quinta-feira, outubro 07, 2004

637. Juro

Que ando cheio de vontade de voltar a escrever poesia.


(o pior é que não me apetece...)
636. A propósito da Escola de Colares
(e de um post de Francisco José Viegas, no Aviz – Repórter 6/10/2004)


Tive um patrão que se chamava Celso. Quando entrei para essa empresa o tal senhor ainda não era o patrão. Eu habituei-me a tratá-lo por Senhor Celso, enquanto ele, mais velho, e hierarquicamente superior me chamava simplesmente Vitor. O tempo passou e o tal senhor foi indigitado como chefe da banda. A páginas tantas, exigiu que o tratasse por Senhor Celso do A. (não colocarei o apelido, por motivos óbvios). O argumento era de que me tinha tratado sempre por Sr. Engº Vitor Fernandes e, como tal, era uma falta de respeito, tratá-lo por senhor Celso. Não adianta dizer que era totalmente mentira. A partir desse dia passei a tratá-lo por Senhor Delegado Geral. Ao senhor Primeiro-Ministro, toda a gente o trata por senhor Primeiro-Ministro. Ao Sr. Presidente da República, ao Senhor Presidente da Câmara e até ao Senhor Presidente de um clube de futebol, toda a gente trata por Senhor Presidente. A um médico as pessoas chamam senhor Doutor, idem a um advogado ou a um economista. A mim até me costumam chamar Senhor Condómino do 3º Esq. Portanto, meu caro Francisco José Viegas, não vejo nenhum convite à indisciplina ou à má educação, e muito menos à rebeldia, chamar Sr.ª Contínua à D. Rosa. Ela é contínua ou não é Sr. Escritor? Eu recuso-me a chamar Sr. Jorge Sampaio ao Sr. Presidente da República, enquanto o for. Chamem-me rebelde.


(podem-me tratar por Sr. blogger ou bloguista, em vez de Sr. PreDatado; não vos considerarei mal educados, podem crer)
635. Ainda não me habituei à ideia…


De ver o José Castelo Branco como se não fosse bicha
De ver o Jornal Nacional de Domingo sem o Marcelo Rebelo de Sousa
De deixar de beber cerveja, whisky e comer certas iguarias por causa do ácido úrico

Mas sobretudo, sobretudo

De ter que dar razão ao José Pacheco Pereira! Com o post de hoje, no Abrupto, “Rigorosos e Especiosos” eu não poderia estar mais de acordo. Aplaudo.


(eu sei que para si, os conceitos de esquerda e de direita, já eram; no entanto subscrevo-o quando diz “pobre país”; está aqui um ‘tipo’ de esquerda a aplaudir opiniões de um ‘tipo’ de direita; de facto… pobre país)

quarta-feira, outubro 06, 2004

634. Contraditório

Muito se tem dito e se tem escrito sobre o contraditório. Há dois dias que, em termos políticos é claro, a notícia do dia é Marcelo Rebelo de Sousa. Deveria ter contraditório? Se calhar devia. Mas ele deu um golpe de mestre. Despediu-se da TVI. Pois, há quem diga que o Governo, o Dinheiro, os Interesses, pá, essas balelas todas é que forçaram o MRS a sair. Eu, não acredito. Alguma vez, depois dos coronéis alguém fez censura a alguém? Não, meus caros, isso da censura não existe. O quê? O poder dos lobbys, do capital? Mas estão a delirar, ménes? Mas isso existe? O que aconteceu mesmo foi que o MRS quis chatear o Governo uma vez mais. Vai daí despede-se e todos ficam a pensar que o PSL teve alguma coisa a ver com isso (só espero que o Acidental, ou o Basfémias, ou o Quinto dos impérios, não venha aqui roubar-me a teoria e depois, nem uma citaçãozinha, nem um postal, nem um SMS…).

PS. A propósito de contraditório, será que alguma Alta Autoridade vai obrigar a TVI a criar um programa chamado o Arranha-Céus dos Desconhecidos?
633. Dilema

Tenho estado a pensar se hei-de fazer referências à Quinta das Celebridades no meu blog ou se hei-de dar uma de intelectual, fingir que não vejo, passar ao lado e citar de vez em quando os filósofos da antiguidade (não é piada ao Sócrates, ok?) ou os da modernidade, penso eu de que… (não é piada ao Pinto da Costa ok?).
Mas estive um bocadinho a pensar ao que é que me havia de referir de relevante nos últimos dias, para armar ao pingarelho e até parecer um gajo bem informado e veio-me à cabeça a rábula das mini-saias. Agora tenho novo dilema. Será que hei-de aqui escrever uma prelecção sobre a mini-saia, com uma incursão nos anos 60 e de caminho falar nos Beatles, nos The Monkeys, no início da carreira dos Bee Gees ou nos nunca acabados Rolling Stones e depois ficar-me pela Mary Quant ou falar naquela gaja podre de boa que é minha vizinha e que por acaso até é top model, o que já causou umas duas ou três observações da Maria, “tipo estás a ver se chove ou queres chuva?”. Então resolvi mesmo não querer saber se nas escolas se vai proibir a mini-saia, tal véu islâmico em escolas francesas e, resolvi pegar no tema do Reitor da Universidade Católica sobre as discotecas. Mas é aqui que, novamente, a porca torce o rabo. É que se vou falar em discotecas, vou ter que falar no Santana Lopes e daí passo para o Governo e para a governação, e o caraças, que este blog tem mais que fazer do que falar em animais. E falando em porca a torcer o rabo e em animais, que tal falar na Quinta da Celebridades?
632. A minha professora e o Presidente da República

A minha professora está toda contente por ter sido colocada na mesma escola. Nós, os alunos é que ficamos um bocadinho chateados. Isto porque ela é muito exigente. Hoje, mal entramos nas aulas, pediu-nos para fazermos um pequeno exercício. “Se eu escrevesse ao Presidente da República, o que é lhe diria”. Eu levantei o braço e disse-lhe que ela estava a pedir muito para gente tão pequenina. Então, talvez por castigo, obrigou-me, a mim, a ser o primeiro a interferir. Tive de lhe dizer que antes de vir para as aulas, passei como de costume pelos três cafés habituais. E que tinha levado uma seca em triplicado, de José Castelo Branco e Cinha Jardim. Que eu ainda tinha metido conversa com um, que estava a pagar o gasóleo a 0,849 €, mas ele disse-me que estava um bocado mesmo preocupado era com os 5 pontos do Sporting, na 5ª jornada. Bebi a bica num gole, quase me queimei, mas ainda tive tempo de lhe perguntar se ele achava bem que o governo não aceitasse as críticas do Marcelo na TVI. O que eu fui falar. Não perceberam bem (de facto com a boca queimada do café, acho que não me fiz entender) e levantaram-se quase em coro a defender a TVI, sim, é que era boa, que o Castelo Branco era a vida da quinta, sem ele o programa não tinha graça nenhuma e tal e tal e coiso. Os outros putos já estavam todos a falar uns com os outros, e havia um até que apostava que o castelo Branco ia mugir mais depressa o brasileiro do que uma vaca na quinta. Aqui a professora deu um berro, mandou calar a malta e perguntou-me o que é que esta conversa tinha a ver com o que eu escreveria ao Sr. Presidente da República. Fiquei espantando com tanta falta de capacidade analítica da minha professora, mas mesmo assim ainda fui dizendo, que se lhe escrevesse, tinha-lhe pedido para não ter feito aquele discurso, no 5 de Outubro.

- Ó Pre, porquê? – Um ar de interrogação mais acentuado do que quando soube que estava colocada.
- Então não vê que com a malta de ponte, quatro dias fora, e preocupadíssima com as luvas de pelica do paneleirote da quinta, ninguém ia saber do que ele estava a falar. O melhor mesmo era ele estar caladinho e deixar a gente curtir a Isabel Preto que é boa como o milho.

terça-feira, outubro 05, 2004

631. Peço desculpa

Por não ter falado do Rui Gomes da Silva, do Pedro Santana Lopes e do Marcelo Rebelo de Sousa;
Por não ter falado da Quinta das Celebridades e do José Castelo Branco;
Por não ter falado da anunciada renúncia do Carlos Carvalhas à liderança do PC
Por não ter falado no 5º aniversário da morte de Amália Rodrigues;
Por não ter falado do José Peseiro e da carreira do Sporting;
Por não ter falado do discurso do Presidente da Repúblicas nas comemorações do 5 de Outubro;

Mas…

Ultimamente não ando muito afim de causas. Eu agora sou mais casos e acasos. E por acaso, ontem passei o dia a comer presunto. Jamon Serrano e Jamon Bodega de tres e cinco bolotas e vino tinto de nuestros hermanos. E olé!

domingo, outubro 03, 2004

630. Gatices

Se eu tivesse uns olhos assim, Schubert, seriamos concorrentes. As gatas que se cuidassem.



629. Até quando esta cruz?

O gajo estava a falar mansinho. O som vinha lá de dentro e invadia-me a casa de banho, cuja porta estava semi-aberta.

- Queres crer que eu ainda não acredito que o gajo esteja envolvido naquilo da pedofilia?

Peguei no frasco do after-shave e atirei-o contra.

O estilhaçar ouviu-se pela casa toda. Por um momento deixei de ouvir a teatral voz da televisão.

- Que barulho foi esse? – Ouviu-se um grito vindo algures não de onde.

- Não é nada amor, foi só o espelho que se partiu. Amanhã eu compro outro.

(há actores que até enganam os espelhos).
628. Anti virus

A minha imeilbocse tem estado vazia. Demasiado vazia.
627. Ignóbeis

Através da Maura no Diário de Lisboa, fui chamado à atenção para os prémios IgNobel deste ano. Ela realça vários. Eu gostaria de realçar este:

CHEMISTRY The Coca-Cola Company of Great Britain, for using advanced technology to convert liquid from the River Thames into Dasani, a transparent form of water, which for precautionary reasons has been made unavailable to consumers.

Pronto, já sei. O PreDatado é anti-capitalista primário não é?

Vejam os restantes aqui.

sexta-feira, outubro 01, 2004

626. Citações

Excelente entrevista esta noite, no clube de jornalistas, na 2, concedida por José Pacheco Pereira. Excelente não, boa. Melhor dizendo, boa não, sofrível ou, corrigindo, péssima. Então não é que, o Dr. Pacheco Pereira citou para lá blogs que foi um disparate, ele disse até que, quando quer saber notícias de Felgueiras há um blog que as dá, ou quando quer saber notícias da Figueira da Foz, há um blog que as dá. Ó meu caro senhor Abrupto (tem de ser assim não é? Estamos a falar de blogs!), e eu não dou notícias do meu gato? E nem uma citação? Que entrevista sofrível. Sofrível, não, péssima!

quinta-feira, setembro 30, 2004

625. Futebóis

Os gajos dos jornais, andam sempre a dizer e tal e coiso, e os pontos e tal dá mais equipas e isso, e depois vão cinco à UEFA e coiso. E coiso não, e coiso não, os gajos vão lá, vão lá, vão lá e não ganham nada. Báááá. (Desculpa lá a imitação Ricardo, mas é que deu muito jeito. Bááá).
624. Desejos

“P.sAdianto-vos, outrossim, que, não obstante, sou uma grávida normal.Tenho desejos e tudo: de manhã, a primeira coisa que me vem à cabeça é um “Smart ForFour”…(Já expliquei, a quem de direito, que se não me for feita a vontade, os traumas emocionais da criança podem ser terríveis…)”

Este PS não é meu. É da grávida. Imaginem se a Papoila, quando acordasse a primeira coisa que lhe viesse à cabeça fosse ler o PreDatado… (ai querido/a filho/a da Papoila. Tão pequenino assim, ainda não sabes o que são traumas)
623. Bombeiros

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada. Humanitária? Dasse. Humanitária? Primeiro mandam uma ambulância com 2 homens: um motorista e outro. (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago). A Senhora tem 100 kgs (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que a Senhora mora num rés de R/C). Eles têm macas com rodas. O motorista diz que não é nada com ele. Então? Mandaram só um? O que é que essa besta quadrada anda lá a fazer? É só para ligar sirenes e levar o dele ao fim do mês? Humanitária? A Senhora acaba o exame no hospital. A ambulância ainda lá está. A filha telefona para os bombeiros. Chama uma ambulância para o regresso (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago), “que é só um momentinho, que eles vão já”. A filha pergunta aos bombeiros se são eles a fazer o serviço de regresso. O motorista, o mesmo, assobia para o ar. Humanitária? Dasse. Voltam costas, vão embora. A ambulância regressa uma hora e cinco minutos depois. Humanitária? Venham cá vender rifas que mando-os pró caralho.

PS. Apesar da temperatura, não faço posts a quente. Esta é a terceira, ou quarta, ou quinta vez que situações destas se passam com os Bombeiros de Almada. Estou cansado destes gajos.
622. Andares

Eu hoje tenho uma andar de grávida. No meu caso é grave. É ciática mesmo.
621. Bufo

Para quem não sabe vou chibar-me. A Papoila está grávida.

PS. Parabéns!

quarta-feira, setembro 29, 2004

620. Editorial

Ultimamente, muito se tem discutido a Saúde em Portugal. Tudo bem, dizem que da discussão nasce a luz. Pode ser…
Para o Governo está tudo bem. Ou melhor, se não está bem transforma-se em S.A. e passa a estar bem. Simples. Para a oposição está mal. E para os utentes?
Para os utentes não está bem, nem está mal, está uma merda, parafraseando um antigo professor que tive no liceu.
No passado dia 3 de Setembro a minha médica de família passou-me uma credencial para uma consulta de especialidade. A consulta poderia ser marcada a 27 de Setembro. Confundi as datas e hoje dia 29 fui para marcar a dita. Pois é, enganei-me e agora poderei marcar a 25 de Outubro. Isto é para marcar uma consulta, não é para ser consultado. Não é um caso de vida ou de morte, felizmente, porque se o fosse lá teria eu de contratar um funcionário da “Anjinhos & Anjinhos, S.A.”, para agradecer ao senhor ministro a saúde que temos.

PS.

Declaração

Para os devidos efeitos e, porque me foi solicitado declaro que não tenho interesses, directos nem indirectos, na firma “Cunhas & Cunhas, SA”.
Ass. O PreDatado
619. Conto (IX)

Despertei com a luz do Sol que penetrava na fresta que servia de entrada à tenda. Mal me levantei as duas anciãs que permaneciam de cócoras vigiando a jovem, cobertas por pequenas marlotas, braços carregados de mananas cujas agulhas, batendo umas nas outras, faziam um estranho tilintar, com ar de malcomidas, saíram sem içar as cabeças. Dirigi-me à fenda, semicerrada por dois magnetos, espreitei a machamba que a rodeava. Num ápice toda a tenda fora inundada, pelo cheiro das madressilvas e das magnólias. Fiquei ainda uns momentos escutando o chilrear dos maria-é-dia, antes de reentrar. Nunca tinha visto a jovem “quase-virgem” à claridade da luz. Deitada em marroquinas, longas madeixas de cabelo cobriam-lhe o peito. À espreita, não maiores que marmelos, os seios que, apesar de insensíveis, ainda me seduziam.

(continua)

terça-feira, setembro 28, 2004

618. Chocolates

Ao contrário da Catarina, não como chocolates enquanto escrevo, nem me faltou o tabaco. A minha Etelvina não partiu nada, não faltou ao trabalho, não está com dores de dentes. Não fiquei lixado com nenhum comentário, e tenho uma memória de merda.
Ao contrário do Circo Cerebral, não como a Cerelac ao bebé, não leio O Acidental, não tenho que ir buscar ninguém ao infantário, não faço BTT, não sou do Sporting.
Vou escrever sobre quê?