694. O outro PreDatado
E quando eu disse, urbi et orbi, agora é que o mundo vai conhecer o outro PreDatado, o PreDatado que ordenha, a minha vizinha do 8º Esq. apressou-se a vir-me conhecer.
PS. Uma dúvida que me assola: há vacas na quinta?
segunda-feira, março 28, 2005
sexta-feira, março 25, 2005
693. Desejos
Eu venho aqui apenas para vos dizer que fico feliz de que tenham tido uma boa Páscoa e umas mini-férias aprazíveis. E porque é que eu vos digo isto numa sexta-feira santa? Porque vós leitoras amigas e leitores amigos estais todos de férias e só aqui vindes na segunda-feira.
PS. Eu, sem férias, como inerência à minha profissão de desempregado compulsivo.
Eu venho aqui apenas para vos dizer que fico feliz de que tenham tido uma boa Páscoa e umas mini-férias aprazíveis. E porque é que eu vos digo isto numa sexta-feira santa? Porque vós leitoras amigas e leitores amigos estais todos de férias e só aqui vindes na segunda-feira.
PS. Eu, sem férias, como inerência à minha profissão de desempregado compulsivo.
quarta-feira, março 23, 2005
quarta-feira, março 16, 2005
691. Perfeito
Não comentei ali porque um comentário deve ser ligeiro para que não se torne mais importante do que o post e, talvez, porque o que eu queria mesmo era escrever um texto. E “postálo” ou “postá tracinho lo”.
Não tenho um babyblog, mas sou o exemplo do pai perfeito. E porque é que não tenho um baby blog? Porque já não tenho babies. E porque é que sou um pai perfeito? Porque sou pai e porque sou perfeito.
Feitos os esclarecimentos, vamos ao post. (esta frase é um plágio a ela mesmo)
A primeira vez que mudei a fralda à Anita, a Zé quando chegou a casa encontrou a miúda cagada até ao pescoço. Sou perfeito? Pois sou, um perfeito nabo a mudar fraldas e uma perfeita cagada a confirmar que perfeito e perfeita andam sempre de mãos dadas.
Contesto a afirmação da Catarina em que nos tornamos especialistas em carrinhos e papinhas. E a minha contestação assenta fundamentalmente nos diminutivos. Tive de tirar a carta de condução, para levar os putos de um lado para o outro e, embora não especialista, tive de começar a perceber alguma coisa de carros. Tinha de rezar para não ter de ser eu a mudar a fralda pelo que também tive de perceber alguma coisa de Papas. Tornei-me um pai melhor, mais sabedor e cada vez mais perfeito.
Quanto ao falar de outras mães, ai não que não temos o direito. Ainda hoje falo. Claro que a Zé não sabe que eu falo, mas a mãe do puto do 7º Esquerdo é boa como o milho. Um dia destes vou-me oferecer para lhe ir mudar a fralda. Ao puto? Perguntam vocês. E eu respondo: Ninguém é perfeito!
“Não gosto de sentenças, verdades absolutas, postas de pescada e juízos feitos com base numa suposta perfeição que não existe.
Paciência se não gostarem de ler este post.”
Isso dizes tu! Olha para mim, eu aqui absolutamente verdadeiro, com post que parece um arroto a pescada de rabo na boca e perfeito até dizer chega.
Se não gostaste do comentário, paciência! (novo plágio, excuse me baby).
Não comentei ali porque um comentário deve ser ligeiro para que não se torne mais importante do que o post e, talvez, porque o que eu queria mesmo era escrever um texto. E “postálo” ou “postá tracinho lo”.
Não tenho um babyblog, mas sou o exemplo do pai perfeito. E porque é que não tenho um baby blog? Porque já não tenho babies. E porque é que sou um pai perfeito? Porque sou pai e porque sou perfeito.
Feitos os esclarecimentos, vamos ao post. (esta frase é um plágio a ela mesmo)
A primeira vez que mudei a fralda à Anita, a Zé quando chegou a casa encontrou a miúda cagada até ao pescoço. Sou perfeito? Pois sou, um perfeito nabo a mudar fraldas e uma perfeita cagada a confirmar que perfeito e perfeita andam sempre de mãos dadas.
Contesto a afirmação da Catarina em que nos tornamos especialistas em carrinhos e papinhas. E a minha contestação assenta fundamentalmente nos diminutivos. Tive de tirar a carta de condução, para levar os putos de um lado para o outro e, embora não especialista, tive de começar a perceber alguma coisa de carros. Tinha de rezar para não ter de ser eu a mudar a fralda pelo que também tive de perceber alguma coisa de Papas. Tornei-me um pai melhor, mais sabedor e cada vez mais perfeito.
Quanto ao falar de outras mães, ai não que não temos o direito. Ainda hoje falo. Claro que a Zé não sabe que eu falo, mas a mãe do puto do 7º Esquerdo é boa como o milho. Um dia destes vou-me oferecer para lhe ir mudar a fralda. Ao puto? Perguntam vocês. E eu respondo: Ninguém é perfeito!
“Não gosto de sentenças, verdades absolutas, postas de pescada e juízos feitos com base numa suposta perfeição que não existe.
Paciência se não gostarem de ler este post.”
Isso dizes tu! Olha para mim, eu aqui absolutamente verdadeiro, com post que parece um arroto a pescada de rabo na boca e perfeito até dizer chega.
Se não gostaste do comentário, paciência! (novo plágio, excuse me baby).
quinta-feira, março 10, 2005
690. Continuação
1. A cura do sono continua;
2. O Schubert e a Yasmin continuam a dar-se lindamente;
3. Eu continuo a não dispensar o cozido à portuguesa à 5ª feira;
4. O meu amigo dono da Cabrinha II, apesar de lagartácio, continua a falar apenas do Benfica;
5. Este blog continua a não apresentar um texto de jeito.
1. A cura do sono continua;
2. O Schubert e a Yasmin continuam a dar-se lindamente;
3. Eu continuo a não dispensar o cozido à portuguesa à 5ª feira;
4. O meu amigo dono da Cabrinha II, apesar de lagartácio, continua a falar apenas do Benfica;
5. Este blog continua a não apresentar um texto de jeito.
terça-feira, março 08, 2005
689. Cuidado com o que escrevem na caixa de comentários aí em baixo.
Imaginemos que eu não goste de um post que leia num qualquer blog. Imaginemos que por via disso tenha vontade de expressar ao seu autor de que não gostei. Imaginemos que para dizer que não gostei eu tenha de rebater a ideia expressa. Imaginemos que para rebater a ideia expressa eu tenha que dizer algo que não caia bem ao autor. Imaginemos que o autor ao ler algo que não lhe tenha caído bem considere que o comentário não tem nível para figurar no conjunto dos comentários emitidos ao seu post. Imaginemos que o autor seja umbiguista, narcisista ou tenha outros qualificativos quaisquer para o seu ego que considere que criticar um texto seu é ter baixo nível. Imaginemos que por via disso o autor do post decide apagar o comentário que lhe é feito. Vai para a cama, com um sorriso de orelha a orelha, contar para a almofada: “hoje fui o maior; tenho um post cheiinho de elogios; se não acreditas vai lá ler os comentários” E depois adormece com os anjos.
Hoje fui visitar um blog através de uma estranha lista de destaques que existe no weblog.com.pt. Quando me preparava para fazer um comentário (por acaso até elogioso para o post que li, mas isso agora não interessa nada), li um aviso em que o(s) autor(es) intimavam os comentaristas a terem alto nível. Com esta pérola de entremeada
cito
“…É censura? Se estiver a pensar em censura como acto de condenação, crítica, reprovação, repreensão ou admoestação pelo baixo nível da observação em questão, então, sim: é censura.”
Fim de citação
Obviamente não comentei.
Imaginemos que eu não goste de um post que leia num qualquer blog. Imaginemos que por via disso tenha vontade de expressar ao seu autor de que não gostei. Imaginemos que para dizer que não gostei eu tenha de rebater a ideia expressa. Imaginemos que para rebater a ideia expressa eu tenha que dizer algo que não caia bem ao autor. Imaginemos que o autor ao ler algo que não lhe tenha caído bem considere que o comentário não tem nível para figurar no conjunto dos comentários emitidos ao seu post. Imaginemos que o autor seja umbiguista, narcisista ou tenha outros qualificativos quaisquer para o seu ego que considere que criticar um texto seu é ter baixo nível. Imaginemos que por via disso o autor do post decide apagar o comentário que lhe é feito. Vai para a cama, com um sorriso de orelha a orelha, contar para a almofada: “hoje fui o maior; tenho um post cheiinho de elogios; se não acreditas vai lá ler os comentários” E depois adormece com os anjos.
Hoje fui visitar um blog através de uma estranha lista de destaques que existe no weblog.com.pt. Quando me preparava para fazer um comentário (por acaso até elogioso para o post que li, mas isso agora não interessa nada), li um aviso em que o(s) autor(es) intimavam os comentaristas a terem alto nível. Com esta pérola de entremeada
cito
“…É censura? Se estiver a pensar em censura como acto de condenação, crítica, reprovação, repreensão ou admoestação pelo baixo nível da observação em questão, então, sim: é censura.”
Fim de citação
Obviamente não comentei.
688. Erotic Time Blog
O Portas mandou tirar a fotografia do Freitas da galeria dos artistas do CDS. O Bush mandou tirar as estátuas do Sadam dos pedestais de Bgadad. Parece que o Yeltsin também mandou fazer o mesmo aos bustos do Lenin. No outro dia um amigo meu quando soube que mulher lhe andava a por os cornos mandou-a para a mãe dela com uma mala cheia de molduras. Cá para mim estes gajos que fazem estas merdas são uns gajos fodidos.
O Portas mandou tirar a fotografia do Freitas da galeria dos artistas do CDS. O Bush mandou tirar as estátuas do Sadam dos pedestais de Bgadad. Parece que o Yeltsin também mandou fazer o mesmo aos bustos do Lenin. No outro dia um amigo meu quando soube que mulher lhe andava a por os cornos mandou-a para a mãe dela com uma mala cheia de molduras. Cá para mim estes gajos que fazem estas merdas são uns gajos fodidos.
segunda-feira, março 07, 2005
687. Penis Time Blog
Eu sei que sou um bocado "abifalhado" no que carnalmente concerne. Porra, a frase saiu boa mas carece explicação. Abifalhado não significa um falhado quando dou uma cantada (né meu irmão?) às bifas, não tampouco que só como bife rijo como cornos. Nada disso, como vós minhas amigas leitoras e meu amigos leitores bem sabeis. Sou abifalhado porque o lombo é imprescindível e uma vazia (desde que não seja a carteira) é irrejeitável. Pronto, explicada que foi a coisa, escrevi PreDatado na janelinha e o adivinhem... o Meu Penis Name é, nem mais nem menos que, um tal Beefy qualquer coisa. Não sei quem é o gajo, mas também deve ser abifalhado.
Este teste teve origem aqui, na minha amiga tete, a vendedora de chapéus.
PS: Beefy também poderia ser numa tradução abusiva a "Abelha Fy"; mas para abelhas já me chega a Maia. A não ser que queiram que eu disserte sobre o mel.
Eu sei que sou um bocado "abifalhado" no que carnalmente concerne. Porra, a frase saiu boa mas carece explicação. Abifalhado não significa um falhado quando dou uma cantada (né meu irmão?) às bifas, não tampouco que só como bife rijo como cornos. Nada disso, como vós minhas amigas leitoras e meu amigos leitores bem sabeis. Sou abifalhado porque o lombo é imprescindível e uma vazia (desde que não seja a carteira) é irrejeitável. Pronto, explicada que foi a coisa, escrevi PreDatado na janelinha e o adivinhem... o Meu Penis Name é, nem mais nem menos que, um tal Beefy qualquer coisa. Não sei quem é o gajo, mas também deve ser abifalhado.
| Your Penis Name is: Beefy McManstick |
Este teste teve origem aqui, na minha amiga tete, a vendedora de chapéus.
PS: Beefy também poderia ser numa tradução abusiva a "Abelha Fy"; mas para abelhas já me chega a Maia. A não ser que queiram que eu disserte sobre o mel.
sexta-feira, março 04, 2005
686. 16:9
Andava há anos para comprar uma televisão 16:9, mas efectivamente não estou muito satisfeito por o ter feito. As emissões, quase todas em 4:3, acabam distorcidas alargando e atarracando. Ver dar um pontapé de saída numa bola de futebol como se esta fosse de rugby não tem jeito nenhum. Em contrapartida a Jennifer Lopez tem cá umas ancas que nem vos conto, embora coitada não tenha altura para modelo. Hoje a 16:9 pregou-me um grande susto. Por vias do Euro-milhões “zappinguei” para a TVI, onde ainda passava o Jornal Nacional. A boca da apresentadora ocupava toda a largura do écran.
Andava há anos para comprar uma televisão 16:9, mas efectivamente não estou muito satisfeito por o ter feito. As emissões, quase todas em 4:3, acabam distorcidas alargando e atarracando. Ver dar um pontapé de saída numa bola de futebol como se esta fosse de rugby não tem jeito nenhum. Em contrapartida a Jennifer Lopez tem cá umas ancas que nem vos conto, embora coitada não tenha altura para modelo. Hoje a 16:9 pregou-me um grande susto. Por vias do Euro-milhões “zappinguei” para a TVI, onde ainda passava o Jornal Nacional. A boca da apresentadora ocupava toda a largura do écran.
domingo, fevereiro 27, 2005
685. O Bosque
Hoje há um blog que faz um ano. Um blog que me acostumei a ler pelo espírito. A Robina consegue descobrir curiosidades bizarras e comentá-las de uma forma airosa e engraçada. Quase sempre com uma pontinha de malandrice, umas vezes provocando-me sorrisos, outras arrancando-me uma gargalhada. Sabe-me sempre bem visitá-la. Parabéns.
Hoje há um blog que faz um ano. Um blog que me acostumei a ler pelo espírito. A Robina consegue descobrir curiosidades bizarras e comentá-las de uma forma airosa e engraçada. Quase sempre com uma pontinha de malandrice, umas vezes provocando-me sorrisos, outras arrancando-me uma gargalhada. Sabe-me sempre bem visitá-la. Parabéns.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
684. Um post erótico
Ainda não percebi a corrente, de onde partiu e onde vai chegar. Costumo ler o blog da Catarina e já vi mais do que uma ver a referência a um post erótico.
Sempre que se fala numa história erótica lembro-me do John the Kid. John the Kid era um dos mais temidos pistoleiros do farwest. Falar no seu nome era caganeira certa. Se alguém, alguma vez entrasse num saloon e dissesse algo do tipo “consta que chega amanhã John the Kid” a cidade transformava-se num deserto em menos de 5 minutos. Durante dois dias ninguém saía à rua. Apenas se ouvia o vento e se via a poeira nas ruas, não bastas vezes arrastando arbustos pela dita fora. As escolas fechavam, as lojas não abriam, só os postigos entreabertos davam para ver, de vez em quando, um par de olhos espreitando a chegada de alguém. O terror instalava-se. Mas no meio do quase silêncio uma casa permanecia aberta, uma luz ténue espreitava da porta, um piano desafinado tentava transmitir algumas notas algures importadas da Europa. E porque é que esta casa se mantinha aberta, podereis vós estar a pergunta-vos neste momento. Era o hotel-bar de Miss Persival uma americana de segunda geração, cuja mãe, italiana de origem, morrera de parto. Criada com o pai, garimpeiro e bêbedo crónico, não tivera uma educação esmerada mas tivera olhos para a vida. Tornara-se rameira e na época, cinquentona, era proprietária do Persival’s Resort o único hotel ‘com todo o serviço incluído’ da cidade. E sendo o único que poderia fornecer um serviço tão completo não tinha receio de John the Kid. Ele, onde quer que chegasse, fodia tudo!
Ainda não percebi a corrente, de onde partiu e onde vai chegar. Costumo ler o blog da Catarina e já vi mais do que uma ver a referência a um post erótico.
Sempre que se fala numa história erótica lembro-me do John the Kid. John the Kid era um dos mais temidos pistoleiros do farwest. Falar no seu nome era caganeira certa. Se alguém, alguma vez entrasse num saloon e dissesse algo do tipo “consta que chega amanhã John the Kid” a cidade transformava-se num deserto em menos de 5 minutos. Durante dois dias ninguém saía à rua. Apenas se ouvia o vento e se via a poeira nas ruas, não bastas vezes arrastando arbustos pela dita fora. As escolas fechavam, as lojas não abriam, só os postigos entreabertos davam para ver, de vez em quando, um par de olhos espreitando a chegada de alguém. O terror instalava-se. Mas no meio do quase silêncio uma casa permanecia aberta, uma luz ténue espreitava da porta, um piano desafinado tentava transmitir algumas notas algures importadas da Europa. E porque é que esta casa se mantinha aberta, podereis vós estar a pergunta-vos neste momento. Era o hotel-bar de Miss Persival uma americana de segunda geração, cuja mãe, italiana de origem, morrera de parto. Criada com o pai, garimpeiro e bêbedo crónico, não tivera uma educação esmerada mas tivera olhos para a vida. Tornara-se rameira e na época, cinquentona, era proprietária do Persival’s Resort o único hotel ‘com todo o serviço incluído’ da cidade. E sendo o único que poderia fornecer um serviço tão completo não tinha receio de John the Kid. Ele, onde quer que chegasse, fodia tudo!
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
683. Estou tão indeciso
Eu sou sempre um poço de indecisão. Vejam lá, amigas leitoras e amigos leitores que desta vez não sei a qual das lideranças me candidatar. Já estive para me candidatar à do PP. Mas não gosto do nome do partido. Pêpê… ainda se fosse PóPó. È que, como vós bem sabeis, eu gosto muito de buzinar. Eu a passear-me num Ferrari ou num Lamborgini (carros aliás que o actual nunca teve, nem para Amostra) e a buzinar por todas as feiras e mercados do país. Seria maravilhoso. Mas pêpê não, não tenho como dar a volta ao nome. Só se um dia alguém inventar um nome bonito. Tipo, sei lá, CDS. O quê já existe? Já? Pronto nada a fazer, sem originalidade não vou lá.
Só me resta então pensar em candidatar-me à liderança do PSD. Mas vocês nem imaginam as pressões que tenho sofrido. Apesar da minha Maria me chamar carinhosamente baixinho, os meus amigos dizem que sou muito mais alto que o Marques Mendes e que portanto não tenho nenhuma chance. Se calhar o melhor é mesmo não me candidatar a nenhum e formar um novo partido, sei lá, PPD. Partido do Pre Datado. O quê? PPD também já existe? Ai, ai, ai, eu hoje não acerto uma!
Eu sou sempre um poço de indecisão. Vejam lá, amigas leitoras e amigos leitores que desta vez não sei a qual das lideranças me candidatar. Já estive para me candidatar à do PP. Mas não gosto do nome do partido. Pêpê… ainda se fosse PóPó. È que, como vós bem sabeis, eu gosto muito de buzinar. Eu a passear-me num Ferrari ou num Lamborgini (carros aliás que o actual nunca teve, nem para Amostra) e a buzinar por todas as feiras e mercados do país. Seria maravilhoso. Mas pêpê não, não tenho como dar a volta ao nome. Só se um dia alguém inventar um nome bonito. Tipo, sei lá, CDS. O quê já existe? Já? Pronto nada a fazer, sem originalidade não vou lá.
Só me resta então pensar em candidatar-me à liderança do PSD. Mas vocês nem imaginam as pressões que tenho sofrido. Apesar da minha Maria me chamar carinhosamente baixinho, os meus amigos dizem que sou muito mais alto que o Marques Mendes e que portanto não tenho nenhuma chance. Se calhar o melhor é mesmo não me candidatar a nenhum e formar um novo partido, sei lá, PPD. Partido do Pre Datado. O quê? PPD também já existe? Ai, ai, ai, eu hoje não acerto uma!
terça-feira, fevereiro 22, 2005
682. O meu bloco
Eu tenho um bloco ou, como até é chique, principalmente na blogosfera, dizer, um moleskine. Este bloco acompanha-me para todo o lado e, não é raro verem-me com o carro encostado a uma berma qualquer, moleskine sobre o volante, bic cristal de ponta normal na mão a escrever notas que de repente me vêm à cabeça. Se estou sentado numa mesa de bingo, entre o bingo correcto e o vamos começar, o moleskine está aberto; se estou no café entre a bica e o olhar naquela miúda com um exemplar par de mamas que passa na rua, uma frase ou duas no moleskine; se estou no emprego (bom isso era dantes, mas adiante) entre uma ideia genial e uma não menos genial tomada de decisão, dois rabiscos no moleskine; se acabo de dar uma queca e saboreio um cigarro assim tipo, ‘dá lá mais um bocado cabo do teu coração’, abro o moleskine, pois, convenhamos, não seria nada agradável no meio da dita tomar notas daquilo que me vem à cabeça mesmo nos momentos mais orgásmicos. Sentado na sanita, é imprescindível. E é nesse momento que eu reparo que só escrevo… bom o melhor é lerem o texto do meu amigo Branco Leone.
Eu tenho um bloco ou, como até é chique, principalmente na blogosfera, dizer, um moleskine. Este bloco acompanha-me para todo o lado e, não é raro verem-me com o carro encostado a uma berma qualquer, moleskine sobre o volante, bic cristal de ponta normal na mão a escrever notas que de repente me vêm à cabeça. Se estou sentado numa mesa de bingo, entre o bingo correcto e o vamos começar, o moleskine está aberto; se estou no café entre a bica e o olhar naquela miúda com um exemplar par de mamas que passa na rua, uma frase ou duas no moleskine; se estou no emprego (bom isso era dantes, mas adiante) entre uma ideia genial e uma não menos genial tomada de decisão, dois rabiscos no moleskine; se acabo de dar uma queca e saboreio um cigarro assim tipo, ‘dá lá mais um bocado cabo do teu coração’, abro o moleskine, pois, convenhamos, não seria nada agradável no meio da dita tomar notas daquilo que me vem à cabeça mesmo nos momentos mais orgásmicos. Sentado na sanita, é imprescindível. E é nesse momento que eu reparo que só escrevo… bom o melhor é lerem o texto do meu amigo Branco Leone.
681. PreDatado no País das Maravilhas
Olá amigas leitoras e amigos leitores. Como vós bem sabeis, eu não sou nada de acordar bem disposto. Nadinha mesmo. Não falo com ninguém, enrolo os pés nos tapetes, bato com a cabeça na porta da casa de banho e nem encaro o espelho com os dois olhos abertos. Mas hoje não. Hoje acordei super bem disposto. Fui dar de comer aos gatos, lavei os dentes, tomei uma bica preciosamente tirada pela minha Maria, coloquei um CD no toca-toca, trauteei uma canção dos Beatles, e até o cair da água do chuveiro me parecia música. No posto médico só esperei 20 minutos pela minha vez, a minha consulta só durou 2 minutos, vá lá 2 minutos e 17 segundos para ser mais preciso, não foi preciso renovar o ticket do parking e ainda tive tempo de ir, de novo, à loja da TV Cabo. Para não esmorecer, fui novamente mal atendido, tal como ontem não conseguiram resolver o simples “problema” de me trocarem a box preta pela digital, tentei mandar um fax, já vai na 15ª tentativa e ainda não seguiu, e para confirmar se o número estava correcto esperei 17minutos e 26 segundos para ser atendido. Quer dizer que o país está todo a funcionar na perfeição, sejam os serviços públicos de saúde, sejam os serviços privados de comunicações. E como a máquina do parking me deu o talão correcto e não tive de renovar os 2 euros que coloquei, à cautela, continuo a assobiar a música dos Beatles. Não há nada como acordar bem disposto.
Olá amigas leitoras e amigos leitores. Como vós bem sabeis, eu não sou nada de acordar bem disposto. Nadinha mesmo. Não falo com ninguém, enrolo os pés nos tapetes, bato com a cabeça na porta da casa de banho e nem encaro o espelho com os dois olhos abertos. Mas hoje não. Hoje acordei super bem disposto. Fui dar de comer aos gatos, lavei os dentes, tomei uma bica preciosamente tirada pela minha Maria, coloquei um CD no toca-toca, trauteei uma canção dos Beatles, e até o cair da água do chuveiro me parecia música. No posto médico só esperei 20 minutos pela minha vez, a minha consulta só durou 2 minutos, vá lá 2 minutos e 17 segundos para ser mais preciso, não foi preciso renovar o ticket do parking e ainda tive tempo de ir, de novo, à loja da TV Cabo. Para não esmorecer, fui novamente mal atendido, tal como ontem não conseguiram resolver o simples “problema” de me trocarem a box preta pela digital, tentei mandar um fax, já vai na 15ª tentativa e ainda não seguiu, e para confirmar se o número estava correcto esperei 17minutos e 26 segundos para ser atendido. Quer dizer que o país está todo a funcionar na perfeição, sejam os serviços públicos de saúde, sejam os serviços privados de comunicações. E como a máquina do parking me deu o talão correcto e não tive de renovar os 2 euros que coloquei, à cautela, continuo a assobiar a música dos Beatles. Não há nada como acordar bem disposto.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
680. Medidas
Faz hoje 2 anos, 6 meses e 21 dias que estou desempregado. Não foi por culpa do Durão Barroso embora, por coincidência, tenha sido pouco depois dele ter tomado posse. E como o meu emprego não tinha nada de político (no sentido comum do termo) não vai ser por Sócrates ter ganho as eleições que eu vou arranjar emprego de novo. Só se for pura coincidência. A verdade é que hoje choveu na minha rua. O homem ganha e começa a chover. Deve ter sido a primeira medida, mesmo antes de ser Governo. Aliás a segunda, pois a primeira deve ter sido quando ele gritou lá do púlpito no largo do Rato: PreDatado, levanta-te e anda! Por este andar, vou ter emprego num instante. Não acha irmão Sócrates de Jesus?
Faz hoje 2 anos, 6 meses e 21 dias que estou desempregado. Não foi por culpa do Durão Barroso embora, por coincidência, tenha sido pouco depois dele ter tomado posse. E como o meu emprego não tinha nada de político (no sentido comum do termo) não vai ser por Sócrates ter ganho as eleições que eu vou arranjar emprego de novo. Só se for pura coincidência. A verdade é que hoje choveu na minha rua. O homem ganha e começa a chover. Deve ter sido a primeira medida, mesmo antes de ser Governo. Aliás a segunda, pois a primeira deve ter sido quando ele gritou lá do púlpito no largo do Rato: PreDatado, levanta-te e anda! Por este andar, vou ter emprego num instante. Não acha irmão Sócrates de Jesus?
679. Ressuscitei
Como vós, meus amigos leitores e minhas amigas leitoras, bem sabeis, eu não sou nada, nadinha mesmo, de ressuscitar. Sei lá, estas coisas de morrer e voltar a nascer tem algo de milagroso, de mítico, de transcendente. E o PreDatado é o mais comunzinho dos mortais. Mas hoje não resisti, acordei com uma vontadinha de ressuscitar que vocês nem imaginam. Não é todos os dias que se ressuscita e se eu não aproveitasse esta vontade matinal não sei quando seria que me iria voltar a dar uma genica destas. Portanto aqui estou eu disposto a retomar uma linha editorial que nunca existiu. Se o engenho e um pouquinho de arte se me acometer aqui estarei regularmente a expor estados de alma, estádios de luz, estrados de explanações, estradas e auto-ditas de considerações.
PS. Cá vai o meu primeiro pêésse (salvo seja) da nova geração. Onde escrevi “vontade matinal” é mesmo vontade matinal e não a tal não sei do mijo que alguns de vós terão pensado. Ok?
Como vós, meus amigos leitores e minhas amigas leitoras, bem sabeis, eu não sou nada, nadinha mesmo, de ressuscitar. Sei lá, estas coisas de morrer e voltar a nascer tem algo de milagroso, de mítico, de transcendente. E o PreDatado é o mais comunzinho dos mortais. Mas hoje não resisti, acordei com uma vontadinha de ressuscitar que vocês nem imaginam. Não é todos os dias que se ressuscita e se eu não aproveitasse esta vontade matinal não sei quando seria que me iria voltar a dar uma genica destas. Portanto aqui estou eu disposto a retomar uma linha editorial que nunca existiu. Se o engenho e um pouquinho de arte se me acometer aqui estarei regularmente a expor estados de alma, estádios de luz, estrados de explanações, estradas e auto-ditas de considerações.
PS. Cá vai o meu primeiro pêésse (salvo seja) da nova geração. Onde escrevi “vontade matinal” é mesmo vontade matinal e não a tal não sei do mijo que alguns de vós terão pensado. Ok?
quarta-feira, novembro 03, 2004
678. Esclarecimento
O PreDatado morreu. RIP.
O seu autor, por enquanto, ainda está vivo. Mas tem um bichinho bom a roer-lhe as entranhas que não o deixa abandonar o teclado. Por isso, ele e o filho resolveram, a meias, contar uma história. Andam a fazê-lo por aqui. De vez em quando um episódio.
Por outro lado, ele, o Alves Fernandes aka Pre, é um tipo assim, como dizer, maníaco-depressivo. As suas fases de maníaco não as partilha com ninguém. Quando a depressão o ataca quem paga são os botões. É ali, que ele escarrapacha tudo!
PS. Este post foi colocado aqui a pedido do ex-PreDatado, em carta testamentária.
O PreDatado morreu. RIP.
O seu autor, por enquanto, ainda está vivo. Mas tem um bichinho bom a roer-lhe as entranhas que não o deixa abandonar o teclado. Por isso, ele e o filho resolveram, a meias, contar uma história. Andam a fazê-lo por aqui. De vez em quando um episódio.
Por outro lado, ele, o Alves Fernandes aka Pre, é um tipo assim, como dizer, maníaco-depressivo. As suas fases de maníaco não as partilha com ninguém. Quando a depressão o ataca quem paga são os botões. É ali, que ele escarrapacha tudo!
PS. Este post foi colocado aqui a pedido do ex-PreDatado, em carta testamentária.
sexta-feira, outubro 29, 2004
677. PreAnunciado
Amigas leitoras e amigos leitores, como vós bem sabeis, eu não sou nada, mesmo nada de comemorações. Quando no dia 29 de Outubro de 2003, coloquei aqui uma postagem que dizia,
“Hoje é o primeiro dia...Aliás ontem... foi pré datado!”
estava longe de imaginar que ao longo de um ano, eu estaria aqui regularmente a dizer coisas. De facto não passaram de coisas, na maioria das vezes sem qualquer importância social, outras com algum carácter interventor (o PreDatado existe, não é ficção), contei histórias, descrevi almoços, mais ou menos condimentados, fiz algumas incursões na poesia, citei quando me apeteceu, mandei recados, aplaudi e critiquei, brinquei. No fundo diverti-me. Há muitas coisas que me divertem, mas nada se compara ao prazer que me dá ler e escrever. Tenho alguma dificuldade em dizer, tal como um célebre futebolista um dia afirmou que, quando marcava um golo tinha um orgasmo, que cada vez que escrevo um texto, experimente uma sensação semelhante. No entanto, sinto-me satisfeito quando o faço. Por mais pequeno que seja, sai sempre de um momento de emoção. E foi neste somatório de pequenas emoções que escrevi para vocês e, desculpem-me o egoísmo, que escrevi para mim.
Um ano não é uma meta, mas é um marco. E, embora não o tenha premeditado, a verdade é que, em termos de blogue, fico-me por aqui. Pelo menos em termos de PreDatado. Com muito prazer, vou continuar a frequentar a blogosfera. Virei ler os textos das minhas amigas e dos meus amigos virtuais com quem me habituei a privar neste espaço cibernético como que religiosamente.
Quero agradecer particularmente à Maria, à minha Maria, o apoio que me deu e que, fundamentalmente, se consubstanciou na aceitação das horas de “separação” que esta máquina infernal provocou.
Quero deixar uma palavra de agradecimento e também gabar a paciência dos poucos, menos de cem efectivamente que, diariamente, aqui vieram ler o que eu escrevia e, alguns dos quais comentar, ajudando-me a melhorar.
Até sempre. Bem hajam!
PS. Linha intencionalmente deixada em branco, porque hoje não haverá pêésse.
Amigas leitoras e amigos leitores, como vós bem sabeis, eu não sou nada, mesmo nada de comemorações. Quando no dia 29 de Outubro de 2003, coloquei aqui uma postagem que dizia,
“Hoje é o primeiro dia...Aliás ontem... foi pré datado!”
estava longe de imaginar que ao longo de um ano, eu estaria aqui regularmente a dizer coisas. De facto não passaram de coisas, na maioria das vezes sem qualquer importância social, outras com algum carácter interventor (o PreDatado existe, não é ficção), contei histórias, descrevi almoços, mais ou menos condimentados, fiz algumas incursões na poesia, citei quando me apeteceu, mandei recados, aplaudi e critiquei, brinquei. No fundo diverti-me. Há muitas coisas que me divertem, mas nada se compara ao prazer que me dá ler e escrever. Tenho alguma dificuldade em dizer, tal como um célebre futebolista um dia afirmou que, quando marcava um golo tinha um orgasmo, que cada vez que escrevo um texto, experimente uma sensação semelhante. No entanto, sinto-me satisfeito quando o faço. Por mais pequeno que seja, sai sempre de um momento de emoção. E foi neste somatório de pequenas emoções que escrevi para vocês e, desculpem-me o egoísmo, que escrevi para mim.
Um ano não é uma meta, mas é um marco. E, embora não o tenha premeditado, a verdade é que, em termos de blogue, fico-me por aqui. Pelo menos em termos de PreDatado. Com muito prazer, vou continuar a frequentar a blogosfera. Virei ler os textos das minhas amigas e dos meus amigos virtuais com quem me habituei a privar neste espaço cibernético como que religiosamente.
Quero agradecer particularmente à Maria, à minha Maria, o apoio que me deu e que, fundamentalmente, se consubstanciou na aceitação das horas de “separação” que esta máquina infernal provocou.
Quero deixar uma palavra de agradecimento e também gabar a paciência dos poucos, menos de cem efectivamente que, diariamente, aqui vieram ler o que eu escrevia e, alguns dos quais comentar, ajudando-me a melhorar.
Até sempre. Bem hajam!
PS. Linha intencionalmente deixada em branco, porque hoje não haverá pêésse.
quinta-feira, outubro 28, 2004
676. Não sei que título colocar no post...
Renuncio
Cada letra que escrevo me parece uma palavra.
Cada palavra que escrevo me parece uma frase.
Estou cansado.
A vida não é só isto e eu
Estou cansado.
A vida não é só escrever e eu
Estou cansado.
Preciso de beber
De rir
De amar e ser amado
Mas
Estou cansado.
Preciso de beber o perfume
Que todas as noites
Teu corpo exala,
E que Suskind jamais inalou,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o hálito dos teus beijos,
Quando me envolves os lábios de uma languidez
Que inibria
E que, Venus e Apolo tributo alto pagariam para beber,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o vinho que vertes em
Largos vasos, cujo néctar hipnotisante
A vontade aguça, o desejo incute e o amor provoca,
(Baco nunca provou tal néctar, garanto)
Mas estou cansado.
Preciso de beber o fresco ar das montanhas, quando
Alvo manto as cobre para que frio não tenham,
Em paisagem de delírio que Rembrand nunca pintou,
Mas estou cansado.
Preciso de rir, quando
Calado mimo para escutar meu riso
(E Morceau riria ele quando os outros riam?),
Mas estou cansado.
Preciso de amar o sol,
De amar a montanha,
De amar o vento e o mar amar também,
De amar as formigas que trabalham para eu cantar,
De amar o chão que de vermelho o outono de folhas cobre,
Não como Quixote amou Dulcineia,
Mas como Pedro amou Inês
Mas estou cansado.
Sabias que eu amo o vermelho?
Mas de o vermelho amar me cansei.
De amar o azul do céu de Lisboa
E de amar Lisboa.
Outros a amaram antes de mim e de a amarem não se cansaram.
Esta Lisboa que Pessoa amou,
Esta Lisboa que, de amar, Pessoa não se cansou,
A mim cansa-me.
Eu amo o azul e de amar o azul eu estou cansado.
Preciso de ser amado pela lua
Qual ninfa quarto-luminosa
Sempre me encanta!
Mais que nova ou mais que cheia,
Mas a lua de quarto-me-amar
Está cansada também.
Preciso de ser amado por ti
Nem que, por via de Platão, o teu amor
Assim longíquo seja. Eu só quero sentir.
Mas de me amares longe e me não chegares
Te terás cansado também.
E por cansaço renuncio.
Renuncio ao liquido voraz
Que me queima as entranhas e me cansa as manhãs.
Renuncio ao liquido voraz
Que me lava as lembranças e de recordar me cansa.
Renuncio ao riso
Que me cansa as maxilas e me engelha a pele.
Renuncio ao riso
Que alegra almas e cansa tristes.
Só não renuncio ao amor.
Porquê? Eu sei e,
Sei que a tudo mais renuncio.
Estou cansado.
Alves Fernandes in Complexus
Renuncio
Cada letra que escrevo me parece uma palavra.
Cada palavra que escrevo me parece uma frase.
Estou cansado.
A vida não é só isto e eu
Estou cansado.
A vida não é só escrever e eu
Estou cansado.
Preciso de beber
De rir
De amar e ser amado
Mas
Estou cansado.
Preciso de beber o perfume
Que todas as noites
Teu corpo exala,
E que Suskind jamais inalou,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o hálito dos teus beijos,
Quando me envolves os lábios de uma languidez
Que inibria
E que, Venus e Apolo tributo alto pagariam para beber,
Mas estou cansado.
Preciso de beber o vinho que vertes em
Largos vasos, cujo néctar hipnotisante
A vontade aguça, o desejo incute e o amor provoca,
(Baco nunca provou tal néctar, garanto)
Mas estou cansado.
Preciso de beber o fresco ar das montanhas, quando
Alvo manto as cobre para que frio não tenham,
Em paisagem de delírio que Rembrand nunca pintou,
Mas estou cansado.
Preciso de rir, quando
Calado mimo para escutar meu riso
(E Morceau riria ele quando os outros riam?),
Mas estou cansado.
Preciso de amar o sol,
De amar a montanha,
De amar o vento e o mar amar também,
De amar as formigas que trabalham para eu cantar,
De amar o chão que de vermelho o outono de folhas cobre,
Não como Quixote amou Dulcineia,
Mas como Pedro amou Inês
Mas estou cansado.
Sabias que eu amo o vermelho?
Mas de o vermelho amar me cansei.
De amar o azul do céu de Lisboa
E de amar Lisboa.
Outros a amaram antes de mim e de a amarem não se cansaram.
Esta Lisboa que Pessoa amou,
Esta Lisboa que, de amar, Pessoa não se cansou,
A mim cansa-me.
Eu amo o azul e de amar o azul eu estou cansado.
Preciso de ser amado pela lua
Qual ninfa quarto-luminosa
Sempre me encanta!
Mais que nova ou mais que cheia,
Mas a lua de quarto-me-amar
Está cansada também.
Preciso de ser amado por ti
Nem que, por via de Platão, o teu amor
Assim longíquo seja. Eu só quero sentir.
Mas de me amares longe e me não chegares
Te terás cansado também.
E por cansaço renuncio.
Renuncio ao liquido voraz
Que me queima as entranhas e me cansa as manhãs.
Renuncio ao liquido voraz
Que me lava as lembranças e de recordar me cansa.
Renuncio ao riso
Que me cansa as maxilas e me engelha a pele.
Renuncio ao riso
Que alegra almas e cansa tristes.
Só não renuncio ao amor.
Porquê? Eu sei e,
Sei que a tudo mais renuncio.
Estou cansado.
Alves Fernandes in Complexus
quarta-feira, outubro 27, 2004
675. Há dias felizes!
Vinte e sete de Outubro é um dia que nada me diz. Nada, de que tenha memória, me aconteceu a 27 de Outubro. Não tenho nenhum filho, amigo, conhecido que tenha nascido a 27 de Outubro. Não tenho parabéns para dar. Nunca comecei um namoro, nunca fiz jardinagem, não me lembro de ter escrito nada, antes, a 27 de qualquer Outubro. Não faço a mínima ideia se no dia 27 de Outubro do ano passado estava a chover ou fazia sol e nem sei se há dois anos, neste mesmo dia, o presidente Bush disse alguma aleivosia. Não conheço ninguém que tenha ganho o totobola, que tenha apanhado uma bebedeira, que tivesse comido tremoços; não me recordo qual era a fase da lua (nem me apetece ir consultar o Borda d’Água), não sei em que posição na tabela ia o Benfica no dia 27 de Outubro dos últimos 10 anos. Tenho a certeza que não tirei nenhuma fotografia tipo passe em nenhum dia 27 de Outubro, que não musiquei nenhum fado, que não me nasceu nenhum dente, que não viajei de mota, que não comi sushi, que não subscrevi nenhum abaixo-assinado, que não critiquei o Governo do Santana Lopes. E no entanto…No entanto, hoje é dia 27 de Outubro e, acredito que para alguns de vós este é um dia especial. E se o for, para mim também será. E, sendo assim, nunca mais direi que o dia 27 de Outubro nada me diz. Feliz dia para todos!
Vinte e sete de Outubro é um dia que nada me diz. Nada, de que tenha memória, me aconteceu a 27 de Outubro. Não tenho nenhum filho, amigo, conhecido que tenha nascido a 27 de Outubro. Não tenho parabéns para dar. Nunca comecei um namoro, nunca fiz jardinagem, não me lembro de ter escrito nada, antes, a 27 de qualquer Outubro. Não faço a mínima ideia se no dia 27 de Outubro do ano passado estava a chover ou fazia sol e nem sei se há dois anos, neste mesmo dia, o presidente Bush disse alguma aleivosia. Não conheço ninguém que tenha ganho o totobola, que tenha apanhado uma bebedeira, que tivesse comido tremoços; não me recordo qual era a fase da lua (nem me apetece ir consultar o Borda d’Água), não sei em que posição na tabela ia o Benfica no dia 27 de Outubro dos últimos 10 anos. Tenho a certeza que não tirei nenhuma fotografia tipo passe em nenhum dia 27 de Outubro, que não musiquei nenhum fado, que não me nasceu nenhum dente, que não viajei de mota, que não comi sushi, que não subscrevi nenhum abaixo-assinado, que não critiquei o Governo do Santana Lopes. E no entanto…No entanto, hoje é dia 27 de Outubro e, acredito que para alguns de vós este é um dia especial. E se o for, para mim também será. E, sendo assim, nunca mais direi que o dia 27 de Outubro nada me diz. Feliz dia para todos!
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