Na segunda feira a minha amiga Naomi estranhou um prato de que eu falei no meu lanche time blog. Vai dai lembrou-se de me brindar com uma pérola, no seu blog, que com a devida vénia vou transcrever. Está deliciosa, merece ser lida.
Jorge Porco era um leitãozinho rosado que morava com Papai Porco, Mamãe Porco e seus irmãos Porco numa chácara no interior de Portugal. Quando Mamãe Porco estava grávida de Jorge e seus sete irmãos teve um sonho estranho: um anjo apareceu em uma nuvem ao nascer do sol. O anjo era humano - digo, tinha formas humanas. Não que fosse humano, você entende. Anjos não são humanos. Alguns são bem cruéis, até.
A voz do anjo dizia à Mamãe Porco coisas que ela não entendia. Não era comida, não era banho nem era vacina. Algumas palavras soavam como enviado, paz e missão. Ela contou o sonho a Papai Porco mas ele também não entendeu a fala do anjo. Discutiram o dia inteiro a respeito do sonho e por fim decidiram que, sim, podiam comer mais um balde de milho antes de dormir.
Naquela noite Mamãe Porco deu à luz [da Lua] oito filhotinhos rosados. O oitavo leitão, porém, era um pouco diferente dos outros... Ele tinham asas. Um par de asas, úmidas, as penas ainda coladas umas nas outras. Por um instante Papai Porco empalideceu. Ele se lembrou que o Ganso andou passando muito tempo junto da cerca do chiqueiro. O Ganso era um conquistador reconhecido e temido até a semana passada, quando O Dono Da Chácara resolveu testar uma nova receita de Ganso a l'orange. O Dono Da Chácara era adepto de uma religião chamada "Salvem Os Patos".
Mas então Papai Porco lembrou-se que Jorge era o oitavo filho do oitavo do filho do oitavo filho: um porquiceiro! Um ser dotado de imenso poder. As asas identificavam o porquiceiro perante os outros porcos. Seus olhos se encheram d'água. Ele era pai de um porquiceiro! Aquelas cercas logo seriam derrubadas! Os animais maiores, que sempre caçoaram da família Porco, seriam subjugados! Nunca mais faltaria milho! Papai Porco soltava a imaginação dando asas [ok, infame] a todos os seus sonhos de dominação mundial. Ele começaria pela Feijoada do Bolinha até o McDonald's - seria uma destruição em cadeia.
Mamãe Porco lembrou que Jorge precisaria primeiro desmamar para poder viajar tão longe assim. Papai Porco grunhiu, grunhiu mas aceitou esperar.
Jorge crescia devagar, concentrando todas as suas forças e poderes. Suas asas abriam-se aos poucos, as penas maiores primeiro e as plumas depois. Até que um dia apareceu na chácara O Homem Do Restaurante em que um certo senhor Pré-Datado, dono do gatinho Schubert, almoçava e lá serviam plumas de porco.
Foi assim que os sonhos de dominação mundial de Papai Porco e a missão de paz universal desperdiçada por um anjo míope terminaram.
* Oitavo filho: referência chupada descaradamente do Oitavo Mago, de Terry Pratchett.
Se Adão existiu ele viveu numa ilha portuguesa. Numa das nove açorianas, ou na ilha da madeira. Quase que me apetecia aqui escrever um texto romântico. Olhas para o lado e as heras sobem aos postes feitos de abeto. No outro uma nuvem cobre-te a melena transforma-a em chapéu de algodão. Sais de casa, vais às Queimadas, não vês o Fujiama, mas ele não te interessa. Conversas com os lagos, beijas as estrelícias, abraças-te às margaridas, deitas-te ao som melodioso dos pássaros. Olhas à tua volta, tudo é verde, tudo é lilás, tudo é amarelo, tudo é vermelho, tudo é arco-íris. Apetece-te caminhar a pé, e vais aos caldeirões, ao verde e ao do inferno cujo paraíso o contradiz. Bebes ar em taças cristalinas das águas das levadas. Não te apetece abandonar o paraíso, sentas-te no chão e comes cerejas, pois maçã pode ser pecado. Tens uma mulher ao teu lado.
Um frigorífico para este senhor, uma máquina de lavar para esta senhora, para esta aqui um micro-ondas, ok, ok, um fogão em vez do micro-ondas. Esperem, acho que estou enganado, isto não é Madeira é Gondomar. Vou recomeçar, vamos lá ver se desta vez me saio bem. Os concelhos de Almada e do Seixal terão juntos, mais ou menos a mesma área da Madeira e também mais ou menos a mesma população da Madeira. Bem eu sei que estou a falar em mais ou menos, mas o rigor é inimigo da prosápia (anotem como uma máxima do PreDatado). Nestes dois concelhos, temos auto-estradas, estradas nacionais, variantes, comboio, autocarros e até vamos ter Metro. Mal comparado (cá está outro mais ou menos), a Madeira tem direito a ter as suas vias rápidas e os seus túneis. Acredito, sem ironia, que fazem falta às populações autóctones, já que a sua utilização pelos turistas lhes retira um bom bocado de Madeira. O Alberto João tem a Madeira transformada num imenso estaleiro. Ele é obras por tudo quanto é sítio. Dizem as más-línguas que com o dinheiro que lhes é enviado “por essa verborreia cooperativista de Lisboa”. As palavras entre aspas são do próprio Alberto João. Apesar de tudo ainda não vi os presidentes das Câmaras e Governadores Civis, respectivamente de Almada, Seixal e Setúbal, morderem da mesma forma na mão do dono que lhes dá de comer. As palavras que reproduzi acima (já sei que me vão perguntar: e o contexto? Mas também vos digo que o contexto não interessa para nada, pois seja ele qual for, utiliza sempre as mesmas frases), as palavras, dizia, foram proferidas durante a inauguração, na 5ªfeira passada, do novo túnel que liga a estrada da Eira do Serrado ao Curral das Freiras. Durante a referida inauguração, uma moradora, de ar humilde, e a modos que a pedir licença, Sr. Dr. que não quero ofender, mas sabe a minha casinha, sabe como é, não tem acessos, é uma miséria…’. ‘Ó secretário, aponte aí, uma estrada para esta senhora e rápido, ouviu?’. Pronto, mais um voto, o homem não desperdiça nada e, garantiram-me e eu acredito, a senhora terá a sua estrada. Pois Dr. Alfredo Monteiro, fique a saber que se quiser o meu voto nas próximas autárquicas, meta lá uma estação do novo metro na minha rua… ou então um micro-ondas.
Não,
Voltou para casa o meu Schubert. Parece estar tão feliz quanto nós. Correu a casa toda em reconhecimento, deitou-se no chão para receber as carícias, brincou e mordeu o habitual. Apesar de tudo está de dieta e sob vigilância. Agora já poderá assistir comigo ao Portugal x Rússia, ajudar a puxar pela rapaziada do pontapé na bola. Como só tem cinco meses, não pode votar ontem, mas mal chegou a casa disse-me para eu dar os parabéns ao Miguel. A dona, feita ciumenta, perguntou logo: ‘e então para o Costa nada?’ O Schubert olhou para mim, meio cúmplice, miou e deu a entender, ‘assim como assim, também me dás de comer, vá lá, dona, parabéns também ao Costa’. De quem o Schubert parece não gostar mesmo é do Zé e do Paulo. Coisas de gatos. Caprichosos.
Eu só regressei ontem, não podia ter dado conta mais cedo não é? Mas estou tão contente por
Regressei de umas pequenas férias na Madeira, onde fui pela segunda vez. Esta semana fiquei nas Luas de Mel, perto de Santana, mais propriamente no Pico das Pedras a 1300m de altitude. As Luas de Mel são casas de turismo de habitação, pertença do Sr. José Spínola, uma pessoa de extrema simpatia (daqui o meu abraço para ele e para a sua família) sempre diligente que nos esperou no aeroporto e que dedicou praticamente o dia de Domingo passado, para nos fornecer indicações e nos acompanhar na primeira visita à região. E ainda por cima nos ofereceu o almoço. As Luas de Mel ficam a cerca de 30 km do aeroporto, o que até nem é muito. Mesmo que ficassem noutro local qualquer recomenda-se vivamente o aluguer de viatura para se conhecer a ilha. No entanto, muitos fazem turismo de montanha e natureza, caminhando pelas levadas, lindíssimas, e o Pico das Pedras é um dos locais ideais, pois daqui partem muitos dos trilhos de passeio a pé. Se quiserem contactar o senhor J. Spínola, fica aqui o número de telefone - 966718510. Ele e as casinhas, das quais vos ofereço uma imagem, merecem esta publicidade.
386. Curiosidades
O Schubert fez hoje 4 meses. Temos estado os dois a festejar o seu mensiversário. Sentamo-nos no sofá, ele abriu o presente e deu um miau de satisfação. Pusemos o CD no leitor e escutamos a 9ª Sinfonia de Beethoven. Pois a 8ª do Schubert estava incompleta, por isso não seria apropriada. Por outro lado o que é preciso é Alegria! Este Schubert é um hino.