sábado, março 18, 2006

938. Três anos e 40 mil mortos depois...

Há três anos, ouviram-se os estrondos das primeiras bombas sobre Bagdad. As primeiras de uma nova série que deu origem à II Guerra do Golfo. Os protagonistas do ataque fizeram-no escondidos por detrás de uma mentira que eles próprios conheciam: a existência de armas de destruição maciça. As administrações americana e britânica, com o beneplácito de potências de segunda como a espanhola ou de outros que nem potencia são, como a governação portuguesa, mandaram para o inferno, um país que longe de ser um estado modelo nem uma democracia política, era um país muito melhor do que naquilo em que se transformou. Esta guerra que já provocou cerca de 40 mil mortos iraquianos e mais de 2300 soldados americanos e aliados, pôs o Iraque às portas da guerra civil, fez disparar os preços do petróleo para números nunca vistos, tornou o mundo mais perigoso. Basta contabilizar o número de atentados radicais perpetrados por esse mundo fora, desde há 3 anos para cá. Tirando a indústria da guerra parece que ninguém ficou a ganhar com ela. Entretanto o ditador Sadam Husain está a ser julgado (e assim continuará até que o envenenem na prisão, como já foi feito a outros) pelo crime de chacina de 180 iraquianos. Face aos números oficiais conhecidos de mortos provocados por esta guerra, se não fosse dramático, daria para rir. E os responsáveis por esta guerra continuam e continuarão impunes.

quinta-feira, março 16, 2006

937. Inútil

Ao passar na loja de conveniência da estação de serviço, aqui próximo de onde moro, reparei no cartaz, “Aberto 24 horas”. Confirmei com um funcionário a veracidade da informação, tendo ficado a saber que nem na noite de Natal fecham. Interroguei-me para que é que serviria a porta ter fechadura.

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Coloquei um autocolante na caixa do correio, há uns tempos, com a menção de que não deveriam colocar publicidade não endereçada. No dia seguinte o autocolante já lá não estava e a caixa continua inundada de prospectos publicitários.

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Os manuais de instrução dos aparelhos que compro. Em finlandês, russo, grego, japonês, coreano, árabe, inglês, francês, castelhano. Só leio as páginas em português e tenho a certeza que pago o manual multilingue.

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Ser cliente Netcabo da TV Cabo. Na maioria dos dias, ou não tenho net, ou se pudesse funcionar a carvão, seria mais rápida.

quarta-feira, março 15, 2006

936. Indesculpável

Reparei agora que há quase uma semana que não boto escritura no blog. E isso é indesculpável, ou se quiserem, imperdoável. E havia tanta coisa para dizer. Habemus presidente novo, mas isso já sabíamos. Tenho andado a ler algumas recomendações para uma eventual pandemia da gripe das aves e um dos conselhos é não dar apertos de mão. O Mário Soares leu, com certeza, a mesma cartilha e não foi à sessão de cumprimentos. Por mim está desculpado. O Pinto da Costa, o tal do apito dourado (o Fernando Barata falava há uns anos atrás em relógios de ouro), parece que, segundo o Correio da Manhã, andou a fazer umas malandrices. Eu acho que é má língua. O homem é ex-seminarista. É um santo de certeza absoluta. Toda a direita elogia a política de educação do governo e a respectiva ministra. Se a direita elogia é porque está bem. Viva! Aliás não é de admirar, ainda ontem, aquele ministro do lábio saído não me lembro o nome, referia que o até o presidente do CDS aplaudia a política económica do Governo. Então se o CDS aplaude, é porque a política está certa. Qual é a dúvida? A gente é que andávamos enganados que o Governo era de esquerda. Somos uns brutos. O desemprego está a aumentar, mas temos OPAs. A confiança voltou. Os bancos têm cada vez maiores lucros. Confiemos. Parece que os desempregados é que não estão muito confiantes. Apesar disso, o Sócrates, se as eleições fossem amanhã, ganharia de novo com maioria absoluta. Vivam as sondagens. Ou então os desempregados, os funcionários públicos, os operários das fábricas que continuam a fechar a torto e a direito, e etc, para não me alongar, não têm vergonha na cara. Ai, desculpem, estava-me a esquecer de contar as intenções de voto dos velhinhos de mais de 80 anos que vão começar a receber o tal subsídio. Basta que saibam preencher vinte e cinco mil, trezentos e setenta e seis impressos. Entretanto o Benfica eliminou o Liverpool, mas não conseguiu vencer a Naval da Figueira da Foz. Já estou a ver os figueirenses a dizerem, lá com os seus botões, se fossemos ingleses, seríamos campeões na PremierShip. Qual Mourinho, qual carapuça! E para terminar é só para dizer que saúdo a Primavera por, essa sim, ser competitiva, a fazer inveja à maioria dos empresários (patrões) portugueses. Chegou antes do tempo e não fez publicidade na TV. O problema é que me obrigou a escrever este post de manga curta e em cuecas. E agora o que é que eu vou fazer ao casaco de peles. Han? Não é politicamente correcto, isso das peles? O quê? As focas e tal? Ah, está bem, desculpem…

quarta-feira, março 08, 2006

935. Dias Internacionais das Mulheres

Tenho de vos confessar (uma vez mais, ou não fosse este um blog intimista) que não vou muito à bola com dias internacionais. No entanto, talvez devido à sua raiz histórica, nutro uma certa simpatia, quiçá imbuída por um espírito de solidariedade, pelo Dia Internacional da Mulher. Estava a comentar o dia com a minha mulher, que por sinal também é minha esposa, passe o desgosto que dê a algum/a leitor menos possidónio, ontem ao jantar, e ela fez-me um comentário bem assertivo. “Amanhã? E hoje, não?”. E dei comigo a viajar com os meus filhos mamando nos peitos da mãe, com as fraldas trocadas, com os banhinhos dados a horas certas, com as viagens para o infantário, com as consultas de pediatria, com o jantar para 16 pessoas, com a camisa lavada, com os colarinhos passados a ferro, com o termómetro, os medicamentos, o chá, levados à cama quando a febre me chegou, com a sala aspirada, com a mesa posta, com as torradas com manteiga, com a cerveja geladinha durante o jogo do Benfica, com a bica depois do jantar, com a roupa estendida e apanhada, com a máquina da loiça cheia, com o pó limpo, com as compras do supermercado feitas, com os gatos no veterinário, com os cuidados com os pais, com as contas em ordem, com o emprego das 9 as 19, com a mala arrumada para viagem, com o beijo de boas noites. E se o dia internacional da mulher não foi ontem, não foi anteontem, não foi no dia antes de anteontem, não foi na semana passada, no mês passado, nos anos passados, se não for hoje, amanhã e depois e depois e depois… então UM dia internacional da mulher, não é justo.

sábado, março 04, 2006

934. Cinco anos depois

Há 5 anos, caía a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios. Com a queda mais de 50 mortos. Com a queda, um ministro que na verdade não tinha nada a ver com aquilo demitiu-se. Aplaudiram todos um acto nobre. Tretas. O Jorge Coelho não tendo nada a ver com aquilo, achou por bem sair de mansinho para não ter trabalho a mexer na “merda”. Chico-espertismo. Aliás, é sempre assim com os poderosos. Lembram-se do caso do semáforo do Campo Grande? Um operário da CML, jardineiro que nas horas vagas fazia uns biscates na electricidade, foi o “grande” responsável pela morte do garoto. Só não é para rir, porque houve uma morte e um condenado. Fala-se por aí que quem está na calha para ser acusado pela queda do viaduto do IC19 é um engenheiro da ex-JAE. Recorda-me uma personagem de uma comédia brasileira que passava na TV em que ela dizia, “tudo eu, tudo eu”. Vão ser julgados os 5 culpados pela queda da ponte Hintze Ribeiro. 5 Culpados 5! Tudo técnicos. Nenhum carola. Nenhum responsável político. A questão dos areeiros caiu rapidamente no esquecimento. Não há provas, não há arguidos. Também não há nenhum responsável político. Trinta anos depois da implantação da democracia em Portugal. Não me estou a rir, morreram cinquenta e seis pessoas. Não rio com a tragédia. Mas, baixinho, por dentro, rio-me da justiça. Qual justiça?

sexta-feira, março 03, 2006

933. Lunch Time Blog, revisitado

Não minhas amigas leitoras e meus amigos leitores não é um retorno à série. Vós sabeis quanto eu gosto de comer e quanto eu gosto de um bom vinho tinto. Os que me leram em tempos de LBT, conhecem já quase todos os meus pratos preferidos e sabem como há dois anos atrás o Schubert, sim o meu gato siamês - fica apresentado para quem o não conhece - sempre entrava nas minhas narrações. O Schubert que deveria ter ganho um Oscar como “the best performance by an actor in a supporting role”, já que o seu dono e escriba deste blog nunca foi alvo tão pouco de uma nomeação nos diversos prémios que a blogosfera distribui (já agora e de passagem, Sr. Dr. Jorge Sampaio, não sobrou nenhuma condecoração por aí, para ser atribuída ao PreDatado?), dizia eu antes do parêntesis que o Schubert continua a protagonizar um dos principais papeis durante os meus almoços. Não lhe bastava falar sozinho, comentando o que eu comia e bebia, como agora dá em interromper os meus almoços para que seja eu a acompanhá-lo ao seu comedor. E está demasiado guloso, pois já não se contenta só com a sua ração normal, exigindo também uma guloseima da Gourmet Gold. Cá para mim o tipo sabe que eu sou louco por farófias, por uma laranja da baía, por uma encharcada, por uma torta de Azeitão, por um abacate com vinho da Madeira, por uma salada de papaia e manga, por um leite creme queimado a ferro fundido, por uma mousse de chocolate com Porto. E é por isso que não se quer ficar atrás. Hoje, nem a costeleta de porco preto grelhada, com salada (alface cortada miudinha, folha de cebolinho e alho, coentros, cebola cortada fininha às rodelas e orégãos, obviamente temperada de vinagre de vinho e azeite extra), ele me deixou comer sem eu ter que o acompanhar no seu repasto. Valeu que depois me sentei, sozinho – como aliás não gosto –, a saborear um Quinta da Rigodeira, reserva de 2003, com um sabor firme que fica na boca e um aroma misto de ameixa preta e cravinho e, se a leve constipação não me deixou o nariz trair, um ligeiro toque de menta. Bendita oferta.

PS1. Aquilo da condecoração, Dr. Jorge Sampaio, era a sério. Com tanta comenda e ordem distribuída mais uma, menos uma, não lhe irá custar assim tanto. Vá, lá!

PS2. Ninguém me pagou para referir a Gourmet aqui no post. Mas se o gato gosta o que é que eu hei-de fazer?

PS3. Atendendo ao PS2, estou aberto a um patrocínio publicitário.

PS4. Um desempregado também tem o direito de comer porco preto. Ou não?

PS5. Não se admirem se não fiz referência ao sal no tempero da salada ou ao finalizar o almoço com um Delta Timor, mas faz tempo que deixei o sal e o café. Manias de hipertenso…

quinta-feira, março 02, 2006

932. E quando a gente não tem inspiração para postar...

...reconta uma velha anedota.


Carta de mulher para o marido marido

Querido,

Estou a escrever-te esta carta para dizer que vou te deixar para sempre.
Fui uma boa mulher para ti durante sete anos e não tenho nada a provar.
As duas últimas semanas foram um inferno.
O teu chefe chamou-me para dizer que te tinha demitido e isso foi a gota d´água.
Na semana passada, chegaste a casa e nem notaste que eu tinha um novo
penteado e que tinha ido à manicure.
Cozinhei a teu prato preferido e até usei uma nova lingerie.
Chegaste a casa, comeste em menos de dois minutos, foste ver a bola na TV e adormeceste no sofá.
Não me digas que me amas, nunca mais fizemos sexo.
Ou me andas a enganar ou então não me amas mais. Seja qual for o caso,
vou te deixar.

P.S. Se me quiseres encontrar, desiste. O teu irmão e eu vamos viajar para as Bahamas e casar!

Assinado: A tua Ex-mulher



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Resposta do marido

Querida Ex-mulher,

Nada me fez mais feliz do que ler a tua carta.
É verdade que estivemos casados durante sete anos, mas dizer que foste
uma boa mulher é um exagero.
Vejo futebol para tentar não te ouvir resmungar a toda a hora. Assim não valia a pena.
Realmente reparei que tinhas um novo penteado na semana passada e a
primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Parece um homem!". Mas a minha mãe sempre me ensinou a não dizer nada que não fosse bonito.
Quando cozinhaste a minha refeição preferida, deve-me ter confundido
com o meu irmão, porque deixei de comer porco há mais de seis anos.
Fui dormir, porque reparei que a lingerie ainda tinha a etiqueta do preço. Mesmo assim ainda pensei que fosse uma coincidência o meu irmão me ter pedido emprestado 50,00 € e a lingerie ter custado 49,99 €.

Depois de tudo isto, eu ainda te amava! E achei que podíamos resolver os nossos problemas. Assim quando conferi o boletim e vi que tinha ganho o Totoloto, deixei o emprego e comprei dois bilhetes de avião para a Jamaica. Mas quando cheguei já tinhas partido.

Nada acontece por acaso. Espero que tenhas a vida com que sempre sonhaste. Ah, é verdade, o meu advogado disse-me que devido à carta que escreveste, não terás direito a nada.


P.S. Não sei se eu alguma vez te disse isto mas o Carlos, o meu
irmão, nasceu Carla. Espero que isso não seja um problema.

Assinado: Milionário e Solteiro.

quarta-feira, março 01, 2006

931. O meu Carnaval

Minhas amigas leitoras e meus amigos leitores peço desde já desculpa por esta minha tão prolongada ausência. Eu não sou muito carnavaleiro. Outros tempos, sim, mas não sei se é da PDI se é por ter visto a pouco e pouco o Carnaval, trapalhão e matrafono (existe o termo?) dos meus tempos de juventude se vir a transformar em desfiles pseudo sambistas que, também a pouco e pouco, eu me fui cada vez mais desligando dessas lides. Não é que eu não goste de samba, bem antes pelo contrário, mas o Carnaval não tem mais tradição no Brasil do que aqui em Portugal para que nos tenhamos transformado numa imitação barata do que se faz no outro lado do Atlântico. As nossas ruas de Ovar a Loulé, passando por Torres ou pelo Samouco e principalmente pelo Funchal transformaram-se assim numa espécie de lojas dos trezentos da Marquês de Sapucaí. Vai daí este vosso escriba quase sempre zarpa a outras paragens, que é como quem diz, retira-se de mansinho e vai curtir os corpos esculturais das morenas via TV, à lareira e com um bom vinho tinto. Este ano entre outros, degustamos um Porta Palma da região Estremenha daqui dos nosso vizinhos espanhóis, a par de alguns alentejanos cujos nomes não vos digo para não armar ao pingarelho. Mascaramos uma perna de porco com laranja e acompanhamo-la com ameixas de Elvas, pusemos uma fantasia ao grão de bico, assim como que bem arreado de chispe, de entrecosto e belos enchidos de Barrancos transformando-o num belo cozido à alentejana, os carapaus travestiram-se de gordos como se fora Verão e pintaram a cara com molho à espanhola, o churrasco misto de entremeadas e lombinhos não precisaram de protecção e fizeram um bacanal na grelha que nem vos conto, o coelho não se quis ficar atrás e despiu a pele passeando-se nu por travessas de barro mesmo sabendo que lhe tínhamos esfolado o rabo, as mousses de chocolate vieram de africano vestido pois quanto mais pretinhas mais saborosas, ao bom-bocado caseiro chamámos-lhe pastel de nata e ele sentiu-se “carnavalado” e até o molotof que devia ter saído direitinho da forma se esparramou num tabuleiro com o açúcar em ponto caramelo a gritar que é Carnaval ninguém leva a mal. Para culminar a minha Maria apagou ontem 51 velas no bolo de aniversário e mascarou-se na pessoa mais velha da família, pois o respeitinho é muito bonito. Bem, para quem não vai muito em Carnavais, tivemos transformismo q.b. e assim se faz hoje de virtual presença a minha fuga do blog. Para o ano há mais Carnaval.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

930. O Governo prepara-se para fechar 1500 escolas em Portugal

• Mais de 2,5 milhões de portugueses não possuem escolaridade mínima obrigatória.
• 20% dos portugueses possuem o 12º ano (na OCDE 65%).
• 67% dos portugueses não possuem mais de 6 anos de escolaridade.
• 9% dos portugueses têm formação superior (na OCDE 24%).
• Sem referirmos os níveis de iliteracia global, uma vez que esta tem sido classificada em capítulos específicos, sabemos que a info-iliteracia ronda os 70%.

De facto para tão fraco desempenho temos escolas a mais. Eu acho que o governo deveria era fechar todas. A sério. Ou então fazia-se um teste. Se fechando as 1500 este ano os índices no ano que vem ou, na pior das hipóteses dentro de dois anos, melhorarem, então deverão ser fechadas mais 1500 e assim sucessivamente. E ainda há por aí quem critique e quem tenha criticado as sucessivas políticas de educação dos nossos governos. Vão mas é para escola, pá. Quer dizer, se encontrarem alguma por aí, aberta.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

929. Um dia com o Zeca




Zeca Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada. O funeral reuniu mais de 30 mil pessoas desde a Escola Secundária de S. Julião até ao cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, demorou duas horas a percorrer 1300 metros e a urna ía envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como era seu desejo.

Uma das letras/poemas que mais gosto da obra de José Afonso:

Os Eunucos

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais.

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos harens os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais.

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dona a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais.

Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais.



Foto de Zeca Afonso retirada daqui.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

928. Um post à borla, é de homem hein?

Este é um post feito sem muito trabalho. Apenas "aportuguesei" alguns termos em relação ao que recebi por e-mail. Digam lá se não é de homem publicar isto?


CURSO DE FORMAÇÃO PARA HOMENS

OBJETIVO PEDAGÓGICO: Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da
qual ignoram a existência (o cérebro).

SÃO 4 MÓDULOS.

Módulo 1: Curso (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mãe (2.000 horas)
2. A minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que quando a sua equipa perde não é a MORTE (500
horas)

Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe as suas amigas (500
horas)
3. Superar a síndrome do "o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora da sanita (1.000 horas - exercícios práticos em
vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800
horas)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a uma constipação sem agonizar (450 horas)

Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios
práticos)

Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes = os eletrodomésticos (ON/OFF =
LIGA/DESLIGA)
2. Nível 2 (avançado = a minha primeira sopa instantânea sem queimar a
panela)
3. Exercícios práticos = ferver a água antes de por o esparguete.

CURSOS COMPLEMENTARES:
POR RAZÕES DE DIFICULDADE, COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS,
OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.

1. A eletricidade e eu: vantagens económicas de contar com um técnico
competente para fazer reparações
2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem
homossexualidade (práticas em laboratório)
3. Porque não é crime presentear com flores, embora já se tenha casado com ela.
4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado da sanita?
(biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5. Como baixar a tampa da sanita passo a passo (teleconferência)
6. Porque é que não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases
intestinais (exercícios de reflexão em dupla)
7. Os homens ao volante, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou
correr o risco de parecer impotentes (testemunhos)
8. O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar
acabar com a casa.
9. A máquina de lvar roupa: esse grande mistério!!
10. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão
(exercícios com musicoterapia)
11. A chávena da bica: ela levita, indo da mesa ai lava-loiça? (exercícios
dirigidos por Mister M)
12. Analisar detalhadamente as causas anatómicas, fisiológicas e/ou
psicológicas que não permitem secar a casa de banho depois do banho.



E agora para uma grande surpresa vossa: há um ou dois items que eu dispenso no curso. Bom não exageremos, só dispenso um!
927. Vai lá vai... até a barraca abana





Só mesmo por intermédio dessa porquinha que é a São, se podem descobrir coisas destas. Mas eu vou fazer o meu papel: ide-vos aqui.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

926. Lost in Translation

Tenho uma amiga cearense. Aliás tenho mais do que uma, mas essa aí tem um jeitinho de me deixar com a cuca fumegando. Às vezes me deixa recados tipo a zoar com minha cara. O último que a minina me deixou era isso que vocês podem ler mais abaixo. Tem por aí, alma caridosa que me ajude a traduzir? Bigadim. Um xero pra ocês.

Chico, cabra macho e bonequeiro, já melado depois de traçar um burrinho e duas meiotas , vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé de pau , quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo.
- Diabeísso!
- Vai, cú de cana! -mangou a mundiça que estava perto.
- Aí dento! -disse Chico.

Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
- É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage, - pensava ele- ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só o buraco e a catinga. Dá é gastura.
Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolé amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar.
Depois se empanzinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

925. Não fui ao casting

Há um casting para apresentadores da RTP. Eu não fui porque me faltam alguns argumentos. Em primeiro lugar sou mais novo que a amiga Olga. Em segundo lugar sou mais pimba do que o Carlos Ribeiro. Em terceiro sou mais gordo do que o Eládio Climaco. Assim o meu êxito não estaria garantido.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

terça-feira, fevereiro 14, 2006

923. Se o Valentim incomoda muita gente, o santo não tem culpa nenhuma

Parece que toda a gente comemora o dia dos namorados. Eu não tenho nada contra mas também não tenho nada a favor. É que eu decidi que esta semana seria a minha semana de namorar com a menina álgebra. Assim, desde ontem que me deito com as equações lineares, que ando abraçado com os números complexos. Felizmente estou bem de saúde e ao contrário dos gajos da minha idade ainda não sofro das matrizes. Eu sei que dentro do meu espacinho linear vale tudo, mas se a função for contínua há uma grande probabilidade de a integrar. Sendo que me suporto bem em bases ortogonais e que não linearizo as funções, se a semana for determinante pode ser que eu tenha o meu valor próprio e não me assemelhe a nenhum polinómio característico. Por isso meu querido Valentim, eu sei que tu és santo, manda-me umas hermetianas e se não forem estas que sejam anti-hermetianas que eu também não me importo. Se elas puderem vir numa caixinha de chocolates melhor que eu estou a passar-me dos carretos e ficar quase em forma canónica. E se me quiseres comentar, comenta, mas não me classifiques as quadráticas que isso eu não suporto.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

922. Habituados

Para escrever um post quase tudo poderia servir. Uma fotografia, um poema, uma história, um comentário político, uma dissertação sobre o desempenho do Governo ou sobre o penalti que foi e não devia ter sido ou vice-versa, uma anedota bem contada, um cartoon ou tudo isso misturado e quiçá exacerbado, apaixonado ou apimentado. E é de facto com uma ou mais destas coisas que normalmente lido para poder dar uma opinião ou, simplesmente, por puro entretenimento. Mas confesso que o que me dá mais gozo tratar é de uma observação. De algo do dia a dia, de algo que vejo com esmerada atenção e depois construo sobre o observado uma ficção, uma crítica, uma reflexão ou uma pura e despretensiosa descrição. E é a partir deste especial gosto que constato que poucas vezes o faço. E também penso porque é que não elaboro mais vezes textos sobre o quotidiano, sobre aquilo que nos rodeia. Hoje, quando acordei e abri a janela reparei que toda o vale à frente dos meus olhos estava coberto de nevoeiro e que ao longe a serra aparecia nítida. Não me dei ao trabalho de me interrogar nem sobre o porquê do fenómeno físico observável, nem de o ficar a absorver por mais uns minutos e contemplar a maravilhosa natureza que me entrava em casa. Saí dali para entrar na rotina. Acho que é por já estar costumado. Nós os adultos, na generalidade estamos “habituados”. Pouca coisa observamos do que nos rodeia, pura e simplesmente porque já as vimos, já nos encontramos com elas, já trocamos olhares tantas vezes que nos alheamos do mundo. Não todos, obviamente, mas tive o cuidado de dizer, a generalidade. E acabo por sentir saudades do meu tempo de criança. Na época em que eu olhava, perguntava o que era e queria saber porquê.

sábado, fevereiro 11, 2006

921. Sons da lusofonia

Umas das minhas leitoras e comentadoras ofereceu-me ontem um belíssimo disco Lisboa@com.fusion . Sons da lusofonia. Poderão ler um resumo aqui ou aqui. Uma surpresa para mim, Lura Pena, a cantar a Rosinha dos Limões. Simplesmente divinal. Se não fosse publicidade não paga a uma certa editora eu dir-vos-ia para comprarem.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

920. Coleccionismo

Nunca tive espírito de coleccionador. Quando pensava guardar alguma coisa era mais com vontade recolectora, do tipo até era giro fazer colecção, mas não tenho pachorra. Foi assim com postais ilustrados dos quais, os portugueses, dei ao meu filho para um trabalho escolar quando ele ainda andava na primária, com as moedas – tenho muitas acreditem – desorganizadas do centavo ao conto de reis, com os selos, sem vontade nenhuma de os despegar dos pedaços de envelope onde estão agarrados, com as canetas, as caixas de fósforo, os pacotes de açúcar (estes todos com o açúcar ainda dentro), os calendários de bolso, os autocolantes. Cada coisa destas faz-me lembrar uma situação, uma cena, uma passagem de vida. Os autocolantes, esses então lembram-me lutas antigas, activismos exacerbados, convívios e vivências que não se poderão repetir. Quando o Tócolante criou o blog, primeiro serviu-me para comparar “olha, este também tenho”, depois, aos poucos, como a colecção dele é uma verdadeira colecção e não tem nada a ver com o meu ajuntamento, para me ajudar a reviver algumas fases pelas quais também passei e que quase já estavam esquecidas. O Tócolante faz hoje um ano, ao seu autor os meus agradecimentos e os meus parabéns.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

919. Serviço Informativo

Informam-se todos quantos aqui vêm que já podem também passar a ir ali. O PreDatado, continuando aqui, vai passar a estar três vezes por semana. Informa-se também que as minhas amigas e os meus amigos de , estão orgulhosos e sentem-se muito honrados com a minha presença. Finalmente informa-se também que o PreDatado é um gajo muito modesto.
918. É tão bom ser rico

Acabei de ouvir na televisão um senhor chamado Carlos Barbosa, creio que dirigente da Federação Portuguesa de Automobilismo, dizer que ainda há hipóteses do Rally de Portugal este ano integrar o campeonato do mundo de ralies. Isto porque o Japão, leram bem, o Japão, devido às dificuldades financeiras que atravessa não está em condições de realizar o seu rally. Ai como é bom viver num país rico assim.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

917. A Regra dos Quatro

Pois é maria, eu sou destas coisas, lançam-me os desafios e eu não resisto. E além disso o prometido é devido. Vou expor os quatro, assim como quem perde os três.

Quatro empregos que já tive na vida:
1. Paquete numa loja de confecções – davam-me um jeitão as gorjetas; o meu ordenado eram 300 paus por mês.
2. Oficial da marinha mercante – infelizmente não foi em nenhum paquete.
3. Professor de matemática – mas não ía ao pacote aos alunos.
4. Director de informática – acho que foi aqui que me foram ao pacote.

Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:
Vou tão poucas vezes ao cinema que já nem me lembro dos títulos. Mas alguns dos que mais me marcaram foram:
1. Lenny de Bob Fosse
2. A Lista de Schindler do inevitável Spielberg
3. A Escolha de Sofia de Alan Pakula (vou dizer uma coisa muito séria; vi este filme uma única vez e impressionou-me tanto, mas tanto que jurei nunca mais o ver na minha vida)
4. Garganta Funda de Gerard Damiano, se não me falha a memória, o primeiro filme pornográfico que vi.

Quatro sítios onde vivi:
1. Pombal, não esse Pombal da auto-estrada A1, mas o Pombal em Almada, os meus primeiros passos, os meus primeiros amigos, os meus primeiros livros, os meus primeiros pontapés na bola.
2. Pragal, que não é terra de pragas… ou será que Fernão Mendes Pinto o é?
3. Miratejo, entre o negro e o branco, todos diferentes, todos margem sul, yeah.
4. Ainda não há, mas já reservei uma assoalhada no cemitério de Vale Flores.

Quatro séries televisivas que não perco:
Se há coisas da TV que me chateiam, são as séries. Nunca consigo seguir uma série, vejo episódios avulsos. Vi alguns de:
1.Os Sopranos
2.Crime na pensão Estrelinha
3.Os malucos do circo
4. A Escrava Isaura

Quatro sítios onde estive de férias:
Tenho para mim que os lugares que vou escrever cheiram a pretensiosismo; mas não é verdade, foram locais que gostei e que repetiria com a maior das boas vontades. Na verdade, alguns já repeti.

1. Viena
2. Londres
3. Paris
4. Ilha do Mel, PR, Brasil

Quatro dos meus pratos preferidos:
1. Favas com entrecosto e chouriços
2. Sardinha assada na brasa
3. Cozido de grão à alentejana
4. Sopa de peixe.
Experimentem moer na hora um pouco de pimenta preta sobre a sopa de peixe e depois contem-me. Actualmente como isto tudo sem sal. É uma questão de hábito.

Quatro Websites que visito diariamente:
1. Canal de Negócios – assim como assim vou vendo como é que enterrei a massa.
2. A Bola – embora resumidos, os conteúdos ainda não são pagos.
3. Expresso/Emprego – acreditam que em 4 anos de respostas a anúncios ainda não consegui nem um part-time?
4. Olhem ali para a direita: eu leio todos os links diariamente.

Quatro sítios onde gostaria de estar agora:
1. A trabalhar
2. De férias nas Seychelles (um sonho antigo)
3. A dar uma queca
4. A dormir, pois acabei de almoçar e estou cá com um soninho que nem vos conto.
(Este strip-tease foi feito às duas da tarde, mas depois de escrever, esqueci-me de postar)

Quatro bloggers Femininos,que desafio a fazer este questionário:
1. Mad
2. Encandescente
3. Maria Odila
4. Maria

Quatro bloggers Masculinos,que desafio a fazer este questionário:
1. JPT
2. Marinho
3. José Quintas
4. João Espinho
916. Excentricidades

O T.O.M. e a aNa desafiaram-me a contar aqui algumas das minhas excentricidades. Para ser mais preciso, 5 delas na continuação de uma corrente de confissões que se transmite na blogosfera livre e independente. Ora sendo eu um rapazinho de muitas virtudes e poucos defeitos, poder-se-íam incluir essas excentricidades no conjunto dos defeitos ou intersectar este subconjunto com o inicial, o das virtudes, pois nem toda a excentricidade tem forçosamente que ser um defeito. Na realidade temo que o subconjunto das excentricidades venha a dar um conjunto vazio e assim defraudar as expectativas de quem me desafiou e pior, as minhas, chegando à conclusão que ou eu não sou um excêntrico, ou não tenho a mínima capacidade introspectiva para me descobrir. A não ser que se considere excêntrico um tipo que em casa, nas reuniões familiares mais intimas, onde não se discutindo o estado da nação, se conjectura o futuro próximo, o faça sempre à luz da formulação de uma teoria matemática, utilizando umas vezes as séries de Euler, outras as de Fourrier e não poucas vezes trazendo à liça os clássicos como Aristóteles ou Arquimedes, como daquela vez em que se debatia se era mais confortável um homem usar slips ou cuecas tipo boxer. Não vejo que um tipo que todas as noites, impreterivelmente às 4 da manhã, acorde e acenda um cigarro e o vá fumar para a varanda em cuecas, seja Verão ou seja Inverno possa ser considerado um excêntrico. Quanto muito um viciado. Quanto ao não abdicar de dar uma queca em cima do poço, outra na rede, outra na mesa de ping-pong, na banheira de hidromassagens ou no elevador, não tem nada de excentricidade. Excêntrico sim era um amigo meu que o fazia em cima de uma bicicleta. Excêntrico e arrojado visto que a bicicleta que ele usava não tinha aquelas duas rodinhas de trás que as criancinhas usam e portanto estava sujeito a malhar com os cornos no chão. Também não estou a ver auto proclamar-me excêntrico apenas porque tenho uma parte da minha biblioteca na casa de banho. Aliás é um dos locais onde se lê mais tranquilamente e cada um sabe de si e mais nada. Finalmente ter doze pares de chinelos e oito pares de pantufas, 16 pares de ténis, e 4 pares de sapatos pretos todos iguais em formato e até em atacadores e gostar de usar jeans com ténis, camisa, gravata e blusão de cabedal, não me parece poder ser considerado excêntrico. A não ser que uma vez por outra eu troque o blusão de cabedal por um pullover de malha, para disfarçar ou que mude de atacadores de vez em quando. E como o texto já vai longo e não consegui detectar nenhuma excentricidade com interesse em relatar, desisto e passo a bola aos seguintes leitores deste espaço, esses sim capazes de nos surpreenderem. O Mário Almeida, a Karla, o Branco, a joiinha e o Alexandre.

PS. Se um dia eu descobrir uma excentricidade minha, prometo-te, TOM, que voltarei aqui para descrever.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

915. Chamas e botijas

O meu isqueiro tem chama. Aliás tem mil antes de se extinguir. O meu isqueiro tem mais chama do que eu. Porque o meu isqueiro dá mil chamas em 2 meses. Eu não consigo acender mil chamas em dois meses. Mil chamas em dois meses são 500 chamas por mês. 500 chamas por mês, são quase 20 chamas por dia. Meus caros amigos e principalmente minhas caras amigas, eu não tenho esse gás. Sei que vocês, estão decepcionad@s comigo (este @ dá muito jeitinho). Mas um homem não é uma botija. Bem sei que pensam que basta um clique. Mas não é verdade, isso só se passa com os isqueiros. Pois!, dirão vocês, apenas para me consolar. Pois! direi eu, para quem o carregar no botão não é suficiente. Eu até diria, se não fosse para me gabar, que quando me carregam no botão, que é como quem diz, quando me dão um clique, eu teria gás para mais do que uma chama. Isso não é nenhuma oxaria, poderão tod@s vós pensar (outra vez o bendito @). Mas eu até acho que sim. Acredito até, que muitos dos que me lêem, por muito esforço que façam, não conseguem acender mais do que uma chama por dia. Nem precisam de confessar nem de vir para aqui com gabarolices porque a verdade é como azeite, vem sempre ao de cima. Eu bem leio os vossos blogs. É por isso que hoje me apetece fazer-vos um desafio. Se algum/a (aqui usei a “/” que também dá um jeitão, para abreviar) de vós estiver com disposição de me fazer acender mais do que uma chama por dia e acharem que me conseguem transformar em isqueiro, tentem. Não se acanhem. Eu vou ali à botija recarregar e já volto. Entretanto, me liga, vá!

PS. Eu não sei muito bem classificar as figuras de estilo. Não sei se é uma alegoria, se uma parábola ou uma hipérbole. Mas para que não fiquem dúvidas a chama aqui é o post. Sim o texto no blog. Estavam a pensar o quê?

domingo, fevereiro 05, 2006

914. Discussões, Fé e Viva o Benfica

O meu blog não discute os cartoons anti-islâmicos. Não o faz porque, tal como todos aqueles que se apressaram a pedir desculpa aos islamitas por na Europa ocidental haver liberdade de expressão, tal como eles, dizia eu, este blog tem medo.

O meu blog não discute o casamento entre homossexuais. Não o faz porque não é parte interessada, não é constitucionalista, não é jurista e porque é casado.

O meu blog não discute o processo de entre-os-rios. Não o faz porque não é engenheiro civil e principalmente porque não é areeiro. E como nenhum areeiro está implicado, estão a ver não é?

O meu blog não discute a problemática socio-fezada do euromilhões. Não o faz porque ao contrário da maioria do país, sim dessa mesma maioria que fez de Cavaco Silva o nosso próximo presidente, mas isso este blog não discute, este blog investe mais na educação dos filhos do que no euromilhões. Assim como assim, este blog tem mais fé noutras coisas.

O meu blog não discute a questão das secretas paralelas. E não o faz porque tem a certezinha absoluta (50 anos são muita vida não são?) que mais dia, menos dia o jornalista da Visão vai ficar caladinho lá no seu buraquinho (ó Felícia Cabrita, explica lá a este teu colega como é que se mete o rabinho entre as pernas, vá) e esta história ficará toda em águas de bacalhau.

O meu blog tem outras fés e por isso vai discutir o título até ao fim. E vai discutir porque tem fé em que:
- Pinto da Costa vá preso antes do campeonato acabar.
- Soares Franco levará o Sporting à falência e o seu clube fechará as portas antes do campeonato acabar.
- Os jogadores do Nacional vão estar 3 semanas de caganeira e vão perder 3 jogos por falta de comparência.
- O Jesualdo Ferreira vá dar a mesma barraca que deu no final da época passada.
- O Ronald Koeman vá ser despedido.

Haja Fé!

PS. Não sei se hei-de terminar com Amén ou com Oxalá.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

913. Parabéns!

O meu puto sempre gostou de grupos. Como irradia simpatia onde quer que esteja é fácil para ele cativar amigos. Dos que me lembro, tem um grupo de amigos que com ele faziam grafitti e assistiam aos concertos punk-hardcore com aquelas calças largas à skater e camisolas compridas e um boné com a pala mais ou menos de lado. Tem um grupo dos amigos da praceta, esse que mantém há largos anos, que cresceu com ele, com quem ele jogava á bola aqui na calçada e que são os mesmo que se juntam para ver os Benficas-Sportings de alternadas boas e más memórias para uns e outros. Tem o grupo dos amigos da escola, ou vários grupos, pois tendo passado por escolas diferentes, foi criando boas cumplicidades. Tem o grupo dos que com ele partilham poemas e músicas que se juntam para umas cantigas ou para um show dos squarl. Hoje entrou para um novo grupo. Para o grupo dos que a partir de agora já podem conduzir camiões. Não que o João Pedro tenha tirado a carta de pesados. Não é isso. O João Pedro completa hoje 21 anos. Está um homem!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

912. Picante

Ela queixou-se ao marido de que andava com uma crise de hemorróidas como nunca na vida tinha tido. O marido, que nunca conhecera uma lamúria sobre enfermidades da mulher, ficou preocupado com aquela confissão. Havia mais de seis meses que eram casados e tal como em solteiro nunca tinha tido a coragem de lhe sugerir fazerem sexo anal. Ele tinha preconceitos, que lhe advinham de uma educação super conservadora nos melhores colégios de orientação religiosa, para abertamente lhe falar que esse era um dos seus desejos secretos. Mas um dia teria de lho dizer. De repente, aquela confissão soava-lhe como se estivesse a ouvir o barulho do desmoronar de uma muralha. Começou a pensar o que poderia, à mulher, ter-lhe passado pela cabeça para lhe confessar um problema que ela própria poderia resolver sozinha, ou com a ajuda de um bom especialista. Seria que ela andaria com o mesmo tipo de pensamentos mas que, tal como ele, consideraria também que o sexo anal era ainda um tabu? Mas se assim fosse porque não abordar a questão por um outro prisma em vez de lhe falar em crise hemorroidal? Seria que o tão propalado sexto sentido feminino lhe tivesse lido os pensamentos e que isto não passasse de uma velada desculpa para que ele se não adiantasse. Mas como seria possível esse tipo de pensamento se ele nunca se tinha insinuado antes? Ele olhou-a nos olhos, colocou com a ajuda da faca um pouco mais do delicioso coelho à caçadora que ela mesmo tinha preparado e levou-o à boca.
Delicioso! Primeiro pensou e depois exclamou-o. De repente um ligeiro formigueiro atacou-lhe a língua e de seguida o palato. E toda a luxúria que havia imaginado, o sexo anal que tinha pensado que ela pensou que ele estaria a pensar, e de que as hemorróidas não seriam mais que um pretexto, embora efémero para o seu adiamento, se desvaneceu numa constatação culinária. Querida, tem mais cuidado com a forma como usas os temperos!

terça-feira, janeiro 31, 2006

911. O coiso do apito

Às vezes, quando a paciência está em stand-by, vejo na televisão aqueles coisos de opinião sobre futebol. Normalmente um coiso qualquer entrevista outros coisos que são “representantes” dos três principais emblemas do país. Quando acabo de ver um desses programas teço os mais desbragados elogios à minha pachorra e fico com a sensação que ela, a paciência, era digna de receber a ordem do infante. Mas adiante que estas ordens são para outros coisos. Nesses programas um coiso de um clube consegue ver um empurrão que ninguém vê a um jogador da sua cor e não vê um empurrão tão ou mais flagrante ao avançado-coiso da cor adversária. O coiso da outra cor vê um penalty sobre o ponta-de-coisa da sua cor, mas não consegue ver um penalty igual ou semelhante sobre um centro-qualquer-coisa da equipa rival e por aí fora. E depois, como se fossemos todos uns coisinhos concluem que é por essas e por outras que ser árbitro é muito difícil.
O tanas! digo eu que sou apenas um coiso qualquer nestas análises futebolesas. Difícil é ser médico, é ser engenheiro, é ser matemático. Onde têm de se conhecer leis, fórmulas, saber fazer cálculos, conhecer as entranhas da gente. Difícil é ser servente de pedreiro, carregar a ombros baldes de cimento e pilhas de tijolos. Difícil é ser muita coisa, mas não é com certeza ser coiso do apito. Estes coisos têm de aprender apenas 17 leis, leram bem, 17. Nem mais uma, nem mais outra. E têm de manter uma condição física necessária para acompanhar as jogadas. Mas isso é treino, não é conhecimento. Difícil pode ser ter de ser professor de educação física e ministrar um treino adequado a cada um destes coisos. Mas ser o tal coiso do apito é muito fácil. O que lhes falta é capacidade para aprenderem ou aplicarem 17 leis. 17. Nem mais uma, nem mais outra.

PS. Destas 17 leis, a lei 1 é sobre as dimensões do campo. O árbitro limita-se a certificar-se (não sei se efectivamente o faz) que as dimensões estão dentro dos limites mínimos. Nunca vi nenhum árbitro fazer essa conferência. A lei 2 é sobre a bola. O árbitro apenas se certifica se a bola de jogo, a inicial pois nunca vi o árbitro certificar todas as bolas que entram em jogo, se tem o carimbo de aprovada pela FIFA. Nunca os vi certificarem se cada uma das bolas está entre os 410g e os 450g definido na lei ou se têm os 17 cms de diâmetro. Também nunca os vi medir a pressão obrigatória. A lei 5 é sobre eles próprios ou seja apenas uma descrição de funções e a lei 6 sobre os árbitros assistentes, idem, idem, aspas, aspas. Na verdade durante um jogo, o árbitro apenas tem de tomar atenção a 13 regras básicas. E mesmo nestas todas as semanas cometem dos mais estúpidos erros, alguns dos quais a raiar o hilariante. É assim tão difícil?

segunda-feira, janeiro 30, 2006

910. As intermitências do cálculo

Fará no próximo mês de Março 25 anos que sofro com cálculos renais (coitadinho, diria a minha mãe se me ouvisse relembrar o facto). A primeira cólica tive-a, seriam umas cinco da manhã, numa época em que ainda não havia telemóveis e em que os TLP ainda não me tinham instalado a linha telefónica em casa, o que fez com que a Maria, com uma barriga de 7 meses, fosse à cabine telefónica mais próxima, para cima de 500 metros de distância (coitadinha, repetiria a minha mãe se me ouvisse recontar a história), para pedir ajuda. Na época, o meu pai (coitadinho, digo eu) lá se levantou do calor do leito conjugal para me levar, na matinal geada, de charola para o hospital. Este procedimento repetiu-se 3 vezes no mesmo dia (pelo que os coitadinhos aqui se repetem também no mesmo factor multiplicativo). São dores horríveis, dizem que piores do que as de parto. Isso eu não posso aferir, mas dizem-no as que já pariram (devias parir também, diz-me aqui ao lado a minha doce Maria, só para teres mais tento na linguagem). Têm sido 25 anos de idas e vindas às urgências, às quais poderíamos muito bem, não fosse alguém achar que era plágio, chamar as intermitências do cálculo. Ultimamente deu-me para expulsá-los na função dolorosa, mas não menos necessária, que é mijar enquanto se tem a uretra apertadinha e dilacerada por cortantes cristais. Este é também um estado que transforma o próprio orgasmo num momento de prazer masoquista. Na verdade gosto de expulsá-los por esta via (haverá outras, podereis perguntar assim como quem não está a ver a coisa), havendo realmente outras, entre as quais a operação, mas se a minha mãe – como todas as mães, sofredora com o mal dos filhos – me chama coitadinho cada vez que sabe das dores que sofro a expulsar um cálculo, imaginem como ficaria sabendo-me numa mesa de operações. Mas, dizia eu, gosto de expulsá-los assim. Lembra-me sempre o palhaço quando lhe perguntaram se sentia prazer quando para fazer rir os putos levava uma série de tabefes durante a actuação. Obviamente que a pergunta é estúpida, mas o palhaço é educado e responde que o prazer está no alívio que sente quando deixa de ser esbofeteado. O alívio que se sente depois de expulsar um cálculo é inenarrável.
Durante as espasmódicas crises ou já sedado pelos Nolotil, Voltaren e Buscopans, levamos na cabeça de todos os lados, dos sábios médicos de que eu deveria fazer isto e aquilo, não comer aquilo e aqueloutro, beber daqui e não dali, etcætera, etcætera, levamos da mulher, por mais doce que ela seja e da mãe, mesmo da mais carinhosa do mundo.

O PreDatado teve uma crise bloguística, levou na cabeça daqui e dacolá, palavras sábias e outras carinhosas, algumas doces também. Agora, sente-se bem por ter expelido este cálculo. Esperem lá, também não se trata de um orgasmo. Mas deu-me prazer.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

909. Ponto Final

O meu blog não é o meu diário; (o meu diário é uma coisa íntima, não partilhável raramente passado a letra de forma)
O meu blog não é um órgão de comunicação social; (não tenho qualquer formação jornalística, não uso um livro de estilo, não faço reportagem, nem investigação, não publico notícias em primeira mão)
O meu blog não é um espaço de debate; (não trago à liça temas debatíveis, não tenho pretensões de moderador, não interpreto a fundo as grandes questões nacionais e internacionais)
O meu blog não é um espaço de divulgação; (não apresenta ideias novas, não rebusca nas ideias dos outros nada de interessante para distribuir)
O meu blog não é um espaço de arte; (não cria nada de novo pois não sou músico, actor, escritor, pintor, escultor, bailarino…)
O meu blog não é uma tribuna desportiva (tirando a minha indefectível paixão benfiquista, não trago penaltis nem foras de jogo para serem discutidos)
O meu blog não é um quadro preto (não formula postulados químicos, não demonstra teoremas, não ensina gramática, nem desenha parábolas)
O meu blog não é um espaço de entretenimento (não tem música, não tem jogos, não tem sexo, não tem anedotas)
O meu blog não é o meu umbigo (não olho para ele de baixo para cima, nem o vejo quando vou ao espelho).

Ter um blog pressupõe que ele seja algo do que acima referi e talvez muito mais. E quando isso acontece, um blog passa de propriedade privada a entidade pública, ou melhor dizendo, a entidade de interesse público. Passa a ser lido, passa a ser referido, passa até a ser interactivo. Um blog que, ao fim de quase 2 anos e 3 meses, não ultrapassa uma média de 50 visitas diárias, as quais talvez apenas correspondam a trinta leitores efectivos, pois muitas resultam de pesquisas falhadas é um blog que não faz sentido existir. Às pessoas a quem vou retirar um clique nas suas rotinas diárias, peço desculpa por nunca lhes ter acrescentado valor ao seu conhecimento. O PreDatado termina hoje.
908. Assim tipu portuguex.

Élô
Ppl tá td fixe? oxe tenhu tado a ler 1s blogx aí da malta bué nova tipu ó kalhas taum a ver e ñ sei pq fikei un koxe baralhado, tôma passar tão a ver? sei ka micas tá xonada plo di, mas ku gaxo nem sabe, fixe foi kd ela se russou porele la na disko da kosta e fikou tão molhada ke teve de trokar o ózonia. Tb sei ppl esta nem dá praquerditar ku stôr de fisika paxa ax aulax a cossar os tomates deve ser po kauxa deu me sentar na carteira kas pernas kruxadax. Achu ku gaxo tb ve us murangus. Ontem fui a casa du lukax pa ele minxinar akela 6ª de kimika kele já deu á bué no deximo e eu naum vexo 1 boi. Dps ele pediu pra ver a cor das minha cuecas naum xei pk k kontu isto eu katé nem levava kuekas o pior foi kas xeans eram apertadas e eu fikei taum korada, tão a ver ppl aquela sena tipo fazte difíssil ke tenho ponto amanhan i o keu kero msm é perceber a sena da kimika, u gaxo fikou fddu mas tem pose i ensinome a axertar as formulax e já prometi kamanha vou lá mostrar lhu enunciadu e tou a pensar levar kuekas só pa ele ver a kor. Ké kaxam pexoal? Peraí ke tou a baralhar esta md td a mikas naum é a mesma das kuekas é akela da kosta ke fikou molhada, mas xeu dexcubrir de novu o blog dela eu dps paxo aki pa kontar o resto. E tb pa dixer kual a kor das kuekas da outra. ok?

terça-feira, janeiro 24, 2006

907. Cuidado com as palavras

Apesar de ter falado pouco, do que aliás sempre foi acusado por outros candidatos, o presidente eleito no passado domingo sempre foi dizendo algumas coisas. E dos seus silêncios ou das suas considerações conseguiu obter uma maioria de votos que lhe permitiu atingir o topo da hierarquia cá do burgo. Não sabemos se a partir de Março, quando o presidente eleito passar a presidente de facto, vai ou não gorar as expectativas dos que nele votaram.

Transpondo aqui para o espaço onde escrevo, não será pelas minhas omissões, mas sim por aquilo que digito, que de vez em quando estou a gorar as expectativas de quem me visita. No entanto, se ainda não escrevi o suficiente (ou melhor dizendo, não escrevi nada de suficientemente interessante), para que, se pelo menos nunca ter atingido o top, nem tão pouco ter obtido nenhum daqueles óscares natalícios que os outros blogs distribuem todos os anos, poder estar numa posição competitiva, a verdade é que com o pouco que digo (escrevo) de vez em quando alguém, mesmo em surdina, está a jura-me pela pele. Qualquer dia proporão a minha demissão da blogosfera por incumprimento de promessas.

E a que propósito vem toda esta introdução?, podereis vós, amigas leitoras e amigos leitores, questionar-vos depois de pacientemente terdes lido os dois parágrafos supra elaborados. É aqui que a porca torce o rabo, provérbio este, que me fazia muita confusão em criança, já que normalmente era dito sem nenhuma porca presente. Ou então o busílis da questão. Não fazia a mínima ideia do que seria o busílis a mais que a palavra mais parecida que eu conhecia, à época era búzio e nem tão pouco bílis já que com os meus seis anos de idade ainda não me tinha embrenhado pelas ciências da natureza.

Postas que foram algumas inofensivas palavras, deverei agora, retroceder, se eu fosse mais moderno diria, talvez, fazer um rewind, para me posicionar no enquadramento da verdadeira questão. E a questão não é nem mais nem menos do que a devida utilização de palavras por mais inofensivas que sejam ou pareçam. Vejamos alguns exemplos, suponhamos que eu escrevo a palavra fotos. Que mal é que isso tem? Suponhamos também que eu escrevo a palavra msn, hoje a sigla de um dos programas de conversação tu-cá-tu-lá mais conhecidos da Internet. Ou se por acaso me dá na cabeça e escrevo a palavra gajas. Claro que gajas é calão e um blog como este, escrito por uma pessoa séria deveria escrever mulheres, moças, meninas, raparigas, miúdas, garotas, fêmeas, enfim, deveria escusar-se a escreve gajas, mas se escreveu, escreveu e pronto. E se por um abuso de linguagem escrevo putas em vez de prostitutas ou de meretrizes, em vez de dizer, aquelas que por desventuras da vida aderiram à mais velha profissão do mundo ou usando o eufemismo que ouvia em garoto (sempre as minhas recordações de infância), me referisse às ditas como se se portassem mal, também não me parece que daí nenhum mal viria ao mundo. Claro que nuas, se escreve para algo que, na sua conjugação no plural feminino se refere a quem ou ao que se apresenta despido. As ruas podem apresentar-se despidas de gente ou de carros, as flores despidas de suas pétalas, mas nuas são nuas e despidas são nuas. As figuras de estilo não são mais nobres que os sinónimos e devem ser usadas no devido contexto. Já pretas poderá ser evitado quando me refiro à cor da pele de algumas africanas, ou afro-americanas ou suas descendentes, substituindo por um termo mais, digamos, politicamente correcto como por exemplo negras, mas não poderei evitar se estiver a falar do último par de meias que comprei. E aqui chego ao fim destas considerações sobre palavras. Quem não terminou ainda por aqui, foi o Google. Não é que este travesti de pila (pica como dizem os brasileiros) mole – vai-me sair cara a expressão – baralha tudo e volta a dar? E é por isso, que putas pretas, msn de putas, fotos de gajas nuas, já para não falar de peidos com som, de sapos a beijarem-se, posições do camassutra, de sexo anal, de receita de bifinhos com natas e até de como escrever uma carta ao Nuno Gomes, conduz alguns navegantes á leitura do meu blog, de onde saem obviamente com as expectativas frustradas.

É por estas e por outras que cada vez mais primo pelo silêncio. Um dia hei-de ser o presidente de todos os bloggers.

domingo, janeiro 22, 2006

906. Vencedores

Dois vencedores, Cavaco Silva e José Sócrates. O primeiro com 50,6%, o segundo não me perguntem porque é que o afirmo, porque não respondo.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

905. Amoras



Às vezes falta-me o motivo, outras a inspiração. Há dias em que sou atacado pela preguiça e outras pela não pachorra. Mas quando, nas minhas blogóricas leituras encontro uma foto como a que se junta e que roubei descaradamente deste blog que, apesar de “postada” quase anonimamente, não me custa identificar quem dos co-autores do ante-et-post a colocou lá, vem-me sempre uma recordação, uma vontade de dizer qualquer coisa. Era puto teria os meus 10 anos, adorava ir às amoras. Silvestres, claro. O que me faltava em altura e em técnica para subir valados sobrava-me em arranhões. Não sei o que o impressionou mais, se chegar a casa feito um Cristo e apenas ter comido meia dúzia de amoras empoeiradas, se o consumo exagerado de mercurocromo e tintura de iodo, a verdade é que o meu pai combinou comigo e com o meu irmão ir-mos num tal fim de semana às amoras. A ponta de uma cana rachada ao meio, com um pequeno travessão que caía a cada investida nos ramos mais altos, um torção da cana e um puxão e ei-las, lindas negras, limpas, brilhantes, doces, deliciosas, colhe mais, que bom. Foi uma das maiores diarreias da minha vida. Mas ainda tenho saudades dos valados hoje transformados em prédios.
904. Filosofia em pacotes de três cêntimos

Ladeando, cada um na sua parte da mesa, a gravata do entrevistador, os velhos filósofos, velhos mas reputados e respeitados, um na defesa optimista das suas teorias e outro, como não podia deixar de ser, pessimista ao ponto de ver sempre uma garrafa meia vazia quando outro defendia que ainda estava meia cheia, ou então se assim não fosse não seriam precisos debates destes, em frente das câmaras e em pleno prime time do canal de serviço público (e é para isto que servem os canais de serviço público, sejamos claros) ouviram a sacramental pergunta, E agora?, esta sim capaz de arrebatar as mais recônditas paixões.
Ainda bem que me faz essa pergunta, diria o filósofo optimista que aumentar os impostos não podia ser visto como um demónio da governação, até porque sem impostos não há governo que resista e quanto mais todos pagarem para todos mais solidária é a sociedade e se o governo quiser não tem mais que alarmar ninguém com a falência da segurança social, Até lhe digo mais, a carga de impostos não é ainda suficiente, o problema é que não está bem distribuída e nem todos pagam, eu sei que se os ricos pagassem mais que não poderiam gastar tanto dinheiro em automóveis de luxo e de vez em quando teriam até que deixar o porsche na garagem, mas se a vida custa a uns tem de custar a todos, não é só fazer férias em resorts de luxo e spas no brasil ou nas seychelles, e os bancos também deveriam pagar mais, por isso é uma falsa questão esta discussão sobre o novo preço dos combustíveis que até nem se discute quando são as gasolineiras a aumentar argumentando que o barril está mais caro em chicago.
Em silêncio teria escutado toda a argumentação o filósofo pessimista, quiçá devido à já supra referida provecta idade, terá mesmo aproveitado para uma pequena soneca enquanto o colega de profissão, que não de ideias, deambulava entre impostos e ilhas paradisíacas, teria escutado, assim no condicional se o sono mais ou menos profundo o tivesse deixado escutar, Eu não acho nada bem este ultimo aumento, mas como é que depois de ter enchido o depósito do meu carro por mais um euro e oitenta cêntimos do que antes eu consigo ter disponibilidade financeira para entregar o boletim do Euromilhões. A interrogação ficou no ar, mas como o tempo para o debate estava a terminar ficou desde logo ali prometido pelo entrevistador de gravata às riscas, se não me engano da casa hermès, que em breve seriam de novo convidados para outras questões da actualidade.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

903. Definitivamente um país de Fé

Eu nem sequer tinha dúvidas. Quando vejo como enche o Santuário de Fátima, quando vejo como enche o estádio do Restelo em dia de concentração de testemunhas de Jeová, quando vejo as 4 igrejas evangélicas que há na minha rua a abarrotar, sempre que há culto, quando vejo os jogadores de futebol benzerem-se seja quando entram em campo, seja quando falham um golo, pelas páginas de jornais e debates televisivos quando se mandaram retirar os últimos 20 crucifixos, ou quando… já chega.
Diz agora a União Europeia que somos o país mais pobre da dita União. Que temos 2 milhões de pessoas no limiar da pobreza. Não é novidade, mas é sempre triste confrontar esta realidade. Tivemos nos últimos 28 anos, PS e PSD a conduzirem o nosso Destino. Tivemos Carneiro e Balsemão, Soares e Freitas, Cavaco e Guterres, Durão e Santana e temos Sócrates. Tivemos PS e PSD. A atender pelas sondagens, a soma dos votos que Cavaco, Soares e Alegre irão obter situar-se-á na ordem dos 85%. Quer dizer que os representantes dos partidos e alguns dos protagonistas do nosso afundanço para a cauda da Europa, são os preferidos da grande maioria dos portugueses. É uma questão de Fé. Ámen!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

902. Vou-me atrever

Em Caxias, Maranhão no Brasil nasceu no dia 10 de Agosto de 1823, um dos maiores poetas da Língua Portuguesa de seu nome António Gonçalves Dias. Quase como inevitável, Gonçalves Dias era filho de um português, transmontano e de uma mestiça brasileira. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, integrou o grupo de poetas designado “medievalistas”. Um romântico que bebeu a influência dos românticos portugueses, franceses, ingleses, espanhóis e alemães. Publicado em 1843, “A canção do Exílio” é um dos mais belos poemas da língua portuguesa. Referido por Alexandre Herculano em artigo encomiástico devido às suas “Poesias Americanas”, escreve também um ensaio filológico onde demonstra aos seus censores (dos quais se haveria de vingar com a publicação das “Sextilhas de frei Antão”) o seu profundo conhecimento da língua portuguesa. Editado no Brasil e em Portugal foi na Alemanha que o livreiro-editor Brockhaus editou os Cantos, os primeiros quatro cantos de Os Timbiras, compostos dez anos antes, e o Dicionário da língua tupi. Com vasto curricullum na área da investigação linguística presidiu também a uma Comissão Cientifica de Exploração, tendo percorrido os mais importantes rios do norte do Brasil. Morre no naufrágio do navio Ville de Boulogne, do qual aliás foi a única vítima, quando regressava ao Maranhão proveniente de Paris, no dia 10 de Setembro de 1864.

Resumo livre (quiçá abusivo) da biografia de Gonçalves Dias, escrita por Luciana Batista, também ela nascida em Caxias, MA e de quem me orgulho de ser amigo. E eu vou-me atrever a publicar, de Gonçalves Dias, um dos seus mais belos e profundos poemas.

Se se morre de amor!

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente.
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr’ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros !
Inesgotáveis, d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora.
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Se tal paixão enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d’êxtasis puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;
Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!
Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneiando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

A. Gonçalves Dias

quarta-feira, janeiro 11, 2006

901. Gato escondido com o rabo de fora...

Entre 1982 e 1988 trabalhei numa companhia de seguros. Por essa época, não me lembro em que ano, aqui del-rey que o sistema de reformas em França estava a entrar em falência e que dentro de 15 anos não haveria nem mais um tostão (leia-se cêntime) para pagar as ditas. Vai daí toca de estudar produtos de poupança-reforma e, como uma seguradora não é uma instituição financeira, incluir uma componentezinha de seguro de vida. Rapidamente os arautos da desgraça (ou os oportunistas do dinheiro fácil) espalharam que Portugal estava na mesma situação. E lançaram o “produto” por cá. Entretanto, em França, os velhos continuam a reformar-se, os reformados continuam a receber, e lá como cá, as companhias de seguros e outros esmifradores continuam a encher-se. Os fundos de pensões, tirados dos salários dos trabalhadores e que nunca chegaram a sair das empresas, foram outras das invenções destes mealheiros-porquinhos de barriga cheia). Não nego, antes corroboro a insustentabilidade da Segurança Social. Mas contesto os métodos usados para a gerir e os alarmismos do nosso Ministro das Finanças. Se em vez de serem promovidos de governantes a presidentes de conselhos de administração, os responsáveis pela gestão dos dinheiros públicos, nomeada e principalmente os que têm tido responsabilidades pela segurança social, tivessem de ser julgados nas barras dos tribunais, talvez hoje já alguém tivesse criado as verdadeiras alternativas, sem passar pelo enche-cú de companhias de seguros e afins. E sem políticas anti-sociais como o aumento generalizado da idade da reforma. Isto sou eu que digo, sei lá, porque sou tonto.
900. Novecentos

Novecentos posts é muito post para uma pessoa só.

terça-feira, janeiro 10, 2006

899. O meu blog não é um Órgão de Comunicação Social

Não tenho escrito no blog porque não quero. Nem sequer é por preguiça, uma vez que tenho escrito à margem do blog coisas de muita qualidade. Tenho estado a dedicar-me à poesia, da qual vos deixarei alguns excertos, para que sejam vós próprios os meus críticos.
Das minhas incursões pela poesia romântica ofereço-vos estes lindos versos:

- Porque tens uns olhos tão lindos?
- É para te ver bem.
- Eu também!


Mas também tenho escrito algo profundo como

“Joguei uma pedra na Fossa do Mindanau. Fez Plau!”

E também algumas superficialidades,

Nadam no lago os patinhos
E ao fundo não vão.
Usam barbatanas nos pezinhos
Não sabiam disso, não?


As minhas quadras populares vão concorrer com o poeta Aleixo. Se não reparem.

Encontro o carro molhado
Em cada manhã de orvalho.
Limpo-o à pressa, atarefado,
Canso-me como o caralho.


E no campo do erotismo também não posso dizer que não esteja bem lançado:

Cobres-te com um véu amor
Deixando antever belas curvas
Até que um Stradivarius chore de inveja.


Como vêem estou fartinho de escrever coisas lindas. Mas não esperem de mim grandes notícias. Para isso temos os Telejornais, os Jornais da Noite e os Jornais Nacionais. Ah, não acreditam? Pensam que estou a gozar? Pois se no Jornal Nacional da TVI tivemos a importantíssima notícia de que um prédio de 8 andares estava com o elevador avariado, já no Telejornal da RTP ficamos a saber que Derlei não vai para o Sporting. Amanhã talvez digam que o Figo não vai para o Benfica, no dia seguinte talvez João Pinto não vá para o Porto, e se calhar até ao fim de semana o Nuno Gomes não irá para o Beira-Mar. E enquanto o elevador não sobe nem desce, há jogadores para não irem para lado nenhum até ao final do ano. Estas sim são verdadeiras notícias. Como é que um gajo num blog pode fazer concorrência, hein?

sexta-feira, janeiro 06, 2006

898. Premiado

Palmas para meu amigo Carlos Geadas pelo prémio que lhe foi atribuído. Desde os tempos das "Histórias de um homem banal" que eu tinha a certeza que, mais dia menos dia, serias reconhecido. E este será apenas o primeiro êxito da grande carreira que te auguro. Um abraço!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

897. Agradecimentos

Dois dias atrás de espiões é obra. Nunca pensei que tivesse vocação. Sei que não me servirá de nada mas vou acrescentar este novo skill no meu CV. A verdade é que tive preciosas ajudas que não poderão passar sem um sentido agradecimento. Pela colaboração activa, o Papo-Seco, a Folha de Chá, a Maria e a Dinny que via MSN me deu boas dicas e também à leitora deste blog e minha cunhada Paula que foi incansável. Aos outros que aqui leram e alguns comentaram o facto e que sei que durante estes dois dias nem dormiram só a pensar em como ajudar o Pré a resolver o problema um beijo, um abraço e obrigado pela solidariedade. Àqueles que se estiveram nas tintas, que lhes caia um céu de spywares em cima da cabeça. Mentira, estou a brincar. Bem hajam todas e todos, os que têm pachorra para me aturar.

terça-feira, janeiro 03, 2006

896. Estou lixado

Nas minhas voltas pela Internet, entrou-me "casa" adentro a merda de um spyware. E agora? Estou f*****. Não sei o que fazer!
895. Saúde Pública em Perigo

Os Delegados de Saúde não têm mãos a medir para declarar os óbitos. Os corpos, esses com certeza, já estarão em decomposição. Os pais natais continuam enforcados nas varandas.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

894. A RTP A RTP

Durante estes dias a RTP, durante estes dias a RTP, repetiu até por mais de uma vez, repetiu até por mais de uma vez, programas como o Natal dos Hospitais, o Portugal no Coração na Suiça, a homenagem ao fadista Vicente da Câmara, a Escrava Isaura, o programa de fim de ano, entre outros, programas como o Natal dos Hospitais, o Portugal no Coração na Suiça, a homenagem ao fadista Vicente da Câmara, a Escrava Isaura, o programa de fim de ano, entre outros. Eu não sei se a esta repetição maciça de programas, eu não sei se a esta repetição maciça de programas, corresponde a uma diminuição para metade, corresponde a uma diminuição para metade, dos subsídios que o Estado concede à televisão pública, dos subsídios que o Estado concede à televisão pública, mas assim como assim isso não me interessa para nada, mas assim como assim isso não me interessa para nada. De qualquer maneira não acredito que o Governo deixasse de aumentar, o pão, os transportes, os combustíveis, … De qualquer maneira não acredito que o Governo deixasse de aumentar, o pão, os transportes, os combustíveis, … E haja Televisão Pública para a propaganda do governo… E haja Televisão Pública para a propaganda do governo… Em repetição e repetição e repetição e repetição.

sábado, dezembro 31, 2005

893. Receita de Ano Novo

A todas as minhas amigas leitoras e a todos os meus amigos leitores, que me concederam a honra de visitarem o meu blog, desejo um próspero ano de 2006. E deixo-vos a receita escrita por um dos poetas da lusofonia que mais admiro: Carlos Drummond de Andrade.

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo
Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido),

Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas
do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama,
se compreende, se trabalha,

Você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para
arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade,
recompensa, justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro
e gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo
de novo, eu sei que não é fácil, mas tente,
experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e
espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, dezembro 30, 2005

892. Bota-de-elástico ou o Peido Natalício

Quando eu era puto, uma das coisas que os meus pais nos ensinaram foi de que se nos quisesse-mos peidar deveríamos fazê-lo numa casa de banho. E sobretudo que o não deveríamos fazer em público. Ainda sou do tempo em se contava que a condessa aflita por se ter peidado numa festa da “soçaite” foi pedir a Bocage que arranjasse maneira de dizer que fora ele, tal era a vergonha (para quem não saiba, Bocage era um gajo a quem a sociedade tudo desculpava, dada a sua pose extravagante, uma espécie de Herman José, mas com talento). Já fumar nunca ninguém me disse que era feio. Todos me aconselharam a não fumar, porque era caro e mais tarde, à medida que foi evoluindo a investigação médica, porque, e principalmente por isso, era prejudicial à saúde.
E o que é que isto tem a ver com o Natal? Ora bem, há dias vi um anúncio na TV para download de toques de telemóvel, nem mais nem menos que uma conhecida música de natal, mas em som de peidos. Ora eu que não sou nada bota-de-elástico, começo a achar estas coisas cada vez mais normais. Desde aquela campanha, paga com dinheiros do Estado e portanto com o meu agreement, em que os jovens se peidam em público, mas onde afinal feio é fumar, que tudo o que meta merda ou o seu respectivo cheiro me parece da mais comum normalidade. Espero é que nunca inventem um toque de telemóvel em que ao som de um qualquer chá-chá-chá ou de uma rumba, este comece a deitar fumo como se fosse um puro cubano. Porque isso sim seria muito feio.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

segunda-feira, dezembro 26, 2005

890. Fun(tastic) Service

Na passada quinta feira, recebi da TV Cabo uma carta onde me explicavam que o período promocional do serviço Funtastic Life tinha terminado, pelo que, se eu pretendesse continuar a usufruir dos cerca de mais 20 canais deste pacote deveria solicita-lo através de um determinado número de telefone. Por um acréscimo de custo que me parecia razoável, face ao preço do serviço base, decidi dizer que sim. Segui os procedimentos, liguei para o número fornecido e anuí ao pacote Funtastic Life. A assistente, a meu pedido, informou-me simpaticamente de que não necessitaria de nada mais e que o Funtastic Life iria ser de imediato activado. Cerca de 2 horas depois um outro funcionário da TV Cabo ligou-me a perguntar se eu queria aderir ao pacote. Achei estranho mas pareceu-me apenas ser um feed-back de confirmação. Para o efeito, solicitou-me alguns dados pessoais, nomeadamente os meus números de BI e Contribuinte. Finalmente, depois de confirmar a correcção dos dados, disse-me que o pacote iria de imediato ser activado. Hoje, 3 dias depois os canais do Funtastic Life estão desactivados. Belo serviço! E vivam os monopólios!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

889. Privilegiado

Grão Vale de Lençol e Penas é a firma de dois grandes amigos meus. Enquanto no balcão do Lençol me abasteço de cambraia de algodão que me aprazenteia o corpo, no balcão do meu caro Edredon Penas encontro um insubstituível conforto e aconchego para estes tempos frios. Aliás, conforto e aconchego estes a que não é alheio o Sr. Pijama, também um amigo de longa data. E é por ter amigos destes que estar DESEMPREGADO é um privilégio que vós, desgraçados leitores e desgraçadas leitoras, não podeis usufruir quando tendes o inimigo despertador a fazer-vos levantar os respectivos rabinhos da cama às 7 da manhã.

terça-feira, dezembro 20, 2005

888. Quem ganhou o debate

Venho aqui dizer-vos que não sei quem matou o António, no entanto não tenho dúvida nenhuma de quem perdeu o debate desta noite:

Canastrões 2 x Portugal 0.

Assim não dá para colocar a bandeira na varanda.
887. Os culpados

Dentro de momentos vão estar frente a frente, na TV, a atirar farpas um ao outro, os dois principais culpados do estado em que Portugal se encontra. Apesar de toda a gente o saber, mais de 70% dos portugueses irão votar num destes dois. É bem feito!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

886. Por Correio



Caro Vitor,

Hoje não te mando nem um e-mail, nem te faço um telefonema. Nem tão pouco te escrevo um telegrama ou envio a mensagem por fax. Não, meu caro. Hoje vou-te escrever uma carta. E porquê, poderás tu perguntar, uma vez que sempre me elogiaste o gosto pelas novas tecnologias, desde o dia que apareci em tua casa com um ZX-Spectrum onde ficávamos sempre mais de seis horas seguidas jogando a olhar para um écran de televisão, em vez de cruzarmos as pernas no chão, Monopólio estendido, dados a rebolarem por debaixo do sofá, notas e casinhas a ocuparem toda a carpete. Pois, meu caro, decidi aderir à iniciativa dos CTT que vai incentivar as crianças a escreverem umas às outras a modos que salvaguardem o selo. Se bem que é esta a explicação desta minha decisão, não é o único motivo pelo qual te decidi escrever uma carta. Eu sei que raramente compras ou lês jornais, tal como um antigo primeiro-ministro que hoje em dia parece querer ser Presidente da República. E como sempre fui o teu assessor para as notícias mundanas (não esqueças que foi por mim que ficaste a saber que o Nuno Gomes fez aquele gesto da seringa e não pelo Pinto da Costa, como a Liga de Futebol), não resisti a contar-te uma pequena nota que li na revista do Expresso. Então não é que eles noticiam, que segundo estudos científicos da Universidade de Bristol, no UK, que os tipos mais baixos têm um QI menor? Já sei, estás a rir às gargalhadas porque já me estás a imaginar mentecapto no alto do meu 1 metro e 63 centímetros. Pois meu caro Vitor, agora entendo muitas coisas que não entendia antes. Entendo perfeitamente o que aconteceu em Waterloo e mais entendo o que se passa actualmente com o PSD com Marques Mendes a liderar e, como não podia deixar de ser, entendo porque é que António Vitorino nunca conseguiu assumir um alto cargo nem no PS, nem no País. E sendo assim prepara-te, porque quando voltar a haver eleições legislativas eu vou votar na equipa de basquetebol do Queluz. A partir de hoje, só posso confiar em gajos altos. Para bem do país.

PS. Tinha obviamente que te dizer que não deves extrapolar as minhas palavras como um indefectível apoiante de Soares devido à sua estatura física. É que para mim, outras estaturas mais altas se alevantam.

terça-feira, dezembro 13, 2005

885. M’engasgo às vezes, outras emburro...

Foi com esta frase que comecei um comentário num blog que li há pouco, dada a minha inabilidade para escrever algo mais. E de facto, é assim que me sinto actualmente, gago e burro para escrever algo de jeito. E nem me posso queixar do tempo. Nem do tempo, nem do tempo. Quero dizer, com o frio que tem feito, tudo parecia se proporcionar para que no calor exarado do roupão os textos começassem a jorrar. E por outro lado, tempo é o que não me falta pois, praticamente, já assumi a minha condição de desempregado compulsivo e como tal, tirando roçar o rabo pelos sofás e cadeiras cá de casa e uma ida ou outra ao urinol nada mais faço. Mas não, não me sai nada, nem da política, num momento em que começa a aquecer o ambiente da campanha, nem do futebol, agora que o meu clube parece querer estar a arribar, nem de religião, pois devem ter visto que nunca me referi à questão do crucifixo ou dos padres homossexuais. Também não estou com pachorra para vos dizer como vai lindo o despontar da salsa e dos coentros e ainda dos rabanetes que o meu sogro plantou nos vasos da varanda, não me apetece fazer nenhuma correlação entre um aeroporto na OTA e a explosão dos tanques de combustível no aeroporto de Londres, tão pouco estou disponível para dissertar sobre mais uma execução de um presumível culpado ou inocente na Califórnia. E é por esta falta de inspiração que vos peço que tenham um pouco de paciência comigo uma vez que, acho eu, melhores dias virão. Assim sendo, prometo que hoje não escrevo nada. Mas também não sei se estou disponível para cumprir esta promessa.
884. Não percam

a hilariante carta aos pais que o Manoel Carlos escreve hoje no seu Agrestino.

domingo, dezembro 11, 2005

883. Moreanes, 11 de Dezembro de 2005 – Coisas de Fim-de-semana

A Maria não apareceu como habitualmente. Fazia 2 ou 3 dias que ninguém a via. Acabamos por a descobri-la no palheiro do Ti Romão, tinha tido canitos. Não os abandonou nem um minuto o que significa que passou todos esses dias sem comer. Tremia quando se assomou à pequena janela do palheiro. Chamei-a para que fosse comigo mas não veio, pois recusou-se a abandonar as crias. Se a Maria não vai à comida, vai a comida à Maria. Devorou uma pratalhada de carne, cozinhada propositadamente para ela, que até dava gosto ver. Nos dias seguintes repetimos a operação, duas vezes por dia.

*
A Ti Clarisse fez 91 anos, este Domingo. Uma lucidez impressionante. Diz que já lhe vai escasseando a vista mas a memória está intacta. Conta histórias como ninguém, sabe nomes, datas, as antigas e as recentes, está a par de tudo quanto se passa no país e no mundo. É ela que cozinha as suas próprias refeições, di-lo com orgulho. Quando a fomos visitar estava a fazer um bolo para mandar para o filho que vive em Barcelona. Sem olhar para relógios, sem preocupação, tirou o bolo do forno, no ponto. Como a massa restava fez mais dois. Ofereceu-nos um deles e, garanto-vos, estava delicioso. Das histórias que ouvimos conto-vos apenas uma. Em discurso directo.
Em descendo estes dois degraus, faltaram-me as pernas. Nem sei como foi, bati com a cabeça na esquina deste armário (mostrou-nos o local). Fiz um golpe na cabeça que só visto. Escorria sangue por todo lado e o pior é que sentia a cara dormente. A custo lá me fui amparando numa cadeira e nesta mesa e lá me levantei. Fui direita à cozinha, preocupada com a cara dormente e peguei um pedacinho de pão. Mastiguei-o e disse cá para comigo: - pelo menos não parti os queixos.

*
O Liedson e o Bruno Vale poderiam ser chamados de Os Justiceiros. O avançado rematou e não marcou, o guarda-redes estirou-se e defendeu. Bem vistas as coisas também não tinha sido penalty, coisa só vista pelo árbitro. Fez-se justiça.

*
O idoso Cavaco referiu, no último debate da TVI, que se viera a ser Presidente da República mandará efectuar um estudo sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Este estudo foi acabadinho de fazer e apenas uma mente idosa e cansada (quando se trata de um candidato ao mais alto cargo da nação) poderia cometer esta gaffe. Aliás, já há uns tempinhos atrás, o idoso Soares tinha cometido uma gaffe similar sobre um outro assunto que, penso, todos estareis recordados. Já que estes candidatos estão sempre a falar nas oportunidades que devem ser dada aos jovens, porque é que não se reformam?

*
Não é actor quem quer, é actor quem p(h)ode. No canal 13 da TV Cabo, um dificílimo e muitíssimo bem elaborado diálogo.
Ela: - á á á á, ô, ô, ô, ô, hum, hummmmm...
Ele: - áááááááá, ááááááá...

É tão fácil ser actor. Haja tesão!

*
Por falar em TV Cabo, mais uma rocambolesca história de mau serviço. Vou continuar a peleia e depois conto-vos os principais e os finalmentes. Agora não, se não, vou voltar a ficar mal disposto.

*
Três sons. Apenas 3 sons. Os pássaros, os balidos das ovelhas e o crepitar da lenha na lareira. Como é boa a vida no campo.

*
Alberto João Jardim. Haja paciência. Se existisse um amplo movimento para a independência da Madeira eu encabeçaria a lista. Vá lá gozar com a *** que o pariu.

*
SUOR. Tinha-o lido pela primeira vez em 1978. Quase trinta anos depois revisitei este momento extraordinário da obra de Jorge Amado. Infelizmente, tão actual.

*
Crueldade. Tiraram os canitos à Maria. Veio ter connosco a chorar. Impotentes, não conseguimos esconder uma lágrima. Também se chora pelos cães.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

882. Eles matam-me

Terminei o jogo com 16,7 / 11,4 de tensão arterial e 125 pulsações/minuto. Agora despeço-me até Domingo. Vou descansar de tanta pressão.
881. Cuidado com eles

Hoje, a partir da 19h45, os Vermelhos vão paralizar o País!
880. Hoje vos linko

Tão simples como 2 mais 2 serem 4. Quando deixo de ler retiro da lista quando passo a ler vão para a lista. Às vezes não o faço logo mas apenas por preguiça. Como já me acostumei a estes, vão figurar na lista da direita. E pronto, só falta dizer quem são: Passarinha, xatoo, história da internet, dos olhares, linguagem das flores, corpos e almas , haspargus.
879. Este é um post de inexorável fé!


Tenho ouvido muitos comentários de “especialistas”, nomeadamente alguns benfiquistas dizendo que o Glorioso tem poucas hipóteses, amanhã, frente ao Manchester United. Eu não partilho desta opinião. Desde quando o Benfica, jogando em casa, no inferno da Luz deixou de ser favorito? Que medo temos de quem quer que seja em nossa casa? Por acaso trememos quando recebemos o FCP bi-campeão europeu, bi-campeão mundial de clubes? Nós que temos 8 finais europeias, 7 das quais na Taça dos campeões Europeus, mesmo que apenas tenhamos ganho duas, alguma vez baixamos a cabeça? Quantos clubes têm o nosso historial? Quem é que por essa Europa (e pelo mundo) não respeita o S.L.B.? Ombreamos com Milan, Liverpool, R. Madrid, Barcelona, Manchester, Inter, Bayern, Ajax, só para falar de alguns e ficamos sempre na primeira fila da foto de família. O que é isso de não termos chances? Somos mais pobrezinhos? Pois somos, somos o retrato de pobreza que é este país. E daí? É algum desígnio nacional? Pois meus caros leitores e leitoras e gente interessada na bola. Vamos ganhar! Vamos ganhar! E a mim ninguém consegue abalar esta minha FÉ.

Força Benfica!
Força Benfica!
Força Benfica!

terça-feira, dezembro 06, 2005

878. O Google chegou ao Pragal

Vivi 15 anos da minha vida na região do Pragal, concelho de Almada. Fui lá fazer 10 anos e saí com 25, no dia do meu casamento. De repente, coisas que o Sitemeter tece, reparo que há uma pessoa do Pragal que visita este blog. Mas não é que o amigo visitante veio aqui por via de uma pesquisa de “bilhetes para o circo Cardinalli”? E logo pelo Google. Está bem pronto, bilhetes não há, mas palhaços sempre vai havendo. Por azar hoje eu não estou com o nariz vermelho mas com um pouco de paciência tudo se consegue.
877. O 25 de Novembro contado aos senhores telespectadores

Ontem assistiu-se na RTP1 a mais um Prós e Contras, este sobre o 25 de Novembro de 1975. Em primeiro lugar gostaria de referir o estúpido (propositado?) erro de casting de um programa que costuma contrapor duas correntes no tratamento de um tema, ou seja, como a próprio nome indica, uma pró outra contra.

E o que vimos? Um Otelo Saraiva de Carvalho, patético, que não estava lá a fazer nada pois segundo ele, e não desmentido pelos outros, não preparou nem participou em nada que tivesse a ver com o 25 de Novembro. Aliás Otelo, ontem, ou já está gagá e portanto tudo o que disse vale o que vale, ou então mostrou que aparte o 25 de Abril não teve qualquer outra influência nem política, nem militar. Apresentou-se como o militar ingénuo, sempre enganado ou desleixado como uma “Maria vai com as outras”. Esteve na Revolução para assinar papeis redigidos por outros, para dizer que “sim” e que “está bem”.

Por outro lado, o painel era constituído por 4 individualidades, a saber, Tomé Pinto, Castro Caldas, Sousa e Castro e Ramalho Eanes, todos eles do lado dos que “venceram” o 25 de Novembro. Do lado dos chamados “derrotados” não estava ninguém. E deveria ter estado?

De facto, a população civil armada, eram militantes do PS a quem os militares cederam armas. O PPD, pela voz de Castro Caldas recusou essa oferta pois tinha outros meios para se armar. Havia uma esquadra muito bem preparada de meios aéreos em Cortegaça. Os comandos da Amadora preparados para atacar os “revoltosos”. O ELP e O MDLP preparados para o que desse e viesse. E do outro lado? Uns pára-quedistas que se renderam nos primeiros momentos e 3, vejam bem 3, majores que controlavam a PM e que não quiseram obedecer ao Presidente da República. Ah, há mais. Havia a extrema-esquerda que, com a votação nas eleições de 25 de Abril de 1975, tinha mostrado a todo o País que não tinha qualquer apoio popular.

Então para que serviu toda aquela encenação? Pura e simplesmente para afastar o PCP e o Vasco Gonçalves dos órgãos de poder e tentar ilegalizar quer o PCP, quer toda a extrema esquerda, não fosse o atalho percorrido por Melo Antunes, não sei se corajoso, se com medo de algo que pudesse vir da ex-URSS.

E pronto, foi assim que, se fosse preciso, com um programa televisivo pessimamente elaborado, como o de ontem, mais uma vez se veio informar os senhores telespectadores que a Direita e a Extrema-direita, conluiadas com o PS de Mário Soares deram um Golpe de Estado para evitar uma guerra civil. Contra 3 majores!

E felizmente! Assim temos uma democracia que não nasceu do 25 de Abril, mas sim do 25 de Novembro e que em trinta anos de governação de Direita, muito bem secundada pelo PS já conseguiu fazer coisas maravilhosas. O nosso País na Europa dos 25 já (ainda) não é o último, isso era na Europa a 15, só temos 26% da população na pobreza, ou seja uns míseros 2 milhões e 600 mil, só temos alguns desempregados, coisa pouca, apenas meio milhão, temos uma filita de espera para cirurgias na ordem dos 200 mil, mas o que é que isso interessa, temos alguns corruptos, é verdade, mas são poucochinhos, e temos a ponte Vasco da Gama, 10 estádios de futebol novinhos e o Centro Cultural de Belém.

Viva o 25 de Novembro!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

876. Nunca é demais prevenir

Um conselho do PreDatado com a devida vénia daqui.
875. Ando muito distraído

Esta manhã ouvi na rádio que o Saddam Husein está a ser julgado num tribunal internacional pela morte de 142 xiitas. Ok, concordo que se tivesse mandado matar só um que fosse, já seria razão suficiente para ser julgado. Mas foi por ele ter morto 142 xiitas que Bush invadiu o Iraque? E Bush quantos já mandou matar? Não tem julgamento?

domingo, dezembro 04, 2005

874. Junto a minha à tua indignação

Sei que pareço um ladrão,
Mas há outros que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.


Lembrei-me desta quadra de António Aleixo quando li o post de ontem da Encandescente. Acho uma pouca vergonha o que se passa em certa blogosfera e estou completamente solidário com ela.
No entanto, acrescento que isso só acontece porque, de facto, a Encandescente tem uma qualidade muito acima da média e os seus poemas são uma tentação para aqueles que são “aquilo que pareço”. Oiçam cá ó infames plagiadores, façam o favor de citar a fonte. Porque ela merece.

sábado, dezembro 03, 2005

873. Inquérito

Quem viu o Porto x Sporting?
Quem viu a entrevista de Cavaco Silva na RTP?

quinta-feira, dezembro 01, 2005

872. Para ler

1. Em português com sotaque. Escreve, que chego a sentir saudade quando não escreve. Tudo talvez não, mas creio que o Papai Noel não vai esquecer você.

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2. Descobri há pouco e já é imprescindível. Está aqui e tem um excelente blog.
871. Desconfio...

que este ano não vou ser capaz de enfeitar a Árvore de Natal.

quarta-feira, novembro 30, 2005

870. 70 anos depois

era capaz de não ficar mal neste blog.



Quando eu me sento à janela
P'los vidros que a neve embaça
Vejo a doce imagem dela
Quando passa...passa...passa...

Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser neste mundo
E mais um anjo no céu.

Quando eu me sento à janela,
P'los vidros que a neve embaça
Julgo ver a imagem dela
Que já não passa... não passa...

Fernando Pessoa "Quando ela passa"
869. Lambecusismo

Ando ávido de informação que me permita votar em consciência. Por exemplo, que interesses representa Cavaco Silva. Se os de Van Zeller e Ludgero Marques ou, se ao invés, os dos 700 sindicalistas que recentemente foram ao lambe-cú, desculpem, ao beija-mão do candidato. Ou é a mesma coisa?
868. Mandatário, já!

Tendo em linha de conta as idades, não deveria ser Joana Amaral Dias a mandatária para os jardins de infância e eu, que completei 50 aninhos este ano, o mandatário para a juventude da candidatura do Dr. Mário Soares?
867. Declaração

Para os devidos efeitos, declara-se que o sr. blog "O PreDatado", Pré para os amigos, não é orgão oficial, nem oficioso, por enquanto, de nenhuma das candidaturas à Presidência da República.

Mais se declara que o seu autor, com a consciência cívica que lhe é reconhecida (pelo menos por uma pessoa), quando chegar o dia das eleições e se for vivo à data irá com todo prazer colocar uma cruz no boletim de voto.

Corroios, 30 de Novembro do ano da graça de Nosso Senhor de 2005.

terça-feira, novembro 29, 2005

866. Mamatron

Na passada quinta-feira a nossa amiga Robina, apresentava no seu blog uma novidade tecnológica. Nem mais nem menos que um masturbador automático para homens. Eu apresento-vos outra. Aqui neste site, tudo sobre o mamatron!

segunda-feira, novembro 28, 2005

865. Santinhos

No Porto deixar-se-á de comemorar o S. João para se comemorar Sto. António (Costa).
864. Cromos e Bolos

Quando eu era puto um tubo de cola branca Cisne era um luxo. Por isso, colava os cromos nas cadernetas com cola feita com farinha e água.
Quando a minha mãe fazia um bolo eu via que ela misturava a farinha e água com os ovos e o açúcar. Cheguei a pensar que aquela consistência do bolo depois de cozinhado se devia à cola que segurava os ovos e o açúcar.
O pior é que em certas alturas do mês os bolos não saíam tão perfeitos. Ora não cresciam, ora se escangalhavam.
Com medo que os cromos se descolassem da caderneta, nunca mais os colei quando a minha mãe estava no período.

PS. Esta “estória” parece não vir a propósito de nada, mas lembrei-me dela, hoje, enquanto comia uma belíssima fatia de pão-de-ló.