sexta-feira, fevereiro 06, 2009

1359. Cefaleia coital


Chamada a atenção aqui pelo mfc, fui ler o artigo do iol-online sobre o tema em epígrafe. É um tema que me interessa, já que também fui vítima de uma cefaleia destas. Como isto me aconteceu num fim-de-semana e a dor de cabeça persistiu de Sábado a Domingo, restando aquela sensação de “moinha”, na própria 2ª feira consultei um médico generalista que me aconselhou um neurologista, dos mais conceituados de Lisboa. Tive consulta no próprio dia, pudera, foi tudo a pagantes, que depois de me elucidar sobre as chamadas cefaleias pós-coitais me receitou uma caixa de comprimidos. Passei de imediato pela farmácia, comprei os comprimidos e fiz o que faço sempre: li a bula (literatura inclusa, costumam dizer as caixinhas).Nos efeitos secundários, chamou-me a atenção a referência “pode provocar dores de cabeça”. Foda-se, desculpem o palavrão, mas foi exactamente assim que reagi momento. É óbvio que não tomei nenhum. Na terça-feira já não tinha dores de cabeça mas pelo sim pelo não ainda fiz alguns mais exames complementares de diagnóstico que felizmente não apresentaram qualquer lesão.

PS. Só não entendi muito bem foi essa da cefaleia “antes de”. Será que o desejo, só por si, também pode provocar dor de cabeça? E se uma pessoa se queixar de dores de cabeça, por exemplo ao jantar, antes de ir para cama, isso é sinal de T…?
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entretanto não esquecer: Diálogo de monólogos

Foto daqui.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

1358. Histórias de viagens (iii)


Einbahnstraße

Falo com alguma fluência francês, leio sem muita dificuldade o inglês e, entendo os nuestros hermanos, como eles, na generalidade, não me conseguem entender a mim. A propósito, quase toda a gente tem a mania de dizer que os espanhóis não nos entendem porque não querem e não fazem o mínimo de esforço. De facto não concordo com isso e vem-me à ideia uma história com um amigo, colega da delegação madrilena da empresa onde trabalhavamos. Como a empresa era francesa, encontrávamo-nos cinco a seis vezes por ano em reuniões em Paris onde, só se falava francês. Nós que, durante mais de seis anos, sempre conversamos em francês, propusemo-nos falar cada um na sua língua mãe, eu em português e ele em castelhano, é claro. À mesa do jantar, o António não tirava os olhos do meu rosto, talvez tentando discernir no movimento dos lábios aquilo que os ouvidos não conseguiam entender. Pouco mais de cinco minutos depois, ele pedia-me encarecidamente “Biquetór por favor volvemos a hablar en francés porque yo no te entiendo nada”. Obviamente que ele não fez de propósito e eu reconheço-lhe o esforço que fez em tentar. Já tenho contado isto mais de uma vez e insistem em dizer que não, que na maioria são mesmo preguiçosos e até presunçosos. É nesta altura que me dá ganas de defender os nossos vizinhos e atiro-lhes com desdém una crema de afeitar sin brocha ou digo-lhes que hay la sospecha de que hay sido un coche trampa que tenga explotado. Se não souberes castelhano estás hodido que não vais entiender nada. Adelante.

Nem sei porque andei a vaguear na história anterior se não era nada disso que fazia tenção de referir na minha crónica de hoje. Talvez para dizer que se há tanta diferença nas línguas que têm as mesmas origens imaginemos as que basicamente têm raízes bastante diferentes como por exemplo, o alemão. Na verdade não sei mais do que uma meia dúzia de palavras em alemão incluindo, Telefunken e Vokswagen.

Ora a verdade é que, por instinto ou por verdadeiro sentido de orientação, sempre que me encontro em país estrangeiro vou fixando referências para poder voltar ao local de partida ou a outros locais a que me interesse voltar. E com tanta confiança de que os pontos de referência que normalmente tiro me valem praticamente em todas as ocasiões, quando me perguntou se eu saberia regressar ao hotel, depois de ter constatado de que me tinha esquecido da planta da cidade, respondi à minha mulher que apesar da sua localização ser meio incaracterística, sem uma igreja, um teatro ou um restaurante típico por perto eu não me esqueceria do nome da rua adjacente, que aliás fiz questão de fixar. Bastaria encontrar a Einbahnstraße e o hotel seria logo ali ao lado. Alguns minutos depois, com ar trocista, exclamou: “Que bom! Temos o nosso hotel espalhado por toda a cidade” E foi-me apontando pelo caminho várias Einbahnstraße iguaizinhas à ”minha”. Foi um fartote de rir, mas não foi por isso que deixamos de encontrar o hotel que ficava mesmo ao lado daquela pequena RUA DE SENTIDO ÚNICO.


Foto daqui

terça-feira, fevereiro 03, 2009

1357. Às terças...

















I. Conchas

Tu e eu, metades iguais
Do mesmo fruto
Que o mar, de paixão,
Salga.

E a concha se abre,
Bivalve moradia onde
Em teu corredor me esquivo.

E a concha se fecha
E de duas, uma só se faz.

Feita de tu e eu.

II. Jogos de salão

Cuidadoso aplica o giz azul. Boleando.
Deitou-a sobre a mesa de bilhar,
Os mamilos
Parecem-lhe dois pontos azuis no pano verde.

Os pontos no pano verde parecem-lhe mamilos azuis.

Risca a preceito o triângulo,
(como se fosse pélvico em negros reflexos de azul)
Sobre o pano verde.

O taco aponta para não falhar o embolse
(consumado)
Rasgado no pano verde.

III. Árvore de Fruto

Estremeceu quando
Um riacho de vida a invadiu.

(Estremeceram as margens quando
O rio de enchente se fez.
Fertilizam os campos de água
Encharcados. )

Nascerá o fruto de
Tão bem tratada árvore.

IV. Cio

Como um gato dissimulo-me
Por detrás das ramagens.
Aguardo-te a chegada distraída,
Confiado no silêncio do luar.
Cheiro-te a passagem de odor
Feito passaporte.
Ataco-te o cio num miado
Lancinante.


Versos: PreDatado©2009
Foto: Retirada deste site

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

1356. 24 Anos!


Esta é uma história na terceira pessoa. Em boa verdade em duas terceiras pessoas. A primeira das terceiras é ela, a Maria José, minha mulher e mãe dele. A segunda terceira pessoa é ele, João Pedro, o meu filho. Os dois são os protagonistas nesta história de terceiras pessoas.

Saímos de casa eu e ela logo pela manhã. Dirigimo-nos ao hospital onde ela deveria ter ficado. Deixei-a e fui trabalhar. A um sábado de manhã ninguém decente trabalharia com ela naquele delicado estado. Mas era nela que eu confiava e não em mim. Pouco depois telefonou-me, Vou almoçar contigo, Queres que te vá buscar, Não, vou a pé. Desceu a pé toda a avenida e comemos os dois. Uma coisa ligeira, ela não poderia comer muito nesse dia. Hoje não descreverei o repasto. Regressou sozinha a pé, de novo, até ao hospital; juntei-me a ela cerca das três horas da tarde. Estava a aproximar-se o momento, não havia mais calma para demonstrar. Mesmo querendo, um homem só é de ferro se for estátua. Depois acompanhei-a até à sala e fui fotografando cada momento. Sempre que lhe dizia, Vou-te ajudar, ela dizia-me para que me não preocupasse. Enquanto ela respirava compassadamente e soprava à voz de comando do Dr. Jorge Branco, beijei-lhe a testa e continuei a fotografar.

O João Pedro nasceu às 16h45m do dia 2 de Fevereiro de 1985. Tinha 3,0Kgs.

Parabéns meu filho. Feliz Aniversário!

Parabéns Maria José, meu amor.

PS.
Esta é a primeira garrafa de champanhe do ano, que vos falei há uns tempos.

sábado, janeiro 31, 2009

1355. Lunch Time Blog (o gajo abusa)


O dia acordou cinzento e calmo. Tão calmo quanto o vento que se espraiou durante a noite o deixou ser. O céu avisa que se houver chuva será mais para o final da tarde, convidando a um passeio matinal, embora que se não menospreze um bom agasalho. Isto foi só para verem que o Predatado sabe romancear. Olhou para o espelho e passou a mão pela cara. Sabendo que é Sábado ainda assim resolveu fazer a barba. Não que estivesse demasiado grande, mas dois dias sem se escanhoar não é de bom tom para quem tem compromissos sociais. Ou outros. Espalhou a espuma na cara já húmida, verificou com uma ligeira passagem o estado da lâmina confirmando a não necessidade de troca e barbeou-se. O espelho acompanhou-lhe, simétrica e cronometradamente os movimentos. Lavou também os dentes e dirigiu-se para o banho. Isto é só para verem que o Predatado poderia escrever um diário. O colesterol, o ácido úrico, o medo da diabetes e a, não ainda muito pronunciada, obesidade não o tornaram hipocondríaco, sem que, no entanto, o não aconselhem a tomar algumas atitudes mitigantes. Por isso, o seu passeio matinal apenas é suspenso quando a chuva cai tão abundantemente que o alerta amarelo, quiçá mesmo o laranja, da Protecção Civil o desaconselham. Isto é para verem que o Predatado pode ser propedêutico. Sentou-se à mesa e barrou duas tostas previamente aquecidas na parte superior da torradeira. Barrou-as com paté de oliva nera comprada numa loja gourmet em Roma. Era a coisa mais parecida com uma brusqueta que poderia arranjar no escasso espaço de tempo reservado às entradas. Depois, foi vê-lo deliciar-se com uns bifinhos de frango recheados de requeijão em sumo de limão e alecrim, acompanhado com uma pequena porção de arroz de ervilhas, repasto este que a filha lhe preparou a preceito. Como sempre fez-lhe companhia com um excelente vinho tinto, desta vez espanhol de Valdepeñas, isto só para dizer duas coisas, que o Pre é capaz de descrever uma refeição num meio de um romance/diário e que o Predatado hoje não estava nada inspirado para escrever um post.

PS. O Schubert é um gato delicioso. Cheirou-lhe a requeijão e não foi de modas, virou as costas e foi deitar-se no seu almofadão com vista para o arvoredo. Mas a quietude dos pássaros ou a ausência deles deu-lhe para a madorna. Dormiu a tarde inteira.

Foto: PreDatado@Costa_da_Caparica

sexta-feira, janeiro 30, 2009

1354. Freeport com dicionário

Muito se tem falado no caso Freeport. Não sei se “campanha negra” ou não, como o nosso Primeiro a apelidou ontem, resolvi fazer uma sondagem por e-mail, também por telefone e ainda via SMS a muitos dos meus conhecidos e amigos. Só em SMS e percorrendo toda a minha lista telefónica no telemóvel gastei cerca de 10,00 Euros o que dava para comer uma bela pescada cozida com brócolos. Mas adiante porque o que interessa mesmo é o resultado do inquérito. E a pergunta? Estão todos já a perguntar, passe a redundância. Pois eu perguntei assim mesmo, puro e duro, nu e cru: Achas que o nosso Sócras ou alguém da sua família ou partido seria capaz de receber umas coroas valentes para viabilizar o Freeport? Meus amigos, eu bem sei que isto é uma pergunta ofensiva mas podiam ter sido mais concisos nas respostas. Ora bem, dizem os cardápios que é preciso dizer qual o universo, a margem de erro e tal essas coisas. Pois então tomem lá: 736 pessoas indagadas, umas adultas, outras nem tanto, margem de erro sei lá porque não sou formado em estatística e desvio-padrão à maneira para se poder marcar golo.
23% Acham que o Benfica ainda pode ser campeão (só?, e os 6 milhões de benfiquistas?);
12% Dizem que isto de nevar só nas terras altas do Norte e Centro não tem piada nenhuma (invejosos, é o que são);
1% Mandaram-me apanhar no cu (desculpem a ousadia, mas foi mesmo assim);
3,5% Perguntaram quem era o Sócras (cambada de ignorantes);
2,5% Perguntaram o que era uma família (cambada de desestruturados);
0% Perguntaram o que era um partido (pressuponho que tenham os dois);
17% Sonham que um dia ainda lhes vai sair o euromilhões (há malta que já nasceu flipada);
8% Apostam que o caso Casa Pia vai ficar em águas de bacalhau (eu até pensei que fossem mais a pensar isso);
3% Gostariam de ser deputados (também eu, que me preciso de reformar cedo)
30% Não sabem/não respondem (vejam lá não vão gastar 10 cêntimos em SMS, seus semíticos).

Conclusão: eu acho que se deveria arquivar o caso Freeport por insuficiência de interesse.

PS. Tenho muitas leitoras e muitos leitores brasileiros não só atendendo às estatísticas do Sitemeter, mas também aos comentários deixados. Assim deveria em cada post deixar um dicionário português (Portugal) – português (Brasil), quanto mais não fosse para mostrar aos senhores do Acordo Ortográfico que não resolveram coisa nenhuma. Já agora, neste caso teremos:
Sondagem – Pesquisa
Inquérito – Enquete
Telemóvel – Celular
Sócras – Sócrates
Sócrates – Primeiro-ministro de Portugal
Primeiro-ministro – Bem feito, vocês não têm disso
Freeport – Corrupção
Corrupção – Bem feito, vocês não têm disso
Golo – Gol
Eusébio – Pelé
Apanhar no cu – Tomar no cu
Euromilhões – Qualquer coisa parecida com a Megasena
Reformar – Aposentar
Brasileiro – Irmão, graças a Deus

quarta-feira, janeiro 28, 2009

1353. Chuva na minha cidade


Só quero contar o que vi
Da janela do meu carro
E por pouco não esbarro
Num outro parado à frente
Uma idosa com dois sacos
E um guarda-chuva na mão
Esse não abria não
E a passar-me muito rente
Uma grávida, 7 meses
E a atravessar a estrada
Outra meio esgrouviada
(Eu exagero às vezes)
E um buzinão e tanto
A chuva a bater no espelho
E o taxista já velho
Parem lá com o barulho
E espreitava entretanto
Um gato pela janela
A enxurrada era tamanha
Que passou um barco à vela
E um cachucho a nadar
Um pargo a esvoaçar
E uma gaivota com manha
No bico levava um sapo
Tive de pegar num trapo
Pra limpar de novo o vidro
Que a confusão era tal
Que a velha se atravessou
O taxista gritou,
E o pargo estrebuchou.
E a moça esgrouviada
Que atravessou a passadeira
Deu um bolo à barriguda
P’ra’limentar o rebento
E uma rajada de vento
Fez o carro estremecer
E passou uma traineira
A apitar, que barulheira
Era tal a confusão
Sai do táxi a passageira
Cai-lhe uma lula no chão.
E se a prosa não é boa
Chove tanta confusão
Nestas ruas de Lisboa.

PreDatado©2009
Foto deste site

segunda-feira, janeiro 26, 2009

1352. Toma lá cabala


Um dia destes, o Predatado, que ainda tem poucos, vai criar um blog só para emitir opinião política, social, económica e desportiva. Como ainda não fez isso tem de misturar alhos com bugalhos e aproveitar este espaço que, diga-se de passagem, é bem eclético, para se meter em coisas da vida pública. Até porque, como vós amigas leitoras e vós amigos leitores muito bem sabeis, o PreDatado é um tipo, aliás diria mesmo um Senhor Tipo, de raciocínio fácil e dedução impoluta pelo que aquilo que diz quase sempre bate certo. Com o que é que bate não sei bem, mas que bate, lá isso bate, certinho. Então é a seguinte a sua teoria sobre a cabala que actualmente se levanta contra o nosso primeiro, um gajo porreiro, pá, José Sócrates. Esta cabala não surtirá o efeito que os seus mentores delinearam. E são, de facto, mentores muito distraídos, porque
a) Em 2005 tentaram “cabalizar” o nosso Sócrates com o mesmo assunto e vai daí o povinho deu-lhe uma maioria absoluta;
b) Outros cabalizaram Isaltino de Morais e vai este dá cá um bailarico em Oeiras que só visto;
c) Aliás, o na altura pequenino chefe de isaltinos e valentins, parecia também estar ao lado daqueles que cabalizaram o Valentim de Gondomar e então? Pimba o povinho deu tudo o que tinha que dar ao Valentim.
d) E a Fatinha de Felgueiras que, às costas da cabala que lhe montaram, teve de ir a banhos para Leblon e Copacabana? Voltou e vai o povinho, Querem te enterrar, querem, esses cabalistas de uma figa? Toma lá uma maioria, uma câmara municipal e um julgamento com uma sentença de ir às lágrimas.
E pronto, cá está a teoria do Pre, se querem que o Sócrates volte a ter maioria absoluta, toma lá cabala. Ou não fosse este povinho aquele que deu a vitória ao Zé Maria no Big Brother.

Foto obtida neste site

domingo, janeiro 25, 2009

1351. Lunch Time Blog

Quando

Aos Domingos, quando não vamos passear e visitar lugares ou revisitar outros, quando o cinzento dos céus insiste em nos molhar os parapeitos das janelas, mas não os da alma, quando o calor do fogão é maior do que o da sala, a gente refugia-se entre um bico aceso e uma chávena de chá. Quando é bom chamar o pai e a mãe para roubar calores e partilhar sabores e o safio na tábua para ser cortado em generosas postas. Quando se usam as cebolas cortadas em rodelas e as batatas em rodelas também cortadas para não chorar da cebola ciúmes, e os pimentos sem pevides que estas não se querem nem no tomate, o tamboril, lombos e cabeça para todos os gostos, a companhia que lhe faz a raia e a lixa, o cação, a pata-roxa e os dentes de alho. E quando ao lerdes estas linhas que grande caldeirada de escrita estarão uns a pensar, que grande caldeirada de peixe estarão, porém, outros a dizer, bom proveito, pois também eu vos digo que com um pouco de piri-piri e sal a gosto, a folha de louro e a salsa fresca, se o vinho branco de temperar estiver à altura do de beber, será delicioso este almoço. Juntemos-lhe agora o azeite do mais puro de oliveira e do Alentejo ou Trás-os-Montes nascido. E brindemos a mais um gastronómico Domingo, à moda da minha terra que de peixe fresco se não queixa. E para que não penseis que de vós o escriba se esqueceu, brindemos daqui à vossa e que mais posts de crescer água na boca se cozinhem por aqui.

PS. O Schubert não é amante de caldeirada. Prefere a Royal Canin, mas gostos não se discutem. Eu também não trocaria a minha Maria pela Penélope Cruz. Já o Barden seria capaz de dizer o contrário. Gostos não se discutem.
PPS. É da mais inteira justiça dizer que o arroz-doce feito pela Anita estava divinal.

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E não esquecer que Diálogo de Monólogos continua em actualização.

1350. Dois anos sem fumar

Se há coisas com que eu embirro é com lições de moral. Sejam lições dadas, sejam recebidas. Mas porque também embirro com mal-entendidos vai ficar aqui um aviso prévio. Este post não é nem pretende ser nada disso. Só um relato e ponto final.
Deixei de fumar há dois anos e já tirei com isso 4 vantagens.
A primeira tem a ver com a capacidade respiratória. Subir a pé um prédio de dois andares começava a ser aflitivo. Vamos lá, 3 andares para me acreditarem. E foi depois de um teste electrónico a essa capacidade que decidi parar. Adesivo no braço, cigarro na tabacaria. É verdade que os médicos falam em muitas vantagens para a saúde. Não sou médico, não digo mais nada.
A segunda vantagem é a financeira. Aqui o vosso Pre sugava 60 cigarros por dia, 3 macitos, olarélas. Fácil de somar e multiplicar, não é? Nove euros por dia, nove. Três mil duzentos e oitenta e cinco por ano. Diria mesmo que em 2008, porque foi bissexto, três mil duzentos e noventa e quatro. Ou seja nestes dois anitos gastei menos 6579,00 €. Não dá para ficar rico mas o orçamento familiar agradece. Só de pensar o que eu desperdicei em 34 anos…
A terceira vantagem foi social. Aquela de sair das salas de conferência para ir fumar um cigarro, estar num grupo a conversar e andar de cabeça à roda para ver onde para o cinzeiro, o mandar o fumo para cima dos filhos e dos amigos, conduzir sempre rodeado por nevoeiro, passar o tempo com os fatos na lavandaria, tomar qualquer coisa para dormir por não aguentar seis horas de voo sem fumar, na verdade sem capacidade para aguentar uma sequer. É que 60 cigarros por dia em aproximadamente 18 horas acordado dá um cigarrinho por cada 18 minutos, não é? E vício, é vício.
A quarta e última tem a ver com o Sócrates. O gajo fez uma lei daquelas que lixou o juízo aos fumadores. Eu antecipei-me um ano. Ele já me azucrinou o juízo com tanta coisa, mas desta fui eu quem o fintou. Porreiro, pá!

Foto encontrada e retirada deste site.

sábado, janeiro 24, 2009

1349. Um caldeirão de criatividade


Tenho uma cyber amiga super criativa. Senhora de vários blogs, parece bruxedo mas não é, consegue escrever histórias atrás de histórias, novelas atrás de novelas, pequenos contos (alguns deliciosamente eróticos), colabora em colectivos e ainda tem tempo de ler uma boa mão cheia de outros blogs e comentar. Além disso, se deixamos um comentário num post seu tem sempre uma palavra a propósito para nos deixar de resposta. Numa conversa no MSN, sem bajulação gratuita (como ela diria, sem rasgação de seda), fui adjectivando esta sua capacidade. Ela foi rebatendo por modestia pura. Pediu-me até para parar. Mas chamar de criativa não é ruim, nem muito puxadinho. Bem sei que mal ela se senta no computador o texto já está. Ok, será serial criativity? Pode ser. Ou será uma criativa parideira? Cá para mim tem um affaire com o notebook. É que este tipo de procriação assistida por computador, só com flirt é que vai lá.

PS. Viram quantas palavras estrangeiras ou estrangeiradas aqui estão? É que tenho a certeza que ela, brasileira, e muitos outros amigos e amigas brasileiras, entende melhor assim do que se eu aplicasse, directo (direto), o Acordo (Reforma) Ortográfico. E olhem que não estou nem estressado nem estou esnobando, tá?
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Não tem nada a ver com o post, mas vocês já ali foram?

1348. Tango



Ontem estivemos no Centro Cultural Olga Cadaval a assistir ao espectáculo do grupo Tango Quattro. Tenho assistido a variadíssimos espectáculos musicais, de quase todos os géneros e formatos (eu disse quase), mas nunca tinha estado num show de tango. Com sete artistas em palco, cinco músicos e dois bailarinos, assistimos a uma execução sem mácula, das obras dos mais famosos compositores argentinos, onde pontuaram Julián Plaza, Aníbal Troilo e principalmente Astor Piazolla, efectuada por quem conhece efectivamente a arte. As danças, primorosamente coreografadas e executadas, contaram ainda com a variedade do guarda-roupa dos bailarinos, mostrando que nada foi deixado ao acaso. O público pediu e foi-lhe oferecido um encore. Quem quiser saber um pouco mais deste grupo pode consultar a página oficial do mesmo, aqui neste endereço.

PS. Oportuna chamada de atenção da Anita, nos comentários. Os bilhetes foram prenda de natal da minha filhota.
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Enquanto isto, no Diálogo de Monólogos, Richard e Margarida...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

1347. Prémio


O livro “Jazz Covers” do meu amigo Joaquim Paulo foi premiado como o melhor livro sobre Jazz, pela Academia de Jazz de França. O prémio foi atribuído no passado mês de Dezembro e entregue agora no dia 18 de Janeiro no Grand Foyer Théâtre du Châtelet de Paris. Eu, que já tive oportunidade de ter este livro nas minhas mãos, tenho de dizer que encontrei uma obra excelentíssima. Aliás, não é de admirar porque Joaquim Paulo é das pessoas que mais sabe de Jazz em Portugal. Ficam aqui lavrados os meus parabéns! O livro é editado pela Taschen e está traduzido em várias línguas, nomeadamente Alemão, Francês e Inglês.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

1346 Fora de horas
















Tu, meu sonho

Sonho-te.
Povoas-me as noites em que me deixas só.

Sonho-te de abraços mil.
Povoas-me o peito latejante de desejos.

Sonho-te de nuas coxas em mim laçadas.
Povoas-me a libido e colas-me a noite luxuriante.

Sonho-te de húmida entrega.
Povoas-me de tesão incandescentes sonhos.

Sonho-te, amor, mesmo quando te não sonho.

Predatado©2009
Foto Pat Merz, via Aliciante

Entretanto, o Diálogo e os Monólogos, a não esquecer.

terça-feira, janeiro 20, 2009

1345. YES, WE CAN


Hoje não dará para eu colocar o tradicional poema das terças-feiras.
Hoje um outro poema está no ar e chama-se Barack Obama.
Yes, We can!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

1344. Se há coisas com que eu embirro é vir para o blog falar de mim

Um dos sintomas de que estou a ficar melhor de saúde é que começo a interessar-me por coisas do futebol de modo que hoje vi o Almeria x Atlético de Madrid. Eu podia lá perder um jogo onde peleja um tal de Sinama Pongolo. Quando deixar os comprimidos será também a política que me passará a consumir algum tempo diário, o que, diga-se de passagem , o facto de ainda os estar a tomar evitou-me uma série de congressos e moções e coisas que tais este fim de semana e, finalmente, quando abandonar definitivamente os xaropes, ela que se cuide.
Bom, mas não foi para falar de mim que hoje vim escrever um post, foi mais para falar de uns e-mails que recebi não hoje, nem ontem mas que de vez em quando vou recebendo a perguntarem-me em que jornal é que escrevo, se sou eu que sou fulano ou beltrano deste semanário ou daquele outro diário e se PreDatado é um nick que por sua vez esconde o pseudónimo tal. Ora se eu escolhesse um pseudónimo teria de ser tipo Sinama ou Pongolo que são muito mais sonantes mas o que eu acho curioso e até intrigante é porque é que nunca me fizeram essa pergunta nos comentários e a reservaram para uns quantos e-mails, tenho de confessar que não muitos, sendo que, se até o meu endereço o sabem é de certeza através do cabeçalho do blog. Mas adiante, como sou educado a todos (poucos, como disse) respondi, agradecendo o interesse mas que de facto não sou nenhum jornalista conhecido. Melhor dizendo, não sou nenhum jornalista. E apesar de ter sido director de uma revista de grande expansão nacional, que no tempo em que estive à frente da mesma tirava mais de 100.000 (cem mil, sim) exemplares, só o era por inerência da minha situação profissional, sem que para isso fosse necessária qualquer carteira de jornalista. É verdade que também colaborei como cronista num jornal on-line brasileiro – escrevendo em português de Portugal, e esta hein? – e, quer num caso quer noutro, sempre constava o meu nome de baptismo e nunca qualquer pseudónimo ou nickname. Fica aqui o esclarecimento e também cumprida a promessa de que hoje não iria falar de mim.

- O quê, filha? O termómetro? Ah sim já me estava a esquecer. 38,5ºC porquê, é muito?

E continuamos a actualizar os monólogos

domingo, janeiro 18, 2009

1343. Foi há 25 anos


Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos morreu há 25 anos, no dia 18 de Janeiro.

1342. Obrigado. Eu gosto muito de vocês.

Por muito que outros o reinvindiquem, não há nesta blogosfera melhores comentadores do que os comentadores do meu blog. Eu sei que a alguns custa-lhes ouvir (ler) isto, sei sei, já ouvi alguém dizer o mesmo noutros blogs, mas estão redondamente enganados. Vocês que aqui vêm são mesmo as/os melhores comentadores do mundo. Querem um exemplo? Só este, como símbolo de todos vós, de quem gosto do fundo do coração. A Lisa do blog Fardilha's deixou-me este comentário no post anterior. Leiam e digam-me cá se vocês são ou não são mesmo as/os melhores comentadores do mundo!

Os Homens e a gripe….

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

adenda: autor - António Lobo Antunes (informação da própria Lisa)

sábado, janeiro 17, 2009

1341. Pessoal mas transmissível

Peço desculpa a todos por hoje trazer aqui um caso absolutamente pessoal.

Estou com uma gripe do caraças!

(transmissível)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

1340. Publicidade

O JC(*) do blog break(it)fast e eu estamos a escrever a duas mãos aqui neste blog. Cada um monologueia estreitando o diálogo ou como quem diz, uma mão lava a outra. Se sair novela saiu se não sair que nos divertamos. E contamos convosco, claro, para incorporarmos dicas. Ide até lá.


(*) O JC é meu filho.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

1339. Às terças... (todos os dias são bons para serem terças-feiras)


Poema da lembrança

Lembram-me as calmas águas do Guadiana e então frias
Te acalmavam a rubra cor em áurea tez.
Lembram-me as cobras de água que o medo
Pretexto não era que para fugirmos de olhares mil.
Lembram-me as longas viagens ao poço e lembrança tenho
Das pequenas enfusas que nunca mais o tempo enchia.
Arquivo na memória estrelas cúmplices e luares
Silenciosos, que só no Monte resplandecem e que
Nos prateavam desejos.
Guardo a recordação dos dias abrasadores e nós
Em fresco quarto onde diáfana cortina transformava as silhuetas.
Dissimulação de sono.

E de carinho fazíamos os dias.
E eu, dono e senhor daquela paisagem de ébano
Que a púbis povoava na tua pele dourada.

PreDatado©2009
Foto: Michał Tokarczuk via
Imagens

quarta-feira, janeiro 14, 2009

1338. Apelo

(É a minha forma de solidariedade Zé)


Agradeço a todos os meus leitores e leitoras, que leiam o apelo feito pelo nosso amigo Zé do blogue Apenas + 1. Não se trata de nenhuma daqueles apelos que circulam nos e-mails e que normalmente desconhecemos a origem. Leiam e se por acaso puderem de aguma forma dar uma ajuda o Zé tem lá o e-mail dele. É só clicarem no link. Obrigado.

1337. Ainda o famigerado Acordo Ortográfico...



(... ou mais petróleo no fogo)

Hoje deixo-vos a digitalização de duas páginas de um livro editado em 1905. Se quiserem ampliar é só clicar na imagem. Vejam os “Acordos” que já tiveram de ser aplicados para chegarmos à actual (atual) ortografia. Ou se não Acordos, então Decretos. E não escrevemos como em 1905, pois não?
Já agora, por curiosidade o livro chama-se “Palavras Cínicas” (que com o novo Acordo se poderá editar como “Palavras cínicas”) e é de Albino Forjaz de Sampaio.

terça-feira, janeiro 13, 2009

1335. Revisitando o (esquecido?) acordo

Hoje, o acordo ortográfico (reforma ortográfica como se designa além-atlântico). Tenho recebido imensos e-mails de amigos e amigas do Brasil preocupados com a reforma ortográfica. Parece que por lá toda a gente já assumiu que essa reforma é para valer e vejo alguns blogs começarem a usar as novas grafias. Os jornais e os sites de referência publicam resumos compreensíveis das alterações e há até quem se dedique a escrever alguns versos em forma de mnemónica. Por cá, niente. Já ninguém fala nisso. É para aplicar ou não é? Quem tem filhos no básico que me informe ou quem seja professor do Ensino Básico aqui em Portugal e leia o PreDatado que me digam se já se começou a aplicar nas escolas. É que vejo tudo tão caladinho que não faço a mínima ideia. E não é uma questão de se estar ou não de acordo (incluo-me naqueles que têm muitas reservas em relação às alterações aprovadas) com a reforma que ela não deva ser feita. Se se aprovou é para aplicar. É preciso não esquecer que muitos de nós, os que aqui escrevemos e os que aqui lemos, aprendemos a escrever gaz em vez de gás e a acentuar graficamente os advérbios de modo, coisa que hoje em dia não fazemos e vimos os nosso pais escrever pharmacia, nomeadamente a nossa mãi (não é erro era assim mesmo que se escrevia mãi no tempo dos nossos pais). Se é para ficar, então que se aplique. Eu por mim, irei tomar em atenção as alterações e daqui para a frente tentarei seguir a nova grafia. Vai ser cá um enjoo (viram, viram, sem circunflexo?).

PS. Aqui o vosso amigo já passou dos cinquenta. Durante vários anos sempre que lhe era pedido o nome vinha a inevitável pergunta, Com c ou sem c? Hoje muito menos, mas há ainda quem o escreva sem o acento agudo no i. E isso é um erro de ortografia. Felizmente também caiu em desuso a palmatória.
PPS. Sou danadinho pela polémica, não é? Mas prometo que hoje irei responder a todos os vossos comentários. "Bora" lá?

segunda-feira, janeiro 12, 2009

1334. Pombos

Em boa verdade ter-vos-ei de dizer que nada em particular me liga a pombos. Lembro-me, ainda assim, na minha infância, de o meu pai e outros vizinhos terem uns pequenos pombais, lá no pátio onde vivíamos e da tia Gracinda fazer um arroz de borrachos que, dizem, era de estalos. Mas disso só tenho uma vaguíssima ideia. Lembro-me ainda do meu tio Domingos Couto e do seu irmão Zé Couto, respectivamente guarda-redes e ponta esquerda, primeiro do Pedreirense e depois já do Almada Atlético Clube quando da fusão com o União Almada, nos idos anos 40/50 do século passado, terem pombais de fartos e campeões pombos-correio. Diziam até que o Zé Couto era um dos maiores columbófilos de Almada e eu pequenito, no Altinho, a ver chegarem os pombos vindos de outras paragens. Já nem sei se disto me lembro de ter visto ou de ouvir contar. Alguns anos depois, já na adolescência, para mim “borracho” era aquela miúda lindinha de saias curta, cabelos compridos e olho castanho brilhante (e outras que não posso dizer, não vá ela ler isto) e de pombos pouco mais tenho a falar que das cagadelas que me deixam o carro miserável. Falarão de outros perigos e doenças várias os especialistas urbanos, nomeadamente os que cuidam do património arquitectónico mas nessas andanças não me apanham a mim que sou um leigo na matéria. Entretanto, os meus gatos fazem agora o favor de darem eles a necessária atenção aos pombos que pousam aqui ao lado, no telhado do vizinho, rilhando os dentes através da vidraça, como se dissessem, Ai se eu te apanho. Apesar destes pombos de telhado serem os mais familiares, aqui pelas minhas bandas ainda há quem se dedique à Columbofilia. E é ver os bichos, que de facto reconheço de bonita plumagem, em voos de treino para uma qualquer competição de um destes dias. E foi nestas andanças que captei a sequência de fotos, que fica mais bonita se clicada para ampliação, que vos mostro de seguida. O voo, a curva, a inversão, a retoma. Gostei. Espero que gostem também.






















sábado, janeiro 10, 2009

1333. Era para ter sido um post


clique para ampliar





- Estás mais velho – atirou-me mal me aproximei dele. Nem sequer me deu os Bons Dias.
- Quem eu? Claro, tenho mais um dia. – Respondi-lhe, pagando-lhe com a mesma moeda, isto é, sem o cumprimentar.
- Não falo disso, acho-te mesmo mais velho. – Insistiu, sem dó nem piedade.
- Porquê tamanha barbaridade? – Já me estava a sentir enfastiado. Não é que não encare bem este tipo de observações mas, vindo de quem veio, achei estúpido.
- Estás todo branco – disse-o, desta vez meio intimidado com a minha expressão facial.
Saiu-me uma sonora gargalhada e soltei:
- É neve!

(o meu espelho nem reagiu; a palavra é completamente nova para ele; acho que estava a dormir quando há dois anos nevou por aqui depois de mais de 50 sem cair um farrapinho)

PS. Ao contrário do costume, este diálogo com o meu espelho foi completamente inventado. Todos os meus leitores e as minhas leitoras sabem que não costuma haver a mínima ficção nas conversas com o meu espelho. Mas desta vez o tempo pregou-me a partida. Parece que nevou em quase todo o país mas na minha cidade, embora estejamos com 2 grauzitos, brilha um sol radioso.

Foto: João Capote. Chalet Les Diablerets, Suiça

1332. Premiado


O PreDatado foi de novo atingido por um dardo o que me deixa assim a modos que babado por tanta gente gostar deste espaço e a ele fazer referência.

Desta vez foi a Danny Doo do blog http://duartehouse.blogspot.com/

O meu muito obrigado à jornalista e blogger paulista mas flamenguista, Daniela Duarte pela lembrança e distinção.

Já agora relembro o que o tal dardo diz como sua justiça:
"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, étnicos, literários, pessoais, etc. Que em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."

Era pressuposto que eu agora “dardeasse” mais um conjunto deles, creio que 15. Como este é pelo menos o terceiro dardo que recebo acho que já terá dado várias voltas à blogosfera de língua portuguesa. O que em principio já não justificaria uma nova nomeação. Mas não é por isso que eu não o faço. Se vocês reparem na minha coluna da direita há mais de 15 blogs ligados, se vocês visitarem o meu perfil, além dos que estão à direita há mais uns quantos que sigo, se vocês tivessem acesso (queriam?) aos meus favoritos do ie e aos marcadores do firefox veriam quantos mais blogs eu leio. E me sentiria tão injusto escolher 15 no meio deles. Portanto amigos, minhas visitas diárias e meus visitados/as diários considerem-se por mim atingidos com este dardo. Porque vocês merecem.

PS. Dizem que o Pre é um gajo politicamente correcto. Eu cá não acho.
PPS ou as coisas que eu sei em latim. Espero que a Danny Doo não se chateie por eu ser mais Vascaíno, não? (lá se foi o politicamente correcto).

sexta-feira, janeiro 09, 2009

1331. O direito ao palavrão


Coisas que me chateiam nos blogs

Blogs maravilhosos no seu conteúdo que gosto à brava de visitar mas que insistem em escrever branco sobre preto. Saio de lá com uma dor de olhos que às vezes só me apetece dizer um nome feio. Mas depois não digo porque gosto do conteúdo. E alguns dos autores até são meus amigos. E o Pre é bem educadinho. E púdico.

Ler um comentário com pinta num blog que visite e achar que o/a blogger tem, classe. Clicar no respectivo link e deparar-me com “este blog está reservado a convidados”. Então porque é que deixam o link no geral? Fico fodido, caraças. Olha, disse um palavrão.

A cena dos feeds da blogger.com ou lá como é que isso se chama. Quantas vezes deixo de ler um blog porque não tenho informação de que foi actualizado. Depois vou lá dois dias depois e fico chateado. É claro que fico chateado. Viram? Chateado não é palavrão.

Um gajo às vezes quer copiar uma frase ou uma foto para citar no nosso blog. É honesto não usar o que não é seu, eu concordo, mas concordo também que se for feito referenciando e até publicitando é uma mais-valia para quem escreve. Mal de todos nós se tivéssemos de pagar direitos de autor cada vez que citamos. Era uma roda-viva e um círculo vicioso. Até os prémios Nobel, citam. Pois há blogs que protegem os textos ao botão direito do mouse. Além de tudo é estúpido porque marca em cima shift marca em baixo, ctrl C e ctrl V e já está copiado. E o drag and drop, alguém já ouviu falar? É outra merdice que me chateia, pronto! Merdice é palavrão light, não é?

Há mais mas depois digo.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

1330. Histórias de viagens (ii)


O dia em que eu ladrei

Estava um dia bonito. São sempre bonitos os dias que se aproveitam para ir passear a terra ao fim de algumas semanas, às vezes meses, embarcados em alto-mar. Desembarcamos ao largo de Algeciras que é um lugar onde, praticamente, com uma torção de pescoço nos dá para vislumbrar Marrocos, a Espanha e a Inglaterra. Pois claro a Inglaterra, já que Gibraltar faz jus a que a que dos ingleses nunca se lhes fale do Império. Não sei mesmo se é o único país imperial do mundo a quem nunca ninguém se refere como imperialista. O célebre pinhão é, para além disso, um belíssimo monumento natural. Conseguia-se, à época desta história, vislumbrar-se facilmente o movimento de vai vem de contrabandistas e polícias, de tráfego clandestino de pessoas, de clandestinos traficando coisas, de coisas à espera de serem compradas em clandestinas lojas, que os marujos conhecem como a palma da mão. E era, por isso, também uma cidade típica de compras. Compras a que se não dispensa nenhum embarcadiço já que a bordo não há onde gastar o dinheiro a não ser que se entretenha a jogar à batota.

Tinha, sempre tive e ainda tenho, um pequeno senão com os cães. Acho-os uns bichos maravilhosos mas tenho um medo atroz de cães. Eu diria pavor. Alguns há que, ainda que a uma distância considerável, me provocam subidas incontroláveis de adrenalina de modo que quem fica incontrolável sou eu com os nervos completamente à flor da pele. É mariquice, dirão vós e eu aceito, até porque quando ganho confiança com os simpáticos bichos sou mesmo capaz de lhes fazer festas, brincar com eles, criar uma quase relação de amizade. Mas, na generalidade, quando os vejo na rua, atravesso a estrada e vou passar pelo passeio do lado contrário.

Estava a contemplar Algeciras, junto ao mar, tão ledo e tão quedo, esperando a lancha que me haveria de devolver ao navio, orgulhoso das compras que tinha feito nas lojas de contrabando, de certo coisas que não me faziam falta nenhuma mas pelo menos tinha agido como bom embarcadiço, eis senão quando, a uma velocidade tal que se fosse cavalo diria que vinha a galope, o bicho a correr para mim. Fiquei na dúvida se seria um cão ou uma pantera, um tigre ou um puma, um leão ou um leopardo, Ai meu Deus desta é que é, disse-o quase a rezar, o bicho era bravo, não me conhecia, talvez eu estivesse a invadir um território de sua vigilante responsabilidade, ladrando tão estrondosamente que parecia que uma trovoada se estava a abater sobre a minha cabeça. Não há fuga possível, não me posso atirar ao mar não vá dar cabo das compras todas, pensei, Estou perdido, voltei a pensar, a adrenalina no máximo, a boca do animal bem aberta, a minha perna à distância de um pulo, de um palmo, de um centímetro. Eu ladrei tão alto, tão alto que o bichano se assustou e tão veloz se aproximou como deu meia volta e se foi. Eu ladrei, o cão fugiu, eu tremi. Eu não cheguei a ficar em estado de choque. O cão, talvez!

Foto encontrada neste site, e reproduzida com a devida vénia.

PS. Enquanto pesquisava algumas fotos na Web deparei-me com um interessantíssimo blog sobre navios. Para quem for interessado nestas coisas do mar, aqui fica o link. Encontrei também, provavelmente as únicas, fotos do N/T Neiva onde embarquei em 1979. Não as pude reproduzir aqui por estarem protegidas. No entanto aqui fica também o link,

quarta-feira, janeiro 07, 2009

1329. Hoje é para falar mal do sistema

Eu só vou tentar explicar para ver se se entende. Se vocês não entenderem, sendo vocês inteligentes, com toda a certeza do mundo a EDP também não o vai conseguir pois com esse predicado eu não os consigo catalogar.

Eu possuo 2 apartamentos no mesmo prédio. Por acaso no mesmo prédio e ainda por mais acaso, contíguos. Até poderiam não ser. Tenho por isso (já desenvolverei este ponto) dois contratos com o meu fornecedor de energia eléctrica, EDP. Ambos os contratos em meu nome, com o mesmo Bilhete de Identidade e com o mesmo Número de Contribuinte. Quantos clientes sou eu, quantos? Dois! Começam a perceber porque é que eu não os consigo classificar de inteligentes?

Em qualquer dos contratos optei pelo débito fixo mensal com acerto uma vez por ano. Ou seja a EDP apenas emite, para cada contrato UMA factura anual. Pois a EDP propõe-me agora a adesão à factura electrónica. Até aqui tudo bem. Eu sou muito ecológico e aderi. Comigo a EDP vai poupar 2 folhas de papel A4 por ano, pois a factura que me mandava para cada um dos contratos, anualmente, deixará de vir. Entretanto, para que eu aceda à(s) minha(s) conta(s) a EDP gera um código de acesso e uma password provisória, que comunica, por escrito e não para o e-mail fornecido. E como para a EDP eu, que tenho dois contratos, embora com o mesmo BI e com o mesmo NC, sou dois então atribuem-me dois códigos de acesso e duas palavras-chave. Logo enviam-me DUAS cartas a informar desses códigos e, assim, eu terei de duplicar os procedimentos na internet para aceder à minha conta. Mentira, às minhas contas porque à EDP nem lhes passa pela cabeça o conceito de cliente. Para eles há o contrato, o cliente é um ser menor que só serve para pagar. Mas, os sistemas informáticos, que por acaso são geridos pelas pessoas da EDP, às quais eu não consigo atribuir o adjectivo já referido, teriam forçosamente também de funcionar mal. Está-se mesmo a ver! E não é que me enviaram as cartas em duplicado? Pois foi. Na verdade já gastaram, se tivessem cabecinha para pensar, o papel correspondente a quatro anos de facturas.

Finalmente, quando acima falei que voltaria a um tal ponto, é o seguinte. Porque é que é, no mesmo edifício, um cliente (se existisse para a EDP, não é?) tem de ter dois contratos só porque tem duas fracções? Seria bem fácil fazer a distribuição a partir de um só contador. Porque por um lado a EDP não sabe o que é um cliente e por outro, sabe muito bem receber em duplicado a taxa de potencia contratada e a taxa de exploração DGDE. Já para não falar que os gajos do Simplex, ou lá como é que se chamam os tipos que nos governam, se abotoam duas vezes com a contribuição do áudio-visual e com o IVA. É tudo a gamar e mainada!

terça-feira, janeiro 06, 2009

1328. Às terças...
















Tempestade


E queria que fosses uma flor.
E que te abrisses em pétalas douradas,
E que o vento te beijasse ao bater-te
E que no beijo te derramasse polén.

E do polén flor fecunda, florisses.

Não, não és. És mulher.
És mulher feita amor
E de pétalas feitas abertas de amar.

E no amor
E no amar
E no amar de amor
Unimo-nos num sopro,
Em um só corpo, o nosso sopro de prazer
E de amor.

E em ti derramo o polén
Num cálice
Num copo
Num vaso
De embriaguez luxuriante.

PreDatado©2008
Foto: PreDatado

Repost de Abril de 2008 (no PreDatado e no Ante-et-Post) para as novas leitoras e para os novos leitores que têm chegado ao meu blog.

domingo, janeiro 04, 2009

1327. Porque hoje é Domingo ou de como eu não me tornei craque da bola


Tinha eu acabado de fazer 17 anos nesse Verão em que fui assistir a mais um treino de captação, onde iria pontuar o meu irmão Carlos, tipo afoito e corajoso, que voava como um gavião quando uma bola lhe surgia pelos ares ou rastejava feito jacaré mas com a agilidade de um felino quando era necessário ir ao chão roubar a bola nos pés do adversário. Tinha a mania de que era guarda-redes e era-o mesmo. E dos bons.

O Carlos é mais novo do que eu sendo que, eu próprio, aos 17 anos, já não teria idade para prospecções / captações. Disso mesmo informei os, à época, membros da equipa técnica juvenil do Sporting, Osvaldo Silva e Hilário, e ainda de que a minha presença ali era apenas para assistir ao treino do meu irmão. Isso não foi do agrado dos ditos técnico pelo que ou eu me equiparia e seguia com os outros para o campo ou teria de ir embora pois os treinos de captação não tinham público. Assim, mais ou menos contrariado, vesti um equipamento, calcei umas chuteiras e lá fui “com a turma” como se referia à malta o brasileiro e malogrado Osvaldo Silva.

Antes do início da pelada coloquei-me estrategicamente na bancada dos “excedentes”. Aos poucos, por períodos de 5 minutos iam sendo mandados para o balneário aqueles que a dupla técnica achava que não serviriam para continuar a observação. Quando chegou a minha oportunidade saltei para o campo e joguei cerca de 1 hora. A ponta direita. No final do jogo, fui chamado à presença dos dois senhores que me disseram, Tu ficas, estarás cá no dia tal às tantas horas para o segundo treino. Fiquei, obviamente, babado.

Mas houve, há e, creio que já não tem cura portanto, haverá sempre nas minhas tomadas de decisão um dilema entre a razão e o coração. E se por um lado hoje eu poderia figurar nalguma dessas galerias de notáveis do pontapé na bola, a verdade é que um fanático BENFIQUISTA não poderia, sob pena de trair o seu Coração, envergar uma camisa às ricas verde-brancas dos lagartos. E logo aí a decisão ficou tomada. Não voltaria.

Mais tarde ainda tentei o meu ingresso no Almada, clube da minha terra. Mas estava lá um tipo à frente dos jovens, de que obviamente hoje ninguém sabe o nome, que se achou mais conhecedor que o Hilário ou o Osvaldo e me pôs na cabine ao intervalo. E até poderia ter sido um daqueles meus maus dias, quem sabe, mas foi o suficiente para eu nunca mais pensar na bola a sério. Ainda assim dei os meus toques até aos 45 anos, altura em que uma teimosa dor ciática apenas me permite ver o futebol na bancada.

Foto do Rui Costa: infelizmente não sei de quem é, encontrei na net sem referências ao autor

sábado, janeiro 03, 2009

1326. Eu e os meus PSs

Eu e os meus PSs nada tem a ver com o partido político que ostenta esta sigla. Esta, que em latim se diz Post Scriptum é mais antiga que aquele e mesmo que o não fosse em termos de utilização tê-lo-ia sido em termos de criação. E apesar do segundo governar com maiorias absolutas que o método do Sr. Hondt lhe confere, muito maior é a maioria daqueles que escrevem e utilizam o primeiro para os fins, provavelmente, similares aos que me fazem utilizá-lo. Pois cada PS meu é usado, normalmente, em duas circunstâncias distintas sendo que se outra circunstância houver a adicionar a estas não serão apenas duas mas serão tantas quantas as que da aritmética dos números resultarem. Essas duas que passo a explicar brevemente para não vos enfastiar de texto que enfastiados andareis pela certa com tanta comezaina de Natal e Ano Novo, para não falar que ainda faltam os Reis e dos respectivos acompanhamentos líquidos que não escassas vezes vos obriga aliviar de joelhos no chão, rabinho içado e cabeça enfiada na sanita ou vaso como lhes chamam os meus amigos brasileiros. Mas adiante as razões serão então, a primeira para completar um texto com um assunto que ainda lhe pudesse ter respeito mas que se desenquadraria da prosa cortando-lhe a sequência, pelo que é melhor tratar mais tarde, sendo que esse tarde acaba por resultar num PS e a segunda, a que mais vezes utilizo é para complementar um texto com uma ou outra nota que lhe não dizem em absoluto respeito mas que não deverão perder a actualidade, quer isto dizer aproveitando o balanço do escriba e o momento de o dizer. Está neste caso o PS ontem escrito sobre o 5000º post do Praça da República que como era bom de ver não se enquadra não só no texto que o precedeu mas também, e principalmente, na imagem com que o ilustrei.



PS. 1. Escrevi um texto atrevidote para o blogue Ménage a Quattre onde colabora a minha amiga blogger e escritora Mirian Martin, Senhora também do Caldeirão da Bruxa. Até ao momento não teve nenhum comentário nem positivo nem negativo e eu não gosto de indiferenças. Portanto é lá ir e mandar palpites, ok?
2. A foto de hoje não é a de nenhum militante (pelo menos mediático) do PS mas sim para ilustrar este PS. Por protesto de várias leitoras, a Nanny, a Teté, a Mirian e outras que talvez se tenham esquecido de o fazer a que o Pre só arranje calendários com gajas… aqui vai!
3. Se o Presidente da Câmara do Seixal ou se algum seu assessor ler este blog (o mais certo é que não), informo-vos que desde que, à boa maneira das empresas capitalistas, iniciaram o downsizing da vossa Câmara com o outsourcing da limpeza das ruas, que a merda de cão cresceu exponencialmente na minha praceta. Ainda ontem borrei um sapato todo.



Imagem: calendário FOCH

sexta-feira, janeiro 02, 2009

1325. A seu tempo e sem tempo!


I. Ainda a mensagem de Ano Novo do Sr. Presidente da República. Para além de ter afirmado que iria falar verdade aos portugueses o que, para que tenha valido a pena a frase, deverá significar que os outros políticos não o fazem, disse também, entre outras, uma coisa que refuto de muito importante. Disse o Sr. Prof. Cavaco Silva que há oito anos que nos atrasamos sistematicamente dos restantes países da Europa. Ora, tendo em conta que, nos últimos oito anos estiveram à frente dos destinos económico/financeiros dos nossos governos Manuela Ferreira Leite, Bagão Felix e Teixeira dos Santos, devidamente avalizados por Durão Barroso, Santana Lopes e José Socrates, não deveriam estes senhores e senhora virem à televisão e aos jornais dizer que afinal o PR não falou verdade ou, o que me parece de facto que deveriam, virem publicamente pedir desculpa aos portugueses? Isso sim seria digno. Até porque eles não gostam nada que se diga que os políticos são todos iguais.


II.
Wowwwww!!!!! Finalmente um primeiro lugar. Já não era sem tempo caramba. Andamos sempre nas caudas das estatísticas. Lanternas vermelhas crónicas nas classificações europeias. Ah, mas desta vez não! Primeiríssimos e mainada! Primeiro lugar em assaltos em 2007. Já não era sem tempo, hein?



PS. O João Espinho, fotógrafo e blogger e outras coisas não menos importantes, entre elas o de ser meu amigo, já editou 5000 posts no seu Praça da República. É obra que não está ao alcance de todos. Muitos parabéns!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

1324. Um pequeno post onde se fala de calendário e champanhe...


Bem sei que ainda não passaram 24 horas do novo ano mas, bem vistas as coisas, um dia já lá vai e só faltam 364 para voltarmos a abrir o champanhe naquela euforia típica das viradas. Não quer dizer que se não abram garrafas desse delicioso líquido durante o ano e eu quero, este ano, abrir umas quantas. Ir-vos-ei informando de cada uma delas, sempre que se justifique e a ocasião o mereça e, convidá-los-ei, a vós amigas leitoras e a vós amigos leitores, a brindarmos em conjunto. Tenho a certeza que os laços que aqui se criam, embora de cada um de vós, na grande maioria, eu não conheça mais do que o nickname (salvo raros privilegiados – biunivocamente falando – dos quais já nos aprazemos conhecer), nos permitirão juntar, solidários, nesses momentos de comemoração. Mas cada coisa a seu tempo que agora é hora de recomeçar a contagem decrescente para festejarmos a entrada em 2010. Até lá que Viva 2009!


Foto Calendário Pirelli inserta algures em vários locais da internet

quarta-feira, dezembro 31, 2008

1323. E... tchin tchin


E saúde!
Saúde, principalmente saúde!
E paz!
Paz, principalmente paz!
E dinheiro!
Dinheiro, principalmente dinheiro!
E sorte!
Sorte, principalmente sorte!
E sexo!
Sexo, principalmente sexo!
E amor!
Amor, principalmente amor!
E bubida!
Bubida, principalmente bubida!
Com sexo e bubida!
Sexo e bubida, principalmente sexo e bubida!
E Lóve!
Lóve, principalmente sexo!
E dinheiro!
Dinheiro, principalmente sexo!
E saúde!
Sexo, principalmente sorte!
E bubida!
Sexo, principalmente 2009!
FELIZ ANO NOVO! 2000 e nove e lóve! e Sexo!

terça-feira, dezembro 30, 2008

1322. Às terças...


Saudade

Quando tu não estás,
Nem sei. Fico assim
No desespero da espera…

Riscando fósforos em lixa gasta,
Enfumando os céus de raros odores
Alisando pedras que os meus pés calqueiam
Transportando o pensamento para além do cônscio
Ensimesmando-me .

Saudade.

Mas quando te vejo ao longe
Afogo canículas em brisas de desejo.


Versos de PreDatado©2008
Foto de Victor Ivanovski

segunda-feira, dezembro 29, 2008

1321. Duplos sentidos


- Pára!
- Que foi?
- Estou com medo
- De quê? Dos disparos?
- (…)
- Isto é só uma máquina fotográfica.
-(…)
- Um auto-retrato, entendes?
- Tenho medo, já disse…
- Maricas!
- Tenho medo de ficar mal na fotografia.

(O meu espelho tem destas tiradas mas eu não corroboro os seus receios; ele é um menino muito bem comportado)

domingo, dezembro 28, 2008

1320. Cena 437


Cozinha, em arrumação depois de fausto jantar. A máquina da loiça está aberta, a Dona da Casa pega num garfo de 3 dentes e inicia a sua colocação no suporte de talheres da própria máquina. Esta, a máquina, irá ser provida de detergente e abrilhantador de cristais. A marca dos mesmos não é dita pelo narrador desta cena, uma vez que nesta cena não entrará o narrador, pelo que é pressuposto se tomar conhecimento da mesma, da marca, ora bem, durante as filmagens onde se fará um close-up ao rótulo da caixa aparecendo o frasco do abrilhantador de cristais em segundo plano, ligeiramente desfocado, mas cuja silhueta dará para que o espectador se aperceba do patrocínio. O garfo de três dentes apresenta um ar de angústia, além de ligeiramente engordurado, que transmitirá durante toda a cena. Chegará mesmo a dar alguma entoação mais indignada falando em voz bem alta, tanto quanto é normal um garfo de três dentes falar e ter variações de voz. A Dona de Casa, também desde o início da cena, apresenta-se com um ar comprometido, quiçá algumas vezes irritada quando confrontada com os argumentos do garfo de 3 dentes. Escusado será dizer que todo este diálogo se produz, antes da Dona de Casa fechar a porta da máquina de lavar loiça e carregar no botão On do programador de lavagem a 65 graus.

Garfo de 3 dentes (Gd3D) – Diz-me o que foste fazer a Lisboa?
Dona de Casa (DdC) – Nada que te diga respeito.
Gd3D – Não me queres contar, não é?
DdC – Não tenho nada para te contar.
Gd3D – Foste ter com ele, eu sei!
DdC – Estás a delirar. Nem sei do que estás a falar…
Gd3D – Estou a falar dele e tu sabe-lo bem.
DdC – Mas eu nem sei se…
Gd3D – Não te desculpes, está farta de mim!
DdC – Não meu querido, Eu amo-te como nunca amei nenhum outro garfo de 3 dentes.
Gd3D – Dizes isso pelo teu amor a Espanha e não a mim, tenho a certeza.
DdC – Não sejas tonto. Tonto e ciumento! Esquece o caso, vá lá, não te atormentes.
Gd3D – Esquecer? Como é que posso esquecer? Além de tudo é uma afronta. Diz-me é mesmo ele?
DdC – Ainda não tenho a certeza. As únicas coisas que me apresentou foram uns púcaros e umas travessas de inox.
Gd3D – Eu sabia (deixou cair uma ligeira lágrima de gordura - olha afinal sempre havia narrador). Eu sempre desconfiei que te tinhas ido encontrar com esse vendedor depravado.
DdC – Vou-te confessar. Ele não tinha com ele nenhum talher completo.
Gd3D – É agora que me vais substituir por um garfo de 4 dentes não é? Eu bem devia ter desconfiado quando me adoptaste lá naquele restaurante de Talavera La Reina (aqui cabe ao narrador, que aparece pela última vez, dizer que aquele garfo de 3 dentes tinha sido roubado de um restaurante fino, pelo Chefe de Família depois de ter bebido uma garrafa inteirinha de um Valedepeña, rojo, de estalo mesmo, a acompanhar umas choletas de cochinillo al horno). - Eu sabia que toda aquela conversa com o teu marido de Devolve o garfo e tal, era só para espanhol ver e que, quando por fim não conseguiste vergá-lo e me decidiste adoptar não te irias acostumar com um garfo de 3 dentes.
DdC – Deixa-te disso, deixa-te de lamúrias, afinal nós não costumamos comer tortilla de patata nem calamares a la romana, mas sim esparguete com panadinhos de porco e dobrada com feijão branco. Bem vez que um garfo de 3 dentes não tem vocação para tais pitéus.
Gd3D – (resignado) – Fecha essa porta vai, fecha essa maldita porta da máquina que eu quero tomar um banho e depois dormir descansado na gaveta de cima. Bruxa! (o narrador não cumpriu a palavra de ter sido a última vez que interveio, um pouco mais acima, pois tinha de retratar este estado de espírito, de resignado, do garfo de 3 dentes que até se atreveu a chamar Bruxa à Dona de Casa).

PS. 1 - Este diálogo, se houver necessidade de encher chouriços na elaboração do resto da novela, pode ser prolongado por vários minutos. 2 – Qualquer semelhança entre esta cena e uma cena de uma qualquer novela actualmente a correr na TVI é pura coincidência.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

1319. Histórias de Viagens (i)


Tinha ido duas vezes a Paris para reuniões de trabalho quando no regresso de uma, chamado pelo meu patrão para que lhe fizesse o balanço e conclusões da viagem ele me perguntaria o que tinha eu achava da sua cidade. Respondi-lhe que com grande pena minha teria de responder que o aeroporto era interessante, o hotel óptimo, o jantar delicioso e a sala de reuniões, quente. Quando à cidade-luz, propriamente dita, eu não tinha opinião pois que mais não vislumbrei que ténue eifeliana silhueta pelas foscas janelas do táxi, ademais que nesta última visita chovia água, como diz o povo que é sábio nestes dizeres, que Deus a dava. Levei logo ali uma espécie de reprimenda como se tivesse sido ofendido e de ‘castigo’ estaria eu, desde já que o homem não era de adiar assuntos, intimado a não voltar a Paris sem tirar uns dias, que com muito prazer a empresa me ofereceria para visitar e conhecer um pouco melhor Paris. Refeições, deslocações (se bem que andei que me esfalfei a pé) e entradas em locais culturais (moulin rouge não incluído), também seriam oferta. É assim que viajo de facto, sendo a terceira, a primeira vez a Paris com olhos de ver sendo que o trabalho funcionou apenas como pano de fundo. E foi também aí que me dei conta de duas coisas que se viriam a confirmar por mais uma boa dúzia de outras cidades que visitei, que há portugueses espalhados por tudo quanto é cantinho do mundo e que eu tenho olho, dizem que de lince, para os detectar sem que outro indício me seja dado. Se bem que em Paris não seja nenhuma oxaria encontrar um português ou dois ou até três, a verdade é que entrando numa linha de metro e ficando às tantas incerto se teria tomado a boa direcção, dirigi-me a dois casais de adolescentes que encontrei no cais e perguntei em português como se estivesse a caminhar por uma rua de Almada (aqui sim com grande probabilidade de me dirigir a um ucraniano), Esta é a direcção certa para a catedral de Notre Dâme?, É esta mesmo meu caro senhor, também em português. E como complemento ainda tive de agradecer mais algumas informações turísticas que os jovens me deram em português com sotaque parisien.

PS. O PreDatado escreveu várias destas histórias de viagens no falecido blog colectivo "ante-et-post". Irão ser aqui reproduzidas algumas delas em companhia de novas histórias, tal como é o caso de hoje, que nunca foram passadas a blog.

foto de PreDatado

segunda-feira, dezembro 22, 2008

1317. Ele está à porta, ai está, está...




Continuando na senda da internacionalização do PreDatado venho informar-vos que amanhã não publicarei o meu habitual post das terças-feiras. Oooooooohhhhh , de decepção, estão todos neste momento a exclamar em coro, mas com sotaque inglês, uma vez que o Pre está a fazer o tal esforço para ser conhecido em todo o mundo. Meus amigos e minhas amigas leitoras que é como quem diz Ladies and Gentlemen ou até mesmo Damen und Herren, não traduzi o leitoras e leitores como já devem ter percebido. Estamos em período natalício e todas as louvas devem ser endereçadas a Jesus e Maria, sua mãe, pelo que não ficaria bem aqui um poema de amor a Maria minha mulher que se lembrou, e em boa a hora o fez, de parir em Maio e Fevereiro pelo que este não é seguramente o mês dela. Se bem que para mim seja todos os dias Natal, Noel, Christmas, Navidad e até Πόλη, devemos deixar que pelo menos este dia 25 seja dedicado à Santíssima e a seu glorioso filho, Jesus.
Tenho também a informar-vos (e a mim próprio para memória futura), que este ano terminei as minhas compras de Natal, no que a presentes diz respeito, pois o bolo-rei, os sonhos, as azevias, as broas castelar, os coscorões só os comprarei na véspera, dizia eu, terminei as compras de Natal a vinte e dois do doze pelo que a chamada lufa-lufa (será lufa-lufation em inglês?) de última hora não baterá nesta porta.
Assim para que se prove que não estou a mentir deixo-vos com o meu sapin de noel ou até mesmo com a minha christmas tree e se não for exagero e não se enfadarem também com la arbole de navidad (i.e. Різдвяна ялинка), com os ditos cujos (presentes para a família) à volta da mesma e obviamente desejando a vosotros, to you, à vous, till dig, aan u, e a todos vós minhas querida e meus queridos, um FELIZ NATAL!




PS. Eu também sou engraçadinho sem renas, não sou?

sexta-feira, dezembro 19, 2008

1316. Chuteiras


três crises na ordem do dia, em Portugal. A primeira é a chamada crise financeira, que em Portugal poderia ter o nome de “Os 3 indomáveis patifes” , sendo que três é um eufemismo pois eles, gestores, são muitíssimos mais, mas os bancos bpn, bpp e bcp são três (até ver), os que estão envolvidos nas mais diversas patifarias. Deste assunto não vou falar, ele, e bem, está a ser tratado pelos nosso governantes, com dinheirinho fresco, nosso é claro, para satisfação dos ricos. Se há coisa que sócrates não quer ver irritada são os ricos. Ponto. A segunda é a crise dos partidos, ele é no cds demissões em massa e contestação ao líder que acaba sempre por ganhar (será dos dentes?) qual jardim (o alberto joão, mas também podia ser o gonçalves que parece que continua a sair incólume na embrulhada do bcp), só que este líder é o portas o tal que durante o ano que se avizinha vai sofrer uma inflação bem superior a 2,9% de beijinhos a velhinhas e abraços a feirantes, ele é o psd (vai-se ouvir de novo muitas vezes ppd/psd), que não acerta uma, ou se acerta a gente não atinge, pois se por um lado os deputados são faltistas e, segundo o marco antónio lá do porto, deveriam ser castigados, por outro o tal de santana lopes (também deputado e também faltista), pode, mesmo que a presidente diga que nele nunca votaria, ser indigitado pela presidente para candidato à maior câmara do país, ele é o ps com uma alegre crise entre a esquerda marxista e a esquerda moderna (ohohohoh, isto sou eu a rir à pai natal, pois esquerda moderna, é o quê mesmo?). Deste assunto também não vou falar porque não há cão nem gato nos jornais e na blogosfera (séria, pois então, não é esta blogosfera dos poemas, do humor e até dos contos à roda de sapatos) que não fale nisso. Então, ponto também. E a terceira é a crise do Benfica. Repararam que escrevi Benfica com letra maiúscula? Ah pois. E porquê o Benfica? Tenha acontecido o que tenha na véspera ou em dias antes, venha a acontecer o que vier hoje ou nos próximos dias, o Benfica está sempre na ordem do dia. Hoje, por razões particulares (e em viagem), passei a manhã a ouvir o fórum tsf. O tema era o sorteio da liga dos campeões e da taça uefa. Como é sabido, desde ontem oficialmente e desde há quinze dias na prática, o meu Glorioso estava afastado da uefa. E se eu vos disser que pelo menos, porque não gosto de ser exagerado, 90% dos tipos que telefonaram para o fórum abordaram a “crise do Benfica” , vocês acreditam? Pois deste tema também não vou falar porque o Benfica é grande demais para a minha singela dimensão. Mais um ponto, desta vez final, à minha intervenção sobre os três temas da actualidade? Resta-me o quê? Falar de sapatos, não se estava mesmo a ver? Do bush? Qual bush qual caraças. Se não tiveram pachorra para ler a lenga-lenga acima leiam pelo menos o próximo parágrafo.

Consta que certo craque, de outros tempos, descoberto na rua em peladas de solteiros e casados, terá sido “contratado” por um clube grande de Lisboa. Recusou-se sempre a treinar calçado sendo que, mesmo descalço não havia bynias (estou a falar em bynias dos anos 50, obviamente) que o travassem. Como não podia deixar de ser, rapidamente acabou convocado para um jogo oficial. Equipamento à maneira, lavado e passadinho a ferro, meias novas e… tchan, tchan, tchan, tchan… chuteiras. Oh caraças, chuteiras! Calçou pela primeira vez umas chuteiras (crê-se que calçou algo pela primeira vez). Bota direita no pé esquerdo, bota esquerda no pé direito. Ao lado, um colega, vendo-o naquela triste figura não deixou passar, Ouve lá, oh fulano, tens as chuteiras calçadas ao contrário, Shiuuuu, não digas nada, é só para enganar o guarda-redes!

Pois eu também acho que anda por aí muita gente a enganar guarda-redes. Ai não que não anda.

Foto das chuteiras achada num leilão de um fórum de 2007, pelo que o lance já deve estar desactualizado.
PS. - neste caso post scriptum - I wish you a Merry Christmas (contribuição do Pre para a internacionalização do seu blog).

quarta-feira, dezembro 17, 2008

1315. Do Moleskine para o Blog


Os clubes de futebol lamentam-se da concorrência desleal. Consideram um atentado à verdade desportiva existirem clubes que contratam jogadores, formam boas ou razoáveis equipas e, depois, não cumprem as suas obrigações sociais, fiscais e salariais. Está neste caso, por exemplo o Estrela da Amadora (entre outros que ainda não foram revelados). Ora, os jogadores do Estrela têm vindo a ameaçar com greves para as desconvocarem logo de seguida. E isto porquê? Porque se isso viesse a acontecer o mais certo era o Estrela ter de acabar com o futebol profissional e os jogadores irem directos para o desemprego. Quantos clubes da 1ª e da 2ª liga já alguém viu reunirem e aprovarem uma medida que reintegrasse estes jogadores desempregados nos seus planteis? Nenhum, é claro. Na realidade essa da falta de verdade desportiva é muita basófia.

Neste momento todos, ou quase, no PSD, acham um bom candidato Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa. Parece-me que Pacheco Pereira não acha assim e até faz uma crítica interessante, sem tocar no assunto, ao publicar no Abrupto um excerto de Fradique Mendes. Quero ver se vai vestir fato igual no futuro ou se pelo contrário vai criticar explicitamente a sua Dama de Ferro (?). Olhe que o tesourinhas está à sua espera Sr. Pacheco, para lhe moldar a sobrecasaca.

Com o meu dinheiro não é? O Sr. Primeiro-ministro informou hoje, com toda a pompa e a circunstância que o debate quinzenal proporciona, que iria emprestar mil milhões de euros à CGD, que é como quem diz que a CGD iria fazer um aumento de capital nesse montante, para incentivar a economia, emprestando o dinheiro às PMEs. É uma acção muito louvável. O Sr. PM está mesmo preocupado com a economia. Pois bem e como é que isto se faz? Naturalmente com a emissão de dívida pública. Até aqui tudo bem, subscreve quem quer e principalmente quem pode. E como se remunera esta subscrição? Com o pagamento de juros é claro. De quem é esse dinheiro de quem? De todos nós! Dos contribuintes. Ah pois é, eu com o dinheirinho dos outros também sou mestre em economia.

Hoje foi dia de pais. Levei a minha mãe ao cabeleireiro, à manicure, depois juntou-se-nos a minha filha e almoçamos os quatro. Algumas compras pela tarde e umas dores incríveis nos pés. Atribuí às voltas dadas que não foram poucas. Quando em casa, já sentado no sofá, me comecei a descalçar reparei que andei o dia todo com os sapatos do meu filho.

PS. Eu também quero uma foto da Marylin.

Foto extraída daqui

terça-feira, dezembro 16, 2008

1314. Às terças...


Em ti

Aperto-me em ti, minhas mãos já sentes
Aqueço meu corpo, em ti me esfrego.
Beijo. Em ti em mim, nossas bocas quentes
Suo em ti porque a ti me entrego.
Enlaço em ti tresloucado, as coxas
E deslizo em ti com leveza de alma.
Encosto em ti minha face. Nossas faces roxas
De rubor que em ti nem a noite acalma.
Depois… depois expludo em ti
E tu, em mim, tremes em meus braços,
Em mim, paixão tal que nunca vi.
Por ti e para ti risquei estes traços.

PreDatado©2000
Foto Lorenzo Renzi via Imagens

segunda-feira, dezembro 15, 2008

1313. Um post imbuidíssimo


Imbuído de espírito natalício. Imbudíssimo. Ouvir desde manhã à noite o adeste fideles , o jingle bells, o olhei para o céu, o vai nevar vai nevar vai nevar e até condescender em ouvir os álbuns de natal completos da mariah carey e da celine dion, se isto não é estar imbuído, aliás imbuidíssimo de espírito de natal, então não sei o que é. Não recusar em cada dia do ano, durante o ano inteiro, quando lhe entregam o saco de plástico, à entrada de qualquer superfície comercial, em encher o referido saco com alimentos para as mais diversas organizações de pessoas ou de animais, contribuir para todos os peditórios de ligas, fundações e outras associações de protecção a estes ou aqueles com as mais diversas carências, comprar peluches e bonequinhas e outros artesanatos dessas mesmas instituições sem nunca virar a cara se isso não é estar, diariamente e em qualquer época, imbuído, eu diria mais, imbuídíssimo de espírito de natal, então não sei o que é o tal de espírito natalício. Almoçar todas as semanas (eles já estão velhotes para grandes jantaradas) com os meus pais, sempre que possível com os irmãos, algumas vezes com os sobrinhos e sempre que calha sem data e hora prévia marcada reunir toda a família para comer e contar histórias, mesmo que não sejam as do Santa Claus ou do Little Jesus, e não esquecer que no natal se repete a cena (e claro a ceia) pois se nos outros dias se pode comer peru e bacalhau, o natal ainda tem sonhos e filhós e rabanadas e figos e passas, diria eu se isso não é estar imbuído de espírito natalício, ou mesmo imbuidíssimo, então amigos o que é o tal espírito? Ver os olhos dos filhos, mesmo que já com mais de vinte anos de idade, olhar para chaminé ainda com os presentes embrulhados, ver esses olhos a brilharem e vê-los luzirem ainda mais a cada presente desembrulhado, ver os filhos felizes (e por acaso não só os meus, mas isso são outros quinhentos) se isso não é estar mesmo imbuídissimo de espírito natalício, alguém vai ter de me explicar melhor então o que é que isto é. Mandar à fava, sim porque aqui o Pre até é bem educado quem por estas alturas vem com o estafado discurso do consumismo e tal, e por acaso só não se vêem de peles ao pescoço (por algum, mínimo, pudor e por espírito natalício, é claro) mandá-los todos à fava, se isto não é da mais alta imbuição de espírito natalício, então não os mandarei à fava mas sim para outro sítio que eu cá sei.

PS. Olha, olha o Pre a criar odiozinhos de estimação…

sábado, dezembro 13, 2008

1312. O som das palavras


Ontem estivemos num jantar de amigos. Uma belíssima recepção e um convívio muito agradável de companheiros de há alguns anos. Lembrámos coisas mais antigas e falámos de hipóteses futuras. Despedimo-nos com alguns abraços e uns quantos schmaks, que toda a gente sabe ser uma das onomatopeias que se utilizam para descrever os beijos. Pois schmak para aqui e schmak para acolá, descemos e, em plena rua brrrrr que é como quem faz sair ar por entre os lábios quase fechados e cujo som se utiliza para dizer que está frio, Pois não foi um brrr, nem dois brrrs que se ouviram foram vários e não vale a pena aqui estar a dizer quem de nós fez os brrrrss isso evita-nos descrições detalhadas de cada um de nós e nem eu próprio que estou a tentar alinhavar duas ideias consecutivas sei se me caberia engenho para tal. O remédio foi entrar no carro ligar o motor brruuuummm, brruuuummm, desculpem de o fazer duas vezes já que o frio apenas deixou que o motor pegasse à segunda e ligar o ar condicionado rrrrrrrrrrzzzzzzz quer dizer aqueles rrrrr são do primeiro aquecimento e os zzzzzz quando a temperatura pretendida começa a ser atingida portanto mais suave. O pior é que com estas mudanças de temperatura e principalmente depois do splash quer dizer este é o som da porta a bater, de facto as onomatopeias dão muito jeito, imaginem-me eu aqui a dizer que sempre que saio do carro coloco o cinto de segurança em posição de não interferência com a própria porta ao fechar e que a empurro com cuidado para não se ouvir qualquer baaaammmm característico de um portão de quinta a fechar, mas sim um suave splash que aliás já foi referido supra e que seria escusada toda esta panóplia de como quem está enchendo chouriços para chegar ao ponto que é o seguinte, quando saí do carro cof cof cof cof bom não conheço melhor som de tosse para ser descrito pois este eu já via escrito nas nuvens supra cabeçais dos livros aos quadradinhos fossem do mundo de aventuras ou da colecção falcão e tanto tossia assim o bill the kid, como o próprio mascarilha e até quando a ocasião o proporcionava o major jaime eduardo de cook e alvega o piloto luso-britânico que a pouco e pouco ia limpando as asas da tirania nazi dos céus da europa. Mas aí outros sons roncavam quase de tal maneira que nem os devo descrever aqui porque o barulho de um motor de avião mais a mais assim tão perto como a distância desta pantalha aos vossos olhos, neste caso ouvidos, poderia trazer males maiores. Fiquemos então por aqui e retomemos a prosa onde ela ficou ou seja o cof cof cof deste escriba que por mor da fresca brisa sobre o peito aquecido no interior da viatura chega a casa toma um comprimido, vá lá isto vai fazer-te bem tem vitamina C é para a gripe mas eu não tenho gripe não faz mal toma também um chazinho de limão e glu glu glu mas devagar que a porra do chá estava quente assim se foi deitar e dizem mulher e filha que parecia um comboio só que eu não acredito nada porque eu já ouvi pessoas ressonarem e nunca ouvi pouca-terra pouca-terra pouca-terra isso sim se me dissessem ttttrrrrrr, trrrrrr, tttttrrrrr, ttttttrrrrrtttttrrrrrrtttssssss, aí sim poderia acreditar pois é assim que fazem os motores das motas a dois tempos e portanto seria de crer que tivesse ressonado toda a noite mas cá para mim teria sido mais cccrrrr cccrrr cccrrr portanto num ritmo compassado da farfalheira. Pois minhas amigas e meus amigos tenho de agradecer a quem na gramática de português nos permitiu utilizar toda esta similitude entre o som real e a sua expressão gráfica sem o que não me seria possível escrever hoje nada e acrescento apenas enquanto algumas gotas fazem plof plof plof numa poça de água que já se juntou na minha varanda e o zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz da ventania não cessa o vosso amigo já atchim atchim atchim pelo menos umas 12 vezes. E como é que será o som de uma ponta de nariz todo vermelho?
(imagem encontrada via Google imagens cujo autor não era referido mas a quem agradeço
principalmente por me ensinar a espirrar em inglês)