537. (XV) Mesmo em férias…
… há males, que não vêm por bem. Hoje doem-me as articulações dos dedos. Está aí uma camada de ácido úrico a atafulhar-me as juntas. E agora eu pergunto: E então as jolas, também conhecidas como bejecas? E então os whiskyes mais ou menos on the rocks? E o meu tintol (ainda ontem uma Herdade de Espirra, 1999 sorriu para mim)?
Agora ando na fase das limonadas, dos sumos naturais, das águas lisas e com gás. Isto faz-se a um gajo que está de férias? É preciso ter um organismo muito maldoso, para trair um tipo desta maneira. No próximo ano, não me vai apanhar assim de repente, não. Vou-me prevenir antes. Ou deixo o organismo em casa, ou passo férias com a minha médica.
sexta-feira, agosto 13, 2004
quinta-feira, agosto 12, 2004
536. (XIV) Mesmo em férias…
… há coisas que nos emocionam e que nos enchem de orgulho. Podem chamar-me vaidoso, que não me importo, pois é como me sinto, também, neste momento. E apetece-me partilhar convosco o motivo da minha emoção. A minha filhota acabou de receber a notícia de que lhe foi concedida uma bolsa para fazer o doutoramento. Como querem que um pai se sinta?
… há coisas que nos emocionam e que nos enchem de orgulho. Podem chamar-me vaidoso, que não me importo, pois é como me sinto, também, neste momento. E apetece-me partilhar convosco o motivo da minha emoção. A minha filhota acabou de receber a notícia de que lhe foi concedida uma bolsa para fazer o doutoramento. Como querem que um pai se sinta?
quarta-feira, agosto 11, 2004
535. (XIII) Mesmo em férias…
Ou talvez por causa delas, deito-me no muro que circunda o meu quintal, de barriga para cima, apago as luzes e olho para o céu. Nesta época do ano não vejo passar as renas puxando o trenó do pai natal; ainda faltam quatro meses para a sua sorridente viagem, de vermelho vestido, cantando e espalhando estrelas à passagem. O que vejo são as estrelas que ele plantou no ano anterior, algumas delas rasgando o céu e deixando rastos de luz como se fossem as caudas iluminadas da Dasher, da Dancer, da Prancer, da Vixen, do Comet, do Cupid, da Donder e da Blitze. E vou identificando as constelações e descubro as que estudei na escola e outras que eu invento. Nem sei se são constelações, mas vou juntando e juntando e faço colecção de estrelas. E vejo o dabliu da Cassiopeia e viro a cabeça ao contrário para ler nela um éme de Maria. E de repente sinto-me apaixonado pelo céu. E viajo pela via láctea, num skate debruado a pequenos diamantes e depois vou ao encontro da lua. E quando ela está de quarto, subo-lhe as montanhas à procura da luz de cheia e atravesso os rios para dormir no seu lado escuro. Como é lindo the dark side of the moon. E acordo banhado de pequenos pontos luminosos, beijado pela Merak e pela Dubhé, acariciado pela Betelgeuse, pela Bellatrix, pela Rigel e pela Saiph, depois da Sirius e da estrela Polar me terem vigiado o sono. Depois viro-me, deito-me de barriga para baixo, coloco as mãos sob o rosto e deixo-me massajar pelas três-marias, Alnitak, Alnilam e Mintaka e assim fico até os primeiros raios do todo-poderoso Sol, me informarem que a noite acabou, que agora é a vez dele reinar sobre todas as outras. Dentro de horas ele aí estará de novo. E não preciso de toalha para secar o meu corpo deste banho de luz e magia. Depois…
(hoje ouvi uma pequena história de fadas e lobisomens contada por uma criança; ele utilizou a palavra “depois”, quase uma centena de vezes; fiquei fascinado)
Ou talvez por causa delas, deito-me no muro que circunda o meu quintal, de barriga para cima, apago as luzes e olho para o céu. Nesta época do ano não vejo passar as renas puxando o trenó do pai natal; ainda faltam quatro meses para a sua sorridente viagem, de vermelho vestido, cantando e espalhando estrelas à passagem. O que vejo são as estrelas que ele plantou no ano anterior, algumas delas rasgando o céu e deixando rastos de luz como se fossem as caudas iluminadas da Dasher, da Dancer, da Prancer, da Vixen, do Comet, do Cupid, da Donder e da Blitze. E vou identificando as constelações e descubro as que estudei na escola e outras que eu invento. Nem sei se são constelações, mas vou juntando e juntando e faço colecção de estrelas. E vejo o dabliu da Cassiopeia e viro a cabeça ao contrário para ler nela um éme de Maria. E de repente sinto-me apaixonado pelo céu. E viajo pela via láctea, num skate debruado a pequenos diamantes e depois vou ao encontro da lua. E quando ela está de quarto, subo-lhe as montanhas à procura da luz de cheia e atravesso os rios para dormir no seu lado escuro. Como é lindo the dark side of the moon. E acordo banhado de pequenos pontos luminosos, beijado pela Merak e pela Dubhé, acariciado pela Betelgeuse, pela Bellatrix, pela Rigel e pela Saiph, depois da Sirius e da estrela Polar me terem vigiado o sono. Depois viro-me, deito-me de barriga para baixo, coloco as mãos sob o rosto e deixo-me massajar pelas três-marias, Alnitak, Alnilam e Mintaka e assim fico até os primeiros raios do todo-poderoso Sol, me informarem que a noite acabou, que agora é a vez dele reinar sobre todas as outras. Dentro de horas ele aí estará de novo. E não preciso de toalha para secar o meu corpo deste banho de luz e magia. Depois…
(hoje ouvi uma pequena história de fadas e lobisomens contada por uma criança; ele utilizou a palavra “depois”, quase uma centena de vezes; fiquei fascinado)
terça-feira, agosto 10, 2004
534. (XII) Mesmo em férias...
... há tempo para se ler e comentar o que escrevem nos outros blogs.
A Robina tem estado a publicar uma identidade nome-características no seu blog. Hoje chegou à letra V inicial do meu nome (para quem não sabe o PreDatado chama-se Vítor). Eu vou transcrever o texto dela e comentar em itálico o que penso do texto quando aplicado aqui ao Pre.
És:Tu és uma fonte de lucidez fora do comum, quando se trata de julgar o mundo e as pessoas. [ai meu Deus, como me engano com as pessoas]
De todas as vezes que abres a boca dizes coisas acertadas. [sem pretensiosismo, podemos ficar pelos 90%?]
O problema é que vives com um pé no chão e outro na lua, ligando e desligando a tua atenção com uma rapidez incrível. [e quantas vezes vivo com os dois na lua?]
Por isso, muitas vezes pareces ser indiferente ao que ocorre à tua volta. [aqui, sob pena de parecer contraditório vou arriscar: nunca ]
Liberdade, é para ti a coisa mais importante da vida e por isso costumas resolver sózinho os teus problemas sem pedires ajuda ou conselhos a ninguém. [absolutamente verdade]
Ordens? Detestas. Tanto dar como receber. [gosto de dar (ai, ai, estou a revelar-me demais)]
Só tens é de aprender a controlar essa tua teimosia. [burro velho não aprende latim]
E cá está minha querida Robi. Só falta uma frase no final. Mas essa, tu já deves saber qual é.
... há tempo para se ler e comentar o que escrevem nos outros blogs.
A Robina tem estado a publicar uma identidade nome-características no seu blog. Hoje chegou à letra V inicial do meu nome (para quem não sabe o PreDatado chama-se Vítor). Eu vou transcrever o texto dela e comentar em itálico o que penso do texto quando aplicado aqui ao Pre.
És:Tu és uma fonte de lucidez fora do comum, quando se trata de julgar o mundo e as pessoas. [ai meu Deus, como me engano com as pessoas]
De todas as vezes que abres a boca dizes coisas acertadas. [sem pretensiosismo, podemos ficar pelos 90%?]
O problema é que vives com um pé no chão e outro na lua, ligando e desligando a tua atenção com uma rapidez incrível. [e quantas vezes vivo com os dois na lua?]
Por isso, muitas vezes pareces ser indiferente ao que ocorre à tua volta. [aqui, sob pena de parecer contraditório vou arriscar: nunca ]
Liberdade, é para ti a coisa mais importante da vida e por isso costumas resolver sózinho os teus problemas sem pedires ajuda ou conselhos a ninguém. [absolutamente verdade]
Ordens? Detestas. Tanto dar como receber. [gosto de dar (ai, ai, estou a revelar-me demais)]
Só tens é de aprender a controlar essa tua teimosia. [burro velho não aprende latim]
E cá está minha querida Robi. Só falta uma frase no final. Mas essa, tu já deves saber qual é.
533. (XI) Mesmo em férias…
… há momentos em ficamos parados sem fazer nada; nestes momentos de puro “nadismo” o nosso pensamento parece fluir a uma velocidade hiper-sónica. Um micronésimo de segundo após o instante anterior já não nos lembramos o que estávamos a pensar no referido instante. Hoje dei comigo a pensar no que gosto e no que não gosto e de repente lembrei-me, sem saber como, que o primeiro pensamento foi café. Depois, em catadupa, isto e mais aquilo; seria despropositado e maçador listar estas pessoais preferências; até porque algumas são de carácter tão íntimo que só a mim, efectivamente, dizem respeito. E nesta senda de check-list mental associei de imediato ao café, o cigarro. Confesso que sou um viciado mas, o cigarro caiu na listagem daquilo que não gosto. Talvez se contem pelos dedos de uma mão, vá lá, de duas, para não exagerar, as vezes que fumei por prazer. É devido a este tipo de constatações que ao fim de 32 anos de fumo ando seriamente a pensar deixar de fumar. Mas nas férias não. Não as vou estragar com uma crise nervosa, uma tensão escusada. Os outros, à minha volta, não têm culpa. Vamos esperar mais uns diazitos.
alínea a) não é uma promessa, é uma vontade; alínea b) vou publicar o texto e tomar um café; alínea c) se tiver ali a playboy à mão, quem sabe dispense o cigarro; alínea d) não considerem a alínea c como a revelação de algo que eu goste ler.
… há momentos em ficamos parados sem fazer nada; nestes momentos de puro “nadismo” o nosso pensamento parece fluir a uma velocidade hiper-sónica. Um micronésimo de segundo após o instante anterior já não nos lembramos o que estávamos a pensar no referido instante. Hoje dei comigo a pensar no que gosto e no que não gosto e de repente lembrei-me, sem saber como, que o primeiro pensamento foi café. Depois, em catadupa, isto e mais aquilo; seria despropositado e maçador listar estas pessoais preferências; até porque algumas são de carácter tão íntimo que só a mim, efectivamente, dizem respeito. E nesta senda de check-list mental associei de imediato ao café, o cigarro. Confesso que sou um viciado mas, o cigarro caiu na listagem daquilo que não gosto. Talvez se contem pelos dedos de uma mão, vá lá, de duas, para não exagerar, as vezes que fumei por prazer. É devido a este tipo de constatações que ao fim de 32 anos de fumo ando seriamente a pensar deixar de fumar. Mas nas férias não. Não as vou estragar com uma crise nervosa, uma tensão escusada. Os outros, à minha volta, não têm culpa. Vamos esperar mais uns diazitos.
alínea a) não é uma promessa, é uma vontade; alínea b) vou publicar o texto e tomar um café; alínea c) se tiver ali a playboy à mão, quem sabe dispense o cigarro; alínea d) não considerem a alínea c como a revelação de algo que eu goste ler.
segunda-feira, agosto 09, 2004
532. (X) Mesmo em férias…
… há coisas que não dispenso. Estava eu neste meu pensamento, profundo e pré-existencial, quando de repente fiquei com saudades de um certo PreDatado. Gostava de vê-lo a conversar com o espelho, de ouvi-lo manhãzinha cedo, gritar bom dia! aos quatro ventos, de lhe corrigir as redacções, da bandeirinha que ele só retirou do blog, quando o Dr. Lopes foi nomeado PM, e gostava dos cheiros e dos sabores do Lunch Time Blog. E porque é que fiquei com esta nostalgia assim de repente? (será porque, lá fora, a chuva não para de cair?). Não, eu explico-vos. Enquanto ao espelho cortava a barba, vejo-lhe no rosto abrir-se-lhe um sorriso. Os olhos do meu espelho sempre brilham quando as pituitárias são bem tratadas. O cheiro vinha da cozinha. Um prato de ovos mexidos e presunto, um sumo fresquinho de frutos, esperavam-me. Será que um dia destes teremos por aqui o Mary’s style breakfast?
(desculpem-me mas faço aqui uma pausa para café)
… há coisas que não dispenso. Estava eu neste meu pensamento, profundo e pré-existencial, quando de repente fiquei com saudades de um certo PreDatado. Gostava de vê-lo a conversar com o espelho, de ouvi-lo manhãzinha cedo, gritar bom dia! aos quatro ventos, de lhe corrigir as redacções, da bandeirinha que ele só retirou do blog, quando o Dr. Lopes foi nomeado PM, e gostava dos cheiros e dos sabores do Lunch Time Blog. E porque é que fiquei com esta nostalgia assim de repente? (será porque, lá fora, a chuva não para de cair?). Não, eu explico-vos. Enquanto ao espelho cortava a barba, vejo-lhe no rosto abrir-se-lhe um sorriso. Os olhos do meu espelho sempre brilham quando as pituitárias são bem tratadas. O cheiro vinha da cozinha. Um prato de ovos mexidos e presunto, um sumo fresquinho de frutos, esperavam-me. Será que um dia destes teremos por aqui o Mary’s style breakfast?
(desculpem-me mas faço aqui uma pausa para café)
531. (IX) Mesmo em férias…
… há dias em que o máximo que nos apetece fazer é, nada. Um dia pachorrento, umas sonecas bem tiradas, um pouco de leitura para não perder o vício; uma cerveja geladinha, para não perder o vício; menos cigarros que o costume, só para matar o vício; a televisão em segundo, aliás terceiro ou mesmo quarto plano, para não ganhar um vício. E um post de início de madrugada. Porque eu sou viciado.
… há dias em que o máximo que nos apetece fazer é, nada. Um dia pachorrento, umas sonecas bem tiradas, um pouco de leitura para não perder o vício; uma cerveja geladinha, para não perder o vício; menos cigarros que o costume, só para matar o vício; a televisão em segundo, aliás terceiro ou mesmo quarto plano, para não ganhar um vício. E um post de início de madrugada. Porque eu sou viciado.
domingo, agosto 08, 2004
530. (VIII) Mesmo em férias…
…ou talvez por isso, há tempo e pachorra para ir aos bailes da aldeia. Não são os bailes da paróquia como canta o Rui Veloso, mas são parecidos. Dança-se de tudo, até uma adaptação mais ou menos pirosa de Nights in White Satin. Como se Nights in White Satin não fosse já pirosa q.b. O que me custa ver é a moçada da idade do meu filho, não saber agarrar-se à febra. Eu lá estava a marcar o ponto com a Maria e a lembrar-me de quando tinha 18 anos. As férias também servem para isto, para nos dar a descontracção suficiente de sacarmos as memórias lá do fundo. E mais uma vez dancei apaixonado.
(não digam a ninguém, mas não levei o Schubert; para olhar para as gatas estava lá eu, apesar da Maria… eu acho que ela nem notou os meus subtis desvios de cabeça e arrebitar de orelhas; devia estar a observar os gatos).
…ou talvez por isso, há tempo e pachorra para ir aos bailes da aldeia. Não são os bailes da paróquia como canta o Rui Veloso, mas são parecidos. Dança-se de tudo, até uma adaptação mais ou menos pirosa de Nights in White Satin. Como se Nights in White Satin não fosse já pirosa q.b. O que me custa ver é a moçada da idade do meu filho, não saber agarrar-se à febra. Eu lá estava a marcar o ponto com a Maria e a lembrar-me de quando tinha 18 anos. As férias também servem para isto, para nos dar a descontracção suficiente de sacarmos as memórias lá do fundo. E mais uma vez dancei apaixonado.
(não digam a ninguém, mas não levei o Schubert; para olhar para as gatas estava lá eu, apesar da Maria… eu acho que ela nem notou os meus subtis desvios de cabeça e arrebitar de orelhas; devia estar a observar os gatos).
sábado, agosto 07, 2004
529. (VII) Mesmo em férias…
…há tempo para partilhar. Hoje vi-a. Estava deitada, de costas para cima, quase à beira mar. No lugar da tanga… pétalas. Não sei de que flor seria. Não reconheci. Aproximei-me lentamente e com os dentes tirei-as um a uma e soprei-as no ar; e uma após uma, foi-se revelando a mesma cor de pele e os espinhos. Esta flor tem espinhos que não ferem, apenas arranham um pouco. A pele estava mais seca, a tez a mesma… ao fundo alguém tinha colocado uma música de Leonard Cohen. Não falava de amor, apenas de encanto e de luxúria. O pensamento no pecado. Um pequeno insecto posou-me no ombro e falou, como se fosse o grilo do Pinóquio: o sal da água queima as mais bonitas flores.
(não se janta enquanto se procura um gato que feito vadio, não quer voltar a casa; pode-se gritar o nome, pode-se mandar SMS, pode-se quase chorar; um gato no cio, não responde; enquanto se envolve, o mundo reduz-se a ele e à gata; nem o pequeno guizo pregado ao pescoço o denuncia; mais tarde saciado, voltará ao ninho; a gata fará o mesmo; longe ou talvez não, alguém sofre.)
…há tempo para partilhar. Hoje vi-a. Estava deitada, de costas para cima, quase à beira mar. No lugar da tanga… pétalas. Não sei de que flor seria. Não reconheci. Aproximei-me lentamente e com os dentes tirei-as um a uma e soprei-as no ar; e uma após uma, foi-se revelando a mesma cor de pele e os espinhos. Esta flor tem espinhos que não ferem, apenas arranham um pouco. A pele estava mais seca, a tez a mesma… ao fundo alguém tinha colocado uma música de Leonard Cohen. Não falava de amor, apenas de encanto e de luxúria. O pensamento no pecado. Um pequeno insecto posou-me no ombro e falou, como se fosse o grilo do Pinóquio: o sal da água queima as mais bonitas flores.
(não se janta enquanto se procura um gato que feito vadio, não quer voltar a casa; pode-se gritar o nome, pode-se mandar SMS, pode-se quase chorar; um gato no cio, não responde; enquanto se envolve, o mundo reduz-se a ele e à gata; nem o pequeno guizo pregado ao pescoço o denuncia; mais tarde saciado, voltará ao ninho; a gata fará o mesmo; longe ou talvez não, alguém sofre.)
sexta-feira, agosto 06, 2004
528. (VI) Mesmo em férias...
... há tempo para seguir atentamente o debate entre o Pedro Ornelas e o Francisco José Viegas, sobre o escrever em Português. Só não gostaria que no calor do despique se chegasse ao insulto. Eles sabem o que eu quero dizer.
(a água na tapada da Mina está maravilhosa, no entanto amanhã haverá Algarve. E ficar a olhar atentamente o ar embevecido do Schubert para a gaiola do Fintas)
Notas 1. Schubert é um gato siamês e é meu.
2. Fintas é um hamster e é das minhas sobrinhas.
... há tempo para seguir atentamente o debate entre o Pedro Ornelas e o Francisco José Viegas, sobre o escrever em Português. Só não gostaria que no calor do despique se chegasse ao insulto. Eles sabem o que eu quero dizer.
(a água na tapada da Mina está maravilhosa, no entanto amanhã haverá Algarve. E ficar a olhar atentamente o ar embevecido do Schubert para a gaiola do Fintas)
Notas 1. Schubert é um gato siamês e é meu.
2. Fintas é um hamster e é das minhas sobrinhas.
quinta-feira, agosto 05, 2004
527. (V) Mesmo em férias...
... há tempo para vos dizer que, andar a subir oliveiras e figueiras para ir buscar um gato - Schubert - caseiro, que ainda só sabe subir, mas tem medo de descer, deixa um gajo todo arranhado.
(e agora como é que a Maria vai acreditar, que eu estou arranhado pelos troncos de árvores, por causa de um gato, quando na verdade, ela deve estar convencida que teria sido uma gata?)
... há tempo para vos dizer que, andar a subir oliveiras e figueiras para ir buscar um gato - Schubert - caseiro, que ainda só sabe subir, mas tem medo de descer, deixa um gajo todo arranhado.
(e agora como é que a Maria vai acreditar, que eu estou arranhado pelos troncos de árvores, por causa de um gato, quando na verdade, ela deve estar convencida que teria sido uma gata?)
quarta-feira, agosto 04, 2004
526. (IV) Mesmo em férias...
... há tempo para dizer que o mesmo castanho e quente o Alentejo é lindo!
(Lá fora o vento sopra, uma brisa fresca amaina o todo-poderoso Sol. Um aperto no peito que me provoca tosse. Um gato - Schubert - fascinado com tanta liberdade, corre atrás dos gafanhotos. Eu volto a tossir. Neste jardim também há flores. O peito apertado.)
... há tempo para dizer que o mesmo castanho e quente o Alentejo é lindo!
(Lá fora o vento sopra, uma brisa fresca amaina o todo-poderoso Sol. Um aperto no peito que me provoca tosse. Um gato - Schubert - fascinado com tanta liberdade, corre atrás dos gafanhotos. Eu volto a tossir. Neste jardim também há flores. O peito apertado.)
terça-feira, agosto 03, 2004
525. (III) Mesmo em férias…
… há tempo para vos dizer, que o espelho que estou a usar é muito melhor que o outro. Este é mais maduro, conhece melhor o mundo, dá-me conselhos sábios e diz ele (será que podemos confiar em profecias de espelhos?) que depois do dia 17 deste mês, um homem de 49 anos não será tão ingénuo como o de 48, tão sonhador como o de 47, tão irreverente como o de 46, tão utópico como o de 45 … e que será muito mais sóbrio, pujante e determinado.
Ele há espelhos que têm a mania… pelo sim pelo não, já estou a juntar dinheiro para comprar as velas.
PS. No anteriormente referido post 521, a CotadaEmBolsa disse:
“Ainda bem que escreveu essa carta...Sem PreAviso, fiquei a conhecê-lo melhor.”
Minha cara Cotada, o meu espelho lamenta desapontá-la; ele profetiza que depois do dia 17 de Agosto, eu serei diferente. Imagine cara amiga, você ter de começar de novo a sua aprendizagem do meu conhecimento. Estes espelhos são uns desmancha-prazeres… (malgré o PreAviso).
… há tempo para vos dizer, que o espelho que estou a usar é muito melhor que o outro. Este é mais maduro, conhece melhor o mundo, dá-me conselhos sábios e diz ele (será que podemos confiar em profecias de espelhos?) que depois do dia 17 deste mês, um homem de 49 anos não será tão ingénuo como o de 48, tão sonhador como o de 47, tão irreverente como o de 46, tão utópico como o de 45 … e que será muito mais sóbrio, pujante e determinado.
Ele há espelhos que têm a mania… pelo sim pelo não, já estou a juntar dinheiro para comprar as velas.
PS. No anteriormente referido post 521, a CotadaEmBolsa disse:
“Ainda bem que escreveu essa carta...Sem PreAviso, fiquei a conhecê-lo melhor.”
Minha cara Cotada, o meu espelho lamenta desapontá-la; ele profetiza que depois do dia 17 de Agosto, eu serei diferente. Imagine cara amiga, você ter de começar de novo a sua aprendizagem do meu conhecimento. Estes espelhos são uns desmancha-prazeres… (malgré o PreAviso).
segunda-feira, agosto 02, 2004
domingo, agosto 01, 2004
sábado, julho 31, 2004
sexta-feira, julho 30, 2004
521. Redacção – Cartas
Eu gosto muito de cartas. Quando era miúdo, a minha prima Maria foi a Sobral de Monte Agraço passar férias com a madrinha dela. Durante essa época escreveu-me várias vezes. Era para mim uma alegria pois nunca tinha recebido uma carta de ninguém e deixava-me em tal estado de ansiedade que à hora do carteiro lá estava eu no pátio expectante, ansioso, de coração apertadinho, nos meus seis anos de idade, para receber uma carta. Ficava triste, todo o dia, se não havia nada para mim. Depois, bem, depois tive vários anos sem receber cartas, até o meu pai ter ido passar aqueles nove meses na Suécia, numa especialização profissional. Então era rara a semana que não havia uma carta para mim. Cartas de amor, só as recebi quando, por motivos profissionais, fiquei quase seis meses fora do país. Não havia Internet e o telefone era caro. Quando as recebia, eram sempre aos montes, pois a distribuição só se fazia duas a três vezes por viagem. Pelo facto de as não receber não estou acostumado a escrever cartas. Logo hoje, a minha professora havia de se lembrar de pedir, como redacção, que escrevêssemos uma carta. Eu vou tentar.
Almada, 30 de Julho de 2004
Caro Vitor
Vai ser difícil escrever-te, uma vez que tenho pouquíssimo para dizer. Todos os dias estou contigo pelo que, o que temos a dizer um ao outro fazê-mo-lo cara a cara. Conheço-te há muito tempo mas quase todos os dias me surpreendes. Não entendo como é que na tua idade e com a já interessante história de vida que tens, ainda és capaz de ter ilusões. Eu sei que sempre andaste a raiar a utopia. Acreditaste num país sem classes, num mundo de paz e fraternidade, lutaste desalmadamente e caíste do sonho sem teres sequer uma para-quedas robusto. Sei que te magoaste, como te magoas nas coisas simples do dia a dia. Apaixonas-te facilmente pelas coisas, pelas pessoas, pelas plantas, pelos animais e apenas dos animais não tens razão de queixa. Eu sei que por vezes até com as flores te desiludes. Murcham mais depressa do que tu estavas à espera. Levas algumas bofetadas para acordares, mas é assim que és. Depois, passas alguns dias tristes, invadido por uma nostalgia cretina e burra e responsabilizas-te pelo que não acontece. Não penses que és tão forte assim, que podes comandar o que quer que seja só com o pensamento. É preciso mais acção, mais arrojo, mais risco. Estás a passar uma fase que não é a melhor, mas faz como em outras vezes fizeste. Calca forte por baixo dos teus pés todos os maus momentos e sorri. Ri mesmo, dá aquela gargalhada que costumas dar quando ouves ou contas uma piada, leva as tuas utopias, as tuas paixões, os teus encantos e desencantos como se fossem apenas uma piada e sai daí. Amanhã é um novo dia, o sol vai raiar de novo. Conta contigo próprio, só tu te podes ajudar. Não vás atrás das tretas dos amigos. Tens sempre, sempre um monte deles nas tuas melhores horas. Tu sabes do que é que te estou a falar. Quem sabe, um dia destes, te volte a escrever de uma forma mais alegre? Quem sabe… O sol voltará a brilhar e isso ambos sabemos.
PS. Senhora professora, depois da introdução resolvi escrever uma carta a mim próprio. Sempre usufruo duplamente, escrever e receber.
Eu gosto muito de cartas. Quando era miúdo, a minha prima Maria foi a Sobral de Monte Agraço passar férias com a madrinha dela. Durante essa época escreveu-me várias vezes. Era para mim uma alegria pois nunca tinha recebido uma carta de ninguém e deixava-me em tal estado de ansiedade que à hora do carteiro lá estava eu no pátio expectante, ansioso, de coração apertadinho, nos meus seis anos de idade, para receber uma carta. Ficava triste, todo o dia, se não havia nada para mim. Depois, bem, depois tive vários anos sem receber cartas, até o meu pai ter ido passar aqueles nove meses na Suécia, numa especialização profissional. Então era rara a semana que não havia uma carta para mim. Cartas de amor, só as recebi quando, por motivos profissionais, fiquei quase seis meses fora do país. Não havia Internet e o telefone era caro. Quando as recebia, eram sempre aos montes, pois a distribuição só se fazia duas a três vezes por viagem. Pelo facto de as não receber não estou acostumado a escrever cartas. Logo hoje, a minha professora havia de se lembrar de pedir, como redacção, que escrevêssemos uma carta. Eu vou tentar.
Almada, 30 de Julho de 2004
Caro Vitor
Vai ser difícil escrever-te, uma vez que tenho pouquíssimo para dizer. Todos os dias estou contigo pelo que, o que temos a dizer um ao outro fazê-mo-lo cara a cara. Conheço-te há muito tempo mas quase todos os dias me surpreendes. Não entendo como é que na tua idade e com a já interessante história de vida que tens, ainda és capaz de ter ilusões. Eu sei que sempre andaste a raiar a utopia. Acreditaste num país sem classes, num mundo de paz e fraternidade, lutaste desalmadamente e caíste do sonho sem teres sequer uma para-quedas robusto. Sei que te magoaste, como te magoas nas coisas simples do dia a dia. Apaixonas-te facilmente pelas coisas, pelas pessoas, pelas plantas, pelos animais e apenas dos animais não tens razão de queixa. Eu sei que por vezes até com as flores te desiludes. Murcham mais depressa do que tu estavas à espera. Levas algumas bofetadas para acordares, mas é assim que és. Depois, passas alguns dias tristes, invadido por uma nostalgia cretina e burra e responsabilizas-te pelo que não acontece. Não penses que és tão forte assim, que podes comandar o que quer que seja só com o pensamento. É preciso mais acção, mais arrojo, mais risco. Estás a passar uma fase que não é a melhor, mas faz como em outras vezes fizeste. Calca forte por baixo dos teus pés todos os maus momentos e sorri. Ri mesmo, dá aquela gargalhada que costumas dar quando ouves ou contas uma piada, leva as tuas utopias, as tuas paixões, os teus encantos e desencantos como se fossem apenas uma piada e sai daí. Amanhã é um novo dia, o sol vai raiar de novo. Conta contigo próprio, só tu te podes ajudar. Não vás atrás das tretas dos amigos. Tens sempre, sempre um monte deles nas tuas melhores horas. Tu sabes do que é que te estou a falar. Quem sabe, um dia destes, te volte a escrever de uma forma mais alegre? Quem sabe… O sol voltará a brilhar e isso ambos sabemos.
PS. Senhora professora, depois da introdução resolvi escrever uma carta a mim próprio. Sempre usufruo duplamente, escrever e receber.
quinta-feira, julho 29, 2004
520. Redacção Suspensa
[Hoje para uma coisa completamente diferente]
A jeito de intróito e aviso prévio, quero-vos dizer que este post hoje vai ser um bocadinho grande. Não por aquilo que vou escrever, mas por aquilo que vou referenciar ou reproduzir. Os posts grandes são chatos de ler, eu sei, mas o texto de Millôr Fernandes abaixo, considero que não o ler, é uma perda que irão chorar toda a vida.
Como devem estar cientes eu passo um bom bocado da minha cyber-vida na blogosfera. Presto uma particular atenção aos blogs que fazem parte da minha lista ali à direita e ainda a outros que, por preguiça, não adicionei, mas que tenho na base de favoritos do IE.
Como não podia deixar de ser, leio diariamente o Aviz (para ver se aprendo a escrever melhor) e, com o Francisco José Viegas, apesar de eu não estar na sua sintonia política, aprendo sempre qualquer coisa. Li o post, para mim um artigo, chamado ORTOGRAFIA [actualização] e, não concordo, nem discordo. Não é uma posição comodista dizê-lo assim. Vejamos esta frase retirada do referido post : “Temos nas mãos uma geração de líderes se contenta em falar e escrever mal o Português, em se desculpar do seu défice de conhecimentos e em parecer muito moderna e contente”. Não tenho dúvidas de que eu escrevo mal, mas tenho a sem-vergonhice de também me desculpar com o meu deficit de conhecimentos. Só que eu sou um pouco mais desculpável. Não sou líder de coisa nenhuma. E além disso não me contento em falar e escrever mal o Português. Posto isto façam o favor de lá ir ler. A seguir o Francisco José Viegas tomou a liberdade de reproduzir um raspanete de Pedro Ornelas ORTOGRAFIA, RASPANETE ao seu próprio artigo. O Francisco prometeu responder e eu espero que em boa hora o faça, pois vai ser muito interessante este debate, para quem se interessa pela língua portuguesa, escrita e falada. Eu vou estar atento.
Não fiz estas referências sem um motivo complementar. Não foi só para chamar a atenção para estes, para mim, deliciosos dize tu direi eu, mas para voltar a falar do PALAVRÃO. Fiz anteriormente uma redacção sobre o tema e, desconhecendo se existem alguns deles no Dicionário da Academia, uma vez que nem o possuo, fazem parte do linguajar de jornalistas, comentadores, políticos e, admirem-se, de todos. Quem alguma vez na vida não tenha dito FODA-SE que levante o braço que eu vou proceder à contagem.
Fez o favor, o meu amigo de além-mar, Branco Leone de me escrever um e-mail que, para além de se lamentar de eu não lhe comentar os posts (juro que os leio, caro Branco), me enviou um texto delicioso do grande, Millôr Fernandes. Nas palavras do Branco Leone “um de nossos melhores... melhores... melhores brasileiros”. Deixo-vos então com este delicioso texto.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
Millôr Fernandes
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.
São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cú!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cú!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cú!". Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Foda-se.
[Hoje para uma coisa completamente diferente]
A jeito de intróito e aviso prévio, quero-vos dizer que este post hoje vai ser um bocadinho grande. Não por aquilo que vou escrever, mas por aquilo que vou referenciar ou reproduzir. Os posts grandes são chatos de ler, eu sei, mas o texto de Millôr Fernandes abaixo, considero que não o ler, é uma perda que irão chorar toda a vida.
Como devem estar cientes eu passo um bom bocado da minha cyber-vida na blogosfera. Presto uma particular atenção aos blogs que fazem parte da minha lista ali à direita e ainda a outros que, por preguiça, não adicionei, mas que tenho na base de favoritos do IE.
Como não podia deixar de ser, leio diariamente o Aviz (para ver se aprendo a escrever melhor) e, com o Francisco José Viegas, apesar de eu não estar na sua sintonia política, aprendo sempre qualquer coisa. Li o post, para mim um artigo, chamado ORTOGRAFIA [actualização] e, não concordo, nem discordo. Não é uma posição comodista dizê-lo assim. Vejamos esta frase retirada do referido post : “Temos nas mãos uma geração de líderes se contenta em falar e escrever mal o Português, em se desculpar do seu défice de conhecimentos e em parecer muito moderna e contente”. Não tenho dúvidas de que eu escrevo mal, mas tenho a sem-vergonhice de também me desculpar com o meu deficit de conhecimentos. Só que eu sou um pouco mais desculpável. Não sou líder de coisa nenhuma. E além disso não me contento em falar e escrever mal o Português. Posto isto façam o favor de lá ir ler. A seguir o Francisco José Viegas tomou a liberdade de reproduzir um raspanete de Pedro Ornelas ORTOGRAFIA, RASPANETE ao seu próprio artigo. O Francisco prometeu responder e eu espero que em boa hora o faça, pois vai ser muito interessante este debate, para quem se interessa pela língua portuguesa, escrita e falada. Eu vou estar atento.
Não fiz estas referências sem um motivo complementar. Não foi só para chamar a atenção para estes, para mim, deliciosos dize tu direi eu, mas para voltar a falar do PALAVRÃO. Fiz anteriormente uma redacção sobre o tema e, desconhecendo se existem alguns deles no Dicionário da Academia, uma vez que nem o possuo, fazem parte do linguajar de jornalistas, comentadores, políticos e, admirem-se, de todos. Quem alguma vez na vida não tenha dito FODA-SE que levante o braço que eu vou proceder à contagem.
Fez o favor, o meu amigo de além-mar, Branco Leone de me escrever um e-mail que, para além de se lamentar de eu não lhe comentar os posts (juro que os leio, caro Branco), me enviou um texto delicioso do grande, Millôr Fernandes. Nas palavras do Branco Leone “um de nossos melhores... melhores... melhores brasileiros”. Deixo-vos então com este delicioso texto.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
Millôr Fernandes
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.
São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cú!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cú!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cú!". Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Foda-se.
quarta-feira, julho 28, 2004
519. Redacção – O Luar
Eu gosto muito do luar. Quando era miúdo vínhamos sempre para o pátio nas noites veraneias, de luar. Os adultos levavam a sua cadeira, sentavam-se em círculo e conversavam, enquanto nós, os miúdos, brincávamos por entre galinheiros, nas semi-sombras das árvores, que o luar provocava. Com os meus sete anos de idade roubava um beijo furtivo à minha “namorada”, a Luísa, e depois ficávamos os dois muito coradinhos. E só o sabíamos, porque o luar acabava por iluminar os nossos rostos. Ou mentira, porque cada um e, falo por mim, sentia o rubor nas faces. No Inverno, ouvia-mos, no aconchego do lar, os gatos miarem estridentemente lá fora e depois no ritual da cópula todos os barulhos que vocês conhecem. A maioria das vezes, eu já não ouvia, porque adormecia antes da hora da verdade. E só acordava com os meus velhotes ou os vizinhos a enxotarem-nos dos telhados. O luar trás misticismos acoplados. O luar é dos lobisomens, das fantasias, dos contos de suspense. Há sempre uma sombra numa parede, um passo lento, outro fugidio, reflectida. O luar é do canto do lobo, do uivar sedutor e do uivar que amedronta. O luar é a luz das sombras que atemorizam, é o brilho dos fantasmas que não existem. O luar convida à poesia, ao namoro, ao sexo. Uma praia e dois vultos que se movimentam, deitados. Vêem-se ao luar, são traídos pelo luar. O luar é dos amantes, desculpabilizador dos devaneios, tentador das paixões. O luar é sertanejo e musical, é quente e frio, é doce, suave, manso, nunca agreste. Hoje há luar, a lua cheia aproxima-se, já só faltam três dias. Hoje tenho vontade de fazer amor de janela aberta, preciso do sol da noite. Hoje é dia de me deixar invadir pela indiscreta luz. Como uma testemunha muda que tudo vê, nada diz. Se não houvesse nenhum outro motivo eu diria que gosto do luar, porque o luar só há à noite.
Eu gosto muito do luar. Quando era miúdo vínhamos sempre para o pátio nas noites veraneias, de luar. Os adultos levavam a sua cadeira, sentavam-se em círculo e conversavam, enquanto nós, os miúdos, brincávamos por entre galinheiros, nas semi-sombras das árvores, que o luar provocava. Com os meus sete anos de idade roubava um beijo furtivo à minha “namorada”, a Luísa, e depois ficávamos os dois muito coradinhos. E só o sabíamos, porque o luar acabava por iluminar os nossos rostos. Ou mentira, porque cada um e, falo por mim, sentia o rubor nas faces. No Inverno, ouvia-mos, no aconchego do lar, os gatos miarem estridentemente lá fora e depois no ritual da cópula todos os barulhos que vocês conhecem. A maioria das vezes, eu já não ouvia, porque adormecia antes da hora da verdade. E só acordava com os meus velhotes ou os vizinhos a enxotarem-nos dos telhados. O luar trás misticismos acoplados. O luar é dos lobisomens, das fantasias, dos contos de suspense. Há sempre uma sombra numa parede, um passo lento, outro fugidio, reflectida. O luar é do canto do lobo, do uivar sedutor e do uivar que amedronta. O luar é a luz das sombras que atemorizam, é o brilho dos fantasmas que não existem. O luar convida à poesia, ao namoro, ao sexo. Uma praia e dois vultos que se movimentam, deitados. Vêem-se ao luar, são traídos pelo luar. O luar é dos amantes, desculpabilizador dos devaneios, tentador das paixões. O luar é sertanejo e musical, é quente e frio, é doce, suave, manso, nunca agreste. Hoje há luar, a lua cheia aproxima-se, já só faltam três dias. Hoje tenho vontade de fazer amor de janela aberta, preciso do sol da noite. Hoje é dia de me deixar invadir pela indiscreta luz. Como uma testemunha muda que tudo vê, nada diz. Se não houvesse nenhum outro motivo eu diria que gosto do luar, porque o luar só há à noite.
terça-feira, julho 27, 2004
518. Redacção – O palavrão
Eu gosto muito de palavrões. Quando eu era miúdo, ouvia-os e nem sabia o que eram. Hoje acho que ainda não sei o significado de muitos. Há palavrões que a moda cria. Por exemplo, os comentadores políticos utilizam, exaustivamente, de há uns tempos para cá, a palavra PUTATIVO. Ora eu que gosto tanto de palavrões pensei logo que isso tivesse alguma coisa a ver com as meninas que frequentavam os arredores da minha faculdade, fora das horas de aulas. Mas para isso, a palavra teria de ser PUTATIVA. E esta ouve-se menos, porque, diz a minha professora, nós somos muito MACHISTAS. Aqui está outro palavrão. Se nós fossemos machistas queria dizer que defendíamos mais os machos do que as fêmeas. E isso não é verdade, porque várias vezes oiço o meu tio referir-se a este ou aquele GAIJO, de quem não gosta, (ele diz gaijo, mesmo, deve ser um palavrão), dizendo que a pessoa é um cavalo e, no entanto, desata à bofetada à minha tia. Eu perguntei-lhe “tio, o senhor bate na tia porque o senhor é machista?” e ele responde-me sempre que não, que é porque bebe uns copos a mais, mas, na verdade, ela, a minha tia, é a sua égua preferida. Isso quer dizer que ele deve ter mais éguas e portanto não pode ser machista, dado esta protecção que falei atrás. Mas há mais palavrões que eu gosto, mas não posso escrever aqui, porque tem duas desvantagens a saber:
1. Quando viessem procurar esse palavrão ao Google, cairiam aqui que nem tordos. Isso só serviria para eu, mais tarde, me regozijar que o meu contador de visitas tinha bué, mas não serviria os meus intentos de ser lido por quem eu gosto que me leia.
2. Se eu escrever palavrões, as pessoas vão pensar uma de duas coisas que referirei:
a) Este gajo quer é que a gente comente muito (toda a gente faz pelo menos 50 comentários a um foda-se, imaginem se se escrevessem palavrões aqui);
b) Este gajo é um descaradíssimo mal-educado mas o melhor é ir ler o Pipi, que é bem mais explícito.
(abro aqui um parêntesis para referir dois pequenos pormenores que os mais atentos já terão reparado:
i. Utilizei o palavrão bué, porque é bué de giro;
ii. Concatenei duas vezes e, agora, uma terceira porque gosto bué de concatenar.
parêntesis fechado).
Mas para além do putativo e da respectiva fêmea, há outro palavrão que eu gosto muito de dizer, que é o palavrão DEFICIT. E pergunta a senhora professora (SP), porque é que eu gosto tanto do palavrão deficit.
- SP : Porque é que gostas tanto do palavrão deficit?
- Eu: Porque sim.
Acho que a senhora professora não vai entender a minha resposta, mas quem está a ler esta redacção já conseguiu descortinar que, quem não tem nada para escrever, inventa qualquer coisa. E fica aqui escarrapachado que este texto tem um deficit de não sei quê.
Aliás como muitos que eu leio e a malta ri-se muito. E porque a gente se ri é que eu gosto de palavrões.
PS. Este não é um pêésse à redacção supra. É apenas para informar que o Schubert, tem sofrido tanto com o calor como nós, mas que ao contrário de nós, não escreve posts sobre o calor. Limita-se a miar e de vez em quando, quando está mais chateado faz ffffff…… (será que está a querer dizer algum palavrão?)
Eu gosto muito de palavrões. Quando eu era miúdo, ouvia-os e nem sabia o que eram. Hoje acho que ainda não sei o significado de muitos. Há palavrões que a moda cria. Por exemplo, os comentadores políticos utilizam, exaustivamente, de há uns tempos para cá, a palavra PUTATIVO. Ora eu que gosto tanto de palavrões pensei logo que isso tivesse alguma coisa a ver com as meninas que frequentavam os arredores da minha faculdade, fora das horas de aulas. Mas para isso, a palavra teria de ser PUTATIVA. E esta ouve-se menos, porque, diz a minha professora, nós somos muito MACHISTAS. Aqui está outro palavrão. Se nós fossemos machistas queria dizer que defendíamos mais os machos do que as fêmeas. E isso não é verdade, porque várias vezes oiço o meu tio referir-se a este ou aquele GAIJO, de quem não gosta, (ele diz gaijo, mesmo, deve ser um palavrão), dizendo que a pessoa é um cavalo e, no entanto, desata à bofetada à minha tia. Eu perguntei-lhe “tio, o senhor bate na tia porque o senhor é machista?” e ele responde-me sempre que não, que é porque bebe uns copos a mais, mas, na verdade, ela, a minha tia, é a sua égua preferida. Isso quer dizer que ele deve ter mais éguas e portanto não pode ser machista, dado esta protecção que falei atrás. Mas há mais palavrões que eu gosto, mas não posso escrever aqui, porque tem duas desvantagens a saber:
1. Quando viessem procurar esse palavrão ao Google, cairiam aqui que nem tordos. Isso só serviria para eu, mais tarde, me regozijar que o meu contador de visitas tinha bué, mas não serviria os meus intentos de ser lido por quem eu gosto que me leia.
2. Se eu escrever palavrões, as pessoas vão pensar uma de duas coisas que referirei:
a) Este gajo quer é que a gente comente muito (toda a gente faz pelo menos 50 comentários a um foda-se, imaginem se se escrevessem palavrões aqui);
b) Este gajo é um descaradíssimo mal-educado mas o melhor é ir ler o Pipi, que é bem mais explícito.
(abro aqui um parêntesis para referir dois pequenos pormenores que os mais atentos já terão reparado:
i. Utilizei o palavrão bué, porque é bué de giro;
ii. Concatenei duas vezes e, agora, uma terceira porque gosto bué de concatenar.
parêntesis fechado).
Mas para além do putativo e da respectiva fêmea, há outro palavrão que eu gosto muito de dizer, que é o palavrão DEFICIT. E pergunta a senhora professora (SP), porque é que eu gosto tanto do palavrão deficit.
- SP : Porque é que gostas tanto do palavrão deficit?
- Eu: Porque sim.
Acho que a senhora professora não vai entender a minha resposta, mas quem está a ler esta redacção já conseguiu descortinar que, quem não tem nada para escrever, inventa qualquer coisa. E fica aqui escarrapachado que este texto tem um deficit de não sei quê.
Aliás como muitos que eu leio e a malta ri-se muito. E porque a gente se ri é que eu gosto de palavrões.
PS. Este não é um pêésse à redacção supra. É apenas para informar que o Schubert, tem sofrido tanto com o calor como nós, mas que ao contrário de nós, não escreve posts sobre o calor. Limita-se a miar e de vez em quando, quando está mais chateado faz ffffff…… (será que está a querer dizer algum palavrão?)
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