sexta-feira, maio 13, 2005

724. Pó e nostalgia

... e será que quem conhece esta respeitável e, dizem que, charmosa barriguinha acredita que eu já fui capaz de fazer isto tudo ao mesmo tempo?







PS. Estes não joguei no lixo. A gente tem de guardar algumas provas, não é?

quinta-feira, maio 12, 2005

723. Tou uíxado (*)

Ao contrário do habitual hoje ainda não li os jornais do dia;
Ao contrário do habitual hoje ainda não li nenhum texto polémico nos blogs;
Ao contrário do habitual hoje não fui ao café, não sei o que por lá se diz;
Ao contrário do habitual hoje não me precavi contra o colesterol. Almocei que nem um alarve;
Ao contrário do habitual hoje ainda não discuti futebol com ninguém;
Ao contrário do habitual estou com uma soneira do caraças!

Portanto, sem tema, sem pachorra e com sono não vou escrever coisa nenhuma.

Ah! É verdade, estou lixado. O meu carro anda a fazer uma barulheira insuportável que não me deixa dormir. Quer dizer, até sonho com o barulho e ao contrário do que é habitual acordei às 7 da manhã por causa do barulho do sonho.


(*) tenho um puto meu amigo que omite o éles!
722. Revelação

Contradição entre o título e o texto, ou talvez não. A revelação que eu queria fazer é que fui convidado a editar um livro a partir do blog PreDatado. A revelação que faço é que não aceitei. Não pensem que foi por imodéstia ou por demasiado sentido crítico tipo “o que tu escreves não vale um peido”. Isso eu sei, mas nem me atrevo a escrevê-lo. Nem entre aspas, quanto mais sem as ditas. Não, não foi por nada disso. Foi por medo, por cobardia e mais ainda... foi para não publicitar demasiado outros blogs. Medo deste blog. Cobardia, porque depois teria de apagar os comentários que este blog viesse aqui fazer e, eu sou demasiado cobarde para apagar comentários. E, finalmente, para não dar publicidade a este blog, que acabaria mais dia, menos dia por escrever um post a foder-me o juízo e portanto teria aí uns cento e tal comentários à custa do meu livro.

PS. E numa completamente a sério. Na verdade sempre gostei de ver filmes de acção. A guerra entre o JP da Costa e as Catarinas/Patrícias poderia ser um desses. Mas não. É uma tragicomédia, um chorrilho de asneiras e contra-asneiras. JP da Costa sei que não corro o risco de ser considerado mais um bajulador punheteiro, porque raramente te comento e porque de punheta não falo em público. Por isso, deixa-me dizer-te que acho que deste importância a mais ao assunto e, na minha óptica, fizeste mal em apagar os comentários. Há respostas, mas principalmente há silêncios, que arrasam. Sem necessidade de se recorrer ao agiolax.

terça-feira, maio 10, 2005

721. A isca e eu (ou, de nem todas as cavadelas sai uma minhoca)


Eu não gosto de iscas. Cheiro-as a uma distância de pelo menos 1 km e logo aí fico com náuseas. Nem de olhos vendados e com uma mola a prender-me o nariz, sou capaz de as tragar. E, podem crer, não é mania minha. A primeira vez que tentei comer fui a correr à casa de banho cuspi-las na sanita. A segunda, pensando eu que era apenas um trauma de garoto, tive uma reacção similar. Só faltou vomitar as tripas. E a terceira, num acto de heroísmo e abnegação, como se disso dependesse a salvação da humanidade, fraquejei das pernas, caí de imediato para o lado com uma quebra abrupta de tensão, chamaram-se os paramédicos e uma voz que me soou ténue em tempo de recuperação de sentidos, sentenciava: “mariquinhas!”

Há programas de televisão que não vejo, jornalistas e colunistas que salto por cima, blogs que não me atrevo a abrir a página. Mas quando de repente me deixa de cheirar a iscas, vou lá experimentar de novo para ver se afinal sempre é algum “trauma de criança”. Quase sempre corro rapidamente em direcção à casa de banho e é lá que a bílis se mistura com o ingerido. As tripas, essas, acabam por ficar. Para uma próxima tentativa. Às vezes ainda oiço a mesma voz: “masoquista”.

segunda-feira, maio 09, 2005

720. Comentem mais. Gosto de vocês.

Há uns tempos atrás eu tinha um link na minha coluna da direita de uma blogger brasileira o qual, infelizmente, devido a um problema no template que ocorreu há largos meses, não consegui recuperar. Sou um tipo distraído que leio os textos, montes de vezes sem fixar o URL ou o nome do blog. Leio porque gosto, leio porque me dá prazer. Mas lembro-me que ela tinha um daqueles detectores que dava o número de visitas on-line em simultâneo. Uma vez reparei que estávamos 87 pessoas a lê-la em simultâneo. Bem sei que o Brasil não é Portugal em dimensão e que, portanto, eu nunca almejaria a ter o mesmo número de leitores ao mesmo tempo. Mas com as devidas proporções, utilizando o rácio demográfico e corrigindo com o factor econométrico eu poderia ter 15 pessoas a olharem para a minha chafarica no mesmo período temporal. No entanto isso está completamente fora de questão e não passa de um pretensiosismo iníquo. Se isso acontecer é porque me transformei num blog de hits, onde é chique dar uma “clicadela”, ou porque eu sou muito bom mesmo (fora de questão, ok meus?). Por acaso gosto de conviver com a minha mediania blogosférica, onde o meu compromisso é apenas comigo mesmo e onde sei que os meus leitores gostam de vir por quem eu sou e não porque é “sebem” vir aqui. Têm é de comentar mais, caraças. Gosto mesmo de vocês, acreditem!


PS. Desculpa T. mas roubei-te o “sebem”.

sábado, maio 07, 2005

719. Blogo, logo afecto

Estive a fazer um exercício de memória e cheguei à conclusão que só conheço pessoalmente uma pessoa que escreve nos jornais e / ou revistas. Devo ser das pouquíssimas pessoas da minha geração que tem tão pouca afinidade pessoal com os jornalistas, os colunistas, os opinionistas. A pessoa que eu conheço pessoalmente, passe a redundância semântica, não é a Rita Barata Silvério. Conheço um blog que leio amiúde de uma tal Rititi. Ontem estava a ler no DNA a habitual crónica semanal da Rita Barata Silvério. Um vizinho, que costuma tomar comigo a bica, comentou “hoje está muito concentrado”. “Estou a ler a crónica de uma amiga minha”, respondi.
Inexplicáveis afectos que vou descobrindo na blogosfera.

quinta-feira, maio 05, 2005

718. Fez 1 ano

O blog do Circo Cerebral. Fazes o favor de ser mais assiduo? Já te disse que o teu humor, por vezes bem sacaninha, é um estilo que eu gosto? Então porta-te bem ok?

PS. Vocês já repararam que eu não faço coro com os lagartos? Não gosto do... do... do coiso, pronto.
717. Intimismos

Só me apercebi que ainda estava com sono quando peguei no garfo para “comer” o copo de leite.

Hoje descobri no armário, ainda em estado novo, um “velho” blusão de ganga com etiqueta Levi’s que dizia “to wear sportingly”. Quem teve a suprema ideia de tão advertida frase ou estava com medo que eu o usasse em jantares de gala ou sabia que eu sou do Benfica.

Quase às 3 da manhã descobri que os Marlboros Light tinham terminado. Fumei Português (antigamente Suave). Já estou a imaginar a cara do meu sogro quando reparar que lhe deixei o maço vazio.

Já reduzi mais de 70% do sal que comia. Pensava isto quando dei comigo a abrir uma latinha de amendoins do Lidl. Ninguém é perfeito.

Adormeci no intervalo do Liverpool-Chelsea. Adormeci no decurso do PSV-Milan. Nunca adormeci a ver jogar o Pedro Mantorras. Nem o Simão, nem o Nuno Gomes, o Manuel Fernandes, o Petit, o Luisão, o Ricardo Rocha, o Giovani, o Nuno Assis, o Miguel, o Quim, o Fyssas… Vou perguntar à minha psicóloga se clubite aguda é alguma doença.

Hoje almocei cozido à portuguesa. Ontem, ao almoço, favas à portuguesa. Por acaso ontem de manhã fui tirar sangue para controlo do colesterol. Já me disseram que não vale viciar os dados.

Vou escrever três mini-contos para o Luís Ene. Vou-te já fazer uma ameaça. Se não ganhar um livro teu, compro-o.

Há um gajo que bateu no carro do meu filho em Sintra, no Verão passado. Até hoje, tem andado a fugir com o rabo à seringa. Estás fodido comigo, ó meu. Ou te despachas a pagar o estrago ou divulgo-te o nome e a matrícula na Internet. Até os teus amigos te vão passar a chamar vígaro.

PS. O registo deste post aconselharia a que o tivesse publicado aqui. No entanto utilizei a palavra fodido. Não basta o gajo anda fodido da carola, como ainda publicar malcriadices ali. Deusmalivre!
716. Portas travessas

O antigo ministro Paulo Portas foi condecorado lá nas Américas. Tenho lido e ouvido de alguns comentaristas políticos a opinião de que Paulo Portas foi um excelente ministro, talvez um dos melhores que Portugal já teve. Eu, na verdade, não tenho ideia nenhuma de qualquer medida tomada por este ministro que tenha feito bem aos portugueses. Quem souber de uma só que seja que definitivamente tenha contribuido para o aumento da qualidade de vida do povo português ou que tenha contribuído para colocar Portugal entre os países mais desenvolvidos do mundo, por favor deixe recado aí na caixa de comentários. Eu gosto de aprender.

domingo, maio 01, 2005

715. Os honestos e a voz do dono

Ontem ouvi, na TSF, uma entrevista ao treinador Luís Castro do Penafiel. Realço uma pergunta e uma resposta (peço desculpa por, de cor, não ser capaz de escrever integralmente o que foi dito, mas não fugirei à ideia base):

Jornalista – O Luís Castro assume sempre uma posição low-profile. Nunca o ouvimos falar das arbitragens ou do árbitro.

Luís Castro – Quando eu ganhar coragem, para numa entrevista assumir que a minha equipa foi beneficiada pela arbitragem, terei capacidade para falar dos árbitros. Ainda não ganhei essa coragem.

Comparar este discurso com o de José Couceiro… báááá!

sexta-feira, abril 29, 2005

714. Competitividade

AVISO – ESTE POST CONTÉM LINGUAGEM EVENTUALMENTE CHOCANTE E REMETE O LEITOR PARA CENAS (OU IMAGINAÇÂO DAS DITAS) QUE ATENTAM A MORAL E OS BONS COSTUMES INSTITUÍDOS PELO QUE NÃO DEVERÁ SER LIDO POR PESSOAS SENSÍVEIS E POR MENORES DE 16 ANOS.

A REDACÇÃO NÃO SE RESPONSABILIZA POR QUALQUER ORGANIZAÇÃO DE EXCURSÕES AO PAÍS VIZINHO.

Li a frase “tipos que conheço e costumam ir às putas” no blog do TOM e lembrei-me de uma conversa que ouvi no café de um destes tipos que costumam ir às putas.

Discutia-se a inércia dos empresários portugueses, da deslocalização de empresas, da falta de investimento efectuado na modernização, etc, etc, porque isto de ir a cafés com gente que discute estes problemas da vida social e política em vez da quinta das celebridades, não é para todos, mas adiante, quando um dos gajos se saiu com esta:

- Até nas putas pá, até nas putas!

Ficou tudo parado à espera da continuação. O silêncio inundou o café, só ecortado por um puto que entrou para comprar uma pastilha elástica. Quando o miúdo saiu o tipo que costuma ir às putas, continou.

- Estes gajos aqui qualquer dia levam um chimbalau do caraças – e bebeu mais um gole da mini, como que para aclarar a voz – sim, porque um gajo entra numa casa de putas em Espanha, não tem de consumir obrigatoriamente nada, pode só beber uma água tónica por 20 euros e come uma gaja por 50. Aqui um gajo entra com uma garrafa de whisky de 75 euros, as gajas não podem beber da nossa garrafa, bebem uma merda qualquer tipo coca-cola pela qual temos de pagar 50 euros e quando saem para foder temos de pagar 60 euros. Eu cá por mim, é só um saltinho e prefiro ir a Espanha.

Paguei a bica e o Marlboro Lights, dei as boas tardes e vim pelo caminho a pensar que um dia destes vou assistir a uma manif. às portas de uma qualquer casa de putas, com as meninas a fazerem uma vigília para impedirem a saída das máquinas de camisas de vénus porque a casa vai fechar por falta de encomendas. De facto nem a nossa indústria de prostituição é competitiva. Isto é que é uma foda, hein?

quinta-feira, abril 28, 2005

713. E... mainada!

Hoje aprendi uma nova definição. O seu autor definiu alguns comentadores anónimos como

cito

“… ‘anónimos saco de plástico continente’, porque, são úteis - fazem crescer os contadores, mas são barulhentos e acabam sempre a sua vida a forrar um caixote do lixo”.

fim de citação.

Retirado do contexto o extracto diz pouco pelo que aconselho a leitura do post - palco da artes.

Eu sinto-me com sorte (bolas pá, vocês vêem piada em tudo; essa, a Camila, é consorte, não é com sorte). Tenho pouquíssimos comentários, não estou inscrito em nenhum blogómetro – seria até uma vergonha – pelo que não há maneira de conhecer o meu contador de comentários, tenho a placa de som do meu computador avariada, barulho ou ausência deste é igual e tenho 4 caixotes de lixo em casa, porque sou um ecologista indefectível. Mas a sorte não advém do que eu disse acima. É que apesar desta gaja dizer que tem os melhores comentadores do mundo é mentira! Eu é que tenho! E mainada.


PS. Concedo-te o benefício de colocares os que te comentam a ti e também me comentam a mim na lista de melhores comentadores do mundo. E novamente, mainada!

quarta-feira, abril 27, 2005

712. Olha, sou gaija

Não sei onde começou, mas na blogosfera está a haver umas tentativas do blogger escrever um texto como se fosse do sexo oposto. Hoje decidi ser eu a gaija. Cá via disto.

- Estou? Lecas?
- …
- Ai estou tão excitada querida que nem sei se te conte…
- …
- Tá bem pronto, vou-te contar. Imagina que fui ao Almada Fórum comprar Eukanuba prá Fifi e sabes quem é que eu encontrei?
- …
- Vá lá, tenta adivinhar.
- …
- Credo mulher, se fosse essa gaja achas que eu ficava excitada? Eu tinha era vomitado. A propósito sabes que ela anda a encornar o marido, não sabes? Sim claro, com um jogador de futebol. Ainda por cima dizem que esse jogador é bicha. Isto o que elas fazem só para sair nas revistas. Essa gaja dá-me cá umas náuseas. E também se amandava ao meu marido que eu sei muito bem. Tive até que lhe dizer que ou ele parava com aquelas merdas de se derreter todo com a gaja ou CLK não saía mais da garagem.
- ...
- Ó filha eu sei disso e também sei que o gajo só casou comigo por causa da massa do velho, mas que queres, a gente também gosta de se pavonear. E quer queiras, quer não, o António é um ganda borracho.
- ...
- O quê? Também tu, caraças? Já não se pode confiar na melhor amiga, dasse. Ó Lecas não me vais dizer que já foste com o meu marido prá cama, que eu mato-te...
- ...
- Ah bom, eu sabia que podia confiar em ti. Mas não, não foi essa, foi a Gininha.
- ???
- Sim a Gininha aquela mastronça, vê lá tu. Era gorda que nem uma baleia e agora diz que é modelo. Se tu visses querida, nem mamas tem. Ela não me disse mas eu desconfio que foi operada. Lembras-te que a gente dizia que ela alimentava a peito o batalhão dos sapadores? Pois é querida parece um homem.
-... ???
- Não sabes porque é que fiquei assim tão excitada? Ai não, pois vou-te contar. Mas juras que não contas nada a ninguém ok? Ela agora passa uma semana por mês fora no estrangeiro…
-...
- Inveja? Inveja eu? Deixa-te de merdas pá. Vê lá se pintas o cabelo que tu nunca atinges nada à primeira, caraças. És mesmo tansinha. O Jójó vai precisar de companhia. Tás a ver?
- ???
711. Lunch Time Blog

Parece estranho um LTB logo pela manhã. Mas esta vontade de escrever o texto está associada à vontade de cumprir um programa de redução de peso através do controlo de ingestão máxima de 2300 Kcal por dia. Não é para reduzir a barriguinha, pois tenho provas suficientes de que ela não é o empecilho para mim. Ainda consigo ver o coiso quando vou aliviar águas e também consigo encontrar o meu número em qualquer loja de calças do país. O problema é que descobri que tenho a tensão alta e este é o primeiro passo. O segundo será caminhar diariamente o que, diga-se em abono da verdade, a ciática tem sido o meu álibi perfeito para camuflar a minha preguicite aguda. Se a este programa acrescentarmos que reduzi o número de bicas de 10 para 3, que de pedrinha a pedrinha está-se esvaindo o sal na comida e que já nem olho para os rótulos das garrafas pois o álcool começou a ser banido a toda a velocidade, vereis que dos tempos das grandes comezainas, pouco resta para estes meus posts almoçadeiros. Mas como não sou fundamentalista, quando pular a cerca, sereis meus convidados a partilhar comigo os prazeres da mesa.

PS. Não levem à letra a última frase. Esta partilha será de leitura. A vida está cara, ó se está!

segunda-feira, abril 25, 2005

710. Eu blogo, tu blogas, ele bloga... em Beja!

A Cat não sabia porque é que lá estava. Eu gramei que ela não soubesse, porque assim não me pareceu que tivesse discurso preparado. Foi um post. Só não a vi comer bolachinhas.

A Gotinha teve sucesso com o porco e o comportamento sexual. Por mim pode voltar a ficar com baixa de parto. Ganha a blogosfera. O Goto que trate disso.

O Zé Mário criou o BdE porque se irritava com os amigos da Coluna Infante e não tinha outro meio de responder. Estou à espera que alguns amigos meus me irritem também para eu poder criar um blog a sério como o BdE.

O RAP saltou do blog para a ribalta. O RAP já era escritor só que poucos o sabiam. Nem a ele, nem ao gordo, nem aos outros dois “idiotas” Se eu soubesse usar as técnicas que o RAP enunciou na prelecção, uns minutos antes, agora estaria aqui a dissertar sobe a escrita destes apontamentos numa mesa literalmente cheia de pó e com uma caneta molin que por acaso já não é fabricada em Portugal. E a malta estava toda a mijar-se a rir. Mas RAP só há um!

O JPC das Ruínas Circulares tem um cabelo muito giro. Ah tem, tem. E tem um blog. Estou num dilema do caraças: Não sei se hei-de arranjar maneira de ter um blog como o dele ou se hei-de deixar crescer o cabelo.

O Charquinho tem um blog para criar polémica. Ok, meu, vou começar a espicaçar-te.

A Mar tem um sotaque alentejano porque ela é alentejana. Mas estava tão speedada que desapareceu a cem logo após o colóquio. Como é que uma alentejana desaparece àquela velocidade?

Fora da mesa, mas nas mesas vi muitos bloggers por lá. A Ruiva que eu conheço há tanto tempo que os pais dela tiveram o descaramento de me convidarem para padrinho de baptizado; o c.a.a. que mora no sítio onde eu tive o meu primeiro acidente de automóvel, o nikoman que nunca largou a sua nikon, a Mad que nunca largou o dono da Nikon, a oilegal, que não se deve ler ôi legau, mas sim o ilegal, o homem das Canas & dos Senhorins e um comentarista que dá gargalhadas tipo A. Haveria mais, mas estariam anónimos. Ah, é verdade o gajo das Conversas com os Botões também estava lá, mas o Pre abafou-o. Para terminar tenho de te dizer Mad que és tão bonita como o teu blog. Desculpa lá João, mas a verdade tem de ser dita.

PS. Vocês leitores sabem que eu não sou nada de escrever pêésses. Mas não resisti à pergunta se um blog era solidão ou tesão. A Cat, foi muito elegante na resposta. Eu teria dito que sim, que era tesão, porque cada vez que escrevo um post tenho um orgasmo. Vou ali vir-me e já volto, ok?

quinta-feira, abril 21, 2005

709. Sem título - Capítulo 4

Efectivamente nunca tinha ido ao Brasil, tudo quanto sabia era através do que via na televisão, lia nas revistas ou consultava na Internet. Alguns amigos, contavam-lhe casos escabrosos de violência, outros, a maioria, falavam-lhe das maravilhas encontradas naquele país tropical, as praias, as belezas naturais, a alegria, o samba e o forro, a água de coco e, principalmente, as mulheres. E a “viagem” dele parou aqui. Lembrou-se que na carta a moça não dizia o nome. Foi ler o remetente e lá estava, Christiane. E começou a pensar nas pernas da Christiane. Como seria ela na cama? Quão diferente seria das portuguesas? Na verdade ele não era homem de mulheres. Poucas tinha conhecido na intimidade e só tinha tido uma namorada a sério. Nos quase dois anos de namoro tinha feito amor não mais de meia dúzia de vezes. Sempre deixara que as coisas acontecessem e na realidade aconteciam muito raramente o que o levava a reflectir se o problema estava nele ou na companheira. Um dia viu-a partir como bolseira para um doutoramento nos Estados Unidos e durante muitos anos não a voltou a ver. O rompimento foi de tal modo que nunca houve uma carta, nunca houve um telefonema. Encontrou-a há pouco mais de um ano no parque de estacionamento do supermercado, acompanhada de duas crianças e do, possivelmente, marido. Apenas trocaram uns olhares, como quem pergunta, eu conheço-te?, cada um entrou no seu carro. Nem sabe porque raio esta aparição lhe veio agora à memória, uma vez que estava mais interessado na Christiane. Iria responder-lhe. Entretanto abriu a terceira carta.

quarta-feira, abril 20, 2005

708. A eleição do Papa e o Clássico Benfica x Sporting

Quando se anuncia um Benfica x Sporting anda a imprensa 15 dias antes em grande alarido. Ele é reportagens com os eventuais protagonistas, declarações de analistas, entrevistas com ex-participantes, reportagens televisivas, enviados especiais, prognósticos, prós e contras, consequências. No dia do jogo, acompanham as equipas aos seus aposentos e transmitem a partida destes até ao local do prélio. Depois ao fim de hora e meia de jogo está tudo acabado. Fazem-se comentários discutem-se as incidências do jogo, mais dois três dias se por acaso houve alguma eventual irregularidade e c’est finit.

As televisões procederam assim no pré-conclave. E para quê? Ao fim de 24 horas estava tudo resolvido. Ó pá só 24 horas mesmo, caraças. Sem emoção, sem nada. Agora são os comentários ao desfecho e daqui a dois dias, terminou tudo também.

Valha-nos o Tour de France. Sempre são 3 semanitas.

sexta-feira, abril 15, 2005

707. Porque será

Que a maioria das entradas neste blog provenientes de pesquisas no Google tem como objectivo saber algo sobre cheque pré-datado? Vocês conseguem ver alguma relação entre a bota e a perdigota?
706. Sem título - Capítulo 3.

Uma enorme ansiedade queimava-lhe o peito. Não resistiu à reunião semanal com o primo, escusou-se e abandonou a fábrica. À saída, discretamente como tudo o que fazia, pegou no celular e chamou um táxi. Estava demasiado tenso para fazer o percurso de volta a pé, como tanto gostava, embora a distância fosse curta. Sentou-se na secretária do seu amplo escritório e abriu a primeira carta.

“Caro senhor
Em primeiro lugar permita-me que me apresente. Chamou-me Marina, tenho 30 anos e sou viúva. Um estúpido acidente de viação levou-me para a casa de Deus o meu amado marido. Era chegada a sua hora e contra a vontade do Senhor não se pode reclamar.”
Demasiado religiosa para o meu gosto, pensou. Se continua assim não terei paciência para ler o resto. “Agora que três anos volveram desde que se finou, é chegada a hora de refazer a minha vida. Aconselhei-me com o Sr. Padre Miguel e ele garantiu-me que não seria pecado..” Era o que mais faltava, ele, um agnóstico praticante ter de aturar uma beata o resto da vida. Pegou na carta deitou-a no cesto dos papéis. As coisas não estavam a correr bem. Abriria a segunda. Vinha do Brasil.

“Doutor,
O senhor era tudo quanto eu esperava. Quando li sua propaganda meu coração se encheu de alegria. Sou uma jovem moça do interior do Brasil disposta a tudo para abandonar essa situação difícil que o país está vivendo. Tenho uma filhinha de 4 anos fruto de um relacionamento que não deu certo. Não tenho condição para pagar a passagem, mas se o doutor quiser eu me sacrificarei para conhecer o senhor. Desculpe minha prosa, mais não tenho com certeza a cultura do senhor. Lhe asseguro que todo mundo me acha inteligente e que o fato de não ter cursado só teve a ver com poder sustentar minha filhinha desde os dezoito anos de idade. Quando isso aconteceu fazia vestibular para artes plásticas. Sou morena, tenho 22 anos de idade, 1m70 de altura, cabelos pretos cacheados, e olhos verdes. Minha perna grossa e meu jeito de andar é motivo de cantada que eu nem ligo mais. Agora meu desejo só é de ir para Portugal. Veja por favor as fotos que lhe mando. Um beijo em seu coração.”


Abriu um segundo envelope que vinha dentro do primeiro. Três fotografias, uma de rosto, uma de corpo inteiro vestida com uma blusa simples e um short e uma em biquini. Tremeram-lhe as mãos e começou a “viajar” pelo Brasil.

quinta-feira, abril 14, 2005

705. Sem título - Capítulo 2

Ao fundo aproximava-se o comboio. Devagar, a estação estava perto e ele atravessava um viaduto. O homem, sentado na esplanada, olhou para o relógio. Faltavam três minutos e deveria ainda ter tempo de o apanhar. Levantou-se num ímpeto e correu desenfreado. Saltou a cancela, indiferente ao chamamento do segurança. Entrou na carruagem quando as portas já se fechavam. Sem surpresas encontrou quem esperava encontrar. Numa carruagem, sozinha naquele espaço, sentada na fila de onde se podia ver o mar, lá estava ela. Cabelo curto, pele morena, olhos cor de mel. Blusa branca abotoada a partir do segundo botão caía sobre uma saia curta, preta, cuja bainha se sobrepunha um pouco ao joelho. Sobre uma meia rente ao tornozelo um sapato ténis branco. O ar jovial não o ganhava da indumentária. Efectivamente ela era uma estudante universitária, 19 anos de idade, sua colega de turma. Sempre nutriu uma desvairada paixão por ela. Platónica é certo, mas uma paixão que lhe pegava fogo ao coração. Sentou-se ao seu lado e não lhe dirigiu palavra. Contemplou o mar naquela infindável marginal. Ela deitou a cabeça no colo dele. O homem afagou-lhe a cabeça, despenteou-a. Não dirigiram palavra.

Quando começou a sentir uma inexplicável erecção, abriu os olhos, levantou-se, ajeitou o casaco, chamou o empregado, pagou a água e dirigiu-se impávido e calmo à sua empresa de componentes electrónicos.