625. Futebóis
Os gajos dos jornais, andam sempre a dizer e tal e coiso, e os pontos e tal dá mais equipas e isso, e depois vão cinco à UEFA e coiso. E coiso não, e coiso não, os gajos vão lá, vão lá, vão lá e não ganham nada. Báááá. (Desculpa lá a imitação Ricardo, mas é que deu muito jeito. Bááá).
quinta-feira, setembro 30, 2004
624. Desejos
“P.sAdianto-vos, outrossim, que, não obstante, sou uma grávida normal.Tenho desejos e tudo: de manhã, a primeira coisa que me vem à cabeça é um “Smart ForFour”…(Já expliquei, a quem de direito, que se não me for feita a vontade, os traumas emocionais da criança podem ser terríveis…)”
Este PS não é meu. É da grávida. Imaginem se a Papoila, quando acordasse a primeira coisa que lhe viesse à cabeça fosse ler o PreDatado… (ai querido/a filho/a da Papoila. Tão pequenino assim, ainda não sabes o que são traumas)
“P.sAdianto-vos, outrossim, que, não obstante, sou uma grávida normal.Tenho desejos e tudo: de manhã, a primeira coisa que me vem à cabeça é um “Smart ForFour”…(Já expliquei, a quem de direito, que se não me for feita a vontade, os traumas emocionais da criança podem ser terríveis…)”
Este PS não é meu. É da grávida. Imaginem se a Papoila, quando acordasse a primeira coisa que lhe viesse à cabeça fosse ler o PreDatado… (ai querido/a filho/a da Papoila. Tão pequenino assim, ainda não sabes o que são traumas)
623. Bombeiros
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada. Humanitária? Dasse. Humanitária? Primeiro mandam uma ambulância com 2 homens: um motorista e outro. (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago). A Senhora tem 100 kgs (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que a Senhora mora num rés de R/C). Eles têm macas com rodas. O motorista diz que não é nada com ele. Então? Mandaram só um? O que é que essa besta quadrada anda lá a fazer? É só para ligar sirenes e levar o dele ao fim do mês? Humanitária? A Senhora acaba o exame no hospital. A ambulância ainda lá está. A filha telefona para os bombeiros. Chama uma ambulância para o regresso (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago), “que é só um momentinho, que eles vão já”. A filha pergunta aos bombeiros se são eles a fazer o serviço de regresso. O motorista, o mesmo, assobia para o ar. Humanitária? Dasse. Voltam costas, vão embora. A ambulância regressa uma hora e cinco minutos depois. Humanitária? Venham cá vender rifas que mando-os pró caralho.
PS. Apesar da temperatura, não faço posts a quente. Esta é a terceira, ou quarta, ou quinta vez que situações destas se passam com os Bombeiros de Almada. Estou cansado destes gajos.
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada. Humanitária? Dasse. Humanitária? Primeiro mandam uma ambulância com 2 homens: um motorista e outro. (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago). A Senhora tem 100 kgs (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que a Senhora mora num rés de R/C). Eles têm macas com rodas. O motorista diz que não é nada com ele. Então? Mandaram só um? O que é que essa besta quadrada anda lá a fazer? É só para ligar sirenes e levar o dele ao fim do mês? Humanitária? A Senhora acaba o exame no hospital. A ambulância ainda lá está. A filha telefona para os bombeiros. Chama uma ambulância para o regresso (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago), “que é só um momentinho, que eles vão já”. A filha pergunta aos bombeiros se são eles a fazer o serviço de regresso. O motorista, o mesmo, assobia para o ar. Humanitária? Dasse. Voltam costas, vão embora. A ambulância regressa uma hora e cinco minutos depois. Humanitária? Venham cá vender rifas que mando-os pró caralho.
PS. Apesar da temperatura, não faço posts a quente. Esta é a terceira, ou quarta, ou quinta vez que situações destas se passam com os Bombeiros de Almada. Estou cansado destes gajos.
quarta-feira, setembro 29, 2004
620. Editorial
Ultimamente, muito se tem discutido a Saúde em Portugal. Tudo bem, dizem que da discussão nasce a luz. Pode ser…
Para o Governo está tudo bem. Ou melhor, se não está bem transforma-se em S.A. e passa a estar bem. Simples. Para a oposição está mal. E para os utentes?
Para os utentes não está bem, nem está mal, está uma merda, parafraseando um antigo professor que tive no liceu.
No passado dia 3 de Setembro a minha médica de família passou-me uma credencial para uma consulta de especialidade. A consulta poderia ser marcada a 27 de Setembro. Confundi as datas e hoje dia 29 fui para marcar a dita. Pois é, enganei-me e agora poderei marcar a 25 de Outubro. Isto é para marcar uma consulta, não é para ser consultado. Não é um caso de vida ou de morte, felizmente, porque se o fosse lá teria eu de contratar um funcionário da “Anjinhos & Anjinhos, S.A.”, para agradecer ao senhor ministro a saúde que temos.
PS.
Declaração
Para os devidos efeitos e, porque me foi solicitado declaro que não tenho interesses, directos nem indirectos, na firma “Cunhas & Cunhas, SA”.
Ass. O PreDatado
Ultimamente, muito se tem discutido a Saúde em Portugal. Tudo bem, dizem que da discussão nasce a luz. Pode ser…
Para o Governo está tudo bem. Ou melhor, se não está bem transforma-se em S.A. e passa a estar bem. Simples. Para a oposição está mal. E para os utentes?
Para os utentes não está bem, nem está mal, está uma merda, parafraseando um antigo professor que tive no liceu.
No passado dia 3 de Setembro a minha médica de família passou-me uma credencial para uma consulta de especialidade. A consulta poderia ser marcada a 27 de Setembro. Confundi as datas e hoje dia 29 fui para marcar a dita. Pois é, enganei-me e agora poderei marcar a 25 de Outubro. Isto é para marcar uma consulta, não é para ser consultado. Não é um caso de vida ou de morte, felizmente, porque se o fosse lá teria eu de contratar um funcionário da “Anjinhos & Anjinhos, S.A.”, para agradecer ao senhor ministro a saúde que temos.
PS.
Declaração
Para os devidos efeitos e, porque me foi solicitado declaro que não tenho interesses, directos nem indirectos, na firma “Cunhas & Cunhas, SA”.
Ass. O PreDatado
619. Conto (IX)
Despertei com a luz do Sol que penetrava na fresta que servia de entrada à tenda. Mal me levantei as duas anciãs que permaneciam de cócoras vigiando a jovem, cobertas por pequenas marlotas, braços carregados de mananas cujas agulhas, batendo umas nas outras, faziam um estranho tilintar, com ar de malcomidas, saíram sem içar as cabeças. Dirigi-me à fenda, semicerrada por dois magnetos, espreitei a machamba que a rodeava. Num ápice toda a tenda fora inundada, pelo cheiro das madressilvas e das magnólias. Fiquei ainda uns momentos escutando o chilrear dos maria-é-dia, antes de reentrar. Nunca tinha visto a jovem “quase-virgem” à claridade da luz. Deitada em marroquinas, longas madeixas de cabelo cobriam-lhe o peito. À espreita, não maiores que marmelos, os seios que, apesar de insensíveis, ainda me seduziam.
(continua)
Despertei com a luz do Sol que penetrava na fresta que servia de entrada à tenda. Mal me levantei as duas anciãs que permaneciam de cócoras vigiando a jovem, cobertas por pequenas marlotas, braços carregados de mananas cujas agulhas, batendo umas nas outras, faziam um estranho tilintar, com ar de malcomidas, saíram sem içar as cabeças. Dirigi-me à fenda, semicerrada por dois magnetos, espreitei a machamba que a rodeava. Num ápice toda a tenda fora inundada, pelo cheiro das madressilvas e das magnólias. Fiquei ainda uns momentos escutando o chilrear dos maria-é-dia, antes de reentrar. Nunca tinha visto a jovem “quase-virgem” à claridade da luz. Deitada em marroquinas, longas madeixas de cabelo cobriam-lhe o peito. À espreita, não maiores que marmelos, os seios que, apesar de insensíveis, ainda me seduziam.
(continua)
terça-feira, setembro 28, 2004
618. Chocolates
Ao contrário da Catarina, não como chocolates enquanto escrevo, nem me faltou o tabaco. A minha Etelvina não partiu nada, não faltou ao trabalho, não está com dores de dentes. Não fiquei lixado com nenhum comentário, e tenho uma memória de merda.
Ao contrário do Circo Cerebral, não como a Cerelac ao bebé, não leio O Acidental, não tenho que ir buscar ninguém ao infantário, não faço BTT, não sou do Sporting.
Vou escrever sobre quê?
Ao contrário da Catarina, não como chocolates enquanto escrevo, nem me faltou o tabaco. A minha Etelvina não partiu nada, não faltou ao trabalho, não está com dores de dentes. Não fiquei lixado com nenhum comentário, e tenho uma memória de merda.
Ao contrário do Circo Cerebral, não como a Cerelac ao bebé, não leio O Acidental, não tenho que ir buscar ninguém ao infantário, não faço BTT, não sou do Sporting.
Vou escrever sobre quê?
617. À mão
Mentes perversas! Não é isso, caraças, não estou a colocar professores… estou só a teclar no blog. Ainda vou contratar um técnico de informática para produzir o meu blog a tempo e horas. Isto são lá horas de estar a escrever.
PS. Estou a encher chouriços enquanto escrevo a parte IX do conto.
Mentes perversas! Não é isso, caraças, não estou a colocar professores… estou só a teclar no blog. Ainda vou contratar um técnico de informática para produzir o meu blog a tempo e horas. Isto são lá horas de estar a escrever.
PS. Estou a encher chouriços enquanto escrevo a parte IX do conto.
614. Sabão
Se o Tide, agora, é sabão tradicional, porque é que eu hei-de usar Tide?
(a água fria da ribeira,
a água fria que o sol aqueceu…)
PS. O Schubert ouviu-me cantar, viu-me vestido com uns calções às flores e uma t-shirt a dizer "estive no algarve e pensei em ti" e chamou-me azeiteiro. Acho que ele anda a ver os Ídolos.
Se o Tide, agora, é sabão tradicional, porque é que eu hei-de usar Tide?
(a água fria da ribeira,
a água fria que o sol aqueceu…)
PS. O Schubert ouviu-me cantar, viu-me vestido com uns calções às flores e uma t-shirt a dizer "estive no algarve e pensei em ti" e chamou-me azeiteiro. Acho que ele anda a ver os Ídolos.
segunda-feira, setembro 27, 2004
612. Poupança
Ainda meio estremunhado, ouvi a minha Maria perguntar ao meu filho se levava os 5kgs de batatas na mochila, quando este saiu para as aulas.
- Batatas? Perguntei eu, pensando que ainda não tinha acordado.
- Sim filho (aqui o filho era eu). Comprei a 0,15€/Kg no Ecomarché.
- Então e o miúdo leva as batatas na mochila? – Continuava incrédulo.
- Claro, em tempo de guerra não se limpam armas. Ando a poupar dinheiro.
Fui-lhe buscar um copo de água com açúcar, escondi as facas e o picador de gelo, abracei-a com carinho, pedi-lhe “calma amor”, sentei-a no sofá e disse-lhe “vamos ver um bocadinho de televisão, vamos, para descontraíres?”.
Agora sou eu que obrigo os meus filhos a encherem as mochilas de batatas antes de saírem para a escola. É que “com batatas a 0,15€/Kg, o regresso às aulas é mais barato do Ecomarché”.
Ainda meio estremunhado, ouvi a minha Maria perguntar ao meu filho se levava os 5kgs de batatas na mochila, quando este saiu para as aulas.
- Batatas? Perguntei eu, pensando que ainda não tinha acordado.
- Sim filho (aqui o filho era eu). Comprei a 0,15€/Kg no Ecomarché.
- Então e o miúdo leva as batatas na mochila? – Continuava incrédulo.
- Claro, em tempo de guerra não se limpam armas. Ando a poupar dinheiro.
Fui-lhe buscar um copo de água com açúcar, escondi as facas e o picador de gelo, abracei-a com carinho, pedi-lhe “calma amor”, sentei-a no sofá e disse-lhe “vamos ver um bocadinho de televisão, vamos, para descontraíres?”.
Agora sou eu que obrigo os meus filhos a encherem as mochilas de batatas antes de saírem para a escola. É que “com batatas a 0,15€/Kg, o regresso às aulas é mais barato do Ecomarché”.
611. Mais
Hoje, já publiquei mais posts do que a Catarina, do que o Paulo Gorjão e quase tantos como o Barnabé. É fofo, não é?
Hoje, já publiquei mais posts do que a Catarina, do que o Paulo Gorjão e quase tantos como o Barnabé. É fofo, não é?
610. Linquis
Não linco por me lincarem (eita frase, boba). Não sei se o novo Dicionário da Academia já inclui lincar, deletar, printar e outros estrangeirismos assim. Não sei, porque não tenho o dito, nem me dei ao trabalho de o consultar. Mas, se não tem, deveria ter. E perguntam as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores num estridente uníssono: “Deveria ter?”. Pois deveria. Eu não linco por me lincarem. A minha coluna da direita tem bué (bué vem lá, no Dicionário) destas situações. Mas se eu tivesse que fazer uma divisão dos que me lincam e dos que não me lincam, provavelmente nalguns eu escreveria “Coça-me as costas que eu coço as tuas”. Uma frase destas é grande prá chuchu (eita, brasileiro matuto). Então, o meu amigo Branco usou “eu tilinco, tu milincas”. Vamos lá a pôr o lincar no Dicionário, ilustres doutores.
Não linco por me lincarem (eita frase, boba). Não sei se o novo Dicionário da Academia já inclui lincar, deletar, printar e outros estrangeirismos assim. Não sei, porque não tenho o dito, nem me dei ao trabalho de o consultar. Mas, se não tem, deveria ter. E perguntam as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores num estridente uníssono: “Deveria ter?”. Pois deveria. Eu não linco por me lincarem. A minha coluna da direita tem bué (bué vem lá, no Dicionário) destas situações. Mas se eu tivesse que fazer uma divisão dos que me lincam e dos que não me lincam, provavelmente nalguns eu escreveria “Coça-me as costas que eu coço as tuas”. Uma frase destas é grande prá chuchu (eita, brasileiro matuto). Então, o meu amigo Branco usou “eu tilinco, tu milincas”. Vamos lá a pôr o lincar no Dicionário, ilustres doutores.
609. Figuras de estilo
Uma corrida ondulante em vez de tenho uma escoliose genética;
A fetidez do éter em vez de vê lá se não te voltas a descuidar;
Devorei-te mastigando palavra a palavra em vez de li o teu post de ontem;
Passaram mais de três horas num luxuriante jogo de emoções em vez de deram uma queca monumental;
Como um trovão que ribomba na calada da noite em vez de ó filho, hoje não que me dói a cabeça;
Riscas verdes e brancas e faixas azuis povoaram os meus sonhos em vez de tive um pesadelo do caraças.
Inundado pela escuridão, no fim do túnel, uma ténue luz se vislumbra em vez de será que alguma vez terei a mesma sorte da Rititi?
PS. Este post é para parabenizar a Rititi, uma das bloggers que leio com muito prazer, que agora é colunista da DNA.
Sentada na berma da estrada, uma lata de pomada branca vertia rios de espuma cobrindo-lhe os pés de uma démodé meia branca em vez de ó Pré, agora deste em engraxador, foi?
Uma corrida ondulante em vez de tenho uma escoliose genética;
A fetidez do éter em vez de vê lá se não te voltas a descuidar;
Devorei-te mastigando palavra a palavra em vez de li o teu post de ontem;
Passaram mais de três horas num luxuriante jogo de emoções em vez de deram uma queca monumental;
Como um trovão que ribomba na calada da noite em vez de ó filho, hoje não que me dói a cabeça;
Riscas verdes e brancas e faixas azuis povoaram os meus sonhos em vez de tive um pesadelo do caraças.
Inundado pela escuridão, no fim do túnel, uma ténue luz se vislumbra em vez de será que alguma vez terei a mesma sorte da Rititi?
PS. Este post é para parabenizar a Rititi, uma das bloggers que leio com muito prazer, que agora é colunista da DNA.
Sentada na berma da estrada, uma lata de pomada branca vertia rios de espuma cobrindo-lhe os pés de uma démodé meia branca em vez de ó Pré, agora deste em engraxador, foi?
608. Se o Salazar fosse vivo…
Hoje tomei 3 bicas. Em três cafés diferentes. “Se o Salazar fosse vivo, a menina já tinha sido encontrada”. Nunca tinha dado conta da faceta de farejador de Salazar, mas lá que ouvi isto, ouvi. “Se o Salazar fosse vivo, esses gajos das velocidades já tinham sido todos mortos”. Claro está, só quem não sabia que Salazar era um exímio caçador de automobilistas é que pode duvidar duma frase destas. Isto foi noutro café. “Pois, pois, é o mesmo que os gajos da Casa Pia. Ai se o Salazar fosse vivo…”. Cá para mim acho que o Salazar enrabava os pedófilos. Ai enrabava, enrabava. Trinta e cinco anos depois da morte de Salazar, há pessoas a reclamarem-no. Não se envergonham senhores governantes? No terceiro café, onde tomei a terceira bica da manhã, ninguém pediu o regresso do Salazar. Vou optar por este último e só vou tomar a terceira bica. Prescindo das outras duas. Assim dormirei melhor e até vou parecer que sou ministro.
Hoje tomei 3 bicas. Em três cafés diferentes. “Se o Salazar fosse vivo, a menina já tinha sido encontrada”. Nunca tinha dado conta da faceta de farejador de Salazar, mas lá que ouvi isto, ouvi. “Se o Salazar fosse vivo, esses gajos das velocidades já tinham sido todos mortos”. Claro está, só quem não sabia que Salazar era um exímio caçador de automobilistas é que pode duvidar duma frase destas. Isto foi noutro café. “Pois, pois, é o mesmo que os gajos da Casa Pia. Ai se o Salazar fosse vivo…”. Cá para mim acho que o Salazar enrabava os pedófilos. Ai enrabava, enrabava. Trinta e cinco anos depois da morte de Salazar, há pessoas a reclamarem-no. Não se envergonham senhores governantes? No terceiro café, onde tomei a terceira bica da manhã, ninguém pediu o regresso do Salazar. Vou optar por este último e só vou tomar a terceira bica. Prescindo das outras duas. Assim dormirei melhor e até vou parecer que sou ministro.
607. E quando não me apetece escrever só penso que…
O suco da barbatana do entulho, do português vernáculo vicentino, não só como ora essa é bom, mas até mesmo porque enfim. Vale mais um homem todavia nunca do que sem comparação jamais.
PS. O Schubert acha que eu não ando a bater bem, por isso arranhou-me. Hoje sinto-me… arranhado.
O suco da barbatana do entulho, do português vernáculo vicentino, não só como ora essa é bom, mas até mesmo porque enfim. Vale mais um homem todavia nunca do que sem comparação jamais.
PS. O Schubert acha que eu não ando a bater bem, por isso arranhou-me. Hoje sinto-me… arranhado.
606. Conto (VIII)
O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.
(continua)
O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.
(continua)
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