Preciso de ajuda. Quase sempre me deito tarde. Deitar tarde e tarde erguer, não parece ser ditado popular que se costume utilizar por não encerrar nele nenhuma virtude ou ensinamento visível. Se bem que não me queixe de falta de saúde a verdade é que pelo menos não me fez crescer. E é neste meu vício de não me deitar cedo que acabo por ver coisas que nunca me passaram pela cabeça ver. Por exemplo, assistir a um palermíssimo programa de TV onde as pessoas por 0,60 € + IVA, se tiverem a sorte da sua chamada ser seleccionada, têm direito a tentar a sorte de adivinhar a palavra de quatro letras escondida dentro de um envelope e que constitui a chave vertical. Entretanto, vão preenchendo cada uma das quatro quadrículas da chave, decifrando na horizontal, palavras, também, de quatro letras. Preciso, portanto, de ajuda. Não exactamente para que me indiquem qualquer coisa que me ajude a dormir, nem tão pouco para me aconselharem qual o canal que eu deva estar a ver a altas horas da noite, se é que deva mesmo estar a ver televisão. A ajuda que eu necessito é a de saber onde posso encontrar o significado da palavra CAXO. Procurei já em muitos dicionários e nunca encontrei. Será que existe ou aquilo é mesmo só para enganar quem telefona?
segunda-feira, janeiro 11, 2010
sábado, janeiro 09, 2010
1514. Bom português

O acordo ortográfico deveria ser para começar a cumprir já a partir deste Janeiro. Há quem insista em não o fazer, outros já o fazem há mais tempo. Agora inventar um novo acordo é que não vale. O Jornal O JOGO online publicava hoje às 12:34h uma notícia sobre o ataque HÁ selecção do Togo. HÁ???????? Que é isto Sr. Jornalista?
domingo, janeiro 03, 2010
1513. Obrigadinho

Podem pensar que sou um chato, que gosto de falar mal de tudo e de todos mas não é verdade. Aliás, quem me conhece e quem foi , digamos que, “comandado” por mim nas minhas várias funções directivas sabe que, antes pelo contrário, sempre fui muito mais de elogiar do que de criticar, pelo menos em público, sempre incentivei os meus colaboradores e se era para “dar na cabeça” , como soy dizer-se, privilegiava o privado e em público isso só acontecia quando era obrigatório fazer crítica construtiva.
O facto de aqui no meu blog eu estar um bocado conotado com o inverso, isto é, com a crítica pública e mordaz, não me impede de vir aqui mandar um ramo de flores a quem o merece. Poderão alguns argumentar que não fizeram mais do que a sua obrigação. Mas, tendo em conta que há tanta gente que não faz a mínima ideia do que é a sua obrigação, não acho nada por demais dar a César o que é de César. Vem isto a propósito do meu post de ontem, mas não só.
No passado dia 11 fui de passeio à Ilha de S. Miguel, Açores. Chegado ao aeroporto dirigi-me ao posto de turismo para recolher alguns folhetos informativos e mapas. Não só obtive a papelada que pretendia, como também fui atendido por uma funcionária excepcional que me inteirou de praticamente tudo o que era passível de visitar no espaço de tempo pretendido, bem como informação, razoavelmente detalhada, sobre cada local. Mas não foi só trinta e um de boca, fez o favor de o assinalar no mapa, legendando-o. Estupidamente não fixei o nome da funcionária que merecia que eu a mencionasse pela sua Graça. Mas aqui fica o meu agradecimento público. Afinal temos lindas paisagens mesmo. Nem que para isso tenhamos de ir aos Açores.
Foto PreDatado©, 2009, Ponta Delgada, S. Miguel, Açores
sábado, janeiro 02, 2010
1512. É só paisagem

Ou este país não existe, ou é só paisagem. Eu sou da velha guarda, do tempo em que se fotografava, pegava-se no rolo, mandava-se revelar (nunca fui profissional e nunca revelei as minhas próprias fotos) e depois mandava-se imprimir em papel. Ainda gosto de tocar as fotografias, neste tempo do digital e, por isso, vai-não-vai, mando fazer algumas em papel para as tocar, "ver" com as mãos, arquivar em álbuns, juntar-lhes outros elementos relacionados, como por exemplo bilhetes de avião ou recibos de portagem, facturas de hotel ou de almoços mais significativos e tal e nem era por nada disto o post que eu ia escrever e que já vai longo e chato, deixem-me interrompê-lo a meio.
Fui anteontem à FNAC no Almada Forum mandar fazer algumas fotografias. Uma empregada da loja de fotografia atendeu-me, enquanto “dava à língua” com um, ao que me pareceu, colega mas não da mesma área. Apesar da dispersão cliente/conversa privada, fez o que lhe competia, transferiu-me as fotos para o sistema da FNAC, ajudou-me a escolher o tamanho das ditas, fez sair o talão de encomenda, e, espanto meu, OOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHH, mandou-me esperar um pouco que uma colega já acabaria de me atender porque tinha de ir almoçar. O que faltava fazer era preencher um formulário com o meu nome, dar-me o canhoto para levantamento e dar-me as boas tardes. Coisa de menos de dois minutos. Neste entretanto, fiquei na seca durante mais de dez minutos à espera que a colega acabasse de atender outro cliente, que chegou depois de mim e que não tinha, obviamente, culpa nenhuma disto.
Só num país da treta como este é que um funcionário de uma loja deixa um cliente a meio para ir almoçar, independentemente dos justos direitos que lhe assistem. Num país da treta como este restam as bonitas paisagens.
Foto PreDatado©2009, Lagoa do Fogo, S. Miguel, Açores
sexta-feira, janeiro 01, 2010
1511. Feliz Ano Novo

Iniciamos mais um ano. Assim o obriga o calendário gregoriano que tem esta coisa mágica de fazer parecer que apenas num dia a seguir ao outro, que por acaso foi o último do ano anterior, torna logo tudo tão diferente, tudo tão cheio de esperança, tudo num tomara que desta vez é que seja. Para muitos é isso, uma renovação de esperanças; para outros, tempo de reflexão e balanços e para outros, os mais pragmáticos, tempo de ficar na cama a curar a senhora bebedeira da véspera. Não escapo ao conjunto daqueles que balanceiam espaços temporais, mas já não me revejo no grupo dos esperançosos. Quanto à curtição, se as palavras escritas não me atraiçoarem, parece que não houve nada de especial apesar de, para espanto meu (oh my God!), ter descoberto em cima da mesa do jantar / reveillon de ontem muitas mais garrafas vazias do que as que esperava.
O ano que findou foi um ano de emoções mistas, um ano de grandes alegrias e de outras tristezas que, infelizmente, não são passíveis de evitar. Ou talvez sim, mas seriam contas de outro rosário que não vou aqui desfiar. Além de outros tive o especial amargo de coração de ver partir o meu sogro, pessoa de quem gostava muito, mas também tive muitas comemorações que, tudo indica, se prolongarão por este ano. Vi o meu filho terminar a sua formação académica, hoje já arquitecto a trabalhar num atelier na Suiça por sua própria opção, vi a minha filha casar-se e vi-a terminar a sua tese de doutoramento, faltando “apenas” a sua defesa em sede de dissertação, o que poderá ocorrer já no início deste ano. No que respeita a coisas da minha própria intimidade está dito o essencial.
Foi também um ano em que se confirmou o que todos já sabiam que iria acontecer mas que era preciso legitimar pelo voto do nosso povo. Os ataques desmedidos aos funcionários públicos, com especial ênfase nos professores, o sistema de ensino que ninguém consegue reformar, o sistema de saúde que ou não funciona ou funciona mal, a justiça que não anda nem desanda com processos a arrastarem-se penosamente nos procuradores e nos tribunais, as situações dúbias relativas a putativos actos de corrupção sem esclarecimento cabal, tudo isso acabou premiado, ao manterem-se os mesmos e as mesmas políticas em frente da governação. Os milhares de desempregados que em cada dia engrossam fileiras, as empresas que teimam em fechar ou a “deslocalizarem-se”, os subsídios escassos a quem efectivamente precisa e que nos vai mostrando uma fileira de pobres a puxar-nos, hora a hora, cada vez mais para a cauda do pelotão do desenvolvimento obriga-me a que, como disse atrás, me exclua do grupo daqueles que ainda mantêm viva alguma esperança.
Por mim, vou bebendo uns copos e deixando que a água corra por debaixo das pontes. Se for vivo, amanhã, brindarei de novo ao Deus Sol.
Feliz Ano de 2010 é o meu voto para vocês, minhas amigas e meus amigos leitores.
Foto, PreDatado©2009, S. Miguel, Açores
quinta-feira, dezembro 24, 2009
1510. Feliz Natal

De arco-íris e negros céus
Se fazem tempestades,
E os gatos ronronam
Em tapetes persas.
As tonalidades e murmúrios de Hossanas
No teu céu, são mundo meu e
Eu te amo.
Cerraste janelas e a noite
Invadiu o teu corpo de desejos.
Era frio e Natal.
E nós envoltos
Num presépio de afectos.
Foto PreDatado©, Dez 2009, Achada, Açores
O vosso amigo Pre vem por este meio comunicar, a todas as interessadas e a todos os interessados nesta quadra festiva, que lhes deseja um Feliz Natal de muito amor e de Paz. E para aqueles e aquelas que são cristãos como o Pre e para aqueles e aquelas que o não são, que Deus vos abençoe.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
1509. Conforto
Ainda não está muito frio, embora lá no interior do Alentejo as noites já comecem a ser fresquinhas. Mas que dá cá um conforto ter o lume aceso, ah isso dá. E até se assam castanhas. Vai um tintinho?
terça-feira, novembro 24, 2009
1508. Mestria e champanhe

Nem eu, nem a minha mulher fomos ou somos pessoas de nos imiscuirmos nas grandes opções dos nossos filhos. Contudo, sendo nós mais velhos, o que aliás, geneticamente falando, não poderia ser de outro modo, teve a experiência a gentileza de nos dotar de instrumentos, que poderemos chamar de úteis, para que, de alerta em alerta, os pudéssemos utilizar, não no sentido do proteccionismo, mas sim no da orientação em momentos de alguma fragilidade (deles) e também no do ensinamento na destrinça do que poderia ter ou não efeitos perniciosos no seu desenvolvimento. Posto isto, não fica difícil de perceber porque é que cá em casa há adeptos de diferentes clubes de futebol, porque é que a opção político-partidária não goza de unanimidade, porque é que temos visões diferentes das religiões ou porque é que uns preferem Radiohead e outros Caetano Veloso e por aí a fora, fico-me por aqui para poupar-vos à, sempre difícil, digestão dos textos corridos do PreDatado. Mas se por um lado tudo acima é verdade (juro mesmo, absoluta), também é verdade que nem só de pragmatismos vive o homem (tomem lá esta) e nunca lhes faltou um colo, um ombro, um abraço, um mimo, um carinho, uma ternura em todos os momentos que não só os necessários. Foi neste misto de afectividade e de céu estrelado, com algumas nuvens a vislumbrarem-se no horizonte (poeta!) que foram calcorreando as ruas do futuro, o qual lhes foi também ensinado que cada dia é o primeiro dia do mesmo. E hoje começa um novo futuro para o meu João Pedro. O meu filho, o meu menino, fez hoje a apresentação e dissertação da sua tese de Mestrado em Arquitectura. É um Mestre nesta arte, que a de gerir todas estas emoções mesmo que com a ajuda de um lenço para lhe afagar aquela teimosa lágrima que não para no canto do olho, mestre mesmo é o pai dele. Para ti meu filho, é hoje a taça de champanhe que eu levanto e, quando tomares a próxima decisão avisa-me que eu sou todo ouvidos.
sexta-feira, novembro 13, 2009
1507. Molhar a minhoca, diz ele
Jaquinzinhos com arroz de tomate, bacalhau à lagareiro, arroz de tamboril com gambas, sardinha assada na brasa, salmonetes na grelha, caldeirada à fragateiro, sopa rica de peixe, salmão fumado com cebolinho, gambas à la planche, amêijoas à bolha pato, salmão marinado com gengibre, pargo no forno à moda da avó maria, mexilhões à marinheiro, fataça na telha à moda do ribatejo, cachuchos fritos com arroz de grelo, pregado frito com açorda, peixe assado no forno com tomate, cebola e salsa, bacalhau à brás, pescada cozida com feijão verde, tímbalo de polvo, chocos assados com e sem tinta, caldeirada de lulas à moda da nazaré, espetada mista de tamboril com camarão e pimentos, lulas recheadas, bacalhau à moda de lafões, sopa de peixe à moda da costa verde, filetes de polvo com arroz do dito, pescada à florentina, vieirinhas recheadas, lagosta suada, lavagante na chapa, ostras frescas abertas ao natural com sumo de limão, açorda de sável à ribatejana, sopa de cação, achegãs de caldeirada em forno de lenha, bacalhau espiritual, espetada de lulas com chouriço, rissóis de camarão, safio com ervilhas à moda da póvoa, fritada mista de peixinhos do rio, carapaus alimados, escabeche de carapaus fritos de um dia para o outro, arroz de sardinhas à algarvia e não me venhas cá tu, grande rafeiro, dizeres que passavas bem com uma sandocha de couratos. Dedica-te mas é à pesca. E podes levar a tua jove contigo que ela ajuda-te a pôr a minhoca no piercing.
quinta-feira, novembro 12, 2009
1506. Rotinas

Vão chegando, entre as seis e as sete, juntam-se no muro com uma mini na mão. Como se fossem um bando de estorninhos que atacam a oliveira. Depois de um largo linguajar, os apertos de mão, dão meia volta e regressam ao lar. No muro fica a fila de garrafas que o tasqueiro, solicito, deita num balde. Amanhã sairá nova rodada. Até que o inverno chegue.
Fico na varanda a vê-los chegar, agora mais cedo porque a hora mudou. Para nós, não para eles, para eles o que muda é o tamanho do dia, o menor intervalo entre a manhã e a noite. Regressam em bandos às árvores, num estranho linguajar feito de chilreios. Não sei se me parecem estorninhos ou se o são.
Agasalhados, porque o vento ribeirinho corta, saímos todos como se fossemos um bando (de estorninhos?) do vapor – já ninguém lhe chama vapor, gente de outras gerações que têm catamarans de usufruto - na outra margem. Acenam em linguajares de até amanhã, de espere aí, de que chatisse, perdeu-se o autocarro, perdeu-se o metro, numa correria de horários. Aconchega-se o cachecol ao nariz, porque o vento ribeirinho corta. Amanhã, pela manhã, quer a luz do alvorecer raie ou não, abandonaremos a árvore e sairemos para os nossos campos (como estorninhos?) à espera de vindouros invernos.
Corta!
(gostaria de conhecer o autor da foto para lhe prestar os devidos créditos, mas infelizmente encontrei-a na net sem referência ao autor)
domingo, novembro 08, 2009
1505. Felicidade

Dizem que não se podem, ou melhor, que não se devem começar textos por determinadas palavras mas apetecia-me começar este por, Até S. Pedro se quis associar à tua festa, pois, na verdade, após os dias invernosos que se fizeram sentir desde meados da semana passada, continuado neste chuvoso dia de hoje, ontem o Sol resplandeceu maravilhoso para te ver sair, deslumbrante, de casa dos teus pais, a caminho de uma nova vida que te auguro risonha, por quem és e porque o mereces e, quem assistiu e testemunhou ajudou-me a encher o ego de pai (estou que nem posso) ao me fazerem saber que foi linda a festa, Anita.
Sabes minha filha, ontem, quando te conduzia na passadeira para “te entregar” ao teu noivo, mordi várias vezes o lábio inferior para que não me viessem aos olhos as pieguíssimas lágrimas, que conheces bem, mas que hoje, ao lembrar-me que vais sair deste ninho para fazeres o teu próprio não as consegui segurar, mas não te preocupes, porque se nisto há um não sei quanto de nostalgia ele há, e aí posso te garantir, um trilião de vezes mais de alegria e sabes porquê, Anita? porque eu te amo.
sexta-feira, novembro 06, 2009
1504. Ye Monks. Champanhe é amanhã
Em 1979, era eu um embarcadiço, assim como que armado em marinheiro (não gostava de whisky) pensava e repensava onde é que havia de gastar o dinheiro que ganhava, não muito diga-se de passagem, não havia centros comercias, o Colombo mais próximo que conhecíamos era um antepassado nosso, também marinheiro e, em Gaia, só passeavam rabelos, que petroleiros daquela envergadura só até ao Mar da Palha, mas isso já é Tejo, são outras águas (põe-se água no whisky, não é?), pois shoppings não havia desses, dos que há agora e então gastava-se o dinheiro na cantina (oh Felix abre ali a tasca que preciso de cervejas) mas era só a partir das quatro e picos quando o tasqueiro largava o quarto do meio-dia, também se encomendavam, através da cantina, ao ship chandler, alguns artigos de luxo (um dia levei uma rabecada por misturar coca-cola num Chivas Regal) entre eles uns sabonetes que só muitos anos mais tarde se começaram a vender por cá e até whiskies (uma queixa crime de quem não o beber puro) de maior prestígio.
Um certo dia (não me atrevo a fazer qualquer mistura) ainda eu não bebia whisky e a minha bolsa não dava para comprar o Royal Salut em bolsa de veludo azul gravada a dourado, comprei uma Ye Monks em garrafa de porcelana, whisky de 12 anos que hoje, passados que são (nem pensar em deitar-lhe água castelo, quanto mais coca-cola) todos estes 30 anos, já estará com os seus 42, já as vi à venda na net por 200,00€, portanto um bocadinho mais velho que alguns dos meus leitores e das minhas leitoras, mas tu nem gostas de whisky e isto custa um balúrdio, portanto vai ser aberta quando se casar o meu primeiro filho e vai daí foi preciso casar entretanto, ir aprendendo a gostar de whisky (uma pedrinha só), esperar os nove mesitos que essa coisa do pré-natal demora e toma lá que é uma menina linda, linda, linda.
Hoje, mais logo pela tardinha, vou abrir a Ye Monks. A Anita casa amanhã, Sábado, e Sábado é mais dia para champanhe do que para (o quê, água lisa, gelo? nem pensar) whiskies. E cá estarão alguns amigos para me acompanhar num brinde à minha filha, ao seu marido e ao seu novo futuro.
No Sábado jorrará champanhe!
(coca-cola, tás mas é maluco)
quinta-feira, outubro 29, 2009
1503. Reflexos de mim mesmo

- Seis anos depois e estás na mesma,
disse-me logo pela manhãzinha, mal me aproximei
- Na mesma como?
indaguei-o, pois não sabia (se calhar sabia, mas não me inteirei de imediato) do que estava a falar
- O mesmo rosto, o mesmo estilo, não mudaste nada
pensei que me estivesse a chamar conservador, no seu jeito meio sarcástico que às vezes chega a ofender, mas desta vez acabei por o perceber mais rápido do que o habitual
- É imagem de marca
disse-lhe com um sorriso
- Então, parabéns!
pareceu-me sincero, tenho de confessar
- Obrigado
respondi-lhe enquanto o via voltar-me as costas com uma flute na mão
(o meu espelho, quando se trata de comemorar o aniversário de O PreDatado, nem repara que não é costume, cá em casa, beber-se champanhe logo pela manhã)
sábado, outubro 24, 2009
1502. Não fiquei chateado

Eu gostava de conseguir fazer-me entender pelas minhas amigas leitoras e pelos meus amigos leitores quando tento justificar ausências tão prolongadas da blogosfera e sei que nem sempre o consigo. Na realidade, quem vai fazer dentro de uma semana seis anos de escritos bloguísticos predatados deveria ter outras obrigações, sei lá, mais responsabilidade perante quem se sacrifica tanto, quem chega mesmo a trocar um dia de praia, umas horas no SPA, vá lá, uma sandes de presunto ou até mesmo dois rissóis de camarão para vir aqui ler O PreDatado e, nada. Mas hoje competia-me no mínimo dar esta satisfação pública. Eu não tenho vindo aqui escrever por outras razões e não, como já alguém insinuou, por ter ficado chateado por não ter sido convidado para ministro do novo governo. Não estou chateado por não ter sido convidado para ministro, repito, pronto! Não estou chateado, bolas! Até porque se o tivesse sido não teria aceitado. E perguntam-me nesta altura da leitura as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores porque é que não fiquei chateado assim tipo: Pre, Prezinho (isto eram as amigas), porque é que não ficaste chateado? E aí eu respondo, porque na semana passada casou a minha sobrinha Sara e eu comprei uma gravata nova para ir ao casamento dela, daqui a pouco está a casar a minha Anita e eu também já comprei uma gravata nova para ir ao casamento dela. E vós achais que eu sou rico, sou? Pareceria bem eu tomar posse como ministro de gravata nova, não é verdade? E eu ganho lá para isso, hein? É que nem com a venda dos porcos, das vacas cor-de-rosa e das pomegranate trees, da minha famville lá no facebook se consegue auferir para tanta gravata.
terça-feira, outubro 20, 2009
1501. Gravata verde

Eu não sei e, confesso, nunca investiguei porque é que quando alguém pensa que poderá passar por uma grande vergonha utiliza a expressão “eu pintaria a minha cara de preto se…”. É natural que esta frase tenha conotações racistas, é também natural que não tenha, alguém que estude as frases populares que mo diga, que eu agradeço. O saber não ocupa lugar, ou ocupa mas eu acho que ainda tenho uns Gb livres. Posto isto, quem me conhece seja ao vivo e a cores seja através deste blog sabe que eu poderia utilizar esta frase e / ou outras política e socialmente menos correctas, não veria em mim qualquer preconceito racial.
Perguntais vós, amigas e amigos leitores deste blog, porque é que o PreDatado vem com esta conversa toda sobre preconceito, sendo ele um Sir, como todos o sabem. Pois meus amigos eu vou fazer a segunda confissão do dia: eu, PreDatado, Pre para os amigos e Prezinho para as amigas (já para não referir Sir Pre nos casos em que noblesse oblige) sou de facto um preconceituoso. Por mariquices que só as mulheres (quero dizer, a minha, não generalizemos) sabem a razão, devo ir a condizer com qualquer coisa, não só quando levar a minha filha na presença do representante da Lei, no dia do seu casamento, mas também e principalmente quando, em plena cerimónia, estiver lado a lado com vestido cor de esperança com que a minha cara-metade se irá apresentar. E vai daí, ontem, comprei uma gravata verde. Não vomitei na altura porque sou mais ou menos de bom estômago, mas se algum correligionário do nosso Glorioso Sport Lisboa e Benfica me fizer alguma observação jocosa lá terei de pintar a minha cara de preto. Pelo sim pelo não, vou levar, no bolsinho do colete, uma pequena bisnaga de tinta.
Imagem tirada daqui
segunda-feira, outubro 19, 2009
1500. Help me ou como quem diz dêem-me aí uma mãozinha

Um gajo passa um fim-de-semana descansado, logo iniciado na sexta-feira à tarde e senta-se à espera que lhe saia o euro-milhões que, como é mais de 76 milhões de vezes improvável, obviamente não lhe vai sair e, descansadamente também, assiste no dia seguinte a uma goleada das antigas, do seu Benfica, numa Taça de Portugal a que chamam de festa do futebol, vendo cada golo do Glorioso entre umas amêijoas à Bolhão Pato, umas gambas ao natural e um berbigãozinho da Trafaria, um paio de porco preto daqueles com 60% de desconto imediato no jumbo e um camembert com vinho tinto e, claro, sempre descansado, fica a saber que não lhe saiu, mais uma vez lhe não saiu o prémio acumulado há montes de semanas do totoloto que já vai em 7 milhões de aérios que lhe davam cá um jeito do caraças. Mas não deixa de se ir deitar descansado mesmo assim hesitando se devia de pôr um filme no leitor de DVD, ao calhas, daqueles mais de trinta a que nem sequer lhe tirou o celofane e que, sendo do ano passado já parecem ter mais barbas do que o pai natal, ou se deve ir ao corpo dar descanso para mais um domingo descansado, do qual tirando ter de fazer o almoço mexicano de fajitas e tacos, fora as entradas, se limitará a semear abóboras, a colher arroz, a plantar morangos e framboesas num novo vício chamado farmville, não é que para quebrar todo este descanso vem de lá um trojan qualquer se instala na página inicial do facebook, o avast não o deixa meter o pé em ramo verde e lá fica um gajo amputado de um membro cibernético que é o seu facebookzinho onde ele não produz grande coisa mas se entretém a espreitar e a seguir sugestões dos seus friends. Mas o pior, o pior é que este tipo que aqui escreve já lançou uma data de SOS no twitter mas parece que os seus followers ainda estão todos a dormir. E esta excitação toda à roda de um Cavalo de Tróia fê-lo sair do seu merecido descanso. Agora só lhe faltava sair a Lotaria para a desgraça ser total.
sexta-feira, outubro 16, 2009
1499. É só para facilitar a malta

PS. A utilização dos diminutivos anitos, semoventezinho, surpresinhas, cêntimozinho, carcacita, pretinhas não foi propositada. Eu é que sou muito meiguinho. Outro.
PPS. Sempre que vou ao Cais do Sodré (e cada vez são menos vezes) não resisto a ir ao British Bar beber um Alto-Douro. Não sei como é feita a mistura mas fresquinho sabe tão bem. Nostalgias.
Foto de jmcrosa encontrada aqui
terça-feira, outubro 13, 2009
1498. Trocas

Bem sei que não escrevo neste blog há uma data de dias e que para escrever isto mais valia estar quieto. Mas depois de ter estado mais de duas horas a ouvir um patético debate com 3 directores dos mais prestigiados jornais nacionais e um director de uma rádio especializada em jornalismo, onde não só não se esclareceu nada sobre os temas em debate como ainda mais me (nos?) deixou baralhado(s) e que terminou com a uma ainda mais patética acusação (sim acusação!), à laia de remate, do director do Expresso ao director do DN de que este teria sido jornalista desportivo (?????) acabo a noite a rir a gosto. E porquê?
Porque acabei de ler uma notícia, para mim benfiquista, saudavelmente fanático – o saudavelmente é da minha autoria e esperando que o director da blogosfera não me ache indigno de escrever num blog só porque eu gosto de desporto – que me deixou muito alegre. Então não é que José Eduardo Bettencourt vai apresentar hoje, no final da tarde, onze novos sócios do Sporting, entre eles o atleta Marco Fortes, campeão nacional do lançamento do peso, atleta este que hoje acabou de assinar contrato com o rival Sport Lisboa e Benfica? E não dá vontade de rir à gargalhada?
quarta-feira, outubro 07, 2009
1497. Tiros para o ar

- Que cara é essa? – Perguntei-lhe, pois não o costumo ver assim logo pela manhã.
- Não sei a que te referes… diferente de ontem? – Perguntou-me como se me respondesse.
- Não estás acostumado a que te interroguem, é o que é – disse-lhe eu tentando perceber o seu rosto estupefacto; definitivamente ele não estava a compreender nada.
- Olha lá – força de expressão, pensei, pois eu sempre estive a olhar – acordaste hoje com vontade de me chatear? É alguma vingança? – Voltou a interrogar-me.
(Abro aqui um parêntesis para vos relembrar que de facto é sempre ele que costuma fazer as perguntas ou, quando não, a atirar a primeira frase).
- Bom, eu vou directo ao assunto. Pareces um urso. Além dessa barba vergonhosa tens os cabelinhos todos em pé. – Agora sim, ele perdeu na antecipação. Quem me deveria estar a acusar era ele e não eu. Mas estou cansado de que em noites mal dormidas ou de estranhas condições seja eu o encostado à parede.
(deu uma gargalhada sonora e reflexiva de tal forma que o acompanhei na risota)
- Foi o vento caramba! Deves ter dormido que nem uma pedra, rapaz, não deste por nada e agora vens-me acusar de eu estar com os cabelinhos todos eriçados. – E dito isto o meu espelho tremeu, bateu ligeiramente contra a parede e por milagre não se fez em fanicos diante dos meus olhos.
(eu corri a fechar a janela).
Foto PreDatado©2009 – Vento
sexta-feira, outubro 02, 2009
1496. Olhares

O barracão pintado de castanho-escuro, feio por sinal, é o clube. Afixados os avisos, fiquei a saber que se podem tomar os pequenos-almoços ao Domingo e que em breve haverá assembleia extraordinária. Numa mesa da esplanada dois homens jogam dominó. Infeliz aquele que em três mãos consecutivas consegue tirar cinco doblas. O outro usa chapéu e tem um cigarro no canto da boca. A moça do carrinho de bebé ainda está bronzeada. Desempregada, acabou por aproveitar os últimos raios de sol de um Verão quente. A que a acompanha, também desempregada, vai fazer uma plástica às mamas e o puto é a cara chapada do pai. Isto, ouvi dizer porque o pai não estava lá. Um casal, de provável mais baixa condição chega, toma a bica e vai. Cada um que chega se cumprimenta pelo que todos conhecem todos. O homem do casal de mais baixa condição é cumprimentado por todos e acabou por ganhar um biscate de pintura. Já ganhou mais do que o das cinco doblas. O gordo tem piada e o que lê o jornal levanta os olhos e ri-se cada vez que o gordo fala. O que vê a partida de dominó toma um whisky Cutty Sark com 2 pedras de gelo preenchido com uma garrafa de Água das Pedras. Vai durar-lhe quase toda a tarde. O gordo vê o canal Entretainment e conhece a vida dos famosos de Hollywood. Continua a dizer piadas e os outros riem. A que chegou também quer fazer uma plástica às mamas. Beijam-se todos e cumprimentam-se todos mas há beijares que trazem água no bico. O da t-shirt fashion sabe-a toda e fica atento. Olha para a que tem aparelho nos dentes e de vez em quando segreda-lhe qualquer coisa. O que esteve internado, está melhor e já toma o lanche no clube. Usa blusa Lacoste que não parece ser de contrafacção. O do rabicho apanhado à Manolete (será que ele sabe quem foi, Manolete?) veste um fato cinza, de corte moderno. Aliás, os próprios sapatos são daqueles que lhe fazem um pé maior do que o do Cristiano Ronaldo. Pode ser um executivo, mas pode ser o gerente de uma loja âncora no Shopping. Bebe uma cerveja Super Bock e senta-se numa cadeira, isolado dos outros. Observa a roda de assistentes que se formou no jogo do dominó. O gordo continua a dizer piadas e até sabe o custo das viagens às clínicas de estética do Brasil. O outro arreou o Correio da manhã. Eu terminei a água do Luso e fui.
Infelizmente não sei o nome do autor da imagem que encontrei na net. I’m sorry. Nenhuma das marcas ou nomes referidos pagou pela publicidade. Mas já era tempo, hein?