sexta-feira, março 04, 2005

686. 16:9

Andava há anos para comprar uma televisão 16:9, mas efectivamente não estou muito satisfeito por o ter feito. As emissões, quase todas em 4:3, acabam distorcidas alargando e atarracando. Ver dar um pontapé de saída numa bola de futebol como se esta fosse de rugby não tem jeito nenhum. Em contrapartida a Jennifer Lopez tem cá umas ancas que nem vos conto, embora coitada não tenha altura para modelo. Hoje a 16:9 pregou-me um grande susto. Por vias do Euro-milhões “zappinguei” para a TVI, onde ainda passava o Jornal Nacional. A boca da apresentadora ocupava toda a largura do écran.

domingo, fevereiro 27, 2005

685. O Bosque

Hoje há um blog que faz um ano. Um blog que me acostumei a ler pelo espírito. A Robina consegue descobrir curiosidades bizarras e comentá-las de uma forma airosa e engraçada. Quase sempre com uma pontinha de malandrice, umas vezes provocando-me sorrisos, outras arrancando-me uma gargalhada. Sabe-me sempre bem visitá-la. Parabéns.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

684. Um post erótico

Ainda não percebi a corrente, de onde partiu e onde vai chegar. Costumo ler o blog da Catarina e já vi mais do que uma ver a referência a um post erótico.

Sempre que se fala numa história erótica lembro-me do John the Kid. John the Kid era um dos mais temidos pistoleiros do farwest. Falar no seu nome era caganeira certa. Se alguém, alguma vez entrasse num saloon e dissesse algo do tipo “consta que chega amanhã John the Kid” a cidade transformava-se num deserto em menos de 5 minutos. Durante dois dias ninguém saía à rua. Apenas se ouvia o vento e se via a poeira nas ruas, não bastas vezes arrastando arbustos pela dita fora. As escolas fechavam, as lojas não abriam, só os postigos entreabertos davam para ver, de vez em quando, um par de olhos espreitando a chegada de alguém. O terror instalava-se. Mas no meio do quase silêncio uma casa permanecia aberta, uma luz ténue espreitava da porta, um piano desafinado tentava transmitir algumas notas algures importadas da Europa. E porque é que esta casa se mantinha aberta, podereis vós estar a pergunta-vos neste momento. Era o hotel-bar de Miss Persival uma americana de segunda geração, cuja mãe, italiana de origem, morrera de parto. Criada com o pai, garimpeiro e bêbedo crónico, não tivera uma educação esmerada mas tivera olhos para a vida. Tornara-se rameira e na época, cinquentona, era proprietária do Persival’s Resort o único hotel ‘com todo o serviço incluído’ da cidade. E sendo o único que poderia fornecer um serviço tão completo não tinha receio de John the Kid. Ele, onde quer que chegasse, fodia tudo!

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

683. Estou tão indeciso

Eu sou sempre um poço de indecisão. Vejam lá, amigas leitoras e amigos leitores que desta vez não sei a qual das lideranças me candidatar. Já estive para me candidatar à do PP. Mas não gosto do nome do partido. Pêpê… ainda se fosse PóPó. È que, como vós bem sabeis, eu gosto muito de buzinar. Eu a passear-me num Ferrari ou num Lamborgini (carros aliás que o actual nunca teve, nem para Amostra) e a buzinar por todas as feiras e mercados do país. Seria maravilhoso. Mas pêpê não, não tenho como dar a volta ao nome. Só se um dia alguém inventar um nome bonito. Tipo, sei lá, CDS. O quê já existe? Já? Pronto nada a fazer, sem originalidade não vou lá.

Só me resta então pensar em candidatar-me à liderança do PSD. Mas vocês nem imaginam as pressões que tenho sofrido. Apesar da minha Maria me chamar carinhosamente baixinho, os meus amigos dizem que sou muito mais alto que o Marques Mendes e que portanto não tenho nenhuma chance. Se calhar o melhor é mesmo não me candidatar a nenhum e formar um novo partido, sei lá, PPD. Partido do Pre Datado. O quê? PPD também já existe? Ai, ai, ai, eu hoje não acerto uma!

terça-feira, fevereiro 22, 2005

682. O meu bloco

Eu tenho um bloco ou, como até é chique, principalmente na blogosfera, dizer, um moleskine. Este bloco acompanha-me para todo o lado e, não é raro verem-me com o carro encostado a uma berma qualquer, moleskine sobre o volante, bic cristal de ponta normal na mão a escrever notas que de repente me vêm à cabeça. Se estou sentado numa mesa de bingo, entre o bingo correcto e o vamos começar, o moleskine está aberto; se estou no café entre a bica e o olhar naquela miúda com um exemplar par de mamas que passa na rua, uma frase ou duas no moleskine; se estou no emprego (bom isso era dantes, mas adiante) entre uma ideia genial e uma não menos genial tomada de decisão, dois rabiscos no moleskine; se acabo de dar uma queca e saboreio um cigarro assim tipo, ‘dá lá mais um bocado cabo do teu coração’, abro o moleskine, pois, convenhamos, não seria nada agradável no meio da dita tomar notas daquilo que me vem à cabeça mesmo nos momentos mais orgásmicos. Sentado na sanita, é imprescindível. E é nesse momento que eu reparo que só escrevo… bom o melhor é lerem o texto do meu amigo Branco Leone.
681. PreDatado no País das Maravilhas

Olá amigas leitoras e amigos leitores. Como vós bem sabeis, eu não sou nada de acordar bem disposto. Nadinha mesmo. Não falo com ninguém, enrolo os pés nos tapetes, bato com a cabeça na porta da casa de banho e nem encaro o espelho com os dois olhos abertos. Mas hoje não. Hoje acordei super bem disposto. Fui dar de comer aos gatos, lavei os dentes, tomei uma bica preciosamente tirada pela minha Maria, coloquei um CD no toca-toca, trauteei uma canção dos Beatles, e até o cair da água do chuveiro me parecia música. No posto médico só esperei 20 minutos pela minha vez, a minha consulta só durou 2 minutos, vá lá 2 minutos e 17 segundos para ser mais preciso, não foi preciso renovar o ticket do parking e ainda tive tempo de ir, de novo, à loja da TV Cabo. Para não esmorecer, fui novamente mal atendido, tal como ontem não conseguiram resolver o simples “problema” de me trocarem a box preta pela digital, tentei mandar um fax, já vai na 15ª tentativa e ainda não seguiu, e para confirmar se o número estava correcto esperei 17minutos e 26 segundos para ser atendido. Quer dizer que o país está todo a funcionar na perfeição, sejam os serviços públicos de saúde, sejam os serviços privados de comunicações. E como a máquina do parking me deu o talão correcto e não tive de renovar os 2 euros que coloquei, à cautela, continuo a assobiar a música dos Beatles. Não há nada como acordar bem disposto.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

680. Medidas

Faz hoje 2 anos, 6 meses e 21 dias que estou desempregado. Não foi por culpa do Durão Barroso embora, por coincidência, tenha sido pouco depois dele ter tomado posse. E como o meu emprego não tinha nada de político (no sentido comum do termo) não vai ser por Sócrates ter ganho as eleições que eu vou arranjar emprego de novo. Só se for pura coincidência. A verdade é que hoje choveu na minha rua. O homem ganha e começa a chover. Deve ter sido a primeira medida, mesmo antes de ser Governo. Aliás a segunda, pois a primeira deve ter sido quando ele gritou lá do púlpito no largo do Rato: PreDatado, levanta-te e anda! Por este andar, vou ter emprego num instante. Não acha irmão Sócrates de Jesus?
679. Ressuscitei

Como vós, meus amigos leitores e minhas amigas leitoras, bem sabeis, eu não sou nada, nadinha mesmo, de ressuscitar. Sei lá, estas coisas de morrer e voltar a nascer tem algo de milagroso, de mítico, de transcendente. E o PreDatado é o mais comunzinho dos mortais. Mas hoje não resisti, acordei com uma vontadinha de ressuscitar que vocês nem imaginam. Não é todos os dias que se ressuscita e se eu não aproveitasse esta vontade matinal não sei quando seria que me iria voltar a dar uma genica destas. Portanto aqui estou eu disposto a retomar uma linha editorial que nunca existiu. Se o engenho e um pouquinho de arte se me acometer aqui estarei regularmente a expor estados de alma, estádios de luz, estrados de explanações, estradas e auto-ditas de considerações.

PS. Cá vai o meu primeiro pêésse (salvo seja) da nova geração. Onde escrevi “vontade matinal” é mesmo vontade matinal e não a tal não sei do mijo que alguns de vós terão pensado. Ok?

quarta-feira, novembro 03, 2004

678. Esclarecimento

O PreDatado morreu. RIP.

O seu autor, por enquanto, ainda está vivo. Mas tem um bichinho bom a roer-lhe as entranhas que não o deixa abandonar o teclado. Por isso, ele e o filho resolveram, a meias, contar uma história. Andam a fazê-lo por aqui. De vez em quando um episódio.

Por outro lado, ele, o Alves Fernandes aka Pre, é um tipo assim, como dizer, maníaco-depressivo. As suas fases de maníaco não as partilha com ninguém. Quando a depressão o ataca quem paga são os botões. É ali, que ele escarrapacha tudo!

PS. Este post foi colocado aqui a pedido do ex-PreDatado, em carta testamentária.

sexta-feira, outubro 29, 2004

677. PreAnunciado

Amigas leitoras e amigos leitores, como vós bem sabeis, eu não sou nada, mesmo nada de comemorações. Quando no dia 29 de Outubro de 2003, coloquei aqui uma postagem que dizia,

“Hoje é o primeiro dia...Aliás ontem... foi pré datado!”

estava longe de imaginar que ao longo de um ano, eu estaria aqui regularmente a dizer coisas. De facto não passaram de coisas, na maioria das vezes sem qualquer importância social, outras com algum carácter interventor (o PreDatado existe, não é ficção), contei histórias, descrevi almoços, mais ou menos condimentados, fiz algumas incursões na poesia, citei quando me apeteceu, mandei recados, aplaudi e critiquei, brinquei. No fundo diverti-me. Há muitas coisas que me divertem, mas nada se compara ao prazer que me dá ler e escrever. Tenho alguma dificuldade em dizer, tal como um célebre futebolista um dia afirmou que, quando marcava um golo tinha um orgasmo, que cada vez que escrevo um texto, experimente uma sensação semelhante. No entanto, sinto-me satisfeito quando o faço. Por mais pequeno que seja, sai sempre de um momento de emoção. E foi neste somatório de pequenas emoções que escrevi para vocês e, desculpem-me o egoísmo, que escrevi para mim.

Um ano não é uma meta, mas é um marco. E, embora não o tenha premeditado, a verdade é que, em termos de blogue, fico-me por aqui. Pelo menos em termos de PreDatado. Com muito prazer, vou continuar a frequentar a blogosfera. Virei ler os textos das minhas amigas e dos meus amigos virtuais com quem me habituei a privar neste espaço cibernético como que religiosamente.

Quero agradecer particularmente à Maria, à minha Maria, o apoio que me deu e que, fundamentalmente, se consubstanciou na aceitação das horas de “separação” que esta máquina infernal provocou.

Quero deixar uma palavra de agradecimento e também gabar a paciência dos poucos, menos de cem efectivamente que, diariamente, aqui vieram ler o que eu escrevia e, alguns dos quais comentar, ajudando-me a melhorar.

Até sempre. Bem hajam!

PS. Linha intencionalmente deixada em branco, porque hoje não haverá pêésse.

quinta-feira, outubro 28, 2004

676. Não sei que título colocar no post...

Renuncio

Cada letra que escrevo me parece uma palavra.
Cada palavra que escrevo me parece uma frase.
Estou cansado.
A vida não é só isto e eu
Estou cansado.
A vida não é só escrever e eu
Estou cansado.
Preciso de beber
De rir
De amar e ser amado
Mas
Estou cansado.
Preciso de beber o perfume
Que todas as noites
Teu corpo exala,
E que Suskind jamais inalou,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o hálito dos teus beijos,
Quando me envolves os lábios de uma languidez
Que inibria
E que, Venus e Apolo tributo alto pagariam para beber,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o vinho que vertes em
Largos vasos, cujo néctar hipnotisante
A vontade aguça, o desejo incute e o amor provoca,
(Baco nunca provou tal néctar, garanto)
Mas estou cansado.
Preciso de beber o fresco ar das montanhas, quando
Alvo manto as cobre para que frio não tenham,
Em paisagem de delírio que Rembrand nunca pintou,
Mas estou cansado.
Preciso de rir, quando
Calado mimo para escutar meu riso
(E Morceau riria ele quando os outros riam?),
Mas estou cansado.
Preciso de amar o sol,
De amar a montanha,
De amar o vento e o mar amar também,
De amar as formigas que trabalham para eu cantar,
De amar o chão que de vermelho o outono de folhas cobre,
Não como Quixote amou Dulcineia,
Mas como Pedro amou Inês
Mas estou cansado.
Sabias que eu amo o vermelho?
Mas de o vermelho amar me cansei.
De amar o azul do céu de Lisboa
E de amar Lisboa.
Outros a amaram antes de mim e de a amarem não se cansaram.
Esta Lisboa que Pessoa amou,
Esta Lisboa que, de amar, Pessoa não se cansou,
A mim cansa-me.
Eu amo o azul e de amar o azul eu estou cansado.
Preciso de ser amado pela lua
Qual ninfa quarto-luminosa
Sempre me encanta!
Mais que nova ou mais que cheia,
Mas a lua de quarto-me-amar
Está cansada também.
Preciso de ser amado por ti
Nem que, por via de Platão, o teu amor
Assim longíquo seja. Eu só quero sentir.
Mas de me amares longe e me não chegares
Te terás cansado também.
E por cansaço renuncio.
Renuncio ao liquido voraz
Que me queima as entranhas e me cansa as manhãs.
Renuncio ao liquido voraz
Que me lava as lembranças e de recordar me cansa.
Renuncio ao riso
Que me cansa as maxilas e me engelha a pele.
Renuncio ao riso
Que alegra almas e cansa tristes.
Só não renuncio ao amor.
Porquê? Eu sei e,
Sei que a tudo mais renuncio.
Estou cansado.

Alves Fernandes in Complexus

quarta-feira, outubro 27, 2004

675. Há dias felizes!

Vinte e sete de Outubro é um dia que nada me diz. Nada, de que tenha memória, me aconteceu a 27 de Outubro. Não tenho nenhum filho, amigo, conhecido que tenha nascido a 27 de Outubro. Não tenho parabéns para dar. Nunca comecei um namoro, nunca fiz jardinagem, não me lembro de ter escrito nada, antes, a 27 de qualquer Outubro. Não faço a mínima ideia se no dia 27 de Outubro do ano passado estava a chover ou fazia sol e nem sei se há dois anos, neste mesmo dia, o presidente Bush disse alguma aleivosia. Não conheço ninguém que tenha ganho o totobola, que tenha apanhado uma bebedeira, que tivesse comido tremoços; não me recordo qual era a fase da lua (nem me apetece ir consultar o Borda d’Água), não sei em que posição na tabela ia o Benfica no dia 27 de Outubro dos últimos 10 anos. Tenho a certeza que não tirei nenhuma fotografia tipo passe em nenhum dia 27 de Outubro, que não musiquei nenhum fado, que não me nasceu nenhum dente, que não viajei de mota, que não comi sushi, que não subscrevi nenhum abaixo-assinado, que não critiquei o Governo do Santana Lopes. E no entanto…No entanto, hoje é dia 27 de Outubro e, acredito que para alguns de vós este é um dia especial. E se o for, para mim também será. E, sendo assim, nunca mais direi que o dia 27 de Outubro nada me diz. Feliz dia para todos!

terça-feira, outubro 26, 2004

674. Preocupado…

… com os sósias. Ontem vi um gajo, que parecia meu irmão gémeo, a vender a revista CAIS. Pelo facto gostaria de fazer a seguinte declaração:

Declaração
Eu, abaixo assinado, declaro solenemente que, se alguém vos limpar os pára-brisas num qualquer sinal de trânsito, se alguém vos oferecer a revista Cais, se alguém vos ajudar a arrumar o carro, se alguém vos pedir um eurito para uma sopa, esse alguém AINDA não sou eu.
Ass. PreDatado

PS. Ufa! Estou muito mais aliviado. A directora do Independente ainda não descobriu este meu sósia.
673. Preocupado…

… o Mundo. Com as eleições americanas. Imprensa, televisão, blogosfera… Eu, com o facto de não ter recebido uma única resposta positiva aos 3842 anúncios de emprego que respondi.
672. Preocupado…

... O Mundo. Com o preço do barril de petróleo. Parece que ultrapassou os 50 dólares. Eu, com o preço do barril de cerveja. Custa mais que isso.
671. Preocupado

Hoje acordei preocupado. Ao longo do dia dar-vos-ei conta de algumas das minhas preocupações.

segunda-feira, outubro 25, 2004

670. Conhecimento gastronómico-regional

Ontem fui a casa do meu irmão, que já morou na terra das caldeiradas mas já não mora. Foi a festa de aniversário do meu sobrinho. Aliás, este foi um fim-de-semana em grande, em termos de festividades e gastronomia. Já no Sábado tinha ido festejar as bodas de ouro de um amigo que é da terra das paelhas. Nós, eu que sou da terra do fado e a minha mulher, da terra das migas e dos gaspachos, ontem fomos convidados para almoçar uma feijoada (antes da festa de aniversário do meu sobrinho), na casa de uns cunhados, onde, por sinal, estava um casal, cujo elemento feminino do dito é da terra dos figos e das amêndoas. É assim que nós costumamos referir, os amigos ou as pessoas conhecidas, quando falamos deles. Ainda este fim-de-semana, quando o meu filho me disse que ía à discoteca, disse-me que não me preocupasse pois iria com o amigo da terra das tripas, o da terra da picanha e ainda com uma amiga da terra das cracas. Assim, como é tão comum, lá em casa, esta forma de identificar as pessoas, não ficamos nada admirados com o comentador da TVI quando referiu que o primeiro golo do Benfica foi marcado pelo “homem da terra do bacalhau”.

sábado, outubro 23, 2004

669. Inquietação

Não!
Hoje podes perguntar se quero, que direi não.
Não interessa o que querias que eu quisesse porque o que quer que seja, não quero.
Hoje é dia de negação.
Não me perguntes porque não quero, porque apenas sei que não.
Porquê? não sei.
Vieste calma, eu sei, mas não sei porque vieste calma.
Contrasta com a minha ansiedade, essa calma.
E eu rejeito essa calma que me enerva.
Essa calma que me não acalma, antes me inquieta.
Nunca te percebi tão calma (mesmo quando eu digo que não quero).
Nem me perguntas porque não quero?
Não perguntas, porque sabes que não perguntando
Me verás mais ansioso, ainda.
Não!
Não me vencerás pelo contraste.
Roerei as unhas, escondido.
Comerei até às pontas dos dedos e,
Quando vieres calma, perguntar-me se quero
Mostrar-tos-ei sangrando,
Para te inquietar também.
A tua serenidade enerva-me (nunca reparaste?).

sexta-feira, outubro 22, 2004

668. Caso Joana

"PJ reteve boné do tio da Joana" in Correio da Manhã.

Há mais de um mês que a PJ anda a apanhar bonés.

quinta-feira, outubro 21, 2004

667. Balanço

A uma semana do aniversário deste blogue deu-me para olhar para todo ele e constatar que:

Em 64 publicações descrevi os meus “comes e bebes” – estou mais gordinho!
Em 36 publicações coloquei poemas próprios – quase dava uma antologia!
Em 70 publicações fiz crítica política e social – Estás aqui estás a substituir o Marcelo.
Fiz 15 homenagens – Pai, Mãe, Maria, Anita, João incluídas.
Por 22 vezes falei de viagens – verifico que passeio pouco. Enfim…
Foi aos blogues dos outros “roubar” textos, 19 vezes. Citei-os sempre e fiz a vénia.
Coloquei extractos de obras consagradas por 39 vezes. Foi divulgação ou apoio aos meus textos. Espero não ter de pagar direitos de autor.
Armei-me em Gabriel Alves de trazer por casa e comentei o desporto por 43 vezes, das quais 12 foram exclusivas do meu Benfica!

Nos restantes 359 posts falei de tudo e de nada. Ficcionei, contei histórias, piadas, referi blogues que gosto, espontaneidades ou, assim, algo de mais profundo, coisas da vida, da minha e dos outros. Tenho de agradecer particularmente a três entes que me ajudaram nesta produção. O meu espelho que dialogou comigo e me ajudou a ver para lá da imagem; obviamente, o meu gato Schubert que foi muleta em mais de 40 textos e teve direito a 10 exclusivos; Last but not least, vocês leitoras e leitores amigos que tiveram a pachorra de me ler.

E eu? Alguma vez imaginei ser capaz de escrever isto tudo?

PS. Uma referência particular ao latim, sem o qual seria impossível qualquer post scriptum.

quarta-feira, outubro 20, 2004

666. Benfiquismo!

Nos primeiros vinte anos de sócio do Benfica nunca fui votar para a Direcção. A única pessoa que me fez ir às urnas foi João Vale e Azevedo. Para votar contra! Repito: CONTRA. De todas as vezes que JVA concorreu eu fui votar contra a sua candidatura. No entanto, apenas no seio da família benfiquista fui capaz de criticar a sua actuação. Tenho testemunhas, mas nem precisaria, pois sei que os verdadeiros benfiquistas me acreditam. Nunca um sportinguista ou um portista me ouviu a mínima crítica a JVA e à sua direcção. Muitas vezes engolia em seco. Mas engolia. Ontem, ao ler os jornais, dei conta da convocação de uma assembleia para expulsar de sócio não só JVA, mas também um grupo de outros benfiquista que pertenceram à sua Direcção. Já que não sou pessoa violenta, deixo aqui a minha mais veemente bofetada aos infames que fizeram tão mesquinha proposta. JVA fez tanto mal ao Benfica como tantos outros fizeram. E acredito que o tenha feito por todos os motivos e mais um. Só não acredito que o tenha feito por anti-benfiquismo. Viva o Glorioso SLB!

PS 1. Escrevi este texto em MS-Word, antes de o colocar aqui. O corrector de português sublinhou-me como erro as palavras sportinguista e portista. A palavra benfiquista foi aceite pelo dicionário. É apenas mais um sinal da nossa grandiosidade.
PS 2. Este é o post 666. Simplesmente dedicado às bestas que levam a Assembleia Geral tão inqualificável proposta.
665. Está quase

Nos vindouros vinte e nove de Outubro prevê-se, no caso do destino da gente não nos pregar desagradáveis surpresas, que o blog do PreDatado e o próprio PreDatado, enquanto personalidade bloguística, completem um ano nestas lides. Nesse dia far-lhes-ei uma surpresa.

PS. Desengana-te Robina dos Bosques porque não vou escrever nenhum post sobre queques nem suas respectivas fêmeas.
664. Eu só queria comprar pão…

Para mim o favorito é o Frota. Não, para mim não, não gosto de brasileiros. Ai, não digas isso, ele é tão bom actor. Por isso mesmo, é falso! Está ali a fazer teatro. Ele é, é um grande jogador. Teatro está o outro a fazer. Qual outro? O maricas! Não chames maricas ao homem, ele tem aquele jeito mas não é nenhum maricas, o homem até tem um filho. E então o que é que isso quer dizer? Olha, para mim, quem devia ganhar era o Pedro Reis. Quem é esse? O alto. Aquele fala e fala bem. Ah já sei, mas a esse ninguém o conhece. O Presidente é que eu não gostava. Lá estás tu, o que é que tens contra o homem? Só se é por ser mais velho. Então para isso também não quero que a outra velha ganhe. Nem a Cinha. Ainda por cima é do Benfica. Oh filha, aquilo não tem nada a ver com bola. Você pediu-me o quê? Pedi seis bolinhas. Desculpe, a gente estava aqui entretidas com a Quinta. Não faz mal, podem continuar. Eu até nem vi o episódio de ontem.


PS.

And we all say:
OH!Well I never!
Was there ever
A Cat so clever
As Magical Mr. Mistoffelees!

Hoje ainda não parei de trautear. Os Cats no Coliseu. Já tinha visto em Londres. Ontem repeti. Aliás tri-peti. Excelente!
663. AACS

Ontem desde as rádios às televisões ouvi, em tudo quanto foi noticiário, o Ministro dos Assuntos Parlamentares a defender-se das alegadas pressões feitas à TVI, no caso Marcelo Rebelo de Sousa. Só que não percebi do que é que estava a defender-se. Ou nenhuma rádio e nenhuma estação de TV tiveram engenho e arte para captar as perguntas e o “contraditório” da AACS, o que me parece coincidência a mais, ou não houve. O pior (pior, pior, pior como diz um dos entreteiners no Levanta-te e Ri), é que também não ouvi os repórteres das referidas estações tecerem comentários sobre isso. Ou sou eu que ando muito exigente, ou muito distraído. É que para árbitros “imparciais” já me chega o Olegário Benquerença.
662. Agendem

A minha amiga Ju vai expor as suas pinturas no IPJ de Faro. A inauguração será no dia 2 de Dezembro. Tomem nota nas vossas agendas.

terça-feira, outubro 19, 2004

661. Academia

Ontem tive a pachorra de ver um programa da SIC Noticias, chamado “Dia Seguinte”. Neste programa um doutor, chamado Dias Ferreira representa um clube de Futebol, o Sporting. Dizia ele, entre outras coisas e, parece que não pela primeira vez, que o Sporting é um clube diferente. Hoje à hora de almoço a nossa discussão sobre futebol teve algum acendimento e um dos temas foi, efectivamente, o Sporting ser um clube diferente. Mas como sou de ficar a matutar nas coisas e a tentar percebê-las, finalmente dou a mão à palmatória. Lembrei-me (porque também falamos disso) da Academia de Alcochete. Peguei no Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, e lá estava:

Academia s.f. sociedade de escritores, artistas ou cientistas; sede dessa sociedade; escola de ensino superior; conjunto de estudantes de uma instituição escolar; reunião de académicos.

E de facto, reconheço, que ver o Físico Nuclear Pinilla em campo, o poeta Paíto, o Dr. Cirurgião Dentista Hugo Viana, o Arquitecto Liedson, o escritor (best-seller) Rogério, os estudantes Ricardo, Hugo, Beto, e Pedro Barbosa, o prémio Nobel da química Custódio, o Pintor Sá Pinto, todos reunidos, é de facto uma coisa diferente!


PS. Não liguem ao post, isto é coisa de lampião ressabiado, porque na Catedral da Luz o papa chama-se Vieira e o bispo chama-se Veiga. Já agora, quantos portugueses conhecem o orçamento geral do estado para 2005?
660. Querido escriba
(ou carta de um blogue a quem o escreve)

Você anda muito cheio de sem jeito. Uns dias, está negro, como se a sua alma tivesse sido invadida pela carvoeira, outros, alegre e bem disposto, escrevendo aquilo que você considera graçolas. Veja se se define porque eu já não tenho cu que aguente. As pessoas que aqui o visitam não merecem estas constantes variações de estilo. Estilo? Deixe-me rir. Estas constantes variações de falta de estilo. Veja, por exemplo, os blogues que comentam notícias de jornais. São lídissimos. Você lembra-se quando lia a telepress, aquele conjunto de recortes, à maneira, que evitava que você tivesse de comprar todos os jornais para ler uma pequena meia dúzia de notícias? Pois agora há os blogues telepréssicos. E são de borla. E aqueles que todos os dias colocam um poema retirado das majestosas obras da Sophia, do Eugénio, do Fernando, do Álvaro, do Pablo. Aposto que você já sabe o “Mar Português” de trás para a frente e de frente para trás. Esses sim, cumprem a sua cultural missão. E também são de borla. O quê? Os seus autores não criam nada? Não seja patético! Ou então, escreva coisas coerentes e não ande aos saltinhos de gato para cavalo, de cavalo para rinoceronte, de rinoceronte para galo de Barcelos. Isto não é nenhuma quinta e muito menos um jardim zoológico. Se você escrevesse coisas interessantes, aqui na minha página, do tipo “o meu gato hoje quando foi lavar os dentes, verificou que a pasta dentífrica tinha acabado” e, de seguida, fosse coerente e escrevesse um novo texto: “hoje fui ao supermercado, comprar pasta dentífrica para o meu gato” e terminasse a saga com “hoje o meu gato, já tinha uma pasta de dentes nova”, iria ver o êxito que eu teria. Assim, este pobre blogue, sniff, sniff, sniff (isto sou eu a chorar, meu caro escriba) vê-se na contingência de ter de falar mal do Santana Lopes um dia, editar um poema sobre as “lapiseiras de bico de carbono duro”, outro dia, depois falar de futebol ou do estado do tempo. Isto não é linha editorial que se preze, percebe? Assim não vale, caro escriba. Você há quase um ano que me escreve e ainda não lhe tomou um rumo. Está bem, eu sei que nem todos sabem escrever posts e posts a citar os posts dos outros, mas você podia fazer um esforçozinho, não acha? Olhe hoje já estou cansado de o criticar, mas prometo que um dia destes voltarei ao assunto.


PS. E deixe-se de pêésses, que eu já estou farto desta última frase, quase sempre, escrita para evitar um novo post.

segunda-feira, outubro 18, 2004

659. Crónica Social

Lindo vestido o da Patá (à esquerda na foto). Pitucha e o seu namorado José de Alencar e Santos (à direita na foto). Elegantíssima ía Ginginha e o seu (dizem) novo namorado Carlos Pinto e Pinto (em baixo). Não faltaram os penetras e as novas tias que se fizeram convidadas. A festa estava um must, que o digam o empresário Gulherme Navarone e Xaputinha Quintal (segurando uma taça de martini, azeitona, na foto acima).

PS 1. A escrever assim, não tarda estou a escrever para uma revista cor-de-rosa ou de outra cor qualquer.
PS 2. Aviso aos editores: tenho pose que é como quem diz pareço bicha (mas não sou paneleira). PS 3. O meu nome artístico-literário é Pre Vila Real (ou será Pre Santa Apolónia?). Contactos pelo 91 ahahaha (rir com pose), o resto adivinhem, bichas!!!
658. Vento

E das folhas caídas se faz chão. E do chão, tapetes, onde gosto de rebolar e sair húmido. Pegar uma mão cheia fazê-las esvoaçar e pentear-me de castanho e vermelho e roxo.
657. Hoje…

Tenho tanta vontade de escrever. No entanto, o vento sopra forte e arrasta-me as letras para longe. Quem sabe, polinizem.
656. Marujos

Noutros tempos chamava-lhes os “marujos”. Vinham a cavalo de Vila Real de Santo António até ao Pomarão. A cavalo, é como o Ti Manel se refere a virem de barco Guadiana acima. Depois, canastas à cabeça ou aos ombros calcorreavam montes e vales. Os pés escorriam sangue e nem para a bucha ganhavam. De que servia comerem um pedacinho de pão aqui ou ali se, em casa, uma prole de filhos os esperava com fome? Do Pomarão à Mina de S. Domingos, mesmo a corta-mato, são mais de 15 kms. De trem, só os senhores da mina. Os operários saíam noite pela madrugada, para pegarem às oito. As serviçais, que iam tratar das casas de quem mais posses tinha, faziam vinte, trinta ou mais kms sempre a pé. Os filhos ficavam na cama, guardados pelas irmãs mais velhas. Os filhos, duas horas depois, por volta das seis, levantavam-se para guardar rebanhos ou trabalhar na ceifa. E os contrabandistas atravessavam o Chança a nado, quase sem respirarem, onde do lado de cá os guardas-fiscais os esperavam. Tempos difíceis.

PS. 1 Maria Útilia, desejo-te um feliz aniversário. O Ti Manel, mandou-vos cumprimentos.
PS. 2 Apesar dos tempos estarem maus, não guardei as romãs só para mim.
655. Bom dia

Passei o fim-de-semana no “meu” Alentejo. Seja Primavera ou Verão, seja Outono ou Inverno, o Alentejo é sempre lindo. Ontem foi dia de romãs. Uma pequena romanzeira que tenho no quintal, que nasceu espontânea há uns 3 anos atrás e tratada por quem nunca percebeu o mínimo de agricultura, deu romãs de 750 gramas. Maravilhosas na abertura, vermelhas e doces.

PS. Ao contrário da romã levei com um árbitro azul e amargo. Coisas do futebol.

sexta-feira, outubro 15, 2004

654. Em defesa da língua portuguesa

Eu sou um conversador nato. Às vezes sinto-me, até, tagarela de mais. E quando não tenho gente perto, converso à distância. Seja ao telefone, seja nas salas de conversação da Internet, vulgo chats. É aqui que a porca torce o rabo. Viram que escrevi chats? Era necessário, uma vez que já tinha escrito antes salas de conversação? Não, não era. É também lá que eu costumo ler e escrever LOL…

Ao ler, ontem, o post do Circo Cerebral (ops, o post…, quer dizer o texto), ele que está a passar férias em Inglaterra, reparei que escreveu, e muito bem, acrescento, Escritório em vez de Office, Janelas em vez de Windows, Edição Casa em vez de Home Edition. Só não sei se fez bem em escrever Chispe em vez de XP, mas acho que foi por causa da falta do acento circunflexo no teclado. RAG.


PS 1. PS é latim, portanto é desculpável.
PS 2. RAG = Rindo Às Gargalhadas em vez do anglo-saxónico LOL. Em defesa da língua portuguesa.
PS 3. Em França existe já uma determinação oficial para se utilizar COURRIEL (uma junção/abreviatura de courrier electronique) em vez do anglicismo e-mail. Sabendo como funcionam os Correios em Portugal nem me atrevo a propor CORRELE. Nem em azul as mensagens chegariam a tempo.
653. Al(he)ado

Vejo, de um lado, o azul e também do outro.
Lá em baixo, um vapor passa, fumante.

E o fumo se mistura com o fumo de cá.
Na margem, o fumo esfuma-a.

Estou mais perto do Sol,
E à noite, das estrelas.
Vejo as estrelas num dos lados e também no outro.

E a luz se mistura com a luz de cá.

Tudo é igual nas duas margens.
Lá em baixo, entre a ponte e o mar,
O vazio.

Não voarei nesse ar!

quinta-feira, outubro 14, 2004

652. A operada

Catarina:

- Não sabia que ías tirar a vesícula. Da próxima vez estás proibida de o fazer sem me avisares. Os amigos são para as ocasiões. Se me tivesses dito, teria pedido para levares a minha também. Quem tira uma, tira duas. E assim poupava-se uma ida ao hospital (tirar uma vesícula é chic). Agora que os transportes públicos aumentaram, sempre se poupava uns cêntimos. Eu sei que não é bom estar a falar em poupanças, pois o nosso primeiro diz que agora há dinheiro a rodos, e vai aumentar as pensões e isso, e os funcionários públicos e isso, mas eu sempre fui assim. Só não sei o que é vou fazer daqui em diante aos euritos que me sobram e que aplicava em pêpêérres. Quanto à hérnia, não sei quê, não sei quê, a minha é discal, pelo que não a cedo a ninguém. Se me tirarem a dita, onde é que eu vou ouvir música? É que, apesar dos CDs, ainda tenho muitos discos de vinil para ouvir. Finalmente, vamos ao que interessa: os pontos. Ó miúda, mas tu não acabaste o liceu há uma data de anos? Ainda tens pontos? Ou estás a falar do relógio de ponto lá do emprego. Confesso que nunca vi um relógio de ponto de bikini. Mas tu é que sabes, se o bikini já era, olha, mal por mal, preferia os pontos de matemática. O quê? Não estás a ver a relação entre o bikini e a matemática? Então lê o PS.


PS. Ilha de Bikini / Atol de Bikini : Área terrestre: 3.4 square milles; Ilha: 384 acres; Ilha de Eneu: 308 acres; Total Lagoon área: 240 square milles. Quem não souber fazer contas está lixado.
651. Conduzir à esquerda

O meu sobrinho anda por terras de sua majestade. Diz ele, lá no seu genial blog, que nunca viu tanta gente a guiar em contra-mão. Fez-me lembrar quando, há alguns anos atrás, invocando a mais antiga aliança do mundo, alguém, aqui no nosso cantinho, achou que também deveríamos começar a conduzir pela esquerda. Dizia às páginas tantas do seu argumentativo discurso: “… e, a título experimental, na primeira semana, serão só os camiões”.
650. Outonos da minha infância

O meu pião

Onde estará aquele meu pião? Era pequeno, maneirinho, como nós dizíamos, quando íamos comprá-los à Casa Ramos. Todo, cabia na pequena mão fechada. Era para dar pontaria. Tinha um pionais na cabeça. Chamávamos-lhe o bacelo. “Não tem bacelo? Vai para a quinta do camelo”. Eram assim a brincadeiras dos putos. A guita era de algodão. Essa não se desfiava. As de sisal não prestavam, não davam um bom aperto e, aos poucos, esfarelavam-se. Em cima, uma coleirinha pintada a várias cores. O meu pião tinha uma coleira verde e vermelha, feita com tinta de óleo. “Não tem coleira? Vai para o fundo da algibeira”. Era o código para que não fosse fanado. Havia putos que não compravam piões, fanavam os que não tinham coleira. O meu pião rodava sempre mais de um minuto. Eu jogava-o “à homem”. Um movimento de arremesso forte de cima para baixo. E apanhava-o entre os dedos ou com a própria guita. A mim não me fazia cócegas quando rodava na palma da mão. Era à homem. Eu não jogava à cagadinha. O meu pião rodava mais de um minuto.

Paravas, olhando o jogo do pião.
Num lance, a guita ainda a sibilar,
Pegava-o do chão.
E, com a perícia (já contada),
Punha-o a rodar
Na mão da namorada.

quarta-feira, outubro 13, 2004

649. Bom senso

Eu já sabia que eu tinha bom senso. O que eu não sabia era que ela sabia que eu tinha. E agora que sei que ela sabe que tenho, com todo o bom senso que me caracteriza, não posso deixar de lhe mandar um beijinho.

PS. 1. Só ontem li a tua primeira crónica do DNA. Mais vale tarde que nunca. Mas como não sou crítico de escrita, manda o bom senso que não faça considerações.
PS. 2. Gostei.
648. Outonos da minha infância

Jogo do Berlinde

Passavas, de cabelos longos.
Longos e negros.
E sedosos.
E brilhantes.

E eu fingia que te não via.
Um joelho no chão,
Não rezava.
O cristal dos berlindes
Reflectia todos os teus instantes.

terça-feira, outubro 12, 2004

647. Caminhos

Se encoberto o céu se encontra,
Minh’alma está de cinza nublada.


Hoje fui passear pelo jardim onde já não se vêem rosas brancas. Por todo lado procurei verde, mas a cores do Outono confundem-se com as cores das romãs. Respirei fundo e consegui das magnólias, sentir-lhes o cheiro. Mas não encontrei os odores do rosmaninho.

Se encoberto o céu se encontra,
Vou tropeçando nas pedras do caminho.


Sempre te peço que abras as janelas, que lhe retires as trancas. Tu sabes quanto eu gosto que por elas seja invadido de manhãs. Se pudesse mandar desviar, as nuvens, as sombras, as paredes, queria ver o Sol o dia inteiro. Eu sei que não peço muito. Se fossem só as frestas me bastaria. Hoje, quase tudo se me nega.

Minh’alma está de cinza nublada
Como venda em jogo da cabra-cega.

segunda-feira, outubro 11, 2004

646. Com papas e bolos...

Podes-me passar a mão pelo pelo que eu não abano a cauda, nem arfo de língua de fora. Ou, como dizia a minha avó, com papas e bolos se enganam os tolos.
645. Help - SOS - Ajudem

Pois! Era só clicar ali ao lado e lá estava eu a ler os vossos posts. Portanto, não é de admirar que não me lembre, de cor, as URL dos vossos blogs. Peço uma ajudinha muito simples. Aqui nos comentários deixem-me o URL. Pode ser? Obrigadinho.

domingo, outubro 10, 2004

644. Desculpem

Um erro na publicação, aquando de uma alteração no template, destruiu-me o dito cujo. A pouco e pouco vou recuperar o que perdi, nomeadamente os comentários e os links. Mil perdões aos que me lêem e aos que me comentam e, grato pela compreensão.
643. Anjo da Guarda

Olho para o tecto, parece branco
Alguns vultos de sombra
Desenham estranhas nuvens.

Amedrontam-me, viro-me para o lado
Onde em paredes brancas
Vultos
Desenham estranhas nuvens.

Tapo os olhos, que nada vêem, com as palmas das mãos
Que me parecem brancas,
Vultos que são sombrias nuvens.

No outro lado estás tu.
Vulto,
Toco-te e adormeço.

Alves Fernandes in Complexos

sábado, outubro 09, 2004

642. Obscenidade

Por ser obsceno e poder ferir susceptibilidades o meu título, tem bolinha:

Liechenstein 2 - Portugal 2

sexta-feira, outubro 08, 2004

641. Nostalgias

Eram sete e meia da manhã. Nem mais, nem menos um minuto. Entrava no café precisamente sempre à mesma hora. O Sr. Andrade tinha já o galão e o papo-seco, que guardava de véspera, ligeiramente torrado e barrado com pouca manteiga, pronto para servi-lo. Tinha vestido um fato azul-escuro, camisa branca, gravata azul clara, lisa, de seda natural. Como sempre, chegou-se ao balcão, embora desta vez com alguma dificuldade pois, no lugar onde costumava tomar o pequeno-almoço estava agora encostada uma nova cliente. Não pediu licença. Aguardou calmamente a sua oportunidade. Mal se abriu uma nesga, esticou um braço, pegou no copo e bebeu um pequeno gole. Sem açúcar, como ele gostava. Depois, pegou no pão e comeu-o. Todo. Nunca embuchava quando comia pão. Comia-o calmamente enquanto o copo de café com leite arrefecia. Pagou, deu os bons dias de despedida e dirigiu-se ao carro. Esperava-o, pela frente, uma longa fila de trânsito.

Foi há mais de dois anos que repetiu este ritual pela última vez. Ainda hoje tem por costume já estar vestido às sete e meia da manhã. Já não toma o pequeno-almoço no café do Sr. Andrade, mas ainda gosta de café com leite morno, quase frio, sem açúcar, nem enfrenta a fila de automóveis, com condutores a esfregarem os olhos, passageiras a maquilharem-se, um ou outro dedo no nariz a completarem a higiene diária. Nem ouve a TSF no rádio do carro. Não sabe como estão os acessos ao túnel do Marquês, nem se há engarrafamentos na rotunda do Freixo.

Hoje, levanta-se da mesa, passa o copo do café com leite por água, coloca-o na máquina de lavar, dirige-se para a secretária, lê on-line todas as ofertas de emprego e depois escrevinha qualquer coisa no blog. Tem saudades do café do Sr. Andrade.

quinta-feira, outubro 07, 2004

640. Excitação (II)

Mas eu hoje não paro de me excitar? Então não é que o PS de Marco se quer demitir, porque o Presidente da Câmara anda a dormir com uma porca? E esses senhores nunca leram aquela passagem bíblica que diz, “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”? Será que nunca nenhum deles teve uma porca à cabeceira? Santa ignorância. Ainda vamos ter, à semelhança das mães de Bragança, um abaixo-assinado dos pais do Marco.


(hoje estou virado para as juras; juro e torno a jurar, que se me dessem a escolher entre dormir com uma porca e andar atrás de um árbitro, escolheria a primeira; sei lá o que iam pensar de mim por andar atrás de um gajo…)
639. Excitação (I)

Aimeusdeuses, estou tão excitado. Acabei de ouvir, na SIC Notícias, que o Sr. Presidente da República recebeu o professor Marcelo Rebelo de Sousa, durante uma hora e cinco minutos. Confesso que se tivesse sido durante uma hora e dez minutos eu não ficaria mais excitado.

(eu ainda sou do tempo em que o Sr. Presidente da República consultou 853 personalidades e 28 partidos políticos, para chegar à conclusão que a nomeação do Dr. Pedro Santana Lopes, para Primeiro-Ministro, não era anti-constitucional. Juro – grito eu batendo três vezes com a mão direita no peito – que nessa época também fiquei muito excitado)
638. Estou preocupadíssimo

Ao passar num quiosque vi na capa de um jornal desportivo que o Sporting está a pensar em eleições antecipadas.
(estou tão perturbado que escrevi a frase anterior sem virgulas por nem saber onde as colocar; e esta também... ou quase).
Eu gosto tanto do Dias da Cunha. É que, sabem minhas amigas leitoras e meu amigos leitores, quando o ouço falar, esqueço-me de outros gágás da nossa "praça". E além disso dá jeito ao meu clube que os seu rival tenha um presidente destes. C'est pour cause...
637. Juro

Que ando cheio de vontade de voltar a escrever poesia.


(o pior é que não me apetece...)
636. A propósito da Escola de Colares
(e de um post de Francisco José Viegas, no Aviz – Repórter 6/10/2004)


Tive um patrão que se chamava Celso. Quando entrei para essa empresa o tal senhor ainda não era o patrão. Eu habituei-me a tratá-lo por Senhor Celso, enquanto ele, mais velho, e hierarquicamente superior me chamava simplesmente Vitor. O tempo passou e o tal senhor foi indigitado como chefe da banda. A páginas tantas, exigiu que o tratasse por Senhor Celso do A. (não colocarei o apelido, por motivos óbvios). O argumento era de que me tinha tratado sempre por Sr. Engº Vitor Fernandes e, como tal, era uma falta de respeito, tratá-lo por senhor Celso. Não adianta dizer que era totalmente mentira. A partir desse dia passei a tratá-lo por Senhor Delegado Geral. Ao senhor Primeiro-Ministro, toda a gente o trata por senhor Primeiro-Ministro. Ao Sr. Presidente da República, ao Senhor Presidente da Câmara e até ao Senhor Presidente de um clube de futebol, toda a gente trata por Senhor Presidente. A um médico as pessoas chamam senhor Doutor, idem a um advogado ou a um economista. A mim até me costumam chamar Senhor Condómino do 3º Esq. Portanto, meu caro Francisco José Viegas, não vejo nenhum convite à indisciplina ou à má educação, e muito menos à rebeldia, chamar Sr.ª Contínua à D. Rosa. Ela é contínua ou não é Sr. Escritor? Eu recuso-me a chamar Sr. Jorge Sampaio ao Sr. Presidente da República, enquanto o for. Chamem-me rebelde.


(podem-me tratar por Sr. blogger ou bloguista, em vez de Sr. PreDatado; não vos considerarei mal educados, podem crer)
635. Ainda não me habituei à ideia…


De ver o José Castelo Branco como se não fosse bicha
De ver o Jornal Nacional de Domingo sem o Marcelo Rebelo de Sousa
De deixar de beber cerveja, whisky e comer certas iguarias por causa do ácido úrico

Mas sobretudo, sobretudo

De ter que dar razão ao José Pacheco Pereira! Com o post de hoje, no Abrupto, “Rigorosos e Especiosos” eu não poderia estar mais de acordo. Aplaudo.


(eu sei que para si, os conceitos de esquerda e de direita, já eram; no entanto subscrevo-o quando diz “pobre país”; está aqui um ‘tipo’ de esquerda a aplaudir opiniões de um ‘tipo’ de direita; de facto… pobre país)

quarta-feira, outubro 06, 2004

634. Contraditório

Muito se tem dito e se tem escrito sobre o contraditório. Há dois dias que, em termos políticos é claro, a notícia do dia é Marcelo Rebelo de Sousa. Deveria ter contraditório? Se calhar devia. Mas ele deu um golpe de mestre. Despediu-se da TVI. Pois, há quem diga que o Governo, o Dinheiro, os Interesses, pá, essas balelas todas é que forçaram o MRS a sair. Eu, não acredito. Alguma vez, depois dos coronéis alguém fez censura a alguém? Não, meus caros, isso da censura não existe. O quê? O poder dos lobbys, do capital? Mas estão a delirar, ménes? Mas isso existe? O que aconteceu mesmo foi que o MRS quis chatear o Governo uma vez mais. Vai daí despede-se e todos ficam a pensar que o PSL teve alguma coisa a ver com isso (só espero que o Acidental, ou o Basfémias, ou o Quinto dos impérios, não venha aqui roubar-me a teoria e depois, nem uma citaçãozinha, nem um postal, nem um SMS…).

PS. A propósito de contraditório, será que alguma Alta Autoridade vai obrigar a TVI a criar um programa chamado o Arranha-Céus dos Desconhecidos?
633. Dilema

Tenho estado a pensar se hei-de fazer referências à Quinta das Celebridades no meu blog ou se hei-de dar uma de intelectual, fingir que não vejo, passar ao lado e citar de vez em quando os filósofos da antiguidade (não é piada ao Sócrates, ok?) ou os da modernidade, penso eu de que… (não é piada ao Pinto da Costa ok?).
Mas estive um bocadinho a pensar ao que é que me havia de referir de relevante nos últimos dias, para armar ao pingarelho e até parecer um gajo bem informado e veio-me à cabeça a rábula das mini-saias. Agora tenho novo dilema. Será que hei-de aqui escrever uma prelecção sobre a mini-saia, com uma incursão nos anos 60 e de caminho falar nos Beatles, nos The Monkeys, no início da carreira dos Bee Gees ou nos nunca acabados Rolling Stones e depois ficar-me pela Mary Quant ou falar naquela gaja podre de boa que é minha vizinha e que por acaso até é top model, o que já causou umas duas ou três observações da Maria, “tipo estás a ver se chove ou queres chuva?”. Então resolvi mesmo não querer saber se nas escolas se vai proibir a mini-saia, tal véu islâmico em escolas francesas e, resolvi pegar no tema do Reitor da Universidade Católica sobre as discotecas. Mas é aqui que, novamente, a porca torce o rabo. É que se vou falar em discotecas, vou ter que falar no Santana Lopes e daí passo para o Governo e para a governação, e o caraças, que este blog tem mais que fazer do que falar em animais. E falando em porca a torcer o rabo e em animais, que tal falar na Quinta da Celebridades?
632. A minha professora e o Presidente da República

A minha professora está toda contente por ter sido colocada na mesma escola. Nós, os alunos é que ficamos um bocadinho chateados. Isto porque ela é muito exigente. Hoje, mal entramos nas aulas, pediu-nos para fazermos um pequeno exercício. “Se eu escrevesse ao Presidente da República, o que é lhe diria”. Eu levantei o braço e disse-lhe que ela estava a pedir muito para gente tão pequenina. Então, talvez por castigo, obrigou-me, a mim, a ser o primeiro a interferir. Tive de lhe dizer que antes de vir para as aulas, passei como de costume pelos três cafés habituais. E que tinha levado uma seca em triplicado, de José Castelo Branco e Cinha Jardim. Que eu ainda tinha metido conversa com um, que estava a pagar o gasóleo a 0,849 €, mas ele disse-me que estava um bocado mesmo preocupado era com os 5 pontos do Sporting, na 5ª jornada. Bebi a bica num gole, quase me queimei, mas ainda tive tempo de lhe perguntar se ele achava bem que o governo não aceitasse as críticas do Marcelo na TVI. O que eu fui falar. Não perceberam bem (de facto com a boca queimada do café, acho que não me fiz entender) e levantaram-se quase em coro a defender a TVI, sim, é que era boa, que o Castelo Branco era a vida da quinta, sem ele o programa não tinha graça nenhuma e tal e tal e coiso. Os outros putos já estavam todos a falar uns com os outros, e havia um até que apostava que o castelo Branco ia mugir mais depressa o brasileiro do que uma vaca na quinta. Aqui a professora deu um berro, mandou calar a malta e perguntou-me o que é que esta conversa tinha a ver com o que eu escreveria ao Sr. Presidente da República. Fiquei espantando com tanta falta de capacidade analítica da minha professora, mas mesmo assim ainda fui dizendo, que se lhe escrevesse, tinha-lhe pedido para não ter feito aquele discurso, no 5 de Outubro.

- Ó Pre, porquê? – Um ar de interrogação mais acentuado do que quando soube que estava colocada.
- Então não vê que com a malta de ponte, quatro dias fora, e preocupadíssima com as luvas de pelica do paneleirote da quinta, ninguém ia saber do que ele estava a falar. O melhor mesmo era ele estar caladinho e deixar a gente curtir a Isabel Preto que é boa como o milho.

terça-feira, outubro 05, 2004

631. Peço desculpa

Por não ter falado do Rui Gomes da Silva, do Pedro Santana Lopes e do Marcelo Rebelo de Sousa;
Por não ter falado da Quinta das Celebridades e do José Castelo Branco;
Por não ter falado da anunciada renúncia do Carlos Carvalhas à liderança do PC
Por não ter falado no 5º aniversário da morte de Amália Rodrigues;
Por não ter falado do José Peseiro e da carreira do Sporting;
Por não ter falado do discurso do Presidente da Repúblicas nas comemorações do 5 de Outubro;

Mas…

Ultimamente não ando muito afim de causas. Eu agora sou mais casos e acasos. E por acaso, ontem passei o dia a comer presunto. Jamon Serrano e Jamon Bodega de tres e cinco bolotas e vino tinto de nuestros hermanos. E olé!

domingo, outubro 03, 2004

630. Gatices

Se eu tivesse uns olhos assim, Schubert, seriamos concorrentes. As gatas que se cuidassem.



629. Até quando esta cruz?

O gajo estava a falar mansinho. O som vinha lá de dentro e invadia-me a casa de banho, cuja porta estava semi-aberta.

- Queres crer que eu ainda não acredito que o gajo esteja envolvido naquilo da pedofilia?

Peguei no frasco do after-shave e atirei-o contra.

O estilhaçar ouviu-se pela casa toda. Por um momento deixei de ouvir a teatral voz da televisão.

- Que barulho foi esse? – Ouviu-se um grito vindo algures não de onde.

- Não é nada amor, foi só o espelho que se partiu. Amanhã eu compro outro.

(há actores que até enganam os espelhos).
628. Anti virus

A minha imeilbocse tem estado vazia. Demasiado vazia.
627. Ignóbeis

Através da Maura no Diário de Lisboa, fui chamado à atenção para os prémios IgNobel deste ano. Ela realça vários. Eu gostaria de realçar este:

CHEMISTRY The Coca-Cola Company of Great Britain, for using advanced technology to convert liquid from the River Thames into Dasani, a transparent form of water, which for precautionary reasons has been made unavailable to consumers.

Pronto, já sei. O PreDatado é anti-capitalista primário não é?

Vejam os restantes aqui.

sexta-feira, outubro 01, 2004

626. Citações

Excelente entrevista esta noite, no clube de jornalistas, na 2, concedida por José Pacheco Pereira. Excelente não, boa. Melhor dizendo, boa não, sofrível ou, corrigindo, péssima. Então não é que, o Dr. Pacheco Pereira citou para lá blogs que foi um disparate, ele disse até que, quando quer saber notícias de Felgueiras há um blog que as dá, ou quando quer saber notícias da Figueira da Foz, há um blog que as dá. Ó meu caro senhor Abrupto (tem de ser assim não é? Estamos a falar de blogs!), e eu não dou notícias do meu gato? E nem uma citação? Que entrevista sofrível. Sofrível, não, péssima!

quinta-feira, setembro 30, 2004

625. Futebóis

Os gajos dos jornais, andam sempre a dizer e tal e coiso, e os pontos e tal dá mais equipas e isso, e depois vão cinco à UEFA e coiso. E coiso não, e coiso não, os gajos vão lá, vão lá, vão lá e não ganham nada. Báááá. (Desculpa lá a imitação Ricardo, mas é que deu muito jeito. Bááá).
624. Desejos

“P.sAdianto-vos, outrossim, que, não obstante, sou uma grávida normal.Tenho desejos e tudo: de manhã, a primeira coisa que me vem à cabeça é um “Smart ForFour”…(Já expliquei, a quem de direito, que se não me for feita a vontade, os traumas emocionais da criança podem ser terríveis…)”

Este PS não é meu. É da grávida. Imaginem se a Papoila, quando acordasse a primeira coisa que lhe viesse à cabeça fosse ler o PreDatado… (ai querido/a filho/a da Papoila. Tão pequenino assim, ainda não sabes o que são traumas)
623. Bombeiros

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada. Humanitária? Dasse. Humanitária? Primeiro mandam uma ambulância com 2 homens: um motorista e outro. (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago). A Senhora tem 100 kgs (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que a Senhora mora num rés de R/C). Eles têm macas com rodas. O motorista diz que não é nada com ele. Então? Mandaram só um? O que é que essa besta quadrada anda lá a fazer? É só para ligar sirenes e levar o dele ao fim do mês? Humanitária? A Senhora acaba o exame no hospital. A ambulância ainda lá está. A filha telefona para os bombeiros. Chama uma ambulância para o regresso (deixem-me fazer um parêntesis para dizer que o serviço é pago), “que é só um momentinho, que eles vão já”. A filha pergunta aos bombeiros se são eles a fazer o serviço de regresso. O motorista, o mesmo, assobia para o ar. Humanitária? Dasse. Voltam costas, vão embora. A ambulância regressa uma hora e cinco minutos depois. Humanitária? Venham cá vender rifas que mando-os pró caralho.

PS. Apesar da temperatura, não faço posts a quente. Esta é a terceira, ou quarta, ou quinta vez que situações destas se passam com os Bombeiros de Almada. Estou cansado destes gajos.
622. Andares

Eu hoje tenho uma andar de grávida. No meu caso é grave. É ciática mesmo.
621. Bufo

Para quem não sabe vou chibar-me. A Papoila está grávida.

PS. Parabéns!

quarta-feira, setembro 29, 2004

620. Editorial

Ultimamente, muito se tem discutido a Saúde em Portugal. Tudo bem, dizem que da discussão nasce a luz. Pode ser…
Para o Governo está tudo bem. Ou melhor, se não está bem transforma-se em S.A. e passa a estar bem. Simples. Para a oposição está mal. E para os utentes?
Para os utentes não está bem, nem está mal, está uma merda, parafraseando um antigo professor que tive no liceu.
No passado dia 3 de Setembro a minha médica de família passou-me uma credencial para uma consulta de especialidade. A consulta poderia ser marcada a 27 de Setembro. Confundi as datas e hoje dia 29 fui para marcar a dita. Pois é, enganei-me e agora poderei marcar a 25 de Outubro. Isto é para marcar uma consulta, não é para ser consultado. Não é um caso de vida ou de morte, felizmente, porque se o fosse lá teria eu de contratar um funcionário da “Anjinhos & Anjinhos, S.A.”, para agradecer ao senhor ministro a saúde que temos.

PS.

Declaração

Para os devidos efeitos e, porque me foi solicitado declaro que não tenho interesses, directos nem indirectos, na firma “Cunhas & Cunhas, SA”.
Ass. O PreDatado
619. Conto (IX)

Despertei com a luz do Sol que penetrava na fresta que servia de entrada à tenda. Mal me levantei as duas anciãs que permaneciam de cócoras vigiando a jovem, cobertas por pequenas marlotas, braços carregados de mananas cujas agulhas, batendo umas nas outras, faziam um estranho tilintar, com ar de malcomidas, saíram sem içar as cabeças. Dirigi-me à fenda, semicerrada por dois magnetos, espreitei a machamba que a rodeava. Num ápice toda a tenda fora inundada, pelo cheiro das madressilvas e das magnólias. Fiquei ainda uns momentos escutando o chilrear dos maria-é-dia, antes de reentrar. Nunca tinha visto a jovem “quase-virgem” à claridade da luz. Deitada em marroquinas, longas madeixas de cabelo cobriam-lhe o peito. À espreita, não maiores que marmelos, os seios que, apesar de insensíveis, ainda me seduziam.

(continua)

terça-feira, setembro 28, 2004

618. Chocolates

Ao contrário da Catarina, não como chocolates enquanto escrevo, nem me faltou o tabaco. A minha Etelvina não partiu nada, não faltou ao trabalho, não está com dores de dentes. Não fiquei lixado com nenhum comentário, e tenho uma memória de merda.
Ao contrário do Circo Cerebral, não como a Cerelac ao bebé, não leio O Acidental, não tenho que ir buscar ninguém ao infantário, não faço BTT, não sou do Sporting.
Vou escrever sobre quê?
617. À mão

Mentes perversas! Não é isso, caraças, não estou a colocar professores… estou só a teclar no blog. Ainda vou contratar um técnico de informática para produzir o meu blog a tempo e horas. Isto são lá horas de estar a escrever.

PS. Estou a encher chouriços enquanto escrevo a parte IX do conto.
616. As aparências iludem

Se ouvirem gemer neste blog, não pensem que o Pre está a ver um filme pornográfico. É a minha ciática que está a atacar.


615. Não mudo

Podem até, nascer batatas no mar, ou peixes em terra nadando…


PS. também podem achar-me chato, sei lá...
614. Sabão

Se o Tide, agora, é sabão tradicional, porque é que eu hei-de usar Tide?

(a água fria da ribeira,
a água fria que o sol aqueceu…)

PS. O Schubert ouviu-me cantar, viu-me vestido com uns calções às flores e uma t-shirt a dizer "estive no algarve e pensei em ti" e chamou-me azeiteiro. Acho que ele anda a ver os Ídolos.
613. Nevoeiro

Hoje, o dia foi de nevoeiro na minha terra. Para mim não há cortinas de névoa.


segunda-feira, setembro 27, 2004

612. Poupança

Ainda meio estremunhado, ouvi a minha Maria perguntar ao meu filho se levava os 5kgs de batatas na mochila, quando este saiu para as aulas.

- Batatas? Perguntei eu, pensando que ainda não tinha acordado.
- Sim filho (aqui o filho era eu). Comprei a 0,15€/Kg no Ecomarché.
- Então e o miúdo leva as batatas na mochila? – Continuava incrédulo.
- Claro, em tempo de guerra não se limpam armas. Ando a poupar dinheiro.

Fui-lhe buscar um copo de água com açúcar, escondi as facas e o picador de gelo, abracei-a com carinho, pedi-lhe “calma amor”, sentei-a no sofá e disse-lhe “vamos ver um bocadinho de televisão, vamos, para descontraíres?”.

Agora sou eu que obrigo os meus filhos a encherem as mochilas de batatas antes de saírem para a escola. É que “com batatas a 0,15€/Kg, o regresso às aulas é mais barato do Ecomarché”.
611. Mais

Hoje, já publiquei mais posts do que a Catarina, do que o Paulo Gorjão e quase tantos como o Barnabé. É fofo, não é?
610. Linquis

Não linco por me lincarem (eita frase, boba). Não sei se o novo Dicionário da Academia já inclui lincar, deletar, printar e outros estrangeirismos assim. Não sei, porque não tenho o dito, nem me dei ao trabalho de o consultar. Mas, se não tem, deveria ter. E perguntam as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores num estridente uníssono: “Deveria ter?”. Pois deveria. Eu não linco por me lincarem. A minha coluna da direita tem bué (bué vem lá, no Dicionário) destas situações. Mas se eu tivesse que fazer uma divisão dos que me lincam e dos que não me lincam, provavelmente nalguns eu escreveria “Coça-me as costas que eu coço as tuas”. Uma frase destas é grande prá chuchu (eita, brasileiro matuto). Então, o meu amigo Branco usou “eu tilinco, tu milincas”. Vamos lá a pôr o lincar no Dicionário, ilustres doutores.
609. Figuras de estilo

Uma corrida ondulante em vez de tenho uma escoliose genética;

A fetidez do éter em vez de vê lá se não te voltas a descuidar;

Devorei-te mastigando palavra a palavra em vez de li o teu post de ontem;

Passaram mais de três horas num luxuriante jogo de emoções em vez de deram uma queca monumental;

Como um trovão que ribomba na calada da noite em vez de ó filho, hoje não que me dói a cabeça;

Riscas verdes e brancas e faixas azuis povoaram os meus sonhos em vez de tive um pesadelo do caraças.

Inundado pela escuridão, no fim do túnel, uma ténue luz se vislumbra em vez de será que alguma vez terei a mesma sorte da Rititi?


PS. Este post é para parabenizar a Rititi, uma das bloggers que leio com muito prazer, que agora é colunista da DNA.

Sentada na berma da estrada, uma lata de pomada branca vertia rios de espuma cobrindo-lhe os pés de uma démodé meia branca em vez de ó Pré, agora deste em engraxador, foi?
608. Se o Salazar fosse vivo…

Hoje tomei 3 bicas. Em três cafés diferentes. “Se o Salazar fosse vivo, a menina já tinha sido encontrada”. Nunca tinha dado conta da faceta de farejador de Salazar, mas lá que ouvi isto, ouvi. “Se o Salazar fosse vivo, esses gajos das velocidades já tinham sido todos mortos”. Claro está, só quem não sabia que Salazar era um exímio caçador de automobilistas é que pode duvidar duma frase destas. Isto foi noutro café. “Pois, pois, é o mesmo que os gajos da Casa Pia. Ai se o Salazar fosse vivo…”. Cá para mim acho que o Salazar enrabava os pedófilos. Ai enrabava, enrabava. Trinta e cinco anos depois da morte de Salazar, há pessoas a reclamarem-no. Não se envergonham senhores governantes? No terceiro café, onde tomei a terceira bica da manhã, ninguém pediu o regresso do Salazar. Vou optar por este último e só vou tomar a terceira bica. Prescindo das outras duas. Assim dormirei melhor e até vou parecer que sou ministro.
607. E quando não me apetece escrever só penso que…

O suco da barbatana do entulho, do português vernáculo vicentino, não só como ora essa é bom, mas até mesmo porque enfim. Vale mais um homem todavia nunca do que sem comparação jamais.

PS. O Schubert acha que eu não ando a bater bem, por isso arranhou-me. Hoje sinto-me… arranhado.
606. Conto (VIII)

O nubente assistiu macambúzio ao ritual que se seguiu. De facto não era espectável que, após uma tão excitante cerimónia de iniciação, a passagem seguinte assumisse um tão maçadiço teor. Assim para vos poupar a uma macarrónea crónica, apenas refiro que a jovem foi conduzida numa maca, acompanhada por duas anciãs, para uma tenda isolada, colocada nas cercanias da aldeia. Mal acabou de entrar, o futuro noivo estendeu-me a mão, no que foi retribuído. E sem a largar conduziu-me ao meu lugar, previamente reservado na mesa principal, precisamente do lado direito do chefe. Ele sentar-se-ia à esquerda. Os pratos exóticos de jamantes e jeticas, de miolos de macaco servidos na própria cabeça, de língua de jacaré numa espécie de estufado, que ía chegando em grandes travessa de barro cru, de espetos de láparos apenas separados por folhas de urtiga fresca, de jambé, de rabo de boi com natas de leite de morcega, misturavam-se com alguns dos mais conhecidos pratos ocidentais, como o javali assado em forno de lenha, estaladiço, rodeado de laranja e maçarocas de mabalemade cozido, macedónia de frutas, lulas (embora de um tamanho inusitado) recheadas com linguiça, nêsperas em calda de açúcar, muito marisco de casca e pardais nidífugos fritos em óleo de nicori. E foi com este repasto, de que não hesitei em provar todas as iguarias, que me saciei de uma fome de três dias. Adormeci bebendo um chimarão, não de erva-mate como seria de esperar, mas de uma mistura de gengibre e macela.

(continua)
605. Ter um fim de semana chato é...

O Benfica não ganhar. Maus hábitos é o que é.

domingo, setembro 26, 2004

604. Conto (VII)

Os membros da tribo só saíam da aldeia por dois motivos. Caçar e, quando se tornava necessário, iniciar o ritual do casamento. Era da tradição que qualquer jovem da tribo, antes de casar, fosse desvirginada por um “estrangeiro”. Por um lado, a jovem nunca seria acusada pelo futuro marido de que tivera tido um romance antes com alguém do mesmo grupo. Isso diminuía drasticamente as relações de desconfiança. Por outro lado, uma vez que a cerimónia era pública, haveria a certeza que a jovem era virgem antes do casamento. Desta vez, o estrangeiro escolhido fora eu. Quando a jovem parou de lacrimejar, respirei fundo. Abstraí-me da plateia e fiz amor com ela. Para ser preciso, o acto durou apenas o tempo de a desflorar. Uma ladainha ecoou em todo o anfiteatro e como que por magia, as nuvens, que desde há horas cobriam os céus, desapareceram e o luarejar misturou-se com a luz dos archotes. Foi um acto lancinante. Para mim, por me ter prestado a tão lapuz ritual. Para a implume jovem, porque o seu rosto se contorceu de dor no momento da penetração. Quando a ladainha que as anciãs entoavam em uníssono terminou, o chefe ergueu alto o lábaro com as armas da tribo - um falcão com focinho de jacaré. Numa lemniscata desenhada no chão, onde num dos círculos me sentei e, no outro, se sentou o futuro noivo, o tratado que antes haveria assinado com sangue, foi-nos lido em voz alta, por uma espécie de feiticeiro. Teria de ficar na aldeia até que a gravidez da jovem se consumasse.

(continua)

sábado, setembro 25, 2004

603. Eu que pensava que era a estação de Corroios ou do Pragal, saiu-me isto

Fui copiar o quiz desta minha querida amiga... vejam como sou quente.

orange
You're a Summer. You're just a ball of energy that
is constantly going on and on!! You're kinda
like the energizer bunny. lol. But your
probably really athletic and even if you're
not, you'd be good in sports because of all
your energy. You're enthusiastic about
everything you do and find it hard not to be
happy. You're usually pretty optimistic but can
be realistic when needed. You always hope for
the best to turn out and many times they do.
Sometimes though, you let your temper get the
best of you but you apologize as soon as you
can because you hate people being angry with
you. You're friends love how active you are and
you make them feel like they can do anything
crazy if they want to.

What season are you? (pics)
brought to you by
602. Conto VI

Apesar da minha fraqueza física, motivada pela fome e quiçá pela situação inusitada, não quis parecer um qualquer jagodes. Levemente acariciei-lhes os seios. Primeiro um, depois outro. Tive uma surpresa. Não posso jactar-me de ter tido muitas mulheres na minha vida. Ainda sou relativamente jovem, falta um bom par de anos para atingir os quarenta. Nunca tive nenhuma mulher insensível ao toque nos mamilos. Pensei que a minha inabilidade ou a minha retracção fossem as responsáveis. Toquei-lhes com a ponta da língua numa tentativa de os bolinar. Nenhuma reacção da jovem, nem um tremor, nem uma expressão de prazer. Completamente insensível. Num instante, o chefe da “tribo” levantou-se e começou a jacular. Tal a velocidade com que emitia os sons, uma evidente forma primitiva de fala, que o joco se instalou entre os assistentes. Arrepiei no meu jogo amoroso e acto contínuo a jovem começou a jeremiar. Fez-se silêncio, só não absoluto porque, do goto da rapariga, se escutava um ténue choro. Alguns dias mais tarde, entendi essa insensibilidade dos seios das mulheres da aldeia.

(continua)

sexta-feira, setembro 24, 2004

601. Ope 2 esquerda, direita!

Um gajo é assim, pronto, e eu não sei explicar. Eu sou um gajo de esquerda, toda a gente o sabe e, eu, sem medo (porque meus amigos e minhas amigas, não tenham dúvidas que desde o pós-gonçalvismo é preciso ter alguma coragem para se apregoar aos quatro ventos que se é de esquerda; ou alguém ainda dúvidas de que o Sócrates vai ganhara as eleições no PS?), dizia eu sem medo, sempre me assumi de esquerda. Ser de esquerda, não é só ser anti-Santana (o José Pacheco Pereira é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Portas (o Marcelo Rebelo de Sousa é-o, sem ser de esquerda), não é só ser anti-Bush ou anti-Sharon ou o raio que nos parta a nós, os de esquerda. Fundamentalmente, que me desculpem, alguns, poucos, homens e mulheres de direita quase inteligentes, ser de esquerda é ser inteligente. Porque para mim é um atentado à inteligência, alguém, como um tal não sei quantos Melo, deputado do CDS (e da Nação), vir a público defender a nomeação de Celeste Cardona para administradora da CGD, com base no seu Curriculum. Não vou falar em milhões, nem em milhares, mas apenas em centenas de Curricula mais ricos que o de Celeste Cardona. E ao que consta, essas centenas não foram convidadas para administradores da CGD. Esse tal de Melo, é como a minha avó dizia, esperto. E como diz o povo “esperteza é a inteligência de um burro”.
600. Conto (V)

Os seios da jovem apresentavam-se hirtos. Os mamilos, de um castanho-escuro, pronunciado, destacavam-se da tez cor de mel do próprio peito. Olhando ao redor, nenhuma das fêmeas, diga-se em abono da verdade, bem mais idosas, tinha semelhanças com aquela. De resto, o homozigotismo não parecia ser a característica daquela variante da raça humana. Sem nunca deixar de se insinuar, pegou-me na mão e encaminhamo-nos para uma enxerga de vime, estrategicamente colocada, onde todos e cada um dos presentes poderiam observar-nos. Fiquei de joelhos em frente de um corpo estendido. Imotos. O jovem corpo feminino e eu próprio. O rapaz imberbe e nu, aproximou-se. Numa mão aportava uma folha de papiro que me apresentou e uma faca que mais parecia uma catana miniaturizada. Na outra, uma jaca. Passou-me a folha de papiro para as mãos e quase me obrigou a ler. A disposição dos caracteres, a fazerem-me lembrar línguas estranhas, códigos antigos, como que indecifráveis hieróglifos, tinha todo o aspecto de um hiopocraz. Fez-me entalar a jaca entre os dentes, a qual, instintivamente, mordi, no momento em que um corte fino no meu dedo indicador era perpetrado pelo próprio jovem. A dor aguda fez-me trincar a jaca em duas metades. O dedo, sangrando, foi-me feito colocar, como que assinando um testamento. Depois, virou as costas e foi tomar um dos dois lugares mais altos da plateia, ao lado do chefe da tribo. O hipocraz que um dos, aparentemente, súbditos de menor estatuto, me fez ingerir, seria feito, não da maneira convencional, pois em vez do costumeiro vinho na sua constituição, teria uma espécie de aguardente pura de alto teor alcoólico. A partir desse momento, apenas os seios da jovem concentravam a minha atenção.

(continua)
599. IST

O Henrique Silveira escreveu um interessante texto, entre o humor e alguma promoção pessoal (e porque não?), nomeadamente os seus dotes de rockeiro, mesmo que o “love me tender” não seja o mesmo que o “rock around the clock”. O Henrique encontra alunos e ex-alunos do Técnico por toda a parte e eu confirmo: É verdade! Infelizmente não são só encontráveis no LUX e nos restaurantes chineses. Felizmente, para o Henrique Silveira, que não tem que frequentemente passar pelos Centros de Emprego. Há muitos anos, também eu fui aluno do Técnico. Provavelmente, não sei bem qual é a idade do Henrique, quando eu saí de lá, talvez ele ainda nem pensasse em ir para o Técnico. Hoje, o Henrique, se me quiser conhecer, teria de ser, não professor no Técnico, mas talvez gestor de uma das empresas de “Executive Research” (qualquer uma delas), para onde envio, para algumas mais de uma vez, o meu CV, há dois anos consecutivos. Ou talvez nos encontremos um dia destes num curso de mergulho. Já vi pior. O Henrique deve também conhecer, pois no Técnico nunca se deixou de contar, aquela anedota, em que no circo o domador principiante, recém-licenciado do Técnico, enfrentava o feroz leão, que tirou a máscara e lhe disse: “Não tenhas medo, eu também sou do Técnico”.


quinta-feira, setembro 23, 2004

598. Carinho

- Olá filho da puta.
- Olá, meu querido, vejo que estás em plena forma.
- Tu também estás com bom ar, filho da puta.
- Faz-se pela vida. Quando mal nunca pior.
- Então o que é que vais fazer hoje, filho da puta?
- O costume quando o dia está bonito. Vou cheirar este Outono ainda Verão.
- Pena é que eu não possa sair daqui, filho da puta.
- Paciência rapaz. Os espelhos cá de casa são fixos.

(o meu espelho hoje estava demasiado carinhoso comigo. Chamou-me quatro vezes filho da puta. Cá para mim, admitiram-no na claque lá do clube - só nunca me tinha apercebido que o meu espelho era energúmeno).

aqui:
"sporting.pt - Algumas das reacções mais notadas e até algumas das mais insultuosas foram-lhe dirigidas directamente …
ADC - ... Com isso posso eu bem. Há muito que sei que entre energúmenos a expressão “filho da puta” é um termo carinhoso, eles até se tratam assim quando se abraçam."
597. Conto (IV)

Horas e horas sem me alimentar, atentava-me uma mesa assim. Não sabia a composição dos alimentos, mas isso não era importante. No entanto, permaneci imoto. Seria imperdoável tomar a iniciativa. Mais que imperdoável, inadequado e imbecil. O chefe tinha um aspecto rude, a atingir laivos de imane. Qualquer tentativa, mesmo que imaculada poderia ser considerada uma imisção nos costumes. Esperei. A cena que se seguiu é imperdível, mesmo para um observador externo. Dois jovens, um rapaz imberbe e uma moça implume, aproximaram-se, nus. Alguns dos indígenas desviaram-se abrindo caminho para o jovem par. O que se passou de seguida é, para um leigo nos costumes, inarrável. Como que impetrando, os olhos da rapariga dirigiram-se a mim. Não teria mais de 16 anos o que me começava a incomodar. Embora celibatário, qualquer relação que pudesse haver entre nós me pareceria ímpia. Mas, as circunstâncias, não me permitiriam impeticar com os anfitriões. Deu-me a mão e obrigou-me a levantar. Uma a uma, num ritual de sensualidade, retirou-me as vestes. Senti-me impotente para parar aquela espiral de emoções. Nunca fui casado, nunca tive filhos, mas qualquer acto que eu cometesse me acometia de incestuoso. Se alguém, da minha cultura, me visse, face a tão inusitados preparos, me acharia inábil. No entanto, o jogo iria continuar.

(continua)

quarta-feira, setembro 22, 2004

596. Quando não se responde…

- Recebeste o e-mail?
- Recebi
- E o que é que dizia?

(indiscreto o meu espelho, quer sempre saber de tudo; a minha vida íntima é só minha e não tenho que a partilhar; nem com o espelho)

- Recebeste o e-mail? – respondi.

(acho que o baralhei, finalmente começo a encontrar um jeito de me vingar)

- Um espelho não recebe e-mails – disse-me com algum desdém.
- Só te respondi – ripostei, sabendo que não estava a ser convincente e gozando na surra, a baralhação provocada.

(o espelho parou para reflectir, olhou para mim – nesse momento achei que ele já tinha percebido – e atirou-me como que provocando)

- Recebeste o e-mail? Só isso? E o que é que respondeste?
- Sim.

(virou-me as costas; fiquei sem perceber se ele pensou que o sim era uma resposta do meu e-mail ao outro e-mail, se sim era resposta à pouquez do conteúdo… vá lá a gente perceber os espelhos).
595. Conto (III)

A idiossincrasia do que parecia ser o chefe do grupo, dado que todos os restantes pareciam idolatrá-lo, criou-me a ilusão que seria idóneo. Quando me desloquei a caminho do deserto, estava efectivamente convencido que o era. No entanto pequenos igarapés cortavam o terreno em quase todo o seu comprimento e em toda a sua largura criando malhas incomensuráveis de água, o que nos obrigou a dividir em ínfimos grupos de apenas três indivíduos, que mal cabíamos nas igaras estacionadas em fila. Chegamos finalmente a uma pequena ilha, ao fim de mais de 12 horas de viagem sem nada comermos. Apenas um gole de água, que um dos indígenas me ofereceu, por uma única vez. Quando chegamos, o meu aspecto apresentava-me como um ser ignóbil. A ilha estava iluminada aparentando uma igreja natural. De repente tive a sensação de me ter deixado iliçar. Ígneos archotes debruavam um caminho que me conduziria ao mais ignoto dos mundos. Eu que não era da igualha destes autóctones, estava a ser convidado a sentar-me à volta de uma mesa coberta das mais exóticas iguarias. Não arranjei coragem para ilidir. Só pensava se sairia dali ileso.

(continua)

terça-feira, setembro 21, 2004

594. Vai uma bejeca?

"Desde a Antiguidade que se consome cerveja na Índia e na China. No Egipto Faraónico, a cerveja chegou a ser considerada bebida nacional e na Hispânia, o seu consumo era maciço. Contudo, os grandes bebedores de cerveja eram os Sumérios.Mas foi apenas no séc. XIII que surgiu um tipo de cerveja parecido com a que consumimos hoje. Este pequeno milagre foi conseguido por frades, graças à introdução do lúpulo como conservante.No séc. XV, a Alemanha fabrica a primeira cerveja ligeira, pouco fermentada, que desde a Baviera se foi estendendo ao resto da Europa.A cerveja manteve-se artesanal até 1860, quando Louis Pasteur, através dos seus trabalhos sobre fermentação da levedura, melhorou o processo de fabricação.No séc. XIX, surge em França uma cerveja local mais suave e sem álcool que deu origem a um moderno conceito de cerveja na década de 60: a Cerveja sem álcool."

In
http://www.republicadacerveja.pt/html/cerv_historia.htm


Enquanto os meus dois amigos Serafim e Joca mordiscavam um pedaço de entrecosto, que o primeiro havia grelhado a preceito e, discutiam a quem haviam de dar vivas pela descoberta da cerveja, o Anastácio apareceu, com o seu ar de quem sempre tudo sabe e após escutá-los atentamente interveio:

- Pois eu cá, compadres, eu dou as minhas vivas aos brasileiros.
- Aos brasileiros???? – Perguntamos em uníssono, sem termos atingido o alcance da afirmação do Anastácio.
- Pois sim, homessa, aos brasileiros sim senhores.
- Ó compadre Anastácio, perguntava eu, calculando que dali não iria sair boa, mas diga-me lá vossemecê, o que é que os brasileiros têm a ver com a invenção da cerveja?
- Não é isso, compadre Vitor, não é nada disso. Eu dou vivas aos brasileiros por terem inventado a telenovela.
- Mas ó compadre, ripostou o Serafim, a gente está aqui discutindo quem teve mais mérito na invenção da cerveja e o compadre vem dar vivas aos brasileiros por causa da telenovela. Só você, compadre Anastácio, só você para desconversar.
- Mas qual desconversar, qual quê compadre Serafim. Então vossemecê não acha que quem todo o mérito são os nossos irmãos do lado de lá do Atlântico? Vejam vossemecês se eu não estou com a razão. Onde é que estão as comadres, vá lá, digam lá onde é que estão as comadres?
- Se calha lá dentro, vendo a telenovela, compadre – alvitrou o Joca.
- Pois é por isso mesmo que eu lhes dou vivas compadres. Enquanto as moças estão lá dentro distraídas com o romance, estão vossemecês aqui fora a virar cervejas atrás de cervejas, sem elas darem por nada. E a propósito, com menos conversa já eu bebia outra, que estou com a garganta seca.

In “À Mesa e no Quintal”, Alves Fernandes
593. Conto

Em tempos decidi escrever um conto neste blog. Mas devo ter-me esquecido. Só pode ter sido. Lembrei-me disso a conversar com uma amiga. Vou tentar recomeçar. Entretanto, deixo-vos com o bocadinho da prosa que tinha sido escrito antes.

Conto (I)

A disceptação teve o seu epílogo. Estava decidido. Como bom dendrófobo dirigir-me-ía para o deserto. Ele caminharia para os antípodas. Sentia-me fatigado de ser sempre apoucado nas minhas decisões. Assumiria de uma vez por todas o meu eremitismo. O badano, já cambado, haveria de suportar as duas ou três horas que me faltavam para chegar ao destino. Quando as adelfas e as carvalhinhas começaram a rarear nas margens do caminho, o dia abaçanava. A alimária alentecia e nem os golpes de butuca a fariam mover. Paramos. Coligi os escassos haveres, cobri-me com um bedém, com o qual me tinha abispado antes da partida, sentei-me ao velho jeito índio, pernas cruzadas uma sobre a outra e adormeci. A minha mente extenuada achapuçava-se de sonhos. Abentesmas albípedes, cujas restantes partes corporais se não viam, bandarreavam no meu espírito deixando-me azabumbado. Como seria possível em lugar tão ermo me sentir cercado. Acordei abruptamente. Autócnes de aspecto boçal faziam a festa. Nunca na vida tinham deparado com tão alva tez. Com as mãos enrugadas esbarbavam-me o capote como que se inteirando da minha condição de real.

Conto (II)

Os autócnes tinham um ar fúfio. As gaforinas não ajudavam à criação de uma imagem menos depreciativa. No entanto os pescoços exibiam fulgentes colares de estranho metal. Ensaiaram uma ginga em meu redor e tentaram comunicar. Não sei se por ter acordado no momento, os sons que emitiam eram-me ininteligíveis. A última vez que tinha escutado algo similar, foi de uns indígenas de Timor Oriental que tentaram ensinar-me o seu galóli. Tive medo que se tratassem de antropófagos preparando a funçanata. Num pequeno hiato de tempo, um deles de aspecto galhardo, apercebendo-se de que eu efectivamente não estava atinando com o seu linguarejar, ensaiou uma ideografia simples mas eficaz. Aí eu não tive coragem para ilidir. Aceitei de imediato. Era um convite para repasto. Seria?

(continua…)

sábado, setembro 18, 2004

592. Raposas ou velhas raposas

Eu gostava de saber escrever como o Sr. Carne. Infelizmente não nasci escritor, nem poeta, nem fui feito jornalista, pelo que a minha veia não chega a tanto. Fui mais talhado para ler disparates e, por mais que o grilo falante que há em mim me diga, ‘não sejas masoquista, não vás lá’, não evito as auto-agressões. Este tal de FA que escreve neste blog, é honestíssimo. Tal como agora defende a guerra às raposas, atendendo aos desempregados que o fim daquela actividade provocará, no Reino Unido, também terá escrito contra o fecho das fábricas de beterraba em Coruche, contra o fecho da Clark, contra o fecho Decantrofex, contra o fecho da Bombardier e terá escrito ou irá escrever um vastíssimo artigo contra o fecho da refinaria da Galp, em Leça. Ou então não…

PS. Pressuponho que o tal de FA irá contrapor ao fecho de todas as fábricas em Portugal, à instalação de algumas empresas subsidiárias da caça à raposa como sejam chouriço fumado de raposa, presunto de raposa, estolas e outros artefactos, comida para cães caçadores de raposa, armas e munições para espingardas de caça à raposa, casacas vermelhas de veludo, chapéus pretos… Ó meus amigos futuros ex-desempregados de todas estas fábricas em Portugal, o vosso futuro está garantido.
591. Livros

Subiamos a Avenida Nuno Álvares Pereira desde o antigo Liceu de Almada (hoje inexistente, mas onde fica a moderna Praça S. João Baptista), até ao Condestável. Ao lado uma pequena papelaria-livraria guardava, fora de montra, alguns livros proíbidos. Eu o o Zé Júlio eramos alguns dos, provavelmente, poucos compradores de obras "malditas". Lembrei-me disto, porque hoje vi na TV que em Viseu, as autoridades mandaram tirar um livro das montras. Só que a minha história, remonta a 1972! Para quando mandarem incendiar bibliotecas? Está na hora rapazes, está na hora. Os nazis demoraram menos tempo que vocês. Estão a perder-lhes aos pontos.
590. Antecipação...

Coloquei-lhe o post ontem, apenas por um erro no meu relógio. Hoje é que devia ter sido. Reparabenizo. E portanto, pode continuar a escutar a música. Feliz aniversário.

sexta-feira, setembro 17, 2004

589. La Paloma

Para si Carla, agradecendo a referência, a música de hoje.
588. Velho

Perfil do candidato: Com experiência de mais de 5 anos em Business Intelligence. Capacidade para o desenvolvimento e geração de negócio Elevada experiência na gestão de equipas Elevada capacidade de análise e desenvolvimento de modelos conceptuais e funcionais Experiência na gestão de relacionamento com clientes Experiência na gestão de relacionamento com fornecedores Fluência falada e escrita em português e inglês, proactividade, disponibilidade para deslocações, gosto e apetência pelas actividades de I&D , capacidade de adaptação, facilidade de trabalhar em equipa e grande capacidade de análise e síntese.

“A KPI Solutions confirma a recepção da sua candidatura. Após análise curricular da mesma, comunica que o perfil apresentado não corresponde ao procurado no presente processo de recrutamento.

Manteremos o seu C.V. na nossa base de dados para consideração em futuras oportunidades.”


Sendo esta resposta uma autêntica aldrabice, não encontraram estes gajos outra maneira de me chamarem velho?
587. Estados…

Se eu hoje não vos ler, se hoje não comentar os vossos textos, se hoje eu não voltar a escrever é porque estou a dormir. A L4 e a L5 conluiaram-se esta noite para não me deixar descansar. Vamos ver se elas se cansam e desistem de me massacrar.