sábado, maio 30, 2009

1440. Toma lá morangos
















Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.


Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
Voltando à cor, afinal


Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

Poema de PreDatado©Março de 2006, in Frutas e outros comeres
Foto: Lyubomir Bukov

sexta-feira, maio 29, 2009

1439. vanity fair

A Directora do Posto Médico do Pragal em Almada é a Dr.ª Deolinda. Hoje fui lá para tratar de um assunto da minha mãe e o atendimento não tinha ninguém. Iam iniciar uma reunião. Confrontei a Dr.ª Deolinda com o facto de um atendimento que pressupostamente deveria estar aberto, dado o horário de funcionamento, estar fechado para reunião. Disse-me a Drª Deolinda que se houvesse algum caso urgente estaria lá uma recepcionista para chamar alguém. A Dr.ª Deolinda transformou hoje (se calhar já o terá feito antes) um serviço que deveria estar aberto ininterruptamente ao público num serviço intermitente de urgência. Provavelmente ter sido boa aluna na escola levou-a a ser boa médica. Não faço ideia pois não é médica de ninguém da minha família, não tenho opinião. Mas ser boa médica não significa ser boa gestora. Nem todos os sapateiros sabem tocar rabecão.

A Dr.ª Deolinda é uma estátua. Conhecemo-nos desde adolescentes e até hoje nunca tivemos o menor quiproquó. Fomos não apenas colegas de Liceu mas sim colegas de turma. Iniciamos e fomos dois dos cabecilhas de um projecto de alfabetização para ciganos e crianças desfavorecidas nos bairros de barracas de Almada, antes do 25 de Abril de 1974. Demos entrevistas e fomos capa de revista em 1972, quando a nossa acção conjunta, além de ser vista em alguns sectores como subversiva, representava de facto uma lança em África. Militamos no mesmo partido político e chegamos até a ser vizinhos. A Dr.ª Deolinda fez tábua rasa de tudo isso e hoje tratou-me por senhor. De facto eu acho que ela tem razão. Eu sou um Senhor. Ela é uma estátua. De vez em quando as estátuas são arreadas dos seus pedestais.

quinta-feira, maio 28, 2009

1438. Vénia





Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

quarta-feira, maio 27, 2009

1437. Champanhe pois claro, Anita


Podem haver palavras repetidas mas haveria algumas coisas que eu não iria repetir. Por exemplo, fumar um maço de tabaco enquanto esperava. Na verdade já não fumo e ponto final. Outra coisa que eu não repetia era ter dito ao obstetra que não ia porque estava nervoso. Não é que não voltasse a estar nervoso, claro que voltava, mas já não seria a primeira vez que eu assistiria a um parto. E andar a correr do trabalho para a clínica e da clínica para o trabalho. O trabalho que se lixasse, eu iria ficar ali, firme e hirto sem abandonar, nem por um minuto, aquela sala de espera. Portanto como há momentos que não se podem repetir minha filha, como é o caso do dia do teu nascimento, vamos aguardar pelos netos para ver o que é que eu repito ou não repito. Mas uma coisa vou repetir hoje e quero repetir ainda por muitos anos, tantos quantos o chefe lá de cima me deixar viver que é abrir uma garrafa de champanhe para festejar o teu aniversário. Parabéns minha querida filha pelo teu vigésimo oitavo e não te esqueças de ir ali ao lado dizer à tua mãe que eu a amo muito. Ou melhor, deixa isso para mim, eu vou lá!

terça-feira, maio 26, 2009

1436. Negócios espirituais


Na minha rua existem vários estabelecimentos a saber, uma garrafeira que se encontra fechada e uma retrosaria também fechada. Uma gráfica que está fechada e um restaurante do qual já lhe conheci mais de uma dúzia de donos e que está fechado. Tem também uma loja dos 300 que acabou de fechar e uma loja de artigos para decoração, pintura e outras artes manuais que está aberta. Não sei se o negócio das tintas e pincéis está indo bem se é porque também vende passes e vai dando para o petróleo. Na minha rua há 4 igrejas evangélicas que nos dias de culto estão sempre cheias. Falta de freguesia não há, há é que ter o patrão certo.

Quem parece não ter o patrão certo é o Jumbo no Almada Forum. Hoje fui lá e encontrei um pacote de massa areada, aquela das bases das tartes com data de validade de 22 de Maio. Abordei uma empregada da Auchan que me disse que não era daquela secção. Apenas quando eu lhe disse que por acaso eu não sou da inspecção mas podia ser é que ela pensou um pouco e disse, vou já avisar os meus colegas. Por outro lado encontrei a pérola cuja fotografia coloco. Um frasco de um produto de limpeza por 2,44€ e uma embalagem ECONÓMICA de 2 frascos do mesmo produto, da mesma capacidade, por 4,99€. Abordei uma funcionária da Auchan que, claro, não era daquela secção. Olhou, não percebeu muito bem, disse que se calhar era mesmo assim e foi embora. Quem é o patrão daquilo? O mesmo das igrejas da minha rua é que não é.

segunda-feira, maio 25, 2009

1435. Por ser verdade, testemunho.

Fácil não é manter um blog com a diversidade e a com a qualidade que nos presenteia desde há 6 anos. Noticia os eventos do seu Alentejo, particularmente os do seu distrito, oferece-nos fotografias excepcionais dos mais conceituados fotógrafos internacionais, deseja-nos fins-de-semana com uma sensualidade desmesurada, são de qualidade inquestionável as suas incursões na poesia e na prosa poética, escreve contos que nos oferece em capítulos para que nunca nos falte o apetite, dá-nos de presente as suas crónicas num dos jornais da terrinha e como se tudo isto não bastasse ainda tem opinião política (com a qual estou quase sempre em desacordo) e é um exímio fotógrafo. De fazer inveja. Refiro-me ao João Espinho, autor do Praça da República, blog que hoje completa 6 anos. Bem hajas João pela tua qualidade e grato por eu fazer parte do teu círculo de amigos.

Foto: João Espinho, surripiada da Praça com a devida vénia.

sábado, maio 23, 2009

1434. Música de Sábado

O meu amigo João desafiou-me no Sábado passado a que eu dissesse que música é que oiço ao Sábado. É um excelente desafio uma vez que ao Sábado (quase que adivinhou) tenho uma rotina suplementar enquanto ando pela casa. Ligo a TV e o leitor de DVD e coloco um sonzinho para ir ouvindo não só enquanto deambulo pela casa, mas também numa de descontração, sentado no sofá. Por isso, ao Sábado, eu não tenho uma música favorita mas é mais ao sabor da disposição do momento. E hoje o DVD que coloquei foi o In the Flesh do Roger Waters. Para quem gostar ou tiver paciência, fica aqui um bocadinho facultado pelo youtube dot com. Tenham um óptimo Sábado e sintam-se desafiadinhos da silva para nos oferecerem uma música de fim-de-semana.



PS. Reparem na classe dos coiros.

quinta-feira, maio 21, 2009

1433. Se eu soubesse


Banana

Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.

Depois, suavemente ou sem demora,
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.

Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
(Embora quase sempre doutras à tona),


Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.


Versos de PreDatado© in Frutas e outros comeres
Foto de PreDatado©, Maio 2009


PS. Tivesse eu tido conhecimento de uma courgette como a da foto e não teria escrito um soneto à banana.
PPS. Com uma courgette destas, não há cozinheira que não tenha um ar feliz.
PPPS. Na próxima encarnação quero ser courgette.

quarta-feira, maio 20, 2009

1432. Abram alas pró Pre



Longe dos olhos, longe do coração. Era assim que os antigos (este provérbio deve ser muito antigo mesmo), diziam. Eu sinceramente espero que não, pois se o Prezinho não tem andado por aqui, digamos assim como que a olhos vistos, a verdade sei-la eu, é que não saio dos vossos corações. Bom, estou a ouvir um ou outro a tossir, está bem pronto, não é do coração de todos, mas é do coração de todas. Confessem, não se acanhem.

Pois andei a banhos por alentejos e sem internet por perto, já que deixei o computador em casa para ter tempo de cortar a relva. Não fiquem com inveja deste dolce fare niente que também não é bem assim. Ainda trabalhei um bocadinho a pintar o portão. Bem, a MJ pintou mais do que eu, a verdade tem de ser dita mas, em compensação, eu dormi mais do que ela.

Já devem ter reparado pelos dois parágrafos anteriores que estou a encher chouriços e a escrever só para não ficar mais um dia em branco.

A verdade é que quase não vi TV, talvez uma ou outra notícia e um jogo de futebol. E como também não li jornais, seria uma chatisse falar aqui das minhas hortênsias e das roseiras, dos amores-perfeitos e dos hibiscos, das malvas e dos malmequeres. Ou então dos nossos “afilhados”, um gatil completo que se instala no nosso quintal desde que chegamos até que partimos. Pois não vou falar disso.

Ah, já sei! Se não fosse triste daria até para rir. Ouvi um responsável do hospital de Faro a pronunciar-se sobre o relatório que ilibou aquele hospital da morte de 8 pessoas com uma bactéria adquirida no próprio hospital. Há relatórios com uma grande lata, não há?

Foto: PreDatado©2009

sexta-feira, maio 15, 2009

1431. Esperas






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)



mantive a foto do posto original :)

quinta-feira, maio 14, 2009

1430. Bolas que o gajo é chato




Agradeço imenso os comentários deixados pelas minhas amigas leitoras e pelos meus amigos leitores. Tal como vários de vós, também eu me intriguei e perguntei-me: então e não trabalhas? Quanto tempo me ocupará a rotina diária? Realmente, quem a faz deveria ter algum rigor horário. Eu juraria a pés juntos que fazia isto tudo numa hora mas, atendendo aos vossos comentários, quedei-me na dúvida. E assim resolvi cronometrar. Deixo-vos a planta tosca da casa, a localização dos objectos mais significativos do meu percurso e o traçado dos percursos. E este gajo não trabalha? – perguntamos, agora, todos em uníssono Ainda tem tempo para cronometrar... Fosga-se!

Legenda:
A – Cama
B – Sanita
C – Lavatório
D – Nespresso
E – Torradeira
F – Computador
G – Duche
H – Comedor dos gatos
I – Balança
J – Mesa
K – Cadeira
L – Closet

Percursos:
a) 20s.
b) 2m. (inclui lavagem de mãos)
c) 15 s.
d) 2m.15 s.
e) 1m.
f) 4m.
g) 4m.(utilizou-se a revista Sábado da semana passada)
h) 3m.25s. (utilizando espuma e gilette)
i) 30s.
j) 6m.
k) 10s.(só pode estar avariada)
l) 3m.
m) 3m.
n) 6m.
o) 3m.
p) 15s.
q) 7m (inclui apertar os cordões dos sapatos)
r) 1m.
s) 32s. (bolas, era cada comentário!)
t) 15s.
u) 4m.27s.
v) 15s.
w) 10s. (sem colocação de gel, nem brilhantina, pois não são de uso diário)
x) 3m.16s.
y) 1m.19s. (inclui espreitar debaixo da cama a ver se ficou alguma peúga esquecida)
z) 25s.

Total: 57m49s

Obs. Para facilidade de leitura, o desenho não inclui nenhum gato, nem vidros ou loiças partidas.

segunda-feira, maio 11, 2009

1429. Doces mesmo quando destroiem


Quase como uma inevitabilidade, eu diria mesmo um desígnio, sou uma pessoa de rotinas. Já aqui vos falei em alguns casos em que fui eu, ou outros que de mim dependiam nesse momento, vítimas das minhas próprias rotinas. Não me considero supersticioso, pelo que as minhas rotinas nada têm a ver com fé. Seria incapaz, como li um dia destes numa entrevista a um automobilista, de competir todas as provas com a mesma roupa interior. Talvez para ele resulte mas isso é superstição, não rotina. Há alguns anos atrás fiz uma série de cursos de formação numa empresa onde trabalhei. Durou várias semanas e um dos monitores apresentava-se à segunda-feira sempre com a mesma camisa, às terças com a camisa das terças, às quartas com as das quartas, etc. Duvido que apenas tivesse sete camisas no guarda-roupa, extrapolando que seguia o mesmo método aos fins-de-semana. Parecia rotina, mas não era. Mas as minhas, rotinas de verdade, são muito menos elaboradas. Por exemplo, de manhã, é sistemático a) ligo a máquina de café; b) vou fazer xixi; c) ligo computador; d) lavo os dentes; e) tomo um café; f) leio os novos e-mails; g) vou para a casa de banho ler 6 páginas de uma revista qualquer; h) faço a barba; i) vejo as cotações da bolsa; j) vou tomar banho; k) peso-me; l) ponho comida aos gatos; m) coloco o pão a torrar e espero; n) tomo o pequeno-almoço; o) finalmente seco-me; p) desodorizo-me e perfumo-me; q) visto-me; r) leio os títulos dos desportivos on-line; s) vejo se tenho novos comentários no blog; t) penteio-me; u) respondo aos e-mails que devem ser respondidos e reencaminho sem ler todos os e-mails de santinhos, correntes, porno e anedotas para a minha lista de contactos v) consulto o saldo bancário; w) penteio-me outra vez porque sou muito vaidoso; x) leio as gordas dos jornais generalistas on-line incluindo o Sun e o Correio da Manhã; y) apanho a roupa toda que deixei espalhada por aqui e ali, incluindo as meias, as cuecas e a toalha e coloco no cesto da roupa. Mas como agora temos 26 letras do alfabeto acordado ortograficamente, acabei por acrescentar mais uma rotina à minha pré-manhã: z) vou ver qual foi a garrafa de cristal que os meus gatos, na brincadeira, resolveram partir durante a noite.

sábado, maio 09, 2009

1428. Ler o Pre pode causar viciação


Eu chego a comentar cá em casa, com a família humana e com a família felina, o que vós amigas leitoras e amigos leitores falarão nas minhas costas sobre o facto de o PreDatado não ter escrito, ultimamente, todos os dias no seu blog. Sei muito bem quanto isso vos intriga e sei até que houve já algumas leitoras e alguns leitores que entraram em desespero a ponto de tentarem cortar as veias e/ou (gosto mesmo deste e barra ou) de esgotarem o stock de cordas de enforcar nas diversas casas de ferragens, quinquilharias e afins. Soube até de um caso de uma leitora que começou a entrar em depressão, sendo que, o seu psicólogo a terá mandado ler os livros da Margarida Rebelo Pinto para que ela pudesse esquecer o PreDatado. Pois bem, a todas vós e a todos vós, eu vos devo uma explicação que só não será mais detalhada para que não encha aqui vários ecrans (telas ou pantalhas) de texto. E se o não faço, não é porque vós queridas leitoras e vós compadres leitores não o lessem. O meu receio é do addict. É que se acabarem viciados em PreDatado poderia haver alguém, tipo mauzinho, que me tentasse levantar um processo por não ter avisado, a seu tempo, que ler o PreDatado pode causar viciação, sei lá, que conduza por exemplo a um estado tão vegetativo que faça o seu leitor ou leitora votar em Vital Moreira. Sendo assim, vou rapidamente explicar que esta não assiduidade diária se deve a pequenos factores que me alteraram as rotinas. Recomecei a dar explicações de matemática, a fazer caminhadas diárias, a ver televisão em alta definição. Tudo isso dizem vocês, assim tipo à laia de chacota, "eu também faço". O que acho que nem todos vocês fazem e que vos tira o tempo todo para escrever por aqui, é ler a Playboy de fio a pavio e explorar cada detalhe da Cláudia Jacques. Estou desculpado?

quinta-feira, maio 07, 2009

1427. Lunch Time Blog ou um filme com azeite.


Estou frita, gritou-me a manga apesar de fatiada. Estou frito gritou-me o abacaxi já com cada uma das rodelas cortadas em quartos. Estamos fritos gritaram os filetes de pescada quando saíram daquela marinada de alho picado, pimenta branca, umas pedrinhas de sal e sumo de um limão. Estamos fritos gritaram os tomates-cereja quando, depois de bem lavadinhos, terão pensado que seriam salpicados com pó de talco (private joke dos tomates cá de casa que gostam de pó de talco depois de lavados), mas não, caíram como os outros na frigideira.

Ai, estamos fritas, gritaram-me a mulher e a filha quando se aperceberam que hoje eu lhes tinha preparado uma fritada para o jantar. Até tive o cuidado de lhes explicar que foi tudo fritinho em azeite do mais puro das oliveiras alentejanas e que depois de fritas as frutas as reservei e reservei também em ambiente quente os filetes enquanto fritei os tomatinhos-cereja naquele molho, entretanto composto com um pouco de vinho do Porto.
Eu e o meu cúmplice azeite extra virgem piscamos o olho um ao outro enquanto elas se lambiam à mesa.

Estou picada, gritou a salsa, que acabaria polvilhada sobre o preparado. Definitivamente, a salsa, embora entre sempre bem em cena, nunca sabe a que filme pertence.

PS. As minhas leitoras e os meus leitores habituais sabem quanto o autor do LTB é um apreciador (não confundir com conhecedor) de vinho tinto. No entanto, ultimamente, tem andado a passear, sem exageros, pelos brancos. O desta noite mereceu-lhe nota positiva pela prova que lhe deu. Apesar do preço razoável, menos de 2 euros a garrafa, o Fonte do Nico, produzido com as castas Fernão Pires e Moscatel é um excelente Terras do Sado. Quem lhe olha para a cor palha muito aberta pode pensar que é água, mas tem um aroma muito elegante com várias notas florais. Os seus 12 graus de teor alcoólico permitem-nos beber mais um copinho para rebater.
PPS. O Schubert bem rondou, rondou, mas se o cheiro a peixe o deixa em transe comê-lo , tá quieto. É um fofinho este meu companheiro de quatro patas e casaca de pêlo.

quarta-feira, maio 06, 2009

1426. Meteo (para ficar quentinho)



Joaninha era a filha mais nova de D. Antónia Vila Real Max. 28ºC Min 14ºC a madame de uma casa de meninas que havia no Porto Max. 24ºC Min 13ºC. Embora criada naquele ambiente a menina sempre foi uma interessada pelo fado Coimbra Max. 26ºC Min 14ºC. Cedo começou a actuar nas mais famosas e castiças casas de fado de Lisboa Max. 27ºC Min 19ºC onde o seu diferente estilo de cantar não só fazia as delícias de Sines Max. 28ºC Min 14ºC toda a gente. Na verdade o Vento moderado a fraco de NW ambiente que se gerava nada tinha a ver com aquele vai vem de coristas que ora Beja Max. 31ºC Min 14ºC ora massaja. Nem tão pouco Castelo Branco Max. 30ºC Min 18ºC se permitia a que alguém lhe dirigisse palavra menos imprópria. Isso seria motivo para uma ondulação de 1 a 1,5 metros na costa ocidental, altercação que no entanto nunca deu vias de facto. Joaninha chegou a cantar com Cesária Évora Max. 31ºC Min 12ºC esse grande nome da Madragoa onde se comem umas sardinhas assadas maravilhosas já a partir deste mês. Provem as petinguinhas e vejam se não estou a falar verdade. E acompanhem com água do mar na ordem dos 17ºC na costa Sul, uma pinga de estalar que podem adquirir em qualquer adega cooperativa do País. Pois Joaninha faria hoje 74 anos de idade e 61 de carreira, já que o seu lançamento foi na grande noite do fado onde Guarda Max. 24ºC Min 15ºC uma carreira sem remoque que pode ser lida no livro a publicar nas Ilhas do Grupo Central o céu estará muito nublado. Eu por mim despeço-me pois ainda tenho de ir ao Funchal Max. 25ºC Min 17ºC escritório mandar um fax e digam lá se para isto da meteorologia não é preciso ter Faro Max. 24ºC Min 16ºC informação correcta da Joaninha.

PS. Agradeço à SIC Notícias a informação meteorológica mas se não fosse o site do Instituto de Meteorologia, com aquela lenga-lenga do Mário Crespo por cima, no Jornal da 9, nem teria conseguido perceber que de 15ºC a16ºC na costa ocidental a água ainda é fria como o caraças para ir molhar a barriguinha.

terça-feira, maio 05, 2009

1425. Provavelmente atrasado



Se há coisa que é comum a todas as clínicas é a existência de revistas atrasadas. Na maioria das vezes são revistas levadas pelos funcionários ou esquecidas pelos utentes pelo que é uma raridade encontrarem-se revistas recentes (a não ser que se tenha a sorte de ler a do dia, acabadinha de esquecer). Hoje estive numa clínica privada à espera de um exame que foi feito com mais de duas horas de atraso. Ao contrário das públicas onde costumamos dizer, andamos nós a pagar para isto, nas privadas até parece que ninguém paga nada e que tudo lhes é permitido. Mas vamos voltar às revistas que é para eu não ficar com azia. Nesta (grande) clínica as revistas eram endereçadas à própria clínica, que tem assinatura de várias. Estranho é que estas revistas estejam também atrasadas um mês. Alguém deve levar as recentes para casa e depois de lidas voltam ao escaparate. Mas só ficando assim horas sem fim à espera é que me convencem a ler coisas que eu não fazia a menor ideia de que era capaz de ler. Não, não me refiro ao artigo sobre swing, nem ao dos acompanhantes masculinos nem mesmo o artigo sobre as experiências vividas por três utilizadoras de cuequinhas com vibrador e comando à distância. Aquela cena da tipa se ter vindo à mesa do jantar, na casa dos cunhados, umas três vezes, com o namorado a dar ao comando nem à Janette lembraria, mas à revista Happy, sim. A Happy de Março. Quanto ao José Castelo Branco ter declarado à VIP (de 09 de Abril) que estar em palco é o climax, é ter um orgasmo, uma sensação assim (comparou ele) como quando está em oração. Olha lá oh Castelo Branco e Deus, Nosso Senhor, nunca te castigou por teres dessas coisas assim ajoelhado?

PS. Meninas, meninas o que é isso todas a correr à Intimissi e à Women’s Secret? Calma que as calcinhas com vibradores e comando à distância podem ser encomendas via Internet e ainda não estão à venda nas lojas de Portugal (informação provavelmente atrasada).

sexta-feira, maio 01, 2009

Viva o 1º de Maio


Como a esperança é a última coisa que morrer no meu coração ergo uma bandeira vermelha pelos dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e pelo meio milhão de desempregados. Vivam os trabalhadores de Portugal! Viva o 1º de Maio.

Entretanto... Bandiera Rossa


quarta-feira, abril 29, 2009

1423. Hoje há caracóis


· Eu bem quero emagrecer mas hoje comi um pacote de amêndoas “tipo Milão”.
· Não gosto de ir às compras com a minha Maria. Hoje comprou um par de calças depois de ter experimentado 14.
· Gosto de comer bacalhau com grelos de nabo. Grelo e nabo juntos ou “a língua portuguesa é muito traiçoeira”.
· Costumo tirar o som da TV quando vejo um jogo de futebol. Normalmente oiço música. Às vezes distraio-me e “deixo” os comentadores falarem. Farto-me de rir.
· Conheci pessoalmente a fadista Maria da Conceição e também o seu marido (para mim, o Sr. Bessa) que ainda foi guitarrista da Hermínia Silva. Maria da Conceição foi a “criadora” de mãe preta. Enquanto a chibata batia no seu amor embalava a mãe preta o filho branco do senhor. Obrigado Dulce Pontes por cantares a versão original. Hoje (re)ouvi-te em Anthologia do Fado.
· Estou a usar e abusar das aspas. Prefiro escrevê-las aqui do que levantar as duas mãos e abanar para cima e para baixo os indicadores e os dedos médios de cada mão. Aliás aqui no blog nem daria para ver o gesto.
· Gosto da fadista Cristina Branco.
· O Victor do Blog “Oficina das Ideias” (mais aspas) ofereceu-me o selo Este blog promove amizade e investe na informação. Agradeço-lhe publicamente, sendo que para mim é sempre uma honra receber uma distinção de alguém distinto. Só não ponho aqui o selo porque caracóis com selos não gruda. Prefiro com imperial. Obrigado Victor.
· Por falar em caracóis, amanhã não posso mas prometo que na quinta-feira vou cortar o cabelo.
· Beijinhos e abraços em conformidade. Santa paciência para aturar o Prezinho, não é?

PS. Esclarecimento: Estive a ver o debate na SIC Notícias com os cabeças de lista, dos maiores partidos portugueses, às eleições para o Parlamento Europeu. O Nuno Melo praticamente só falou de agricultura. Juro que não foi por isso que falei em grelos de nabo.

A foto estava neste blog

terça-feira, abril 28, 2009

1422. Às terças...


Sombras e rumores

Que importa que hajam nuvens no céu
E a que a lua não tenha o brilho de ontem?

E também que importa que as estrelas não cintilem
Ofuscadas pelo véu cinza de cúmulos e de cirros?

Que interessa que o mar se despenteie contras as rochas
E os barcos se silenciem no ranger das amarras?

Que importa se o vento uiva nas frinchas das portas
E nos invadem as palmas de um par de janelas batendo?

Que importa se há névoa no rio
E a buzina do cacilheiro muge à travessia?

Que importa se ladram cães ao longe
E ouves junto à porta passos apressados?

Que importa se a chaleira apita de vapor fervente
Ou se se escuta a água do banho no andar de cima?

Que importa a ausência de luz na rua
E os sons dos fantasmas que nos cercam,
Quando nos perdemos em copulares gemidos?

Nada, meu amor, nada importa
Quando possuímos a noite.


Versos de PreDatado©, 2009
Foto de Ognid na
Catedral

domingo, abril 26, 2009

1421. Lunch Time Blog ou a arte de lamber


Teste a textura do feijão verde e coza-o em água temperada com um pouco de sal entre 3 e 5 minutos, conforme ele seja mais ou menos tenro. Depois retire o feijão e deixe-o escorrer. É assim que começo a confeccionar os meus peixinhos da horta depois de cortadas as vagens pelas pontas e retirados os fios. Hoje este trabalho será feito com meio quilo de feijão verde mas façam a quantidade que quiserem ou, melhor, de acordo com o número de pessoas que gostarem. Sempre gostei deste pitéu que leva a fritar as vagens em óleo bem quente embrulhadas num polme que passo a explicar. Numa malga deitem aí uns cento e vinte e cinco gramas de farinha de trigo e façam-lhe um buraco ao centro. Depois um pouco de sumo de limão, não abusem para que não fique azedo, talvez uma colher de chá. Eu costumo lamber a colher no fim pois gosto do gosto ácido do limão. Abram uma mini sagres ou super-bock e deitem para aí um decilitro na cavidade da farinha. Eu costumo beber o resto da mini e lamber os beiços por causa da espuma. Quem não aprecia cerveja pode substituir pela mesma quantidade de vinho branco. Normalmente eu não costumo beber o restante vinho da garrafa, para não me embebedar logo pela manhã. Já agora, para quem não gostar nem de cerveja, nem de vinho, pode fazer o polme com água. O sabor final não será o mesmo, mas come-se. Acrescentem um colher de sopa de azeite e temperem com sal e pimenta ao vosso gosto. Eu falo-vos aqui sempre do sal, mas na verdade, quando sou eu a fazer dispenso o sal por completo. Depois é só ter a calma suficiente para ouvir os outros protestarem. Eheheheh. Comecem a mexer pelo centro para a farinha não granular. Eu começo sempre a mexer com o indicador direito mas se a ASAE não estiver por perto podem fazê-lo com a colher de pau. Eu lambo o dedo antes de passar à colher de pau e aos ovos. Continuando sempre a mexer, agora com a colher de pau, junto dois ovos, um a um para ligarem bem e, quando a massa estiver leve, paro, deixo-a repousar cerca de meia hora e, vou eu também descansar o braço. Outras vezes aproveito o intervalo para preparar uma caipirinha ou um moscatel de Setúbal com uma casca de limão. Passem o feijão já frio e escorrido pelo polme, um a um ou dois a dois, fritem no óleo bem quente e bom apetite, isto é, lambam-se!

PS. Esta é uma espécie de peixe a que o meu gato Schubert não mia ao cheiro.

A foto foi encontrada aqui. Obrigadinho por deixar usar. Se não me esquecer depois tiro uma foto aos meus.

sexta-feira, abril 24, 2009

1419. Esperança



Esta noite vou me sentar na mesa da sala a estudar. Uma disciplina qualquer porque o exame de Química foi há 35 anos. Vou ligar a rádio e esperar ouvir cantar de novo E Depois do Adeus. Vou-me perguntar porque é que senti uma dorzinha no estômago. Eu sei que os Emissores Associados de Lisboa já desapareceram mas, mesmo assim, vou ficar sintonizado em uma rádio qualquer. Tenho esperança. Depois, vou mudar de posto. E antes de me deitar vou, de certeza, ouvir Zeca Afonso interpretar Grândola Vila Morena. Será na Rádio Renascença. E vou para a cama arrepiado, com a minha pele parecendo pele de galinha e os meus pelos todos de pé. Tenho esperança que vou ouvir e sentir tudo isso de novo. E, quem sabe, amanhã seja de novo 25 de Abril. Outro 25 de Abril que consiga completar aquilo que o de há 35 anos nos prometeu. E que os que não quiseram cumprir Abril se auto-desterrem a escrever memórias. Talvez isso eles o saibam fazer. Eu tenho esperança e quero também que tenham esperança os dois milhões de pobres e o meio milhão de desempregados que este país produziu. Viva o 25 de Abril!

quinta-feira, abril 23, 2009

1418. Porque a terça estava ocupada...



Amor em tempo de dor

Dói-me,
Dói-me de tanto te amar.
Porque, ao te amar, te amo a ti e aos teus ais
E o sofrimento da tua alma é meu.
Dói-me de te amar a ti e à tua dor.


Alegro-me,
Alegro-me de tanto te amar.
Porque, ao te amar, te amo a ti e aos teus sorrisos
E o brilho dos teus olhos é meu.
Alegro-me de te amar a ti e à tua alegria.

Foto: PreDatado, 2009

terça-feira, abril 21, 2009

1417. Para variar


Hoje vou fazer citações. De outros blogs. Não se acostumem, vai, mas uma de borla não é nada mau. Só uma mesmo que eu não sou o super homem.

“E de crianças, aprendem a guardar o resto de uma garrafa de água, por nós desperdiçada, como se de um tesouro se tratasse.” – Ana C. em Vadiagens. Este é um blog novo que não me enganarei se disser que será muito mais do que um fotoblog.

“No Domingo, dia 26, para comemorar a canonização de D. Nuno Alvares Pereira, será inaugurado o Largo D. Juan I de Castela frente ao Mosteiro de Aljubarrota. A festa vai contar com a presença de um grupo de flamengo e, segundo o programa oficial, vai haver "paelha".
A presença da Padeira lá do sítio ainda não está confirmada”. – Teresa em Cabra de Serviço .

“…mas eu estou envergonhada por nunca me ter deitado com o Luís Pedro Nunes. Assim eu teria a certeza que ele não escreveria que mulher que bem escreve fode mal.” – Janette em Guerra de Travesseiro.

“Não sei …se é a alma que detém o corpo ou se é o corpo de detém a alma.” – Madalena em Aliciante.

“Gosto duma certa ideia de unidade que nunca construo senão do dois. Talvez a possível, a tentada no sopro do primeiro beijo. Há, naqueles instantes tacteados, uma procura – e um achamento - de parte de nós que nem sabíamos perdida.” – Hipatia em Voz em Fuga.

“Faço um lombo de porco, assado no forno, que merece sempre grandes elogios de quem o prova” – João Espinho em Praça da República. Quero a receita.


… E um poema

Crava no meu peito a ilusão
rainha do meu poema
razão de uma vida
beija e trinca e agradece
eu ser só eu
musa e fantasia
loucura e esperança
e ganha-me todas as flores
que me apetecem.
Devora-me.
Porque eu, lúcida, te amo.

Poema de Paula Raposo em As minhas romãs.


Pronto vá lá, outro dia darei mais uma… borla.


Foto: PreDatado – Costa da Caparica, Paraíso


PS. Não pedi autorização aos citados para os citar ou “copiar”. Espero que não levem a mal.

segunda-feira, abril 20, 2009

1416. Mataram-no



Não sei se existe a figura jurídica do assassínio por incompetência. E se existe, não sei se existe moldura penal para assassínio por incompetência. E se não existe, devia existir. Porque enquanto continuarmos a ter gestões e administrações e direcções hospitalares atribuídas aos boys dos partidos e das sociedades secretas vão continuar a existir os assassinatos por incompetência.

O meu sogro não entrou doente no hospital. O meu sogro caiu e fracturou o colo do fémur. Foi um acidente, não uma doença. Considerar que, uma pessoa de 81 anos, com o colo do fémur fracturado, não é um caso de urgência e fazê-lo esperar por uma vaga com um atraso previsível de 10 dias como se fosse a fila para o talho onde se tira a senha de vez, parece-me de critério discutível. O que não me parece, nem é, discutível é ter um utente com processo hospital presente, com uma úlcera gástrica, tratada no mesmo hospital e estabilizada há 14 anos e enfiarem-lhe no estômago com anti-inflamatórios e analgésicos que lhe provocaram uma hemorragia gástrica. Depois as consequências, nomeadamente a insuficiência respiratória. Mataram o meu sogro por incompetência e incúria para além de outros maus tratos que lhe infligiram que nem vale a pena relatar. O meu sogro entrou na maca dos bombeiros no Hospital Garcia de Orta em Almada com uma perna partida e saiu na urna de uma agência funerária, oito dias depois, sem sequer lhe terem feito a intervenção que deviam.

Não me conforto com prémios de consolação e se vou ficar por aqui não é por cobardia mas sim por bom senso. Tendo em conta o corporativismo da classe (igual ao de outras, diga-se de passagem) e conhecendo como funciona a justiça portuguesa, seria um processo que prescreveria ou que terminaria com mais uma culpa a morrer solteira. Por isso, não me contentando com prémios de consolação tenho um que ninguém mo poderá tirar. É o de saber que todos esses filhos da puta um dia também morrem.

PS. A foto que ilustra é do meu sogro cerca de 1 hora após a queda que lhe fracturou a perna, tocando castanholas improvisadas por ele próprio.

sexta-feira, abril 17, 2009

1415. 17 de Abril de 1969


Tive uma discussão enorme com ele. No final como de costume virei-lhe a costas. Não podia fazer outra coisa para não chegarmos a vias de facto. Na verdade nunca chegaríamos porque eu não sou violento. Uns gritos, uns apupos, umas pateadas, se for preciso ergo ao alto uns cartazes com uns dizeres mais acutilantes mas não entro em pancadaria. Foi sempre assim, não é cobardia é feitio. Ele diz-me que nem sempre fui assim e recorda-me, como quem me quer picar, os meus tempos de juventude, quando ainda estudante. E a discussão, que não começou aí, agudizou-se. Ele diz que tem melhor memória que eu e afirma que a idade é um posto. Coitado, apenas uns anitos mais velho e já pensa que é general. Enfim. Eram conversas sobre o Abril de 1969, sobre a crise académica, sobre o papel dos estudantes na sociedade, como Portugal nunca mais foi o mesmo e até de um golo de Eusébio se falou. Só que não valia a pena toda esta discussão. No final da contenda cada um ficou com a sua. Eu digo que o Alberto Martins está muito diferente daqueles gloriosos tempos das lutas académicas, da greve da academia, das justas reivindicações e principalmente do saber dizer NÃO sem medo e o meu espelho não tem a mesma opinião. Alguém entende os espelhos?
___
E se forem descontrair um pouco no GT, hein?

Foto encontrada pela net, desconheço o autor.

quinta-feira, abril 16, 2009

1414. Eu não vou à bola com esta bola


Ontem jogaram duas sociedades anónimas a passagem às meias final da liga dos campeões em futebol. Aparentemente a SA sediada no Porto não terá sido inferior em jogo jogado à SA sediada em Manchester faltando-lhe, talvez, um funcionário chamado Ronaldo. Hoje muito se tem falado de honra e prestígio dizendo-se à boca cheia que o futebol português saiu dignificado pela prestação da SA sediada no Porto. Ora eu não discordo que o futebol português tenha saído prestigiado mas não exactamente devido ao feito da SA sediada no Porto. Na realidade esta SA apresentou em campo apenas 3 portugueses, sendo que a SA sediada em Manchester apresentou 2, no total dos 28 jogadores em campo, correspondendo a 18% de portugueses o que nem é tão pouco como isso dado também terem havido apenas 6 ingleses em campo (21%). Mas se compararmos com os 39% de jogadores sul-americanos no relvado resta-me ficar aqui a pensar o que é isso de futebol português e o que é isso de futebol inglês?
*
Eu, benfiquista, adepto e accionista da SA sediada em Lisboa na Av. Norton de Matos, multinacional de sotaque castelhano, fiquei feliz por ter visto aquele estádio da freguesia da Antas cheio, não só pelo que gerou de receita para a empresa mas também pelo apoio que estiveram o tempo todo a dar para que as minhas acções da SA sediada no Porto subissem (sim também sou accionista dessa empresa). Infelizmente isso não aconteceu, mas não deixo de agradecer.

quarta-feira, abril 15, 2009

1413. Pavões


Tenho assistido ultimamente em Portugal a uma aristocratizante denominação de filhos e filhas (dasse que frase mais aristocrata). Ele é Beatrizes e Teresas, Marias e Antónios além de Rodrigos, Duartes, Diogos, Franciscos e Catarinas. Nada me move contra isso nem contra os pais, nem contra as crianças e também nada contra a aristocracia.

Nos Estados Unidos da América, para dar um exemplo que conheço bem, poucos serão os James que não Jimmy, os Richard que não Dick (pois!), os William que não Bill ou os Eduard que não Ted. E lá, pouco importa se o rapazinho vai ser o homem mais rico do mundo ou o presidente da república. Mesmo na nossa bem conhecida e aristocrata velha albion não é por se ser Sir que é como quem diz, ter levado umas espadeiradas no ombro dadas por HM the Queen que um Alexander não possa ser Alex.

Mas não, aqui não, nós os aristocratas de Telheiras ou da Cruz de Pau, do Pátio Bagatela ou de Azeitão, da Foz e da Maia ou de Massarelos, já não temos Toys nem Tonys, nem o tão nortenho Tono ou o carinhoso Toninho e então de Tó nem falar. Não senhor que o menino é António. E adeus Chico e Manel se quiserem alguém da vossa laia procurem por uma Bia ou uma Mimi que Manuel só procura Maria.

Pois eu, oriundo da burguesia Almadense e actualmente frequentando os mais nobres, aristocratas e senhoriais locais do Miratejo fico feliz por me chamarem de Pre e mais ainda de Prezinho. Que isso de PreDatado é coisa de certidão de nascimento. Juro pelas espadeiradas que já levei nos dois ombros. Bom, se quiserem tratem-me por Sir Pre que eu não fico chateado.

PS. Com este feitiozinho hás-de ter muitos amigos…

Foto PreDatado (aliás Sir Pre), Jardim Botânico da Madeira, 2004

terça-feira, abril 14, 2009

1412. Às terças...

Olá meu amor,

Sei que pareço demodé ao escrever-te uma carta de amor. Hoje há tantas maneiras de te dizer o mesmo que dispensariam que me dirigisse aos correios de envelope na mão, cheirando a colónia, para selar esta escrita. Poderia ter usado o e-mail, mandar-te um SMS pelo telemóvel ou simplesmente discar o teu número e falar contigo ao telefone. Talvez mais simplesmente, pensarás tu, dizer-te o mesmo ao ouvido, aqui já ao teu lado, enquanto te acaricio os cabelos na cabeça deitada no meu colo e te roubo furtivamente, perdoa-me o pleonasmo, um beijo. Mas confessa-me amor para ver se eu estou enganado. Há quanto tempo não abres a caixa do correio e encontras uma carta de amor? Há muito, respondes-me tu e é o que eu de facto já presumia. Há muito. A nova tecnologia, ou não nos deixa ser românticos, ou nos transforma em românticos banais e compulsivos. Mas escrever uma carta é diferente. Podes até sentir o perfume das minhas mãos no papel (hoje escolhi um papel mate muito bonito, não achas?) e depois de dobrada a folha em quatro partes, guardá-la junto ao teu coração? Sabes amor, hoje senti frio. Se não tivesse estado tanto frio teria ido fotografar os amores-perfeitos que carinhosamente plantaste nos canteiros da nossa varanda e ter-te-ia mandado uma fotografia. Tu sabes que eu gosto de mandar uma foto nas cartas que te escrevo não sabes? E sabes porque faço isso? Porque te amo. Afinal, és tu, hoje, o meu amor-perfeito. Está-se-me a acabar a tinta desta vil caneta de aparo que se desacostumou de ser usada. Recarregá-la-ei com a mais fina tinta azul para que te volte a escrever. E fica prometida a fotografia de uma flor para outra flor. Um milhão de beijos deste que te ama.

domingo, abril 12, 2009

1411. E podia ser pior?


Estavam as coisas a correr bem porque o vinho era bom e a companhia ainda melhor. Não provei a canja de galinha porque os odores oriundos do caldete me chamavam. O caldete é como chamam naquela região alentejana à sopa de peixe do rio feita com todos os temperos a que tem direito. Conseguiam-se distinguir, entre os outros, a hortelã da ribeira, o coentro e o poejo.
Não faltou, claro está, o borrego assado no forno, mas para diversificar, o bacalhau com natas e o peixe do rio no forno. Até porque sendo sexta-feira santa e havendo católicos presentes não seria a carne o seu maior petisco. Petisco depois foram os tordos, as perdizes e a lebre, cada um dos pratos a deixar invejosos os anteriores.
O mau petisco estava reservado para depois, O meu sogro, já na rua, colocou mal um pé num lancil do passeio, deu uma queda de todo o tamanho e acabou, soubemo-lo algumas horas depois, por fracturar o colo do fémur. Foi atendido no Hospital de Beja e vai ter de ser operado.
Nestas andanças se encontram os amigos. Quero deixar aqui expresso publicamente o nosso agradecimento por todo o apoio que me foi prestado pelo meu amigo João Espinho, que é também o autor de Praça da República. Bem hajas João!

O Hospital de Beja foi bastante diligente na assistência ao meu sogro. Em cerca de duas horas, da entrada ao internamento, passando, obviamente, pelo diagnóstico. No entanto decidiu transferir o meu sogro para o Garcia de Orta em Almada. Por um lado entende-se já que uma das moradas, a residência oficial é a nossa em Corroios, seria melhor para lhe podermos dar assistência de proximidade. No entanto, uma vez que temos morada também no distrito de Beja, embora secundária, mas onde estávamos à data da entrada no Hospital, a tomada de decisão unilateral pelo hospital parece-me encerrar alguma preocupação economicista. Mas enfim, não tenho nenhuma queixa, desta vez, a apontar ao Hospital. Entretanto o meu sogro chegou, com a devida informação clínica, às 13h15 de Sábado no Banco do Garcia de Orta e só depois das 18h foi atendido. A informação é de que a cirurgia se fará dentro de 10 dias, (quando no Hospital de Beja a previsão seria dentro de um dia ou dois). A verdade é que a nossa eficiência hospitalar só existe quando se os hospitais são visitados pela Srª Ministra e mais uma tropa de jornalistas atrás ao bom estilo da Propaganda de qualquer regime totalitário. Bom, do mal, o menos, já está a ser cuidado e agora é esperar que tudo corra bem.

Hoje regressamos do Alentejo. Não havia alento para continuar fora. Fomos visitar o velhote ao hospital e está animado. Aguardemos.

Foto PreDatado, Monsaraz 2009 – O Alentejo é lindo ou não é?

quinta-feira, abril 09, 2009

1410. Páscoa


Durante uns dias vou ser alentejano, daqueles do Alentejo profundo, nem por isso deixando de estar atento ao que se vai passando pelo país e pelo mundo, mas assim a modos que devagarinho. Por mor da Santa Páscoa deslocaremos as bagagens que não as armas, aqui é tudo gente pacífica, para terras Myrtilis onde repousaremos, no sentido quase estrito da palavra, uns quantos dias. Só não retirei o “quase” porque algumas actividades vamos ter de executar não por obrigação mas por puro prazer. Tratar das flores, alimentar quanto gato ou cão nos aparecer no quintal e comermos nós mesmos (não confundir com comermo-nos a nós mesmos porque não somos canibais nem perversos, não há mesmo necessidade disso com um blog que faz isso tão bem, aqui tão perto), será o conjunto das árduas tarefas que nos proporemos nestes dias. Neste nosso magnificente dolce fare niente ficará também incluído o computador que será desligado logo à noite para só se voltar a se acender pela vindoura terça ou quarta-feira, conforme as necessidades de confusão nos chamem ou não à inevitável realidade dos nossos dias. Até lá, amigas leitoras e amigos leitores deste espaço público (hei, não vale mijar na parede), o vosso escriba deseja-vos uma Feliz e Santa Páscoa para quem é de Páscoas ou simplesmente um óptimo fim-de-semana – grandinho – para quem tiver o privilégio de usufruir destes dias de folga. Cuidado com o excesso de amêndoas açucaradas e os ovos de chocolate para que não fiquem de diarreia. Beijinhos.

PS. Como devem ter-se apercebido pelo post anterior não faz parte da minha nova filosofia de vida ficar preocupado se vós, amigas e amigos, ficam ou não de diarreia por causa do chocolate. Aliás não há nada que agora me preocupe nem tão pouco o facto de se vocês desatarem por aí a correr a casas de banho, privadas ou públicas ou atrás das moitas em qualquer espaço ao ar livre para deixarem o normal resultado desse abuso, que paire no ar um cheiro mais nauseabundo do que aquele que costuma vir dos corredores do poder.
Imagem daqui

quarta-feira, abril 08, 2009

1409. Filosofia de vida



Hoje eu queria começar este post por vos abrir o apetite. Queria dizer-vos que desde há alguns tempos (para ser rigoroso, alguns dias) adoptei uma nova filosofia de vida. Por isso, para que todos vós, amigas e amigos leitores, se possam lambuzar, esta noite foi brindada com amêijoas à Bolhão Pato e camarão de Madagáscar bem acompanhados de um excelente Alvarinho. Porque de marisco hoje não exagerámos, já que as últimas análises do colesterol nos aconselhavam a que não ultrapassássemos os limites, comemos depois umas mangas importadas do Brasil, as chamadas “por via aérea”, que estavam deliciosas. Como se não bastasse (até à hora em que abri a porta do congelador ninguém tinha disfarçado um sequer singelo arroto), ainda comemos um sorvete de noz. Ah, que coisa estranha, não era deste apetite que eu vos queria falar, era mesmo da minha nova filosofia de vida. Não sei se já vos disse que dentro de meses farei 54 anos.

Na minha família, tanto quanto foi possível apurar dentro das gerações consanguíneas, a pessoa com maior longevidade foi a minha bisavó paterna-paterna, quer dizer a mãe do meu avô paterno, que morreu com 105 anos. Se eu conseguir viver outros tantos quantos os que já tenho agora, digamos 53 e meio, morrerei aos 107. Record absoluto na família, pois não houve até agora nenhum homem, tanto quanto o saibamos, que tenha sequer chegado aos 100 anos. No entanto, nem as estatísticas nem os cálculos actuariais estão do meu lado, pois a esperança de vida dos portugueses estará nos 80 anos. E vou eu me preocupar com isso? Não!

E na última frase ficou lançada a minha nova filosfia de vida. E vou eu me preocupar com isso? Não! Absoluta e determinantemente não! Nem com isso nem com coisa nenhuma. Não se admirem amigas e queridas leitoras, não se interroguem amigos e queridos leitores se este vosso escriba não mais se preocupar com nada. A esperança é a última coisa a morrer e eu até já chamei as Testemunhas de Guiness para me acompanharem nos meus próximos 53 anos e meio de vida. Mas se morrer antes acham que eu me vou me preocupar com isso? Olhem amigas e amigos, eu estou completamente fora, a partir de agora, aliás de antes de agora já não me preocupo com nada.

PS. O nosso primeiro-ministro disse hoje no Parlamento que não aceita lições de moral de ninguém. E eu bem ralado com isso. Estão a ver a minha cara de preocupado?

terça-feira, abril 07, 2009

1408. Manifesto dos 77


Mãe,
Nós, os filhos e as noras, decidido por mim aqui generalizar sem ter pedido consentimento mas consciente que faz parte do seu sentir e também netos e netas e ainda uma bisneta e mais uma, uns por aqui outros por ali, outros em Angola ou Suíça e na Velha Inglaterra e ainda os teus sobrinhos e sobrinhas outras tantas, ainda dois compadres e também uma comadre, as cunhadas e cunhados (para aí dez foram contados) e o teu gato Major e os meus gatos ora não? e os doutros filhos que estimados bichos são, juntamo-nos ao teu marido nosso pai e nosso avô para todos em conjunto os parabéns te cantar e verem-te setenta e sete velas apagar neste dia de Abril sete. E com tantos juntos setes, come uma fatia de bolo, e que se lixe a diabetes.

domingo, abril 05, 2009

1405. Ondas


E em branca espuma me desfaço.
Bendita rocha que me tolhes a viagem,
Cansada de vaguear de vaga em vaga.


Foto PreDatado, C. Caparica 2009

sexta-feira, abril 03, 2009

1406. Um post completamente em branco

As hipóteses que temos, num dia vulgar, para escrever um post. Ordinary day, assim à americana. Várias. A mais óbvia seria cair em vulgaridades (atenção leitoras e leitores brasileiros a palavra vulgar em português de Portugal tem um significado diferente do dado pelo português do Brasil) e falar, por exemplo, do tempo que esteve quente durante o dia mas que dá cá um arrepio na espinha agora pela noite, não só quando saímos à varanda, mas também quando apenas pensamos em sair. A segunda hipótese seria trazer aqui efemérides que para o dia de hoje não são muitas, mas que não deixam de ter relevante importância como comemorar o 65º aniversário da morte de Aristides de Sousa Mendes o célebre diplomata português que conseguiu livrar alguns milhares de Judeus da sanha nazi. A terceira que também é muito normal ser usada entre nós, bloggers de plantão, é a de fazer referência a um post interessante que tenhamos lido aqui ou ali, fazermos um link e deixar uma nota de rodapé como se fosse um comentário. Há mais, acho que já vou na quarta hipótese como, ainda por exemplo, embeber aqui o código gerado pelo Youtube deixar uma música bonita ou um sketch cómico isto para não falar de uma cena de apanhados que tem sempre saída. E entre mais uma mão cheia de hipóteses para escrever um post há uma que custa um pouco mais, mas que não deixa de ser interessante, que é a de ser criativo. Mas isso custa mais, muito mais. E eu, que tenho um jeitinho meio estúpido de inventar coisas, hoje não seria capaz de escrever nem uma linha. Por isso este não-post está aqui, não por obrigação diária que ninguém me paga para isso, mas sim para vos dizer que o Pre também tem dias que não consegue escrever uma única linha.

PS. Eu não sei se algum Ministro da Educação actual ou que o tenha sido nos tempos mais recentes esteve a assistir ao concurso O Duelo da RTP1. Eu creio que não porque tão eruditas criaturas terão muito mais que fazer. Mas se eu tivesse sido um deles teria sentido uma grande vergonha que um concorrente num concurso de cultura geral não faça a mínima ideia de quem foi o Presidente da República que sucedeu a António de Spínola. Estamos a falar da nossa história dos últimos 40 anos. Não estamos a falar nem na história do Burkina Faso nem da do Sri Lanka.

quinta-feira, abril 02, 2009

1405. Dia mundial do livro infantil


- Pai, porque é que a gente não deve dizer mentiras?
- Porque é feio.
- Muito feio?
- Sim, muito feio.
- Quanto pai?
- Conheces o hipopótamo?
- Conheço, pai.
- É assim muito feio como o hipopótamo.
- Ah!
...

- Pai.
- Sim, filho.
- Ontem tiveste um furo no carro?
- Não, filho.
- Pai, onde é que está o saxofone?
- O pai não tem nenhum saxofone, filho.
- Pai.
- Sim, filho.
- O que é um livro erótico.
- Filho é muito difícil explicar-te. Podemos deixar isso para depois?
- Depois quando pai?
- Quando o pai souber explicar.
...

- Pai.
- Sim, filho.
- Tu escreves histórias?
- Sim, às vezes escrevo.
- E são histórias de verdade ou histórias de mentira.
- Às vezes têm de se inventadas.
- O que é inventadas, pai?
- Digamos que são histórias de mentira.
- Pai, tu és feio.
- Muito feio, filho?
- Pai, és um hipopótamo.


(texto escrito por quem nunca submeteu nenhum livro a nenhuma editora nem tão pouco um livro erótico)

quarta-feira, abril 01, 2009

1404. Com a vossa licença


O blog não é para mim uma obcecação. Gosto de escrever quando me apetece e quando acho que aquilo que escrevi pode e deve ser divulgado, então entro no editor do blog e copio para lá a folha de word. Mas se há dia para mim que considero dia de S. Blog e que penso efectivamente nele é o dia das mentiras. Não, não é hoje que penso, é do dia de hoje. Quero dizer, ando um ano inteiro a pensar que o dia das mentiras vai ser o meu dia de glória no PreDatado. Hei-de escrever tantas mentiras que os meus leitores e a s minhas leitoras vão ficar completamente baralhados com aquilo que o Pre escreveu. E depois o que é que acontece? Tem-se um daqueles dias em que não há praticamente tempo para escrever nada. E isto porquê? Porque logo de manhã recebo um telefonema (que aliás esperava há muito) para ir fazer o tal casting. O saxofone com o qual costumo chatear a vizinhança até se riu. Eu num casting? Para saxofonista dos … (não posso ainda divulgar, aceitei a regra da confidencialidade). Vamos a ver no que dá, depois conto-vos. Para já o casting correu muito bem mas só na sexta-feira é que me dizem qualquer coisa. O problema é que quase ia borrando a pintura. Mal começo a andar com o carro, pufff, um furo. Já estava a dizer mal à minha vida, mas por sorte a minha vizinha do 7ºEsq. que é recepcionista no Carlos dos Pneus, deu-me uma mãozinha. Ou melhor eu que lhe dei a ela a ajuda porque ela fez o trabalho quase todo. Pior um furo do que partir uma perna. Acabei por ainda ter tempo de lhe dar boleia até à oficina e convidá-la para um cafezinho. O café teve de ficar adiado por falta de tempo mútuo. Cheira bem a tipa (isto é um aparte mas a minha MJ não se zanga). Infelizmente nem tudo são rosas e o meu livro erótico não vai ser publicado. Passei da parte da tarde na editora mas esta recusou com o argumento de que não está dentro do critério editorial. Ainda estive para entregar uma cópia sob o pseudónimo de Carolina para ver se tinha sorte porque Fernandes é um nome demasiado comum para ter impacto. Fica para próxima. E no final das contas estava eu aqui a querer vir aldrabar no blog e mais um ano que vou ter de adiar a coisa. Se calhar vou pedir a uns tipos que todos nós conhecemos para durante este ano irem cobrindo esta minha lacuna de inspiração. Bom, amigas e amigos leitores até ao próximo 1º de Abril. Desta vez prometo que vou apontando no moleskin todas as mentiras que me vierem à cabeça para no próximo primeiro de Abril escarrapacha-las todas aqui. Beijinhos e abraços em conformidade.

terça-feira, março 31, 2009

1403. Uma terça-feira muito bem disposta e a cores


Humor vermelho e verde - Estou a deixar crescer a barba. Só a corto quando o Prof. Carlos Queiroz qualificar uma selecção, a nossa ou outra qualquer, para uma fase final de um campeonato do mundo.

Humor negro - Foram espalhados no Algarve milhares de fotos de Madeleine McCann. Parece que os promotores vão ser processados por plágio pelo Cardeal D. Henrique que fez o mesmo quando do desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer Quibir.

Humor cor-de-rosa – Andam alguns jornais a dizer que há magistrados a serem pressionados para que se arquive o caso FreePort. Assim tipo o efeito da rosa mas não na Caras nem na Lux.

Humor a preto e branco - Em Barcelos um estudante universitário que parece que também é guardador de vacas e uma estudante universitária que não adjectivo nem insinuo acertaram no euromilhões num boletim introduzido a meias. Tiveram uma grande vaca porque aquilo é quase impossível de acertar. Eles é que parece que se desacertaram, acabaram o namoro e andam às marradas por causa da massa. Coisas de vaquinhas.

Humor verde alface - Os gestores do BCP vão passar a ganhar muito menos do que ganhavam. Por causa da crise vão deixar de ter ordenados multi-milionários para passarem apenas a ter ordenados milionários. Pobrezinhos!

Humor azul passarinho: twitter. Aqui: http://twitter.com/PreDatado

Humor mulato – Hoje, uns dias atrasado mas mais vale tarde do que nunca, comprei a Edição nº1 da Playboy de Portugal. A Mónica descascada, mais silicone menos silicone, é de pôr os cabelinhos em pé. Ao Rubim, claro, que aos outros é capaz de não ser só os cabelos.

Branco humor que é como quem diz… ‘Às terças…’

De luz, alva cor se ilumina
Teu corpo nu a cuja neve causa inveja,
Que tentas encobrir pela cortina
Que de diáfana nada cobre que eu não veja.

E de pudor sorris, de mim desvias
Teu olhar e um rubor de envergonhada
Cobre teu rosto e eu te lanço, “São manias” ,
Findando o jogo em sonora gargalhada.


Foto PreDatado 2009– Uma foto a cores

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Não tenham vergonha de comentar o que a Janette diz. Ela é meio depravada. Meio até agora, daqui para a frente não sei.

segunda-feira, março 30, 2009

1402. Fins de semana


Vai-te embora passarinho
Deixa a baga do loureiro
Deixa dormir a menina
Que vai no sono primeiro

Que vai no sono primeiro
Que vai no primeiro sono
Deixa dormir a menina
Que a menina já tem dono.

Passar alguns dias no recôndito do “meu” Alentejo é como que um recarregar de baterias sem consumo energético. É só respirar o ar (ainda) puro e já está! Sem mais nenhuma necessidade. Bom não é absolutamente verdade. Há sempre a necessidade de comer bem e de ouvir o cante alentejano.

O patrão mandou-me embora
Mas não foi por roubar nada
Foi por molhar a caneta
No tinteiro da criada.


Foto: PreDatado 2009, o céu da minha rua

sexta-feira, março 27, 2009

1401. Dia Mundial do Teatro


No silêncio. Um fogão de lenha a crepitar de onde se vislumbra uma pequena cortina de fumo a sair de uma panela de ferro meio escurecida. Numa mesa de tosca madeira, um marcador em linho já esgaçado. Um cesto com um pão partido e outro inteiro, dois copos ainda sujos de vinho. Uma garrafa de vidro branco meio cheia. Dois bancos, tão toscos como a tosca mesa de madeira no chão, meio desarrumados, indiciando que há pouco alguém os abandonou. Ao fundo da sala à direita, na penumbra da casa apenas alumiada aqui e além pelas pequenas línguas de labareda que teimam em se levantar das chapotas de azinho que ardem na lareira, uma cama. Parece descortinar-se um vulto mas não é certo que alguém ali esteja encostado. Do lado esquerdo da parede do fundo, uma porta em madeira verde escura, tanto quanto é possível descortinar a cor na semi-obscuridade da divisão, parece dar para um jardim. Mais perto da lareira, um gato preto e branco dorme enroscado em si mesmo.

Dois pequenos toques na porta quebram por instantes o silêncio do cenário. Depois duas palmadas de mão aberta fazem tremer ligeiramente a mesa onde se ouviu tiritar um copo contra a garrafa. O gato acordou. Finalmente uma sequência de pancadas, quase como que de aflição fazem até estremecer o palco.

Palco? Eu disse palco? Isto é o cenário para uma peça? Sendo assim terei de deixar a narrativa por aqui.

Ao palco quem é de palco.


PS. A foto que hoje exponho é do próprio PreDatado há quase 30 anos atrás numa das suas incursões em Café-Concerto. Achei engraçado colocar aqui nesta ligeira homenagem ao Dia Mundial do Teatro. Os restantes elementos da fotografia foram apagados para reserva da privacidade.
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Entretanto há glicinias aqui e a "terrivel" janette aqui.

quinta-feira, março 26, 2009

1400. Dia do livro português


Por detrás da porta do escritório tinha pendurado um pequeno cesto de minibasket e um caixote de lixo. Durante as manhãs dormia. As noites eram para escrever, as tardes para ler. Olhava para folhas de papel A4 em cima da mesa quase sem movimentar a cabeça. Alguém defronte dele, se lhe atentasse no rosto, veria um par de olhos em movimentos lentos da esquerda para a direita e rápidos da direita para a esquerda. Lia. Depois amarrotava a folha, fazia uma bola e jogava-a contra a tabela. Seguia lhe o percurso para ver se encestava. Eram mais as bolas de papel no chão do que no pequeno caixote de lixo. Folha a folha, a resma foi-se-lhe desaparecendo de cima da mesa.

Entrou sem bater à porta. Entrava sempre sem bater à porta mas desta vez teve de fazer um movimento de encolhe-barriga para não ser atingida por uma bola de papel. Sentou-se na cadeira em frente à secretária de mogno e arreou o pires. Trazia-lhe um cafezinho, como fazia todas as tardes, pontualmente às três e meia. Jorge tinha-se acostumado a um blend de arábica e robusta que lhe era preparado na Pérola do Brasil, a loja do Sr. Anselmo. Depois fumava, tranquilamente, uma cigarrilha Guantanamera, a única do dia, enquanto saboreava um Remy Martin. Nunca mais de cinco centilitros. Jorge é calmo, simples e metódico. Ela esperava sempre pelo final.

Eduarda era metódica também e sofisticada. Por isso despia o blazer com requinte e colocava-o, direito, nas costas da cadeira. A saia tomaria, seguindo uma norma mentalmente estabelecida, o mesmo destino. Sentava-se-lhe no colo para que fosse Jorge a desapertar-lhe a blusa enquanto se beijavam. Ele retirou os óculos e beijou-lhe o pescoço. Eduarda começava a cerrar os olhos e a deixar cair a cabeça quando reparou que da pressuposta resma apenas restavam meia dúzia de folhas. Sentiu um arrepio gelado na espinha e cometeu um imperdoável deslize. Fugiu à norma. Com a voz lânguida do prazer que começava a sentir sussurrou-lhe ao ouvido questionando-o, O Livro? Jorge perdeu a tesão.

quarta-feira, março 25, 2009

1399. Andropausa

Eu sei que nunca falei de mim neste blog e também não é hoje que vou falar. Sou um tipo muito reservado, este blog não tem nada de intimista, nunca falei da família nem dos gatos, só falo de política e futebol, fados e Fátima e às vezes, distraído, falo também do estado do tempo e das estações do ano. Mas hoje vou abrir uma excepção, vou falar de mim e, como me aconselhei com o meu gato Schubert e ele achou que eu fazia bem, estou à vontade. Antes de começar, já alguma vez vos disse que tenho 4 gatos, duas tartarugas, que já criei pardais cá em casa e até uma galinha e um pinto e que tenho a filha e o filho mais maravilhosos do mundo?

Estava eu com o comando do carro na mão e carreguei para abrir. Ouvi os toques característicos e vi os piscas acenderem. Dirigi-me ao carro e o carro não abriu. Carreguei em fechar, ouvi o toque e vi as luzes características e recomecei o processo. De novo carro não abria. Uma vez mais e idem. Depois ibidem. Foi aí que reparei que enquanto abria e fechava as portas do meu carro tentava entrar no carro que lhe estava ao lado, apenas diferente do meu na matrícula. Isto foi há uns tempinhos atrás e pensei que fosse alguma crise de andropausa. Mas como nem sequer tive afrontamentos, desvalorizei.

Raramente tiro fotografias com o telefone celular. Mas de vez em quando, numa ou noutra situação menos esperada e sem a Canon EOS 400D (sei que não é uma grande espingarda, mas pelo menos já dá para me babar um pouco) à mão, lá tem de ser. Por isso instalei no notebook o software da Nokia, passe a publicidade, que me permite gerir os ficheiros do celular. Liguei o conector USB, informei o telefone das definições mas está bem, está. O portátil não dava sinal de ter nenhum telemóvel ligado. Nova tentativa, à boa maneira informática, retira cabos, desliga telefone, reconecta USB e vejam lá que até o reboot do portátil eu fiz. Nada, niente, rien! Quando descobri que tinha ligado o born USB ao desktop e não ao notebook dirigi-me ao espelho, a tremer como varas verdes e a suar por todos os poros: É agora que vais ter de me aturar. Chegou paulatinamente, mas chegou. Ele, desta vez, riu-se e chamou-me maluco.

PS. A foto que se vê neste post foi tirada com o telefone celular, um dia destes, quando fazia compras num hipermercado. Fiquei à “espera” que me dissessem onde é que era esta herdade. A Herdade do Esporão também agradecia a informação.
PPS. Ainda tenho a mania de dizer telefone celular mesmo tendo em conta que uma das mais bem inventadas palavras em português no século XX foi telemóvel. Coisas de concorrência que um dia explicarei melhor.

terça-feira, março 24, 2009

1398. O gajo é louco



Introdução. Hoje tenho vontade de escrever muitos posts. Sei que poucos leitores de blogs resistem a mais de dois posts de um só blog e sei também que nenhum leitor gosta de posts muito grandes. Deverei deixar para amanhã e para depois de amanhã? Tipo blog tântrico? Oh filho o que é isso de blog tântrico?, Olha começas agora e vens-te, quer dizer, escreves o blog tipo punch line lá para terça-feira da semana que vem. Se estivesse aqui o meu espelho diria:
- Previsível (isto é o espelho a iniciar as provocações)
- Eu? (isto sou eu a fazer-me de novas)
- Repetitivo (isto é o espelho a tentar fazer-me a cabeça)
- Ai ai ai ai ai (isto era eu a dizer ao espelho que não estava a gostar nada da conversa)
- Erudito de meia-tijela (isto era o espelho, já em desespero de causa, a usar expressões popularuchas)
- Desembucha, caralho – Eu já tão mal-educado como qualquer tipo quando entra para dentro de um carro e decide conduzir em Lisboa.
- Usaste duas vezes a palavra tipo e disseste punch line e queres que eu fique calado?
(É por estas e por outras que eu lhe viro, sistematicamente, as costas. Há pachorra?)

Dizia eu que me apetece escrever muitos posts que ninguém vai ler e que não estou muito a fim de escrever um post granjola que ninguém vai ler também. Decidi então escrever vários capítulos de um só post. Como diz o nosso povo, Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és, os meus leitores amigos e as minhas amigas leitoras poderão pelo título dos capítulos ler ou passar à frente. Pronto vou começar que ainda não disse nada até agora.


Recado. Para o puto que fez uma ultrapassagem, ao volante de um cabriolet verde alface, hoje cerca das 15 horas na Rua do Trevo em Corroios (só não escarrapacho aqui a matrícula porque nem tive tempo de a ver), a alta velocidade, mesmo em frente ao jardim-de-infância e que me fez subir o passeio, eu que vinha em sentido contrário, para que não chocássemos de frente. Pareces ser um gajo de tomates, oh meu! Vê lá se não bates com os cornos numa esquina próxima que isso de alface e tomates ainda pode dar uma grande salada.



Tenho medo sim senhor. Sinto sempre um arrepiozinho na espinha quando leio “saída de emergência”. Não sei porquê mas associo sempre a catástrofes, lembro-me da discoteca em Bali e tantas outras situações semelhantes. Se calhar também me lembro daquela igreja relatada em "The Reader" com as portas trancadas por fora. E fico em transe quando, como hoje, numa sala do Hospital de S. José em Lisboa, vejo uma porta, para ser usada em caso de emergência sem maçaneta/puxador que a impede que se abra em tal circunstância. A foto, mesmo que de telemóvel, não me deixa mentir.





Vamos falar de economia. Quanto custa um penalty? Não, amigas e amigos, não vou alinhar na histeria quase colectiva que assolou o país devido ao penalty fantasma do jogo de Sábado. Eu sou sócio, há muitos, mesmo muitos (sou cota, não esqueçam) anos do S L Benfica. De alma e coração. Mas também sou accionista da SAD Benfica. E espantem-se se se quiserem espantar, também o sou da SAD Sporting e da SAD Porto, isto é, das três maiores empresas de futebol do país. É por isso que hoje em dia, para mim, vale tanto um golo do Nuno Gomes como um do Levezinho ou do Hulk. Economico-financeiramente falando, naturalmente. Quando entram três empresas em campo, três más empresas, diga-se de passagem, dando o exemplo do passado Sábado, a empresa SAD Benfica e a empresa SAD Sporting com gestões financeiras, dizem os entendidos, ruinosas que se não fossem de futebol há muito seriam insolventes e a empresa árbitros de futebol, com uma gestão de recursos, se não ruinosa pelo menos desastrosa, apenas a empresa árbitros é visada pelos erros que comete. Se não fosse terem sido distribuídos 750 mil euros à empresa SAD Benfica e outros tantos 750 mil euros à empresa SAD Sporting quem me ressarciria a mim, accionista da SAD Sporting por tão mau desempenho dos seus funcionários na marcação das penalidades de desempate? É que as minhas acções desvalorizaram por causa disso. Já agora, o penalty mal assinalado contra a empresa SAD Benfica na contenda pública num campo da freguesia das Antas há bem pouco tempo, arredou a empresa SAD Benfica do 1º lugar do ranking das melhores empresas de futebol deste ano na tabela Sagres. E esse penalty sim pode valer alguns milhões a menos nas contas da empresa SAD Benfica dada pela confederação patronal chamada UEFA. E não fosse eu accionista das duas empresas, da gloriosa empresa de Lisboa e da (pffff, béécckkk) empresa azul do Porto e estaria agora a ver a minha carteira de acções a ser penalizada.




Quanto custa a ineficiência? Estive hoje, como já se devem ter apercebido, no Hospital de S. José. O meu sogro foi para uma consulta de anestesia e, porque tem 81 anos e dificuldade em se movimentar sozinho, a minha mulher teve de o acompanhar. Eu fui fazer de motorista, caso contrário um táxi para ir e voltar custar-me-ia os olhos da cara. Para uma consulta marcada para as 11 da manhã, esperámos até às 14h30 para sermos chamados e mais 3 minutos para sermos consultados. Eu não sei quantas pessoas, por este país fora, tiveram de acompanhar hoje familiares idosos a consultas. Mas, sem ter de fazer nenhum exercício difícil de extrapolação, tenho a certeza que isto custa muitos milhares de euros ao país por debilitar substancialmente os índices de produtividade. Tendo em conta que esta situação mais não é do que o reflexo de uma péssima gestão hospitalar, não deveriam, no final de cada mês, estes gestores indemnizarem o estado pelos prejuízos causados ao erário público em vez de receberem os chorudos ordenados que recebem?






Cheirinhos. Nunca entendi porque é que os parques de estacionamento dos hospitais, por maiores que sejam (conheço S. José, Garcia de Orta e Sta. Maria todos muito bem), nunca têm lugares disponíveis para quem vai a consultas médicas. A alguém, algum dia, que o saiba peço e agradeço que me deixe um comentário explicativo. Tive por isso que, depois de deixar o meu sogro com a minha mulher na sala de espera da consulta que procurar um parque de estacionamento. Deixei-o no parque subterrâneo do Campo dos Mártires da Pátria. Como gosto de andar a pé, não saí nem entrei pelo elevador tendo antes utilizado as escadas. Estas são arejadas e bem cheirosas, ao contrário das do parque de estacionamento da praça S. João Baptista em Almada que tresandam de cheiro a mijo. Devo concluir que os almadenses são muito mais mijões que os lisboetas ou que em Almada não há fiscalização e muito menos limpeza? (Ao cuidado da ASAE e da Bragaparques).
Por falar em Campo dos Mártires da Pátria, realço o verdadeiro conceito de espaço público, com uma fauna interessante de patos, pombos, galos da índia, galinhas pedreses, pavões e outras espécies. Um parque calmo e sossegado. Não sei se seguro, mas a verdade é que até à data não tenho razão de queixa.







Paisagem. Gosto de fazer caminhadas e faço-o com frequência no Parque da Paz em Almada. Têm várias espécies arbóreas, muitas delas classificadas e assim vou aprendendo um pouco mais de botânica, o que não é difícil visto o meu bem escasso conhecimento da matéria. Em meados de Fevereiro as Ameixoeiras de Jardim estavam lindas de floração. Hoje estão lindas de folhagem.








A natureza é muito mais bonita do que os mijões, os árbitros, os dirigentes das empresas de futebol e os gestores hospitalares. (No dia 8 de Agosto de 2007 escrevi aqui no PreDatado um post com crítica ao funcionamento do Hospital de Beja. O seu director não terá gostado muito dessa crítica e pediu-me detalhes sobre o que eu afirmava. Alguns dias depois mandei-lhe um relatório completo. Sei que respondeu ao meu cunhado, há relativamente pouco tempo, considerando normal a situação. Não é má fé gostar mais da Natureza do que, por exemplo, do corporativismo, pois não?).




Porque hoje é terça

Como doce, de minha infância, é a lembrança
Cada cor, à saída do vapor, seu paladar.
De doces cores se adoçava a boca da criança
Açúcar, água e lume brando a crepitar.

Hoje és tu de mil cores a tentação
Te beijar, te lamber, te devorar
Em turbilhões de volúpia e de tesão,
Como um vapor, em doce leito, a navegar!



segunda-feira, março 23, 2009

1397. Mil novecentos e setenta e quatro (ler 1974)


Sem exagero sei de cor mais de mil anedotas. Só de padres contabilizo 37 e do menino Carlinhos 71. Se o meu blog fosse de anedotas alimentar-se-ia mais uns três anos sozinho.

Sem exagero, desculpem repetir-me, tiro mais de mil fotos por mês. Tiro de patos e de andorinhas, de aranhas e estevas, de amendoeiras em flor e em fruto com certeza. E alguns retratos também. E até ao Cristo-Rei! Se o meu blog fosse de fotografia alimentar-se-ia mais de dez anos de imagens.

Sem exagero (lá estou eu), há casos e factos políticos mais de mil em cada ano. E se não os houvesse pediria ao professor Marcelo para os criar. E com eles, discorrendo da esquerda para direita ou da direita para esquerda escreveria neste blog mais de 100 anos seguidos ou, se a tanto não me sorrisse a vida, tantos anos quantos os que Pacheco Pereira escrevesse.

Sem exagero, e agora é mesmo sem nenhum exagero, já escrevi mais de 100 poemas e os poetas verdadeiros, mais de mil e outros mil e, se bem contados mais mil lhes somarei. Se o meu blog fosse de poesia eu poderia alimentá-lo mais um ano, quiçá mais um e outro um se rimasse com atum!

Sem exagero já se marcaram de penaltis mil e de foras-de-jogo outros mil. De chicotadas mais mil e de jogadas boas nem tantas mas quase mil eu diria. Se o meu blog fosse de bola, redondos números, seriam mil anos de escrita sem parar.

Sem exagero vos digo e sabeis que eu vos não minto, só de felinos há quatro que me povoam os dias. De anfíbios outros dois e plantas há rosas, amores-perfeitos e coentros e outras de cujo nome se me escasseia a memória. Mais de mil não é certo mas muita história contaria e até pardais eu criei e a galinha “solipanta” e até o “pinto da bosta”.

Mas o meu blog não é isso e, sem exagero vos digo que o meu blog é de amor. E isso custa porque um amor como este não se alimenta de beijos, tão pouco de cartão Visa. É de letras e palavras e palavras feitas frases e frases feitas sentido. E isso custa. Sem exagero vos digo que este meu amor me cansa, mas a vós vos devo não me divorciar dele. Enquanto me lerem eu existo. Mais de mil dias e quase outros mil também. 1974 dias na vossa presença. E se não escrevo o número por extenso é porque 1974 é para mim, também, uma data de amor.

Foto PreDatado

domingo, março 22, 2009

1396. Domingo antes de almoço


A boda e a baptizado não vás sem ser convidado. Vem isto a propósito de que hoje não fui eu o autor do faustoso (bom, não será faustoso, mas o cheiro que me chega da cozinha inspira-me palavras bonitas) repasto que hoje provirá os nossos pratos. Como diz o povo a fome é a melhor cozinheira, espero que a minha vizinha, neste caso a minha querida mulher que nem tem uma galinha melhor do que a minha, faça a boda, que é como quem diz burro com fome até cardos come. Sei que tudo acima parece não fazer sentido mas como para bom entendedor meia palavra basta e como cada um sabe de si e Deus sabe de todos o que eu quero exactamente dizer é que estou com tanta fome e que como comer e coçar o pior é começar, estava aqui a pensar em ir já directo para a mesa comer um pouco de paio de porco preto e/ou um queijinho de cabra alentejano com uma pinga tinta para fazer boquinha. Mas como na casa deste home quem não trabalha não come, o melhor é levantar o rabinho daqui da cadeira, deixar-me de escrita sem sentido e ir eu próprio preparar as entradas. E onde comem dois comem três, tal é a hospitalidade deste povo, não soubesse eu que vós queridas leitoras e vós amigos leitores sois bem mais que três e franquear-vos-ia as portas de imediato para que comigo se sentassem À mesa. Temos de pedir ao povo um ditado que onde comam dois comam pelo menos mais uma dúzia para que o convite seja feito. E como não há mês mais irritado do que Abril zangado vamos todos aproveitar este domingo de Março, o último deste período com horário de inverno porque no próximo o galo cantará mais cedo. E como saber esperar é uma grande virtude peço-vos que tenham a santa paciência de esperarem por algo mais interessante que isto para lerem durante a próxima semana porque isto só pode mesmo ser da fome. Até porque por casar nunca ninguém ficou, não foi com quem quis, foi com quem calhou.