quarta-feira, maio 05, 2004

Bom Dia!

“… Sentiu a atmosfera impregnada de um mistério onírico quase insondável, perturbador; invadiu-a um desejo imperioso, concupiscente de o desvendar. Que lugar era aquele? Outro tempo? Outra dimensão? (…) Não desejara aquilo e no entanto não sabia resistir-lhe. Obcecados, os seus passos dirigiam-se, dia após dia, para o Café, para aquele espaço onde, sabia, poderia encontrar-se ou perder-se irremediavelmente”

Maria Teresa Loureiro, Um olhar mil abismos


Todos os dias caminho para este meu café. Tornou-se irresistível, quase uma obsessão. Mas tenho aqui aqueles com quem falo, aqueles que me “ouvem” e aqueles que eu “oiço”. E é tão bom quando entro, sentir o cheiro das vossas presenças e dizer em voz alta: Bom Dia!

terça-feira, maio 04, 2004

FCP

Tiro-lhes o chapéu.
Desanuviando

Deem uma olhadinha na Uma Thurman. É pena ser só Uma. Porque não há 2 destas?
Palavrão

Não escrevo aqui o palavrão que acabei de dizer!
Hipocrisia

Hoje nos telejornais (esperem pelas 20:00h), políticos, advogados e juízes vão dizer: É uma prova que as instituições em Portugal estão a funcionar. Se não fosse dramático, hoje mijava-me a rir.
Vergonha

A sem-vergonhice nacional está a atingir o seu auge. Quem é que neste momento, em Portugal, ainda acredita na Justiça?
Justiça

A esta hora está a ser libertado o Sr. Cruz. Já faltam poucos. Consta que, para o mês que vem, começarão a ser presos os miíudos da Casa Pia.
Amparo

A propósito de uma postagem que li hoje com o título ‘… tirou a carta na farinha amparo’ e cujo título mais correcto deveria ser ‘… saiu-lhe a carta na farinha Amparo’ vou contar para os mais novos porque é que se usa essa expressão.
Quando eu era menino as farmácias não vendiam Bledine, os super mercados não existiam e os cereais e farinhas da Nestlé eram só para alguns bolsos. As camadas menos favorecidas da população (quase todos) recorriam a algumas farinhas mais populares para dar aos filhos. A mais popular de todas era, sem dúvida, a farinha Amparo. Só que as caixinhas onde os pacotes de farinha vinham tinham uma característica muito especial. Traziam sempre um brinde. A minha primeira colecção de índios e cowboys de plástico saiu-me na farinha Amparo. A partir daí, era usual, quando não pretendíamos dizer a real origem das “coisas” afirmarmos que tinham saído na farinha Amparo. Como deve ser perceptível, até pela acessibilidade da compra, os brindes da farinha Amparo não poderiam ser de grande qualidade. Daí que certas cartas de condução que alguns “choferes” das nossas estradas ostentam, só podem mesmo ‘ter saído na farinha Amparo’.

PS. Dedico esta postagem à Vertigem, com carinho.
Lunch Time Blog

Vamos lá a ver se nos entendemos. O Estádio da Luz era um inferno. Desde os meus tempos de miúdo que vou ao futebol e sempre se fez a festa. Eu nasci nos anos 50. Já sou velhote nestas andanças. Tendo em conta que os diabos vermelhos, a claque do Benfica, nasceu no início dos anos 80, não vale a pena virem para aí dizer que são as claques que fazem a festa e dão cor ao futebol. Isso é treta. Vem isto a propósito da Juve Leo ter invadido o estádio. Coitaditos, são claque, fazem a festa, devem ser desculpados. Além disso quem teve a culpa foram dois jogadores do Benfica que resolveram festejar um golo da sua equipa. Meninos, quando marcarmos um golo, que nos dê uma vitória, façam o favor de começar a chorar. Se não souberem, contratem carpideiras. Deixem as festas para as claques. Pois é, amigas leitoras e amigos leitores, esta introdução é só para dizer que nem estas aleivosidades me tiram a vontade de comer. O arroz de coelho estava simplesmente delicioso. E o vinho? Nem vale a pena falar. Maravilhoso. Esta foi uma refeição e peras.

PS. Schubert, meu malandro, vá almoçar. Deixe lá o jornal e esses comunicados das claques que não enchem barriga. Para a mesa já!
Bom Dia!

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada 'speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis


Hoje quero desejar Bom Sorte para vocês todos. Mas não dispenso de vos desejar um Bom Dia!

segunda-feira, maio 03, 2004

Apoiado

O João no seu blog, decidiu retirar os comentários. Entendo perfeitamente o seu estado de espírito. Ninguém conhece o João melhor do que eu. Eu também li os comentários a que ele se refere. Quem tem um sistema de comentários como eu tenho e como ele tinha sujeita-se a tudo. Mas há quem intrinsecamente não se sujeite. Felizmente quem me visita é gente de alto nível. Se um dia alguém tiver a covardia suficiente para no meu sistema de comentários, sob a capa do anonimato, tentar achincalhar o meu blog, os meus amigos ou os meus leitores, simplesmente apago esses comentários. Sem explicações. Ninguém tem o direito de ofender gratuitamente nem a mim nem a ninguém que eu estimo. Apoio sem qualquer reserva a tua decisão, Disperso.
Lunch Time Blog

Chego a casa e perguntam-me o que quero comer. Tem um óptimo cardápio ao seu dispor. Bife com batata frita. Bifanas de porco com batata frita. Costeletas com batata frita. Omoleta de queijo ou fiambre. Hoje não há camarão. Faço-lhe uma salada para acompanhar. De repente lembro-me que é segunda-feira. Por favor! Não se pode abolir as 2ªs feiras da minha hora de almoço?

PS. Schubert hoje não tens direito nem a uma linha no pêésse. Quem tem um dono com segundas-feiras, o melhor é mesmo aproveitar a tua ração. Posso?
Brasileiros

Em português do Brasil e aqui mesmo na minha coluna de ligações à direita: Ágora, Batata Trangénica, Diário de Lisboa, Digressiva Maria, Estrada de Côco, Raio de Luz.
Saravah!
Submissão

Submeto-me frequentemente às invasões linguísticas estrangeiras. Estou a escrever esta postagem como nota de rodapé a uma outra que o Francisco José Viegas escreveu com o título de Linguagem, ontem, no seu, nunca é demais dizer, excelente blog. É devido a essa minha submissão que uso expressões francesas tais como fait-divers ou noblesse oblige ou palavras inglesas tais como timming, leader ou mais recentemente blog. Para todas elas existe a sua tradução, à letra ou com a utilização do galicismo ou anglicismo correspondente, mas que não deixa de ser português. Quando eu era estudante universitário, alguns dos livros, se os queríamos ler em Português, só os encontrávamos em traduções brasileiras da MacGrwHill. Como opinião geral, péssimas traduções. Ou pior termos que gramar os embricados del inducido nas edições espanholas. Bom mesmo, era obtermos as obras no seu original. Em inglês ou francês. Tal como o “ogirinal” francês do Piskonov (tradução francesa da edição russa). Desculpem a ironia. Pois bem, eu discordo totalmente disso. Prefiro mil vezes ler em português do Brasil do que ter de ler em inglês. O nosso nível cultural e a nossa literacia são substancialmente inferiores à maioria dos países da união europeia e eu não creio (falta provarem-me) que os Húngaros, os Checos ou os Noruegueses, tenham de ter estudado em versões inglesas para poderem fazer os seus cursos. Ou que os Brasileiros tenham desenvolvido a indústria aeronáutica, uma das mais fortes do mundo, pondo de parte as “péssimas” traduções brasileiras. Por isso, aqui neste espaço eu sou um blogueiro, ou sou um bloguista, mas recuso-me a ser um blogger. Ah é verdade, o que acabei de escrever foi uma postagem.
Bom dia!

Glorioso

Não podemos embandeirar em arco. Ainda falta um jogo para terminar o campeonato e ainda falta um jogo da Taça de Portugal. Devemos festejar a vitória de ontem, porque foi nossa. As vitórias devem ser festejadas. Os pés, esses devem estar bem assentes no chão. Eu sou um homem de fé. Por isso acredito que possamos manter o 2º lugar no campeonato. É verdade que é o primeiro dos últimos. Mas tirando o chapéu ao FCP que desde o primeiro minuto deste campeonato, mandou os outros lutarem pelo 2º, esta será a melhor classificação que se pode obter. E o Glorioso vai obtê-la. Quanto à Taça, a minha fé é inabalável. Vamos ao Jamor ganhar!

Para todos os benfiquistas os meus parabéns e um desejo de um muito bom dia. Para os derrotados de ontem, toda a minha simpatia e um muito bom dia também!

domingo, maio 02, 2004

Bom dia!

Mãe

Eu levantava-me todos os dias rabugento. Ainda acontece. Não falava com ninguém que encontrasse acordado. Preferia mesmo que ninguém estivesse a pé. Nessa época eu não fumava, por isso ao contrário de hoje, a primeira coisa que fazia não era fumar um cigarro. Dirigia-me à casa de banho. As torneiras abertas e o estado permanente de alerta, faziam com que ela se levantasse. Sei que não era por espírito de contradição. Sei que era por me amar. Tinha sempre de me ir dar os bons dias. Eu nem respondia. Depois ia para a cozinha preparar-me o pequeno-almoço. Eu ignorava. Ou melhor não ignorava. Barafustava em pensamento umas vezes, outras entre dentes. Resmungando. Ela queria saber o que eu estava a dizer. Eu não respondia. Ou respondia torto. Depois olhava para o relógio. Como sempre rés-vés Campo de Ourique. Era vestir-me à pressa. Ela atrás de mim, com o café com leite. Filho, ao menos só o cafezinho, filho. Não quero nada disso. Vestia-me, pegava nos livros, abria a porta. E ela atrás de mim. Leva a torrada vai comendo pelo caminho. Não quero nada disso. Dava-lhe um beijo na cara. Até logo. Bebe o café filho. E vinha até à escada com a caneca na mão. E eu a descer a escada, com uma cara de mau. E uma lágrima a correr-lhe pelos olhos. Era assim, invariavelmente. Só tu mãe. Só tu. Sabes que ás vezes sinto saudades destas pequenas discussões matinais? Hoje vou aí a casa dar-te aquele beijo. Não é por ser dia da mãe. É porque eu também te amo.

Para todas as mães que a esta hora me estão a ler, um beijinho e o desejo de um óptimo dia!

sábado, maio 01, 2004


Lunch Time Blog

O tamboril é definitivamente um dos peixes mais feios que eu conheço. Mas é também um dos mais apreciados. Quando não há dinheiro para lagosta, come-se tamboril. Não vou aqui descrever a morfologia do peixe, nem o seu habitat e quase me recusaria a escrever o seu nome científico não fosse eu gostar tanto dele(s). Lophius piscatorius e Lophius budegassa, são as duas espécies à venda em Portugal. Quando a minha mulher foi cozinhar hoje, já o tinha “esfolado” e cortado aos pedaços. Fiquei sem saber qual das duas espécies comi. Ai, que raiva! Nem um Lunch Time Blog sabe tão bem assim. Mas paciência…A receita? Bom fiquem-se com os ingredientes do arrozinho de tamboril com gambas. A receita teria de a pedir à minha mulher. Ela não está aqui por perto, mas confesso que ela faz um arroz de tamboril maravilhoso. Tamboril, arroz, tomate maduro, cebola picada, louro, pimento coentros, vinho branco, sal q.b., piri-piri q.b. e gambas é claro. Dizem que é para acompanhar com um branco fresco. Eu acompanhei. De vinhos brancos estamos falados.

PS. O Schubert gostou!
Desvantagem

Se perdermos não culpem o Camacho. Culpem o S. Pedro. Diz a meteorologia que este fim-de-semana é de chuva. E como por aqui não neva, prevejo que seja de água. E se é de água, como é que uma equipa de futebol pode rivalizar com uma equipa de mergulhadores profissionais? Culpem o S. Pedro se faz favor.
Errata

Na minha postagem de ontem, sob o título Livros, escrevi '... vide colecção Vampiro'. Deveria ter escrito 'vide Rififi'. Acho que foi A mão direita do diabo, quem me atraiçoou. Obrigado pela ajuda, Francisco.
Bom Dia!

Maio maduro Maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul,
E uma falua vinha lá de Istambul

Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar,
E uma falua andava ao longe a varar

Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu’importa a fúria do mar,
Que a voz não te esmoreça vamos lutar

Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu,
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.


José Afonso, Maio Maduro Maio


Hoje é o 1º dia de Maio. Vejam como ele nasceu bonito. “Anda ver, Maio nasceu”. Para quem está a trabalhar, para quem está a gozar o merecido feriado, para os trabalhadores do mundo inteiro, desejo um óptimo, óptimo dia!