sábado, janeiro 31, 2009

1355. Lunch Time Blog (o gajo abusa)


O dia acordou cinzento e calmo. Tão calmo quanto o vento que se espraiou durante a noite o deixou ser. O céu avisa que se houver chuva será mais para o final da tarde, convidando a um passeio matinal, embora que se não menospreze um bom agasalho. Isto foi só para verem que o Predatado sabe romancear. Olhou para o espelho e passou a mão pela cara. Sabendo que é Sábado ainda assim resolveu fazer a barba. Não que estivesse demasiado grande, mas dois dias sem se escanhoar não é de bom tom para quem tem compromissos sociais. Ou outros. Espalhou a espuma na cara já húmida, verificou com uma ligeira passagem o estado da lâmina confirmando a não necessidade de troca e barbeou-se. O espelho acompanhou-lhe, simétrica e cronometradamente os movimentos. Lavou também os dentes e dirigiu-se para o banho. Isto é só para verem que o Predatado poderia escrever um diário. O colesterol, o ácido úrico, o medo da diabetes e a, não ainda muito pronunciada, obesidade não o tornaram hipocondríaco, sem que, no entanto, o não aconselhem a tomar algumas atitudes mitigantes. Por isso, o seu passeio matinal apenas é suspenso quando a chuva cai tão abundantemente que o alerta amarelo, quiçá mesmo o laranja, da Protecção Civil o desaconselham. Isto é para verem que o Predatado pode ser propedêutico. Sentou-se à mesa e barrou duas tostas previamente aquecidas na parte superior da torradeira. Barrou-as com paté de oliva nera comprada numa loja gourmet em Roma. Era a coisa mais parecida com uma brusqueta que poderia arranjar no escasso espaço de tempo reservado às entradas. Depois, foi vê-lo deliciar-se com uns bifinhos de frango recheados de requeijão em sumo de limão e alecrim, acompanhado com uma pequena porção de arroz de ervilhas, repasto este que a filha lhe preparou a preceito. Como sempre fez-lhe companhia com um excelente vinho tinto, desta vez espanhol de Valdepeñas, isto só para dizer duas coisas, que o Pre é capaz de descrever uma refeição num meio de um romance/diário e que o Predatado hoje não estava nada inspirado para escrever um post.

PS. O Schubert é um gato delicioso. Cheirou-lhe a requeijão e não foi de modas, virou as costas e foi deitar-se no seu almofadão com vista para o arvoredo. Mas a quietude dos pássaros ou a ausência deles deu-lhe para a madorna. Dormiu a tarde inteira.

Foto: PreDatado@Costa_da_Caparica

sexta-feira, janeiro 30, 2009

1354. Freeport com dicionário

Muito se tem falado no caso Freeport. Não sei se “campanha negra” ou não, como o nosso Primeiro a apelidou ontem, resolvi fazer uma sondagem por e-mail, também por telefone e ainda via SMS a muitos dos meus conhecidos e amigos. Só em SMS e percorrendo toda a minha lista telefónica no telemóvel gastei cerca de 10,00 Euros o que dava para comer uma bela pescada cozida com brócolos. Mas adiante porque o que interessa mesmo é o resultado do inquérito. E a pergunta? Estão todos já a perguntar, passe a redundância. Pois eu perguntei assim mesmo, puro e duro, nu e cru: Achas que o nosso Sócras ou alguém da sua família ou partido seria capaz de receber umas coroas valentes para viabilizar o Freeport? Meus amigos, eu bem sei que isto é uma pergunta ofensiva mas podiam ter sido mais concisos nas respostas. Ora bem, dizem os cardápios que é preciso dizer qual o universo, a margem de erro e tal essas coisas. Pois então tomem lá: 736 pessoas indagadas, umas adultas, outras nem tanto, margem de erro sei lá porque não sou formado em estatística e desvio-padrão à maneira para se poder marcar golo.
23% Acham que o Benfica ainda pode ser campeão (só?, e os 6 milhões de benfiquistas?);
12% Dizem que isto de nevar só nas terras altas do Norte e Centro não tem piada nenhuma (invejosos, é o que são);
1% Mandaram-me apanhar no cu (desculpem a ousadia, mas foi mesmo assim);
3,5% Perguntaram quem era o Sócras (cambada de ignorantes);
2,5% Perguntaram o que era uma família (cambada de desestruturados);
0% Perguntaram o que era um partido (pressuponho que tenham os dois);
17% Sonham que um dia ainda lhes vai sair o euromilhões (há malta que já nasceu flipada);
8% Apostam que o caso Casa Pia vai ficar em águas de bacalhau (eu até pensei que fossem mais a pensar isso);
3% Gostariam de ser deputados (também eu, que me preciso de reformar cedo)
30% Não sabem/não respondem (vejam lá não vão gastar 10 cêntimos em SMS, seus semíticos).

Conclusão: eu acho que se deveria arquivar o caso Freeport por insuficiência de interesse.

PS. Tenho muitas leitoras e muitos leitores brasileiros não só atendendo às estatísticas do Sitemeter, mas também aos comentários deixados. Assim deveria em cada post deixar um dicionário português (Portugal) – português (Brasil), quanto mais não fosse para mostrar aos senhores do Acordo Ortográfico que não resolveram coisa nenhuma. Já agora, neste caso teremos:
Sondagem – Pesquisa
Inquérito – Enquete
Telemóvel – Celular
Sócras – Sócrates
Sócrates – Primeiro-ministro de Portugal
Primeiro-ministro – Bem feito, vocês não têm disso
Freeport – Corrupção
Corrupção – Bem feito, vocês não têm disso
Golo – Gol
Eusébio – Pelé
Apanhar no cu – Tomar no cu
Euromilhões – Qualquer coisa parecida com a Megasena
Reformar – Aposentar
Brasileiro – Irmão, graças a Deus

quarta-feira, janeiro 28, 2009

1353. Chuva na minha cidade


Só quero contar o que vi
Da janela do meu carro
E por pouco não esbarro
Num outro parado à frente
Uma idosa com dois sacos
E um guarda-chuva na mão
Esse não abria não
E a passar-me muito rente
Uma grávida, 7 meses
E a atravessar a estrada
Outra meio esgrouviada
(Eu exagero às vezes)
E um buzinão e tanto
A chuva a bater no espelho
E o taxista já velho
Parem lá com o barulho
E espreitava entretanto
Um gato pela janela
A enxurrada era tamanha
Que passou um barco à vela
E um cachucho a nadar
Um pargo a esvoaçar
E uma gaivota com manha
No bico levava um sapo
Tive de pegar num trapo
Pra limpar de novo o vidro
Que a confusão era tal
Que a velha se atravessou
O taxista gritou,
E o pargo estrebuchou.
E a moça esgrouviada
Que atravessou a passadeira
Deu um bolo à barriguda
P’ra’limentar o rebento
E uma rajada de vento
Fez o carro estremecer
E passou uma traineira
A apitar, que barulheira
Era tal a confusão
Sai do táxi a passageira
Cai-lhe uma lula no chão.
E se a prosa não é boa
Chove tanta confusão
Nestas ruas de Lisboa.

PreDatado©2009
Foto deste site

segunda-feira, janeiro 26, 2009

1352. Toma lá cabala


Um dia destes, o Predatado, que ainda tem poucos, vai criar um blog só para emitir opinião política, social, económica e desportiva. Como ainda não fez isso tem de misturar alhos com bugalhos e aproveitar este espaço que, diga-se de passagem, é bem eclético, para se meter em coisas da vida pública. Até porque, como vós amigas leitoras e vós amigos leitores muito bem sabeis, o PreDatado é um tipo, aliás diria mesmo um Senhor Tipo, de raciocínio fácil e dedução impoluta pelo que aquilo que diz quase sempre bate certo. Com o que é que bate não sei bem, mas que bate, lá isso bate, certinho. Então é a seguinte a sua teoria sobre a cabala que actualmente se levanta contra o nosso primeiro, um gajo porreiro, pá, José Sócrates. Esta cabala não surtirá o efeito que os seus mentores delinearam. E são, de facto, mentores muito distraídos, porque
a) Em 2005 tentaram “cabalizar” o nosso Sócrates com o mesmo assunto e vai daí o povinho deu-lhe uma maioria absoluta;
b) Outros cabalizaram Isaltino de Morais e vai este dá cá um bailarico em Oeiras que só visto;
c) Aliás, o na altura pequenino chefe de isaltinos e valentins, parecia também estar ao lado daqueles que cabalizaram o Valentim de Gondomar e então? Pimba o povinho deu tudo o que tinha que dar ao Valentim.
d) E a Fatinha de Felgueiras que, às costas da cabala que lhe montaram, teve de ir a banhos para Leblon e Copacabana? Voltou e vai o povinho, Querem te enterrar, querem, esses cabalistas de uma figa? Toma lá uma maioria, uma câmara municipal e um julgamento com uma sentença de ir às lágrimas.
E pronto, cá está a teoria do Pre, se querem que o Sócrates volte a ter maioria absoluta, toma lá cabala. Ou não fosse este povinho aquele que deu a vitória ao Zé Maria no Big Brother.

Foto obtida neste site

domingo, janeiro 25, 2009

1351. Lunch Time Blog

Quando

Aos Domingos, quando não vamos passear e visitar lugares ou revisitar outros, quando o cinzento dos céus insiste em nos molhar os parapeitos das janelas, mas não os da alma, quando o calor do fogão é maior do que o da sala, a gente refugia-se entre um bico aceso e uma chávena de chá. Quando é bom chamar o pai e a mãe para roubar calores e partilhar sabores e o safio na tábua para ser cortado em generosas postas. Quando se usam as cebolas cortadas em rodelas e as batatas em rodelas também cortadas para não chorar da cebola ciúmes, e os pimentos sem pevides que estas não se querem nem no tomate, o tamboril, lombos e cabeça para todos os gostos, a companhia que lhe faz a raia e a lixa, o cação, a pata-roxa e os dentes de alho. E quando ao lerdes estas linhas que grande caldeirada de escrita estarão uns a pensar, que grande caldeirada de peixe estarão, porém, outros a dizer, bom proveito, pois também eu vos digo que com um pouco de piri-piri e sal a gosto, a folha de louro e a salsa fresca, se o vinho branco de temperar estiver à altura do de beber, será delicioso este almoço. Juntemos-lhe agora o azeite do mais puro de oliveira e do Alentejo ou Trás-os-Montes nascido. E brindemos a mais um gastronómico Domingo, à moda da minha terra que de peixe fresco se não queixa. E para que não penseis que de vós o escriba se esqueceu, brindemos daqui à vossa e que mais posts de crescer água na boca se cozinhem por aqui.

PS. O Schubert não é amante de caldeirada. Prefere a Royal Canin, mas gostos não se discutem. Eu também não trocaria a minha Maria pela Penélope Cruz. Já o Barden seria capaz de dizer o contrário. Gostos não se discutem.
PPS. É da mais inteira justiça dizer que o arroz-doce feito pela Anita estava divinal.

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E não esquecer que Diálogo de Monólogos continua em actualização.

1350. Dois anos sem fumar

Se há coisas com que eu embirro é com lições de moral. Sejam lições dadas, sejam recebidas. Mas porque também embirro com mal-entendidos vai ficar aqui um aviso prévio. Este post não é nem pretende ser nada disso. Só um relato e ponto final.
Deixei de fumar há dois anos e já tirei com isso 4 vantagens.
A primeira tem a ver com a capacidade respiratória. Subir a pé um prédio de dois andares começava a ser aflitivo. Vamos lá, 3 andares para me acreditarem. E foi depois de um teste electrónico a essa capacidade que decidi parar. Adesivo no braço, cigarro na tabacaria. É verdade que os médicos falam em muitas vantagens para a saúde. Não sou médico, não digo mais nada.
A segunda vantagem é a financeira. Aqui o vosso Pre sugava 60 cigarros por dia, 3 macitos, olarélas. Fácil de somar e multiplicar, não é? Nove euros por dia, nove. Três mil duzentos e oitenta e cinco por ano. Diria mesmo que em 2008, porque foi bissexto, três mil duzentos e noventa e quatro. Ou seja nestes dois anitos gastei menos 6579,00 €. Não dá para ficar rico mas o orçamento familiar agradece. Só de pensar o que eu desperdicei em 34 anos…
A terceira vantagem foi social. Aquela de sair das salas de conferência para ir fumar um cigarro, estar num grupo a conversar e andar de cabeça à roda para ver onde para o cinzeiro, o mandar o fumo para cima dos filhos e dos amigos, conduzir sempre rodeado por nevoeiro, passar o tempo com os fatos na lavandaria, tomar qualquer coisa para dormir por não aguentar seis horas de voo sem fumar, na verdade sem capacidade para aguentar uma sequer. É que 60 cigarros por dia em aproximadamente 18 horas acordado dá um cigarrinho por cada 18 minutos, não é? E vício, é vício.
A quarta e última tem a ver com o Sócrates. O gajo fez uma lei daquelas que lixou o juízo aos fumadores. Eu antecipei-me um ano. Ele já me azucrinou o juízo com tanta coisa, mas desta fui eu quem o fintou. Porreiro, pá!

Foto encontrada e retirada deste site.

sábado, janeiro 24, 2009

1349. Um caldeirão de criatividade


Tenho uma cyber amiga super criativa. Senhora de vários blogs, parece bruxedo mas não é, consegue escrever histórias atrás de histórias, novelas atrás de novelas, pequenos contos (alguns deliciosamente eróticos), colabora em colectivos e ainda tem tempo de ler uma boa mão cheia de outros blogs e comentar. Além disso, se deixamos um comentário num post seu tem sempre uma palavra a propósito para nos deixar de resposta. Numa conversa no MSN, sem bajulação gratuita (como ela diria, sem rasgação de seda), fui adjectivando esta sua capacidade. Ela foi rebatendo por modestia pura. Pediu-me até para parar. Mas chamar de criativa não é ruim, nem muito puxadinho. Bem sei que mal ela se senta no computador o texto já está. Ok, será serial criativity? Pode ser. Ou será uma criativa parideira? Cá para mim tem um affaire com o notebook. É que este tipo de procriação assistida por computador, só com flirt é que vai lá.

PS. Viram quantas palavras estrangeiras ou estrangeiradas aqui estão? É que tenho a certeza que ela, brasileira, e muitos outros amigos e amigas brasileiras, entende melhor assim do que se eu aplicasse, directo (direto), o Acordo (Reforma) Ortográfico. E olhem que não estou nem estressado nem estou esnobando, tá?
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Não tem nada a ver com o post, mas vocês já ali foram?

1348. Tango



Ontem estivemos no Centro Cultural Olga Cadaval a assistir ao espectáculo do grupo Tango Quattro. Tenho assistido a variadíssimos espectáculos musicais, de quase todos os géneros e formatos (eu disse quase), mas nunca tinha estado num show de tango. Com sete artistas em palco, cinco músicos e dois bailarinos, assistimos a uma execução sem mácula, das obras dos mais famosos compositores argentinos, onde pontuaram Julián Plaza, Aníbal Troilo e principalmente Astor Piazolla, efectuada por quem conhece efectivamente a arte. As danças, primorosamente coreografadas e executadas, contaram ainda com a variedade do guarda-roupa dos bailarinos, mostrando que nada foi deixado ao acaso. O público pediu e foi-lhe oferecido um encore. Quem quiser saber um pouco mais deste grupo pode consultar a página oficial do mesmo, aqui neste endereço.

PS. Oportuna chamada de atenção da Anita, nos comentários. Os bilhetes foram prenda de natal da minha filhota.
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Enquanto isto, no Diálogo de Monólogos, Richard e Margarida...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

1347. Prémio


O livro “Jazz Covers” do meu amigo Joaquim Paulo foi premiado como o melhor livro sobre Jazz, pela Academia de Jazz de França. O prémio foi atribuído no passado mês de Dezembro e entregue agora no dia 18 de Janeiro no Grand Foyer Théâtre du Châtelet de Paris. Eu, que já tive oportunidade de ter este livro nas minhas mãos, tenho de dizer que encontrei uma obra excelentíssima. Aliás, não é de admirar porque Joaquim Paulo é das pessoas que mais sabe de Jazz em Portugal. Ficam aqui lavrados os meus parabéns! O livro é editado pela Taschen e está traduzido em várias línguas, nomeadamente Alemão, Francês e Inglês.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

1346 Fora de horas
















Tu, meu sonho

Sonho-te.
Povoas-me as noites em que me deixas só.

Sonho-te de abraços mil.
Povoas-me o peito latejante de desejos.

Sonho-te de nuas coxas em mim laçadas.
Povoas-me a libido e colas-me a noite luxuriante.

Sonho-te de húmida entrega.
Povoas-me de tesão incandescentes sonhos.

Sonho-te, amor, mesmo quando te não sonho.

Predatado©2009
Foto Pat Merz, via Aliciante

Entretanto, o Diálogo e os Monólogos, a não esquecer.

terça-feira, janeiro 20, 2009

1345. YES, WE CAN


Hoje não dará para eu colocar o tradicional poema das terças-feiras.
Hoje um outro poema está no ar e chama-se Barack Obama.
Yes, We can!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

1344. Se há coisas com que eu embirro é vir para o blog falar de mim

Um dos sintomas de que estou a ficar melhor de saúde é que começo a interessar-me por coisas do futebol de modo que hoje vi o Almeria x Atlético de Madrid. Eu podia lá perder um jogo onde peleja um tal de Sinama Pongolo. Quando deixar os comprimidos será também a política que me passará a consumir algum tempo diário, o que, diga-se de passagem , o facto de ainda os estar a tomar evitou-me uma série de congressos e moções e coisas que tais este fim de semana e, finalmente, quando abandonar definitivamente os xaropes, ela que se cuide.
Bom, mas não foi para falar de mim que hoje vim escrever um post, foi mais para falar de uns e-mails que recebi não hoje, nem ontem mas que de vez em quando vou recebendo a perguntarem-me em que jornal é que escrevo, se sou eu que sou fulano ou beltrano deste semanário ou daquele outro diário e se PreDatado é um nick que por sua vez esconde o pseudónimo tal. Ora se eu escolhesse um pseudónimo teria de ser tipo Sinama ou Pongolo que são muito mais sonantes mas o que eu acho curioso e até intrigante é porque é que nunca me fizeram essa pergunta nos comentários e a reservaram para uns quantos e-mails, tenho de confessar que não muitos, sendo que, se até o meu endereço o sabem é de certeza através do cabeçalho do blog. Mas adiante, como sou educado a todos (poucos, como disse) respondi, agradecendo o interesse mas que de facto não sou nenhum jornalista conhecido. Melhor dizendo, não sou nenhum jornalista. E apesar de ter sido director de uma revista de grande expansão nacional, que no tempo em que estive à frente da mesma tirava mais de 100.000 (cem mil, sim) exemplares, só o era por inerência da minha situação profissional, sem que para isso fosse necessária qualquer carteira de jornalista. É verdade que também colaborei como cronista num jornal on-line brasileiro – escrevendo em português de Portugal, e esta hein? – e, quer num caso quer noutro, sempre constava o meu nome de baptismo e nunca qualquer pseudónimo ou nickname. Fica aqui o esclarecimento e também cumprida a promessa de que hoje não iria falar de mim.

- O quê, filha? O termómetro? Ah sim já me estava a esquecer. 38,5ºC porquê, é muito?

E continuamos a actualizar os monólogos

domingo, janeiro 18, 2009

1343. Foi há 25 anos


Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos morreu há 25 anos, no dia 18 de Janeiro.

1342. Obrigado. Eu gosto muito de vocês.

Por muito que outros o reinvindiquem, não há nesta blogosfera melhores comentadores do que os comentadores do meu blog. Eu sei que a alguns custa-lhes ouvir (ler) isto, sei sei, já ouvi alguém dizer o mesmo noutros blogs, mas estão redondamente enganados. Vocês que aqui vêm são mesmo as/os melhores comentadores do mundo. Querem um exemplo? Só este, como símbolo de todos vós, de quem gosto do fundo do coração. A Lisa do blog Fardilha's deixou-me este comentário no post anterior. Leiam e digam-me cá se vocês são ou não são mesmo as/os melhores comentadores do mundo!

Os Homens e a gripe….

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

adenda: autor - António Lobo Antunes (informação da própria Lisa)

sábado, janeiro 17, 2009

1341. Pessoal mas transmissível

Peço desculpa a todos por hoje trazer aqui um caso absolutamente pessoal.

Estou com uma gripe do caraças!

(transmissível)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

1340. Publicidade

O JC(*) do blog break(it)fast e eu estamos a escrever a duas mãos aqui neste blog. Cada um monologueia estreitando o diálogo ou como quem diz, uma mão lava a outra. Se sair novela saiu se não sair que nos divertamos. E contamos convosco, claro, para incorporarmos dicas. Ide até lá.


(*) O JC é meu filho.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

1339. Às terças... (todos os dias são bons para serem terças-feiras)


Poema da lembrança

Lembram-me as calmas águas do Guadiana e então frias
Te acalmavam a rubra cor em áurea tez.
Lembram-me as cobras de água que o medo
Pretexto não era que para fugirmos de olhares mil.
Lembram-me as longas viagens ao poço e lembrança tenho
Das pequenas enfusas que nunca mais o tempo enchia.
Arquivo na memória estrelas cúmplices e luares
Silenciosos, que só no Monte resplandecem e que
Nos prateavam desejos.
Guardo a recordação dos dias abrasadores e nós
Em fresco quarto onde diáfana cortina transformava as silhuetas.
Dissimulação de sono.

E de carinho fazíamos os dias.
E eu, dono e senhor daquela paisagem de ébano
Que a púbis povoava na tua pele dourada.

PreDatado©2009
Foto: Michał Tokarczuk via
Imagens

quarta-feira, janeiro 14, 2009

1338. Apelo

(É a minha forma de solidariedade Zé)


Agradeço a todos os meus leitores e leitoras, que leiam o apelo feito pelo nosso amigo Zé do blogue Apenas + 1. Não se trata de nenhuma daqueles apelos que circulam nos e-mails e que normalmente desconhecemos a origem. Leiam e se por acaso puderem de aguma forma dar uma ajuda o Zé tem lá o e-mail dele. É só clicarem no link. Obrigado.

1337. Ainda o famigerado Acordo Ortográfico...



(... ou mais petróleo no fogo)

Hoje deixo-vos a digitalização de duas páginas de um livro editado em 1905. Se quiserem ampliar é só clicar na imagem. Vejam os “Acordos” que já tiveram de ser aplicados para chegarmos à actual (atual) ortografia. Ou se não Acordos, então Decretos. E não escrevemos como em 1905, pois não?
Já agora, por curiosidade o livro chama-se “Palavras Cínicas” (que com o novo Acordo se poderá editar como “Palavras cínicas”) e é de Albino Forjaz de Sampaio.

terça-feira, janeiro 13, 2009

1335. Revisitando o (esquecido?) acordo

Hoje, o acordo ortográfico (reforma ortográfica como se designa além-atlântico). Tenho recebido imensos e-mails de amigos e amigas do Brasil preocupados com a reforma ortográfica. Parece que por lá toda a gente já assumiu que essa reforma é para valer e vejo alguns blogs começarem a usar as novas grafias. Os jornais e os sites de referência publicam resumos compreensíveis das alterações e há até quem se dedique a escrever alguns versos em forma de mnemónica. Por cá, niente. Já ninguém fala nisso. É para aplicar ou não é? Quem tem filhos no básico que me informe ou quem seja professor do Ensino Básico aqui em Portugal e leia o PreDatado que me digam se já se começou a aplicar nas escolas. É que vejo tudo tão caladinho que não faço a mínima ideia. E não é uma questão de se estar ou não de acordo (incluo-me naqueles que têm muitas reservas em relação às alterações aprovadas) com a reforma que ela não deva ser feita. Se se aprovou é para aplicar. É preciso não esquecer que muitos de nós, os que aqui escrevemos e os que aqui lemos, aprendemos a escrever gaz em vez de gás e a acentuar graficamente os advérbios de modo, coisa que hoje em dia não fazemos e vimos os nosso pais escrever pharmacia, nomeadamente a nossa mãi (não é erro era assim mesmo que se escrevia mãi no tempo dos nossos pais). Se é para ficar, então que se aplique. Eu por mim, irei tomar em atenção as alterações e daqui para a frente tentarei seguir a nova grafia. Vai ser cá um enjoo (viram, viram, sem circunflexo?).

PS. Aqui o vosso amigo já passou dos cinquenta. Durante vários anos sempre que lhe era pedido o nome vinha a inevitável pergunta, Com c ou sem c? Hoje muito menos, mas há ainda quem o escreva sem o acento agudo no i. E isso é um erro de ortografia. Felizmente também caiu em desuso a palmatória.
PPS. Sou danadinho pela polémica, não é? Mas prometo que hoje irei responder a todos os vossos comentários. "Bora" lá?