domingo, abril 18, 2004

Atrasado

Como sempre em relação a qualquer filme. Nunca o vejo quando está na berra. Hoje vou ver a "Paixão de Cristo". Quero ver se percebo o assassinato de Abdel Aziz a-Rantissi.
Bom dia!

" A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas"

Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva


Acordei chovido. Não vejo as abelhas, nem as formigas, nem os passáros. Céus por favor mandem-me uma andorinha. Quero planar na tua liberdade.
Perspectivas

Publiquei anteriormente uma postagem com uma fotografia de umas colunas, em que se olhando sobre determinada perspectiva parecia que as colunas eram cilíndricas, mas o desenho fora concebido para também poderem ser vistas como tivessem a forma de paralelepípedo.
Lembrei-me da perspectiva de quem olha para uma garrafa meia de whisky, que se for o dono da mesma pensa que já está meia vazia, se for o convidado, que ainda estará meia cheia. O meu pai na brincadeira sempre que completa um ano de aniversário costuma dizer, eu ainda só tenho 74 anos. Aqui o Joaquim é que já tem 74.
Poderia dar imensos exemplos, mas não foi para dar exemplos que decidi escrever este texto. Ontem à noite encontrei no café o Zacarias (nome fictício, como hoje é costume escrever nos jornais, como se tivessem escrito o nome próprio a gente viesse a saber quem é… coisas da moda), dizia eu o Zacarias. Depois do abraço, e do oh pá há tanto tempo que não te via etc. e tal, perguntei-lhe pela família e como ia o casamento. Ao que ele me contou a deliciosa história que reproduzo:

A semana passada surpreendi a minha mulher em casa na cama com outro... Devagar fui à sala buscar uma pistola que costumo ter escondida numa gaveta, com a intenção de matar os dois… parei para pensar e fui percebendo como a minha vida de casado tinha melhorado nos últimos tempos. A minha mulher já me não pedia dinheiro para comprar carne, aliás, nem para comprar vestidos, jóias e sapatos, apesar de todos os dias aparecer com um vestido novo, uma jóia nova ou uma sandalinha da moda. Os meus filhos mudaram da escola oficial para o externato mais fino lá da zona. Só para veres, ela trocou de carro, apesar de eu estar há quatro anos sem aumento e ter decidido dar um corte radical na mesada que lhe costumava dar. Quanto a despensa recheada nem se fala. Lá em casa nunca tivemos tanta fartura quanto ultimamente. E as contas da luz, água, gás, telefone, internet, telemóvel e cartão de crédito, faz tempo que ela não me pede um tostão e está sempre tudo pago. A verdade é a que a minha mulher está mesmo um avião, a gaja nunca esteve tão boa nem tão apresentável em toda a vida dela.

Resolvi guardar de novo a arma. Saí, pé ante pé para não incomodar nenhum deles e, escada a baixo, vim a pensar sozinho: O tipo paga o empréstimo da casa ao banco, o supermercado, a escola das crianças, as contas da casa, o carro, o shopping, todas as despesas e eu ainda vou para cama com ela todos os dias... Concluí, meu caro Pre, que o corno afinal é ele pá.


Demos aquela bacalhauzada, despedimo-nos, então até à próxima Zac e agora quem saiu, devagarinho, a pensar fui eu, ‘perspectivas, pá’.

sábado, abril 17, 2004

Resistência

No dia 29 de Outubro, inaugurei a minha escrita em forma de blog. Fará seis míseros mesitos em breve. Em Fevereiro, o meu filho ensinou-me a colocar um contador de visitas. Passei a saber que alguém o lia e a minha responsabilidade, em ter de dizer uma coisa séria por cada mil quatrocentas e trinta e duas parvoíces, aumentou. Mas sempre resisti a ter comentários por duas razões fundamentais:

1. O que está dar são os chamados blogs políticos. Ou para-políticos. Aí a guerra de comentários faz algum sentido. Sem falsas modéstias, acho que o meu blog não acrescenta nada ao panorama da escrita nacional (certeza absoluta!), mas essencialmente diverte-me (nova certeza absoluta!). A quem mais poderia divertir que levasse a que o comentassem?

2. Na remota hipótese de alguém perder tempo a deixar um comentário, eu ver-me-ía na obrigação, por uma questão de educação e por consideração a quem tem a pachorra de aqui vir, de dar uma, mesmo que pequena, resposta ou agradecimento. Na realidade não previ ainda se tenho essa capacidade, quer em termos qualitativos (novamente, juro, sem falsa modéstia), quer em quantidade de tempo.

No entanto, ultimamente, têm-me chovido (literalmente) e-mails a solicitarem-me que colocasse uma caixinha de comentários para me puderem dizer algo sobre o que escrevo. Além disso, tenho reparado em comentários noutros blogs, referindo o meu e lamentando o facto de não o poderem fazer aqui mesmo.

A minha resistência foi-se. Não sejam maus / más para mim!
Mentira

A minha amiga Catarina, convidou-me para ver o PC novo dela. De facto é uma bomba. Depois conversa para aqui conversa para acolá, lá fomos falando do velho laptop sem acentos.
- Sabes Pré, estive quase para colocar o meu velho lap no lixo…
- Não o fizeste Cat?
- Não! Que é isso, meu? Ainda vale umas coroas.
- Os PCs usados não valem nada Cat.
- Mas eu dei um jeitinho nele. Queres ver?
- Mostra lá essa peça de museu, pedi eu sem qualquer real interesse.
- Vê como está lindinho. A partir de hoje, a Lili não o dispensará jamais.




PS. Como o próprio título indica.
Lunch Time Blog

Detesto. Detesto entrar no restaurante à hora que deveria estar a sair do dito. Vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores que eu não sou nada de protestar. Nadinha mesmo. Mas quando me dão os azeites, aí, vós podereis vir a conhecer o verdadeiro PreDatado. E não é dos azeites puros de oliveira que eu costumo falar neste meu querido blog. Não, não. São os outros… os que parecem mostarda no nariz. Para começar as mesas estão cheias. Gente a mastigar, uns com a boca aberta, outros não e a gente ali a olhar para aquilo. Depois são eles, coitados a tentarem despachar-se porque estão para ali, uns pobres esfomeados a precisarem de mesa. Nem comem descansados. Com a boca aberta ou não. Isto, os que reparam. Porque os que não reparam, porque ainda estão a discutir se a jogada de há quinze dias foi penalty ou não e, os que fingem que ninguém está à espera, ainda me dão mais nervos. Então não se vê logo que estamos a morrer de fome, seus homicidas involuntários de um raio? E os empregados a correrem de um lado para o outro a atravessarem o meio da fila dos famélicos “é só um jeitinho faxavor”. Um jeitinho uma ova. Ai meus deuses, que pensamento, que raiva. Ova? De pescada com grelos e o tal fio de azeite puro de oliveira? Ai que eu desmaio. Finalmente a mesa. Ufa… e “o qué que vocelências vão desejar?”. Olhe amigo, eu desejo que não me chateie e espere, que agora é a minha vez, está bem? Ou eu não tenho o direito de fazer esperar ninguém.? Que almoço! O vinho para começar vinha fresco. Mas esta gente não sabe que refrescar o vinho tinto para trazer para a mesa é crime? Bom, eu não sou jurista, nem legislador, mas se o fosse, isso já estaria pespegado no Código Penal. No mínimo 3 semanas de cadeia a pão e ÁGUA! Depois o peixe e, a pedido, as batatinhas… deslavadas. Salvaram-se as petingas. Gordinhas. Até deu para molhar o pão na gordura da travessa. Vou ali tomar um digestivo no bar da esquina e já volto.

PS. Schubert amigo, de que cena te livraste. E tu que mias por tudo e por nada, não te estou nada a ver na fila de espera por uma mesinha. Ia ser o bom e o bonito. Uma sinfonia de Schubert em miau maior.
Gatos

A esta hora na net, na hora dos gatos. Tenham um bom Sábado que eu vou dormir. Fiquem com The Song of the Jellicles:

Jellicle Cats come out tonight,
Jellicle Cats come one come all:
The Jellicle Moon is shining bright--
Jellicles come to the Jellicle Ball.

Jellicle Cats are black and white,
Jellicle Cats are rather small;
Jellicle Cats are merry and bright,
And pleasant to hear when they caterwaul.
Jellicle Cats have cheerful faces,
Jellicle Cats have bright black eyes;
They like to practise their airs and graces
And wait for the Jellicle Moon to rise.


Jellicle Cats develop slowly,
Jellicle Cats are not too big;
Jellicle Cats are roly-poly,
They know how to dance a gavotte and a jig.
Until the Jellicle Moon appears
They make their toilette and take their repose:
Jellicles wash behind their ears,
Jellicles dry between their toes.


Jellicle Cats are white and black,
Jellicle Cats are of moderate size;
Jellicles jump like a jumping-jack,
Jellicle Cats have moonlit eyes.
They're quiet enough in the morning hours,
They're quiet enough in the afternoon,
Reserving their terpsichorean powers
To dance by the light of the Jellicle Moon.


Jellicle Cats are black and white,
Jellicle Cats (as I said) are small;
If it happens to be a stormy night
They will practise a caper or two in the hall.
If it happens the sun is shining bright
You would say they had nothing to do at all:
They are resting and saving themselves to be right
For the Jellicle Moon and the Jellicle Ball.

in Old Possum's Book of Practical Cats, T.S. Eliot

sexta-feira, abril 16, 2004

Ilusões

Devo estar completamente bêbado. Olho para isto e as colunas parecem cilindros. Depois olho outra vez e as colunas parecem paralelepípedos. Ah já sei... é dos óculos.

Almada

Esta foto foi tirada no Concelho de Almada, numa zona perto do cemitério do Feijó. Para que não se ponham por aí a adivinhar e não pensem que a trouxe de um país subdsenvolvido na África ou Extremo Oriente. Feito que foi o esclarecimento, devo dizer que fui buscá-la ao fotoblog do Artur, ao qual solicitei autorização, uma vez que foi ele próprio quem a tirou. Com a devida vénia a reproduzo. Já sei que vou irritar o meu irmão, indefectível apoiante da edilidade Almadense, mas eu é mais cabeça, menos coração. Portanto, como diz o povo "o que é bom é pra se ver", cá vai disto. Vós, amigas leitoras e amigos leitoras ides me perdoar, mas não vou fazer comentários.

Lunch Time Blog

A fase das canjinhas já lá vai. O ritmo gastronómico do bem comer e bem beber há-de recomeçar em breve. Coisas ligeiras, grelhadas. Hoje foi um bifinho tártaro (que grande eufemismo para hambúrguer, biaaaccc), com um arrozinho branco. Estão a ver como eu estou atinadinho? Acompanhei com uma reserva do Luso, 2004. Sim porque eu tenho sempre aguinha de reserva para estas crises. Ai que saudades ai, ai…

PS 1. Enquanto almocei, o Schubert sentou-se no meu colo para me dar mimos. Nota-se no ficinhito do bichano, o quanto ele anda com dó de mim.

PS 2. As minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores sabem que eu não sou nada de diminutivos. Nadinha mesmo. Mas a quantidade de inhos e itos que esta postagenzita e respectivos pêésses têm, dá para vós verdes quanto eu ando carente de uma bela feijoada e de um bom tinto da talha. Ai que carinhoso que é o feijanito e o tintinho.
Ao Acaso

1. Pegue no livro que estiver mais perto de si.
2. Abra-o na página 31.
3. Sublinhe a lápis a primeira frase completa que encontrar.
4. Publique-a no seu blog, juntamente com estas instruções.

No meu caso, o livro mais perto de mim tem como título Kama Sutra da autoria de Vatsyayana. E a 1ª frase completa da 31ª página é esta:

"Tudo isto deve ser rigorosamente executado e o cuidado deverá ir ao ponto de eliminar das axilas o cheiro a suor".

Encontrei na Duende que o encontrou no Canto do Melro que o encontrou no Substracto que, por sua vez, o encontrou em Caterina.net.
Terminei

Acabei hoje de escrever o último parágrafo deste pequeno romance. Não tem nenhuma pretensão especial. Foi escrito com um objectivo concreto. Passo a reproduzir a postagem que coloquei no dia 18 de Março quando me atrevi a esta tarefa:

Hoje acordei com vontade de escrever a sério. Vamos ver como me vou sair desta. O 25 de Abril fará este ano 30 anos que aconteceu. Apesar da pompa e da circunstância que as comemorações oficiais irão, pela certa, ter, a memória já é quase só de alguns. Em anos anteriores aborreceu-me ao ver na televisão e ler em jornais um conjunto de entrevistas aos mais jovens, àqueles que nasceram já depois do 25 de Abril de 1974, a ignorância demonstrada sobre o que foi. Tão mau como não saber o que aconteceu no 25 de Abril, é também a percepção do desconhecimento do seu enquadramento. Nessas entrevistas, a certos jovens cheguei a ouvir respostas arrepiantes do tipo, “o 25 de Abril foi uma revolução para o Marcelo Caetano derrubar o Salazar”, “Pide? Não nunca ouvi falar”, “parece que havia um regime comunista do Salazar que a esquerda quis derrubar”, “havia uma guerra entre Portugal e Angola e então deu-se a descolonização em 25 de Abril”, entre outras aberrações. O que vou escrever nos próximos dias, e espero que não me falte a inspiração, não pretende explicar o 25 de Abril a ninguém em geral. É para oferecer a duas pessoas em particular. Aos meus filhos, à Ana, 22 anos e ao João, 19 anos que, obviamente, nasceram depois do 25 de Abril. E embora eles o saibam, porque várias vezes temos conversado sobre isso, cá em casa, talvez sirva para mais tarde eles, ao relerem, os ajudar a explicar o que foi, aos seus próprios filhos.
No entanto o Predatado não irá ter qualquer alteração aos seus hábitos de escrita de coisas comuns do quotidiano, do jeito que eu mais gosto de fazer. Por isso decidi criar uma outra página onde a “estória” que vou contar irá evoluindo ao longo dos dias. Chama-se Livro De Contos e está aqui nesta morada.


Gostaria de lhe dar um título. “Sonho Lindo”. Sei que politicamente muitas das minhas leitoras e muitos dos meus leitores, mesmo que se identificando com o 25 de Abril de 1974, não se identificarão comigo, na quebra do sonho. Mas como Martin Luther King, “eu (também) tive um sonho”.
Estranho

Até ontem entrar no meu blog através de www.predatado.blogspot.com ou predatado.blogspot.com era completamente indiferente. Hoje reparei que a entrada via www.predatado.blogspot.com apenas me apresenta os posts colocados até dia 15, embora entrando por predatado.blogspot.com o blog aparece actualizado.

Se alguma ou algum dos meus leitores conhecer uma explicação para o facto ou uma forma de solucionar agradecia informação para o meu e-mail: vmaf_2002@msn.com

Muito Obrigado
Bom Dia!

" ...tu tens a liberdade de ser tu próprio, o teu verdadeiro eu, Aqui e Agora; nada se pode interpor no teu caminho".

Richard Bach

quinta-feira, abril 15, 2004

Livro das Artes

Algumas leitoras e alguns leitores perguntaram-me, via e-mail, quem era AF e que Livro da Artes era aquele de onde eu extraía os textos. Respondi a todos individualmente, como, aliás, sempre faço, até que, um deles, me sugeriu que eu criasse um lugar onde os pudesse publicar juntos, sem interferência de outras postagens. Então, para uma explicação mais completa, AF sou eu próprio (não se vê logo que AF tem tudo a ver com PreDatado?) e, portanto, os textos são meus. O Livro das Artes é uma compilação desses textos. Aceitando a sugestão desse meu leitor, reuni-os neste espaço. O conjunto, que foi publicado durante vários dias aqui no PreDatado, já lá está todo. Em breve, publicarei o resto da sequência, mas agora só mesmo lá, nesse cantinho. O link está aqui ao lado direito.
Bom dia!

Hoje acordei muito bem disposto. Os raios de Sol invadiram o meu quarto, ultrapassando as barreiras do cortinado. Está revolucionário este Sol, desafiador, como que a dizer, ‘vai, levanta-te faz qualquer coisa’. É preciso não ficar com as mãos nos bolsos, reagir, colocar a cabeça no ar. A acção contra a reacção. Como toca a tuna, ‘vá vamos embora que esperar não é saber / quem sabe faz a hora não espera acontecer’. E de repente veio-me à cabeça aquele poema de Manuel da Fonseca onde no final, para quem não quer que a tuna morra ele diz:

“… Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!”


Vamos?

quarta-feira, abril 14, 2004

Referência

Se o meu blog se chamasse ÁGUA as minhas postagens deveriam ter no final - posted by Torneira - tal é o número de postagens que aqui fiz hoje. Mas quando se fica em casa o dia inteiro, por força das circunstâncias, tem de se usar o tempo para fazer algo diferente. E, como não podia deixar de ser, dar uma volta mais completa na blogosfera e ler blogs que nunca tinha lido. Como disse a minha amiga Catarina no seu 100nada, ontem, alguns não terão qualidade para serem referidos (provavelmente o meu até será um deles, não do ponto de vista da Catarina, isso eu sei, mas, confesso, não sou o meu melhor crítico). No entanto outros hão que não posso deixar em claro. Já ontem acrescentei na minha lista, aqui à direita, alguns dos que visitava a partir da minha lista de favoritos a saber:

Desassossegada
Lugar da Incerteza
Meia Volta
Rotflol e
Café

cujos estilos, bem diferentes, ajudam a completar a minha voltinha diária.

No entanto, não por ser mais especial que qualquer dos que aqui tenho ao lado, mas porque me impressionou a qualidade do template, a gestão do espaço, a clareza da leitura e o interesse dos temas, fait-divers do nosso quotidiano e que muitas vezes nos passam despercebidos. Hoje foi a primeira vez que o visitei, parece-me ser um blog novo, com pouco mais e um mês e que em tão pouco tempo já atingiu o milhar de hits. Se continuar assim vai ser ainda mais visitado. Por isso esta referência particular a Luz & Sombra.
À Tarde

No dia 14 de Abril de 1980 rumamos, por indicação de um amigo, a um lugarzinho calmo entre a cidade e o rio. A zona não era muito habitada e as casas tinham qualidade. O preço era bom e como ficamos por aqui quase a tarde inteira, tivemos oportunidade de ver o pôr-do-sol por entre os pinheiros. Olhamos um para o outro e sorrimos. Estávamos para casar e o sol vermelho por detrás das árvores, quase a cair no firmamento convidava ao romance. O vendedor, sempre muito diligente e “conhecedor” de todo o projecto, lá nos ”informou” de que ali não iria ser construído mais nada, que nada seria autorizado porque estragaria a paisagem. E nós a fingirmos que “comíamos”. Mesmo assim comprámos. Não pela paisagem. Pela construção, pelo local e essencialmente pelo preço. Hoje lembrei-me disto por fazer exactamente 24 anos. Fui à janela. A serra da Arrábida, mesmo ao longe ninguém ma tira. E também já me ofereceram a paisagem sobre a auto-estrada e a linha férrea. E o sol continua lá. Em dias como os de hoje. Por detrás dos telhados. Os pássaros já não cantam no arvoredo. O arvoredo nasceu da terra e em cinza se desfez… ou na folha de papel onde não escrevi estas linhas.
Ouguela

Recebi, como provavelmente muitos de vós amigas leitoras e amigos leitores, um simpático e-mail da escola da Ouguela que passo a reproduzir:

Caro amigo,
Os nossos parabéns pelo trabalho fantástico que tem desenvolvido no sentido de democratizar o acesso à cultura através deste seu espaço de liberdade...

Escrevo-lhe para lhe apresentar o nosso Blog - "Ouguela com Vida" - da Escola de Ouguela - Campo Maior - Portugal, onde 5 alunos e uma comunidade, procuram mostrar um pouco da sua cultura....
www.ouguela.blogspot.com
Contamos com a ajuda de V. Exa. e de todos os amigos desta comunidade, para voltarmos a ver " Ouguela com Vida...."
Um abraço,

(em nome dos alunos e da comunidade de Ouguela)
O professor
Antonio Mendes

www.eb1-ouguela.rcts.pt - o site da escola


Espero que façam muitas visitas ao site destes nossos amigos. Eu por mim farei a minha visita diária e por isso também criei uma ligação na minha coluna da direita.
Yupiiiii

Melhorei! Acho que foi de pensar que teria de ir horas para a fila das urgências que o mal se foi embora. Faz-me lembrar, e vou transcrever com a devida vénia ao poeta, aquele versinho de M. M. B du Bocage:

Lavrou chibante receita
Um doutor com todo o esmero;
Era para certa moça,
Que ficou sã como um pero.

"Tão cedo! É milagre!"
A mãe (que de gosto chora)
"Minha mãe, não é milagre,
Deitei o remédio fora!"
Lunch Time Blog

Canjinha. Ah pois! Não te cuides não.

PS. O Schubert que só me vê comer caldinhos de arroz já me perguntou se aquilo é que é ração para humanos. Estes gatos têm com cada uma.
Choro

Estou fartinho de chorar. Ontem, como não podia sair de casa, não fui comprar A BOLA. Hoje fui ler a crónica de Miguel Sousa Tavares na Internet (só disponível no dia seguinte) e fartei-me de chorar. A habitual ladainha do esforço a que são submetidos os jogadores do seu FCP. Ai que pena, que nervos, que crises lacrimejantes. Não vou falar de mim, pois como vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores eu não sou nada de falar de mim. Nem vou falar dos operários da construção civil, dos estaleiros navais, da limpeza do lixo, nada disso. Porque falar deles teria de falar dos contratos chorudos que têm. Ainda há pouco, um cantoneiro da CM aqui da região foi contratado por 3 anos num esforço terrível do presidente da respectiva edilidade por milhões de euros por época, que eu nem me atrevo a dizer. E não me venham com a indústria do futebol. Com as receitas geradas. A última empresa em que eu trabalhei, facturava 300 milhões de contos (eu disse contos, não disse euros) e nem o seu presidente tem o ordenado do Deco. Eu aqui a ler o Miguel Sousa Tavares e a chorar que nem carpideira em noite de velório. Vou ali limpar as lágrimas e já volto.
Público

Ontem ao ler o Editorial do Publico pensei, cá com as teclas do meu computador, que se eu fosse presidente do grupo New York Times convidaria o jornalista José Manuel Fernandes para director do NYT ou, se eu fosse presidente da Sony, Nintendo ou Sega convidava-o o para escrever novos jogos para computador. Mas hoje ao ler o Editorial do mesmo jornal penso que o senhor jornalista deveria mesmo era ir para director da CIA. Este mundo estaria muito mais seguro e nós por cá livres de tanta parvoíce.
Desisto

Pronto! Desta vez é que é. Definitivamente desisto de procurar emprego. Na verdade só estou desempregado há 2 anos, nem é muito tempo pois não? Mas agora desisto de continuar a procurar. A pensão de reforma da minha mãe foi amentada 13 cêntimos por dia. Já nem sabe onde gastar tanto dinheiro. Pois que gaste comigo!
Chatice

Não melhorei, a minha médica está de férias e lá vou eu ter que gramar horas nas urgências. Espero que tenham uma casa de banho perto.

terça-feira, abril 13, 2004

Hummmm…

Éramos oito no fim-de-semana. Aliás nove porque o Schubert também é gente. Claro que o Schubert não teve direito ao mesmo tipo de iguarias. Mas não se perdeu, descansem. Porque éramos oito e porque fomos alimentados com a mesma comida é que eu tenho estado aqui a dar voltas à cabeça, no que me poderia ter caído tão mal. Agora os meus Lunch Time Blogs irão ter que parar por uns dias. Não faz sentido nenhum passar o tempo o descrever uma taça de chá ou um bife grelhado com arroz de manteiga. Mas para compensar decidi (apesar do mau estar que, só de pensar em comida, me provoca) partilhar convosco algumas das alegrias deste fim-de-semana.
Na sexta-feira não se comeu carne. Ao almoço foi o belo arroz de marisco cozinhado pela minha mulher e à noite o meu cunhado encarregou-se de fazer estas belíssimas espetadas de lulas:



No sábado continuamos nos grelhados. As espetadas e as entremeadas vieram directamente do Talho 30 no Laranjeiro, dos meus amigos Fua e Quim. É o talho que nos abastece há vários anos e sempre com produto de primeiríssima qualidade.



Quem tratou do forno de lenha fui eu próprio, enquanto os outros amassavam o pão, faziam os folares e as pupias.









No Domingo de Páscoa, o belo Borrego, também assado em forno de lenha, não poderia faltar:



e, finalmente, vejam só o desbaste que levou a garrafeira:



Das sobremesas, onde a indispensável fruta esteve sempre presente terei de destacar, o bolo de bolacha, o pudim de ananás, a mousse de chocolate, obras de arte sempre confeccionadas pela minha cunhada. Todos comemos de tudo, por isso só uma coisa me intriga. Porque é que eu adoeci? Será que exagerei?
Obrigado

Para as dezenas de amigas leitoras e amigos leitores deste blog que me mandaram e-mail desejando as melhoras, a quem tive oportunidade de responder um a um, quero, publicamente, deixar aqui os meus agradecimentos.

segunda-feira, abril 12, 2004

Lunch Time Blog

Chá.

PS. O Schubert, passou a patinha no meu rosto e foi beber leite. Por solidariedade.
Cama

Um desarranjo gastro-intestinal derrubou-me completamente e atirou-me para a cama o dia inteiro. Vai passar.

quinta-feira, abril 08, 2004

Páscoa

Como deverá também acontecer às minhas amigas leitoras e aos meus amigos leitores, o período Pascal é quase sempre um período de folga. Eu vou até ao meu Alentejo (por adopção) e provavelmente não terei oportunidade de vos importunar durante alguns dias. Se o tiver atacarei, sorrateiramente, felinamente como o Schubert. A todos vós e vossas excelentíssimas famílias, incluindo animais de estimação (esta foi o Schubert que mandou escrever) desejo uma Páscoa muito feliz. Beijinhos e abraços.
Lunch Time Blog

Troquei o meu quase almoço, por um almoço quase igual. Quando finalmente me lembrei de telefonar para casa para avisar que não iria almoçar, tomei conhecimento que estava em preparação uma feijoada de chocos com gambas. Quando cheguei à Cabrinha 2, a sugestão do chefe era feijoada de gambas. Com estas trocas e baldrocas fiquei a perder nos chocos. O Rui começou logo por dizer que o feijão estava cru. Se o Rui não metesse defeitos na comida é que eu me admirava. Conheço-o há trinta anos e, embora não tenhamos ultimamente almoçado muitas vezes juntos, ainda há-de vir o dia em que a comida não precise de um pouco mais de sal, um pouco menos de picante, uma rodelinha de chouriço, mais isto ou menos aquilo. Ah, mas o Artur é que não é homem de se ficar atrás, não. Pois claro, o que estava crua era mesmo a cenoura. Pois eu, minhas amigas leitoras e meus amigos leitores, como vós bem sabeis, não sou nada de pôr defeitos nem na comida, nem no vinho. Ainda me lembro quando o escanção de um célebre restaurante de Lisboa, que obviamente não vou dizer o nome, contra um protesto meu sobre o estado de uma garrafa de vinho me fazia ver que era escanção havia 20 anos. Eu respondi-lhe, pois meu caro senhor, eu sou cliente há 20 minutos. Ele entendeu o recado e uma irmã gémea da tal garrafa apareceu, como que por magia, na mesa. Só que era gémea falsa, não era do mesmo óvulo e esta, ao menos, tinha nascido perfeitinha. E por aqui me fico que o almoço, hoje, não deveria ter merecido tanta atenção. Mas como as verdades têm de ser ditas, foi-nos oferecida uma bagaceira, caseira, de se lhe tirar o chapéu! E eu tirei-o.

PS. Schubert, meu amigo, espero que te tenhas divertido a comer os chocos que eram para mim. Também te digo, meu caro gatinho, se não o fizeste, fizeste mal. Gato que se preze não vira as costas a uma feijoada.
Quase

Estamos quase na Páscoa e como o Durão não aumentou os funcionários públicos deu-lhes a quinta à tarde. Quase que os deixou satisfeitos. E como a minha dama é funcionária pública, eu também quase que ganhei com isso. Eu só digo quase, porque quando me levantei estava com uma vontade enorme de ir buscá-la ao emprego para dar-mos uma voltinha na praia. Mas o S. Pedro quase que nos ía lixando porque o tempo de manhã estava quase a ameaçar chuva. Assim eu que estive quase para fazer uma tarde de praia resolvi não ir. Então, fui até ao escritório do Artur, o tal do fotoblog, e acabei por ser convidado para almoçar. Quase que me esquecia de avisar que não almoçaria em casa, pelo que, o almoço, que já estava quase pronto, acabou por sobrar. E como o nosso amigo Rui apareceu para se juntar à mesa connosco quando eu estava ainda a meio de escrever este post, quase que não o terminava. E vós, queridas amigas e queridos amigos leitores, estiveram quase a perder esta pérola de literatura.

quarta-feira, abril 07, 2004

Comemoração

Ele há dias mundiais de quase tudo. Aposto que qualquer dia também haverá o Dia Mundial do Blog. Não se esqueçam, se vier a haver, de virem aqui dar-me os parabéns por eu estar já a PreDatar esse evento. Mas hoje é o Dia Mundial da Saúde. Para comemorá-lo eu quase me atreveria aqui a falar bem do nosso Sistema Nacional de Saúde, de como é fácil obter uma consulta na Caixa, como são baratos os medicamentos em Portugal, como são bem geridos os nossos Hospitais, da inexistência de listas de espera para Operações, que o tempo dos 2 anos à espera de uma consulta foi chão que já deu uvas, das aberturas dos Telejornais a dizerem, que hoje se comemora o 45º aniversário da última vez que alguém foi acusado de negligência médica, que os doentes que vão aos hospitais não morrem estupidamente com infecções que lá apanham, seja em Guimarães ou seja em Portalegre e não morrem no bloco operatório por causas desconhecidas quando vão tirar um quisto. Mas não. Não vou falar de todas estas coisas boas que se passam aqui em Portugal porque eu, minhas amigas leitoras e meus amigos leitores não sou nada de dar graxa a ninguém. Nadinha mesmo. Se está tudo tão bem porque não vamos todos é cantar:

Fui ao jardim da Celeste giroflé, giroflá…
Lunch Time Blog

Finalmente de regresso à carne. Depois de uma viagem ao fundo do mar, onde passei pelos chocos, pelos carapaus, pelo espadarte, pelo pargo, pelas sardinhas, pelo cherne, eis-me regressado aos prazeres da carne. Hoje não vou entrar em descrições, nem em receitas, pois seria uma repetição. É que eu não faço 365 almoços diferentes por ano. E há alguns pitéus que eu seria capaz de comer nem que fosse uma semana seguida. Eu não sou de enjoar. Homem do mar, é assim. Mas preparem-se porque o meu fim-de-semana na província vai ser de arromba. Vou também voltar a ver o meu compadre Anastácio, quero ver se ele tem histórias novas para me contar. Entretanto fiquem só com uma informaçãozinha de fazer inveja: Tapada de Chaves, Alentejo, 1999. Custou-me os olhos da cara. Comemorar um regresso à carne, tens os seus custos. Mas é merecido ou não é?

PS. Pronto, amigo Schubert! Estás satisfeito? O teu dono gosta da frase “A Deus o que é de Deus, a César o que é de César”. Ah gatinho e há mais uma coisa que te quero dizer, embora eu creia que tu já o sabes. Só para dizer que gosto muito da palavra, informaçãozinha.
Parabéns.

Faz hoje 72 anos que nasceu em Almada o nono filho da Ti Emília e do Sr. João Alves. Era uma menina e deram-lhe o bonito nome de Crisálida. Foi mãe vinte e três anos depois. Fui eu quem a fez mãe. Obrigado mãe por tudo o que tens sido para mim e FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
Cinema

Imagem, cor, efeitos
Desenho, luzes, roupa
Actor, câmara, montagem.

O homem ficou na fila
Esperando a sua vez
De comprar o ingresso.

Entrou, na sala sentou-se
E as luzes apagaram-se
Adormeceu.
Sonhou com o céu, com a lua,
Com o firmamento.

Escreveu a crítica no jornal.
Atribui-lhe cinco estrelas.

AF in O Livro das Artes

terça-feira, abril 06, 2004

Constelação

É disto que eu gosto, minha gente. Quando o futebol é jogado assim, mesmo que não ganhe o clube com que mais simpatizo, o tempo a olhar aquele firmamento é por mim dado por bem empregue. Mónaco 3 x 1 Madrid. Estive a ver as estrelas.
Lunch Time Blog

Apesar de ainda estarmos em Abril as sardinhas já começam a estar gordinhas. Não eram muito grandes, poderíamos chamar-lhe só petingas. Um calor de cada lado e estavam prontas para comer. Uma salada mista acompanhou a dúzia delas.

PS. O Schubert telefonou-me para me dizer que queria ser um humano como eu, que come peixe demais
Teatro

Pum Pum
Pum Pum Pum
Pum
Pum Pum Pum

Eu finjo
Tu declamas
Ele ri
Nós aplaudimos
Vós gritais
Elas choram

O pano baixou.

AF in O Livro das Artes

segunda-feira, abril 05, 2004

Concurso

Ai meus Deuses. Eu nem sei se hei-de escrever isto ou não. Vós sabeis minhas amigas leitoras e meus amigos leitores que eu não sou nada de brejeirices. Até estou envergonhado, mas quando o Malato perguntou: "Fácil ou Díficil?" e ela respondeu "Díficil" eu pedi-lhe para me colocar as pernas nos ombros. Ai meus Deuses...olhem eu tão coradinho.
Saramago

Confissão 1: Ainda não comprei nem li o último livro de José Saramago.
Duvida 1: Depois do que li e ouvi, já quase o conheço. Não sei se valerá a pena comprar.
Constatação 1: O livro é uma merda, as ideias são uma merda, o homem é uma merda.
Constatação 2: Há duas semanas que os jornais, as rádios, as televisões entrevistam o Saramago, fazem debates, emitem opiniões, reflectem, criticam.
Duvida 2: Se é uma merda assim, porque perder tanto tempo com ele?
Dúvida 3: Porque é que perdem tanto tempo assim com ele e não com o “emplastro”?
Confissão 2: Eu gosto de ler Saramago, “prontes”!
Confissão 3 e última: Eu não voto em branco.

PS. Como vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores eu não sou nada de me referir a escritores e muito menos de me meter em política. Mas não resisti em ironizar um pouco toda esta polémica à volta de um romance. As opiniões valem o que valem, agora a hipocrisia de se andar a bater numa pessoa só porque ela tem ideias diferentes daqueles que dominam os media em Portugal e ainda por cima desvalorizando a pessoa, o escritor e as ideias, é que me parece de um mau gosto execrável. Eu quando não gosto não como e principalmente se não gosto do restaurante não vou lá. Eu também não vejo a TVI e não venho para aqui falar mal dela. Não vejo e pronto. Se fosse um escritor de direita a escrever as “aleivosidades” que são atribuídas ao Saramago, será que esta polémica teria a mesma repercussão? Ao que isto chegou. E digo ainda mais, não vi uma única crítica literária sobre o livro. E digo também ainda mais. Ainda esta semana na quebradura do círculo da SIC Notícias, vi, dos tristes comentadores desse programa, dois deles a cagarem (literalmente) postas de pescada sobre o livro e a confessarem que não o tinham lido. Ao que isto chegou.
Lunch Time Blog

PV. Perguntei ao empregado porque é que o espadarte era PV. Ele disse-me que era ao Kg. Olhei para as postas, pareciam-me todas iguais. Está bem, pode pesar essa. Grelhado e uma salada de alface. Perguntei-lhe depois se ele amukinou a alface. Não percebeu. Eu também não estive para explicações (não vi ninguém espirrar). Comi a salada. Acho que ando a ver publicidade a mais. Estou admirado como é que há tantos meses não ponho uma nódoa na gravata. Para eles me trazerem o Johnsson? Se a publicidade tivesse cheiro…

PS. Schubert estou a ficar mais gato do que tu.
Continua

Terminei hoje o Capitulo II. Amanhã iniciarei o terceiro e último. Espero terminar este conto dentro de uma semana, portanto, antes do 25 de Abril. Como tinha prometido.
Ilusionismo

Tirou um coelho de uma cartola.
Um ramo de flores de uma jarra.
Dois ases de copas de um só baralho.
Encheu uma garrafa com Curaçao azul
A partir de um jarro de água.
Espetou seis espadas na caixa
Da contorcionista.
Tirou do bolso um rolo de papel higiénico,
Uma tesoura e começou a recortar.
No final apresentou como resultado
Da sua obra de arte
Uma página de papel de jornal
Com uma frase a criticar
O Ministério da Cultura.
Dois partenaires de fato escuro,
Gabardina e óculos de sol,
Arrastaram-no consigo.
Nunca se conseguiu fazer aparecer.

AF in O Livro das Artes

domingo, abril 04, 2004

Higiene

Embora ainda o seja, hoje foi Domingo. Aos Domingos armo-me em snob, e decido ser diferente. Por isso, hoje fiz a barba, não fui comprar o jornal em pijama e roupão, não vesti o fato de treino, não foi ao supermercado passear o dito, não fui dar uma volta pelos shoppings, não me meti na fila de trânsito de nenhuma A, não fui passear pelo paredão da Costa da Caparica, não vi o Jornal Nacional da TVI nem o inevitável Marcelo e não vou ver o Herman na SIC.
Ai como estou muito lavadinho.
Empatas

Em casa vemo-nos "à rasca". Fora só empatamos. Somos uns empata foras.

PS. Uma vez Benfica, Benfica até morrer!
Lunch Time Blog

Cebola às rodelas, alho laminado, pimentos vermelhos e verdes cortados às tirinhas, tomate cortado às rodelas, chouriço cortado aos quadradinhos pequenos (hoje foi usado, de porco preto de Barrancos), um piri-piri, uma folha de louro, um raminho de salsa, um pouco de azeite puro de oliveira no fundo da frigideira (pode-se usar uma caçarola de fundo largo) e vinho branco. Estufamos em lume brando. Este foi o molho / tempero que o pargo previamente deitado no fundo de um tabuleiro de barro ganhou, ao fim de algumas horas de descanso em sal e sumo de limão. Depois cortamos as batatinhas em quadrados e cercamos o pargo por todos os lados, não antes de as termos feito rolar num alguidarzinho com sal, q.b. e azeite. Foi ao forno e assou lentamente em lume brando. Cerca de duas horas naquele calorzinho, qual garina no solário e regado de 15 em 15 minutos com o próprio molho, para não secar. O vinho, hoje, optou-se por um branco alentejano. Conventual da Adega Cooperativa de Portalegre. Citrino e de aroma frutado, portou-se à altura de tão faustoso repasto. Os morangos no final deram aquele agridoce que se impunha à mistura dos azeites e das leguminosas. Um café moído na altura e um charuto que acabei agora mesmo de fumar, vão-me deixar a tarde em ponto rebuçado. Como eu gosto. Calma, tranquila que a semana é já amanhã.

PS. O filho de um amigo meu, um dia que almoçamos juntos, ao chegar a hora da sobremesa e depois de ter comido, sozinho, um bife à casa para duas pessoas, pediu como sobremesa, uma sandes de fiambre e um galão. O Schubert já tinha almoçado. A sua ração sólida para gatinhos misturada com uma goluseima das latinhas da Whiskas. Como sobremesa, uns pedacinhos de pargo, minuciosamente escolhidos. Sem espinhas, nem temperos. Ai puto gato, que qualquer dia não cabes nas portas!
Frangos

Definitivamente, Vítor Baía não gosta de Pinto da Costa. Na passada terça-feira, Moreira guarda-redes da selecção de esperanças é altamente responsável por um dos golos sofridos pela selecção portuguesa. Na quarta-feira, Ricardo dá um frango monumental no jogo da selecção A. Depois da derrota contra a Itália, ninguém calou o presidente do FêCêPê. Apesar de não o ter argumentado, todos sabemos, que a origem desta animosidade contra Scolari tem a ver com a não convocação de Vítor Baía. Então não é que o guarda-redes do Porto se lembrou ontem de dar uma bofetada ao Pintinho da Costa? Toma lá dois frangalhões que é para aprenderes. Pela boca morre o peixe. E nem os tubarões duram para sempre.
Continua

Eu tenho escrito. Vocês têm lido?
Música

Tinha uma paixão.
Sentou-se,
Aqueceu os dedos.
Alguns estalidos ecoaram no silêncio da sala.
Atacou o piano
Com Chopin.
Os primeiros acordes de Nocturnos op. 48
Faziam-se agora ouvir.
Primeiro em Do menor,
Depois em Fa sustenido.
Doze minutos e vinte segundos depois
Ouviram-se as primeiras palmas.
Ainda não estava suficientemente excitado.
Entre a op. 55 parte um, em Fa menor e
A parte dois em Mi bemol maior
Começou a arfar.
O suor escorria-lhe pela face
E só a respiração ofegante
Atrapalhava a melodia.
Parou um pouco.
Na plateia nem um ruído.
Tirou de uma caixinha de meia dúzia,
Um preservativo.
Colocou-o no piano (não no órgão) e teve um orgasmo.

AF in O Livro das Artes

sábado, abril 03, 2004

Lunch Time Blog

Afazeres de carácter social, amizade e solidariedade, não deram tempo para um almoço de Sábado como o que seria de prever. Ainda assim, as natas estavam bem cremosas, os cogumelos (as minhas leitoras e os meus leitores mais chiques, leiam champignons por favor), eram de primeiríssima qualidade, e os escalopes tenros, como só o meu amigo do Talho 30 no Laranjeiro é capaz de vender. Mergulhados naquele molho que me encheu de pão (depois queixo-me das calças me deixarem de servir), a triglicémia a rir à gargalhada, o colesterol a bater palmas, o meu alfaiate a esfregar as mãos de contente, lá estavam os escalopinhos calmos, indiferentes, sem darem por nada e sem se queixarem a cada golpe de faca. Hoje apenas bebi um copo de vinho tinto, um excelente Douro, porque o tempo era pouco e não pude ficar no repasto. Mas fiquei de barriguinha cheia.

PS. Schubert seu guloso. Hoje foi dia de festa hein? Comeste um escalope grelhado, feito especialmente para ti. Agora vai-te queixar à veterinária que os teus donos só te dão ração, que eu te meto a pão e água durante vinte e quatro horas.
Vendo

Uma motorizada em segunda mão.
Dois rolos de fotografia 35mm, quase novos.
Seis pares de calças, que me deixaram de servir (tenho umas um pouco coçadas nos joelhos, faço bom preço).
Uma caixa tuperware cheia de berlindes.
Quatro conjuntos de gillette sensor, por estrear.
27 balões de água para brincar ao Carnaval.
Uma batedeira eléctrica novíssima.

Mas não vendo nem macela, nem a respectiva infusão.
Por isso pergunto quem é que no google se lembra de vir ao meu blog à procura de “onde comprar macela em Portugal”!

Agora digam lá se não tenho leitores tão ecléticos.
Pintura

Dois riscos, a trincha grossa vermelha sobre a tela.
Ao longe, ouvia-se uma valsa de Strauss.
Os pincéis valsavam aqui, ali e de novo aqui.
Compondo a obra.

Na parede não se ouve nada.
Olha-se. E os pincéis, incansáveis
Continuam, agora mais lentamente,
A valsar.

O pintor morreu em valsa lenta.

AF in O Livro das Artes

sexta-feira, abril 02, 2004

Snooker

PreDatado 154 x Disperso 113

Oh puto ainda vais levar mais. Não treines não!
Calma

Hoje foi o Ritto. Calma, eles vão sair todos. Só falta saber quando é que prendem o Juiz Rui Teixeira e os miúdos da Casa Pia. Já faltou mais. Calma!
Crónicas

Graças a uma atribuição de prémios aqui pela escrita bloguistica descobri um estupendo site. Para a autora o meu aplauso. Também pelo prémio, mas especialmente pelo blog. Bravo!
Lunch Time Blog

Querida leitora e, barra ou, querido leitor. Imaginem uma grande travessa. Daquelas capazes de comportar um leitão inteiro, daqueles que a gente vê nas festas, com limão na boca e raminho de salsa no nariz. Imaginem à volta o feijão verde sedoso, a cenoura cortada longitudinalmente em gomos de quatro. Imaginem as batatinhas cozidas e os ovos. Também cozidos. Agora no meio coloquem, com os olhos bem brilhantes uma enorme cabeça garoupa. Até os ossinhos se chupam. Agora imaginem um tipo que só gosta dos lombinhos do peixe. Aqueles muito fresquinhos, assim a saltarem da parte posterior da cabeça do peixe. Onde não há espinhas, parece tudo uma febra. Bom, se já imaginaram tudo vamos cair na realidade. O tipo que só gosta dos lombos, sou eu. Os outros deliciavam-se com o que eles dizem que é o melhor. Se calhar até é. E eu ralado. Não sou gato.

PS. Falar em gato. Oh Schubert vê lá se cresces e apareces para te sentares à mesa connosco nestes pitéus. É que gato que é macho, não dispensa uma cabeça de garoupa, pá!
Liderança

Queria ser o chefe de uma igreja.
Sempre gostou de falar
Para multidões,
Ordená-las,
Conduzi-las.
A voz potente, eloquente, convicta, empolgante.
Sabia vender ideias.
Consta que não passava recibo.

AF in Livro das Artes
Hoje

Hoje é dia de parabéns. Na blogosfera há várias pessoas a comemorar. Mas os meus parabéns especiais vão para a Catarina, pelo seu aniversário. Felicidades!

O mundo virtual tem destas coisas. Há 6 meses atrás eu nem sabia que existiam blogs. Foi o meu filhote quem me dirigiu para aqui. Fui fazendo do meu blog uma forma de expressão que também reflecte um pouco a minha maneira de ser. Como as cerejas, umas atrás das outras fui puxando a escrita de uns e a escrita de outros e de outras para o meu mundo. O meu mundo de partilha e de absorção. Às tantas dei com o teu blog e encantei-me. Não apenas com o que escreves, mas também como o escreves. Forma e conteúdo completam-se. O por detrás de um blog ligeiro como o 100nada, está uma mulher que eu ainda não conheço mas da qual vou tendo vestígios. Uma pessoa bem humorada, uma pessoa frontal, uma pessoa que tem amigos (eu vejo por alguns comentários, que são verdadeiros) e uma mãe carinhosa, extremosa e dedicada. Agora juntaste-te ao clube dos "entas". Nunca mais de lá (cá) vais sair, até que o destino o determine. Vais ver que é tão bonito como os "intas" ou os "intes". Cada dia com o seu fascínio. Por isso goza-as e aproveita-os todos como puderes e como quiseres. Por hoje desejo-te as maiores felicidades do mundo. Embora ainda não tenha o privilégio de pertencer ao teu grupo de amigos, aproximei-me. Vou continuar a estacionar nas tuas páginas.
Carpe Diem!
Ontem

Obviamente, ontem, foi primeiro de Abril e o meu blog comemorou-o (lá vão ter que aturar este chato por mais uns tempinhos).

quinta-feira, abril 01, 2004

Fim

Afinal não sou só eu que acabo hoje. A Carla de Almeida também. Que pena, mas tudo tem um principio, um meio e um fim. Logo eu, que só ía a meio.
Merendando

Todas as tardes, às 5 e 30 em ponto, faço uma pausa para uma bebida. Quase sempre eu e o meu amigo Artur, bebemos uma SuperBock cada, ou uma Sagres, ou uma Heineken, dependendo das promoções da semana nos supermercados daqui da zona. Hoje, qual foi o meu espanto (eu sou uma pessoa que me espanto por tudo e por nada, como vós amigas leitoras e amigos leitores, já deveis ter reparado), a cerveja era a novíssima TreBeer. Nunca tinha visto à venda no mercado. O pior é que eu tenho a mania (outro defeito meu, ter manias) de beber as cervejas bem geladinhas directamente do gargalo. Para não aquecerem. Vai daí garrafa à boca, uma enorme engasgadela, tosse, cerveja espirrada por todos os lados (que porcaria). E isto porquê? Porque fiquei com um tremoço entalado na garganta. Um quê? Tremoço, já disse! Mas não tinhas dito que estavas a comer tremoços. Pois não, mas a cerveja TreBeer trás já o tremoço incluído. Aproveitem, está em promoção, oferecem uma grade de 6 na compra de outra. Em quase todos os supermercados.
Semáforo

Na sequência do meu acidente desta manhã e todo ligadinho até ao pescoço, fui à Aviz alugar um carrito para me poder locomover. Parado que estava num semáforo de Lisboa, um casal de ar bem posto, solicitou-me a abertura do vidro da janela. Abri pensando tratar-se de um pedido de informação. Qual foi o meu espanto quando, o casal, me disse que estavam a fazer um peditório porque a Ministra das Finanças tinha sido raptada e os sequestradores estavam a exigir um milhão de euros para a libertarem, caso contrário, regá-la-iam com gasolina e lhe pegariam fogo. Como eu não quero que lhe falte nada, solícito, perguntei ao casal qual era a média de contribuição que os outros condutores estavam a dar. Ao que eles me responderam que era entre 5 a 10 litros de gasolina.
Fax

Acabei de receber o fax que me agrada e me deixa triste em simultâneo. O contrato com a editora vai para a frente e os meus queridos blogs vão terminar. Com uma lágrima passo a transcrever:

quote

Dear Mr. Post-dated

Following our today’s lunch and conversations it’s my pleasure to inform you that our publishing company did agree with your kind proposal. Effectively the quality of your posts, jointly with the increasing interest of the Portuguese communities, mainly at New Jersey, New Bedford and Boston, had influenced strongly positively our decision. However, as we think you are conscientious of the costs of this decision, it’s my painful duty to say you that you must stop publishing anything else at your private blog. From the 2nd of April forward if we detect any new post from you, here at Predatado or wherever, we will cancel immediately our agreement. The monthly fee of $xxxx US dollars is acceptable.

Best Regards

Bob Tail


unquote
Lunch Time Blog

O editor americano é um maricas. Verdade, apareceu-me de camisa às flores, calça vermelha apertadinha e rabo-de-cavalo a cair no meio das costas. Não tenho nada contra, isto, é meramente descritivo. «Mr. Pri Dateidow, ai lóve “marriscow”». È por isto é que lhe estou a chamar maricas. Então não é que me fez gastar 230 Euros num almoço? O gajo pensa que eu ando a nadar em dinheiro? «Parra mi caldino de camarrau», «como se chamau essas amájuas?». Eu respondi à Bolhão Pato. «Isso, bulhau patow». Depois quis Percebes. Só lhe faltou chamar understands. «Mr. Pri Dateidow, esses lávágantés estau deliziosos», enquanto se lambuzava com um lavagante grelhado na chapa. Não posso dizer que a comida não era boa. Estava de facto deliciosa. Ainda por cima eu a pensar que o gajo é que ía pagar a conta. «As vozas lagustas sau muto boas». Na verdade, a lagosta suada não podia estar melhor. O pior foi que tive de beber Matéos Rose. Estes camones não sabem beber mais nada? E no fim a dolorosa veio para mim. Grande maricas!


PS. Quem ficou a ganhar foi o Schubert. O americano achou o máximo, eu ter chamado a DHL para me levar a casa dois camarões tigre para o meu gato. «Mr. Pri Dateidow vozé é wonderfull». Se este blog não fosse sério, só me apetecia dizer p… que o pariu!
Impecável

Atendimento impecável no Garcia de Orta. Derrapei na chuva da estrada. Resultado: 3 costelas partidas e um carro na sucata. Entrei há meia hora nas urgências e agora enquanto espero alta, estão a deixar-me a usar o meu portátil. O pior é que esta comunicação wireless está a sair cara. Estou a comprometer o almoço. Sem carro, sem livro publicado, sem dinheiro para pagar a conta do telefone e com três costelas partidas. Isto hoje está a correr bem, está.
Nova Eureka

Já recuperei o w. Já posso escrever New York, New York.
Editar

Hoje vou almoçar com um editor norte-americano. Telefonou-me ontem a dizer que o PreDatado é muito apreciado nas comunidades portuguesas da América. Se as coisas correrem bem, este espaço, aquele e este outro, irão ter de fechar. Já me falou em exclusividade.
Eureka

Encontrei a letra a do meu teclado. O Schubert deve ter estado toda a noite, aqui, a teclar com as gatas e fez saltar a tecla para o chão. O pior é que agora também não sei do dabliú. Se ao almoço tiver de tomar um hiskye como é que vos vou dizer?
G lo!

Logo pel m nh~ p rti um tecl do meu tecl do. Foi a letr que t nt f lt me f z. Pelo f cto s minh s desculp s.
Mentiras

Hoje é dia primeiro de Abril. Dia das Mentiras. Pois eu como sou do contra vou já avisar-vos: A partir de hoje nunca mais minto!


PS. Até me engasguei…

quarta-feira, março 31, 2004

Reflexão

Um dia, há vários anos li qualquer coisa semelhante mas não me lembro onde. No entanto, desde essa data que não deixo de reflectir nisto. Logo eu que adoro sobremesas. Se a banana soubesse a morango, o morango a pêro, o pêro a laranja, a laranja soubesse a maçã e a maçã soubesse a kiwi. Se o kiwi soubesse a ananás e o ananás soubesse a banana, a salada de frutas teria exactamente o mesmo sabor.

PS. Não me lembro do autor. Nem me lembro se as frutas da salada, no original, eram as mesmas. Mas a ideia é aqui reproduzida com a devida vénia. O seu a seu dono.
Inverno

Ai! Esta chuva que me encharca a alma!
Ai! Este frio que me obriga a ter
A nostalgia de uma tarde calma,
D’ uma primavera que me alegre o ser.

E até o sabor a fumo do cigarro
Que tenta aquecer-me a natureza
E que me provoca demanhã, catarro
ainda mais atesta esta tristeza.

Mas se o poeta quer, pode fingir
Então o sol raiará na madrugada
A alegria voltará a ressurgir

Sou um filho do sol e do calor
Amante do mar e do sereno
E do prazer de suar se faço amor.

AF in Complexus
Lunch Time Blog

Tenho um compadre que um dia me disse que seria incapaz de comer língua de vaca, pelo facto de esta andar na boca dos animais. Que antes queria comer um ovinho estrelado. “Mas oh compadre Anastácio, você não come língua porque anda na boca dos animais e come o ovo que sai da cloaca da galinha”. “Tem toda a razão compadre, nunca tinha pensado nisso”. Mas isso, são outras histórias. No entanto, vem a propósito da minha opção para hoje. Levantei-me tarde e não tomei o meu habitual continental breakfast. Decidi fazer do meu almoço uma coisa ligeira e, eu próprio o preparei. Dois ovos numa tigela, batidos apenas 3 vezes (3 voltas leram bem?) com um garfo e com carinho. Depois em lume não muito forte mas suficiente para que o ovo não cole na frigideira, deitá-los devagarinho e não mexer. Enquanto frita a película no fundo da frigideira, organizadamente colocam-se os camarões, escaldados e descascados. Rijinhos para que o dente os sinta. Com cuidado para não partir, com uma colher de pau ou espátula de madeira, cobrem-se os camarões com o ovo. Se eu soubesse desenhar faria o esquema. Vou deixar isso para o Disperso, que ele é que é o artista da família. Depois num movimento único mas firme, levando a omoleta no ar, uma só cambalhota, ela cai direitinha mas do lado contrário sobre a frigideira. Apenas uma volta no ar. Cuidado ao tentarem fazer isso com alguém perto. Basta um olhar para o lado e ela cai-vos direitinha no chão. Fala quem já teve esse privilégio. A gargalhada geral não compensa a chatice. Duas rodelas de tomate maduro q.b. temperado com orégãos e um fio de azeite que simultaneamente cubra duas fatias de queijo de cabra fresco e aí está como se transforma um pequeno-almoço num delicioso almoço. Logo à tarde vou estar cheio de fome, mas isso agora não vem para o caso.

PS. Quando passei do meu pequeno escritório para a cozinha, o Shubert estava nas costas do sofá do sala a olhar-me por entre os vidros da porta. É o instinto animal. Miava como que pedindo encarecidamente, “convida-me para o teu almoço”. Quase me veio uma lágrima ao olho. Compensei-lhe a ração com uma guloseima das latinhas da Whiskas. Deve ter pensado, “do mal, o menos”.
Continua

A história do algarvio está a compor-se...
Escrita


Abriu um caderno em branco.
Rabiscou duas linhas na primeira página
E foi dormir.
Às seis em ponto da tarde
Chovia e a chuva molhava-lhe
Os pensamentos.
Acordou, tirou o lápis de trás da orelha
Abriu o caderno quase em branco.
Acabou de o preencher.
Deu-o a ler, o editor num movimento suave
(como devem ser suaves os movimentos com as mulheres),
Mas decidido
(como devem ser decididos os movimentos dos editores),
Jogou o manuscrito no lixo de papéis.
É bem feito!
Quem manda a escritora
Pegar no lápis ainda húmida?

AF in O Livro das Artes
Manjares

No Público o que comem os jogadores da selecção. Ai o plágio ao PreDatado sr, jornalista!!!!!

terça-feira, março 30, 2004

Sinceramente

Quando tanto havia para dizer sobre “esquerda” e “direita”, a sua origem histórica, a clandestinidade de ser de esquerda, a clandestinidade de ser de direita, qual a cultura associada a ambas as alas, porquê hoje ainda se utilizar efectivamente a classificação, o que socialmente ainda causa receios ao nosso povo estar num lado ou no outro e sei lá que mais, a cultura doutor, a cultura, deparo-me com um post tão sensaborão como este do dia de hoje, sobre a temática, no Abrupto.

Fosse eu uma pessoa culta e conhecedora da causa política, que:

a) Não iria ao Abrupto, pois já seria culto e não precisaria;
b) Não iria ao Abrupto, pois percebendo eu de política não precisaria que outros me explicassem.

Mas infelizmente como vós sabeis amigas e amigos leitores, não só sou quase analfabeto como nunca fui nada, mas nada mesmo de meter na política. Por isso eu, entre outros, vou ao Abrupto (os outros, depois eu digo). E se culturalmente tenho dado por bem empregue o meu tempo, politicamente sr. Dr. José Pacheco Pereira, sinceramente, porque é que o senhor se mete nisso?
Cost…uecas

Ai meuzedeuses. Descrever um almoço, principalmente quando ele não é o que o meu estômago esperava receber, tem um tudo-nada de depressivo. Mas ser acedido por alguém que anda à procura de “fotos de costeletas com batatas fritas”, haja paciência! Já parece aquele que andava à procura de cuecas comestíveis no blog da Gotinha.
Olhos

Alínea a) Olhos propriamente ditos

Eu sou assim. Preto no branco. Às vezes azul no branco, quando a caneta falha e, não tenho outra à mão. Já experimentei outras cores. Definitivamente não dá. Talvez por eu ter olhos clarinhos. Muitos dos blogs que eu gosto têm um design bonito. Mas custa-me tanto ler. Mesmo assim, alguns valem o esforço. Por exemplo hoje lembrei-me deste apenas porque o vou espreitar diariamente. A menina, senhora, lady, escreve bem e faz postagens muito interessantes. É, com certeza, pelo aspecto gráfico do blog, uma pessoa de bom gosto. Mas se um dia, por força do acaso, eu a venha a conhecer pessoalmente vai ter de me pagar um almoço. É que ela, se me lê, sabe que eu também como com os olhos!

Alinea b) Comentários à parte

Não gosto do nome do blog. Faz-me lembrar o banho checo. Chec Chec chec.. ai que impressão. Estou todo húmido, bolas ! Mas lá que o mocinho tem um blog engraçado, lá isso tem. E engraçado não quer dizer sempre com piada. Quer dizer legível, escorreito, interessante, consultável e obviamente com humor q.b. E preocupa-se com os comentários das “gaijas”. É d’homem!

Alínea c) Não é só a Catarina que tem um filho

A felicidade de uns pode ser o sacrifício de outros. Mas aqueles que estão felizes, não significa que não façam sacrifícios. Pois o meu querido Disperso, anda a pedir desculpa aos seus leitores porque não tem tido tempo para escrever, devido aos deveres de estudante universitário. E embora eu goste de ler esse garoto que eu amo, estou feliz pela sua dedicação à escola. Não sei se todos vós entendestes este comentário. Ele entendeu.

Passarário

A elegância no voo
A beleza nas cores
O carinho nos ninhos
A protecção ecológica
A… de andorinha,
P… de pardal e de perdiz e de pintassilgo.
A arara e o papagaio
O bico de lacre e o rouxinol
A toutinegra e a trombola
O periquito e o melro
Comos são lindos os pássaros.
Não devemos fazer mal às avezinhas.

Eu gosto muito de passarinhos fritos.

AF in Livro das Artes
Salvé

Estavam com saudades minhas não estavam? Pois é, nem para um olá aqui e nos vossos blogs eu hoje tive tempo. Mas para os meus 30 fiéis leitoras e leitores que hoje me procuraram e bateram com o nariz na porta só posso dizer SALVÉ AMIGOS!!!!
Putz

Ontem perto da meia-noite telefonaram-me a dizer que o navio iria acabar por volta das cinco da manhã e que eu deveria lá estar às sete para fazer o draft.
Esta alminha que estava a preparar-se para mais uma noite de escritas ao som do vento e no murmúrio da Diana Krall, teve de reprogramar o switch de modo a deitar-se cedo. Por volta das duas da manhã mergulhou no edredon e enterrou-se nos lençóis tendo ficado que nem o seu Schubert, um olho fechado e um ouvido à escuta, não fosse pensar que o som do despertador, lá longe, fosse os sinos da igreja da Moreanes. Às sete da manhã, como era de se esperar, lá estava esta alminha (eu hoje sou mesmo alminha) a bordo do navio para receber a notícia que antes das nove não terminava. E depois antes das dez também não e também não antes das onze. Terminou quase à uma da tarde e lá vai ficar para amanhã o Lunch Time Blog. Assim se passa uma manhã a ver navios. Putz!

PS. Mesmo com tempo nublado, a Arrábida estava linda e Tróia vista de longe até parece um lugar bonito. Só não tirei fotos porque desta vez, não levei a máquina. Mas da próxima, antevendo um corte destes, acho que encontrarei matéria para um fotoblog.

segunda-feira, março 29, 2004

Embuchei

Ontem apeteceu-me desbloquear uma conversa. Aquelas, as da treta, que não chegam a ser conversa. O tipo apareceu sorridente. Devia estar feliz porque no grupo ninguém estava a contar anedotas. Depois disse “então, cá estamos”. Um deu-se ao trabalho de dizer “é verdade”. Um terceiro “belo dia”. O sorridente “se calhar ainda chove”. O do belo dia “não”. O que teve trabalho a dizer é verdade “não sei não”. O sorridente “e então?”. O do belo dia “cá estamos”. O sorridente que já tinha dito antes cá estamos “anda tudo ao mesmo” . O do é verdade “essa é que é essa”. E eu com uma vontade tão grande de dizer ao sorridente “você além de ser muita alto é muita feio”. Só não disse porque tive medo que ele respondesse “é a vida”. Só por isso é que não desembuchei.
Lunch Time Blog

Segunda-feira. Uma pessoa vai ao mercado e ou encontra as bancas vazias ou vê carapau de olho vermelho. Não lhe resta senão optar pelo restaurante. Olha para as vitrinas e o que vê? Uma miséria franciscana. Depois pensa, não vou sair daqui sem comer. Embora nunca tenha ouvido o badalo do relógio, o cuco a fazer cu-cu, a corda no seu tic tac, tic tac, é aquela sensação da barriga a dar horas. Fica sem capacidade de raciocínio. Lê o cardápio e fica a coçar a cabeça. Não lhe apetece nada e ao mesmo tempo parece que o que vier à rede é peixe. Vê passar o garçon com uma travessa de óptimo aspecto, parecem boas as bifanas, pelo menos vêm bem ornamentadas. Come com os olhos, torna-se invejoso e diz, também quero. No início ataca com toda a adrenalina que a fome lhe transmite, mas, à segunda mastigadela, parece aqueles putos pequenos a quem se lhes começa a enrolar a comida na boca e a dizer “não quéiu mais”. Põe de lado, olha para as sobremesas e já sabe que não vai comer nada daquilo. Pede uma bica. Pede a conta também, paga, deixa gorjeta, a pensar que mal empregadinha e vai-se embora. Quando entra no carro está tão desconsolado… Mas ainda tem tempo. Então vai até à Costa, senta-se numa esplanada, pede uma garrafa de água das pedras bem fresquinha e fica a contemplar o mar.

PS. Nem vou contar nada ao Schubert quando chegar a casa. Já sei que me vai miar, roçar-me nas pernas, levar-me ao restaurante dele, pedir para me ajoelhar, baixar a cabeça na gamela e obrigar-me a comer da sua ração. Ele não quer que me falte nada.
Futebol

Onze de um lado,
Onze do outro.
Minutos a fio pontapearam-na.

Ela nunca se defendeu.
Depois abandonaram-na, ignorando-a.

Ela nunca se queixou.
Saiu inchada e redonda.
Apenas um pouco esfolada.

À volta, as tribos entoavam cânticos de guerra.

AF in Livro das Artes
Extractos ao acaso

“A comida, tal como o erotismo, entra pelos olhos, mas há pessoas capazes de meterem qualquer coisa na boca (…) Se você for dos que acreditam a pés juntos nas virtudes mágicas de algo horripilante, sugiro que coma sozinho e sem apregoar”.

Isabel Allende, Afrodite


Há pessoas que em vez de meterem na boca coisas horripilantes, fazem saltar essas horripilantes coisas da boca para fora. É só ouvi-los. Eles andam aí. A apregoar.
Profissão

Vós sabeis que eu não sou nada de fazer conjecturas, nadinha mesmo, mas mesmo assim eu arrisco dizer que ao contrário da maioria das minhas amigas leitoras e dos meus amigos leitores, este Domingo foi dia de trabalho para mim. Mas também é bem feito, pois quem me manda a mim passar uma semana inteira sem fazer népia? Pois é, mas subir e descer escadas, descer para e subir da lancha para ir fazer leituras à roda dos navios e subir e descer escadas de portaló, estou aqui que nem posso. A minha perna esquerda está quase presa, mas também é bem feito, quem manda a perna direita ter andado toda a semana a queixar-se? Oh meus amigos, isto, quando há ciática, tem de tocar às duas (fora as costas). Falando estritamente de pernas, a esquerda não é mais que a direita. Portanto ela que faça o favor de não armar ao pingarelho. Mas mesmo assim não me posso queixar muito. É bem melhor do que ser vendedor. Foi aliás por causa das coisas, que eu deixei de trabalhar em vendas. Ah não sabiam? Pois é verdade eu trabalhava em vendas e a minha alcunha era “A prostituta”. Eu, como vós sabeis não sou nada (onde é que eu já li isto?), mesmo nada de depreciar qualquer profissão. E ser prostituta não é nenhuma profissão que eu considere menos. Mas ser vendedor e chamarem-me prostituta, só mesmo coisa dos meus amigos. Querem saber porquê? Pois é, já esperava que tivésseis respondido em uníssono: “Queremos!”. Vejam só:

Eu trabalhava nos horários mais estranhos…
Pagavam-me para fazer o cliente feliz…
Às vezes, o cliente até pagava bem, mas os meus empregadores ficavam com quase tudo...
O meu trabalho ía sempre além do expediente…
Eu era recompensado quando aceitava realizar as ideias dos meus clientes…
Cada vez reduzia mais o meu leque de amigos sendo que praticamente só andava com outros colegas da mesma profissão…
Sempre que ía a um encontro com um cliente tinha de estar bem apresentável…
Os meus clientes queriam sempre pagar menos e que, ainda assim, eu fizesse maravilhas…
Quando me perguntavam em que é que eu trabalhava, tinha sempre dificuldade em explicar com precisão…
Quando as coisas davam para o torto era sempre culpa minha…
Todos os dias, ao acordar, pensava e dizia para com os meus botões: NAO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!

Então? Qualquer semelhança com uma prostituta não é pura coincidência.

domingo, março 28, 2004

Azul

Pela cor pensei que fosse de um planeta desconhecido. De Marte não é, porque em Marte eles são verdes. Dizem, porque o robot ainda não os descobriu. Pela leitura do blog, que eu desconhecia até hoje, vejo que a cor só pode ser de uma tripeirinha. E já que tenho um lagarto na minha lista e, ela tem um blog bem interessante, vou pô-la de lado. Que é como quem diz aqui na lista do lado. E ainda bem que comer também é um prazer para ela. Não gosto de anorécticas.
Lunch Time Blog

Às camadas. A primeira de cebola, tomate, pimentos, alhos. Digamos leguminosas para facilidade de escrita. Depois uma camada de Safio, Tamboril, Raia, Pata-roxa. Digamos peixe para facilitar a escrita. E por cima uma camada de batatas às rodelas. Digamos tubérculos para complicar. Outra camada de leguminosas, outra camada de peixe, outra de tubérculos e finalmente outra de leguminosas. Arrumadinhos assim, juntou-lhe um pouco de vinho, um fio de azeite, um pequeno piripiri, salsa, louro, sal q.b. Tapadinho que foi o tacho isovapórico e regulado o fogo para uma distribuição uniforme foi deixar os aromas espalharem-se pela casa. Seguindo o cheiro, nem abri a boca enquanto comi. No final virei-me para a minha mulher e apenas tive palavras para dizer. Parabéns!

É verdade que eu de brancos não falo. Não é uma questão etnológica. É enológica mesmo. Mas hoje vou abrir uma excepção porque a caldeirada mereceu. É da Herdade do Esporão de 2001. Tenho a certeza que se o tivesse bebido antes teria ganho mais. Mesmo assim o seu aroma jovem e fresco, mantinha-se. E a cor citrina que se lhe via no ano passado ainda lá estava. O sabor macio e um pouquinho mas suportável acídulo. Não foi um erro exagerado ter-me esquecido dela na garrafeira e não desacompanhou a qualidade do peixe. Fiz uma boa opção. Ah o nome? Vinha da Defesa.

PS. O Schubert roçava-nos nas pernas, dengoso, insinuante. Amimado é o que ele é. Mas os temperos e as espinhas não nos convidava a convidá-lo a ele, Schubert. Assim foi recambiado para a ração de gatinho. Tadito.
Continua

Aos poucos o conto vai sendo construído. Têm lido?
Horário

Porque é que escrevo à noite e de dia também? É porque à noite eu não tenho sono. E de dia também não tenho. Sempre que à noite me apetece escrever sento-me no Word e teclo. Faço-o sempre com letras pretas sobre folhas brancas. De dia também faço isso, excepto ao lusco-fusco. Ao lusco-fusco utilizo um bloco de notas e uma máquina fotográfica. Então faço das palavras a minha noite. Porque durante o dia falo. À noite não. Só me apetece dizer até amanhã. Mas às vezes, está errado porque nesse dia à noite já é amanhã. È por isso que faço das minhas noites, por vezes dias inteiros. E é nessas alturas que eu digo que só escrevo à noite e de dia também. Porque de dia não há nada para escrever. Aquilo que se escreve de dia já é antigo à noite. Aquilo que se escreve de noite é novo de dia. Eu gosto de coisas novas. Quantas pessoas se lembram quanto tempo demoraram ontem de manhã para ir de casa ao emprego? Isso foi ontem demanhã. Mas de manhã quase todos sabem a que horas se deitaram ontem à noite. É também por isso que a noite é mais fascinante que o dia. Se houvesse Sol à noite, então, a noite ainda seria mais bonita. Porque as cores realçam mais com o Sol. Excepto as cores da noite. As cores da noite também são mais bonitas que as cores do dia. Porque de dia não há preto e branco. E por não haver preto e branco a escrita é mais triste de dia. Porque é uma escrita a cores e eu não sou pintor. Hoje os relógios roubaram uma hora à minha noite.
Arquitectura

O prédio tem cento e vinte e cinco andares.
A escada vai até ao trigésimo.
Do trigésimo ao nonagésimo uma corda,
Com nós.
Daí para cima tem um elevador
Descai para a direita no sexagésimo segundo.
Uma ponte aérea atravessa-o,
No nonagésimo quinto
Onde existe um shopping center.
Lindos jardins interiores
Nos patamares do octogésimo sétimo,
Irradiam o verde no sentido norte-sul.
Um homem faz a barba,
Olhando o reflexo nos vidros espelhados
Do quadragésimo quinto andar,
E assobia.

AF in Livro das Artes

sábado, março 27, 2004

Cabeçadas

Ontem, ao entrar para o carro, dei uma cabeçada tamanha no rebordo da porta. Vi tantas estrelas, mas tantas, que acho que descobri uma super nova. Não cuidei de imediato de pôr um pouco de gelo e vai daí, hoje estou com uma dor de cabeça que nem me aguento. Portanto se por acaso, eu escrever algum disparate, e vós amigas leitoras e amigos leitores, bem sabeis que eu não só nada, mesmo nada, de escrever disparates, se isso acontecer, como estava escrevendo, peço que me desculpem.

PS. Além disso também não dormi por causa da ciática. E lá fora chove. E acho que vou almoçar peixe de novo. E podia ser pior?
Tempo

Hoje foi o dia de abrir a correspondência. Durante a semana vou trazendo para cima e ponho no montinho em cima da secretária. Se olho para o envelope e me parece estranho eu abro na mesma altura. Mas a norma é amontoar. Esta semana: conta da luz, conta do gás, extracto do banco, visa para pagar, publicidade das Selecções, da art gallery, da loja Masculini, declarações (ainda?) para o IRS, seguro do carro, conta do telefone, factura da TV cabo, carta do Benfica para subscrever o empréstimo obrigacionista, convites da Academia Almadense (infelizmente um já fora de prazo, mea culpa), imposto municipal sobre imóveis, jornal do Seixal, jornal Lidl, Revista Unibanco, Revista da CGD (esta com bonitas fotos), Tap Navigator (perdi o Gold, há tanto tempo que não viajo), revista Selecções. Ufa, não sei se me lembrei de todas. Agora vejam, a maioria eram contas para pagar. Depois do tempo todo que perdi a abrir cartas e a ler o conteúdo será que me sobra tempo para pagar as contas? Que esperem, porque um homem não é de ferro. E além disso vamos ter uma hora a menos este fim-de-semana.
Títulos

No Expresso: “João Soares avança contra Ferro”. A última vez que me aconteceu foi contra uma parede. Avancei demais e parti o carro todo. Vou ler o artigo completo para ver como foi o acidente.

Também no Expresso “Portugal está fora de moda”. Se calhar é por isso que está em saldo. Deve ser fim de estação. Mas parece-me que os espanhóis não são vaidosos e compram tudo.

Diário de Notícias: “Mário Soares critica brutalidades de Durão”. Pois, pois violência doméstica.
Facas e Garfos

Se falam de comida dá-me o cheiro. Esta e este eu leio e parecem-me gostar de pratos.
Extractos ao acaso

"O carrasco existe para matar. Aquele que mata e não é carrasco é como aquele que talha e não é carpinteiro. É raro que aquele que talha e não é carpinteiro se não fira nas mãos."

LAO TSE in Tao Te King

Amanhã e depois e depois vou olhar as mãos do rabecanista: Quero ver se ele é sapateiro. Quero ver as mãos dos que passam betume para disfarçar a feridas. Carrascos com mãos de não carrascos.
Agricultura

O pai, a mãe, o filho
A charrua, o arado, a enxada
Preparados para a faina
O sol já tinha nascido.

O boi esquelético puxando.

À noite a filha mais nova
Preparava-lhes um caldo de couve-galega.

AF in Livro das Artes

sexta-feira, março 26, 2004

Lunch Time Blog

Hoje fui à Cabrinha II. Fica na Qta. do Serrado assim como quem vai na via rápida para a Costa da Caparica. Depois sai na direcção Universidade, e quando se dirige ao Monte da Caparica, vira para o Serrado. Se não perceberam é só perguntar por ali. Feita que foi a publicidade, Carlos (o dono é o meu amigo Carlos), deves-me um almoço. Ele não merece porque ele é lagarto. E ainda mais depois de uma derrota do Glorioso. Se eu não tivesse aceite a sugestão dele para um atum fresco de cebolada, que não só estava delicioso, mas também tinha um aspecto tão incrível que até os olhos comeram, teria comido uma caldeirada de Benfica vs Sporting. Bebemos o vinho da casa em jarro. Era um tinto escorreito, não lhe perguntei mas, pelo paladar, era um tinto de Pias, a raiar o razoável. Sei que esta tarde a cebola vai fazer das dela. Se não for no estômago, vai ser no hálito. Nada que o dentífrico não possa disfarçar. Pelo sim pelo não, só vou beijar à noite.

PS. Schubert meu lindo, desculpa-me mas o dono só te vai ver logo à noite. Vou-te pedir a mãozinha, tu vais dar-me uma dentada que é como quem diz na tua linguagem que me estás a dar um beijinho. Ainda bem que ainda não beijas na boca, senão irias com certeza dizer: «Este gajo, é a segunda vez esta semana que come peixe. E desta vez de cebolada. E eu na ração, sempre ração. Já me estou a passar com ele.”»