618. Chocolates
Ao contrário da Catarina, não como chocolates enquanto escrevo, nem me faltou o tabaco. A minha Etelvina não partiu nada, não faltou ao trabalho, não está com dores de dentes. Não fiquei lixado com nenhum comentário, e tenho uma memória de merda.
Ao contrário do Circo Cerebral, não como a Cerelac ao bebé, não leio O Acidental, não tenho que ir buscar ninguém ao infantário, não faço BTT, não sou do Sporting.
Vou escrever sobre quê?
terça-feira, setembro 28, 2004
617. À mão
Mentes perversas! Não é isso, caraças, não estou a colocar professores… estou só a teclar no blog. Ainda vou contratar um técnico de informática para produzir o meu blog a tempo e horas. Isto são lá horas de estar a escrever.
PS. Estou a encher chouriços enquanto escrevo a parte IX do conto.
Mentes perversas! Não é isso, caraças, não estou a colocar professores… estou só a teclar no blog. Ainda vou contratar um técnico de informática para produzir o meu blog a tempo e horas. Isto são lá horas de estar a escrever.
PS. Estou a encher chouriços enquanto escrevo a parte IX do conto.
614. Sabão
Se o Tide, agora, é sabão tradicional, porque é que eu hei-de usar Tide?
(a água fria da ribeira,
a água fria que o sol aqueceu…)
PS. O Schubert ouviu-me cantar, viu-me vestido com uns calções às flores e uma t-shirt a dizer "estive no algarve e pensei em ti" e chamou-me azeiteiro. Acho que ele anda a ver os Ídolos.
Se o Tide, agora, é sabão tradicional, porque é que eu hei-de usar Tide?
(a água fria da ribeira,
a água fria que o sol aqueceu…)
PS. O Schubert ouviu-me cantar, viu-me vestido com uns calções às flores e uma t-shirt a dizer "estive no algarve e pensei em ti" e chamou-me azeiteiro. Acho que ele anda a ver os Ídolos.
segunda-feira, setembro 27, 2004
612. Poupança
Ainda meio estremunhado, ouvi a minha Maria perguntar ao meu filho se levava os 5kgs de batatas na mochila, quando este saiu para as aulas.
- Batatas? Perguntei eu, pensando que ainda não tinha acordado.
- Sim filho (aqui o filho era eu). Comprei a 0,15€/Kg no Ecomarché.
- Então e o miúdo leva as batatas na mochila? – Continuava incrédulo.
- Claro, em tempo de guerra não se limpam armas. Ando a poupar dinheiro.
Fui-lhe buscar um copo de água com açúcar, escondi as facas e o picador de gelo, abracei-a com carinho, pedi-lhe “calma amor”, sentei-a no sofá e disse-lhe “vamos ver um bocadinho de televisão, vamos, para descontraíres?”.
Agora sou eu que obrigo os meus filhos a encherem as mochilas de batatas antes de saírem para a escola. É que “com batatas a 0,15€/Kg, o regresso às aulas é mais barato do Ecomarché”.
Ainda meio estremunhado, ouvi a minha Maria perguntar ao meu filho se levava os 5kgs de batatas na mochila, quando este saiu para as aulas.
- Batatas? Perguntei eu, pensando que ainda não tinha acordado.
- Sim filho (aqui o filho era eu). Comprei a 0,15€/Kg no Ecomarché.
- Então e o miúdo leva as batatas na mochila? – Continuava incrédulo.
- Claro, em tempo de guerra não se limpam armas. Ando a poupar dinheiro.
Fui-lhe buscar um copo de água com açúcar, escondi as facas e o picador de gelo, abracei-a com carinho, pedi-lhe “calma amor”, sentei-a no sofá e disse-lhe “vamos ver um bocadinho de televisão, vamos, para descontraíres?”.
Agora sou eu que obrigo os meus filhos a encherem as mochilas de batatas antes de saírem para a escola. É que “com batatas a 0,15€/Kg, o regresso às aulas é mais barato do Ecomarché”.
611. Mais
Hoje, já publiquei mais posts do que a Catarina, do que o Paulo Gorjão e quase tantos como o Barnabé. É fofo, não é?
Hoje, já publiquei mais posts do que a Catarina, do que o Paulo Gorjão e quase tantos como o Barnabé. É fofo, não é?
610. Linquis
Não linco por me lincarem (eita frase, boba). Não sei se o novo Dicionário da Academia já inclui lincar, deletar, printar e outros estrangeirismos assim. Não sei, porque não tenho o dito, nem me dei ao trabalho de o consultar. Mas, se não tem, deveria ter. E perguntam as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores num estridente uníssono: “Deveria ter?”. Pois deveria. Eu não linco por me lincarem. A minha coluna da direita tem bué (bué vem lá, no Dicionário) destas situações. Mas se eu tivesse que fazer uma divisão dos que me lincam e dos que não me lincam, provavelmente nalguns eu escreveria “Coça-me as costas que eu coço as tuas”. Uma frase destas é grande prá chuchu (eita, brasileiro matuto). Então, o meu amigo Branco usou “eu tilinco, tu milincas”. Vamos lá a pôr o lincar no Dicionário, ilustres doutores.
Não linco por me lincarem (eita frase, boba). Não sei se o novo Dicionário da Academia já inclui lincar, deletar, printar e outros estrangeirismos assim. Não sei, porque não tenho o dito, nem me dei ao trabalho de o consultar. Mas, se não tem, deveria ter. E perguntam as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores num estridente uníssono: “Deveria ter?”. Pois deveria. Eu não linco por me lincarem. A minha coluna da direita tem bué (bué vem lá, no Dicionário) destas situações. Mas se eu tivesse que fazer uma divisão dos que me lincam e dos que não me lincam, provavelmente nalguns eu escreveria “Coça-me as costas que eu coço as tuas”. Uma frase destas é grande prá chuchu (eita, brasileiro matuto). Então, o meu amigo Branco usou “eu tilinco, tu milincas”. Vamos lá a pôr o lincar no Dicionário, ilustres doutores.
609. Figuras de estilo
Uma corrida ondulante em vez de tenho uma escoliose genética;
A fetidez do éter em vez de vê lá se não te voltas a descuidar;
Devorei-te mastigando palavra a palavra em vez de li o teu post de ontem;
Passaram mais de três horas num luxuriante jogo de emoções em vez de deram uma queca monumental;
Como um trovão que ribomba na calada da noite em vez de ó filho, hoje não que me dói a cabeça;
Riscas verdes e brancas e faixas azuis povoaram os meus sonhos em vez de tive um pesadelo do caraças.
Inundado pela escuridão, no fim do túnel, uma ténue luz se vislumbra em vez de será que alguma vez terei a mesma sorte da Rititi?
PS. Este post é para parabenizar a Rititi, uma das bloggers que leio com muito prazer, que agora é colunista da DNA.
Sentada na berma da estrada, uma lata de pomada branca vertia rios de espuma cobrindo-lhe os pés de uma démodé meia branca em vez de ó Pré, agora deste em engraxador, foi?
Uma corrida ondulante em vez de tenho uma escoliose genética;
A fetidez do éter em vez de vê lá se não te voltas a descuidar;
Devorei-te mastigando palavra a palavra em vez de li o teu post de ontem;
Passaram mais de três horas num luxuriante jogo de emoções em vez de deram uma queca monumental;
Como um trovão que ribomba na calada da noite em vez de ó filho, hoje não que me dói a cabeça;
Riscas verdes e brancas e faixas azuis povoaram os meus sonhos em vez de tive um pesadelo do caraças.
Inundado pela escuridão, no fim do túnel, uma ténue luz se vislumbra em vez de será que alguma vez terei a mesma sorte da Rititi?
PS. Este post é para parabenizar a Rititi, uma das bloggers que leio com muito prazer, que agora é colunista da DNA.
Sentada na berma da estrada, uma lata de pomada branca vertia rios de espuma cobrindo-lhe os pés de uma démodé meia branca em vez de ó Pré, agora deste em engraxador, foi?
608. Se o Salazar fosse vivo…
Hoje tomei 3 bicas. Em três cafés diferentes. “Se o Salazar fosse vivo, a menina já tinha sido encontrada”. Nunca tinha dado conta da faceta de farejador de Salazar, mas lá que ouvi isto, ouvi. “Se o Salazar fosse vivo, esses gajos das velocidades já tinham sido todos mortos”. Claro está, só quem não sabia que Salazar era um exímio caçador de automobilistas é que pode duvidar duma frase destas. Isto foi noutro café. “Pois, pois, é o mesmo que os gajos da Casa Pia. Ai se o Salazar fosse vivo…”. Cá para mim acho que o Salazar enrabava os pedófilos. Ai enrabava, enrabava. Trinta e cinco anos depois da morte de Salazar, há pessoas a reclamarem-no. Não se envergonham senhores governantes? No terceiro café, onde tomei a terceira bica da manhã, ninguém pediu o regresso do Salazar. Vou optar por este último e só vou tomar a terceira bica. Prescindo das outras duas. Assim dormirei melhor e até vou parecer que sou ministro.
Hoje tomei 3 bicas. Em três cafés diferentes. “Se o Salazar fosse vivo, a menina já tinha sido encontrada”. Nunca tinha dado conta da faceta de farejador de Salazar, mas lá que ouvi isto, ouvi. “Se o Salazar fosse vivo, esses gajos das velocidades já tinham sido todos mortos”. Claro está, só quem não sabia que Salazar era um exímio caçador de automobilistas é que pode duvidar duma frase destas. Isto foi noutro café. “Pois, pois, é o mesmo que os gajos da Casa Pia. Ai se o Salazar fosse vivo…”. Cá para mim acho que o Salazar enrabava os pedófilos. Ai enrabava, enrabava. Trinta e cinco anos depois da morte de Salazar, há pessoas a reclamarem-no. Não se envergonham senhores governantes? No terceiro café, onde tomei a terceira bica da manhã, ninguém pediu o regresso do Salazar. Vou optar por este último e só vou tomar a terceira bica. Prescindo das outras duas. Assim dormirei melhor e até vou parecer que sou ministro.
607. E quando não me apetece escrever só penso que…
O suco da barbatana do entulho, do português vernáculo vicentino, não só como ora essa é bom, mas até mesmo porque enfim. Vale mais um homem todavia nunca do que sem comparação jamais.
PS. O Schubert acha que eu não ando a bater bem, por isso arranhou-me. Hoje sinto-me… arranhado.
O suco da barbatana do entulho, do português vernáculo vicentino, não só como ora essa é bom, mas até mesmo porque enfim. Vale mais um homem todavia nunca do que sem comparação jamais.
PS. O Schubert acha que eu não ando a bater bem, por isso arranhou-me. Hoje sinto-me… arranhado.
606. Conto (VIII)
O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.
(continua)
O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.
(continua)
domingo, setembro 26, 2004
604. Conto (VII)
Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.
(continua)
Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.
(continua)
sábado, setembro 25, 2004
603. Eu que pensava que era a estação de Corroios ou do Pragal, saiu-me isto
Fui copiar o quiz desta minha querida amiga... vejam como sou quente.
You're a Summer. You're just a ball of energy that
is constantly going on and on!! You're kinda
like the energizer bunny. lol. But your
probably really athletic and even if you're
not, you'd be good in sports because of all
your energy. You're enthusiastic about
everything you do and find it hard not to be
happy. You're usually pretty optimistic but can
be realistic when needed. You always hope for
the best to turn out and many times they do.
Sometimes though, you let your temper get the
best of you but you apologize as soon as you
can because you hate people being angry with
you. You're friends love how active you are and
you make them feel like they can do anything
crazy if they want to.
What season are you? (pics)
brought to you by
Fui copiar o quiz desta minha querida amiga... vejam como sou quente.
You're a Summer. You're just a ball of energy that
is constantly going on and on!! You're kinda
like the energizer bunny. lol. But your
probably really athletic and even if you're
not, you'd be good in sports because of all
your energy. You're enthusiastic about
everything you do and find it hard not to be
happy. You're usually pretty optimistic but can
be realistic when needed. You always hope for
the best to turn out and many times they do.
Sometimes though, you let your temper get the
best of you but you apologize as soon as you
can because you hate people being angry with
you. You're friends love how active you are and
you make them feel like they can do anything
crazy if they want to.
What season are you? (pics)
brought to you by
602. Conto VI
Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.
(continua)
Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.
(continua)
sexta-feira, setembro 24, 2004
601. Ope 2 esquerda, direita!
Um gajo é assim, pronto, e eu não sei explicar. Eu sou um gajo de esquerda, toda a gente o sabe e, eu, sem medo (porque meus amigos e minhas amigas, não tenham dúvidas que desde o pós-gonçalvismo é preciso ter alguma coragem para se apregoar aos quatro ventos que se é de esquerda; ou alguém ainda dúvidas de que o Sócrates vai ganhara as eleições no PS?), dizia eu sem medo, sempre me assumi de esquerda. Ser de esquerda, não é só ser anti-Santana (o José Pacheco Pereira é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Portas (o Marcelo Rebelo de Sousa é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Bush ou anti-Sharon ou o raio que nos parta a nós, os de esquerda. Fundamentalmente, que me desculpem, alguns, poucos, homens e mulheres de direita quase inteligentes, ser de esquerda é ser inteligente. Porque para mim é um atentado à inteligência, alguém, como um tal não sei quantos Melo, deputado do CDS (e da Nação), vir a público defender a nomeação de Celeste Cardona para administradora da CGD, com base no seu Curriculum. Não vou falar em milhões, nem em milhares, mas apenas em centenas de Curricula mais ricos que o de Celeste Cardona. E ao que consta, essas centenas não foram convidadas para administradores da CGD. Esse tal de Melo, é como a minha avó dizia, esperto. E como diz o povo “esperteza é a inteligência de um burro”.
Um gajo é assim, pronto, e eu não sei explicar. Eu sou um gajo de esquerda, toda a gente o sabe e, eu, sem medo (porque meus amigos e minhas amigas, não tenham dúvidas que desde o pós-gonçalvismo é preciso ter alguma coragem para se apregoar aos quatro ventos que se é de esquerda; ou alguém ainda dúvidas de que o Sócrates vai ganhara as eleições no PS?), dizia eu sem medo, sempre me assumi de esquerda. Ser de esquerda, não é só ser anti-Santana (o José Pacheco Pereira é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Portas (o Marcelo Rebelo de Sousa é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Bush ou anti-Sharon ou o raio que nos parta a nós, os de esquerda. Fundamentalmente, que me desculpem, alguns, poucos, homens e mulheres de direita quase inteligentes, ser de esquerda é ser inteligente. Porque para mim é um atentado à inteligência, alguém, como um tal não sei quantos Melo, deputado do CDS (e da Nação), vir a público defender a nomeação de Celeste Cardona para administradora da CGD, com base no seu Curriculum. Não vou falar em milhões, nem em milhares, mas apenas em centenas de Curricula mais ricos que o de Celeste Cardona. E ao que consta, essas centenas não foram convidadas para administradores da CGD. Esse tal de Melo, é como a minha avó dizia, esperto. E como diz o povo “esperteza é a inteligência de um burro”.
600. Conto (V)
Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, teria uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.
(continua)
Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, teria uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.
(continua)
599. IST
O Henrique Silveira escreveu um interessante texto, entre o humor e alguma promoção pessoal (e porque não?), nomeadamente os seus dotes de rockeiro, mesmo que o “love me tender” não seja o mesmo que o “rock around the clock”. O Henrique encontra alunos e ex-alunos do Técnico por toda a parte e eu confirmo: É verdade! Infelizmente não são só encontráveis no LUX e nos restaurantes chineses. Felizmente, para o Henrique Silveira, que não tem que frequentemente passar pelos Centros de Emprego. Há muitos anos, também eu fui aluno do Técnico. Provavelmente, não sei bem qual é a idade do Henrique, quando eu saí de lá, talvez ele ainda nem pensasse em ir para o Técnico. Hoje, o Henrique, se me quiser conhecer, teria de ser, não professor no Técnico, mas talvez gestor de uma das empresas de “Executive Research” (qualquer uma delas), para onde envio, para algumas mais de uma vez, o meu CV, há dois anos consecutivos. Ou talvez nos encontremos um dia destes num curso de mergulho. Já vi pior. O Henrique deve também conhecer, pois no Técnico nunca se deixou de contar, aquela anedota, em que no circo o domador principiante, recém-licenciado do Técnico, enfrentava o feroz leão, que tirou a máscara e lhe disse: “Não tenhas medo, eu também sou do Técnico”.
O Henrique Silveira escreveu um interessante texto, entre o humor e alguma promoção pessoal (e porque não?), nomeadamente os seus dotes de rockeiro, mesmo que o “love me tender” não seja o mesmo que o “rock around the clock”. O Henrique encontra alunos e ex-alunos do Técnico por toda a parte e eu confirmo: É verdade! Infelizmente não são só encontráveis no LUX e nos restaurantes chineses. Felizmente, para o Henrique Silveira, que não tem que frequentemente passar pelos Centros de Emprego. Há muitos anos, também eu fui aluno do Técnico. Provavelmente, não sei bem qual é a idade do Henrique, quando eu saí de lá, talvez ele ainda nem pensasse em ir para o Técnico. Hoje, o Henrique, se me quiser conhecer, teria de ser, não professor no Técnico, mas talvez gestor de uma das empresas de “Executive Research” (qualquer uma delas), para onde envio, para algumas mais de uma vez, o meu CV, há dois anos consecutivos. Ou talvez nos encontremos um dia destes num curso de mergulho. Já vi pior. O Henrique deve também conhecer, pois no Técnico nunca se deixou de contar, aquela anedota, em que no circo o domador principiante, recém-licenciado do Técnico, enfrentava o feroz leão, que tirou a máscara e lhe disse: “Não tenhas medo, eu também sou do Técnico”.
Subscrever:
Mensagens (Atom)