terça-feira, fevereiro 06, 2007
Na blogosfera, nutro um particular respeito por todas e todos quantos me lêem. Naturalmente que, em relação à despenalização do aborto até ás 10 semanas, haverá entre as minhas leitoras e os meus leitores uns que serão a favor e outros que serão contra. Pelo respeito que todos me merecem, o PreDatado que não é um anónimo como o título do blog o poderia fazer crer, teria de fazer uma pausa no seu período sabático para que, antes do referendo do próximo Domingo, pudesse, como aliás o tem feito em relação a outros temas da nossa sociedade, exprimir publicamente a sua opinião. O PreDatado, aliás o Alves Fernandes vota SIM. E vota SIM sem ter de exaustivamente repetir os argumentos que os vários movimentos do SIM já largamente enunciaram e com os quais o PreDatado se identifica quase totalmente.
Eu voto SIM porque respeito as mulheres. Eu voto SIM porque amo a Liberdade.
sábado, janeiro 13, 2007
Vítor Serpa, director do jornal, A Bola, escreve, na edição de hoje, na sua habitual crónica de Sábado um texto onde se pode ler a seguinte pérola:
“…
É costume anunciar a fronteira da democracia, e a data precisa do 25 de Abril, como o tempo exacto em que foi possível, ao F C do Porto, conquistar, ao Benfica, esse poder e esse domínio. Sem tempo e sem espaço, por agora, para a análise das causas e das consequências, vamos limitar-nos à simples constatação dessa realidade…” (acessível a users registados ou na edição em papel)
Eu também não tenho nem tempo nem espaço para uma análise aprofundada. Mas queria dizer ao Sr. Vítor Serpa, pelas responsabilidades que lhe são reconhecidas na imprensa desportiva nacional, de que não deveria ser tão leviano assim nas suas afirmações ou, se quiser, tão superficial. A verdadeira barreira não é 1974 mas sim 1994. E se o senhor fala em constatação de realidade, são os números as maiores testemunhas dessa realidade.
Quer ver? Entre 1974 e 1994, ou seja em 20 anos de democracia o S.L. e Benfica ganhou 17 títulos. 17! Foram 10 campeonatos nacionais e 7 taças de Portugal contra 8 campeonatos e 5 taças do F C Porto e 2 nacionais e 2 taças do Sporting. A grande viragem dá-se efectivamente a parir de 1994, já os tempos de democracia íam longos. Mas a partir daqui, se me permite lembrar-lhe, entram as viagens ao Brasil dos Calheiros, entram os José Guímaros, entram os cafezinhos com leite e os chocolatinhos, entram os Calores da Noite, entram os Apitos Dourados. Mas isso, Sr. Vítor Serpa, são outros quinhentinhos.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
O PreDatado conversou no café com Kontrastes. O que ele nos perguntou e aquilo que respondemos pode ser lido aqui.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Acho que as minha amigas leitoras e os meus amigos leitores devem estar admirados de há quase uma semana o Sr. PreDatado não ter vindo aqui escrever nada neste blog. A verdade, verdadinha, é que tenho andado muito ocupado nos preparativos da minha viagem à Índia. E como disse o nosso PR não é uma viagem à história nem uma viagem de passeio. Mas no meu caso também não é uma viagem de negócios, pois para mim há vida para além da balança de pagamentos. É apenas uma viagem de amor. A esta índia:
Índia seus cabelos nos ombros caídos
negros como a noite que não tem luar
seus lábios de rosa para mim sorrindo
e a doce meiguice desse seu olharÍndia da pele morena, sua boca pequena eu quero beijar
Índia, sangue tupi, tem o cheiro da flor
Vem, que eu quero te dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
e chegar a hora de dizer adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade da felicidade que você me deu
Índia, a sua imagem
sempre comigo vai
Dentro do meu coração, flor do meu Paraguai.
sexta-feira, janeiro 05, 2007

Hoje estava a dar uma vista de olhos à minha velha colecção de selos, quando me fixei nuns selos de 1972 lançados para comemorar o 2º centenário da criação do ensino primário oficial. De repente veio-me um tristeza tão grande que só podia ser a da pena de não poder assistir, em 2106, ao lançamento da série filatélica comemorativa do 1º centenário do encerramento de escolas, maternidades e centros de saúde em Portugal. Quem continuará a minha colecção de selos?
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Os jogadores de futebol vão deixar de ter um regime especial de tributação. Começo por dizer que acho bem. Acho bem que acabem os regimes especiais seja para jogadores de futebol, seja para profissionais em qualquer outra actividade. Se temos que pagar impostos que paguemos numa base igualitária. Entretanto o Sindicato do Jogadores põe como hipótese decretar uma greve de jogadores contra esta medida do governo. Continuo a minha reflexão com um também acho bem. E acho bem não pelo particular motivo desta greve, mas pelo que deveria ser um movimento geral dos cidadãos. Um dia destes, aqui no meu recanto fiz um pequeno apanhado de em quanto contribuo para os cofres do Estado. Considerando o IRS e a Segurança Social são 40% à cabeça. Do restante que recebo (há quem chame salário líquido, eu chamo-lhe grãos de areia) e que serve para eu pagar os bens que consumo sem sobrar um tusto, vão mais 21% em IVA. Tendo em conta que fumo (poderão dizer problema meu, mas a verdade é que fumo) e que ando de carro, o tabaco e a gasolina têm uma tributação que chega a atingir praticamente 70% do PVP. Pago IMI, taxa de saneamento e IMV. Sou duplamente tributado quando compro um carro pois não só pago IA como pago, também, IVA sobre o preço do carro com IA. E se me esqueci de alguma taxa mais, perdoem-me, mas assim, num só ano, mais de 60% do meu rendimento vai para o Estado. Voltando à vaca fria, acho bem a greve contra os impostos. Acho até bem uma greve geral, um levantamento popular, uma revolução. Ou não foi por se revoltarem contra os impostos que a corte britânica lhes impunha, que os americanos declararam a independência dos Estados Unidos?
terça-feira, janeiro 02, 2007
Chamo-me Maria Árvore e procuro aqui contar-vos o dilema da minha vida que dava para encher mais 10 filmes do Manoel de Oliveira, tal qual o contei ao meu psicólogo, recostada, deitada, sentada, em posição de lótus no seu divã.
Foi assim que no dia 2 de Janeiro de 2004 ela começou a escrever o blog. E foi deitada no divã que eu a conheci. Salvo seja, pois não sou o seu psicólogo. A língua portuguesa é muito traiçoeira.
Pois bem, 3 anos é muita fruta, eu sei porque já passei por eles, mas não me parece areia demais para a camioneta da Maria Árvore. Ela tem sempre uma história e por vezes até mais, pois não me parece mulher para se ficar por uma por dia, para contar, quer seja para nos fazer pensar ou seja simplesmente para nos divertir. E além de vídeos divertidos, de fotos quase quase no limite e de saber descobrir e divulgar um poema ou uma canção a propósito ela também sabe agarrar uma causa.
E é por causa de tudo isso, que esta referência que lhe faço hoje não é só porque ela merece. É principalmente porque ela merece ser lida.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Hoje, quando acordei faltavam 15 minutos para as onze. O ano novo já era, o dia já levava dez horas e quarenta e cinco minutos, mais coisa menos coisa o que significa que daqui a pouco estamos no Carnaval, ou seja, não tarda está aí a Páscoa. E a malta aproveita os três dias, com a sexta feira santa incluída, para ir à terra, os que a têm, ou passar três dias no Algarve e engarrafar a A2 desde a estação de serviço de Grândola até ao nó da Marateca, no Domingo à noite. Pela Páscoa já será Primavera e a malta já usa blusas de manga curta e as gajas os umbigos à mostra numa antecipação de que o Verão está à porta e que vamos todos ver de novo as reportagens sobre a degradação da falésia algarvia e dos acidentes na 125, vamos ver muitos carros de matricula francesa e algumas belgas, suíças e alemães, embora destas menos, e ouvir ao nosso lado, na praia ou no Carrefour, jean marie vienzissi si non levas une bofetade na trombá. E chegaremos a Setembro com a pele da mesma cor daquelas senhoras de cabelo louro ou madeixas, assim mais ou menos pelos ombros, que aparecem na televisão todo o ano bronzeadas e que vestem muito bem coisas da moda e dos mais caros costureiros não sei se material emprestado ou comprado com cartão Visa. Mas isso será só lá para finais de Setembro quando o Verão terminar, mas que se lixe pois já cheira a castanha assada e a malta já está a pensar no Natal e na corrida aos centros comercias comprar as prendinhas de Natal e depois chegar a casa ligar o televisor e ouvir aquelas senhoras, que referi há pouco, de pele bronzeada todo o ano, paradigmas do consumo de solários e Louis Voitons e Chaneis botarem faladura contra o consumismo em que se transformou esta época. E só falta uma semaninha para o Reveillon e para o quase esgotar das garrafas de champanhe nas prateleiras do Jumbo e do Continente. Afinal de contas falta pouco mais de 364 dias para a festa não é? Já me apetece dizer Feliz Ano de 2008!
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Tempos de festas, tempo de Natal e de Ano Novo, multiplicam-se os votos. Seja na blogosfera, seja no Messenger ou seja via e-mail, a Internet aumentou-nos a capacidade de comunicar e mandar aquela mensagem que os correios, provavelmente, não entregariam a tempo, fosse por culpa própria, fosse porque o remetente se lembraria apenas à última da hora meter no marco do correio. E há também o telefone celular, que onde nós estivermos está lá, e que nunca nos deixará ficar sem uma mensagem, um SMS como se vulgarizou, de palavras abreviadas e muitos bjs, ou sem uma meia dúzia de palavras ditas de viva voz que, confesso, são as que mais gosto. E foi numa destas chamadas, que um familiar meu me desejou que o Ano Novo fosse pelo menos 5% melhor do que o Ano que agora finda. Na verdade estava a tentar ser simpático e generoso, uma vez que a inflação prevista não deverá ultrapassar os 3% e portanto se o meu ano, no global, aumentar o meu estado de felicidade 2 pontos acima da inflação, eu seria um bafejado pela sorte. Na tentativa de ter alguma graça poderá ter olvidado que não é apenas a questão material que se mede em aumentos percentuais. Não vou especular sobre o aumento da conflitualidade, da guerra, do terrorismo, da fome, do SIDA, das doenças cárdio-vasculares, do cancro, do número de acidentes na estrada, dos das empresas que fecham ou se deslocalizam e de tudo isso que faz parte das minhas preocupações diárias. Mas mesmo atendendo aos votos do meu familiar, terei de viver às escuras, andar a pé, não ir aos hospitais, não comer pão e deixar de fumar. É que os aumentos previstos para estes itens vão muito além da taxa de inflação. Como diz José Sócrates, estamos a melhorar passo a passo. Só que para uns os passos são de caracol, mas para outros, Ricardo Salgado ou Belmiro de Azevedo que o digam, os passos são de canguru. Será que poderíamos modificar o ditado e dizer que os governos não se medem aos passos?
quarta-feira, dezembro 20, 2006
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Que me desculpem os meus leitores mais pudicos, mas não me vou coibir de me expressar no vernáculo que desde há alguns dias me arrebenta o peito. Se há coisa que me deixa fodido é a puta da hipocrisia. Há duas semanas atrás um filho da puta de um nazi veio confessar às páginas da Visão que tinha feito a bomba que assassinou Sá Carneiro. Logo os crânios da intelectualidade, da política e da jurisprudência, comentadores profissionais, politólogos de todas as áreas, constitucionalistas (um dia destes escrevo um artigo sobre estas novas profissões) encartados vieram cagar postas de pescada sobre os factos relevantes dessas revelações, na reabertura de processos já prescritos (quanto a mim mal, mas isso são outros quinhentos) e etc etc etc, que não me quero alongar. “Má sina ter nascido puta”, pode-se dizer de Carolina Salgado. Escreveu (?) um livro onde comete dois grandes pecados. Filhos de uma grande puta os pecados com que a Santíssima Igreja resolveu estigmatizar a nossa porca e miserável vida ao cimo da Terra. O primeiro foi o de denunciar Pinto da Costa e os seus acólitos. O segundo o de ter decidido escrever, ou mandar fazê-lo, sendo uma simples puta de casa de alterne. Logo a mesma intelectualidade, quiçá comandada ou tele-comandada por ventos nortenhos perdeu a compostura tratando de imediato de considerar não credíveis as suas denúncias. E porquê? Porque não foi ela que fez a bomba que matou Sá Carneiro? Não! Apenas porque o livro denuncia um dos Papas do nosso pobre e conspurcado mundo do futebol e principalmente porque a D. Carolina Salgado é puta. Amanhã, quando este episódio estiver esquecido, os mesmos intelectuais botarão faladura nos mais importantes momentos televisivos a defender os direitos das mulheres. Vão-se foder!
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Por força da minha actividade profissional e da empresa onde trabalhava, as minhas viagens a Aveiro e principalmente a Cacia eram como que o pão-nosso de cada dia. Com alguma frequência também dedicava a minha hora de repasto do meio-dia a saborear um belo leitão em Angeja, numa pequena tasca de gaveto. Confesso que de Angeja apenas conheço aquele cantinho que, embora aprazível pelo ar familiar que transmitia, servia também um Leitão Assado dos melhores que se comiam na região. Voltei lá depois de mais de cinco anos de ausência. Com a mesma porta de entrada (ou melhor, com o mesmo local de entrada) fui agora encontrar um restaurante totalmente remodelado, escorreito, bem decorado, iluminado, com toalhas e guardanapos em pano, em suma agradabilíssimo. Faltou-me aquele ambiente familiar com que éramos tratados antes, mas o Leitão – e vamos ao que interessa – continua excelentíssimo. A Casa dos Leitões é um local a revisitar.
Já ao contrário de Aveiro, Viseu raramente fez parte dos meus itinerários. Pecado meu, sei-o bem, pois do sempre que por lá passei guardo boas recordações. Sendo que a penúltima vez, foi apenas trajecto sem paragem já que, sem tempo para chegar ao destino a que me propus e porque sempre gostei da pontualidade, apenas a contornei. Prometi a mim mesmo que lá voltaria e assim o fiz. E voltarei a fazê-lo, espero que em breve, pois que uma visita em trabalho não é, obviamente, a mais indicada para o reconhecimento, sendo que quase tudo voltou a ficar por ver. Ainda assim tive tempo para me deter alguns minutos na pastelaria O Lobo e provar uma autêntica especialidade. Não nego que sou maluco pelos pastéis de Torres Vedras. Mas acho que nunca comi uns pastéis de feijão como os da pastelaria O Lobo, em Viseu.
PS.
1. É raro, por aqui por estas bandas onde moro, num restaurante que não é de luxo, as mesas serem cobertas por tolhas brancas de pano e os guardanapos, impecavelmente lavados e passados a ferro, serem também de pano, em lugar dos vulgares guardanapos de pic-nic. Não sei se estes últimos são regras da CEE mas, se o forem que se f… a CEE.
2. Em O Lobo, aproveitem e comprem castanhas de ovos. São também uma especialidade de Viseu. Em minha casa deliciaram-se.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
- Boa noite. Pode indicar-nos a saída para o IP3 em direcção a Coimbra?
O agente da PSP olha para os documentos que tinha em mãos, olha para a cara da automobilista que estava ser inspeccionada e olha também para o relógio.
- Ainda tenho tempo, eu vou convosco.
Entrega os documentos à senhora, com a recomendação de que ela tem de ter cuidado com o local onde estaciona e comenta-nos com um ar meio desculpabilizante "é chato ficarem à espera um do outro". Seguimo-lo. Fez de nosso batedor até à saída de Viseu. Na última mudança de direcção, a partir da qual seria sempre a direito, abrandou, acendeu os blinkers, colocou-se ao nosso lado, desejou boa viagem e boas festas. Retribuímos. Obrigadinho.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
1073. Uma semana fora…
À hora que escrevo este texto, estou com a cabeça encostada a uma almofada, o chá de limão e as aspirinas na mesa de cabeceira e meia dúzia de pacotes de lenços para expelir os fluidos gripais que deixam o nariz em forma de batata.
Por falar em expelir, ficamos a saber que Pinto da Costa gostava de expelir uns gases mesmo em reuniões sociais. À parte os fait-divers do livro da Carolina o que possa constituir matéria policial não constitui novidade. Podem os processos prescrever, as investigações estarem eivadas de irregularidades, a corrupção desportiva não existir à luz da constituição. O povo pouco quer saber disso. Eu pelo menos não quero. Não é por acaso que há vários anos que não vou ao futebol.
Quem nunca foi julgado nos tribuinais, foi Pinochet. Agora, só à História e à Memória compete fazer o seu julgamento. Morreu, mas não consigo desejar paz à sua alma. Nem tenho a certeza se ele tem alma.
Com alma, garra, genica e querer foi a participação dos nadadores portugueses com deficiência nos mundiais que acabaram há poucos dias. Parabéns!
Infelizmente as marés continuam a fazer das delas na Costa da Caparica. Já ouvi várias propostas de remédios, não ouvi ninguém ainda fazer relações de causa efeito. A Costa da Caparica tem vindo a ser vítima de uma inadequada política de águas e de protecção ambiental. Um dia se tiver pachorra discorrerei aqui sobre este tema. Ah, é verdade, fiquei a saber que temos um Ministro do Ambiente. Acreditam que eu nem desconfiava que existia este Ministério?
You may say I'm a dreamer /But I'm not the only one /I hope someday you'll join us /And the world will be as one.
Pode ter morrido o sonhador. Mas John Lennon continua vivo na memória. Fez no passado dia 8, vinte e seis anos que o mataram. No sonho já me juntei, John.
Já poucas empresas estão nacionalizadas. Os “gestores públicos”, quer dizer os boys têm cada vez menos lugares disponíveis para distribuição de tachos. Take it easy, men! Os Governos estão atentos. (Sobre a criação de mais uma empresa pública/”privada”, desta vez para gerir a função pública).
Isto já vai grande, até logo.
PS. Quando é que o Fernando Santos vai embora?
sábado, dezembro 02, 2006
Os jornais e as televisões deliram quando sabem que a Judiciária irrompe pelo Estádio da Luz ou pela casa de algum dirigente benfiquista para fazer investigação por isto ou aquilo. Hoje o meu maior receio é que o "circo" se monte em roda da equipa do Benfica. Cá para mim, está em marcha uma campanha para acusarem os jogadores do Glorioso de pedófilos. De facto, reconheço que não é bonito abusar assim dos meninos do Sporting.
quinta-feira, novembro 30, 2006
1071. Há dias em que até gostava de trabalharHouve tempos em que tinha que disputar o único computador cá de casa com os meus filhos. Os garotos cresceram e, por força das suas obrigações escolares, acabei por lhes comprar as necessárias ferramentas. Quando eu já pensava ter um computador só para mim, eis que agora outros elementos desta comunidade familiar me fazem concorrência. Se houvesse computadores para gatos, juro que lhes ofereceria um como prenda de Natal.
quarta-feira, novembro 29, 2006
1070. Ele não era da Metro do PortoA propósito do tão falado relatório do Tribunal de Contas sobre as mordomias, quase infames, que auferem alguns administradores na Metro do Porto lembrei-me de uma pequena história contada pelo meu pai.
É delicioso ouvir os velhotes relembrarem e contarem histórias do antigamente. Eu, que caminho a passos (embora ainda curtos) para a terceira idade, começo também já a ter esse hábito, fazendo dos filhos a minha principal audiência, já que netos ainda por cá não moram. Mas desta vez o meu lugar era na plateia e o contador era o meu pai. E relembravam-se empregos antigos, arrogâncias de patrões ricos e todo-poderosos, mas também momentos mais delico-doces de reconhecimento. Tinha então o meu pai doze anos, quando o patrão Chico que apesar de toda a sua prepotência, capaz de despedir quem não lhe desse a veneranda salvação, era capaz de gestos que deixavam outros, que lhes beijavam mãos e pés roídos de inveja. Porque apesar de tudo sabia reconhecer quem trabalhava bem e a preceito. E foi como reconhecimento do trabalho do moço (a quem viria a despedir, mais tarde, por não ter dito “bom dia patrão Chico”, mas essa é outra história) ofereceu-lhe viatura de serviço. Isso mesmo, o que acabaram de ler, viatura de serviço, a um rapaz de 12 anos. E com “combustível” à descrição! A única obrigação que tinha era mantê-la em boas condições e ser ele a levar o BURRO ao palheiro para abastecimento.
Não consta que o Tribunal de Contas tenha feito nenhuma observação a esta regalia de um jovem moço de quinta que nem quadro executivo da “empresa” era.
PS. Voltando ao tema de abertura deste texto, estes relatórios fazem-me rir. Depois do alarido nas TVs e nos Jornais, tudo vai ficar na mesma. Ninguém vai ser responsabilizado, ninguém vai perder as mordomias, ninguém vai a responder em Tribunal. E se, por mero acaso, se abrir algum processo, ele irá prescrever pela certa. Digo-vos eu porque às vezes também me gosto de armar em profeta.
segunda-feira, novembro 27, 2006
O caso José Veiga – João Pinto – Sporting é um caso que não me apaixona minimamente. Apesar da tinta que já fez correr e que ainda fará, de ter sido já capa de todos os jornais nacionais, de ter sido abertura de todos os noticiários, não me toca o fundo do coração. Passo a explicar:
a) Trata-se de um caso de fuga ao fisco e não me parece merecer tratamento mais especial que os vários milhões de euros que se devem por aqui e por ali nas mais diversas actividades;
b) O interveniente João Pinto já foi jogador do meu clube, o que poderia pelo menos acordar uma ligeira paixão. Mas o caso remonta ao dia em que assinou pelo clube rival, pelo que nada me diz, sentimentalmente falando.
c) José Veiga é portista, fundador da casa do FC Porto no Luxemburgo, dragão de ouro e, se ultimamente ele ocupava um cargo dirigente no meu clube, aliás o que me deixava sobremaneira contrariado, esse cargo era facilitador, dada a visibilidade pública que lhe proporcionava, de utilização de uma tribuna onde ele esgrimia argumentos contra “uma comadre” com quem se tinha zangado, leia-se Pinto da Costa.
d) Em quarto e último, está o Sporting, clube que não é de minha simpatia e, portanto, nada do que lá se passa mexe realmente comigo.
No entanto, como não passo a vida a dormir e sou invadido por todos os lados com opinião sobre quem tem ou não razão neste caso de mass media, há pelo menos uma coisa que me cheira muito mal. Durante vários anos fui director de empresas onde tive de gerir orçamentos de vários milhões de euros. Quando se efectuavam compras, fosse de equipamentos, produtos ou serviços, todas essas operações estavam sustentadas em contratos de fornecimento ou no mínimo em propostas e respectiva aceitação. Não vale a pena aqui estar a explicar os mecanismos, pois praticamente todas as empresas organizadas funcionam assim, mas acrescento que nenhuma factura de fornecedor era mandada pagar, antes de conferida e confrontada com o processo que lhe deu origem.
Ora, no caso da conferência de imprensa que, com pompa e circunstância, o Sporting deu para mostrar toda a “transparência” no processo de contratação e pagamento do passe de João Pinto, foi demonstrado e, parece que nada mal, que os pagamentos tinham sido feitas a uma determinada empresa, representada a certa altura por José Veiga, e ao próprio jogador João Pinto numa outra fase de pagamentos. O que toda essa “transparência” não mostrou a ninguém foi a razão de se efectuarem pagamentos a essa tal GoodStone, qual o contrato de prestação de serviços (leia-se de eventual cedência de direitos do jogador) que estava subjacente a esses pagamentos. Não acredito que se eu mandar uma factura ao Sporting, seja de que montante for, o Sporting me pague cegamente o montante exigido, sem ter por base nenhum contrato ou encomenda. E é aí que reside o segredo desta história mal contada, o verdadeiro busílis da questão. Apesar de não me apaixonar vou esperar para ver e saber porque é que o Sporting teve de pagar aqueles milhões todos à Goodstone. Ou então foi “esquecimento” .
