segunda-feira, julho 04, 2005

771. Infelizmente

Carla Quevedo assina na revista “Única” do semanário Expresso, uma página semanal com o mesmo título do seu blog: Bomba Inteligente. Este fim-de-semana, numa nota sobre o pintor colombiano Fernando Botero, dispara a seguinte frase que me deixou perplexo: “Botero deixa, infelizmente, mais uma vez os temas pastorais, as naturezas mortas, as famílias, as mulheres e os homens com cães, para mostrar a sua revolta contra a crueldade e a injustiça” (fim de citação). Eu sei pouco de Língua Portuguesa e muito menos de Fernando Botero, mas o que leio é um lamento – “infelizmente” – pelo facto de Fernando Botero pintar a “sua revolta contra a crueldade e a injustiça”. Em vez disso Carla Quevedo preferiria os homens com cães. Em vez das atrocidades dos homens de Bush, talvez Bush passeando o cachorrinho Barney. Seria muito menos “infelizmente”. Ou será que li mal?
770. Profundo

Enquanto alguns dos meus mais depravados amigos e obviamente amigas também visitavam a Feira Erótica, passeava eu pelo Alentejo mais profundo, terra que adoptei de alma e coração, ou não fosse eu um apaixonado pela minha Maria, essa sim Alentejana de todos os costados. E quando os alentejanos cantam ao despique, e os copos vazam os jarros, e os jarros esventram os pipos, obtemos pérolas destas.


Ê já vi nascer o Soli
Entre as forcas dum chaparro
Engani-me que era a Lua
O Sol na nasce tão tardi.

Ê subi o êcalitro
Com o tê retrato na mão
Desêcalitrei-me dali a baixo
Bati c’ os cornos no chão.

Hoje tá lindo o luar
Que bonita vai a Lua
Na te ponhas praí olhar
Qu’ê te quero ver-te nua.
769. BlogoLivro, livra?

Quando há algumas semanas atrás surgiu na blogosfera uma pequena discussão sobre a questão livros de blogues, sim ou não, eu coloquei-me sempre do lado do sim (só não quis imitar o Pacheco Pereira a criar o Sítio do Sim aos Livros, porque não). Mas, infelizmente constato que alguns blogs depois de terem publicado o tal livro saído do dito cujo, ou desapareceram, ou passaram a ser um painel publicitário do mesmo, ou tornaram-se uma grande M*E*R*D*A. Assim com as cinco letrinhas, sem mais nem ontem. Com pena minha pois claro, porque gostava dos blogs. Pareceu-me que este post indicia uma nova autora, uma nova blog-autora quer-se dizer. Só espero continuar a ter o “meu” 100nada.
768. A minha prima Carla

O texto hoje publicado no Alto Mar fez-me lembrar uma velha história. A minha prima “Carla” (nome fictício – esta aprendi com o Correio da Manhã e com a TVI), sempre teve o seu quê de irreverente. Desde muito nova trabalhou como balconista numa loja de pronto-a-vestir. Um bem-posto cavalheiro, depois de provar e de se decidir por um fato de alpaca azul-escuro, a condizer com uma camisa de risca fina, também azul (a risca) que, à falta de Rosa & Teixeira, era apenas Pierre Cardin e de uma gravata em seda da Dior, obviamente amarela com aplicações azuis, notem que o amarelo era mais amarelo-torrado, mandou passar a factura em seu nome. E que nome devo inscrever na factura?, perguntou-lhe a “Carla” (nome fictício), não antes de se certificar de que o referido senhor era portador do seu número de contribuinte ou se pelo menos o sabia de cor. Que sim senhor, pode passar em nome de Eng.º Fulano de Tal. Apanhei-te pensou a “Carla” (nome fictício), tem graça que tenho um primo com o mesmo nome que o senhor. A sério, também se chama Fulano de Tal?, perguntou admirado o cliente do fato azul em alpaca finíssima de uma marca italiana cujo nome olvidei. Esta admiração advinha do facto de Fulano de Tal ter um nome pouco comum, mas menos complicado do que Hipaninondas ou Eufrázio. Que não, respondeu a “Carla” (nome fictício), o meu primo também se chama engenheiro.

quarta-feira, junho 29, 2005

767. Mais um na rede

Pronto, está bem, não se fala mais nisso. Fui levado pela publicidade de caixa do correio. Comprei o NicoBloc. Cá para mim é treta e já desembolsei 40 érios. Mas psicológico ou não, vou tentar seguir o programa. Se resistir, daqui a cinco semanas dar-vos-ei conta dos resultados. Se não resultar aceito com fair-play que me chamem otário.

PS. No corrector de MS-Word para português a palavra “otário” deu-me erro. Como sugestão o Sr. Bill Gates diz-me para usar Ontário, notário, ovário, etário e notária. Portanto, cuidado, se aceitarem alguma sugestão, eu recuso notária. C’est pour cause.

terça-feira, junho 28, 2005

766. A blogosfera e a arte de encher chouriços

Cada um criou o blog que quis e faz dele o uso que quiser. Dito assim, não tenho como contestar. Há blogs de tudo e para todos os gostos, algumas vezes eventualmente apenas para gosto do próprio blogger. Mais uma vez não tenho matéria de crítica. No entanto alguns blogs criaram (-me) expectativas que, pena minha, se vieram a defraudar. Aos poucos nota-se que a “mensagem”, como eu a entendo e seja lá isso o que for mesmo que não corresponda ao vosso conceito, se vai perdendo na arte de encher chouriços. Noto que existem blogs que teimam em se manter vivos. ‘Quem desaparece, esquece’ costumava dizer a minha avó que conhecia quase todos os provérbios portugueses. Assim, numa tentativa de que haja sempre algo na janela com a data de hoje, vão introduzindo posts atrás de posts que no final poucos lêem. Extractos de outros blogs, poemas nem que seja em checoslovaco, fotografias de gajas (e gajos) nuas ou de quadros surrealistas, quiz para ver qual tem as mamas mais parecidas com a Pamela Andersen, cadeias de disco rígido cheios de música, ou fotografias da Sharon Stone como imagem de um acordar despenteado. Depois, de tempos em tempos, um daqueles posts que fizeram do blog referência, ao velho estilo do velho blogger. Não está bem, nem está mal pois não me compete fazer juízos de valor. Quem não gosta não come. Mas que existem artistas virtuosos em encher chouriços, lá isso existem.

PS1. O PreDatado não tem, nunca teve, nem nunca pretendeu ter qualquer linha editorial. È talvez um exemplo (bom?) de como se enchem chouriços. Mas só chouriços mesmo!
PS2. Antes que me batam.

segunda-feira, junho 27, 2005

765. Justiça

Há uns dias atrás divulguei aqui uma reclamação que fiz à TV Cabo por causa da “minha” Internet. Eficientemente, responderam-me na volta do e-mail informando qual era o número do meu problema. Depois, personalizado, um novo e-mail em que marcavam a vinda de um técnico. E não é que veio mesmo? E não é que veio dentro das horas marcadas? Agora só falta ver como é que a net se vai comportar. Mas tem de se fazer a justiça de divulgar a boa(?) acção, com o mesmo destaque da denúncia.

sábado, junho 25, 2005

764. Porque hoje é Sábado

José Pacheco Pereira, na semana que antecedeu a manifestação nazi em Lisboa não se pronunciou sobre a mesma. Nem nos órgãos de comunicação institucional, nem no seu, cada vez mais monótono e desinteressante Abrupto. Veio a fazê-lo, esta semana, na Quadratura do Circulo, na SIC Notícias. Para dizer o quê? Para dizer que “enquanto não se condenarem os partidos da extrema-esquerda não se têm de condenar os partidos da extrema-direita”. Quem queria ele referir? O MRPP que só existe 15 dias antes de cada eleição, ou o Bloco de Esquerda que hoje tem uma representação parlamentar significativa? Num agradecimento ao seu quase silêncio, veio o frentista nacional Mário Machado dizer ao Público de que se fosse poder ilegalizaria os “grupos subversivos como a Maçonaria, PCP, PS, PSD, BE, SOS Racismo, Opus Dei, Ilga, Opus Gay, etc.” (fim de citação). Não sei se o tal Mário Machado se esqueceu dos Judeus como agradecimento ao Pacheco Pereira ou se ficam para a próxima.

PS. E não vale e pena vir com subterfúgios como a publicação de um extracto do “Avante” de 1955 que se insurgia contra a invasão de jogadores de futebol estrangeiros em Portugal. Parece que tinham razão, o nosso desporto continua tão evoluído como em 1955, basta ver as nossas classificações olímpicas. Já a construção civil, as estradas e a limpeza das latrinas dos grandes centros comerciais, essas não. São feitas pela invasão de emigrantes. Os tais a quem Pacheco Pereira deve ter querido invectivar com o seu post de hoje.

quinta-feira, junho 23, 2005

763. Ando um bocado intrigado

Porque nos últimos dias, tirando o pormenor de falarem em pseudo moralismos na questão da diminuição de regalias dos políticos e gestores-políticos, coisa que os afecta directamente, dizia eu, nos últimos dias tenho sentido uma certa unanimidade no aplauso da direita às medidas deste governo, de esquerda. Será impressão minha?

quarta-feira, junho 22, 2005

762. Fome

Ela entrou a bordo do navio, braço dado com o primo. Ter primas em França não é anormal. Toda a gente já teve, ou tem, um familiar emigrante. Mas naquela noite, a prima acompanhou-o.
O “Gaguinhas” veio render-me com um sorriso inusitado no rosto. Chegou atrasado, porque tinha estado na bicha. Não havia repartição de finanças, nem bilheteira FNAC a bordo do navio pelo que fiquei a matutar, onde o gajo teria estado.
- Foste comer a prima do marujo? – Atirei, tendo em conta que só por uma boa causa se pode vir satisfeito por se estar tanto tempo numa bicha.
O “Gaguinhas” sempre gostou de citações bíblicas. À sua maneira.
- Quem não tem uma prima que dê a primeira queca.
Depois foi trabalhar.
761. Eu sei que ninguém tem nada com isso

E que isto é uma caca de post. Mas estou com um sono do caraças e tinha de registá-lo em qualquer lugar. Podia ter ficado pelo meu bloco, mas hoje em dia o teclado está mais à mão. E porque é que estou zombie? Porque ontem, depois do jantar, a Maria enganou-se e fez-me uma bica de café em vez de descafeinado. Vai daí quando senti sono, olhei para o pulso e vi que eram 4 da manhã. Como eu sou um relógio suíço a acordar, às sete e meia já estava com os pés de fora. E agora, ao meio do dia, quando podia estar a fazer algo que o Verão convida ando às cabeçadas às paredes. Desculpem lá este texto mas é mesmo só para me recordar que a cafeína dá-me speed e depois lixa-me o dia.

terça-feira, junho 21, 2005

760. Lenha para me queimar ou o gajo que não tem medo da guerra

Há pouco tempo, através do blog da Gotinha, descobri dois blogs de escárnio e mal dizer. Um deles, Os Pelintras, não me merece qualquer referência especial. Um outro, o Cyndicato, fia mais fino. Na minha opinião, qualquer pessoa que escreve num blog deve fazê-lo pura e simplesmente como o quiser fazer. E é com este espírito que encaro o próprio Cyndicato. Quem lá escreve, deve (e acho que o faz) fazê-lo escrevendo o que muito bem quer. A questão para mim está na credibilidade. E também na moralidade. Dizem os autores do Cyndicato que criaram este blog para denunciarem o lado ridículo da blogosfera: “Não estamos aqui para fazer amigos. O nosso objectivo é unica e exclusivamente demonstrar o lado mais ridículo da blogosfera” (fim de citação). Estaria quase de acordo se não fosse uma lapidar afirmação posterior: “Tampouco estamos aqui devido a qualquer necessidade de atenção ou protagonismo. Qualquer um de nós tem outros blogs onde o que não falta são visitas e comentários. Assim como estatuto blogosférico” (fim de citação). Pois bem, para mim, o busílis da questão reside aqui mesmo. Se têm outros blogs, a quem não falta visitas, portanto muitas, não seria o melhor forum para dizerem o mesmo que dizem no Cyndicato? Têm medo de enfrentar e afrontar dando a cara? Há moralidade nisto? Há credibilidade para quem por detrás de uma cortina diz o que diz dos outros blogs e depois, quem sabe, toma uma bica calmamente no blog dos outros como se não fosse nada com eles? Deixo aqui o meu repto. Continuem a falar mal dos blogs que não gostam. Não sei se alguma vez visitaram o meu, mas estejam a vontade. Deêm-lhe a porrada que quiserem. Até agradeço, pode ser que com isso eu melhore. Mas façam-no de cara a cara, de olhos nos olhos. Sem a cobardia do anonimato.
759. Será que alguém lê?

Acabei de escrever-lhes.

Caros Senhores



Sou o cliente 64.....1



Desde 5ª feira passada que estou com serviço netcabo miserável.

Sinto-me com sorte quando consigo ter acesso à Internet por mais de 5 minutos consecutivos.

Durante o período em que consigo aceder à net, apesar de cliente netcabo mega tenho um serviço pior do que se estivesse ligado com um modem de 56k.

Além desta reclamação o que mais posso fazer para que se dignem resolver de vez este problema?

Espero resolução urgente.

Cumprimentos,

segunda-feira, junho 20, 2005

758. Que grandes manjericos!


Oh meu querido S. João
Tu que estás só de passagem
Repara com atenção
Nesta triste vilanagem

Tantas as promessas feitas
E nenhuma foi cumprida
Calas, consentes, aceitas?
E vão-nos lixando a vida.

Ajuda-nos lá, santinho
A pôr os gajos na ordem
Porque por este caminho
Até a piça nos mordem.

Cumpre então a tua parte
Queima-lhes o cu na fogueira
Dá-lhes pancada que farte
P’ra acabar a brincadeira

Se não chegar o porro alho
Nem uma brasa a arder,
Então manda-os pró caralho
Os gajos que se vão foder.
757.

Todas as semanas gasto 2 € no boletim do Euro-milhões. A minha probabilidade de acertar nos números ganhadores é de 1 em 76.275.360 se as contas de cabeça não me falham. Para eu ter a certeza que ganharia teria de gastar 152.550.720 € e precisaria de não me enganar a preencher os boletins. Como demoro cerca de 5 segundos a preencher uma aposta precisaria de 381.376.800 segundos para o fazer. Supondo que o faria ininterruptamente, e com as respectivas conversões (105.938 horas, 4.414 dias, 630 semanas) daqui a 12 anos teria os boletins todos preenchidos. Fazendo o exercício que durante estes doze anos eu utilizaria 25% do tempo para comer, dormir e dar umas quecas, estaria então em condições de acertar no Euro-milhões daqui a 15 anos. Ora bem, eu faço 50 anos em breve. Se lhe somar os 15 calculados, terei 65 anos no dia que me sair o tal excêntrico. Vou-me fartar de rir a mandar o José Sócrates meter a minha reforma no cu.

PS. Como não tenho a certeza de conseguir os tais mais de 152 milhões de euros até à data de meter os boletins na maquineta, o melhor mesmo é ter Fé ou preferem o meu NIB para me darem uma ajudinha?

domingo, junho 19, 2005

756. Fundo Negro

Peço, encarecidamente, aos bloggers que eu leio de fio a pavio e que escrevem a branco sob fundo negro, que façam o favor de inverter o fundo. Fico com os olhos a arder. E ainda por cima gosto de vocês, caraças.

sexta-feira, junho 17, 2005

755. Meios de transporte

A minha psicóloga é um avião!
754. Contas que eu não sei fazer

Enquanto o Euro, este €, valorizava em relação ao dólar, este $, os combustíveis subiam; quando o € desvaloriza em relação ao $, os combustíveis sobem. Mas agora é por causa disso. Umas vezes pego na calculadora, outras coço a cabeça. Cada vez me convenço mais que os empresários são uns génios em contas de somar.
753. Não é uma Universidade, mas…

Na minha caixa de correio, na real que não no e-mail, todos os dias aparecem cartões de mestre. Ele é o Mestre Kabuma, o Mestre Bambolé, o Mestre Bánáná, o Mestre Kibumba, tantos mestres, tantos mestres que não tarda aquela caixa transforma-se em mestrado.

quinta-feira, junho 16, 2005

752. Fruta

O meu sogro disse-me que os albricoques eram óptimos mas que eu estava a vê-lo comer eram damascos. Estes alentejanos têm cá umas peneiras…