sexta-feira, março 14, 2008



1170. Pi Day

A mania que os americanos têm de escrever as datas começando pelo mês faz com que eles hoje dia 3 / 14, tenham mais um dia festivo. É o Pi Day o dia do 3,14. Já estou a ver as montras dos centros comerciais, tipo dia dos namorados, cheios de coraçõezinhos com máquinas de calcular, palm-tops e portáteis de última geração metidos em caixinhas de bombons, com laçarotes e tudo. Ainda bem que os europeus apenas têm o Pi Aproximation Day no dia 22 / 7 (22 a dividir por 7 é de facto aproximadamente 3,14). Por esse mês, dá-nos cá um calor que a gente não quer saber de centros comerciais para coisa nenhuma. A malta quer é praia (diga-se de passagem que já está a fazer falta). Mas, já agora, quero relembrar que de Albert Einstein comemora-se hoje o seu dia de nascimento. Logo ele, uma proeminente figura do mundo científico ter nascido no dia do Pi não será coisa para se perguntar ao professor Karamba? Caramba!

1169. Calendário

Eu cá sou muito mau em datas e disseram-me que Primavera é só para a semana que vem. Mas eu já vi tanta mulher de mini-saia que não sei se hei-de acreditar. Ah! é verdade, e andorinhas também.

terça-feira, março 04, 2008

1168. Cantar Alentejano

Agradeço à minha amiga Lena que me mandou o e-mail com o link para este site. Mais de 90 cantigas alentejanas. Para quem gosta como eu, vale a pena lá ir.
1167. Cheira-me a esturro

Uma mulher conduz um automóvel a roçar o topo de gama. É baleada à queima-roupa com dois tiros, um dos quais no peito, no parque de estacionamento da viatura. Não se sabe se calma ou precipitadamente o assassino abandona o local. Não rouba absolutamente nada e alguém sugere tratar-se de um caso de carjacking. Ai que cheiro...

segunda-feira, março 03, 2008

1166. Entre bandidos

Quem, como eu, está acostumado a ir ao Estádio da Luz, pode verificar que, com excepção das claques organizadas, os adeptos do Glorioso Sport Lisboa e Benfica, assistem lado a lado com os adeptos do clube adversário, que ostentam sem reservas os seus símbolos, camisolas, cachecóis, bandeiras e outros artefactos, às partidas de futebol. Isto acontece desde a inauguração do novo Estádio, tendo-se dado, aí sim, início a um novo ciclo de convívio entre os Benfiquistas e os seus adversários, que não consideramos inimigos. Tiro o meu chapéu em saudação às direcções do Sport Lisboa e Benfica por terem decidido assim.
Ontem, por ausência dela, ocupei o lugar da minha filha, no estádio de Alvalade, ao lado da minha mulher, ambas sportinguistas de sempre. Pelo sim pelo não, abdiquei de levar comigo o que quer que fosse que me identificasse como adepto do Benfica. Em boa hora o fiz e confesso que nunca assisti a um jogo tão aterrorizado como o fiz ontem. Aconselhou-me a experiência e proviu-me de censo a maturidade para não festejar o golo do Benfica. Outros (dois que eu visse), dada a sua juventude e eventual ingenuidade não tiveram o mesmo sangue frio. Um deles foi esmurrado logo na própria bancada. Outro, vi eu com estes que a terra há-de comer foi pura e simplesmente corrido do seu lugar ao murro e ao pontapé. É o que espera a quem comete os crimes de comprar bilhete, ir ao estádio ver o jogo e ser do clube adversário. Por momentos senti dor, pena e até raiva da minha mulher e da minha filha pertencerem a este bando de malfeitores.

PS. Fui uma vez ao velho estádio do Sporting quando tinha 10 anos de idade. Fui também ver um Sporting x Benfica e festejei um dos golos da minha equipa. Felizmente um primo meu, já falecido, também sócio do Sporting e homem feito, safou-me de levar algumas palmadas. Pensei que 42 anos depois a tribo tivesse evoluído. Infelizmente os grunhos ainda lá estavam.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

1165. Um dia, em Portugal, também nós aprenderemos

O meu rádio-despertador Philips avariou. Ainda na garantia levei-o ao balcão do Serviço de Clientes da Box no Almada Fórum. Fui simpaticamente atendido por um recepcionista que verificou o sintoma descrito, confirmou a validade da garantia, efectuou o registo de dados, emitiu três guias em impressora laser ou jacto de tinta, assinou uma delas que me facultou, eu assinei outra que confirma que o aparelho que entreguei era aquele mesmo. Agora o empregado vai embalá-lo, expedi-lo via CTT ou um qualquer serviço Direct Mail, provavelmente Express, a Philips vai recepcioná-lo, dar a respectiva entrada do aparelho e, também provavelmente … jogá-lo para a lixeira (esperemos que ecológica ou reciclável). Com certeza que se a Phillips seguir os padrões internacionais de minimização do custo não irá reparar o aparelho, a não ser que seja subsidiada pelo estado holandês ou quiçá mesmo pelo português que, numa atitude quase inédita na sociedade de consumo em que vivemos, de amizade com o ambiente, venha a substituir apenas o componente electrónico avariado, com um custo hora/homem muito relevante. Entretanto, a Philips enviará o mesmo ou outro aparelho de novo para a Box de Almada onde eu, que fiquei sem o rádio-despertador por um período que variará entre 15 a 30 dias, terei novamente de me deslocar para recuperar o irritante produtor de brr brr. Somemos as componentes de custo, (tempo do funcionário, dobrados custos de embalagem e expedição, custos de impressão de 3 vias de papel em jacto de tinta ou laser, pelo menos, já que não conheço os procedimentos do lado do representante da marca, os custos administrativo do tratamento da dita operação), adicionemos a insatisfação de um cliente que, embora simpática e profissionalmente tratado, vai ficar até 30 dias – dizem-me que no máximo – privado do seu despertador e calculemos agora o valor acrescentado e a produtividade de toda esta operação para, tcham tcham tcham tcham, um aparelho que vale apenas como PREÇO DE VENDA AO PÚBLICO, 16,99€. Alguém acredita que a Philips vai reparar um aparelho que terá custos de produção à volta dos 25% do PVP, e custo de reparação maior que o próprio PVP? Não seria muito mais eficiente e muitíssimo mais barato terem feito uma troca directa?

PS. Em alguns cursos por onde passei aprendi coisas como “um cliente insatisfeito transmite essa insatisfação a terceiros num rácio de 10 para 1 face à divulgação de satisfação de um cliente satisfeito”. E para não que não seja eu a torpedear este rácio coloco aqui a minha insatisfação em post.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008




1164. Então é assim…

(eu andava louco por começar um post com esta frase), eu sou um bocado vaidoso nas coisas que me tocam no sangue. Tenho um primo que é campeão europeu de JetSki e eu não sabia? Pois é verdade, o Marco Espada é meu primo e é um campeoníssimo. Claro que não posso deixar de publicar uma foto dele em grande estilo com os agradecimentos ao José Filipe Monte que é o autor da fotografia.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008


1163. Inflação o que é?

Ao ouvir hoje o valor da inflação calculado pelo INE para o mês de Janeiro, que segundo aquele Instituto (do Estado) se cifrou em 2,9%, dei por mim a abanar a cabeça e a pensar “transportes 3,9%, leite 15%, pão 30%, gás 3,6%, electricidade 2,9%, carne de porco 20%, inflação de Janeiro 2,9%, mas onde é que raio o Governo foi calcular os 2,1% de inflação para o OE 2008?” Ora, a favor da transparência, não seria normal o Governo informar o povinho qual o cabaz dos bens que constituem o modelo de cálculo? Ou será muito pedir-lhe que não nos esconda ao menos isso?

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

1162. Lemnbranças

A Mirian, do Caldeirão da Bruxa, lembrou-me que em tempos eu escrevi isto:

Quis pintar essa rajada de vento de outra cor.
Fiquei na dúvida... Não me lembro que cor tinha antes.

Fiquei ébrio com o odor daquele fá sustenido saí­do das ondas.
Apenas não me lembro do cheiro.

Não vi o som que brotava mas que me invadiu.
Que distracção a minha. Como poderei agarrá-lo de novo?

Toquei no nada, mas ele já lá não estava.
Raiva! Porque fugiu de mim? Era tão quente!

Amei o mar e do acto nasceu uma sereia,
Consigo ouvir o som dela, mas não a consigo tocar.
É igual ao fá sustenido, só que cheira a pôr do Sol.

Não. O cheiro não é o mesmo, mas tem o calor do nada.

Já sei! Vou pintar a rajada de azul...
É da cor do mar e depois... depois vou fazer amor com ela.


E a Mirian colocou essa lembrança na sua série "buraco da fechadura". Obrigado.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008


1161. Yo no creo en brujas, pero que las hay… las hay

Estava eu muito quietinho a conduzir, como quase estou sempre quando conduzo e, a ouvir rádio, como quase sempre faço no carro em alternância com o CD, quando o António Cartaxo da Antena 1 dedicou a sua rubrica de música clássica de hoje ao número 13. E porquê? Porque Richard Wagner morreu no dia 13 de Fevereiro de 1883. E não só. António Cartaxo fez outras referências à relação de Wagner com o número 13 e eu aprofundei na net, a coisa. Estão a ver? Na verdade a 13 de Fevereiro de 1883 ou de outro qualquer ano devem ter morrido muitas pessoas e talvez até pessoas que tenham nascido em 1813, tal como Wagner. Mas vistas bem as coisas, contando as letras de Richard Wagner dá exactamente 13, ou seja 7 de Richard e mais 6 de Wagner. Pois é, e se acrescentarmos a isso que as suas maiores óperas

• Die Hochzeit (O Casamento) (1832), abandonada antes de ser completada
• Die Feen (As Fadas) (1833-34)
• Das Liebesverbot (Amor Proibido) (1835-36)
• Rienzi (ou também: Rienzi, o Último dos Tribunos) (1838-40)
• Der fliegende Holländer (O Holandês Voador; ou "Le Vaisseau Fantôme", O Navio Fantasma) (1840-41)
• Tannhäuser (1843-45)
• Lohengrin (1846-8)
• Tristan und Isolde (Tristão e Isolda) (1857-59)
• Die Meistersinger von Nürnberg (Os Mestres Cantores de Nurembergue) (1862-67)
• Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo) (1853-54), uma tetralogia composta pelas seguintes óperas:
o Das Rheingold (O Ouro do Reno)
o Die Walküre (A Valquíria) (1854-56)
o Siegfried (1856-57 e 1864-71)
o Götterdämmerung (Crepúsculo dos Deuses) (1869-74)
• Parsifal (1877-82) ,

são exactamente 13 começa a dar que pensar. Claro que para mim isto são só coincidências, mas olhando de novo para Wagner reparamos também que foi a 13 de Agosto de 1876 que se deu o 1º festival de Bayreuth, o número 13 é, portanto um ícone de Wagner. E Parsifal, uma das suas mais emblemáticas obras ficou acabada a 13 de Janeiro de 1882 (podia também ter referido que as últimas notas de Tannhäuser foram escritas em 13 de Abril de 1845). Sem saber que seria a última visita que Liszt faria a Wagner, Franz Liszt toca-lhe uma peça improvisada chamada La Gondole Lugubre. A peça figura a procissão de uma gôndola fúnebre pelos canais de Veneza. Este encontro dá-se exactamente a 13 de Janeiro de 1883. Claro que há muitas outras datas na vida de Wagner, mas fica aqui esta resenha apenas por curiosidade.

PS. 13 de Fevereiro tem montes de efemérides. Até a irmã Lúcia teve a lata de morrer a um 13 de Fevereiro, no dia em que em 1965 tinha sido assassinado Humberto Delgado ou Catarina Howard, 5ª mulher de Henrique VIII, em 1542, condenada por adultério (há países que hoje em dia ainda executam mulheres pelo mesmo motivo, obviamente países atrasados 500 anos). Ah, é verdade, a 13 de Fevereiro de 1950 nasceu Peter Gabriel. Vou ali ouvir os Genesis e já venho, ok?

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

1160. Ai que coisinha doce

Bem sei que só daqui a 4 meses é que ela volta a jantar cá em casa. A filhota vai para Bóston para o MIT, o filhote está na Suiça no Erasmus ou coisa parecida e cá ficam o cota mais a cota a acostumarem-se a ficar sozinhos pois que, daqui a pouco, cada um irá para a sua casa. Portanto, o melhor é treinar já. Mas estou sempre às ordens para lhes ocupar a cozinha e definir novos sabores. Ou repetir os desta noite: os mexilhões à marinheira, as gambas com lula ao alhinho, a espetada mista de lulas e camarão e aquela sobremesa que ainda não tinham provado.
Desta vez não houve foto, mas há receita: 1 litro de leite para 150 gramas de arroz e mais coisa menos coisa uns 80 gramas de sultanas (podem ser douradas e tintas que fica melhor). Para adoçar eu prefiro o mascavado, sem exageros porque uns 30 / 35 gramas servem perfeitamente. Quem não o tiver em casa e não quiser ir comprar, o açúcar amarelo também dá. Não esquecer de juntar um pau de canela para quem aprecia ou uma vagem de baunilha para quem estiver para aqui virado (ou sou mais canela). Misturem tudo, liguem o lume e depois de iniciar a fervura, baixem-no de modo a deixar aquele borbulhar que leva à cozedura. Uns 15 minutos bastarão. E quando estiver quase, quase cozido o arroz, numa porçãozinha de leite frio façam misturar duas gemas e juntem a fio mexendo sempre, cozam-nas por uns 2 minutos e voilá! Vertam o tacho do arroz doce num prato grande e no entretanto preparem-lhe uma cobertura. Antes, se gostarem, polvilhem o arroz já no prato com um pouco de pó de canela. Vamos à cobertura? Uma lata de pêssego em calda e uma meia dúzia de maçãs (eu usei peros riscadinhos). Façam um sumo de maçã, juntem com os pêssegos em calda já escorridinhos (podem jogar fora a calda) e triturem na misturadora sem desfazer completamente. Fica assim uma coisinha espessa e de óptimo aspecto que cuidadosamente se coloca sobre o arroz doce. Comam e chorem por mais.


PS. 1. Em tempos li uma receita algures num livro, que já não sei precisar qual e que era basicamente a que aqui vos deixo. Não faço a mínima ideia se as quantidades e os ingredientes seriam os que apresento, mas com estas e com estes saiu bem. Depois digam se gostaram. 2. Mais um pontapé na dieta. Mas como só tinha abusado na 5ª feira da semana passada, um dia por semana é meu!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008



1159. Caso encerrado


Acabei de ouvir na rádio, que o processo do espancamento ao vereador Dr. Bexiga da Câmara de Gondomar terá sido mandado arquivar. No tempo da PIDE era exactamente assim que se fazia, uma vez que estes tipos nunca eram alvos de um tratamento correctivo. Desgraçada e infelizmente eram quase sempre vítimas de uma queda escada abaixo ou de um acidente de viação. Relembro que o Dr. Bexiga terá sido, segundo Catarina Salgado ex-amante de Pinto da Costa (aliás, ex-mulher e até recebidos pelo então Papa João Paulo II), mandado brutalmente espancar pelos Super Dragões a pedido dela própria e a mando de Pinto da Costa. Mas cá para mim isto é tudo mentira e o homem caiu mesmo de uma escada abaixo. Se quiserem saber o verdadeiro nome da coisa, perguntem ao Dr. Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados. Ele não dirá nomes, nem que lhe peçam, mas dará com toda a certeza um nome à coisa.

sábado, fevereiro 02, 2008

foto:PreDatado


(clique na foto para ver em panorama)





1158. Apenas para

vos deixar uma foto de Almada vista do Parque da Paz, onde pela manhã faço as as minhas caminhadas.

quinta-feira, janeiro 31, 2008



1157. Lá vai truta
Primeiro foi ao lume a ferver um quarto de litro de água com pouco mais de um decilitro de vinho branco aos quais juntei uns quantos grãos de pimenta e uma folha de louro. Como não cozinhei só para mim resolvi que desta vez juntava sal mas fui muito parcimonioso. Na água fervente em largo tacho deitei as trutas já arranjadas, quer dizer barrigas fora, bem lavadinhas e escorridas. Baixei o lume para uma amena temperatura de manutenção da fervura até que quinze minutos se passaram. Nessa altura retirei com a ajuda de duas escumadeiras, as trutas direitinhas para uma travessa, sem sequer lhes separar a cabeça, já que o caldo da cozedura me iria dar serventia futura. Assim, levei a frigideira não mais de 40 gramas de margarina e quanto esta se derreteu polvilhei-a de outro tanto de farinha que deixei cozer por um escasso minuto. Sem deixar de mexer com colher de pau que se esquivou à inspecção da ASAE, fui vertendo sobre a dita cozedura o caldo onde o peixe cozinhou e desatei a tempera-lo: três colheres de natas light que de gordura ainda teremos mais dose, uma de ketchup e um raminho de salsa finamente picada. E como os grãos de pimenta já tinham aromatizado o caldo, quem gosta mói-lhe ainda sobre o dito cujo preparo um pouco de pimenta preta, que foi o que eu fiz e rectifica de sal, que foi o que eu não fiz. O que não dispensei mesmo foi o cálice e meio de rum, este vindo directamente de Cuba, que culminou o tempero. Assim meio grosso, que não bêbado de todo, foi o molho a costumeira travessa de barro mas não seria descabido tê-lo feito no bem conhecido pirex. Cama feita para as trutas que, de novo cuidadosamente transferidas, conheceram mais um local para repousarem antes de acabarem no estômago deste vosso cozinheiro. Mas para que a Drª Margarida se aborreça deveras comigo pelos atropelamentos que eu faço à dieta que me preconizou, polvilhei o peixe com 60 gramas de parmesão fresco ralado. E para quê, para quê? Para aloirar a comezaina, por uns bons 10 minutos em forno já quente de antemão. Como acompanhamento optei por uns brócolos cozidos.

quarta-feira, janeiro 30, 2008


1156. Um pouco mais pobres

Era só sentir o cheiro ou o barulho do motor, não sei e, eis que ela aparecia saltitona à frente do carro o que nos fazia abrandar para a velocidade mínima necessária à chegada a casa. Logo que parávamos e começávamos a abrir as portas do carro, não se importando com a hora, dia ou noite e até madrugada adentro ladrava de alegria e cumprimentava-nos um a um. Se algum de nós não ia, metia o focinho nos estofos como que a procurar até se convencer da ausência. A Maria, assim lhe chamávamos, era a cadela que lá na aldeia nos tinha adoptado. Aparecida não sabemos de onde tinha vários “donos” (e por cada dono um nome) que a alimentavam mas, quando estávamos presentes nunca abandonava o nosso quintal. Fosse apenas por um fim-de-semana ou por um largo período de férias nós éramos companhia mútua. Este fim-de-semana não apareceu à nossa chegada. A Maria tinha sido atropelada na semana anterior tendo morrido numa valeta à beira da estrada. Um outro “dono” enterrou-a. Ficamos tristes.


PS. Em “conversas com os meus botões” um outro blog que fiz/parei há algum tempo escrevi em Abril de 2005:

“Outra Maria
Quando entramos na aldeia a Maria sente-nos o cheiro nos pneus. Corre e chega primeiro que nós a casa. A Maria tem faro.
A Maria passa o tempo a ladrar às andorinhas. A Maria é uma cadela.
Quando estamos próximos nem precisamos falar. Deita-se no chão e arrasta-se. A Maria não está manca, é uma mimada. Sim uma mimada é o que ela é. Depois abana a cauda.
Não sabemos como apareceu nem de quem é. Quando aparecemos nós, ela aparece também. É uma Maria aparecida.
A Maria adoptou-nos.
Espera pelo biscoito, pelo bife, pelo frango. Se lhe damos bacalhau, cheira-o e volta-lhe as costas. Nesse dia não ladrará aos gatos. Quando nos vamos certificar se comeu, a Maria ainda tem fome mas nada nos diz. Afinal ela e os gatos são cúmplices.
O motor do carro começa a trabalhar e a Maria olha-nos de relance. Volta-nos as costas e desaparece. Há quem diga que com uma lágrima no focinho.”

segunda-feira, janeiro 28, 2008


1155. Deslocalizações e tomates

Quando a Opel fechou as portas na Azambuja, o PreDatado, num post que editou nas suas rubricas (quase habituais) no ante-et-post, colocou o símbolo que se pode ver aqui hoje. Não sei quantas pessoas estavam ou não imbuídas do mesmo espírito, o que o Pré sabe é que não viu da parte das autoridades políticas nenhuma palavra que pudesse indiciar uma penalização pragmática aquela marca. Hoje lembrei-me disto quando li o post da Micas (Nokia - so nicht) sobre o fecho das fábricas da Nokia na Alemanha e a sua deslocalização para a Roménia. Só que nem todos têm tomates.

1154. Publicidade
Ah é verdade, tenho um espaço de fotos e preciso de uma ajudinha ali.
Obrigadinho.



1153. Em flor
Este é o mês em que no Baixo Alentejo, no vale do Guadiana as amendoeiras estão em flor. E que enchem de branco e rosa a paisagem.

sexta-feira, janeiro 25, 2008



1152. Foi há um ano


1. Faz hoje precisamente 1 ano que deixei de fumar. Ao fim de 34 longos anos de “agarrado” tomei a firme decisão de me antecipar à badaladíssima nova lei do tabaco. Aquilo que perdi do, agora reconhecido como fátuo, prazer em puxar do cigarro e jogar umas valentes baforadas para o ar, ganhei com vantagem em qualidade de vida. Não sei se estou mais saudável ou não, nem faço questão de ir a meças. O que sei e posso-vos garantir é que estou mais livre. E a liberdade trás-nos qualidade de vida. Está dito.
2. A propósito de ter deixado de fumar nunca tomei, como outras pessoas que conheço, atitudes fundamentalistas para com os fumadores. Qualquer amigo meu que fume é bem recebido em minha casa e não terá de ir fumar para a varanda. No entanto eu próprio adquiri certos hábitos de protecção ao fumo que foram surgindo natural e progressivamente. E era por isso que, mesmo antes da lei, eu já não frequentava restaurantes que não tivessem uma área ampla e razoavelmente protegida destinada a não fumadores. Uma das minhas auto-defesas, entre outras. E como há muito mais não fumadores do que fumadores em Portugal, não acredito nadinha nessa treta dos restaurantes e bares estarem a perder freguesia. Ou querem que publique fotos diárias de restaurantes cheios e com fila de espera?
3. Quanto à nova lei do tabaco estou de acordo com ela na generalidade. Tenho no entanto alguns reparos, poucos, a fazer-lhe um dos quais já expressei em post anterior, a propósito de uma petição cibernética que também assinei. Sou a favor da criação de salas de fumo, condignas e arejadas, nos espaços dos aeroportos. Sou também a favor de que se criem áreas em grandes centros comerciais, onde seja possível fumar. Os não fumadores são absolutamente livres de não frequentarem esses espaços e de lhes passarem a razoável distância. E estou convencido que o, chamemos-lhe assim, condomínio desses centros estaria, na generalidade, disponível para investir em mais potentes e eficazes sistemas de extracção. Houve no entanto um local onde a lei não restringiu o fumo, penso que por escondida subserviência a interesses ou por “excesso de senso” do legislador: os estádios de futebol com lugares marcados. Sim porque não sendo possível ir ocupar o lugar de outro eu terei de gramar com o fumo dos que estão na fila de baixo, na fila de cima e ao lado. Mas eu arranjei um esquema de furar a lei. Vai ser muito difícil apanharem-me de novo na bola. Ou então só vou ver o Benfica com o Cascalheira-de-Cima. Com o estádio às moscas escolho o lugar que me aprouver.


PS. De vez em quando ainda sinto vontade de fumar um puro. Abro a caixa cheiro-os e volto a fechar. Também se vive de recordações.

quinta-feira, janeiro 24, 2008


1151. Vaidade
Sinto-me vaidoso quando a minha filha pega na câmera e fotografa o que acabo de fazer na cozinha. Felizmente que ela só fotografa as iguarias e nunca a desarrumação que eu por lá deixo. Linguados delícia toda a gente sabe fazer e são de facto uma verdadeira delícia.