943. Parabéns e luvas brancas, ou Mal-entendidos II
Passava o mês de Abril de 2005. Um novo Papa tinha sido escolhido num conclave de cardeais. Um antigo membro da juventude hitleriana, tinha sido eleito Papa, realçavam alguns blogs. Outros, defenderam a sua escolha como quiseram, souberam ou puderam. Outros houve que criticaram os blogs que defenderam a escolha do Papa. Mas quando li um post, que criticava os que criticavam a escolha do Papa com o argumento de que era um antigo da juventude nazi que estava a ser eleito, resolvi comentar. Quando entro numa caixa de comentários, tenho por hábito ler os comentários já apostos. Se o meu comentário não vai acrescentar nada, abstenho-me de comentar. O que está dito não precisa ser repetido. Se por acaso leio um comentário que ele próprio também merece comentário, faço-lhe referência, sendo que, por vezes, dou por mim a comentar o comentário e não o post. Sei que isto acontece a muitos leitores de blogs e não me parece que venha nenhum mal ao mundo por isso. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele ou, quem anda há chuva molha-se, são alguns ditados populares que fazem sentido em circunstâncias destas. Por outro lado, quem vai à guerra dá e leva. Mas há quem não goste de ver um comentário seu ser comentado. Do tipo, entre marido e mulher ninguém mete a colher. Partir de um comentário ao seu comentário para a ofensa gratuita é um passo curtinho do tipo quem não se sente não é filho de boa gente. E enchem-se de tal modo de razão que quando têm um blog, assim uma coisa pública, pegam nele e tocam a desancar no desgraçado que teve a ousadia de comentar um comentário seu. E depois, exigem-lhe um pedido de desculpas. Ora, tanto quanto me parece justo, e embora eu não tenha conhecimento que a Alta Autoridade para a Comunicação Social alguma vez tenha exigido a um blog para dar o mesmo realce que outro numa espécie de defesa do contraditório, dizia eu, parece-me justo que esse pedido de desculpas fosse feito num post deste blog com o mesmo realce com que foi feito o desancar no autor. O único quiproquó que me obstou em fazê-lo foi que a autora desse post me respondia no blog que comentei que não me conhecia de nenhum lado para me autorizar a comentar o seu comentário e que o meu blog não fazia parte das suas leituras. Sendo assim, qualquer pedido de desculpas públicas que eu fizesse cairia em saco roto, pois a presumível ofendida não o leria por aqui não vir. Mas, sendo eu um tipo que tem um conceito próprio de bons blogs, seja isso o que for, sempre considerei que o blog dessa pessoa era um blog para ler e continuar a ler mesmo após a tentativa de afronta. E, à socapa, sem dar a cara nem comentar, fui-lhe seguindo o percurso. Não tenho nenhum pejo em lhe dar os parabéns pelo aniversário do seu blog. Mas se ela pensar que isto é algum pedido de desculpas, pode tirar o cavalinho da chuva. Ela tem tanta razão quanto eu e eu não sou de dar o braço a torcer. Por outro lado, sei que ela nunca lerá este texto, atendendo ao que afirmou na época, pelo que estou deveras à vontade.
domingo, março 26, 2006
sábado, março 25, 2006
942. Mal entendidos
Então ele disse-me:
“… eu estava na Casa do Algarve a representar a Junta”.
“De quem é ‘A junta’ ? “ – interrompi
“daqui” – disse ele
“daqui?” –interroguei-o de novo, pensei que te referisses a Brecht ou a Beckett
Fez uma pausa e recomeçou “eu estava na Casa do Alentejo a representar a Junta”
Comecei logo a imaginar ‘A junta’ de Luís de Sttau Monteiro, encenado por Joaquim Benitez e representado por ele. Mas na verdade nem sei se o Sttau Monteiro escreveu alguma peça assim intitulada. Voltei à carga:
“seria de Sttau Monteiro?”
Eu convencido que ele estava a representar e ele convencido que eu estava a gozar com ele. Só depois ele converteu a sentença.
“eu estava na Casa do Alentejo em representação da Junta de Freguesia”
Deixei-o contar a história, mas a decepção já ninguém ma poderia tirar. Sempre o imaginei um actor.
Então ele disse-me:
“… eu estava na Casa do Algarve a representar a Junta”.
“De quem é ‘A junta’ ? “ – interrompi
“daqui” – disse ele
“daqui?” –interroguei-o de novo, pensei que te referisses a Brecht ou a Beckett
Fez uma pausa e recomeçou “eu estava na Casa do Alentejo a representar a Junta”
Comecei logo a imaginar ‘A junta’ de Luís de Sttau Monteiro, encenado por Joaquim Benitez e representado por ele. Mas na verdade nem sei se o Sttau Monteiro escreveu alguma peça assim intitulada. Voltei à carga:
“seria de Sttau Monteiro?”
Eu convencido que ele estava a representar e ele convencido que eu estava a gozar com ele. Só depois ele converteu a sentença.
“eu estava na Casa do Alentejo em representação da Junta de Freguesia”
Deixei-o contar a história, mas a decepção já ninguém ma poderia tirar. Sempre o imaginei um actor.
quinta-feira, março 23, 2006
terça-feira, março 21, 2006
segunda-feira, março 20, 2006
939. E ontem foi dia do pai
Ontem foi o dia do pai. Eu não escrevi nada neste blog que fosse uma comemoração do dia pura e simplesmente porque ontem não escrevi. Aliás ontem não fiz nada, ou melhor fiz feriado. É que sendo o dia do pai também o dia foi meu uma vez que também eu sou pai. Devem os filhos homenagear os pais neste dia porque é o dia deles, dos pais, ou devem os pais usar este dia para falar dos filhos, uma vez que eles (os pais), é que são os pais e portanto o seu próprio dia? Este dilema bloqueia-me o pensamento e desde que me lembro acho que nunca escrevi nada sobre o dia do pai. É claro que amo muito o meu pai, como tenho a certeza, pelas demonstrações do dia a dia, que os meus filhos me amam a mim. Mas escrever no dia do pai uma missiva ao meu pai sempre se me apresentou como uma impossibilidade. Por causa do dilema que supra referi. No entanto ontem como pai, pensei quão mau pai eu tenho sido. E vou confessar-vos isso com alguns exemplos. Ontem estava a ouvir um CD colocado pelo meu filho no aparelho. Tive alguma tranquilidade de espírito para lhe pergunta o nome do dito. Mas não fui capaz de lhe pedir para por o som mais alto. Outro exemplo da minha bestialidade enquanto pai é, às várias investida que ele já me fez para que eu anuía a que ele faça uma tatuagem, o não ter aproveitado o dia de ontem e como bom pai ter-lhe dito: “filho pega na trouxa e vamos lá fazer essa tatuagem. Quem sabe eu descubra alguma que goste e me tatue também”. E finalmente para demonstrar aos meus leitores que eu não mereço ter um dia do pai é a forma como trato os meus filhos em frente ao televisor. Nunca eles ouviram da minha boca a frase “toma lá o comando”.
Ontem foi o dia do pai. Eu não escrevi nada neste blog que fosse uma comemoração do dia pura e simplesmente porque ontem não escrevi. Aliás ontem não fiz nada, ou melhor fiz feriado. É que sendo o dia do pai também o dia foi meu uma vez que também eu sou pai. Devem os filhos homenagear os pais neste dia porque é o dia deles, dos pais, ou devem os pais usar este dia para falar dos filhos, uma vez que eles (os pais), é que são os pais e portanto o seu próprio dia? Este dilema bloqueia-me o pensamento e desde que me lembro acho que nunca escrevi nada sobre o dia do pai. É claro que amo muito o meu pai, como tenho a certeza, pelas demonstrações do dia a dia, que os meus filhos me amam a mim. Mas escrever no dia do pai uma missiva ao meu pai sempre se me apresentou como uma impossibilidade. Por causa do dilema que supra referi. No entanto ontem como pai, pensei quão mau pai eu tenho sido. E vou confessar-vos isso com alguns exemplos. Ontem estava a ouvir um CD colocado pelo meu filho no aparelho. Tive alguma tranquilidade de espírito para lhe pergunta o nome do dito. Mas não fui capaz de lhe pedir para por o som mais alto. Outro exemplo da minha bestialidade enquanto pai é, às várias investida que ele já me fez para que eu anuía a que ele faça uma tatuagem, o não ter aproveitado o dia de ontem e como bom pai ter-lhe dito: “filho pega na trouxa e vamos lá fazer essa tatuagem. Quem sabe eu descubra alguma que goste e me tatue também”. E finalmente para demonstrar aos meus leitores que eu não mereço ter um dia do pai é a forma como trato os meus filhos em frente ao televisor. Nunca eles ouviram da minha boca a frase “toma lá o comando”.
sábado, março 18, 2006
938. Três anos e 40 mil mortos depois...
Há três anos, ouviram-se os estrondos das primeiras bombas sobre Bagdad. As primeiras de uma nova série que deu origem à II Guerra do Golfo. Os protagonistas do ataque fizeram-no escondidos por detrás de uma mentira que eles próprios conheciam: a existência de armas de destruição maciça. As administrações americana e britânica, com o beneplácito de potências de segunda como a espanhola ou de outros que nem potencia são, como a governação portuguesa, mandaram para o inferno, um país que longe de ser um estado modelo nem uma democracia política, era um país muito melhor do que naquilo em que se transformou. Esta guerra que já provocou cerca de 40 mil mortos iraquianos e mais de 2300 soldados americanos e aliados, pôs o Iraque às portas da guerra civil, fez disparar os preços do petróleo para números nunca vistos, tornou o mundo mais perigoso. Basta contabilizar o número de atentados radicais perpetrados por esse mundo fora, desde há 3 anos para cá. Tirando a indústria da guerra parece que ninguém ficou a ganhar com ela. Entretanto o ditador Sadam Husain está a ser julgado (e assim continuará até que o envenenem na prisão, como já foi feito a outros) pelo crime de chacina de 180 iraquianos. Face aos números oficiais conhecidos de mortos provocados por esta guerra, se não fosse dramático, daria para rir. E os responsáveis por esta guerra continuam e continuarão impunes.
Há três anos, ouviram-se os estrondos das primeiras bombas sobre Bagdad. As primeiras de uma nova série que deu origem à II Guerra do Golfo. Os protagonistas do ataque fizeram-no escondidos por detrás de uma mentira que eles próprios conheciam: a existência de armas de destruição maciça. As administrações americana e britânica, com o beneplácito de potências de segunda como a espanhola ou de outros que nem potencia são, como a governação portuguesa, mandaram para o inferno, um país que longe de ser um estado modelo nem uma democracia política, era um país muito melhor do que naquilo em que se transformou. Esta guerra que já provocou cerca de 40 mil mortos iraquianos e mais de 2300 soldados americanos e aliados, pôs o Iraque às portas da guerra civil, fez disparar os preços do petróleo para números nunca vistos, tornou o mundo mais perigoso. Basta contabilizar o número de atentados radicais perpetrados por esse mundo fora, desde há 3 anos para cá. Tirando a indústria da guerra parece que ninguém ficou a ganhar com ela. Entretanto o ditador Sadam Husain está a ser julgado (e assim continuará até que o envenenem na prisão, como já foi feito a outros) pelo crime de chacina de 180 iraquianos. Face aos números oficiais conhecidos de mortos provocados por esta guerra, se não fosse dramático, daria para rir. E os responsáveis por esta guerra continuam e continuarão impunes.
quinta-feira, março 16, 2006
937. Inútil
Ao passar na loja de conveniência da estação de serviço, aqui próximo de onde moro, reparei no cartaz, “Aberto 24 horas”. Confirmei com um funcionário a veracidade da informação, tendo ficado a saber que nem na noite de Natal fecham. Interroguei-me para que é que serviria a porta ter fechadura.
*
Coloquei um autocolante na caixa do correio, há uns tempos, com a menção de que não deveriam colocar publicidade não endereçada. No dia seguinte o autocolante já lá não estava e a caixa continua inundada de prospectos publicitários.
*
Os manuais de instrução dos aparelhos que compro. Em finlandês, russo, grego, japonês, coreano, árabe, inglês, francês, castelhano. Só leio as páginas em português e tenho a certeza que pago o manual multilingue.
*
Ser cliente Netcabo da TV Cabo. Na maioria dos dias, ou não tenho net, ou se pudesse funcionar a carvão, seria mais rápida.
Ao passar na loja de conveniência da estação de serviço, aqui próximo de onde moro, reparei no cartaz, “Aberto 24 horas”. Confirmei com um funcionário a veracidade da informação, tendo ficado a saber que nem na noite de Natal fecham. Interroguei-me para que é que serviria a porta ter fechadura.
*
Coloquei um autocolante na caixa do correio, há uns tempos, com a menção de que não deveriam colocar publicidade não endereçada. No dia seguinte o autocolante já lá não estava e a caixa continua inundada de prospectos publicitários.
*
Os manuais de instrução dos aparelhos que compro. Em finlandês, russo, grego, japonês, coreano, árabe, inglês, francês, castelhano. Só leio as páginas em português e tenho a certeza que pago o manual multilingue.
*
Ser cliente Netcabo da TV Cabo. Na maioria dos dias, ou não tenho net, ou se pudesse funcionar a carvão, seria mais rápida.
quarta-feira, março 15, 2006
936. Indesculpável
Reparei agora que há quase uma semana que não boto escritura no blog. E isso é indesculpável, ou se quiserem, imperdoável. E havia tanta coisa para dizer. Habemus presidente novo, mas isso já sabíamos. Tenho andado a ler algumas recomendações para uma eventual pandemia da gripe das aves e um dos conselhos é não dar apertos de mão. O Mário Soares leu, com certeza, a mesma cartilha e não foi à sessão de cumprimentos. Por mim está desculpado. O Pinto da Costa, o tal do apito dourado (o Fernando Barata falava há uns anos atrás em relógios de ouro), parece que, segundo o Correio da Manhã, andou a fazer umas malandrices. Eu acho que é má língua. O homem é ex-seminarista. É um santo de certeza absoluta. Toda a direita elogia a política de educação do governo e a respectiva ministra. Se a direita elogia é porque está bem. Viva! Aliás não é de admirar, ainda ontem, aquele ministro do lábio saído não me lembro o nome, referia que o até o presidente do CDS aplaudia a política económica do Governo. Então se o CDS aplaude, é porque a política está certa. Qual é a dúvida? A gente é que andávamos enganados que o Governo era de esquerda. Somos uns brutos. O desemprego está a aumentar, mas temos OPAs. A confiança voltou. Os bancos têm cada vez maiores lucros. Confiemos. Parece que os desempregados é que não estão muito confiantes. Apesar disso, o Sócrates, se as eleições fossem amanhã, ganharia de novo com maioria absoluta. Vivam as sondagens. Ou então os desempregados, os funcionários públicos, os operários das fábricas que continuam a fechar a torto e a direito, e etc, para não me alongar, não têm vergonha na cara. Ai, desculpem, estava-me a esquecer de contar as intenções de voto dos velhinhos de mais de 80 anos que vão começar a receber o tal subsídio. Basta que saibam preencher vinte e cinco mil, trezentos e setenta e seis impressos. Entretanto o Benfica eliminou o Liverpool, mas não conseguiu vencer a Naval da Figueira da Foz. Já estou a ver os figueirenses a dizerem, lá com os seus botões, se fossemos ingleses, seríamos campeões na PremierShip. Qual Mourinho, qual carapuça! E para terminar é só para dizer que saúdo a Primavera por, essa sim, ser competitiva, a fazer inveja à maioria dos empresários (patrões) portugueses. Chegou antes do tempo e não fez publicidade na TV. O problema é que me obrigou a escrever este post de manga curta e em cuecas. E agora o que é que eu vou fazer ao casaco de peles. Han? Não é politicamente correcto, isso das peles? O quê? As focas e tal? Ah, está bem, desculpem…
Reparei agora que há quase uma semana que não boto escritura no blog. E isso é indesculpável, ou se quiserem, imperdoável. E havia tanta coisa para dizer. Habemus presidente novo, mas isso já sabíamos. Tenho andado a ler algumas recomendações para uma eventual pandemia da gripe das aves e um dos conselhos é não dar apertos de mão. O Mário Soares leu, com certeza, a mesma cartilha e não foi à sessão de cumprimentos. Por mim está desculpado. O Pinto da Costa, o tal do apito dourado (o Fernando Barata falava há uns anos atrás em relógios de ouro), parece que, segundo o Correio da Manhã, andou a fazer umas malandrices. Eu acho que é má língua. O homem é ex-seminarista. É um santo de certeza absoluta. Toda a direita elogia a política de educação do governo e a respectiva ministra. Se a direita elogia é porque está bem. Viva! Aliás não é de admirar, ainda ontem, aquele ministro do lábio saído não me lembro o nome, referia que o até o presidente do CDS aplaudia a política económica do Governo. Então se o CDS aplaude, é porque a política está certa. Qual é a dúvida? A gente é que andávamos enganados que o Governo era de esquerda. Somos uns brutos. O desemprego está a aumentar, mas temos OPAs. A confiança voltou. Os bancos têm cada vez maiores lucros. Confiemos. Parece que os desempregados é que não estão muito confiantes. Apesar disso, o Sócrates, se as eleições fossem amanhã, ganharia de novo com maioria absoluta. Vivam as sondagens. Ou então os desempregados, os funcionários públicos, os operários das fábricas que continuam a fechar a torto e a direito, e etc, para não me alongar, não têm vergonha na cara. Ai, desculpem, estava-me a esquecer de contar as intenções de voto dos velhinhos de mais de 80 anos que vão começar a receber o tal subsídio. Basta que saibam preencher vinte e cinco mil, trezentos e setenta e seis impressos. Entretanto o Benfica eliminou o Liverpool, mas não conseguiu vencer a Naval da Figueira da Foz. Já estou a ver os figueirenses a dizerem, lá com os seus botões, se fossemos ingleses, seríamos campeões na PremierShip. Qual Mourinho, qual carapuça! E para terminar é só para dizer que saúdo a Primavera por, essa sim, ser competitiva, a fazer inveja à maioria dos empresários (patrões) portugueses. Chegou antes do tempo e não fez publicidade na TV. O problema é que me obrigou a escrever este post de manga curta e em cuecas. E agora o que é que eu vou fazer ao casaco de peles. Han? Não é politicamente correcto, isso das peles? O quê? As focas e tal? Ah, está bem, desculpem…
quarta-feira, março 08, 2006
935. Dias Internacionais das Mulheres
Tenho de vos confessar (uma vez mais, ou não fosse este um blog intimista) que não vou muito à bola com dias internacionais. No entanto, talvez devido à sua raiz histórica, nutro uma certa simpatia, quiçá imbuída por um espírito de solidariedade, pelo Dia Internacional da Mulher. Estava a comentar o dia com a minha mulher, que por sinal também é minha esposa, passe o desgosto que dê a algum/a leitor menos possidónio, ontem ao jantar, e ela fez-me um comentário bem assertivo. “Amanhã? E hoje, não?”. E dei comigo a viajar com os meus filhos mamando nos peitos da mãe, com as fraldas trocadas, com os banhinhos dados a horas certas, com as viagens para o infantário, com as consultas de pediatria, com o jantar para 16 pessoas, com a camisa lavada, com os colarinhos passados a ferro, com o termómetro, os medicamentos, o chá, levados à cama quando a febre me chegou, com a sala aspirada, com a mesa posta, com as torradas com manteiga, com a cerveja geladinha durante o jogo do Benfica, com a bica depois do jantar, com a roupa estendida e apanhada, com a máquina da loiça cheia, com o pó limpo, com as compras do supermercado feitas, com os gatos no veterinário, com os cuidados com os pais, com as contas em ordem, com o emprego das 9 as 19, com a mala arrumada para viagem, com o beijo de boas noites. E se o dia internacional da mulher não foi ontem, não foi anteontem, não foi no dia antes de anteontem, não foi na semana passada, no mês passado, nos anos passados, se não for hoje, amanhã e depois e depois e depois… então UM dia internacional da mulher, não é justo.
Tenho de vos confessar (uma vez mais, ou não fosse este um blog intimista) que não vou muito à bola com dias internacionais. No entanto, talvez devido à sua raiz histórica, nutro uma certa simpatia, quiçá imbuída por um espírito de solidariedade, pelo Dia Internacional da Mulher. Estava a comentar o dia com a minha mulher, que por sinal também é minha esposa, passe o desgosto que dê a algum/a leitor menos possidónio, ontem ao jantar, e ela fez-me um comentário bem assertivo. “Amanhã? E hoje, não?”. E dei comigo a viajar com os meus filhos mamando nos peitos da mãe, com as fraldas trocadas, com os banhinhos dados a horas certas, com as viagens para o infantário, com as consultas de pediatria, com o jantar para 16 pessoas, com a camisa lavada, com os colarinhos passados a ferro, com o termómetro, os medicamentos, o chá, levados à cama quando a febre me chegou, com a sala aspirada, com a mesa posta, com as torradas com manteiga, com a cerveja geladinha durante o jogo do Benfica, com a bica depois do jantar, com a roupa estendida e apanhada, com a máquina da loiça cheia, com o pó limpo, com as compras do supermercado feitas, com os gatos no veterinário, com os cuidados com os pais, com as contas em ordem, com o emprego das 9 as 19, com a mala arrumada para viagem, com o beijo de boas noites. E se o dia internacional da mulher não foi ontem, não foi anteontem, não foi no dia antes de anteontem, não foi na semana passada, no mês passado, nos anos passados, se não for hoje, amanhã e depois e depois e depois… então UM dia internacional da mulher, não é justo.
sábado, março 04, 2006
934. Cinco anos depois
Há 5 anos, caía a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios. Com a queda mais de 50 mortos. Com a queda, um ministro que na verdade não tinha nada a ver com aquilo demitiu-se. Aplaudiram todos um acto nobre. Tretas. O Jorge Coelho não tendo nada a ver com aquilo, achou por bem sair de mansinho para não ter trabalho a mexer na “merda”. Chico-espertismo. Aliás, é sempre assim com os poderosos. Lembram-se do caso do semáforo do Campo Grande? Um operário da CML, jardineiro que nas horas vagas fazia uns biscates na electricidade, foi o “grande” responsável pela morte do garoto. Só não é para rir, porque houve uma morte e um condenado. Fala-se por aí que quem está na calha para ser acusado pela queda do viaduto do IC19 é um engenheiro da ex-JAE. Recorda-me uma personagem de uma comédia brasileira que passava na TV em que ela dizia, “tudo eu, tudo eu”. Vão ser julgados os 5 culpados pela queda da ponte Hintze Ribeiro. 5 Culpados 5! Tudo técnicos. Nenhum carola. Nenhum responsável político. A questão dos areeiros caiu rapidamente no esquecimento. Não há provas, não há arguidos. Também não há nenhum responsável político. Trinta anos depois da implantação da democracia em Portugal. Não me estou a rir, morreram cinquenta e seis pessoas. Não rio com a tragédia. Mas, baixinho, por dentro, rio-me da justiça. Qual justiça?
Há 5 anos, caía a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios. Com a queda mais de 50 mortos. Com a queda, um ministro que na verdade não tinha nada a ver com aquilo demitiu-se. Aplaudiram todos um acto nobre. Tretas. O Jorge Coelho não tendo nada a ver com aquilo, achou por bem sair de mansinho para não ter trabalho a mexer na “merda”. Chico-espertismo. Aliás, é sempre assim com os poderosos. Lembram-se do caso do semáforo do Campo Grande? Um operário da CML, jardineiro que nas horas vagas fazia uns biscates na electricidade, foi o “grande” responsável pela morte do garoto. Só não é para rir, porque houve uma morte e um condenado. Fala-se por aí que quem está na calha para ser acusado pela queda do viaduto do IC19 é um engenheiro da ex-JAE. Recorda-me uma personagem de uma comédia brasileira que passava na TV em que ela dizia, “tudo eu, tudo eu”. Vão ser julgados os 5 culpados pela queda da ponte Hintze Ribeiro. 5 Culpados 5! Tudo técnicos. Nenhum carola. Nenhum responsável político. A questão dos areeiros caiu rapidamente no esquecimento. Não há provas, não há arguidos. Também não há nenhum responsável político. Trinta anos depois da implantação da democracia em Portugal. Não me estou a rir, morreram cinquenta e seis pessoas. Não rio com a tragédia. Mas, baixinho, por dentro, rio-me da justiça. Qual justiça?
sexta-feira, março 03, 2006
933. Lunch Time Blog, revisitado
Não minhas amigas leitoras e meus amigos leitores não é um retorno à série. Vós sabeis quanto eu gosto de comer e quanto eu gosto de um bom vinho tinto. Os que me leram em tempos de LBT, conhecem já quase todos os meus pratos preferidos e sabem como há dois anos atrás o Schubert, sim o meu gato siamês - fica apresentado para quem o não conhece - sempre entrava nas minhas narrações. O Schubert que deveria ter ganho um Oscar como “the best performance by an actor in a supporting role”, já que o seu dono e escriba deste blog nunca foi alvo tão pouco de uma nomeação nos diversos prémios que a blogosfera distribui (já agora e de passagem, Sr. Dr. Jorge Sampaio, não sobrou nenhuma condecoração por aí, para ser atribuída ao PreDatado?), dizia eu antes do parêntesis que o Schubert continua a protagonizar um dos principais papeis durante os meus almoços. Não lhe bastava falar sozinho, comentando o que eu comia e bebia, como agora dá em interromper os meus almoços para que seja eu a acompanhá-lo ao seu comedor. E está demasiado guloso, pois já não se contenta só com a sua ração normal, exigindo também uma guloseima da Gourmet Gold. Cá para mim o tipo sabe que eu sou louco por farófias, por uma laranja da baía, por uma encharcada, por uma torta de Azeitão, por um abacate com vinho da Madeira, por uma salada de papaia e manga, por um leite creme queimado a ferro fundido, por uma mousse de chocolate com Porto. E é por isso que não se quer ficar atrás. Hoje, nem a costeleta de porco preto grelhada, com salada (alface cortada miudinha, folha de cebolinho e alho, coentros, cebola cortada fininha às rodelas e orégãos, obviamente temperada de vinagre de vinho e azeite extra), ele me deixou comer sem eu ter que o acompanhar no seu repasto. Valeu que depois me sentei, sozinho – como aliás não gosto –, a saborear um Quinta da Rigodeira, reserva de 2003, com um sabor firme que fica na boca e um aroma misto de ameixa preta e cravinho e, se a leve constipação não me deixou o nariz trair, um ligeiro toque de menta. Bendita oferta.
PS1. Aquilo da condecoração, Dr. Jorge Sampaio, era a sério. Com tanta comenda e ordem distribuída mais uma, menos uma, não lhe irá custar assim tanto. Vá, lá!
PS2. Ninguém me pagou para referir a Gourmet aqui no post. Mas se o gato gosta o que é que eu hei-de fazer?
PS3. Atendendo ao PS2, estou aberto a um patrocínio publicitário.
PS4. Um desempregado também tem o direito de comer porco preto. Ou não?
PS5. Não se admirem se não fiz referência ao sal no tempero da salada ou ao finalizar o almoço com um Delta Timor, mas faz tempo que deixei o sal e o café. Manias de hipertenso…
Não minhas amigas leitoras e meus amigos leitores não é um retorno à série. Vós sabeis quanto eu gosto de comer e quanto eu gosto de um bom vinho tinto. Os que me leram em tempos de LBT, conhecem já quase todos os meus pratos preferidos e sabem como há dois anos atrás o Schubert, sim o meu gato siamês - fica apresentado para quem o não conhece - sempre entrava nas minhas narrações. O Schubert que deveria ter ganho um Oscar como “the best performance by an actor in a supporting role”, já que o seu dono e escriba deste blog nunca foi alvo tão pouco de uma nomeação nos diversos prémios que a blogosfera distribui (já agora e de passagem, Sr. Dr. Jorge Sampaio, não sobrou nenhuma condecoração por aí, para ser atribuída ao PreDatado?), dizia eu antes do parêntesis que o Schubert continua a protagonizar um dos principais papeis durante os meus almoços. Não lhe bastava falar sozinho, comentando o que eu comia e bebia, como agora dá em interromper os meus almoços para que seja eu a acompanhá-lo ao seu comedor. E está demasiado guloso, pois já não se contenta só com a sua ração normal, exigindo também uma guloseima da Gourmet Gold. Cá para mim o tipo sabe que eu sou louco por farófias, por uma laranja da baía, por uma encharcada, por uma torta de Azeitão, por um abacate com vinho da Madeira, por uma salada de papaia e manga, por um leite creme queimado a ferro fundido, por uma mousse de chocolate com Porto. E é por isso que não se quer ficar atrás. Hoje, nem a costeleta de porco preto grelhada, com salada (alface cortada miudinha, folha de cebolinho e alho, coentros, cebola cortada fininha às rodelas e orégãos, obviamente temperada de vinagre de vinho e azeite extra), ele me deixou comer sem eu ter que o acompanhar no seu repasto. Valeu que depois me sentei, sozinho – como aliás não gosto –, a saborear um Quinta da Rigodeira, reserva de 2003, com um sabor firme que fica na boca e um aroma misto de ameixa preta e cravinho e, se a leve constipação não me deixou o nariz trair, um ligeiro toque de menta. Bendita oferta.
PS1. Aquilo da condecoração, Dr. Jorge Sampaio, era a sério. Com tanta comenda e ordem distribuída mais uma, menos uma, não lhe irá custar assim tanto. Vá, lá!
PS2. Ninguém me pagou para referir a Gourmet aqui no post. Mas se o gato gosta o que é que eu hei-de fazer?
PS3. Atendendo ao PS2, estou aberto a um patrocínio publicitário.
PS4. Um desempregado também tem o direito de comer porco preto. Ou não?
PS5. Não se admirem se não fiz referência ao sal no tempero da salada ou ao finalizar o almoço com um Delta Timor, mas faz tempo que deixei o sal e o café. Manias de hipertenso…
quinta-feira, março 02, 2006
932. E quando a gente não tem inspiração para postar...
...reconta uma velha anedota.
Carta de mulher para o marido marido
Querido,
Estou a escrever-te esta carta para dizer que vou te deixar para sempre.
Fui uma boa mulher para ti durante sete anos e não tenho nada a provar.
As duas últimas semanas foram um inferno.
O teu chefe chamou-me para dizer que te tinha demitido e isso foi a gota d´água.
Na semana passada, chegaste a casa e nem notaste que eu tinha um novo
penteado e que tinha ido à manicure.
Cozinhei a teu prato preferido e até usei uma nova lingerie.
Chegaste a casa, comeste em menos de dois minutos, foste ver a bola na TV e adormeceste no sofá.
Não me digas que me amas, nunca mais fizemos sexo.
Ou me andas a enganar ou então não me amas mais. Seja qual for o caso,
vou te deixar.
P.S. Se me quiseres encontrar, desiste. O teu irmão e eu vamos viajar para as Bahamas e casar!
Assinado: A tua Ex-mulher
-----------------------------------------------------------------------
Resposta do marido
Querida Ex-mulher,
Nada me fez mais feliz do que ler a tua carta.
É verdade que estivemos casados durante sete anos, mas dizer que foste
uma boa mulher é um exagero.
Vejo futebol para tentar não te ouvir resmungar a toda a hora. Assim não valia a pena.
Realmente reparei que tinhas um novo penteado na semana passada e a
primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Parece um homem!". Mas a minha mãe sempre me ensinou a não dizer nada que não fosse bonito.
Quando cozinhaste a minha refeição preferida, deve-me ter confundido
com o meu irmão, porque deixei de comer porco há mais de seis anos.
Fui dormir, porque reparei que a lingerie ainda tinha a etiqueta do preço. Mesmo assim ainda pensei que fosse uma coincidência o meu irmão me ter pedido emprestado 50,00 € e a lingerie ter custado 49,99 €.
Depois de tudo isto, eu ainda te amava! E achei que podíamos resolver os nossos problemas. Assim quando conferi o boletim e vi que tinha ganho o Totoloto, deixei o emprego e comprei dois bilhetes de avião para a Jamaica. Mas quando cheguei já tinhas partido.
Nada acontece por acaso. Espero que tenhas a vida com que sempre sonhaste. Ah, é verdade, o meu advogado disse-me que devido à carta que escreveste, não terás direito a nada.
P.S. Não sei se eu alguma vez te disse isto mas o Carlos, o meu
irmão, nasceu Carla. Espero que isso não seja um problema.
Assinado: Milionário e Solteiro.
...reconta uma velha anedota.
Carta de mulher para o marido marido
Querido,
Estou a escrever-te esta carta para dizer que vou te deixar para sempre.
Fui uma boa mulher para ti durante sete anos e não tenho nada a provar.
As duas últimas semanas foram um inferno.
O teu chefe chamou-me para dizer que te tinha demitido e isso foi a gota d´água.
Na semana passada, chegaste a casa e nem notaste que eu tinha um novo
penteado e que tinha ido à manicure.
Cozinhei a teu prato preferido e até usei uma nova lingerie.
Chegaste a casa, comeste em menos de dois minutos, foste ver a bola na TV e adormeceste no sofá.
Não me digas que me amas, nunca mais fizemos sexo.
Ou me andas a enganar ou então não me amas mais. Seja qual for o caso,
vou te deixar.
P.S. Se me quiseres encontrar, desiste. O teu irmão e eu vamos viajar para as Bahamas e casar!
Assinado: A tua Ex-mulher
-----------------------------------------------------------------------
Resposta do marido
Querida Ex-mulher,
Nada me fez mais feliz do que ler a tua carta.
É verdade que estivemos casados durante sete anos, mas dizer que foste
uma boa mulher é um exagero.
Vejo futebol para tentar não te ouvir resmungar a toda a hora. Assim não valia a pena.
Realmente reparei que tinhas um novo penteado na semana passada e a
primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Parece um homem!". Mas a minha mãe sempre me ensinou a não dizer nada que não fosse bonito.
Quando cozinhaste a minha refeição preferida, deve-me ter confundido
com o meu irmão, porque deixei de comer porco há mais de seis anos.
Fui dormir, porque reparei que a lingerie ainda tinha a etiqueta do preço. Mesmo assim ainda pensei que fosse uma coincidência o meu irmão me ter pedido emprestado 50,00 € e a lingerie ter custado 49,99 €.
Depois de tudo isto, eu ainda te amava! E achei que podíamos resolver os nossos problemas. Assim quando conferi o boletim e vi que tinha ganho o Totoloto, deixei o emprego e comprei dois bilhetes de avião para a Jamaica. Mas quando cheguei já tinhas partido.
Nada acontece por acaso. Espero que tenhas a vida com que sempre sonhaste. Ah, é verdade, o meu advogado disse-me que devido à carta que escreveste, não terás direito a nada.
P.S. Não sei se eu alguma vez te disse isto mas o Carlos, o meu
irmão, nasceu Carla. Espero que isso não seja um problema.
Assinado: Milionário e Solteiro.
quarta-feira, março 01, 2006
931. O meu Carnaval
Minhas amigas leitoras e meus amigos leitores peço desde já desculpa por esta minha tão prolongada ausência. Eu não sou muito carnavaleiro. Outros tempos, sim, mas não sei se é da PDI se é por ter visto a pouco e pouco o Carnaval, trapalhão e matrafono (existe o termo?) dos meus tempos de juventude se vir a transformar em desfiles pseudo sambistas que, também a pouco e pouco, eu me fui cada vez mais desligando dessas lides. Não é que eu não goste de samba, bem antes pelo contrário, mas o Carnaval não tem mais tradição no Brasil do que aqui em Portugal para que nos tenhamos transformado numa imitação barata do que se faz no outro lado do Atlântico. As nossas ruas de Ovar a Loulé, passando por Torres ou pelo Samouco e principalmente pelo Funchal transformaram-se assim numa espécie de lojas dos trezentos da Marquês de Sapucaí. Vai daí este vosso escriba quase sempre zarpa a outras paragens, que é como quem diz, retira-se de mansinho e vai curtir os corpos esculturais das morenas via TV, à lareira e com um bom vinho tinto. Este ano entre outros, degustamos um Porta Palma da região Estremenha daqui dos nosso vizinhos espanhóis, a par de alguns alentejanos cujos nomes não vos digo para não armar ao pingarelho. Mascaramos uma perna de porco com laranja e acompanhamo-la com ameixas de Elvas, pusemos uma fantasia ao grão de bico, assim como que bem arreado de chispe, de entrecosto e belos enchidos de Barrancos transformando-o num belo cozido à alentejana, os carapaus travestiram-se de gordos como se fora Verão e pintaram a cara com molho à espanhola, o churrasco misto de entremeadas e lombinhos não precisaram de protecção e fizeram um bacanal na grelha que nem vos conto, o coelho não se quis ficar atrás e despiu a pele passeando-se nu por travessas de barro mesmo sabendo que lhe tínhamos esfolado o rabo, as mousses de chocolate vieram de africano vestido pois quanto mais pretinhas mais saborosas, ao bom-bocado caseiro chamámos-lhe pastel de nata e ele sentiu-se “carnavalado” e até o molotof que devia ter saído direitinho da forma se esparramou num tabuleiro com o açúcar em ponto caramelo a gritar que é Carnaval ninguém leva a mal. Para culminar a minha Maria apagou ontem 51 velas no bolo de aniversário e mascarou-se na pessoa mais velha da família, pois o respeitinho é muito bonito. Bem, para quem não vai muito em Carnavais, tivemos transformismo q.b. e assim se faz hoje de virtual presença a minha fuga do blog. Para o ano há mais Carnaval.
Minhas amigas leitoras e meus amigos leitores peço desde já desculpa por esta minha tão prolongada ausência. Eu não sou muito carnavaleiro. Outros tempos, sim, mas não sei se é da PDI se é por ter visto a pouco e pouco o Carnaval, trapalhão e matrafono (existe o termo?) dos meus tempos de juventude se vir a transformar em desfiles pseudo sambistas que, também a pouco e pouco, eu me fui cada vez mais desligando dessas lides. Não é que eu não goste de samba, bem antes pelo contrário, mas o Carnaval não tem mais tradição no Brasil do que aqui em Portugal para que nos tenhamos transformado numa imitação barata do que se faz no outro lado do Atlântico. As nossas ruas de Ovar a Loulé, passando por Torres ou pelo Samouco e principalmente pelo Funchal transformaram-se assim numa espécie de lojas dos trezentos da Marquês de Sapucaí. Vai daí este vosso escriba quase sempre zarpa a outras paragens, que é como quem diz, retira-se de mansinho e vai curtir os corpos esculturais das morenas via TV, à lareira e com um bom vinho tinto. Este ano entre outros, degustamos um Porta Palma da região Estremenha daqui dos nosso vizinhos espanhóis, a par de alguns alentejanos cujos nomes não vos digo para não armar ao pingarelho. Mascaramos uma perna de porco com laranja e acompanhamo-la com ameixas de Elvas, pusemos uma fantasia ao grão de bico, assim como que bem arreado de chispe, de entrecosto e belos enchidos de Barrancos transformando-o num belo cozido à alentejana, os carapaus travestiram-se de gordos como se fora Verão e pintaram a cara com molho à espanhola, o churrasco misto de entremeadas e lombinhos não precisaram de protecção e fizeram um bacanal na grelha que nem vos conto, o coelho não se quis ficar atrás e despiu a pele passeando-se nu por travessas de barro mesmo sabendo que lhe tínhamos esfolado o rabo, as mousses de chocolate vieram de africano vestido pois quanto mais pretinhas mais saborosas, ao bom-bocado caseiro chamámos-lhe pastel de nata e ele sentiu-se “carnavalado” e até o molotof que devia ter saído direitinho da forma se esparramou num tabuleiro com o açúcar em ponto caramelo a gritar que é Carnaval ninguém leva a mal. Para culminar a minha Maria apagou ontem 51 velas no bolo de aniversário e mascarou-se na pessoa mais velha da família, pois o respeitinho é muito bonito. Bem, para quem não vai muito em Carnavais, tivemos transformismo q.b. e assim se faz hoje de virtual presença a minha fuga do blog. Para o ano há mais Carnaval.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
930. O Governo prepara-se para fechar 1500 escolas em Portugal
• Mais de 2,5 milhões de portugueses não possuem escolaridade mínima obrigatória.
• 20% dos portugueses possuem o 12º ano (na OCDE 65%).
• 67% dos portugueses não possuem mais de 6 anos de escolaridade.
• 9% dos portugueses têm formação superior (na OCDE 24%).
• Sem referirmos os níveis de iliteracia global, uma vez que esta tem sido classificada em capítulos específicos, sabemos que a info-iliteracia ronda os 70%.
De facto para tão fraco desempenho temos escolas a mais. Eu acho que o governo deveria era fechar todas. A sério. Ou então fazia-se um teste. Se fechando as 1500 este ano os índices no ano que vem ou, na pior das hipóteses dentro de dois anos, melhorarem, então deverão ser fechadas mais 1500 e assim sucessivamente. E ainda há por aí quem critique e quem tenha criticado as sucessivas políticas de educação dos nossos governos. Vão mas é para escola, pá. Quer dizer, se encontrarem alguma por aí, aberta.
• Mais de 2,5 milhões de portugueses não possuem escolaridade mínima obrigatória.
• 20% dos portugueses possuem o 12º ano (na OCDE 65%).
• 67% dos portugueses não possuem mais de 6 anos de escolaridade.
• 9% dos portugueses têm formação superior (na OCDE 24%).
• Sem referirmos os níveis de iliteracia global, uma vez que esta tem sido classificada em capítulos específicos, sabemos que a info-iliteracia ronda os 70%.
De facto para tão fraco desempenho temos escolas a mais. Eu acho que o governo deveria era fechar todas. A sério. Ou então fazia-se um teste. Se fechando as 1500 este ano os índices no ano que vem ou, na pior das hipóteses dentro de dois anos, melhorarem, então deverão ser fechadas mais 1500 e assim sucessivamente. E ainda há por aí quem critique e quem tenha criticado as sucessivas políticas de educação dos nossos governos. Vão mas é para escola, pá. Quer dizer, se encontrarem alguma por aí, aberta.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
929. Um dia com o Zeca

Zeca Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada. O funeral reuniu mais de 30 mil pessoas desde a Escola Secundária de S. Julião até ao cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, demorou duas horas a percorrer 1300 metros e a urna ía envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como era seu desejo.
Uma das letras/poemas que mais gosto da obra de José Afonso:
Os Eunucos
Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais.
Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos harens os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais.
Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dona a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais.
Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais.
Foto de Zeca Afonso retirada daqui.

Zeca Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada. O funeral reuniu mais de 30 mil pessoas desde a Escola Secundária de S. Julião até ao cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, demorou duas horas a percorrer 1300 metros e a urna ía envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como era seu desejo.
Uma das letras/poemas que mais gosto da obra de José Afonso:
Os Eunucos
Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais.
Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos harens os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais.
Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dona a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais.
Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais.
Foto de Zeca Afonso retirada daqui.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
928. Um post à borla, é de homem hein?
Este é um post feito sem muito trabalho. Apenas "aportuguesei" alguns termos em relação ao que recebi por e-mail. Digam lá se não é de homem publicar isto?
CURSO DE FORMAÇÃO PARA HOMENS
OBJETIVO PEDAGÓGICO: Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da
qual ignoram a existência (o cérebro).
SÃO 4 MÓDULOS.
Módulo 1: Curso (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mãe (2.000 horas)
2. A minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que quando a sua equipa perde não é a MORTE (500
horas)
Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe as suas amigas (500
horas)
3. Superar a síndrome do "o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora da sanita (1.000 horas - exercícios práticos em
vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800
horas)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a uma constipação sem agonizar (450 horas)
Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios
práticos)
Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes = os eletrodomésticos (ON/OFF =
LIGA/DESLIGA)
2. Nível 2 (avançado = a minha primeira sopa instantânea sem queimar a
panela)
3. Exercícios práticos = ferver a água antes de por o esparguete.
CURSOS COMPLEMENTARES:
POR RAZÕES DE DIFICULDADE, COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS,
OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.
1. A eletricidade e eu: vantagens económicas de contar com um técnico
competente para fazer reparações
2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem
homossexualidade (práticas em laboratório)
3. Porque não é crime presentear com flores, embora já se tenha casado com ela.
4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado da sanita?
(biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5. Como baixar a tampa da sanita passo a passo (teleconferência)
6. Porque é que não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases
intestinais (exercícios de reflexão em dupla)
7. Os homens ao volante, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou
correr o risco de parecer impotentes (testemunhos)
8. O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar
acabar com a casa.
9. A máquina de lvar roupa: esse grande mistério!!
10. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão
(exercícios com musicoterapia)
11. A chávena da bica: ela levita, indo da mesa ai lava-loiça? (exercícios
dirigidos por Mister M)
12. Analisar detalhadamente as causas anatómicas, fisiológicas e/ou
psicológicas que não permitem secar a casa de banho depois do banho.
E agora para uma grande surpresa vossa: há um ou dois items que eu dispenso no curso. Bom não exageremos, só dispenso um!
Este é um post feito sem muito trabalho. Apenas "aportuguesei" alguns termos em relação ao que recebi por e-mail. Digam lá se não é de homem publicar isto?
CURSO DE FORMAÇÃO PARA HOMENS
OBJETIVO PEDAGÓGICO: Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da
qual ignoram a existência (o cérebro).
SÃO 4 MÓDULOS.
Módulo 1: Curso (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mãe (2.000 horas)
2. A minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que quando a sua equipa perde não é a MORTE (500
horas)
Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe as suas amigas (500
horas)
3. Superar a síndrome do "o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora da sanita (1.000 horas - exercícios práticos em
vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800
horas)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a uma constipação sem agonizar (450 horas)
Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios
práticos)
Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes = os eletrodomésticos (ON/OFF =
LIGA/DESLIGA)
2. Nível 2 (avançado = a minha primeira sopa instantânea sem queimar a
panela)
3. Exercícios práticos = ferver a água antes de por o esparguete.
CURSOS COMPLEMENTARES:
POR RAZÕES DE DIFICULDADE, COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS,
OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.
1. A eletricidade e eu: vantagens económicas de contar com um técnico
competente para fazer reparações
2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem
homossexualidade (práticas em laboratório)
3. Porque não é crime presentear com flores, embora já se tenha casado com ela.
4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado da sanita?
(biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5. Como baixar a tampa da sanita passo a passo (teleconferência)
6. Porque é que não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases
intestinais (exercícios de reflexão em dupla)
7. Os homens ao volante, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou
correr o risco de parecer impotentes (testemunhos)
8. O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar
acabar com a casa.
9. A máquina de lvar roupa: esse grande mistério!!
10. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão
(exercícios com musicoterapia)
11. A chávena da bica: ela levita, indo da mesa ai lava-loiça? (exercícios
dirigidos por Mister M)
12. Analisar detalhadamente as causas anatómicas, fisiológicas e/ou
psicológicas que não permitem secar a casa de banho depois do banho.
E agora para uma grande surpresa vossa: há um ou dois items que eu dispenso no curso. Bom não exageremos, só dispenso um!
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
926. Lost in Translation
Tenho uma amiga cearense. Aliás tenho mais do que uma, mas essa aí tem um jeitinho de me deixar com a cuca fumegando. Às vezes me deixa recados tipo a zoar com minha cara. O último que a minina me deixou era isso que vocês podem ler mais abaixo. Tem por aí, alma caridosa que me ajude a traduzir? Bigadim. Um xero pra ocês.
Chico, cabra macho e bonequeiro, já melado depois de traçar um burrinho e duas meiotas , vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé de pau , quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo.
- Diabeísso!
- Vai, cú de cana! -mangou a mundiça que estava perto.
- Aí dento! -disse Chico.
Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
- É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage, - pensava ele- ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só o buraco e a catinga. Dá é gastura.
Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolé amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar.
Depois se empanzinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias.
Tenho uma amiga cearense. Aliás tenho mais do que uma, mas essa aí tem um jeitinho de me deixar com a cuca fumegando. Às vezes me deixa recados tipo a zoar com minha cara. O último que a minina me deixou era isso que vocês podem ler mais abaixo. Tem por aí, alma caridosa que me ajude a traduzir? Bigadim. Um xero pra ocês.
Chico, cabra macho e bonequeiro, já melado depois de traçar um burrinho e duas meiotas , vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé de pau , quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo.
- Diabeísso!
- Vai, cú de cana! -mangou a mundiça que estava perto.
- Aí dento! -disse Chico.
Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
- É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage, - pensava ele- ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só o buraco e a catinga. Dá é gastura.
Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolé amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar.
Depois se empanzinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
925. Não fui ao casting
Há um casting para apresentadores da RTP. Eu não fui porque me faltam alguns argumentos. Em primeiro lugar sou mais novo que a amiga Olga. Em segundo lugar sou mais pimba do que o Carlos Ribeiro. Em terceiro sou mais gordo do que o Eládio Climaco. Assim o meu êxito não estaria garantido.
Há um casting para apresentadores da RTP. Eu não fui porque me faltam alguns argumentos. Em primeiro lugar sou mais novo que a amiga Olga. Em segundo lugar sou mais pimba do que o Carlos Ribeiro. Em terceiro sou mais gordo do que o Eládio Climaco. Assim o meu êxito não estaria garantido.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
