quinta-feira, maio 06, 2004

Bom dia!

Abomino a formiga:
Ordenada, carneirada.
Abomino o carneiro:
Seguidista, cabisbaixo.
Abomino o casmurro:
Antipático, anti tudo.

Viva a desordem!
O caos, anti manada
Viva o dinheiro!
(o que sai debaixo?)

Gosto de dizer num sussurro:
Como amo o surdo-mudo.

AF, in Complexus

Branca. Esta noite foi branca. A próxima mato-a. Com Noctamid! Espero, ao menos que seja um Bom Dia!

quarta-feira, maio 05, 2004

Frases

Uma olhadinha no blog deste gajo e lá estou eu a fazer o mesmo. Ele também viu neste blog e resolveu dar continuidade embora com alterações. Eu segui mais o desafio dele, porque achei mais engraçado.

As 5 frases que mais repito:

1. Estás a perceber? (claro que não está a perceber peva… com sorte está a ouvir)
2. Tomemos como exemplo… (as pessoas já perceberam e se não perceberam não é com os exemplos estúpidos que eu dou que vão perceber)
3. O que é que há para jantar? (é invariável… acho que há quase 50 anos que digo esta frase todos os dias)
4. SLB SLB SLB, SLB SLB SLB, Glorioso SLB, Glorioso SLB (em uma hora e meia sou capaz de dizer esta frase 30 vezes… depois digo-a por dia 3 vezes, ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar. Sempre antes das refeições. Há quem diga Obrigado meu Deus pela refeição que me vais conceder. Mas eu tenho uma fé inabalável no Glorioso)
5. Puta que o pariu (desculpem a baixaria, mas é tão bom… alivia tanto)

As 5 frases que mais detesto ouvir:

1. Estás a perceber? (mas eu sou algum mentecapto ou quê?)
2. Tomemos como exemplo… (bem quando me dizem isto até me passo… se não percebo à primeira é porque o tipo/a é suficientemente estúpido para lá não ir, nem com exemplo)
3. Não tirei nada hoje para o jantar (isto diz-se? Um gajo nem à noite se pode livrar do empregado do restaurante: ‘Então Sr. V. lá ganharam com mais um penaltesinho inventado plo Simão’… não há pachorra!)
4. Em cada lampião um cabrão (vão gozar com a vossa mãezinha tá? Vocês conhecem-me de algum lado? Sabem o que é que a minha mulher anda a fazer? A não ser que eu seja o último a saber…)
5. Puta que o pariu (plágios não vale, ou pagam direitos de autor ou não usem essa frase ao pé de mim, entendido?)

As 5 frases que já ouvi este ano por 38 vezes:

1. Ai..ai…ai..ai..ai..
2. Huummm..hummmm..hummmm.hummm
3. Mais, mais, mais, mais, mais
4. Mais fundo, com força, simmmmmmm
5. Sempre a refilar, sempre a refilar mas no final acabas sempre por fazer bem

(Breve explicação destas ultimas cinco frases: a n.1 deve ser lida em tom de quem está a ralhar ‘ai ai ai ai, estou a ver que não queres ir colocar os cortinados’; a n.2 deve ser lida com ar de desconfiança: ‘Já está direito o varão?’ ‘Humm humm humm e hummm’ e no final, ‘chega o lado direito 2 cms para cima’. A n.3 Mais mais mais mais é quando eu pergunto: vê lá se já está na altura certa’; n.4 tentativa de ajuda quando estou de chave de parafusos na mão, como se fosse o timoneiro num shell de quatro; n5 missão cumprida. E agora perguntam vocês? Trinta e oito vezes?? Pois! Este ano já tive de colocar cortinados em 6 salas cá em casa, 4 na casa dos sogros, 4 na casa dos pais, 3 na casa dos cunhados, 5 na casa de férias, 26 em casa de amigos. Façam as contas!)
Vertigem

Outro blog novo que descobri ontem e que também estou a gostar. Hoje vai passar para a minha coluna da direita. dos links, claro.
Ágora

O blog é novo mas estou a gostar de como está evoluindo. Vale a pena visitar e deixar uns comentários para animar. Ó Kachia conta aí mais coisas do teu Brasil, vá.
Atrasado

Aiiiiiiiiiii. Estou atrasado. Tenho de sair correndo para o médico!



Bom Dia!

“… Sentiu a atmosfera impregnada de um mistério onírico quase insondável, perturbador; invadiu-a um desejo imperioso, concupiscente de o desvendar. Que lugar era aquele? Outro tempo? Outra dimensão? (…) Não desejara aquilo e no entanto não sabia resistir-lhe. Obcecados, os seus passos dirigiam-se, dia após dia, para o Café, para aquele espaço onde, sabia, poderia encontrar-se ou perder-se irremediavelmente”

Maria Teresa Loureiro, Um olhar mil abismos


Todos os dias caminho para este meu café. Tornou-se irresistível, quase uma obsessão. Mas tenho aqui aqueles com quem falo, aqueles que me “ouvem” e aqueles que eu “oiço”. E é tão bom quando entro, sentir o cheiro das vossas presenças e dizer em voz alta: Bom Dia!

terça-feira, maio 04, 2004

FCP

Tiro-lhes o chapéu.
Desanuviando

Deem uma olhadinha na Uma Thurman. É pena ser só Uma. Porque não há 2 destas?
Palavrão

Não escrevo aqui o palavrão que acabei de dizer!
Hipocrisia

Hoje nos telejornais (esperem pelas 20:00h), políticos, advogados e juízes vão dizer: É uma prova que as instituições em Portugal estão a funcionar. Se não fosse dramático, hoje mijava-me a rir.
Vergonha

A sem-vergonhice nacional está a atingir o seu auge. Quem é que neste momento, em Portugal, ainda acredita na Justiça?
Justiça

A esta hora está a ser libertado o Sr. Cruz. Já faltam poucos. Consta que, para o mês que vem, começarão a ser presos os miíudos da Casa Pia.
Amparo

A propósito de uma postagem que li hoje com o título ‘… tirou a carta na farinha amparo’ e cujo título mais correcto deveria ser ‘… saiu-lhe a carta na farinha Amparo’ vou contar para os mais novos porque é que se usa essa expressão.
Quando eu era menino as farmácias não vendiam Bledine, os super mercados não existiam e os cereais e farinhas da Nestlé eram só para alguns bolsos. As camadas menos favorecidas da população (quase todos) recorriam a algumas farinhas mais populares para dar aos filhos. A mais popular de todas era, sem dúvida, a farinha Amparo. Só que as caixinhas onde os pacotes de farinha vinham tinham uma característica muito especial. Traziam sempre um brinde. A minha primeira colecção de índios e cowboys de plástico saiu-me na farinha Amparo. A partir daí, era usual, quando não pretendíamos dizer a real origem das “coisas” afirmarmos que tinham saído na farinha Amparo. Como deve ser perceptível, até pela acessibilidade da compra, os brindes da farinha Amparo não poderiam ser de grande qualidade. Daí que certas cartas de condução que alguns “choferes” das nossas estradas ostentam, só podem mesmo ‘ter saído na farinha Amparo’.

PS. Dedico esta postagem à Vertigem, com carinho.
Lunch Time Blog

Vamos lá a ver se nos entendemos. O Estádio da Luz era um inferno. Desde os meus tempos de miúdo que vou ao futebol e sempre se fez a festa. Eu nasci nos anos 50. Já sou velhote nestas andanças. Tendo em conta que os diabos vermelhos, a claque do Benfica, nasceu no início dos anos 80, não vale a pena virem para aí dizer que são as claques que fazem a festa e dão cor ao futebol. Isso é treta. Vem isto a propósito da Juve Leo ter invadido o estádio. Coitaditos, são claque, fazem a festa, devem ser desculpados. Além disso quem teve a culpa foram dois jogadores do Benfica que resolveram festejar um golo da sua equipa. Meninos, quando marcarmos um golo, que nos dê uma vitória, façam o favor de começar a chorar. Se não souberem, contratem carpideiras. Deixem as festas para as claques. Pois é, amigas leitoras e amigos leitores, esta introdução é só para dizer que nem estas aleivosidades me tiram a vontade de comer. O arroz de coelho estava simplesmente delicioso. E o vinho? Nem vale a pena falar. Maravilhoso. Esta foi uma refeição e peras.

PS. Schubert, meu malandro, vá almoçar. Deixe lá o jornal e esses comunicados das claques que não enchem barriga. Para a mesa já!
Bom Dia!

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada 'speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis


Hoje quero desejar Bom Sorte para vocês todos. Mas não dispenso de vos desejar um Bom Dia!

segunda-feira, maio 03, 2004

Apoiado

O João no seu blog, decidiu retirar os comentários. Entendo perfeitamente o seu estado de espírito. Ninguém conhece o João melhor do que eu. Eu também li os comentários a que ele se refere. Quem tem um sistema de comentários como eu tenho e como ele tinha sujeita-se a tudo. Mas há quem intrinsecamente não se sujeite. Felizmente quem me visita é gente de alto nível. Se um dia alguém tiver a covardia suficiente para no meu sistema de comentários, sob a capa do anonimato, tentar achincalhar o meu blog, os meus amigos ou os meus leitores, simplesmente apago esses comentários. Sem explicações. Ninguém tem o direito de ofender gratuitamente nem a mim nem a ninguém que eu estimo. Apoio sem qualquer reserva a tua decisão, Disperso.
Lunch Time Blog

Chego a casa e perguntam-me o que quero comer. Tem um óptimo cardápio ao seu dispor. Bife com batata frita. Bifanas de porco com batata frita. Costeletas com batata frita. Omoleta de queijo ou fiambre. Hoje não há camarão. Faço-lhe uma salada para acompanhar. De repente lembro-me que é segunda-feira. Por favor! Não se pode abolir as 2ªs feiras da minha hora de almoço?

PS. Schubert hoje não tens direito nem a uma linha no pêésse. Quem tem um dono com segundas-feiras, o melhor é mesmo aproveitar a tua ração. Posso?
Brasileiros

Em português do Brasil e aqui mesmo na minha coluna de ligações à direita: Ágora, Batata Trangénica, Diário de Lisboa, Digressiva Maria, Estrada de Côco, Raio de Luz.
Saravah!
Submissão

Submeto-me frequentemente às invasões linguísticas estrangeiras. Estou a escrever esta postagem como nota de rodapé a uma outra que o Francisco José Viegas escreveu com o título de Linguagem, ontem, no seu, nunca é demais dizer, excelente blog. É devido a essa minha submissão que uso expressões francesas tais como fait-divers ou noblesse oblige ou palavras inglesas tais como timming, leader ou mais recentemente blog. Para todas elas existe a sua tradução, à letra ou com a utilização do galicismo ou anglicismo correspondente, mas que não deixa de ser português. Quando eu era estudante universitário, alguns dos livros, se os queríamos ler em Português, só os encontrávamos em traduções brasileiras da MacGrwHill. Como opinião geral, péssimas traduções. Ou pior termos que gramar os embricados del inducido nas edições espanholas. Bom mesmo, era obtermos as obras no seu original. Em inglês ou francês. Tal como o “ogirinal” francês do Piskonov (tradução francesa da edição russa). Desculpem a ironia. Pois bem, eu discordo totalmente disso. Prefiro mil vezes ler em português do Brasil do que ter de ler em inglês. O nosso nível cultural e a nossa literacia são substancialmente inferiores à maioria dos países da união europeia e eu não creio (falta provarem-me) que os Húngaros, os Checos ou os Noruegueses, tenham de ter estudado em versões inglesas para poderem fazer os seus cursos. Ou que os Brasileiros tenham desenvolvido a indústria aeronáutica, uma das mais fortes do mundo, pondo de parte as “péssimas” traduções brasileiras. Por isso, aqui neste espaço eu sou um blogueiro, ou sou um bloguista, mas recuso-me a ser um blogger. Ah é verdade, o que acabei de escrever foi uma postagem.
Bom dia!

Glorioso

Não podemos embandeirar em arco. Ainda falta um jogo para terminar o campeonato e ainda falta um jogo da Taça de Portugal. Devemos festejar a vitória de ontem, porque foi nossa. As vitórias devem ser festejadas. Os pés, esses devem estar bem assentes no chão. Eu sou um homem de fé. Por isso acredito que possamos manter o 2º lugar no campeonato. É verdade que é o primeiro dos últimos. Mas tirando o chapéu ao FCP que desde o primeiro minuto deste campeonato, mandou os outros lutarem pelo 2º, esta será a melhor classificação que se pode obter. E o Glorioso vai obtê-la. Quanto à Taça, a minha fé é inabalável. Vamos ao Jamor ganhar!

Para todos os benfiquistas os meus parabéns e um desejo de um muito bom dia. Para os derrotados de ontem, toda a minha simpatia e um muito bom dia também!

domingo, maio 02, 2004

Bom dia!

Mãe

Eu levantava-me todos os dias rabugento. Ainda acontece. Não falava com ninguém que encontrasse acordado. Preferia mesmo que ninguém estivesse a pé. Nessa época eu não fumava, por isso ao contrário de hoje, a primeira coisa que fazia não era fumar um cigarro. Dirigia-me à casa de banho. As torneiras abertas e o estado permanente de alerta, faziam com que ela se levantasse. Sei que não era por espírito de contradição. Sei que era por me amar. Tinha sempre de me ir dar os bons dias. Eu nem respondia. Depois ia para a cozinha preparar-me o pequeno-almoço. Eu ignorava. Ou melhor não ignorava. Barafustava em pensamento umas vezes, outras entre dentes. Resmungando. Ela queria saber o que eu estava a dizer. Eu não respondia. Ou respondia torto. Depois olhava para o relógio. Como sempre rés-vés Campo de Ourique. Era vestir-me à pressa. Ela atrás de mim, com o café com leite. Filho, ao menos só o cafezinho, filho. Não quero nada disso. Vestia-me, pegava nos livros, abria a porta. E ela atrás de mim. Leva a torrada vai comendo pelo caminho. Não quero nada disso. Dava-lhe um beijo na cara. Até logo. Bebe o café filho. E vinha até à escada com a caneca na mão. E eu a descer a escada, com uma cara de mau. E uma lágrima a correr-lhe pelos olhos. Era assim, invariavelmente. Só tu mãe. Só tu. Sabes que ás vezes sinto saudades destas pequenas discussões matinais? Hoje vou aí a casa dar-te aquele beijo. Não é por ser dia da mãe. É porque eu também te amo.

Para todas as mães que a esta hora me estão a ler, um beijinho e o desejo de um óptimo dia!

sábado, maio 01, 2004


Lunch Time Blog

O tamboril é definitivamente um dos peixes mais feios que eu conheço. Mas é também um dos mais apreciados. Quando não há dinheiro para lagosta, come-se tamboril. Não vou aqui descrever a morfologia do peixe, nem o seu habitat e quase me recusaria a escrever o seu nome científico não fosse eu gostar tanto dele(s). Lophius piscatorius e Lophius budegassa, são as duas espécies à venda em Portugal. Quando a minha mulher foi cozinhar hoje, já o tinha “esfolado” e cortado aos pedaços. Fiquei sem saber qual das duas espécies comi. Ai, que raiva! Nem um Lunch Time Blog sabe tão bem assim. Mas paciência…A receita? Bom fiquem-se com os ingredientes do arrozinho de tamboril com gambas. A receita teria de a pedir à minha mulher. Ela não está aqui por perto, mas confesso que ela faz um arroz de tamboril maravilhoso. Tamboril, arroz, tomate maduro, cebola picada, louro, pimento coentros, vinho branco, sal q.b., piri-piri q.b. e gambas é claro. Dizem que é para acompanhar com um branco fresco. Eu acompanhei. De vinhos brancos estamos falados.

PS. O Schubert gostou!
Desvantagem

Se perdermos não culpem o Camacho. Culpem o S. Pedro. Diz a meteorologia que este fim-de-semana é de chuva. E como por aqui não neva, prevejo que seja de água. E se é de água, como é que uma equipa de futebol pode rivalizar com uma equipa de mergulhadores profissionais? Culpem o S. Pedro se faz favor.
Errata

Na minha postagem de ontem, sob o título Livros, escrevi '... vide colecção Vampiro'. Deveria ter escrito 'vide Rififi'. Acho que foi A mão direita do diabo, quem me atraiçoou. Obrigado pela ajuda, Francisco.
Bom Dia!

Maio maduro Maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul,
E uma falua vinha lá de Istambul

Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar,
E uma falua andava ao longe a varar

Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu’importa a fúria do mar,
Que a voz não te esmoreça vamos lutar

Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu,
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.


José Afonso, Maio Maduro Maio


Hoje é o 1º dia de Maio. Vejam como ele nasceu bonito. “Anda ver, Maio nasceu”. Para quem está a trabalhar, para quem está a gozar o merecido feriado, para os trabalhadores do mundo inteiro, desejo um óptimo, óptimo dia!

sexta-feira, abril 30, 2004

Livros

Com este titulo fez Francisco J. Viegas uma postagem no dia 28. Diz o Francisco J. Viegas que por estas alturas do ano, publicou Dinis Machado, em 1977, O Que Diz Molero (eu comprei-o e li-o em 1977 e aqui, num dos meus “bons dias”, já tive oportunidade de o citar). No entanto na postagem há uma observação que me intriga. O Francisco (desculpe tratá-lo assim, mas você faz parte do meu quotidiano de leitura, é como se eu o conhecesse de há muitos anos), escreve “Autor de um livro só?”. Ora deve ter sido apenas por distracção, meu caro Francisco. E Dennis Mac Shade? A obra policial não é uma arte menor. E Dinis Machado escreveu muitos destes livros (vide colecção Vampiro). O seu a seu dono.
Polvo

Octopus vulgaris

Presidentes de Câmara – Clubes de Futebol – Empreiteiros – Partidos Políticos, até agora só quatro tentáculos. Faltam mais quatro. Quem palpita?
Amuleto

A minha amiga das florestas, diz que o meu amuleto é um trevo de quatro folhas. Ora dizem que o trevo de quatro folhas dá sorte.
Ora vamos lá por partes:
a) Se vou à pesca com um companheiro, ele pesca sempre. Eu raramente consigo trazer um peixe. Sorte: não ter de o amanhar.
b) Se estaciono em cima de um passeio, quando volto tenho uma multa. Sorte: não ter de andar à procura de moedas para por no parquímetro.
c) Se jogo não ganho nem um euro. Sorte: não ser assaltado e ficar sem esse euro.
d) A Gotinha diz no blog dela que há 11 mulheres por cada homem. Eu só tenho uma. Sorte: sem machismos gratuitos… eu só tenho um cartão de crédito.

Vou ali ao campo apanhar um trevo e já volto. O pior é se ele murcha e me sai o totoloto. Isso é que seria azar, tadinho do trevo.
Bodyboard

Não sei se alguma das minhas leitoras ou algum dos meus leitores gosta de bodyboard. Ou os filhos. O Edmundo Peixeiro foi, aqui há uns anos atrás, campeão nacional e europeu de bodyboard. Actualmente ensina os outros a surfar, não está entrando em competições, o que é uma pena, mas entrou no mundo dos negócios. Hoje vai inaugurar a sua loja de bodyboard na Costa da Caparica. Chama-se Miramar, fica quase junta à praia. Para ele toda a sorte do mundo. A vocês fica aqui o meu convite para uma visitinha. Comprem lá a prancha para os putos, vá lá. A vida do mar é saudável. E o bom tempo está a chegar.
Team Work

Olhem aqui eu e o Schubert a estudar blogs.



O "eu" está omisso na foto. Fiquei por detrás da câmara.
Bom Dia!

Levanto a custo os olhos da página;
ardem;
ardem cegos de tanta neve.
Faz dó esta paixão pelo silêncio,
pelo sussurro do silêncio,
pelo ardor
do silêncio que só os dedos adivinham.
Cegos, também.

Eugénio de Andrade, A Paixão


Desapareceu um dos meus blogs preferidos. A minha amiga já não está na net. Ainda continuo apaixonado pelo que ela escreve. Silenciosa. Um estranho sussurro de silêncio. Um ardor. Para todas e todos os que me lêem e hoje especialmente para a Catarina os meus desejos de muito bom dia.
‘Açaçinando’ a língua

No blog do bidé: “…eles mereciam é que os fiscais da câmara fossem lá ‘embriagar’ a obra…”

Ontem num café do Porto “.., eu não me meto na vida ‘alheira’ …”

Bom. eu vou ali comer uma alheira e beber uma cerveja, espero não me embriagar, e já volto.

É obra, mas também é a minha vida… o que é vocês têm com isso?

Não me digam que agora também vos apetece meter na vida ‘alheira’ e ‘embriagá-la’, não? Vá lá, façam um ‘abaixo-assassinado’, vá!

quinta-feira, abril 29, 2004

Amizade

Uma amiga minha irá amanhã fazer uma comunicação na Universidade Lusíada. É a sua primeira “fala” no país que escolheu para fazer o seu mestrado. Provavelmente, também, o seu doutoramento (ela dirá doutorado). Hoje telefonei-lhe para lhe dar a “maior força”. Força aí Kachia, mostra o que vales, miúda (ela entenderá, garota).
Tempo

Hoje numa conferência sobre transportes marítimos, a que assisti no Porto, uma das pessoas que fez uma comunicação foi o Comandante Jorge Semedo. Em 1973 terminei o liceu, em Almada. Eu era o sub-chefe de turma, o Semedo o chefe. Foi sempre assim desde o meu 3º ano de liceu. O Semedo o chefe, eu o sub-chefe. A escolha era por votação dos colegas. Democrática, mesmo nessa época. Hoje relembramos isso e não só (lembramo-nos por exemplo que uma, hoje proeminente, figura política do nosso país, não tomava banho depois das aulas de ginástica). Sempre se relembra algo quando se encontram velhos amigos. Amigos apenas, porque não somos velhos, ora bem. Terminamos as aulas no dia 10 de Julho de 1973. Depois foi época de exames. Eu só tive de fazer Filosofia, pois dispensei os restantes. O Semedo não sei. Hoje não falamos disso. Falamos de outras coisas e lembrámo-nos que não nos víamos desde Junho de 1973. Quase 31 anos depois voltamos a nos encontrar. É tempo!

O meu blog, faz hoje precisamente 6 meses que eu o comecei a escrever. Às vezes penso como é que arranjo temas para tanto tempo aqui na blogosfera. Tanto tempo? O que são 6 meses e o que são 31 anos? De facto não via o Semedo havia muito, mesmo muito tempo.
Aleixo

Gosto de ir comer ao Aleixo. Na Campanhã. É um restaurante muito agradável, onde, se come muito bem. A decoração é simples. As paredes são em camadas de rocha. Cada sala tem um nome. A “farmácia”, onde se expõem os vinhos e as sobremesas. A “sala de operações”, onde se come, o “laboratório” que é a cozinha. A “desinfecção”, onde podemos lavar as mãos. Ah e a “sala de torturas”, onde temos de pagar a conta. As paredes decoradas com pequenos quadros. De gente famosa que visitou o Aleixo e de muitos recortes de jornais que o mencionam. De novo, não tive oportunidade de comer o célebre cabritinho no forno. Só servem à sexta à noite. Talvez da próxima vez. Mas não percam os filetes. Desta vez comi filetes de polvo acompanhado de um arrozinho do dito. Estavam deliciosos. E depois uma vitela acompanhada de batatinha nova. Estava divinal. E um vinho do Douro, maduro, tinto, é claro. Esteva 2001. Uma aletria doce de sobremesa. Um café e o segundo golo de Portugal. No Porto detesta-se Scolari. E Ricardo... bom, Ricardo é um frangueiro.
Porto

Acabei de voltar. Obrigado a quem me desejou boa viagem. A quem mandou beijinhos ao Porto, confesso que não me ajoelhei para beijar o chão, só porque tenho uma hérnia e não porque eu tenha alguma coisa contra o Papa. Mas mandei beijinhos para o ar.
Eu não vou muitas vezes ao Porto e, das vezes que lá vou, raramente tenho tempo para passear. Ontem cheguei ás 7 da tarde, mas ainda deu para um pequeno passeio. Do hotel até à Batalha, a pé, não é longe. Mais abaixo uma espreitadela ao Douro. No miradouro, claro. Mas voltando à Batalha. Ainda lá continua, quase em ruínas, o Águia D’Ouro. E também o Chave D’Ouro. E o velhinho “mijadouro” (sim sei que não se escreve assim). Mas está lá! Depois descer as escadinhas dos Guindais. Onde uma menina tratava dos seus oito gatos, ou gatas, ou ambos. Sim oito e todos bonitos. Onde, a meio, uma bicicleta estava estacionada, amarrada com correntes e cadeados ao corrimão. Quem subirá ou descerá aquela escadaria toda de bicicleta? Só se for promessa. Parar três vezes para tirar um cigarro para dar. ‘Desculpe, arranja-me um cigarrinho?’. Com certeza. Eu sei que é mau fumar. Mas não consigo negar um cigarro a quem me pede. Chegar à ponte D. Luís. Em obras, para que o metro passe até Gaia. Ler do lado de lá, os nomes todos das caves e pensar se já bebi um Porto de cada uma daquelas marcas. E descer um pouco até à Ribeira, Para ver in loco, o que costumo ver na TV. O D. Tonho, O Presuntisco, e outros. A hora do jantar estava próxima, um táxi levou-nos ao Aleixo.

quarta-feira, abril 28, 2004

Já volto

Vou até ali ao Porto e já volto. Amanhã à noite, entrarei em contacto convosco. Entretanto não chorem. Eu sei que sou bom, mas não sou tanto assim não é?

PS. Hoje almocei cozido á portuguesa. Nem ao Schubert contei. Amanhã com calma trocarei impressões com ele sobre a influência da unha de porco na felicidade dos gastromaníacos.
Enganos

Se um dia a tua mulher te enganar e resolveres te atirar de um 12º andar, lembra-te: O que tens são chifres, não são asas.
Bom Dia!

De tarde

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde



Podemos acordar de manhã a pensar na tarde. A congeminar pic-nics, burgueses ou não. A lembrar que na Primavera as papoulas “sangram” os granzoais. A imaginar seios cobertos de rendas. Só não podemos é deixar uma manhã partir sem vos desejar um muito bom dia!
IRS

Acabei de preencher os papeis do IRS. Aparentemente, este ano, vou receber algum de volta. Para quem não recebe salário há 2 anos, já não é chita. Deve dar para um almoço. Eu depois descrevo o que comi. Não se façam já ao bife, porque não deve dar para convidar. Talvez para a hora da bica.

terça-feira, abril 27, 2004

Lunch Time Blog

Tive um colega de trabalho, numa das empresas por onde passei, que acompanhava as suas refeições com arroz. Todas. Lembro-me de ele, à minha frente na fila do self-service, pedir sardinhas assadas, sem batata, sem salada, só com arroz. Outros hão, como o meu cunhado, que quem lhes tira as batatas fritas, estraga-lhes a refeição. Estou à espera do dia em que nos sentemos à mesa para comer um bacalhau com todos e ele queira substituir, a batata, as hortaliças, a cenoura, o ovo, por batatas fritas. Eu para acompanhamento, sinceramente gosto de variar. E gosto de fazê-lo consoante a refeição. As saladas são as minhas preferidas. Mistas ou individualizadas, tanto faz. Uma bela salada de alface picadinha com as favas e entrecosto. Uma salada de pimentos com as sardinhas. Uma salada de tomate, quando como um churrasco seja de que carnes for. Uma salada completa de tomate, alface, cebola, milho, aipo e palmito, um pouco de queijo de cabra. Não como acompanhamento, mas ela de per si a servir de refeição. Depois vêm as frutas. Qualquer que seja a refeição eu sou capaz de a acompanhar com fruta, sendo que, com a bela picanha na pedra, nunca dispenso. Os espargos são outras das minhas preferências. Um pouco de manteiga derretida, pego no espargo com a mão, já sei, vão dizer, que horror, mas é mesmo assim que faço, e vou molhando as pontinhas e acompanhando o prato. As castanhas e o seu puré. Qualquer puré, batata, castanha, maçã, me delicia como acompanhamento. Não dispenso um arroz de “cascas” como eu costumo dizer, cá em casa, em private, para acompanhar peixe frito. Entenda-se como “cascas”, os mariscos bivalves, seja amêijoa, seja conquilha mas, fundamentalmente lingueirão.
Hoje o acompanhamento foi à viola e à guitarra. Camané cantava o fado. No gira-discos.

PS. O Schubert gosta de estar acompanhado quando come. De quando em vez, levanta o focinhito do prato e olha em redor. Se vê alguém, diz umas palavras em dialecto gatês, mostrando a sua satisfação e continua. Gosta também de ser acompanhado com uma carícia no lombo.
Bom dia!


Não te Amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett, in Folhas Caídas


Os homens! Em todas as épocas, de todas as condições. Os homens! Para todos os homens e mulheres que amam ou que apenas querem, a todos e a todas os meus desejos de um muito bom dia!

segunda-feira, abril 26, 2004

Ágora

A minha amiga Kachia (não é sotaque que eu estou transcrevendo, não, ela não é Catia se lendo Kachia, é Kachia mesmo), também já tem um blog. Ela escreve em português do Brasil, que é como quem diz, só cá para nós que ninguém nos ouve, em brasileiro. Vai daí tive dificuldade em ler o título de uma postagem. Ela escreveu “correção” e eu pensei que o título era uma incorrecção. Afinal lá naquele português deles, correto é correcto e não está incorrecto. Vamos lá ler? Eu já fui e já a coloquei aqui na lista do lado direito.


PS. Ágora é grego e é o nome do blog da Kachia. Quem explica bem, essas coisas de grego, é a Carla de Almeida no seu blog bomba-inteligente. Não sei se antes de eu ser um bloguisteiro ela já deu uma explicação de Ágora. Se não deu ficarei à espera.
Lunch Time Blog

As segundas-feiras nunca são dias muito bons para se falar de comida. Em primeiro lugar, porque ainda estamos de ressaca das petiscadas e bebedeiras de Domingo. Em segundo (e falo do meu caso) ainda estou meio a dormir para ter suficiente discernimento para não escrever disparates. E, finalmente, esta é que é a razão principal é que eu às segundas, não só ainda estou a pensar no fim-de-semana acabado, mas também já estou a pensar no próximo fim-de-semana, do que vem aí de prazeres gastronómicos e, qualquer coisa que se coma hoje é incomparavelmente pior que o desejo do futuro e saudade do passado. Se comemos em casa, aliviamos o estômago dos antecedentes exageros e começamos a prepará-lo para os vindouros. Se comemos fora, torcemos o nariz à ementa, desconfiamos do peixe, e pensamos os dias de frigorífico que aquela carne já tem. Temos o bacalhau, penseis bem vós, amigas leitoras e amigos leitores. Bacalhau não é carne e nunca foi peixe. Mas eu gosto de bacalhau por prazer e não por alternativa, portanto está fora de questão comer bacalhau à segunda-feira. Poderíeis argumentar, alguns de vós, algo do tipo interrogativo: ‘mas este gajo não sabe o que é fast food? Ele ia ao gajo das galinhas de kentucky, ou ao marques donalde ou à piza telefónica e pronto, não vinha para aqui encher a postagem de cheiros e sabores’. Pois sabeis bem o que eu respondo a isso, nem preciso dizer. Se escrever pqp à ideia, vós sabeis o que eu quero dizer. Portanto pelas razões apontadas, decidi, hoje, não escrever a minha postagem denominada Lunch Time Blog. Não é birra, não. É que não tenho tema.

PS.
1. Schubert, não leias o que escrevi acima. Vamos à contagem? Primeiro porque eu não escrevi nada.
Segundo porque mesmo que tivesse escrito estaria cheio de termos em estrangeiro e tu não irias
perceber nada.
2. A água e o AlkaSeltzer estavam deliciosos.
3. Estou cansadíssimo de NÃO ler comentários. Vós sois cá uns cortes.
4. Tenho descoberto uns blogs muito fixes. Um dia destes faço aqui mais um pouco de publicidade aos ditos.
5. No escândalo da Brisa não há culpados. Deve ter sido mais um acto da natureza. Uma brisa que passou por ali.
Bom Dia!

"... Por isso, estes contos são crueis. Diz-se às vezes que há muito de amor do mal no evocá-lo e referi-lo. E que é disso que ele se perpetua. O mal não se perpetua senão no pertender-se que não existe, ou que excessivo para a nossa delicadeza, há que deixá-lo num discreto limbo. "

Jorge de Sena, Prefácio de 1971 a Os Grão-Capitães


Que é como quem diz 'perdo-o, mas não esqueço', o que na verdade é uma grande hipocrisia. E como eu não sou hipócrita não esqueço, nem perdoo-o o mal. Mas a todos os que são de bem eu desejo um grande Bom Dia!

domingo, abril 25, 2004

Contributo

Durante o último mês tentei dar o meu contributo, através de uma visão pessoal do enquadramento do 25 de Abril, na situação antes e na evolução que teve a Revolução durante o primeiro ano, para a comemoração dos 30 anos do 25 de Abril. Como referi no dia em que iniciei a escrita desse pequeno romance, não tive nenhuma pretensão de escrever uma “obra”, mas apenas proporcionar, principalmente aos mais novos, o conhecimento da época em que vivíamos, época em que alguns dos meus leitores ainda não eram nascidos. Verifico me mais de 270 pessoas acederam ao meu texto, pese embora tenha consciência que nem todos terão lido o texto completo. Ainda assim, acho que valeu a pena. Quem ainda tiver curiosidade de o ler pode encontrá-lo aqui nesta morada: Livro de Contos.
Pi

"Se os filhos da puta voassem, deixava-mos de ver o Sol"

Pi de la Serra, Cantor Catalão
25 de Abril!


"...Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena..."

J.C. Ary dos Santos, in As Portas Que Abril Abriu

sábado, abril 24, 2004

Memória III

Durante a manhã, fiquei pelo Bairro. Reuníamos no muro comentando. Um ouviu isto na rádio, outro ouviu aquilo, entretanto chegavam uns, partiam outros, a confusão era grande, as notícias incoerentes, os boatos, muitos.
Almocei algo nervoso. O meu irmão e o meu pai tinham saído para o trabalho e a preocupação no rosto da minha mãe era indisfarçável. Eu tinha decidido não ir ao Técnico, já que as recomendações eram para não sair de casa. Por outro lado, não estava disposto a que a minha mãe ficasse só. Fui apenas a Almada, comprar jornais. Todos os que consegui. Quando Marcelo saiu na Chamite, do Quartel do Carmo, as lágrimas correram-me de emoção. Na esquina, eu e um amigo abraçamo-nos. Apenas. Fortemente. E dissemos em uníssono: Ganhámos!
Vozes

- Ó pá, sabes porque é que o boi muge, quando vê uma vaca?
- ... ?
- Porque não sabe assobiar.

(eu não diria melhor!!!)
Lunch Time Blog

O meu amigo Manel tem um rebanho de ovelhas. Mas ao contrário de certos pastores que é Ó Violeta, psiuuuuuu, Ó Mimosa vem cá, pcheeeeetttttttt Papoila, Ó Malhadiiiiiinhaaaa, o meu amigo Manel não põe nomes aos animais. Ele diz, com razão, que bicho com nome não se come. Eu também acho que ele está completamente certo. E é por isso que quando eu quero um borrego, acabadinho de matar, o encomendo ao meu amigo Manel. Ao menos assim, sei que não estou a comer o Careca, nem a Florzinha, nem a Manquita, mesmo que o animal coxeie de uma pata. Mas confesso que, ainda assim, prefiro os carapaus. A um cardume de uns bons milhares seria impossível pôr o nome um a um. E mesmo que o pescador o fizesse, haja imaginação, a peixeira não teria tempo de decorar. A propósito, será que um carapau em francês é visage-batôn? E em inglês será stick-face? É que o molho, que eu ponho por cima, ninguém tem dúvidas: spanish style sauce. Só que ás vezes a cebola faz-me chorar dos olhos.

PS. Schubert conta lá ao pessoal se os carapaus não estavam bons. Conta, vai, não fiques assim acanhado. Gato que é gato não se envergonha.
Ruivas

Nunca entendi porque é contam anedotas de loiras. Para mim, uma anedota, é uma pequena história caricata, normalmente inventada e que quase sempre faz rir. Ora se é inventada, não faz sentido contar-se anedotas de loiras. Porque são sempre verdade. Ah, mas com as ruivas é diferente. E é por isso que esta Ruiva não é uma anedota. É uma miúda genial, que eu conheço e que faz umas postagens muito interessantes. São coisas de ruiva, eu sei, mas são giras.
Restaurantes

Ao meu amigo Zacarias, de quem já vos contei algumas histórias, acontece-lhe cada uma… Como quase todas as sextas-feiras, encontramo-nos à noite no café para dois dedos de conversa e uma cerveja. “Parabéns Zac, foram 10 não foram?”. Não tinha a certeza, mas pelas minhas contas ele tinha acabado de fazer 10 anos de casado. “Então onde foi a comemoração?”. Bom, que foram a um novo restaurante francês que abriu em Lisboa, por sinal muito bom, mas caríssimo, que lhe ia dando um traique-livaique. Mas segundo ele, acabou por nem pagar muito. Então contou-me o que eu vou transcrever em diálogo:

- Zacarias (Z) : 140 Euros? Você está doido ou quê? O que é isto couvert? Nós não comemos couvert nenhum.
- Empregado (E) : O couvert estava aí, você não comeu porque não quis.
- Z : E este champanhe que nem sei ler o nome? Também não bebemos champanhe nenhum.
- E: Estava aí, o senhor não tomou porque não quis.
- Z: Sobremesas? Nós não comemos estas sobremesas todas.
- E: Mas estavam aí, à disposição. Você não comeu por que não quis.
- Z: Bom está bem, você tem razão. Então 140 Euros, subtraindo 100 por você ter feito amor com a minha mulher, dá 40 e é só isso que eu vou pagar.
- E: Eu? Mas isso é um absurdo. Eu nem olhei sequer para a sua esposa.
Zacarias levantou-se, deixou os 40 Euros em cima da mesa, olhou o empregado com desdém e respondeu-lhe:
- Estava aí, você não comeu porque não quis.
Bom Dia!

"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história"


Carlos Drummond de Andrade, Quadrilha

E há por aí muitas outras quadrilhas. Vocês sabem que eu sei que vocês sabem que há por aí muitas quadrilhas. Ó, Ó, se há! Tenham um muito Bom Dia!

sexta-feira, abril 23, 2004

Livro

Hoje não posso escrever mais. Já falei sério, já disparatei, enfim, stress vai-te embora, meu querido, que hoje não te aturo mais. Agora vou ler. Sendo que é Dia Mundial do Livro, porque é que não hei-de fazer o que faço nos outros dias todos?
Perisemples

A Espectacológica hoje fez uma postagem a dizer que "morrer é um alívio". Eu tive a oportunidade de lhe deixar um comentário que aqui reproduzo: "Opá, mas se um gajo morre.. assim perisemples.. um gajo morre não é? E pode levar um computador para ler os berlogues? E assim também, perisemples, pode fazer comentários?".
Mas se fosse só para dizer isso, bastava pedir-lhes para irem lá ler o comentário. Mas não é. É que depois fiquei a pensar, assim também perisemples, um gajo morre, prontes, alivia não é? E como é que quem fica cá sabe se um gajo alivia se um gajo morre e não pode dizer? Pois é, agentes morre, não é? E depois a gentes vai para o céu não é? Então se agentes vai para o céu, porque é que agentes não cai? É só porque a gentes perde 21 gramas e fica assim mais levezinho? Oh pá perisemples, eu vou pensar um bocadinho nisso e já volto.
É que eu não estou nada com vontade de aliviar ainda. Eu acho que ainda posso aguentar mais um bocadinho, assim, perisemples, se não me obrigarem a ver a TVI, nem me derem iscas ao almoço, não acham?
Siglas

Desde que me desempreguei há 2 anos que tenho apresentado o meu CV às mais diversas entidades. Alguns ER agradecem o envio e informam-me que passarei a constar dos seus ficheiros para uma oportunidade. Outros dão-me uns documentos para preencher que não são mais que um TPC em modo interrogativo. No final verifica-se que o meu QI é quase zero e lá vou eu borda fora. Claro que nem me atrevo a chamar-lhes FDP. Eles sabem que são.

Glossário

CV Curriculum Vitae
ER Executive Researcher
TPC Ter Portentosa Cunha
QI Quem Indique
FDP Todos sabem
Lunch Time Blog

O Schubert sentou-se comigo à mesa. Pôs o babete para não sujar o laço, olhou para mim e disse-me:

- Miau!
- Ó tonto, não vês que não preciso. Não estou de gravata.
- Miau!
- Faca e garfo? Para quê? Tu ainda não sabes comer de talher, só tens 3 meses.
- Miau!
- Porque tem alhos.
- Miau!
- Natas. Não sabes o que são natas? Estás a ver o teu leitinho? É assim parecido, só que mais espesso.
- Miau!
- Cogumelos.
- Miau!
- Claro que não tens rapaz. A veterinária disse que podias comer um bife, mas teria de ser grelhado e sem temperos.
- Miau!
- Se gostares, sim, posso te fazer uma bica.
- Miau!
- Primeiro a sobremesa? Claro. Gostas de morangos? Se gostares eu dou-te.
- Miau!
- Só do molho com açúcar? Isso é a tua dona, eu não como morangos com açúcar.
- Miau!
- Que gostaste da refeição sei eu, és um guloso.
- Miaurrrerrrerrre.
- Schubert!!!!! Não precisas arrotar à mesa!

PS. Querias um pêésse só para ti? Não te chega a atenção que te dei ao almoço?
Bom Dia!


“Uma coisa é estar convencido e outra estar disposto a convencer-se; é aos desta classe que me dirijo, e não aos que julgam humilhação vir escutar o que eles chamam ilusões. Com estes eu não me ocupo, absolutamente”.

Allan Kardec, O que é o espiritismo.


Neste parágrafo, Kardec refere-se aos que consideram a existência de espíritos uma ilusão. O pensamento é bom mesmo que aplicado a “outras coisas” da vida. Eu não me ocupo absolutamente de quem não quer aprender. Aos atentados à inteligência eu não deixo o meu desejo de Bom Dia. Nem me obrigará a dizer obrigado, ariel.
Visitei

Visitei o blog Estrada do Coco. Está publicado um excelente extracto referenciado como : Ruben Braga [1913-1990], Pequena Antologia do Braga, Editora Record, 7.ª Edição, 2004.

Só porque falamos a mesma língua, vale a pena ler. Eu, por ter muitos amigos e amigas brasileiras e por ler muitos autores brasileiros, já conhecia a maioria das expressões. E ainda não está, escarrapachada a gíria, que para nós é calão. Porque essa é quase in-traduzível. Não podemos esquecer a dimensão do Brasil e “as gírias” regionais. Não é só esta postagem que vale a pena ler. Eu por mim, estacionei (aparquei?, parqueei?) por lá longos minutos. Gostei.
Estacionamento

Prometi-te, cá vai a história. Eu já fui assistir a uma sessão do Parlamento. Ao vivo! Parece cretino que, ao fim de trinta anos de democracia, eu esteja aqui a dizer que já assisti a uma reunião plenária dos nossos representantes. Mas é verdade, fui só a uma e fui forçado. Já assisti a horas e horas a fio de debate parlamentar, mas, ao vivo, nunca lá tinha estado. Tudo por causa do estacionamento. Fui almoçar a S. Bento, ao restaurante de uma ex-colega de uma das empresas onde trabalhei. Naquele tempo, no tempo em que eu ainda estava empregado, tinha um bom carro. Marca “nobre”, alta cilindrada, ainda brilhante de novo, poderia ser o carro de um deputado. Voltas e mais voltas e lugar para estacionar, népias. Vai já para ali. Um carro destes pode estacionar no parque da AR que ninguém desconfia. Os outros que lá estavam, tinha um dístico identificador. Mas caramba, um deputado da nação tem direito a ter um esquecimento, ou não? Quando regressei do almoço, tinha a bloquear-me, o carro, este sim de um senhor deputado. E agora? Não poderia ir chamar a polícia. Seria lata a mais. E dinheiro a menos, pois sem multa não passaria. E além disso, alguém iria dizer lá, no parlamento, aos microfones: “O Sr. ou Sra. Deputada que tem o carro a bloquear a saída de um pacato cidadão que acabou de almoçar, faça o favor de ir retirá-lo”? Aguentei-me à bronca. Tomei um táxi e fui trabalhar. Às sete da tarde, o meu carro ainda estava bloqueado. Fui então assistir ao resto do debate parlamentar. Discutia-se votava-se o “totonegócio”. Só quando o Dr. Almeida Santos deu por terminada a sessão, já passava largamente das oito, é que toda a gente debandou da sala. O Sr. Deputado, dono do carro bloqueador, chegou primeiro do que eu, ao parque. Depois saí calmamente a assobiar, como se nada fosse comigo.
Memória II

São sete da manhã e o telefone toca. Ainda não me tinha levantado apesar de nem me ter deitado tarde. Contra o costume estava a dormir havia, por aí, umas 6 horas. O meu tio António nascera perfeito durante a guerra de 1914-18, poucas semanas depois de o meu avô ter partido para França. Quando regressou, libertado pelos alemães, por quem tinha sido capturado na célebre batalha de La Lis, encontrou um filho, o seu primeiro filho, cego por um surto de bexigas. O meu tio António, era no ramo paterno, a pessoa mais esclarecida da família, talvez a mais culta e certamente a que melhor “via” o país e a sociedade.

- Estás acordado?
- Agora estou, tio. Há algum problema?
- Ainda não ouviste notícias?
- Não tio, acordei com o telefone. O que há?
- Bom, filho. Não saias de casa. Liga a telefonia. Até agora parece que os nossos estão a controlar. Mas é preciso dar tempo.
- Está bem tio, obrigado. Mais tarde eu ligo-lhe.

Desligamos, acendi a telefonia, não voltei para a cama. Os nossos? Não me lembro de ter alguma vez, abertamente discutido política com o meu tio. Não me lembro se alguma vez me “descaí” sobre as minhas opções. Mas o meu tio António apesar de cego, não tinha só quatro sentidos. Ele sabia, que a mim, poderia dizer: os nossos.
Novo

Está aí um novo blog. Bem vinda!

quinta-feira, abril 22, 2004

Lunch Time Blog

Um dia destes o meu compadre Anastácio, numa daquelas informações que ele me costuma dar e que eu vou guardando na agenda para quando me fizerem falta, se é que fazem, disse-me que a maneira de descobrir, quando dois borregos, um branco e um preto, já estão mortos e esfolados, qual dele é o branco ou qual deles é o preto, é pela língua. Pronto está bem, fica a informação. Não faço a mínima ideia se esta observação se aplica aos porcos. Não chegamos a falar disso. Mas uma coisa é certa. Gosto muito mais de porco preto do que de porco branco. As costeletas são mais tenrinhas, o sabor é delicioso e este que comi hoje, dizem, foi alimentado a bolota. Não só não deu para lhe perguntar, porque o porco já estava morto, mas também, mesmo que vivo o javardo se encontrasse, não acredito que me respondesse. A predominância das castas Tinta Roriz e Tinta Branca, Touriga Franca e Touriga Nacional neste Douro fê-lo deixar-me ficar na boca por uns bons momentos de prazer. Não foi uma refeição e peras, mas para um dia de semana, apresentava-se escorreita. Comi uma laranja que eu próprio descasquei. Adoro comê-las em gomos irregulares.

PS. Não te deu o cheiro Schubert? Hoje não me foste visitar à sala de jantar. Estás feito um dorminhoco não é? Acho que quem vai dormir a seta agora sou eu.
Adolescente

A Kachia virou-se para mim e disse:

- Eu hoje me sinto uma adolescente.
- Porquê? Você sente-se jovem, alegre, bonita, apaixonada?
- Não. Tenho uma borbulha ne testa.

E eu sempre a cair nestas. Mas brasileiro só sabe zoar?
Bom Dia!

"Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores"

José Afonso, Coro da Primavera


Faltam 3 dias para o rufar dos tambores. A Liberdade está a passar por aqui. Tenham um maravilhoso dia.
Publicidade

1. Eu tenho de fazer publicidade do que gosto não é? Até porque vocês ainda não sabem quanto é que ela deixa de gorjeta, na bandeja. Um dia quando ela descobrir a relação entre o PreDatado e aquele empregado de café, onde ela toma a bica e compra a almofadinha de carne para o menino…descobre. É que não há publicidades de borla (era almoços não era?). Pois desta vez, ela foi buscar um enlatado, abriu-o, e serviu-nos em postagem. É assim algo como Tramo-te. É tudo uma questão de abre-latas.

2. Ele diz assim: "NÃO MUDES A TUA NATUREZA SE ALGUÉM TE MAGOAR. APENAS TOMA PRECAUÇÕES." Uma historia de sábios e escorpiões. Quem não conhece pode ir lá ler.

3. Esta menina disse que ía acabar com o blog dela e eu fiquei triste.

4. A Caínha escreve contos bonitos. Demora um pouco para publicar, mas eu gosto de ir lá ler.

5. Com três letrinhas apenas / se escreve a palavra Ana / é uma das mais pequenas / mas olhem que vale a pana. (É vale a pena, mas não encontrei um jeito de rimar).

Quando eu estiver inspirado refirirei mais berlogues que gosto. Agora vou dormir que já se está fazendo cedo.
Memória I

A noite para mim sempre se fez dia. Desde há muito. O sol não desaparece. Está apenas a banhar a outra face. E eu na face de cá, sebenta de Química I aberta na mesa, RR a tocar baixinho, um ouvido no burro, um olho no cigano, que é como quem diz, ouve-se e estuda-se, às vezes só se lê, outras só se escuta. Uma voz pausada (não tenho a certeza do nome, seria o Carlos Albino?) diz: “Grândola, vila morena / terra da fraternidade / o povo é quem mais ordena / dentro de ti ó cidade”. Parei de olhar para a sebenta, no preciso momento em que o locutor do “Limite” diz a quadra. Um arrepio atravessou-me o corpo. O meu irmão chega nesse preciso momento da rua. Seria pouco mais de meia-noite (hoje sei que eram 00:20). “Entra e cala-te”. Zeca Afonso já estava a cantar. Terminou, desliguei o rádio, fechei a sebenta, lavei os dentes e fui dormir.
Anónimo

Estamos contigo! Desculpem lá, é só um boné. Se eu pudesse era um frigorífico...
Bibi

Chegou-me aos ouvidos que Bibi voltou a abrir a boca. Confirma os nomes de alguns e dá nomes novos. Segundo a TVI que interrompeu a emissão para dar a notícia, parece que o Vitor de Sousa também foi referenciado. Ó Bibi, vomita lá tudo pá.
Na 2

Estou a acabar de ver um programa na 2 sobre o 25 de Abril. Participam Carlos Antunes, José Mário Silva, António Marques Bessa e Pedro Lomba. Os dois últimos que citei são professores universitários. Dou graças a Deus por os meus filhos não serem alunos deles.

quarta-feira, abril 21, 2004

4 dias

Faltam 4 dias para o 25 Abril. De hoje até lá todos as minhas postagens serão debruadas a cravo. Para quem gosta e para quem não gosta. Viva a Liberdade.

PS. Roubei, este cravo do blog da Catarina. Desculpa, mas quem rouba por bem, não deve ser castigado. Não é Robina dos Bosques?
Bom dia!

“E o futebol?, pergunta você. O futebol só existe de vez em quando, nos estádios, de vez em quando, muito de vez em quando. Sei que o pus perante uma divisão terrível, mas não queria competir com o futebol.
- Sabia isso quando casou.
- Não, não sabia. Nem ninguém sabe. Ninguém sabe ao certo como o futebol é, quantas jogadas se perdem fora de campo por se terem ganho outras na relva. Como é que aquilo nos rói por dentro. O futebol, propriamente dito, não existe.
- O futebol é o espectáculo mais bonito da Terra.
- Ele dizia isso – concordou ela”

Francisco José Viegas, morte no estádio

Ontem em quatro postagens, directa ou indirectamente, referi o caso do dia. Fui “levado”, literalmente, pelos barulhos feito nos media. O Futebol, aquele desporto que eu gosto, não saiu bem tratado, nem sairá, seja qual for o desfecho deste caso. Por mim, até à decisão dos juízes, não penso voltar a referir-me ao caso. Tenham um bom dia.

terça-feira, abril 20, 2004

Trabalho

Estive a conversar um pouco com o Stéphane do Caca no Calçante. É um boy divertido, mas como todos os curiosos, perguntou-me o que é que eu fazia na vida. Ficou deliciado com a minha profissão de desempregado. Falei-lhe que ía lavar vidros prós sinais do Marquês de Pombal. Ele aconselhou-me a ir arrumar carros. Ofereceu-se para me oferecer (passe a repetitividade) um jornalinho enrolado. Agradeci muito, mandei agradecer à família e no final ele já me começou a ensinar os primeiros passos da profissão. É assim: "destroce, destroce". Estou quase, quase empregado.
Apitos

O polícia tem um apito.
O árbitro tem um apito.
O segurança tem um apito.
O amestrador dos golfinhos tem um apito. O treinador de cães também.
O guarda-nocturno tem um apito.
O sambista tem um apito.
O comboio tem um apito.
A fábrica tem um apito.
A chaleira tem um apito. A panela de pressão também.

Hoje decorreu uma operação policial chamada “Apito Dourado”. Quem foi de cana quem foi? Que embirrantes! Em Portugal só se sabe falar de arbitragem?
Gargalhada

Dei uma valente gargalhada ao ler um comentário Anonymous na minha postagem abaixo. Às tantas ele diz: “quanto muito podes tirar uns números aos autocarros...”. Pronto, decidi contar-vos um dos meus desblogueadores de stress. Quando era um ‘tinazer inconciente’ e certas aulas no Técnico não me davam pica nenhuma, descia a Alameda, sentava-me na esplanada do Pão de Açúcar (será que ainda existe?) e ficava a ver passar os autocarros da Carris e a apontar os números. Depois, numa de intelectual aplicava-lhe os métodos estatísticos. Querem saber quantas vezes por mês, em média (kekekekeke), passava o 745? Há duas hipóteses: ou apesar das minhas tentativas de anonimato o Anonymous conhece-me de ginjeira, ou então utilizava o mesmo desblogueador para dessetressar e aprender estatística. Querem saber a nota que tive na cadeira? Não digo, pronto… Eu não sou tudo inconfidências né?
Lunch Time Blog

Hoje não escrevo o meu lunch time blog. Estou agoniado. Depois da detenção do valentim loureiro comecei a retrospectivar. Esta semana, a semana dos 30 anos do 25 de Abril fazem-me pensar muita coisa. Vejo os processos do fundo social europeu caducarem, ninguém é culpado. Vejo a nomeação de spínola a marechal. Vejo os hemofílicos contaminados com o vírus da SIDA ainda a morrer, ninguém é culpado. Vejo os caldeiras e os belezas nos jets cada vez mais oito e por aí. Vejo Entre-Rios ser um fenómeno da natureza e ninguém é culpado. Vejo os “nem mais um soldado para as colónias” a governarem este país com soldados no iraque. Vejo os mellos, os champalimauds, os espíritos santos cada vez mais ricos. Vejo as bombardieres a fecharem, os cinco meses de salário em atraso nos têxteis. Vejo-me há 2 anos à procura de emprego. Vejo os pedrosos a saírem da pildra em ombros. E os rittos. Vejo aquelas barracas ali, junto à linha do comboio, os meninos com o ranho no nariz. Vejo o insucesso escolar, mas também vejo cinco jogos de futebol na televisão todas as semanas em estádios faustosamente novos. Vejo os funcionários públicos como os grandes responsáveis dos problemas do país. Vejo 13 cêntimos por dia a “engordarem” a riqueza dos reformados. Cada vez estou a sentir-me mais agoniado. Cada vez penso mais no 25 de Novembro, esta que é a semana de Abril. Vejo re-ensinarem a escrever português, falaem sem os ées paa justificaem a evolução. Vejo ali na minha prateleira uma conserva de sardinhas. Espanhola. Vou comê-la e já volto. Hoje vou beber coca-cola. São precisas mais armas para o iraque.

PS. Schubert, desculpa o meu estado de espírito. Também sei que estás um pouco murchinho porque foste ao veterinário tomar vacinas. Queres partilhar comigo a conserva?
Apostas

Foram detidos uns quantos tubarões do futebol, relacionados com suspeitas de corrupção na arbitragem, falsificação de documentos e influência de resultados desportivos. Vai uma aposta que de que nenhum dos gajos com influência política ou "grande" na área do desporto vai ser punido? Daqui a uns meses falamos. Mas não esqueçam a aposta, tá?
Bom Dia!

Drls? Faço meu amor em vidrotil
nossos coitos são de modernfold
até que a lança de interflex
vipax nos separe
em clavilux
camabel camabel o vale ecoa
sobre o vazio ondalit
a noite asfáltica
plkx.

Carlos Drummond de Andrade, Os Materiais da vida.


Lá fora estão 15 graus Celsius e a manhã plumbea. Soltam-se alguns dourados beijando o acrílico e aluminio das janelas. Recolherei algumas fibras transformadas de eucalípto, um pouco de carbono e vou desenhar para o mar. Salpicar de sal esta manhã de baquelite. Bom dia.

segunda-feira, abril 19, 2004

Médias

Os portugueses estão a baixo da média europeia. Sei lá em quê não foi para isso que escrevi esta postagem. A minha média de entrada na universidade foi 17,75. Se fosse 17,85 teria entrado para a faculdade que eu mais gostava. Ninguém se importou que uma disciplina, que não aquece nem arrefece para o meu curso, lixou-me a caca da média. Quero lá saber, não foi para isso que escrevi esta postagem. Podemos dizer que em média 52 duas pessoas visitam, diariamente, o meu blog. E quantas o lêem? Também não é coisa que neste momento me esteja queimar os neurónios, porque não é a razão de ser desta postagem. O meu primo costumava sempre dizer que, comilão como ele era, se sentava à minha frente e enquanto ele devorava dois frangos de churrasco, ainda eu não tinha tido tempo de pegar nos talheres, mas que em compensação toda a gente sabia que nós os dois comíamos em média um frango cada. Muito bom proveito, ó Jeremias, mas eu não escrevi esta postagem para te estares a gabar que és um devorador de frangos, pá.
Eu só vim aqui dizer que há pouco, experimentei pôr a cabeça no frigorífico e os pés no forno da cozinha e a minha barriga ficou morna. Como média está certo assim, ou não?
Lunch Time Blog

Não sei se isto é algum reflexo condicionado. Vou ler melhor Pavlov para entender, mas cá por mim, assim à primeira vista, parece-me que sim. Nos dias que não tomo pequeno-almoço apetece-me um bife. Hoje acordei tarde, como pode ser comprovado pela hora a que desejei um bom dia Urbi et Orbi. Vai daí, como eu nunca como mal me levanto, apenas um café, o resto só uma hora depois é que o meu estômago fica preparado para receber alimentação, não daria jeito nenhum juntar matar o bicho junto à hora de almoço. Portanto, fiquei mesmo com vontade de comer um bife. Não sei como é que a Fátima o cozinha, que aquele molho e aqueles alhos estão sempre à maneira. Soculento, comi-o “à point”. Antigamente eu só conseguia tragar um bife se viesse para a mesa realmente “saignant”. Mas desde que as vacas loucas me assustaram, primeiro deixei de comer bife, depois achei isso uma parvoíce e retornei aos prazeres da carne. Agora é mais “à point”.

PS. Schubert sempre ouvi dizer que, água mole em pedra dura tanto dá até que fura. Onde é que aprendeste o ditado para te teres também refastelado com um bifinho?
Bom Dia!

"Inquirido sobre a sua raça, respondeu:

- A minha raça sou eu, João Passarinheiro.

Convidado a explicar-se, acrescentou:

- Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia."

Mia Couto, Cada Homem É Uma Raça
Importantes

Nos meus ecléticos passeios pela Internet, descobri esta edição da Time, onde foram, por esta revista escolhidas as 100 figuras mais importantes do século. São cinco as categorias: "Liders and Revolucionaries", "Artists and Entreteiners", "Builders and Titans", "Scientists and Thinkers" e "Heroes and Icons". Fiquei contente que, para figura do século, tenha sido escolhida Albert Einstein. Talvez porque entre os 100 nomes, talvez fosse quem eu elegeria. A par de Mandela.

domingo, abril 18, 2004

Lunch Time Blog

Voltei ao normal. Já não era sem tempo, e hoje, como chove lá fora, houve tempo para o requinte. Aloirar, calmamente, a cebola, o alho, amolecer os pimentos, verdes e vermelhos (patrioticamente), dar-lhe um cheirinho de louro, em azeite puro de oliveira, requer tempo. Tempo, carinho e bom gosto. Juntar depois o tomate, um ou dois chilies, e deixar apurar. Direitinhas, deitar as postas de cherne e o vinho branco, reapurar o gosto q.b. Estufando calmamente, o testo no tacho, os cheiros invadindo as pituitárias mais famintas, o apetite crescendo. Depois retiramos o peixe já cozido e os cotovelos vão para o banho que se acrescenta de água para fazer caldinho. Cozidas que estão estas italianas curvas, o peixe, cá fora, invejoso de perfumes, pede para se unir. Entra no tacho com a mesma vontade que da primeira vez. Os vapores fazem o resto. Eu gosto de, no prato, polvilhar com uns grãos de pimenta-preta moídos grossos, directamente do moinho de madeira. Eu descrevi, a minha alma gémea cozinhou. Aqui a devida vénia. O vinho hoje foi branco, um Douro fresquinho, acompanhou bem. Não destoou, já não é chita.

PS. Schubert, meu lindo, eu sei que a dona te encheu de mimos antes do nosso almoço e te deu a provar um bom pedaço de peixe. Estás a progredir na carreira. Um dia destes vais dizer que ração é para gato vadio, eu sei.
Atrasado

Como sempre em relação a qualquer filme. Nunca o vejo quando está na berra. Hoje vou ver a "Paixão de Cristo". Quero ver se percebo o assassinato de Abdel Aziz a-Rantissi.
Bom dia!

" A abelha foi apanhada pela chuva: vergastadas, impulsos, fios do aguaceiro a enredá-la, golpes de vento a ferirem-lhe o voo. Deu com as asas em terra e uma bátega mais forte espezinhou-a. Arrastou-se no saibro, debateu-se ainda, mas a voragem acabou por levá-la com as folhas mortas"

Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva


Acordei chovido. Não vejo as abelhas, nem as formigas, nem os passáros. Céus por favor mandem-me uma andorinha. Quero planar na tua liberdade.
Perspectivas

Publiquei anteriormente uma postagem com uma fotografia de umas colunas, em que se olhando sobre determinada perspectiva parecia que as colunas eram cilíndricas, mas o desenho fora concebido para também poderem ser vistas como tivessem a forma de paralelepípedo.
Lembrei-me da perspectiva de quem olha para uma garrafa meia de whisky, que se for o dono da mesma pensa que já está meia vazia, se for o convidado, que ainda estará meia cheia. O meu pai na brincadeira sempre que completa um ano de aniversário costuma dizer, eu ainda só tenho 74 anos. Aqui o Joaquim é que já tem 74.
Poderia dar imensos exemplos, mas não foi para dar exemplos que decidi escrever este texto. Ontem à noite encontrei no café o Zacarias (nome fictício, como hoje é costume escrever nos jornais, como se tivessem escrito o nome próprio a gente viesse a saber quem é… coisas da moda), dizia eu o Zacarias. Depois do abraço, e do oh pá há tanto tempo que não te via etc. e tal, perguntei-lhe pela família e como ia o casamento. Ao que ele me contou a deliciosa história que reproduzo:

A semana passada surpreendi a minha mulher em casa na cama com outro... Devagar fui à sala buscar uma pistola que costumo ter escondida numa gaveta, com a intenção de matar os dois… parei para pensar e fui percebendo como a minha vida de casado tinha melhorado nos últimos tempos. A minha mulher já me não pedia dinheiro para comprar carne, aliás, nem para comprar vestidos, jóias e sapatos, apesar de todos os dias aparecer com um vestido novo, uma jóia nova ou uma sandalinha da moda. Os meus filhos mudaram da escola oficial para o externato mais fino lá da zona. Só para veres, ela trocou de carro, apesar de eu estar há quatro anos sem aumento e ter decidido dar um corte radical na mesada que lhe costumava dar. Quanto a despensa recheada nem se fala. Lá em casa nunca tivemos tanta fartura quanto ultimamente. E as contas da luz, água, gás, telefone, internet, telemóvel e cartão de crédito, faz tempo que ela não me pede um tostão e está sempre tudo pago. A verdade é a que a minha mulher está mesmo um avião, a gaja nunca esteve tão boa nem tão apresentável em toda a vida dela.

Resolvi guardar de novo a arma. Saí, pé ante pé para não incomodar nenhum deles e, escada a baixo, vim a pensar sozinho: O tipo paga o empréstimo da casa ao banco, o supermercado, a escola das crianças, as contas da casa, o carro, o shopping, todas as despesas e eu ainda vou para cama com ela todos os dias... Concluí, meu caro Pre, que o corno afinal é ele pá.


Demos aquela bacalhauzada, despedimo-nos, então até à próxima Zac e agora quem saiu, devagarinho, a pensar fui eu, ‘perspectivas, pá’.

sábado, abril 17, 2004

Resistência

No dia 29 de Outubro, inaugurei a minha escrita em forma de blog. Fará seis míseros mesitos em breve. Em Fevereiro, o meu filho ensinou-me a colocar um contador de visitas. Passei a saber que alguém o lia e a minha responsabilidade, em ter de dizer uma coisa séria por cada mil quatrocentas e trinta e duas parvoíces, aumentou. Mas sempre resisti a ter comentários por duas razões fundamentais:

1. O que está dar são os chamados blogs políticos. Ou para-políticos. Aí a guerra de comentários faz algum sentido. Sem falsas modéstias, acho que o meu blog não acrescenta nada ao panorama da escrita nacional (certeza absoluta!), mas essencialmente diverte-me (nova certeza absoluta!). A quem mais poderia divertir que levasse a que o comentassem?

2. Na remota hipótese de alguém perder tempo a deixar um comentário, eu ver-me-ía na obrigação, por uma questão de educação e por consideração a quem tem a pachorra de aqui vir, de dar uma, mesmo que pequena, resposta ou agradecimento. Na realidade não previ ainda se tenho essa capacidade, quer em termos qualitativos (novamente, juro, sem falsa modéstia), quer em quantidade de tempo.

No entanto, ultimamente, têm-me chovido (literalmente) e-mails a solicitarem-me que colocasse uma caixinha de comentários para me puderem dizer algo sobre o que escrevo. Além disso, tenho reparado em comentários noutros blogs, referindo o meu e lamentando o facto de não o poderem fazer aqui mesmo.

A minha resistência foi-se. Não sejam maus / más para mim!
Mentira

A minha amiga Catarina, convidou-me para ver o PC novo dela. De facto é uma bomba. Depois conversa para aqui conversa para acolá, lá fomos falando do velho laptop sem acentos.
- Sabes Pré, estive quase para colocar o meu velho lap no lixo…
- Não o fizeste Cat?
- Não! Que é isso, meu? Ainda vale umas coroas.
- Os PCs usados não valem nada Cat.
- Mas eu dei um jeitinho nele. Queres ver?
- Mostra lá essa peça de museu, pedi eu sem qualquer real interesse.
- Vê como está lindinho. A partir de hoje, a Lili não o dispensará jamais.




PS. Como o próprio título indica.
Lunch Time Blog

Detesto. Detesto entrar no restaurante à hora que deveria estar a sair do dito. Vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores que eu não sou nada de protestar. Nadinha mesmo. Mas quando me dão os azeites, aí, vós podereis vir a conhecer o verdadeiro PreDatado. E não é dos azeites puros de oliveira que eu costumo falar neste meu querido blog. Não, não. São os outros… os que parecem mostarda no nariz. Para começar as mesas estão cheias. Gente a mastigar, uns com a boca aberta, outros não e a gente ali a olhar para aquilo. Depois são eles, coitados a tentarem despachar-se porque estão para ali, uns pobres esfomeados a precisarem de mesa. Nem comem descansados. Com a boca aberta ou não. Isto, os que reparam. Porque os que não reparam, porque ainda estão a discutir se a jogada de há quinze dias foi penalty ou não e, os que fingem que ninguém está à espera, ainda me dão mais nervos. Então não se vê logo que estamos a morrer de fome, seus homicidas involuntários de um raio? E os empregados a correrem de um lado para o outro a atravessarem o meio da fila dos famélicos “é só um jeitinho faxavor”. Um jeitinho uma ova. Ai meus deuses, que pensamento, que raiva. Ova? De pescada com grelos e o tal fio de azeite puro de oliveira? Ai que eu desmaio. Finalmente a mesa. Ufa… e “o qué que vocelências vão desejar?”. Olhe amigo, eu desejo que não me chateie e espere, que agora é a minha vez, está bem? Ou eu não tenho o direito de fazer esperar ninguém.? Que almoço! O vinho para começar vinha fresco. Mas esta gente não sabe que refrescar o vinho tinto para trazer para a mesa é crime? Bom, eu não sou jurista, nem legislador, mas se o fosse, isso já estaria pespegado no Código Penal. No mínimo 3 semanas de cadeia a pão e ÁGUA! Depois o peixe e, a pedido, as batatinhas… deslavadas. Salvaram-se as petingas. Gordinhas. Até deu para molhar o pão na gordura da travessa. Vou ali tomar um digestivo no bar da esquina e já volto.

PS. Schubert amigo, de que cena te livraste. E tu que mias por tudo e por nada, não te estou nada a ver na fila de espera por uma mesinha. Ia ser o bom e o bonito. Uma sinfonia de Schubert em miau maior.
Gatos

A esta hora na net, na hora dos gatos. Tenham um bom Sábado que eu vou dormir. Fiquem com The Song of the Jellicles:

Jellicle Cats come out tonight,
Jellicle Cats come one come all:
The Jellicle Moon is shining bright--
Jellicles come to the Jellicle Ball.

Jellicle Cats are black and white,
Jellicle Cats are rather small;
Jellicle Cats are merry and bright,
And pleasant to hear when they caterwaul.
Jellicle Cats have cheerful faces,
Jellicle Cats have bright black eyes;
They like to practise their airs and graces
And wait for the Jellicle Moon to rise.


Jellicle Cats develop slowly,
Jellicle Cats are not too big;
Jellicle Cats are roly-poly,
They know how to dance a gavotte and a jig.
Until the Jellicle Moon appears
They make their toilette and take their repose:
Jellicles wash behind their ears,
Jellicles dry between their toes.


Jellicle Cats are white and black,
Jellicle Cats are of moderate size;
Jellicles jump like a jumping-jack,
Jellicle Cats have moonlit eyes.
They're quiet enough in the morning hours,
They're quiet enough in the afternoon,
Reserving their terpsichorean powers
To dance by the light of the Jellicle Moon.


Jellicle Cats are black and white,
Jellicle Cats (as I said) are small;
If it happens to be a stormy night
They will practise a caper or two in the hall.
If it happens the sun is shining bright
You would say they had nothing to do at all:
They are resting and saving themselves to be right
For the Jellicle Moon and the Jellicle Ball.

in Old Possum's Book of Practical Cats, T.S. Eliot

sexta-feira, abril 16, 2004

Ilusões

Devo estar completamente bêbado. Olho para isto e as colunas parecem cilindros. Depois olho outra vez e as colunas parecem paralelepípedos. Ah já sei... é dos óculos.

Almada

Esta foto foi tirada no Concelho de Almada, numa zona perto do cemitério do Feijó. Para que não se ponham por aí a adivinhar e não pensem que a trouxe de um país subdsenvolvido na África ou Extremo Oriente. Feito que foi o esclarecimento, devo dizer que fui buscá-la ao fotoblog do Artur, ao qual solicitei autorização, uma vez que foi ele próprio quem a tirou. Com a devida vénia a reproduzo. Já sei que vou irritar o meu irmão, indefectível apoiante da edilidade Almadense, mas eu é mais cabeça, menos coração. Portanto, como diz o povo "o que é bom é pra se ver", cá vai disto. Vós, amigas leitoras e amigos leitoras ides me perdoar, mas não vou fazer comentários.

Lunch Time Blog

A fase das canjinhas já lá vai. O ritmo gastronómico do bem comer e bem beber há-de recomeçar em breve. Coisas ligeiras, grelhadas. Hoje foi um bifinho tártaro (que grande eufemismo para hambúrguer, biaaaccc), com um arrozinho branco. Estão a ver como eu estou atinadinho? Acompanhei com uma reserva do Luso, 2004. Sim porque eu tenho sempre aguinha de reserva para estas crises. Ai que saudades ai, ai…

PS 1. Enquanto almocei, o Schubert sentou-se no meu colo para me dar mimos. Nota-se no ficinhito do bichano, o quanto ele anda com dó de mim.

PS 2. As minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores sabem que eu não sou nada de diminutivos. Nadinha mesmo. Mas a quantidade de inhos e itos que esta postagenzita e respectivos pêésses têm, dá para vós verdes quanto eu ando carente de uma bela feijoada e de um bom tinto da talha. Ai que carinhoso que é o feijanito e o tintinho.
Ao Acaso

1. Pegue no livro que estiver mais perto de si.
2. Abra-o na página 31.
3. Sublinhe a lápis a primeira frase completa que encontrar.
4. Publique-a no seu blog, juntamente com estas instruções.

No meu caso, o livro mais perto de mim tem como título Kama Sutra da autoria de Vatsyayana. E a 1ª frase completa da 31ª página é esta:

"Tudo isto deve ser rigorosamente executado e o cuidado deverá ir ao ponto de eliminar das axilas o cheiro a suor".

Encontrei na Duende que o encontrou no Canto do Melro que o encontrou no Substracto que, por sua vez, o encontrou em Caterina.net.
Terminei

Acabei hoje de escrever o último parágrafo deste pequeno romance. Não tem nenhuma pretensão especial. Foi escrito com um objectivo concreto. Passo a reproduzir a postagem que coloquei no dia 18 de Março quando me atrevi a esta tarefa:

Hoje acordei com vontade de escrever a sério. Vamos ver como me vou sair desta. O 25 de Abril fará este ano 30 anos que aconteceu. Apesar da pompa e da circunstância que as comemorações oficiais irão, pela certa, ter, a memória já é quase só de alguns. Em anos anteriores aborreceu-me ao ver na televisão e ler em jornais um conjunto de entrevistas aos mais jovens, àqueles que nasceram já depois do 25 de Abril de 1974, a ignorância demonstrada sobre o que foi. Tão mau como não saber o que aconteceu no 25 de Abril, é também a percepção do desconhecimento do seu enquadramento. Nessas entrevistas, a certos jovens cheguei a ouvir respostas arrepiantes do tipo, “o 25 de Abril foi uma revolução para o Marcelo Caetano derrubar o Salazar”, “Pide? Não nunca ouvi falar”, “parece que havia um regime comunista do Salazar que a esquerda quis derrubar”, “havia uma guerra entre Portugal e Angola e então deu-se a descolonização em 25 de Abril”, entre outras aberrações. O que vou escrever nos próximos dias, e espero que não me falte a inspiração, não pretende explicar o 25 de Abril a ninguém em geral. É para oferecer a duas pessoas em particular. Aos meus filhos, à Ana, 22 anos e ao João, 19 anos que, obviamente, nasceram depois do 25 de Abril. E embora eles o saibam, porque várias vezes temos conversado sobre isso, cá em casa, talvez sirva para mais tarde eles, ao relerem, os ajudar a explicar o que foi, aos seus próprios filhos.
No entanto o Predatado não irá ter qualquer alteração aos seus hábitos de escrita de coisas comuns do quotidiano, do jeito que eu mais gosto de fazer. Por isso decidi criar uma outra página onde a “estória” que vou contar irá evoluindo ao longo dos dias. Chama-se Livro De Contos e está aqui nesta morada.


Gostaria de lhe dar um título. “Sonho Lindo”. Sei que politicamente muitas das minhas leitoras e muitos dos meus leitores, mesmo que se identificando com o 25 de Abril de 1974, não se identificarão comigo, na quebra do sonho. Mas como Martin Luther King, “eu (também) tive um sonho”.
Estranho

Até ontem entrar no meu blog através de www.predatado.blogspot.com ou predatado.blogspot.com era completamente indiferente. Hoje reparei que a entrada via www.predatado.blogspot.com apenas me apresenta os posts colocados até dia 15, embora entrando por predatado.blogspot.com o blog aparece actualizado.

Se alguma ou algum dos meus leitores conhecer uma explicação para o facto ou uma forma de solucionar agradecia informação para o meu e-mail: vmaf_2002@msn.com

Muito Obrigado
Bom Dia!

" ...tu tens a liberdade de ser tu próprio, o teu verdadeiro eu, Aqui e Agora; nada se pode interpor no teu caminho".

Richard Bach

quinta-feira, abril 15, 2004

Livro das Artes

Algumas leitoras e alguns leitores perguntaram-me, via e-mail, quem era AF e que Livro da Artes era aquele de onde eu extraía os textos. Respondi a todos individualmente, como, aliás, sempre faço, até que, um deles, me sugeriu que eu criasse um lugar onde os pudesse publicar juntos, sem interferência de outras postagens. Então, para uma explicação mais completa, AF sou eu próprio (não se vê logo que AF tem tudo a ver com PreDatado?) e, portanto, os textos são meus. O Livro das Artes é uma compilação desses textos. Aceitando a sugestão desse meu leitor, reuni-os neste espaço. O conjunto, que foi publicado durante vários dias aqui no PreDatado, já lá está todo. Em breve, publicarei o resto da sequência, mas agora só mesmo lá, nesse cantinho. O link está aqui ao lado direito.
Bom dia!

Hoje acordei muito bem disposto. Os raios de Sol invadiram o meu quarto, ultrapassando as barreiras do cortinado. Está revolucionário este Sol, desafiador, como que a dizer, ‘vai, levanta-te faz qualquer coisa’. É preciso não ficar com as mãos nos bolsos, reagir, colocar a cabeça no ar. A acção contra a reacção. Como toca a tuna, ‘vá vamos embora que esperar não é saber / quem sabe faz a hora não espera acontecer’. E de repente veio-me à cabeça aquele poema de Manuel da Fonseca onde no final, para quem não quer que a tuna morra ele diz:

“… Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!”


Vamos?