segunda-feira, janeiro 30, 2006

910. As intermitências do cálculo

Fará no próximo mês de Março 25 anos que sofro com cálculos renais (coitadinho, diria a minha mãe se me ouvisse relembrar o facto). A primeira cólica tive-a, seriam umas cinco da manhã, numa época em que ainda não havia telemóveis e em que os TLP ainda não me tinham instalado a linha telefónica em casa, o que fez com que a Maria, com uma barriga de 7 meses, fosse à cabine telefónica mais próxima, para cima de 500 metros de distância (coitadinha, repetiria a minha mãe se me ouvisse recontar a história), para pedir ajuda. Na época, o meu pai (coitadinho, digo eu) lá se levantou do calor do leito conjugal para me levar, na matinal geada, de charola para o hospital. Este procedimento repetiu-se 3 vezes no mesmo dia (pelo que os coitadinhos aqui se repetem também no mesmo factor multiplicativo). São dores horríveis, dizem que piores do que as de parto. Isso eu não posso aferir, mas dizem-no as que já pariram (devias parir também, diz-me aqui ao lado a minha doce Maria, só para teres mais tento na linguagem). Têm sido 25 anos de idas e vindas às urgências, às quais poderíamos muito bem, não fosse alguém achar que era plágio, chamar as intermitências do cálculo. Ultimamente deu-me para expulsá-los na função dolorosa, mas não menos necessária, que é mijar enquanto se tem a uretra apertadinha e dilacerada por cortantes cristais. Este é também um estado que transforma o próprio orgasmo num momento de prazer masoquista. Na verdade gosto de expulsá-los por esta via (haverá outras, podereis perguntar assim como quem não está a ver a coisa), havendo realmente outras, entre as quais a operação, mas se a minha mãe – como todas as mães, sofredora com o mal dos filhos – me chama coitadinho cada vez que sabe das dores que sofro a expulsar um cálculo, imaginem como ficaria sabendo-me numa mesa de operações. Mas, dizia eu, gosto de expulsá-los assim. Lembra-me sempre o palhaço quando lhe perguntaram se sentia prazer quando para fazer rir os putos levava uma série de tabefes durante a actuação. Obviamente que a pergunta é estúpida, mas o palhaço é educado e responde que o prazer está no alívio que sente quando deixa de ser esbofeteado. O alívio que se sente depois de expulsar um cálculo é inenarrável.
Durante as espasmódicas crises ou já sedado pelos Nolotil, Voltaren e Buscopans, levamos na cabeça de todos os lados, dos sábios médicos de que eu deveria fazer isto e aquilo, não comer aquilo e aqueloutro, beber daqui e não dali, etcætera, etcætera, levamos da mulher, por mais doce que ela seja e da mãe, mesmo da mais carinhosa do mundo.

O PreDatado teve uma crise bloguística, levou na cabeça daqui e dacolá, palavras sábias e outras carinhosas, algumas doces também. Agora, sente-se bem por ter expelido este cálculo. Esperem lá, também não se trata de um orgasmo. Mas deu-me prazer.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

909. Ponto Final

O meu blog não é o meu diário; (o meu diário é uma coisa íntima, não partilhável raramente passado a letra de forma)
O meu blog não é um órgão de comunicação social; (não tenho qualquer formação jornalística, não uso um livro de estilo, não faço reportagem, nem investigação, não publico notícias em primeira mão)
O meu blog não é um espaço de debate; (não trago à liça temas debatíveis, não tenho pretensões de moderador, não interpreto a fundo as grandes questões nacionais e internacionais)
O meu blog não é um espaço de divulgação; (não apresenta ideias novas, não rebusca nas ideias dos outros nada de interessante para distribuir)
O meu blog não é um espaço de arte; (não cria nada de novo pois não sou músico, actor, escritor, pintor, escultor, bailarino…)
O meu blog não é uma tribuna desportiva (tirando a minha indefectível paixão benfiquista, não trago penaltis nem foras de jogo para serem discutidos)
O meu blog não é um quadro preto (não formula postulados químicos, não demonstra teoremas, não ensina gramática, nem desenha parábolas)
O meu blog não é um espaço de entretenimento (não tem música, não tem jogos, não tem sexo, não tem anedotas)
O meu blog não é o meu umbigo (não olho para ele de baixo para cima, nem o vejo quando vou ao espelho).

Ter um blog pressupõe que ele seja algo do que acima referi e talvez muito mais. E quando isso acontece, um blog passa de propriedade privada a entidade pública, ou melhor dizendo, a entidade de interesse público. Passa a ser lido, passa a ser referido, passa até a ser interactivo. Um blog que, ao fim de quase 2 anos e 3 meses, não ultrapassa uma média de 50 visitas diárias, as quais talvez apenas correspondam a trinta leitores efectivos, pois muitas resultam de pesquisas falhadas é um blog que não faz sentido existir. Às pessoas a quem vou retirar um clique nas suas rotinas diárias, peço desculpa por nunca lhes ter acrescentado valor ao seu conhecimento. O PreDatado termina hoje.
908. Assim tipu portuguex.

Élô
Ppl tá td fixe? oxe tenhu tado a ler 1s blogx aí da malta bué nova tipu ó kalhas taum a ver e ñ sei pq fikei un koxe baralhado, tôma passar tão a ver? sei ka micas tá xonada plo di, mas ku gaxo nem sabe, fixe foi kd ela se russou porele la na disko da kosta e fikou tão molhada ke teve de trokar o ózonia. Tb sei ppl esta nem dá praquerditar ku stôr de fisika paxa ax aulax a cossar os tomates deve ser po kauxa deu me sentar na carteira kas pernas kruxadax. Achu ku gaxo tb ve us murangus. Ontem fui a casa du lukax pa ele minxinar akela 6ª de kimika kele já deu á bué no deximo e eu naum vexo 1 boi. Dps ele pediu pra ver a cor das minha cuecas naum xei pk k kontu isto eu katé nem levava kuekas o pior foi kas xeans eram apertadas e eu fikei taum korada, tão a ver ppl aquela sena tipo fazte difíssil ke tenho ponto amanhan i o keu kero msm é perceber a sena da kimika, u gaxo fikou fddu mas tem pose i ensinome a axertar as formulax e já prometi kamanha vou lá mostrar lhu enunciadu e tou a pensar levar kuekas só pa ele ver a kor. Ké kaxam pexoal? Peraí ke tou a baralhar esta md td a mikas naum é a mesma das kuekas é akela da kosta ke fikou molhada, mas xeu dexcubrir de novu o blog dela eu dps paxo aki pa kontar o resto. E tb pa dixer kual a kor das kuekas da outra. ok?

terça-feira, janeiro 24, 2006

907. Cuidado com as palavras

Apesar de ter falado pouco, do que aliás sempre foi acusado por outros candidatos, o presidente eleito no passado domingo sempre foi dizendo algumas coisas. E dos seus silêncios ou das suas considerações conseguiu obter uma maioria de votos que lhe permitiu atingir o topo da hierarquia cá do burgo. Não sabemos se a partir de Março, quando o presidente eleito passar a presidente de facto, vai ou não gorar as expectativas dos que nele votaram.

Transpondo aqui para o espaço onde escrevo, não será pelas minhas omissões, mas sim por aquilo que digito, que de vez em quando estou a gorar as expectativas de quem me visita. No entanto, se ainda não escrevi o suficiente (ou melhor dizendo, não escrevi nada de suficientemente interessante), para que, se pelo menos nunca ter atingido o top, nem tão pouco ter obtido nenhum daqueles óscares natalícios que os outros blogs distribuem todos os anos, poder estar numa posição competitiva, a verdade é que com o pouco que digo (escrevo) de vez em quando alguém, mesmo em surdina, está a jura-me pela pele. Qualquer dia proporão a minha demissão da blogosfera por incumprimento de promessas.

E a que propósito vem toda esta introdução?, podereis vós, amigas leitoras e amigos leitores, questionar-vos depois de pacientemente terdes lido os dois parágrafos supra elaborados. É aqui que a porca torce o rabo, provérbio este, que me fazia muita confusão em criança, já que normalmente era dito sem nenhuma porca presente. Ou então o busílis da questão. Não fazia a mínima ideia do que seria o busílis a mais que a palavra mais parecida que eu conhecia, à época era búzio e nem tão pouco bílis já que com os meus seis anos de idade ainda não me tinha embrenhado pelas ciências da natureza.

Postas que foram algumas inofensivas palavras, deverei agora, retroceder, se eu fosse mais moderno diria, talvez, fazer um rewind, para me posicionar no enquadramento da verdadeira questão. E a questão não é nem mais nem menos do que a devida utilização de palavras por mais inofensivas que sejam ou pareçam. Vejamos alguns exemplos, suponhamos que eu escrevo a palavra fotos. Que mal é que isso tem? Suponhamos também que eu escrevo a palavra msn, hoje a sigla de um dos programas de conversação tu-cá-tu-lá mais conhecidos da Internet. Ou se por acaso me dá na cabeça e escrevo a palavra gajas. Claro que gajas é calão e um blog como este, escrito por uma pessoa séria deveria escrever mulheres, moças, meninas, raparigas, miúdas, garotas, fêmeas, enfim, deveria escusar-se a escreve gajas, mas se escreveu, escreveu e pronto. E se por um abuso de linguagem escrevo putas em vez de prostitutas ou de meretrizes, em vez de dizer, aquelas que por desventuras da vida aderiram à mais velha profissão do mundo ou usando o eufemismo que ouvia em garoto (sempre as minhas recordações de infância), me referisse às ditas como se se portassem mal, também não me parece que daí nenhum mal viria ao mundo. Claro que nuas, se escreve para algo que, na sua conjugação no plural feminino se refere a quem ou ao que se apresenta despido. As ruas podem apresentar-se despidas de gente ou de carros, as flores despidas de suas pétalas, mas nuas são nuas e despidas são nuas. As figuras de estilo não são mais nobres que os sinónimos e devem ser usadas no devido contexto. Já pretas poderá ser evitado quando me refiro à cor da pele de algumas africanas, ou afro-americanas ou suas descendentes, substituindo por um termo mais, digamos, politicamente correcto como por exemplo negras, mas não poderei evitar se estiver a falar do último par de meias que comprei. E aqui chego ao fim destas considerações sobre palavras. Quem não terminou ainda por aqui, foi o Google. Não é que este travesti de pila (pica como dizem os brasileiros) mole – vai-me sair cara a expressão – baralha tudo e volta a dar? E é por isso, que putas pretas, msn de putas, fotos de gajas nuas, já para não falar de peidos com som, de sapos a beijarem-se, posições do camassutra, de sexo anal, de receita de bifinhos com natas e até de como escrever uma carta ao Nuno Gomes, conduz alguns navegantes á leitura do meu blog, de onde saem obviamente com as expectativas frustradas.

É por estas e por outras que cada vez mais primo pelo silêncio. Um dia hei-de ser o presidente de todos os bloggers.

domingo, janeiro 22, 2006

906. Vencedores

Dois vencedores, Cavaco Silva e José Sócrates. O primeiro com 50,6%, o segundo não me perguntem porque é que o afirmo, porque não respondo.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

905. Amoras



Às vezes falta-me o motivo, outras a inspiração. Há dias em que sou atacado pela preguiça e outras pela não pachorra. Mas quando, nas minhas blogóricas leituras encontro uma foto como a que se junta e que roubei descaradamente deste blog que, apesar de “postada” quase anonimamente, não me custa identificar quem dos co-autores do ante-et-post a colocou lá, vem-me sempre uma recordação, uma vontade de dizer qualquer coisa. Era puto teria os meus 10 anos, adorava ir às amoras. Silvestres, claro. O que me faltava em altura e em técnica para subir valados sobrava-me em arranhões. Não sei o que o impressionou mais, se chegar a casa feito um Cristo e apenas ter comido meia dúzia de amoras empoeiradas, se o consumo exagerado de mercurocromo e tintura de iodo, a verdade é que o meu pai combinou comigo e com o meu irmão ir-mos num tal fim de semana às amoras. A ponta de uma cana rachada ao meio, com um pequeno travessão que caía a cada investida nos ramos mais altos, um torção da cana e um puxão e ei-las, lindas negras, limpas, brilhantes, doces, deliciosas, colhe mais, que bom. Foi uma das maiores diarreias da minha vida. Mas ainda tenho saudades dos valados hoje transformados em prédios.
904. Filosofia em pacotes de três cêntimos

Ladeando, cada um na sua parte da mesa, a gravata do entrevistador, os velhos filósofos, velhos mas reputados e respeitados, um na defesa optimista das suas teorias e outro, como não podia deixar de ser, pessimista ao ponto de ver sempre uma garrafa meia vazia quando outro defendia que ainda estava meia cheia, ou então se assim não fosse não seriam precisos debates destes, em frente das câmaras e em pleno prime time do canal de serviço público (e é para isto que servem os canais de serviço público, sejamos claros) ouviram a sacramental pergunta, E agora?, esta sim capaz de arrebatar as mais recônditas paixões.
Ainda bem que me faz essa pergunta, diria o filósofo optimista que aumentar os impostos não podia ser visto como um demónio da governação, até porque sem impostos não há governo que resista e quanto mais todos pagarem para todos mais solidária é a sociedade e se o governo quiser não tem mais que alarmar ninguém com a falência da segurança social, Até lhe digo mais, a carga de impostos não é ainda suficiente, o problema é que não está bem distribuída e nem todos pagam, eu sei que se os ricos pagassem mais que não poderiam gastar tanto dinheiro em automóveis de luxo e de vez em quando teriam até que deixar o porsche na garagem, mas se a vida custa a uns tem de custar a todos, não é só fazer férias em resorts de luxo e spas no brasil ou nas seychelles, e os bancos também deveriam pagar mais, por isso é uma falsa questão esta discussão sobre o novo preço dos combustíveis que até nem se discute quando são as gasolineiras a aumentar argumentando que o barril está mais caro em chicago.
Em silêncio teria escutado toda a argumentação o filósofo pessimista, quiçá devido à já supra referida provecta idade, terá mesmo aproveitado para uma pequena soneca enquanto o colega de profissão, que não de ideias, deambulava entre impostos e ilhas paradisíacas, teria escutado, assim no condicional se o sono mais ou menos profundo o tivesse deixado escutar, Eu não acho nada bem este ultimo aumento, mas como é que depois de ter enchido o depósito do meu carro por mais um euro e oitenta cêntimos do que antes eu consigo ter disponibilidade financeira para entregar o boletim do Euromilhões. A interrogação ficou no ar, mas como o tempo para o debate estava a terminar ficou desde logo ali prometido pelo entrevistador de gravata às riscas, se não me engano da casa hermès, que em breve seriam de novo convidados para outras questões da actualidade.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

903. Definitivamente um país de Fé

Eu nem sequer tinha dúvidas. Quando vejo como enche o Santuário de Fátima, quando vejo como enche o estádio do Restelo em dia de concentração de testemunhas de Jeová, quando vejo as 4 igrejas evangélicas que há na minha rua a abarrotar, sempre que há culto, quando vejo os jogadores de futebol benzerem-se seja quando entram em campo, seja quando falham um golo, pelas páginas de jornais e debates televisivos quando se mandaram retirar os últimos 20 crucifixos, ou quando… já chega.
Diz agora a União Europeia que somos o país mais pobre da dita União. Que temos 2 milhões de pessoas no limiar da pobreza. Não é novidade, mas é sempre triste confrontar esta realidade. Tivemos nos últimos 28 anos, PS e PSD a conduzirem o nosso Destino. Tivemos Carneiro e Balsemão, Soares e Freitas, Cavaco e Guterres, Durão e Santana e temos Sócrates. Tivemos PS e PSD. A atender pelas sondagens, a soma dos votos que Cavaco, Soares e Alegre irão obter situar-se-á na ordem dos 85%. Quer dizer que os representantes dos partidos e alguns dos protagonistas do nosso afundanço para a cauda da Europa, são os preferidos da grande maioria dos portugueses. É uma questão de Fé. Ámen!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

902. Vou-me atrever

Em Caxias, Maranhão no Brasil nasceu no dia 10 de Agosto de 1823, um dos maiores poetas da Língua Portuguesa de seu nome António Gonçalves Dias. Quase como inevitável, Gonçalves Dias era filho de um português, transmontano e de uma mestiça brasileira. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, integrou o grupo de poetas designado “medievalistas”. Um romântico que bebeu a influência dos românticos portugueses, franceses, ingleses, espanhóis e alemães. Publicado em 1843, “A canção do Exílio” é um dos mais belos poemas da língua portuguesa. Referido por Alexandre Herculano em artigo encomiástico devido às suas “Poesias Americanas”, escreve também um ensaio filológico onde demonstra aos seus censores (dos quais se haveria de vingar com a publicação das “Sextilhas de frei Antão”) o seu profundo conhecimento da língua portuguesa. Editado no Brasil e em Portugal foi na Alemanha que o livreiro-editor Brockhaus editou os Cantos, os primeiros quatro cantos de Os Timbiras, compostos dez anos antes, e o Dicionário da língua tupi. Com vasto curricullum na área da investigação linguística presidiu também a uma Comissão Cientifica de Exploração, tendo percorrido os mais importantes rios do norte do Brasil. Morre no naufrágio do navio Ville de Boulogne, do qual aliás foi a única vítima, quando regressava ao Maranhão proveniente de Paris, no dia 10 de Setembro de 1864.

Resumo livre (quiçá abusivo) da biografia de Gonçalves Dias, escrita por Luciana Batista, também ela nascida em Caxias, MA e de quem me orgulho de ser amigo. E eu vou-me atrever a publicar, de Gonçalves Dias, um dos seus mais belos e profundos poemas.

Se se morre de amor!

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente.
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr’ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros !
Inesgotáveis, d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora.
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Se tal paixão enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d’êxtasis puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;
Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!
Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneiando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

A. Gonçalves Dias

quarta-feira, janeiro 11, 2006

901. Gato escondido com o rabo de fora...

Entre 1982 e 1988 trabalhei numa companhia de seguros. Por essa época, não me lembro em que ano, aqui del-rey que o sistema de reformas em França estava a entrar em falência e que dentro de 15 anos não haveria nem mais um tostão (leia-se cêntime) para pagar as ditas. Vai daí toca de estudar produtos de poupança-reforma e, como uma seguradora não é uma instituição financeira, incluir uma componentezinha de seguro de vida. Rapidamente os arautos da desgraça (ou os oportunistas do dinheiro fácil) espalharam que Portugal estava na mesma situação. E lançaram o “produto” por cá. Entretanto, em França, os velhos continuam a reformar-se, os reformados continuam a receber, e lá como cá, as companhias de seguros e outros esmifradores continuam a encher-se. Os fundos de pensões, tirados dos salários dos trabalhadores e que nunca chegaram a sair das empresas, foram outras das invenções destes mealheiros-porquinhos de barriga cheia). Não nego, antes corroboro a insustentabilidade da Segurança Social. Mas contesto os métodos usados para a gerir e os alarmismos do nosso Ministro das Finanças. Se em vez de serem promovidos de governantes a presidentes de conselhos de administração, os responsáveis pela gestão dos dinheiros públicos, nomeada e principalmente os que têm tido responsabilidades pela segurança social, tivessem de ser julgados nas barras dos tribunais, talvez hoje já alguém tivesse criado as verdadeiras alternativas, sem passar pelo enche-cú de companhias de seguros e afins. E sem políticas anti-sociais como o aumento generalizado da idade da reforma. Isto sou eu que digo, sei lá, porque sou tonto.
900. Novecentos

Novecentos posts é muito post para uma pessoa só.

terça-feira, janeiro 10, 2006

899. O meu blog não é um Órgão de Comunicação Social

Não tenho escrito no blog porque não quero. Nem sequer é por preguiça, uma vez que tenho escrito à margem do blog coisas de muita qualidade. Tenho estado a dedicar-me à poesia, da qual vos deixarei alguns excertos, para que sejam vós próprios os meus críticos.
Das minhas incursões pela poesia romântica ofereço-vos estes lindos versos:

- Porque tens uns olhos tão lindos?
- É para te ver bem.
- Eu também!


Mas também tenho escrito algo profundo como

“Joguei uma pedra na Fossa do Mindanau. Fez Plau!”

E também algumas superficialidades,

Nadam no lago os patinhos
E ao fundo não vão.
Usam barbatanas nos pezinhos
Não sabiam disso, não?


As minhas quadras populares vão concorrer com o poeta Aleixo. Se não reparem.

Encontro o carro molhado
Em cada manhã de orvalho.
Limpo-o à pressa, atarefado,
Canso-me como o caralho.


E no campo do erotismo também não posso dizer que não esteja bem lançado:

Cobres-te com um véu amor
Deixando antever belas curvas
Até que um Stradivarius chore de inveja.


Como vêem estou fartinho de escrever coisas lindas. Mas não esperem de mim grandes notícias. Para isso temos os Telejornais, os Jornais da Noite e os Jornais Nacionais. Ah, não acreditam? Pensam que estou a gozar? Pois se no Jornal Nacional da TVI tivemos a importantíssima notícia de que um prédio de 8 andares estava com o elevador avariado, já no Telejornal da RTP ficamos a saber que Derlei não vai para o Sporting. Amanhã talvez digam que o Figo não vai para o Benfica, no dia seguinte talvez João Pinto não vá para o Porto, e se calhar até ao fim de semana o Nuno Gomes não irá para o Beira-Mar. E enquanto o elevador não sobe nem desce, há jogadores para não irem para lado nenhum até ao final do ano. Estas sim são verdadeiras notícias. Como é que um gajo num blog pode fazer concorrência, hein?

sexta-feira, janeiro 06, 2006

898. Premiado

Palmas para meu amigo Carlos Geadas pelo prémio que lhe foi atribuído. Desde os tempos das "Histórias de um homem banal" que eu tinha a certeza que, mais dia menos dia, serias reconhecido. E este será apenas o primeiro êxito da grande carreira que te auguro. Um abraço!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

897. Agradecimentos

Dois dias atrás de espiões é obra. Nunca pensei que tivesse vocação. Sei que não me servirá de nada mas vou acrescentar este novo skill no meu CV. A verdade é que tive preciosas ajudas que não poderão passar sem um sentido agradecimento. Pela colaboração activa, o Papo-Seco, a Folha de Chá, a Maria e a Dinny que via MSN me deu boas dicas e também à leitora deste blog e minha cunhada Paula que foi incansável. Aos outros que aqui leram e alguns comentaram o facto e que sei que durante estes dois dias nem dormiram só a pensar em como ajudar o Pré a resolver o problema um beijo, um abraço e obrigado pela solidariedade. Àqueles que se estiveram nas tintas, que lhes caia um céu de spywares em cima da cabeça. Mentira, estou a brincar. Bem hajam todas e todos, os que têm pachorra para me aturar.

terça-feira, janeiro 03, 2006

896. Estou lixado

Nas minhas voltas pela Internet, entrou-me "casa" adentro a merda de um spyware. E agora? Estou f*****. Não sei o que fazer!
895. Saúde Pública em Perigo

Os Delegados de Saúde não têm mãos a medir para declarar os óbitos. Os corpos, esses com certeza, já estarão em decomposição. Os pais natais continuam enforcados nas varandas.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

894. A RTP A RTP

Durante estes dias a RTP, durante estes dias a RTP, repetiu até por mais de uma vez, repetiu até por mais de uma vez, programas como o Natal dos Hospitais, o Portugal no Coração na Suiça, a homenagem ao fadista Vicente da Câmara, a Escrava Isaura, o programa de fim de ano, entre outros, programas como o Natal dos Hospitais, o Portugal no Coração na Suiça, a homenagem ao fadista Vicente da Câmara, a Escrava Isaura, o programa de fim de ano, entre outros. Eu não sei se a esta repetição maciça de programas, eu não sei se a esta repetição maciça de programas, corresponde a uma diminuição para metade, corresponde a uma diminuição para metade, dos subsídios que o Estado concede à televisão pública, dos subsídios que o Estado concede à televisão pública, mas assim como assim isso não me interessa para nada, mas assim como assim isso não me interessa para nada. De qualquer maneira não acredito que o Governo deixasse de aumentar, o pão, os transportes, os combustíveis, … De qualquer maneira não acredito que o Governo deixasse de aumentar, o pão, os transportes, os combustíveis, … E haja Televisão Pública para a propaganda do governo… E haja Televisão Pública para a propaganda do governo… Em repetição e repetição e repetição e repetição.

sábado, dezembro 31, 2005

893. Receita de Ano Novo

A todas as minhas amigas leitoras e a todos os meus amigos leitores, que me concederam a honra de visitarem o meu blog, desejo um próspero ano de 2006. E deixo-vos a receita escrita por um dos poetas da lusofonia que mais admiro: Carlos Drummond de Andrade.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo
Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido),

Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas
do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama,
se compreende, se trabalha,

Você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para
arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro
e gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo
de novo, eu sei que não é fácil, mas tente,
experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e
espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, dezembro 30, 2005

892. Bota-de-elástico ou o Peido Natalício

Quando eu era puto, uma das coisas que os meus pais nos ensinaram foi de que se nos quisesse-mos peidar deveríamos fazê-lo numa casa de banho. E sobretudo que o não deveríamos fazer em público. Ainda sou do tempo em se contava que a condessa aflita por se ter peidado numa festa da “soçaite” foi pedir a Bocage que arranjasse maneira de dizer que fora ele, tal era a vergonha (para quem não saiba, Bocage era um gajo a quem a sociedade tudo desculpava, dada a sua pose extravagante, uma espécie de Herman José, mas com talento). Já fumar nunca ninguém me disse que era feio. Todos me aconselharam a não fumar, porque era caro e mais tarde, à medida que foi evoluindo a investigação médica, porque, e principalmente por isso, era prejudicial à saúde.
E o que é que isto tem a ver com o Natal? Ora bem, há dias vi um anúncio na TV para download de toques de telemóvel, nem mais nem menos que uma conhecida música de natal, mas em som de peidos. Ora eu que não sou nada bota-de-elástico, começo a achar estas coisas cada vez mais normais. Desde aquela campanha, paga com dinheiros do Estado e portanto com o meu agreement, em que os jovens se peidam em público, mas onde afinal feio é fumar, que tudo o que meta merda ou o seu respectivo cheiro me parece da mais comum normalidade. Espero é que nunca inventem um toque de telemóvel em que ao som de um qualquer chá-chá-chá ou de uma rumba, este comece a deitar fumo como se fosse um puro cubano. Porque isso sim seria muito feio.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

segunda-feira, dezembro 26, 2005

890. Fun(tastic) Service

Na passada quinta feira, recebi da TV Cabo uma carta onde me explicavam que o período promocional do serviço Funtastic Life tinha terminado, pelo que, se eu pretendesse continuar a usufruir dos cerca de mais 20 canais deste pacote deveria solicita-lo através de um determinado número de telefone. Por um acréscimo de custo que me parecia razoável, face ao preço do serviço base, decidi dizer que sim. Segui os procedimentos, liguei para o número fornecido e anuí ao pacote Funtastic Life. A assistente, a meu pedido, informou-me simpaticamente de que não necessitaria de nada mais e que o Funtastic Life iria ser de imediato activado. Cerca de 2 horas depois um outro funcionário da TV Cabo ligou-me a perguntar se eu queria aderir ao pacote. Achei estranho mas pareceu-me apenas ser um feed-back de confirmação. Para o efeito, solicitou-me alguns dados pessoais, nomeadamente os meus números de BI e Contribuinte. Finalmente, depois de confirmar a correcção dos dados, disse-me que o pacote iria de imediato ser activado. Hoje, 3 dias depois os canais do Funtastic Life estão desactivados. Belo serviço! E vivam os monopólios!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

889. Privilegiado

Grão Vale de Lençol e Penas é a firma de dois grandes amigos meus. Enquanto no balcão do Lençol me abasteço de cambraia de algodão que me aprazenteia o corpo, no balcão do meu caro Edredon Penas encontro um insubstituível conforto e aconchego para estes tempos frios. Aliás, conforto e aconchego estes a que não é alheio o Sr. Pijama, também um amigo de longa data. E é por ter amigos destes que estar DESEMPREGADO é um privilégio que vós, desgraçados leitores e desgraçadas leitoras, não podeis usufruir quando tendes o inimigo despertador a fazer-vos levantar os respectivos rabinhos da cama às 7 da manhã.

terça-feira, dezembro 20, 2005

888. Quem ganhou o debate

Venho aqui dizer-vos que não sei quem matou o António, no entanto não tenho dúvida nenhuma de quem perdeu o debate desta noite:

Canastrões 2 x Portugal 0.

Assim não dá para colocar a bandeira na varanda.
887. Os culpados

Dentro de momentos vão estar frente a frente, na TV, a atirar farpas um ao outro, os dois principais culpados do estado em que Portugal se encontra. Apesar de toda a gente o saber, mais de 70% dos portugueses irão votar num destes dois. É bem feito!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

886. Por Correio



Caro Vitor,

Hoje não te mando nem um e-mail, nem te faço um telefonema. Nem tão pouco te escrevo um telegrama ou envio a mensagem por fax. Não, meu caro. Hoje vou-te escrever uma carta. E porquê, poderás tu perguntar, uma vez que sempre me elogiaste o gosto pelas novas tecnologias, desde o dia que apareci em tua casa com um ZX-Spectrum onde ficávamos sempre mais de seis horas seguidas jogando a olhar para um écran de televisão, em vez de cruzarmos as pernas no chão, Monopólio estendido, dados a rebolarem por debaixo do sofá, notas e casinhas a ocuparem toda a carpete. Pois, meu caro, decidi aderir à iniciativa dos CTT que vai incentivar as crianças a escreverem umas às outras a modos que salvaguardem o selo. Se bem que é esta a explicação desta minha decisão, não é o único motivo pelo qual te decidi escrever uma carta. Eu sei que raramente compras ou lês jornais, tal como um antigo primeiro-ministro que hoje em dia parece querer ser Presidente da República. E como sempre fui o teu assessor para as notícias mundanas (não esqueças que foi por mim que ficaste a saber que o Nuno Gomes fez aquele gesto da seringa e não pelo Pinto da Costa, como a Liga de Futebol), não resisti a contar-te uma pequena nota que li na revista do Expresso. Então não é que eles noticiam, que segundo estudos científicos da Universidade de Bristol, no UK, que os tipos mais baixos têm um QI menor? Já sei, estás a rir às gargalhadas porque já me estás a imaginar mentecapto no alto do meu 1 metro e 63 centímetros. Pois meu caro Vitor, agora entendo muitas coisas que não entendia antes. Entendo perfeitamente o que aconteceu em Waterloo e mais entendo o que se passa actualmente com o PSD com Marques Mendes a liderar e, como não podia deixar de ser, entendo porque é que António Vitorino nunca conseguiu assumir um alto cargo nem no PS, nem no País. E sendo assim prepara-te, porque quando voltar a haver eleições legislativas eu vou votar na equipa de basquetebol do Queluz. A partir de hoje, só posso confiar em gajos altos. Para bem do país.

PS. Tinha obviamente que te dizer que não deves extrapolar as minhas palavras como um indefectível apoiante de Soares devido à sua estatura física. É que para mim, outras estaturas mais altas se alevantam.

terça-feira, dezembro 13, 2005

885. M’engasgo às vezes, outras emburro...

Foi com esta frase que comecei um comentário num blog que li há pouco, dada a minha inabilidade para escrever algo mais. E de facto, é assim que me sinto actualmente, gago e burro para escrever algo de jeito. E nem me posso queixar do tempo. Nem do tempo, nem do tempo. Quero dizer, com o frio que tem feito, tudo parecia se proporcionar para que no calor exarado do roupão os textos começassem a jorrar. E por outro lado, tempo é o que não me falta pois, praticamente, já assumi a minha condição de desempregado compulsivo e como tal, tirando roçar o rabo pelos sofás e cadeiras cá de casa e uma ida ou outra ao urinol nada mais faço. Mas não, não me sai nada, nem da política, num momento em que começa a aquecer o ambiente da campanha, nem do futebol, agora que o meu clube parece querer estar a arribar, nem de religião, pois devem ter visto que nunca me referi à questão do crucifixo ou dos padres homossexuais. Também não estou com pachorra para vos dizer como vai lindo o despontar da salsa e dos coentros e ainda dos rabanetes que o meu sogro plantou nos vasos da varanda, não me apetece fazer nenhuma correlação entre um aeroporto na OTA e a explosão dos tanques de combustível no aeroporto de Londres, tão pouco estou disponível para dissertar sobre mais uma execução de um presumível culpado ou inocente na Califórnia. E é por esta falta de inspiração que vos peço que tenham um pouco de paciência comigo uma vez que, acho eu, melhores dias virão. Assim sendo, prometo que hoje não escrevo nada. Mas também não sei se estou disponível para cumprir esta promessa.
884. Não percam

a hilariante carta aos pais que o Manoel Carlos escreve hoje no seu Agrestino.

domingo, dezembro 11, 2005

883. Moreanes, 11 de Dezembro de 2005 – Coisas de Fim-de-semana

A Maria não apareceu como habitualmente. Fazia 2 ou 3 dias que ninguém a via. Acabamos por a descobri-la no palheiro do Ti Romão, tinha tido canitos. Não os abandonou nem um minuto o que significa que passou todos esses dias sem comer. Tremia quando se assomou à pequena janela do palheiro. Chamei-a para que fosse comigo mas não veio, pois recusou-se a abandonar as crias. Se a Maria não vai à comida, vai a comida à Maria. Devorou uma pratalhada de carne, cozinhada propositadamente para ela, que até dava gosto ver. Nos dias seguintes repetimos a operação, duas vezes por dia.

*
A Ti Clarisse fez 91 anos, este Domingo. Uma lucidez impressionante. Diz que já lhe vai escasseando a vista mas a memória está intacta. Conta histórias como ninguém, sabe nomes, datas, as antigas e as recentes, está a par de tudo quanto se passa no país e no mundo. É ela que cozinha as suas próprias refeições, di-lo com orgulho. Quando a fomos visitar estava a fazer um bolo para mandar para o filho que vive em Barcelona. Sem olhar para relógios, sem preocupação, tirou o bolo do forno, no ponto. Como a massa restava fez mais dois. Ofereceu-nos um deles e, garanto-vos, estava delicioso. Das histórias que ouvimos conto-vos apenas uma. Em discurso directo.
Em descendo estes dois degraus, faltaram-me as pernas. Nem sei como foi, bati com a cabeça na esquina deste armário (mostrou-nos o local). Fiz um golpe na cabeça que só visto. Escorria sangue por todo lado e o pior é que sentia a cara dormente. A custo lá me fui amparando numa cadeira e nesta mesa e lá me levantei. Fui direita à cozinha, preocupada com a cara dormente e peguei um pedacinho de pão. Mastiguei-o e disse cá para comigo: - pelo menos não parti os queixos.

*
O Liedson e o Bruno Vale poderiam ser chamados de Os Justiceiros. O avançado rematou e não marcou, o guarda-redes estirou-se e defendeu. Bem vistas as coisas também não tinha sido penalty, coisa só vista pelo árbitro. Fez-se justiça.

*
O idoso Cavaco referiu, no último debate da TVI, que se viera a ser Presidente da República mandará efectuar um estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Este estudo foi acabadinho de fazer e apenas uma mente idosa e cansada (quando se trata de um candidato ao mais alto cargo da nação) poderia cometer esta gaffe. Aliás, já há uns tempinhos atrás, o idoso Soares tinha cometido uma gaffe similar sobre um outro assunto que, penso, todos estareis recordados. Já que estes candidatos estão sempre a falar nas oportunidades que devem ser dada aos jovens, porque é que não se reformam?

*
Não é actor quem quer, é actor quem p(h)ode. No canal 13 da TV Cabo, um dificílimo e muitíssimo bem elaborado diálogo.
Ela: - á á á á, ô, ô, ô, ô, hum, hummmmm...
Ele: - áááááááá, ááááááá...

É tão fácil ser actor. Haja tesão!

*
Por falar em TV Cabo, mais uma rocambolesca história de mau serviço. Vou continuar a peleia e depois conto-vos os principais e os finalmentes. Agora não, se não, vou voltar a ficar mal disposto.

*
Três sons. Apenas 3 sons. Os pássaros, os balidos das ovelhas e o crepitar da lenha na lareira. Como é boa a vida no campo.

*
Alberto João Jardim. Haja paciência. Se existisse um amplo movimento para a independência da Madeira eu encabeçaria a lista. Vá lá gozar com a *** que o pariu.

*
SUOR. Tinha-o lido pela primeira vez em 1978. Quase trinta anos depois revisitei este momento extraordinário da obra de Jorge Amado. Infelizmente, tão actual.

*
Crueldade. Tiraram os canitos à Maria. Veio ter connosco a chorar. Impotentes, não conseguimos esconder uma lágrima. Também se chora pelos cães.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

882. Eles matam-me

Terminei o jogo com 16,7 / 11,4 de tensão arterial e 125 pulsações/minuto. Agora despeço-me até Domingo. Vou descansar de tanta pressão.
881. Cuidado com eles

Hoje, a partir da 19h45, os Vermelhos vão paralizar o País!
880. Hoje vos linko

Tão simples como 2 mais 2 serem 4. Quando deixo de ler retiro da lista quando passo a ler vão para a lista. Às vezes não o faço logo mas apenas por preguiça. Como já me acostumei a estes, vão figurar na lista da direita. E pronto, só falta dizer quem são: Passarinha, xatoo, história da internet, dos olhares, linguagem das flores, corpos e almas , haspargus.
879. Este é um post de inexorável fé!


Tenho ouvido muitos comentários de “especialistas”, nomeadamente alguns benfiquistas dizendo que o Glorioso tem poucas hipóteses, amanhã, frente ao Manchester United. Eu não partilho desta opinião. Desde quando o Benfica, jogando em casa, no inferno da Luz deixou de ser favorito? Que medo temos de quem quer que seja em nossa casa? Por acaso trememos quando recebemos o FCP bi-campeão europeu, bi-campeão mundial de clubes? Nós que temos 8 finais europeias, 7 das quais na Taça dos campeões Europeus, mesmo que apenas tenhamos ganho duas, alguma vez baixamos a cabeça? Quantos clubes têm o nosso historial? Quem é que por essa Europa (e pelo mundo) não respeita o S.L.B.? Ombreamos com Milan, Liverpool, R. Madrid, Barcelona, Manchester, Inter, Bayern, Ajax, só para falar de alguns e ficamos sempre na primeira fila da foto de família. O que é isso de não termos chances? Somos mais pobrezinhos? Pois somos, somos o retrato de pobreza que é este país. E daí? É algum desígnio nacional? Pois meus caros leitores e leitoras e gente interessada na bola. Vamos ganhar! Vamos ganhar! E a mim ninguém consegue abalar esta minha FÉ.

Força Benfica!
Força Benfica!
Força Benfica!

terça-feira, dezembro 06, 2005

878. O Google chegou ao Pragal

Vivi 15 anos da minha vida na região do Pragal, concelho de Almada. Fui lá fazer 10 anos e saí com 25, no dia do meu casamento. De repente, coisas que o Sitemeter tece, reparo que há uma pessoa do Pragal que visita este blog. Mas não é que o amigo visitante veio aqui por via de uma pesquisa de “bilhetes para o circo Cardinalli”? E logo pelo Google. Está bem pronto, bilhetes não há, mas palhaços sempre vai havendo. Por azar hoje eu não estou com o nariz vermelho mas com um pouco de paciência tudo se consegue.
877. O 25 de Novembro contado aos senhores telespectadores

Ontem assistiu-se na RTP1 a mais um Prós e Contras, este sobre o 25 de Novembro de 1975. Em primeiro lugar gostaria de referir o estúpido (propositado?) erro de casting de um programa que costuma contrapor duas correntes no tratamento de um tema, ou seja, como a próprio nome indica, uma pró outra contra.

E o que vimos? Um Otelo Saraiva de Carvalho, patético, que não estava lá a fazer nada pois segundo ele, e não desmentido pelos outros, não preparou nem participou em nada que tivesse a ver com o 25 de Novembro. Aliás Otelo, ontem, ou já está gagá e portanto tudo o que disse vale o que vale, ou então mostrou que aparte o 25 de Abril não teve qualquer outra influência nem política, nem militar. Apresentou-se como o militar ingénuo, sempre enganado ou desleixado como uma “Maria vai com as outras”. Esteve na Revolução para assinar papeis redigidos por outros, para dizer que “sim” e que “está bem”.

Por outro lado, o painel era constituído por 4 individualidades, a saber, Tomé Pinto, Castro Caldas, Sousa e Castro e Ramalho Eanes, todos eles do lado dos que “venceram” o 25 de Novembro. Do lado dos chamados “derrotados” não estava ninguém. E deveria ter estado?

De facto, a população civil armada, eram militantes do PS a quem os militares cederam armas. O PPD, pela voz de Castro Caldas recusou essa oferta pois tinha outros meios para se armar. Havia uma esquadra muito bem preparada de meios aéreos em Cortegaça. Os comandos da Amadora preparados para atacar os “revoltosos”. O ELP e O MDLP preparados para o que desse e viesse. E do outro lado? Uns pára-quedistas que se renderam nos primeiros momentos e 3, vejam bem 3, majores que controlavam a PM e que não quiseram obedecer ao Presidente da República. Ah, há mais. Havia a extrema-esquerda que, com a votação nas eleições de 25 de Abril de 1975, tinha mostrado a todo o País que não tinha qualquer apoio popular.

Então para que serviu toda aquela encenação? Pura e simplesmente para afastar o PCP e o Vasco Gonçalves dos órgãos de poder e tentar ilegalizar quer o PCP, quer toda a extrema esquerda, não fosse o atalho percorrido por Melo Antunes, não sei se corajoso, se com medo de algo que pudesse vir da ex-URSS.

E pronto, foi assim que, se fosse preciso, com um programa televisivo pessimamente elaborado, como o de ontem, mais uma vez se veio informar os senhores telespectadores que a Direita e a Extrema-direita, conluiadas com o PS de Mário Soares deram um Golpe de Estado para evitar uma guerra civil. Contra 3 majores!

E felizmente! Assim temos uma democracia que não nasceu do 25 de Abril, mas sim do 25 de Novembro e que em trinta anos de governação de Direita, muito bem secundada pelo PS já conseguiu fazer coisas maravilhosas. O nosso País na Europa dos 25 já (ainda) não é o último, isso era na Europa a 15, só temos 26% da população na pobreza, ou seja uns míseros 2 milhões e 600 mil, só temos alguns desempregados, coisa pouca, apenas meio milhão, temos uma filita de espera para cirurgias na ordem dos 200 mil, mas o que é que isso interessa, temos alguns corruptos, é verdade, mas são poucochinhos, e temos a ponte Vasco da Gama, 10 estádios de futebol novinhos e o Centro Cultural de Belém.

Viva o 25 de Novembro!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

876. Nunca é demais prevenir

Um conselho do PreDatado com a devida vénia daqui.
875. Ando muito distraído

Esta manhã ouvi na rádio que o Saddam Husein está a ser julgado num tribunal internacional pela morte de 142 xiitas. Ok, concordo que se tivesse mandado matar só um que fosse, já seria razão suficiente para ser julgado. Mas foi por ele ter morto 142 xiitas que Bush invadiu o Iraque? E Bush quantos já mandou matar? Não tem julgamento?

domingo, dezembro 04, 2005

874. Junto a minha à tua indignação

Sei que pareço um ladrão,
Mas há outros que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.


Lembrei-me desta quadra de António Aleixo quando li o post de ontem da Encandescente. Acho uma pouca vergonha o que se passa em certa blogosfera e estou completamente solidário com ela.
No entanto, acrescento que isso só acontece porque, de facto, a Encandescente tem uma qualidade muito acima da média e os seus poemas são uma tentação para aqueles que são “aquilo que pareço”. Oiçam cá ó infames plagiadores, façam o favor de citar a fonte. Porque ela merece.

sábado, dezembro 03, 2005

873. Inquérito

Quem viu o Porto x Sporting?
Quem viu a entrevista de Cavaco Silva na RTP?

quinta-feira, dezembro 01, 2005

872. Para ler

1. Em português com sotaque. Escreve, que chego a sentir saudade quando não escreve. Tudo talvez não, mas creio que o Papai Noel não vai esquecer você.

___

2. Descobri há pouco e já é imprescindível. Está aqui e tem um excelente blog.
871. Desconfio...

que este ano não vou ser capaz de enfeitar a Árvore de Natal.

quarta-feira, novembro 30, 2005

870. 70 anos depois

era capaz de não ficar mal neste blog.



Quando eu me sento à janela
P'los vidros que a neve embaça
Vejo a doce imagem dela
Quando passa...passa...passa...

Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser neste mundo
E mais um anjo no céu.

Quando eu me sento à janela,
P'los vidros que a neve embaça
Julgo ver a imagem dela
Que já não passa... não passa...

Fernando Pessoa "Quando ela passa"
869. Lambecusismo

Ando ávido de informação que me permita votar em consciência. Por exemplo, que interesses representa Cavaco Silva. Se os de Van Zeller e Ludgero Marques ou, se ao invés, os dos 700 sindicalistas que recentemente foram ao lambe-cú, desculpem, ao beija-mão do candidato. Ou é a mesma coisa?
868. Mandatário, já!

Tendo em linha de conta as idades, não deveria ser Joana Amaral Dias a mandatária para os jardins de infância e eu, que completei 50 aninhos este ano, o mandatário para a juventude da candidatura do Dr. Mário Soares?
867. Declaração

Para os devidos efeitos, declara-se que o sr. blog "O PreDatado", Pré para os amigos, não é orgão oficial, nem oficioso, por enquanto, de nenhuma das candidaturas à Presidência da República.

Mais se declara que o seu autor, com a consciência cívica que lhe é reconhecida (pelo menos por uma pessoa), quando chegar o dia das eleições e se for vivo à data irá com todo prazer colocar uma cruz no boletim de voto.

Corroios, 30 de Novembro do ano da graça de Nosso Senhor de 2005.

terça-feira, novembro 29, 2005

866. Mamatron

Na passada quinta-feira a nossa amiga Robina, apresentava no seu blog uma novidade tecnológica. Nem mais nem menos que um masturbador automático para homens. Eu apresento-vos outra. Aqui neste site, tudo sobre o mamatron!

segunda-feira, novembro 28, 2005

865. Santinhos

No Porto deixar-se-á de comemorar o S. João para se comemorar Sto. António (Costa).
864. Cromos e Bolos

Quando eu era puto um tubo de cola branca Cisne era um luxo. Por isso, colava os cromos nas cadernetas com cola feita com farinha e água.
Quando a minha mãe fazia um bolo eu via que ela misturava a farinha e água com os ovos e o açúcar. Cheguei a pensar que aquela consistência do bolo depois de cozinhado se devia à cola que segurava os ovos e o açúcar.
O pior é que em certas alturas do mês os bolos não saíam tão perfeitos. Ora não cresciam, ora se escangalhavam.
Com medo que os cromos se descolassem da caderneta, nunca mais os colei quando a minha mãe estava no período.

PS. Esta “estória” parece não vir a propósito de nada, mas lembrei-me dela, hoje, enquanto comia uma belíssima fatia de pão-de-ló.
863. Macaquinho de imitação (XII)

Uma vez recebi um e-mail a perguntar-me como é que se punha música num blog. A pergunta acertou na mouche, como soi dizer-se, pois era a única alteração que eu sabia fazer num template (ou porque é que eu nunca alterei o meu desde o dia da fundação?). Quem me fez essa pergunta foi a aNa do Meia Volta e desde aí não deixei de a perseguir. A ela e à Maria, a quem desejo uma rápida recuperação, dois grandes beijinhos.


4865 - desculpem-me mas estou com a neura

às segundas-feiras nem pensar em eu escrever posts. depois de um fim de semana com o coração nas mãos sempre que a bola se aproxima da baliza do meu clube ainda tenho que andar aqui a procurar tostões no meio destas facturas todas.
era só o que me faltava eu ter de discutir as minhas opções sexuais com os números de contribuinte que me rodeiam. sim porque o meu amor ficou hoje no bem-bom, não lhe apeteceu sair da cama e eu em vez de estar de perninhas meias com ela, tenho de vir aturar o caixa de óculos que está atrás de mim. ainda se fosse a Rute.
coitada da Rute afinal ela é que deve achar que eu sou o caixa de óculos com este mau feitio do caraças. e vocês deixem de me fazer convites mais ou menos indecentes na caixa de comentários que eu e a minha amada já nem as podemos ver.
isto não era para se dizer.
e as seis horas da tarde que nunca mais chegam, para eu poder sintonizar a minha Seixal FM, esperem, descobri, os tostões que me faltam foram surripiados à conta corrente para pagar a quem rapte o Ricardo.
nunca mais são seis horas!

PS. Tal como avisei ontem, o macaquinho foi dar uma-ganda-bolta.

domingo, novembro 27, 2005

862. O fim da macacada

Já por aqui passou a série Bom Dia, em que o autor do blog saudava os seus leitores matinais de uma forma tão efusiva que alguns tiveram de receber tratamento ortopédico devido a algumas luxações nas costelas, que é como quem diz xicorações levados ao extremo, a série de Diálogos com o Espelho, até que aquele se partiu e não houve dinheirinho para o substituir, a série de Contos que ficou inacabada, não por falta de inspiração do autor, mas porque estava a descambar para o erotismo e este blog é muito sério, a série Lunch Time Blog que, dizem alguns, fazia crescer água na boca e onde pontuava o meu gatinho Schubert, hoje um belo moçoilo que me faz companhia nestas horas de escrita e que, ainda há pouco, uma leitora assídua me escrevia dizendo que tinha saudades, mas como ela sabe e todos vós também, não há almoços grátis, e agora os meus Macaquinhos de imitação que, cabe-me informar, terão amanhã o seu epílogo, uma vez que a produção apenas teve orçamento para me pagar 12 episódios e, sendo assim, propor-me-ei inventar uma nova série que a seu tempo será divulgada.

PS1. Consegui escrever tudo isso acima usando apenas um ponto final mas usei mais vírgulas do que o José Saramago pelo que o Prémio Nobel terá que esperar.

PS2. No parágrafo acima não coloquei nenhuma virgula porque não sei onde é que deveria ser colocada.

sábado, novembro 26, 2005

861. Macaquinho de imitação (XI)

Gostava de ter a capacidade de como ela, colocar uma foto e a partir da mesma discorrer todo um texto. Ou então de escrever um texto e depois procurar uma boa foto para o ilustrar. Aqui, na minha ténue imitação da Mad, não fiz nem uma coisa nem outra. É que imitação não tem (nem deve) que ser plágio. Embora eu saiba que ela me perdoaria. Um beijo para ti amiga.



Foto Sascha (surripiada ao Aliciante)

Interrogação

Pergunto quem sou e para onde vou?
Não sei a quem pergunto ou pergunto a fantasmas pois não tenho respostas.
Mas eu sei quem sou e por isso não sei se deveria perguntar.
Às vezes não sei para onde vou ou por onde vou. Ai, se ainda houvessem polícias sinaleiros.
Mas sei onde estou. Estou ao lado dele e amo-o muito.
Por isso nunca pergunto onde estou.
Se eu tivesse que perguntar onde estava, o melhor seria comprar uma bússola.
E as pessoas que me rodeiam? As que me amam e eu amo também? Ele, eu sei que me ama… e as que me amam, amarão? Será que sabem quem sou?
É por isso que pergunto.
E também pergunto para onde vou às mesmas pessoas a quem pergunto quem sou.
Mas é ele que me vai responder. Porque eu o amo e porque ele me conhece.
E eu também sei quem sou. Não sei, então, se vale a pena perguntar.
Agora vou ali ler a macaquice do Pré. Se eu não voltar indiquem-me o caminho. Ou então perguntem a ele que ele sabe onde estou. E eu também.

sexta-feira, novembro 25, 2005

860. Macaquinho de imitação (X)

A Gotinha é uma miúda muito gira. Nos dois sentidos, no de blogueira e como pessoa. Quando a conheci pessoalmente achei-a tímida, mas no blog ela é arrojada e propõe-nos diariamente desafios. Coloca alguma carga erótica nos seus posts e desafia-nos para jogos, nos quais, confesso, já cheguei a viciar-me (uma vez passei mais de 2 meses agarrado ao majhong). Hoje a macaquice é uma homenagem ao jogos que a Blogotinha nos propicia.

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EU CÁ NÃO FAÇO POR MENOS
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Nos dias em que chegam a casa stressados e só vos apetece bater com a cabeça nas paredes experimentem jogar este pequeno jogo.

Se és homem clica nesta imagem:




Se és mulher clica aqui:




(desenhos de Sarabande, algures na net)
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A LUTA DOS PROFESSORES
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Depois do vício vem a bonança. Ou será, tantas vezes vai o cântaro à fonte que ao menino e ao borracho nem tudo o que luz é ouro? E tu o que pensas que os professores andam a ensinar aos alunos nas aulas de substituição? Escreve a letra da canção que mais gostaste de ouvir nos últimos 153 minutos. Os resultados serão divulgados nas pautas da primeira época. Já agora… gostaram do jogo acima?
859. O Sonho foi lindo

Eu vim de longe
Quando o avião aqui chegou
quando o mês de Maio começou
eu olhei para ti
então entendi
foi um sonho mau que já passou
foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
uma flor vermelha n'outra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a fronteira me abraçou
foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar

E então olhei à minha volta
vi tanta esperança andar à solta
que não hesitei
e os hinos cantei
foram feitos do meu coração
feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou.

José Mário Branco

quinta-feira, novembro 24, 2005

858. Tenho Saudades

De quando passavam pela minha caixa de comentários a Ju, a Claúdia, a Caxopa, a monalisa, o Geadas, a Ângela, o João, a Catarina, a Sofia, o Luís, o Carlos, a Joana, o Rui, a Rita, o Eduardo, a Ana Maria, o Fernando, a Sónia, o Hugo, o Carlos, o Vasco, a Cátia, o Alexandre, a São, a Susana, a Annie...

O que é que vos deu para desaparecerem do mapa hein?
857. Macaquinho de imitação (IX)

Conheci a Karla como uma das mais elegantes comentadoras da blogosfera. Há mais de um ano que não deixa de vir ler os meus disparates, o que é de lhe louvar a paciência. Depois vi-a como blogger, sob pseudónimo, num blog de grande audiência, mas que não referirei para preservar o seu anonimato. Hoje colabora no ante-et-post onde normalmente coloca uma fotografia, sempre com muito bom gosto e um pequeno texto. Como a Karla não gosta de futebol, a macaquice de hoje é uma pequena provocação.

Futebol

Eu sempre disse que não gosto de futebol. Detesto ver aqueles tipos à porrada dentro do campo…




Foto de Sérgio Miguel Santos / ASF / A Bola (retirada da Visão online)

quarta-feira, novembro 23, 2005

856. How do you spell it?

O prometido é devido. Há uns dias atrás disse-vos que andava a fazer uma pesquisa da integração de latinos na sociedade americana, cuja ascensão social tivesse sido um sucesso. Pois bem, a revista La Fuerbes, versão latina da americana Forbes, trás a lista dos ditos cujos e da sua fortuna em billions of dólares, que é como quem diz, em pesos, reais, bolívares, sois, colones e outras.

De imigrantes de primeira geração, ricos como o caraças, encontrei estes apelidos latinos. Verifiquei que apenas alteraram a ortografia dos nomes, tentando manter a fonética o mais próximo do seu nome de origem:

Fratus, Alleevara, Brancoo, Damus, Deenees, Mya, Moon Is, Mooreyes

(eu ajudo – Freitas, Oliveira, Branco, Damas, Dinis, Maia, Moniz, Morais)

Quanto aos de segunda geração, eles já são americanos de pleno direito e não é raro ver à frente de empresas, nos mais altos cargos políticos, na banca ou a negociar em Wall Street e principalmente na área das novas tecnologias pessoas com os nomes de:

Shut up, Boiler, Fields, Castle, Rabbit, Keys, Coast, Very Hard, Sundays, Would Do, Iron, Bad Uncles, Pepper, Walls.

E, sendo assim, dou a mão à palmatória. Na América é que é bom. A Europa que se foda.
855. Macaquinho de imitação (VIII)

À maria_árvore detectei-a através de textos publicados noutro blog. A qualidade estava ali escarrapachada e seria inevitável “introduzir-lhe” um link nos meus favoritos. Nunca mais a perdi de vista e visito assiduamente a sua Chez Maria onde me apraz ser voyeur das confidências no divã. Para a maria_árvore, a minha macaquice de hoje.


Um copo de água gelada, por favor.

Ele estava sentado no banco de jardim com as pernas abertas e o fecho da braguilha também aberto. Com certeza que ainda não tinha dado por isso e, provavelmente, também porque por isso não deram, ninguém como eu tinha parado a observar o espectáculo. Não sei se propositadamente ou se por incúria não tinha cuecas vestidas, tanto quanto se podia constatar à distância a que se encontrava. Não sou pessoa para ficar de longe a fazer sinais ainda mais que iriam parecer obscenos já que teria de começar a apontar na direcção do coiso dele ou no correspondente local na minha saia e isso poderia vir a ser mal interpretado. A última vez que me pus a fazer uns sinais desses a um tipo que levava a porta do carro mal fechado, acabamos os dois no motel da área de serviço de Leiria. Aproximei-me devagar e pelo caminho resolvi que não iria ser tão directa assim. Pediria licença e sentar-me-ia ao lado dele. E como quem não quer a coisa discretamente dir-lhe-ía que o fecho éclair deveria estar avariado. Assim pensei, assim estava disposta a agir. Mas quando me sentei, uma corrente de ar fresco invadiu-me os recantos mais íntimos. Uma corrente de ar, vinda não sei bem de onde, atravessava como que por magia toda a superfície do banco, exactamente cinco centímetros acima dos joelhos sentados.

Deve compreender, Sr. Doutor, porque nem me atrevi a dizer-lhe nada. Se eu tivesse braguilha, às três horas da tarde de um Domingo de Agosto também a abriria. Naquela altura teria sido bem melhor do que matar a sede com um copo de água gelada. E foi assim que todos os Domingos de Verão passei a procurar aquele homem de braguilha ao ar, para que me acalmasse os calores.

terça-feira, novembro 22, 2005

854. Macaquinho de imitação (VII)

Não sei se o Branco foi o primeiro Brasileiro a ler o meu blog mas sei, com certeza que eu não fui o primeiro Luso a ler o dele. Nem serei o último, uma vez que esse “meu” (meu amigo claro) é não só um blogger de qualidade, mas também um distinto criador na arte de bem escrever (esta frase é uma tentativa minha para dizer escritor). Qualquer imitação do estilo dele ou é plágio ou é pura coincidência. Mesmo assim vou arriscar a macaquice com um abraço fraternal ao Branco Leone.

Jogando palavrinhas fora

Oi galera, tudo bem? Sinto a obrigação de me desculpar por escrever tão poucas vezes em meu blog mas isso tem uma explicação. Minha praia é outra e são os livros que consomem meu tempo. Isso tudo porque casei com uma ginecologista-obstetra. Não estão entendendo nada, né mesmo? Eu nunca falei prá vocês mais eu sou um cara invejoso por demais. Na verdade eu não suporto a ideia de ver minha esposa passar a vida colocando nénens nesse mundo e eu não ter nada pra tirar pra fora. Aí foi que me dediquei a botar letrinhas pretas em cima de papel branco. Estão vendo agora onde eu quero chegar? É isso aí. Passo todo meu tempo ocupado com minha produção literária, e por causa disso não estou nem com tempo pra jogar palavrinhas fora aqui no blog. Bem sei que meus leitores todo dia dão uma espiadinha aí, como é o caso desse tal de PreDatado, mas tenha paciência meu amigo, se você quiser ler algo de bom eu estou lançando meu próximo livro em Curitiba, até que nem é caro, pra você eu faço uns R $15,00 e ainda te ofereço uma caipirinha. O quê, você não bebe caipirinha? Fazer o quê, né?

segunda-feira, novembro 21, 2005

853. Posts, muitos posts

Eu sou dos que têm obrigação de escrever muitos posts por dia. Muitos e muitos posts. Um jornal diário em constante actualização. Passo o dia em casa ou em grande inactividade fora da dita. Oiço notícias que deveria comentar reflectir ou propor debates, presencio factos que deveria descrever, leio coisas que deveria partilhar, tiro fotos que deveria expor e tenho ideias que, quem sabe, explanadas constituiriam momentos de reflexão. E todavia aqui estou neste marasmo, atacado por crises de preguicite aguda, quase sem produção blogueira.
Em contrapartida viajo através da blogosfera e o que vejo eu? Montanhas de bloggers altamente produtivos. E deu-me então para caracterizá-los. Quem escreve muitos posts?

- Os que estão em condições similares à minha, mas que não sofrem da mesma doença.
- Os efectivamente bons construtores de texto, com muitas ideias, muita cabecinha.
- Os blogs colectivos o que, diga-se de passagem, é uma óptima ideia.
- Os blogs de autores com crises intestinais intensas, isto é, quando dão um pum, vão logo contar aos vizinhos.
- E, entre outros, aqueles que são escritos nos empregos porque aproveitar as horitas do patrão em blogar muito e muito, em vez de trabalhar, é muito e muito mais produtivo.

PS. Este post é uma resposta colectiva a alguns (não são muitos) e-mails que recebo a criticarem-me de eu escrever pouquinho no blog. Para a minha idade uma por dia não é normal? (estou a falar de postas).
852. Macaquinho de imitação (VI)

Não me recordo como é que descobri o nikonman, mas a sorte é que o conheci. E a maior sorte nem foi só ter conhecido o blog dele. Foi ter conhecido o João, em pessoa. Obviamente que a Praça da República não poderia deixar de ser uma das “vítimas” do macaquinho de imitação. Se eu tivesse algum engenho na arte dele colocaria até uma foto minha. Assim, roubei-lhe uma.



Foto: João Espinho

O Oportunista

E depois não me venham com essa treta de anti-comunista primário, ou de aparelho do PSD em Beja, ou mesmo Barão do PPD porque eu não aparo grupos. Um tipo sai de casa e logo à porta depara-se com um cartaz com uma fotografia sinistra e, ainda por cima, mal tirada (talvez com uma daquelas maquinas descartáveis e claro está, nunca com uma nikon), deste tipo e a frase “Este Homem não Cria. Imita!” O que é que ele quer dizer com isto hein? Que os outros candidatos se acomparam com Deus? É com frases como estas que tentam levar a água ao moinho deles? Ao comparar os outros com Deus, este putativo candidato, que nem sequer sabe se o é ou não, está a querer dizer que os outros têm a mania e que portanto Deus só há um. E que sendo assim, terão de votar na imitação. Hoje para vosso gáudio não vou fazer nenhuma sondagem pois dei-me muito mal nas últimas autárquicas. Mas em verdade vos digo - não me recordo se tirei a expressão da Bíblia ou se é do Marques Mendes - que se ele pensa que vai ganhar algum pelourinho 2005, pode já estacionar o seu cavalo à chuva na Praça da República, porque este PreDatado não passa de um macaco de imitação!

domingo, novembro 20, 2005

851. Macaquinho de imitação (V)

Eu sei que não é um blog para todos e que não tenho instrução suficiente para compreender toda a sua escrita. Já uma vez, em tempos fiz uma pequena crítica ao facto de não poucas vezes os poemas de abertura serem poemas em língua estrangeira. Acredito que para muitos eruditos, são belos e profundos. Por isso não resisti à imitação. Deixo-vos aqui uma tradução livre em Japonês de um lindo poema brasileiro.

早い朝 Blog (Early Morning Blog)



後背地の月光

か.! 山の範囲, 土のためのの落ちる
葉で 背部私の土地の月
光のいかに!
の後背 地の月光の 持っていないこと都
市のこの月光, ここ に, 従って暗闇, 持っ
ていない か. そこにか. 月が緑の薮 の
のために耐えられれば人々の後背地の
これとしてない月 光は, もっと孤独を
銀製の太陽のようである!
の人々はビオラすなわちその
でつかまえ, 歌は忍耐の満
月, 中心のそれらとである!


Bom dia!

sábado, novembro 19, 2005

850. Macaquinho de imitação (IV)

O Mário Almeida emite opinião política que obviamente não é a minha. Mas prezo a sua escrita e a maneira inteligente de expor. Por isso leio diariamente A (sua) Fonte. E ele é tão livre de apoiar Cavaco como eu sou livre de não apoiar. Cá vai com um abraço para o Mário Almeida, uma stand-up comedy, desta feita em português. O PS que se insere no final nada tem a ver com o estilo de A Fonte, é um hábito do PreDatado.

Stand-up comedy

A minha avó que nasceu em 1892 e faleceu em Agosto de 1974 disse-me avisadamente:

- Filho a avó já passou por muitos tumultos, revoluções e contra-revoluções. Viu o cometa, a passagem do século, o assassinato de El-Rei, o Sr. D. Carlos, a implantação da República, o Sidónio Pais (aqui ela cantava qualquer coisa como o Sidónio Pais vestidinho à militar e em outras ocasiões cantava, de cor, o hino da Maria da Fonte), a ascensão do Salazar, passei pelas privações da primeira e da segunda guerra mundial, tive de emigrar da serra algarvia para Lisboa, “vi” matarem o Humberto Delgado, o meu compadre foi preso e morto no Tarrafal, vi chegar o homem à Lua, e agora o 25 de Abril. Mas meu amor, não te deixes iludir. Os ricos vão continuar ricos, talvez cada vez mais ricos e os pobres vão continuar pobres, talvez cada vez mais pobres. Vão ser sempre os mesmos a mandar.

V. Hernandez


PS. A avó de V. Hernandez nunca assistiu a uma votação verdadeiramente democrática o que a justificaria ter feito um juízo de valor, presumivelmente errado, de que seriam sempre os mesmos a mandar. A avó de Hernandez provavelmente nunca pensou que mesmo sendo o povo a escolher os seus representantes que seria este mesmo povo que gostaria de ter sempre os mesmos a mandar. Mesmo quando apenas o pescoço e só o pescoço sai da lama onde os “sempre os mesmos” nos enterraram, este povo vai continuar a votar nos mesmos. Até sufocar!

sexta-feira, novembro 18, 2005

849. Que raiva...

estou pior do que o Soares. Então não é que agora nem a Escrava Isaura consigo ver? Adormeço antes do intervalo.

PS. Cada vez que vou a um posto dos Correios tenho uma decepção. Hoje, ao entregarem-me uma encomenda, ofereceram-me também um exemplar de um boletim chamado "Info-notícias, A loja do avô". É um boletim informativo para pessoas idosas. Não, meus caros não pensem que me decepcionei por não ser o Boletim Oficial de campanha do Mário Soares. Pelo amor de Deus, eu ainda só tenho 50 anos! Vou dormir mais uma soneca e já volto.
848. Macaquinho de imitação (III)

Se ainda escrevesse e não se tivesse precipitado a escrever um epitáfio, o meu virtual amigo papo-seco hoje colocaria um postal do início/meados do século passado com o título “Porque amanhã é Sábado”. Como eu não tenho o seu bom gosto e também porque sou um amante da banda desenhada, a minha Sandes de Atum é efectivamente uma macaquice de imitação. Um abraço Tó Colante e vê lá se voltas ao Papo-seco!

Porque amanhã é Sábado

quinta-feira, novembro 17, 2005

847. Macaquinho de imitação (II)

Vou contar uma pequena história. Um dia, num encontro de bloggers uma pessoa perguntou-me qual o estilo de blogs que eu gostava mais. Eu não gosto de um estilo, gosto de muitos estilos e tive dificuldade em responder. Mas lá fui adiantando que o meu blog preferido era de uma gaja ou de um gajo que assinava como Encandescente e que tinha o melhor blog de poesia original. Algum tempo depois soube que a pessoa a quem eu tinha dado esta resposta era a própria Encandescente. Com certeza a minha imitação vai deixar muito a desejar.



No banco de trás




Abres o vidro, descobres um sapato
No outro, a melena se desgrenha ao vento
E sem soltares um ai, nem um lamento
Descobres o que antes era recato.

Pl’o para-brisas já espreita a Lua
Rasgo-te a blusa num só gesto
Esperando da tua boca um protesto
Mas fechada estava e continua.

Cai a cuequinha e do Vénus monte
Apenas a penumbra e o tacto
Percorrendo o corpo à descoberta

E já com suor molhando a fonte
Estridente alarme impede o desiderato
Porra, que deixei a porta aberta!

Foto: algures na net
846. Florinha




Este é o membro mais novo da nossa família. Foi encontrada abandonada na rua. Deveria ter sido o primeiro elemento da nossa FAT (família de acolhimento temporário), mas ainda não estamos preparados para isso. Mal a acolhemos, apaixonamo-nos por ela e não a demos a ninguém. Chama-se Flora e veio fazer companhia ao Schubert e à Yasmin.
845. Dia Mundial do Não Fumador

Definitivamente, hoje não estou num dos meus dias.

quarta-feira, novembro 16, 2005

844. Macaquinho de imitação (I)

A partir de hoje e durante alguns dias vou vestir a pele de alguns dos bloggers que mais gosto. Não lhes pedi autorização mas também não lhes vou plagiar os posts; apenas vou tentar fazer imitação. Tenho a certeza que não se vão ofender, mas se for caso disso, deixem o vosso protesto na caixa de comentários. Claro está que não deixarei de escrever os “meus” próprios posts. Sendo assim cá vai o primeiro com um beijinho para a imitada.

“Se acontecesse à Catarina o que me aconteceu hoje a mim”

Há dias do caneco. Uma gaja (quer dizer, um gajo), está a pensar que vai cegadito às compras, e começa logo a ter um dia fod*** ou isso, não escrevo o resto porque senão quando for ao sitemeter fico a contar s vezes que alguém vem aqui pesquisar a palavra fodido ou caneco. E com isto tudo já me perdi e nem tenho mais cigarros, que escrever posts às quatro da manhã não lembra nem aos melhores comentadores do mundo que são os meus e lá virá a mana dizer que eu já tenho idade para ter juízo e a estas horas devia era estar a comer bolachas de chocolate. Mas adiantes que o que me aconteceu hoje é digno de ser contado. Um gajo entra no supermercado a empurrar aqueles carrinhos de compras que para utilizar ainda esteve mais de meia hora na bicha, quer dizer na fila não vá algum daqueles imigrantes clandestinos, estou-me a cagar se não é politicamente correcto, mas a linha editorial deste blog não tem nenhuma frase sobre o que é correcto ou não, nem sei se tem linha editorial, dizia eu, imigrantes clandestinos brasileiros ler bicha e ainda pensar que um gajo esteve montado mais de meia hora numa bicha só para arranjar uma moeda de 50 cêntimos. Na fila e prontos está esclarecido. E como este post já vai longo e o meu tasco não serve para contar as desgraças da vida, só queria dizer que um gajo pensa que está cegadito e quando quer estacionar o carrinho das compras junto ao balcão do bacalhau já lá estão dois de atravessado num sítio onde à vontade cabiam 3 e mais um daqueles cestos de mão. Resumindo, não sei se hei-de alterar o template ou vir aqui amanhã quando a A5 estiver mais descongestionada. E se com este post não tiver 327 comentários dedico-me ao outro, estão a ver aquele das gajas todas juntas e quem quiser ler que se ponha na bicha. Ou fila, ca porra!
843. O meu país

Acabei de espreitar pela varanda. Uma camioneta de distribuição de gás butano (em garrafas) estacionou na minha praceta. De repente veio-me à memória aquela cena do filme “A Cidade de Deus” em que uma camioneta de distribuição de gás butano foi interceptada à entrada do bairro (ainda não se chamava Favela da Rocinha) e literalmente saqueada pelos moradores. Estamos assim atrasados, no que respeita à violência urbana, pelo menos 40 anos em relação ao Brasil. Apesar dos 9% de aumento das taxas moderadoras nas consultas de urgência, ainda prefiro viver no meu país.

terça-feira, novembro 15, 2005

842. Da justiça de cobrar impostos

Eu sou favorável à cobrança de impostos. Os modelos sociais socialistas e sociais-democratas existentes há décadas na maioria das democracias ocidentais não poderiam sobreviver sem a cobrança de impostos. A cobrança deverá ser justa, proporcional ao rendimento e combativa, isto é, não permitir fugas sejam de que cariz forem. É obrigação do cidadão, enquanto pessoa singular ou colectiva, pagar impostos. Mas o Estado também tem deveres e, ao cumprimento da cidadania vem o Estado dar o mau exemplo com o não cumprimento dos seus próprios deveres para com a população que governa. E um dos principais a que o Estado se deveria submeter era o de saber gerir os impostos que recebe. O Estado tem por obrigação prestar um serviço aos cidadãos por contrapartida dos impostos cobrados. E o que vemos em Portugal?

- 200 mil doentes em fila de espera para uma cirurgia;
- IP3, IP4 e IP5 como provavelmente as piores estradas da Europa Comunitária;
- 500 mil desempregados;
- 17 Ministros e mais toda a sua corte;
- 200 mil portugueses abaixo do limiar da pobreza;
- 2 milhões de pobres;
- Casos Casas Pias a arrastarem-se anos nos tribunais;
- 250 deputados, mais todas as máquinas partidárias ao seu serviço;
- 10 Estádios de futebol, quase todos às moscas e que custaram milhões;
- Um salário mínimo de miséria aumentado em 37 cêntimos, menos de uma bica por dia;
- Um TGV e uma OTA sem qualquer interesse público (onde estão os estudos?);
- A Banca cada vez com mais lucros e cada vez com mais negócios off-shore;
- Uma máquina administrativa antiquada, burocratizada e ineficaz;
- A Saúde e a Educação em estado de coma.
- E a agricultura? E as pescas? E o desenvolvimento industrial? E a desertificação do interior? E a política integrativa da imigração? E as Covas da Moura e os Fins-do-Mundo?

Escreveria duas páginas de post se a paciência, a minha e de quem lê, não se enchesse. O Estado com a última medida anunciada de cobrança coerciva nos salários das dívidas fiscais não está a agir como pessoa de bem. Não há equidade no método. O Estado não anunciou que as dívidas do Estado aos cidadãos seriam também pagas primeiro e só depois se o Estado achasse que tinha razão recorreria, ele próprio, aos Tribunais. O estado falou em cobrar nos salários, exactamente àqueles que, por exemplo, em sede de IRS nunca fogem ao fisco. E no salário dos banqueiros também irá cobrar todas as fugas que as instituições financeiras praticam?

segunda-feira, novembro 14, 2005

841. Os Sindicatos não têm razão?

Alguém me consegue dizer qual o ano ou anos em que a valor da inflação real verificada fosse igual ou inferior à inflação pressuposta no O.E. desse ano?

domingo, novembro 13, 2005

840. Post Dominical

Hoje é Domingo. O dia está fresco e o Sol escondido por detrás das nuvens. O passeio planeado fica comprometido e não apetece sair de casa. Os acontecimentos sucedem-se, dá-se uma das maiores procissões cristãs da história de Lisboa, Portugal venceu a Croácia em futebol sem Figo, nem Deco, os bombistas suicidas que fizeram explodir os hotéis de Amã foram identificados, a França continua a ferro e fogo, Cavaco Silva continua calado usando e abusando do chamado “tabu”, a ERC quer controlar, também, a blogosfera, já há neve na Serra da Estrela, o Ricardo não deu nenhum frango, Garcia Pereira é mais uma vez candidato a Presidente da República, vai começar mais uma 1ºCompanhia na TVI e para não ser exaustivo parece que o BCP confia mais na segurança social do estado do que a privada. Assim, haveriam temas de sobra para se reflectir por aqui, para se debater e para se comentar. Mas, ao contrário do que seria de supor e, mesmo tento em conta as referências feitas ao tempo (atmosférico, claro está) que ajudaria à escrita, dei uma volta a uma grande dúzia de blogs e é um marasmo. Parece que só se escreve durante a semana, aproveitando as horas de serviço que essas sim foram feitas para a gente actualizar os blogs. Eu associando-me ao marasmo colectivo, também não escrevo nada hoje e limito-me a contar uma anedota.

A professora pergunta ao menino Carlinhos:
- Carlinhos, qual o tempo verbal da frase: "Isto não podia ter acontecido"?
- Preservativo imperfeito, professora!

sábado, novembro 12, 2005

839. Presidentes

Digam o que disserem as sondagens, ganhe quem ganhar as eleições, o Presidente da República será sempre a segunda figura do Estado.

A primeira é, desde há muito, o presidente do Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Só em Portugal somos 6 milhões a apoiá-lo, mas consta até que tem o apoio de 14 milhões.

PS. Vá lá meu caro, agarre o Sumão até ao fim da temporada. Olhe que o miúdo dá-nos cá um jeitão.

sexta-feira, novembro 11, 2005

838. Tradição

Hoje foi à procura e encontrei todos estes provérbios populares. A maioria encontrei aqui.

Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho
No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho
S. Martinho lume, castanhas e vinho
A cada bacorinho vem seu S. Martinho
No dia de S. Martinho mata o porco e prova o vinho
Pelo S. Martinho todo o mosto é bom vinho
Pelo S. Martinho deixa a água pró moinho
Quem bebe no S. Martinho faz de velho e de menino
Queres pasmar o teu vizinho? Lavra e esterca pl’o S. Martinho
Se o Inverno não erra caminho, temo-lo pelo S. Martinho
Pelo S. Martinho assam-se as castanhas, prova-se o vinho!
De São Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o bornal.

quinta-feira, novembro 10, 2005

837. Matemática

Vou colocar um problema para vossa resolução. Se não tiver um comentário com a resposta correcta (incluindo a resolução), lá para o final da tarde colocarei aqui a solução.

Uma mãe é 21 anos mais velha do que o filho. Daqui a 6 anos a mãe terá o quíntuplo da idade do filho.
Pergunta: Onde está o pai?


Até logo.
836. A minha contribuição

Ontem precisei de fazer uma transferência bancária. Enquanto procurei os elementos das contas, lembrei-me que o poderia fazer pela Internet. Decidi, assim, activar o meu código de acesso. Pelo telefone, às ordens de uma máquina de reconhecimento de voz que me pedia soletradamente número atrás de número e repetia os códigos entendidos aos quais eu confirmava com “SIM” e “NÃO” , lá consegui chegar a bom termo. Devo ter pago uma pipa de massa pela chamada telefónica, mas só o saberei quando chegar a factura. Meia hora depois, feliz e contente, já eu estava em frente ao computador a fazer a referida transferência.

Saí para tomar café e, ao abrir a caixa de correio, reparei que tinha um aviso para levantar um livro na estação de correios. Fui lá buscar a encomenda que o carteiro não me levou a casa. Enquanto esperava, coloquei uma moeda na máquina das bebidas e tirei, eu próprio, o café.

Já que estava na rua aproveitei para ir a Lisboa tratar de uns pequenos assuntos que tinha pendentes. Verifiquei que o depósito de combustível estava quase na reserva, passei na bomba da gasolina e atestei. Passei o cartão Visa na ranhura e fiz o pagamento automático.

Passei a ponte 25 de Abril na faixa da Via Verde e estacionei calmamente num parque subterrâneo, bem perto do primeiro local onde ía. Peguei na caixa que continha o kit de instalação do ADSL e aproveitei também para ir à FNAC procurar um livro que tenho vontade de ler. Como eram apenas 3 quarteirões de distância, resolvi não tirar o carro do parque e comprei, na máquina automática, um bilhete de ida e volta de Metro. Felizmente não tive problemas pois tinha moedas suficientes para nem necessitar de troco. O livro não estava disponível, pelo que decidi mais tarde encomendá-lo via Internet.

Estava quase na hora de almoço e, depois de tantas voltas, não estava com pachorra de me sentar num restaurante, mais ainda porque nem gosto de almoçar sozinho. Fui ao Mac do Centro Comercial, fiz o pedido, recebi o tabuleiro e transportei-o à mesa. No final, como pessoa bem educada, fui despejar o lixo e coloquei o tabuleiro no local próprio.

Voltei ao parque de estacionamento, fiz pagamento automático e voltei para casa. Mal cheguei fui instalar a minha nova banda larga.

Em poucas horas fui empregado bancário, carteiro, gasolineiro, portageiro, caixa do Metro e do parque de estacionamento, empregado do café e empregado de mesa. Acabei o dia como técnico de computadores e telecomunicações.

Para mim, à parte de ter de pagar para ter exercido algumas destas profissões, nomeadamente o telefonema para a “voz” bancária e o custo da transacção electrónica no posto de combustível (para não falar do dispêndio feito em tempos com o identificador Via Verde), pareceu-me ter sido um funcionário eficiente e polivalente. A única coisa de que não me poderei queixar é de ser um dos quase 500.000 desempregados deste país. Também sou culpado!

quarta-feira, novembro 09, 2005

835. Demora

Tenho demorado algum tempo a actualizar o meu blog porque, a propósito do post anterior, tenho andado à procura de cubanos, mexicanos e porto-riquenhos de ascensão social nos EUA. Infelizmente a lista é escassa o que a torna, praticamente, sem interesse para publicação. Retomarei o meu ritmo e estilo habituais dentro em breve.

PS. O caso Larry King nunca existiu!

segunda-feira, novembro 07, 2005

834. Só a brincar…

Quando o Dr. Pacheco Pereira escreveu isto no Abrupto só podia estar a brincar.

“…e, por último, o enorme contraste entre o modo europeu de “receber” e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios, centrado no estado e no orçamento, hoje naturalmente em crise; e o modo americano que vive acima de tudo do dinamismo da sociedade que lhes dá oportunidades de emprego e ascensão social

(e eu que pensava que ele era uma pessoa assim para o sério e que nem gostasse de contar anedotas).

PS. Sublinhado por mim próprio.

domingo, novembro 06, 2005

833. Eu não sou um blogger profissional (ou notas soltas ao fim de semana)

Gosto de ler blogs e passo horas nisto, mas fico lixado da vista quando leio blogs escritos a branco em fundo preto. E fico “irritado” com os seus autores, principalmente se são bloggers de quem gosto.
(esta é uma nota dirigida a dois dos blogs que sempre leio Novos Voos e Klepsidra)

Proposta demagógica e fantasista foi como José Sócrates classificou a proposta da CGTP sobre o salário mínimo. Demagogos são, como Sócrates classifica, quase todos. Talvez seja a palavra mais utilizada pelo nosso PM. Não tem nenhum espelho lá em casa?
(esta nota é uma nota aconselhadora; pode clicar aqui Sr. PM)

Um dia destes a propósito de piadas li algures um blog que chamava mentecaptos aos que viam programas como “Os malucos do riso”. Confesso que raramente vejo, mas que estou ansioso por ver o próximo. Ela faz parte do elenco. Mente quê?
(nota para quem anda distraído, a Liliana é esta aqui.)

Sporting x Leiria
Os gajos não se calaram com levar não sei quem ao colo.
(nota para alguns lagartos de estimação)

A notícia é antiga, tem mais de dois anos, mas veio-me à memória esta semana, quando se relembrou os 250 anos do terramoto de 1755. Muito se falou se Portugal estaria preparado para outro terramoto. Em Outubro de 2003, Catalina Pestana dizia ao Expresso: “O país não está preparado para o terramoto que aí vem”. Ai não que não está. Apenas tivemos o tufão “bibi”, a tempestade tropial “ritto” e o furacão “cruz”. O poder instalado conseguiu evitar o terramoto.
(nota para todos os cientista que se dedicam ao fenómeno)

Mais uma cabala contra o FCP. O Expresso de ontem.
(não há mais notas para quem já tem excesso de liquidez)

sexta-feira, novembro 04, 2005

832. Hoje está Sol. E amanhã?

Há bastante tempo atrás, nos EUA, foi atribuído um prémio às estações de rádio ou televisão que durante um ano tivessem maior fiabilidade na previsão do estado do tempo. Quando à estação de rádio ganhadora lhe foi perguntado como é que obtinha os dados (fonte nunca referida) que lhe tinham dado tamanha vantagem em relação a todas as outras estações, a resposta foi simples:

- O tempo não muda de uma forma tão brusca que não possamos admitir que o dia seguinte seja igual ao anterior. Daí que apenas tenhamos errado quando isso não aconteceu.

A história deste truque simples (provavelmente numa época em que os satélites não existiam e a ciência não estava tão evoluída), veio-me à memória quando hoje recebi de um amigo meu a foto que a seguir publico.

“Elementar, meu caro Watson”.


quinta-feira, novembro 03, 2005

831. A investigação policial em Portugal

Admito que o Jorge Coelho esteja inocente na questão do coiso, quer dizer do xadrez. No entanto, a investigação policial no nosso país deixa muito a desejar. O PreDatado descobriu o tabuleiro em pleno quintal, junto á piscina. E nem foi preciso armar-se em paparazzi.

quarta-feira, novembro 02, 2005

830. Declaração

Soube pelos noticiários que o Governo decretou a prisão domiciliária de 2 horas por dia, a todos quantos aufiram subsídio de desemprego. Eu, abaixo assinado, declaro que apesar de estar desempregado há precisamente 1189 dias não aufiro o referido subsídio pelo que sou um Homem Livre!
829. Já não era sem tempo



Para ti minha querida virtual amiga, os meus sinceros parabéns!
828. Porque me pediram e porque sou solidário

Proximizade

Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.
827. À traição

Cheguei a casa e liguei a televisão. Andava longe de Telejornais e fiquei a saber que o governo aumentou os transportes públicos, os óleos para os carros, as taxas de juro dos empréstimos à habitação. Porra, tudo isto nas minhas costas!

terça-feira, novembro 01, 2005

826. Agradecimento

A quem se lembrou do aniversário deste blog. À Rita, à Ângela do (IN)certezas, ao Mário Almeida de A Fonte, à Monalisa do Sitio da Saudade, ao mfc do Pé de Meia, à Lena do Reciclarte, ao Jorge Morais do 6 em 1, à lu do Lugar Efémero, à mad do Aliciante, ao Luís Eduardo do Oceanus e à Dinny do Flor da Pele, ao João Pimentel Teixeira do Ma-Schamba , a todos muito obrigado. E também a todos os que por aqui vão passando e que são a razão de eu continuar a partilhar algumas ideias e muitas tolices. Bem hajam.

sábado, outubro 29, 2005

825. Sem champanhe

Vá lá bloguito fica aqui a comemorar, sossegado, os teus dois anitos de vida, que o dono vai ali passar um fim de semana prolongado e já volta. Porta-te bem.

PS. Há gasosa no frigorífico, serve-te à vontade.

quarta-feira, outubro 26, 2005

824. O inimigo do meu inimigo não é forçosamente meu amigo

Este Governo é um dos mais reaccionários que tivemos. Independentemente da razão dos grevistas escuda-se na requisição civil.
823. Baba e ranho

Hoje já me fartei de chorar. Estive a ver mais um episódio da Escrava Isaura
822. O Google mandou-os cá

Vieram à procura mas com pena minha não os pude satisfazer.

Dar um pum – pois, à vezes também acho que o meu blog não cheira assim tão bem.
Catarina frutado nua – por acaso acho que queria Furtado, já que a Catarina é fruta de mais para este escriba.
Pickles de cenoura – uma receita fácil, mas que nunca a transmiti. Segredo de gerações.
Livros de camassutra – Qual preferem? O Ilustrado?
Putas enfermeiras – Fetiches não é comigo. Puta é puta e mais nada!
Piercing no umbigo – Eu não uso, mas também não digo que desta água não beberei.
Putas pretas – Com tanta pesquisa de putas começo a desconfiar se isto é um blog ou um bordel.

terça-feira, outubro 25, 2005

821. Eu e o ... futebol.

Aqui atrasado contaram-me duas piadas. Uma era assim: Qual diferença entre uma joaninha e o Benfica? Resposta: a Joaninha tem mais pontos. A outra era que até o Tiago Monteiro tinha mais pontos do que o Benfica: Os meus amigos lagartos há uma data de tempo que não me contam piadas. Acho que não têm tanto espírito de humor como eu imaginava que tivessem.