sexta-feira, maio 23, 2008



1185. Apelo

Ontem as rádios faziam eco do que em Bruxelas se fala do nosso país: que cada vez é maior o fosso entre ricos e pobres. Trinta anos, trinta ,de governos PS e PSD, PSD e PS com o CDS na cobertura, empenhados em destruir a classe média a empurrar meia duzia lá para cima e muitas, mas muitas centenas de duzias mesmo cá para o fundo. Mas o meu apelo é para que a gente para o ano, quando forem as eleições esqueçamos tudo isto, porque só pode ser maldicência dos burocratas lá de Bruxelas e votemos nos mesmo. De acordo?

foto: desconheço o autor mas foi tirado de um blog da net.

quarta-feira, maio 21, 2008

1184. Tenho pena

Tenho pena porque o Presidente do Grupo Parlamentar é uma pessoa que eu gostava de respeitar mais, pelo seu passado contra a ditadura, talvez até mais pelo seu passado contra o status quo instalado na sua época de estudante (minha também, embora em estágios estudantis diversos dada a nossa diferença de idades). Talvez alguns dos poucos leitores deste blog, pela sua juventude ou origem geográfica não se lembrem ou desconheçam, mas havia um tipo que editava um programa semanal na RTP, antes do 25 de Abril, chamado João Coito. Este tipo era a voz do dono, na época de Marcelo Caetano. Sempre que oiço o Dr. Alberto Martins na Assembleia da República, como foi o caso de hoje ou dos outros debates quinzenais, ou mesmo noutras intervenções aos orgãos de informação, vem-me à memória esta funesta figura. E não é pela pronúncia, podem crer. Acho que merecia desempenhar outro papel. Mas a obediência ao dono (do PS) assim o obriga.

segunda-feira, maio 19, 2008

1183. Má-lingua!

Só mesmo por má lingua é que eu posso escrever este post. Hoje estive com a minha mãe no posto médico da sua área de residência para que ela tomasse uma injecção. Entramos às 12h15 e ela foi atendida às 13h28. A injecção estava agendada para as 12h20. Mas isto sou eu a falar que sou má-lingua. O Sócrates não acredita nisto, logo ele que até é atendido sem ter que estar à espera.
1182. Satisfação

O nosso primeiro-ministro entrou doente nos serviços de urgência de um hospital e saiu deslumbrado com a eficiência. Vejam bem que até foi logo assistido. Bravo!
1181. Arquivo

Sempre que sinto uma certa vontade de relembrar o passado, entro num consultório médico e leio as revistas que por lá estão.

domingo, maio 18, 2008

1180. O óbvio

Mais um ataque à esquerda feito hoje pelo primeiro-ministro a propósito do código de trabalho. Nem outra coisa se esperaria. É histórico, a esquerda ataca a direita e a direita ataca a esquerda. O óbvio.

sábado, maio 17, 2008

1179. Finalista. O meu filho.

Primeiro andei eu ali de máquina fotográfica para não perder momento nenhum e tu a espreitares a luz do dia sem saberes muito bem onde estavas. Mas eu estava lá. E depois aqueles caracóis do cabelo e a cara de malandreco a deitar as passas de uva no chão e a fazer gracinhas, e eu a ver. E a ouvir contares anedotas picantes, quando ainda nem sabias os significados das palavras. E a levar-te ao parque dos skates com as mãos na cabeça e rezar para que não desses nenhum trambolhão, como aquele que, ainda de chucha, me obrigou a levar-te a S. José. Também assisti ao teu baptismo de Capoeira e claro, era eu quem abria os cordões à bolsa para comprares os sprays com que grafitavas muros e paredes. Tenho estado sempre e estarei também nesta bênção das fitas. Mas tu estás a chegar ao fim de um ciclo, estás quase a formares-te e, como já és adulto vais, com certeza, querer caminhar sozinho. Tem cuidado com as armadilhas mas segue sempre de cabeça erguida. Com dignidade e sem abdicares daquela personalidade forte que contigo nasceu e que tens preservado e apurado. Sem arrogâncias nem sobranceirismos, sendo humilde sempre que seja necessário, mas forte e firme de convicções. E que mais? Que se for preciso eu estou e estarei presente.

Ass. Pai, 17-05-2008

quarta-feira, maio 14, 2008

1178. Eu ainda tenho algum espírito de Maio

Iniciei a semana passada uma colecçãode livros. Custam-me 2,80 € e oferecem-se ainda a revista Sábado. Não por ser esta, nem particularmente esta, porque todas o fazem, a revista Sábado faz parte da minha biblioteca de WC. E, comme d'habittude (cá está, Paris, 1968 leram?), começo sempre as revistas de trás para a frente. Desde a última colecção de livros, em que me ofereciam também uma revista Sábado, que não tinha tido ocasião de folhear tal objecto. E quem é que ainda lá está na última página? Alberto Gonçalves. Pois nada me move contra o senhor pessoalmente, apenas contra as ideias. E quando acabei de ler a sua verborreia sobre o Maio 68, não utilizei papel higiénico.

sexta-feira, maio 09, 2008

1177. Bananas!

Numa qualquer República de Bananas, não só a TV pública transmite reportagens e entrevista a car-jakers armados como também dá os primeiros 15 minutos do seu principal Telejornal a um currupto presidente de clube de futebol. Ainda bem que esta República de Bananas não é Portugal.

quarta-feira, abril 23, 2008

1176. Livros

Hoje, dia mundial do livro, tomo a liberdade de vos deixar três sugestões. Poderia deixar mais 3 e mais 3 e outras 3 ainda, tantos são os livros que não me saem da cabeça e outros que não me saem até da mesa-de-cabeceira. Mas hoje são estes.




- Totoca.
- Que é?
- Idade da razão pesa?
- Que besteira é essa?
- Tio Edmundo quem falou. Disse que eu era “precoce” e que ia entrar logo na idade da razão. E eu não sinto diferença.
- Tio Edmundo é um bobo. Vive metendo coisas na sua cabeça.
- Ele não é bobo. Ele é sábio. E quando eu crescer quero ser sábio e poeta e usar gravata de laço. Um dia eu vou tirar retrato de gravata de laço.
- Por quê gravata de laço?
- Porque ninguém é poeta sem gravata de laço. Quando Tio Edmundo me mostra retrato de poeta na revista, todos têm gravata de laço.

José Mauro de Vasconcelos in “Meu Pé de Laranja Lima” Livros Dinapress Edição Maio de 2002 © 1968 Jo´se Mauro de Vasconcelos / Cia melhoramentos de S. Paulo



Ainda conseguiu voltar à superfície e pôr outra vez a cabeça fora de água.
Então deram-lhe mais uma bordoada com a pá do remo, sólida e certeira, bem no alto da cabeça.
Ao mergulhar definitivamente, engolindo água e sentindo-se ir para o fundo, teve um último pensamento lúcido: «que felizes devem ser os anfíbios!».

Mário-Henrique Leiria in “Novos Contos do Gin” Editorial Estampa 5ª Edição 1999 © Mário-Henrique Leiria / Editorial Estampa 1973






Cantaremos o desencontro:
O limiar e o linear perdidos

Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado
Novos ratos mostram a avidez antiga

Sophia de Mello Breyner Andresen in "Obra Poética III", Editorial Caminho, 3ª Edição Junho de 1999 © Sophia de Mello Breyner Andresen




Foto e desenho da net. As minhas vénias aos autores que não conheço e a quem agradeço.

segunda-feira, abril 21, 2008

1175. Tempestade

E queria que fosses uma flor.
E que te abrisses em pétalas douradas,
E que o vento te beijasse ao bater-te
E que no beijo te derramasse polén.

E do polén flor fecunda, florisses.

Não, não és. És mulher.
És mulher feita amor
E de pétalas feitas abertas de amar.

E no amor
E no amar
E no amar de amor
Unimo-nos num sopro,
Em um só corpo, o nosso sopro de prazer
E de amor.

E em ti derramo o polén
Num cálice
Num copo
Num vaso
De embriaguez luxuriante.

Alves Fernandes aka PreDatado

quinta-feira, abril 17, 2008

1174. Este país não é para velhos

Ontem e hoje houve um grande alarido por causa de um jogo de futebol. Tratava-se de um Sporting x Benfica e consideraram os jornais e alguns “velhos”, um jogo entre rivais. É verdade que eu tenho 52 anos e que ainda tenho alguma memória de Benficas x Sportings e de Sportings x Benficas de outros tempos, como jogos entre rivais. Mas, por exemplo, o meu filho, tão benfiquista quanto eu, tem 23 anos e apenas viu o tão apregoado rival ganhar 2 campeonatos. Mesmo que tivesse 25. Quero dizer na minha que no último quarto de século, benfiquista que se preze não tem como rival os tais verdes do outro lado da rua. Os verdadeiros rivais, em títulos, são de facto os nortenhos do F.C.Porto. Hoje em dia para mim, perder com o Sporting ou com a Académica significa (quase, já disse que eu sou um “velho”) rigorosamente o mesmo. Chateado vou ficar se no domingo não conseguirmos ganhar ao Porto. O que aliás é o mais provável dada a superioridade evidente da equipa portista. Mas é com esses que temos de ir a meças e não com a miséria que se contenta em ganhar campeonatos de 2ª circular.

PS. Quando na televisão, rádio e jornais se continua a falar em 3 grandes como sendo o Benfica, o Porto e o Sporting, pode um jovem de 25 anos que apenas viu o Sporting ganhar 2 campeonatos considera-lo um grande? Em breve, com pena minha, terei de reconhecer que só há um grande clube em Portugal e esse, batotas e apitos à parte, é o FC Porto.

quinta-feira, abril 10, 2008

1173. Mãe há só uma...

já o pai temos o biológico, o afectivo e até o progenitor.


PS. Ainda não me habituei ao acordo ortográfico e escrevi há com agá lá em cima.

terça-feira, abril 01, 2008

1172. Apaixonado

Cada vez mais apaixonado por esta voz divinal.

segunda-feira, março 31, 2008

1171. Leave them kids alone

Hoje vou falar mal, foda-se! Para os hipócrates bem falantes que ganham exurbitantemente a cagar postas de pescada na TV por tudo e por nada, que são especialistas desde estratégia internacional a pedopsiquiatria, passando pela sua grande formação em aeroportos e bolas de Berlim, a cena da miúda com telemóvel e o seu ataque de histeria, caiu como sopa no mel. Final da década de 70, Liceu D. João de Castro, na turma onde este vosso escriba andava, o meu colega Q. apanhado a copiar (o ponto de um que por acaso até viria mais tarde a ser primeiro-ministro desta caca de país), pelo professor de francês, recusando-se a mudar de lugar a mando do professor (como a outra se recusou a largar o telemóvel) mandou o professor para o caralho. Com todas as letras e também tratando-o por tu: "Vai pró caralho!". Contar-vos-ía centenas de histórias de irrevência de jovens e adolescentes, de agora e de outros tempos, se eu quisesse. Para cada "crime" o seu castigo (faço aqui um parêntesis para dizer que me oponho determinantemente aos que acham que o que a miúda fez se enquadra em qualquer moldura criminal). Posso-vos garantir que a pena que o meu colega Q. levou não foi mais grave do que a da miúda da Carolina Michaellis. O que faltou ao "outro tempo" foi haver telemóveis, you tubes, TV e liberdade para divulgar. Vão-se foder moralistas.

sexta-feira, março 14, 2008



1170. Pi Day

A mania que os americanos têm de escrever as datas começando pelo mês faz com que eles hoje dia 3 / 14, tenham mais um dia festivo. É o Pi Day o dia do 3,14. Já estou a ver as montras dos centros comerciais, tipo dia dos namorados, cheios de coraçõezinhos com máquinas de calcular, palm-tops e portáteis de última geração metidos em caixinhas de bombons, com laçarotes e tudo. Ainda bem que os europeus apenas têm o Pi Aproximation Day no dia 22 / 7 (22 a dividir por 7 é de facto aproximadamente 3,14). Por esse mês, dá-nos cá um calor que a gente não quer saber de centros comerciais para coisa nenhuma. A malta quer é praia (diga-se de passagem que já está a fazer falta). Mas, já agora, quero relembrar que de Albert Einstein comemora-se hoje o seu dia de nascimento. Logo ele, uma proeminente figura do mundo científico ter nascido no dia do Pi não será coisa para se perguntar ao professor Karamba? Caramba!

1169. Calendário

Eu cá sou muito mau em datas e disseram-me que Primavera é só para a semana que vem. Mas eu já vi tanta mulher de mini-saia que não sei se hei-de acreditar. Ah! é verdade, e andorinhas também.

terça-feira, março 04, 2008

1168. Cantar Alentejano

Agradeço à minha amiga Lena que me mandou o e-mail com o link para este site. Mais de 90 cantigas alentejanas. Para quem gosta como eu, vale a pena lá ir.
1167. Cheira-me a esturro

Uma mulher conduz um automóvel a roçar o topo de gama. É baleada à queima-roupa com dois tiros, um dos quais no peito, no parque de estacionamento da viatura. Não se sabe se calma ou precipitadamente o assassino abandona o local. Não rouba absolutamente nada e alguém sugere tratar-se de um caso de carjacking. Ai que cheiro...

segunda-feira, março 03, 2008

1166. Entre bandidos

Quem, como eu, está acostumado a ir ao Estádio da Luz, pode verificar que, com excepção das claques organizadas, os adeptos do Glorioso Sport Lisboa e Benfica, assistem lado a lado com os adeptos do clube adversário, que ostentam sem reservas os seus símbolos, camisolas, cachecóis, bandeiras e outros artefactos, às partidas de futebol. Isto acontece desde a inauguração do novo Estádio, tendo-se dado, aí sim, início a um novo ciclo de convívio entre os Benfiquistas e os seus adversários, que não consideramos inimigos. Tiro o meu chapéu em saudação às direcções do Sport Lisboa e Benfica por terem decidido assim.
Ontem, por ausência dela, ocupei o lugar da minha filha, no estádio de Alvalade, ao lado da minha mulher, ambas sportinguistas de sempre. Pelo sim pelo não, abdiquei de levar comigo o que quer que fosse que me identificasse como adepto do Benfica. Em boa hora o fiz e confesso que nunca assisti a um jogo tão aterrorizado como o fiz ontem. Aconselhou-me a experiência e proviu-me de censo a maturidade para não festejar o golo do Benfica. Outros (dois que eu visse), dada a sua juventude e eventual ingenuidade não tiveram o mesmo sangue frio. Um deles foi esmurrado logo na própria bancada. Outro, vi eu com estes que a terra há-de comer foi pura e simplesmente corrido do seu lugar ao murro e ao pontapé. É o que espera a quem comete os crimes de comprar bilhete, ir ao estádio ver o jogo e ser do clube adversário. Por momentos senti dor, pena e até raiva da minha mulher e da minha filha pertencerem a este bando de malfeitores.

PS. Fui uma vez ao velho estádio do Sporting quando tinha 10 anos de idade. Fui também ver um Sporting x Benfica e festejei um dos golos da minha equipa. Felizmente um primo meu, já falecido, também sócio do Sporting e homem feito, safou-me de levar algumas palmadas. Pensei que 42 anos depois a tribo tivesse evoluído. Infelizmente os grunhos ainda lá estavam.