, você não come língua porque anda na boca dos animais e come o ovo que sai da cloaca da galinha”. “Tem toda a razão compadre, nunca tinha pensado nisso”. Mas isso, são outras histórias. No entanto, vem a propósito da minha opção para hoje. Levantei-me tarde e não tomei o meu habitual continental breakfast. Decidi fazer do meu almoço uma coisa ligeira e, eu próprio o preparei. Dois ovos numa tigela, batidos apenas 3 vezes (3 voltas leram bem?) com um garfo e com carinho. Depois em lume não muito forte mas suficiente para que o ovo não cole na frigideira, deitá-los devagarinho e não mexer. Enquanto frita a película no fundo da frigideira, organizadamente colocam-se os camarões, escaldados e descascados. Rijinhos para que o dente os sinta. Com cuidado para não partir, com uma colher de pau ou espátula de madeira, cobrem-se os camarões com o ovo. Se eu soubesse desenhar faria o esquema. Vou deixar isso para o Disperso, que ele é que é o artista da família. Depois num movimento único mas firme, levando a omoleta no ar, uma só cambalhota, ela cai direitinha mas do lado contrário sobre a frigideira. Apenas uma volta no ar. Cuidado ao tentarem fazer isso com alguém perto. Basta um olhar para o lado e ela cai-vos direitinha no chão. Fala quem já teve esse privilégio. A gargalhada geral não compensa a chatice. Duas rodelas de tomate maduro q.b. temperado com orégãos e um fio de azeite que simultaneamente cubra duas fatias de queijo de cabra fresco e aí está como se transforma um pequeno-almoço num delicioso almoço. Logo à tarde vou estar cheio de fome, mas isso agora não vem para o caso.

PS. Quando passei do meu pequeno escritório para a cozinha, o Shubert estava nas costas do sofá do sala a olhar-me por entre os vidros da porta. É o instinto animal. Miava como que pedindo encarecidamente, “convida-me para o teu almoço”. Quase me veio uma lágrima ao olho. Compensei-lhe a ração com uma guloseima das latinhas da Whiskas. Deve ter pensado, “do mal, o menos”.
Continua

A história do algarvio está a compor-se...
Escrita


Abriu um caderno em branco.
Rabiscou duas linhas na primeira página
E foi dormir.
Às seis em ponto da tarde
Chovia e a chuva molhava-lhe
Os pensamentos.
Acordou, tirou o lápis de trás da orelha
Abriu o caderno quase em branco.
Acabou de o preencher.
Deu-o a ler, o editor num movimento suave
(como devem ser suaves os movimentos com as mulheres),
Mas decidido
(como devem ser decididos os movimentos dos editores),
Jogou o manuscrito no lixo de papéis.
É bem feito!
Quem manda a escritora
Pegar no lápis ainda húmida?

AF in O Livro das Artes
Manjares

No Público o que comem os jogadores da selecção. Ai o plágio ao PreDatado sr, jornalista!!!!!

terça-feira, março 30, 2004

Sinceramente

Quando tanto havia para dizer sobre “esquerda” e “direita”, a sua origem histórica, a clandestinidade de ser de esquerda, a clandestinidade de ser de direita, qual a cultura associada a ambas as alas, porquê hoje ainda se utilizar efectivamente a classificação, o que socialmente ainda causa receios ao nosso povo estar num lado ou no outro e sei lá que mais, a cultura doutor, a cultura, deparo-me com um post tão sensaborão como este do dia de hoje, sobre a temática, no Abrupto.

Fosse eu uma pessoa culta e conhecedora da causa política, que:

a) Não iria ao Abrupto, pois já seria culto e não precisaria;
b) Não iria ao Abrupto, pois percebendo eu de política não precisaria que outros me explicassem.

Mas infelizmente como vós sabeis amigas e amigos leitores, não só sou quase analfabeto como nunca fui nada, mas nada mesmo de meter na política. Por isso eu, entre outros, vou ao Abrupto (os outros, depois eu digo). E se culturalmente tenho dado por bem empregue o meu tempo, politicamente sr. Dr. José Pacheco Pereira, sinceramente, porque é que o senhor se mete nisso?
Cost…uecas

Ai meuzedeuses. Descrever um almoço, principalmente quando ele não é o que o meu estômago esperava receber, tem um tudo-nada de depressivo. Mas ser acedido por alguém que anda à procura de “fotos de costeletas com batatas fritas”, haja paciência! Já parece aquele que andava à procura de cuecas comestíveis no blog da Gotinha.
Olhos

Alínea a) Olhos propriamente ditos

Eu sou assim. Preto no branco. Às vezes azul no branco, quando a caneta falha e, não tenho outra à mão. Já experimentei outras cores. Definitivamente não dá. Talvez por eu ter olhos clarinhos. Muitos dos blogs que eu gosto têm um design bonito. Mas custa-me tanto ler. Mesmo assim, alguns valem o esforço. Por exemplo hoje lembrei-me deste apenas porque o vou espreitar diariamente. A menina, senhora, lady, escreve bem e faz postagens muito interessantes. É, com certeza, pelo aspecto gráfico do blog, uma pessoa de bom gosto. Mas se um dia, por força do acaso, eu a venha a conhecer pessoalmente vai ter de me pagar um almoço. É que ela, se me lê, sabe que eu também como com os olhos!

Alinea b) Comentários à parte

Não gosto do nome do blog. Faz-me lembrar o banho checo. Chec Chec chec.. ai que impressão. Estou todo húmido, bolas ! Mas lá que o mocinho tem um blog engraçado, lá isso tem. E engraçado não quer dizer sempre com piada. Quer dizer legível, escorreito, interessante, consultável e obviamente com humor q.b. E preocupa-se com os comentários das “gaijas”. É d’homem!

Alínea c) Não é só a Catarina que tem um filho

A felicidade de uns pode ser o sacrifício de outros. Mas aqueles que estão felizes, não significa que não façam sacrifícios. Pois o meu querido Disperso, anda a pedir desculpa aos seus leitores porque não tem tido tempo para escrever, devido aos deveres de estudante universitário. E embora eu goste de ler esse garoto que eu amo, estou feliz pela sua dedicação à escola. Não sei se todos vós entendestes este comentário. Ele entendeu.

Passarário

A elegância no voo
A beleza nas cores
O carinho nos ninhos
A protecção ecológica
A… de andorinha,
P… de pardal e de perdiz e de pintassilgo.
A arara e o papagaio
O bico de lacre e o rouxinol
A toutinegra e a trombola
O periquito e o melro
Comos são lindos os pássaros.
Não devemos fazer mal às avezinhas.

Eu gosto muito de passarinhos fritos.

AF in Livro das Artes
Salvé

Estavam com saudades minhas não estavam? Pois é, nem para um olá aqui e nos vossos blogs eu hoje tive tempo. Mas para os meus 30 fiéis leitoras e leitores que hoje me procuraram e bateram com o nariz na porta só posso dizer SALVÉ AMIGOS!!!!
Putz

Ontem perto da meia-noite telefonaram-me a dizer que o navio iria acabar por volta das cinco da manhã e que eu deveria lá estar às sete para fazer o draft.
Esta alminha que estava a preparar-se para mais uma noite de escritas ao som do vento e no murmúrio da Diana Krall, teve de reprogramar o switch de modo a deitar-se cedo. Por volta das duas da manhã mergulhou no edredon e enterrou-se nos lençóis tendo ficado que nem o seu Schubert, um olho fechado e um ouvido à escuta, não fosse pensar que o som do despertador, lá longe, fosse os sinos da igreja da Moreanes. Às sete da manhã, como era de se esperar, lá estava esta alminha (eu hoje sou mesmo alminha) a bordo do navio para receber a notícia que antes das nove não terminava. E depois antes das dez também não e também não antes das onze. Terminou quase à uma da tarde e lá vai ficar para amanhã o Lunch Time Blog. Assim se passa uma manhã a ver navios. Putz!

PS. Mesmo com tempo nublado, a Arrábida estava linda e Tróia vista de longe até parece um lugar bonito. Só não tirei fotos porque desta vez, não levei a máquina. Mas da próxima, antevendo um corte destes, acho que encontrarei matéria para um fotoblog.

segunda-feira, março 29, 2004

Embuchei

Ontem apeteceu-me desbloquear uma conversa. Aquelas, as da treta, que não chegam a ser conversa. O tipo apareceu sorridente. Devia estar feliz porque no grupo ninguém estava a contar anedotas. Depois disse “então, cá estamos”. Um deu-se ao trabalho de dizer “é verdade”. Um terceiro “belo dia”. O sorridente “se calhar ainda chove”. O do belo dia “não”. O que teve trabalho a dizer é verdade “não sei não”. O sorridente “e então?”. O do belo dia “cá estamos”. O sorridente que já tinha dito antes cá estamos “anda tudo ao mesmo” . O do é verdade “essa é que é essa”. E eu com uma vontade tão grande de dizer ao sorridente “você além de ser muita alto é muita feio”. Só não disse porque tive medo que ele respondesse “é a vida”. Só por isso é que não desembuchei.
Lunch Time Blog

Segunda-feira. Uma pessoa vai ao mercado e ou encontra as bancas vazias ou vê carapau de olho vermelho. Não lhe resta senão optar pelo restaurante. Olha para as vitrinas e o que vê? Uma miséria franciscana. Depois pensa, não vou sair daqui sem comer. Embora nunca tenha ouvido o badalo do relógio, o cuco a fazer cu-cu, a corda no seu tic tac, tic tac, é aquela sensação da barriga a dar horas. Fica sem capacidade de raciocínio. Lê o cardápio e fica a coçar a cabeça. Não lhe apetece nada e ao mesmo tempo parece que o que vier à rede é peixe. Vê passar o garçon com uma travessa de óptimo aspecto, parecem boas as bifanas, pelo menos vêm bem ornamentadas. Come com os olhos, torna-se invejoso e diz, também quero. No início ataca com toda a adrenalina que a fome lhe transmite, mas, à segunda mastigadela, parece aqueles putos pequenos a quem se lhes começa a enrolar a comida na boca e a dizer “não quéiu mais”. Põe de lado, olha para as sobremesas e já sabe que não vai comer nada daquilo. Pede uma bica. Pede a conta também, paga, deixa gorjeta, a pensar que mal empregadinha e vai-se embora. Quando entra no carro está tão desconsolado… Mas ainda tem tempo. Então vai até à Costa, senta-se numa esplanada, pede uma garrafa de água das pedras bem fresquinha e fica a contemplar o mar.

PS. Nem vou contar nada ao Schubert quando chegar a casa. Já sei que me vai miar, roçar-me nas pernas, levar-me ao restaurante dele, pedir para me ajoelhar, baixar a cabeça na gamela e obrigar-me a comer da sua ração. Ele não quer que me falte nada.
Futebol

Onze de um lado,
Onze do outro.
Minutos a fio pontapearam-na.

Ela nunca se defendeu.
Depois abandonaram-na, ignorando-a.

Ela nunca se queixou.
Saiu inchada e redonda.
Apenas um pouco esfolada.

À volta, as tribos entoavam cânticos de guerra.

AF in Livro das Artes
Extractos ao acaso

“A comida, tal como o erotismo, entra pelos olhos, mas há pessoas capazes de meterem qualquer coisa na boca (…) Se você for dos que acreditam a pés juntos nas virtudes mágicas de algo horripilante, sugiro que coma sozinho e sem apregoar”.

Isabel Allende, Afrodite


Há pessoas que em vez de meterem na boca coisas horripilantes, fazem saltar essas horripilantes coisas da boca para fora. É só ouvi-los. Eles andam aí. A apregoar.
Profissão

Vós sabeis que eu não sou nada de fazer conjecturas, nadinha mesmo, mas mesmo assim eu arrisco dizer que ao contrário da maioria das minhas amigas leitoras e dos meus amigos leitores, este Domingo foi dia de trabalho para mim. Mas também é bem feito, pois quem me manda a mim passar uma semana inteira sem fazer népia? Pois é, mas subir e descer escadas, descer para e subir da lancha para ir fazer leituras à roda dos navios e subir e descer escadas de portaló, estou aqui que nem posso. A minha perna esquerda está quase presa, mas também é bem feito, quem manda a perna direita ter andado toda a semana a queixar-se? Oh meus amigos, isto, quando há ciática, tem de tocar às duas (fora as costas). Falando estritamente de pernas, a esquerda não é mais que a direita. Portanto ela que faça o favor de não armar ao pingarelho. Mas mesmo assim não me posso queixar muito. É bem melhor do que ser vendedor. Foi aliás por causa das coisas, que eu deixei de trabalhar em vendas. Ah não sabiam? Pois é verdade eu trabalhava em vendas e a minha alcunha era “A prostituta”. Eu, como vós sabeis não sou nada (onde é que eu já li isto?), mesmo nada de depreciar qualquer profissão. E ser prostituta não é nenhuma profissão que eu considere menos. Mas ser vendedor e chamarem-me prostituta, só mesmo coisa dos meus amigos. Querem saber porquê? Pois é, já esperava que tivésseis respondido em uníssono: “Queremos!”. Vejam só:

Eu trabalhava nos horários mais estranhos…
Pagavam-me para fazer o cliente feliz…
Às vezes, o cliente até pagava bem, mas os meus empregadores ficavam com quase tudo...
O meu trabalho ía sempre além do expediente…
Eu era recompensado quando aceitava realizar as ideias dos meus clientes…
Cada vez reduzia mais o meu leque de amigos sendo que praticamente só andava com outros colegas da mesma profissão…
Sempre que ía a um encontro com um cliente tinha de estar bem apresentável…
Os meus clientes queriam sempre pagar menos e que, ainda assim, eu fizesse maravilhas…
Quando me perguntavam em que é que eu trabalhava, tinha sempre dificuldade em explicar com precisão…
Quando as coisas davam para o torto era sempre culpa minha…
Todos os dias, ao acordar, pensava e dizia para com os meus botões: NAO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!

Então? Qualquer semelhança com uma prostituta não é pura coincidência.

domingo, março 28, 2004

Azul

Pela cor pensei que fosse de um planeta desconhecido. De Marte não é, porque em Marte eles são verdes. Dizem, porque o robot ainda não os descobriu. Pela leitura do blog, que eu desconhecia até hoje, vejo que a cor só pode ser de uma tripeirinha. E já que tenho um lagarto na minha lista e, ela tem um blog bem interessante, vou pô-la de lado. Que é como quem diz aqui na lista do lado. E ainda bem que comer também é um prazer para ela. Não gosto de anorécticas.
Lunch Time Blog

Às camadas. A primeira de cebola, tomate, pimentos, alhos. Digamos leguminosas para facilidade de escrita. Depois uma camada de Safio, Tamboril, Raia, Pata-roxa. Digamos peixe para facilitar a escrita. E por cima uma camada de batatas às rodelas. Digamos tubérculos para complicar. Outra camada de leguminosas, outra camada de peixe, outra de tubérculos e finalmente outra de leguminosas. Arrumadinhos assim, juntou-lhe um pouco de vinho, um fio de azeite, um pequeno piripiri, salsa, louro, sal q.b. Tapadinho que foi o tacho isovapórico e regulado o fogo para uma distribuição uniforme foi deixar os aromas espalharem-se pela casa. Seguindo o cheiro, nem abri a boca enquanto comi. No final virei-me para a minha mulher e apenas tive palavras para dizer. Parabéns!

É verdade que eu de brancos não falo. Não é uma questão etnológica. É enológica mesmo. Mas hoje vou abrir uma excepção porque a caldeirada mereceu. É da Herdade do Esporão de 2001. Tenho a certeza que se o tivesse bebido antes teria ganho mais. Mesmo assim o seu aroma jovem e fresco, mantinha-se. E a cor citrina que se lhe via no ano passado ainda lá estava. O sabor macio e um pouquinho mas suportável acídulo. Não foi um erro exagerado ter-me esquecido dela na garrafeira e não desacompanhou a qualidade do peixe. Fiz uma boa opção. Ah o nome? Vinha da Defesa.

PS. O Schubert roçava-nos nas pernas, dengoso, insinuante. Amimado é o que ele é. Mas os temperos e as espinhas não nos convidava a convidá-lo a ele, Schubert. Assim foi recambiado para a ração de gatinho. Tadito.
Continua

Aos poucos o conto vai sendo construído. Têm lido?
Horário

Porque é que escrevo à noite e de dia também? É porque à noite eu não tenho sono. E de dia também não tenho. Sempre que à noite me apetece escrever sento-me no Word e teclo. Faço-o sempre com letras pretas sobre folhas brancas. De dia também faço isso, excepto ao lusco-fusco. Ao lusco-fusco utilizo um bloco de notas e uma máquina fotográfica. Então faço das palavras a minha noite. Porque durante o dia falo. À noite não. Só me apetece dizer até amanhã. Mas às vezes, está errado porque nesse dia à noite já é amanhã. È por isso que faço das minhas noites, por vezes dias inteiros. E é nessas alturas que eu digo que só escrevo à noite e de dia também. Porque de dia não há nada para escrever. Aquilo que se escreve de dia já é antigo à noite. Aquilo que se escreve de noite é novo de dia. Eu gosto de coisas novas. Quantas pessoas se lembram quanto tempo demoraram ontem de manhã para ir de casa ao emprego? Isso foi ontem demanhã. Mas de manhã quase todos sabem a que horas se deitaram ontem à noite. É também por isso que a noite é mais fascinante que o dia. Se houvesse Sol à noite, então, a noite ainda seria mais bonita. Porque as cores realçam mais com o Sol. Excepto as cores da noite. As cores da noite também são mais bonitas que as cores do dia. Porque de dia não há preto e branco. E por não haver preto e branco a escrita é mais triste de dia. Porque é uma escrita a cores e eu não sou pintor. Hoje os relógios roubaram uma hora à minha noite.
Arquitectura

O prédio tem cento e vinte e cinco andares.
A escada vai até ao trigésimo.
Do trigésimo ao nonagésimo uma corda,
Com nós.
Daí para cima tem um elevador
Descai para a direita no sexagésimo segundo.
Uma ponte aérea atravessa-o,
No nonagésimo quinto
Onde existe um shopping center.
Lindos jardins interiores
Nos patamares do octogésimo sétimo,
Irradiam o verde no sentido norte-sul.
Um homem faz a barba,
Olhando o reflexo nos vidros espelhados
Do quadragésimo quinto andar,
E assobia.

AF in Livro das Artes

sábado, março 27, 2004

Cabeçadas

Ontem, ao entrar para o carro, dei uma cabeçada tamanha no rebordo da porta. Vi tantas estrelas, mas tantas, que acho que descobri uma super nova. Não cuidei de imediato de pôr um pouco de gelo e vai daí, hoje estou com uma dor de cabeça que nem me aguento. Portanto se por acaso, eu escrever algum disparate, e vós amigas leitoras e amigos leitores, bem sabeis que eu não só nada, mesmo nada, de escrever disparates, se isso acontecer, como estava escrevendo, peço que me desculpem.

PS. Além disso também não dormi por causa da ciática. E lá fora chove. E acho que vou almoçar peixe de novo. E podia ser pior?
Tempo

Hoje foi o dia de abrir a correspondência. Durante a semana vou trazendo para cima e ponho no montinho em cima da secretária. Se olho para o envelope e me parece estranho eu abro na mesma altura. Mas a norma é amontoar. Esta semana: conta da luz, conta do gás, extracto do banco, visa para pagar, publicidade das Selecções, da art gallery, da loja Masculini, declarações (ainda?) para o IRS, seguro do carro, conta do telefone, factura da TV cabo, carta do Benfica para subscrever o empréstimo obrigacionista, convites da Academia Almadense (infelizmente um já fora de prazo, mea culpa), imposto municipal sobre imóveis, jornal do Seixal, jornal Lidl, Revista Unibanco, Revista da CGD (esta com bonitas fotos), Tap Navigator (perdi o Gold, há tanto tempo que não viajo), revista Selecções. Ufa, não sei se me lembrei de todas. Agora vejam, a maioria eram contas para pagar. Depois do tempo todo que perdi a abrir cartas e a ler o conteúdo será que me sobra tempo para pagar as contas? Que esperem, porque um homem não é de ferro. E além disso vamos ter uma hora a menos este fim-de-semana.
Títulos

No Expresso: “João Soares avança contra Ferro”. A última vez que me aconteceu foi contra uma parede. Avancei demais e parti o carro todo. Vou ler o artigo completo para ver como foi o acidente.

Também no Expresso “Portugal está fora de moda”. Se calhar é por isso que está em saldo. Deve ser fim de estação. Mas parece-me que os espanhóis não são vaidosos e compram tudo.

Diário de Notícias: “Mário Soares critica brutalidades de Durão”. Pois, pois violência doméstica.
Facas e Garfos

Se falam de comida dá-me o cheiro. Esta e este eu leio e parecem-me gostar de pratos.
Extractos ao acaso

"O carrasco existe para matar. Aquele que mata e não é carrasco é como aquele que talha e não é carpinteiro. É raro que aquele que talha e não é carpinteiro se não fira nas mãos."

LAO TSE in Tao Te King

Amanhã e depois e depois vou olhar as mãos do rabecanista: Quero ver se ele é sapateiro. Quero ver as mãos dos que passam betume para disfarçar a feridas. Carrascos com mãos de não carrascos.
Agricultura

O pai, a mãe, o filho
A charrua, o arado, a enxada
Preparados para a faina
O sol já tinha nascido.

O boi esquelético puxando.

À noite a filha mais nova
Preparava-lhes um caldo de couve-galega.

AF in Livro das Artes

sexta-feira, março 26, 2004

Lunch Time Blog

Hoje fui à Cabrinha II. Fica na Qta. do Serrado assim como quem vai na via rápida para a Costa da Caparica. Depois sai na direcção Universidade, e quando se dirige ao Monte da Caparica, vira para o Serrado. Se não perceberam é só perguntar por ali. Feita que foi a publicidade, Carlos (o dono é o meu amigo Carlos), deves-me um almoço. Ele não merece porque ele é lagarto. E ainda mais depois de uma derrota do Glorioso. Se eu não tivesse aceite a sugestão dele para um atum fresco de cebolada, que não só estava delicioso, mas também tinha um aspecto tão incrível que até os olhos comeram, teria comido uma caldeirada de Benfica vs Sporting. Bebemos o vinho da casa em jarro. Era um tinto escorreito, não lhe perguntei mas, pelo paladar, era um tinto de Pias, a raiar o razoável. Sei que esta tarde a cebola vai fazer das dela. Se não for no estômago, vai ser no hálito. Nada que o dentífrico não possa disfarçar. Pelo sim pelo não, só vou beijar à noite.

PS. Schubert meu lindo, desculpa-me mas o dono só te vai ver logo à noite. Vou-te pedir a mãozinha, tu vais dar-me uma dentada que é como quem diz na tua linguagem que me estás a dar um beijinho. Ainda bem que ainda não beijas na boca, senão irias com certeza dizer: «Este gajo, é a segunda vez esta semana que come peixe. E desta vez de cebolada. E eu na ração, sempre ração. Já me estou a passar com ele.”»
Gastronomia

A vodka chegou em pequenos copos.
Rapidamente e de uma só vez
Viram-se os fundos.

O fígado em postas e de mãos postas
Ainda se ajoelhou rezando.
Ninguém lhe escutou as preces.

Regaram-no com vinho,
Dois dentes de alho.
Macerou umas horas.

As iscas estavam prontas.

Um shot vindo não sei de onde
Atingiu-o no baixo-ventre.

Não teve tempo de morrer com cirrose.

AF in Livro das Artes

quinta-feira, março 25, 2004

Benfica

Apesar da derrota... Benfiiiiiiiiiiiiiiiicccccaaaaaaaaaaa!!!!!!!
Amigos da Onça

Aumentei-te a responsabilidade, Artur. Acabei de adicionar o teu fotoblog. Agora vais ter de mostrar a tua arte às minhas amigas e aos meus amigos. Eu não sou nada de dar punhaladas nas costas. Nadinha. Sou mais assim pró tipo... amigo da onça.
Lunch Time Blog

O cherne (não se estejam a rir… não é esse, eu aqui não falo de política) hoje vinha a nadar em massa. É coisa que o outro cherne, aquele de quem vocês se riram antes, não sabe fazer. Diz que está de tanga. Um caldinho com os alentejanos temperos, onde o poejo dava um ar de sua graça, ou seja, de seu cheirinho. Hummm… de comer e chorar por mais. Por acaso só chorei quando veio a conta.

PS. Esta tarde não vi o Schubert, mas tenho a certeza que quando lhe contar que estive a comer peixe ele vai me perguntar: «Afinal aqui quem é que é o gato?»
Sandes de presunto

De vez em quando gosto de conhecer quem lê o meu blog. Se a gente escreve, mesmo que algumas vezes tenha um carácter umbiguista, é porque a gente gosta também de ser lido. Como vós sabeis, amigas leitoras e amigos leitores eu não sou nada de ficar vaidoso, se sou lido por pessoas mais ou menos importantes no panorama das letras ou das ideias, ou não. Não reconheço importância superlativa a ninguém pelo que, para mim, eu sou sempre lido por pessoas importantes. Fazem parte do grupo dos que me gostam de visitar e isso é suficiente para eu os considerar importantes. E a todos os que aqui vêm e perdem um bocadinho do vosso tempo a ler coisas, sim não passam de coisas, que a mim me dão prazer em escrever, a todos o meu muito obrigado. Vem isto a propósito (eu sou um chato nas introduções, não acham?), de ter verificado que um dos meus últimos leitores entrou no meu blog à procura de “sandes de presunto”. Pois minhas amigas e meus amigos, eu bem sei que aqui não é um snack-bar e que mesmo que o fosse as minhas sandwiches ficariam muito atrás de algumas que me têm sido servidas, em Chaves, em Lamego, no meu Alentejo profundo. Mas que o leitor se quedou alguns minutos a ler-me isso eu garanto. Será que depois de ter lido um Lunch Time Blog, desistiu de ir comer a sandocha? Ou embuchou e teve de sair para uma malga de vinho tinto?

PS. Ai como eu gosto da palavra sandocha!
Continua...

Terminou hoje o Capítulo I.
Extractos ao acaso

“Imagina que alguém mandava calar o canto dos pássaros porque o ouvido interior dessa pessoa tinha ouvido uma melodia mais bela! Ou que mandava murchar as flores e as árvores porque o seu olfacto interior descobrira um aroma mais maravilhoso que os aromas da própria natureza! Imagina finalmente, que alguém destruía a arquitectura e os objectos de arte porque se apaixonara pelas coisas impalpáveis”

Jostein Gaarder, Vita Brevis


Vou passar-lhe as mãos pelo cabelo e cheirar, porque têm o cheiro dela, o feminino cheiro da natureza. Nenhuma melodia interromperá os sons da noite. Os pássaros dormem. Nada será destruído.
Olimpismo

As cordas, os cantos, o tapete, o gong.
A gritaria, a provocação, o aplauso.

O vermelho, o azul.
As luvas encostadas, à cara, ao peito, ao estômago.

Contou-se de um a dez
O juiz levantou-o do chão.
Abraçaram-se e levantou o braço.

O braço ainda continuava no ar
Acenando-lhe o último adeus.

No funeral ninguém pagou bilhete.

AF in Livro das Artes
É preciso é calma!

Telefonei ontem para um organismo público. Atenderam-me simpaticamente e informaram-me que assunto seria com a Dona Lurdes, mas ela não estava. E agora? Se não se importa ligue mais tarde. Está bem eu ligo, obrigado. Desliguei. Liguei mais tarde. Ninguém atendeu. Amanhã vou ligar de novo para falar coma D. Lurdes… se estiver.

Dirigi, em tempos um departamento de atendimento a clientes. Este assunto nessa época seria assim:

Telefonei para a empresa X. Atenderam-me simpaticamente, anotaram a minha questão mas, infelizmente, teriam de me pedir para aguardar alguns segundos. Aguardei, enquanto assobiava baixinho «a melodia do desespero». Dez segundos depois e, uma vez que o assunto era da competência de outro departamento e não me podiam dar a resposta de imediato (provavelmente a D. Lurdes não estava), pediram-me gentilmente um telefone de contacto ou fax (não se usava e-mail). Quinze minutos depois, está? É o Sr AF? Sou sim, faça favor. A resposta à questão que nos colocou é a seguinte.

Bom mas isto foi só há 12 anos. Ainda não houve tempo para os organismos públicos aprenderem. Já começaram a ficar simpáticos. Agora só falta aprenderem a trabalhar. Não sejamos exigentes não é?

quarta-feira, março 24, 2004

Lunch Time Blog

Ai. Eu não vos dizia? Eu avisei na segunda-feira. Frango! Ai meu Deus! Frango. A Fátima ainda tenta disfarçar, uns alhinhos, um pouco de vinho branco, um tudo-nada de pimenta preta moída na altura, um fio de azeite puro de oliveira no fundo da frigideira, uma corzinha bem homogénea, mas… frango. Ai que saudades do Faisão. Quando eu comia três tigelinhas dele. Mãe por favor, quero uma das tuas sopas!

PS. O Schubert deve ter visto a careta que eu fiz quando me sentei à mesa e olhei para o frango. Foi direito ao pratinho dele, mastigou a ração para gatinhos e olhou para mim. Triunfante ou irónico? Só ele é que sabe.
Continua

Está a ganhar forma. Novos parágrafos já disponiveis.
Novos

Vai ser dificil ler. Pelo primeiro post, já sei o que me espera. Dicionário em punho. Mas tivesse eu bebido os néctares que Homero ou Vírgilio beberam, ou não me tivesse o raio da neuropatia atingido, que não teria que obsecrar aos deuses para que a minha página não fosse tão nefelibata. Felizmente que parabolizo e embora os meus textos não sejam perolinos nem relampejantes também não são propriamente sebentices.
Extractos ao acaso

«A tusa, dizia Evaristo», disse Austin, sorrindo, «a tusa é que interessa. Havia aquele gajo, dizia Evaristo, que esfregava um tijolo nas costas e parece que lhe dava tusa, deve-se fazer seja o que for, o que interessa é endireitar o mastro…

Dinis Machado, O que diz Molero


Pois hoje, acordei meio estúpido. Estou sem tusa para nada. Parece que levei com um tijolo nas costas.
Tecnologia

Quais Evita e Peron,
Na varanda acenavam
Ao ensurdecedor barulho.

Quando voltaram para casa,
A multidão de seres minúsculos esverdeados
Voltou para o pólo
Onde tinha sido descoberta a água.

A nave voltou quatro dias depois.
De mãos dadas olhavam o álbum de fotografias
Que se auto-sustentava num campo anti gravítico.

Em apoteose fizeram amor.
Pairavam.

A população de robozinhos iria crescer,
Mais mês, menos mês.

AF in Livro das Artes

terça-feira, março 23, 2004

Preguiça

A lista das pessoas que eu visito vai crescer. Sou um bocado preguiçoso para andar sempre a fazer estes acrescentos mas cheguei à conclusão que serei muito mais preguiçoso se as tiver na lista de links. Basta um clique.

Primeiro as meninas que eu sou preguiçoso, mas também cavalheiro.

A minha sobrinha Sara cujo blog está crescendo. Ai Ai Vida
Uma elemental criatura. Olá Duende.
A lógica de ler, ler, ler..uffa escreve tanto. Bom dia Espectacológica.
Um raio de luz. Por enquanto é só um raiozinho mas já flameja. Ilumina isso Analuz.
Uma mimosíssima e terna Borboleta. Voa, Voa Andreia.
Uma salada de frutas com chocolate, bem saborosa. Há FrutóóóóXicolate
Uma menininha babada. É paté ou Pat, mas é Patricinha.
Outra Sara. Esta diz que é Xata.

E agora os “gaijos”.

O tipo é lagarto mas está sempre a pôr-me ao corrente do que se passa na bola. Não?
Um momento de paz. Amigo, não me converto ok? Mas a Palavra é a Palavra.
Conhecer as opiniões da esquerda no texto e as da direita nos comentários. Aí Barnabé!
Ler políticos conceituados. Quase sempre opiniões para reflectir. São causas.
É cultura, pessoal. E desta não se consegue de borla por aí. Nem que seja crítica.
And last but not least
Para me desbloquear os neurónios. Esse aí desbloqueia.

Por agora chega que estou com preguiça para mais.
Sobremesa (III)

Coloco-te nas orelhas só por graça,
Dentro de água gelada ou sobre gelo.
Faço de ti licor e p’ra bebê-lo
Te verto em copo ou cristalina taça.

No meio de chocolate licoroso
Te chupo e faço, por isso derramar
Correndo no queixo sem queixar
Um liquido suave e bem viscoso.

De todo o jeito, para te comer eu sou capaz
Saltar veredas e te colher na árvore
Sejas tu vermelhinha ou como mármore,

Na praça adquirir mais de um cabaz
Tal como as conversas, é assim:
Cereja puxa cereja até ao fim!

Alves Fernandes, in Sobremesas
Lunch Time Blog

O espeto de pau de loureiro afiado. Implacável, um a um ía esventrando os pedaços. Alternadamente. Os suculentos cubos de lombo, o pimento, o toucinho, a cebola, o chouriço, o cubo de lombo, o pimento, o quadradinho de toucinho, a rodela de cebola, o chouriço, e uma vez mais, lombo, pimento, toucinho, cebola, chouriço. Depois foi colocar a espetada na grelha e roborizá-la. Rodá-la sobre si própria em movimentos como que pré-programados, sem deixar que a chama lhe lambesse as fronteiras. Apenas o calor para a fazer corar. No prato, os aromas dos legumes nas gorduras, quanto baste. Na boca, a delícia dos tacos de lombo a desfazerem-se. De vez em quando molham-se os lábios com um golinho de Esteva, Douro, DOC, 2000, rubi intenso, espuma rosada, de cheiro jovem e frutado e sabor macio. Depois calmamente umas cerejas. Em cama de água e gelo. Dois dedos de conversa. Duas cerejas. Um café. Hoje fumei um charuto. Não digo a marca porque não faço publicidade ao tabaco. Numa de pedagogia.

PS. Felizmente o Schubert não lhe reconheceu o cheiro. Afastou-se enquanto eu refastelado no sofá ouvia as últimas na TV. Vocês estão a imaginar eu a chegar a casa e encontrar o Schubert de Monte Cristo (ops… descaí-me) na boca a ver a Telejornal? Havia de ser bonito, havia…
Extractos ao acaso

Un solo ser, pero no hay sangre.
Una sola caricia, muerte o rosa.
Viene el mar y reúne nuestras vidas
y solo ataca y se reparte y canta
en noche y día y hombre y criatura.
La esencia: fuego y frío: movimiento.

Pablo Neruda, El Mar


Vou sair, respirar o sol, banhar-me no vento, abraçar o mar. Depois pintarei o rosto de castanho claro.
Design

Tirou o último cigarro do maço
Tossiu.
Olhou para cima da estante
Onde um relógio de pau-preto,
Sem debruns nem de ouro nem de latão amarelo,
Mas com mecanismo suíço,
Lhe apontava as 4h32m.
Não teria tempo de comprar outro maço.

Sentou-se na cadeira, em couro enrugado, da secretária
Balançou a cadeira para trás
Esticou o braço
E enfiou o cigarro na boca da caveira de acrílico que lhe decorava a mesa.
Adormeceu de seguida.

AF in Livro das Artes
Religião

Obviamente, nem eu precisaria dizer isto, que as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores sabem que não sou nada de meter em assuntos religiosos. Nadinha mesmo. Eu nunca falei aqui em religião e prometo que irão passar várias luas até que o volte a fazer. Eu já fui católico (prefiro dizer isto do que utilizar o eufemismo de católico não praticante), baptizado, crismado e casado sob a bênção da igreja católica e por isso não me resta mais do que respeitar as convicções religiosas de cada um. Era o mais que faltava não respeitar os outros. No entanto um e-mail que recebi há uns dias e que por sorte não fez parte dos 75% que eu mando directo para o lixo sem abrir, tinha uma frase, que citarei mais tarde, a qual me inspirou estas linhas. Quando eu era solteiro, o meu, na época, futuro cunhado era já um fiel seguidor da igreja evangélica. Hoje é um proeminente pastor e uma pessoa de quem eu gosto muito. A sua personalidade religiosa, um tanto ao quanto ecuménica, permitia-lhe uma abertura de espírito para debater as igrejas e as religiões com outras orientações religiosas. Lembro-me nessa época de durante semanas a fio ele receber em sua casa, um duo mórmon e passarem horas a conversar. Vi-o discutir ideias com padres, com pessoas sem religião e com outras correntes evangélicas. Expectável era que, no caso dos mórmones, nem eles virassem Luteranos, nem o meu cunhado viesse a ser um futuro Elder. Como aliás se confirmou.
Comigo passou-se um caso até curioso e engraçado para ser contado. Quando eu era católico, todas as manhãs de Domingo eu assistia à Eucaristia Dominical na televisão. Pois era a essa hora que, não sei se de propósito ou apenas por coincidência de horários, sempre as Testemunhas de Jeová me tocavam a campainha. Um dos dias, convidei-os a entrar e os seus olhos brilharam. Conduzi-os à sala, onde a TV transmitia a Santa Missa, convidei-os a sentar e não só. Pedi-lhes que comigo assistissem à transmissão religiosa e que no final da celebração, então sim, conversaríamos. Não vale quase a pena vos contar o desfecho pois, é óbvio, que já adivinhastes. Não aceitaram o convite, o brilho nos olhos perdeu-se e saíram, educadamente.

Contado que foi o episódio e pedindo desculpa pela maçada da enorme introdução que fiz, vou partilhar convosco a frase que, pressupostamente é atribuída a um vivido sexagenário e que recebi no e-mail:

“As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas, consigo, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.”

Vocês podem ficar a pensar se tem ou não alguma verdade inserida. Eu tenho a certeza que sim.

segunda-feira, março 22, 2004

Extractos ao acaso

“Sinto que até mesmo para mim a onda se eleva. Incha; dobra-se. Tomo consciência de um novo desejo, de qualquer coisa que se ergue em mim como um cavalo orgulhoso, cujo montador esporeou antes de obrigar a parar. Que inimigo vemos avançar em direcção a nós, tu, a quem agora monto enquanto desço este caminho? É a morte. É ela o inimigo.”

In As ondas, Virgínia Woolf


Hoje um terrorista (Sharon) assassinou outro terrorista (Yassin); é a celebração da morte, da expansão da morte, da propagação da morte. Quem vai parar este cavalo, antes que o cavaleiro continue a esporear?
Lunch Time Blog

Pronto e lá voltamos nós à banal rotina dos almoços caseiros em dia de semana. Vamos ser confrontados com o estafado bife com batatas fritas, a costeleta grelhada, os filetes de pescada com arroz de ervilhas, as salsichas embrulhadas em couve lombarda, a posta de peixe cozida com grelos e, no fim, a maçã starking, o pêro bravo de esmolfe e, se tivermos sorte e o tempo der para mais, uma taça de morangos com ou sem chantilly. Resta-nos a consolação de chegar a casa e “o seu almoço já está pronto”. Obrigadinho. E a vingança! Sim a vingança de ir à garrafeira e escolher um bom vinho tinto. Pelo menos não se há-de estragar a tarde.

PS. Ainda bem que o Schubert está a dormir. Quando não, com três ou quatro miaus, teria vindo reclamar do post e obrigar-me a escrever este pêésse para colocar os pontos nos is. É que a escolha hoje não foi tão boa como isso. Límpido, de cor rubi, espuma vermelha fugaz e com um aroma ligeiro a madeira e a frutos, apenas se bebe. Foi Casaleiro, 2001 mas a um Puro Sangue Ribatejano ainda não chega lá. Pelo preço, bebe-se, não se pode dizer que tenha sido mal empregue. Vou deixar envelhecer um pouco mais as garrafas que me sobram. Talvez no final do ano eu tenha uma opinião diferente.
Escultura

Despiu-a.
Corrigiu-lhe a posição.
Um braço circundava a cabeça
Primorosamente colocado atrás do pescoço.
Ou outro corria-lhe pelo corpo.
Assentou-lhe uma mão sobre a púbis.
Ficou quieta.

O balde do gesso esvaziado sobre o corpo quieto.
Outro balde.
O corpo quieto.
Ainda outro.

O corpo continua quieto
Em exposição.

AF in Livro das Artes
Continua

Pouco a pouco, a historia está a crescer.

domingo, março 21, 2004

Lunch Time Blog

A alface é assim, picadinha. Faz-me lembrar quando a senhora Isabel, está a picar a couve para dar à criação. Só que quando ela está a fazer isso, eu estou sempre com os dois olhos bem abertos, não vá algum galo pensar que tem um competidor por ali. Mas as favas só têm um olhinho e, esse, mesmo assim a gente tira para fora. Depois, o Álvaro e a São é que trataram do entrecosto, dos chouriços, das mouras, dos cheiros. Amanhã quem vai tratar de mim é a Drª Anabela. Vai ser cá um raspanete. E eu ralado. Perdoa-se o bem que sabe ao mal que faz. Mas quando eu lhe disser que acompanhei com tinto do Esporão, a médica vai responder: “Bom, assim está bem!”.

PS. Quando regressamos a casa o Schubert estava a dormir, ao sol, entre o cortinado e a janela. A ele nem lhe perguntei o que almoçou. Seria sobre o almoço dele que ele estava a falar, quando me disse miauuuuuuuuuuuu?
Pesca

O pai pescador, a mãe pescadora, o filho pescador.
O avô pescador também.
O rio e a barragem.
As canas de pesca os anzóis afiados.
De dupla barbela.
Os achigãs, as carpas e os barbos…
Um a um introduzidos na manga.

Fizeram uma caldeirada de avô e avó.
Vazaram a manga na barragem.

Para preservação da espécie.

AF in Livro das Artes
Extractos ao acaso

“Se a mulher está em casa do amante e discute com ele, deve encolerizar-se e abandoná-lo logo. Depois de ele lhe ter enviado o Vita, o Vidushaka ou o Pithamarda para a acalmar e demover, ela deverá então seguir os mensageiros para passar a noite com o amante.
Assim terminam as discussões de amor.”

In KamaSutra, Vatsyayana

É tão bom saudar o regresso da Primavera!

sábado, março 20, 2004

Caça

O pai canibal, a mãe canibal, o filho canibal.
A floresta.
As flechas de pontas envenenadas
Apontavam as presas
Prendiam-nas.
A jovem canibal, ou não, refrescava-se na represa.
Nua, escultural, pura.
O filho acendeu a fogueira.
A água no caldeirão fervilhava.
Comeram a mãe.

À tarde regressaram a casa,
O pai canibal, o filho canibal,
A jovem, nua, escultural, pura
Canibal, ou não.

AF in Livro das Artes
Nunca mais tenho juízo

Eu devo ser meio estúpido. Se só meio estúpido for suficiente para me definir. Tenho a a mania de ler blogs por aqui e por acolá. Logo eu que, como vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores, não sou não sou nada de me meter em política, como também não sou nada de me irritar com as análises manipuladoras. Hoje, como sempre o faço, estive uns minutos valentes no Abrupto. E vejo que o José Pacheco Pereira, na sua postagem sobre Manipulação da Informação se insurge contra o que, ele, nos últimos dias, encontrou sobre este tema. Mas li e reli e voltei a ler. E não vi o Dr. JPP, escrever: “Ontem a RTP deu um exemplo claríssimo da sua independência, face ao poder. Se alguém tivesse dúvidas de que a RTP não manipula a informação, ao contrário de algumas outras televisões ibéricas, nem está ao serviço dos partidos do governo, poderia ter dissipado por completo essas mesmas dúvidas. O Sr. Primeiro-ministro foi entrevistado por 4, fixem bem QUATRO, jornalistas e apenas 3, fixem bem APENAS TRÊS, são claramente apoiantes deste governo”. Mas será que eu estava mesmo à espera de ler isso?
Continua

Três "fascículos" já moram.
Lunch Time Blog

Definitivamente aderi à globalização. A minha salada tinha tomate espanhol, alface e cenoura portuguesa, queijo de cabra grego, azeite de oliveira português e ervas aromáticas que não lhes descobri a origem. Depois veio a feijoada de chocos com gambas. As gambas eram de Madagáscar, o feijão branco (ou antes, os porotos alubia, cosecha 2003, origen Salta) eram argentinos e os chocos, sepia sp., vinham em embalagem espanhola. Se toda a globalização fosse assim eu aplaudia. Estava divinal esta refeição de Sábado. O vinho era branco, regional do Alentejo. Mas de vinhos brancos eu não falo. Estava fresco e soube bem.
Hoje fui ao barbeiro… estou tão bonitinho de chapéu novo.

Primeiro era o coxo. Não tenho recordações de muito, muito novo, mas dos meus 6 ou 7 anos, sim. Recordo-me de algumas coisas desse tempo. Ir ao Zé barbeiro era um suplício. Todos o conheciam pelo coxo, porque de facto o era. O Zé barbeiro, não sei se por ser coxo ou por ser barbeiro, odiava cortar cabelos a crianças. Eu acho que não há nenhum barbeiro que goste. Pegava no alicate (alicate sim, para mim era pior que um alicate, era um crocodilo) e toca de desbastar. Mas o Zé barbeiro gostava de mim. Pudera, eu ficava que nem uma estátua. Talvez porque aos meninos que cortavam o cabelo antes de mim, as ameaças de que, “daqui a pouco corto-te uma orelha”, me deixassem aterrorizado. Até que veio a moda dos cabelos compridos. Ufa! Pelo menos livrei-me de metade das idas ao barbeiro. Depois, o Zé barbeiro faleceu. E eu passei a ir ao algarvio. Só ía ao algarvio, porque ficava perto de casa e porque gostava do sotaque. Do corte e do penteado nunca gostei. Depois o algarvio faleceu. Há mais de 30 anos que vou ao Zé Manel. É um vício. Nunca vi nenhum benfiquista como ele. Deve ser o benfiquista que mais mal fala do seu clube. E o que ele se dana comigo, porque eu nunca falo mal do Glorioso. Olhem que nem no tempo do Vale e Azevedo eu conseguia falar mar do meu SLB. E é por isso que a gente se pega. Eu sempre a falar bem do Benfica e ele sempre a apontar-me os erros. Mas porque é que a gente não muda de barbeiro? Agora só quando ele falecer. Ou eu. Ou então quando, no calor da disputa, ele me cortar uma orelha.

sexta-feira, março 19, 2004

Lunch Time Blog

Estais obviamente admirados, amigas e amigos leitores. Eu sei, ninguém me contou, que pelo menos duzentos de vós tereis vindo aqui, hoje, pensando: “deixem-me lá ver o que é que o PreDatado almoçou hoje”. Depois foi a decepção. Este tipo não foi à Bairrada, pensarão alguns. Outros, o que é lhe terá dado para não ter ido comer aquelas amêijoas na cataplana, terá sido o defeso? E ainda aqueloutros, mais drásticos, terão imaginado, só pode ter sido um acidente, o PreDatado teve uma congestão com certeza, ele nunca fica sem sobremesa, pois desta vez comeu um gelado (congelado há mais de 6 meses), tirado daquela montra que abre e fecha em cada 5 minutos e truz, catrapuz, caiu para o lado. Pois alegrai-vos amigas leitoras e amigos leitores. Não foi nada de especial. É que, simplesmente, não almocei. E quem não almoça não tem o direito de escrever um blog à hora do almoço.
Farto de aldrabices e truques de ilusionismo...

Ontem, estive a ouvir uma entrevista na RTP ao sr. Primeiro Ministro. Não sei porquê, lembrei-me de um extracto da peça “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna. Vou reproduzir aqui esse pequeno extracto, em que João Grilo consegue vender um gato que “descome” dinheiro. Aqui em Portugal costumamos dizer “vender gato por lebre”. Nem sei porque me havia de lembrar disto.

JOÃO GRILO
Ah, mas aquilo é porque foi o cachorro. Com meu gato é diferente…
MULHER
Diferente de quê?
JOÃO GRILO
Porque em vez de dar despesa, esse gato dá lucro.
MULHER
Fora vaca, cavalo e criação, bicho que dá lucro não existe.
JOÃO GRILO
Não existe se não… Eu fico meio encabulado de dizer!
MULHER
Que é isso João, você está em casa! Diga!
JOÃO GRILO
É que o gato que eu lhe trouxe descome dinheiro.
MULHER
Descome dinheiro?
JOÃO GRILO
Descome, sim.
MULHER
Essa eu só acredito vendo.
JOÃO GRILO
Pois vai ver. Chico!
MULHER
Ah, e é história de Chico? Logo vi.
JOÃO GRILO
Nada de história de Chico, mas foi ele quem guardou o bicho. Chico!
CHICÓ (entrando com o gato)
Tome seu gato. Eu não tenho nada com isso.
(João dá-lhe uma cotovelada e apresenta o gato à mulher)
JOÃO GRILO
Está aí o gato.
MULHER
E daí?
JOÃO GRILO
É só tirar o dinheiro.
MULHER
Pois tire.

…. Aqui, vou fazer um pequeno salto. João Grilo, por duas vezes, usando artifício de ilusionista, tira dinheiro do rabo do bichano… mais à frente…

MULHER
Nossa Senhora é mesmo. João me arranja esse gato pelo amor de Deus.
JOÃO GRILO
Arranjar é fácil, agora pelo amor de Deus, é que não pode ser, porque sai muito barato. Amor de Deus é coisa que eu tenho, dê ou não lhe dê o gato.
MULHER
Quer dizer que não tem jeito de eu arranjar esse gato?

… Ao fim de alguma conversação a Mulher compra o gato por 500 mil reis ao João Grilo.

Continua

Será que vou conseguir? continua...

quinta-feira, março 18, 2004

Lunch Time Blog

Hoje a minha vontade era de ir ao Leo. O Leo é um restaurante em Setúbal onde o prato principal é choco frito. Existem outros, mas eu tenho por hábito ir ao Leo. Já comi choco frito em quase todo o litoral português, do Minho ao Algarve. Nunca comi igual ao que se come em Setúbal. Não lhe conheço o segredo tendo mesmo tentado cozinhá-lo em casa, por mais de uma vez, sem nunca ter acertado na fórmula. Sejam grandes os pedaços, sejam pequenos, sempre “al dente” como soi. Gosto de o comer na esplanada, acompanhar com salada mista de tomate e alface e um bom vinho branco. Fresquinho. Eu não sou um amante de vinho branco, mas com aquele prato cai bem. Levantei-me, fiz a barba, lavei os dentes, tomei um café, fumei um cigarro, li uma meia dúzia de blogs, voltei à casa de banho e água? Nem uma gota nas torneiras. Esperei até quase à uma da tarde, pois sem banho meus amigos, santa paciência, mas não saio de casa. Fiquei-me pelos lombinhos de porco preto. Mas vinguei-me. Reguei a refeição com uma Herdade de Espirra, 1999, DOC. Excelente.


PS. Eu sei que estão todos perguntando: e então o Schubert? O Schubert comeu a sua ração para gato bebé e o leitinho. Espero que nunca me obrigue a partilhar o Herdade de Espirra com ele. Era o que mais faltava… um gato besanas.
Ontem fui lá

É indescritível. Durante mais de 10 anos tive um lugar cativo na Catedral. Mesmo no último, em que eu sabia que não iria usufruir, a tempo inteiro, da minha cadeira, eu paguei o meu lugar. Queria, é certo, tirar algumas vantagens, pois saberia assim que seria dos primeiros a ser convidado para um lugar na nova. Mas a vida tem destas coisas e não me senti, nem com coragem, nem com disponibilidade mental (e material, diga-se de passagem) para pagar a exorbitância que me era exigida, para reservar um lugar no novo estádio. E digo bem, reservar, pois para assistir aos jogos eu teria sempre de adquirir o respectivo ingresso. No antigo, o preço do lugar incluía também o valor da entrada. Não era barato mas era acessível. Por isso eu fiquei triste e fui resistindo, resistindo, resistindo. Mas ontem fui lá. O resultado era importante, sem dúvida. Gosto que a minha equipa ganhe sempre, sabendo eu quão difícil o é nos tempos que correm. Mas eu não fui só ver o jogo. Fui ver a Nova Catedral. É indescritível. Vocês, amigas leitoras e amigos leitores, mesmo que nada os ligue ao Glorioso, precisam ir lá ver. Depois não descrevam. Retenham apenas na memória.
E agora algo completamente diferente

Hoje acordei com vontade de escrever a sério. Vamos ver como me vou sair desta. O 25 de Abril fará este ano 30 anos que aconteceu. Apesar da pompa e da circunstância que as comemorações oficiais irão, pela certa, ter, a memória já é quase só de alguns. Em anos anteriores aborreceu-me ao ver na televisão e ler em jornais um conjunto de entrevistas aos mais jovens, àqueles que nasceram já depois do 25 de Abril de 1974, a ignorância demonstrada sobre o que foi. Tão mau como não saber o que aconteceu no 25 de Abril, é também a percepção do desconhecimento do seu enquadramento. Nessas entrevistas a certos jovens cheguei a ouvir respostas arrepiantes do tipo, “o 25 de Abril foi uma revolução para o Marcelo Caetano derrubar o Salazar”, “Pide? Não nunca ouvi falar”, “parece que havia um regime comunista do Salazar que a esquerda quis derrubar”, “havia uma guerra entre Portugal e Angola e então deu-se a descolonização em 25 de Abril”, entre outras aberrações. O que vou escrever nos próximos dias, e espero que não me falte a inspiração, não pretende explicar o 25 de Abril a ninguém em geral. É para oferecer a duas pessoas em particular. Aos meus filhos, à Ana – 22 anos - e ao João – 19 anos – que, obviamente, nasceram depois do 25 de Abril. E embora eles o saibam, porque várias vezes temos conversado sobre isso, cá em casa, talvez sirva para mais tarde eles, ao relerem, os ajudar a explicar o que foi aos seus próprios filhos.
No entanto o Predatado não irá ter qualquer alteração aos seus hábitos de escrita de coisas comuns do quotidiano, do jeito que eu mais gosto de fazer. Por isso decidi criar uma outra página onde a “estória” que vou contar irá evoluindo ao longo dos dias. Chama-se Livro De Contos e está aqui nesta morada. Se o engenho me permitir continuar depois de terminado o meu conto sobre o 25 de Abril eu continuarei a romancear. Se a imaginação ou o enfado me atacarem, eu fecharei o sítio. Para já comecei hoje, depois se verá.

quarta-feira, março 17, 2004

Vinte e seis

Há mais de duas décadas que fazemos um almoço comemorativo da nossa licenciatura. No entanto, ultimamente, a malta tem andado muito relaxada. O ano passado quando toda a gente estava à espera que fizéssemos a comemoração das bodas de prata, a comissão organizadora, que nem sei se estava nomeada, baldou-se. Então eu e o Artur decidimos que, mesmo sem comissão, deveríamos ser nós a organizá-lo. Vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores que eu não sou nada, mas nada mesmo, de vos fazer ler coisas com as quais vós não vos identificais. Normalmente só escrevo sobre os grandes problemas de Portugal e do Mundo como, por exemplo, as cheias lá na minha rua, durante o Inverno, porque os ralos de escoamento das águas pluviais nunca são limpos a tempo e horas, da sandes de presunto que se come no Zé Luís e outras coisas assim transcendentes para quem vive neste pobre planeta de águas, um pouco por aqui e acolá, ainda azuis. Mas caramba, não é preciso levar a coisa sempre assim tão a sério, e de vez em quando usar este blog para coisas exclusivamente privadas também não é coisa para se levar a mal. (Escrevi entre coisas e coisa uma data de vezes, mas fica mesmo assim, senão a coisa não soa bem). É assim que vos anuncio que serei eu e o Artur a organizar o tal convívio dos 26 anos. E porquê 26? perguntarão as minhas leitoras e os meus leitores. Até parece que vos estou a escutar em uníssono a fazer a tão fora de propósito pergunta. Ora ele há boas razões. È por ser um número redondo. Exactamente! Não é uma dezena, nem uma dúzia. Não é um quarteirão, nem uma centena. Não é o 5º, nem o 10º, nem o 15º, nem o 20º, nem o 25º, nem por aí fora. Nem vinte e seis é um número primo! Nem tão pouco é 3 vezes 9 e por mais estranho que vos pareça se lhe tirarem a prova dos nove não dá noves fora nada. Dá 8. E oito é um número redondo. Duplamente redondo.
Lunch Time Blog

Por mim, ele trabalhou num lagar de azeite. Ou então foi pescador. Virou-lhe o capelo e o bicho ficou do avesso. Deu-lhe um pequeno entalão que é como quem diz, um banho de água a ferver. Depois no carvão aquele toque de quem grelha o que antes parece cozido. As batatas não combateram com Cassius Clay, mas os murros foram dados à maneira. Regado com azeite puro de oliveira, onde o alho fora previamente alourado, uma cebola às rodelas sobre o polvo. Polvo à lagareiro. Não sei se é um prato típico português. Mas o cozinheiro é.
Banal / humilde

O nome do blog é esse. Homem Banal. Eu acho que é humilde, por se considerar banal. Leiam como ele escreve e depois digam-me. E não é publicidade gratuita. Bom, é gratuita mesmo, porque não passo recibo. Experimentem ler e vejam se eu não tenho razão. E depois fico aqui a pensar que o Pipi é que vende livros. Com direito a reportagens fotográficas e a links de tudo quanto é cantinho. Para ler pornografia barata. Barata não, parece que o livro até é caro. Mas adiante que essa não é minha praia
Fintas

Ontem tivemos visitas. A casa estava cheia e isso para o Schubert foi novidade. Há-de acostumar-se porque o dono não é nada de ter a casa vazia, como aliás vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores. Nada mesmo. Se o dono do Schubert pudesse, estaria sempre em festa. E para o Schubert cada um desses dias seria dia de demonstração de novas habilidades. A minha ciática é que iria piorar de certeza. È que eu também ando de gatas a brincar com ele. E o Figo que se cuide, pois ontem, aprendi com Schubert a fazer umas fintas novas. Só falta aprender a rematar à baliza. Mas isso é outra história. Vou hoje ver o Benfica para ver se aprendo… ou não

terça-feira, março 16, 2004

Sobremesa (II)

Encaro-a. Primeiro observo a cor.
Aprecio mais sua tez escura,
E, quando lhe toco, sentir brandura.

Vê-la clara, acalma-me o ardor
Com que pedi para me a trazer.
Recuso-a. Que mais posso fazer?

Por mais que digam que é bom,
Tem de haver uma maneira,
Para a gente perguntar
(Sem parecer de mau tom),
Antes de ela chegar…
A vossa mousse é caseira?

Alves Fernandes in Sobremesas
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Porco. Javardo. Suíno. Nas palavras cruzadas chamam-lhe Tó. Bácoro. A cabeça, a faceira, a pá, a unha, o chispe, a entremeada, a rabadilha, o ganso, o entrecosto, a banha, o torresmo, o lombo. Aquela massa de pimentão. Os alhos, o molho, o pão a molhar no molho. Os triglicémios a subirem em flecha. Hoje preferi-lhe as costoletas. São dias.