quarta-feira, outubro 20, 2004

665. Está quase

Nos vindouros vinte e nove de Outubro prevê-se, no caso do destino da gente não nos pregar desagradáveis surpresas, que o blog do PreDatado e o próprio PreDatado, enquanto personalidade bloguística, completem um ano nestas lides. Nesse dia far-lhes-ei uma surpresa.

PS. Desengana-te Robina dos Bosques porque não vou escrever nenhum post sobre queques nem suas respectivas fêmeas.
664. Eu só queria comprar pão…

Para mim o favorito é o Frota. Não, para mim não, não gosto de brasileiros. Ai, não digas isso, ele é tão bom actor. Por isso mesmo, é falso! Está ali a fazer teatro. Ele é, é um grande jogador. Teatro está o outro a fazer. Qual outro? O maricas! Não chames maricas ao homem, ele tem aquele jeito mas não é nenhum maricas, o homem até tem um filho. E então o que é que isso quer dizer? Olha, para mim, quem devia ganhar era o Pedro Reis. Quem é esse? O alto. Aquele fala e fala bem. Ah já sei, mas a esse ninguém o conhece. O Presidente é que eu não gostava. Lá estás tu, o que é que tens contra o homem? Só se é por ser mais velho. Então para isso também não quero que a outra velha ganhe. Nem a Cinha. Ainda por cima é do Benfica. Oh filha, aquilo não tem nada a ver com bola. Você pediu-me o quê? Pedi seis bolinhas. Desculpe, a gente estava aqui entretidas com a Quinta. Não faz mal, podem continuar. Eu até nem vi o episódio de ontem.


PS.

And we all say:
OH!Well I never!
Was there ever
A Cat so clever
As Magical Mr. Mistoffelees!

Hoje ainda não parei de trautear. Os Cats no Coliseu. Já tinha visto em Londres. Ontem repeti. Aliás tri-peti. Excelente!
663. AACS

Ontem desde as rádios às televisões ouvi, em tudo quanto foi noticiário, o Ministro dos Assuntos Parlamentares a defender-se das alegadas pressões feitas à TVI, no caso Marcelo Rebelo de Sousa. Só que não percebi do que é que estava a defender-se. Ou nenhuma rádio e nenhuma estação de TV tiveram engenho e arte para captar as perguntas e o “contraditório” da AACS, o que me parece coincidência a mais, ou não houve. O pior (pior, pior, pior como diz um dos entreteiners no Levanta-te e Ri), é que também não ouvi os repórteres das referidas estações tecerem comentários sobre isso. Ou sou eu que ando muito exigente, ou muito distraído. É que para árbitros “imparciais” já me chega o Olegário Benquerença.
662. Agendem

A minha amiga Ju vai expor as suas pinturas no IPJ de Faro. A inauguração será no dia 2 de Dezembro. Tomem nota nas vossas agendas.

terça-feira, outubro 19, 2004

661. Academia

Ontem tive a pachorra de ver um programa da SIC Noticias, chamado “Dia Seguinte”. Neste programa um doutor, chamado Dias Ferreira representa um clube de Futebol, o Sporting. Dizia ele, entre outras coisas e, parece que não pela primeira vez, que o Sporting é um clube diferente. Hoje à hora de almoço a nossa discussão sobre futebol teve algum acendimento e um dos temas foi, efectivamente, o Sporting ser um clube diferente. Mas como sou de ficar a matutar nas coisas e a tentar percebê-las, finalmente dou a mão à palmatória. Lembrei-me (porque também falamos disso) da Academia de Alcochete. Peguei no Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, e lá estava:

Academia s.f. sociedade de escritores, artistas ou cientistas; sede dessa sociedade; escola de ensino superior; conjunto de estudantes de uma instituição escolar; reunião de académicos.

E de facto, reconheço, que ver o Físico Nuclear Pinilla em campo, o poeta Paíto, o Dr. Cirurgião Dentista Hugo Viana, o Arquitecto Liedson, o escritor (best-seller) Rogério, os estudantes Ricardo, Hugo, Beto, e Pedro Barbosa, o prémio Nobel da química Custódio, o Pintor Sá Pinto, todos reunidos, é de facto uma coisa diferente!


PS. Não liguem ao post, isto é coisa de lampião ressabiado, porque na Catedral da Luz o papa chama-se Vieira e o bispo chama-se Veiga. Já agora, quantos portugueses conhecem o orçamento geral do estado para 2005?
660. Querido escriba
(ou carta de um blogue a quem o escreve)

Você anda muito cheio de sem jeito. Uns dias, está negro, como se a sua alma tivesse sido invadida pela carvoeira, outros, alegre e bem disposto, escrevendo aquilo que você considera graçolas. Veja se se define porque eu já não tenho cu que aguente. As pessoas que aqui o visitam não merecem estas constantes variações de estilo. Estilo? Deixe-me rir. Estas constantes variações de falta de estilo. Veja, por exemplo, os blogues que comentam notícias de jornais. São lídissimos. Você lembra-se quando lia a telepress, aquele conjunto de recortes, à maneira, que evitava que você tivesse de comprar todos os jornais para ler uma pequena meia dúzia de notícias? Pois agora há os blogues telepréssicos. E são de borla. E aqueles que todos os dias colocam um poema retirado das majestosas obras da Sophia, do Eugénio, do Fernando, do Álvaro, do Pablo. Aposto que você já sabe o “Mar Português” de trás para a frente e de frente para trás. Esses sim, cumprem a sua cultural missão. E também são de borla. O quê? Os seus autores não criam nada? Não seja patético! Ou então, escreva coisas coerentes e não ande aos saltinhos de gato para cavalo, de cavalo para rinoceronte, de rinoceronte para galo de Barcelos. Isto não é nenhuma quinta e muito menos um jardim zoológico. Se você escrevesse coisas interessantes, aqui na minha página, do tipo “o meu gato hoje quando foi lavar os dentes, verificou que a pasta dentífrica tinha acabado” e, de seguida, fosse coerente e escrevesse um novo texto: “hoje fui ao supermercado, comprar pasta dentífrica para o meu gato” e terminasse a saga com “hoje o meu gato, já tinha uma pasta de dentes nova”, iria ver o êxito que eu teria. Assim, este pobre blogue, sniff, sniff, sniff (isto sou eu a chorar, meu caro escriba) vê-se na contingência de ter de falar mal do Santana Lopes um dia, editar um poema sobre as “lapiseiras de bico de carbono duro”, outro dia, depois falar de futebol ou do estado do tempo. Isto não é linha editorial que se preze, percebe? Assim não vale, caro escriba. Você há quase um ano que me escreve e ainda não lhe tomou um rumo. Está bem, eu sei que nem todos sabem escrever posts e posts a citar os posts dos outros, mas você podia fazer um esforçozinho, não acha? Olhe hoje já estou cansado de o criticar, mas prometo que um dia destes voltarei ao assunto.


PS. E deixe-se de pêésses, que eu já estou farto desta última frase, quase sempre, escrita para evitar um novo post.

segunda-feira, outubro 18, 2004

659. Crónica Social

Lindo vestido o da Patá (à esquerda na foto). Pitucha e o seu namorado José de Alencar e Santos (à direita na foto). Elegantíssima ía Ginginha e o seu (dizem) novo namorado Carlos Pinto e Pinto (em baixo). Não faltaram os penetras e as novas tias que se fizeram convidadas. A festa estava um must, que o digam o empresário Gulherme Navarone e Xaputinha Quintal (segurando uma taça de martini, azeitona, na foto acima).

PS 1. A escrever assim, não tarda estou a escrever para uma revista cor-de-rosa ou de outra cor qualquer.
PS 2. Aviso aos editores: tenho pose que é como quem diz pareço bicha (mas não sou paneleira). PS 3. O meu nome artístico-literário é Pre Vila Real (ou será Pre Santa Apolónia?). Contactos pelo 91 ahahaha (rir com pose), o resto adivinhem, bichas!!!
658. Vento

E das folhas caídas se faz chão. E do chão, tapetes, onde gosto de rebolar e sair húmido. Pegar uma mão cheia fazê-las esvoaçar e pentear-me de castanho e vermelho e roxo.
657. Hoje…

Tenho tanta vontade de escrever. No entanto, o vento sopra forte e arrasta-me as letras para longe. Quem sabe, polinizem.
656. Marujos

Noutros tempos chamava-lhes os “marujos”. Vinham a cavalo de Vila Real de Santo António até ao Pomarão. A cavalo, é como o Ti Manel se refere a virem de barco Guadiana acima. Depois, canastas à cabeça ou aos ombros calcorreavam montes e vales. Os pés escorriam sangue e nem para a bucha ganhavam. De que servia comerem um pedacinho de pão aqui ou ali se, em casa, uma prole de filhos os esperava com fome? Do Pomarão à Mina de S. Domingos, mesmo a corta-mato, são mais de 15 kms. De trem, só os senhores da mina. Os operários saíam noite pela madrugada, para pegarem às oito. As serviçais, que iam tratar das casas de quem mais posses tinha, faziam vinte, trinta ou mais kms sempre a pé. Os filhos ficavam na cama, guardados pelas irmãs mais velhas. Os filhos, duas horas depois, por volta das seis, levantavam-se para guardar rebanhos ou trabalhar na ceifa. E os contrabandistas atravessavam o Chança a nado, quase sem respirarem, onde do lado de cá os guardas-fiscais os esperavam. Tempos difíceis.

PS. 1 Maria Útilia, desejo-te um feliz aniversário. O Ti Manel, mandou-vos cumprimentos.
PS. 2 Apesar dos tempos estarem maus, não guardei as romãs só para mim.
655. Bom dia

Passei o fim-de-semana no “meu” Alentejo. Seja Primavera ou Verão, seja Outono ou Inverno, o Alentejo é sempre lindo. Ontem foi dia de romãs. Uma pequena romanzeira que tenho no quintal, que nasceu espontânea há uns 3 anos atrás e tratada por quem nunca percebeu o mínimo de agricultura, deu romãs de 750 gramas. Maravilhosas na abertura, vermelhas e doces.

PS. Ao contrário da romã levei com um árbitro azul e amargo. Coisas do futebol.

sexta-feira, outubro 15, 2004

654. Em defesa da língua portuguesa

Eu sou um conversador nato. Às vezes sinto-me, até, tagarela de mais. E quando não tenho gente perto, converso à distância. Seja ao telefone, seja nas salas de conversação da Internet, vulgo chats. É aqui que a porca torce o rabo. Viram que escrevi chats? Era necessário, uma vez que já tinha escrito antes salas de conversação? Não, não era. É também lá que eu costumo ler e escrever LOL…

Ao ler, ontem, o post do Circo Cerebral (ops, o post…, quer dizer o texto), ele que está a passar férias em Inglaterra, reparei que escreveu, e muito bem, acrescento, Escritório em vez de Office, Janelas em vez de Windows, Edição Casa em vez de Home Edition. Só não sei se fez bem em escrever Chispe em vez de XP, mas acho que foi por causa da falta do acento circunflexo no teclado. RAG.


PS 1. PS é latim, portanto é desculpável.
PS 2. RAG = Rindo Às Gargalhadas em vez do anglo-saxónico LOL. Em defesa da língua portuguesa.
PS 3. Em França existe já uma determinação oficial para se utilizar COURRIEL (uma junção/abreviatura de courrier electronique) em vez do anglicismo e-mail. Sabendo como funcionam os Correios em Portugal nem me atrevo a propor CORRELE. Nem em azul as mensagens chegariam a tempo.
653. Al(he)ado

Vejo, de um lado, o azul e também do outro.
Lá em baixo, um vapor passa, fumante.

E o fumo se mistura com o fumo de cá.
Na margem, o fumo esfuma-a.

Estou mais perto do Sol,
E à noite, das estrelas.
Vejo as estrelas num dos lados e também no outro.

E a luz se mistura com a luz de cá.

Tudo é igual nas duas margens.
Lá em baixo, entre a ponte e o mar,
O vazio.

Não voarei nesse ar!

quinta-feira, outubro 14, 2004

652. A operada

Catarina:

- Não sabia que ías tirar a vesícula. Da próxima vez estás proibida de o fazer sem me avisares. Os amigos são para as ocasiões. Se me tivesses dito, teria pedido para levares a minha também. Quem tira uma, tira duas. E assim poupava-se uma ida ao hospital (tirar uma vesícula é chic). Agora que os transportes públicos aumentaram, sempre se poupava uns cêntimos. Eu sei que não é bom estar a falar em poupanças, pois o nosso primeiro diz que agora há dinheiro a rodos, e vai aumentar as pensões e isso, e os funcionários públicos e isso, mas eu sempre fui assim. Só não sei o que é vou fazer daqui em diante aos euritos que me sobram e que aplicava em pêpêérres. Quanto à hérnia, não sei quê, não sei quê, a minha é discal, pelo que não a cedo a ninguém. Se me tirarem a dita, onde é que eu vou ouvir música? É que, apesar dos CDs, ainda tenho muitos discos de vinil para ouvir. Finalmente, vamos ao que interessa: os pontos. Ó miúda, mas tu não acabaste o liceu há uma data de anos? Ainda tens pontos? Ou estás a falar do relógio de ponto lá do emprego. Confesso que nunca vi um relógio de ponto de bikini. Mas tu é que sabes, se o bikini já era, olha, mal por mal, preferia os pontos de matemática. O quê? Não estás a ver a relação entre o bikini e a matemática? Então lê o PS.


PS. Ilha de Bikini / Atol de Bikini : Área terrestre: 3.4 square milles; Ilha: 384 acres; Ilha de Eneu: 308 acres; Total Lagoon área: 240 square milles. Quem não souber fazer contas está lixado.
651. Conduzir à esquerda

O meu sobrinho anda por terras de sua majestade. Diz ele, lá no seu genial blog, que nunca viu tanta gente a guiar em contra-mão. Fez-me lembrar quando, há alguns anos atrás, invocando a mais antiga aliança do mundo, alguém, aqui no nosso cantinho, achou que também deveríamos começar a conduzir pela esquerda. Dizia às páginas tantas do seu argumentativo discurso: “… e, a título experimental, na primeira semana, serão só os camiões”.
650. Outonos da minha infância

O meu pião

Onde estará aquele meu pião? Era pequeno, maneirinho, como nós dizíamos, quando íamos comprá-los à Casa Ramos. Todo, cabia na pequena mão fechada. Era para dar pontaria. Tinha um pionais na cabeça. Chamávamos-lhe o bacelo. “Não tem bacelo? Vai para a quinta do camelo”. Eram assim a brincadeiras dos putos. A guita era de algodão. Essa não se desfiava. As de sisal não prestavam, não davam um bom aperto e, aos poucos, esfarelavam-se. Em cima, uma coleirinha pintada a várias cores. O meu pião tinha uma coleira verde e vermelha, feita com tinta de óleo. “Não tem coleira? Vai para o fundo da algibeira”. Era o código para que não fosse fanado. Havia putos que não compravam piões, fanavam os que não tinham coleira. O meu pião rodava sempre mais de um minuto. Eu jogava-o “à homem”. Um movimento de arremesso forte de cima para baixo. E apanhava-o entre os dedos ou com a própria guita. A mim não me fazia cócegas quando rodava na palma da mão. Era à homem. Eu não jogava à cagadinha. O meu pião rodava mais de um minuto.

Paravas, olhando o jogo do pião.
Num lance, a guita ainda a sibilar,
Pegava-o do chão.
E, com a perícia (já contada),
Punha-o a rodar
Na mão da namorada.

quarta-feira, outubro 13, 2004

649. Bom senso

Eu já sabia que eu tinha bom senso. O que eu não sabia era que ela sabia que eu tinha. E agora que sei que ela sabe que tenho, com todo o bom senso que me caracteriza, não posso deixar de lhe mandar um beijinho.

PS. 1. Só ontem li a tua primeira crónica do DNA. Mais vale tarde que nunca. Mas como não sou crítico de escrita, manda o bom senso que não faça considerações.
PS. 2. Gostei.
648. Outonos da minha infância

Jogo do Berlinde

Passavas, de cabelos longos.
Longos e negros.
E sedosos.
E brilhantes.

E eu fingia que te não via.
Um joelho no chão,
Não rezava.
O cristal dos berlindes
Reflectia todos os teus instantes.

terça-feira, outubro 12, 2004

647. Caminhos

Se encoberto o céu se encontra,
Minh’alma está de cinza nublada.


Hoje fui passear pelo jardim onde já não se vêem rosas brancas. Por todo lado procurei verde, mas a cores do Outono confundem-se com as cores das romãs. Respirei fundo e consegui das magnólias, sentir-lhes o cheiro. Mas não encontrei os odores do rosmaninho.

Se encoberto o céu se encontra,
Vou tropeçando nas pedras do caminho.


Sempre te peço que abras as janelas, que lhe retires as trancas. Tu sabes quanto eu gosto que por elas seja invadido de manhãs. Se pudesse mandar desviar, as nuvens, as sombras, as paredes, queria ver o Sol o dia inteiro. Eu sei que não peço muito. Se fossem só as frestas me bastaria. Hoje, quase tudo se me nega.

Minh’alma está de cinza nublada
Como venda em jogo da cabra-cega.

segunda-feira, outubro 11, 2004

646. Com papas e bolos...

Podes-me passar a mão pelo pelo que eu não abano a cauda, nem arfo de língua de fora. Ou, como dizia a minha avó, com papas e bolos se enganam os tolos.