terça-feira, abril 06, 2004

Lunch Time Blog

Apesar de ainda estarmos em Abril as sardinhas já começam a estar gordinhas. Não eram muito grandes, poderíamos chamar-lhe só petingas. Um calor de cada lado e estavam prontas para comer. Uma salada mista acompanhou a dúzia delas.

PS. O Schubert telefonou-me para me dizer que queria ser um humano como eu, que come peixe demais
Teatro

Pum Pum
Pum Pum Pum
Pum
Pum Pum Pum

Eu finjo
Tu declamas
Ele ri
Nós aplaudimos
Vós gritais
Elas choram

O pano baixou.

AF in O Livro das Artes

segunda-feira, abril 05, 2004

Concurso

Ai meus Deuses. Eu nem sei se hei-de escrever isto ou não. Vós sabeis minhas amigas leitoras e meus amigos leitores que eu não sou nada de brejeirices. Até estou envergonhado, mas quando o Malato perguntou: "Fácil ou Díficil?" e ela respondeu "Díficil" eu pedi-lhe para me colocar as pernas nos ombros. Ai meus Deuses...olhem eu tão coradinho.
Saramago

Confissão 1: Ainda não comprei nem li o último livro de José Saramago.
Duvida 1: Depois do que li e ouvi, já quase o conheço. Não sei se valerá a pena comprar.
Constatação 1: O livro é uma merda, as ideias são uma merda, o homem é uma merda.
Constatação 2: Há duas semanas que os jornais, as rádios, as televisões entrevistam o Saramago, fazem debates, emitem opiniões, reflectem, criticam.
Duvida 2: Se é uma merda assim, porque perder tanto tempo com ele?
Dúvida 3: Porque é que perdem tanto tempo assim com ele e não com o “emplastro”?
Confissão 2: Eu gosto de ler Saramago, “prontes”!
Confissão 3 e última: Eu não voto em branco.

PS. Como vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores eu não sou nada de me referir a escritores e muito menos de me meter em política. Mas não resisti em ironizar um pouco toda esta polémica à volta de um romance. As opiniões valem o que valem, agora a hipocrisia de se andar a bater numa pessoa só porque ela tem ideias diferentes daqueles que dominam os media em Portugal e ainda por cima desvalorizando a pessoa, o escritor e as ideias, é que me parece de um mau gosto execrável. Eu quando não gosto não como e principalmente se não gosto do restaurante não vou lá. Eu também não vejo a TVI e não venho para aqui falar mal dela. Não vejo e pronto. Se fosse um escritor de direita a escrever as “aleivosidades” que são atribuídas ao Saramago, será que esta polémica teria a mesma repercussão? Ao que isto chegou. E digo ainda mais, não vi uma única crítica literária sobre o livro. E digo também ainda mais. Ainda esta semana na quebradura do círculo da SIC Notícias, vi, dos tristes comentadores desse programa, dois deles a cagarem (literalmente) postas de pescada sobre o livro e a confessarem que não o tinham lido. Ao que isto chegou.
Lunch Time Blog

PV. Perguntei ao empregado porque é que o espadarte era PV. Ele disse-me que era ao Kg. Olhei para as postas, pareciam-me todas iguais. Está bem, pode pesar essa. Grelhado e uma salada de alface. Perguntei-lhe depois se ele amukinou a alface. Não percebeu. Eu também não estive para explicações (não vi ninguém espirrar). Comi a salada. Acho que ando a ver publicidade a mais. Estou admirado como é que há tantos meses não ponho uma nódoa na gravata. Para eles me trazerem o Johnsson? Se a publicidade tivesse cheiro…

PS. Schubert estou a ficar mais gato do que tu.
Continua

Terminei hoje o Capitulo II. Amanhã iniciarei o terceiro e último. Espero terminar este conto dentro de uma semana, portanto, antes do 25 de Abril. Como tinha prometido.
Ilusionismo

Tirou um coelho de uma cartola.
Um ramo de flores de uma jarra.
Dois ases de copas de um só baralho.
Encheu uma garrafa com Curaçao azul
A partir de um jarro de água.
Espetou seis espadas na caixa
Da contorcionista.
Tirou do bolso um rolo de papel higiénico,
Uma tesoura e começou a recortar.
No final apresentou como resultado
Da sua obra de arte
Uma página de papel de jornal
Com uma frase a criticar
O Ministério da Cultura.
Dois partenaires de fato escuro,
Gabardina e óculos de sol,
Arrastaram-no consigo.
Nunca se conseguiu fazer aparecer.

AF in O Livro das Artes

domingo, abril 04, 2004

Higiene

Embora ainda o seja, hoje foi Domingo. Aos Domingos armo-me em snob, e decido ser diferente. Por isso, hoje fiz a barba, não fui comprar o jornal em pijama e roupão, não vesti o fato de treino, não foi ao supermercado passear o dito, não fui dar uma volta pelos shoppings, não me meti na fila de trânsito de nenhuma A, não fui passear pelo paredão da Costa da Caparica, não vi o Jornal Nacional da TVI nem o inevitável Marcelo e não vou ver o Herman na SIC.
Ai como estou muito lavadinho.
Empatas

Em casa vemo-nos "à rasca". Fora só empatamos. Somos uns empata foras.

PS. Uma vez Benfica, Benfica até morrer!
Lunch Time Blog

Cebola às rodelas, alho laminado, pimentos vermelhos e verdes cortados às tirinhas, tomate cortado às rodelas, chouriço cortado aos quadradinhos pequenos (hoje foi usado, de porco preto de Barrancos), um piri-piri, uma folha de louro, um raminho de salsa, um pouco de azeite puro de oliveira no fundo da frigideira (pode-se usar uma caçarola de fundo largo) e vinho branco. Estufamos em lume brando. Este foi o molho / tempero que o pargo previamente deitado no fundo de um tabuleiro de barro ganhou, ao fim de algumas horas de descanso em sal e sumo de limão. Depois cortamos as batatinhas em quadrados e cercamos o pargo por todos os lados, não antes de as termos feito rolar num alguidarzinho com sal, q.b. e azeite. Foi ao forno e assou lentamente em lume brando. Cerca de duas horas naquele calorzinho, qual garina no solário e regado de 15 em 15 minutos com o próprio molho, para não secar. O vinho, hoje, optou-se por um branco alentejano. Conventual da Adega Cooperativa de Portalegre. Citrino e de aroma frutado, portou-se à altura de tão faustoso repasto. Os morangos no final deram aquele agridoce que se impunha à mistura dos azeites e das leguminosas. Um café moído na altura e um charuto que acabei agora mesmo de fumar, vão-me deixar a tarde em ponto rebuçado. Como eu gosto. Calma, tranquila que a semana é já amanhã.

PS. O filho de um amigo meu, um dia que almoçamos juntos, ao chegar a hora da sobremesa e depois de ter comido, sozinho, um bife à casa para duas pessoas, pediu como sobremesa, uma sandes de fiambre e um galão. O Schubert já tinha almoçado. A sua ração sólida para gatinhos misturada com uma goluseima das latinhas da Whiskas. Como sobremesa, uns pedacinhos de pargo, minuciosamente escolhidos. Sem espinhas, nem temperos. Ai puto gato, que qualquer dia não cabes nas portas!
Frangos

Definitivamente, Vítor Baía não gosta de Pinto da Costa. Na passada terça-feira, Moreira guarda-redes da selecção de esperanças é altamente responsável por um dos golos sofridos pela selecção portuguesa. Na quarta-feira, Ricardo dá um frango monumental no jogo da selecção A. Depois da derrota contra a Itália, ninguém calou o presidente do FêCêPê. Apesar de não o ter argumentado, todos sabemos, que a origem desta animosidade contra Scolari tem a ver com a não convocação de Vítor Baía. Então não é que o guarda-redes do Porto se lembrou ontem de dar uma bofetada ao Pintinho da Costa? Toma lá dois frangalhões que é para aprenderes. Pela boca morre o peixe. E nem os tubarões duram para sempre.
Continua

Eu tenho escrito. Vocês têm lido?
Música

Tinha uma paixão.
Sentou-se,
Aqueceu os dedos.
Alguns estalidos ecoaram no silêncio da sala.
Atacou o piano
Com Chopin.
Os primeiros acordes de Nocturnos op. 48
Faziam-se agora ouvir.
Primeiro em Do menor,
Depois em Fa sustenido.
Doze minutos e vinte segundos depois
Ouviram-se as primeiras palmas.
Ainda não estava suficientemente excitado.
Entre a op. 55 parte um, em Fa menor e
A parte dois em Mi bemol maior
Começou a arfar.
O suor escorria-lhe pela face
E só a respiração ofegante
Atrapalhava a melodia.
Parou um pouco.
Na plateia nem um ruído.
Tirou de uma caixinha de meia dúzia,
Um preservativo.
Colocou-o no piano (não no órgão) e teve um orgasmo.

AF in O Livro das Artes

sábado, abril 03, 2004

Lunch Time Blog

Afazeres de carácter social, amizade e solidariedade, não deram tempo para um almoço de Sábado como o que seria de prever. Ainda assim, as natas estavam bem cremosas, os cogumelos (as minhas leitoras e os meus leitores mais chiques, leiam champignons por favor), eram de primeiríssima qualidade, e os escalopes tenros, como só o meu amigo do Talho 30 no Laranjeiro é capaz de vender. Mergulhados naquele molho que me encheu de pão (depois queixo-me das calças me deixarem de servir), a triglicémia a rir à gargalhada, o colesterol a bater palmas, o meu alfaiate a esfregar as mãos de contente, lá estavam os escalopinhos calmos, indiferentes, sem darem por nada e sem se queixarem a cada golpe de faca. Hoje apenas bebi um copo de vinho tinto, um excelente Douro, porque o tempo era pouco e não pude ficar no repasto. Mas fiquei de barriguinha cheia.

PS. Schubert seu guloso. Hoje foi dia de festa hein? Comeste um escalope grelhado, feito especialmente para ti. Agora vai-te queixar à veterinária que os teus donos só te dão ração, que eu te meto a pão e água durante vinte e quatro horas.
Vendo

Uma motorizada em segunda mão.
Dois rolos de fotografia 35mm, quase novos.
Seis pares de calças, que me deixaram de servir (tenho umas um pouco coçadas nos joelhos, faço bom preço).
Uma caixa tuperware cheia de berlindes.
Quatro conjuntos de gillette sensor, por estrear.
27 balões de água para brincar ao Carnaval.
Uma batedeira eléctrica novíssima.

Mas não vendo nem macela, nem a respectiva infusão.
Por isso pergunto quem é que no google se lembra de vir ao meu blog à procura de “onde comprar macela em Portugal”!

Agora digam lá se não tenho leitores tão ecléticos.
Pintura

Dois riscos, a trincha grossa vermelha sobre a tela.
Ao longe, ouvia-se uma valsa de Strauss.
Os pincéis valsavam aqui, ali e de novo aqui.
Compondo a obra.

Na parede não se ouve nada.
Olha-se. E os pincéis, incansáveis
Continuam, agora mais lentamente,
A valsar.

O pintor morreu em valsa lenta.

AF in O Livro das Artes

sexta-feira, abril 02, 2004

Snooker

PreDatado 154 x Disperso 113

Oh puto ainda vais levar mais. Não treines não!
Calma

Hoje foi o Ritto. Calma, eles vão sair todos. Só falta saber quando é que prendem o Juiz Rui Teixeira e os miúdos da Casa Pia. Já faltou mais. Calma!
Crónicas

Graças a uma atribuição de prémios aqui pela escrita bloguistica descobri um estupendo site. Para a autora o meu aplauso. Também pelo prémio, mas especialmente pelo blog. Bravo!
Lunch Time Blog

Querida leitora e, barra ou, querido leitor. Imaginem uma grande travessa. Daquelas capazes de comportar um leitão inteiro, daqueles que a gente vê nas festas, com limão na boca e raminho de salsa no nariz. Imaginem à volta o feijão verde sedoso, a cenoura cortada longitudinalmente em gomos de quatro. Imaginem as batatinhas cozidas e os ovos. Também cozidos. Agora no meio coloquem, com os olhos bem brilhantes uma enorme cabeça garoupa. Até os ossinhos se chupam. Agora imaginem um tipo que só gosta dos lombinhos do peixe. Aqueles muito fresquinhos, assim a saltarem da parte posterior da cabeça do peixe. Onde não há espinhas, parece tudo uma febra. Bom, se já imaginaram tudo vamos cair na realidade. O tipo que só gosta dos lombos, sou eu. Os outros deliciavam-se com o que eles dizem que é o melhor. Se calhar até é. E eu ralado. Não sou gato.

PS. Falar em gato. Oh Schubert vê lá se cresces e apareces para te sentares à mesa connosco nestes pitéus. É que gato que é macho, não dispensa uma cabeça de garoupa, pá!