sexta-feira, novembro 04, 2005

832. Hoje está Sol. E amanhã?

Há bastante tempo atrás, nos EUA, foi atribuído um prémio às estações de rádio ou televisão que durante um ano tivessem maior fiabilidade na previsão do estado do tempo. Quando à estação de rádio ganhadora lhe foi perguntado como é que obtinha os dados (fonte nunca referida) que lhe tinham dado tamanha vantagem em relação a todas as outras estações, a resposta foi simples:

- O tempo não muda de uma forma tão brusca que não possamos admitir que o dia seguinte seja igual ao anterior. Daí que apenas tenhamos errado quando isso não aconteceu.

A história deste truque simples (provavelmente numa época em que os satélites não existiam e a ciência não estava tão evoluída), veio-me à memória quando hoje recebi de um amigo meu a foto que a seguir publico.

“Elementar, meu caro Watson”.


quinta-feira, novembro 03, 2005

831. A investigação policial em Portugal

Admito que o Jorge Coelho esteja inocente na questão do coiso, quer dizer do xadrez. No entanto, a investigação policial no nosso país deixa muito a desejar. O PreDatado descobriu o tabuleiro em pleno quintal, junto á piscina. E nem foi preciso armar-se em paparazzi.

quarta-feira, novembro 02, 2005

830. Declaração

Soube pelos noticiários que o Governo decretou a prisão domiciliária de 2 horas por dia, a todos quantos aufiram subsídio de desemprego. Eu, abaixo assinado, declaro que apesar de estar desempregado há precisamente 1189 dias não aufiro o referido subsídio pelo que sou um Homem Livre!
829. Já não era sem tempo



Para ti minha querida virtual amiga, os meus sinceros parabéns!
828. Porque me pediram e porque sou solidário

Proximizade

Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.
827. À traição

Cheguei a casa e liguei a televisão. Andava longe de Telejornais e fiquei a saber que o governo aumentou os transportes públicos, os óleos para os carros, as taxas de juro dos empréstimos à habitação. Porra, tudo isto nas minhas costas!

terça-feira, novembro 01, 2005

826. Agradecimento

A quem se lembrou do aniversário deste blog. À Rita, à Ângela do (IN)certezas, ao Mário Almeida de A Fonte, à Monalisa do Sitio da Saudade, ao mfc do Pé de Meia, à Lena do Reciclarte, ao Jorge Morais do 6 em 1, à lu do Lugar Efémero, à mad do Aliciante, ao Luís Eduardo do Oceanus e à Dinny do Flor da Pele, ao João Pimentel Teixeira do Ma-Schamba , a todos muito obrigado. E também a todos os que por aqui vão passando e que são a razão de eu continuar a partilhar algumas ideias e muitas tolices. Bem hajam.

sábado, outubro 29, 2005

825. Sem champanhe

Vá lá bloguito fica aqui a comemorar, sossegado, os teus dois anitos de vida, que o dono vai ali passar um fim de semana prolongado e já volta. Porta-te bem.

PS. Há gasosa no frigorífico, serve-te à vontade.

quarta-feira, outubro 26, 2005

824. O inimigo do meu inimigo não é forçosamente meu amigo

Este Governo é um dos mais reaccionários que tivemos. Independentemente da razão dos grevistas escuda-se na requisição civil.
823. Baba e ranho

Hoje já me fartei de chorar. Estive a ver mais um episódio da Escrava Isaura
822. O Google mandou-os cá

Vieram à procura mas com pena minha não os pude satisfazer.

Dar um pum – pois, à vezes também acho que o meu blog não cheira assim tão bem.
Catarina frutado nua – por acaso acho que queria Furtado, já que a Catarina é fruta de mais para este escriba.
Pickles de cenoura – uma receita fácil, mas que nunca a transmiti. Segredo de gerações.
Livros de camassutra – Qual preferem? O Ilustrado?
Putas enfermeiras – Fetiches não é comigo. Puta é puta e mais nada!
Piercing no umbigo – Eu não uso, mas também não digo que desta água não beberei.
Putas pretas – Com tanta pesquisa de putas começo a desconfiar se isto é um blog ou um bordel.

terça-feira, outubro 25, 2005

821. Eu e o ... futebol.

Aqui atrasado contaram-me duas piadas. Uma era assim: Qual diferença entre uma joaninha e o Benfica? Resposta: a Joaninha tem mais pontos. A outra era que até o Tiago Monteiro tinha mais pontos do que o Benfica: Os meus amigos lagartos há uma data de tempo que não me contam piadas. Acho que não têm tanto espírito de humor como eu imaginava que tivessem.
820. O PreDatado nas Presidenciais

Neste país que adoptou como fórmula democrática a alternância entre o PS e o PSD para nos governar. Neste país que está no estado em que está ao fim de trinta anos de aplicação desta fórmula, parece haver boas razões para não se votar em Soares ou em Cavaco. Quem quiser manter o status quo, também tem boas razões para votar num destes. Eu já sei em quem não voto. Nem Cavaco, nem Soares, apesar da vergonhosa campanha de bipolarização que por aí grassa.


PS. Acredito que um país que elege Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais, não mereça mais do que ter Cavaco ou Soares como presidente.
819. Um novo blog




Pela minha querida Mad, conheci-o. Agora estou à espera a ver no que dá. Mas pelos artistas, espero muito dele. Um novo blog a acompanhar!

PS. Ahhh, e escreve lá a minha querida Karla!

sexta-feira, outubro 21, 2005

818. Anúncio

Se conhecerem alguém que necessite de explicações das disciplinas constantes deste anúncio façam o favor de me contactar pelo e-mail : vmaf@netcabo.pt

Importante: estas explicações são dadas na área de Corroios pelo que devem ter esse aspecto em atenção.

Mesmo se nenhum dos leitores estiver pessoalmente interessado, pode ser que tenham familiares, amigos ou conhecidos que estejam, pelo que agradeço a divulgação.

Obrigado.

quinta-feira, outubro 20, 2005

817. Bloqueio

Não podia terminar a minha crónica de viagem sem emitir uma opinião pessoal. O Bloqueio imposto a Cuba pelos Estados Unido é criminoso. É criminoso não só ao nível económico, comercial e financeiro mas também no plano Humano. Prejudica a saúde dos cubanos, a alimentação e a educação, além dos danos que causa ao turismo, às finanças, aos transportes e por aí fora. Poderia dar aqui dezenas de exemplos desta afectação e os custos para a economia cubana que ela acarreta. Mas isso todos os meus leitores podem sabê-lo acorrendo aos vários meios de informação internacional. Desde a impossibilidade de adquirirem as recargas de fontes radioactivas para o combate ao cancro, os analisadores de gás no sangue utilizados nas unidades de cuidados intensivos, a impossibilidade de se adquirir um novo microscópio electrónico para o principal hospital cubano, as faculdades não poderem adquirir os equipamentos para investigação, a incapacidade de ligar em rede computadores universitários internacionais, sob pena de os Estados Unidos cortarem os apoios às outras universidades passando pela mesquinhez de não se autorizarem as empresas que fornecem os componentes aromáticos para a fabricação de refrescos, poderia estar aqui todo o dia a relatar os casos que conheço. Por isso me associo a todos quantos levantam a voz contra este criminoso embargo. Enquanto esta inqualificável atitude imperialista, que dura há mais de 40 anos, não terminar, não tenho condição intelectual para criticar o regime cubano.
816. Apontamentos



• Não consegui vencer o jet lag. Às 10 da noite caía de sono às 4 da manhã já estava acordado.
• Auras Tiñosas, as aves mais vistas nos céus de cuba. Parecem-se com grifos, voam como as cegonhas e são abundantes como as gaivotas. São pretas e têm a cabeça vermelha.
• Especialidade da casa no restaurante Al Aljibe, um dos mais famosos de Cuba. Toma lá 43 CUCs por duas pessoas para comer frango no forno acompanhado de arroz branco e feijão preto. Especialidade só mesmo o preço.
• À boleia. Os transportes públicos são poucos e maus. Em todos os semáforos ou ao longo das ruas e das estradas há magotes de pessoas à boleia. A solidariedade funciona.
• Patrulha e segurança. Numa festa de 30 crianças, no meio dos espectadores contei 140 polícias. Depois desisti de contar.
• Brilho nos olhos. Das crianças a quem distribuí caramelos, canetas, lápis, afias, borrachas, réguas e outros regalos.
• Os táxis que não são táxis. Mesmo correndo riscos, por ser proibido e não estar coberto por seguro de passageiros, optei algumas vezes por utilizar a oferta de carros particulares como táxis. O preço era o mesmo e foi uma maneira que arranjei de aumentar o escasso salário a alguns cubanos.
• Puros. A venda de charutos nas ruas é proibida. Para quem vende e para quem compra, sujeita a forte penalização. Não consegui dar 50 passos sem ser abordado por alguém a querer vender-me puros. Yo solo fumo cigarrillos, foi a minha desculpa, para que se afastassem.
“Varadero no es Cuba”. De facto esta frase ouvida de mais de uma pessoa é absolutamente verdade. Em Varadero não se têm a mínima noção de que se está em Cuba, excepto se se perguntar a nacionalidade aos empregados dos hotéis e dos bares. Pode-se estar em Varadero como em qualquer outra praia das Caraíbas.
• Fachadas (na foto). As casas em cuba são na maioria muito bonitas. Infelizmente a maioria está em ruínas embora habitadas. Em certas ruas, principalmente de Havana Velha, parece estar-se num cenário de pós-guerra. Os seus proprietários não têm condição económica para as mandar arranjar. O Governo tem-se encarregado de recuperar as fachadas. Para turista ver.
• Sem-abrigo. Não há sinais de sem abrigos nas ruas de Havana. O degradante espectáculo de gente a dormir pelas ruas em Lisboa, não tem paralelo em Cuba. Deu para ver que no mínimo todos têm uma barraca onde morar.
• Propina (gorjeta). É uma instituição. A mendicidade praticamente não existe nos moldes que a conhecemos noutros países, nomeadamente em Portugal. Em 9 dias, apenas vi um senhor de prótese, sentado num muro solicitando uma esmola. No entanto, a cada acto se espera por uma gorjeta. Até no free-shop do aeroporto, nas caixas existe uma cestinha para la propina.
• Putas (II). A prostituição existe mas é discreta. O assédio faz-se nas praias, nas piscinas dos hotéis e por aí fora. Mas insinuada, esperando que seja o turista efectivamente a assediar.
• Mini saia. Não se esperava outra coisa num país onde faz calor todo o ano.
• As casas de câmbio são também uma instituição. Formam-se filas de cubanos para trocar os escassos pesos cubanos que lhes sobra do salário por alguns CUCs. Os restantes são adquiridos em vários expedientes.
• Segurança. Evitando percorrer á noite algumas ruas mais isoladas e de escassa iluminação, é seguro andar pelas ruas de Havana. Um ou outro carteirista (que não presenciei, apenas me inteirei da sua existência) constituem a excepção. Nunca me senti ameaçado.
• Cintilantes eram os pescoços, os dedos e os pulsos de alguns, poucos, cubanos e nenhuma cubana. Cintilantes de ouro. Exageradamente cintilantes, para uma população na generalidade pobre. A estes não tive coragem de perguntar como é que tinham tanto ouro ou porque é que os ostentavam. Fica para a próxima. Não gosto de fazer suposições.
• Tirei quase quatrocentas fotografias.
815. Custo de vida

O custo de vida em Cuba é elevado. A maioria dos produtos vende-se em lojas de CUCs. Não é aceite o peso cubano. Roupa, calçado, produtos de higiene pessoal (champô, desodorizante, sabonete, pasta dentífrica, pensos higiénicos), produtos para o lar (detergentes, panelas, talheres, pratos, etc), bebidas e determinados produtos alimentares como o azeite, o vinagre, os óleos, as especiarias ou até os guardanapos e o papel higiénico se vendem nestas lojas. Sem exagerar, direi que os preços da maioria dos produtos, por serem importados, são mais elevados que na Europa. O pior não é os produtos se venderem nestas lojas. O pior é a maioria dos cubanos não ganharem salário para os adquirir. Claro que na Europa, grande parte da população também não tem poder de compra para todas as suas necessidades básicas. A diferença está na palavra MAIORIA. Os salários são muito baixos em Cuba. Eu falei com alguns cubanos de várias profissões. Darei apenas um exemplo para não ser maçador. Uma enfermeira ganha o equivalente, em Pesos Convertíveis, a 10 CUCs. Quer dizer 240 pesos cubanos, pois todos os salários são pagos em pesos cubanos. A água, electricidade, gás e telefone custa-lhe aproximadamente 100 pesos cubanos por mês. Tem uma caderneta para utilizar as tiendas do estado onde lhe é fornecido a preços efectivamente muito baixos, o arroz, o feijão, o açúcar, o sal, o café, o leite (um pacote por dia para quem tem filhos com idade inferior a 7 anos), o pão (um pão por dia). Sobra-lhe por mês para aquisição das restantes necessidades, mais ou menos 100 pesos cubanos que é o mesmo que dizer 4 CUCs (Euros ou Dólares ou como vos der mais jeito pensar). Um litro de azeite custa 5 CUCs e uma pasta dentífrica 1,5 CUCs, Está tudo dito.

PS. Apesar destas dificuldades, a mortalidade infantil é das mais baixas do mundo, não consta que os cubanos morram de fome, a esperança de vida é aproximadamente 74 anos e a contestação mínima. Mesmo as pessoas a quem fiz as perguntas não o falaram como uma queixa, apenas como uma realidade. “Estamos luchando” e o Império não nos vencerá está perfeitamente enraizado na população.

quarta-feira, outubro 19, 2005

814. Automóveis



Durante o dia é um desfile de antiguidades e velharias. Antiguidades, porque os carros coloniais ficaram por lá e o corrupio de chevrolets e fords dos anos 50 é digno de ser visto.Velharias, porque muitos destes se encontram degradados, mas pior que isso é que os carros normais, estão tão velhos quanto a queda do muro de Berlim, onde pontificam a mais de 70% os velhinhos Ladas, assim tipo Fiat 124. Também há carros novos, principalmente VW Passat e Peugeots, mas que ou são táxis, ou são de matrículas preta ou vermelha (vide um dos posts anteriores). Aliás, é curioso verificar a fauna automóvel que circula de dia e de noite. Durante o dia a maioria são carros de particulares e de empresas estatais. De noite, se descontarmos os táxis, a maioria são matrículas pretas e vermelhas. Quem tem dinheiro tem e mais nada! O pior da circulação automóvel em Havana nem é as ultrapassagens pela direita, nem as bicicletas que se atravessam a qualquer momento à nossa frente. Uma vez que a quantidade de veículos é diminuta, eu estimaria, assim por alto, menos de um décimo da circulação de Lisboa, é a avançada idade dos carros, a dificuldade de arranjar peças, a não existência de catalizadores, os escapes a caírem pelas costuras, tudo isso a provocar, em certas horas, uma atmosfera quase irrespirável. De facto o bloqueio a Cuba é criminoso e infelizmente não é só no parque automóvel (antes fosse) que se reflecte na vida daquele povo.
813. Saúde e Educação

Em Cuba a ciência médica está desenvolvida aos mais altos níveis mundiais e a saúde é gratuita para todos os cubanos (em hospitais e nos medicamentos que lhe são receitados nas consultas; ir a uma farmácia sem receita obriga a pagar os medicamentos, neste caso caros, em pesos convertíveis). A clínica onde a minha mulher foi consultada e recebeu os primeiros tratamentos é estatal e os seus empregados, investigadores, médicos, enfermeiras, administrativos, etc. são funcionários públicos. Ganham o salário de funcionários do estado e disso falarei no próximo post. Recebem doentes de 132 países (até agora) que pagam em CUCs a preços exorbitantes. E com algumas artimanhas á mistura num conluio medicina-turismo que raia a indecência. Não tem internamento, o que obriga a que o doente fique alojado três dias pelo menos num hotel da capital. No primeiro dia é consultada (não precisa de marcação prévia) e recebe o primeiro tratamento. Nos dois dias seguintes recebe dois tratamentos rigorosamente iguais ao do primeiro dia, o qual é explicado ao doente e ao acompanhante (quando existe). Isto significa que um dia apenas seria o suficiente. No entanto paga-se á cabeça a consulta, 3 dias de tratamentos, os medicamentos que ficam retidos na clínica para aplicação in-loco e uma dose igual de medicamentos para aplicar no hotel. Apenas ao 3º dia o médico entrega uma “espécie” de relatório e receita os medicamentos suficientes para um ano de tratamentos no estrangeiro. E se vos dissesse os custos envolvidos…

Nota-1: À porta da clínica, apesar de ser expressamente proibido existem cubanos a oferecer o mesmo medicamento – exclusivo deste centro de investigação – a preços reduzidos. Uma vez que a clínica declara não se responsabilizar pelos produtos adquiridos fora da sua farmácia privativa, pressupõe-se que sejam falsos.


Em Cuba a Educação é gratuita em todos os níveis escolares, incluindo o universitário. Também o material escolar é gratuito no início do ano, sendo distribuído a cada aluno uma espécie de “unidade material” a saber: um caderno por cada disciplina, um lápis, uma esferográfica, uma borracha, etc. Quando este material acaba, tem de ser adquirido nas lojas pelos estudantes, pagando-se em pesos convertíveis. Não existem nas tiendas do estado. Todos os estudantes usam uniforme, pelo que, no início do ano escolar é oferecido a cada estudante um uniforme. Claro está quem precisar de mudar de roupa durante a semana, terá que comprar o tecido (nas lojas de roupa que só vendem em CUCs) e fazer o seu próprio uniforme. Os livros de texto estão disponíveis gratuitamente.

Nota-2: Não evito fazer um juízo de valor que tem a ver com o facto de um licenciado não ganhar muito mais que qualquer outro profissional. Efectivamente o investimento das famílias na educação é praticamente nulo o que justifica que o Estado não tenha que pagar mais a quem já pagou toda a sua formação.

Nota-3: A alegria com que um cubano em idade escolar emana quando lhe é regalado una pluma, un lápis, una goma ou qualquer outro material escolar…

terça-feira, outubro 18, 2005

812. As matrículas

Em Cuba, a cor das matrículas dos carros caracterizam a sua propriedade. Temos assim:

Brancas – Membros do Governo
Azuis – Estado e empresas estatais
Vermelhas – Estado (normalmente usadas por quadros do Estado)
Verdes – Forças armadas – Ministério do Interior.
Pretas – Corpo Diplomático
Laranjas – Cidadãos Estrangeiros
Creme – Executivos e Directores de Empresas
Castanho – Veículos de aluguer
Amarelas - Particulares

Mais tarde voltarei ao tema. De todas apenas não vi circular nenhuma matrícula branca. Apenas tomei conhecimento da sua existência.
811. A moeda

Em Cuba vigoram duas moedas. O Peso Cubano e o Peso Convertible (CUC). O Peso Cubano é a moeda dos cubanos, a moeda que os cubanos recebem como salário, a moeda com que os cubanos pagam os serviços (água, electricidade, gás, telefone) e os bens básicos (distribuídos nas tiendas estatais contra apresentação de caderneta, o açúcar, o café, o sal, a farinha, o pão, o leite). Tudo o resto se compra em CUCs. Para se ter 1 peso convertible basta ter $1 USD, que é como eles próprios se referem, já que falam em dólares e em pesos convertíveis, indiscriminadamente. Para nós, europeus, falar em pesos convertíveis é praticamente falar em Euros, já que o câmbio oscila (balcões de hotel, casas de cãmbio e bancos) entre 1Euro = 1,06 CUC e 1,08 CUC. Portanto, se quisermos comprar uma cerveja, um shampoo, uma pasta dentífrica ou um pacotinho de detergente para a roupa temos de ter CUCs. Mais tarde falarei mais sobre isto.
810. As putas (I)



São como as putas, só que são gajos. Ou melhor, são como as alternadeiras. E eu estava, com certeza, com um néon na testa a acender e a apagar: TANSO!, TANSO!, TANSO!.
Só que “estes” tipos, não se sentando nos nossos colos, nem nos deixando passar a mão na perna, como fazem as putas, são eles que nos passam a mão no pelo. Depois de alguma conversa, por sinal bem simpática, ofereci uma cerveja. Preferiram uma cuba livre. E depois mais outra e eu que sim, senhor. Depois veio a conta e o nosso almoço foi metade do preço das cubas livres que paguei. Ainda tenho o néon na testa a piscar.

PS1. Conto este episódio não para exorcizar a minha humilhação, mas apenas como aviso à navegação. Cuidado com os jaqueteros.

PS2. Com a conta na mão queixamo-nos às autoridades. A cidade é altamente patrulhada pelo que é facílimo encontrar um polícia em qualquer raio de 25 metros. Os próprios ficaram “escandalizados” com o preço pago. No entanto, recusaram a deslocarem-se connosco à esplanada que estava a menos de 20 metros mas aconselharam-nos a ir apresentar queixa na esquadra, avisando-nos que poderia demorar a tarde inteira para fazer a participação. É o vais!
809. Dasse



Mais de oito horas para cada lado, sem fumar!!!
808. Outdoors



Encontram-se espalhados pelas ruas de Havana, pelas estradas de Cuba, pelos Centros Comerciais. Como em qualquer país europeu ou norte-americano. Só que estes, não propagandeiam perfumes, automóveis, lingerie. São ideias em forma de mensagem, são apelos e convicções políticas. Quem quiser comprar, que compre.
807. Regressado

Acabado de chegar do mar das Caraíbas, passei por aqui para vos dar os bons dias. Depois de um banho, de um puro e de uma soneca, voltarei para contar algo do bocadinho que vi de Cuba. Mas podem tirar o cavalinho da chuva pois não será uma crónica política. Apenas de viagem. Para mais tarde recordar.

sábado, outubro 08, 2005

806. Esclarecimento

O PreDatado não abandonou as lides. A verdade é que o PreDatado é um grandessíssimo (ena, como eu gosto de dizer esta palavra) preguiçoso. Esta semana foi até farta em motivos que dariam óptimos posts, bastaria que para isso o PreDatado desatasse a discorrer sobre ciência, eleições, corrupção, incêndios, futebol, prémios nóbeis e sei lá quantos outros temas que fizeram da semana que agora acaba um manancial de ideias. Mas não. Em vez disso, ficou quieto o PreDatado a dar voltas nos blogs dos outros, a jogar Sudoku, a fumar cigarros, a conversar com amigos e amigas via Internet, a tomar descafeinados, a brincar com o Schubert e com a Yasmin, a comer bife com batatas fritas (ai meu querido Lunch Time Blog), a ver a Escrava Isaura e obviamente a responder a anúncios de emprego. Para quem é assim tão preguiçoso, valha-nos a verdade, até foram coisas demais. E logo hoje que me deu uma vontade enorme de escrever sobre as autárquicas é que me lembrei que estamos em período de reflexão. Ora bolas, cá tenho eu mais uma vez que adiar a minha escrita de posts.

Post Srciptum (não dou abébias). Entre o dia 10 e o dia 18 não precisam de vir aqui ver se eu escrevi algo de novo, porque não o vou fazer. Vou dar um saltinho a Cuba, pode ser? Beijinhos para elas e abraços para eles e não se esqueçam de voltar cá depois. Para ver se me obrigam a sair do marasmo, tá bem?

segunda-feira, outubro 03, 2005

805. Forreta

Eram precisamente 11h20 minutos quando guardei religiosamente os óculos negros dentro do armário. Espero lembrar-me onde os pus daqui a 23 anos. Assim como assim, custaram-me 1,5€.
804. A culpa

Cá para mim foram os sindicatos os responsáveis por terem marcado o eclipse para uma segunda-feira. Sempre dá jeito colado a um fim de semana.
803. ...

Tenho estado calado, porque ainda estou a assistir ao eclipse.

sexta-feira, setembro 30, 2005

802. Futebol

Peseiro. Anteontem dizia que tinha crédito. O Sporting esteve quase a ganhar a eliminar o Benfica da Taça, esteve quase para ganhar o Campeonato e esteve quase a vencer a Taça UEFA. Hoje, o Sporting foi eliminado pela tal equipa de segunda (como aliás também foi considerada o Spartak) que tinha já, uma vez eliminado o Benfica. Esteve quase a passar, mas não passou. Portanto o Peseiro que não se admire de se terem acabado os créditos e, cá para mim, está quase com um pé fora do Sporting.

Europa. Benfica, Porto, Sporting, Braga (o empate significou derrota) e V. Setúbal perderam. Tem de ser mesmo dentro das quatro linhas que se ganham jogos e aqui, o futebolzinho português, das faltas por tudo e por nada, das interrupções de jogo 30 vezes em noventa minutos, das simulações de penalties, das equipas de 11 estrangeiros na formação inicial (vide Marítimo), dentro das quatro linhas, se exceptuamos anos excepcionais, 1962, 1963, 1987, 2003 (é pouco não é?) mostra que não vale nada em comparação com o futebol que se joga por essa Europa fora. A não ser que se queira eleger o Avelino Ferreira Torres para presidente de todos os clubes portugueses.

Espectadores. O Sporting tinha hoje pouco mais de 14 mil espectadores a assistir ao seu jogo. Na primeira jornada da Champions, o Benfica longe do Inferno da Luz (eu já lá estive no meio de 120 mil), tinha pouco mais de 30 mil. Apesar do parágrafo anterior, em que refiro a fraca qualidade do que por cá se joga, os preços dos bilhetes são, hoje em dia, incomportáveis para que as famílias vão aos estádios e, com jogos a serem transmitidos todos os dias na televisão, ainda pior para as assistências. Neste fim-de-semana não estavam mais de mil pessoas a assistir a um jogo do União de Leiria. Eu não dou para esse peditório. Uma vez por ano no estádio e chega!

Promessa. Prometo que não me meto em futebolices nos próximos 100 posts.

quarta-feira, setembro 28, 2005

801. Novas entradas

Hoje consultei este site e consegui lê-lo durante 3 minutos. Experimentem.

segunda-feira, setembro 26, 2005

800. Saber contar anedotas

Fernando Rocha tem uma habilidade inata para contar anedotas. É teatral e versátil em imitações caricaturadas de algumas figuras típicas do anedotário nacional. O puto reguila, o bêbado, a peixeira, a loira e vários outros. Conta velhas piadas, adapta outras e tem um invejável à vontade em frente às câmaras. No entanto exagera. Exagera no palavreado vulgar, inclui alhos e bugalhos onde não são necessários, porque uma anedota picante não tem de ser pornográfica e uma anedota de sala não tem de ser forçosamente picante. E não me parece que seja suficientemente inteligente para entender as audiências para quem se dirige não sendo capaz de distinguir o que é (deveria ser) um programa de humor de grande audiência nacional e um grupo restrito de batedores de palmas quando alguém se lembra de dar um pum na sala. Ontem, no Herman Sic, depois de uma escabrosa e inarrável anedota, um casal que assistia ao vivo na plateia insurgiu-se contra o Rocha, não faltando de imediato quem saísse em sua defesa no mais belo estilo de arruaça e vulgaridade. De tal maneira que Herman teve de interromper o programa saindo para intervalo. E o casal contestatário foi, naturalmente, posto na rua.
Quem me conhece sabe perfeitamente que não sou nem um puritano, nem tão pouco um moralista. Mas cá para mim é também arte de bem saber representar com humor, o saber escolher o repertório e conhecer o público a quem se dirige. E não é preciso ser politicamente correcto. É por estas e por outras que o falecido José Viana e o, felizmente ainda vivo, Raul Solnado são uns senhores do humor português. Ou eu me engano muito, ou o Rocha não passará de uma moda.

sábado, setembro 24, 2005

799. Escrever em dia que ninguém lê

Não têm mais nada para fazer? Todos sabem que Cavaco Silva se vai candidatar à presidência da república. Porque é que não há dia nenhum que não lhe façam a pergunta?

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Temos de aturá-los? Mais um craque do futebolês. Chama-se Joaquim Rita e tem muita velocidade lateral, jogadores desempoeirados e futebol vertical para nos dar. A (não) ouvir, na SportTV.

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Os meus silêncios. Tenho feito alguns posts em que me insurjo contra a Justiça em Portugal. Mas, na verdade vos digo que, se pelo menos um destes, Valentim, Isaltino, Ferreira Torres ou Fátima Felgueiras, ganhar a câmara a que concorre, não mais me pronunciarei contra a justiça portuguesa. Afinal o Povo é soberano e sabe muito bem que eu não tenho razão. Silenciar-me-ei.

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O povo é quem mais ordena. Esta semana voltei a perder tempo a ver um debate sobre o estado da nação. O estado em que ela está só se deve ao PS, ao PSD e ao CDS que foram governo nos últimos 29 anos. E eles continuam a culpar-se uns aos outros. E “nós” continuamos a achar que eles, ora uns ora outros, são os únicos que são bons para nos governar. Até ao afundanço final!

*
Cheio de pena, porque também eu acredito em fantasmas. Dias da Cunha, mui douto presidente do Sporten, continua a bramir espadeiradas contra os árbitros. Triste sina a de um clube que esteve 17 anos sem ganhar um campeonato por causa dos árbitros e que nos últimos seis, ganhou dois, provavelmente os únicos que foram jogados sem árbitros, na história recente do futebol português.

*
Milagres, precisam-se. Falta menos de um mês para o 13 de Outubro, última comemoração das aparições de Fátima. E como estou convencido que este país só lá vai com um milagre, não era já hora de sermos abençoados com um?

*
Agora ando pelos cantos a rir sozinho. Há 3 anos e (quase) meio desempregado não me vai faltando o sentido de humor. Ainda ontem me fartei de rir quando disseram que o Santana Lopes foi reformado aos 49 anos. É que só pode ser piada. Há meses que não se fala noutra coisa senão da reforma aos 65.

terça-feira, setembro 20, 2005

798. Não sei se dariam post

No supermercado a mãe, apontando uma mota de brincar na prateleira dos brinquedos, dizia para o filho de seis anos (a mim parecia-me de seis anos):
- Não sei o que é que isto tem de especial para custar este dinheiro todo.
- Oh mãe, não vês que anda?
O que estas crianças sabem!

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Decidi dar, este ano, explicações de matemática e física. Quer dizer eu decidi, mas por enquanto ainda ninguém decidiu que queria as minhas explicações.

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Penso que faltam 3 semanas para as eleições autárquicas e ainda não sei a que Câmara Municipal se vão candidatar o Mário Soares e o Cavaco Silva. O quê o Cavaco ainda não é candidato? Não é a Câmara nenhuma? Mas não se fala doutra coisa na televisão… (conversa ouvida esta manhã entre duas velhotas no café onde tomo a bica – descafeinada, claro; na verdade eu já tinha também feito esta pergunta a mim próprio. Estou a ficar velhote).

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Esta semana não ouvi piadas sobre os pontos do Tiago Monteiro, das joaninhas e do Benfica.

*
Tenho escrito menos no blog mas isso tem uma razão que penso que me desculpará. É que tenho usado o tempo a ler mais.

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Amanhã pelas 23h23m, segundo os entendidos, dar-se-á o equinócio de Setembro. As folhas vão começar a cair e os posts dos blogs de todo o hemisfério norte vão cantar odes ao Outono. E eu vou pendurar os calções, arrumar as sandálias e pôr à mão o roupão de lã. Não tenho nenhuma vontade de escrever uma ode à gripe.

sábado, setembro 17, 2005

797. Os desmancha-prazeres

Era grande a algazarra. Passavam carros com altifalantes nasalados e as crianças corriam atrás. No meu tempo ainda corriam atraz mas o z perdeu-se e foi substituído por um assento. Perdem-se algumas coisas pelo tempo fora e o z não é mais do que um pormenor. Perde-se a alegria de correr atrás daqueles altifalantes que anunciavam os irmãos Avelino que atravessariam o largo (mais de 50 metros) sobre o arame e sem rede. Que anunciavam pai e filha numa arrojada aventura sobre potentes motos, de olhos vendados em acrobática e perigosa demonstração de sangue-frio e de desafio à gravidade. Éramos pequenos não sabíamos o que era a gravidade, mas sabíamos o que era o Poço da Morte. Perde-se ao longo do tempo o prazer de ver os saltimbancos, franzinos, mais costelas que carne em exercícios de delicioso contorcionismo e os cospe fogo. Os carros enfeitados com grandes cartazes em que a figura principal era o palhaço, cara pintada, uma farta cabeleira colorida, toda aos caracóis e uma bola vermelha no nariz. Circo Cardinalli , as mais ferozes feras do mundo do circo, hoje ás 21 horas, não perca na sua localidade. Espectáculos até domingo com entrada grátis às damas às quintas-feiras. Não havia damas no meu bairro só, mulheres. Mesmo assim entravam gratuitamente às quintas-feiras. Era o circo e a gente a correr atrás daquele homem que parece que fala pelo nariz, num carro enfeitado com fotografias de palhaços alegres e tigres de ar ameaçador. Distribuíam papéis com as mesmas fotografias e quem apanhasse mais papéis, ganhava. O que ganhava não interessa, só interessa que ganhava.
Passam os mesmos carros hoje pela minha rua, não passam os mesmos carros, passam os mesmos altifalantes, o mesmo homem com a voz a sair pelo nariz. Hoje, na sua localidade a apresentação dos candidatos. Já não distribuem só prospectos, há também sacos de plástico e esferográficas. Os carros continuam a trazer as fotografias, mas ninguém corre atrás deles. Perde-se a noção de que os palhaços, agora, somos nós. Perde-se ao longo dos tempos a alegria de ver os irmãos Avelino a caminhar sobre o arame quando agora somos nós que andamos constantemente sobre o arame. Ou que nem saltimbancos a fazer contorcionismos para podermos sobreviver. Cada vez mais com as costelas à mostra. Mas o circo continua. Nunca tão apalhaçado como hoje.

terça-feira, setembro 13, 2005

796 Às listas!

Não sei se a lista de Paulo Gorjão será interessante nem se atingirá a notoriedade da Lista de Schindler. Mas se de alguma coisa tenho a certeza é do impacto que a “lista” teria se em vez das relações familiares entre políticos fosse organizada uma lista de relações entre políticos e agentes económicos. Descobrir / divulgar o construtor civil primo do vereador, o deputado cunhado de … bom se calhar essa lista dói muito. A outra é um mero exercício de genealogia.

PS. Um dia tentei construir a minha árvore genealógica. Cheguei à conclusão que não só provenho de uma relação adúltera entre um tetravô da nobreza com uma serva da gleba, mas também que algures no século XV um dos meus antepassados em linha directa era padre. Não posso ser boa rês, mas talvez pudesse ser bom político. Com relações perigosas…

quinta-feira, setembro 08, 2005

795. João Capote



João Capote não é (ainda) um artista famoso. Mas, para quem não saiba, João Capote é o meu pintor da actualidade. Podeis dizer, não vos nego a propriedade, que João Capote é meu filho e que, portanto, eu sou suspeito. Pois sou, mas é um dos meus orgulhos, orgulho suspeito, repito o adjectivo, mas sincero e dito com o coração. O João Capote pintou o quadro que acima reproduzo. E não estaria aqui a fazer esta menção, tão exacerbadamente apaixonada se, para além de ser o MEU pintor, este quadro não me tivesse sido oferecido, a mim e à minha Maria, ontem data do aniversário dos nossos 25 anos de casados. E agora, numa completamente indiscreta, o quadro chama-se “Os Amantes”. Obrigado meu querido.

PS. Esta palavra foi para o João, mas a palavra tem um prolongamento. Esta palavra é também para a minha Anita, que em passeio por África deixou em seu nome e do irmão as lindas alianças que hoje ostentamos e que o JP teve o carinho de nos oferecer logo de manhã. Assistiram à cerimónia o Schubert, a Yasmin e o “velho” Capote, hoje completamente integrados na família. São uns queridos.
794. Um orgulho diferente

Este blog está a pouco mais de um mês de fazer 2 anos. Há blogs bons, muito bons na blogosfera que dá gosto lê-los. Não duvido que o número de visitas que esses blogs obtêm é directamente proporcional à sua qualidade. Por outro lado, teremos blogs que pelo seu mediatismo têm visitas fetiche, têm visitas sebem ou têm truques (que bem os conheço) de multiplicação dos pães. Mas esses não me aquecem nem me arrefecem. Aos outros, aos bons blogs que têm 5, 10 ou 15 mil visitas por dia, só tenho que, sincera e humildemente, dar os meus parabéns pela sua contribuição para o conhecimento que nos fazem adquirir, alegria/boa disposição que nos proporcionam ou informação suplementar que nos transmitem. Mas, para dar continuidade ao que ía dizer quando comecei, notei agora que o meu blog teve (já!?) 30.000 visitas. Rir-se-ão, de escárnio, alguns quando o souberem, mas não se rirão, com certeza pelos mesmos motivos (quiçá de satisfação) os que lerem este texto. Porque todos os que aqui vieram (e vêm) e, contribuíram para este – escasso – número, são as minhas amigas, os meus amigos, os que de mim gostam e aqueles leitores de quem eu gosto. É para vocês que escrevo e é a vocês que devo o facto de sempre que posso vir aqui escrever. Bem hajam!

terça-feira, setembro 06, 2005

793. Ainda férias. Com saudade.

Tal como vos prometi, algumas páginas (extractos) do meu diário de férias.

15 de Agosto – Hoje partimos para férias. Como sempre saímos de casa a horas decentes (as indecentes são aquelas que não se podem contar). 20:00 horas da madrugada, quase que hoje já era amanhã (…) Fiz a minha estreia oficial do colete reflector. A meio do caminho a Yasmin sentiu-se mal e borrou-se toda. Paragem forçada na berma para limpeza e pausa anti-stress para os gatos. Quem também teve de parar à beira da estrada, segundo a Antena 1, foi um ex-primeiro ministro com avaria no carro. Não disseram o nome e também não disseram se tinha vestido o colete reflector. 17 de Agosto – Vieram o Carlos e a Paula e o João e Pedro. Vieram também o Álvaro e a São, mais a Inês e o Ricardo. Eu, o JP, a Maria e o Capote e a Alice e a Márcia e a Ângela já cá estávamos. A Anita não pode vir porque estava na Irlanda mas foi a primeira a telefonar poucos segundos passavam da meia-noite. A festa foi bonita e consegui apagar as 50 velas de um só fôlego. Já ando a treinar as 100. Como não é todos os dias que se fazem 50 anos abusei do champanhe. Salut! PS. Não havia nomes repetidos, embora o JP se chame João Pedro dá para fazer a distinção. Começo a ter gente para escrever uma telenovela onde, não sei se já deram conta, nos 50 personagens não há nomes iguais. 20 de Agosto – Nada de especial que me inspire a escrever. Nem sequer o jogo do Benfica. Nos telejornais nada de especial. Todos iguais com incêndios, Papa e futebol. A propósito de Papa fiquei a pensar que o melhor teria sido que viesse a Portugal em vez da Alemanha. Pelo sim pelo não poderia ser que um milagresito evitasse a saga dos fogos. Não sei se sabe, Sua Eminência, mas este País só lá vai com milagres. 23 de Agosto – Um dia sem particularidades. A História pode-se escrever todos os dias, mas há dias sem histórias (vejam a diferença do agá). Minto, os frangos do Ricardo já são História, mas isso são outras estórias (sem agá). 24 de Agosto. Uma imperial por 1,25 € num bar de praia no Algarve. (…) Um dia escreverei o que penso sobre a tão propalada quebra no turismo nacional (seguem-se entre outras considerações uma série de palavrões que não são reproduzíveis). 26 de Agosto – (… com referência ao casamento do Jorge), (outros …). Dei uma voltinha nos blogs e nos e-mails. A quem me enviou os parabéns pelo meu aniversário tive oportunidade de responder pessoalmente. Mas aproveito a oportunidade para um agradecimento público. Bem hajam amigas e amigos. 30 de Agosto – O céu está lindo. Totalmente estrelado. Amanhã regresso à cidade, onde não há estrelas.

quinta-feira, setembro 01, 2005

792. Sou um tipo envergonhado

E é por isso que quando atravesso a fronteira nunca digo que sou português. E porque é que não digo, perguntam vocês mortos de curiosidade? Imaginem que alguém, sabendo a minha nacionalidade me perguntava:
“Oh Sr. Português, explique-me cá porque razão quando recebe um aviso em casa para levantamento de uma carta registada nos Correios, ainda mais proveniente do estrangeiro, e você se encontra de férias, como quase todo o País (mas isso é outro assunto) e, por consequência, só tem conhecimento do caso 15 dias depois, tardiamente pois os Correios já devolveram a carta registada ao remetente com o argumento que uma Estação de Correios não é um depósito de correspondência e depois você olha para todos os lados e percebe que a mesma Estação, é um armazém/shopping dos mais diversos produtos desde livros a canetas da barbie, de artigos de papelaria a kits de sócio de clubes de futebol, de telemóveis a medalhas e estatuetas…”.
Vejam se não é de um tipo ficar corado de vergonha de não ser capaz de explicar a um estrangeiro uma coisa destas. Pois claro, eles nem sonham que eu sou português para não me embaraçarem com perguntas difíceis.

quarta-feira, agosto 31, 2005

791. Terminei as férias

Pois é amigas leitoras e amigos leitores, terminei as férias. A partir de agora estou de novo de férias. Estou com tanta saudades de voltar a trabalhar mas não sei quando é que isso vai acontecer. Vou aqui deixar algumas passagens do meu diário de férias. Só algumas que não têm que saber tudo, ora bem. Além disso têm muito mais com que se entreter, as autárquicas, a liga de futebol, a colocação de professores, as presidenciais, o Manuel Alegre e o Soares e o Cavaco e isso. Parece que terminou a “época” dos fogos. Isto da época dos fogos se não me fizesse chorar far-me-ía perguntar quem ganhou a taça? E se eu fosse funcionário público então até choraria a rir. Este Governo deixa-me tão feliz!!!! A mim que não votei neles mas principalmente aos papalvos que votaram nos gajos e agora já estão a jurar a pés juntos que vão votar nos outros dos quais tinham jurado a pés juntos que nunca mais votavam. A alternância é tão gira. Mas eu sinto-me um mexilhão no meio das rochas. Sejam quais forem eles, ou seja sempre os mesmos em alternância, o fodido sou eu. Mas andando que a vida não está para lamentações. Este país é tão giro. Eu também gostaria de cantar “não quero rasca” mas fazer o quê? São todos rascas. Até já.

sexta-feira, agosto 12, 2005

790. Post mais-que-virtual

Andar na rua e escrever o post na mente. Não esquecer o Moleskine mas verificar que o lápis não está no bolso. Preguiça para comprar outro Vamos ver se dá.

Esperas

Tirei a senha de vez ás 10h20m. Fui atendido às 11h10m. No posto médico da caixa no Laranjeiro. Ao balcão de atendimento, devido às férias, apenas uma funcionária. Aparenta os seus 60 anos de idade, bem sei que as aparências iludem, mas não devo estar longe do meu palpite. Será, pela nova lei e em favor da equidade, reformada aos 65 anos. Os utentes que se fodam. Ah é verdade, estava-me a esquecer, consegue utilizar o computar e até tecla com o dedo indicador da mão direita.

Pormenores

Almada tem, e muito bem segundo a minha opinião, parquímetros nas avenidas principais. Mas também tem arrumadores, daqueles com jornal na mão e braço em vaivém. Estacionar nos locais pagos e pagar duas vezes não está nas minhas mais recônditas congeminações. Acabo por preferir os parques subterrâneos um pouco mais caros mas para quem não estaciona mais de uma hora saiem bem mais baratos. Não sei se é assim que a CMA encara a solidariedade, não actuando para que esta pouca-vergonha termine. Pagar o parquímetro e fornecer dinheiro para a droga, como imposto social. Não basta inaugurar, perto das eleições, o Metro e o novo Estádio Municipal. Há que atender a alguns pormenores que ao longo do ano vão enchendo a paciência dos munícipes. No momento da votação há quem não se esqueça.

Turismo

O Concelho de Almada é um Concelho turístico. Desde o “faça férias cá dentro” até aos milhares de forasteiros que invadem as praias da Caparica. E tem um ex-libris monumental, seja-se ou não religioso, goste-se ou não da Cerejeiro-salazarista estátua que é o Cristo-Rei, temos um espaço de miradouro magnífico. Eu pessoalmente tenho excelentes relações com este espaço, mas isso são outros quinhentos. Poderia falar dos campos de golfe, dos Capuchos, da Arrábida fóssil da Costa, das longas praias, muitos quilómetros de S. João à Fonte da Telha, do Parque da Paz lugar de atletas amadores, caminheiros e passeantes de fim-de-semana, de Cacilhas e as suas marisqueiras e do Ginjal. Agora expliquem-me, se souberem, porque é que mais difícil encontrar um postal ilustrado de Almada do que de uma qualquer (sem sentido pejorativo) aldeia do interior?

Relações, ciúme e amor

A Internet serve para tantas, mas tantas coisas que, se calhar, se eu me pusesse a enumerar seria demasiado exaustivo e sempre correria o risco de me esquecer de algo. Mas a interactividade gera comportamentos a que nunca me deu ao trabalho de (me) indagar sobre o tema. Só sei que hoje dei por mim a comprar presentes de aniversário para pessoas que não conheço pessoalmente e a enviar pelo correio para distâncias superiores a 10.000 Kms. Quando contei à Maria ela só me disse: “não exageres, não te esqueças que estás desempregado”. Há coisa mais bonita do que a amizade? Há sim, há o amor. E a eu amo a Maria e ela ama-me também. E nem precisa haver ciúme.

Preguiça

Para os meus queridos leitores e para as minhas queridas leitoras que pensavam que eu me tinha esquecido de “O PreDatado”, informo que é apenas preguiça. Sou incorrigível.

Tabaco

Mais uma vez falhei. Incorrigível e falhado. Foda.-se!

Gatos

Para quem lia o meu Lunch Time Blog, que seria penoso repetir, uma vez que como tudo sem sal e lá se foram os sabores, e estava habituado a que eu falasse do Schubert, quero informar que o Schubert e a sua companheira de há seis meses, Yasmin, estão bem e recomendam-se. O mais chato é quando a Yasmin ás 7 da manhã, apenas por brincadeira e capricho de gata, me morde os dedos dos pés. Quanto a Schubert, aquele gato bébé que vocês conheciam, já não existe. Existe um gato lindo, charmoso, imponente e maravilhoso. Por esta conversa até parece que gosto mais de animais do que de certas pessoas. E é verdade!

Boémia

Não tive pachorra para vos contar, mas esta semana fui para os copos. Ao fim de 25 anos voltei à Trindade. Onde reparei, num desenho de cujo autor não anotei o nome, no retrato daquela figura castiça do alfarrabista que tantas, mas tantas vezes, vi virar garrafas de litro de cerveja. Lembro-me que um dos dias, numa toalha de papel lhe rabisquei um soneto e lhe ofereci. Olhou para mim e, com os olhos mortiços, sorriu. Baixou a cabeça numa vénia, levantou o copo e bebeu como se brindasse. Nesse dia acompanhei-o e bebi à sua saúde. Que, onde quer que hoje more, os anjos lhe sirvam as suas cervejas em taças de cristal da Boémia! De preferência, de litro.

Memória

O Pré (para os amigos), isto é o autor deste modesto blog, completará se os astros lhe forem favoráveis e os Deuses não adormecerem, no próximo dia 17, cinquenta (por extenso para passar despercebido) anos de idade. O V M Alves Fernandes, que é o nome do Pré para quem não gosta de blogs anónimos, tem memória. Aliás, tem idade para ter memória. As crianças não têm memória porque são crianças. Os velhos têm memória porque são velhos. Quem escreve para os jornais e tem audiência não precisa nem de ser velho, nem de ter memória. Precisa estar informado e ser honesto. O João Miguel Tavares, que não sei quem é mas que pela foto parece um puto, deveria ser mais responsável quando hoje no DN critica Miguel Portas sobre os textos que escreveu em relação a Hiroshima. Se João Miguel Tavares conhecesse as opiniões do Presidente Roosevelt sobre as bombas atómicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki “um erro político”, não seria Miguel Portas que ele criticaria. Hoje teria escrito o seu artigo a considerar Roosevelt um perigoso esquerdista a soldo do Bloco de Esquerda. Informe-se meu caro. Nem sequer precisa de ter memória. Basta ser honesto.

Petróleo

Ainda me lembro quando o último governo de Santana Lopes apresentou um orçamento baseado no preço de 38 € por barril de petróleo. Quando criticado pela oposição saltou o Carmo e a Trindade dos analistas económicos de Direita em defesa de Bagão, considerando um orçamento realista. Com o barril do crude a ultrapassar os 70 USD nos mercados internacionais, não há quem enrabe estes arautos do conhecimento económico? Estão todos empregados e alguns dirigem jornais.

Inevitavelmente, escorte

Até um desempregado tem direito a férias. Vou acompanhar a Maria e os garotos nos seus merecidos períodos de férias. Vou de acompanhante, escorte como chamam às putas de luxo já que, pelo facto de me encontrar desempregado faço férias 365 dias por ano. Mereço o castigo de ter de cortar a relva, arranjar o jardim, conduzir a malta à praia, fazer os grelhados, ajudar a lavar a loiça, mudar lâmpadas, levar o lixo ao contentor, aturar as novelas da TVI e da SIC. Afinal não sou assim tão de luxo como isso. Só me vingo quando bato a s minhas sonecas na rede.

Por contar

As minha peripécias com a TV Cabo / Netcabo e com a SAPO/ADSL. Se eu fosse o Moita Flores já teria escrito uma telenovela. Fica para a próxima.

sábado, agosto 06, 2005

789. Foi há 60 anos

Não preciso que chegue o 6º dia de Agosto para me lembrar. Mas nunca é demais recordar. Hiroshima nunca mais!

sexta-feira, agosto 05, 2005

788. Ardem-me os olhos

Hoje não há luz na minha rua. O fumo ofuscou-a.
787. Roubado além-mar

Às vezes, sento numa cadeira de um café
E vejo passar alguém e esse alguém se faz você
E esses olhos de fazer navio, passarola, avião
Transporta-se até onde estás
E você passa discreto suando poesia.
E meus olhos se confluem num ponto imaginário
E a visão se faz tristeza
Porque não é você,
É outra pessoa que passa.


Roubei daqui...

terça-feira, agosto 02, 2005

786. Multiuso, multifunção

Hoje fui a uma Estação de Correios.

Vendem-se Kits de sócio do Benfica;
Vendem-se produtos financeiros;
Fazem-se adesões à rede USO;
Fazem-se carregamentos de telemóveis;
Recebem-se pagamentos de serviços;
Certificam-se fotocópias;
Transfere-se dinheiro via Western Union;
Vendem-se gadgets da Barbie;
Vendem-se livros e até t-shirts;
Vendem-se telemóveis;
Financia-se a compra de máquinas fotográficas.

Ah, é verdade, já me esquecia, também se trata de correspondência.


PS. Fui excelentemente tratado pela balconista.
785. Má-língua

Ontem, noticiário das 20:00h, na Antena 1. Notícia de abertura, a intoxicação alimentar em Espanha devido a uma salmonela contida num molho em frangos pré-cozinhados. O jornalista – português – dizia tratar-se de uma salmonela contida numa “salsa” que cobria os frangos.

Há dias na RTPN a jornalista referia-se à “Algéria” e não raro ouvimos dizerem os “Palestinos”.

Será que eles não vêem os próprios programas que fazem sobre o falar bem português?

terça-feira, julho 26, 2005

784. Eu também tenho uma palavra

Em relação às presidências. A direita não se preocupou, até agora, na afirmação do seu candidato. As hesitações em relação a Cavaco Silva e deste mesmo, em relação à sua candidatura ou não, têm deixado esta área visivelmente nervosa. Mas mais nervosa não podia ficar, primeiro quando Freitas do Amaral não pôs de parte a hipótese de se candidatar e depois quando Mário Soares quase que declarou estar com um pé na corrida. Sempre achei, na vida política, como um caso mal resolvido as partes se preocuparem mais com o seu antagonista do que com a afirmação da sua área de influência. Eu sou capaz de entender isto a outros níveis. Ainda sou do tempo em que as equipas adversárias se borravam (literalmente) todas quando no Benfica jogava o Eusébio, ou antes ainda, quando no Sporting jogava o Peyroteo. Mas na política?

No entanto, não é exactamente por isto que eu escrevi este texto. Escrevi na sequência de outras opiniões que tenho emitido em relação aos políticos da actualidade. A cultura da tecnocracia, da chamada “competência” na gestão, em que hoje em dia, qualquer que seja a figura de topo nas organizações políticas ou institucionais sabe falar de cátedra no deficit mas não encontra soluções políticas para coisa nenhuma, cria-me um mau estar interno e uma descrença total em relação ao futuro. Aparentemente existe uma classe política. Mas o que é isso? Um grupo de pessoas que à conta de um cartão filial ganham vantagens? Um grupo que faz um tirocínio no Governo ou no Parlamento como ponto de passagem para a direcção de uma Empresa, seja pública ou privada? Um grupo que acumula reformas chorudas de empresas e se dão ao luxo de poder ingressar na política, ou vice-versa? Esta inexistência efectiva de políticos “à maneira” - passe o popularucho da expressão - obriga ao ressuscitar velhos monstros do passado, chamem-se eles Cavacos ou Soares. Já agora porque não também na corrida às presidenciais Raul Rego, Álvaro Cunhal ou Emídio Guerreiro. O quê? Já morreram? E ninguém os substituiu?

segunda-feira, julho 25, 2005

783 (En)Fado

Segunda-feira, 17:55h, Almada Fórum. Um tipo chega lá com a intenção de comprar uma meia dúzia de latinhas de guloseimas para os gatos. Vá lá, talvez uma garrafa de vinho para o jantar. De repente, encontra a mulher e a filha às compras. Resolve fazer-lhes companhia. São 20:50 e ainda lá está. Ou comprou todas as latas de comida para gatos existentes no centro comercial, ou reforça a ideia de que ir às compras com uma mulher não faz um homem feliz. Imaginem com duas.

PS. Batam, vá, batam queridas leitoras.

sábado, julho 23, 2005

782. 2€

Este blog está uma seca. Nem uma comissária europeia lhe valerá.
Ao contrário dos blogs respeitáveis ainda não falou dos atentados de Londres.
Ao contrário dos doutos blogs tipo desportivos ou tipo nunos rogeiros ainda não falou nem da pre-época futebolística, nem da demissão do ministro das finanças, nem dos incêndios que grassam no país, nem do Freitas do Amaral, à presidência, já!, nem do número de vítimas provocadas pela invasão terrorista do Iraque, nem fez reportagem do live8 nem do seu padrinho G8, não descreveu as compras feitas no Salão Erótico.
Isto não é blog que se tenha. E a blogosféria (assim alguma, tipo o Felipe dos musicais) sabe-o e não perdoa, votando este espaço de séria reflexão quase ao abandono o que, diga-se de passagem, tem desesperado o seu autor a modos que a depressão acentua-se dia a dia e se não se for desta também não se irá nunca – estou a referir-me ao abandono das lides.
Mas imperdoável mesmo, é este blog ter desprezado o mais quente e quiçá interessante tema que a blogosfera, à semelhança da comunicação social, das conversas de café, das conversas à mesa de jantar e até nos secretos pensamentos de cada um de nós, de vós e dos que dizem que nunca pensaram nisso(até de rabo sentado na sanita se conjectura) é, escrevia eu, ter desprezado o tema Euromilhões. E depois queres que te leiam, queres. Hás-de ir longe, com esse teu feitio.

PS. Para que não restem dúvidas, também gastei dois euros e acho uma injustiça ter feito um investimento tal e não me ter saído nem o último prémio. E logo eu que já tinha prometido um gelado ao meu sobrinho. Deixa lá lindo, fica para a próxima.

sexta-feira, julho 22, 2005

781. Está quase

Pelas minhas contas faltam 21 cigarros para deixar de fumar.

quinta-feira, julho 21, 2005

780. Língua de Gato

O Schubert e a Yasmin esperavam-me à chegada. Desta vez não me miaram para lhes dar comida. Deitaram-se no chão à espera de uma festa. Peguei-lhes ao colo e encostaram a cara deles ao meu focinho. Afinal, saudade não é uma palavra exclusiva do Português. Ela também existe na língua de gato.
779. Jeitos

Que era uma perda de tempo fazermos a barba. Noutros tempos havia até quatro barbeiros na aldeia. Os homens não cortavam a barba em casa, iam ao barbeiro. Entre uma chalaça e outra história de vida se passavam duas horas para cortar a barba. Um desperdício. Já o cabelo não. Ele sempre teve jeito para a tisoira. Visse ele tão bem a cabeça atrás como vê à frente, que seria ele quem cortaria o seu. Intigamente, quando o pai tinha mulas era ele que lhes aparava as crinas e lhe ajeitava as caudas. Havia até quem dissesse, que ele se poderia ter tornado tosquiador. E rebanhos de ovelha eram o que não faltava. Ele tinha (e ainda tem) aquele jeito para a tisoira.

sábado, julho 16, 2005

778. Pai do Vento

Hoje ouvi o Sr. Ministro da Economia anunciar que vai ser aberto concurso público para o fornecimento de energia eólica. Nem sabem a alegria que este anúncio me deu, não por mim mas por causa de um amigo meu.

Quando este meu amigo casou teve um incidente, quase de mau gosto contar. A mulher dele teve uma falsa gravidez e passados vários meses após a detecção da dita “gravidez” verificou-se que o útero mais não continha do que ar. A malta, sempre no gozo sem se aperceber do drama, chamava-lhe o pai do vento. Ele nem se chateava muito excepto quando alguém lhe pedia o pénis emprestado para encher os pneus do carro. Com o anúncio feito pelo ministro não tenho dúvidas que vai ser ele a ganhar. De caras!

PS. Meu caro L. (inicial fictícia), vais-te vingar. Vais foder os que te xeringavam a cabeça. Nem que seja uma bombada eólica, a vitória já é tua.

quinta-feira, julho 14, 2005

777. A proverbial will

Eu hoje estava com vontade de me armar em intelectual e publicar um daqueles posts em inglês, como fazem alguns bloggers de alta cultura. Mas o que acontece é que eu não sei patavina de estrangeiro e socorri-me do Google. Mal comecei, I broke the coconut to laugh. Mas como who porfia bush hunts e como a minha avó me dizia que as many times go cantaro to the source that has one day broken the wing, não desisti. Na verdade não está a sair muito bem ou então é inveja minha dos tais posts. Pois é, the hen of my neighbor is better of the one than mine mas como valley more to break of that to twist e teimosinho sou eu, tendo em conta que the given horse does not look at the tooth, não desisti de usar o tradutor do Google. O pior é que já nem eu mesmo sei o que escrevi antes, mas como the night is good council member talvez deixe para mais tarde a revisão do texto, embora eu saiba que não deva to leave for tomorrow what I can make today, a verdade é que more valley late of that never. Posto isto poderei ficar sujeito a alguns comentários maliciosos mas aviso-vos já que the dirty clothes are washed in house. No entanto bons ou maus até porque the excellent one is enemy of the good one, façam o favor de não ficarem de mãos nos bolsos e escrevam qualquer coisinha. Nunca esqueçam que laziness is the mother of all the vices e para preguiçoso e viciado basto eu. Com isto estou com fome e como empty belly does not know joy, I go there, already I come.

PS. it does not have badly that the time does not cure.

segunda-feira, julho 11, 2005

776. É lixado

Não me venham com merdas. Ter um blog, é meu e só meu, como se fosse um gelado da Olá, não o criar privado e expô-lo publicamente. Quem quer privado privadíssimo escreve no Word (ou noutra coisa qualquer) protege com password ou fecha o caderninho numa gaveta, com cadeado e tudo. Quando se cria um blog público é para os outros lerem e pronto, ponto final (neste caso parágrafo porque vou continuar).
Então é assim (ai que bem que ficou aqui este então é assim), quem escreve um blog para os outros lerem e além disso tem uma caixinha do “diga de sua justiça” que é como quem diz um espaço para se comentar, gosta de ser lido e gosta de ser comentado. Eu gosto, não o nego e, de vez em quando dá-me para responder um a um tornando o este espaço num espaço aberto de diálogo (viram como evoluí? eu não digo o meu cantinho; isto não é nada meu, é de todos os que por cá passam). Agora, minhas amigas leitoras e meus amigos leitores – ai meusdeusesdocéu há quanto tempo que eu não me referia a vós desta maneira – esta mania de ter dois blogs, públicos, gostar de os divulgar pois então, e cada vez que deixo um comentário não saber como é que devo assinar, se referenciando aqui o Pré ou ali os Botões é lixado. Mas é que é mesmo lixado.
775. Dias simples

Mais um fim-de-semana alentejano.
No calor do interior, no silêncio quebrado por pássaros, no descanso da rede (brasileira, pois claro) estendida poste a poste.
As pinturas já terminaram, mas as andorinhas não voltaram ao ninho. Pedia ao pintor que não o destruísse, elas eram uma companhia constante, até que o Sol se punha. Ele assim o fez, mas elas não voltaram.
Joguei para o lixo a mesa de ping-pong. Não foi por causa da ciática mas sim porque se tinha estragado. Qualquer dia compro outra… quando a ciática se for embora.
O programa de redução de nicotina está a resultar. Por enquanto. Até eu estou espantado.
O Benfica ganhou o jogo de preparação na Suiça. Mesmo a feijões gosto que os encarnados ganhem.
O amassador de latinhas já está de novo colocado na parede. E eu amassei algumas. O tempo convidava a umas bejecas.
Este fim-de-semana não fui à Tapada. Acordava da sesta tarde e más horas, já não dava. Troquei a água tépida e azul do lago, pelo queijo de ovelha e pelo salpicão de porco preto.
Hoje, repetindo o que faço há três anos, não vou trabalhar.

quinta-feira, julho 07, 2005

774. Cada terra com seu uso…

… ou como alguns fazem os chouriços.

Chouriço Grosso de Estremoz e Borba is the product of pieces and stripes of bacon, shoulder, topside and leg from Alentejano pigs, with the sausage containing no more than 30% fat. After selecting, washing and cutting the pieces, the remaining ingredients are added to produce the final product. Following preparation and seasoning, the product is left to mature, then moulded, tied and smoked with wood from the region (holm oak).

In Official Journal of European Communities – C102/5 – 27.04.2002
773. E portanto, importante

Blog importante não tem links para outros blogs.
Quando blog importante tem links, só tem links para blogs importantes.
Blog importante não tem comentários.
Quando blog importante tem comentários então é porque não é verdadeiramente importante.
Blog importante é citado na Capital e na SIC.
Quando blog que não é importante é citado na imprensa é porque serviu os objectivos do órgão que o referiu.
Blog importante é escrito a qualquer hora e de qualquer lugar. Mesmo nas horas do patrão e no local de trabalho. Quando o patrão sou eu com os impostos que pago não dou importância ao blog.
Quando blog importante não é importante para mim, então é porque é mesmo importante.
Blog importante também completa aniversário.
Quando blog importante completa aniversário, quase toda a blogosfera cita blog importante para dar os parabéns. Blog importante gosta que vassalos se ajoelhem.
Vassalos gostam de se ajoelhar, por isso veneram Valentins, Isaltinos, Ferreiras Torres, Fátimas Felgueiras, Jardins e outros mais.
Blogs de vassalos também são importantes quando vassalos prestam vassalagem efectiva aos seus donos, aos seus Lopes, aos seus Portas, aos seus Mendes, aos seus Sócrates, aos seus Pachecos.
Eu gosto de ver blogs importantes prestarem vassalagem… e serem citados.

quarta-feira, julho 06, 2005

772. Tempos novos, velhos tempos

Quando entrei para a última empresa onde trabalhei como Director de Informática, na cerimónia de despedida do antigo titular do cargo, este ofereceu-me uma pequena caixa de madeira em raiz de nogueira, muito bonita por sinal, dizendo-me discretamente ao ouvido: esta é a herança que lhe deixo.
Mais tarde, no sossego do meu novo gabinete, abri paulatinamente a caixa onde encontrei três envelopes fechados e numerados de 1 a 3. Por cima dos referidos envelopes, um pequeno bilhete, assinado pelo meu antecessor que apenas dizia: Em caso de dificuldade, abra os envelopes pela ordem numérica.
Da primeira vez que senti dificuldades efectivas na execução das minhas funções, sobre o que tive de dar explicações ao Conselho de Administração, abri o envelope número 1.
“Prepare um discurso baseado na actual conjuntura. Mostre que você está a ser vítima das circunstâncias e prometa que tudo vai melhorar”
Não posso deixar de comentar que a minha primeira prova de fogo foi um êxito. Saí com confiança redobrada e pude, assim, continuar a minha tarefa.
Quando me vi de novo em apuros abri o envelope número 2.
“Não se esqueça de referir que agora não é só a conjuntura, mas que o legado deixado pelo seu antecessor, devidamente armadilhado, pleno de incorrecções e má-fé não lhe permite desempenhar as tarefas como se tinha comprometido. Afirme que depois de saneada a máquina e corrigidos os defeitos, tudo irá correr às mil maravilhas”.
Escusado será dizer que o meu antecessor só não foi excomungado porque o Conselho de Administração não tinha os poderes do Vaticano.
Quando tive de abrir o envelope número 3…
“Escreva 3 mensagens como as que teve oportunidade de ler, feche-as em envelopes numerados e deixe como herança ao seu sucessor”.


PS. O texto acima é total ficção. Qualquer semelhança entre esta velha história os nossos Guterres e Durão e, quiçá o nosso Sócrates, é mera coincidência.

segunda-feira, julho 04, 2005

771. Infelizmente

Carla Quevedo assina na revista “Única” do semanário Expresso, uma página semanal com o mesmo título do seu blog: Bomba Inteligente. Este fim-de-semana, numa nota sobre o pintor colombiano Fernando Botero, dispara a seguinte frase que me deixou perplexo: “Botero deixa, infelizmente, mais uma vez os temas pastorais, as naturezas mortas, as famílias, as mulheres e os homens com cães, para mostrar a sua revolta contra a crueldade e a injustiça” (fim de citação). Eu sei pouco de Língua Portuguesa e muito menos de Fernando Botero, mas o que leio é um lamento – “infelizmente” – pelo facto de Fernando Botero pintar a “sua revolta contra a crueldade e a injustiça”. Em vez disso Carla Quevedo preferiria os homens com cães. Em vez das atrocidades dos homens de Bush, talvez Bush passeando o cachorrinho Barney. Seria muito menos “infelizmente”. Ou será que li mal?
770. Profundo

Enquanto alguns dos meus mais depravados amigos e obviamente amigas também visitavam a Feira Erótica, passeava eu pelo Alentejo mais profundo, terra que adoptei de alma e coração, ou não fosse eu um apaixonado pela minha Maria, essa sim Alentejana de todos os costados. E quando os alentejanos cantam ao despique, e os copos vazam os jarros, e os jarros esventram os pipos, obtemos pérolas destas.


Ê já vi nascer o Soli
Entre as forcas dum chaparro
Engani-me que era a Lua
O Sol na nasce tão tardi.

Ê subi o êcalitro
Com o tê retrato na mão
Desêcalitrei-me dali a baixo
Bati c’ os cornos no chão.

Hoje tá lindo o luar
Que bonita vai a Lua
Na te ponhas praí olhar
Qu’ê te quero ver-te nua.
769. BlogoLivro, livra?

Quando há algumas semanas atrás surgiu na blogosfera uma pequena discussão sobre a questão livros de blogues, sim ou não, eu coloquei-me sempre do lado do sim (só não quis imitar o Pacheco Pereira a criar o Sítio do Sim aos Livros, porque não). Mas, infelizmente constato que alguns blogs depois de terem publicado o tal livro saído do dito cujo, ou desapareceram, ou passaram a ser um painel publicitário do mesmo, ou tornaram-se uma grande M*E*R*D*A. Assim com as cinco letrinhas, sem mais nem ontem. Com pena minha pois claro, porque gostava dos blogs. Pareceu-me que este post indicia uma nova autora, uma nova blog-autora quer-se dizer. Só espero continuar a ter o “meu” 100nada.
768. A minha prima Carla

O texto hoje publicado no Alto Mar fez-me lembrar uma velha história. A minha prima “Carla” (nome fictício – esta aprendi com o Correio da Manhã e com a TVI), sempre teve o seu quê de irreverente. Desde muito nova trabalhou como balconista numa loja de pronto-a-vestir. Um bem-posto cavalheiro, depois de provar e de se decidir por um fato de alpaca azul-escuro, a condizer com uma camisa de risca fina, também azul (a risca) que, à falta de Rosa & Teixeira, era apenas Pierre Cardin e de uma gravata em seda da Dior, obviamente amarela com aplicações azuis, notem que o amarelo era mais amarelo-torrado, mandou passar a factura em seu nome. E que nome devo inscrever na factura?, perguntou-lhe a “Carla” (nome fictício), não antes de se certificar de que o referido senhor era portador do seu número de contribuinte ou se pelo menos o sabia de cor. Que sim senhor, pode passar em nome de Eng.º Fulano de Tal. Apanhei-te pensou a “Carla” (nome fictício), tem graça que tenho um primo com o mesmo nome que o senhor. A sério, também se chama Fulano de Tal?, perguntou admirado o cliente do fato azul em alpaca finíssima de uma marca italiana cujo nome olvidei. Esta admiração advinha do facto de Fulano de Tal ter um nome pouco comum, mas menos complicado do que Hipaninondas ou Eufrázio. Que não, respondeu a “Carla” (nome fictício), o meu primo também se chama engenheiro.

quarta-feira, junho 29, 2005

767. Mais um na rede

Pronto, está bem, não se fala mais nisso. Fui levado pela publicidade de caixa do correio. Comprei o NicoBloc. Cá para mim é treta e já desembolsei 40 érios. Mas psicológico ou não, vou tentar seguir o programa. Se resistir, daqui a cinco semanas dar-vos-ei conta dos resultados. Se não resultar aceito com fair-play que me chamem otário.

PS. No corrector de MS-Word para português a palavra “otário” deu-me erro. Como sugestão o Sr. Bill Gates diz-me para usar Ontário, notário, ovário, etário e notária. Portanto, cuidado, se aceitarem alguma sugestão, eu recuso notária. C’est pour cause.

terça-feira, junho 28, 2005

766. A blogosfera e a arte de encher chouriços

Cada um criou o blog que quis e faz dele o uso que quiser. Dito assim, não tenho como contestar. Há blogs de tudo e para todos os gostos, algumas vezes eventualmente apenas para gosto do próprio blogger. Mais uma vez não tenho matéria de crítica. No entanto alguns blogs criaram (-me) expectativas que, pena minha, se vieram a defraudar. Aos poucos nota-se que a “mensagem”, como eu a entendo e seja lá isso o que for mesmo que não corresponda ao vosso conceito, se vai perdendo na arte de encher chouriços. Noto que existem blogs que teimam em se manter vivos. ‘Quem desaparece, esquece’ costumava dizer a minha avó que conhecia quase todos os provérbios portugueses. Assim, numa tentativa de que haja sempre algo na janela com a data de hoje, vão introduzindo posts atrás de posts que no final poucos lêem. Extractos de outros blogs, poemas nem que seja em checoslovaco, fotografias de gajas (e gajos) nuas ou de quadros surrealistas, quiz para ver qual tem as mamas mais parecidas com a Pamela Andersen, cadeias de disco rígido cheios de música, ou fotografias da Sharon Stone como imagem de um acordar despenteado. Depois, de tempos em tempos, um daqueles posts que fizeram do blog referência, ao velho estilo do velho blogger. Não está bem, nem está mal pois não me compete fazer juízos de valor. Quem não gosta não come. Mas que existem artistas virtuosos em encher chouriços, lá isso existem.

PS1. O PreDatado não tem, nunca teve, nem nunca pretendeu ter qualquer linha editorial. È talvez um exemplo (bom?) de como se enchem chouriços. Mas só chouriços mesmo!
PS2. Antes que me batam.

segunda-feira, junho 27, 2005

765. Justiça

Há uns dias atrás divulguei aqui uma reclamação que fiz à TV Cabo por causa da “minha” Internet. Eficientemente, responderam-me na volta do e-mail informando qual era o número do meu problema. Depois, personalizado, um novo e-mail em que marcavam a vinda de um técnico. E não é que veio mesmo? E não é que veio dentro das horas marcadas? Agora só falta ver como é que a net se vai comportar. Mas tem de se fazer a justiça de divulgar a boa(?) acção, com o mesmo destaque da denúncia.

sábado, junho 25, 2005

764. Porque hoje é Sábado

José Pacheco Pereira, na semana que antecedeu a manifestação nazi em Lisboa não se pronunciou sobre a mesma. Nem nos órgãos de comunicação institucional, nem no seu, cada vez mais monótono e desinteressante Abrupto. Veio a fazê-lo, esta semana, na Quadratura do Circulo, na SIC Notícias. Para dizer o quê? Para dizer que “enquanto não se condenarem os partidos da extrema-esquerda não se têm de condenar os partidos da extrema-direita”. Quem queria ele referir? O MRPP que só existe 15 dias antes de cada eleição, ou o Bloco de Esquerda que hoje tem uma representação parlamentar significativa? Num agradecimento ao seu quase silêncio, veio o frentista nacional Mário Machado dizer ao Público de que se fosse poder ilegalizaria os “grupos subversivos como a Maçonaria, PCP, PS, PSD, BE, SOS Racismo, Opus Dei, Ilga, Opus Gay, etc.” (fim de citação). Não sei se o tal Mário Machado se esqueceu dos Judeus como agradecimento ao Pacheco Pereira ou se ficam para a próxima.

PS. E não vale e pena vir com subterfúgios como a publicação de um extracto do “Avante” de 1955 que se insurgia contra a invasão de jogadores de futebol estrangeiros em Portugal. Parece que tinham razão, o nosso desporto continua tão evoluído como em 1955, basta ver as nossas classificações olímpicas. Já a construção civil, as estradas e a limpeza das latrinas dos grandes centros comerciais, essas não. São feitas pela invasão de emigrantes. Os tais a quem Pacheco Pereira deve ter querido invectivar com o seu post de hoje.

quinta-feira, junho 23, 2005

763. Ando um bocado intrigado

Porque nos últimos dias, tirando o pormenor de falarem em pseudo moralismos na questão da diminuição de regalias dos políticos e gestores-políticos, coisa que os afecta directamente, dizia eu, nos últimos dias tenho sentido uma certa unanimidade no aplauso da direita às medidas deste governo, de esquerda. Será impressão minha?

quarta-feira, junho 22, 2005

762. Fome

Ela entrou a bordo do navio, braço dado com o primo. Ter primas em França não é anormal. Toda a gente já teve, ou tem, um familiar emigrante. Mas naquela noite, a prima acompanhou-o.
O “Gaguinhas” veio render-me com um sorriso inusitado no rosto. Chegou atrasado, porque tinha estado na bicha. Não havia repartição de finanças, nem bilheteira FNAC a bordo do navio pelo que fiquei a matutar, onde o gajo teria estado.
- Foste comer a prima do marujo? – Atirei, tendo em conta que só por uma boa causa se pode vir satisfeito por se estar tanto tempo numa bicha.
O “Gaguinhas” sempre gostou de citações bíblicas. À sua maneira.
- Quem não tem uma prima que dê a primeira queca.
Depois foi trabalhar.
761. Eu sei que ninguém tem nada com isso

E que isto é uma caca de post. Mas estou com um sono do caraças e tinha de registá-lo em qualquer lugar. Podia ter ficado pelo meu bloco, mas hoje em dia o teclado está mais à mão. E porque é que estou zombie? Porque ontem, depois do jantar, a Maria enganou-se e fez-me uma bica de café em vez de descafeinado. Vai daí quando senti sono, olhei para o pulso e vi que eram 4 da manhã. Como eu sou um relógio suíço a acordar, às sete e meia já estava com os pés de fora. E agora, ao meio do dia, quando podia estar a fazer algo que o Verão convida ando às cabeçadas às paredes. Desculpem lá este texto mas é mesmo só para me recordar que a cafeína dá-me speed e depois lixa-me o dia.

terça-feira, junho 21, 2005

760. Lenha para me queimar ou o gajo que não tem medo da guerra

Há pouco tempo, através do blog da Gotinha, descobri dois blogs de escárnio e mal dizer. Um deles, Os Pelintras, não me merece qualquer referência especial. Um outro, o Cyndicato, fia mais fino. Na minha opinião, qualquer pessoa que escreve num blog deve fazê-lo pura e simplesmente como o quiser fazer. E é com este espírito que encaro o próprio Cyndicato. Quem lá escreve, deve (e acho que o faz) fazê-lo escrevendo o que muito bem quer. A questão para mim está na credibilidade. E também na moralidade. Dizem os autores do Cyndicato que criaram este blog para denunciarem o lado ridículo da blogosfera: “Não estamos aqui para fazer amigos. O nosso objectivo é unica e exclusivamente demonstrar o lado mais ridículo da blogosfera” (fim de citação). Estaria quase de acordo se não fosse uma lapidar afirmação posterior: “Tampouco estamos aqui devido a qualquer necessidade de atenção ou protagonismo. Qualquer um de nós tem outros blogs onde o que não falta são visitas e comentários. Assim como estatuto blogosférico” (fim de citação). Pois bem, para mim, o busílis da questão reside aqui mesmo. Se têm outros blogs, a quem não falta visitas, portanto muitas, não seria o melhor forum para dizerem o mesmo que dizem no Cyndicato? Têm medo de enfrentar e afrontar dando a cara? Há moralidade nisto? Há credibilidade para quem por detrás de uma cortina diz o que diz dos outros blogs e depois, quem sabe, toma uma bica calmamente no blog dos outros como se não fosse nada com eles? Deixo aqui o meu repto. Continuem a falar mal dos blogs que não gostam. Não sei se alguma vez visitaram o meu, mas estejam a vontade. Deêm-lhe a porrada que quiserem. Até agradeço, pode ser que com isso eu melhore. Mas façam-no de cara a cara, de olhos nos olhos. Sem a cobardia do anonimato.
759. Será que alguém lê?

Acabei de escrever-lhes.

Caros Senhores



Sou o cliente 64.....1



Desde 5ª feira passada que estou com serviço netcabo miserável.

Sinto-me com sorte quando consigo ter acesso à Internet por mais de 5 minutos consecutivos.

Durante o período em que consigo aceder à net, apesar de cliente netcabo mega tenho um serviço pior do que se estivesse ligado com um modem de 56k.

Além desta reclamação o que mais posso fazer para que se dignem resolver de vez este problema?

Espero resolução urgente.

Cumprimentos,

segunda-feira, junho 20, 2005

758. Que grandes manjericos!


Oh meu querido S. João
Tu que estás só de passagem
Repara com atenção
Nesta triste vilanagem

Tantas as promessas feitas
E nenhuma foi cumprida
Calas, consentes, aceitas?
E vão-nos lixando a vida.

Ajuda-nos lá, santinho
A pôr os gajos na ordem
Porque por este caminho
Até a piça nos mordem.

Cumpre então a tua parte
Queima-lhes o cu na fogueira
Dá-lhes pancada que farte
P’ra acabar a brincadeira

Se não chegar o porro alho
Nem uma brasa a arder,
Então manda-os pró caralho
Os gajos que se vão foder.
757.

Todas as semanas gasto 2 € no boletim do Euro-milhões. A minha probabilidade de acertar nos números ganhadores é de 1 em 76.275.360 se as contas de cabeça não me falham. Para eu ter a certeza que ganharia teria de gastar 152.550.720 € e precisaria de não me enganar a preencher os boletins. Como demoro cerca de 5 segundos a preencher uma aposta precisaria de 381.376.800 segundos para o fazer. Supondo que o faria ininterruptamente, e com as respectivas conversões (105.938 horas, 4.414 dias, 630 semanas) daqui a 12 anos teria os boletins todos preenchidos. Fazendo o exercício que durante estes doze anos eu utilizaria 25% do tempo para comer, dormir e dar umas quecas, estaria então em condições de acertar no Euro-milhões daqui a 15 anos. Ora bem, eu faço 50 anos em breve. Se lhe somar os 15 calculados, terei 65 anos no dia que me sair o tal excêntrico. Vou-me fartar de rir a mandar o José Sócrates meter a minha reforma no cu.

PS. Como não tenho a certeza de conseguir os tais mais de 152 milhões de euros até à data de meter os boletins na maquineta, o melhor mesmo é ter Fé ou preferem o meu NIB para me darem uma ajudinha?

domingo, junho 19, 2005

756. Fundo Negro

Peço, encarecidamente, aos bloggers que eu leio de fio a pavio e que escrevem a branco sob fundo negro, que façam o favor de inverter o fundo. Fico com os olhos a arder. E ainda por cima gosto de vocês, caraças.

sexta-feira, junho 17, 2005

755. Meios de transporte

A minha psicóloga é um avião!
754. Contas que eu não sei fazer

Enquanto o Euro, este €, valorizava em relação ao dólar, este $, os combustíveis subiam; quando o € desvaloriza em relação ao $, os combustíveis sobem. Mas agora é por causa disso. Umas vezes pego na calculadora, outras coço a cabeça. Cada vez me convenço mais que os empresários são uns génios em contas de somar.
753. Não é uma Universidade, mas…

Na minha caixa de correio, na real que não no e-mail, todos os dias aparecem cartões de mestre. Ele é o Mestre Kabuma, o Mestre Bambolé, o Mestre Bánáná, o Mestre Kibumba, tantos mestres, tantos mestres que não tarda aquela caixa transforma-se em mestrado.

quinta-feira, junho 16, 2005

752. Fruta

O meu sogro disse-me que os albricoques eram óptimos mas que eu estava a vê-lo comer eram damascos. Estes alentejanos têm cá umas peneiras…
751. Excitações

Gosto de romances bem escritos. E gosto de romances que me envolvam de tal maneira que pareça que entro na acção. Excita-me tanto a boa escrita quanto o fazer parte do “filme”. Para mim são como filmes ortográficos!
750. Chata gentileza

Uma das coisas que mais me chateia é a gentileza dos meus vizinhos que, quando vão a entrar no prédio e me vêem aproximar, ficam a segurar na porta. Obrigam-me a correr.
749. 100 por cento

Não sei se é inédito, mas desde que tenho memória não conheço outro treinador na história do Glorioso SL Benfica, que enquanto à frente da equipa principal não tenha sofrido nenhuma derrota nem tão pouco um empate. Está bem, podem dizer que apenas dirigiu um encontro, mas não é por isso que não podemos considerar Fernando Chalana como um treinador 100% vitorioso.

Chalana regressa hoje ao Benfica. Seja bem-vindo!
748. Há dias de sorte

O JPT viu pelo Technorati (que certamente o inclui numa lista de referências), que existe um blog chamado Navio Negreiro. E ficou triste com o nome. Pelo seu post, não creio que tenha sido só com o nome. Fiquei feliz porque o meu Technorati não me dá o link de tal blog. Nem todos estão em dia de sorte meu caro JPT.
747. Desempregado mas limpinho

O Espesso, aquele jornal que o seu director diz que não seria o que é sem o saco plástico, é o único semanário que compro. Mesmo assim, garanto que o acho demasiado caro. Do dito cujo folheio o caderno principal (quando é que o Espesso deixa de ter este formato macarrónico que faz doer os braços como o caraças quando lido aberto com os braços no ar?), levo a Única para a casa de banho para ir lendo durante a semana e leio, esses sim, os anúncios de emprego de cabo a rabo. Quase sem excepção a idade limite para o candidato são os 35 anos. Eu tenho quase 50, portanto sem hipóteses e ainda me faltam 15 anos para a reforma. Pode ser que depois de reformado, se algum ministro ou político de qualquer quadrante me ensinar como se faz, eu venha a conseguir um emprego. Até lá, desempregado mas limpinho
746. Passatempo (ou como quem não tem nada para fazer, faz colheres)

Conheci uma pessoa que tinha como passatempo, no tempo delas, comer cerejas pegando pelo pé das ditas, de forma a comer a carne e deixar o caroço pegado ao pé. Achei curioso e fui praticando. De uma vez consegui comer 152 cerejas seguidas sem que o caroço se separasse do pezinho. Se quiserem fazer o exercício façam-no e registem aqui na caixinha de comentários os vosso recordes. Mas sem batota ok?
745. Blogger devidamente identificado

Não há nenhuma razão para que o blog PreDatado seja subscrito pelo cidadão anónimo PreDatado (Pré, para @s amig@s). O PreDatado blog se fosse uma lata de conserva sê-lo-ía, certamente, em molho de tomate. Se fosse um frasco de pickes com certeza que a par da couve-flor, da cenoura e dos pepinos teria forçosamente tomate. O que quer dizer que, na verdade, nunca faltaram os tomates ao PreDatado, autor do PreDatado. E quem me lê sabe-o bem. O PreDatado, autor, vai a almoços e jantares de bloggers com cara de Alves Fernandes do blog PreDatado. Estende a mão, diz e ouve dizer “muito prazer em conhecê-lo”. Podem não acreditar, mas, hoje ao fim de quase 2 anos de publicação, ainda não descobriu onde é que no template pode alterar o posted by PreDatado para posted by Alves Fernandes. Assim como assim, vocês conhecem-no e essa alteração não se revela de extrema importância. Mas, pelo sim pelo não o PreDatado é mesmo o Alves Fernandes, um blogger devidamente identificado e com tomates!
744. Aposto

que, se neste momento, encostasse cabeça ao teclado deste computador, me deixaria adormecer imediatamente.

terça-feira, junho 14, 2005

743. Fri Mai Kél (*)

Era preto, agora é branco
Ingénuo e muito puro
Só que eu, para ser franco
Há coisas que não aturo.
E não venham com a justiça
Porque de pau mole ou duro
Não deixa de ser a piça
Na cama ou atrás dum muro.

Tratava-os como um pai
Diz a defesa de ar sério
Ele não disse ui nem ai
O dinheiro é o império.
E é um júri sem luta
Que decide em mistério.
Que grandes filhos da puta
Desculpem o impropério.

Leva os meninos p’rá cama
Dá-lhes carinhos demais
Trata-os como se fosse ama
E querem saber que mais?
Dizem as línguas do mundo
Que eram carícias tais
Pois para mim, lá no fundo
Já veio tudo nos jornais.

Só não viu quem não quis ver
Da acusação, à defesa
Mas não dá p’ra perceber
Toda esta ligeireza.
Sai o tipo em liberdade
Numa aura de pureza
Só que ele tem idade
P’ra repetir com certeza.

Eu confio em tribunais.
Mas deixe-me desconfiar,
Porque sentenças que tais
Não eram de se esperar.
Nesta história de cordel
Que acabei de contar
Sai de lá limpo o Miguel
Se alguém acreditar.


(*) Desculpa qualquer coisinha
742. Determinações

Conheço poucas pessoas que tenham deixado de fumar por iniciativa própria e instantânea. Na verdade só conheço um e, mesmo esse, tenho dúvidas que não tenha sido um princípio de enfarte que o tenha motivado a fazê-lo. Concedo-lhe o benefício de aceitar que foi iniciativa própria. Quase todas as pessoas necessitaram de um incentivo suplementar. Uns recorrem à ajuda médica, outros à ajuda psicológica e aqueles que julgam ter uma capacidade de agir radicalmente, fazendo-o de um momento para o outro, fazem-no recorrendo a subterfúgios, normalmente com alta probabilidade de êxito, entre os quais fazendo depender a sua decisão de acontecimentos terceiros. Tenho um grande amigo que deixou de fumar praticamente de um dia para o outro. Em conversas sobre o tema ouvi-o referir que, como viajava frequentemente de avião, a partir do momento que as companhias aéreas proibiram o fumo a bordo tinha decidido deixar de fumar. Poderá haver algum sofisma nesta atitude. Mas ajudou e de que maneira. Conheci-o como fumador inveterado, privo com ele diariamente e há anos que o não vejo fumar um só cigarro. Esta foi uma decisão claramente dependente de acontecimentos terceiros, embora ele não o reconheça. Pois, meus amigos leitores e amigas leitoras, hoje fui criticado por ter decidido deixar de fumar se o Benfica – o Glorioso – tivesse ganho a Taça de Portugal. Apregoei-o aos quatro ventos e mentalizei-me determinadamente para isso. Infelizmente não ganhamos a Taça e, tendo em conta a minha normal coerência de atitudes e pensamentos, terei de arranjar melhor argumento. Mas a ideia persiste e um dia destes, quando me virem a mascar uma pastilha de mentol ou canela em vez de um marlboro lights não se admirem. É que estou determinado. Só me falta escolher o argumento certo.

PS. Artur, meu caro ex-fumador, por acaso não me queres mandar mês sim, mês sim de viagem de avião ao Brasil? Talvez eu deixe de fumar de vez, hein?

segunda-feira, junho 13, 2005

741. Homenagens

Cala-te a luz arde entre os lábios

Cala-te, a luz arde entre os lábios
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
esta perna é tua?, é teu este braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente à tua boca,
abre-se a alma à língua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi fácil, nunca,
também a terra morre.

Eugénio de Andrade



Até amanhã!





“Ou se está com a revolução ou se está com a reacção”

quinta-feira, junho 09, 2005

terça-feira, junho 07, 2005

739. O Pirata

Era um tipo demasiado irrequieto. Nessa época não se falava em crianças hiperactivas, os psicólogos não estavam na moda, as rádios e as televisões não entrevistavam os putos reguilas. A verdade é que Eufrázio não parava um minuto. Os vizinhos, à falta de melhor, chamavam-lhe “o pirata”. E não era para menos. Gatos que apareciam com cordel de latas atadas à cauda, os berlindes roubados na jogo das três covinhas, a mãe que nunca encontrava o baton ou o pai decididamente a ler o jornal bem junto ao nariz por falta dos óculos, que apareciam no frigorifico na manhã seguinte, ou ainda a comida que misteriosamente chegava sempre salgada à mesa. Não havia quem o parasse. Na guerra do ultramar perdeu uma perna tendo sido obrigado a usar uma prótese, ao tempo, uma perna de pau. Ainda hoje lhe chamam “o pirata”, mas juro-vos, eu conheço-o, não tem cara de mau.

segunda-feira, junho 06, 2005

738. EDifícilPá

Há 3 dias que a minha praceta (e não só) está sem luz. O piquete da EDP já passou algumas vezes, de mãos nos bolsos.
737. Há gajos cá uma lata

O presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, respondendo na TSF ao repto de Jorge Coelho dizia que as seguradoras já contribuem e muito para o Estado, entregando anualmente vários milhões de euros (ele até disse quanto, mas eu não me lembro). E deu como exemplo o SNB e o INEM. Por acaso, caros leitores e leitoras já repararam nos vossos recibos de seguros? Já viram que quem contribui para o INEM e para o SNB não são as seguradoras mas sim nós próprios, os segurados, através de parcelas específicas nos prémios de seguro? É preciso ter lata!

sábado, junho 04, 2005

736. Yupiiiii

Tive de repetir o exame, isto é, tive de ler duas vezes a factura, mas ao fim da 2ª leitura consegui perceber a factura da TV Cabo. Foi dificil, mas acabei por passar com distinção. Yupiiiii!!!

quarta-feira, junho 01, 2005

735. Top Five

Do Top Five de países que acedem ao meu blog a Alemanha e a Guiné-Bissau foram substituídos pela UK e pela Espanha. Sou um PostDated ou sei lá como é que isso se diz.

terça-feira, maio 31, 2005

734. Reformados

O homem farta-se de clamar contra o Regime. Contra este regime??????

segunda-feira, maio 30, 2005

733. Lá estou eu a meter a foice em seara alheia

1. Eu não acho que sejamos melhores quando cumprimos missões. Somos o que somos e, missão cumprida, partamos para outra. Se quisermos e pudermos. Não nego, no entanto, que a tal missão cumprida nos possa trazer uma satisfação extra.

2. Se partirmos da hipótese académica que no mundo só existem fêmeas, ou que no mundo só existem machos e que em qualquer das hipóteses acima nem numa espécie nem noutra há a possibilidade de existirem hermafroditas, as hipóteses não têm sustentação. Demonstra facilmente a ciência que não existe propagação da espécie entre seres dum único sexo.

3. Parecendo até reaccionária a afirmação, as fêmeas têm como uma das suas obrigações biológicas ter filhos. Sob pena de não cumprirem uma das missões para as quais a natureza as consignou. Poderia e deveria aplicar o mesmo princípio aos machos afirmando que têm a obrigação biológica de os fazer. È, actualmente, no ser humano a única forma de propagação da espécie. Até a fertilização in vitro requer um útero materno para o seu desenvolvimento e a inseminação artificial não dispensa o esperma.
(por via das dúvidas aconselho uma leitura atenta deste parágrafo; não confundir UMA das obrigações, e UMA das missões, com a obrigação ou a missão).

4. Fêmeas há que, porque não podem ou porque não querem, nunca consumam a maternidade. Das que não querem, não tenho nada a dizer. È uma opção íntima sobre a qual não pretendo fazer juízo de valor. Apenas acho, sob o ponto de vista científico, que uma parte da natural “missão” ficou por cumprir. Por absurdo, imaginando que nenhuma mulher a partir de uma determinada geração quereria ter filhos, a espécie desapareceria num ápice. Para o bem e para o mal, amén.

5. Dentre as que não podem, referindo apenas o caso humano, algumas há que consideram isso um verdadeiro drama. Conheço dramas pessoais, pelo que não estou a falar de cor. Em nenhum dos casos que conheço é no ponto de vista do não seguimento natural da propagação da espécie que reside o problema, mas sim no campo dos afectos, dos equilíbrios emocionais não bastas vezes se auto-responsabilizando por algo em que efectivamente não têm a mínima culpa.

6. Assim, para aquelas que decidiram (e puderam) ser mães, nada há de mais normal, que acarinhem os filhos, os protejam, que falem deles com exaltação. Que os amem. Mesmo contra aquelas que ou por não terem essa relação que se prolonga do umbigo até à morte (da mãe ou do filho), por não quererem ou não poderem ou que acham um grande disparate ser mãe e, principalmente, ser mãe efectiva.

7. Por tudo o que possas ter perdido da tua juventude por teres tido filhos, minha mãe, obrigado. Por tudo o que possas ter perdido da tua juventude minha mulher, um obrigado do pai que ama os seus filhos. Vocês não são melhores nem piores que outras mães, nem que outras não-mães. Vocês são melhores, porque são minhas.


PS. Eu sei que entre uma Rititi e uma Catarina, um PreDatado não deve meter a colher. Mas um comentário a mais ou a menos nos seus posts, não aquecia nem arrefecia e assim eu aproveitei e escrevi um post. E se alguém é reaccionário aqui é a Natureza, essa maluca, que se lembrou de criar machos, fêmeas, pais, mães, filhos e filhas.