terça-feira, outubro 26, 2004

674. Preocupado…

… com os sósias. Ontem vi um gajo, que parecia meu irmão gémeo, a vender a revista CAIS. Pelo facto gostaria de fazer a seguinte declaração:

Declaração
Eu, abaixo assinado, declaro solenemente que, se alguém vos limpar os pára-brisas num qualquer sinal de trânsito, se alguém vos oferecer a revista Cais, se alguém vos ajudar a arrumar o carro, se alguém vos pedir um eurito para uma sopa, esse alguém AINDA não sou eu.
Ass. PreDatado

PS. Ufa! Estou muito mais aliviado. A directora do Independente ainda não descobriu este meu sósia.
673. Preocupado…

… o Mundo. Com as eleições americanas. Imprensa, televisão, blogosfera… Eu, com o facto de não ter recebido uma única resposta positiva aos 3842 anúncios de emprego que respondi.
672. Preocupado…

... O Mundo. Com o preço do barril de petróleo. Parece que ultrapassou os 50 dólares. Eu, com o preço do barril de cerveja. Custa mais que isso.
671. Preocupado

Hoje acordei preocupado. Ao longo do dia dar-vos-ei conta de algumas das minhas preocupações.

segunda-feira, outubro 25, 2004

670. Conhecimento gastronómico-regional

Ontem fui a casa do meu irmão, que já morou na terra das caldeiradas mas já não mora. Foi a festa de aniversário do meu sobrinho. Aliás, este foi um fim-de-semana em grande, em termos de festividades e gastronomia. Já no Sábado tinha ido festejar as bodas de ouro de um amigo que é da terra das paelhas. Nós, eu que sou da terra do fado e a minha mulher, da terra das migas e dos gaspachos, ontem fomos convidados para almoçar uma feijoada (antes da festa de aniversário do meu sobrinho), na casa de uns cunhados, onde, por sinal, estava um casal, cujo elemento feminino do dito é da terra dos figos e das amêndoas. É assim que nós costumamos referir, os amigos ou as pessoas conhecidas, quando falamos deles. Ainda este fim-de-semana, quando o meu filho me disse que ía à discoteca, disse-me que não me preocupasse pois iria com o amigo da terra das tripas, o da terra da picanha e ainda com uma amiga da terra das cracas. Assim, como é tão comum, lá em casa, esta forma de identificar as pessoas, não ficamos nada admirados com o comentador da TVI quando referiu que o primeiro golo do Benfica foi marcado pelo “homem da terra do bacalhau”.

sábado, outubro 23, 2004

669. Inquietação

Não!
Hoje podes perguntar se quero, que direi não.
Não interessa o que querias que eu quisesse porque o que quer que seja, não quero.
Hoje é dia de negação.
Não me perguntes porque não quero, porque apenas sei que não.
Porquê? não sei.
Vieste calma, eu sei, mas não sei porque vieste calma.
Contrasta com a minha ansiedade, essa calma.
E eu rejeito essa calma que me enerva.
Essa calma que me não acalma, antes me inquieta.
Nunca te percebi tão calma (mesmo quando eu digo que não quero).
Nem me perguntas porque não quero?
Não perguntas, porque sabes que não perguntando
Me verás mais ansioso, ainda.
Não!
Não me vencerás pelo contraste.
Roerei as unhas, escondido.
Comerei até às pontas dos dedos e,
Quando vieres calma, perguntar-me se quero
Mostrar-tos-ei sangrando,
Para te inquietar também.
A tua serenidade enerva-me (nunca reparaste?).

sexta-feira, outubro 22, 2004

668. Caso Joana

"PJ reteve boné do tio da Joana" in Correio da Manhã.

Há mais de um mês que a PJ anda a apanhar bonés.

quinta-feira, outubro 21, 2004

667. Balanço

A uma semana do aniversário deste blogue deu-me para olhar para todo ele e constatar que:

Em 64 publicações descrevi os meus “comes e bebes” – estou mais gordinho!
Em 36 publicações coloquei poemas próprios – quase dava uma antologia!
Em 70 publicações fiz crítica política e social – Estás aqui estás a substituir o Marcelo.
Fiz 15 homenagens – Pai, Mãe, Maria, Anita, João incluídas.
Por 22 vezes falei de viagens – verifico que passeio pouco. Enfim…
Foi aos blogues dos outros “roubar” textos, 19 vezes. Citei-os sempre e fiz a vénia.
Coloquei extractos de obras consagradas por 39 vezes. Foi divulgação ou apoio aos meus textos. Espero não ter de pagar direitos de autor.
Armei-me em Gabriel Alves de trazer por casa e comentei o desporto por 43 vezes, das quais 12 foram exclusivas do meu Benfica!

Nos restantes 359 posts falei de tudo e de nada. Ficcionei, contei histórias, piadas, referi blogues que gosto, espontaneidades ou, assim, algo de mais profundo, coisas da vida, da minha e dos outros. Tenho de agradecer particularmente a três entes que me ajudaram nesta produção. O meu espelho que dialogou comigo e me ajudou a ver para lá da imagem; obviamente, o meu gato Schubert que foi muleta em mais de 40 textos e teve direito a 10 exclusivos; Last but not least, vocês leitoras e leitores amigos que tiveram a pachorra de me ler.

E eu? Alguma vez imaginei ser capaz de escrever isto tudo?

PS. Uma referência particular ao latim, sem o qual seria impossível qualquer post scriptum.

quarta-feira, outubro 20, 2004

666. Benfiquismo!

Nos primeiros vinte anos de sócio do Benfica nunca fui votar para a Direcção. A única pessoa que me fez ir às urnas foi João Vale e Azevedo. Para votar contra! Repito: CONTRA. De todas as vezes que JVA concorreu eu fui votar contra a sua candidatura. No entanto, apenas no seio da família benfiquista fui capaz de criticar a sua actuação. Tenho testemunhas, mas nem precisaria, pois sei que os verdadeiros benfiquistas me acreditam. Nunca um sportinguista ou um portista me ouviu a mínima crítica a JVA e à sua direcção. Muitas vezes engolia em seco. Mas engolia. Ontem, ao ler os jornais, dei conta da convocação de uma assembleia para expulsar de sócio não só JVA, mas também um grupo de outros benfiquista que pertenceram à sua Direcção. Já que não sou pessoa violenta, deixo aqui a minha mais veemente bofetada aos infames que fizeram tão mesquinha proposta. JVA fez tanto mal ao Benfica como tantos outros fizeram. E acredito que o tenha feito por todos os motivos e mais um. Só não acredito que o tenha feito por anti-benfiquismo. Viva o Glorioso SLB!

PS 1. Escrevi este texto em MS-Word, antes de o colocar aqui. O corrector de português sublinhou-me como erro as palavras sportinguista e portista. A palavra benfiquista foi aceite pelo dicionário. É apenas mais um sinal da nossa grandiosidade.
PS 2. Este é o post 666. Simplesmente dedicado às bestas que levam a Assembleia Geral tão inqualificável proposta.
665. Está quase

Nos vindouros vinte e nove de Outubro prevê-se, no caso do destino da gente não nos pregar desagradáveis surpresas, que o blog do PreDatado e o próprio PreDatado, enquanto personalidade bloguística, completem um ano nestas lides. Nesse dia far-lhes-ei uma surpresa.

PS. Desengana-te Robina dos Bosques porque não vou escrever nenhum post sobre queques nem suas respectivas fêmeas.
664. Eu só queria comprar pão…

Para mim o favorito é o Frota. Não, para mim não, não gosto de brasileiros. Ai, não digas isso, ele é tão bom actor. Por isso mesmo, é falso! Está ali a fazer teatro. Ele é, é um grande jogador. Teatro está o outro a fazer. Qual outro? O maricas! Não chames maricas ao homem, ele tem aquele jeito mas não é nenhum maricas, o homem até tem um filho. E então o que é que isso quer dizer? Olha, para mim, quem devia ganhar era o Pedro Reis. Quem é esse? O alto. Aquele fala e fala bem. Ah já sei, mas a esse ninguém o conhece. O Presidente é que eu não gostava. Lá estás tu, o que é que tens contra o homem? Só se é por ser mais velho. Então para isso também não quero que a outra velha ganhe. Nem a Cinha. Ainda por cima é do Benfica. Oh filha, aquilo não tem nada a ver com bola. Você pediu-me o quê? Pedi seis bolinhas. Desculpe, a gente estava aqui entretidas com a Quinta. Não faz mal, podem continuar. Eu até nem vi o episódio de ontem.


PS.

And we all say:
OH!Well I never!
Was there ever
A Cat so clever
As Magical Mr. Mistoffelees!

Hoje ainda não parei de trautear. Os Cats no Coliseu. Já tinha visto em Londres. Ontem repeti. Aliás tri-peti. Excelente!
663. AACS

Ontem desde as rádios às televisões ouvi, em tudo quanto foi noticiário, o Ministro dos Assuntos Parlamentares a defender-se das alegadas pressões feitas à TVI, no caso Marcelo Rebelo de Sousa. Só que não percebi do que é que estava a defender-se. Ou nenhuma rádio e nenhuma estação de TV tiveram engenho e arte para captar as perguntas e o “contraditório” da AACS, o que me parece coincidência a mais, ou não houve. O pior (pior, pior, pior como diz um dos entreteiners no Levanta-te e Ri), é que também não ouvi os repórteres das referidas estações tecerem comentários sobre isso. Ou sou eu que ando muito exigente, ou muito distraído. É que para árbitros “imparciais” já me chega o Olegário Benquerença.
662. Agendem

A minha amiga Ju vai expor as suas pinturas no IPJ de Faro. A inauguração será no dia 2 de Dezembro. Tomem nota nas vossas agendas.

terça-feira, outubro 19, 2004

661. Academia

Ontem tive a pachorra de ver um programa da SIC Noticias, chamado “Dia Seguinte”. Neste programa um doutor, chamado Dias Ferreira representa um clube de Futebol, o Sporting. Dizia ele, entre outras coisas e, parece que não pela primeira vez, que o Sporting é um clube diferente. Hoje à hora de almoço a nossa discussão sobre futebol teve algum acendimento e um dos temas foi, efectivamente, o Sporting ser um clube diferente. Mas como sou de ficar a matutar nas coisas e a tentar percebê-las, finalmente dou a mão à palmatória. Lembrei-me (porque também falamos disso) da Academia de Alcochete. Peguei no Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, e lá estava:

Academia s.f. sociedade de escritores, artistas ou cientistas; sede dessa sociedade; escola de ensino superior; conjunto de estudantes de uma instituição escolar; reunião de académicos.

E de facto, reconheço, que ver o Físico Nuclear Pinilla em campo, o poeta Paíto, o Dr. Cirurgião Dentista Hugo Viana, o Arquitecto Liedson, o escritor (best-seller) Rogério, os estudantes Ricardo, Hugo, Beto, e Pedro Barbosa, o prémio Nobel da química Custódio, o Pintor Sá Pinto, todos reunidos, é de facto uma coisa diferente!


PS. Não liguem ao post, isto é coisa de lampião ressabiado, porque na Catedral da Luz o papa chama-se Vieira e o bispo chama-se Veiga. Já agora, quantos portugueses conhecem o orçamento geral do estado para 2005?
660. Querido escriba
(ou carta de um blogue a quem o escreve)

Você anda muito cheio de sem jeito. Uns dias, está negro, como se a sua alma tivesse sido invadida pela carvoeira, outros, alegre e bem disposto, escrevendo aquilo que você considera graçolas. Veja se se define porque eu já não tenho cu que aguente. As pessoas que aqui o visitam não merecem estas constantes variações de estilo. Estilo? Deixe-me rir. Estas constantes variações de falta de estilo. Veja, por exemplo, os blogues que comentam notícias de jornais. São lídissimos. Você lembra-se quando lia a telepress, aquele conjunto de recortes, à maneira, que evitava que você tivesse de comprar todos os jornais para ler uma pequena meia dúzia de notícias? Pois agora há os blogues telepréssicos. E são de borla. E aqueles que todos os dias colocam um poema retirado das majestosas obras da Sophia, do Eugénio, do Fernando, do Álvaro, do Pablo. Aposto que você já sabe o “Mar Português” de trás para a frente e de frente para trás. Esses sim, cumprem a sua cultural missão. E também são de borla. O quê? Os seus autores não criam nada? Não seja patético! Ou então, escreva coisas coerentes e não ande aos saltinhos de gato para cavalo, de cavalo para rinoceronte, de rinoceronte para galo de Barcelos. Isto não é nenhuma quinta e muito menos um jardim zoológico. Se você escrevesse coisas interessantes, aqui na minha página, do tipo “o meu gato hoje quando foi lavar os dentes, verificou que a pasta dentífrica tinha acabado” e, de seguida, fosse coerente e escrevesse um novo texto: “hoje fui ao supermercado, comprar pasta dentífrica para o meu gato” e terminasse a saga com “hoje o meu gato, já tinha uma pasta de dentes nova”, iria ver o êxito que eu teria. Assim, este pobre blogue, sniff, sniff, sniff (isto sou eu a chorar, meu caro escriba) vê-se na contingência de ter de falar mal do Santana Lopes um dia, editar um poema sobre as “lapiseiras de bico de carbono duro”, outro dia, depois falar de futebol ou do estado do tempo. Isto não é linha editorial que se preze, percebe? Assim não vale, caro escriba. Você há quase um ano que me escreve e ainda não lhe tomou um rumo. Está bem, eu sei que nem todos sabem escrever posts e posts a citar os posts dos outros, mas você podia fazer um esforçozinho, não acha? Olhe hoje já estou cansado de o criticar, mas prometo que um dia destes voltarei ao assunto.


PS. E deixe-se de pêésses, que eu já estou farto desta última frase, quase sempre, escrita para evitar um novo post.

segunda-feira, outubro 18, 2004

659. Crónica Social

Lindo vestido o da Patá (à esquerda na foto). Pitucha e o seu namorado José de Alencar e Santos (à direita na foto). Elegantíssima ía Ginginha e o seu (dizem) novo namorado Carlos Pinto e Pinto (em baixo). Não faltaram os penetras e as novas tias que se fizeram convidadas. A festa estava um must, que o digam o empresário Gulherme Navarone e Xaputinha Quintal (segurando uma taça de martini, azeitona, na foto acima).

PS 1. A escrever assim, não tarda estou a escrever para uma revista cor-de-rosa ou de outra cor qualquer.
PS 2. Aviso aos editores: tenho pose que é como quem diz pareço bicha (mas não sou paneleira). PS 3. O meu nome artístico-literário é Pre Vila Real (ou será Pre Santa Apolónia?). Contactos pelo 91 ahahaha (rir com pose), o resto adivinhem, bichas!!!
658. Vento

E das folhas caídas se faz chão. E do chão, tapetes, onde gosto de rebolar e sair húmido. Pegar uma mão cheia fazê-las esvoaçar e pentear-me de castanho e vermelho e roxo.
657. Hoje…

Tenho tanta vontade de escrever. No entanto, o vento sopra forte e arrasta-me as letras para longe. Quem sabe, polinizem.
656. Marujos

Noutros tempos chamava-lhes os “marujos”. Vinham a cavalo de Vila Real de Santo António até ao Pomarão. A cavalo, é como o Ti Manel se refere a virem de barco Guadiana acima. Depois, canastas à cabeça ou aos ombros calcorreavam montes e vales. Os pés escorriam sangue e nem para a bucha ganhavam. De que servia comerem um pedacinho de pão aqui ou ali se, em casa, uma prole de filhos os esperava com fome? Do Pomarão à Mina de S. Domingos, mesmo a corta-mato, são mais de 15 kms. De trem, só os senhores da mina. Os operários saíam noite pela madrugada, para pegarem às oito. As serviçais, que iam tratar das casas de quem mais posses tinha, faziam vinte, trinta ou mais kms sempre a pé. Os filhos ficavam na cama, guardados pelas irmãs mais velhas. Os filhos, duas horas depois, por volta das seis, levantavam-se para guardar rebanhos ou trabalhar na ceifa. E os contrabandistas atravessavam o Chança a nado, quase sem respirarem, onde do lado de cá os guardas-fiscais os esperavam. Tempos difíceis.

PS. 1 Maria Útilia, desejo-te um feliz aniversário. O Ti Manel, mandou-vos cumprimentos.
PS. 2 Apesar dos tempos estarem maus, não guardei as romãs só para mim.
655. Bom dia

Passei o fim-de-semana no “meu” Alentejo. Seja Primavera ou Verão, seja Outono ou Inverno, o Alentejo é sempre lindo. Ontem foi dia de romãs. Uma pequena romanzeira que tenho no quintal, que nasceu espontânea há uns 3 anos atrás e tratada por quem nunca percebeu o mínimo de agricultura, deu romãs de 750 gramas. Maravilhosas na abertura, vermelhas e doces.

PS. Ao contrário da romã levei com um árbitro azul e amargo. Coisas do futebol.