quarta-feira, junho 16, 2004

440.O PreDatado feito pelo que rouba nos outros blogs

Na segunda feira a minha amiga Naomi estranhou um prato de que eu falei no meu lanche time blog. Vai dai lembrou-se de me brindar com uma pérola, no seu blog, que com a devida vénia vou transcrever. Está deliciosa, merece ser lida.

Jorge Porco era um leitãozinho rosado que morava com Papai Porco, Mamãe Porco e seus irmãos Porco numa chácara no interior de Portugal. Quando Mamãe Porco estava grávida de Jorge e seus sete irmãos teve um sonho estranho: um anjo apareceu em uma nuvem ao nascer do sol. O anjo era humano - digo, tinha formas humanas. Não que fosse humano, você entende. Anjos não são humanos. Alguns são bem cruéis, até.

A voz do anjo dizia à Mamãe Porco coisas que ela não entendia. Não era comida, não era banho nem era vacina. Algumas palavras soavam como enviado, paz e missão. Ela contou o sonho a Papai Porco mas ele também não entendeu a fala do anjo. Discutiram o dia inteiro a respeito do sonho e por fim decidiram que, sim, podiam comer mais um balde de milho antes de dormir.

Naquela noite Mamãe Porco deu à luz [da Lua] oito filhotinhos rosados. O oitavo leitão, porém, era um pouco diferente dos outros... Ele tinham asas. Um par de asas, úmidas, as penas ainda coladas umas nas outras. Por um instante Papai Porco empalideceu. Ele se lembrou que o Ganso andou passando muito tempo junto da cerca do chiqueiro. O Ganso era um conquistador reconhecido e temido até a semana passada, quando O Dono Da Chácara resolveu testar uma nova receita de Ganso a l'orange. O Dono Da Chácara era adepto de uma religião chamada "Salvem Os Patos".

Mas então Papai Porco lembrou-se que Jorge era o oitavo filho do oitavo do filho do oitavo filho: um porquiceiro! Um ser dotado de imenso poder. As asas identificavam o porquiceiro perante os outros porcos. Seus olhos se encheram d'água. Ele era pai de um porquiceiro! Aquelas cercas logo seriam derrubadas! Os animais maiores, que sempre caçoaram da família Porco, seriam subjugados! Nunca mais faltaria milho! Papai Porco soltava a imaginação dando asas [ok, infame] a todos os seus sonhos de dominação mundial. Ele começaria pela Feijoada do Bolinha até o McDonald's - seria uma destruição em cadeia.

Mamãe Porco lembrou que Jorge precisaria primeiro desmamar para poder viajar tão longe assim. Papai Porco grunhiu, grunhiu mas aceitou esperar.

Jorge crescia devagar, concentrando todas as suas forças e poderes. Suas asas abriam-se aos poucos, as penas maiores primeiro e as plumas depois. Até que um dia apareceu na chácara O Homem Do Restaurante em que um certo senhor Pré-Datado, dono do gatinho Schubert, almoçava e lá serviam plumas de porco.

Foi assim que os sonhos de dominação mundial de Papai Porco e a missão de paz universal desperdiçada por um anjo míope terminaram.

* Oitavo filho: referência chupada descaradamente do Oitavo Mago, de Terry Pratchett.

439. Um ano.

E, portanto, o Aviz faz um ano, exactamente.
E, portanto, os meus parabéns ao Aviz.
E, portanto, ao seu "dono", Francisco José Viegas.
E, portanto, continue!
438. Momentos da Madeira – Os paraísos

Se Adão existiu ele viveu numa ilha portuguesa. Numa das nove açorianas, ou na ilha da madeira. Quase que me apetecia aqui escrever um texto romântico. Olhas para o lado e as heras sobem aos postes feitos de abeto. No outro uma nuvem cobre-te a melena transforma-a em chapéu de algodão. Sais de casa, vais às Queimadas, não vês o Fujiama, mas ele não te interessa. Conversas com os lagos, beijas as estrelícias, abraças-te às margaridas, deitas-te ao som melodioso dos pássaros. Olhas à tua volta, tudo é verde, tudo é lilás, tudo é amarelo, tudo é vermelho, tudo é arco-íris. Apetece-te caminhar a pé, e vais aos caldeirões, ao verde e ao do inferno cujo paraíso o contradiz. Bebes ar em taças cristalinas das águas das levadas. Não te apetece abandonar o paraíso, sentas-te no chão e comes cerejas, pois maçã pode ser pecado. Tens uma mulher ao teu lado.

PS. Com uma força, com uma força, com uma força que ninguém pode parar!!!!!!! Força, força!
437. Bom Dia!

Hoje vou falar futebolês.

Força Rapazes façam-nos vibrar e proporcionem-nos um dia feliz!

terça-feira, junho 15, 2004

436. Momentos da Madeira – Obras

Um frigorífico para este senhor, uma máquina de lavar para esta senhora, para esta aqui um micro-ondas, ok, ok, um fogão em vez do micro-ondas. Esperem, acho que estou enganado, isto não é Madeira é Gondomar. Vou recomeçar, vamos lá ver se desta vez me saio bem. Os concelhos de Almada e do Seixal terão juntos, mais ou menos a mesma área da Madeira e também mais ou menos a mesma população da Madeira. Bem eu sei que estou a falar em mais ou menos, mas o rigor é inimigo da prosápia (anotem como uma máxima do PreDatado). Nestes dois concelhos, temos auto-estradas, estradas nacionais, variantes, comboio, autocarros e até vamos ter Metro. Mal comparado (cá está outro mais ou menos), a Madeira tem direito a ter as suas vias rápidas e os seus túneis. Acredito, sem ironia, que fazem falta às populações autóctones, já que a sua utilização pelos turistas lhes retira um bom bocado de Madeira. O Alberto João tem a Madeira transformada num imenso estaleiro. Ele é obras por tudo quanto é sítio. Dizem as más-línguas que com o dinheiro que lhes é enviado “por essa verborreia cooperativista de Lisboa”. As palavras entre aspas são do próprio Alberto João. Apesar de tudo ainda não vi os presidentes das Câmaras e Governadores Civis, respectivamente de Almada, Seixal e Setúbal, morderem da mesma forma na mão do dono que lhes dá de comer. As palavras que reproduzi acima (já sei que me vão perguntar: e o contexto? Mas também vos digo que o contexto não interessa para nada, pois seja ele qual for, utiliza sempre as mesmas frases), as palavras, dizia, foram proferidas durante a inauguração, na 5ªfeira passada, do novo túnel que liga a estrada da Eira do Serrado ao Curral das Freiras. Durante a referida inauguração, uma moradora, de ar humilde, e a modos que a pedir licença, Sr. Dr. que não quero ofender, mas sabe a minha casinha, sabe como é, não tem acessos, é uma miséria…’. ‘Ó secretário, aponte aí, uma estrada para esta senhora e rápido, ouviu?’. Pronto, mais um voto, o homem não desperdiça nada e, garantiram-me e eu acredito, a senhora terá a sua estrada. Pois Dr. Alfredo Monteiro, fique a saber que se quiser o meu voto nas próximas autárquicas, meta lá uma estação do novo metro na minha rua… ou então um micro-ondas.

PS. Concordo com a Batukada quando diz no seu blog, em postagem de hoje, que o post scriptum, é muitas vezes mais importante do que o texto. Eu estou totalmente de acordo com ela. No entanto, cabe-me esclarecer que o utilizo (quase a torto e a direito, já vos estou a ouvir), para fazer alguns apontamentos à margem do texto principal. Ora porque não se enquadra no espírito e conteúdo do texto mas que perderia a oportunidade se não fosse feito naquela altura ou porque não teria outra ocasião privilegiada para o fazer ou inserindo-o num texto que julgo poder ter “mais audiência”, ora porque complementa o texto mas não se sequencia, excepto se se abrir um longo parágrafo o qual faria o leitor perder o fio do texto principal. No primeiro ora, ou seja no primeiro caso, este próprio PS serve de exemplo. No segundo caso, os PS que eu abuso nos meus lunch time blogs, são dedicados, principalmente, ao Schubert o qual normalmente não frequenta os mesmos restaurantes que eu. Espero que a minha amiga virtual Batukada entenda os meus “apontamentos” como uma forma despretensiosa de querer fazer do PS uma postagem nova, mas acho que com um PS destes não a convenço. Aliás vou aproveitar para a felicitar pelo seu excelente blog.
435.O PreDatado feito pelo que rouba nos outros blogs

No Abrupto li e transcrevo com a devida vénia. A negrito e entre parêntesis os meus comentários à análise de José Pacheco Pereira. Ele não tem sistema de comentários, achei que esta é também uma forma de participar.


NOTAS EUROPEIAS v. 2.0

Sem ordem, nem sistema, nem pretensão de cobrir todos os aspectos das eleições. Serão acrescentadas à medida que forem escritas, pelo que o texto será continuamente alterado.

*

A linha melhor para interpretar as eleições é a linha do bom senso. Aqui o bom senso é considerar que tudo o que parece, é. Não é preciso nenhuma sofisticação especial: o PS, o BE e o PCP ganharam, por esta ordem. (Concordo) O PSD e o PP perderam, por esta ordem. (Discordo na ordem. Perderam e pronto!)

*

Os partidos que ganharam sobreviveram melhor à abstenção, o PS porque os seus eleitores queriam penalizar o governo (Concordo), o PCP e o BE porque dispõem de um voto militante (discordo, a meu ver os simpatizantes do PC e de BE também quiseram penalizar esta política governamental). O voto militante no PCP é defensivo, no BE é ofensivo. Um tem sucesso porque está a crescer, o outro porque resiste a diminuir. (respectivamente a frase deveria estar invertida; ainda assim discordo da visão defensiva/ofensiva e se tiver tempo, mais tarde, detalharei).

*

Na maioria dos países europeus, os partidos coligados no governo concorrem separados nas eleições europeias, sem que isso ponha em causa os entendimentos governamentais. É um sinal de fraqueza e não de força que se tenha entendido projectar a coligação governamental, – unida por uma lógica de poder executivo –, para as eleições europeias (parabéns pela sua vitória José Pacheco Pereira. Você já defendia esta tese antes das eleições e agora pode dizer: eu não vos avisei?)

*

O PSD elegeu sete deputados, o PP dois. O PSD tinha nove deputados, o PP dois. O grande perdedor da coligação é o PSD. Esta contabilidade política real funciona como um ácido no PSD. (não funciona nada; as contas já estavam feitas e você sabia disso; o meu comentário anterior refere-o; ácido é o que tem havido desde o primeiro dia da coligação; faço ideia os Alka Seltzers que alguns militantes do seu partido têm tomado para aguentar o Portas, o Bagão, a Cardona, etc.; pergunte ao Menezes ou a si próprio; mas o apego à cadeira é mais forte que a azia)

*

A coligação ajudou a enfraquecer o Partido Popular Europeu, partido em que os deputados do PSD se integram. Sendo agora menos no PPE (sete em vez de nove) dificilmente conseguirão quer através do método de Hondt, quer de negociações, obter cargos relevantes para os portugueses, mesmo apesar da maioria PPE do próximo Parlamento Europeu (PE) . Pelo contrário, os dois deputados do PP que se integram noutro grupo político europeu ( o PP foi expulso do PPE) , a União para a Europa das Nações, mantêm a mesma força política, mas, como seu grupo conta menos no PE, isso é irrelevante. No seu conjunto, a representação nacional onde mais conta, no PPE, está mais fraca. (Não tenho nada a ver com o PPE, mas quando o Sousa Franco se levantou em campanha contra o carácter anti-europeísta do PP de Portas – e antes de Monteiro – você esteve calado; solidariedade militante?)

*

(…) (O corte deste parágrafo é da minha iniciativa por não o achar relevante para os meus comentários.)

*

Em Portugal, como aliás em quase toda a Europa, com a excepção ambígua do Reino Unido, a questão da guerra do Iraque não parece ter sido directamente relevante para os resultados eleitorais. Em Portugal, certamente não foi. Não é possível qualquer teoria explicativa consistente para explicar pelo Iraque os votos espanhois, franceses, alemães ou polacos. (Penalizar a política governamental, como referiu acima sobre o PS e eu acrescentei sobre o PCP e o BE, é penalizar a política governamental no seu todo, do qual a posição sobre o Iraque não se pode dissociar. Há clara contradição em relação a isso e o Pacheco Pereira, não perguntou um a um, que parte da política o eleitor iria penalizar com o seu voto).
434. Momentos da Madeira – Histórias de Loiras

Não, Catarina, não me venhas já aqui comentar isto, ‘o que é que eu tenho contra as loiras e etc. e tal’ porque eu não tenho nadinha contra as meninas que usam o cabelo pintado de amarelo ou que têm como cor de cabelo aquele amarelo natural, tão bonitinho. Nos restaurantes da marina do Funchal, os respectivos donos deram em trocar as meninas madeirenses por empregadas caucasianas, lindas e loiras, loiras e lindas. Obviamente que as madeirenses não estão a gostar, têm a sua quota-parte de razão, principalmente porque não foram trocadas à luz da qualidade de trabalho e simpatia (todas as mulheres madeirenses que eu tenho o privilégio de conhecer são simpatiquíssimas), mas sim por outras razões (perguntem ao vil metal, que ele explica) entre as quais a cor dos olhos e dos cabelos. E como os olhos também comem, sempre vos digo que metade da refeição propriamente dita fica no prato. Não se pode comer com os olhos e com a boca ao mesmo tempo sem prejudicar um deles. Mas por acaso, tudo o que eu disse antes foi, como soi dizer-se, a talhe de foice. Eu ía apenas contar que estando numa pequena fila de trânsito aproveitei para perguntar a uma senhora, por acaso loira, como é que se chamava aquela terra. Ela respondeu-me, ‘É a Madeira!’. Logo eu que estava na dúvida se seria a Berlenga, as Caraíbas ou a Ilha Maurícia. E o que é que isto tem a ver com loiras?
433. Bom Dia!

Às vezes pergunto-me porque é que eu sou tão ‘mariquinhas’ com o Schubert. Pergunto-me se serei normal. Bom, eu sei que não sou normal, pelo que a pergunta que me faço é descabida. Mas não é por causa do gato que eu acho isso. É por outras coisas, que não vêm ao caso. Quanto a gostar assim do meu gato, é uma doença infantil, sempre adorei os pequenos felinos. Mas vejam que não é assim um caso tão raro. Deixem-me partilhar convosco este pequeno texto de Eugénio de Andrade:

“Acerca de gatos
Em Abril chegam os gatos: à frente
o mais antigo, eu tinha
dez anos ou nem isso,
um pequeno tigre que nunca se habituou
às areias do caixote, mas foi quem
primeiro me tomou o coração de assalto.
Veio depois, já em Coimbra, uma gata
que não parava em casa: furnicava
e paria no pinhal, não lhe tive
afeição que durasse, nem ela a merecia,
de tão puta. Só muitos anos
depois entrou em casa, para ser
senhor dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quatro borradelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos, e partilhe
a leitura do Público ao domingo. “


Bom e agora? Agora resta-me desejar a todos vós amigas leitoras e amigos leitores, um muito bom dia. Um dia felino!

segunda-feira, junho 14, 2004

432. Ele voltou!

Voltou para casa o meu Schubert. Parece estar tão feliz quanto nós. Correu a casa toda em reconhecimento, deitou-se no chão para receber as carícias, brincou e mordeu o habitual. Apesar de tudo está de dieta e sob vigilância. Agora já poderá assistir comigo ao Portugal x Rússia, ajudar a puxar pela rapaziada do pontapé na bola. Como só tem cinco meses, não pode votar ontem, mas mal chegou a casa disse-me para eu dar os parabéns ao Miguel. A dona, feita ciumenta, perguntou logo: ‘e então para o Costa nada?’ O Schubert olhou para mim, meio cúmplice, miou e deu a entender, ‘assim como assim, também me dás de comer, vá lá, dona, parabéns também ao Costa’. De quem o Schubert parece não gostar mesmo é do Zé e do Paulo. Coisas de gatos. Caprichosos.
431. Ela voltou!

Eu só regressei ontem, não podia ter dado conta mais cedo não é? Mas estou tão contente por ela ter voltado. Eu sei que ela andou por aí, andou com umas vertigens, fez birrinhas, disse que não voltava, patati patatá. Mas eu sempre tive uma esperança nesta loura. Quem bebe água da blogosfera, sai, faz que sai, espreita, reaparece, depois vai embora outra vez, a seguir volta. Uma coisa é certa, minha linda, já bebeste demais desta água. Tens os bichinhos lá dentro. Com tudo ou sem nada, fizeste-me uma surpresa muito agradável. E ainda bem que não me avisaste. Lá estragavas a surpresa. Muitos e muitos minutos de vida. (Sim, minutos, porque dela, nunca se sabe…)

PS. Com a devida vénia e sem autorização, roubei-te a imagem. Para ilustrar. E Aviso-te já que não tenho nenhuma intenção de te pagar os direitos de autor. Só se for um cafezinho.
430. Lunch Time Blog

Façam-me o favor de reconhecer (se quiserem, claro) que a riqueza do cardápio continental é incomparavelmente maior que a da Madeira. Tive o privilégio de frequentar bons restaurantes em cada cidade onde estive. Foi assim no Cantinho da Serra em Santana, foi assim no Poiso, foi assim na Nau Azul na marina do Funchal, foi assim aqui e acolá. Comi sempre bem e de vez em quando nos meus Momentos da Madeira irei detalhar um pouco mais. Mas abrir uma lista de lapas, espada e espetadas é meus amigos, por mim, considerado pobreza gastronómica. Isto vem a propósito de hoje ter almoçado um belíssimo bife de atum em cebolada num restaurante que, vejam bem, em apenas sete pratos do dia apresentava, entrecosto à beirão, sardinhas assadas, lulas à lagareira, plumas de porco, bife de atum de cebolada e os outros dois que não me recordo agora. Isto para não falar na lista de peixes, carnes e mariscos que constituem a ementa fixa. Quanto a preços nem vale a pena falar (por agora).

PS. Schubert meu querido, estou louco de saudades tuas. Vê se te pões melhorzinho que o dono quer o meu menino gato em casa rápido. Quero partilhar contigo as minhas refeições e escutar os teus miaus.
429. Momentos da Madeira – Bi-Téistas


Quando eu andava na escola ensinaram-me que as civilizações ocidentais eram hoje em dia monoteístas. Lá me explicaram a evolução das coisas e eu, mais ou menos, fui aprendendo. Com um nome ou outro, fosse Deus ou Alá era este o Deus que a maioria das populações mundiais adoravam. Mas descobri em pleno Oceano Atlântico, uma população maioritariamente BI-Téista. Veneram Deus-Todo-Poderoso e o não menos Todo-Poderoso-Alberto-João. Não é ficção, não. Vão lá e sintam este fervor religioso.
428. Bom Dia!

A Selecção Nacional de futebol perdeu no Sábado, estou triste. A Direita perdeu as eleições europeias ontem, estou feliz. O Santo António já terminou, estou triste. Ah, mas vem aí o S. João, estou feliz. A minha ciática está a arrasar, estou triste. O meu Schubert está hospitalizado desde ontem, estou com saudades dele e estou muito, muito triste. Mas deve sair hoje do hospital e isso vai-me deixar feliz, muito feliz. E no meio de tristezas e de felicidades, que tal termos todos um muito, muito bom dia?

domingo, junho 13, 2004

427. Momentos da Madeira – Luas de Mel

Regressei de umas pequenas férias na Madeira, onde fui pela segunda vez. Esta semana fiquei nas Luas de Mel, perto de Santana, mais propriamente no Pico das Pedras a 1300m de altitude. As Luas de Mel são casas de turismo de habitação, pertença do Sr. José Spínola, uma pessoa de extrema simpatia (daqui o meu abraço para ele e para a sua família) sempre diligente que nos esperou no aeroporto e que dedicou praticamente o dia de Domingo passado, para nos fornecer indicações e nos acompanhar na primeira visita à região. E ainda por cima nos ofereceu o almoço. As Luas de Mel ficam a cerca de 30 km do aeroporto, o que até nem é muito. Mesmo que ficassem noutro local qualquer recomenda-se vivamente o aluguer de viatura para se conhecer a ilha. No entanto, muitos fazem turismo de montanha e natureza, caminhando pelas levadas, lindíssimas, e o Pico das Pedras é um dos locais ideais, pois daqui partem muitos dos trilhos de passeio a pé. Se quiserem contactar o senhor J. Spínola, fica aqui o número de telefone - 966718510. Ele e as casinhas, das quais vos ofereço uma imagem, merecem esta publicidade.
426. Ganhámos

Nós, PS e nós Coligação de Direita e nós CDU e nós Bloco de Esquerda, ganhámos. Não é assim em todas as eleições? Daqui a um bocadinho, depois da bola, vou ouvir os argumentos deles a justificarem as vitórias. Mas que a direita levou uma tareia, disso ninguém me tira a ideia. Ou então sou estúpido, pronto.
425. Voltei!

Primeiro que tudo quero vos desejar um muito bom dia. Hoje às cinco da matina já estava a pé, a Madeira fica mesmo ali ao lado e às nove e quinze já esperava as malas no aeroporto. Vá lá chegaram às dez e um quarto. Como a viagem demorou uma hora e quinze minutos e as malas só uma hora, ganharam as malas. Ai ANA, ANA, agora diz-lhe que é do Euro. E vocês sempre a apregoarem nas televisões que esta organização é impecável. Mas eu não vim aqui para falar mal de nada, nem de ninguém. Foi só mesmo para dar um beijinho ás minhas leitoras e um abraço aos meus leitores. Agora vou ali votar e já volto.

sábado, junho 05, 2004

424. Até logo!

Regressarei ao vosso convívio no próximo dia 13. Agora é tempo de viagem. Desejo-vos uma semana maravilhosa, e não esqueçam que no dia 13 há eleições. Beijos e abraços para todas e todos quantos gostam de espreitar o meu blog.
423. Aniversários

Estes dois blogs, fazem hoje um ano. São blogs que eu leio e que eu gosto. Ficam aqui os meus parabéns para o Old Man e para o Desblogueador.
422. Sábado

O Sábado exerce sobre mim um fascínio quase inqualificável. É o primeiro dia antes de segunda-feira e quase o último. Ser primeiro e quase último é privilégio dos nobres. Ao Sábado a gente não vai à missa, porque Sábado não é Domingo. O Sábado é o dia da espreguiçadeira. Vocês acabaram uma semana e têm o Sábado para estender os braços, abrira boca e darem início ao tédio. Os mais activos pegam no Sábado e arrastam-no como se fosse um dia qualquer. Mas não é, só o é na cabeça dos activos. Se o Sol abre saem a correr para a praia, só porque são activos. Desencarceram as bicicletas, calçam os sapatos de ténis, pegam nas raquetas, contam os tacos de golfe, levam uns sapatos vela na bolsa, pois, tiram os carros da garagem, vão ao hipermercado comprar as cervejas para o resto do fim-de-semana, perdem um tempo desgraçado nas filas da bomba de gasolina, nas filas da caixa multibanco onde um casal de meia-idade, aproveitando o Sábado tira do bolso ou da mala, uma série de facturas para pagar, da luz da água, do gás, do telefone, consultam o saldo após cada operação, verificam os movimentos após uma pesquisa de saldo e vocês, activos, na fila, também na fila da caixa do hiper e depois na fila do parque de estacionamento, pegam na bicicleta às costas porque na areia da praia os pneus enterram-se ou sobem e descem valados, por entre pedras, braços a tremer, estoirados, capazes de faltar à missa de Domingo. O Sábado é dia de espreguiçadeira, estender os braços, tomar um duche, não fazer a barba, porque não temos de ir à missa, nem comungar e qualquer aspecto serve desde que não seja para receber o Senhor. Esperar que a sardinhada chegue à mesa depois de um moscatel, um gin tónico ou um whisky, ou duas cervejas de lata, esticar a rede nos armadores, deitar, estender os braços, bocejar. No Sábado vamos à festa porque no Domingo podemos nos levantar mais tarde, se formos activos, dançamos nas festas e bebemos copos, bebemos, bebemos, e vamos sempre à frente porque o Sábado é o primeiro e quase o último. Se no Domingo ficas a dormir e não vais à missa das dez ou à missa das onze, podes ir à missa das sete da tarde e assim estás mais puro para a segunda-feira chegares ao emprego e começares a desancar na telefonista que está com olhos de sono porque não sabe o que é um Sábado e fez do Domingo, Sábado, da secretária que não te abriu o correio, e demorou mais de 2 minutos para te trazer o café, no teu adjunto que já devia ter tratado de tudo porque tu estás puro e comungaste na missa das sete. Leste todos os jornais, o Expresso, a Bola, O Público, levas o CM e o 24horas, porque as capas são atractivas e parece que há novos escândalos. Ao Sábado vais ao rugby ver o teu miúdo que está com 18 anos e 75kgs de peso, faz ginástica e musculação, tem um metro e setenta e oito, é o teu orgulho, veste fred perry e sapatos lacoste, pede-te trinta euros porque é Sábado e vai à discoteca, leva-te o carro e tu ficas em casa a comer pipocas e a ver a Paixão de Cristo em DVD e quando ele chega às dez da manhã a casa já não pode ir contigo à missa. E tu fazes pausa no DVD, levantas-te vais mijar e quando voltas antes de fazeres o filme retomar o seu curso fazes um zapping aos canais da TV, espreitas pelo canto do olho, ela está a dormir encostada à almofada porque não gosta de pipocas, assim paras cinco minutos num canal pôrno e quando começas a ficar excitado mudas de novo para o filme, porque amanhã vais comungar e se cometes o pecado de Sábado, a veres filmes pornográfico tens de te confessar e isso é lixado. Ainda tiveste tempo de ver aquela final de futebol na televisão, o final do festival da canção não sei de onde, espreitaste o resumo da miss universo, mas as gajas não estavam a desfilar de fato de banho, isso não dá pica e voltas ao filme. Impressionam-te as cenas violentas da tortura, uma lágrima corre-te pela face, afinal também és sensível, mas a cena do filme pornográfico estava a bailar na tua cabeça, desligaste o vídeo, fingiste que fizeste o novo zapping, pode ela estar meia acordada e depois vais directo ao canal, porque tu sabes que sendo Sábado, amanhã ainda podes ficar mais tempo na cama. Dás-lhe um beijo superficial nos lábios porque estás excitado e queres partilhar, mas ela não teve Sábado e não te sentiu. Levantas-te vais buscar outra cerveja, porque ainda tens muitas pipocas e estão salgadas. Os teus amigos tinham-te convidado para uma petiscada mas o rugby do teu miúdo não te tinha deixado, além disso tinhas dado umas raquetadas toda a manhã com o teu amigo Inácio, e estás um bocado partido, nem sabias se à noite poderás dar mais raquetadas, apesar do canal dezoito. Adoro o Sábado dia em que estico os braços e acompanho de um grande bocejo, porque é o primeiro e quase o último.
421. Sem título

Às vezes ponho-me a pensar na superficialidade dos textos que escrevo. Gostaria de ser capaz de escrever algo profundo, algo literário. Transmitir paixões, alentos, desalentos. Ser capaz de, num momento de inspiração, criar obra. E depois de poder ter muitos momentos. Usar palavras difíceis, vocabulário rico. Gostaria de ser capaz de inventar uma história ter um tema, desenvolvê-lo. Ou então, ser capaz de escrever um diálogo que a mim me dissesse muito e a quem lesse dissesse pouco, ou que me chamassem louco, depressivo, inepto, corrosivo, malcriado, pantomineiro, fingidor. Já pensei em escrever um conto de fadas, mas cada vez menos acredito em fadas, em duendes, nos gnomos da floresta, nos druidas. Em tempos comecei a escrever um ensaio, estava a sair-me bem, mas a situação era tão experimental, que lhe perdi a hipótese de escrever o fim. Um texto sem fim, não é uma boa coisa. O fim é a melhor coisa de quem quer realizar algo. Tudo se faz com um fim, tudo tem por fim algo. Desisti antes do fim. E poesia? Porque não escreves poesia? Eu tento,

No teu olhar vejo estrelas
Não são pupilas, são estrelas.
Não digas que exagero, porque não é de uma constelação que falo.
Afinal são só duas
Iguais
À mesma distância de anos-luz.
No teu olhar vejo estrelas.

Não tenho nada contra a poesia. Mas quantos poetas é que não compararam os olhos de alguém a estrelas? Poderia ter comparado a ouriços, a berlindes, à bola preta número oito de um jogo de snooker. Mas quantos não fizeram já essas comparações?
Metáforas, parábolas, hipérboles, mistura as figuras de estilo com a matemática, conta uma história com números, aplica-lhe um ou dois princípios da Física. Que tal o terceiro principio da termodinâmica? Podes construir uma boa história.

Fico a pensar nisso, mas não sou físico. Nem metafísico. E o pior é que também não sou filósofo. Se eu fosse filósofo estava autorizado a pensar. Diria uma frase e faria os outros pensarem. Mas se eu disser, penso logo existo, todos se vão rir. Porque isto já foi dito.

Não tenho obrigação de escrever nada. Aliás eu não tenho obrigações, excepto a de pagar os impostos. Tudo o resto eu faço porque gosto. Mas gostar e não ser capaz de verbalizar causa-me ansiedade.

Já sei, acho que vou escrever sobre o tempo.

No teu olhar vejo duas gotas
Não são lágrimas, é chuva.
Não digas que exagero, não é de uma superfície frontal que falo.
Afinal é apenas orvalho
Humidade
Amanhã o sol brilhará
No teu olhar verei uma só estrela.
420. Chats

Cada vez “gosto” mais de chats no IRC com pessoas que desconheço totalmente. Leiam só, que proveitosa e inteligente, a minha conversa num desses chats (por razões óbvias alterei o verdadeiro nick da minha interlocutora).

Interlocutora: já chegaram aqui os predatados?!
PreDatado: olá
Interlocutora: Olá
PreDatado: parece que sim que chegaram
Interlocutora: poças, poças. poças
PreDatado: onde é que os tinhas visto antes?
Interlocutora: nos cheques
Interlocutora: :p
PreDatado: ah
PreDatado: mas não sou careca
Interlocutora: valha-nos isso
Interlocutora: hahaha
PreDatado: cada cheque com a sua mania não é?
Interlocutora: e a sua mania, qual é?
PreDatado: escrever
Interlocutora: predatados?
Interlocutora: lol
PreDatado: blogs
Interlocutora: hmmm
Interlocutora: isso é coisa de puto, não é?
PreDatado: não
PreDatado: é coisa de todas as idades
Interlocutora: hmmm
Interlocutora: e tu, que idade tens?
PreDatado: ainda sou um miúdo
PreDatado: e tu lanças o teu charme há quanto tempo?
Interlocutora: 40 anos
PreDatado: eu tenho mais 8
Interlocutora: mais 8 que eu?!
PreDatado: sim
Interlocutora: chiça
PreDatado: chiça está bem dito, mas também poderia ter sido porra
Interlocutora: hehehehe
PreDatado: afinal de contas não sou assim tão velho, também me costumo
rir assim.
Interlocutora: é muitoooooooooo mais velho que eu
Interlocutora: :p
PreDatado: isso sou, não nego, mas aprendemos a rir na mesma escola
Interlocutora: na mesma escola não direi
PreDatado: na escola ao lado é verdade, porque a minha era masculina.
Interlocutora: mas eu já sou do tempo das escolas mistas
Interlocutora: vc é muito mais antigo que eu
Interlocutora: :p
PreDatado: ah assim em termos de antiguidade é verdade. Também é por isso
que sou mais valioso.
Interlocutora: hahahaha
PreDatado: agora convenceu-me que andou numa escola mista... primeiro riu
como se aprendia na minha escola hehehehe, e agora provavelmente como se
riria na sua hahahaha.
Interlocutora: :p
PreDatado: a menina mostrou-me a língua 4 vezes hoje. Usa piercing?
Interlocutora: lol
Interlocutora: não
Interlocutora: mas tenho uma lingua linda
Interlocutora: não precisa de piercing´s
Interlocutora: 
PreDatado: se o diz, não desmentirei. dá-lhe muito uso?
Interlocutora: dou-lhe todo aquele que posso e sei
PreDatado: o que pressuponho que com 40 anos, já saberá muito.
Interlocutora: ou não
PreDatado: aliás, expressão muito em voga hoje em dia para terminar
frases. (aposto que me vai mostrar a língua de novo).
Interlocutora: vc é do tempo em que as frases apenas terminavam com "."?
PreDatado: ou não...
PreDatado: sou mais do tempo em que as frases não terminavam
PreDatado: em que se deixava um certo perfume de palavras no ar
PreDatado: e se bebiam os pontos e as vírgulas.
Interlocutora: mas assim, sem pontos nem vírgulas, ficava difícil de se ler
um texto, não?
PreDatado: o texto era declamado. Como nos antigos filmes portugueses.
Nunca viu O Pai Tirano?
Interlocutora: desculpa
Interlocutora: tu estás muito sério
Interlocutora: e eu hj estou mais para brincar
PreDatado: eu hoje estou para brincar como aliás se pode ler nas
entrelinhas, sem pontos e sem vírgulas.
Interlocutora: hmmm
419. aaphndao

Um tpio foi hjoe aaphndao a cnoudizr com 6 garams de aclool no sngaue. Igenamim se fsose aaphndao a ecsvevrr boluges. Anida bem que não há cnortolo auqi.

sexta-feira, junho 04, 2004

418. Já comprei

Vendem-se nas farmácias, custam 1,5€ cada, mas penso que vale a pena. Olhar para o Sol para ver Vénus em trânsito pode ser perigoso. Há recomendações por tudo quanto é sítio e eu faço eco das mesmas. Comprem os óculos apropriados e não se exponham. Mais vale prevenir… depois pode não haver remédio.
417. Lunch Time Blog

(escrito quase ao jantar, porque estou com fome)

Já tenho encomendado pizzas por telefone. Há também quem encomende comida chinesa, hamburguers e essas coisas. Mas hoje encomendei uma cabidela de galinha pelo telefone. Terei de explicar melhor. A minha amiga Anabela chegou primeiro e leu-nos a ementa pelo telefone. Eu escolhi a cabidela. Está explicado. Estava óptima, mas os meus olhos caíram-me sobre as sardinhas. Nesta época eu sou muito de comer peixe na grelha. Então sardinha nem se fala. Se a minha Maria chegar na próxima meia hora vou-lhe sugerir. Estou cá com uma fomeca.

PS. O Schubert não irá connosco hoje. Ele não se costuma portar dentro da etiqueta. Ainda não aprendeu a comer de faca e garfo… olha, olha ele aqui ao lado a miar-me ao ouvido que a sardinhada se come com as mãos.. Ouve lá ó gatinho charila, o teu dono é algum burgesso?
416. A guerra dos ícones.

Hoje quando cheguei a casa liguei o PC e aconteceu-me isto. Tive de me baixar e esconder-me debaixo da mesa.
415. Bom Dia!

- Bom dia, disse eu no guichet da caixa.
- Boa tarde, respondeu-me a funcionária.

Olhei para o relógio. Passavam 3 minutos do meio dia.

- Efectivamente, ripostei.

Depois dei-lhe o cartão de utente e a receita para colocar a vinheta.

Quando me despedi, hesitei. Fiquei sem saber se três minutos antes, eu poderia ainda desejar que a senhora tivesse um bom dia, ou se pelo facto de já passarem 3 minutos do meio-dia a senhora já não poderia ser contemplada com um dia bom. Eu acho que toda as horas são boas para se desejar um bom dia. Afinal das contas nós fazemos das nossas horas aquilo que queremos. Lembro-me do meu pai trabalhar por turnos. O seu “dia” de trabalho começava às 16 e terminaria à 01 do dia seguinte. O meu pai não poderia nunca ter um “bom dia” de trabalho, quanto muito, uma boa tarde, uma boa noite e uma boa madrugada. Abaixo os relógios! Um bom dia para todas, para todos, para quem quiser fazer ou puder fazer deste dia, um dia de alegria!

quinta-feira, junho 03, 2004

414. Mau Dormir

Definitivamente tenho mau dormir. Não consigo dormir um sono seguido. Sinto-me constrangido quando adormeço perto de outras pessoas. Não gosto que vejam a figura de parvo que faço a deixar cair a cabeça e além disso, eu ressono. Foi por isso que hoje, durante uma conferência que assisti, acordei umas 6 vezes.
413. Bom Dia!

No seu cabelo branco, já escasso, gosto de passar a mão. Como ele me fazia a mim quando eu era criança e como eu ainda faço aos meus filhos. É um gesto de ternura que sempre me agradou. Eu estou quase com meio século, prestes a atingir uma idade de ouro. Mas ele hoje é um diamante. O meu precioso diamante. Parabéns pai pelos teus 75 anos e que tenhas um óptimo dia! E já agora vê lá se esperas que eu chegue lá, combinado? Um beijo e um abraço do tamanho do mundo, velho Augusto!

quarta-feira, junho 02, 2004

412. Não tem piada

Cara Inês

Sou um cidadão livre, num país democrático, com direito ao livre pensamento e à livre expressão do mesmo. Por isso lutei antes do 25 de Abril de 1974 e por isso continuaria a lutar até ao fim dos meus dias se para tal fosse necessário. As minhas críticas às instituições não são uma falta de respeito, antes pelo contrário. È o meu respeito pela Constituição da República Portuguesa, que me permite (me obriga) a criticar a “Saúde” que temos em Portugal – não sei se Inês recorre ou não ao SNS, para poder atestá-lo pessoalmente -, a criticar a “Educação” que temos em Portugal – não sei se a Inês tem dois filhos, estudantes universitários, pelos quais paga mais de 850 € por ano, por cada um -, a criticar a política de Trabalho que temos em Portugal – não sei se a Inês também está desempregada -. E para não me alongar, é também o Respeito pela Constituição da República Portuguesa que me permite afirmar que não acredito na Justiça, nos moldes em que ela se pratica em Portugal. Quanto às minhas convicções, àquilo que eu acredito ou não acredito, ponto final. Ninguém tem o direito de achar que eu deva pensar desta ou daquela maneira.
Quanto ao caso concreto da Casa Pia e da sua referência à presunção da inocência, eu, que não tenho formação jurídica, nem estou engajado a nenhuma organização profissional, pela qual tenha de seguir um código de ética, sinto-me livre de poder ser bem mais taxativo e não ter de fazer floreados para dizer o mesmo. Há tempos o José Pacheco Pereira no Abrupto, colocava a hipótese, que poderia bem ser um case study, de se nenhum, friso nenhum dos arguidos do processo fosse culpado. Eu ripostei-lhe, sem piada, obviamente, que se isso se viesse a verificar, teríamos forçosamente que ser inscritos no Guiness Book of the Records, como o país que tem a mais cretina comunicação social do mundo, dado o seu papel na denúncia do caso, a mais estúpida magistratura pública do mundo por não ter acertado em nenhum, a pior polícia de investigação do mundo por ter detido 13 ou 14 pessoas totalmente inocentes e finalmente, acrescento agora, o povo mais estúpido do mundo por ter acreditado que alguns deles poderiam ser culpados. Quer melhor tese para a presunção da inocência do que desenvolver o tema “proposto” por José Pacheco Pereira?
Por muita simpatia política que eu tenha, e que de facto o tenho – sou também livre de o expressar aqui – por Paulo Pedroso e pela simpatia que tenho por Herman José, que considero humorista único, estou convicto que a sua ida a julgamento seria muito mais transparente e muito mais gratificante sob o ponto de vista da eventual limpeza da sua imagem do que a decisão tomada pela Juíza do processo. Não sei se a Inês se recorda, mas o caso dos dinheiros da então CEE para a UGT, prescreveu. Culpados ou inocentes, nunca houve julgamento. Infelizmente a memória é curta e até parece que nunca se passou nada.
Para terminar, não esqueça, Inês, que a presunção de inocência é um conceito técnico-jurídico. Se a Inês fosse vítima de uma agressão, sob que forma ela fosse, conhecesse o seu agressor, o denunciasse, apresentasse testemunhas e a Inês tivesse a certeza absoluta de que “ele” era o seu agressor, até ao trânsito em julgado “ele” presumir-se-ia sempre inocente. E se os advogados “dele” lhe chamassem mentirosa a si e às suas testemunhas e a achincalhassem, a si, verdadeira vítima?
A presunção da inocência, não é um absurdo, é um conceito, mas reconheça que quem está por fora do processo tem o direito de, de uma forma não técnica nem jurídica, presumir a culpabilidade.

Cumprimentos.

PS. Todos os comentários feitos nos blogs não são mais que comentários de bancada. Apesar do nickname PreDatado, não sou um cidadão anónimo. Tenho o meu e-mail na página e pelo qual pode aceder ao meu perfil, incluindo nome. Desta bancada não me ouvirá chamar nomes aos árbitros, ou ofender, gratuitamente pessoas, enquanto pessoas, mas terei sempre uma “pedra”, neste caso feita palavra, para jogar contra quem tentar tolher o meu livre pensamento.

terça-feira, junho 01, 2004

411. Recordações

Eu não sou nada destas coisas de dia internacional disto, dia internacional daquilo. Não sou nadinha mesmo. Mas o de hoje é assim meio carinhoso. Sou um bocado sensível, sei lá. Acho que é a criança que tenho em mim que me dá para o sentimento. É que eu também já fui criança. Posso provar:


410. Tamém sou quiança.

Ce calar só vou quevêre éta postagem oje. Poque oje é o dia da quiança e eu inda não apendi a quevêre. Vou masé ali bincare cus meus carinhos e vêre sa minha namuada quére bincar aos pais e às mains. Oje é dia de bincadeira não é para mobigarem a quevêre. Se quiserem ofecerme um livo e uns lápis de coi es para eu riscare, obigadinho.
À o pué datado manda eu dai bom dia pa todas e pa todos os amigos dele e pás quianças de todo mundo.

segunda-feira, maio 31, 2004

409. Vergonha!

A vergonha e a falta de vergonha parecem contraditórias mas estão ambas instaladas. Em primeiro quero vos dizer que acho esta discriminação entre crianças de Cascais e crianças do resto do país uma infâmia. Considerar que há a possibilidade de serem violadas crianças fora do Concelho de Cascais e que as do Concelho de Cascais são imunes, só poderia ser em Portugal. Em segundo lugar, toda esta redução do número de crimes, pelos quais ficam indiciados e sujeitos a julgamento os arguidos do processo Casa Pia, se não fosse triste e dramático dar-me-ia vontade de rir. Actualmente num regime democrático e num estado dito de direito, um Ministério Público e uma Polícia Judiciária que investigaram, compilaram dados, juntaram provas, testemunhos etc etc, vêem todo esse trabalho, quase cair por terra, por uma única pessoa que conhece o processo há escassíssimos meses. Estamos em face de novas omnipotências incompreensíveis, a não ser pelos buracos todos que as nossas leis apresentam. Nisto tudo só acredito nas crianças molestadas. Eu já não acreditava na Justiça. Continuo rigorosamente no mesmo patamar, isto é, continuo a não acreditar.
408. Lunch Time Blog

Coitado do pato. Se um tipo cai numa armadilha, tem logo alguém à perna que lhe diz ‘caíste que nem um pato’. Se um indivíduo apresenta um comportamento provinciano (no sentido pejorativo), tem logo alguém a chamar-lhe ‘pato bravo’. Expressão idêntica serve para designar os construtores civis, ou alguém que conduzindo um Mercedes, apresente um ar bonacheirão ou conduza mal, aliás pior que os outros. Se alguém pagou o que eu devia pagar, a comida ‘soube-me a pato’. A única expressão simpática que conheço para o bichinho é quando, carinhosamente, a mãe, na praia, gaba a presença das crias na água ‘passam lá o dia todo, parecem uns patinhos’. Até os nossos irmãos brasileiros lhe trocaram o nome e chamam-lhes marrecos. Logo eu que gosto tanto destes corcundinhas desfiadinhos, misturados com arroz e cozinhados no forno. Hoje o meu almoço só pecava por a travessa não trazer uma pequena rodelinha de chouriço e uma pequena fatia de toucinho que, além do embelezamento do recipiente “fornífero”, deixa um aroma que as pituitárias agradecem. Repeti o Quinta da Caniça, tinto, por ter gostado antes e, porque em equipa que ganha não se mexe… às vezes.

PS. Schubert, estou com saudades tuas. Foi um fim-de-semana de grandes cumplicidades, ambos a subirmos as árvores. Imagina a cumplicidade quando tu tiveres idade de ires às gatas. Cala-te boca.
407. Bom Dia!

Fomos de fim-de-semana ao Alentejo e eu tive saudades deste meu espacinho. Há uma relação entre mim e a folha de Word de há vários anos, mesmo antes de haver blogs na net, ou pelo menos antes de serem conhecidos, que me deixa quase em delirium tremens quando não a uso. Já me estou a imaginar na semana que vem, que vou passar inteirinha na Madeira, eu a tomar a minha metadona-block-notas de substituição. Se alguém conhecer algum centro tipo Viciados na Escrita Anónimos ou Centro de Recuperação dos Types, por favor avise-me. Por agora quero vos desejar, amigos leitores e amigas leitoras, um óptimo dia e, obviamente, uma estupenda semana.

PS. Por acaso não costumo escrever pêésses nos bons dias, mas desta vez, o inevitável Schubert merece também que eu lhe dê uma abraçode solidariedade pela perda da liberdade que usufruiu esta semana, quando ao ar livre fez novas descobertas, como a de andar à caça de gafanhotos, ou a aprender a subir às árvores. Gato que é gato tem tudo o que é felino nos genes mesmo que seja um gato caseiro. Bom dia Schubert!

sexta-feira, maio 28, 2004

406. Primos (por afinidade)

O João adoptou mais um gato. Lá deu uma voltinha na Internet e a ex-dona veio de Mafra trazê-lo ao Técnico, para dar ao João. O gatinho, que será primo do Schubert por afinidade já está em casa da avó. Da avó do João, é bom de ver. A minha mãe que já tem 8 netos e 1 bisneta tem agora um bisneto, por afinidade também. Ainda não sei qual vai ser o nome do bichano. Por mim seria Joan Sebastian Tarech, mas conhecido por Tareco. Mas será a avó, por afinidade, quem lhe escolherá o nome. Depois, eu aqui, nas minhas postagens irei dando notícias. Quanto ao Schubert não recebeu o primo (por afinidade) lá muito bem. Olhou com desconfiança, cheirou, cheirou e pfffffffffffff… Acho que era ciúme.

PS. Hoje almocei espetada de lulas. Estavam deliciosas. Amanhã irei para o Alentejo. Quem sabe o Lunch Time Blog regresse, hein? Sabem ando com pouca afinidade com a escrita.
405. Bom Dia!

Depois da festa a gente acaba sempre por se sentir um pouco cansado. Mistura o whisky com o champanhe, empanturra-se de doces, dois dedos de conversa fora de horas e o inevitável arrumar da tralha. Por isso este vosso amigo acordou bem manhã dentro e só agora pode vir aqui desejar-vos um óptimo dia. Com a consolação da ciática não o estar a apoquentar. Deve estar ainda anestesiada.

quinta-feira, maio 27, 2004

404. Bom Dia!

§ Parágrafo Único.

A enfermeira telefonou-lhe cerca das duas e meia da tarde. Ele estava a almoçar na cantina da Alfredo da Costa, pediu para a aguentarem um pouco, mas passados 10 minutos já estava a entrar na clínica. Perguntou-me se eu queria entrar. Não me senti suficientemente corajoso para o fazer. Fiquei na sala, andando de um lado para o outro, fumando cigarro atrás de cigarro. Os nervos à flor da pele, a ansiedade. Poucos minutos depois, a recepcionista informou-me, ‘nasceu, é uma menina’. Tremi ainda mais. Algumas lágrimas, de alegria, humedeciam-me os olhos . Depois as habituais perguntas, que ajudam a descansar a alma, ‘como correu? A mãe está bem? A menina está boa? Etc. etc.’ Aproximei-me do corredor, não sei bem como, talvez caminhando sobre algumas nuvens, a cama vinha já rolando em direcção à enfermaria. Mãe e filha lindas, lindas, lindas. ‘Se for tão difícil como foi, quero ter meia dúzia de filhos’. Estava feliz, um sorriso cobria-lhe todo o rosto. A menina vinha de olhinho fechado, colada a ela e era linda. Linda! Hoje, no dia 27 de Maio de 1981 este vosso amigo foi pai pela primeira vez. Ela continua linda e hoje, no dia do seu 23º aniversário, desejo-lhe um dia muito feliz. Parabéns minha querida filha!

PS único. Também para vós amigas leitoras e amigos leitores, desejo um óptimo dia, na partilha desta minha felicidade.

quarta-feira, maio 26, 2004

403. Taça

Parabens FCP, mereceram. Mas porra que aquela taça brilhava que parecia um espelho.
402. Datas!

Aquele garotinho filho de um amigo meu, de quem já vos tenho falado e que costuma dar puns, quando o Mourinho fala (este fim de semana surpreendeu-me, também estava a dar puns, enquanto passava um congresso, ou lá o que era aquilo, na televisão), tem a mania de me chamar tio.
Eu já lhe disse, ‘ó Diogo Gonçalo, o menino ou deixa de me chamar tio, ou pára de dar puns, isso não fica bem a um menino que mora em Telheiras’. Pois o DG (ai a mãe dele se ler isto… o que ela se irrita de eu chamar DG ao fedelho, ó tio Pré o menino é Diogo Gonçalo não é DG), como eu estava a contar, o DG ainda não fala muito bem e em vez de me chamar Tio Pré, chama-me tio puré. Eu que sou extremamente cuidadoso com a alimentação, peguei imediatamente na caixa da Knorr e ufa! até respirei de alivio: 4 / 6. Ainda estou dentro do prazo de validade.

PS. Isto é só para vocês verem, como o gajo é embirrento. Por acaso, lavo sempre as mãos antes de pegar em qualquer alimento, mesmo que seja em latas, pacotes ou caixas. E enquanto lavei as mãos, olhei para ele e ele mostra-me 6 do 4. Não é cretino o meu espelho?
401. Bom Dia!

Hoje estou a pensar em ir cortar o cabelo. Ainda não sei se vou. Estou com algum medo. A barbearia onde vou (o dono prefere que lhe chamemos cabeleireiro de homens, mas eu não me ajeito, sei lá) tem espelhos por tudo quanto é lado. E se eles desatam a falar comigo?

- Hoje vais cortar o cabelo…
- Vou, como é que sabes?
- Nunca reparaste na figura ridícula que me fazes fazer?

(Um espelho a achar-se ridículo! Onde já chegou a cretinice de um espelho se achar ridículo e principalmente onde chegou a insolência de me responsabilizar por tal),

- Tu? E eu não? – ripostei.
- Eu preocupo-me com a minha imagem.

Disse-me isto com um desdém que só me apeteceu pegar no frasco do after shave e atirar-lhe à cara. Depois pensei, ‘se o faço, parto-o e depois com quem é que eu vou conversar?’ Pousei o frasco lentamente sobre a bancada, apoiei as duas mãos sobre a bacia, olhei-o, olhos nos olhos, ambas as melenas completamente desgrenhadas e pensei de novo (ultimamente ando muito pensativo) ‘talvez melhoremos os dois de imagem, e assim todos bonitinhos poderemos desejar a uma só voz, muito bom dia às nossas amigas leitoras e aos nosso amigos leitores’.
400. Surpresa!

My dear thank you!!!!!! Eu não acredito, não acredito mesmo. Até fui ao espelho dar duas bofetadas na cara para ver se estava acordado. A vieira do mar, pôs como música de fundo Here Comes de Sun. Mais logo vai estar bom dia. Thank you my dear! Mereces o post 400, ai mereces, mereces.

terça-feira, maio 25, 2004

399. Imperceptível

- De novo?
- Não posso?
- Podes!

Não percebo porque é que está sempre a meter-se comigo. De há uns dias a esta parte, não me posso aproximar dele. Está embirrento. Fui só cortar um pequeno pelo que me saía do ouvido direito.

- Cuidado!, gritou o espelho.
- O que é agora?
- Torces a espinha.
- O que tens com isso?

Não sabia que ele se preocupava tanto com a minha coluna. Ficou amuado coitado, ele que estava apenas a cuidar de mim. Virou-me as costas, não sem antes ter dito algo quase imperceptível. Fui ao Google, tentar perceber o que ele me tinha dito.
398. Espelhos

‘Duas namoradas que tive tinham gosto pela escrita…’ – Disperso – As minhas não, meu querido. Gostavam mais de oral.

‘É absolutamente proibido usar, neste Verão, chinelas de salto alto…’ – Papoila – Juro que não vou usar. Eu cumpro as leis.

‘Coloca à prova toda a tua cultura musical…’ – Robina – Sou um inculto compulsivo. Não acertei nenhuma.

‘Eu neste lugar exilium em mim…’ – Ágora – Vou estudar latim, começar em exilium e terminar em mim. Novo espelho?

‘You're looking kinda lonely girl…’ – Batukada – pelo blog parece. Será o blog um espelho?

‘O que teria acontecido a Guevara se não tivesse sido assassinado?...’ - Aviz - Não sou bruxo, mas vou fazer um exercício. Depois publico os resultados.

‘Já tenho o Moët et Chandon no gelo…’ – Desassossegada – para mim pode ser D. Pérignon? Se não puder diz, que eu não sou esquisito.
397. Simétrico

Entrei no carro e um barulho estranho emanou dos altifalantes. Não sei o que era, nem me preocupei em saber. Saía da track 5. Deve ter sido o João quem pôs o CD no leitor. Se o pôs é porque o queria ouvir, por isso não o tirei. Não tenho vontade de tirar discos do leitor de CDs. Um condutor não fez piscas na rotunda e apesar do som da track 5, adivinhei para onde ele queria ir. Provavelmente não estava com suficiente atenção ao som que saía da track 5. Eu não costumo adivinhar coisas. Já tentei mas estou com medo que me acusem de bruxaria. Ultimamente andam a acusar-me de muitas coisas, mas desta vez eu juro que não fui eu quem pôs aquele disco no leitor. Tive dificuldade em sair do carro, porque a perna teima em doer-me, mas saí. Não ía almoçar no carro, para não me acusarem de sujar os estofos. Não o vi entrar na porta do prédio, deve ter entrado sorrateiro. Só dei por ele quando entramos ao mesmo tempo no elevador. Não sei porque é que ele entrou pela porta das traseiras e se aproximou tanto de mim. Olhei-o e disse-lhe, ‘hoje não tens tantas borbulhas’. Ele mexeu os lábios mas não emitiu qualquer som. Pelo menos eu não o ouvi, porque só a minha voz acompanhou o barulho do motor na subida. A vitela estava boa e o Palmela óptimo. Só não sei porque é que ele usa o risco à direita.
396. Bom Dia!

- Estás com uma cara horrível.
- Tu também, disse eu para o espelho.
- Mas a mim passa-me, basta que te vás embora.

O meu espelho a responder como se fosse gente. Logo o meu espelho que não pensa, a fazer um raciocínio lógico. Voltei para trás e fui-lhe responder à letra.

- És um insensível. Não sabes que não dormi esta noite?

Virei-lhe as costas. Este espelho irrita-me. A sua insensibilidade é aterradora. Só está bem comigo para me ajudar a ajeitar o nó da gravata. Até a pentear me contradiz. Faz sempre o risco no lado errado da cabeça. Mas nunca me vira as costas, é uma verdade. Ou se vira eu não vejo. Mas porque é que eu hoje acordei a embirrar com espelho? Que culpa é que ele tem da ciática não me ter deixado dormir? Que culpa é que ele tem de eu estar cheio de borbulhas?

E vós, amigas leitora e amigos leitores, que culpa é que tendes de eu hoje estar meio esfarrapado? Nenhuma evidentemente. Eu vim aqui para vos desejar um bom dia e, desculpem a sinceridade, também para me desejar um bom dia a mim próprio. É que bem preciso.

segunda-feira, maio 24, 2004

395. Sensações

Entrei no elevador, olhei para o espelho e senti-me um adolescente. Não, não é nada disso que podeis estar a pensar, não estou mais novo. Estou é com a testa e o rosto cheios de borbulhas.
Agora das duas, uma… ou então não. Poderá haver mais hipóteses. Mas pensei em duas. Poderá ser uma reacção alérgica a algum comprimido que tomei ou a algo que tenha comido. Poderá ser uma doença de criança, sei lá, tipo uma daquelas que a minha avó incluía na lenga-lenga ‘sarampo e sarampelo sete vezes vem ao pelo’. Mas que me lembre, já tive sarampo, varicela, rubéola, escarlatina e outras que não me lembro e até cálculos renais, hérnia discal (esta ainda tenho), hemorróidas e tosse convulsa, ou seja até tive bem mais de sete.
Vamos então pensar que possa ser a primeira hipótese. Suponhamos que é algum comprimido. Eu, excluindo a paroxetina (genérico), Triticum 100, Noctamide e Sedoxil, só tomo Pravacol, Nodulide e Nolotil. Claro, se não falar do Zurcal e do Ben-U-Ron e de umas fricções de Voltaren ou Bálsamo Analgésico, mas isso não são comprimidos. Ou quando me engano, como já aconteceu a semana passada o Micardis da minha Maria. Considerando que o Stodal é um mero xarope para a tosse, ainda por cima, homeopático, que apenas tomo uma vez por dia, ao deitar, nas noites em que me deito e, considerando ainda que lavo a cabeça sempre com o mesmo shampoo de aveia que compro no Lidl há mais de dois anos (não vale a pena fazer referência que ontem, experimentei o novo herbal, shampoo e acondicionador, cujas amostras promocionais me foram gentilmente deixadas na caixa do correio) e que o sabonete é Nívea creme, não estou a ver mesmo nenhuma razão para ter reacções alérgicas. A não ser que seja a segunda hipótese, algo que eu tenha comido. Mas tenho andado tão regrado. Só tenho comido carne de porco, enchidos e queijos, quase sempre alimentos grelhados ou fritos (os queijos não, evidentemente). Quase não tenho comido feijoadas, cozidos à portuguesa, favas com entrecosto e ervilhas com ovos. Assim não estou mesmo a ver o que possa ser. Devo precisar de alguma ajuda ou sugestão. Se algum médico me estiver a ler, dê-me uma pista por favor. Caso contrário, o melhor será ir à farmácia comprar um anti-alérgio, um anti-estamínico qualquer. Assim como assim, estou com a sensação que estou doente.
394. Bom Dia!

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

(…)

Eu que não sei cantar, que mal abro a boca os vizinhos começam a preencher um abaixo-assinado para me despejarem, que tenho de abrir as torneiras do chuveiro para que se pense que são as gotas de água a chorar quando solto os primeiros acordes, eu, dizia, acordei a cantar o fado. E não foi um fado qualquer, foi este bonito poema de Alexandre O’Neil. Começar o dia com poesia e com Lisboa só pode vir a ser um óptimo dia. E esses são os meus votos, hoje, para todos vós.

domingo, maio 23, 2004

393. Domingo

Definitivamente o Domingo não é o meu dia de sair. Já não vou à missa e as praias nesta época apinham-se de gente. Na outra época chove. Levanto-me e faço a barba.

- Vais sair? Pergunta-me o espelho.
- Não, hoje não saio
- Estas a fazer a barba…
- É por causa de amanhã.

Acho que o espelho não entendeu. Esta incapacidade dos espelhos não entenderem agrada-me. Seriam dois num só único pensamento, entendendo ambos as mesmas coisas com interpretações simétricas. Seria a confusão total. O espelho é ordenado. Simétrico sim, mas ordenado. Nunca faz nada que o outro lado do espelho não faça, excepto pensar. E, ordenadamente vai-me trocando o lugar às coisas, numa simetria perfeita.

- Assim, à segunda-feira custa-me menos fazer a barba.

Dá um sorriso. Meio seco, como deve ser o sorriso de um espelho. E não vais sair? Pergunta-me de novo. Não, não gosto de sair aos Domingos. Os passeios de Domingo aborrecem-me, não são originais. Estão todos no shopping, mas também estão todos no campo e estão todos na praia e estão todos no passeio do rio. E estão todos nas esplanadas e nos jardins infantis e nos largos da cidade e no jardim zoológico.

- Tens medo das multidões?

Que espelho chato. Porque haveria de ter medo? Preocupo-me se me atraso. Se me atraso já está visto, já outros viram, já voltam e eu vou ver o já visto. Prefiro ouvir. Pouso a lâmina na bancada, passeio os dedos nas caixas e descubro Crosby, Stills, Nash and Young no meio da poeira do quase esquecimento. O disco gira sobre o dejá vu. Continuo a fazer a barba.
392. Lunch Time Blog

Enquanto preparo o almoço, vejo as notícias. Entre desgraças e bodas…futebol. E imagino o futebol a comer.

O espectador come couratos.
O jogador come a relva.
O árbitro come por baixo da mesa.
O empresário come-os a todos.
Um ou outro distribui fruta.
A Federação come que se farta.
Nós somos comidos como gente grande.

Eu, indiferente a estas comezainas futebolísticas, adianto o churrasco. O Schubert, atento aos cheiros, mia. Pergunta-me se tem de ser árbitro. Não meu querido, não precisas de comer debaixo da mesa. A minha Maria prepara a salada. Pergunto-lhe se as folhas de alface, por serem verdes lhe fazem lembrar a relva dos estádios. Ela não “está, nem aí”. Não me consegue ler o pensamento. Afinal de contas ela não joga futebol. A filha começa a preparar as sobremesas. Hoje não há doces. Temos uvas, melão e morangos. Dispensamos as laranjas. Há três dias que não se vê outra cor na televisão. É ela, menina, delicada, frágil quem distribui fruta. Como se isso fosse possível. O filho aparece só à hora da comida. Sentamo-nos os quatro à mesa.Somos uma federação. Comemos que nos fartámos. Depois, à hora do café, falamos da vida, do Governo, do desgoverno, do que damos sem nada, ou quase nada, em troca. Somos comidos como gente grande. Somos apenas parte da boda. O vinho era da Estremadura. Da portuguesa. Olé!

PS. Schubert, eu sei que, nestas coisas da vida, és um mero espectador. Vai um courato? Tu respondes-me num tom que até parece brincadeira, mas penso que estavas a falar a sério. Não, hoje não, quando for grande quero ser empresário.
391. Cannes

Palma de Ouro do Festival de Cannes: Fahrenheit 9/11. Michael Moore. Shame on you Mr. Bush, shame on you.
390. Bom Dia!

Tome nota que esta é uma mensagem automática que é aqui escrita porque ou você leitora, ou você leitor a partir do seu computador ou de um IP emprestado merece que eu lhe deseje um óptimo dia.

Se você entrou aqui por engano, está deprimido, não quer ler, nem escutar ninguém, por favor ignore esta mensagem, ou deixe um comentário a informar que o dia é seu e que ninguém tem nada com isso.

Se esta mensagem aparecer repetidamente neste formato ou em outro qualquer com o mesmo objectivo, é apenas sinal de que eu gosto de vós e não deve ser considerado Spam,
389. Janis

À noite, assim por estas horas tenho vontade de escrever. Nem sempre sei o que quero escrever, nem sempre sei se deva escrever. É certo que a maior parte das vezes são diálogos comigo próprios. Monólogos bipartidos.

- Porque não escreves?
- Não tenho nada para dizer
- Mas estás com vontade
- Estou…

E fico no silêncio das palavras pensadas. Rebobino as emoções, transponho-as em forma de pensamento, transporto-as de cá para lá.

-Escreve-as.
-Para quê?
-Para partilhá-las.

Coloco a máscara. Só uma dor física me é visível no rosto. Escondo-o, se me deprimo. Só partilho as boas emoções. A minha aura é para ser lida como de felicidade. Somar negativos dá sempre negativos. Até na aritmética.

- Então partilha as boas. Canta.
- Não tenho voz (e solto uma gargalhada)
- Conta uma anedota
- Não vês que não posso? Conto a quem?

Dizes isso porque nunca tiveste um motivo sério para seres triste. Sim já tive. E depois? Vou viver toda a vida triste? Lembras-te da última vez que fui à farmácia a quantidade de anti-depressivos, ansiolíticos e outras drogas para dormires? Lembro-me, sei que estás meio louco…

- E vais continuar a rir?
- Que adianta chorar?
- Então não escrevas, vai dormir.
(este é dos que pensa que só se escrevem coisas tristes…)
- A noite não foi feita para dormir.

Coloco um disco da Janis Joplin. A sua voz rouca e dengosa faz-me tremer. Nunca percebi porque tremo quando escuto uma voz rouca de mulher. Mas ainda assim, é uma emoção boa. Boa demais. E estou aqui a partilhar me and bobby mcgee. É uma coisa boa.

sábado, maio 22, 2004

388. Buenos Días!

Blanca y radiante va la novia…

Hoy es el día de la boda real. Yo no hay sido invitado, pero creo que hay sido solamente un pequeño error del protocolo. O entonces han creído que, solo porque yo soy del Benfica, no puedo tener la sangre azul. Mientras tanto, un bueno día para vosotros y, por supuesto, para Don Felipe y Doña Letizia.

sexta-feira, maio 21, 2004

387. PS

Eu não sei se valem pêésses desinseridos dos textos. Um pêésse é para complementar um texto, normalmente com outro, que não caberia no contexto em geral, mas que deveria ser dito naquele momento, sob pena de perder a oportunidade. Eu não sou especialista em letras e, portanto, não sei se o que disse acima é verdade, mas se a Charlotte ou a Batukada, elas sim especialistas, me quiserem ajudar, agradeço.
O meu amigo Branco comentou que descobriu que afinal não gosta do Lunch Time Blog sem o PS para o Schubert. Então cá vai ele:
Schubert ainda bem que não estavas presente nesta contenda. Tu ainda és bebé e ias ficar um bocado baralhado. Para ti , bolinhas de papel é o que tu gostas… e como tu jogas bem. Além disso não és muito amante de feijoadas.
386. Curiosidades
Quase toda a gente que tem o sitemeter tem a possibilidade de ver, quando as entradas no seu blog provêm de search no google ou noutros motores. Alguns têm entradas que não lembram ao diacho. Eu, curiosamente, tirando casos muito esporádicos, não tenho tido entradas por pesquisas demasiado peculiares. Notei apenas que as pessoas pesquisam na net, várias vezes, camisas triple marfel e vão dar ao meu blog. Eu não sou nem fabricante, nem distribuidor, nem vendedor. Portanto, como não tenho oportunidade de vos oferecer as camisas ofereço-vos uma foto.
385. Ciática

Enganei-me. Em vez do meu analgésico tomei o comprimido da tensão da minha Maria. As dores não passaram, mas em compensação estou com tensão tão pequenina, que nem vos conto. Mesmo assim deu para sair de casa e ir almoçar fora. Quando voltar para casa vingo-me. Tomo dois Nolotil e seja o que Deus quiser.
384. Lunch Time Blog

Hoje fui almoçar ao restaurante do meu amigo Carlos – Cabrinha II, Qta. do Serrado, via rápida da Costa da Caparica, saída Universidade, hein Carlos quanto não vale esta publicidade? – que não só é meu amigo, mas também parceiro de sueca do meu pai às terças feiras, dia em que o restaurante está fechado. Estes almoços no Carlos são simultaneamente ‘bem comidos’ e ‘bem jogados’. Atente-se à cronologia. ‘Boa tarde Carlos, estás bom?’ ‘Parabéns, ENGENHEIRO’ (este engenheiro foi mesmo dito em voz alta. Ó pá, dá reputação à casa não é? Já que o engenheiro foi de jeans e pólo, sem gravata nem nada e sapatos ténis, aquilo não é lugar de pelintras, então há que frisar bem que este gajo mal vestido é engenheiro). ‘A Judite não veio aqui à tua procura?’ ‘à minha?, porquê?’ ‘dizem que tu és co-autor do roubo do 3º lugar ao Benfica’ – tive de ser eu a abrir as hostilidades, estou farto de ouvir o Carlos dizer que o Sporting não ganha campeonatos por causa dos árbitros e ele até sabe as datas em que foram roubados, parece o Pôncio Monteiro), riu-se e aconselhou-me a feijoada de chocos. Estava boa, não se pode dizer o contrário ‘lá em casa é uma democracia, o puto é do Sporting desde que nasceu, fui logo inscrevê-lo como sócio’ , ‘oh Carlos democracia era trazeres-me a carta de vinhos’, veio um alentejano da Herdade dos Machados, Quinta da Caniça (fixei nem o nome?), escorreito, ficava na boca, 1-1, democracia versus vinho. Antes, tinha comido um queijinho fresco, vulgar, nada comparado aos queijos de ovelha que ele costuma trazer para a mesa, 1-2, ganho eu. ‘Se não fosse o sistema, ninguém nos parava este ano’. Vieram os chocos. Empate 2-2 , estavam muito apaladados. Na verdade devia ser 1-3, porque a cozinheira é a mulher do Carlos e é do Benfica. Mas sendo assim a democracia está a funcionar, anulo um golo a mim próprio e marco penalty a favor dele. Portanto o 2-2 está bem. Eu queria Cutty Sark ele impingiu-me Jamesons. Foi para a conta crescer 3-2 para ele. ‘O Mantorras nunca mais joga à bola’. Não gosto de bandarras, nem de nostradamus. Para mim é golo na própria baliza. 3-3. O Artur é que pagou a conta. Portanto 3-4 ganhei! Quase goleada. O Beira-Mar perdeu 0-1. Porque é que são sempre os clubes pequenos a pagar a factura?
383. Bom Dia!

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro, O amor é uma companhia


Hoje não posso andar. Nem só, nem acompanhado. A ciática voltou a atacar, mas o belíssimo poema do Alberto Caeiro que tinha na cabeça obrigou-me a levantar da cama e vir partilha-lo convosco. Porque eu quero que todos vocês, amigas e amigos leitores, tenham um óptimo dia.

quinta-feira, maio 20, 2004

382. Comentários

Vou tentar fazer isto mais vezes. Faltavam 20 minutos para terminar o França x Brasil na TV. Desliguei a música e levantei o som da televisão. Depois anotei algumas frases dos comentadores. O itálico é meu.

Ele executou como pensou, é isto que faz com que haja jogadores e, jogadores (pois é há os que executam sem pensar e os pensam e não executam, são os .. e, jogadores)

Já se percebeu que as selecções estão não para perder, se possível ganhar (normalmente costuma ser o contrário; as selecções entram sempre para perder)

Um senhor grande jogador dentro e fora dos relvados (consta que compra sempre vários bilhetes de lotaria mal se dirige para o banco)

Júlio Batista um jogador já não muito jovem, 30 anos… (o outro, na sequência) este Júlio Batista, um jogador jovem, possante… (bom eu é que não sei se 30 anos é jovem ou não é jovem… em que é que ficamos?)
381. Lunch Time Blog

Hoje não comi lagosta. Estou proibido pela Manuela.
Hoje não comi lasanha. Não estava nos dias em que me sinto Garfield.
Hoje não comi Cozido à Portuguesa. Não fazia parte da ementa.
Hoje não comi moqueca de peixe. Já tinha dançado o samba de manhã e a empregada não me chamou de ‘meu rei’.
Hoje não comi espetada de lulas, nem de chocos, nem de carne. Não comi nenhum tipo de espetadas. Hoje é dia de espiga, já tinha feito os meus espetos logo pela manhã.
Hoje não comi queijo da serra. Pedi ao João Garcia que me trouxesse um, lá bem do alto do Tibete, mas ele esqueceu-se.
Hoje não comi cerejas. Estão pela hora da morte, estou amealhando pró caixão.
Hoje não bebi vinho tinto. Devo estar doente.
Portanto, hoje não há Lunch Time Blog. Desculpem.

PS. O Schubert hoje foi ao veterinário. Está um gatinho saudável.
380. Partidos

Em tempos de antanho fiz parte de um partido político. Daqueles que não tinham na base programática o centralismo democrático mas que o eram, obviamente. E só por isso, ou talvez por isso, eu fui militante desse partido. Hoje sou de esquerda, de pensamento livre, não engajado, por isso permito-me a todas as incoerências e não dou contas a ninguém a não ser à minha própria consciência. Sou assim mesmo, não há cura para o meu mal. É um mal que se eu fosse médico consideraria de bom colesterol. Mas isso também é ser juiz em causa própria, portanto deixemos de falar se estou certo ou estou errado. Mas ainda adianto algumas analogias. Um dia num fórum desportivo da TSF há alguns anos perguntava-se se sendo benfiquista declarado seria normal Fernando Santos ter aceite o cargo de treinador do FC Porto. A mim isso faz-me muita confusão, creiam. Sou pelas convicções. Ingenuidade, pensam os meus amigos. Eu prefiro essa ingenuidade a marcenarias. Hoje o meu clube está cheio de lagartos e tripeiros em cargos de direcção. Nem imaginam como isso me complica com os nervos.
Esta introdução vai longa para o texto que eu queria escrever, mas as palavras são como as cerejas. Ontem ouvi o Sr. Morais Saguemento dizer que a riqueza do PSD era a sua heterogeneidade de pensamento e de atitudes. Desculpem-me amigos mas isso não é um partido. É um conjunto de figurões à procura de lugares. É uma mão cheia de clubes, num só. É o senhor tripeiro Veiga na direcção do Benfica, é o senhor lagarto Vaz na direcção do Benfica. Pelo amor de Deus, quando é que será permitido um ateu consagrar uma eucaristia? Seria uma riqueza.
379. Bom Dia!

Olha o sapo tá cantando na lagoa
Sua toada improvisada em dez pés
- Tião!
- Oi!
- Fostes?
- Fui.
- Compraste?
- Comprei.
- Pagaste?
- Paguei.
- Me diz quanto foi.
- Foi quinhentos réis.
Mas como é bom morar lá na roça
Numa palhoça na beira do rio
A chuva cai e o sapo fica contente
Que até alegra a gente com seu desafio.

* Jackson do Pandeiro

Ontem à noite ouvi o sapo cantar, mas esta manhã ele calou-se e deu voz aos passarinhos. Passaram por mim um pintassilgo, dois pardais e um bico de lacre. Disseram-me bom dia e pediram-me para eu vos transmitir.

quarta-feira, maio 19, 2004

378. 100nada

“Conheço-a” (que cena começar com aspas e com parêntesis) há alguns meses. Num dia em que no 100nada ela achou curioso o meu pequeno círculo. Na minha lista de links só havia o meu filho e minha afilhada. Ela fez referência a isso lá no ex-100nada e eu, assim como assim, pus-me a ler aquilo. E aquilo era uma coisa com graça, com seriedade, com estilo, com diversidade. Eu ficava bem disposto quando lia aquilo. Depois vim a saber que o 100nada tinha sido inaugurado em Maio. Algures num comentário de um dos visitantes pareceu-me ter lido 19. Se não foi, desculpa minha amiga, mas não é relevante. Num vipe que eu não entendi, mas que não peço, obviamente, qualquer explicação, o “meu” 100nada, ficou efectivamente sem nada. Desapareceu. Puff! Não fez um ano, mas para mim ainda vive. É como que um post-mortem esta postagem, desculpem lá, mas eu tinha de recordar isso por aqui, hoje. Se não estou em erro agora vejo-a noutras paragens, às vezes até a andar de barco, de papel feito pantalha, mas são outras águas. Acho que um dia destes o 100nada poderá a voltar a ser o com-tudo. Ela é que sabe. Mas ela também sabe que eu tenho saudade. Não sabes Catarina?
377. Lunch Time Blog

A Fátima perguntou-me, antes de eu sair, se almoçava em casa. Disse-lhe que sim ao que ela me contrapôs, ‘a sô tora não me disse nada’. Eu disse-lhe que poderia fazer qualquer coisa, porque se não me agradasse eu viria aqui ao blog inventar um lavagante grelhado e isso. Quando pus a chave à porta e a entreabri (eu agora só entreabro, porque o Schubert desata a correr e sai que nem uma flecha, escada acima), uns odores que nos fazem abrir o apetite invadiam a casa. Eu sei que não é muito agradável o cheiro da comida pelas casas. Mas à hora que um gajo vem, “cheio da galga”, nem pensa nisso. Depois abrem-se as janelas, liga-se o exaustor, purifica-se o ar com um cheiro a limão directamente do frasco da essência, naqueles aspiradores que servem para aspirar e para estas mariquices e dá para cá 300 contos. A mistura do feijão verde e das cenouras, algumas batatas, os enchidos, o entrecosto e uma jardineira à maneira. Nem lhe perguntei como é que fez. Eu não falo enquanto como, porque sou muito educadinho e como sempre de boca fechada. Antes de me sentar fui à garrafeira buscar um tinto regional da Estremadura. Dom Mamede, para provar. Depois com calma falarei dele.

PS. Gostava que vissem como é que o Schubert come uma fatia de fiambre. Luta com ela como se fosse uma peça de caça acabada de aprisionar. Depois de a dilacerar é que a come. Um dia destes ainda ponho aqui um vídeo-clip.
376. Privatizações

Desta vez foi a água. Mas não vou reclamar muito porque concordo com os argumentos. A coisa pública é mal gerida, os gestores não prestam, são incompetentes. Só discordo do método. Acho que deveria ser top-down. Primeiro privatizava-se o Governo. A coisa pública está pejada de incompetentes. E o presidente do “conselho de administração” seria o primeiro a ser corrido.
375. Mudanças

Desde que a blogger decidiu fazer aquelas alterações todas que foi um rodopio de mudança de roupa. Alguns blogs alteraram o vestido com que se vestiam há anos (há anos?) e andam mais primaveris. Confesso que em alguns apreciei a mudança, ficaram mais arejados, mais frescos, sei lá. Noutros estranhei (depois entranha-se), por estar acostumado e os meus olhos custarem a habituar-se a novos brilhos. O PreDatado também já pensou em mudar de roupa, mas está sem dinheiro para ir às compras. Quem sabe espere pelos saldos e lá mais à frente, em fim de estação, aproveite. Claro está que vai vestir roupa igual à de muita outra gente.. é o problema dos saldos. Por agora fica com o mesmo penteado, a mesma camisinha e apenas despiu as calças para vestir calções. Fica mais jovial.
374. Bom Dia!

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade, As Mãos e os Frutos


Vamos lá a ver amigas leitoras e amigos leitores. O poema é um tanto ou quanto pessimista. Mas quem acorda com um dia assim, em plena e luminosa primavera, só pode levantar-se do chão. Vamos comer fruta fresca e gritar um enorme bom dia! E estremecer se alguém nos pedir amor…

terça-feira, maio 18, 2004

373. Aproveitando o tempo

Estava aqui entretido a navegar quando de repente, qual vaga alterosa virando o barco, a minha Internet afundou. Esperando pelo salva vidas resolvi fumar um cigarrinho e senta-me no sofá a ver TV, quando me apercebi que também não tinha televisão. Durante uma hora a TV Cabo foi interrompida aqui para estas bandas. Fez-me lembrar uma pequena história que li há tempos no jornal. Numa pequena vila de França a taxa de natalidade era muito superior à do resto do país. Depois de vários estudos verificou-se que a culpa era do comboio. Um comboio, que tinha um horário de passagem próximo das 5 da manhã, acordava toda a gente. Como era demasiado cedo para irem trabalhar e demasiado tarde para voltarem a adormecer, os habitantes da vila entretinham-se como podiam. Daí ao nascimento dos bebés era um passo. Ou seja nove meses. Aqui a vizinhança foi toda deitar ás 10 da noite. Esperemos para ver se dá frutos esta interrupção da TV.
372. Desprezo

O Governo, mais uma vez, desprezou os trabalhadores da Bombardier. Enquanto estes reivindicam apenas uma coisa, trabalho, o Governo anda a passear pelo Vaticano a gastar os impostos desses mesmos trabalhadores. Para assinar a isenção de impostos dos padres. Que não estão no desemprego…
371. Bom Dia!

(Finjo que não vejo as mulheres que passam, mas vejo)

De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,
mal viu a menina atravessar a rua,
saltou num ímpeto de besouro
e despiu-a toda...

E a Que-Sempre-Tanto-Se-Recata
ficou nua,
sonambulamente nua,
com um seio de ouro
e outro de prata.

José Gomes Ferreira

Ora cá está uma boa sugestão do José Gomes Ferreira. Sentar-me na mesa do café, fingir que não vejo as mulheres que passam, mas ver. E, enquanto saboreio o meu pequeno-almoço, dou de comer aos olhos. E as meninas também podem fazê-lo. Sem descriminação, sem pudores velhos e, assim, poderemos todos e todas começar um muito bom dia!

segunda-feira, maio 17, 2004

370. Luar

Às vezes, a esta hora, quando o início da noite se prepara para me dar um banho de negro e luz de tungsténio olho a janela e sobe no meu peito uma vontade de outras coisas. Uma vontade de fazer não sei o quê, um vazio numa bolsa cheia de coisas de que tenho vontade. E quero escutar uma música que não sei qual é. Abro o armário, folheio, como se fosse um livro já lido, todas as páginas de CDs uma a uma, sopro uma poeira teimosa que resistiu à última flanela, como se não o ouvisse há muito, renuncio, ataca-me a nostalgia do vinil. Estupidamente tento descobrir um disco que já não tenho, há muito que desapareceu, não faço a mínima ideia se o emprestei. E lembro o “meu” Alentejo, as luzes da companhia apagadas e aí sim uma inundação de estrelas em noite que não faz luar. Mas o calor de hoje é mais intenso e os meus luares de Agosto rapidamente ofuscam as constelações lá longe, mesmo aquelas que na semana passada eu apontava, vê filha aquela é Orion, olha como se vê tão bem. E de repente, um clique, Catulo da Paixão Cearense, na voz de Paulo Tapajós, Paulinho Tapajós, talvez o primeiro disco que tive de música sertaneja, aquele “xorinho” do nordeste brasileiro onde nunca fui, mas de onde me chamam de “quirido” de onde me sinto ser rei. “ó meu rei” você nunca veio no Brasil? Nem sabe o que está perdendo. Quando a lua me chamar, volto ao Alentejo.

Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão

Ó, que saudade do luar a minha terra
Lá na serra branquejando folhas
secas pelo chão
Esse luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata
Prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção e a lua cheia
A nos nascer no coração

Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão

Coisa mais bela neste mundo não existe
Do que ouvir um galo triste
No sertão se faz luar
Parece até que alma da lua
É que diz, canta
Escondida na garganta
Desse galo a soluçar

Ah, quem me dera
Eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra
E dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde a tarde a sururina
Chora a sua viuvez

Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó, não
Luar como esse do sertão
369. Parabéns.

Faz hoje um ano um dos blogs mais didádicos que conheço. Para o seu criador, Henrique Silveira, e para os que no Crítico Musical colaboram, os meus parabéns.
368. Bom Dia!

Ainda estou de ressaca da bebedeira de alegria. Aos benfiquistas e aos que não o são, para todos um excelente dia!

domingo, maio 16, 2004

367. Oportunidade

Vós sabeis amigas leitoras e amigos leitores que eu não sou nada de contar intimidades. Mas não resisto a esta. Eu estava a escutar a conferência de imprensa do Mourinho, quando ouvi um ruído que não me parecia vir da televisão. Ao meu lado, o filho pequenino de um amigo meu deu um sorriso malandro, virou-se para ele e disse: "pai, di um pum!".
366. É Nossa

A Taça de Portugal é nossa! Beennnnnnnnnnnnfffffffffiiiiiiiiiiiiiiiiccccaaaaaaaaaaaa!!!!
365. Lunch Time Blog

Começamos com umas amêijoas à Bolhão Pato. Estavam gordinhas, eram de excelente qualidade, bem limpas e o molho estava excelente. As misturas dos azeites com as ervas e os alhos apaladavam qb. Depois os percebes e os camarões de espinho que, diga-se de passagem, me obrigam a não falar no preço da gasolina nos próximos dez minutos. E as sapateiras. A mariscada estava óptima, comemos que nem uns padres ‘sobremesamos’ a gosto. Acompanhei com cerveja, pois a sede não me aconselhava a outra bebida. Esperem, calma, há engano. Isto foi ontem, caraças. Depois da bênção das fitas. Eu não quis colocar a postagem, porque ontem o blog teve uma intenção particular. Hoje comemos em casa, ajudei a fazer o almoço que eu próprio sugeri. A Maria foi comprar uns escalopes ao talho do meu amigo Quim, muito tenrinhos, primeiríssima qualidade, como aliás toda a carne do seu talho. Depois as natas, os cogumelos e o vinho da Madeira, fizeram o favor de lhes dar aquele paladar que nos deliciou. É verdade, não poderia deixar de mencionar que os escalopes foram alourados, no verdadeiro, no puríssimo azeite de oliveira, português.

PS. Ó, Schubert, meu piratinha, nunca imaginei que gostasses de cogumelos. Quer dizer meu malandro, a ração que está quase tão cara como o camarão de espinho (mas menos do que os combustíveis) é para segundas núpcias?
364. Pub!

Há vários dias que ando para mencionar esta menina. Mas sou suspeito, porque ela é adepta do Glorioso, tal como eu, e poderiam pensar que era por isso. Mas não é. É porque gosto do blog dela. Gosto mesmo.

363. Bom Dia!

O beijo que de manhã te roubo
De sabor batôn inda mal seco,
Mistura de ácido e de salobro,
Ávido de um pecado que peco.

O beijo de batôn, mistura
De roubo com parte de manhã,
Salobro de líquido e secura,
Misturo de divino e de Satã.

O beijo de Satã ou de pecado
Ávido de manhã, seco de sabor,
Tod’o dia me faz acompanhado
Da vontade de ti, de ser Amor.

E quando à noite pecador eu volto
O beijo roubado, ainda há pouco
Com sabores de mistura, já to solto
Ácido, divino, feito louco.

E com pecado de sabor divino
Amamos de mistura e com o beijo
Louco de ser Amor, de ser destino,
Que destino é ser manhã, já te desejo.

AF, Devolução in Complexus

Toda a hora é hora de beijar. Se for com amor, com desejo, com paixão. Beijemos o dia lindo que este Domingo nos reserva e tenhamos todos, um muito bom dia!

sábado, maio 15, 2004

362. Luto

Estas são as postagens que mais me custam a escrever. A voz embargada pela comoção e uma lágrima no rosto, impedem-me de arranjar palavras. À família do jovem BRUNO BAIÃO, apresento os meus sentidos pêsames.
361. Para ti Anita (III)

Lembro-me do dia em que te fui esperar ao aeroporto.

‘um gato que horror’

fiquei decepcionado, confesso.

Mas a pouco e pouco fui ganhando a tua confiança
E hoje sinto-me orgulhoso
Por te ter ajudado a minimizar o teu pânico aos
Animais.

Sei que ainda não fiz tudo.
Sei que precisas de umas mordidas
E de uns arranhões extras, para
Perceberes quanto de carinho nós pomos
Nas nossas atitudes e como nós somos diferentes.

Se eu pudesse, tiraria um curso:

“A engenharia da dentada durante a brincadeira, após a chateação e quando estou danado.”

Irias ver quanto há de diferença.

Depois pedir-te-ia para elaborares o modelo matemático
E me ajudares na minha tese de doutoramento gatal.

Mas isso é coisa de humanos! De gente como tu! E é por isso que te deixo o meu grande MIAU de felicidades!

Bem hajas Anita, dona!

Ass.: Schubert.
360. Para ti Anita (II)

As estradas da vida são como as estradas do chão. Sinuosas, com rotundas, com semáforos. As infra-estruturas nem sempre são as mais adequadas. Os engenheiros da vida são comos os engenheiros da técnica. Às vezes enganam-se. Não têm as tabelas perfeitas. Há as intempéries, alguém que não respeita as regras e os que tentam subvertê-las. Contigo tenho uma certeza. Não te deixarás nunca enredar nos cruzamentos. Bem hajas, minha pequena engenheirinha.

Amo-te porque amar
É do peito
De dentro, do coração.
Pergunta-lhe a ele, ao coração
Ele explica-te
Amo-te!

Ass.: Pai
359. Para ti Anita (I)

Esta fita que hoje te dedico é apenas do teu total merecimento. A tua inteligência aliada à dedicação que pões em tudo o que te empenhas fizeram-te atingir esta importante meta. É apenas uma, ou se quiseres, mais uma das que pela vida fora vais ter de atingir. Mas estou absolutamente convencido que se continuares com a confiança que tens demonstrado, um a um conseguirás atingir novos objectivos. Vais continuar a poder contar com o apoio que o pai te puder dar, embora cada vez menos tenhas precisado de andar de mão dada. Isso mostra o forte carácter, a forte personalidade e a tua auto-confiança. Felizmente para ti, os escolhos na tua caminhada não foram demasiados. Manter os dois olhos bem abertos e os pés assentes no chão permitir-te-ão no futuro ultrapassares com mais facilidade os novos problemas. E sorte, claro.

Ass: Pai
358. Bom Dia!

Tenho a certeza que há pessoas bonitas. Não estou a falar de mulheres bonitas, de homens bonitos, de crianças bonitas. Estou a falar de pessoas. Se não fosse lugar comum falaria de beleza interior. Assim falo de pessoas, no seu todo, nas suas atitudes em cada dia, em cada hora, em cada momento. Não estou também a falar nem de santos, nem de santas. Estou a falar de gente comum, de gente terrena, de gente que está no meio de nós. Nas nossas vidas, há sempre uma destas pessoas que nos marca. Ou mesmo mais do que uma. Na minha há várias, o que para mim constitui uma grande felicidade. Hoje quero destacar uma dessas pessoas, porque merece e porque eu lhe devo. Devo-lhe a gratidão de ser como é. Por tudo o que tu és minha filha, muito obrigado.

Quero desejar a todas as minhas leitoras e a todos os meus leitores um óptimo dia. Mas como esta mensagem é especial para mim, quero te desejar minha filha, um óptimo, um excelente, um maravilhoso dia. Que as tuas fitas sejam abençoadas!

sexta-feira, maio 14, 2004

357. Mensiversário

O Schubert fez hoje 4 meses. Temos estado os dois a festejar o seu mensiversário. Sentamo-nos no sofá, ele abriu o presente e deu um miau de satisfação. Pusemos o CD no leitor e escutamos a 9ª Sinfonia de Beethoven. Pois a 8ª do Schubert estava incompleta, por isso não seria apropriada. Por outro lado o que é preciso é Alegria! Este Schubert é um hino.

PS. Quando eu disse ao Schubert que ía fazer esta postagem, ele perguntou-me no seu miau doce: Dono, achas que a malta vai comentar?
356. E-mails

Meu Caro Francisco José Viegas
(sem ser por e-mail)

Acabei de ler a sua postagem sobre os e-mails que recebe. Como deve calcular eu queixo-me do mesmo, com uma pequena diferença, ainda não me propuseram comprar Viagra. Eu acho que é por causa do meu nome já constar no ficheiro de clientes. Mas adiante.
O objectivo desta minha postagem é mesmo fazer uma ligação ao seu blog, para que alguns dos meus leitores, que porventura não leiam o seu (ai meus deuses, quanto pretensiosismo), se possam também deliciar com essa prosa. E já agora, se o barco a motor é bom, avise-me que eu também quero comprar um. Cumprimentos para si e para a Ana Com.

PS1. Não me diga que Sinara Gatinha não é um bom nome para ter na lista de endereços.

PS2. Eu acho que é ANACOM, mas pelo sim pelo não, não vá a Ana ficar zangada…
355. Maria-polego-preto

Maria-polego-preto, moça de 18 anos, era abundante de pêlos no pente.
A gente pagava pra ver o fenómeno.
A moça cobria o rosto com um lençol branco e deixava pra fora só o polego preto que se espalhava quase até pra cima do umbigo.
Era uma romaria chimite!
Na porta o pai entrevado recebendo as entradas…
Um senhor respeitável disse que aquilo era uma indignidae e um desrespeito às instituições da família e da Pátria!
Mas parece que era fome.

Manoel de Barros*, O Encantador de Palavras

* Poeta Brasileiro
354. Bom Dia!

Deponho no processo do meu crime.
(Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz)
Juro
Que havia um muro,
E na face do muro uma palavra a giz.
Merda! – lembro-me bem.
– Crianças... – disse alguém
que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletrar
O vocábulo indecente,
E de repente,
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente,
Vi que a letra era minha...

Miguel Torga, Depoimento



Não tenho o costume de começar as frases, nem escritas nem orais, com a expressão “é assim” dois pontos. Mas hoje não resisto. É assim: Tantas vezes me apetece dizer merda! e, fico-me no pegar do giz ou no procurar do muro. Mas de manhã não. De manhã não é isso que tenho vontade de dizer. De manhã gosto de dizer a todos vós: Bom Dia!

quinta-feira, maio 13, 2004

353. Lunch Time Blog

Fazem uma cama de cenoura ralada para ter volume. Depois cortam um tomate em gomos, colocam dois destes gomos sobre duas folhas de alface previamente colocadas sobre a cenoura, para dar altura. Duas rodelinhas de cebola e duas tiras de pimento. Não é exagero, é sempre duas, aos pares para parecerem muitas. Colocam na beira da travessa a enfeitar e até parece uma salada. Mas não é. Para mim é uma amostra. Serviria para mostruário, mas nunca para se servir à mesa. Vamos a mais pares. Duas meias batatas na outra ponta da travessa. E, três pares de sardinhas no meio. Mas isto é lá prato que se sirva? Salvou-se o facto das sardinhas serem frescas e gordas. Sai-se dali tão desconsolado. Mas era o restaurante que tinha mais à mão e o tempo para o almoço era pouco. Estais vendo caras amigas leitoras e amigos leitores que este vosso escriba às vezes também come mal?

PS. Schubert, espero que a Fátima te tenha tratado melhor do que eu fui tratado. Logo à noite conversamos.
352. Ário – Uva

Parece estranho o título? Mas não é. Não é, não. Fui eu que descobri uma forma de rimar ário com uva. Como? Oram vejam: diário, canário, herbário, Mário, contrário, aquário, centenário, confessionário, dignatário, formulário, estatutário, estuário, itinerário, fontanário, mortuário, ordinário, missionário, preçário, solário. Bom estas eu escrevi em 2 minutos. Poderia escrever mais uma dúzia delas se tivesse mais 2 minutos. Ou mais uma vintena, ou até mesmo uma centena, bastaria para isso ir ao dicionário. Mas do ário que mais me orgulho é o de ser solidário. Agora quem pense que sou otário pode tirar o cavalinho da chuva.
351. Bom Dia!

Caríssimas amigas leitoras e amigos leitores. “Yo no creo en brujas pero que las hay, hay”. Hoje, aquí nas voltinhas da Internet, resolvi ir ver coisas do meu signo. E encontrei em espanhol isto sobre o Leão:

Simboliza: La energía, la creatividad, los juegos, las especulaciones, el orgullo, la vanidad, la realeza, la diversión, los deportes, los espectáculos, la niñez, la educación, la elevación, la gloria, la fama, el poder.

Tirando la vanidad parece ser tudo verdade! Cá estão las brujas a funcionar.

Mas a semana seria:

Después de haber descansado y disfrutado de un muy buen fin de semana, regresas a tus actividades de siempre pero con más energías y, si sigues así, sacarás adelante los proyectos que se te presenten, los exámenes o los trabajos que tengas que entregar. Tendrás conflictos con tu pareja porque desde hace tiempo no se comunican como antes; si quieres que dure la relación, trata de hablar claro para que no pase más tiempo y se sigan acumulando cosas. Trata de salir al cine con tus amigos, de divertirte y distraerte porque concentras la mayor parte de ti en el trabajo o en la escuela. Habrá cambios dentro de tu casa que beneficiarán a todos.

Pelo menos até agora, desde que a semana começou, não tive nenhum conflito com a minha pareja. E além disso yo hablo sempre claro y comunico todos los dias.

Em que é que ficamos?

Bom, o melhor é desejar-vos um muito bom dia e ir comprar bilhetes para el cine. Hasta luego.