domingo, junho 18, 2006


990. Eu estive de férias

I - As férias e o tempo

Um gajo sai de casa depois de um trinta e seizão de calor e ruma aos algarves de D. Sancho II. Chegado que foi, o tempo parece dar razão ao investimento ferial e vai daí aproveita o primeiro dia, que é Domingo, para dar uma vista e olhos à terra dos seus antepassados com o argumento de que terá uma semana inteirinha para trabalhar para o bronze. E se bem o disse, bem o fez e na segunda-feira lá estava ele a banhos na Rocha. Parece que o S. Pedro não gostou deste abuso de confiança e vai daí mandou chuva e vento que foi um fartote. Não tive outro remédio senão virar-me para

II – As férias e a gastronomia

E em vez de um bronze daqueles, acompanhado de umas sandochas, acabei caído em restaurantes e em petiscadas em casa de amigos. Resultado, mais três quilos e um furo diferente no cinto. Mas se a morada dos amigos não forneço, há dois restaurantes, dos que frequentei, que tenho de recomendar. Como estive centrado em Silves, não percam a marisqueira Rui. Ostras de primeira, da Ria Formosa, as amêijoas muito bem cozinhadas, as sapateiras e santolas cheias e temperadas quanto baste e um serviço muito simpático a merecer uma boa gorjeta. Não me aproximei da lagosta porque o médico (€h! €h! €h!) me disse que me fazia mal. O outro, o Caçador, na estrada Silves – Monchique, vale pelo prato especial da casa. Todo à base de carne de porco preto criado na serra, vale a pena experimentar. E não é caro… por falar nisso lembrei-me de

III – As férias e os preços

Estou totalmente de acordo que museus, exposições, parques naturais, etc., sejam de entrada paga. Mas 8€ de entrada no Parque da Mina, é um perfeito exagero. Talvez por isso, no que respeita a visitantes, estivesse praticamente às moscas. Mas as moscas que me preocupam não são essas, são as da política. Como alguém disse um dia, só mudam as moscas… e

IV – As férias e a política

Mesmo de férias lá fui arranjando um tempinho para ouvir os telejornais. E ouvir o discurso da Ministra da Educação. Devo ter andado muito distraído para nunca ter percebido porque é que quase toda a direita, tem aplaudido as suas medidas e a consideram um dos melhores ministro deste governo. Que o Diga, Luís Delgado, Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos outros. O seu discurso sobre a greve dos professores e o papel dos sindicatos, deve ter deixado o deputado Nuno Melo e o deputado Telmo Correia a roerem as unhas de inveja por nunca terem ido tão longe. Quanto a si, Sr. Primeiro-Ministro em plena crise da Ford-Azambuja e dos previsíveis mais 1500 desempregados, responder aos jornalistas que só “quer falar da Europa”…(não, não, não era da Auto-Europa), fico sem comentários. Talvez seja melhor eu comentar o futebol.

V – As férias e o futebol

Como não sou um intelectual não sei comentar as opções de Scolari. Mas no dia que eles tiverem que morder a língua, eu direi mais qualquer coisa. Força Selecção! Força Figo, Deco, Petit, Ricardo, Costinha… Força Felipão!

sexta-feira, junho 09, 2006



989. Até logo, fiéis

1. O Supremo Bispo está quase a abdicar. Vai tirar uma semanita de férias, para terras algarvias e não quer regressar com o rosto coberto de vergonha pela obra que Criou lá em baixo. Haja Deus!

2. Foi bom ter sido o Supremo da Igreja da Pré-Concepção. Poderia ter sido melhor se os meus fiéis tivessem pago o dízimo. São uns forretas do caraças.

3. Os Bispos e Bispetas desta igreja e que hoje entram para os supra-numerários tirem o cavalinho da chuva que não lhes pagarei 5/6 do ordenado. Pensam que a Igreja é a casa do Sócrates ou quê?

4. Os textos que emanaram deste exercício, foram distribuídos por aqui e pelo Ante & Post, por questões de gestão do espaço e do tempo. Não são nada de especial, que o diga o número de comentários que obteve. Mas eu gostei de os escrever e isso é que é importante. Se eu não tivesse escrito o 1º ponto deste texto, agora estaria a dizer que vocês, figurinhas da minha diversão, não comentaram porque Eu não quis.

5. Então, até para a semana, quer dizer para a outra, se Eu quiser!

quinta-feira, junho 08, 2006

988. Eu sei que sou chato, mas a Deus tudo se permite

Eu não sei se a vós, figurinhas da minha diversão, já vos tinha posto na cabeça que sou Eu que ando a minar o processo Casa Pia. Mas se não acreditam leiam mais uma que Eu engendrei para PROVAR que todos os arguidos são inocentes: “A PJ transportou crianças, nas suas viaturas, sem usar a respectiva e OBRIGATÓRIA cadeirinha”. Assim, entre aspas porque esta notícia saiu, por Minha determinação, previamente em jornais. Ora sem cadeirinha não vale, é ilegal, portanto a investigação está mal feita. E claro, os coitados dos arguidos não podem ser condenados num processo assim. Mas fiz mais coisas destas, atenção. Ou já se esqueceram do envelope 9, sobre o qual eu tinha prometido um rápido e urgente inquérito, pela voz do antigo PR, e ainda ninguém sabe de nada? Acham que Eu vou deixar vocês, hologramas, gente sem alma nem coração, apenas projecções da minha imaginação, saberem tanto quanto eu?
987. Eu, Supremo Bispo, e as contas certas

Eu decidi quem seria o próximo Campeão do Mundo de Futebol. E como estamos na véspera do seu início vou já revelar o meu veredicto. Será o Brasil!

A Itália ao ganhar em 1934 e 1938 quebrou a regra dos 3964. Por isso tive de lhe aplicar o castigo (ainda hesitei entre a Itália e o Uruguai) de não voltar a vencer até 1982. É que 1982 + 1982 = 3964.

A Alemanha ganhou em 1954, 1974 e 1990. Ora 1974 + 1990 = 3964. Portanto terá de esperar mais quatro anos para voltar a vencer: 1954 + 2010 = 3964.

A Argentina ganhou em 1978 e 1986. Porque 1978 + 1986 = 3964.

O Brasil ganhou em 1970 e 1994; 1970 + 1994 = 3964.

O Brasil ganhou em 1962 e 2002, porque 1962 + 2002 = 3964.

O Brasil ganhou em 1958: Ora 3964 – 1958 = 2006.

Está decidido o vencedor.

PS. Já quebrei uma vez esta regra. A Inglaterra ganhou em 1966 e deveria ter voltado a ganhar em 1998, porque 1966 + 1998 = 3964. Mas Eu, Supremo Bispo, dei a vitória à França. Não foi um erro, foi uma vingançazinha por aquilo que eles fizeram aos magriços em 1996. Se há Deus, e como é óbvio Eu existo, então Ele é Português!

986. Ser Deus, dá muito trabalho

De facto ser Deus, ou se preferirem ser o Bispo Supremo, dá uma trabalheira danada.

Vós figurinhas de diversão, hologramas projectados no tempo e no espaço, não fazem a mínima ideia do que isso é, excepto quando me dá vontade de distribuir problemas por cada um de vós.

Ontem lembrei-me de:

* Mandar prender um líder nazi, mas depois dar poder a outro holograma para o mandar libertar;
* Convocar uma manifestação de polícias e baralhar aquelas cabeças todas que ficaram sem saber se haveriam de desfilar pela Avenida abaixo. Depois lá me decidi em mandar alguns até ao Terreiro do Paço;
* Lesionar o Cissé, só porque vocês, portugueses, aqui nesta quase jangada que construí, têm uma malapata com os franceses que desde os tempos de Soult, Junot e Massena, nunca mais vos deixei derrotá-los;
* Pôr as tropas australianas em confronto com os pacíficos GNR que mandei até àquele crocodilo de pedra flutuante chamada Timor;
* Atear mais uns quantos fogos e fazer o mundo pensar que queimar o vosso país, aos poucos e poucos, é um desígnio nacional.
* Fazer o Nuno Gomes dizer na conferência de imprensa que se os angolanos levassem uns quantos cartões vermelhos seria mais fácil aos portugueses vencer o jogo. Agora estou aqui numa trabalheira do caraças a meter na cabeça do Cristiano Ronaldo de que ele não é angolano. Esta noite o rapazinho vai se ver negro para dormir;
* Mandar uns 70 hologramas lerem o PreDatado e não conseguir que nenhum deles me pedisse a bênção, na caixa de comentários, a Mim, que sou o seu (deles) Bispo Supremo.

quarta-feira, junho 07, 2006

985. Eu, Supremo Bispo, gosto de espalhar a confusão



Tenho-me divertido à brava não só a pensar em coisas que fiz, como também em polémicas que crio e em medidas que tomo.

Em relação às coisas que fiz, falo-vos agora nos deputados que elegi o ano passado para a Assembleia de República. Quando manipulei os resultados, para que fosse aquela a distribuição parlamentar, eu já sabia da mescla que iria lá meter. Uns com convicções políticas, aos quais lhes incuti o espírito da defesa dos interesses do país acima de qualquer outra coisa (digo-vos de passagem que era essa a minha intenção quando um dia criei o conceito de política e de democracia) e outros, para que isto tudo não fosse uma monotonia sedativa, que eu lá colocaria para defesa de interesses particulares, inclusive os deles próprios. Por isso, não se admirem de que as incompatibilidades entre política e interesses seja aquilo que é, pois é assim mesmo que eu quero para continuar a alimentar a confusão. Aliás se assim não fosse, eu não teria escrito aquele poema que imortalizei na voz de outro Génio da minha Criação, que a todos vós apresentei como Zeca Afonso. É que eu não tenho por hábito, a não ser quando ando extremamente deprimido com as minhas figurinhas de diversão, de criar coisas efémeras, tais como o “pimba, pimba” e o “chama o antónio”. Por essa razão, Eu escrevo canções que não perdem a actualidade.

“…A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos,
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do universo todo
Senhores à força. mandadores sem lei
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei.

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada…”





No que respeito ás medidas que tomo, fiquem com esta sobre os fumadores, a proibição em certos locais e a afixação de caveiras e pulmões dilacerados nos maços de tabaco. E para que não abusem, mando-vos a polícia. Afinal sou o Supremo Bispo, para quê?

terça-feira, junho 06, 2006

984. Eu, Supremo Bispo, me confesso: eu também criei o futebol

Não, Scolari não é um deus, porque Deus só há um, Eu. E infelizmente ainda não consegui criar ninguém à minha imagem e semelhança. Criei um ser que gosta de futebol e a quem confiei a missão de ser seleccionador de Portugal e que, desde que chegou, tem exaltado as populações a aderirem, quase fanaticamente, ao fenómeno futebolístico a ponto de esquecerem que Eu também criei condições miseráveis para o povo, o qual, em tempo de euforia do pontapé na bola, se esquece de tudo isso. Mas há outros que eu criei a quem lhes incuti um demasiado espírito anti-futebol. São alguns intelectuais, ou reconhecidos como tal, ou pior, que se arvoraram em tal, sem que Eu lhes tivesse conseguido segurar o pulso. Hoje, algumas dessas criaturas, bajuladas por uns, naquele conceito que um dia Eu tive a infelicidade de denominar “politicamente correcto”, ou honestamente seguidos por outros que perfilham a mesma opinião, escrevem e debitam as maiores aleivosias sobre o desporto-rei (rei terreno, entenda-se) esconjurando-o ou diabolizando-o. Claro que nenhuns deles existem, uns e outros são apenas hologramas da minha diversão pessoal e vós que ledes este texto, não mais estais aqui que não por minha própria vontade, por mim mascarados de seres reais que alimentam as figurinhas da minha colecção pessoal. Mas sois, para todos os efeitos, aqueles com quem falo todos os dias e para quem inventei esta linguagem interactiva que denominei de blogosfera. Por isso, em verdade vos digo, que também criei outros seres superiores, esses sim capazes de meter no fátuo bolso das calças, que urdi para vos cobrir podengas partes, os tais intelectuais lusos, que não sei se lhes preservarei “obra valerosa” para que da lei da morte se libertem. E permiti que vos traga aqui, uma dessas superiores mentes que de vez em quando a minha veia criadora trás ao mundo e que nos deixou coisas assim:

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líqüido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

Ademir da Guia - João Cabral de Melo Neto








PS. Para saberem mais de João Cabral de Melo Neto, de Ademir da Guia, de Ascenso Ferreira e de muitas outras obras-primas da minha Criação, leiam o blogue que Eu inspiro – e respiro - sob a pena de Manoel Carlos Pinheiro, (outro) génio da cultura Pernambucana.
Para o indispensável Manoel Carlos, daqui deste lado do Atlântico, aquele abraço.

segunda-feira, junho 05, 2006

983. Diverti-vos figurantes

Ouvi contar esta história há algum tempo atrás. Em cura de toxicodependência, Maradona foi internado num hospital psiquiátrico. Alguns pacientes começaram-se a apresentar-se. Um dizia ser Napoleão, outro dizia ser Fidel Castro e por aí fora. Perguntaram a el pibe quem ele era. Quando respondeu que era o Maradona, os outros voltaram-lhe as costas, dizendo: “Este gajo deve ser maluco”.

Conheço uma pessoa que pensa que é Deus. Não o Deus dos católicos, ou dos islâmicos, nem o dos budistas ou hindus, também não é nenhum dos antigos deuses romanos, nem gregos, nem vikings, nem celtas. Ele é apenas Deus, o criador de tudo e de todos. É um Deus vivo, presente e tudo o que existe é porque ele quer que assim seja. Na verdade não há guerra, nem paz no mundo. Não há riqueza, nem fome. Não há estrelas no céu, nem magma incandescente no ventre da Terra. Vós próprios não existis. Todos sois frutos da imaginação criativa dele. No dia que Ele morrer, o mundo acaba. Todos morrereis com a sua morte cerebral. Não vos poderá mais dar vida. Não passará o carro vermelho que ele vê da janela dele, o filme que estiver em produção não terá um epílogo, o quadro não se acabará de pintar. Ele inventou as maravilhas tecnológicas que vós pensais conhecer apenas para se divertir, fazendo-vos crer que elas existem mesmo. Ele um dia explicará melhor quando lhe apetecer interagir com cada um de vós, figurantes da sua imaginação. E podereis perguntar. Se não existo como posso estar a ler este texto? E Ele responderá: porque eu quero.


Foto de José Muñoz Reales, fotógrafo espanhol, criado por Ele para trazer aos outros figurantes (e a Ele próprio), a ilusão de que o Sol materialmente existe.

sexta-feira, junho 02, 2006

982. Party Time Blog



Reunir-se-á, amanhã, em Beja o grupo dos ante-et-postadores. É o segundo convívio colectivo desde o seu nascimento, desta vez em território alentejano, não muito longe de onde eu costumo passar muitos dos meus fins-de-semana. Não sendo eu um alentejano de nascimento sou-o por afinidade já que a minha cara-metade nasceu por essas paragens e logo que a vida nos proporcionou re-adoptamos a sua terra natal como o nosso segundo lar. O Alentejo interior exerce sobre mim vários fascínios. O primeiro é a aproximação à Paz. Na “minha” zona não sou agredido pelo constante ruído dos carros, pela poluição citadina, pela má cara de quem já acorda em stress e de quem chega a casa mais ainda stressado. Eu não dou a saudação apenas às gentes da minha rua nem recebo os bons dias apenas dos vizinhos da porta do lado. Na “minha” terra todos somos vizinhos, todos nos saudamos e até os forasteiros que àquelas paragens rumam, mesmo que por horas, se cumprimentam. O segundo é a gastronomia. Ficarei por estes dois, mas se me apetecer, voltarei ao tema noutra ocasião. Mas a gastronomia de um povo, que durante anos e anos, não soube, na sua maioria, o que era comer mais de um naco de pão com toucinho salgado ou uma sopa de acelgas é na verdade espantosa. Atrevo-me a dizer que ninguém cozinha borrego como os alentejanos, que ninguém lida o porco como eles nas suas mais variadas utilizações, da banha aos torresmos, do entrecosto ao presunto, das febras aos enchidos. Comer um cozido de grão à alentejana ou uma feijoada em púcara de barro, uma sopa de cação, umas migas, uma carne de porco com amêijoas, umas ovas de saboga, um javali estufado, uma açorda de coentros, um arroz de fressura, um ensopado de borrego, um grelhado de achegas, uma lebre com feijão branco, um coelho guizado à caçador, uns pezinhos de coentrada ou um cabrito no forno é sempre um momento solene, naquelas paragens. E há o gaspacho! Ah... o gaspacho fresquinho, comido em tardes abrasadoras. Nada pode ser mais prazenteiro. E se eu começasse a discorrer pelas sobremesas… Pela sericaia, pela encharcada, pelo arroz doce, pelo pão de rala, pelo bolo de requeijão, nunca mais parava. E o post sairia longo, longo, longo que ninguém seria capaz de ler. Por isso, neste convívio que vai ser de gentes, de amigos, de familiares, vai também, pelo que temos vindo por aqui a escrever, um convívio de sabores. Alentejanos, pois claro! E regado, bem regado com vinho tinto que é como quem diz, com o néctar de todos os Deuses. E que Eles estejam connosco.

quinta-feira, junho 01, 2006

981. Começo a gostar deste Governo














A partir de hoje, quem desrespeitar a bandeira vermelha lixa-se!

quarta-feira, maio 31, 2006

980. Dia Mundial do Não Fumador





Definitivamente hoje não estou no meu dia...
979. E eu a dar-lhe

Já estou a ver a crónica no periódico argentino “El Balon” em que o Señor Miguel Souza Tavarez dá porrada no seleccionador José Pakerman por ter escolhido a fraquinha selecção de Angola para jogo de preparação.

*
Já estou a ver a crónica do zeitung alemão “Die Kugel” em que Herr Michael Schulz Tavarren dá porrada no seleccionador Jürgen Klinsmann por ter escolhido a recém promovida à primeira liga Suiça, equipa do Servette e a selecção do Luxemburgo para os jogos de preparação.
*
Já estou a ver a crónica no jornal brasileiro “A Redondinha” em que Seu Miguel de Souza e Tavares dá porrada no seleccionador Parreira por ter escolhido o Lucerna da 2ª divisão da Suiça como adversário para o jogo de preparação e ir jogar o último com a “fortíssima” Nova Zelândia.


PS. Além dos três comentadores referidos, muitos outros têm metido o bedelho na escolha dos jogos de preparação. De cabeça lembro-me de Antonich-Peter von Vasconselik, Ruy Santos, Jurgën Gabrielish.

terça-feira, maio 30, 2006

978. Força malta, todos a bater no Scolari

Tudo serve para criticar Scolari. É o todo-poderoso e intocável presidente do FCP, a dizer que ele goza com os clubes (leia-se FCP). Este personagem, que recusou a ida de Vitor Baía ao Mundial de 1989 na Arábia Saudita, é o mesmo que liderou a campanha pela convocação de Vitor Baía para este mundial, ao contrário não se tendo pronunciado sobre as opções do seu próprio treinador ao preteri-lo da sua própria equipa. Obviamente que existe muita dor de corno na não convocação de mais jogadores do FCP sendo este campeão nacional. Mas convocar quem? Helton, Marek Cech, o angolano (?) Pedro Emanuel, Lucho, Alan, Adriano, Lisandro, Macarthy? Ou seria Quaresma que, como se viu nos sub-21, demonstrou uma falta de maturidade para este tipo de competições? Acho que Pinto da Costa só chuta de trivela.
*
Se não me admiram as provocações de Pinto da Costa, também não me surpreendem os dislates de Miguel Sousa Tavares. Hoje para embirrar com Scolari, abordou em A Bola, as bandeiras nacionais, o estágio em Évora e as equipas contra quem jogamos na preparação. É óbvio que o Sousa Tavares é livre de escolher como seus heróis quem ele muito bem entenda. Não contesto a sua opção por Maria João Pires ou António Damásio em vez de Luís Figo ou Cristiano Ronaldo. Mas quem quiser ler com atenção o seu artigo esta sua revelação de patriotismo tem apenas que ver com o facto de ter sido um tipo da bola a ter apelado para o espírito patriótico dos portugueses. Um tipo da bola, mas pior que isso, “um brasileiro”. É ele que o refere, não eu. Fico no entanto sem perceber se ele acha o desfraldar de bandeiras uma saloiice, só possível num país de pacóvios como o nosso, ou se ele acha que a Ministra da Cultura, essa sim uma Portuguesa, deveria também apelar ao desfraldar de bandeiras pelo reconhecimento internacional da obra de Damásio e de Maria João Pires.
Quanto ao estágio em Évora e não nos Alpes Suíços, como referiu sobre a opção de outra selecção, só pode ser má-língua ou então distracção. Aquando da marcação do estágio para aquelas paragens (não esquecer que Beja lutou até ao fim para ganhar a presença da Selecção), não era possível prever temperaturas anormais, sublinho anormais, para a época. Estas são temperaturas habituais em Julho e Agosto, mas extraordinárias para Maio. O que aliás parece apenas ter-se verificado durante 3 dias. Já na Alemanha, o habitual é no mês de Junho se terem temperaturas na ordem dos 20 graus. Mas isso agora não interessa para nada. Ao longo de toda a caminhada das Selecções nacionais sob o comando de Scolari, nunca Miguel Sousa Tavares se coibiu de o criticar. Portanto levaria porrada na mesma, se estivesse agora a treinar debaixo de chuva e com temperaturas de 5 graus centígrados, lá nos tão deliciosos Alpes.
Já agora, sobre as selecções escolhidas para a preparação, Miguel Sousa Tavares encarrega-se apenas de mostrar uma parte da questão. Aliás como advogado que é, poderá ser deformação profissional. É normal aos advogados apenas estarem de um só lado, o da defesa ou o da acusação. E portanto a análise bilateral é irrelevante. Elogia ele os nossos adversários por terem escolhido antagonistas manifestamente mais fortes para se preparem, ao contrário de nós que escolhemos Cabo Verde e o Luxemburgo. E o que dizer dos tais antagonistas que pelo outro lado do prisma escolheram adversários manifestamente mais fracos? No entanto é sabido que as fases finais destas competições Europeias ou Mundiais são sempre competições de fim de época, onde os jogadores se apresentam quase sempre deficitários em frescura física, devido á carga de jogos efectuados. Quem iria depois responsabilizar Scolari se os jogadores, face a exigências físicas suplementares, tivessem defrontado, nesta fase, uma França, uma Holanda, uma Alemanha, um Inglaterra e se se viessem a apresentar muito mais cansados do que já é normal nesta altura do ano? Seria obviamente Miguel Sousa Tavares. Está à vista.
*
Já me admiro mais que aquele que foi durante muito tempo referido por Pinto da Costa como o sobrinho de Vitor Santos, alinhe pelo mesmo diapasão do presidente portista. Para Rui Santos além de uma outra data de considerações de ocasião, critica a selecção pela sua descontracção, tendo chegado ao cúmulo de no último Domingo, na SIC notícias, ter criticado os jogadores, os técnicos e a Federação por estes terem dado uns chutes na bola junto ao Templo de Diana. Não consegue ver, Rui Santos, quão ridículas são estas considerações? Os jogadores concentram-se, treinam, jogam e descontraem-se. Todas as selecções fazem o mesmo. Todos dão os seus passeios e convivem com as populações. Afinal, ao contrário de Miguel Sousa Tavares ainda há muitas dezenas de milhões de pessoas que têm nos seus ídolos, os jogadores de futebol. Ou será que o senhor, não gosta particularmente do Templo de Diana e fui eu que confundi com uma malapata contra Scolari?
*
Finalmente António-Pedro de Vasconcelos, tenho muito respeito pela sua obra cinematográfica da qual, confesso, gosto particularmente. Mas não seria já hora de regressar ao cinema? Nem por Scolari ter convocado Deco, elemento preponderante do seu clube, o Barcelona, você está feliz? Ah, é verdade, Deco também é brasileiro. Que chatice!

PS. Até á hora que publico este post, o meu post anterior não teve um único comentário. Mas vocês não gostam da fruta, ou quê? Olhem bem que os morangos lá descritos são ali da nossa região saloia e não morangos do nordeste brasileiro. Nem tudo é culpa do Scolari, caraças.

segunda-feira, maio 29, 2006

977. Frutas V












Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.
*
Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
*
Voltando à cor, afinal
Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto de Lyubomir Bukov deliciosamente encontrada na net pela Karla

domingo, maio 28, 2006

976. Frutas IV


Tenho com ela uma atitude nobre.
Suavemente, a rugosa veste retirando
Retribui-me essa nobreza, me mostrando
O véu sedoso que seu corpo cobre.

Espera de mim um pouco mais de aprumo.
Não a defraudo e, como se fora mestre
Dispo-a então dos restos que se veste
E já nua, chupo seu delicioso sumo.

Mas nem sempre esta atitude tomo
Gosto de a comer de feição diversa,
Por isso, a abro muitas vezes em flor.

E, egoísta, a seus gomos eu assomo.
- vou ser directo, basta de conversa -
Sou louco por laranja, (não pl’a cor).

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto de Roberto Roseano deliciosamente encontrada pela Karla

sexta-feira, maio 26, 2006

975. Frutas III















Coloco-te nas orelhas só por graça,
Dentro de água gelada ou sobre gelo.
Faço de ti licor e p’ra bebê-lo
Te verto em copo ou cristalina taça.

No meio de chocolate licoroso
Te chupo e faço, por isso, derramar,
Correndo no queixo sem queixar,
Um liquido suave e bem viscoso.

De todo o jeito, para te comer eu sou capaz
Saltar veredas e te colher na árvore
Sejas tu vermelhinha ou como mármore,

Na praça adquirir mais de um cabaz
Tal como as conversas, é assim:
Cereja puxa cereja até ao fim!

O Predatado, in Frutas e outros comeres

Foto deliciosamente obtida com a colaboração da Karla, mas não sei de onde é que ela a sacou.

quinta-feira, maio 25, 2006

974. Treinador de bancada, eu?

Apesar dos arautos da opinião desportiva, escrita e falada, esta Selecção de Sub-21 se mais não fez, pelo menos veio dar uma prévia razão a Luis Felipe Scolari. Ricardo Quaresma, João Moutinho e Manuel Fernandes não têm nem maturidade, nem qualidade para representarem uma selecção A de Portugal. Devem estar por aí, muitos a morder a língua.
973. Frutas II



Coloquei-te na mesa, e tu te abriste
Em racha de onde a pevide já espreita,
Tarda o tempo em que te vou comer.









Num ritual de preliminares feito,
Apalpo-te o bojo e oiço sons
Que de dentro emites, como queixa;
- e olhas-me o instrumento já em riste.
Mas antes que te prepare o fino leito
Admiro-te a pele (de vários tons)
E como que à espera de uma deixa
Coloquei-te na mesa, e tu te abriste.

Não estás intacta, dá para ver
Teu interior vermelho, reluzente.
A água que me escorre já da boca
Que de pecaminosa gula se deleita
Quer que avance sem mais tempo perder.
E prestes chegarei com ar demente
E mordo e chupo e lambo, à louca,
Em racha onde a pevide já espreita.

É agora. Meu desejo mais não espera,
Que de esperas poderá desesperar.
E apareces-me assim feita talhada,
E no centro um castelo de prazer
Da arte de cortar a linda esfera.
Melancia, que a sede faz matar
Como se fora sede saciada.
Tarda o tempo em que te vou comer.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres



foto deliciosamente gamada no Google Images

quarta-feira, maio 24, 2006

972. Frutas I



Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.

Depois, suavemente ou sem demora
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.

Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
Embora quase sempre doutras à tona,

Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.

O PreDatado, in Frutas e outros comeres

foto deliciosamente gamada no Google Images

terça-feira, maio 23, 2006

domingo, maio 21, 2006

970. No Alentejo...

Mais um fim-de-semana que passou. Desta vez aproveitei para voltar ao Alentejo. Mas volto sempre do Alentejo com nostalgia e com mais riqueza. Desta vez é a nostalgia dos sabores. No Alentejo, comem-se ovas de saboga, come-se javali estufado e come-se cozido de grão. Com cheirinho a hortelã. Experimentem, quando forem para aquelas bandas, o restaurante “A Paragem”, nos Corvos ou o “Café Alentejo” na Moreanes. Ah, não sabem onde fica? Pois eu dou-vos a morada. Não tem nada que enganar. Quando chegam a Mértola, em vez de seguirem direitinhos que nem um fuso para as praias quentes do Algarve, façam um desvio assim como quem vai directo à Mina de S. Domingos. Cerca de 3 kms depois de deixarem Mértola encontram uma placa a indicar Corvos para a esquerda. Não custa nada. Mas se quiserem seguir em frente, sem fazer desvio, vão passar à Moreanes. Aí procurem o Café Alentejo. Quer num sítio, quer noutro, não se vão arrepender. Depois de almoço, aproveitem e dêem um pulinho à Mina de S. Domingos. Vejam a belíssima praia fluvial da Tapada que lá temos e não esqueçam de visitar o Museu da Mina. Viver e aprender. E por falar em aprender, eu disse que voltei mais rico e voltei mesmo. Lá na Moreanes conheci o filho do ti Rosa. O Chico Rosa sabe de cor quase todos os poemas do seu falecido pai. Poemas de grande valor cultural e que não estão escritos em lado nenhum. Feitos pelo ti Rosa, um homem que nem ler sabia. E assim, um dia mais tarde, se vão perder as memorias que o tempo se encarregará de apagar.

PS. Fiquei a saber que o Benfica já tem novo treinador. Não desgosto da opção, mas também não fiquei entusiasmado. No entanto, a partir de hoje, este é o meu treinador, que é como quem diz, o melhor treinador do mundo. Força Fernando Santos. Viva o Glorioso SLB!

terça-feira, maio 16, 2006

969. Um espectáculo espectacular ou a sem vergonhice quarto-mundista. Avé Caesar!

Inaugura-se a nova Praça de Touros do Campo Pequeno. Apesar do Coliseu, apesar do Pavilhão Atlântico e apesar do Parque da Bela Vista e talvez também apesar do Centro Comercial Colombo ou do Centro Comercial Vasco da Gama, acredito que Lisboa precisasse de um espaço assim. Um espaço de espectáculos ao ar livre e um espaço comercial mesmo no coração da cidade. Mas (há sempre um mas) este recinto vai também e pior, principalmente, ser palco de um dos mais brutais espectáculos dos nossos tempos: a Tourada.

E se tourada é considerada um espectáculo é porque ela é espectacular. E eu não nego que o seja. Já vi mais de um milhar de fotos de tourada, da espectacularidade das fintas de um bem tratado e ornamentado cavalo, da não menos espectacular chicuelina ou da meia verónica. Dos espectaculares picadores e da espectacular estocada final. Um espectáculo. Mas não deixa de ser espectacular (literalmente) uma foto das torres gémeas de Nova York a arder, das imagens espectaculares de um incêndio na serra da Estrela, do espectacular cogumelo de Hiroshima. Alguém duvida? E quem defende?

Amar os touros! Este é um argumento usado pelos defensores da tourada. Amar os touros torturando-os e, agravadamente, em público! Amar os touros! Tal como foi amar a paz atacar as torres de NY! Os argumentos não são muito diferentes. São de pessoas que amam.

Claro está que no campo, são bem tratados, são acarinhados, são alimentados; é preciso apresentá-los em bom porte na arena. Ninguém ligaria a uma tourada em que um touro esquelético, quase moribundo, entrasse na lide. Não teria público, não seria lidado. Como os antigos gladiadores. Sofrer e morrer na arena. Mas eram sempre os mais fortes e os mais bem alimentados. Um espectáculo.

Publicado anteriormente no ante-et-post

segunda-feira, maio 15, 2006

968. Eu não tenho dúvidas

A partir de hoje a escolha de Luís Felipe Scolari é a minha escolha. Independentemente de que num lugar ou noutro eu tenha tido até ás 20horas uma opinião não coincidente, desde o momento que foram anunciados os 23, estes são os que apoiarei.

domingo, maio 14, 2006

967. Épocas

Com o jogo da Taça, terminou hoje a época de futebol. Amanhã começará a época de incêndios. O treinador nacional, também conhecido como ministro, António Costa, convocou, bombeiros, GNRs e meios aéreos nunca vistos. Há quem acredite que vamos dar uma abada aos incêndios que estes até vão andar de banda. A ver vamos. Prognósticos só os faço no fim, como se tornou costume em Portugal.

Esta semana foi uma semana muito rica em eventos. O professor Carrilho ensaiou uma rábula em forma de livro, chamado a “Vingança serve-se fria”. Fiquei lavado em lágrimas enquanto li o livro. Não se podem fazer coisas destas ao homem, caraças. É bem feita que para a próxima ele não dê mais apertos de mão a ninguém.

A marcha contra o fecho das maternidades ensaiou pelas ruas da capital. Ao contrário das tradicionais marchas de Lisboa os balões não vinham içados no alto dos arquinhos pois algumas mulheres apareceram com o balão escondido debaixo do vestido, junto ao ventre. Reivindicam o direito de rebentar o balão lá na terra e não na terra do vizinho. Consta que o ministro, sensível ao argumento, ao contrário do fecho anunciado de várias maternidades, vai mandar construir uma em cada freguesia do país. Com esta medida, acredita-se que Canas de Senhorim não volte a querer ser Concelho. Jorge Sampaio até respirará de alívio.

Por falar em Jorge Sampaio, o antigo presidente da república, foi esta semana nomeado enviado especial da ONU na luta contra a tuberculose. Envio-lhe daqui os parabéns e um pacote de lenços Cleenex. Aliás, eu gosto muito de oferecer lenços de papel às pessoas, mas a remessa que enviei para Belém a semana passada veio-me devolvida com a mensagem “Agradecemos a lembrança, mas somos a informá-lo que apesar da afirmação do Sr. Presidente de que os portugueses têm de levantar a sua autoestima, ser igual a uma afirmação semelhante do anterior presidente, esta foi dita sem o derrame de uma única lágrima, pelo que o seu bem intencionado presente não será de grande utilidade neste Palácio”.

Havia mais para escrever mas agora estou cheio de fome e vou jantar. Não vou comer lebre, nem tão pouco gato por lebre. Vou comer uma refinada posta de bacalhau. Sem sabor a petróleo. Quero ver se durante a semana o PreDatado não anda tão preguiçoso como andou na pretérita. Ficará atento ao desenrolar dos acontecimentos, principalmente a quem substituirá Ronald Koeman. Beijinhos e abraços.

domingo, maio 07, 2006

966. Porque há outros momentos para chorar...

porque não aceitar a sugestão da Ana?

"todas as manhãs ao acordar, antes de abrires os olhos, espreguiça-te como um gato. estica todas as fibras do teu corpo. após três ou quatro minutos, ainda com os olhos fechados, começa a rir. durante uns minutos não pares de rir. a princípio é apenas riso mas em pouco tempo o som da tua tentativa dará lugar a riso genuíno. deixa-te levar pelo riso. pode demorar vários dias a acontecer, uma vez que não estamos minimamente acostumados ao fenómeno. mas a qualquer momento será espontâneo e alterará toda a natureza dos teus dias"

sábado, maio 06, 2006

965. Muitos segundos tem meia-hora!

- Tenho uns amigos muito chatos, disse eu em tom de desabafo, enquanto olhava para a borra no fundo da chávena de café.
O Malaquias que estava embrenhado a ler “Anjos e Demónios” – mais uma vítima da publicidade – pensei eu, que não sou fã de Dan Brown, nem levantou os olhos, mas interrogou-me:
- Chatos porquê?
- Só falam de bola, pá!
O Malaquias deve ter acabado de ler a frase ou o paragrafo, colocou o marcador, fechou o livro, levantou a cabeça e,
- Isso interessa-me, pá!
- Olha outro… de repente deu-me um arrependimento por ter levantado a lebre. Primeiro porque tinha a certeza que ele iria pedir-me para clarificar e a última coisa que me apetecia era falar de bola. Segundo, porque tinha de aturar um “pá” em cada duas palavras. Juro que só por vergonha é que ainda tomo café com o Malaquias. Toca-me à campainha todos os sábados de manhãs, “Então Pré, vamos ao Aguiar?”. De vez em quando arranjo uma desculpa, mas como não posso evitar sempre, lá acedo. Se não trás um livro “da moda” na mão, chega à mesa, procura ávido e ansioso ou o Correio ou 24 Horas e passa amanhã toda “é pá, já leste esta, pá?, o gajo matou a própria mãe, pá, um tiros nos cornos, pá, é o que estes gajos merecem, pá, se fosse na América ias ver, pá”. Eu já finjo que nem oiço, normalmente tento dar uma volta ao texto e lá vem o gajo, “caralho, ao fim destes anos todos ainda és comuna, pá?, qual integração social, qual merda, isto vai lá é com a pena de morte”. Finjo que não o oiço.
- Desembucha, pá, o que é que esses gajos te andam a chatear a cabeça com bola, pá?
- Coisas, sem importância, Malacas (que é como eu o trato), de novo a treta de um tal Apito Dourado, digo eu para ver se arrepio caminho e se ele volta ao Dan Brown.
- Sem importância, pá? Sem importância, insistiu, e eu cada vez mais arrependido de ter feito o comentário.
- Deixa lá, Malacas, estás a gostar do livro? – tentei disfarçar.
- Caga no livro, pá – riposta-me o Malaquias, como se fosse eu que não tivesse levantado os olhos do livro durante os quase 15 minutos, desde que entrou no café. – Os gajos têm muita razão, pá, lembras-te do caso da corrupção na arbitragem no Brasil?
- Lembro-me mais ou menos, mas o que é que isso vem para o caso.
- Isso foi descoberto muito tempo depois do Apito Dourado e já está resolvido, pá.
Eu juro que ele me está a mentir. No Brasil? Ainda se isso fosse na Alemanha, vá lá, vá lá.
- E na Alemanha, pá?
Caiu-me o queixo no chão. O Malaquias, além de saber tudo de bola, ainda sabe ler pensamentos.
- O que é houve na Alemanha? Perguntei eu, na minha ingénua ignorância sobre futebol.
- Na Alemanha, o mesmo, pá. Foram de cana, pagaram multas, foram expulso da arbitragem, pá. Foda-se pá, andas a leste ou quê? Ou só vês telenovelas?
Rebentei. Eu não só não gosto de telenovelas, mas também não sou tão desinformado assim. Falei-lhe num artigo do Miguel Sousa Tavares que me tinha chegado por e-mail, em que ele se regozijava pelo facto de o Apito Dourado estar a ser arquivado. Falava num tal Pinto da Costa e num tal Valentim, que não imagino quem sejam, mas ao que parece, o Sousa Tavares gosta muita muito e por isso estava tão contente.
- Não me fodas pá!, Tu não me fodas com o esse gajo, pá. Olha que eu perco a calma. Tu não vês que esse gajo manda às urtigas tudo o que é ética, quando lhe tocam nos padrinhos? – Eu estava cada vez mais estupefacto – esse gajo se não fosse filho de quem foi, pá, esse gajo nem advogado, nem escritor, nem merda nenhuma. Quanto muito era um caçador de perdizes. Tu não me fodas com esse gajo.
Tenho aqui eu fazer um parêntesis para vos dizer que me senti acabrunhado. À nossa volta já se tinha juntado um magote de malta, uns conhecidos, outros não. Havia até apostas de que o Malaquias me iria às trombas se eu voltasse a falar do Miguel Sousa Tavares. Eu tentei acalmei as coisas.
- Nisso tens razão, Malacas, parece que esse gajo, usando a expressão dele, mas que parecia nova para o Malaquias...
- Gajo! Dizes bem pá, pior que gajo, pá, - interrompeu-me. E vais ver um dia deste ele a defender que o caso em Itália tem de ir ao até ao fim., pá. Até envolve o Micoli e tudo!
- Chamei o Aguiar e pedi a conta. Olha o Micoli também metido nisto. Quem será o tal Micoli? – levantei-me e disse-lhe que amanhã não ía fazer joging ao Parque da Paz.
- E não te esqueças disto que te vou dizer, pá. Em Itália só começou agora e vai ser mais rápido que o Apito Dourado!
Eu, é que saí rápido. Estas merdas da bola não me interessam nada. Mas mesmo assim vim pelo caminho a pensar quem seriam os Anjos e os Demónios nesta conversa. Meia hora da minha vida dedicada à bola. Foda-se! Meia hora! Muitos segundos tem meia-hora!

terça-feira, maio 02, 2006

964. Atentado

Não foi nem no Iraque nem no Afeganistão. Também não foi no Sudão nem no Egipto. Parece que desta vez a Al-Qaeda não esteve envolvida. Pelo menos não houve nenhum comunicado lido ou gravado que tenha sido transmitido pela Al-Jazhira. No entanto resultaram 15 mortos e algumas dezenas de feridos. Aconteceu nas estradas portuguesas neste fim de semana. Não foi reinvidicado.

quinta-feira, abril 27, 2006

963. Eu não acredito e vocês?

Tudo bem, justiça é justiça e faça-se justiça num estado de direito. Os políticos quando instados a pronunciar-se dizem sempre “não comento decisões judiciais”. Estão no direito deles. De não comentarem. De não se comprometerem. Aliás é normal não se comprometerem. Os votos contam muito e é à conta dos votos que eles lá estão. Mas eu não sou da política e acredito naquilo que eu quiser. O S. Tomé agia de um modo semelhante. Gostava de ver primeiro. O que me distingue de S. Tomé é que vejo demais para os meus míopes olhos. Por isso, nem vendo eu acredito. Não sou obrigado a acreditar. Não acredito na Justiça em Portugal e pronto! C’est finit. Aliás, a propósito do francesismo utilizado, alguém se lembra ainda da condenação do todo-poderoso Bernard Tappie em França? “Mas,” dizem vocês, “França não é propriamente um país do terceiro mundo”. “Pois!” digo eu que sou parco em palavras. Vamos vendo, paulatinamente, sendo arquivados processos associados ao Apito Dourado. Ontem um, hoje outro, até ao arquivo final. E já agora, há algum poderoso no processo Casa Pia? “Pois!” digo eu que sou parco em palavras.

(Colocado previamente no ante-et-post)

terça-feira, abril 25, 2006

962. Hoje é dia 25 de Abril

Antes. Manifestação em Lisboa de Apoio a Salazar. Camionetas vindas de todo o país invadem a capital numa grande manifestação de apoio a Salazar. A Emissora Nacional faz a reportagem da chegada dos manifestantes.
EN – Minha senhora de onde vem?
Popular – De Carrajeda de Anshiães.
EN – Porque é que veio a esta manifestação?
Popular – Bim ber o Baltajar.

Depois. Sócrates ganha as eleições. Manifestação popular em frente à sede da candidatura. A população eufórica exige a presença de Sócrates na varanda. A RTP faz a reportagem.
RTP – Minha senhora de onde veio?
Popular – De Lisboa. Sócras! Sócras! Sócras!
RTP – Está muito feliz com a vitória do Partido Socialista?
Popular – Sempre apoiei o Sócras. Viva o Sócras! Sócras! Sócras! Sócras!

Ainda está muito Abril por realizar!

segunda-feira, abril 24, 2006

961. Solidariedade (com um reparo)


A maria_árvore convidou-me a expressar a minha solidariedade com uma organização à minha escolha. Vou escolher a PORTA ABERTA e a campanha Sorrisinho, juntando gratuitamente a minha voz (neste caso o meu texto) à campanha que está a decorrer de recolha de fundos para a construção do novo Centro de Acolhimento para crianças em risco.



Faço-o a título gratuíto como penso que, embora figuras públicas, o tenham feito as pessoas que aparecem no prospecto de divulgação. Nem outra coisa seria de esperar tratando-se de uma campanha de solidariedade.



Fica aqui mais informação nomeadamente o NIB para quem quiser contribuir.



Finalmente fica aqui, também, o tal reparo a que faço referência no título. Hoje mesmo comprei um dos objectos, uma pequena boneca em pano, que a campanha está a vender em troco dos 5€ de solidariedade. Provavelmente o "Sorrisinho" já estará esgotado, mas isso não é o busilis da questão. Essa bonequinha tinha uma etiqueta, com as recomendações obrigatórias para crianças e a origem do produto: Made in China. Tendo em conta que a PORTA ABERTA acolhe crianças vítimas de maus tratos, não teria sido de bom tom, advertir o comprador do Sorrisinho de que o mesmo não tinha sido fabricado com recurso a trabalho infantil ou semi-escravo? Ou será que foi?
960. AhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAh

Não consigo parar de rir...AhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAh...acabei de ouvir que...AhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAh...um dos processos a Pinto da Costa, no Apito Dou...AhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAh...rado, foi arquivado. AhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAhAh. Ajudem-me a parar de rir.

sábado, abril 22, 2006

959. Anónimo, mas feliz

Estive a fazer umas contas de cabeça as quais me atrevo a denunciar aqui. Trabalhei em 8 empresas onde deverei ter conhecido, para não exagerar, em média umas 100 pessoas, o que dará 800 conhecidos. Desde a pré-primária à faculdade estudei durante 17 anos. Tendo em conta que fiz mais um curso médio de 3 anos, foram 20 anos de escola. As turmas, na generalidade, repetiam-se de ano para ano. Descontando os que chumbavam e ficavam para trás e somando os repetentes que não avançavam eu teria conhecido em média 10 novos colegas por ano. A acrescentar aos 40 em cada salto de fase, entrada na pré, entrada o liceu, entrada na faculdade, etc etc, tive como colegas umas trezentas e sessenta cabeças. Tendo em conta que a escola não é uma turma isolada acrescentarei mais 50% pelos conhecimentos concomitantes o que perfaz os seus 540, logo já terei 1340 pessoas conhecidas. Fui professor numa faculdade e num colégio, terei tido uns 300 alunos. Fiz também alfabetização, antes do 25 de Abril, a umas 60 crianças, o que soma o bonito número de 1700. Da vizinhança, já que apenas morei em três sítios diferentes, um dos quais em prédio com elevador onde só vim a conhecer os 10 vizinhos na primeira reunião de condóminos, mas fortemente compensado pelo facto de antes ter morado num bairro, que embora pequeno ou talvez por isso, todos se conheciam, atrevo-me a adicionar 300 conhecidos. Entretanto fui juntando aos meus conhecidos, alguns conhecidos da minha mulher e dos meus filhos, os motoristas de autocarro, o dono da mercearia, a senhora da tabacaria onde religiosamente adquiro, há 25 anos, os meus dois macitos diários, os 4 proprietários do café, por via dos sucessivos trespasses, onde tomo a bica matinal, aquelas 6 pessoas que costumavam comer ao meu lado no restaurante do Carlos, o próprio Carlos, o cobrador das quotas do Benfica, antes da moda do débito directo em conta bancária, o porteiro do Almada que fazia vista grossa aos meus 7 anos de idade deixando-me passar à borla para ir ver o jogo e mais uns quantos singulares por aqui e por ali. Vou já em mais de 2000 pessoas conhecidas, talvez uns 2020, tentando ser rigoroso. Na blogosfera, por via das caixas de comentários e da minha colaboração num outro blog, já conheço umas 30 pessoas. Não está mal para contas de cabeça considerar 2050, pois os números redondos são mais fáceis de fixar. Para facilitação do raciocínio vou considerar que todas estas pessoas são ainda vivas à hora em que termino os cálculos a quem junto mais 150 tipos que comigo jogaram futebol desde puto. Não sei se estas 2200 pessoas sabem todas o meu nome, não sei se acreditam que Alves Fernandes faz mesmo parte do meu registo de nascimento ou se algumas pensam que é pseudónimo. Também não lhes vou satisfazer essa dúvida.
Chegado ao número 2200 decidi não adicionar mais nenhum conhecimento, por achar completamente ridículo este cálculo. Se restringirmos o Universo em estudo apenas à população portuguesa e simplificarmos o cálculo comparativo aos 10 milhões, eu apenas sou conhecido por 0,022% da população pelo que sou um indubitável anónimo. E é dentro deste anonimato, piorado quando assino como PreDatado (outro pseudónimo) que vou deixando comentários aqui e ali nos blogs que visito. Mesmo assim fui poupado à contundência de JPP no seu artigo no público, depois repassado em blog. Digam lá se não é para me sentir anónimo, mas feliz.

PS. Na verdade estou-me marimbando para o que pensa JPP sobre as caixas de comentários e os comentadores. É mais um artigo ao seu jeito, desprovido de senso mas que até dá para a gente ir enchendo chouriços, à custa disso, nos nossos blogs.

quinta-feira, abril 20, 2006

958. Desculpem

mas não estou em condições para escrever no blog; voltarei muito em breve.

quinta-feira, abril 13, 2006

957. De novo a "nossa" discoteca

Tinha passado na TV a primeira novela brasileira, "Gabriela". Os organizadores dos carnavais pelo país fora convidavam artistas atrás de artistas para os corsos carnavalescos. Mas um, eles não conseguiram convidar. Veio gratuitamente à Cave partilhar o Carnaval cá com o pessoal. Mais tarde, dir-vos-ei porquê. Senhoras e senhores, na Cave a atracção brasileira, vindo directamente da Globo, Tonico Bastos.

956. Raim, cartunista

O Raim é um cartunista que tive a felicidade de conhecer num encontro de co-blogueiros de um outro blog onde colaboro.
O PreDatado tem publicado aí uma série de textos proto-surrealistas os quais têm gerado comentários e observações curiosas. Em resposta a um dos comentários, propus ao Raim, que também tem um blog, que desenhasse o edifício descrito. E a obra está aqui. Parabéns Raim e obrigado.


955. O andrade diz que isto é azia (ou a minha maldita mania de me meter em assuntos da bola)

Levei com eles quando o meu presidente disse que se não vendesse 300 mil kits de sócio se demitiria. Eles estão sempre afirmar-se diferentes e eu reconheço-o. No meu clube, mesmo em tempo de ditadura havia eleições. No clube deles não. Agora já há. Mas continuam diferentes. O presidente deles disse que se não vendesse o património do clube se demitiria. E demitiu-se. Agora vai-se recandidatar. Eles são diferentes. Fazem as palhaçadas que os outros não fazem.

*
Não há muito tempo, o presidente deles cuspiu no prato do presidente dos andrades. O presidente dos andrades não gostou e ripostou com uma não menos nojenta cuspidela. Agora dão-se como irmãos. Por isso eles são diferentes. Pactuam com o diabo ou vendem-lhe a alma. Não me admiro que o demissionário venha a ser de novo presidente deles. Os seus acólitos e adeptos quererão premiar esta aproximação ao seu ex-novo-futuro amigo andrade. O andrade diz que isto é azia.

*
No final do encontro do passado fim-de-semana entre eles e o clube regional que veste à andrade, houve cânticos de ambas as claques e adeptos. Festejavam um, a vitória e, o outro, a vitória do outro. Eram unânimes no cântico: SLB, filhos da puta, SLB. Saíram muito felizes e abraçados. Nós estamos habituados a que eles valorizem mais a vitória dos outros que vestem de andrades do que as suas próprias. Desde que com isso possam vilipendiar o Glorioso. Eles são de facto diferentes.

*
Ontem o presidente dos andrades veio à TV gabar o treinador deles, por no final da contenda ter mostrado fair-play. Mesmo depois daquela entrada, quase assassina, de um jogador dos das riscas verticais, sobre um jogador deles. Mesmo depois deles terem sido espoliados de um descarado penalty. O treinador deles é um cavalheiro. É um treinador diferente. Só perde a compostura ao falar do Glorioso. Afinal não é tão diferente, quase todos os treinadores fazem o mesmo. Será por serem muito católicos e deverem obediência ao Papa?

*
PS. Não me aqueceu nem me arrefeceu que eles tivessem passado nas colunas do estádio o hino de Mercury e Caballet, “Barcelona”. Na verdade só podiam, uma vez que deles não se conhece hino. Ou será aquela coisa que uma senhora de mancha verde na cabeça anda a cantar há 40 anos?

terça-feira, abril 11, 2006

954. A melhor discoteca do mundo





Foi aqui, em 1978, que tive um dos mais divertidos carnavais da minha vida. A discoteca era privada, do meu amigo John.
John, Ana, Manela, Rui, Gui, Zé, Valentim, Álvaro e tantos outros.. não têm saudades?

segunda-feira, abril 10, 2006

953. Os meus NÃOs e os meus SIMs à violência doméstica

Um dia destes, no posto médico, uma menina com 4 anos de idade brincava. E como qualquer criança de 4 anos gosta de brincar no chão, a menina também se espojou no chão para brincar. A mãe “gritou-lhe” para que se levantasse. A menina, no seu entretenimento, não obedeceu e a mãe deu-lhe duas valentes palmadas no cú. A menina levantou-se a chorar e foi para uma cadeira. A menina de 4 anos, não percebeu porque é que não podia brincar no chão. Apenas ficou a saber que o perigo de brincar espojada no chão é poder levar duas palmadas nas nádegas.

*

Hoje vi um puto, aí com os seus 17 anos, que ao pedido da mãe para que lhe desse a senha da consulta atirou-a para o chão. Não uma, porque a mãe lhe pediu para apanhar, não duas, porque a mãe voltou a pedir para que ele a apanhasse, mas três. À terceira, a mãe baixou-se e apanhou a senha, ela própria. O rapazola não ficou a saber porque é que não deve atirar para o chão a senha que a mãe lhe pediu para entregar à mão. Só ficou a saber que desde que seja à terceira pode fazê-lo. Se fosse comigo, levava um murro nos cornos.

sábado, abril 08, 2006

952. Valsando nos tempos certos



Le 8 d’Avril de 1929. Jacques Brel naît à 3 heures du matin, 138 avenue du Diamant à Schaerbeek, l'une des 19 communes de Bruxelles.

La Valse A Mille Temps

Au premier temps de la valse
Toute seule tu souris déjà
Au premier temps de la valse
Je suis seul mais je t'aperçois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Me murmure murmure tout bas


Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent ans
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au deuxième temps de la valse
On est deux tu es dans mes bras
Au deuxième temps de la valse
Nous comptons tous les deux une deux trois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Nous fredonne fredonne déjà

(…)

Au troisième temps de la valse
Nous valsons enfin tous les trois
Au troisième temps de la valse
Il y a toi y a l'amour et y a moi
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Laisse enfin éclater sa joie.



- Para escutar podem clicar aqui -

(foto supra retirada daqui: http://www.mcm.net/musique/ficheartiste/8552)

sexta-feira, abril 07, 2006

951. À minha mãe

Quem tem filhos tem cadilhos,
Tem-nos quem os não tiver.
Quem tem filhos ainda vive
Mesmo depois de morrer



Tu tens 3 filhos que te amam. Tu tens 3 filhos a quem amas muito. E mesmo adultos são os teus cadilhos. Por quem choras quando estão doentes, por quem tremes quando estão ausentes, a quem mimas quando estão presentes. Mas também foste filha e continuas a sê-lo porque a saudade da tua mãe que já há longos anos partiu, não a deixa morrer. São assim as mães. Umas mais do que outras e tu és das que são mais do que outras. E não te digo isto apenas porque hoje completas 74 anos. Digo-te isto hoje, porque te digo isto sempre. Eu sei que os meus leitores têm as melhores mães do mundo. Mas eu também tenho. E tu és minha. Parabéns, mamã.

terça-feira, abril 04, 2006

950. Se calhar é publicidade

mas vocês já leram o Predatado aqui? Já? Então está bem.

segunda-feira, abril 03, 2006

949. "Whoever is happy will make others happy too" ou, nunca é tarde para se falar de quem se gosta

No passado dia 15, a Annie Hall, comemorou 2 anos do seu blog. Eu fui lá tomar uma taça de champanhe, mas como estava com pouco tempo, não pude ficar à conversa. É justo que lhe diga aqui quanto aprecio a natureza das suas fotos.

Também em Março e no mesmo dia de há dois anos a Luz, começou a brindar-nos com algumas ideias luminosas. De vez em quando funde-se-lhe um fusível e ficamos à espera que o homem da manutenção apareça. Depois dá de novo gosto ver aquela casa iluminada.
948. Hoje vou falar de bola
Este não é um blog que perca muito tempo com o futebol. Há muitos blogs especializados nessa arte, pelo que, o que aqui é dito nada acrescenta às “trocentas” mil análises que por aí são feitas. No entanto, após o jogo entre o Belenenses e o Benfica do passado Sábado, as declarações do treinador do Belenenses, José Couceiro devem, em minha opinião ser objecto de reflexão. É até provável que o Benfica tenha sido beneficiado neste jogo. Não o vou discutir como também não vim à praça pública reclamar as vezes que durante este campeonato o Benfica foi prejudicado. No entanto o treinador José Couceiro foi muito veemente na crítica à arbitragem afirmando: “Temos estados calados durante muito tempo…”. Vejamos o que se poderá inferir desta declaração.

a)Sempre que se trata de ser prejudicado num jogo contra o Benfica nós, treinadores, ficamos muito mais chateados do que se fossemos “roubados” contra o Cascalheira (com o devido respeito pelo Cascalheia).
b)Os dirigentes do Benfica, são tótós e nós, treinadores, gostamos de atazanar a cabeça dos totós. Sabemos que estes totós só parecem ter poder mas não mandam nada neste sub-sistema de poder.
c)Alguém nos obriga a ficar calados nas outras situações.

Posto isto seria bom que o treinador do Belenenses, José Couceiro, até porque à mulher de César não basta ser séria, explicasse depois de tais afirmações, se afinal de contas não era nada das alíneas acima que ele queria dizer, ou se na verdade alguma das leituras está correcta e, portanto, deveria explicar também porque é que nas restantes situações, ou pelo menos “há muito tempo” tem andado calado. Ele até parece uma pessoa séria. Se calhar ele não é a mulher de César. Mas há mais imperadores, ó se há!

sexta-feira, março 31, 2006

947. Brincar com palavras (ditas feias)

Ontem fui visitado por uma blogger, que desconhecia, e que me deixou comentário. Acto contínuo, fui retribuir a visita e encontrei um post curioso onde a autora escreveu um número imenso de palavras que diz não gostar. Assim, tentei misturar aquilo tudo e voltar a dar e o que me saiu foi algo que não abona muito em favor das tais palavras. Estão em itálico as palavras que a blogger disse que não gostava.


I.

Vou tentar assim por alto,
Mas não venho pedinchar
Isto é mesmo um assalto
Com estrupo e toca a andar.

Em primeiro, dou-te uma queca
E uma carga de porrada
Ficas podre e sem cueca
Ainda te corro à pedrada.

Gaja estás a perceber,
Ou queres desenho a caneta?
Hematomas pr’a doer
Ficas zarolha e perneta.

Vai preparando o jazigo
Ou queres a fossa comum?
Enterro não é comigo
Estoiro-te o fígado em jejum.

Depois piro-me na ganga
Deixo-te em espasmos no chão
Pareces um touro da tanga
Sangrando menstruação.

E num perpétuo prejuízo
Verto-te a bílis na estrada.
“- Pára com isso, tem juízo!
Acaba com a tourada”.

Sem sensibilidade ao apelo
Fracturo-te os joanetes
Esborracho-te, ficas um selo
Ou entremeada em filetes.

Por esta rima galopante
Já muita gente me insulta,
Esperem só mais um instante
No fim, pagarei a multa.

Sem açaime, nem grilheta
Aceito o malefício
Que é ser escravo da caneta.
São os ossos do ofício.

Mas tive que lancetar
O texto. E é por isso
Que chegou a azedar
E a parecer ser postiço.

II.

Neste dilúvio de ideias
Não coube amniocentese
As palavras são bem feias,
Concordo consigo, em tese.

Pelo roubo do seu post
E pelas ideias doidas
Quer você goste ou não goste
Não fique com hemorróidas.

Juro, não foi peculato
Misoneísta não sou.
Mas não atingi o desiderato
Pois ratívoro não entrou.

P’ra terminar em beleza
Aceite este bitaite
Continue, com firmeza!
Não aceite OPA ao site.


Ufa, imaginem se a Marianne tem referido mais uma dezena delas? Hoje não saía daqui.

quinta-feira, março 30, 2006

946. Da infância até agora, ou uma nova visão das coisas

Quando eu era miúdo, com os meus 6 anos de idade, lá no bairro onde eu morava, era eu quem lia o jornal para alguns dos meus vizinhos que, infelizmente, nunca tinham tido a oportunidade de aprender a ler. Normalmente as histórias de faca e alguidar, ao bom estilo das primeiras 20 páginas de hoje em dia do Correio da Manhã e as notícias desportivas eram as que maior interesse despertavam. Mas uma página nunca podia ser passada em frente, o obituário. Não fosse ter falecido alguém das redondezas e pareceria mal não apresentar condolências, ou ir ao funeral. O que acontece é que eu fiquei também com esse tique e não largo um jornal (dos que trazem), sem ter lido a página dos óbitos. Pelas mesmas razões dos que me pediam para ler, nessa época. No entanto, acho esses anúncios de falecimentos, funerais e agradecimento, muito pouco criativas e sempre ou quase sempre no mesmo estilo: “(Nome em maiúsculas). Faleceu, no dia tantos dos tantos, Fulano de Tal. O Funeral realiza-se às tantas horas, da Igreja de tal sitio para o cemitério de acolá. Sua esposa, filhos, filhas, genros, noras, netos, netas e bisneto agradecem a todos quantos se dignarem acompanhar o nosso estimado esposo, pai, sogro, avô, bisavô, à sua última morada”.
Pois eu acharia mais interessante que os anúncios fossem assim:

"Jerumenho Sebastião. Toureiro. Faleceu no dia 29 de Março de 2006 o prestigiado matador, Jerumenho Sebastião. O seu funeral realizar-se-á, hoje, pelas 3 horas 3, da igreja do Campo Pequeno para o cemitério da Moita, sua terra natal. Nesta sua última faena sairá em ombros, em urna cor-de-rosa, debruada a ouro, pegada pelos forcados amadores do aposento da borla redonda. Agradece-se a toda a aficcion que queira estar presente, não sendo necessário comprar bilhete de sol ou sombra".

Ou então,

"Serafim da Silva. Empresário cinematográfico. Faleceu ontem, 29 de Março de 2006, o conhecidíssimo empresário da 7ª arte, Serafim da Silva. O seu funeral realiza-se amanhã, pelas 15:00h, 17:30, 21:30 e 00:00 em última sessão. A toda a plateia, a família enlutada agradece a presença. Fila única para a ultima homenagem. O genérico será lido por D. Serafim da Silveira. Entrada Grátis."

Ou, finalmente:

"António de Xesus. Industrial da Restauração. Faleceu com 102 anos, o industrial galego da restauração e desde há mais de 80 anos estabelecido em Portugal, António de Xesus. A sua Câmara ardente será servida na igreja da Madredeus entre as 12:00 e as 16:00. Há 24 lugares sentados. Encerra para jantares. Do menu das cerimónias consta: missa de corpo presente, funeral, elogio fúnebre, bica e bagaço. O seu bisneto, agradece a presença de todos os clientes."

quarta-feira, março 29, 2006

945. Por antecipação

Vou sair agora, juntar-me aos meus pais e comermos um cozido à portuguesa. Bem sei que as minhas últimas análises clínicas não me aconselham a grandes veleidades gastronómicas, mas quando vejo o chispe a aproximar-se, a travessa da farinheira, do chouriço de sangue e dos outros enchidos, não estou decerto a pensar numa posta de peixe grelhado com salada de alface. Quando vejo o empregado com aquela travessa de couves cozidas no caldo da carne, cheia de triglicémios e HDL, não estou a pensar no escalope de 220 gramas e no arroz de ervilhas. Quando para mim sorri aquele pedaço de orelha, aquelas presas de entrecosto, aquele toucinho entremeado, nem me lembro que existe um prato de pescada cozida com feijão verde. Quando chega a garrafa do vinho esqueço-me que a alananina aminotransferase e que o gama glutamil, deveriam ter valores bem mais baixos do que os apresentados. E portanto, por antecipação, eu vou aproveitar hoje, uma vez que só volto a fazer análises daqui a 3 meses.

segunda-feira, março 27, 2006

944. É o teatro português...

Gil Vicente, Almeida Garrett, Bernardo Santareno, Romeu Correia, Luís de Sttau Monteiro, Luís de Camões, D. João da Câmara, António José da Silva, António Ferreira, Raul Brandão, Luísa Todi, Mário Viegas, João Mota, Eunice Muñoz, Diogo Infante, João Villaret, Ruy de Carvalho, José Viana, João Guedes, Palmira Bastos, Maria Matos, Cármen Dolores, Raul Solnado, Maria do Céu Guerra, Vasco Santana, Laura Alves, Beatriz Costa, Seiva Trupe, Amélia Rey Colaço, A Barraca, TEC, Guilherme Cossul, A Comuna, Luís Francisco Rebello, José Oliveira Barata.


Muitos mais nomes haveria a referir, muitos, muitos mais. Quero nestes autores, actores, companhias e estudiosos, que me vieram assim de repente à cabeça, prestar a minha homenagem ao Teatro Português, neste Dia Mundial do Teatro.

Texto também publicado no Ante-et-post, onde a Karla, em boa hora, abriu a nossa colectiva comemoração deste dia.

domingo, março 26, 2006

943. Parabéns e luvas brancas, ou Mal-entendidos II

Passava o mês de Abril de 2005. Um novo Papa tinha sido escolhido num conclave de cardeais. Um antigo membro da juventude hitleriana, tinha sido eleito Papa, realçavam alguns blogs. Outros, defenderam a sua escolha como quiseram, souberam ou puderam. Outros houve que criticaram os blogs que defenderam a escolha do Papa. Mas quando li um post, que criticava os que criticavam a escolha do Papa com o argumento de que era um antigo da juventude nazi que estava a ser eleito, resolvi comentar. Quando entro numa caixa de comentários, tenho por hábito ler os comentários já apostos. Se o meu comentário não vai acrescentar nada, abstenho-me de comentar. O que está dito não precisa ser repetido. Se por acaso leio um comentário que ele próprio também merece comentário, faço-lhe referência, sendo que, por vezes, dou por mim a comentar o comentário e não o post. Sei que isto acontece a muitos leitores de blogs e não me parece que venha nenhum mal ao mundo por isso. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele ou, quem anda há chuva molha-se, são alguns ditados populares que fazem sentido em circunstâncias destas. Por outro lado, quem vai à guerra dá e leva. Mas há quem não goste de ver um comentário seu ser comentado. Do tipo, entre marido e mulher ninguém mete a colher. Partir de um comentário ao seu comentário para a ofensa gratuita é um passo curtinho do tipo quem não se sente não é filho de boa gente. E enchem-se de tal modo de razão que quando têm um blog, assim uma coisa pública, pegam nele e tocam a desancar no desgraçado que teve a ousadia de comentar um comentário seu. E depois, exigem-lhe um pedido de desculpas. Ora, tanto quanto me parece justo, e embora eu não tenha conhecimento que a Alta Autoridade para a Comunicação Social alguma vez tenha exigido a um blog para dar o mesmo realce que outro numa espécie de defesa do contraditório, dizia eu, parece-me justo que esse pedido de desculpas fosse feito num post deste blog com o mesmo realce com que foi feito o desancar no autor. O único quiproquó que me obstou em fazê-lo foi que a autora desse post me respondia no blog que comentei que não me conhecia de nenhum lado para me autorizar a comentar o seu comentário e que o meu blog não fazia parte das suas leituras. Sendo assim, qualquer pedido de desculpas públicas que eu fizesse cairia em saco roto, pois a presumível ofendida não o leria por aqui não vir. Mas, sendo eu um tipo que tem um conceito próprio de bons blogs, seja isso o que for, sempre considerei que o blog dessa pessoa era um blog para ler e continuar a ler mesmo após a tentativa de afronta. E, à socapa, sem dar a cara nem comentar, fui-lhe seguindo o percurso. Não tenho nenhum pejo em lhe dar os parabéns pelo aniversário do seu blog. Mas se ela pensar que isto é algum pedido de desculpas, pode tirar o cavalinho da chuva. Ela tem tanta razão quanto eu e eu não sou de dar o braço a torcer. Por outro lado, sei que ela nunca lerá este texto, atendendo ao que afirmou na época, pelo que estou deveras à vontade.

sábado, março 25, 2006

942. Mal entendidos

Então ele disse-me:
“… eu estava na Casa do Algarve a representar a Junta”.
“De quem é ‘A junta’ ? “ – interrompi
“daqui” – disse ele
“daqui?” –interroguei-o de novo, pensei que te referisses a Brecht ou a Beckett

Fez uma pausa e recomeçou “eu estava na Casa do Alentejo a representar a Junta”

Comecei logo a imaginar ‘A junta’ de Luís de Sttau Monteiro, encenado por Joaquim Benitez e representado por ele. Mas na verdade nem sei se o Sttau Monteiro escreveu alguma peça assim intitulada. Voltei à carga:
“seria de Sttau Monteiro?”

Eu convencido que ele estava a representar e ele convencido que eu estava a gozar com ele. Só depois ele converteu a sentença.

“eu estava na Casa do Alentejo em representação da Junta de Freguesia”

Deixei-o contar a história, mas a decepção já ninguém ma poderia tirar. Sempre o imaginei um actor.

quinta-feira, março 23, 2006

941. Difícil

é, a um gajo que anda coxo como eu, equlibrar-se com esta ventania. Maldita ciática.

terça-feira, março 21, 2006

940. Hoje

começou a Primavera, mas há muito que uma flor exala o seu perfume nos meus dias.

segunda-feira, março 20, 2006

939. E ontem foi dia do pai

Ontem foi o dia do pai. Eu não escrevi nada neste blog que fosse uma comemoração do dia pura e simplesmente porque ontem não escrevi. Aliás ontem não fiz nada, ou melhor fiz feriado. É que sendo o dia do pai também o dia foi meu uma vez que também eu sou pai. Devem os filhos homenagear os pais neste dia porque é o dia deles, dos pais, ou devem os pais usar este dia para falar dos filhos, uma vez que eles (os pais), é que são os pais e portanto o seu próprio dia? Este dilema bloqueia-me o pensamento e desde que me lembro acho que nunca escrevi nada sobre o dia do pai. É claro que amo muito o meu pai, como tenho a certeza, pelas demonstrações do dia a dia, que os meus filhos me amam a mim. Mas escrever no dia do pai uma missiva ao meu pai sempre se me apresentou como uma impossibilidade. Por causa do dilema que supra referi. No entanto ontem como pai, pensei quão mau pai eu tenho sido. E vou confessar-vos isso com alguns exemplos. Ontem estava a ouvir um CD colocado pelo meu filho no aparelho. Tive alguma tranquilidade de espírito para lhe pergunta o nome do dito. Mas não fui capaz de lhe pedir para por o som mais alto. Outro exemplo da minha bestialidade enquanto pai é, às várias investida que ele já me fez para que eu anuía a que ele faça uma tatuagem, o não ter aproveitado o dia de ontem e como bom pai ter-lhe dito: “filho pega na trouxa e vamos lá fazer essa tatuagem. Quem sabe eu descubra alguma que goste e me tatue também”. E finalmente para demonstrar aos meus leitores que eu não mereço ter um dia do pai é a forma como trato os meus filhos em frente ao televisor. Nunca eles ouviram da minha boca a frase “toma lá o comando”.

sábado, março 18, 2006

938. Três anos e 40 mil mortos depois...

Há três anos, ouviram-se os estrondos das primeiras bombas sobre Bagdad. As primeiras de uma nova série que deu origem à II Guerra do Golfo. Os protagonistas do ataque fizeram-no escondidos por detrás de uma mentira que eles próprios conheciam: a existência de armas de destruição maciça. As administrações americana e britânica, com o beneplácito de potências de segunda como a espanhola ou de outros que nem potencia são, como a governação portuguesa, mandaram para o inferno, um país que longe de ser um estado modelo nem uma democracia política, era um país muito melhor do que naquilo em que se transformou. Esta guerra que já provocou cerca de 40 mil mortos iraquianos e mais de 2300 soldados americanos e aliados, pôs o Iraque às portas da guerra civil, fez disparar os preços do petróleo para números nunca vistos, tornou o mundo mais perigoso. Basta contabilizar o número de atentados radicais perpetrados por esse mundo fora, desde há 3 anos para cá. Tirando a indústria da guerra parece que ninguém ficou a ganhar com ela. Entretanto o ditador Sadam Husain está a ser julgado (e assim continuará até que o envenenem na prisão, como já foi feito a outros) pelo crime de chacina de 180 iraquianos. Face aos números oficiais conhecidos de mortos provocados por esta guerra, se não fosse dramático, daria para rir. E os responsáveis por esta guerra continuam e continuarão impunes.

quinta-feira, março 16, 2006

937. Inútil

Ao passar na loja de conveniência da estação de serviço, aqui próximo de onde moro, reparei no cartaz, “Aberto 24 horas”. Confirmei com um funcionário a veracidade da informação, tendo ficado a saber que nem na noite de Natal fecham. Interroguei-me para que é que serviria a porta ter fechadura.

*
Coloquei um autocolante na caixa do correio, há uns tempos, com a menção de que não deveriam colocar publicidade não endereçada. No dia seguinte o autocolante já lá não estava e a caixa continua inundada de prospectos publicitários.

*
Os manuais de instrução dos aparelhos que compro. Em finlandês, russo, grego, japonês, coreano, árabe, inglês, francês, castelhano. Só leio as páginas em português e tenho a certeza que pago o manual multilingue.

*
Ser cliente Netcabo da TV Cabo. Na maioria dos dias, ou não tenho net, ou se pudesse funcionar a carvão, seria mais rápida.

quarta-feira, março 15, 2006

936. Indesculpável

Reparei agora que há quase uma semana que não boto escritura no blog. E isso é indesculpável, ou se quiserem, imperdoável. E havia tanta coisa para dizer. Habemus presidente novo, mas isso já sabíamos. Tenho andado a ler algumas recomendações para uma eventual pandemia da gripe das aves e um dos conselhos é não dar apertos de mão. O Mário Soares leu, com certeza, a mesma cartilha e não foi à sessão de cumprimentos. Por mim está desculpado. O Pinto da Costa, o tal do apito dourado (o Fernando Barata falava há uns anos atrás em relógios de ouro), parece que, segundo o Correio da Manhã, andou a fazer umas malandrices. Eu acho que é má língua. O homem é ex-seminarista. É um santo de certeza absoluta. Toda a direita elogia a política de educação do governo e a respectiva ministra. Se a direita elogia é porque está bem. Viva! Aliás não é de admirar, ainda ontem, aquele ministro do lábio saído não me lembro o nome, referia que o até o presidente do CDS aplaudia a política económica do Governo. Então se o CDS aplaude, é porque a política está certa. Qual é a dúvida? A gente é que andávamos enganados que o Governo era de esquerda. Somos uns brutos. O desemprego está a aumentar, mas temos OPAs. A confiança voltou. Os bancos têm cada vez maiores lucros. Confiemos. Parece que os desempregados é que não estão muito confiantes. Apesar disso, o Sócrates, se as eleições fossem amanhã, ganharia de novo com maioria absoluta. Vivam as sondagens. Ou então os desempregados, os funcionários públicos, os operários das fábricas que continuam a fechar a torto e a direito, e etc, para não me alongar, não têm vergonha na cara. Ai, desculpem, estava-me a esquecer de contar as intenções de voto dos velhinhos de mais de 80 anos que vão começar a receber o tal subsídio. Basta que saibam preencher vinte e cinco mil, trezentos e setenta e seis impressos. Entretanto o Benfica eliminou o Liverpool, mas não conseguiu vencer a Naval da Figueira da Foz. Já estou a ver os figueirenses a dizerem, lá com os seus botões, se fossemos ingleses, seríamos campeões na PremierShip. Qual Mourinho, qual carapuça! E para terminar é só para dizer que saúdo a Primavera por, essa sim, ser competitiva, a fazer inveja à maioria dos empresários (patrões) portugueses. Chegou antes do tempo e não fez publicidade na TV. O problema é que me obrigou a escrever este post de manga curta e em cuecas. E agora o que é que eu vou fazer ao casaco de peles. Han? Não é politicamente correcto, isso das peles? O quê? As focas e tal? Ah, está bem, desculpem…

quarta-feira, março 08, 2006

935. Dias Internacionais das Mulheres

Tenho de vos confessar (uma vez mais, ou não fosse este um blog intimista) que não vou muito à bola com dias internacionais. No entanto, talvez devido à sua raiz histórica, nutro uma certa simpatia, quiçá imbuída por um espírito de solidariedade, pelo Dia Internacional da Mulher. Estava a comentar o dia com a minha mulher, que por sinal também é minha esposa, passe o desgosto que dê a algum/a leitor menos possidónio, ontem ao jantar, e ela fez-me um comentário bem assertivo. “Amanhã? E hoje, não?”. E dei comigo a viajar com os meus filhos mamando nos peitos da mãe, com as fraldas trocadas, com os banhinhos dados a horas certas, com as viagens para o infantário, com as consultas de pediatria, com o jantar para 16 pessoas, com a camisa lavada, com os colarinhos passados a ferro, com o termómetro, os medicamentos, o chá, levados à cama quando a febre me chegou, com a sala aspirada, com a mesa posta, com as torradas com manteiga, com a cerveja geladinha durante o jogo do Benfica, com a bica depois do jantar, com a roupa estendida e apanhada, com a máquina da loiça cheia, com o pó limpo, com as compras do supermercado feitas, com os gatos no veterinário, com os cuidados com os pais, com as contas em ordem, com o emprego das 9 as 19, com a mala arrumada para viagem, com o beijo de boas noites. E se o dia internacional da mulher não foi ontem, não foi anteontem, não foi no dia antes de anteontem, não foi na semana passada, no mês passado, nos anos passados, se não for hoje, amanhã e depois e depois e depois… então UM dia internacional da mulher, não é justo.

sábado, março 04, 2006

934. Cinco anos depois

Há 5 anos, caía a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios. Com a queda mais de 50 mortos. Com a queda, um ministro que na verdade não tinha nada a ver com aquilo demitiu-se. Aplaudiram todos um acto nobre. Tretas. O Jorge Coelho não tendo nada a ver com aquilo, achou por bem sair de mansinho para não ter trabalho a mexer na “merda”. Chico-espertismo. Aliás, é sempre assim com os poderosos. Lembram-se do caso do semáforo do Campo Grande? Um operário da CML, jardineiro que nas horas vagas fazia uns biscates na electricidade, foi o “grande” responsável pela morte do garoto. Só não é para rir, porque houve uma morte e um condenado. Fala-se por aí que quem está na calha para ser acusado pela queda do viaduto do IC19 é um engenheiro da ex-JAE. Recorda-me uma personagem de uma comédia brasileira que passava na TV em que ela dizia, “tudo eu, tudo eu”. Vão ser julgados os 5 culpados pela queda da ponte Hintze Ribeiro. 5 Culpados 5! Tudo técnicos. Nenhum carola. Nenhum responsável político. A questão dos areeiros caiu rapidamente no esquecimento. Não há provas, não há arguidos. Também não há nenhum responsável político. Trinta anos depois da implantação da democracia em Portugal. Não me estou a rir, morreram cinquenta e seis pessoas. Não rio com a tragédia. Mas, baixinho, por dentro, rio-me da justiça. Qual justiça?

sexta-feira, março 03, 2006

933. Lunch Time Blog, revisitado

Não minhas amigas leitoras e meus amigos leitores não é um retorno à série. Vós sabeis quanto eu gosto de comer e quanto eu gosto de um bom vinho tinto. Os que me leram em tempos de LBT, conhecem já quase todos os meus pratos preferidos e sabem como há dois anos atrás o Schubert, sim o meu gato siamês - fica apresentado para quem o não conhece - sempre entrava nas minhas narrações. O Schubert que deveria ter ganho um Oscar como “the best performance by an actor in a supporting role”, já que o seu dono e escriba deste blog nunca foi alvo tão pouco de uma nomeação nos diversos prémios que a blogosfera distribui (já agora e de passagem, Sr. Dr. Jorge Sampaio, não sobrou nenhuma condecoração por aí, para ser atribuída ao PreDatado?), dizia eu antes do parêntesis que o Schubert continua a protagonizar um dos principais papeis durante os meus almoços. Não lhe bastava falar sozinho, comentando o que eu comia e bebia, como agora dá em interromper os meus almoços para que seja eu a acompanhá-lo ao seu comedor. E está demasiado guloso, pois já não se contenta só com a sua ração normal, exigindo também uma guloseima da Gourmet Gold. Cá para mim o tipo sabe que eu sou louco por farófias, por uma laranja da baía, por uma encharcada, por uma torta de Azeitão, por um abacate com vinho da Madeira, por uma salada de papaia e manga, por um leite creme queimado a ferro fundido, por uma mousse de chocolate com Porto. E é por isso que não se quer ficar atrás. Hoje, nem a costeleta de porco preto grelhada, com salada (alface cortada miudinha, folha de cebolinho e alho, coentros, cebola cortada fininha às rodelas e orégãos, obviamente temperada de vinagre de vinho e azeite extra), ele me deixou comer sem eu ter que o acompanhar no seu repasto. Valeu que depois me sentei, sozinho – como aliás não gosto –, a saborear um Quinta da Rigodeira, reserva de 2003, com um sabor firme que fica na boca e um aroma misto de ameixa preta e cravinho e, se a leve constipação não me deixou o nariz trair, um ligeiro toque de menta. Bendita oferta.

PS1. Aquilo da condecoração, Dr. Jorge Sampaio, era a sério. Com tanta comenda e ordem distribuída mais uma, menos uma, não lhe irá custar assim tanto. Vá, lá!

PS2. Ninguém me pagou para referir a Gourmet aqui no post. Mas se o gato gosta o que é que eu hei-de fazer?

PS3. Atendendo ao PS2, estou aberto a um patrocínio publicitário.

PS4. Um desempregado também tem o direito de comer porco preto. Ou não?

PS5. Não se admirem se não fiz referência ao sal no tempero da salada ou ao finalizar o almoço com um Delta Timor, mas faz tempo que deixei o sal e o café. Manias de hipertenso…

quinta-feira, março 02, 2006

932. E quando a gente não tem inspiração para postar...

...reconta uma velha anedota.


Carta de mulher para o marido marido

Querido,

Estou a escrever-te esta carta para dizer que vou te deixar para sempre.
Fui uma boa mulher para ti durante sete anos e não tenho nada a provar.
As duas últimas semanas foram um inferno.
O teu chefe chamou-me para dizer que te tinha demitido e isso foi a gota d´água.
Na semana passada, chegaste a casa e nem notaste que eu tinha um novo
penteado e que tinha ido à manicure.
Cozinhei a teu prato preferido e até usei uma nova lingerie.
Chegaste a casa, comeste em menos de dois minutos, foste ver a bola na TV e adormeceste no sofá.
Não me digas que me amas, nunca mais fizemos sexo.
Ou me andas a enganar ou então não me amas mais. Seja qual for o caso,
vou te deixar.

P.S. Se me quiseres encontrar, desiste. O teu irmão e eu vamos viajar para as Bahamas e casar!

Assinado: A tua Ex-mulher



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Resposta do marido

Querida Ex-mulher,

Nada me fez mais feliz do que ler a tua carta.
É verdade que estivemos casados durante sete anos, mas dizer que foste
uma boa mulher é um exagero.
Vejo futebol para tentar não te ouvir resmungar a toda a hora. Assim não valia a pena.
Realmente reparei que tinhas um novo penteado na semana passada e a
primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Parece um homem!". Mas a minha mãe sempre me ensinou a não dizer nada que não fosse bonito.
Quando cozinhaste a minha refeição preferida, deve-me ter confundido
com o meu irmão, porque deixei de comer porco há mais de seis anos.
Fui dormir, porque reparei que a lingerie ainda tinha a etiqueta do preço. Mesmo assim ainda pensei que fosse uma coincidência o meu irmão me ter pedido emprestado 50,00 € e a lingerie ter custado 49,99 €.

Depois de tudo isto, eu ainda te amava! E achei que podíamos resolver os nossos problemas. Assim quando conferi o boletim e vi que tinha ganho o Totoloto, deixei o emprego e comprei dois bilhetes de avião para a Jamaica. Mas quando cheguei já tinhas partido.

Nada acontece por acaso. Espero que tenhas a vida com que sempre sonhaste. Ah, é verdade, o meu advogado disse-me que devido à carta que escreveste, não terás direito a nada.


P.S. Não sei se eu alguma vez te disse isto mas o Carlos, o meu
irmão, nasceu Carla. Espero que isso não seja um problema.

Assinado: Milionário e Solteiro.

quarta-feira, março 01, 2006

931. O meu Carnaval

Minhas amigas leitoras e meus amigos leitores peço desde já desculpa por esta minha tão prolongada ausência. Eu não sou muito carnavaleiro. Outros tempos, sim, mas não sei se é da PDI se é por ter visto a pouco e pouco o Carnaval, trapalhão e matrafono (existe o termo?) dos meus tempos de juventude se vir a transformar em desfiles pseudo sambistas que, também a pouco e pouco, eu me fui cada vez mais desligando dessas lides. Não é que eu não goste de samba, bem antes pelo contrário, mas o Carnaval não tem mais tradição no Brasil do que aqui em Portugal para que nos tenhamos transformado numa imitação barata do que se faz no outro lado do Atlântico. As nossas ruas de Ovar a Loulé, passando por Torres ou pelo Samouco e principalmente pelo Funchal transformaram-se assim numa espécie de lojas dos trezentos da Marquês de Sapucaí. Vai daí este vosso escriba quase sempre zarpa a outras paragens, que é como quem diz, retira-se de mansinho e vai curtir os corpos esculturais das morenas via TV, à lareira e com um bom vinho tinto. Este ano entre outros, degustamos um Porta Palma da região Estremenha daqui dos nosso vizinhos espanhóis, a par de alguns alentejanos cujos nomes não vos digo para não armar ao pingarelho. Mascaramos uma perna de porco com laranja e acompanhamo-la com ameixas de Elvas, pusemos uma fantasia ao grão de bico, assim como que bem arreado de chispe, de entrecosto e belos enchidos de Barrancos transformando-o num belo cozido à alentejana, os carapaus travestiram-se de gordos como se fora Verão e pintaram a cara com molho à espanhola, o churrasco misto de entremeadas e lombinhos não precisaram de protecção e fizeram um bacanal na grelha que nem vos conto, o coelho não se quis ficar atrás e despiu a pele passeando-se nu por travessas de barro mesmo sabendo que lhe tínhamos esfolado o rabo, as mousses de chocolate vieram de africano vestido pois quanto mais pretinhas mais saborosas, ao bom-bocado caseiro chamámos-lhe pastel de nata e ele sentiu-se “carnavalado” e até o molotof que devia ter saído direitinho da forma se esparramou num tabuleiro com o açúcar em ponto caramelo a gritar que é Carnaval ninguém leva a mal. Para culminar a minha Maria apagou ontem 51 velas no bolo de aniversário e mascarou-se na pessoa mais velha da família, pois o respeitinho é muito bonito. Bem, para quem não vai muito em Carnavais, tivemos transformismo q.b. e assim se faz hoje de virtual presença a minha fuga do blog. Para o ano há mais Carnaval.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

930. O Governo prepara-se para fechar 1500 escolas em Portugal

• Mais de 2,5 milhões de portugueses não possuem escolaridade mínima obrigatória.
• 20% dos portugueses possuem o 12º ano (na OCDE 65%).
• 67% dos portugueses não possuem mais de 6 anos de escolaridade.
• 9% dos portugueses têm formação superior (na OCDE 24%).
• Sem referirmos os níveis de iliteracia global, uma vez que esta tem sido classificada em capítulos específicos, sabemos que a info-iliteracia ronda os 70%.

De facto para tão fraco desempenho temos escolas a mais. Eu acho que o governo deveria era fechar todas. A sério. Ou então fazia-se um teste. Se fechando as 1500 este ano os índices no ano que vem ou, na pior das hipóteses dentro de dois anos, melhorarem, então deverão ser fechadas mais 1500 e assim sucessivamente. E ainda há por aí quem critique e quem tenha criticado as sucessivas políticas de educação dos nossos governos. Vão mas é para escola, pá. Quer dizer, se encontrarem alguma por aí, aberta.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

929. Um dia com o Zeca




Zeca Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada. O funeral reuniu mais de 30 mil pessoas desde a Escola Secundária de S. Julião até ao cemitério da Senhora da Piedade, em Setúbal, demorou duas horas a percorrer 1300 metros e a urna ía envolvida por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como era seu desejo.

Uma das letras/poemas que mais gosto da obra de José Afonso:

Os Eunucos

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais.

Em tudo são verdugos mais ou menos
No jardim dos harens os principais
E quando os mais são feitos em torresmos
Não matam os tiranos pedem mais.

Suportam toda a dor na calmaria
Da olímpica visão dos samurais
Havia um dona a mais na satrapia
Mas foi lançado à cova dos chacais.

Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais.



Foto de Zeca Afonso retirada daqui.