804. A culpa
Cá para mim foram os sindicatos os responsáveis por terem marcado o eclipse para uma segunda-feira. Sempre dá jeito colado a um fim de semana.
segunda-feira, outubro 03, 2005
sexta-feira, setembro 30, 2005
802. Futebol
Peseiro. Anteontem dizia que tinha crédito. O Sporting esteve quase a ganhar a eliminar o Benfica da Taça, esteve quase para ganhar o Campeonato e esteve quase a vencer a Taça UEFA. Hoje, o Sporting foi eliminado pela tal equipa de segunda (como aliás também foi considerada o Spartak) que tinha já, uma vez eliminado o Benfica. Esteve quase a passar, mas não passou. Portanto o Peseiro que não se admire de se terem acabado os créditos e, cá para mim, está quase com um pé fora do Sporting.
Europa. Benfica, Porto, Sporting, Braga (o empate significou derrota) e V. Setúbal perderam. Tem de ser mesmo dentro das quatro linhas que se ganham jogos e aqui, o futebolzinho português, das faltas por tudo e por nada, das interrupções de jogo 30 vezes em noventa minutos, das simulações de penalties, das equipas de 11 estrangeiros na formação inicial (vide Marítimo), dentro das quatro linhas, se exceptuamos anos excepcionais, 1962, 1963, 1987, 2003 (é pouco não é?) mostra que não vale nada em comparação com o futebol que se joga por essa Europa fora. A não ser que se queira eleger o Avelino Ferreira Torres para presidente de todos os clubes portugueses.
Espectadores. O Sporting tinha hoje pouco mais de 14 mil espectadores a assistir ao seu jogo. Na primeira jornada da Champions, o Benfica longe do Inferno da Luz (eu já lá estive no meio de 120 mil), tinha pouco mais de 30 mil. Apesar do parágrafo anterior, em que refiro a fraca qualidade do que por cá se joga, os preços dos bilhetes são, hoje em dia, incomportáveis para que as famílias vão aos estádios e, com jogos a serem transmitidos todos os dias na televisão, ainda pior para as assistências. Neste fim-de-semana não estavam mais de mil pessoas a assistir a um jogo do União de Leiria. Eu não dou para esse peditório. Uma vez por ano no estádio e chega!
Promessa. Prometo que não me meto em futebolices nos próximos 100 posts.
Peseiro. Anteontem dizia que tinha crédito. O Sporting esteve quase a ganhar a eliminar o Benfica da Taça, esteve quase para ganhar o Campeonato e esteve quase a vencer a Taça UEFA. Hoje, o Sporting foi eliminado pela tal equipa de segunda (como aliás também foi considerada o Spartak) que tinha já, uma vez eliminado o Benfica. Esteve quase a passar, mas não passou. Portanto o Peseiro que não se admire de se terem acabado os créditos e, cá para mim, está quase com um pé fora do Sporting.
Europa. Benfica, Porto, Sporting, Braga (o empate significou derrota) e V. Setúbal perderam. Tem de ser mesmo dentro das quatro linhas que se ganham jogos e aqui, o futebolzinho português, das faltas por tudo e por nada, das interrupções de jogo 30 vezes em noventa minutos, das simulações de penalties, das equipas de 11 estrangeiros na formação inicial (vide Marítimo), dentro das quatro linhas, se exceptuamos anos excepcionais, 1962, 1963, 1987, 2003 (é pouco não é?) mostra que não vale nada em comparação com o futebol que se joga por essa Europa fora. A não ser que se queira eleger o Avelino Ferreira Torres para presidente de todos os clubes portugueses.
Espectadores. O Sporting tinha hoje pouco mais de 14 mil espectadores a assistir ao seu jogo. Na primeira jornada da Champions, o Benfica longe do Inferno da Luz (eu já lá estive no meio de 120 mil), tinha pouco mais de 30 mil. Apesar do parágrafo anterior, em que refiro a fraca qualidade do que por cá se joga, os preços dos bilhetes são, hoje em dia, incomportáveis para que as famílias vão aos estádios e, com jogos a serem transmitidos todos os dias na televisão, ainda pior para as assistências. Neste fim-de-semana não estavam mais de mil pessoas a assistir a um jogo do União de Leiria. Eu não dou para esse peditório. Uma vez por ano no estádio e chega!
Promessa. Prometo que não me meto em futebolices nos próximos 100 posts.
segunda-feira, setembro 26, 2005
800. Saber contar anedotas
Fernando Rocha tem uma habilidade inata para contar anedotas. É teatral e versátil em imitações caricaturadas de algumas figuras típicas do anedotário nacional. O puto reguila, o bêbado, a peixeira, a loira e vários outros. Conta velhas piadas, adapta outras e tem um invejável à vontade em frente às câmaras. No entanto exagera. Exagera no palavreado vulgar, inclui alhos e bugalhos onde não são necessários, porque uma anedota picante não tem de ser pornográfica e uma anedota de sala não tem de ser forçosamente picante. E não me parece que seja suficientemente inteligente para entender as audiências para quem se dirige não sendo capaz de distinguir o que é (deveria ser) um programa de humor de grande audiência nacional e um grupo restrito de batedores de palmas quando alguém se lembra de dar um pum na sala. Ontem, no Herman Sic, depois de uma escabrosa e inarrável anedota, um casal que assistia ao vivo na plateia insurgiu-se contra o Rocha, não faltando de imediato quem saísse em sua defesa no mais belo estilo de arruaça e vulgaridade. De tal maneira que Herman teve de interromper o programa saindo para intervalo. E o casal contestatário foi, naturalmente, posto na rua.
Quem me conhece sabe perfeitamente que não sou nem um puritano, nem tão pouco um moralista. Mas cá para mim é também arte de bem saber representar com humor, o saber escolher o repertório e conhecer o público a quem se dirige. E não é preciso ser politicamente correcto. É por estas e por outras que o falecido José Viana e o, felizmente ainda vivo, Raul Solnado são uns senhores do humor português. Ou eu me engano muito, ou o Rocha não passará de uma moda.
Fernando Rocha tem uma habilidade inata para contar anedotas. É teatral e versátil em imitações caricaturadas de algumas figuras típicas do anedotário nacional. O puto reguila, o bêbado, a peixeira, a loira e vários outros. Conta velhas piadas, adapta outras e tem um invejável à vontade em frente às câmaras. No entanto exagera. Exagera no palavreado vulgar, inclui alhos e bugalhos onde não são necessários, porque uma anedota picante não tem de ser pornográfica e uma anedota de sala não tem de ser forçosamente picante. E não me parece que seja suficientemente inteligente para entender as audiências para quem se dirige não sendo capaz de distinguir o que é (deveria ser) um programa de humor de grande audiência nacional e um grupo restrito de batedores de palmas quando alguém se lembra de dar um pum na sala. Ontem, no Herman Sic, depois de uma escabrosa e inarrável anedota, um casal que assistia ao vivo na plateia insurgiu-se contra o Rocha, não faltando de imediato quem saísse em sua defesa no mais belo estilo de arruaça e vulgaridade. De tal maneira que Herman teve de interromper o programa saindo para intervalo. E o casal contestatário foi, naturalmente, posto na rua.
Quem me conhece sabe perfeitamente que não sou nem um puritano, nem tão pouco um moralista. Mas cá para mim é também arte de bem saber representar com humor, o saber escolher o repertório e conhecer o público a quem se dirige. E não é preciso ser politicamente correcto. É por estas e por outras que o falecido José Viana e o, felizmente ainda vivo, Raul Solnado são uns senhores do humor português. Ou eu me engano muito, ou o Rocha não passará de uma moda.
sábado, setembro 24, 2005
799. Escrever em dia que ninguém lê
Não têm mais nada para fazer? Todos sabem que Cavaco Silva se vai candidatar à presidência da república. Porque é que não há dia nenhum que não lhe façam a pergunta?
*
Temos de aturá-los? Mais um craque do futebolês. Chama-se Joaquim Rita e tem muita velocidade lateral, jogadores desempoeirados e futebol vertical para nos dar. A (não) ouvir, na SportTV.
*
Os meus silêncios. Tenho feito alguns posts em que me insurjo contra a Justiça em Portugal. Mas, na verdade vos digo que, se pelo menos um destes, Valentim, Isaltino, Ferreira Torres ou Fátima Felgueiras, ganhar a câmara a que concorre, não mais me pronunciarei contra a justiça portuguesa. Afinal o Povo é soberano e sabe muito bem que eu não tenho razão. Silenciar-me-ei.
*
O povo é quem mais ordena. Esta semana voltei a perder tempo a ver um debate sobre o estado da nação. O estado em que ela está só se deve ao PS, ao PSD e ao CDS que foram governo nos últimos 29 anos. E eles continuam a culpar-se uns aos outros. E “nós” continuamos a achar que eles, ora uns ora outros, são os únicos que são bons para nos governar. Até ao afundanço final!
*
Cheio de pena, porque também eu acredito em fantasmas. Dias da Cunha, mui douto presidente do Sporten, continua a bramir espadeiradas contra os árbitros. Triste sina a de um clube que esteve 17 anos sem ganhar um campeonato por causa dos árbitros e que nos últimos seis, ganhou dois, provavelmente os únicos que foram jogados sem árbitros, na história recente do futebol português.
*
Milagres, precisam-se. Falta menos de um mês para o 13 de Outubro, última comemoração das aparições de Fátima. E como estou convencido que este país só lá vai com um milagre, não era já hora de sermos abençoados com um?
*
Agora ando pelos cantos a rir sozinho. Há 3 anos e (quase) meio desempregado não me vai faltando o sentido de humor. Ainda ontem me fartei de rir quando disseram que o Santana Lopes foi reformado aos 49 anos. É que só pode ser piada. Há meses que não se fala noutra coisa senão da reforma aos 65.
Não têm mais nada para fazer? Todos sabem que Cavaco Silva se vai candidatar à presidência da república. Porque é que não há dia nenhum que não lhe façam a pergunta?
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Temos de aturá-los? Mais um craque do futebolês. Chama-se Joaquim Rita e tem muita velocidade lateral, jogadores desempoeirados e futebol vertical para nos dar. A (não) ouvir, na SportTV.
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Os meus silêncios. Tenho feito alguns posts em que me insurjo contra a Justiça em Portugal. Mas, na verdade vos digo que, se pelo menos um destes, Valentim, Isaltino, Ferreira Torres ou Fátima Felgueiras, ganhar a câmara a que concorre, não mais me pronunciarei contra a justiça portuguesa. Afinal o Povo é soberano e sabe muito bem que eu não tenho razão. Silenciar-me-ei.
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O povo é quem mais ordena. Esta semana voltei a perder tempo a ver um debate sobre o estado da nação. O estado em que ela está só se deve ao PS, ao PSD e ao CDS que foram governo nos últimos 29 anos. E eles continuam a culpar-se uns aos outros. E “nós” continuamos a achar que eles, ora uns ora outros, são os únicos que são bons para nos governar. Até ao afundanço final!
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Cheio de pena, porque também eu acredito em fantasmas. Dias da Cunha, mui douto presidente do Sporten, continua a bramir espadeiradas contra os árbitros. Triste sina a de um clube que esteve 17 anos sem ganhar um campeonato por causa dos árbitros e que nos últimos seis, ganhou dois, provavelmente os únicos que foram jogados sem árbitros, na história recente do futebol português.
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Milagres, precisam-se. Falta menos de um mês para o 13 de Outubro, última comemoração das aparições de Fátima. E como estou convencido que este país só lá vai com um milagre, não era já hora de sermos abençoados com um?
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Agora ando pelos cantos a rir sozinho. Há 3 anos e (quase) meio desempregado não me vai faltando o sentido de humor. Ainda ontem me fartei de rir quando disseram que o Santana Lopes foi reformado aos 49 anos. É que só pode ser piada. Há meses que não se fala noutra coisa senão da reforma aos 65.
terça-feira, setembro 20, 2005
798. Não sei se dariam post
No supermercado a mãe, apontando uma mota de brincar na prateleira dos brinquedos, dizia para o filho de seis anos (a mim parecia-me de seis anos):
- Não sei o que é que isto tem de especial para custar este dinheiro todo.
- Oh mãe, não vês que anda?
O que estas crianças sabem!
*
Decidi dar, este ano, explicações de matemática e física. Quer dizer eu decidi, mas por enquanto ainda ninguém decidiu que queria as minhas explicações.
*
Penso que faltam 3 semanas para as eleições autárquicas e ainda não sei a que Câmara Municipal se vão candidatar o Mário Soares e o Cavaco Silva. O quê o Cavaco ainda não é candidato? Não é a Câmara nenhuma? Mas não se fala doutra coisa na televisão… (conversa ouvida esta manhã entre duas velhotas no café onde tomo a bica – descafeinada, claro; na verdade eu já tinha também feito esta pergunta a mim próprio. Estou a ficar velhote).
*
Esta semana não ouvi piadas sobre os pontos do Tiago Monteiro, das joaninhas e do Benfica.
*
Tenho escrito menos no blog mas isso tem uma razão que penso que me desculpará. É que tenho usado o tempo a ler mais.
*
Amanhã pelas 23h23m, segundo os entendidos, dar-se-á o equinócio de Setembro. As folhas vão começar a cair e os posts dos blogs de todo o hemisfério norte vão cantar odes ao Outono. E eu vou pendurar os calções, arrumar as sandálias e pôr à mão o roupão de lã. Não tenho nenhuma vontade de escrever uma ode à gripe.
No supermercado a mãe, apontando uma mota de brincar na prateleira dos brinquedos, dizia para o filho de seis anos (a mim parecia-me de seis anos):
- Não sei o que é que isto tem de especial para custar este dinheiro todo.
- Oh mãe, não vês que anda?
O que estas crianças sabem!
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Decidi dar, este ano, explicações de matemática e física. Quer dizer eu decidi, mas por enquanto ainda ninguém decidiu que queria as minhas explicações.
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Penso que faltam 3 semanas para as eleições autárquicas e ainda não sei a que Câmara Municipal se vão candidatar o Mário Soares e o Cavaco Silva. O quê o Cavaco ainda não é candidato? Não é a Câmara nenhuma? Mas não se fala doutra coisa na televisão… (conversa ouvida esta manhã entre duas velhotas no café onde tomo a bica – descafeinada, claro; na verdade eu já tinha também feito esta pergunta a mim próprio. Estou a ficar velhote).
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Esta semana não ouvi piadas sobre os pontos do Tiago Monteiro, das joaninhas e do Benfica.
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Tenho escrito menos no blog mas isso tem uma razão que penso que me desculpará. É que tenho usado o tempo a ler mais.
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Amanhã pelas 23h23m, segundo os entendidos, dar-se-á o equinócio de Setembro. As folhas vão começar a cair e os posts dos blogs de todo o hemisfério norte vão cantar odes ao Outono. E eu vou pendurar os calções, arrumar as sandálias e pôr à mão o roupão de lã. Não tenho nenhuma vontade de escrever uma ode à gripe.
sábado, setembro 17, 2005
797. Os desmancha-prazeres
Era grande a algazarra. Passavam carros com altifalantes nasalados e as crianças corriam atrás. No meu tempo ainda corriam atraz mas o z perdeu-se e foi substituído por um assento. Perdem-se algumas coisas pelo tempo fora e o z não é mais do que um pormenor. Perde-se a alegria de correr atrás daqueles altifalantes que anunciavam os irmãos Avelino que atravessariam o largo (mais de 50 metros) sobre o arame e sem rede. Que anunciavam pai e filha numa arrojada aventura sobre potentes motos, de olhos vendados em acrobática e perigosa demonstração de sangue-frio e de desafio à gravidade. Éramos pequenos não sabíamos o que era a gravidade, mas sabíamos o que era o Poço da Morte. Perde-se ao longo do tempo o prazer de ver os saltimbancos, franzinos, mais costelas que carne em exercícios de delicioso contorcionismo e os cospe fogo. Os carros enfeitados com grandes cartazes em que a figura principal era o palhaço, cara pintada, uma farta cabeleira colorida, toda aos caracóis e uma bola vermelha no nariz. Circo Cardinalli , as mais ferozes feras do mundo do circo, hoje ás 21 horas, não perca na sua localidade. Espectáculos até domingo com entrada grátis às damas às quintas-feiras. Não havia damas no meu bairro só, mulheres. Mesmo assim entravam gratuitamente às quintas-feiras. Era o circo e a gente a correr atrás daquele homem que parece que fala pelo nariz, num carro enfeitado com fotografias de palhaços alegres e tigres de ar ameaçador. Distribuíam papéis com as mesmas fotografias e quem apanhasse mais papéis, ganhava. O que ganhava não interessa, só interessa que ganhava.
Passam os mesmos carros hoje pela minha rua, não passam os mesmos carros, passam os mesmos altifalantes, o mesmo homem com a voz a sair pelo nariz. Hoje, na sua localidade a apresentação dos candidatos. Já não distribuem só prospectos, há também sacos de plástico e esferográficas. Os carros continuam a trazer as fotografias, mas ninguém corre atrás deles. Perde-se a noção de que os palhaços, agora, somos nós. Perde-se ao longo dos tempos a alegria de ver os irmãos Avelino a caminhar sobre o arame quando agora somos nós que andamos constantemente sobre o arame. Ou que nem saltimbancos a fazer contorcionismos para podermos sobreviver. Cada vez mais com as costelas à mostra. Mas o circo continua. Nunca tão apalhaçado como hoje.
Era grande a algazarra. Passavam carros com altifalantes nasalados e as crianças corriam atrás. No meu tempo ainda corriam atraz mas o z perdeu-se e foi substituído por um assento. Perdem-se algumas coisas pelo tempo fora e o z não é mais do que um pormenor. Perde-se a alegria de correr atrás daqueles altifalantes que anunciavam os irmãos Avelino que atravessariam o largo (mais de 50 metros) sobre o arame e sem rede. Que anunciavam pai e filha numa arrojada aventura sobre potentes motos, de olhos vendados em acrobática e perigosa demonstração de sangue-frio e de desafio à gravidade. Éramos pequenos não sabíamos o que era a gravidade, mas sabíamos o que era o Poço da Morte. Perde-se ao longo do tempo o prazer de ver os saltimbancos, franzinos, mais costelas que carne em exercícios de delicioso contorcionismo e os cospe fogo. Os carros enfeitados com grandes cartazes em que a figura principal era o palhaço, cara pintada, uma farta cabeleira colorida, toda aos caracóis e uma bola vermelha no nariz. Circo Cardinalli , as mais ferozes feras do mundo do circo, hoje ás 21 horas, não perca na sua localidade. Espectáculos até domingo com entrada grátis às damas às quintas-feiras. Não havia damas no meu bairro só, mulheres. Mesmo assim entravam gratuitamente às quintas-feiras. Era o circo e a gente a correr atrás daquele homem que parece que fala pelo nariz, num carro enfeitado com fotografias de palhaços alegres e tigres de ar ameaçador. Distribuíam papéis com as mesmas fotografias e quem apanhasse mais papéis, ganhava. O que ganhava não interessa, só interessa que ganhava.
Passam os mesmos carros hoje pela minha rua, não passam os mesmos carros, passam os mesmos altifalantes, o mesmo homem com a voz a sair pelo nariz. Hoje, na sua localidade a apresentação dos candidatos. Já não distribuem só prospectos, há também sacos de plástico e esferográficas. Os carros continuam a trazer as fotografias, mas ninguém corre atrás deles. Perde-se a noção de que os palhaços, agora, somos nós. Perde-se ao longo dos tempos a alegria de ver os irmãos Avelino a caminhar sobre o arame quando agora somos nós que andamos constantemente sobre o arame. Ou que nem saltimbancos a fazer contorcionismos para podermos sobreviver. Cada vez mais com as costelas à mostra. Mas o circo continua. Nunca tão apalhaçado como hoje.
terça-feira, setembro 13, 2005
796 Às listas!
Não sei se a lista de Paulo Gorjão será interessante nem se atingirá a notoriedade da Lista de Schindler. Mas se de alguma coisa tenho a certeza é do impacto que a “lista” teria se em vez das relações familiares entre políticos fosse organizada uma lista de relações entre políticos e agentes económicos. Descobrir / divulgar o construtor civil primo do vereador, o deputado cunhado de … bom se calhar essa lista dói muito. A outra é um mero exercício de genealogia.
PS. Um dia tentei construir a minha árvore genealógica. Cheguei à conclusão que não só provenho de uma relação adúltera entre um tetravô da nobreza com uma serva da gleba, mas também que algures no século XV um dos meus antepassados em linha directa era padre. Não posso ser boa rês, mas talvez pudesse ser bom político. Com relações perigosas…
Não sei se a lista de Paulo Gorjão será interessante nem se atingirá a notoriedade da Lista de Schindler. Mas se de alguma coisa tenho a certeza é do impacto que a “lista” teria se em vez das relações familiares entre políticos fosse organizada uma lista de relações entre políticos e agentes económicos. Descobrir / divulgar o construtor civil primo do vereador, o deputado cunhado de … bom se calhar essa lista dói muito. A outra é um mero exercício de genealogia.
PS. Um dia tentei construir a minha árvore genealógica. Cheguei à conclusão que não só provenho de uma relação adúltera entre um tetravô da nobreza com uma serva da gleba, mas também que algures no século XV um dos meus antepassados em linha directa era padre. Não posso ser boa rês, mas talvez pudesse ser bom político. Com relações perigosas…
quinta-feira, setembro 08, 2005
795. João Capote

João Capote não é (ainda) um artista famoso. Mas, para quem não saiba, João Capote é o meu pintor da actualidade. Podeis dizer, não vos nego a propriedade, que João Capote é meu filho e que, portanto, eu sou suspeito. Pois sou, mas é um dos meus orgulhos, orgulho suspeito, repito o adjectivo, mas sincero e dito com o coração. O João Capote pintou o quadro que acima reproduzo. E não estaria aqui a fazer esta menção, tão exacerbadamente apaixonada se, para além de ser o MEU pintor, este quadro não me tivesse sido oferecido, a mim e à minha Maria, ontem data do aniversário dos nossos 25 anos de casados. E agora, numa completamente indiscreta, o quadro chama-se “Os Amantes”. Obrigado meu querido.
PS. Esta palavra foi para o João, mas a palavra tem um prolongamento. Esta palavra é também para a minha Anita, que em passeio por África deixou em seu nome e do irmão as lindas alianças que hoje ostentamos e que o JP teve o carinho de nos oferecer logo de manhã. Assistiram à cerimónia o Schubert, a Yasmin e o “velho” Capote, hoje completamente integrados na família. São uns queridos.

João Capote não é (ainda) um artista famoso. Mas, para quem não saiba, João Capote é o meu pintor da actualidade. Podeis dizer, não vos nego a propriedade, que João Capote é meu filho e que, portanto, eu sou suspeito. Pois sou, mas é um dos meus orgulhos, orgulho suspeito, repito o adjectivo, mas sincero e dito com o coração. O João Capote pintou o quadro que acima reproduzo. E não estaria aqui a fazer esta menção, tão exacerbadamente apaixonada se, para além de ser o MEU pintor, este quadro não me tivesse sido oferecido, a mim e à minha Maria, ontem data do aniversário dos nossos 25 anos de casados. E agora, numa completamente indiscreta, o quadro chama-se “Os Amantes”. Obrigado meu querido.
PS. Esta palavra foi para o João, mas a palavra tem um prolongamento. Esta palavra é também para a minha Anita, que em passeio por África deixou em seu nome e do irmão as lindas alianças que hoje ostentamos e que o JP teve o carinho de nos oferecer logo de manhã. Assistiram à cerimónia o Schubert, a Yasmin e o “velho” Capote, hoje completamente integrados na família. São uns queridos.
794. Um orgulho diferente
Este blog está a pouco mais de um mês de fazer 2 anos. Há blogs bons, muito bons na blogosfera que dá gosto lê-los. Não duvido que o número de visitas que esses blogs obtêm é directamente proporcional à sua qualidade. Por outro lado, teremos blogs que pelo seu mediatismo têm visitas fetiche, têm visitas sebem ou têm truques (que bem os conheço) de multiplicação dos pães. Mas esses não me aquecem nem me arrefecem. Aos outros, aos bons blogs que têm 5, 10 ou 15 mil visitas por dia, só tenho que, sincera e humildemente, dar os meus parabéns pela sua contribuição para o conhecimento que nos fazem adquirir, alegria/boa disposição que nos proporcionam ou informação suplementar que nos transmitem. Mas, para dar continuidade ao que ía dizer quando comecei, notei agora que o meu blog teve (já!?) 30.000 visitas. Rir-se-ão, de escárnio, alguns quando o souberem, mas não se rirão, com certeza pelos mesmos motivos (quiçá de satisfação) os que lerem este texto. Porque todos os que aqui vieram (e vêm) e, contribuíram para este – escasso – número, são as minhas amigas, os meus amigos, os que de mim gostam e aqueles leitores de quem eu gosto. É para vocês que escrevo e é a vocês que devo o facto de sempre que posso vir aqui escrever. Bem hajam!
Este blog está a pouco mais de um mês de fazer 2 anos. Há blogs bons, muito bons na blogosfera que dá gosto lê-los. Não duvido que o número de visitas que esses blogs obtêm é directamente proporcional à sua qualidade. Por outro lado, teremos blogs que pelo seu mediatismo têm visitas fetiche, têm visitas sebem ou têm truques (que bem os conheço) de multiplicação dos pães. Mas esses não me aquecem nem me arrefecem. Aos outros, aos bons blogs que têm 5, 10 ou 15 mil visitas por dia, só tenho que, sincera e humildemente, dar os meus parabéns pela sua contribuição para o conhecimento que nos fazem adquirir, alegria/boa disposição que nos proporcionam ou informação suplementar que nos transmitem. Mas, para dar continuidade ao que ía dizer quando comecei, notei agora que o meu blog teve (já!?) 30.000 visitas. Rir-se-ão, de escárnio, alguns quando o souberem, mas não se rirão, com certeza pelos mesmos motivos (quiçá de satisfação) os que lerem este texto. Porque todos os que aqui vieram (e vêm) e, contribuíram para este – escasso – número, são as minhas amigas, os meus amigos, os que de mim gostam e aqueles leitores de quem eu gosto. É para vocês que escrevo e é a vocês que devo o facto de sempre que posso vir aqui escrever. Bem hajam!
terça-feira, setembro 06, 2005
793. Ainda férias. Com saudade.
Tal como vos prometi, algumas páginas (extractos) do meu diário de férias.
15 de Agosto – Hoje partimos para férias. Como sempre saímos de casa a horas decentes (as indecentes são aquelas que não se podem contar). 20:00 horas da madrugada, quase que hoje já era amanhã (…) Fiz a minha estreia oficial do colete reflector. A meio do caminho a Yasmin sentiu-se mal e borrou-se toda. Paragem forçada na berma para limpeza e pausa anti-stress para os gatos. Quem também teve de parar à beira da estrada, segundo a Antena 1, foi um ex-primeiro ministro com avaria no carro. Não disseram o nome e também não disseram se tinha vestido o colete reflector. 17 de Agosto – Vieram o Carlos e a Paula e o João e Pedro. Vieram também o Álvaro e a São, mais a Inês e o Ricardo. Eu, o JP, a Maria e o Capote e a Alice e a Márcia e a Ângela já cá estávamos. A Anita não pode vir porque estava na Irlanda mas foi a primeira a telefonar poucos segundos passavam da meia-noite. A festa foi bonita e consegui apagar as 50 velas de um só fôlego. Já ando a treinar as 100. Como não é todos os dias que se fazem 50 anos abusei do champanhe. Salut! PS. Não havia nomes repetidos, embora o JP se chame João Pedro dá para fazer a distinção. Começo a ter gente para escrever uma telenovela onde, não sei se já deram conta, nos 50 personagens não há nomes iguais. 20 de Agosto – Nada de especial que me inspire a escrever. Nem sequer o jogo do Benfica. Nos telejornais nada de especial. Todos iguais com incêndios, Papa e futebol. A propósito de Papa fiquei a pensar que o melhor teria sido que viesse a Portugal em vez da Alemanha. Pelo sim pelo não poderia ser que um milagresito evitasse a saga dos fogos. Não sei se sabe, Sua Eminência, mas este País só lá vai com milagres. 23 de Agosto – Um dia sem particularidades. A História pode-se escrever todos os dias, mas há dias sem histórias (vejam a diferença do agá). Minto, os frangos do Ricardo já são História, mas isso são outras estórias (sem agá). 24 de Agosto. Uma imperial por 1,25 € num bar de praia no Algarve. (…) Um dia escreverei o que penso sobre a tão propalada quebra no turismo nacional (seguem-se entre outras considerações uma série de palavrões que não são reproduzíveis). 26 de Agosto – (… com referência ao casamento do Jorge), (outros …). Dei uma voltinha nos blogs e nos e-mails. A quem me enviou os parabéns pelo meu aniversário tive oportunidade de responder pessoalmente. Mas aproveito a oportunidade para um agradecimento público. Bem hajam amigas e amigos. 30 de Agosto – O céu está lindo. Totalmente estrelado. Amanhã regresso à cidade, onde não há estrelas.
Tal como vos prometi, algumas páginas (extractos) do meu diário de férias.
15 de Agosto – Hoje partimos para férias. Como sempre saímos de casa a horas decentes (as indecentes são aquelas que não se podem contar). 20:00 horas da madrugada, quase que hoje já era amanhã (…) Fiz a minha estreia oficial do colete reflector. A meio do caminho a Yasmin sentiu-se mal e borrou-se toda. Paragem forçada na berma para limpeza e pausa anti-stress para os gatos. Quem também teve de parar à beira da estrada, segundo a Antena 1, foi um ex-primeiro ministro com avaria no carro. Não disseram o nome e também não disseram se tinha vestido o colete reflector. 17 de Agosto – Vieram o Carlos e a Paula e o João e Pedro. Vieram também o Álvaro e a São, mais a Inês e o Ricardo. Eu, o JP, a Maria e o Capote e a Alice e a Márcia e a Ângela já cá estávamos. A Anita não pode vir porque estava na Irlanda mas foi a primeira a telefonar poucos segundos passavam da meia-noite. A festa foi bonita e consegui apagar as 50 velas de um só fôlego. Já ando a treinar as 100. Como não é todos os dias que se fazem 50 anos abusei do champanhe. Salut! PS. Não havia nomes repetidos, embora o JP se chame João Pedro dá para fazer a distinção. Começo a ter gente para escrever uma telenovela onde, não sei se já deram conta, nos 50 personagens não há nomes iguais. 20 de Agosto – Nada de especial que me inspire a escrever. Nem sequer o jogo do Benfica. Nos telejornais nada de especial. Todos iguais com incêndios, Papa e futebol. A propósito de Papa fiquei a pensar que o melhor teria sido que viesse a Portugal em vez da Alemanha. Pelo sim pelo não poderia ser que um milagresito evitasse a saga dos fogos. Não sei se sabe, Sua Eminência, mas este País só lá vai com milagres. 23 de Agosto – Um dia sem particularidades. A História pode-se escrever todos os dias, mas há dias sem histórias (vejam a diferença do agá). Minto, os frangos do Ricardo já são História, mas isso são outras estórias (sem agá). 24 de Agosto. Uma imperial por 1,25 € num bar de praia no Algarve. (…) Um dia escreverei o que penso sobre a tão propalada quebra no turismo nacional (seguem-se entre outras considerações uma série de palavrões que não são reproduzíveis). 26 de Agosto – (… com referência ao casamento do Jorge), (outros …). Dei uma voltinha nos blogs e nos e-mails. A quem me enviou os parabéns pelo meu aniversário tive oportunidade de responder pessoalmente. Mas aproveito a oportunidade para um agradecimento público. Bem hajam amigas e amigos. 30 de Agosto – O céu está lindo. Totalmente estrelado. Amanhã regresso à cidade, onde não há estrelas.
quinta-feira, setembro 01, 2005
792. Sou um tipo envergonhado
E é por isso que quando atravesso a fronteira nunca digo que sou português. E porque é que não digo, perguntam vocês mortos de curiosidade? Imaginem que alguém, sabendo a minha nacionalidade me perguntava:
“Oh Sr. Português, explique-me cá porque razão quando recebe um aviso em casa para levantamento de uma carta registada nos Correios, ainda mais proveniente do estrangeiro, e você se encontra de férias, como quase todo o País (mas isso é outro assunto) e, por consequência, só tem conhecimento do caso 15 dias depois, tardiamente pois os Correios já devolveram a carta registada ao remetente com o argumento que uma Estação de Correios não é um depósito de correspondência e depois você olha para todos os lados e percebe que a mesma Estação, é um armazém/shopping dos mais diversos produtos desde livros a canetas da barbie, de artigos de papelaria a kits de sócio de clubes de futebol, de telemóveis a medalhas e estatuetas…”.
Vejam se não é de um tipo ficar corado de vergonha de não ser capaz de explicar a um estrangeiro uma coisa destas. Pois claro, eles nem sonham que eu sou português para não me embaraçarem com perguntas difíceis.
E é por isso que quando atravesso a fronteira nunca digo que sou português. E porque é que não digo, perguntam vocês mortos de curiosidade? Imaginem que alguém, sabendo a minha nacionalidade me perguntava:
“Oh Sr. Português, explique-me cá porque razão quando recebe um aviso em casa para levantamento de uma carta registada nos Correios, ainda mais proveniente do estrangeiro, e você se encontra de férias, como quase todo o País (mas isso é outro assunto) e, por consequência, só tem conhecimento do caso 15 dias depois, tardiamente pois os Correios já devolveram a carta registada ao remetente com o argumento que uma Estação de Correios não é um depósito de correspondência e depois você olha para todos os lados e percebe que a mesma Estação, é um armazém/shopping dos mais diversos produtos desde livros a canetas da barbie, de artigos de papelaria a kits de sócio de clubes de futebol, de telemóveis a medalhas e estatuetas…”.
Vejam se não é de um tipo ficar corado de vergonha de não ser capaz de explicar a um estrangeiro uma coisa destas. Pois claro, eles nem sonham que eu sou português para não me embaraçarem com perguntas difíceis.
quarta-feira, agosto 31, 2005
791. Terminei as férias
Pois é amigas leitoras e amigos leitores, terminei as férias. A partir de agora estou de novo de férias. Estou com tanta saudades de voltar a trabalhar mas não sei quando é que isso vai acontecer. Vou aqui deixar algumas passagens do meu diário de férias. Só algumas que não têm que saber tudo, ora bem. Além disso têm muito mais com que se entreter, as autárquicas, a liga de futebol, a colocação de professores, as presidenciais, o Manuel Alegre e o Soares e o Cavaco e isso. Parece que terminou a “época” dos fogos. Isto da época dos fogos se não me fizesse chorar far-me-ía perguntar quem ganhou a taça? E se eu fosse funcionário público então até choraria a rir. Este Governo deixa-me tão feliz!!!! A mim que não votei neles mas principalmente aos papalvos que votaram nos gajos e agora já estão a jurar a pés juntos que vão votar nos outros dos quais tinham jurado a pés juntos que nunca mais votavam. A alternância é tão gira. Mas eu sinto-me um mexilhão no meio das rochas. Sejam quais forem eles, ou seja sempre os mesmos em alternância, o fodido sou eu. Mas andando que a vida não está para lamentações. Este país é tão giro. Eu também gostaria de cantar “não quero rasca” mas fazer o quê? São todos rascas. Até já.
Pois é amigas leitoras e amigos leitores, terminei as férias. A partir de agora estou de novo de férias. Estou com tanta saudades de voltar a trabalhar mas não sei quando é que isso vai acontecer. Vou aqui deixar algumas passagens do meu diário de férias. Só algumas que não têm que saber tudo, ora bem. Além disso têm muito mais com que se entreter, as autárquicas, a liga de futebol, a colocação de professores, as presidenciais, o Manuel Alegre e o Soares e o Cavaco e isso. Parece que terminou a “época” dos fogos. Isto da época dos fogos se não me fizesse chorar far-me-ía perguntar quem ganhou a taça? E se eu fosse funcionário público então até choraria a rir. Este Governo deixa-me tão feliz!!!! A mim que não votei neles mas principalmente aos papalvos que votaram nos gajos e agora já estão a jurar a pés juntos que vão votar nos outros dos quais tinham jurado a pés juntos que nunca mais votavam. A alternância é tão gira. Mas eu sinto-me um mexilhão no meio das rochas. Sejam quais forem eles, ou seja sempre os mesmos em alternância, o fodido sou eu. Mas andando que a vida não está para lamentações. Este país é tão giro. Eu também gostaria de cantar “não quero rasca” mas fazer o quê? São todos rascas. Até já.
sexta-feira, agosto 12, 2005
790. Post mais-que-virtual
Andar na rua e escrever o post na mente. Não esquecer o Moleskine mas verificar que o lápis não está no bolso. Preguiça para comprar outro Vamos ver se dá.
Esperas
Tirei a senha de vez ás 10h20m. Fui atendido às 11h10m. No posto médico da caixa no Laranjeiro. Ao balcão de atendimento, devido às férias, apenas uma funcionária. Aparenta os seus 60 anos de idade, bem sei que as aparências iludem, mas não devo estar longe do meu palpite. Será, pela nova lei e em favor da equidade, reformada aos 65 anos. Os utentes que se fodam. Ah é verdade, estava-me a esquecer, consegue utilizar o computar e até tecla com o dedo indicador da mão direita.
Pormenores
Almada tem, e muito bem segundo a minha opinião, parquímetros nas avenidas principais. Mas também tem arrumadores, daqueles com jornal na mão e braço em vaivém. Estacionar nos locais pagos e pagar duas vezes não está nas minhas mais recônditas congeminações. Acabo por preferir os parques subterrâneos um pouco mais caros mas para quem não estaciona mais de uma hora saiem bem mais baratos. Não sei se é assim que a CMA encara a solidariedade, não actuando para que esta pouca-vergonha termine. Pagar o parquímetro e fornecer dinheiro para a droga, como imposto social. Não basta inaugurar, perto das eleições, o Metro e o novo Estádio Municipal. Há que atender a alguns pormenores que ao longo do ano vão enchendo a paciência dos munícipes. No momento da votação há quem não se esqueça.
Turismo
O Concelho de Almada é um Concelho turístico. Desde o “faça férias cá dentro” até aos milhares de forasteiros que invadem as praias da Caparica. E tem um ex-libris monumental, seja-se ou não religioso, goste-se ou não da Cerejeiro-salazarista estátua que é o Cristo-Rei, temos um espaço de miradouro magnífico. Eu pessoalmente tenho excelentes relações com este espaço, mas isso são outros quinhentos. Poderia falar dos campos de golfe, dos Capuchos, da Arrábida fóssil da Costa, das longas praias, muitos quilómetros de S. João à Fonte da Telha, do Parque da Paz lugar de atletas amadores, caminheiros e passeantes de fim-de-semana, de Cacilhas e as suas marisqueiras e do Ginjal. Agora expliquem-me, se souberem, porque é que mais difícil encontrar um postal ilustrado de Almada do que de uma qualquer (sem sentido pejorativo) aldeia do interior?
Relações, ciúme e amor
A Internet serve para tantas, mas tantas coisas que, se calhar, se eu me pusesse a enumerar seria demasiado exaustivo e sempre correria o risco de me esquecer de algo. Mas a interactividade gera comportamentos a que nunca me deu ao trabalho de (me) indagar sobre o tema. Só sei que hoje dei por mim a comprar presentes de aniversário para pessoas que não conheço pessoalmente e a enviar pelo correio para distâncias superiores a 10.000 Kms. Quando contei à Maria ela só me disse: “não exageres, não te esqueças que estás desempregado”. Há coisa mais bonita do que a amizade? Há sim, há o amor. E a eu amo a Maria e ela ama-me também. E nem precisa haver ciúme.
Preguiça
Para os meus queridos leitores e para as minhas queridas leitoras que pensavam que eu me tinha esquecido de “O PreDatado”, informo que é apenas preguiça. Sou incorrigível.
Tabaco
Mais uma vez falhei. Incorrigível e falhado. Foda.-se!
Gatos
Para quem lia o meu Lunch Time Blog, que seria penoso repetir, uma vez que como tudo sem sal e lá se foram os sabores, e estava habituado a que eu falasse do Schubert, quero informar que o Schubert e a sua companheira de há seis meses, Yasmin, estão bem e recomendam-se. O mais chato é quando a Yasmin ás 7 da manhã, apenas por brincadeira e capricho de gata, me morde os dedos dos pés. Quanto a Schubert, aquele gato bébé que vocês conheciam, já não existe. Existe um gato lindo, charmoso, imponente e maravilhoso. Por esta conversa até parece que gosto mais de animais do que de certas pessoas. E é verdade!
Boémia
Não tive pachorra para vos contar, mas esta semana fui para os copos. Ao fim de 25 anos voltei à Trindade. Onde reparei, num desenho de cujo autor não anotei o nome, no retrato daquela figura castiça do alfarrabista que tantas, mas tantas vezes, vi virar garrafas de litro de cerveja. Lembro-me que um dos dias, numa toalha de papel lhe rabisquei um soneto e lhe ofereci. Olhou para mim e, com os olhos mortiços, sorriu. Baixou a cabeça numa vénia, levantou o copo e bebeu como se brindasse. Nesse dia acompanhei-o e bebi à sua saúde. Que, onde quer que hoje more, os anjos lhe sirvam as suas cervejas em taças de cristal da Boémia! De preferência, de litro.
Memória
O Pré (para os amigos), isto é o autor deste modesto blog, completará se os astros lhe forem favoráveis e os Deuses não adormecerem, no próximo dia 17, cinquenta (por extenso para passar despercebido) anos de idade. O V M Alves Fernandes, que é o nome do Pré para quem não gosta de blogs anónimos, tem memória. Aliás, tem idade para ter memória. As crianças não têm memória porque são crianças. Os velhos têm memória porque são velhos. Quem escreve para os jornais e tem audiência não precisa nem de ser velho, nem de ter memória. Precisa estar informado e ser honesto. O João Miguel Tavares, que não sei quem é mas que pela foto parece um puto, deveria ser mais responsável quando hoje no DN critica Miguel Portas sobre os textos que escreveu em relação a Hiroshima. Se João Miguel Tavares conhecesse as opiniões do Presidente Roosevelt sobre as bombas atómicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki “um erro político”, não seria Miguel Portas que ele criticaria. Hoje teria escrito o seu artigo a considerar Roosevelt um perigoso esquerdista a soldo do Bloco de Esquerda. Informe-se meu caro. Nem sequer precisa de ter memória. Basta ser honesto.
Petróleo
Ainda me lembro quando o último governo de Santana Lopes apresentou um orçamento baseado no preço de 38 € por barril de petróleo. Quando criticado pela oposição saltou o Carmo e a Trindade dos analistas económicos de Direita em defesa de Bagão, considerando um orçamento realista. Com o barril do crude a ultrapassar os 70 USD nos mercados internacionais, não há quem enrabe estes arautos do conhecimento económico? Estão todos empregados e alguns dirigem jornais.
Inevitavelmente, escorte
Até um desempregado tem direito a férias. Vou acompanhar a Maria e os garotos nos seus merecidos períodos de férias. Vou de acompanhante, escorte como chamam às putas de luxo já que, pelo facto de me encontrar desempregado faço férias 365 dias por ano. Mereço o castigo de ter de cortar a relva, arranjar o jardim, conduzir a malta à praia, fazer os grelhados, ajudar a lavar a loiça, mudar lâmpadas, levar o lixo ao contentor, aturar as novelas da TVI e da SIC. Afinal não sou assim tão de luxo como isso. Só me vingo quando bato a s minhas sonecas na rede.
Por contar
As minha peripécias com a TV Cabo / Netcabo e com a SAPO/ADSL. Se eu fosse o Moita Flores já teria escrito uma telenovela. Fica para a próxima.
Andar na rua e escrever o post na mente. Não esquecer o Moleskine mas verificar que o lápis não está no bolso. Preguiça para comprar outro Vamos ver se dá.
Esperas
Tirei a senha de vez ás 10h20m. Fui atendido às 11h10m. No posto médico da caixa no Laranjeiro. Ao balcão de atendimento, devido às férias, apenas uma funcionária. Aparenta os seus 60 anos de idade, bem sei que as aparências iludem, mas não devo estar longe do meu palpite. Será, pela nova lei e em favor da equidade, reformada aos 65 anos. Os utentes que se fodam. Ah é verdade, estava-me a esquecer, consegue utilizar o computar e até tecla com o dedo indicador da mão direita.
Pormenores
Almada tem, e muito bem segundo a minha opinião, parquímetros nas avenidas principais. Mas também tem arrumadores, daqueles com jornal na mão e braço em vaivém. Estacionar nos locais pagos e pagar duas vezes não está nas minhas mais recônditas congeminações. Acabo por preferir os parques subterrâneos um pouco mais caros mas para quem não estaciona mais de uma hora saiem bem mais baratos. Não sei se é assim que a CMA encara a solidariedade, não actuando para que esta pouca-vergonha termine. Pagar o parquímetro e fornecer dinheiro para a droga, como imposto social. Não basta inaugurar, perto das eleições, o Metro e o novo Estádio Municipal. Há que atender a alguns pormenores que ao longo do ano vão enchendo a paciência dos munícipes. No momento da votação há quem não se esqueça.
Turismo
O Concelho de Almada é um Concelho turístico. Desde o “faça férias cá dentro” até aos milhares de forasteiros que invadem as praias da Caparica. E tem um ex-libris monumental, seja-se ou não religioso, goste-se ou não da Cerejeiro-salazarista estátua que é o Cristo-Rei, temos um espaço de miradouro magnífico. Eu pessoalmente tenho excelentes relações com este espaço, mas isso são outros quinhentos. Poderia falar dos campos de golfe, dos Capuchos, da Arrábida fóssil da Costa, das longas praias, muitos quilómetros de S. João à Fonte da Telha, do Parque da Paz lugar de atletas amadores, caminheiros e passeantes de fim-de-semana, de Cacilhas e as suas marisqueiras e do Ginjal. Agora expliquem-me, se souberem, porque é que mais difícil encontrar um postal ilustrado de Almada do que de uma qualquer (sem sentido pejorativo) aldeia do interior?
Relações, ciúme e amor
A Internet serve para tantas, mas tantas coisas que, se calhar, se eu me pusesse a enumerar seria demasiado exaustivo e sempre correria o risco de me esquecer de algo. Mas a interactividade gera comportamentos a que nunca me deu ao trabalho de (me) indagar sobre o tema. Só sei que hoje dei por mim a comprar presentes de aniversário para pessoas que não conheço pessoalmente e a enviar pelo correio para distâncias superiores a 10.000 Kms. Quando contei à Maria ela só me disse: “não exageres, não te esqueças que estás desempregado”. Há coisa mais bonita do que a amizade? Há sim, há o amor. E a eu amo a Maria e ela ama-me também. E nem precisa haver ciúme.
Preguiça
Para os meus queridos leitores e para as minhas queridas leitoras que pensavam que eu me tinha esquecido de “O PreDatado”, informo que é apenas preguiça. Sou incorrigível.
Tabaco
Mais uma vez falhei. Incorrigível e falhado. Foda.-se!
Gatos
Para quem lia o meu Lunch Time Blog, que seria penoso repetir, uma vez que como tudo sem sal e lá se foram os sabores, e estava habituado a que eu falasse do Schubert, quero informar que o Schubert e a sua companheira de há seis meses, Yasmin, estão bem e recomendam-se. O mais chato é quando a Yasmin ás 7 da manhã, apenas por brincadeira e capricho de gata, me morde os dedos dos pés. Quanto a Schubert, aquele gato bébé que vocês conheciam, já não existe. Existe um gato lindo, charmoso, imponente e maravilhoso. Por esta conversa até parece que gosto mais de animais do que de certas pessoas. E é verdade!
Boémia
Não tive pachorra para vos contar, mas esta semana fui para os copos. Ao fim de 25 anos voltei à Trindade. Onde reparei, num desenho de cujo autor não anotei o nome, no retrato daquela figura castiça do alfarrabista que tantas, mas tantas vezes, vi virar garrafas de litro de cerveja. Lembro-me que um dos dias, numa toalha de papel lhe rabisquei um soneto e lhe ofereci. Olhou para mim e, com os olhos mortiços, sorriu. Baixou a cabeça numa vénia, levantou o copo e bebeu como se brindasse. Nesse dia acompanhei-o e bebi à sua saúde. Que, onde quer que hoje more, os anjos lhe sirvam as suas cervejas em taças de cristal da Boémia! De preferência, de litro.
Memória
O Pré (para os amigos), isto é o autor deste modesto blog, completará se os astros lhe forem favoráveis e os Deuses não adormecerem, no próximo dia 17, cinquenta (por extenso para passar despercebido) anos de idade. O V M Alves Fernandes, que é o nome do Pré para quem não gosta de blogs anónimos, tem memória. Aliás, tem idade para ter memória. As crianças não têm memória porque são crianças. Os velhos têm memória porque são velhos. Quem escreve para os jornais e tem audiência não precisa nem de ser velho, nem de ter memória. Precisa estar informado e ser honesto. O João Miguel Tavares, que não sei quem é mas que pela foto parece um puto, deveria ser mais responsável quando hoje no DN critica Miguel Portas sobre os textos que escreveu em relação a Hiroshima. Se João Miguel Tavares conhecesse as opiniões do Presidente Roosevelt sobre as bombas atómicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki “um erro político”, não seria Miguel Portas que ele criticaria. Hoje teria escrito o seu artigo a considerar Roosevelt um perigoso esquerdista a soldo do Bloco de Esquerda. Informe-se meu caro. Nem sequer precisa de ter memória. Basta ser honesto.
Petróleo
Ainda me lembro quando o último governo de Santana Lopes apresentou um orçamento baseado no preço de 38 € por barril de petróleo. Quando criticado pela oposição saltou o Carmo e a Trindade dos analistas económicos de Direita em defesa de Bagão, considerando um orçamento realista. Com o barril do crude a ultrapassar os 70 USD nos mercados internacionais, não há quem enrabe estes arautos do conhecimento económico? Estão todos empregados e alguns dirigem jornais.
Inevitavelmente, escorte
Até um desempregado tem direito a férias. Vou acompanhar a Maria e os garotos nos seus merecidos períodos de férias. Vou de acompanhante, escorte como chamam às putas de luxo já que, pelo facto de me encontrar desempregado faço férias 365 dias por ano. Mereço o castigo de ter de cortar a relva, arranjar o jardim, conduzir a malta à praia, fazer os grelhados, ajudar a lavar a loiça, mudar lâmpadas, levar o lixo ao contentor, aturar as novelas da TVI e da SIC. Afinal não sou assim tão de luxo como isso. Só me vingo quando bato a s minhas sonecas na rede.
Por contar
As minha peripécias com a TV Cabo / Netcabo e com a SAPO/ADSL. Se eu fosse o Moita Flores já teria escrito uma telenovela. Fica para a próxima.
sábado, agosto 06, 2005
sexta-feira, agosto 05, 2005
787. Roubado além-mar
Às vezes, sento numa cadeira de um café
E vejo passar alguém e esse alguém se faz você
E esses olhos de fazer navio, passarola, avião
Transporta-se até onde estás
E você passa discreto suando poesia.
E meus olhos se confluem num ponto imaginário
E a visão se faz tristeza
Porque não é você,
É outra pessoa que passa.
Roubei daqui...
Às vezes, sento numa cadeira de um café
E vejo passar alguém e esse alguém se faz você
E esses olhos de fazer navio, passarola, avião
Transporta-se até onde estás
E você passa discreto suando poesia.
E meus olhos se confluem num ponto imaginário
E a visão se faz tristeza
Porque não é você,
É outra pessoa que passa.
Roubei daqui...
terça-feira, agosto 02, 2005
786. Multiuso, multifunção
Hoje fui a uma Estação de Correios.
Vendem-se Kits de sócio do Benfica;
Vendem-se produtos financeiros;
Fazem-se adesões à rede USO;
Fazem-se carregamentos de telemóveis;
Recebem-se pagamentos de serviços;
Certificam-se fotocópias;
Transfere-se dinheiro via Western Union;
Vendem-se gadgets da Barbie;
Vendem-se livros e até t-shirts;
Vendem-se telemóveis;
Financia-se a compra de máquinas fotográficas.
Ah, é verdade, já me esquecia, também se trata de correspondência.
PS. Fui excelentemente tratado pela balconista.
Hoje fui a uma Estação de Correios.
Vendem-se Kits de sócio do Benfica;
Vendem-se produtos financeiros;
Fazem-se adesões à rede USO;
Fazem-se carregamentos de telemóveis;
Recebem-se pagamentos de serviços;
Certificam-se fotocópias;
Transfere-se dinheiro via Western Union;
Vendem-se gadgets da Barbie;
Vendem-se livros e até t-shirts;
Vendem-se telemóveis;
Financia-se a compra de máquinas fotográficas.
Ah, é verdade, já me esquecia, também se trata de correspondência.
PS. Fui excelentemente tratado pela balconista.
785. Má-língua
Ontem, noticiário das 20:00h, na Antena 1. Notícia de abertura, a intoxicação alimentar em Espanha devido a uma salmonela contida num molho em frangos pré-cozinhados. O jornalista – português – dizia tratar-se de uma salmonela contida numa “salsa” que cobria os frangos.
Há dias na RTPN a jornalista referia-se à “Algéria” e não raro ouvimos dizerem os “Palestinos”.
Será que eles não vêem os próprios programas que fazem sobre o falar bem português?
Ontem, noticiário das 20:00h, na Antena 1. Notícia de abertura, a intoxicação alimentar em Espanha devido a uma salmonela contida num molho em frangos pré-cozinhados. O jornalista – português – dizia tratar-se de uma salmonela contida numa “salsa” que cobria os frangos.
Há dias na RTPN a jornalista referia-se à “Algéria” e não raro ouvimos dizerem os “Palestinos”.
Será que eles não vêem os próprios programas que fazem sobre o falar bem português?
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