domingo, junho 18, 2006


990. Eu estive de férias

I - As férias e o tempo

Um gajo sai de casa depois de um trinta e seizão de calor e ruma aos algarves de D. Sancho II. Chegado que foi, o tempo parece dar razão ao investimento ferial e vai daí aproveita o primeiro dia, que é Domingo, para dar uma vista e olhos à terra dos seus antepassados com o argumento de que terá uma semana inteirinha para trabalhar para o bronze. E se bem o disse, bem o fez e na segunda-feira lá estava ele a banhos na Rocha. Parece que o S. Pedro não gostou deste abuso de confiança e vai daí mandou chuva e vento que foi um fartote. Não tive outro remédio senão virar-me para

II – As férias e a gastronomia

E em vez de um bronze daqueles, acompanhado de umas sandochas, acabei caído em restaurantes e em petiscadas em casa de amigos. Resultado, mais três quilos e um furo diferente no cinto. Mas se a morada dos amigos não forneço, há dois restaurantes, dos que frequentei, que tenho de recomendar. Como estive centrado em Silves, não percam a marisqueira Rui. Ostras de primeira, da Ria Formosa, as amêijoas muito bem cozinhadas, as sapateiras e santolas cheias e temperadas quanto baste e um serviço muito simpático a merecer uma boa gorjeta. Não me aproximei da lagosta porque o médico (€h! €h! €h!) me disse que me fazia mal. O outro, o Caçador, na estrada Silves – Monchique, vale pelo prato especial da casa. Todo à base de carne de porco preto criado na serra, vale a pena experimentar. E não é caro… por falar nisso lembrei-me de

III – As férias e os preços

Estou totalmente de acordo que museus, exposições, parques naturais, etc., sejam de entrada paga. Mas 8€ de entrada no Parque da Mina, é um perfeito exagero. Talvez por isso, no que respeita a visitantes, estivesse praticamente às moscas. Mas as moscas que me preocupam não são essas, são as da política. Como alguém disse um dia, só mudam as moscas… e

IV – As férias e a política

Mesmo de férias lá fui arranjando um tempinho para ouvir os telejornais. E ouvir o discurso da Ministra da Educação. Devo ter andado muito distraído para nunca ter percebido porque é que quase toda a direita, tem aplaudido as suas medidas e a consideram um dos melhores ministro deste governo. Que o Diga, Luís Delgado, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos outros. O seu discurso sobre a greve dos professores e o papel dos sindicatos, deve ter deixado o deputado Nuno Melo e o deputado Telmo Correia a roerem as unhas de inveja por nunca terem ido tão longe. Quanto a si, Sr. Primeiro-Ministro em plena crise da Ford-Azambuja e dos previsíveis mais 1500 desempregados, responder aos jornalistas que só “quer falar da Europa”…(não, não, não era da Auto-Europa), fico sem comentários. Talvez seja melhor eu comentar o futebol.

V – As férias e o futebol

Como não sou um intelectual não sei comentar as opções de Scolari. Mas no dia que eles tiverem que morder a língua, eu direi mais qualquer coisa. Força Selecção! Força Figo, Deco, Petit, Ricardo, Costinha… Força Felipão!

sexta-feira, junho 09, 2006



989. Até logo, fiéis

1. O Supremo Bispo está quase a abdicar. Vai tirar uma semanita de férias, para terras algarvias e não quer regressar com o rosto coberto de vergonha pela obra que Criou lá em baixo. Haja Deus!

2. Foi bom ter sido o Supremo da Igreja da Pré-Concepção. Poderia ter sido melhor se os meus fiéis tivessem pago o dízimo. São uns forretas do caraças.

3. Os Bispos e Bispetas desta igreja e que hoje entram para os supra-numerários tirem o cavalinho da chuva que não lhes pagarei 5/6 do ordenado. Pensam que a Igreja é a casa do Sócrates ou quê?

4. Os textos que emanaram deste exercício, foram distribuídos por aqui e pelo Ante & Post, por questões de gestão do espaço e do tempo. Não são nada de especial, que o diga o número de comentários que obteve. Mas eu gostei de os escrever e isso é que é importante. Se eu não tivesse escrito o 1º ponto deste texto, agora estaria a dizer que vocês, figurinhas da minha diversão, não comentaram porque Eu não quis.

5. Então, até para a semana, quer dizer para a outra, se Eu quiser!

quinta-feira, junho 08, 2006

988. Eu sei que sou chato, mas a Deus tudo se permite

Eu não sei se a vós, figurinhas da minha diversão, já vos tinha posto na cabeça que sou Eu que ando a minar o processo Casa Pia. Mas se não acreditam leiam mais uma que Eu engendrei para PROVAR que todos os arguidos são inocentes: “A PJ transportou crianças, nas suas viaturas, sem usar a respectiva e OBRIGATÓRIA cadeirinha”. Assim, entre aspas porque esta notícia saiu, por Minha determinação, previamente em jornais. Ora sem cadeirinha não vale, é ilegal, portanto a investigação está mal feita. E claro, os coitados dos arguidos não podem ser condenados num processo assim. Mas fiz mais coisas destas, atenção. Ou já se esqueceram do envelope 9, sobre o qual eu tinha prometido um rápido e urgente inquérito, pela voz do antigo PR, e ainda ninguém sabe de nada? Acham que Eu vou deixar vocês, hologramas, gente sem alma nem coração, apenas projecções da minha imaginação, saberem tanto quanto eu?
987. Eu, Supremo Bispo, e as contas certas

Eu decidi quem seria o próximo Campeão do Mundo de Futebol. E como estamos na véspera do seu início vou já revelar o meu veredicto. Será o Brasil!

A Itália ao ganhar em 1934 e 1938 quebrou a regra dos 3964. Por isso tive de lhe aplicar o castigo (ainda hesitei entre a Itália e o Uruguai) de não voltar a vencer até 1982. É que 1982 + 1982 = 3964.

A Alemanha ganhou em 1954, 1974 e 1990. Ora 1974 + 1990 = 3964. Portanto terá de esperar mais quatro anos para voltar a vencer: 1954 + 2010 = 3964.

A Argentina ganhou em 1978 e 1986. Porque 1978 + 1986 = 3964.

O Brasil ganhou em 1970 e 1994; 1970 + 1994 = 3964.

O Brasil ganhou em 1962 e 2002, porque 1962 + 2002 = 3964.

O Brasil ganhou em 1958: Ora 3964 – 1958 = 2006.

Está decidido o vencedor.

PS. Já quebrei uma vez esta regra. A Inglaterra ganhou em 1966 e deveria ter voltado a ganhar em 1998, porque 1966 + 1998 = 3964. Mas Eu, Supremo Bispo, dei a vitória à França. Não foi um erro, foi uma vingançazinha por aquilo que eles fizeram aos magriços em 1996. Se há Deus, e como é óbvio Eu existo, então Ele é Português!

986. Ser Deus, dá muito trabalho

De facto ser Deus, ou se preferirem ser o Bispo Supremo, dá uma trabalheira danada.

Vós figurinhas de diversão, hologramas projectados no tempo e no espaço, não fazem a mínima ideia do que isso é, excepto quando me dá vontade de distribuir problemas por cada um de vós.

Ontem lembrei-me de:

* Mandar prender um líder nazi, mas depois dar poder a outro holograma para o mandar libertar;
* Convocar uma manifestação de polícias e baralhar aquelas cabeças todas que ficaram sem saber se haveriam de desfilar pela Avenida abaixo. Depois lá me decidi em mandar alguns até ao Terreiro do Paço;
* Lesionar o Cissé, só porque vocês, portugueses, aqui nesta quase jangada que construí, têm uma malapata com os franceses que desde os tempos de Soult, Junot e Massena, nunca mais vos deixei derrotá-los;
* Pôr as tropas australianas em confronto com os pacíficos GNR que mandei até àquele crocodilo de pedra flutuante chamada Timor;
* Atear mais uns quantos fogos e fazer o mundo pensar que queimar o vosso país, aos poucos e poucos, é um desígnio nacional.
* Fazer o Nuno Gomes dizer na conferência de imprensa que se os angolanos levassem uns quantos cartões vermelhos seria mais fácil aos portugueses vencer o jogo. Agora estou aqui numa trabalheira do caraças a meter na cabeça do Cristiano Ronaldo de que ele não é angolano. Esta noite o rapazinho vai se ver negro para dormir;
* Mandar uns 70 hologramas lerem o PreDatado e não conseguir que nenhum deles me pedisse a bênção, na caixa de comentários, a Mim, que sou o seu (deles) Bispo Supremo.

quarta-feira, junho 07, 2006

985. Eu, Supremo Bispo, gosto de espalhar a confusão



Tenho-me divertido à brava não só a pensar em coisas que fiz, como também em polémicas que crio e em medidas que tomo.

Em relação às coisas que fiz, falo-vos agora nos deputados que elegi o ano passado para a Assembleia de República. Quando manipulei os resultados, para que fosse aquela a distribuição parlamentar, eu já sabia da mescla que iria lá meter. Uns com convicções políticas, aos quais lhes incuti o espírito da defesa dos interesses do país acima de qualquer outra coisa (digo-vos de passagem que era essa a minha intenção quando um dia criei o conceito de política e de democracia) e outros, para que isto tudo não fosse uma monotonia sedativa, que eu lá colocaria para defesa de interesses particulares, inclusive os deles próprios. Por isso, não se admirem de que as incompatibilidades entre política e interesses seja aquilo que é, pois é assim mesmo que eu quero para continuar a alimentar a confusão. Aliás se assim não fosse, eu não teria escrito aquele poema que imortalizei na voz de outro Génio da minha Criação, que a todos vós apresentei como Zeca Afonso. É que eu não tenho por hábito, a não ser quando ando extremamente deprimido com as minhas figurinhas de diversão, de criar coisas efémeras, tais como o “pimba, pimba” e o “chama o antónio”. Por essa razão, Eu escrevo canções que não perdem a actualidade.

“…A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos,
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do universo todo
Senhores à força. mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei.

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada…”





No que respeito ás medidas que tomo, fiquem com esta sobre os fumadores, a proibição em certos locais e a afixação de caveiras e pulmões dilacerados nos maços de tabaco. E para que não abusem, mando-vos a polícia. Afinal sou o Supremo Bispo, para quê?

terça-feira, junho 06, 2006

984. Eu, Supremo Bispo, me confesso: eu também criei o futebol

Não, Scolari não é um deus, porque Deus só há um, Eu. E infelizmente ainda não consegui criar ninguém à minha imagem e semelhança. Criei um ser que gosta de futebol e a quem confiei a missão de ser seleccionador de Portugal e que, desde que chegou, tem exaltado as populações a aderirem, quase fanaticamente, ao fenómeno futebolístico a ponto de esquecerem que Eu também criei condições miseráveis para o povo, o qual, em tempo de euforia do pontapé na bola, se esquece de tudo isso. Mas há outros que eu criei a quem lhes incuti um demasiado espírito anti-futebol. São alguns intelectuais, ou reconhecidos como tal, ou pior, que se arvoraram em tal, sem que Eu lhes tivesse conseguido segurar o pulso. Hoje, algumas dessas criaturas, bajuladas por uns, naquele conceito que um dia Eu tive a infelicidade de denominar “politicamente correcto”, ou honestamente seguidos por outros que perfilham a mesma opinião, escrevem e debitam as maiores aleivosias sobre o desporto-rei (rei terreno, entenda-se) esconjurando-o ou diabolizando-o. Claro que nenhuns deles existem, uns e outros são apenas hologramas da minha diversão pessoal e vós que ledes este texto, não mais estais aqui que não por minha própria vontade, por mim mascarados de seres reais que alimentam as figurinhas da minha colecção pessoal. Mas sois, para todos os efeitos, aqueles com quem falo todos os dias e para quem inventei esta linguagem interactiva que denominei de blogosfera. Por isso, em verdade vos digo, que também criei outros seres superiores, esses sim capazes de meter no fátuo bolso das calças, que urdi para vos cobrir podengas partes, os tais intelectuais lusos, que não sei se lhes preservarei “obra valerosa” para que da lei da morte se libertem. E permiti que vos traga aqui, uma dessas superiores mentes que de vez em quando a minha veia criadora trás ao mundo e que nos deixou coisas assim:

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líqüido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

Ademir da Guia - João Cabral de Melo Neto








PS. Para saberem mais de João Cabral de Melo Neto, de Ademir da Guia, de Ascenso Ferreira e de muitas outras obras-primas da minha Criação, leiam o blogue que Eu inspiro – e respiro - sob a pena de Manoel Carlos Pinheiro, (outro) génio da cultura Pernambucana.
Para o indispensável Manoel Carlos, daqui deste lado do Atlântico, aquele abraço.

segunda-feira, junho 05, 2006

983. Diverti-vos figurantes

Ouvi contar esta história há algum tempo atrás. Em cura de toxicodependência, Maradona foi internado num hospital psiquiátrico. Alguns pacientes começaram-se a apresentar-se. Um dizia ser Napoleão, outro dizia ser Fidel Castro e por aí fora. Perguntaram a el pibe quem ele era. Quando respondeu que era o Maradona, os outros voltaram-lhe as costas, dizendo: “Este gajo deve ser maluco”.

Conheço uma pessoa que pensa que é Deus. Não o Deus dos católicos, ou dos islâmicos, nem o dos budistas ou hindus, também não é nenhum dos antigos deuses romanos, nem gregos, nem vikings, nem celtas. Ele é apenas Deus, o criador de tudo e de todos. É um Deus vivo, presente e tudo o que existe é porque ele quer que assim seja. Na verdade não há guerra, nem paz no mundo. Não há riqueza, nem fome. Não há estrelas no céu, nem magma incandescente no ventre da Terra. Vós próprios não existis. Todos sois frutos da imaginação criativa dele. No dia que Ele morrer, o mundo acaba. Todos morrereis com a sua morte cerebral. Não vos poderá mais dar vida. Não passará o carro vermelho que ele vê da janela dele, o filme que estiver em produção não terá um epílogo, o quadro não se acabará de pintar. Ele inventou as maravilhas tecnológicas que vós pensais conhecer apenas para se divertir, fazendo-vos crer que elas existem mesmo. Ele um dia explicará melhor quando lhe apetecer interagir com cada um de vós, figurantes da sua imaginação. E podereis perguntar. Se não existo como posso estar a ler este texto? E Ele responderá: porque eu quero.


Foto de José Muñoz Reales, fotógrafo espanhol, criado por Ele para trazer aos outros figurantes (e a Ele próprio), a ilusão de que o Sol materialmente existe.

sexta-feira, junho 02, 2006

982. Party Time Blog



Reunir-se-á, amanhã, em Beja o grupo dos ante-et-postadores. É o segundo convívio colectivo desde o seu nascimento, desta vez em território alentejano, não muito longe de onde eu costumo passar muitos dos meus fins-de-semana. Não sendo eu um alentejano de nascimento sou-o por afinidade já que a minha cara-metade nasceu por essas paragens e logo que a vida nos proporcionou re-adoptamos a sua terra natal como o nosso segundo lar. O Alentejo interior exerce sobre mim vários fascínios. O primeiro é a aproximação à Paz. Na “minha” zona não sou agredido pelo constante ruído dos carros, pela poluição citadina, pela má cara de quem já acorda em stress e de quem chega a casa mais ainda stressado. Eu não dou a saudação apenas às gentes da minha rua nem recebo os bons dias apenas dos vizinhos da porta do lado. Na “minha” terra todos somos vizinhos, todos nos saudamos e até os forasteiros que àquelas paragens rumam, mesmo que por horas, se cumprimentam. O segundo é a gastronomia. Ficarei por estes dois, mas se me apetecer, voltarei ao tema noutra ocasião. Mas a gastronomia de um povo, que durante anos e anos, não soube, na sua maioria, o que era comer mais de um naco de pão com toucinho salgado ou uma sopa de acelgas é na verdade espantosa. Atrevo-me a dizer que ninguém cozinha borrego como os alentejanos, que ninguém lida o porco como eles nas suas mais variadas utilizações, da banha aos torresmos, do entrecosto ao presunto, das febras aos enchidos. Comer um cozido de grão à alentejana ou uma feijoada em púcara de barro, uma sopa de cação, umas migas, uma carne de porco com amêijoas, umas ovas de saboga, um javali estufado, uma açorda de coentros, um arroz de fressura, um ensopado de borrego, um grelhado de achegas, uma lebre com feijão branco, um coelho guizado à caçador, uns pezinhos de coentrada ou um cabrito no forno é sempre um momento solene, naquelas paragens. E há o gaspacho! Ah... o gaspacho fresquinho, comido em tardes abrasadoras. Nada pode ser mais prazenteiro. E se eu começasse a discorrer pelas sobremesas… Pela sericaia, pela encharcada, pelo arroz doce, pelo pão de rala, pelo bolo de requeijão, nunca mais parava. E o post sairia longo, longo, longo que ninguém seria capaz de ler. Por isso, neste convívio que vai ser de gentes, de amigos, de familiares, vai também, pelo que temos vindo por aqui a escrever, um convívio de sabores. Alentejanos, pois claro! E regado, bem regado com vinho tinto que é como quem diz, com o néctar de todos os Deuses. E que Eles estejam connosco.

quinta-feira, junho 01, 2006

981. Começo a gostar deste Governo














A partir de hoje, quem desrespeitar a bandeira vermelha lixa-se!

quarta-feira, maio 31, 2006

980. Dia Mundial do Não Fumador





Definitivamente hoje não estou no meu dia...
979. E eu a dar-lhe

Já estou a ver a crónica no periódico argentino “El Balon” em que o Señor Miguel Souza Tavarez dá porrada no seleccionador José Pakerman por ter escolhido a fraquinha selecção de Angola para jogo de preparação.

*
Já estou a ver a crónica do zeitung alemão “Die Kugel” em que Herr Michael Schulz Tavarren dá porrada no seleccionador Jürgen Klinsmann por ter escolhido a recém promovida à primeira liga Suiça, equipa do Servette e a selecção do Luxemburgo para os jogos de preparação.
*
Já estou a ver a crónica no jornal brasileiro “A Redondinha” em que Seu Miguel de Souza e Tavares dá porrada no seleccionador Parreira por ter escolhido o Lucerna da 2ª divisão da Suiça como adversário para o jogo de preparação e ir jogar o último com a “fortíssima” Nova Zelândia.


PS. Além dos três comentadores referidos, muitos outros têm metido o bedelho na escolha dos jogos de preparação. De cabeça lembro-me de Antonich-Peter von Vasconselik, Ruy Santos, Jurgën Gabrielish.

terça-feira, maio 30, 2006

978. Força malta, todos a bater no Scolari

Tudo serve para criticar Scolari. É o todo-poderoso e intocável presidente do FCP, a dizer que ele goza com os clubes (leia-se FCP). Este personagem, que recusou a ida de Vitor Baía ao Mundial de 1989 na Arábia Saudita, é o mesmo que liderou a campanha pela convocação de Vitor Baía para este mundial, ao contrário não se tendo pronunciado sobre as opções do seu próprio treinador ao preteri-lo da sua própria equipa. Obviamente que existe muita dor de corno na não convocação de mais jogadores do FCP sendo este campeão nacional. Mas convocar quem? Helton, Marek Cech, o angolano (?) Pedro Emanuel, Lucho, Alan, Adriano, Lisandro, Macarthy? Ou seria Quaresma que, como se viu nos sub-21, demonstrou uma falta de maturidade para este tipo de competições? Acho que Pinto da Costa só chuta de trivela.
*
Se não me admiram as provocações de Pinto da Costa, também não me surpreendem os dislates de Miguel Sousa Tavares. Hoje para embirrar com Scolari, abordou em A Bola, as bandeiras nacionais, o estágio em Évora e as equipas contra quem jogamos na preparação. É óbvio que o Sousa Tavares é livre de escolher como seus heróis quem ele muito bem entenda. Não contesto a sua opção por Maria João Pires ou António Damásio em vez de Luís Figo ou Cristiano Ronaldo. Mas quem quiser ler com atenção o seu artigo esta sua revelação de patriotismo tem apenas que ver com o facto de ter sido um tipo da bola a ter apelado para o espírito patriótico dos portugueses. Um tipo da bola, mas pior que isso, “um brasileiro”. É ele que o refere, não eu. Fico no entanto sem perceber se ele acha o desfraldar de bandeiras uma saloiice, só possível num país de pacóvios como o nosso, ou se ele acha que a Ministra da Cultura, essa sim uma Portuguesa, deveria também apelar ao desfraldar de bandeiras pelo reconhecimento internacional da obra de Damásio e de Maria João Pires.
Quanto ao estágio em Évora e não nos Alpes Suíços, como referiu sobre a opção de outra selecção, só pode ser má-língua ou então distracção. Aquando da marcação do estágio para aquelas paragens (não esquecer que Beja lutou até ao fim para ganhar a presença da Selecção), não era possível prever temperaturas anormais, sublinho anormais, para a época. Estas são temperaturas habituais em Julho e Agosto, mas extraordinárias para Maio. O que aliás parece apenas ter-se verificado durante 3 dias. Já na Alemanha, o habitual é no mês de Junho se terem temperaturas na ordem dos 20 graus. Mas isso agora não interessa para nada. Ao longo de toda a caminhada das Selecções nacionais sob o comando de Scolari, nunca Miguel Sousa Tavares se coibiu de o criticar. Portanto levaria porrada na mesma, se estivesse agora a treinar debaixo de chuva e com temperaturas de 5 graus centígrados, lá nos tão deliciosos Alpes.
Já agora, sobre as selecções escolhidas para a preparação, Miguel Sousa Tavares encarrega-se apenas de mostrar uma parte da questão. Aliás como advogado que é, poderá ser deformação profissional. É normal aos advogados apenas estarem de um só lado, o da defesa ou o da acusação. E portanto a análise bilateral é irrelevante. Elogia ele os nossos adversários por terem escolhido antagonistas manifestamente mais fortes para se preparem, ao contrário de nós que escolhemos Cabo Verde e o Luxemburgo. E o que dizer dos tais antagonistas que pelo outro lado do prisma escolheram adversários manifestamente mais fracos? No entanto é sabido que as fases finais destas competições Europeias ou Mundiais são sempre competições de fim de época, onde os jogadores se apresentam quase sempre deficitários em frescura física, devido á carga de jogos efectuados. Quem iria depois responsabilizar Scolari se os jogadores, face a exigências físicas suplementares, tivessem defrontado, nesta fase, uma França, uma Holanda, uma Alemanha, um Inglaterra e se se viessem a apresentar muito mais cansados do que já é normal nesta altura do ano? Seria obviamente Miguel Sousa Tavares. Está à vista.
*
Já me admiro mais que aquele que foi durante muito tempo referido por Pinto da Costa como o sobrinho de Vitor Santos, alinhe pelo mesmo diapasão do presidente portista. Para Rui Santos além de uma outra data de considerações de ocasião, critica a selecção pela sua descontracção, tendo chegado ao cúmulo de no último Domingo, na SIC notícias, ter criticado os jogadores, os técnicos e a Federação por estes terem dado uns chutes na bola junto ao Templo de Diana. Não consegue ver, Rui Santos, quão ridículas são estas considerações? Os jogadores concentram-se, treinam, jogam e descontraem-se. Todas as selecções fazem o mesmo. Todos dão os seus passeios e convivem com as populações. Afinal, ao contrário de Miguel Sousa Tavares ainda há muitas dezenas de milhões de pessoas que têm nos seus ídolos, os jogadores de futebol. Ou será que o senhor, não gosta particularmente do Templo de Diana e fui eu que confundi com uma malapata contra Scolari?
*
Finalmente António-Pedro de Vasconcelos, tenho muito respeito pela sua obra cinematográfica da qual, confesso, gosto particularmente. Mas não seria já hora de regressar ao cinema? Nem por Scolari ter convocado Deco, elemento preponderante do seu clube, o Barcelona, você está feliz? Ah, é verdade, Deco também é brasileiro. Que chatice!

PS. Até á hora que publico este post, o meu post anterior não teve um único comentário. Mas vocês não gostam da fruta, ou quê? Olhem bem que os morangos lá descritos são ali da nossa região saloia e não morangos do nordeste brasileiro. Nem tudo é culpa do Scolari, caraças.

segunda-feira, maio 29, 2006

977. Frutas V












Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.
*
Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
*
Voltando à cor, afinal
Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto de Lyubomir Bukov deliciosamente encontrada na net pela Karla

domingo, maio 28, 2006

976. Frutas IV


Tenho com ela uma atitude nobre.
Suavemente, a rugosa veste retirando
Retribui-me essa nobreza, me mostrando
O véu sedoso que seu corpo cobre.

Espera de mim um pouco mais de aprumo.
Não a defraudo e, como se fora mestre
Dispo-a então dos restos que se veste
E já nua, chupo seu delicioso sumo.

Mas nem sempre esta atitude tomo
Gosto de a comer de feição diversa,
Por isso, a abro muitas vezes em flor.

E, egoísta, a seus gomos eu assomo.
- vou ser directo, basta de conversa -
Sou louco por laranja, (não pl’a cor).

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto de Roberto Roseano deliciosamente encontrada pela Karla

sexta-feira, maio 26, 2006

975. Frutas III















Coloco-te nas orelhas só por graça,
Dentro de água gelada ou sobre gelo.
Faço de ti licor e p’ra bebê-lo
Te verto em copo ou cristalina taça.

No meio de chocolate licoroso
Te chupo e faço, por isso, derramar,
Correndo no queixo sem queixar,
Um liquido suave e bem viscoso.

De todo o jeito, para te comer eu sou capaz
Saltar veredas e te colher na árvore
Sejas tu vermelhinha ou como mármore,

Na praça adquirir mais de um cabaz
Tal como as conversas, é assim:
Cereja puxa cereja até ao fim!

O Predatado, in Frutas e outros comeres

Foto deliciosamente obtida com a colaboração da Karla, mas não sei de onde é que ela a sacou.

quinta-feira, maio 25, 2006

974. Treinador de bancada, eu?

Apesar dos arautos da opinião desportiva, escrita e falada, esta Selecção de Sub-21 se mais não fez, pelo menos veio dar uma prévia razão a Luis Felipe Scolari. Ricardo Quaresma, João Moutinho e Manuel Fernandes não têm nem maturidade, nem qualidade para representarem uma selecção A de Portugal. Devem estar por aí, muitos a morder a língua.
973. Frutas II



Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
Em racha de onde a pevide já espreita,
Tarda o tempo em que te vou comer.









Num ritual de preliminares feito,
Apalpo-te o bojo e oiço sons
Que de dentro emites, como queixa;
- e olhas-me o instrumento já em riste.
Mas antes que te prepare o fino leito
Admiro-te a pele (de vários tons)
E como que à espera de uma deixa
Coloquei-te na mesa, e tu te abriste.

Não estás intacta, dá para ver
Teu interior vermelho, reluzente.
A água que me escorre já da boca
Que de pecaminosa gula se deleita
Quer que avance sem mais tempo perder.
E prestes chegarei com ar demente
E mordo e chupo e lambo, à louca,
Em racha onde a pevide já espreita.

É agora. Meu desejo mais não espera,
Que de esperas poderá desesperar.
E apareces-me assim feita talhada,
E no centro um castelo de prazer
Da arte de cortar a linda esfera.
Melancia, que a sede faz matar
Como se fora sede saciada.
Tarda o tempo em que te vou comer.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres



foto deliciosamente gamada no Google Images

quarta-feira, maio 24, 2006

972. Frutas I



Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.

Depois, suavemente ou sem demora
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.

Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
Embora quase sempre doutras à tona,

Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto deliciosamente gamada no Google Images

terça-feira, maio 23, 2006