605. Ter um fim de semana chato é...
O Benfica não ganhar. Maus hábitos é o que é.
segunda-feira, setembro 27, 2004
domingo, setembro 26, 2004
604. Conto (VII)
Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.
(continua)
Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.
(continua)
sábado, setembro 25, 2004
603. Eu que pensava que era a estação de Corroios ou do Pragal, saiu-me isto
Fui copiar o quiz desta minha querida amiga... vejam como sou quente.
You're a Summer. You're just a ball of energy that
is constantly going on and on!! You're kinda
like the energizer bunny. lol. But your
probably really athletic and even if you're
not, you'd be good in sports because of all
your energy. You're enthusiastic about
everything you do and find it hard not to be
happy. You're usually pretty optimistic but can
be realistic when needed. You always hope for
the best to turn out and many times they do.
Sometimes though, you let your temper get the
best of you but you apologize as soon as you
can because you hate people being angry with
you. You're friends love how active you are and
you make them feel like they can do anything
crazy if they want to.
What season are you? (pics)
brought to you by
Fui copiar o quiz desta minha querida amiga... vejam como sou quente.
You're a Summer. You're just a ball of energy that
is constantly going on and on!! You're kinda
like the energizer bunny. lol. But your
probably really athletic and even if you're
not, you'd be good in sports because of all
your energy. You're enthusiastic about
everything you do and find it hard not to be
happy. You're usually pretty optimistic but can
be realistic when needed. You always hope for
the best to turn out and many times they do.
Sometimes though, you let your temper get the
best of you but you apologize as soon as you
can because you hate people being angry with
you. You're friends love how active you are and
you make them feel like they can do anything
crazy if they want to.
What season are you? (pics)
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602. Conto VI
Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.
(continua)
Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.
(continua)
sexta-feira, setembro 24, 2004
601. Ope 2 esquerda, direita!
Um gajo é assim, pronto, e eu não sei explicar. Eu sou um gajo de esquerda, toda a gente o sabe e, eu, sem medo (porque meus amigos e minhas amigas, não tenham dúvidas que desde o pós-gonçalvismo é preciso ter alguma coragem para se apregoar aos quatro ventos que se é de esquerda; ou alguém ainda dúvidas de que o Sócrates vai ganhara as eleições no PS?), dizia eu sem medo, sempre me assumi de esquerda. Ser de esquerda, não é só ser anti-Santana (o José Pacheco Pereira é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Portas (o Marcelo Rebelo de Sousa é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Bush ou anti-Sharon ou o raio que nos parta a nós, os de esquerda. Fundamentalmente, que me desculpem, alguns, poucos, homens e mulheres de direita quase inteligentes, ser de esquerda é ser inteligente. Porque para mim é um atentado à inteligência, alguém, como um tal não sei quantos Melo, deputado do CDS (e da Nação), vir a público defender a nomeação de Celeste Cardona para administradora da CGD, com base no seu Curriculum. Não vou falar em milhões, nem em milhares, mas apenas em centenas de Curricula mais ricos que o de Celeste Cardona. E ao que consta, essas centenas não foram convidadas para administradores da CGD. Esse tal de Melo, é como a minha avó dizia, esperto. E como diz o povo “esperteza é a inteligência de um burro”.
Um gajo é assim, pronto, e eu não sei explicar. Eu sou um gajo de esquerda, toda a gente o sabe e, eu, sem medo (porque meus amigos e minhas amigas, não tenham dúvidas que desde o pós-gonçalvismo é preciso ter alguma coragem para se apregoar aos quatro ventos que se é de esquerda; ou alguém ainda dúvidas de que o Sócrates vai ganhara as eleições no PS?), dizia eu sem medo, sempre me assumi de esquerda. Ser de esquerda, não é só ser anti-Santana (o José Pacheco Pereira é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Portas (o Marcelo Rebelo de Sousa é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Bush ou anti-Sharon ou o raio que nos parta a nós, os de esquerda. Fundamentalmente, que me desculpem, alguns, poucos, homens e mulheres de direita quase inteligentes, ser de esquerda é ser inteligente. Porque para mim é um atentado à inteligência, alguém, como um tal não sei quantos Melo, deputado do CDS (e da Nação), vir a público defender a nomeação de Celeste Cardona para administradora da CGD, com base no seu Curriculum. Não vou falar em milhões, nem em milhares, mas apenas em centenas de Curricula mais ricos que o de Celeste Cardona. E ao que consta, essas centenas não foram convidadas para administradores da CGD. Esse tal de Melo, é como a minha avó dizia, esperto. E como diz o povo “esperteza é a inteligência de um burro”.
600. Conto (V)
Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, teria uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.
(continua)
Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, teria uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.
(continua)
599. IST
O Henrique Silveira escreveu um interessante texto, entre o humor e alguma promoção pessoal (e porque não?), nomeadamente os seus dotes de rockeiro, mesmo que o “love me tender” não seja o mesmo que o “rock around the clock”. O Henrique encontra alunos e ex-alunos do Técnico por toda a parte e eu confirmo: É verdade! Infelizmente não são só encontráveis no LUX e nos restaurantes chineses. Felizmente, para o Henrique Silveira, que não tem que frequentemente passar pelos Centros de Emprego. Há muitos anos, também eu fui aluno do Técnico. Provavelmente, não sei bem qual é a idade do Henrique, quando eu saí de lá, talvez ele ainda nem pensasse em ir para o Técnico. Hoje, o Henrique, se me quiser conhecer, teria de ser, não professor no Técnico, mas talvez gestor de uma das empresas de “Executive Research” (qualquer uma delas), para onde envio, para algumas mais de uma vez, o meu CV, há dois anos consecutivos. Ou talvez nos encontremos um dia destes num curso de mergulho. Já vi pior. O Henrique deve também conhecer, pois no Técnico nunca se deixou de contar, aquela anedota, em que no circo o domador principiante, recém-licenciado do Técnico, enfrentava o feroz leão, que tirou a máscara e lhe disse: “Não tenhas medo, eu também sou do Técnico”.
O Henrique Silveira escreveu um interessante texto, entre o humor e alguma promoção pessoal (e porque não?), nomeadamente os seus dotes de rockeiro, mesmo que o “love me tender” não seja o mesmo que o “rock around the clock”. O Henrique encontra alunos e ex-alunos do Técnico por toda a parte e eu confirmo: É verdade! Infelizmente não são só encontráveis no LUX e nos restaurantes chineses. Felizmente, para o Henrique Silveira, que não tem que frequentemente passar pelos Centros de Emprego. Há muitos anos, também eu fui aluno do Técnico. Provavelmente, não sei bem qual é a idade do Henrique, quando eu saí de lá, talvez ele ainda nem pensasse em ir para o Técnico. Hoje, o Henrique, se me quiser conhecer, teria de ser, não professor no Técnico, mas talvez gestor de uma das empresas de “Executive Research” (qualquer uma delas), para onde envio, para algumas mais de uma vez, o meu CV, há dois anos consecutivos. Ou talvez nos encontremos um dia destes num curso de mergulho. Já vi pior. O Henrique deve também conhecer, pois no Técnico nunca se deixou de contar, aquela anedota, em que no circo o domador principiante, recém-licenciado do Técnico, enfrentava o feroz leão, que tirou a máscara e lhe disse: “Não tenhas medo, eu também sou do Técnico”.
quinta-feira, setembro 23, 2004
598. Carinho
- Olá filho da puta.
- Olá, meu querido, vejo que estás em plena forma.
- Tu também estás com bom ar, filho da puta.
- Faz-se pela vida. Quando mal nunca pior.
- Então o que é que vais fazer hoje, filho da puta?
- O costume quando o dia está bonito. Vou cheirar este Outono ainda Verão.
- Pena é que eu não possa sair daqui, filho da puta.
- Paciência rapaz. Os espelhos cá de casa são fixos.
(o meu espelho hoje estava demasiado carinhoso comigo. Chamou-me quatro vezes filho da puta. Cá para mim, admitiram-no na claque lá do clube - só nunca me tinha apercebido que o meu espelho era energúmeno).
aqui:
"sporting.pt - Algumas das reacções mais notadas e até algumas das mais insultuosas foram-lhe dirigidas directamente …
ADC - ... Com isso posso eu bem. Há muito que sei que entre energúmenos a expressão “filho da puta” é um termo carinhoso, eles até se tratam assim quando se abraçam."
- Olá filho da puta.
- Olá, meu querido, vejo que estás em plena forma.
- Tu também estás com bom ar, filho da puta.
- Faz-se pela vida. Quando mal nunca pior.
- Então o que é que vais fazer hoje, filho da puta?
- O costume quando o dia está bonito. Vou cheirar este Outono ainda Verão.
- Pena é que eu não possa sair daqui, filho da puta.
- Paciência rapaz. Os espelhos cá de casa são fixos.
(o meu espelho hoje estava demasiado carinhoso comigo. Chamou-me quatro vezes filho da puta. Cá para mim, admitiram-no na claque lá do clube - só nunca me tinha apercebido que o meu espelho era energúmeno).
aqui:
"sporting.pt - Algumas das reacções mais notadas e até algumas das mais insultuosas foram-lhe dirigidas directamente …
ADC - ... Com isso posso eu bem. Há muito que sei que entre energúmenos a expressão “filho da puta” é um termo carinhoso, eles até se tratam assim quando se abraçam."
597. Conto (IV)
Horas e horas sem me alimentar, atentava-me uma mesa assim. Não sabia a composição dos alimentos, mas isso não era importante. No entanto, permaneci imoto. Seria imperdoável tomar a iniciativa. Mais que imperdoável, inadequado e imbecil. O chefe tinha um aspecto rude, a atingir laivos de imane. Qualquer tentativa, mesmo que imaculada poderia ser considerada uma imisção nos costumes. Esperei. A cena que se seguiu é imperdível, mesmo para um observador externo. Dois jovens, um rapaz imberbe e uma moça implume, aproximaram-se, nus. Alguns dos indígenas desviaram-se abrindo caminho para o jovem par. O que se passou de seguida é, para um leigo nos costumes, inarrável. Como que impetrando, os olhos da rapariga dirigiram-se a mim. Não teria mais de 16 anos o que me começava a incomodar. Embora celibatário, qualquer relação que pudesse haver entre nós me pareceria ímpia. Mas, as circunstâncias, não me permitiriam impeticar com os anfitriões. Deu-me a mão e obrigou-me a levantar. Uma a uma, num ritual de sensualidade, retirou-me as vestes. Senti-me impotente para parar aquela espiral de emoções. Nunca fui casado, nunca tive filhos, mas qualquer acto que eu cometesse me acometia de incestuoso. Se alguém, da minha cultura, me visse, face a tão inusitados preparos, me acharia inábil. No entanto, o jogo iria continuar.
(continua)
Horas e horas sem me alimentar, atentava-me uma mesa assim. Não sabia a composição dos alimentos, mas isso não era importante. No entanto, permaneci imoto. Seria imperdoável tomar a iniciativa. Mais que imperdoável, inadequado e imbecil. O chefe tinha um aspecto rude, a atingir laivos de imane. Qualquer tentativa, mesmo que imaculada poderia ser considerada uma imisção nos costumes. Esperei. A cena que se seguiu é imperdível, mesmo para um observador externo. Dois jovens, um rapaz imberbe e uma moça implume, aproximaram-se, nus. Alguns dos indígenas desviaram-se abrindo caminho para o jovem par. O que se passou de seguida é, para um leigo nos costumes, inarrável. Como que impetrando, os olhos da rapariga dirigiram-se a mim. Não teria mais de 16 anos o que me começava a incomodar. Embora celibatário, qualquer relação que pudesse haver entre nós me pareceria ímpia. Mas, as circunstâncias, não me permitiriam impeticar com os anfitriões. Deu-me a mão e obrigou-me a levantar. Uma a uma, num ritual de sensualidade, retirou-me as vestes. Senti-me impotente para parar aquela espiral de emoções. Nunca fui casado, nunca tive filhos, mas qualquer acto que eu cometesse me acometia de incestuoso. Se alguém, da minha cultura, me visse, face a tão inusitados preparos, me acharia inábil. No entanto, o jogo iria continuar.
(continua)
quarta-feira, setembro 22, 2004
596. Quando não se responde…
- Recebeste o e-mail?
- Recebi
- E o que é que dizia?
(indiscreto o meu espelho, quer sempre saber de tudo; a minha vida íntima é só minha e não tenho que a partilhar; nem com o espelho)
- Recebeste o e-mail? – respondi.
(acho que o baralhei, finalmente começo a encontrar um jeito de me vingar)
- Um espelho não recebe e-mails – disse-me com algum desdém.
- Só te respondi – ripostei, sabendo que não estava a ser convincente e gozando na surra, a baralhação provocada.
(o espelho parou para reflectir, olhou para mim – nesse momento achei que ele já tinha percebido – e atirou-me como que provocando)
- Recebeste o e-mail? Só isso? E o que é que respondeste?
- Sim.
(virou-me as costas; fiquei sem perceber se ele pensou que o sim era uma resposta do meu e-mail ao outro e-mail, se sim era resposta à pouquez do conteúdo… vá lá a gente perceber os espelhos).
- Recebeste o e-mail?
- Recebi
- E o que é que dizia?
(indiscreto o meu espelho, quer sempre saber de tudo; a minha vida íntima é só minha e não tenho que a partilhar; nem com o espelho)
- Recebeste o e-mail? – respondi.
(acho que o baralhei, finalmente começo a encontrar um jeito de me vingar)
- Um espelho não recebe e-mails – disse-me com algum desdém.
- Só te respondi – ripostei, sabendo que não estava a ser convincente e gozando na surra, a baralhação provocada.
(o espelho parou para reflectir, olhou para mim – nesse momento achei que ele já tinha percebido – e atirou-me como que provocando)
- Recebeste o e-mail? Só isso? E o que é que respondeste?
- Sim.
(virou-me as costas; fiquei sem perceber se ele pensou que o sim era uma resposta do meu e-mail ao outro e-mail, se sim era resposta à pouquez do conteúdo… vá lá a gente perceber os espelhos).
595. Conto (III)
A idiossincrasia do que parecia ser o chefe do grupo, dado que todos os restantes pareciam idolatrá-lo, criou-me a ilusão que seria idóneo. Quando me desloquei a caminho do deserto, estava efectivamente convencido que o era. No entanto pequenos igarapés cortavam o terreno em quase todo o seu comprimento e em toda a sua largura criando malhas incomensuráveis de água, o que nos obrigou a dividir em ínfimos grupos de apenas três indivíduos, que mal cabíamos nas igaras estacionadas em fila. Chegamos finalmente a uma pequena ilha, ao fim de mais de 12 horas de viagem sem nada comermos. Apenas um gole de água, que um dos indígenas me ofereceu, por uma única vez. Quando chegamos, o meu aspecto apresentava-me como um ser ignóbil. A ilha estava iluminada aparentando uma igreja natural. De repente tive a sensação de me ter deixado iliçar. Ígneos archotes debruavam um caminho que me conduziria ao mais ignoto dos mundos. Eu que não era da igualha destes autóctones, estava a ser convidado a sentar-me à volta de uma mesa coberta das mais exóticas iguarias. Não arranjei coragem para ilidir. Só pensava se sairia dali ileso.
(continua)
A idiossincrasia do que parecia ser o chefe do grupo, dado que todos os restantes pareciam idolatrá-lo, criou-me a ilusão que seria idóneo. Quando me desloquei a caminho do deserto, estava efectivamente convencido que o era. No entanto pequenos igarapés cortavam o terreno em quase todo o seu comprimento e em toda a sua largura criando malhas incomensuráveis de água, o que nos obrigou a dividir em ínfimos grupos de apenas três indivíduos, que mal cabíamos nas igaras estacionadas em fila. Chegamos finalmente a uma pequena ilha, ao fim de mais de 12 horas de viagem sem nada comermos. Apenas um gole de água, que um dos indígenas me ofereceu, por uma única vez. Quando chegamos, o meu aspecto apresentava-me como um ser ignóbil. A ilha estava iluminada aparentando uma igreja natural. De repente tive a sensação de me ter deixado iliçar. Ígneos archotes debruavam um caminho que me conduziria ao mais ignoto dos mundos. Eu que não era da igualha destes autóctones, estava a ser convidado a sentar-me à volta de uma mesa coberta das mais exóticas iguarias. Não arranjei coragem para ilidir. Só pensava se sairia dali ileso.
(continua)
terça-feira, setembro 21, 2004
594. Vai uma bejeca?
"Desde a Antiguidade que se consome cerveja na Índia e na China. No Egipto Faraónico, a cerveja chegou a ser considerada bebida nacional e na Hispânia, o seu consumo era maciço. Contudo, os grandes bebedores de cerveja eram os Sumérios.Mas foi apenas no séc. XIII que surgiu um tipo de cerveja parecido com a que consumimos hoje. Este pequeno milagre foi conseguido por frades, graças à introdução do lúpulo como conservante.No séc. XV, a Alemanha fabrica a primeira cerveja ligeira, pouco fermentada, que desde a Baviera se foi estendendo ao resto da Europa.A cerveja manteve-se artesanal até 1860, quando Louis Pasteur, através dos seus trabalhos sobre fermentação da levedura, melhorou o processo de fabricação.No séc. XIX, surge em França uma cerveja local mais suave e sem álcool que deu origem a um moderno conceito de cerveja na década de 60: a Cerveja sem álcool."
In http://www.republicadacerveja.pt/html/cerv_historia.htm
Enquanto os meus dois amigos Serafim e Joca mordiscavam um pedaço de entrecosto, que o primeiro havia grelhado a preceito e, discutiam a quem haviam de dar vivas pela descoberta da cerveja, o Anastácio apareceu, com o seu ar de quem sempre tudo sabe e após escutá-los atentamente interveio:
- Pois eu cá, compadres, eu dou as minhas vivas aos brasileiros.
- Aos brasileiros???? – Perguntamos em uníssono, sem termos atingido o alcance da afirmação do Anastácio.
- Pois sim, homessa, aos brasileiros sim senhores.
- Ó compadre Anastácio, perguntava eu, calculando que dali não iria sair boa, mas diga-me lá vossemecê, o que é que os brasileiros têm a ver com a invenção da cerveja?
- Não é isso, compadre Vitor, não é nada disso. Eu dou vivas aos brasileiros por terem inventado a telenovela.
- Mas ó compadre, ripostou o Serafim, a gente está aqui discutindo quem teve mais mérito na invenção da cerveja e o compadre vem dar vivas aos brasileiros por causa da telenovela. Só você, compadre Anastácio, só você para desconversar.
- Mas qual desconversar, qual quê compadre Serafim. Então vossemecê não acha que quem todo o mérito são os nossos irmãos do lado de lá do Atlântico? Vejam vossemecês se eu não estou com a razão. Onde é que estão as comadres, vá lá, digam lá onde é que estão as comadres?
- Se calha lá dentro, vendo a telenovela, compadre – alvitrou o Joca.
- Pois é por isso mesmo que eu lhes dou vivas compadres. Enquanto as moças estão lá dentro distraídas com o romance, estão vossemecês aqui fora a virar cervejas atrás de cervejas, sem elas darem por nada. E a propósito, com menos conversa já eu bebia outra, que estou com a garganta seca.
In “À Mesa e no Quintal”, Alves Fernandes
"Desde a Antiguidade que se consome cerveja na Índia e na China. No Egipto Faraónico, a cerveja chegou a ser considerada bebida nacional e na Hispânia, o seu consumo era maciço. Contudo, os grandes bebedores de cerveja eram os Sumérios.Mas foi apenas no séc. XIII que surgiu um tipo de cerveja parecido com a que consumimos hoje. Este pequeno milagre foi conseguido por frades, graças à introdução do lúpulo como conservante.No séc. XV, a Alemanha fabrica a primeira cerveja ligeira, pouco fermentada, que desde a Baviera se foi estendendo ao resto da Europa.A cerveja manteve-se artesanal até 1860, quando Louis Pasteur, através dos seus trabalhos sobre fermentação da levedura, melhorou o processo de fabricação.No séc. XIX, surge em França uma cerveja local mais suave e sem álcool que deu origem a um moderno conceito de cerveja na década de 60: a Cerveja sem álcool."
In http://www.republicadacerveja.pt/html/cerv_historia.htm
Enquanto os meus dois amigos Serafim e Joca mordiscavam um pedaço de entrecosto, que o primeiro havia grelhado a preceito e, discutiam a quem haviam de dar vivas pela descoberta da cerveja, o Anastácio apareceu, com o seu ar de quem sempre tudo sabe e após escutá-los atentamente interveio:
- Pois eu cá, compadres, eu dou as minhas vivas aos brasileiros.
- Aos brasileiros???? – Perguntamos em uníssono, sem termos atingido o alcance da afirmação do Anastácio.
- Pois sim, homessa, aos brasileiros sim senhores.
- Ó compadre Anastácio, perguntava eu, calculando que dali não iria sair boa, mas diga-me lá vossemecê, o que é que os brasileiros têm a ver com a invenção da cerveja?
- Não é isso, compadre Vitor, não é nada disso. Eu dou vivas aos brasileiros por terem inventado a telenovela.
- Mas ó compadre, ripostou o Serafim, a gente está aqui discutindo quem teve mais mérito na invenção da cerveja e o compadre vem dar vivas aos brasileiros por causa da telenovela. Só você, compadre Anastácio, só você para desconversar.
- Mas qual desconversar, qual quê compadre Serafim. Então vossemecê não acha que quem todo o mérito são os nossos irmãos do lado de lá do Atlântico? Vejam vossemecês se eu não estou com a razão. Onde é que estão as comadres, vá lá, digam lá onde é que estão as comadres?
- Se calha lá dentro, vendo a telenovela, compadre – alvitrou o Joca.
- Pois é por isso mesmo que eu lhes dou vivas compadres. Enquanto as moças estão lá dentro distraídas com o romance, estão vossemecês aqui fora a virar cervejas atrás de cervejas, sem elas darem por nada. E a propósito, com menos conversa já eu bebia outra, que estou com a garganta seca.
In “À Mesa e no Quintal”, Alves Fernandes
593. Conto
Em tempos decidi escrever um conto neste blog. Mas devo ter-me esquecido. Só pode ter sido. Lembrei-me disso a conversar com uma amiga. Vou tentar recomeçar. Entretanto, deixo-vos com o bocadinho da prosa que tinha sido escrito antes.
Conto (I)
A disceptação teve o seu epílogo. Estava decidido. Como bom dendrófobo dirigir-me-ía para o deserto. Ele caminharia para os antípodas. Sentia-me fatigado de ser sempre apoucado nas minhas decisões. Assumiria de uma vez por todas o meu eremitismo. O badano, já cambado, haveria de suportar as duas ou três horas que me faltavam para chegar ao destino. Quando as adelfas e as carvalhinhas começaram a rarear nas margens do caminho, o dia abaçanava. A alimária alentecia e nem os golpes de butuca a fariam mover. Paramos. Coligi os escassos haveres, cobri-me com um bedém, com o qual me tinha abispado antes da partida, sentei-me ao velho jeito índio, pernas cruzadas uma sobre a outra e adormeci. A minha mente extenuada achapuçava-se de sonhos. Abentesmas albípedes, cujas restantes partes corporais se não viam, bandarreavam no meu espírito deixando-me azabumbado. Como seria possível em lugar tão ermo me sentir cercado. Acordei abruptamente. Autócnes de aspecto boçal faziam a festa. Nunca na vida tinham deparado com tão alva tez. Com as mãos enrugadas esbarbavam-me o capote como que se inteirando da minha condição de real.
Conto (II)
Os autócnes tinham um ar fúfio. As gaforinas não ajudavam à criação de uma imagem menos depreciativa. No entanto os pescoços exibiam fulgentes colares de estranho metal. Ensaiaram uma ginga em meu redor e tentaram comunicar. Não sei se por ter acordado no momento, os sons que emitiam eram-me ininteligíveis. A última vez que tinha escutado algo similar, foi de uns indígenas de Timor Oriental que tentaram ensinar-me o seu galóli. Tive medo que se tratassem de antropófagos preparando a funçanata. Num pequeno hiato de tempo, um deles de aspecto galhardo, apercebendo-se de que eu efectivamente não estava atinando com o seu linguarejar, ensaiou uma ideografia simples mas eficaz. Aí eu não tive coragem para ilidir. Aceitei de imediato. Era um convite para repasto. Seria?
(continua…)
Em tempos decidi escrever um conto neste blog. Mas devo ter-me esquecido. Só pode ter sido. Lembrei-me disso a conversar com uma amiga. Vou tentar recomeçar. Entretanto, deixo-vos com o bocadinho da prosa que tinha sido escrito antes.
Conto (I)
A disceptação teve o seu epílogo. Estava decidido. Como bom dendrófobo dirigir-me-ía para o deserto. Ele caminharia para os antípodas. Sentia-me fatigado de ser sempre apoucado nas minhas decisões. Assumiria de uma vez por todas o meu eremitismo. O badano, já cambado, haveria de suportar as duas ou três horas que me faltavam para chegar ao destino. Quando as adelfas e as carvalhinhas começaram a rarear nas margens do caminho, o dia abaçanava. A alimária alentecia e nem os golpes de butuca a fariam mover. Paramos. Coligi os escassos haveres, cobri-me com um bedém, com o qual me tinha abispado antes da partida, sentei-me ao velho jeito índio, pernas cruzadas uma sobre a outra e adormeci. A minha mente extenuada achapuçava-se de sonhos. Abentesmas albípedes, cujas restantes partes corporais se não viam, bandarreavam no meu espírito deixando-me azabumbado. Como seria possível em lugar tão ermo me sentir cercado. Acordei abruptamente. Autócnes de aspecto boçal faziam a festa. Nunca na vida tinham deparado com tão alva tez. Com as mãos enrugadas esbarbavam-me o capote como que se inteirando da minha condição de real.
Conto (II)
Os autócnes tinham um ar fúfio. As gaforinas não ajudavam à criação de uma imagem menos depreciativa. No entanto os pescoços exibiam fulgentes colares de estranho metal. Ensaiaram uma ginga em meu redor e tentaram comunicar. Não sei se por ter acordado no momento, os sons que emitiam eram-me ininteligíveis. A última vez que tinha escutado algo similar, foi de uns indígenas de Timor Oriental que tentaram ensinar-me o seu galóli. Tive medo que se tratassem de antropófagos preparando a funçanata. Num pequeno hiato de tempo, um deles de aspecto galhardo, apercebendo-se de que eu efectivamente não estava atinando com o seu linguarejar, ensaiou uma ideografia simples mas eficaz. Aí eu não tive coragem para ilidir. Aceitei de imediato. Era um convite para repasto. Seria?
(continua…)
sábado, setembro 18, 2004
592. Raposas ou velhas raposas
Eu gostava de saber escrever como o Sr. Carne. Infelizmente não nasci escritor, nem poeta, nem fui feito jornalista, pelo que a minha veia não chega a tanto. Fui mais talhado para ler disparates e, por mais que o grilo falante que há em mim me diga, ‘não sejas masoquista, não vás lá’, não evito as auto-agressões. Este tal de FA que escreve neste blog, é honestíssimo. Tal como agora defende a guerra às raposas, atendendo aos desempregados que o fim daquela actividade provocará, no Reino Unido, também terá escrito contra o fecho das fábricas de beterraba em Coruche, contra o fecho da Clark, contra o fecho Decantrofex, contra o fecho da Bombardier e terá escrito ou irá escrever um vastíssimo artigo contra o fecho da refinaria da Galp, em Leça. Ou então não…
PS. Pressuponho que o tal de FA irá contrapor ao fecho de todas as fábricas em Portugal, à instalação de algumas empresas subsidiárias da caça à raposa como sejam chouriço fumado de raposa, presunto de raposa, estolas e outros artefactos, comida para cães caçadores de raposa, armas e munições para espingardas de caça à raposa, casacas vermelhas de veludo, chapéus pretos… Ó meus amigos futuros ex-desempregados de todas estas fábricas em Portugal, o vosso futuro está garantido.
Eu gostava de saber escrever como o Sr. Carne. Infelizmente não nasci escritor, nem poeta, nem fui feito jornalista, pelo que a minha veia não chega a tanto. Fui mais talhado para ler disparates e, por mais que o grilo falante que há em mim me diga, ‘não sejas masoquista, não vás lá’, não evito as auto-agressões. Este tal de FA que escreve neste blog, é honestíssimo. Tal como agora defende a guerra às raposas, atendendo aos desempregados que o fim daquela actividade provocará, no Reino Unido, também terá escrito contra o fecho das fábricas de beterraba em Coruche, contra o fecho da Clark, contra o fecho Decantrofex, contra o fecho da Bombardier e terá escrito ou irá escrever um vastíssimo artigo contra o fecho da refinaria da Galp, em Leça. Ou então não…
PS. Pressuponho que o tal de FA irá contrapor ao fecho de todas as fábricas em Portugal, à instalação de algumas empresas subsidiárias da caça à raposa como sejam chouriço fumado de raposa, presunto de raposa, estolas e outros artefactos, comida para cães caçadores de raposa, armas e munições para espingardas de caça à raposa, casacas vermelhas de veludo, chapéus pretos… Ó meus amigos futuros ex-desempregados de todas estas fábricas em Portugal, o vosso futuro está garantido.
591. Livros
Subiamos a Avenida Nuno Álvares Pereira desde o antigo Liceu de Almada (hoje inexistente, mas onde fica a moderna Praça S. João Baptista), até ao Condestável. Ao lado uma pequena papelaria-livraria guardava, fora de montra, alguns livros proíbidos. Eu o o Zé Júlio eramos alguns dos, provavelmente, poucos compradores de obras "malditas". Lembrei-me disto, porque hoje vi na TV que em Viseu, as autoridades mandaram tirar um livro das montras. Só que a minha história, remonta a 1972! Para quando mandarem incendiar bibliotecas? Está na hora rapazes, está na hora. Os nazis demoraram menos tempo que vocês. Estão a perder-lhes aos pontos.
Subiamos a Avenida Nuno Álvares Pereira desde o antigo Liceu de Almada (hoje inexistente, mas onde fica a moderna Praça S. João Baptista), até ao Condestável. Ao lado uma pequena papelaria-livraria guardava, fora de montra, alguns livros proíbidos. Eu o o Zé Júlio eramos alguns dos, provavelmente, poucos compradores de obras "malditas". Lembrei-me disto, porque hoje vi na TV que em Viseu, as autoridades mandaram tirar um livro das montras. Só que a minha história, remonta a 1972! Para quando mandarem incendiar bibliotecas? Está na hora rapazes, está na hora. Os nazis demoraram menos tempo que vocês. Estão a perder-lhes aos pontos.
590. Antecipação...
Coloquei-lhe o post ontem, apenas por um erro no meu relógio. Hoje é que devia ter sido. Reparabenizo. E portanto, pode continuar a escutar a música. Feliz aniversário.
Coloquei-lhe o post ontem, apenas por um erro no meu relógio. Hoje é que devia ter sido. Reparabenizo. E portanto, pode continuar a escutar a música. Feliz aniversário.
sexta-feira, setembro 17, 2004
588. Velho
Perfil do candidato: Com experiência de mais de 5 anos em Business Intelligence. Capacidade para o desenvolvimento e geração de negócio Elevada experiência na gestão de equipas Elevada capacidade de análise e desenvolvimento de modelos conceptuais e funcionais Experiência na gestão de relacionamento com clientes Experiência na gestão de relacionamento com fornecedores Fluência falada e escrita em português e inglês, proactividade, disponibilidade para deslocações, gosto e apetência pelas actividades de I&D , capacidade de adaptação, facilidade de trabalhar em equipa e grande capacidade de análise e síntese.
“A KPI Solutions confirma a recepção da sua candidatura. Após análise curricular da mesma, comunica que o perfil apresentado não corresponde ao procurado no presente processo de recrutamento.
Manteremos o seu C.V. na nossa base de dados para consideração em futuras oportunidades.”
Sendo esta resposta uma autêntica aldrabice, não encontraram estes gajos outra maneira de me chamarem velho?
Perfil do candidato: Com experiência de mais de 5 anos em Business Intelligence. Capacidade para o desenvolvimento e geração de negócio Elevada experiência na gestão de equipas Elevada capacidade de análise e desenvolvimento de modelos conceptuais e funcionais Experiência na gestão de relacionamento com clientes Experiência na gestão de relacionamento com fornecedores Fluência falada e escrita em português e inglês, proactividade, disponibilidade para deslocações, gosto e apetência pelas actividades de I&D , capacidade de adaptação, facilidade de trabalhar em equipa e grande capacidade de análise e síntese.
“A KPI Solutions confirma a recepção da sua candidatura. Após análise curricular da mesma, comunica que o perfil apresentado não corresponde ao procurado no presente processo de recrutamento.
Manteremos o seu C.V. na nossa base de dados para consideração em futuras oportunidades.”
Sendo esta resposta uma autêntica aldrabice, não encontraram estes gajos outra maneira de me chamarem velho?
quinta-feira, setembro 16, 2004
586. Declaração
Eu, PreDatado Amaral de Sousa, declaro que sou incompetente. Não sei gerir o meu blog, uns dias faço 6 posts, outros não faço nenhum. Já tentei gerir isto com mais um compincha, mas andamos sempre às turras. Se o senhor ministro destas coisas, o tal de Blogão Feliz, me quiser despedir eu aceito. Mas tem de me passar para cá os meus 18.000 euritos por mês de reforma. É que parecendo que não eu já “trabalho” nisto há quase um ano.
Eu, PreDatado Amaral de Sousa, declaro que sou incompetente. Não sei gerir o meu blog, uns dias faço 6 posts, outros não faço nenhum. Já tentei gerir isto com mais um compincha, mas andamos sempre às turras. Se o senhor ministro destas coisas, o tal de Blogão Feliz, me quiser despedir eu aceito. Mas tem de me passar para cá os meus 18.000 euritos por mês de reforma. É que parecendo que não eu já “trabalho” nisto há quase um ano.
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