592. Raposas ou velhas raposas
Eu gostava de saber escrever como o Sr. Carne. Infelizmente não nasci escritor, nem poeta, nem fui feito jornalista, pelo que a minha veia não chega a tanto. Fui mais talhado para ler disparates e, por mais que o grilo falante que há em mim me diga, ‘não sejas masoquista, não vás lá’, não evito as auto-agressões. Este tal de FA que escreve neste blog, é honestíssimo. Tal como agora defende a guerra às raposas, atendendo aos desempregados que o fim daquela actividade provocará, no Reino Unido, também terá escrito contra o fecho das fábricas de beterraba em Coruche, contra o fecho da Clark, contra o fecho Decantrofex, contra o fecho da Bombardier e terá escrito ou irá escrever um vastíssimo artigo contra o fecho da refinaria da Galp, em Leça. Ou então não…
PS. Pressuponho que o tal de FA irá contrapor ao fecho de todas as fábricas em Portugal, à instalação de algumas empresas subsidiárias da caça à raposa como sejam chouriço fumado de raposa, presunto de raposa, estolas e outros artefactos, comida para cães caçadores de raposa, armas e munições para espingardas de caça à raposa, casacas vermelhas de veludo, chapéus pretos… Ó meus amigos futuros ex-desempregados de todas estas fábricas em Portugal, o vosso futuro está garantido.
sábado, setembro 18, 2004
591. Livros
Subiamos a Avenida Nuno Álvares Pereira desde o antigo Liceu de Almada (hoje inexistente, mas onde fica a moderna Praça S. João Baptista), até ao Condestável. Ao lado uma pequena papelaria-livraria guardava, fora de montra, alguns livros proíbidos. Eu o o Zé Júlio eramos alguns dos, provavelmente, poucos compradores de obras "malditas". Lembrei-me disto, porque hoje vi na TV que em Viseu, as autoridades mandaram tirar um livro das montras. Só que a minha história, remonta a 1972! Para quando mandarem incendiar bibliotecas? Está na hora rapazes, está na hora. Os nazis demoraram menos tempo que vocês. Estão a perder-lhes aos pontos.
Subiamos a Avenida Nuno Álvares Pereira desde o antigo Liceu de Almada (hoje inexistente, mas onde fica a moderna Praça S. João Baptista), até ao Condestável. Ao lado uma pequena papelaria-livraria guardava, fora de montra, alguns livros proíbidos. Eu o o Zé Júlio eramos alguns dos, provavelmente, poucos compradores de obras "malditas". Lembrei-me disto, porque hoje vi na TV que em Viseu, as autoridades mandaram tirar um livro das montras. Só que a minha história, remonta a 1972! Para quando mandarem incendiar bibliotecas? Está na hora rapazes, está na hora. Os nazis demoraram menos tempo que vocês. Estão a perder-lhes aos pontos.
590. Antecipação...
Coloquei-lhe o post ontem, apenas por um erro no meu relógio. Hoje é que devia ter sido. Reparabenizo. E portanto, pode continuar a escutar a música. Feliz aniversário.
Coloquei-lhe o post ontem, apenas por um erro no meu relógio. Hoje é que devia ter sido. Reparabenizo. E portanto, pode continuar a escutar a música. Feliz aniversário.
sexta-feira, setembro 17, 2004
588. Velho
Perfil do candidato: Com experiência de mais de 5 anos em Business Intelligence. Capacidade para o desenvolvimento e geração de negócio Elevada experiência na gestão de equipas Elevada capacidade de análise e desenvolvimento de modelos conceptuais e funcionais Experiência na gestão de relacionamento com clientes Experiência na gestão de relacionamento com fornecedores Fluência falada e escrita em português e inglês, proactividade, disponibilidade para deslocações, gosto e apetência pelas actividades de I&D , capacidade de adaptação, facilidade de trabalhar em equipa e grande capacidade de análise e síntese.
“A KPI Solutions confirma a recepção da sua candidatura. Após análise curricular da mesma, comunica que o perfil apresentado não corresponde ao procurado no presente processo de recrutamento.
Manteremos o seu C.V. na nossa base de dados para consideração em futuras oportunidades.”
Sendo esta resposta uma autêntica aldrabice, não encontraram estes gajos outra maneira de me chamarem velho?
Perfil do candidato: Com experiência de mais de 5 anos em Business Intelligence. Capacidade para o desenvolvimento e geração de negócio Elevada experiência na gestão de equipas Elevada capacidade de análise e desenvolvimento de modelos conceptuais e funcionais Experiência na gestão de relacionamento com clientes Experiência na gestão de relacionamento com fornecedores Fluência falada e escrita em português e inglês, proactividade, disponibilidade para deslocações, gosto e apetência pelas actividades de I&D , capacidade de adaptação, facilidade de trabalhar em equipa e grande capacidade de análise e síntese.
“A KPI Solutions confirma a recepção da sua candidatura. Após análise curricular da mesma, comunica que o perfil apresentado não corresponde ao procurado no presente processo de recrutamento.
Manteremos o seu C.V. na nossa base de dados para consideração em futuras oportunidades.”
Sendo esta resposta uma autêntica aldrabice, não encontraram estes gajos outra maneira de me chamarem velho?
quinta-feira, setembro 16, 2004
586. Declaração
Eu, PreDatado Amaral de Sousa, declaro que sou incompetente. Não sei gerir o meu blog, uns dias faço 6 posts, outros não faço nenhum. Já tentei gerir isto com mais um compincha, mas andamos sempre às turras. Se o senhor ministro destas coisas, o tal de Blogão Feliz, me quiser despedir eu aceito. Mas tem de me passar para cá os meus 18.000 euritos por mês de reforma. É que parecendo que não eu já “trabalho” nisto há quase um ano.
Eu, PreDatado Amaral de Sousa, declaro que sou incompetente. Não sei gerir o meu blog, uns dias faço 6 posts, outros não faço nenhum. Já tentei gerir isto com mais um compincha, mas andamos sempre às turras. Se o senhor ministro destas coisas, o tal de Blogão Feliz, me quiser despedir eu aceito. Mas tem de me passar para cá os meus 18.000 euritos por mês de reforma. É que parecendo que não eu já “trabalho” nisto há quase um ano.
585. O álcool e os menores
Todas as semanas o LIDL manda pôr na minha caixa de correio uma publicação chamada “Dica” com publicidade às promoções da semana. Ao contrario de outros folhetos publicitários, este, trás alguns artigos interessantes, muitas das vezes fazendo eco do que algures já foi publicado noutra imprensa, mas que por ventura passam despercebidas a muita gente. A propósito de um pequeno texto sobre o consumo de álcool por menores, veio-me à memória um episódio que se passou comigo em 1992, na Califórnia. Na época, com 37 anos de idade, dirigi-me a um posto de combustível para comprar alguns maços de cigarros e um pack de cervejas. A funcionária, pediu-me, educadamente, a identificação para se certificar da minha idade. A venda pública de álcool (creio que de tabaco, também), era interdita a menores de 18 anos, o que me fez agradecer a simpatia da senhora, na óptica de quem se sentia elogiado por tal pedido. Ela explicou-me que, sem desconsiderar o, na altura, meu ar jovial, ela não tinha qualquer dúvida de que eu não tivesse menos de 18 anos. No entanto, como ela me explicou, se não me exigisse a identificação poderia ficar sujeita a que lhe fechassem o estabelecimento. Há aqui algum exagero na acção, quiçá algum fundamentalismo. Mas depois de ler o tal artigo na referida publicação, pergunto, quem fiscaliza a venda de bebidas alcoólicas a menores em Portugal? Eu próprio já o vi fazer e, sem ter qualquer responsabilidade oficial (que não moral), intervim, chamando a atenção do funcionário de uma bomba de gasolina. Era para o pai, respondeu o miúdo. O empregado, esse, ao menos, corou.
Todas as semanas o LIDL manda pôr na minha caixa de correio uma publicação chamada “Dica” com publicidade às promoções da semana. Ao contrario de outros folhetos publicitários, este, trás alguns artigos interessantes, muitas das vezes fazendo eco do que algures já foi publicado noutra imprensa, mas que por ventura passam despercebidas a muita gente. A propósito de um pequeno texto sobre o consumo de álcool por menores, veio-me à memória um episódio que se passou comigo em 1992, na Califórnia. Na época, com 37 anos de idade, dirigi-me a um posto de combustível para comprar alguns maços de cigarros e um pack de cervejas. A funcionária, pediu-me, educadamente, a identificação para se certificar da minha idade. A venda pública de álcool (creio que de tabaco, também), era interdita a menores de 18 anos, o que me fez agradecer a simpatia da senhora, na óptica de quem se sentia elogiado por tal pedido. Ela explicou-me que, sem desconsiderar o, na altura, meu ar jovial, ela não tinha qualquer dúvida de que eu não tivesse menos de 18 anos. No entanto, como ela me explicou, se não me exigisse a identificação poderia ficar sujeita a que lhe fechassem o estabelecimento. Há aqui algum exagero na acção, quiçá algum fundamentalismo. Mas depois de ler o tal artigo na referida publicação, pergunto, quem fiscaliza a venda de bebidas alcoólicas a menores em Portugal? Eu próprio já o vi fazer e, sem ter qualquer responsabilidade oficial (que não moral), intervim, chamando a atenção do funcionário de uma bomba de gasolina. Era para o pai, respondeu o miúdo. O empregado, esse, ao menos, corou.
quarta-feira, setembro 15, 2004
584. Schubert
A Melancia pediu, eu prometi, o Schubert concordou e ei-lo imponente à espera da tua Paloma, Melancia.
A Melancia pediu, eu prometi, o Schubert concordou e ei-lo imponente à espera da tua Paloma, Melancia.
583. De onde?
Da Grand Place em Bruxelas, ou sentado no Chez Lion a comer moules au frites, ou simplesmente recostado numa poltrona no seu gabinete de apoio a um comissário europeu. De dentro do museu do Louvre ou sentado à beira do Sena, portátil no colo e GPRS activo. Ou talvez das escadarias de Monmartre. Do Castelo dos Mouros em Sintra, do Miradouro de Santa Luzia, da praia do Furadouro, do alto da Senhora da Graça, da Praia da Luz, em Lagos ou do cabo da Roca. Até do Pulo do Lobo, da Tapada da Mina de S. Domingos, das termas de Monfortinho e do miradouro de Almada. De uma rua em Toronto, da ilha de Bali na Indonésia, de Tokyo e de Kyoto, de Beijing ou Xangai ou sentados nas ameias da Grande Muralha. Comendo caviar em Sebastopol. De Bucareste, de Varsóvia, de Budapeste, de Praga, de Baku, de Kiev, de Tallin, de S. Petersburgo, de Novorosisky. Sentado numa cadeira do Bolshoi no intervalo de uma peça. Do New London Theatre, de qualquer teatro de Edinburgh, do Scalla em Milano, de um bar algures no Bairro Alto, de uma discoteca na 24 de Julho. A comer jaquinzinhos numa tasca em Cacilhas, ou caldeirada num restaurante em Sesimbra. Do Leu em Setúbal entre um pedaço de choco frito e uma garfada de salada mista. Da Ilha do Mel no Paraná, de Francisco Noronha ou do Morro de S. Paulo. De Salvador, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, S. Luís do Maranhão. Do Pantanal, de Manaus, da Foz do Iguaçu. De Buenos Aires, Santiago, La Paz, Lima. De Marrakech, Tunes, Argel, Cairo, Lagos, Mogadíscio, Lusaca, Nuaquexote, Bissau, Luanda, Maputo, Dili. Da Plaza Mayor, em Madrid, enquanto saboreiam um cocinillo na Antiga Casa Botin, ou das Ramblas em Barcelona. Da praia de S. João na Caparica, do meio de um piquenique nas dunas da Fonta da Telha, da linha do Estoril e da linha de Sintra. Do Castelo de Palmela. Deixando de lado aquela presa de entrecosto num Cozido à Portuguesa em canal Caveira. Dos corredores do Parlamento Europeu, ou de uma torre na avenida Paulista. De Nova Iorque, dentro do elevador no 81º andar do Empire State Building. De Long Beach e de Sacramento. Desfrutando os maravilhosos sons de Niagara Falls ou de Saint Souce Marie no Michigan. De todos os cantos do mundo elas e eles, as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores vieram aqui passar uns momentos com o PreDatado. Por isso foram 15.000, as visitas que me fizeram. Eu escrevo neste blog porque gosto. Mas escrevo, fundamentalmente, para vocês. Obrigado pelo apoio e pelo incentivo. Bem hajam!
PS. O Schubert disse-me que também vieram da Gatolândia. Fica aqui a adenda. Justa.
Da Grand Place em Bruxelas, ou sentado no Chez Lion a comer moules au frites, ou simplesmente recostado numa poltrona no seu gabinete de apoio a um comissário europeu. De dentro do museu do Louvre ou sentado à beira do Sena, portátil no colo e GPRS activo. Ou talvez das escadarias de Monmartre. Do Castelo dos Mouros em Sintra, do Miradouro de Santa Luzia, da praia do Furadouro, do alto da Senhora da Graça, da Praia da Luz, em Lagos ou do cabo da Roca. Até do Pulo do Lobo, da Tapada da Mina de S. Domingos, das termas de Monfortinho e do miradouro de Almada. De uma rua em Toronto, da ilha de Bali na Indonésia, de Tokyo e de Kyoto, de Beijing ou Xangai ou sentados nas ameias da Grande Muralha. Comendo caviar em Sebastopol. De Bucareste, de Varsóvia, de Budapeste, de Praga, de Baku, de Kiev, de Tallin, de S. Petersburgo, de Novorosisky. Sentado numa cadeira do Bolshoi no intervalo de uma peça. Do New London Theatre, de qualquer teatro de Edinburgh, do Scalla em Milano, de um bar algures no Bairro Alto, de uma discoteca na 24 de Julho. A comer jaquinzinhos numa tasca em Cacilhas, ou caldeirada num restaurante em Sesimbra. Do Leu em Setúbal entre um pedaço de choco frito e uma garfada de salada mista. Da Ilha do Mel no Paraná, de Francisco Noronha ou do Morro de S. Paulo. De Salvador, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, S. Luís do Maranhão. Do Pantanal, de Manaus, da Foz do Iguaçu. De Buenos Aires, Santiago, La Paz, Lima. De Marrakech, Tunes, Argel, Cairo, Lagos, Mogadíscio, Lusaca, Nuaquexote, Bissau, Luanda, Maputo, Dili. Da Plaza Mayor, em Madrid, enquanto saboreiam um cocinillo na Antiga Casa Botin, ou das Ramblas em Barcelona. Da praia de S. João na Caparica, do meio de um piquenique nas dunas da Fonta da Telha, da linha do Estoril e da linha de Sintra. Do Castelo de Palmela. Deixando de lado aquela presa de entrecosto num Cozido à Portuguesa em canal Caveira. Dos corredores do Parlamento Europeu, ou de uma torre na avenida Paulista. De Nova Iorque, dentro do elevador no 81º andar do Empire State Building. De Long Beach e de Sacramento. Desfrutando os maravilhosos sons de Niagara Falls ou de Saint Souce Marie no Michigan. De todos os cantos do mundo elas e eles, as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores vieram aqui passar uns momentos com o PreDatado. Por isso foram 15.000, as visitas que me fizeram. Eu escrevo neste blog porque gosto. Mas escrevo, fundamentalmente, para vocês. Obrigado pelo apoio e pelo incentivo. Bem hajam!
PS. O Schubert disse-me que também vieram da Gatolândia. Fica aqui a adenda. Justa.
terça-feira, setembro 14, 2004
582. Ser pai é,
- Ficar a tomar conta do puto, mudar-lhe a fralda e quando a mãe chega ele estar borrado até ao pescoço;
- Carregar com os vinte sacos do supermercado escada a cima, porque ele prefere o colo da mãe;
- Tentar convencê-los a ser do Benfica e ela preferir o Sporting, cedendo à chantagem da mama;
- Tirar do carro, armar o carrinho, tirá-los dos braços da mãe, pô-los no carrinho, apertar os cintos, empurrar o carrinho, dá-los para os braços da mãe, fechar o carrinho, meter o carrinho no carro;
- Ter a certeza que eles disseram primeiro papá do que mamã;
- Dizer estremunhado e virado para o outro lado “vê lá se acordas que a menina parece que está a chorar”;
- Dar-lhes um beijo antes de sair para o emprego, outro quando chega, afagar-lhes a cabeça e ficar a rezar para que ao Sábado ou ao Domingo eles não perguntem “mãe, este senhor que vem cá aos fins-de-semana é que é o pai?”
- Poder dizer “o teu filho já fez merda” quando eles fazem asneira e poder dizer “o meu filho é fixe”, quando eles fazem coisas boas;
- Não perceber porque é que a prancha de surf do ano passado já não serve; será que as ondas cresceram?
- Ampliar os armários da filha porque os cento e vinte pares de sapatos, chinelas, saias, blusas, vestidos, cuecas, soutiens e o diabo a sete, já não cabem no guarda-roupa;
- Pegar no berbequim, furar e apertar parafusos porque é preciso colocar os suportes da viola;
- Pagar as quotas do Sporting à filha, quando aquele dinheirinho era bem mais empregue numas jolas;
- Fazer-lhe o nó da primeira gravata;
- Dar uma de cota e explicar porque é que não quer que ele use brinco, porque é que não quer que ele use piercings, porque é que não quer que ele faça tatuagens.
- Emprestar-lhes o carro sempre que eles pedem e dar-lhes a chave mesmo quando eles não pedem, para poder ficar a sós com a mãe;
- Ter de ouvir rock punk hardcore em volume 17, quando está sentado no sofá a ler o jornal do fim-de-semana passado;
- Ficar babadinho até aos pés quando ela se licencia ou quando ele entra na universidade;
- Amar uma mulher que foi capaz de fazer as outras oitocentas e quarenta e duas coisas, aqui não relatadas e, que só ela “sabe” fazer.
(este post é dedicado à vieira do mar e por ricochete à papoila)
- Ficar a tomar conta do puto, mudar-lhe a fralda e quando a mãe chega ele estar borrado até ao pescoço;
- Carregar com os vinte sacos do supermercado escada a cima, porque ele prefere o colo da mãe;
- Tentar convencê-los a ser do Benfica e ela preferir o Sporting, cedendo à chantagem da mama;
- Tirar do carro, armar o carrinho, tirá-los dos braços da mãe, pô-los no carrinho, apertar os cintos, empurrar o carrinho, dá-los para os braços da mãe, fechar o carrinho, meter o carrinho no carro;
- Ter a certeza que eles disseram primeiro papá do que mamã;
- Dizer estremunhado e virado para o outro lado “vê lá se acordas que a menina parece que está a chorar”;
- Dar-lhes um beijo antes de sair para o emprego, outro quando chega, afagar-lhes a cabeça e ficar a rezar para que ao Sábado ou ao Domingo eles não perguntem “mãe, este senhor que vem cá aos fins-de-semana é que é o pai?”
- Poder dizer “o teu filho já fez merda” quando eles fazem asneira e poder dizer “o meu filho é fixe”, quando eles fazem coisas boas;
- Não perceber porque é que a prancha de surf do ano passado já não serve; será que as ondas cresceram?
- Ampliar os armários da filha porque os cento e vinte pares de sapatos, chinelas, saias, blusas, vestidos, cuecas, soutiens e o diabo a sete, já não cabem no guarda-roupa;
- Pegar no berbequim, furar e apertar parafusos porque é preciso colocar os suportes da viola;
- Pagar as quotas do Sporting à filha, quando aquele dinheirinho era bem mais empregue numas jolas;
- Fazer-lhe o nó da primeira gravata;
- Dar uma de cota e explicar porque é que não quer que ele use brinco, porque é que não quer que ele use piercings, porque é que não quer que ele faça tatuagens.
- Emprestar-lhes o carro sempre que eles pedem e dar-lhes a chave mesmo quando eles não pedem, para poder ficar a sós com a mãe;
- Ter de ouvir rock punk hardcore em volume 17, quando está sentado no sofá a ler o jornal do fim-de-semana passado;
- Ficar babadinho até aos pés quando ela se licencia ou quando ele entra na universidade;
- Amar uma mulher que foi capaz de fazer as outras oitocentas e quarenta e duas coisas, aqui não relatadas e, que só ela “sabe” fazer.
(este post é dedicado à vieira do mar e por ricochete à papoila)
581. Orçamentos
- Olá, bem disposto?
- Cansado, mas feliz!
- Porquê tanta felicidade?
(o meu espelho, hoje nem estranhou de eu cortar a barba às 9h30; apenas reparou no meu ar de felicidade)
- Então não leste o meu post de baixo?
- Li sim, mas isso deixa-te feliz?
- Claro, os gajos tiveram que pagar 2 euros e meio, enquanto que eu só paguei 2 euros!
- Toma que já almoçaram!
(agora foi o meu espelho que exagerou. Eu posso estar feliz, mas não uso expressões tão popularuchas assim)
- E que me contas mais? – (insistiu)
- E agora meu querido espelho é que vão ser elas cá em casa!
- Cá em casa? O que é que cá em casa tem a ver com os Espíritos Santos? Viraste católico?
(eu não aguento isto. O espelho a fazer trocadilhos de mau gosto. Um gajo a falar a sério e ele sempre com piadinhas de algibeira. Estive quase para lhe virar as costas, mas..)
- Sim cá em casa; O João vai passar a pagar uma taxa por cada iogurte que comer. O mesmo vou fazer à Anita, nem que ela rejeite o jantar por achar que está gorda. Leva com um imposto-sobre-o-desperdício. E a Maria, se a apanho a comer uma torrada com manteiga, ao pequeno almoço, leva com a taxa-sobre- produtos-que-podem-causar-colestetrol. E no fim do ano vão passar a fazer uma declaração mod. 33, para pagarem o ISGED e o ISGPQNVAD.
. Que impostos são esses?!!!!
(desta vez admiti-lhe a interrogação pasmada que fez; de facto são dois novos impostos familiares, dos quais ele não tem conhecimento prévio. Ainda estão em estudo e só serão discutidos, cá em casa, no próximo plenário à mesa de jantar)
- Imposto-Sobre-Gastos-Em-Discotecas e Imposto-Sobre-Gastos-Para-Quem-Não-Vai-A-Discotecas.
- Ó Pré! (como é carinhoso o meu espelho, quando me trata por Pré). Tu levaste mesmo a sério aquela coisa do Bagão dizer que o Orçamento de Estado é como o Orçamento Familiar, não levaste?
- Olá, bem disposto?
- Cansado, mas feliz!
- Porquê tanta felicidade?
(o meu espelho, hoje nem estranhou de eu cortar a barba às 9h30; apenas reparou no meu ar de felicidade)
- Então não leste o meu post de baixo?
- Li sim, mas isso deixa-te feliz?
- Claro, os gajos tiveram que pagar 2 euros e meio, enquanto que eu só paguei 2 euros!
- Toma que já almoçaram!
(agora foi o meu espelho que exagerou. Eu posso estar feliz, mas não uso expressões tão popularuchas assim)
- E que me contas mais? – (insistiu)
- E agora meu querido espelho é que vão ser elas cá em casa!
- Cá em casa? O que é que cá em casa tem a ver com os Espíritos Santos? Viraste católico?
(eu não aguento isto. O espelho a fazer trocadilhos de mau gosto. Um gajo a falar a sério e ele sempre com piadinhas de algibeira. Estive quase para lhe virar as costas, mas..)
- Sim cá em casa; O João vai passar a pagar uma taxa por cada iogurte que comer. O mesmo vou fazer à Anita, nem que ela rejeite o jantar por achar que está gorda. Leva com um imposto-sobre-o-desperdício. E a Maria, se a apanho a comer uma torrada com manteiga, ao pequeno almoço, leva com a taxa-sobre- produtos-que-podem-causar-colestetrol. E no fim do ano vão passar a fazer uma declaração mod. 33, para pagarem o ISGED e o ISGPQNVAD.
. Que impostos são esses?!!!!
(desta vez admiti-lhe a interrogação pasmada que fez; de facto são dois novos impostos familiares, dos quais ele não tem conhecimento prévio. Ainda estão em estudo e só serão discutidos, cá em casa, no próximo plenário à mesa de jantar)
- Imposto-Sobre-Gastos-Em-Discotecas e Imposto-Sobre-Gastos-Para-Quem-Não-Vai-A-Discotecas.
- Ó Pré! (como é carinhoso o meu espelho, quando me trata por Pré). Tu levaste mesmo a sério aquela coisa do Bagão dizer que o Orçamento de Estado é como o Orçamento Familiar, não levaste?
580. Diferenciação positiva
Acabei de chegar do Centro de Saúde do Laranjeiro. Hoje estou feliz! Apesar de termos estado desde as 6 da manhã à chuva, na fila para marcar uma consulta, lá estive em amena cavaqueira com o Ricardo Espirito Santo Salgado, o Américo Amorim, o Belmiro de Azevedo e o não sei quantos de Mello (com dois éles, sim, com dois éles). Todos ali, na fila indiferentes à humidade da madrugada, para marcarmos as nossas consultazinhas. E toma! Eles pagaram uma taxa moderadora muito mais alta que eu.
(o Bagão, passou de carro e cumprimentou-nos; acho que não ficou nada admirado de ver gente tão rica num Centro de Saúde)
Acabei de chegar do Centro de Saúde do Laranjeiro. Hoje estou feliz! Apesar de termos estado desde as 6 da manhã à chuva, na fila para marcar uma consulta, lá estive em amena cavaqueira com o Ricardo Espirito Santo Salgado, o Américo Amorim, o Belmiro de Azevedo e o não sei quantos de Mello (com dois éles, sim, com dois éles). Todos ali, na fila indiferentes à humidade da madrugada, para marcarmos as nossas consultazinhas. E toma! Eles pagaram uma taxa moderadora muito mais alta que eu.
(o Bagão, passou de carro e cumprimentou-nos; acho que não ficou nada admirado de ver gente tão rica num Centro de Saúde)
segunda-feira, setembro 13, 2004
579. Sou uma Estrela
Por sugestão do blog da minha amiga Pê, fiz o quiz e sou:
You are the Star card. The Star is the light of
hope. Shining in the night, sending light into
darkness, the stars provide direction to
sailors and are a field on which to dream.
Humanity used to look up at the sky and desire
to be there, to find out what it all meant, and
now we have been a distance into space and have
elementary ideas of the makeup of all the
different stars. This kind of achievement adds
further fuel to our hopes. The eternal,
slow-moving stars that will be long shining
past the end of our own existence provide hope
of immortality, and the vast space they suggest
and the very mystery they hold provide us with
excitement and knowledge yet to be discovered.
Image from: Danielle Sylvie Taylor
http://members.limitless.org/~morpheum/gallery.html
Which Tarot Card Are You?
brought to you by Quizilla
Não está nada mal, não senhor.
- Ó Pre estás um bocado abichanado na foto, confessa!
( o meu espelho não tem tento na língua)
- Lá estás tu... hoje não estou para te aturar. Amanhã conversamos.
Por sugestão do blog da minha amiga Pê, fiz o quiz e sou:
You are the Star card. The Star is the light of
hope. Shining in the night, sending light into
darkness, the stars provide direction to
sailors and are a field on which to dream.
Humanity used to look up at the sky and desire
to be there, to find out what it all meant, and
now we have been a distance into space and have
elementary ideas of the makeup of all the
different stars. This kind of achievement adds
further fuel to our hopes. The eternal,
slow-moving stars that will be long shining
past the end of our own existence provide hope
of immortality, and the vast space they suggest
and the very mystery they hold provide us with
excitement and knowledge yet to be discovered.
Image from: Danielle Sylvie Taylor
http://members.limitless.org/~morpheum/gallery.html
Which Tarot Card Are You?
brought to you by Quizilla
Não está nada mal, não senhor.
- Ó Pre estás um bocado abichanado na foto, confessa!
( o meu espelho não tem tento na língua)
- Lá estás tu... hoje não estou para te aturar. Amanhã conversamos.
578. JanMarri Viãzici!
Ontem (e anteontem) fui visitar o Alentejo da minha Maria. A Tapada da Mina estava deliciosa, as águas claríssimas e, a temperatura, simplesmente de convidar a não sair. Além da banhoca, ainda deu para dormir uma soneca ao sol velado pelas ramagens de eucaliptos. Nesta época tem mais beleza, pois está menos cheia de gente e podemo-nos afundar no sono sem ser embalados por aquela “algarviada” de franciú misturado com alentejano.
Ontem (e anteontem) fui visitar o Alentejo da minha Maria. A Tapada da Mina estava deliciosa, as águas claríssimas e, a temperatura, simplesmente de convidar a não sair. Além da banhoca, ainda deu para dormir uma soneca ao sol velado pelas ramagens de eucaliptos. Nesta época tem mais beleza, pois está menos cheia de gente e podemo-nos afundar no sono sem ser embalados por aquela “algarviada” de franciú misturado com alentejano.
577. Juro que não sou supersticioso
A propósito de nada lembro-me de histórias. Passo alguns bons bocados do meu tempo no escritório do meu amigo Rocha. Num desses dias, ele convidou-me a visitar um navio e, como é das normas de segurança e protecção pessoal, ele ofereceu-me umas luvas. Deixei-as em cima de uma secretária que costumo utilizar quando vou ao escritório. Um dia destes as instalações foram assaltadas. Vidros partidos, gavetas e armários revoltos, coisas pelo chão e outras que “voaram”. Vieram as autoridades, espalharam por aqui e por acolá o produto e… não havia impressões digitais. Sabemos quanto os ladrões, hoje em dia, são prevenidos. Alguns dias depois, no balanço do falta não falta, entre muitíssimas outras coisas, faltavam, também, as minhas luvas. Não bastava o jardineiro ter deixado a escada, com que sobe às árvores, à mão de semear, quanto mais eu deixar as luvas prontinhas a não deixar vestígios. Hoje, olhei para cima da secretária e vi que estavam lá umas luvas novas. Corri à janela para ver se o jardineiro tinha guardado as escadas. Não vá o diabo tecê-las.
A propósito de nada lembro-me de histórias. Passo alguns bons bocados do meu tempo no escritório do meu amigo Rocha. Num desses dias, ele convidou-me a visitar um navio e, como é das normas de segurança e protecção pessoal, ele ofereceu-me umas luvas. Deixei-as em cima de uma secretária que costumo utilizar quando vou ao escritório. Um dia destes as instalações foram assaltadas. Vidros partidos, gavetas e armários revoltos, coisas pelo chão e outras que “voaram”. Vieram as autoridades, espalharam por aqui e por acolá o produto e… não havia impressões digitais. Sabemos quanto os ladrões, hoje em dia, são prevenidos. Alguns dias depois, no balanço do falta não falta, entre muitíssimas outras coisas, faltavam, também, as minhas luvas. Não bastava o jardineiro ter deixado a escada, com que sobe às árvores, à mão de semear, quanto mais eu deixar as luvas prontinhas a não deixar vestígios. Hoje, olhei para cima da secretária e vi que estavam lá umas luvas novas. Corri à janela para ver se o jardineiro tinha guardado as escadas. Não vá o diabo tecê-las.
sábado, setembro 11, 2004
575. Luto
Obviamente, hoje estou de luto. Estou de luto há três anos... ou mais. Se é verdade que Bin Laden me ofereceu o fato preto, também não é menos verdade que a camisa, a gravata, as meias e até os sapatos me foram oferecidos por outros. Peço desculpa se não vou aqui recordar todos os que me ofereceram tão negras vestes, mas não posso deixar de referir Bush, Sharon, Putin...
Obviamente, hoje estou de luto. Estou de luto há três anos... ou mais. Se é verdade que Bin Laden me ofereceu o fato preto, também não é menos verdade que a camisa, a gravata, as meias e até os sapatos me foram oferecidos por outros. Peço desculpa se não vou aqui recordar todos os que me ofereceram tão negras vestes, mas não posso deixar de referir Bush, Sharon, Putin...
sexta-feira, setembro 10, 2004
574. Schubert...
Vou passar o fim de semana ao Alentejo, mas desta vez não te levo comigo. Sabes, meu querido, tu estás na idade de andar às gatas e nós estamos com receio que vás atrás de alguma e te esqueças do caminho de volta (lembras-te daquele gajo que saiu para comprar tabaco e só voltou ao fim de 20 anos?). Ou que te aconteça algo. Mas não vais ficar abandonado. A Fátima vem cá pelo menos duas vezes por dia visitar-te e dar-te de comer. Eu sei que vais estranhar a falta de companhia. Eu ainda nem saí de casa e já estou a sentir a tua falta. Mas a vida é assim meu caro gato. Há pessoas que abandonam animais, há pessoas que abandonam pessoas. Nós voltaremos para te mimar dentro de 48 horas. É só um instantinho.
Vou passar o fim de semana ao Alentejo, mas desta vez não te levo comigo. Sabes, meu querido, tu estás na idade de andar às gatas e nós estamos com receio que vás atrás de alguma e te esqueças do caminho de volta (lembras-te daquele gajo que saiu para comprar tabaco e só voltou ao fim de 20 anos?). Ou que te aconteça algo. Mas não vais ficar abandonado. A Fátima vem cá pelo menos duas vezes por dia visitar-te e dar-te de comer. Eu sei que vais estranhar a falta de companhia. Eu ainda nem saí de casa e já estou a sentir a tua falta. Mas a vida é assim meu caro gato. Há pessoas que abandonam animais, há pessoas que abandonam pessoas. Nós voltaremos para te mimar dentro de 48 horas. É só um instantinho.
573. Produtividade
Eu escrevi isto num comentário ao blog da Ana. Assim, de repente, apeteceu-me copiar para aqui. Só um incorrígivel produtivo.
"Eu estou desempregado há 2 anos. Já produzi 24 meses de inactividade. O que é obra! Pela teoria do primeiro ministro eu terei direito a um bom aumento... de tempo de desemprego. Esperam-me mais 15 anos assim? "
(a propósito dos aumentos segundo a produtividade)
Eu escrevi isto num comentário ao blog da Ana. Assim, de repente, apeteceu-me copiar para aqui. Só um incorrígivel produtivo.
"Eu estou desempregado há 2 anos. Já produzi 24 meses de inactividade. O que é obra! Pela teoria do primeiro ministro eu terei direito a um bom aumento... de tempo de desemprego. Esperam-me mais 15 anos assim? "
(a propósito dos aumentos segundo a produtividade)
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