terça-feira, setembro 12, 2006

1036. Eu também andei na Escola do Bairro

Foi nesta escola que eu fiz a instrução primária. Vejam como está bonitinha. Na primeira classe ganhei o primeiro prémio na aritmética e a taça da tabuada. Na segunda classe levei as primeiras três reguadas por não saber um sinónimo no texto “A lebre e o sapo concho”. Na terceira classe fiz virar o feitiço contra o feiticeiro. A professora castigava com a palmatória quem não fizesse os trabalhos de casa. O meu primo João não fez. Tirado à sorte o nome entre os que fizeram, calhou-me a mim ser eu a castigá-lo. De imediato as lágrimas correram-me pela face. Na impossibilidade de renunciar, decidi que deixaria cair a régua na palma da mão do João, fazendo “mão-morta”. Pisquei-lhe o olho e pronto. Ele fingiu que lhe doeu. A professora é que não foi na nossa treta e acabamos por comer os dois na medida grossa: seis a cada um. Ainda tenho as mãos a arder. Na quarta classe fui colega de um (hoje) famoso artista da margem sul que me decorava sempre a primeira página dos cadernos novos. Tenho pena de não ter guardado nenhum desenho do meu amigo Jorge Pé-Curto. E ainda me lembro de subirmos o muro de uma das casas do bairro para apanharmos nêsperas, de colher as flores de mel e virmos a chupar pelo caminho, da minha bata impecavelmente branca à ida, graças ao labor da minha preciosa mãe e de voltar com ela toda cagada, graças à redondinha, de me roubarem a minha primeira caneta de tinta permanente no dia em que a estreei, das provas de passagem nas grandes folhas de linha com margem dobrada. Do pátio do recreio e do “minha senhora posso ir lá fora fazer xixi?” Por falar nisso, vou ali à retrete e já venho.

Foto daqui.

segunda-feira, setembro 11, 2006

1035. 11-09 Contra todos os terrorismos

Não, não é demais lembrar. Em 11 de Setembro de 1973, Salvador Allende morre heroicamente, defendendo o seu cargo, para o qual foi democraticamente eleito, no próprio palácio presidencial de La Moneda. Augusto Pinochet lidera um golpe de estado de extrema-direita, contra um presidente marxista, como marioneta de Frank Carlucci, da CIA e do Estados Unidos da América. Em memória de todas a vítimas deste acto terrorista e de todas a vítimas da sanha fascista que se lhe seguiu, os meus mais sinceros respeitos. Contra todas as formas de terrorismo!
1034. 11-09 Contra todos os terrorismos

Não, não é demais lembrar. Faz hoje 5 anos que um dos maiores assassinos dos tempos modernos, “criado” e treinado pelos Estados Unidos da América mordeu na mão de quem lhe dava de comer. Em memória das quase 3.000 vítimas, os meus sinceros respeitos. Contra todas as formas de terrorismos!

sexta-feira, setembro 08, 2006

1033. Incursões
(onde o Pre tenta meter a mão numa seara que não é sua e que talvez nem seja bem uma incursão, mas sim uma excursão, um passeio pelo campo dos poetas)


Não, não és poeta se não tiveres a sensibilidade de uma pétala.
Não, não és poeta se não tomares banho com uma só lágrima.
Não, não és poeta se não sorrires em linhas de tristeza.
Não, não és poeta se não fingires que doi a dor que não tens.
Não, não és poeta se não rimares pobreza com pão.
Não, não és poeta se não vês na tulipa uma vulva.
Não, não és poeta se para ti a brisa não tem cor.
Não, não és poeta se não cantares Apolo.
Não, não és poeta se não voares como o condor.
Não, não és poeta se não te deitas sobre o quarto-minguante.
Não, não és poeta se só vires brevidade no relâmpago.
Não, não és poeta se não dramatizas o teu corpo, não cantas a vida ou a morte, não mentes à rima que perdeste.
Não, não és poeta se não souberes caminhar em sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio.
Não, não és poeta se não reinventares o amor!


PS. A minha amiga Dinny de Cuiabá no Mato Grosso disse-me que andava com uma “crise de inspiração”. E mandou-me um poema com várias interrogações à sua veia poética. Pediu-me um comentário e eu concedi-lho. O que me saiu foi o texto que acima publiquei. Não sei se te respondi Dinny. Mas tentei, né?

quinta-feira, setembro 07, 2006


1032. Amo-te
(onde o Pré mostra que apesar de não ter jeito para escrever cartas de amor, viciado que está em e-mails e SMS, não perde a ocasião para lhe dizer o quanto a ama)


Hoje escrevo só para ti. Os meus restantes leitores e leitoras que me desculpem. Escrevo-te para te dizer que te amo. Bem sei que não seria preciso fazê-lo pois que to digo bastas vezes. Sei também que registá-lo em letra de forma não aumentará um micronésio, sequer, a esse amor. Já to demonstrei tantas e tantas vezes, em tantas e tantas ocasiões que vir hoje aqui afirmá-lo mais uma vez nada acrescenta na nossa relação. Mas hoje é um dia especial, é a comemoração de um dia que tanto desejamos, de um dia que juntos planeamos e de um dia que concretizamos. E porque esse dia marcou para sempre a nossa vida deve ser comemorado. Ergamos, portanto, as nossas taças, façamos transbordar o champanhe, bebamos de copos cruzados e partilhemos os nossos segredos. E assim uma vez mais refaçamos os votos que fizemos há 26 anos. E que continuemos a fazê-lo enquanto os Céus o permitirem. Eu te amo, paixão. Eu te amo, mulher da minha vida. Eu te amo, meu amor.

quarta-feira, setembro 06, 2006

1031. As Ciatísiadas - Canto I, 1-2
(onde o Pré epicamente vai resistindo à dor que o apoquenta e até tem espírito para se revelar camoniano)

O mau estar das dores aqui ferradas
Que da L-4 e L-5 são origem,
Nos nervos ciáticos são dentadas
Que passam do desconforto à vertigem.
Em fracas e débeis costas alojadas
Nada mais resta que rezar à Virgem.
E entre a água quente e o Nolotil
Rogo pragas a esta sorte vil.

E também são as escadas, perigosas
E a cadeira não se pode aguentar,
Nem a cama. E das cousas (sim! as mais deliciosas),
Por agora, o melhor é nem pensar.
Sabendo que tod’ os espinhos têm rosas
De melhores dias terei que esperar.
Mas uns textos escreverei (não um por dia),
Se a tanto me ajudar a fisioterapia.


O PreDatado, in As Ciatísiadas
1ª edição em Janeiro de 2002

Copyright (all right?)

sábado, setembro 02, 2006

1030. Pré com Chico Zé
(um titulo a rimar, onde o Pré propõe a música dos “olhos castanhos” do Francisco José, numa ignóbil cópia aos temas que a karla sugere e faz uma pessoal leitura da foto que roubou ao post do nikonman. Como a foto é de Patrick Parenteau, ladrão que rouba a ladrão….)


















Teus lábios vermelhos
De encantos tamanhos
São pecados meus
Morangos fulgentes
Cerejas luzentes
E o caso Mateus.
E o chapéu-de-chuva
Assenta-te como luva
E essa sombra então…
Realça o verniz.
Do K(apa) se diz
Que foi prá prisão.

Lábios azuis são exóticos
E eu só um gajo careta.
Lábios pretos são prós góticos
Plutão já não é planeta.
Lábios verdes é coisa quente
Mas já sei que tu não topas
E no médio-oriente,
Vermelhos! Dão tusa às tropas.

Teus lábios vermelhos
De encantos tamanhos
Melhor que geleia.
Para lamber, talvez,
Em noite de estreia
Do Voo 93.
Falar da Natasha, não
Nem do urânio do Irão
Ou das salas de chuto.
Vestes preto pela manhã
Matas em catamaran
Mas não estás de luto.

Lábios azuis são exóticos
E eu só um gajo careta.
Lábios pretos são prós góticos
Plutão já não é planeta.
Lábios verdes é coisa quente
Mas já sei que tu não topas
E no médio-oriente,
Vermelhos! Dão tusa às tropas.

PS. O subtítulo deve ser encarado como uma brincadeira e sei que o João Espinho não levará a mal. Se há aqui algum ladrão de fotos sou eu. "Sei que pareço um ladrão/ mas há outros que eu conheço/ que não parecendo o que são/ são aquilo que eu pareço").

sexta-feira, setembro 01, 2006

1029. Pano de Fundo
(será, a normalidade, reaccionária?)

Durante vários anos fui comprando livros. Primeiro os obrigatórios, aqueles que o professor mandava comprar, depois por livre e explícita vontade. Cedo aprendi a ler e a escrever e, com 5 anos de idade, ainda não havia computadores no meu tempo, já eu colocava a preceito folhas de papel na máquina de escrever e ensaiava as primeiras teclas. Com a minha caixa de lápis de cor Viarco, rabiscava desenhos para os quais nunca tive uma inata habilidade, mas que coloriam as folhas que me eram dadas. Fosse nos cadernos, nos desenhos, ou nos livros, o fundo branco era a norma. Leio até de pernas para o ar, capacidade adquirida a ler jornais dos outros e, apesar de dextro, consigo alinhar algumas palavras com a mão esquerda. Ao que eu nunca me consegui habituar foi a ler palavras claras em fundo escuro. Fico com os olhos cansados e, quando acabo de ler, no espaço ficam a bailar linhas brancas sobre pano preto até que consiga de novo ver com normalidade. É por isso que, com muita pena minha, aos poucos começo a deixar de ler blogs, confesso que de bons textos, que se me apresentam na tela com essas características. Sei que se os seus autores esses templates escolhem é porque gostam e porque terão uma noção de estética quiçá mais apurada que a minha. Mas tenho pena de os não conseguir ler.

quarta-feira, agosto 30, 2006

1028. O Mistério da Perfumaria
(onde o Pré esclarece como aproveitar o tempo que lhe é dado de bandeja e também cisma sobre velhas superstições)





A propósito do meu post 1025 abaixo editado, alguns comentadores se indagavam como seria possível ter eu tempo para tanta coisa. Alguns, escreveram-me e-mails aconselhando-me a abrir uma Clínica de Gestão do Tempo, outros, que eu deveria dar Conferências ou organizar Seminários sobre o tema e houve até, não digo qual, um director de uma Faculdade que me pediu para que eu fizesse um currículo e uma descrição programática para uma nova cadeira num Curso de Engenharia. Confesso-vos que um dos meus leitores caiu até no exagero de me tratar por Mestre e num dos telefonemas que recebi uma voz feminina de alto potencial engatador perguntava, posso falar com o Professor PreDatado, é o próprio respondi e, juro-vos só não levamos a coisa mais adiante por manifesta falta de tempo. Paradoxos!
Como achei quase todas estas reacções exageradas, excepto as dos meus comentadores no blog, os quais prezo demais para renunciar à sua intervenção ( I have a dream – ter mais de 20 comentários num post) e, na impossibilidade de responder a cada um individualmente, não por falta de tempo, mas sim de criatividade, venho por este meio esclarecer o mistério que tantos vos apoquentou. É que o calendário que eu uso tem 32 dias em Agosto. Bem sei que o “dia duplicado” é o dia 13, mas é tudo uma questão de sorte. Se fosse o dia 31 tenho a certeza que o meu patrão se iria atrasar 1 dia para me pagar o ordenado. E agora, beijinhos e abraços.

terça-feira, agosto 29, 2006

1027. Aviso Prévio: ninguém tem nada com isso
(apenas estados de alma)

Se eu tivesse dívidas a pagar não cantaria

“Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar…”

porque, diz o povo, “tristezas não pagam dívidas”.

Mas como tenho as contas em dia…

segunda-feira, agosto 28, 2006

1026. Pre-depressão
(dilemas)

Eu, que cada vez mais acho a vida uma chatice, não encaro com bons olhos a morte. Dada a desgraçada dor, que há dias me atormenta, não sei em que posição me deitariam que me deixasse confortável. Merda para os dilemas.

sábado, agosto 26, 2006

1025. Esclarecimento
(onde o Pré confessa que ouve todas as explicações sobre os incêndios, por António Costa e explica coisas, como por exemplo a subtracção como operação inversa da adição e fala de gajas nuas)

Estas minhas intermitências da escrita têm para mim razões que a razão conhece. Não fora já razão suficiente o estarmos no mês de Agosto para actualizar este blog, que é como quem diz, quem escreve, escreve para alguém, a verdade é que em Agosto a maioria dos alguéns pirou-se da blogosfera, como ainda outras se lhe juntaram e que passo a descriminar. O mês de Agosto (já referido) não afecta só os outros. Aqui o Je – que é como quem diz, Eu, I, Yo, Ich (só Banco se diz apenas Caixa) – também não tem dispensado uns mergulhos nas límpidas, embora frias, águas da Caparica o que lhe tem ocupado praticamente todas as manhãs. As tardes, quentes e secas convidam a uma soneca e, palavra de honra, se por acaso desse direito a um sorteio anual como aqueles das Selecções do Reader’s Digest, ou a descontos de 5 cêntimos por litro de combustível, como as compras no Continente, já me teria inscrito no Clube da Sesta. A somar à falta de tempo, para quem sabe de matemática é equivalente a dizer a subtrair ao tempo restante, estou a dar explicações de Álgebra a umas meninas que querem passar na 2ª época lá da faculdade delas. E mais, como não estou de férias, ainda junto algumas horas (que é como quem diz, subtraio, basta ter em conta o sinal), a trabalhar no meu métier. Só que não contente com isso, ando a ler em simultâneo, quer dizer intercaladamente pois que apesar de ter 2 olhinhos, embora míopes, não dá para estar com um numa página e o outro na outra, O Código de Avintes, O Tempo dos Espelhos do murcón que por acaso também tem um blog e Maya – o romance da criação do, para mim, imprescindível filósofo Jostein Gaarder. Papo todos os jogos do Benfica, as conferências de imprensa do Valentim Loureiro, as entrevistas do Soares Franco e do Filipe Vieira, as explicações dos incêndios por António Costa, as explicações dos incêndios por António Costa e mais explicações dos incêndios por António Costa. Propus-me fazer uns arranjos cá em casa, colocar uns candeeiros, umas prateleiras para arrecadações e finalmente tomar mais comprimidos de Nolotil e Donulide para contra-atacar a ciática que ontem me deixou paralisado entre o sofá e a cama. E se não fossem estas malditas dores que me enviaram logo às 6 da manhã para frente do computador, arrancando-me do doce leito, onde já não havia posição que me confortasse e, eu teria passado mais um dia sem botar escritadura neste espaço que é meu, mas que também é vosso. Há até males que vêm por bem.

PS. Um dia destes irei colocar aqui umas fotos de gajas nuas. Na blogosfera ainda não encontrei nenhum site que o fizesse. Aposto que vai ser um êxito.

quarta-feira, agosto 23, 2006

1024. Com bolinha vermelha no canto superior direito.

(onde o Pré que ainda não era Pré se faz recordar aulas de Português em que estava mais com a cabeça na coisa do que a meter coisas na cabeça; Post não aconselhável à leitura por pessoas cuja sensibilidade não lhes permite distinguir um cacete de uma pilinha).


Às vezes o que venho aqui editar tem como inspiração outras leituras. Desta vez, a propósito de um capítulo do Código de Avintes, que estou a ler, lembrei-me que a mim, aí por volta dos meus 15 anos, me fazia espécie como é que certos casais adultos encaravam o sexo. Mais propriamente como é que seria a relação entre ambos, uma vez na cama. Lembro-me de ter um casal de professores, ele de Geografia e ela de Português, pessoas eruditas e muito conservadoras, já não muito jovens (aos olhos de um puto, qualquer quarentão é velho, cota como hoje se diz), formais no trato entre eles e na relação com os alunos. Será que faziam amor ou copulavam? Davam uma queca ou acasalavam? Estariam no coito ou a fornicar? Ele estava a comê-la ou a fodê-la? Além disso o que diriam um ao outro? Ai, tens uma vagina deveras apertada. Cuidado amor ao penetrares porque o teu pénis está a magoar-me. Posso introduzir o pénis todo ou preferes apenas a glande. Queres uma sucção no viril membro? Vem, movimenta a tua língua à volta do meu clítoris e dos lábios vaginais. Ai que me ejaculo no teu canal uterino. Porra mas esta merda daria alguma tusa? Ou será que pelo facto de ela me ensinar a interpretar Os Lusíadas outros valores mais alto se alevantavam e eles passavam mesmo o Bojador? Pénis me penetrem pela cavidade anal (que é como quem diz, caralhos me fodam) se alguma vez eu vou entender os adultos …

domingo, agosto 20, 2006

1023. Lista dos (meus) Devedores
Esta lista é provisória e poderá ser actualizada a qualquer instante


S.L. Benfica – Vários campeonatos e algumas taças
Estradas de Portugal – Um IC entre Castro Verde e Mértola
Cavaco, Guterres, Durão e Sócrates – As promessas não cumpridas
Zacarias F. – 25 cinco tostões que lhe emprestei em 1971
Ministério das Finanças – Reembolso do IRS de 2005
Justiça Portuguesa – transparência e celeridade
Educação – Um ministro a sério
Câmara do Seixal/Câmara de Almada – A rua atrás do meu prédio
TVI – Um (só um mesmo) programa de televisão.

sexta-feira, agosto 18, 2006

1022. Um abraço do tamanho do mundo


Para todas e todos que, pelo telefone, por SMS, por e-mail, via Orkut, em postal e pessoalmente, me felicitaram pelo meu aniversário com palavras e gestos que me encheram o coração.

Quero, também, deixar uma nota de apreço ao Ante e Post e aos seus autores, com um especial beijo para a Karla, pelo carinho com que me trataram (e que me tratam no dia a dia).

quinta-feira, agosto 17, 2006

1021. Quase que apostava que…

… os que, aqui na blogosfera e nos média portugueses, têm criticado Fidel Castro e o seu regime, estiveram a escutar embevecidos a entrevista de Judite de Sousa à filha de Marcelo Caetano, esse arauto da democracia que até se dignou acabar com a PIDE. Ontem, hoje e amanhã não faltaram, nem faltarão editoriais elogiando tão primaveril figura.

terça-feira, agosto 15, 2006

1020. E no entanto eles “andem” aí
(Onde o Pré reflecte sobre a pobreza do seu álbum de fotografias e mostra o orgulho de ter tido uma vez o currículo enriquecido)


As minhas relações pessoais com figuras públicas são completamente insignificantes. Talvez os dedos das duas mãos sejam demasiados para contá-las. Não me refiro a ter amigos mas sim a conhecimento pessoal (exclui-o a visualização televisiva). Senão vejamos. Da política conheci e conversei algumas vezes com um ex-primeiro-ministro e fui colega de liceu e amigo de juventude de um outro. Mas a questão nem é exactamente contactar com eles. É mesmo vê-los ao vivo e a cores. Eu nunca vi, nem de longe nem de perto, nenhum presidente da República, nenhum outro primeiro-ministro que os dois acima referidos, nem nenhum das dezenas de ministros que já tivemos. Viajei uma vez, lado a lado, de Bruxelas para Lisboa com um ex-secretário de estado e conheço pessoalmente outro. Para as centenas que já tivemos, reconheço que são poucos. O mesmo se poderia dizer dos milhares de deputados que já passaram quer pela Assembleia Nacional do tempo da outra senhora quer pela Assembleia da República. Só dois, apenas doizinhos. Um, vi-o numa missa a que assisti e outro passei por ele numa praia do Algarve. No mundo da cultura e das artes e do desporto o panorama não é muito diferente. Tirando os espectáculos ao vivo e os jogos a que assisto, poucas são as pessoas com quem já me cruzei na rua. Almocei uma vez num restaurante onde, ao meu lado, almoçava o Manoel de Oliveira e conversei muitos quinze minutos com Canto e Castro nas viagens de cacilheiro de Lisboa para Cacilhas. Conheço, desde miúdo, o vocalista dos UHF e cruzei-me num centro comercial com o jogador Mário Jardel. É verdade, também estive uma vez à conversa com o Ricardo Araújo Pereira. E é quase tudo no que diz respeito a minha presença simultânea no mesmo espaço com as figuras do mundo social, político e artístico. Mas tenho uma coroa de glória, ah isso é que tenho. Embora tivesse estado a conversar mais de dez minutos com ela antes de saber de quem se tratava, posso vos dizer que me encheu de orgulho conhecer uma certa pessoa importante. Refiro-me à Encandescente que tem o melhor (para mim, o melhor) blog de poesia da blogosfera portuguesa. Digam lá se não vale a pena conhecer pessoas assim?

segunda-feira, agosto 14, 2006

1019. Cuba e nosotros
(Onde o Pre se indigna com quem não devia pois é dar importância demais a quem não tem importância nenhuma)

Não se pode pedir a um jornalista, reconhecidamente reaccionário e director de um jornal propriedade do maior capitalista português que defenda o regime Cubano. Eu próprio, sem ser nem uma coisa na outra, não o defendo. Apenas o compreendo o que não me inibe de o criticar quando para tal sou solicitado. Mas pode-se sugerir que o jornalista seja honesto ou, como está na moda dizer-se, intelectualmente honesto. È só o que eu sugiro, sei que em vão, a José Manuel Fernandes (JMF). Para que o Público, que eu lia assiduamente em tempos e que acompanhei desde o primeiro número e ao longo de vários anos, pudesse voltar a ser comprado por mim não apenas quando me falta o papel higiénico em casa.
Esta introdução é para referir o editorial de domingo no supra referido pasquim onde para além de uma soberba ficção sobre o que faria ou não Luís Buñuel se fosse vivo (como se o pensamento de Buñuel pudesse alguma vez ser comandado pela atrofiada linha de raciocínio de JMF) acerca das dinastias comunistas, como ele lhe chama. E com um título a dar ao bom cinéfilo escreve JMF, se não exactamente uma carrada de asneiras, um bom punhado de jargões de honestidade duvidosa, sobre Cuba e Fidel Castro. Fala nas “ruas tristes de Havana”. O JMF esteve em Havana ou na Avenida de Roma, na rua dos Fanqueiros, na avenida de Ceuta ou em mais de um milhar de tristes ruas Lisboetas? Conhece ruas mais tristes do que as da sua capital? A não ser que quando refere a tristes ruas de Havana esteja com o pensamento na alegria dos tiroteios na 24 de Julho de sexta feira à noite, nas cenas de pancadaria nos bares do Cais do Sodré, dos assaltos à mão armada em ourivesarias e agência bancárias da nossa cidade, nos roubos por esticão em qualquer rua, avenida ou beco cá do burgo. Haja alegria! Esteve mesmo em Havana ou contaram-lhe? Fala na “dificuldade de comprar aspirinas”. Mau exemplo JMF. O senhor está a falar do país do ocidente mais evoluído em termos de saúde pública.Com certeza não teve nenhuma dor de cabeça em Cuba, nem conhece os acordos entre a Bayer e o seu inimigo (seu, do JMF) Fidel Castro. Informe-se que eu não tenho obrigação de o fazer. Mas provavelmente não estava a falar de Cuba. Talvez de Portugal onde há dois milhões de seres que, esses sim, têm muita dificuldade em encontrar aspirinas. Talvez até outras coisas de maior necessidade. Fala nas “cadernetas de racionamento”, pois que as há sim senhor. E os dois milhões de Portugueses que acima referi agradeceriam, com certeza, uma igual. Para nesta sua (sua, do JMF) democracia, poderem comprar o feijão, o arroz, o açúcar, o pão, o leite, a farinha. E para poderem pagar a luz, a água, o gás, o telefone e a renda de casa. È que consta que muitos destes (dos tais 2 milhões, Sr JMF) não ganham nem para a renda de casa. Se o ganhassem Sr. JMF o senhor nunca ouviria falar dos nossos 300 mil sem abrigo, não era? O senhor não acha normal que “Fidel, em particular, seja tratado com recursos a que nenhum cidadão comum pode sequer ter acesso”. Eu também não acho isso normal, valha a verdade. É por essa razão que eu tanto critico Fidel por isso, como critico a utilização de uma suite presidencial de 340 contos a diária nas férias algarvias do chefe da nossa, tão amada por si, democracia. É que são recursos a que nenhum cidadão comum tem acesso, percebe?
Entre outras palermices fala JMF das deslocações à boleia por falta de bons transportes públicos. Eu confirmo, é verdade! Há maus transportes públicos em Cuba. Já na nossa democracia há bons transportes públicos, daqueles que JMF não usa porque não precisa. Daqueles que em hora de ponta levam duzentas pessoas como se fossem latas de sardinha. Daqueles que volta e meia, porque comprados, sabe-se lá ao abrigo de que interesses, a outras democracias ocidentais como a alemã, em segunda mão e que já não servem nesses países, se espetam frequentemente contra os candeeiros de Lisboa. Daqueles em que um bilhete entre duas paragens custa mais de 1 Euro. E que, mesmo assim, tão bons, modernos e acessíveis, não são usados por uma grande maioria dos tais 2 milhões que não têm recursos a eles. E que sem boleia (veja o espírito de solidariedade que se cria na sua douta democracia) têm de se deslocar bastos quilómetros a pé. Já agora Sr. JMF alguma vez saiu de Lisboa? Conhece os transportes públicos portugueses nas mais diversas vilas e aldeias?

É por estas e por outras que eu considero que o editorial não é honesto. Falar do que de mal tem Cuba com o exemplo que tem em sua própria casa é de muita pobreza intelectual. E há tanta coisa de que se poderia falar para criticar Cuba e Fidel. Mas com gente deste tipo não faço coro.

sábado, agosto 12, 2006

1018. Pequenos acidentes
(onde o Pré arranja motivo para um post, deixando os grandes acontecimentos da humanidade de fora, a cargo de especialistas)


Este calor provoca uma reacção de moleza nos meus gatos. Há gatos deitados ao comprido por tudo quanto é casa. A ventoinha ligada é um convite para os bicharocos. Não tão perto quanto poderiam, dado o receio e a desconfiança de tal objecto mas, estrategicamente colocados onde a corrente de ar lhes torna o local aprazível. Um dos donos (eu, I, moi, ich) gosta de andar pela casa às escuras. Conhecedor dos seus cantos não precisa de acender luzes para caminhar. Só que se esquece que os gatos estão espalhados. Uma pisadela na Florinha, uma reacção instantânea – assim é que é sua felina – um forte miado acompanhado de um alto berro (meu, claro) um esguicho de sangue como se jorrassem mangueiras e eis-me a estancá-lo sobre os vários orifícios provocados por caninos (ou gatinos?) dentes. Felizmente que a gatinha parece nada ter sofrido senão a momentânea dor e o susto. Eu também já estou bem, obrigado.

terça-feira, agosto 08, 2006

1017. Há dias assim

O dia acordou-se-me estragado. A manhã enevoada e a baixa temperatura, tendo em conta a expectativa, convidaram-me a não vestir os calções e a deixar a toalha no respectivo armário. Era uma vez um dia de praia. Logo aproveitei para tratar de alguns assuntos adiados pela boa causa das férias quando me deparei com o vidro da janela do meu carro escancarado. Uma olhada rápida permitiu ver que não se tratou de tentativa de furto pois nada faltava no seu interior. O motivo foi facilmente detectado. O elevador do vidro não o fazia ascender e o veredicto final foi da oficina: motor da janela pifado. Como há pouco mais de 15 dias tinha acontecido o mesmo ao carro da minha mulher terei de preparar uns duzentos euros para o estrago. Sobrou-me mais tempo ainda do que eu pensava para ocupar o meu dia sem praia. Andava há vários dias para reformatar o meu computador pois ele apresentava queixas que pediam um tratamento radical. Pois meus amigos, o computador não me reformata. São erros atrás de erros. Tenho a impressão que a reciclagem o espera. Há dias em que as coisas correm mal, mas como costumo ouvir dizer, antes isto do que partir uma perna. Por isso enquanto ainda faltam cerca de uma hora e meia para o dia acabar, vou-me deitar sossegadinho para ver se não tropeço em nada. Dasse.

PS. Pois então! Este post foi escrito para ser publicado aqui. No entanto quando o submeti aconteceu-me um INTERNAL SERVER ERROR. Só podia...