quinta-feira, julho 22, 2004

512. Redacção - As quecas

Eu gosto muito de quecas. Quando eu era miúdo, nunca ouvi essa palavra lá em casa. A fonia (e também a grafia), mais próxima, que eu conhecia era queque. Havia os da pastelaria e havia os meninos queques. Nunca percebi a comparação, até porque, para dizer a verdade, nunca achei o queque um bolo muito interessante. Só se isso queria dizer que os putos queques também não eram interessantes. Mas esse não é o meu problema. Voltando ao tema que a minha professora me mandou, como trabalho de casa, parece que o Verão anda a aquecer os miolos ao pessoal (pessoas, até à data decentes como o TOM, a Duende ou a Catarina, já andam a escrever textos de quecas. Deve ter sido neles que a minha professora se inspirou). Ou o Verão anda a aquecer os miolos desta gente, ou desataram todos a comprar o livro do João Ubaldo Ribeiro, influenciados pela encenação de “A Casa dos Budas Ditosos”. Mas uma queca é uma queca e duas ou mais ainda é melhor. Mas para o fazer é preciso saber-se, é preciso querer-se e é preciso poder-se. Bom, aqui tenho de avisar, quem ler esta redacção, que não é gralha. Em Portugal o ph já não se usa. Para saber-se, até há livros de receitas, como para fazer queques. Um deles, até fiquei envergonhado quando o abri, chama-se camassutra ou lá como é que se escreve. Vem até ilustrado. Portanto quem errar, é burrinho(a). O querer-se, tem a ver com uma coisa que não sei se me vão levar a mal, se eu escrever. Chama-se tesão e é aquilo que dá nos bichinhos quando o teor relativo de umas certas hormonas dispara. Mas isso é para os cientistas e eu não queco cientificamente. Poder-se é uma coisa mais complicada. Eu poderia teorizar sobre o poder aqui. Teria de falar de tanta coisa e de tanto gajinho e gajinha (minha senhora, isto é calão, não entre em conta para a nota final), que nunca mais acabaria a redacção. E, às páginas tantas, seria obrigado a escrever com ph, portanto é melhor ficar-me por aqui e dizer que o Verão também me está a afectar os miolos. Só que tenho um problema. Não sei fazer aquelas descrições do tipo, ‘ela deixou cair a toalha que lhe cobria o corpo. As gotas de água, do banho acabado de tomar, não tiveram tempo de secar. Imaginava-a de uma maneira diferente. Talvez tenha sido o factor surpresa que fez subir em mim o querer. As hormonas… Pensei, se face a uma escultura, não me imobilizaria, eu, também. Continuaria assim feito estátua? Saberia eu utilizar toda a minha imaginária versatilidade, face à estupefacção? De repente, abracei-a, olhei-a nos olhos, aproximei-me dos seus lábios. Beijei-a ternamente. Agora era apenas uma questão de poder. E ali, quem mais podia era ela’. Eu não faço a mínima ideia onde que os meus supra-citados arranjam tanta imaginação para escrever, mas tenho de concluir que eu gosto muito de quecas.  




quarta-feira, julho 21, 2004

511. Redacção - Os médicos

Eu gosto muito de médicos. Quando eu era miúdo a minha mãe queria que eu estudasse para médico. Eu sei porque é que ela queria que eu fosse médico mas, não é para falar dos gostos da minha mãe que eu estou a escrever este redacção. É dos meus e, de facto, eu gosto muito de médicos. Não sei viver sem eles e acho que eles já não sabem viver sem mim. “Ora cá está você outra vez, senhor PreDatado”. Ouço-o à entrada de cada consultório que visito. É mentira, eu sou um grande mentiroso e acho que alguém a ler esta redacção, já está a pensar: “ai coitado, o PreDatado, já está com os pés para a cova”. Então, vou continuar a minha redacção, sem mentir, porque eu quero ter boa nota e, sem uma nota muito mas mesmo muito boa não entro em medicina. E se não entro em medicina depois não posso ir trabalhar para o Hospital Garcia de Orta, não posso atender a minha sogra que entra lá paralisada, e depois receitar-lhe um analgésico e mandá-la para casa e depois ela estar há um ano e meio acamada. porque ela tinha a bacia partida e pronto, por isso tenho de ter boa nota na redacção. A minha mãe diz, “está bem filho, mas também não era para seres um médico assim que eu queria que fosses médico”  e, eu respondi “está bem mãe então eu se calhar vou ser engenheiro”, porque, no outro dia, quando eu tive aquela  dor de cabeça horrível que parecia que me saltavam os miolos e andei de generalista em generalista até ao especialista final, neurocirurgião conceituado que me explicou tim tim por tim tim as causas de uma cefaleia pós-coital , me receitou uma caixinha de comprimidos. E a minha mãe coitada a dizer-me “pois um médico assim é que tu devias de ser”. E eu que não tomo nadinha que não leia a chamada literatura inclusa, como diz na caixa, deparei escrito nos efeitos secundários ‘pode provocar dores de cabeça’. Eu gosto muito de médicos. Ah estava-me a esquecer de escrever aqui na redacção, e de engenheiros desempregados, também.

terça-feira, julho 20, 2004

510. Redacção – Aniversários
 
Eu gosto muito de aniversários. Quando eu era miúdo, os meus pais preparavam-me sempre uma festa. Eu e a minha Maria, também preparamos sempre uma festa de aniversário para os nossos filhos. Vêm os amigos, os familiares mais próximos e ultimamente também o Schubert. Apagam-se velas, cantam-se os Parabéns a Você (nunca percebi porquê, uma vez que toda a gente trata os meus filhos por tu), e acelera-se naquela parte “hoje é dia de festa, cantam as nossas almas…”, como se acelera sempre que se cantam os Parabéns a Você. Corta-se o bolo ás fatias e tiram-se muitas fotos, para mais tarde recordar. Abre-se um garrafa de Champanhe, às vezes mais, dependendo da vontade e da quantidade dos convivas, fazendo-se um grande alarido no momento das rolhas saltarem. Há discursos, desejos de felicidades, “que contes muitos” e “vocês que vejam” e no fim da festa, metem-se os pratos na máquina de lavar, os copos também, limpa-se e arruma-se a casa. A minha professora, acha que as minhas redacções são sempre muito previsíveis e que eu escrevo o que toda a gente escreveria, toda a gente não, mas sim toda a gente que tem tão escassa imaginação, quanto a minha. Pois hoje, senhora professora, resolvi fazer-lhe uma surpresa. Hoje vou dizer que gosto muito do aniversário da Ruiva, que está a comemorar um ano de blog. E ela também tirou uma fotografia para a posteridade e daqui, eu mando um grande sopro para ajudar a apagar a vela. Que contes muitos minha querida Ruiva, isto é, o teu querido bloguinho, Coisas de Ruiva. Eu gosto muito de aniversários, mas tenho de confessar que tenho um fraquinho pela minha afilhada.

segunda-feira, julho 19, 2004

509. Redacção – O ciclismo
 
Eu gosto muito de ciclismo. Quando eu era miúdo quis comprar uma bicicleta para ser como o Alves Barbosa. O pior é que o Alves Barbosa não era do Benfica, mas sim do Sangalhos. Mas isso não interessava, porque o Alves Barbosa era o maior! Infelizmente os meus pais não tinham dinheiro para comprar uma bicicleta e eu acabei por optar por uns patins. Mas nunca cheguei a ter esses patins, porque os meus pais tinham medo que eu caísse e partisse uma perna. Ou a cabeça. E sem cabeça, talvez eu não conseguisse fazer as redacções que a professora me pedia. Como não tinha bicicleta, montava-me numa cana de valado e corria, corria, corria. Mas aquilo era andar a cavalo, não era bicicleta. Então, eu acabei por optar, por uma lata de conservas vazia, forrava-a com um papel de seda, que vibrasse ao som da voz, e amarrava-a a um pequeno pau ou a uma caninha e estava feito um microfone. Imediatamente, de ciclista, passei a relator da Emissora Nacional. “Lá vai Fernando Mendes a atacar, mas a marcação cerrada de Joaquim Agostinho não lhe permite avançar nem 20 metros. A meta já está à vista, estamos a menos de 5 kms da chegada. O Agostinho não tem sprint, será desta que o Fernando Mendes vai conseguir ganhar uma etapa?” E depois havia o Roque, o Firmino o Andrade, o Venceslau. Todos tinham uma palavra a dizer. Mas cheio de força, Agostinho, sem levantar o rabo do selim, pedalava, pedalava, pedalava e no pelotão ninguém tinha pernas para o HOMEM. E havia a volta a França, a minha volta de sempre. Tão importante para mim como a Volta a Portugal. Já não me lembro do Ancquetil, mas ainda vejo o Merckx, o Hinault, o Indurain, o Armstrong. Ah e não me esqueço, do Poulidour, Pou-Pou o eterno segundo e nunca, mas nunca do Agostinho e dos seus honrosos terceiros lugares. Hoje não tenho a mesma doidice pelo ciclismo, mas tenho dois ídolos: Armstrong e Azevedo. Paulatinamente, ajudando o líder, sem darem por ele, temos o Azevedo, nos dez primeiros. Vou ali subir o Puis-de-Dome e já volto. E se eu não voltar é porque estou no alto da Senhora da Graça. Eu gosto mesmo de ciclismo.

domingo, julho 18, 2004

508. Redacção – Os políticos
 
Eu gosto muito de políticos. Quando eu era miúdo sempre pensei vir a ser político. O meu problema é que só havia a união nacional e eu não era muito unionista. Eu sempre fui pela independência das colónias e até achei que o Algarve devia, também, ser independente. Um dia, desenhei uma bandeira com umas rochas em fundo azul (cor de mar) e uma alfarroba no meio. Mas adiante. Mais tarde passou-me a onda da política e quis fundar uma igreja. Assim daquelas universalistas, onde eu pudesse ser dono e pastor. Leiam isto com sotaque brasileiro: “Irmãos, só Jesus pode vos salvar. Vêem ali no fundo da sala aquele gigantesco baú? Coloquem lá vossas oferendas e façam um desejo”. (Não esqueçam de passar este e-mail a 10 pessoas, em 5 minutos, para o desejo ser concedido). Mas depois achei que não ia resultar. Lixei-me, o Edir Macedo pegou na minha ideia e é o que se vê. Voltei então à política. Agora, eu já poderia ser secretário-geral de um partido. Foi então que me veio a ideia de consultar as bases. Fui à OTA, ao Montijo, a Beja, a Espinho, a Rio Tinto, a Figo Maduro e até às Lajes. Depois de fazer este périplo, o meu pai deu-me uma bofetada por eu andar a gastar dinheiro em viagens, sem o consultar. Afinal não eram aquelas bases. Enganei-me redondamente. Não podia ser chefe de nenhum partido porque eles nunca se enganam. Dei em palyboy, passei a andar de discoteca em discoteca. A minha avó diz-me que um dia eu hei-de ser primeiro-ministro. Mas eu não quero. Eu quero mesmo é ser secretário-geral. Já preparei a minha moção e vou levá-la a congresso não tarda nada. Não me peçam entrevistas, porque já tenho a agenda cheia. Gosto mesmo de políticos, mas gosto mais ainda de ser secretário-geral.

sábado, julho 17, 2004

507. Redacção – O Embaixador
 
Eu gosto muito de embaixadores. Quando eu era miúdo o meu pai também gostava muito de embaixadores e eu acho que é por essa razão que eu também gosto muito. Um dia estava a passear pelo Jardin des Deux Rives, já era eu crescidinho, veio uma pessoa muito ligada ao Senhor. Ministro dos Negócios Estrangeiros perguntar-me, em discurso directo e com uma frontalidade que me deixou perplexo, Predatado, queres ser embaixador? Num primeiro momento, pensei que fosse uma óptima proposta. Cheguei a casa, fui buscar uma balança de dois pratos, daquelas que se usavam antigamente nas mercearias lá do meu bairro e no esquerdo coloquei um monte de prós e no outro uma data de contras. A balança não me estava a ajudar nada porque lhe faltava uma peça muito importante: o fiel. Voltei ao jardim na esperança de encontrar a tal pessoa ligada ao senhor ministro, mas não o encontrei. Naquele mesmo lugar alguém me entregou um pequeno papelinho que dizia assim: “ e vais aceitar colocar uma mordaça na boca, sem poderes dizer o que pensas, em troca de mais uns cobres, por muito que pareça prestigiante o teu lugar?” Tinha uma assinatura quase ilegível. Tirei os óculos e com esforço consegui juntar as letrinhas e lá estava a assinatura: a consciência. Acabei de descobrir o fiel que me faltava na balança. Já não quis ser embaixador. Eu sei que alguém me anda a copiar o meu estilo de tomar decisões. Quem sabe um dia, com outra balança e com outro fiel…
 
 
PS. A minha professora, não gosta que eu escreva pêésses nas minhas redacções, mas era inevitável dizer que o Schubert, aplaudiu a decisão. No final, ela disse-me que era pobre país o nosso onde poucos gatos levantavam o seu miau para aplaudir decisões destas.

sexta-feira, julho 16, 2004

506. Redacção – A água
 
Eu gosto muito de água. Quando eu era miúdo, havia no Pombal, em Almada, um chafariz. No início, a maioria das casas não tinha água canalizada. Ai como eu sou antigo. Ao bom estilo chinês, uma vara sobre os ombros e um balde de cada lado íamos buscar água ao chafariz. Os rapazes e as raparigas, na época em que eu era miúdo, casavam com as raparigas e com os rapazes da região. Diziam que quem bebia água do Pombal, ficava como que enfeitiçado. Eu casei com uma pessoa que nasceu a mais de duzentos quilómetros. Fui embarcado. Passadas pouco mais de duas semanas, eu gritava a plenos pulmões: ‘Tirem-me daqui!’. E jurava a pés juntos, que depois do primeiro desembarque não voltaria à marinha mercante. Os meus colegas riam e gozavam comigo. Diziam-me que eu já tinha bebido água do tanque número três. Quem bebia a água de bordo, ia lá ficar toda a vida. Eu fiquei seis meses. Trabalhei numa empresa japonesa. Fui muito bem tratado e o Director Geral gostava do meu trabalho. Convenceu-se que à boa maneira japonesa eu ficaria lá para toda a vida. Teve um desgosto enorme quando me despedi, ao ponto de tirar uma semana de férias, coincidente com a data da minha saída, para não me cumprimentar no dia em que me vim embora. Hoje, embora esteja desempregado, sinto orgulho nas seis empresas onde trabalhei nos últimos 24 anos. Mas não enraizei em nenhuma. Um dos comentadores do meu post anterior escreveu na caixa de comentários: “Voltas. Sei que voltas. Isto já te entrou vida dentro e agora podes tirar férias, podes dar voltas ao miolo mas o que sentes acaba por sair. Portanto, um grande até já. Descansa. Mas voltas, tenho a certeza. Grande abraço!”. Ele sabia que eu tinha bebido água da blogosfera. A única água que me enfeitiçou. Eu gosto muito de água.

segunda-feira, julho 12, 2004

505. Bom Dia!

- Estás a pensar acabar com o blog não é?
- Como é que sabes?
- Vejo na tua cara. Tens cara de desistência.

(O meu espelho nunca tinha usado esta palavra. Ele sabe que eu nunca desisti de nada. Onde será que a aprendeu?)

- Enganas-te. Tenho cara de pausa.

(Ele fez uma careta. Acho que desconhece a expressão. Sempre me viu electrizado. Não me conhecia pausas)

- Queres explicar, ou ficamos assim?

(Disse-me isto com um ar tão crítico, tão acético, que não consegui virar-lhe as costas sem uma explicação)

- Preciso de ler. De voltar a vasculhar a biblioteca. Preciso de beber novos éteres e cheirar os clássicos. Renovar-me e repurificar esta sala. Cheira-me demasiado a tabaco.

(Baixou a cabeça, ficou uns segundos largos em reflexão, depois olhou-me nos olhos e falou-me em voz baixa)

- Hoje não digas apenas bom dia. Diz também até logo. Até sempre!

domingo, julho 11, 2004

504. O PreDatado feito pelo que rouba nos outros blogs

Vão ter de ler o texto se quiserem conhecer a totalidade do conteúdo. Eu roubei-lhe esta frase, com a devida vénia, como aliás sempre curvo a espinha quando roubo algo a alguém, aqui na blogosfera:

“ (…) Para tanto, precisam também (e especialmente) de:
porta do quarto fechada + reboliço entre os lençóis + gemidos abafados seguidos de um assalto furtivo ao frigorífico às quatro da manhã. (…)”


Minha cara Vieirinha, tenho de te dizer o seguinte:
- Esqueci-me da porta aberta;
- Durante o reboliço o Schubert, subiu para cima da cómoda e pagou bilhete de 1º balcão. Não sei se gostou ou não do show, porque não escutei as palmas no fim de cada acto.
- Não fui ao frigorífico ás 4 da manhã. Deixei passar as horas e quando olhei para o relógio já eram 6. Achas que me mesmo assim deveria ter ido à cozinha?

(espero que em breve me possas dar um conselho matrimonial sobre gatos entre lençóis)

Portanto amiga, não tenho a certeza se os teus conselhos funcionam com gatos. Porque os meus miúdos, já são adultos e portanto se não há remédio, está remediado.
503. Bom Dia!

- Estás feito um vaidoso
- Quem eu? Porque é que dizes isso?
- Estás de calção de banho novo.

(O meu espelho é o espelho da sociedade. Não pode ver uma camisa lavada a ninguém. Invejoso!)

Bom dia gente, vamos lá gozar essa praia!
502. Não te vás.

Não sei se li bem, mas no entretanto já reli e fiquei com o mesmo entendimento. A minha amiga blogosferiana Helena Thadeu, despediu-se do Solistência. Só lhe quero aqui dizer, publicamente, que fico triste por desaparecer um blog inteligente. E se eu puder fazer-te um pedido é só este: não te vás!

sábado, julho 10, 2004

501. Bom Dia

- Estás diferente.
- Porquê?
- Tens uma face alegre e outra triste.

(Os espelhos são mais observadores. Pudera, não têm em que pensar. Às vezes são perspicazes.)

- Não leste o meu Bom Dia de ontem?
- Li e daí? O que posso deduzir?

(Eu não disse que os espelhos nem raciocínios simples fazem?)

- Sexta-feira é um bom dia, meu caro plano reflector. A minha foi quase perfeita.
- Então como explicas a meia face descaída?

Desta vez quem virou as costas ao espelho fui eu. Peguei na Bandeira Nacional, o ar tinha um espectro cor de cenoura onde ainda pairava uma sexta-feira, nua, deliciosa, cheirosa como a flor que costuma povoar-me as mesas e quente, que as nove e quinze quiseram nublar. Cobri a sexta-feira com a Bandeira Nacional, porque hoje é Sábado.
Vejam como nasceu o dia. Nublado, cinzento, triste.

E porque hoje é Sábado, apesar dos espelhos, desejo um bom dia para todos vós.

sexta-feira, julho 09, 2004

500. Quinhentos

Comecei o meu blog, em Outubro passado, pensando colocar textos que já antes tinha escrito. Daí o nome deste blog: PreDatado. Os textos tinham datas que eram anteriores às datas em que eu os publicaria. A dinâmica que vim encontrar na blogosfera e a minha própria dinâmica, depressa ultrapassaram essa intenção. Nunca esperei ser capaz, de em tão curto espaço de tempo, produzir 500 textos. Só o fiz por duas razões – a primeira porque o meu gosto por escrever algo, mesmo que faits divers, caricaturas do quotidiano ou algo mais intenso, algo que me vem de dentro, me obrigou a usar este espaço para o fazer. A segunda, e para mim efectivamente a principal, é porque alguém gosta do que eu escrevo (as quase 10.000 entradas e as mais de 21.000 paginas acedidas, são muito compensadoras para a minha auto-estima).
Infelizmente, quis o destino, que esta minha comemoração coincidisse com uma derrota pessoal. Eu era (sou, mas agora não interessa) política e constitucionalmente, favorável às eleições antecipadas. Quis o senhor Presidente da República que a minha (só minha?) expectativa fosse gorada. É para mim, também, uma derrota pessoal. Hoje e coincidente com esta postagem a Bandeira Nacional que neste blog exprimia o a minha petição por eleições antecipadas, sairá do blog. A Bandeira Nacional que ainda mantenho na varanda, sairá de lá, dentro de momentos. À espera de melhores dias.
499. Onde estão os Humbertos Delgados deste País?

O senhor Presidente da República, acabou de perder a oportunidade de vir a ser conhecido, na história, pelos nosso netos, como Jorge Sampaio, o Presidente Sem Medo!
498. Lunch Time Blog

É incrível a falta de inspiração. Se eu tivesse comido um prato de cozinha tradicional portuguesa, por exemplo, uma caldeirada à fragateiro, se eu tivesse ido àquele restaurante Alsaciano numa transversal do Boulevard des Italians, quase a chegar ao quartier Latin, comer um delicioso Foie Gras d’Oie, se eu tivesse comido um cocinillo asado na Antiga Casa Botin, ali já à Plaza Mayor, se tivesse ido ao Léon comer umas moules au frite (depois de passar a mão na perna de S. Fernando), se tivesse dado um saltinho à monumental Berlim leste comer um Eisbein num restaurantezinho que eu conheço, aí sim eu poderia fazer um Lunch Time Blog inspirado. Mas quem almoça escalopes de vitela fritos ao alhinho, não tem grande motivo de escrita. O vinho tinto Terras de Estremoz, de Maria Joana Castro Duarte, tem o condão de transformar qualquer vulgar refeição, num pitéu de excelência. Portanto parabéns ao vinho. Da sobremesa se me apetecer escrevo, se não me apetecer não escrevo. E agora não me apetece.

PS. O Schubert passou o tempo a esconder-se debaixo de um alguidar. Só nunca percebi porque é que, quando se esconde, deixa sempre o rabinho de fora.
497. Bom dia!

A sexta-feira é um dia desejado por quase todos aqueles que, durante a semana, dão o litro e esperam ansiosamente pelo final do mesmo para gozar um merecido fim-de-semana. Outros há que, exactamente por amanhã ser fim-de-semana, fazem da sexta-feira uma lufa-lufa de trabalho intenso, para poderem passar Sábado e Domingo de consciência tranquila. Eu não estou nem num caso nem noutro. Nem dei o litro, nem tenho rabos-de-palha. Por isso acho que vou ter uma sexta-feira bonita. Se alguém estiver nestas condições, levante o braço. Mas para todos, para os do tipo um, tipo dois ou tipo três e para quem quiser partilhar comigo uma sexta-feira feliz, desejo a todos um bom, um muito bom dia.

quinta-feira, julho 08, 2004

496. Egregio

A propósito de um excelente artigo, embora controverso em alguns aspectos, mas que não será motivo desta minha postagem, publicado hoje no Público, por José Pacheco Pereira e referido no Abrupto, decidi dar uma voltinha no Google para encontrar um texto que explicasse o significado e a origem de Egrégio. Infelizmente as primeiras 60 entradas do Google não traziam uma única referência em português. Quem souber espanhol pode agora cantar o hino nacional, sem as dúvidas da personagem de JPP.

Egregio

La palabra "egregio", término por el que hoy designamos a una personalidad sobresaliente, un hecho histórico de notable alcance o una obra excepcional tocada por el genio de un hombre o una raza, curiosamente proviene del latín egregius, expresión compuesta del prefijo ex ('fuera', 'más allá') y la voz grex ('rebaño', 'grey'), es decir, 'apartado, lejos del rebaño'. Vocablo algo ampuloso y revelador de grandeza, por lo menos en nuestros días, egregius, según nos lo advierte su limpia etimología, en sus comienzos fue una palabra de humilde cuna, de estirpe rural, que con el curso de los tiempos ennobleció sus pergaminos, debido a un proceso de cambio meliorativo de su significado (técnicamente una trasnominación o mutación semántica) que en tantos casos enaltece a ciertas voces de condición común u ordinaria, promoviéndoselas a las más altas dignidades, a los más empinados rangos. El vocabulario académico define al vocablo "egregio" por medio de dos sinónimos: "insigne" e "ilustre", a los que se podrían agregar las voces "esclarecido", "notable", "sobresaliente" y tantas otras.

Este texto foi encontrado aquí.



495. Às vezes interrogo-me


Porque é que gosto tanto dos blogs escritos por pessoal de Almada e de outras regiões?

Porque é que as mulheres mais bonitas são as portuguesas e as estrangeiras?

Porque é que na física gosto tanto de Física atómica, molecular e de polímeros, como de Física nuclear ou de Mecânica dos fluidos e de Cosmologia e astrofísica mas também de Óptica e de Mecânica, Estática, Dinâmica, Hidrostática e Quântica.

Porque é que gosto tanto de viajar por ar, por terra e por mar e às vezes no tempo?

Porque é que sou tão materialista e fascina-me o espiritismo e passo o tempo a dar graças a Deus?

Porque é que gosto de futebol, de rûgbi, de hóquei em patins, de esgrima, de equitação, de ciclismo, de atletismo, de ski alpino, de bodyboard, de windsurf, de judo?

Porque é que passo horas a ler prosa e poesia?

Porque é que tanto vou ver exposições de pintura, como de escultura, vou à ópera e a concertos na Gulbenkian e acordo no festival do Sudoeste ou em Vilar de Mouros?

Porque é que acompanho as minhas refeições com vinho tinto, bebo leite pela manhã e antes de dormir, cerveja às cinco da tarde, água a toda a hora e whisky também?

Porque é que só gosto do Benfica mas o primeiro resultado que vou ver n’ A Bola é o do Almada?

É por estas e por outras que eu não gosto do ecletismo. Fico sempre na dúvida, do que fazer no minuto seguinte.
494. Bom Dia!

- Cansado?
- Efectivamente.
- Não dormiste?
- Dormi muito bem.
- Então?

Há anos que o meu espelho sabe que de manhã eu sou de poucas falas. Apesar das respostas curtas, tentando desincentivar o diálogo, ele insiste. Decidi satisfazer-lhe a curiosidade.

- Cansado da novela.
- Dos protagonistas ou da história?
- Não anda nem desanda. O texto é pobre.

Fez um compasso de espera. Deixou-me fazer toda a minha faxina matinal. Chegou mesmo a virar-me as costas. Respirei fundo, pensei que tivesse desistido. Desgraçadamente, enganei-me. Quando voltou, piscou-me o olho com um sorriso malandro e atirou-me provocatoriamente:

- O José Castelo Branco também tem um diálogo na novela. Diz que adora o Santana.

Vesti as minhas cuecas de fio dental, despejei o frasco de gel na cabeça, atei o rabo-de-cavalo com uma fitinha vermelha, calcei os sapatos de verniz, desatei aos gritos com a empregada, saí e dirigi-me ao carro. Um cachorro tinha-me mijado nas jantes.


PS. Bom dia! Bom dia! Bom dia! A propósito, vamos ter eleições ou não? É que já estou cansado da novela.

quarta-feira, julho 07, 2004

493. O PreDatado feito pelo que rouba nos outros blogs

Leiam bem esta postagem que a batukada escreveu hoje no seu mood swing e que eu tomo a liberdade de roubar e citar com todo o respeito:

“Quarta-feira, Julho 07, 2004

Ainda acordo de noite a gritar
"Tira o Pauleta, PORRA!"

Mais dois dias e voltará tudo ao normal. Tenho a certeza. Ámen.

# escrito pela batukada às 10:51”


Ainda hoje eu dizia ao meu espelho

- Tenho pesadelos.
- Queres contar?
- Não posso, não sei falar açoreano.
- Deixa estar meu caro, mais dois dias e isso passa.

Virei-lhe as costas mas ainda o vi despir, matreiramente, a camisola nº 9.