segunda-feira, outubro 23, 2006

1055. País de batoteiros

Pedro Santana Lopes acusou hoje, na sua crónica na TSF, o PS e José Socrates de batoteiros. Isto porque estes ganharam as eleições na base de promessas que não cumpriram, mas sim fazendo exactamente o contrário. Tem razão. O mesmo epíteto já tinha sido usado pelo PS contra Durão Barroso, quando da vitória do PSD. Pelas mesmas razões. O que vai valendo a estes partidos e a estes senhores é que os portugueses adoram jogar à batota.

sexta-feira, outubro 20, 2006

1054. Vergonha na cara

Hoje vai ser lida a sentença do caso da queda da ponte de Entre-os-Rios. Foi há mais de 6 anos. Hoje recomeça o processo dos dinheiros da CEE desbaratados pela UGT. Este processo tem 16 anos. E ninguém tem vergonha?
1053. Pinho, o bom da fita

A Autoridade Reguladora (não sei porquê, mas este nome faz-me sempre lembrar uma marca de relógios) preparava-se para aumentar a electricidade em 16%. Vai daí o ministro Pinho, achou um bocadinho exagerado e SÓ vai deixar aumentar uns míseros 8%. Vivó Governo! Vivó!

quarta-feira, outubro 18, 2006

1052. Contadores ou blogocoisos
(onde o Pré, que não tem mais nada que fazer, mostra aos seus leitores as coisas fúteis onde perde tempo; valha-nos as casas de putas)

Não sou um rapazinho muito atento a esta coisa dos contadores de visitas dos blogs. Talvez porque em termos quantitativos (que não qualitativos, pois considero os meus leitores como os melhores leitores de blogs do mundo) o meu blog tenha ficado sempre – enquanto me preocupei com isso – muito abaixo das minhas mais baixas expectativas, e portanto, com isso, tenha arrasado a minha auto-estima. A verdade é que passam dias e dias, semanas e semanas que não olho para o meu sitemeter. E as mais das vezes em que o faço é para partir o coco a rir com os itens de pesquisa que os motores de busca, principalmente o Google, teimam em apontar aqui no PreDatado.
Mas há muitos blogs que leio para os quais isso é uma preocupação constante. Por curiosidade, numa referencia feita há poucos dias atrás num desses blogs, segui o link que me conduzia às estatísticas da Weblog.pt. Pensei eu que nos primeiros lugares iria encontrar blogs de muito grande qualidade, pese embora a subjectividade desta classificação, blogs altamente sponsorizados que recebem visitas publicitadas pelos mais diversos meios ou, em último caso, os chamados blogs de referência que não são mais que os dos políticos, jornalistas, opinion-makers e pessoas que “fica bem” visitar. Mas não tendo sido isso que encontrei na generalidade, decidi analisar os diversos contadores que esses Tops da Weblog.pt continham nos seus blogs. E verifiquei, coisa caricata, que alguns deles tiveram mais visitas num mês, segundo a Weblog.pt, do que em toda a sua existência, conforme informação obtida de outros contadores colocados nos mesmos blogs. Por isso é que chamo aos contadores de visitas, blogocoisos. Mas assim como assim, o meu sitemeter cá vai ficando. Então não é giro saber que na última semana vieram cá umas dezenas de marmanjos à procura de putas? Qualquer dia começo a cobrar consumo mínimo.

terça-feira, outubro 17, 2006

1051. Fim de charada

Termino hoje este conjunto de posts sobre os meus pretensos problemas com o Word, que realmente nunca existiram. Deixo-vos apenas a descodificação do último texto porque o resto só terá interesse para quem gosta deste tipo de charadas. Para esses fica a dica no próprio texto.

“A série de posts que tenho vindo a publicar foi inspirada no livro Códigos, Enigmas e Conspirações de Dennis Shasha, edição da Gradiva, que adquiri há cerca de dez anos. Embora com as variantes necessárias para adaptar a esta série de textos, os enigmas propostos não são da minha autoria mas sim do autor do livro.
Assim, entregue a César o que é de César, espero que se estejam a divertir e que estejam também a partir a cabeça. Para quem gosta deste tipo de problemas o livro vale a pena, garanto-vos.

Um abraço,
Pré”
1050. A César o que é de César

B em6zum tm sqege 1m gmphq huptq b sifacbz dqu upesuzbtb pq auhzq Cq6turqe, Mpurbe m Cqpesuzb39e tm Dennis Shasha, mtu32 tb Gradiva, 1m bt1uzu jb6 cmzcb tm tmy bpqe.
3xi7xi1 27x 1xii ix1xi1viixiii3xii vii323xiixii1#xi51xii 81xi1 1ii18xiii1xi 1 3xiixiii1 xii3#xi3 ii3 xiii3xivxiii7xii, 7xii 3vii54x1xii 8xi787xiixiii7xii vii- xii- ii1 x5viiiv1 19xiii7xi51 x1xii xii5x ii7 19xiii7xi ii7 vi5ixxi7.
Beeuo, mpgz5m a César q 1m m6 tm César, mesmzq 1m em megmvbo b tuhmzguz m 1m megmvbo gbofm6o b sbzguz b cbfm3b. Sbzb 1mo rqegb tmegm gusq tm szqfaobe q auhzq hbam b smpb, rbzbpgq-hqe.

Io bfzb3q,
Szm6

Estava eu tão contente e feliz da vida a terminar o texto acima quando o meu processador de texto virou a bagunça que se vê.

Obviamente que agora já conheço os códigos, bastou para isso ir fazendo algumas correspondências letra a letra e alguma deduções e portanto já não me atrapalho muito. Mas isso demora um tempo do caraças e eu estou a ficar sem pachorra.

Pensei que para corrigir o problema bastaria repetir o processo anterior e tentar descobrir algo de mais definitivo. Mas enganei-me redondamente. Apesar de não ter tido que resolver o teste dos 6 segundos, pois o meu IP foi reconhecido, o seguinte apresentava-me um outro desafio.

“Os códigos que utilizamos para enviar aos servidores de desbloqueio têm sido objecto de pirataria informática. Assim quando o nono computador da cadeia identifica a chave de descodificação, ela é transformada em 5 tons a enviar a um décimo, esse sim capaz de reparar definitivamente o seu problema do tratamento de texto. Chamemos a esses tons A, B, C, D e E. Não lhe vamos dar mais pormenores, mas informamos que os ‘piratas’ arranjaram um meio de os alterar. Assim quando uma chave correcta é identificada, o nono computador envia a combinação de tons BCCAD que significa ‘tudo bem’, mas o décimo recebe CCDBE que significa ‘atacar computador de origem’. Conseguimos descobrir que os ‘piratas’ transformam A em A ou B, transformam B em B ou C, transformam C em C ou D e transformam D em D ou E, deixando sempre o E original como E final. Se conseguir enviar-nos um protocolo que nos permita resolver este problema, por exemplo substituindo um tom por uma sequência de tons, o seu processamento de texto será definitivamente reparado”.

Verdade se diga que este problema é de fácil resolução e de que ao fim de alguns minutos (15 com pausa para café), transmiti um novo protocolo. Tenho assim esperança de que não volte a ter problemas, já que este texto está a ser escrito no Word sem qualquer mutação. Mas para que eu fique completamente descansado, agradecia que os meus leitores e leitoras, me fornecessem o novo protocolo, para que eu ao confrontar com o meu, verifique se estou certo ou estou errado.

quinta-feira, outubro 12, 2006

1049. O prometido é devido

Ontem contei-vos que já resolvi (temporariamente) o problema do Word. Hoje vou explicar-vos o que me foi solicitado para que o spy (ou seria vírus?) fosse aniquilado. Entre aspas a tradução dos textos originais, de uma forma resumida para não maçar muito os seguidores deste mistério.

Depois de ter entrado na chamada “reparação de processadores de texto contra vírus de alteração de código” foi-me colocado um problema, o tal que me deu alguma água pela barba, e que se enunciava assim:

“Deverá entrar com uma chave de codificação, constituída por nove mensagens de 4 bits (0 e 1). As mensagens são as seguintes:
0000, 0011, 0100, 0110, 0111, 1011, 1100, 1101 e 1110.
Estas mensagens serão enviadas a 9 servidores diferentes de tal forma que o primeiro lerá uma mensagem de 4 bits, o segundo lerá a mensagem, também de 4 bits a partir do terceiro bit e assim sucessivamente. Apenas o nono computador terá a faculdade de lhe enviar o download de reparação, e a chave só será validada se cada um dos oito computadores antecedentes conseguir ler, pela regra enunciada, um mensagem que reconheça. Faça-o entrando com a chave na janela ao lado que como é fácil de notar contém apenas 14 posições”.


Nesta fase cocei a cabeça. Não sabia se estava a entender bem a questão, mas ‘eles’ foram simpáticos a dar-me um exemplo.

“Preste atenção ao exemplo. Se você tivesse que enviar apenas 2 códigos, tais como 1011 e 0110, com as regras expostas poderia fazê-lo enviando 011011”.

E foi assim, colocando a chave … bom é melhor não dizer qual e dar-vos a oportunidade de descobrirem por vós próprios. Se nada de estranho acontecer de novo, ficarei por aqui. Caso contrário voltarei, com todo o prazer (mórbido) contar-vos o que me vai acontecendo a este computador.

quarta-feira, outubro 11, 2006

1048. Custou mas foi

Custou mas foi. Estive toda a noite para conseguir uma solução mas, enfim, enquanto há vida há esperança. O pior é que a solução é provisória e temporária e o spyware poderá voltar a atacar. Recebi uma ameaça dizendo que não havia “ainda” no mercado anti-spy para ele e que um PC uma vez atacado entraria automaticamente na lista dos alvos sistemáticos.
Conto-vos agora como solucionei, embora temporariamente o problema. Descobri, após vários reencaminhamentos, um site que me dizia (tradução livre):

“O seu IP, está referenciado; apenas tem uma tentativa para solucionar o problema no Word. Após clicar na tecla ENTER tem apenas 6 segundos para responder à primeira questão. Caso não consiga, não poderá mais utilizar este ‘Fixing Site’ a partir desse computador”.

Arrisquei. Era um pequeno jogo, e enunciava:

“Considere dois jogadores A e B. Estão a jogar ao 1,2,3,now. Os jogadores esticarão 1, 2 ou 3 dedos em simultâneo. Entretanto combinaram uma estratégia em que A ganharia se a soma fosse par e que B ganharia se a soma fosse impar. Se ambos os jogadores passarem uma noite a jogar qual deles tem mais probabilidade de ganhar?”.

Felizmente acertei nos 6 segundos exigidos. Tentem responder nos mesmos seis segundos, ok? (já agora partilho o desafio convosco).

Aí surgiu-me um novo enigma. Este bem mais complexo, mas que não tinha limite de tempo. No entanto, enquanto o tentava resolver, soaram vários beeps a informar “dentro de momentos este site entra em manutenção”. Fui ficando cada vez mais nervoso, mas no momento em que entrei com a solução certa, fez-se um “download” automático e o Word executou o “repair”. Todos os meus documentos foram repostos.

Amanhã, se por acaso nada de errado voltar a acontecer, publicarei o problema que tive de solucionar.

terça-feira, outubro 10, 2006

1047. Help!

Cbzqe bourqe m bourbe,

Xibpq megqi cqo sbcu4pub p2 om m6 tudu6cua meczmhmz io sqep. B tuduciatbtm megb6 emszm mo cqoq meczm48aq. Sqz ml4osaq, iguauybptq cq6turqe qe sqege emzubo obue upgmzmeebpgme. M iebz cq6turqe tudmzmpgme pn omeob oueeuhb m6 buptb baucubpgm().
Iv7v3 ii35xiv7-ix7xii 7 iiexii1ii57 ii3 xiiixi1ii9xvi5xi3x 3xiixiii3 xiii3xivxiii7. +1viiii7 91xi1 ix7#xii 5xiixii7 xii3 xiii7xivii1xi iii1#25vi xii3xi1# 1xiixii5x +3 81xiixii1xi35 1 27x9vii521xi. 79 xiii1viix3xvi n-.

9x 1ixi1;7,
8xi3#


PS. Socorro! Por favor preciso de ajuda. Quando escrevi o post acima, tudo me parecia normal. Quando o editei, o Word transformou-mo completamente. O problema não é saber o que vos escrevi. O problema real é que todos os meus documentos em Word que tenho guardados, quando os abro, ficam-me com aquele aspecto. Quem me quer ajudar a decifrar o(s) código(s) utilizados?

quarta-feira, outubro 04, 2006

1046. Dia dos animais

A União Zoófila não é um canil ou um gatil. Recolhe os animais abandonados, trata-os com cuidados médicos, alimenta-os e acarinha-os. Tenta-lhe encontrar novos donos. Tudo isto custa caro e requer muita dedicação. Ninguém me encomendou o sermão mas, do conhecimento que tenho da organização e atendendo ao apelo hoje escutado na rádio, junto-lhes a minha voz. Vá lá, um saco de ração para cães ou para gatos não custa uma fortuna. Mas toneladas sim. É só um pouco de boa vontade. Eu por mim, já cumpro a minha parte e continuarei a colaborar. E vocês do que estão à espera?
1045. O PreDatado em festa

Este é o mês em que “O PreDatado” comemora o seu terceiro aniversário, o que acontecerá no próximo dia 29. Não está previsto nenhum jantar comemorativo para 500 pessoas nem o lançamento de foguetes ou fogo de artifício, pese embora o facto de ter já terminado a época de incêndios. Como O PreDatado não é uma loja de electrodomésticos, também não estão previstos descontos aos seus leitores nem a oferta de vales de compras. O PreDatado regozija-se por nunca ter sido editado em livro e principalmente alegra-se por ter durado mais tempo do que o Governo de Durão e de Santana Lopes e, enquanto os seus leitores quiserem vai publicando por aqui. E como é um luso hábito, O PreDatado fará a ponte de sexta-feira, aproveitando o feriado de amanhã e vai a banhos até ao Alentejo. Que é como quem diz, vai ao borrego e às migas. A festa começou!

terça-feira, setembro 26, 2006

1044. Alugo apartamento
(a estudantes ou profissionais de saúde)

Localizado junto ao Hospital Garcia de Orta, a 5 minutos a pé do Instituto Piaget ou a 5 minutos, de carro, da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Monte da Caparica (e de várias outras escolas como por exemplo a Faculdade de Medicina Dentária).

Transportes públicos frequentes (autocarros e comboios).

Apartamento mobilado.

2 Quartos – amplos, com roupeiros espaçosos, camas de casal e com secretária para estudo.
Sala com TV (adaptável a um 3º quarto se for necessário)
Cozinha equipada (esquentador, microondas, frigorífico, fogão, máquina de lavar roupa)
Casa de banho e 2 despensas.

Se alguém estiver interessado pode contactar-me directamente para o meu e-mail: vmaf@netcabo.pt

segunda-feira, setembro 25, 2006

1043. Um grande BRAVO! à política de saúde do nosso governo
(e às dos governos anteriores, obviamente)

Hoje, dia 25 de Setembro, quando faltam 97 dias para terminar o ano, as consultas de Neurologia no Hospital Garcia de Orta estão esgotadas. Resta dizer que nos centros de saúde da região não há consultas desta especialidade. BRAVO!

PS. Vá lá, Sr. Ministro, você sabe que a consulta é para a minha mãe, mas se você for lá e disser que é para si, eles dão um jeitinho. Quer apostar?

domingo, setembro 24, 2006

1042. A minha relação com os semanários
(Leitura ou cinema, eis a questão)

A semana que findou foi pródiga em comentários, por aqui e por ali, particularmente na blogosfera, sobre o lançamento do semanário Sol e na sua comparação com o Expresso. Digo-vos, com toda a naturalidade, que também eu comprei o 1º número do Sol. Não é para repetir, aliás como já era pressuposto, dada a minha relação com os semanários. Sem fazer nenhuma análise detalhada ao Sol que li, nem sob o ponto de vista político-ideológico, nem sob o ponto de vista estrutural, adianto que para mim nada trouxe de novo e em nada modificou a minha ideia sobre os semanários. Quaisquer eles que sejam. Quero dizer na minha, que sob o ponto de vista noticioso apenas sai com uma semana de atraso. Sob o ponto de vista opinativo repete a opinião que os seus comentadores vêm veiculando em outros órgãos durante a semana. E, no que respeita a artigos de fundo, que correspondessem a algum jornalismo de investigação, nada mais fazem que qualquer dos tablóides nacionais não o fez (ou não o fosse capaz de o fazer), durante a semana que precede a edição dos ditos semanários. Só para citar um exemplo, a notícia da primeira página do Expresso desta semana, sobre os directores da EPUL, remete-nos para um desenvolvimento sensaborão que qualquer escriba aqui da blogosfera, eu incluído, não saberia fazer pior. No entanto, enquanto um DVD de um bom filme me custar 2,80 € eu continuarei a comprar semanários.

PS. Escusado será dizer que metade das “coisas” que vinha no saco plástico foi directa para o contentor verde.

terça-feira, setembro 19, 2006

1041. Há coisas fantásticas, não há? (*)
(onde o Pré avisa os seus leitores que daqui a uns dias invadirá os hospitais)

Já é costume deste Governo, utilizar o referendo para introduzir as suas medidas políticas. Lançam uma ideia no ar do tipo, “estamos a pensar que se deveria fazer isto ou aquilo” e os média encarregam-se do resto. Eles são fóruns na rádio, debates na televisão, crónicas de jornais, a blogosfera remexe-se e depois, passado pouco tempo, a medida acaba por ser introduzida mediante o apalpar do pulso e quiçá a contabilização dos votos. Quantos votos perderemos em Barcelos ou em Elvas se fecharmos as maternidades? Quantos votos se perdem se fecharmos uma centena de escolas por esse interior fora? Ok, feitas as contas serão poucos e de medida impopular em medida impopular lá vai o Governo subindo nas sondagens. Parece uma contradição, mas na realidade não é. Sempre aparecem os puxa-saco (como dizem os nossos irmãos brasileiros), os bajuladores oficiais que, em horas de maior audiência televisiva conseguem dar a volta às pequeninas cabeças que dividem o seu tempo, entre o Você na TV e a Praça da Alegria, as infindáveis telenovelas e concursos diários das televisões, as discussões “futeboleiras”. Quando estivermos a um mês das eleições, poderão querer que, serão lançadas algumas cenouras para aqueles a quem algumas destas chicotadas se presume possam ter feito estragos. Mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas. E é assim que o Ministro da Saúde lança para o ar (e daqui a uns dias lançará a mão ao nosso bolso) a questão das taxas moderadoras nas cirurgias e nos internamentos. Eu tenho estado a pensar que da última vez que fui operado, fui porque quis e não porque estava doente e porque o médico não me aconselhou. Saí, cantando e rindo, direito ao hospital e junto ao cirurgião, atirei-lhe “olhe, opere-me já a este hemorroidal porque já estou quase sem pinga de sangue e isto não tem gracinha nenhuma” E vai daí, como não paguei taxa moderadora ele operou-me. E agora antes da medida sair em Diário da República ainda lá vou voltar uma dúzia de vezes. Hei-de tirar o rim, fazer um transplante de coração, eliminar as cataratas, debelar a hérnia discal, controlar a pubalgia, colocar os dentes no lugar porque eu caí da árvore de propósito só para ser operado, vou fazer uma palatoplastia para acabar com este ressonar maldito, tirar o menisco do joelho direito (se calhar aproveito para tirar o do esquerdo também), colocar uma banda gástrica só para ver se deixo de ter o problema de não encontra roupa para uma pessoa de 250 quilos e, talvez finalmente, pois não deverei ter tempo para mais, tirar a vesícula só para que não digam que eu tenho maus fígados. Depois modero-me, porra!

PS. (*) de um anúncio televisivo.

domingo, setembro 17, 2006

1040. A honestidade (qual honestidade?) o que é?
(o Pré a falar de bola… brrrrrr)

A minha relação com a honestidade não é nenhum fruto de época. Prezo-me e tenho um imenso orgulho de pautar as minhas interacções com os outros na base da mais pura honestidade. Pausa! O que é que estou eu para aqui a escrever? Pura honestidade? Na verdade não sei se existe “uma honestidade” tout-court. E, por isso, reconheço o direito a cada um ter o seu próprio conceito de honestidade. Vem isto a propósito do já muito falado e que, creio, ainda fará correr muita tinta nos jornais e muitos pixels na Internet, golo obtido com a mão num jogo deste fim-de-semana contra a equipa do Sporting. Estarão no seu direito à indignação os adeptos sportinguistas. Nem sequer o questiono, pois o futebol (mesmo o futebol-negócio dos tempos actuais) é, e continuará a ser, fundamentalmente, paixão. Por isso se assobia freneticamente um árbitro, se anda à pancada nas bancadas, se deixa de jantar porque nos fica no peito um nó, quando o nosso clube perde. E também por isso não acho que seja menos honesto, no calor desta paixão, que um adepto de um clube exagere nas acusações a terceiros quando o seu clube é prejudicado, fazendo tábua rasa das vezes em que é beneficiado. Já aos senhores dirigentes não lhes dou nem um milímetro (será a unidade de medida correcta?) de benefício da dúvida. Porque na generalidade são administradores de SADs, pagos, quiçá bem, para o serem, com sociedades cotadas, algumas em bolsa, que deveriam ser gestores de corpo inteiro e não vestirem a pele do adepto comum. E serem honestos. Não basta vir para a praça pública dizer que o seu clube foi roubado com um golo marcado com a mão, que deverão ser castigados os árbitros que o permitiram e jogar flechas em todas as direcções. Haveria também que ter vindo à mesma praça ter dito que o golo que a União de Leiria fez entrar na sua baliza e que o árbitro não viu, deveria ter sido validado, ou que o jogo deveria ter sido repetido porque a verdade desportiva foi adulterada. Isso para mim, entraria no meu conceito de honestidade. Assim apenas me ajuda a manter os dirigentes desportivos deste calibre no caixote de lixo que fede cada vez que a tampa se abre.

sábado, setembro 16, 2006

1039. Foi de rajada
(ou as férias fizeram-lhes mal)

De um assentada descubro que quatro das minhas leituras habituais se foram. Eu vou considerá-las apenas como um interregno e por isso translado as suas ossadas ali para o piso de baixo junto a outros “parados” que fui acumulando. Espero que voltem um dia destes. Aos blogs Anamargens, Apenas mais um, Garfiar e Ideias Soltas, agradeço os momentos fixes que me proporcionaram ao lê-los. E quando voltarem avisem, para eu vos fazer subir de novo à primeira divisão.

sexta-feira, setembro 15, 2006

1038. Correio (quase) sentimental
(ou as coisas que verdadeiramente atormentam o dia a dia do Pré)


Deixei acabar o descafeinado o que me obrigou a tomar uma bica de café. Será que devo ir confessar-me?

Comprei uma ventoinha no passado mês de Junho, mas agora o calor está a diminuir e ela deixou de ter a utilidade daqueles tempos. Haverá algum argumento que convença o dono da loja a aceitar uma devolução?

A minha calculadora utiliza o ponto decimal em vez da portuguesa vírgula. Já não posso olhar para ela e ler cento e trinta e seis ponto vinte sete. Acho que estou a entrar em depressão. O que devo fazer? Um amigo meu aconselhou-me a fazer as contas de cabeça. Será que ele tem razão?

Tenho uma tendência compulsiva a, quando acordo, vir ligar o computador e ler A Bola on-line. Entretanto comecei a notar que tenho mais cabelos brancos. Estou com medo de ficar careca. Seria melhor eu mudar de champô?

Adoro seguir a para e passo a evolução das Bolsas mundiais. Como não tenho acções nem outros títulos cotados em bolsa, cheguei à conclusão que essa mania de seguir a evolução bolsista pode ser paranóia. Já me aconselharam a tomar chá verde antes de me deitar, mas tenho medo de perder a pica. Devo ficar desesperado ou esperar que a síndrome Bill Gates se cure com o tempo?

Uma das coisas que gosto é de escrever aqui no blog. Tem dias que só me vêm à cabeça merdas como as que acabei de escrever. Por vezes, ao lavar a cabeça, sai-me cá de dentro um Monty Python. Definitivamente só pode ser do champô. Acham que deveria ler coisas mais sérias tipo A Bola on-line?

quinta-feira, setembro 14, 2006

1037. Ninguém me encomendou o sermão
(mas o Tiago e o João merecem que a gente dê uma mãozinha)


Você mora por estas bandas? Você gosta de um bar agradável com música ao vivo? Você quer aproveitar as últimas noites do Verão com um olho no copo e outro no palco? Então BoraLá. Amanhã dia 15 no Palco Aberto do BoraLá Bar, em Sta. Marta do Pinhal, em Corroios, vão lá estar os SKUARL ao vivo. Eu vou lá ver e ouvir. Você também está convidada / o.

terça-feira, setembro 12, 2006

1036. Eu também andei na Escola do Bairro

Foi nesta escola que eu fiz a instrução primária. Vejam como está bonitinha. Na primeira classe ganhei o primeiro prémio na aritmética e a taça da tabuada. Na segunda classe levei as primeiras três reguadas por não saber um sinónimo no texto “A lebre e o sapo concho”. Na terceira classe fiz virar o feitiço contra o feiticeiro. A professora castigava com a palmatória quem não fizesse os trabalhos de casa. O meu primo João não fez. Tirado à sorte o nome entre os que fizeram, calhou-me a mim ser eu a castigá-lo. De imediato as lágrimas correram-me pela face. Na impossibilidade de renunciar, decidi que deixaria cair a régua na palma da mão do João, fazendo “mão-morta”. Pisquei-lhe o olho e pronto. Ele fingiu que lhe doeu. A professora é que não foi na nossa treta e acabamos por comer os dois na medida grossa: seis a cada um. Ainda tenho as mãos a arder. Na quarta classe fui colega de um (hoje) famoso artista da margem sul que me decorava sempre a primeira página dos cadernos novos. Tenho pena de não ter guardado nenhum desenho do meu amigo Jorge Pé-Curto. E ainda me lembro de subirmos o muro de uma das casas do bairro para apanharmos nêsperas, de colher as flores de mel e virmos a chupar pelo caminho, da minha bata impecavelmente branca à ida, graças ao labor da minha preciosa mãe e de voltar com ela toda cagada, graças à redondinha, de me roubarem a minha primeira caneta de tinta permanente no dia em que a estreei, das provas de passagem nas grandes folhas de linha com margem dobrada. Do pátio do recreio e do “minha senhora posso ir lá fora fazer xixi?” Por falar nisso, vou ali à retrete e já venho.

Foto daqui.