quinta-feira, julho 23, 2009

1465. Penso rápido

Não há ninguém que eu tenha conhecido que escreva tanto como o Luís. Uma vez, em casa dele, estive uma tarde inteira a contar manuscritos. Daria para dobrar a obra do José Saramago mas assim em formato Guerra e Paz. E isso eram só as chamadas obras acabadas. Contos, romances, ficção, poesia, ensaios, pesquisas e sei lá mais quantos géneros que eu, meus queridos e minhas queridas, sei pouco de literatura para distinguir. Uma vez, por graça, perguntei ao Luís porque é que ele nunca tinha apresentado uma única obra a uma editora. Respondeu-me, com muito mais graça do que a da minha pergunta, que já lhe faltava a paciência para traduzir. É o raio daquela letra com que ele escreve que, na verdade digo isto porque tenho esperanças que ele não me leia e ninguém lhe vá contar, ninguém consegue entender. Diz que começou quando estava na tropa, mas sei eu e sabem alguns outros colegas dele, que era assim mesmo que ele tomava apontamentos nas aulas (assim como que em jeito de parêntesis confessou-me que só tirava apontamentos para exercitar os músculos dos dedos e das mãos pois nunca lia nada do que anotava). Só podia ter-se formado em medicina já que na verdade tinha letra de médico e há que começar por algum lado. Já na tropa foi enviado para a Guiné e, homem do caraças, diz que foi o único período da vida dele em que esteve à beira do paraíso. Quase que foste para os anjinhos? – indagámos – Nada disso, ripostou, foi a época em que escrevia 5 aerogramas por dia. Por falar em aerogramas, foi nesse tempo que Luís conheceu a Esmeralda, sua única, que saibamos, namorada e hoje em dia sua fiel esposa. Uma mulher que lhe dedica tanto ou tão pouco carinho que todos os dias lhe arruma a papelada toda no escritório enquanto no hospital ele se entretém a passar receitas. Mas eu ia falar dos aerogramas. Um dia, quando no início se começou a corresponder com o Luís, entrou-me pela farmácia dentro, passe o pleonasmo mas é só para dar ênfase, a Esmeralda aflita porque não percebia patavina do que estava escrito no aerograma. Aviei-lhe então um xarope para a tosse, uma caixinha de Saridons e duas embalagens de compressas.

Eu sei, amigas leitoras e amigos leitores que do Pre ou Sir Pre, título incluído que tanto custou a adquirir, se espera sempre algo sério, erudito e muito bem elaborado, mas eu hoje estava danadinho para contar uma anedota.

Foto daqui

terça-feira, julho 21, 2009

1464. Redondinhas

Algumas bolas fizeram e fazem, fizeram e já não fazem, não fizeram e agora fazem parte da minha vida e algumas delas da vida de todos nós. Hoje não me debruçarei exaustivamente por um tema tão aliciante sob pena de tornar a escrita redonda e seja por via de um paralelo ou quiçá de um meridiano esta ir sempre parar ao mesmo sítio. Aliás uma bola é o único objecto que faz jus ao velho e popular dito “não tem ponta por onde se lhe pegue”. Da bola e bolas que chutei desde garoto uma delas engoli. A minha médica diz-me que eu devo tentar reduzir o perímetro abdominal que é uma forma eufemística de me dizer que nem o basquetebol se joga com uma bola assim. Outras há, as de Berlim (abro aqui um parêntesis para vos dizer que nunca comi bolas de Berlim tão boas como as que comi em Berlim – eu não vos avisei que este tipo de escrita é redondo?) que se vendem na praia. Este ano tive já oportunidade de estar em praias algarvias e o som agora é quase exclusivamente Bolinha de Bérrlim, com os mais variados sotaques dos nossos irmãos brasileiros (e irmãs que aqui não mora nenhum preconceito). Por acaso também se vendem nas pastelarias, mas não é a mesma coisa (agora fiquei zon). Uma vez vi vender bolas numeradas em Tóquio. Explico. Havia umas casinhas onde se formavam longas filas – saudade de escrever bichas, mas sou lido por muito pessoal do lado de lá que não iria entender – para vender bolas de cortiça de diferentes tamanhos e numeração. Estranho negócio este, pensei eu, só pode ser coisa de orientais, voltei a pensar porque às vezes eu penso mais do que uma vez. Como o jogo a dinheiro era, talvez ainda seja, proibido no Japão fora dos casinos, o fruto do jogo clandestino era pago em bolas numeradas. Alguém nessas casinhas exercia um negócio, perfeitamente legal, de comprar bolas numeradas. E dizem que os portugueses é que são desenrascados. Por acaso eu acho que somos é uns pacóvios de primeira. Está bem que foi no século passado mas a coisa tem uns 20 a 25 anos. Andou a D. Branca a comer as papas nas cabeças de muitos portugueses com uma das maiores vigarices do século em Portugal que até deu direito a uma telenovela em horário nobre e tudo e parece que se esqueceram depressa continuando a cair no conto do vigário agora com uma D. Aurora. Ainda se fosse uma aurora boreal. Bolas que são burros. Ou serão apenas uns cabeças de abóbora muito redondinhas?

Foto daqui

domingo, julho 19, 2009

1463. Ponto de ordem

Tenho uma vaga ideia de que o primeiro ponto que conheci foi o Ponto Azul. A minha tia Felismina tinha um rádio Ponto Azul e a minha prima Helena, a primeira pessoa a ter televisão na família, se a memória não me falha, tinha uma Ponto Azul também. A partir daí os pontos passaram a fazer parte da minha vida quotidiana tão inevitáveis que alguns ainda me causam pontos de interrogação. Um tio meu foi ponto num teatro de revista em Lisboa, a minha mãe fazia doces onde era presença frequente o ponto caramelo, o ponto pérola ou o ponto estrada e mais tarde, era eu assim já espigadote e com pontos negros no nariz e nas bochechas, além do acne juvenil, a minha namorada, quando eu lhe punha sorrateiramente uma mão na perna, picava-me com a agulha com que se entretinha a fazer ponto cruz. Entretanto já eu me acostumara a ir espreitar o livro de ponto entre duas aulas a ver se a professora de História me tinha marcado falta de atraso na única aula que começava antes do meu autocarro chegar, a estudar que nem um marrão para o ponto de química, ou a não perceber nada dos códigos nos cartões de ponto quando comecei a trabalhar na Lisnave. Ficaram aqui muitos pontos por referir como é, por exemplo, o caso das sextas-feiras, dia da semana feito de propósito para os nossos deputados irem lá picar o ponto e pirarem-se para as suas santas terrinhas ou então para Paris ou Nova Iorque que são pontos de encontro muito mais chiques. Mas eles podem porque de quatro em quatro anos lá estamos nós a votar que é como quem diz a marcar o ponto para os legitimarmos. Não sei porque é que falei nisto tudo se a minha intenção era apenas falar nos ecopontos. Os ecopontos são aquelas caixas de plástico grandalhonas que povoam os nossos bairros residenciais e que vieram resolver todo o problema do consumo e exaustão de recursos do planeta. Basta reciclar. Há-os para quase todos os gostos, para embalagens de muitas espécies sendo que, algumas embalagens têm mesmo pontos especiais para elas, que o digam as de vidro e as de cartão. Mas tal como os nossos relvados, sejam os de ao pé da porta que apenas tentam mitigar os efeitos dos aglomerados de betão onde vivemos, sejam os de jardins e parques públicos, se tornaram ponto obrigatório onde madames e cavalheiros levam os seus canitos a defecar (eu por acaso até ia escrever cagar mas, no ponto em que vou, achei feio), também os ecopontos rapidamente se tornaram depósitos dos mais variados lixos. Está-se mesmo a ver qualquer dia as ruas cheias de sofaponto, vesturióponto, movelóponto, frigorificoponto, televisãoóponto e outros objectópontos até chegarmos ao ponto em que um engraçadinho se lembre de intalar o sograóponto. O que nós somos todos é uns grandes pontos e ponto final! (ponto final, ponto e vírgula, que isto é um ponto de exclamação).

Foto: Predatado

sexta-feira, julho 17, 2009

1462. Brilhos


Já não são de sorriso castanho-escuros e maiores que azeitonas como quando antigamente faziam a delicia das moças da região, Só namoradas teve mais de vinte, diz a mulher quando disso se fala, mas continuam a brilhar como antes quando de uma boa brejeirice ou quando nos relembramos, em contos ao serão, do tempo em que as jovens vizinhas, já ele homem casado, o iam fazer levantar da cama para as acompanhar ao chafariz. Hoje é com alguns “papinhos” e outras rugas que sorriem os olhos do Ti Augusto quando de antigamente falamos também das pescarias, não a pesca às namoradas, mas as pescas no rio, à linha e quando relembra que o pai dele, às vezes já chegado a casa com o grão na asa em noite de sexta-feira, lhe dizia, Augusto amanhã vamos aos polvos, Sim pai, que respondia só para o não contrariar. E é com o mesmo brilho nos olhos, talvez de uma lágrima sentida ao recordar o velhote que o Ti Augusto conta que às seis da manhã em ponto o pai o ia acordar, parecendo mais são do que um pêro, Então vens ou ficas? E lá iam eles aos polvos e recordávamos também as vezes que ali no rio, onde há muitos anos namorou uma moça nas rochas sentados a verem passar os barcos (diz que ainda se lembra dos primeiros vapores do Terreiro do Paço) e a roubar beijos que depois nunca os devolveu, relembrávamos, contava eu, que xarroco, pata-roxa, safio e cação, abrótea que na gíria dos pescadores dali chamavam governo-da-casa, tudo ali se pescava, se possível fosse, numa só manhã. De conversa de pescadores, disse-lhe eu, só faltava o Ti Augusto dizer que pescava também os pimentos, os tomates e as cebolas para completar a caldeirada. Isso não, isso havia com fartura por essas quintas a fora e os olhos voltaram a brilhar enquanto se deliciava com mais uma garfada do ensopado de enguias.

Foto PreDatado©2008

quinta-feira, julho 16, 2009

1461. Dominó!


Mestre Jorge, é assim o nome por que ainda o conhecem. Há muitos anos que encostou a fragata mas nunca saiu da beira do rio. Hoje entretém-se a tomar uma cervejinha na Taberna da Lota, onde o Chico já não tem mais rol para assentar os fiados, e a jogar ao dominó. Como o mestre Jorge, muitos outros abandonaram as fragatas e as faluas há já muitos anos. O Josué mantém a dele mas apenas para passeios turísticos no Tejo e o Ti Garoupa, que costumava alugar a muleta aos fins-de-semana para pescarias junto ao pilar, tem-no a doença emagrecido e a vontade de olhar o rio esmorecido, por mor daquela pontada que não lhe sai do meio das costas. Foi Lídia, a filha, quem nos confidenciou, tá acabado o velhote, na sexta à noite quando foi comprar os três decilitros de tinto que lhe durarão toda a semana. Um dia ele se irá primeiro do que a pinga. Meta no rol se faz favor, sô Chico, que no fim do mês fazemos contas. A fábrica de componentes, primeiro alemã e agora dos japoneses, fechou há quase duas semanas e Lídia ainda não tinha arranjado nada. Mestre Jorge, no seu tempo de rapaz ainda chegou a andar embeiçado por Lídia, que era um bom par de anos mais nova. Consta até que fizeram amor no “Lagameças” e se ouviram os gemidos, alguns dizem os ais, de Lídia, numa noite de quarto minguante e calmaria. O Ti Garoupa é que não gostava nada da história, racho o primeiro a quem ouvir dizer isso, mas a sua cumplicidade com Jorge a quem tratava quase como filho não dava margens para muitas dúvidas. Mestre Jorge continua solteiro porque a vida do transporte do sal e de atravessar pessoas para a outra banda nunca lhe deu muito tempo para saias. Dizia ele, porque as más-línguas do cais diziam que o “Lagameças” gemia muitas noites e não era só em quarto minguante. Jogou a última pedra do dominó e puxou uma baforada do cigarro sem filtro. A cerveja estava no fim.

Foto: PreDatado©2009

quarta-feira, julho 15, 2009

1460. Bichos

Enquanto as tartarugas
devoram os camarões,
o meu gato observa-as, atento.

terça-feira, julho 14, 2009

1459. Barracos


Era longe e tinha som. A música celta (ou seria galega?) ecoava vinda das bandas do rio. Pela manhã os sons que se ouvem são outros, são os das gaivotas. Mas aquela manhã nasceu diferente. Tinham feito amor pela madrugada mas os raios de sol através das velhas persianas não fechadas não os deixou dormir mais. Bocejou e foi à janela, acendeu um cigarro e ouviu um ligeiro murmúrio das ondas a fugirem na vazante da maré. Uma nuvem tentava agora encobrir os raios de luz que lhe perturbaram o sono. Outra e mais outra, as nuvens surgiam ameaçadoras. E não sabia o que fazer. Se descer, como todos os dias à beira-rio e aparelhar o barco para mais um dia de pesca e de recados, se voltar para a cama onde se espalhavam os cabelos dela na alvura dos lençóis remendados que outrora foram de cambraia e de outros. Talvez de um príncipe. Ou de um ministro, sorriu. Iria fazer amor, de novo, sob a cobertura de cirros, estava decidido, e contemplou-lhe os lábios. Ao longe ecoava, agora, uma música celta (galega?). Vestiu a calça de sarja com elástico e as sandálias. Na porta do barraco que lhes servia de casa e arrecadação, de refeitório e de ninho de amor, abotoou os últimos botões da camisa. Veloz, chegou à margem do rio e sentou-se a ouvir o velho tocador da gaita-de-foles. Seria com certeza uma música galega. Lá longe, no barraco, ela espalhava os cabelos sobre os lençóis brancos.
Foto: PreDatado©2009

segunda-feira, julho 13, 2009

1458. Luares


Ele tinha, talvez, uns cinco anos, seis no máximo. Era o mais pequenito do grupo que pelas ruas e travessas escuras, como convêm, jogava as escondidas. Devo rectificar porque as ruas, nesse dia, não estariam assim tão escuras. A Lua-cheia tinha já dois dias passados mas o seu brilho ainda prateava as orelhas dos putos. Cabelo curto, esquivo por entre os carros, olhar inteligente. O pai que, entretanto, na esplanada tomava um whisky seguia-lhe os movimentos. O atravessar das ruas em correria desenfreada, mesmo em hora de escasso tráfego, não o deixava sossegado. As silhuetas ou as sombras longas de luar denunciavam-lhe os percursos. E quando de viés olhava o pai, denunciava-se-lhe a inquietude. O pai chamou-o, sentou-o na cadeira e manietou-o. Se continuasse, feito doido, a atravessar as ruas sem olhar para os lados ou a esconder-se fora do campo de observação dele, o pai, o vigilante, o protector, iria para casa. Por enquanto ficaria ali na cadeira. Para aprender!
Os outros detectaram-lhe a falta e indagaram-no:
- Estás de castigo?
- Não. Estou só a descansar. - Olhou para a assistência e respirou ofegante. Nós, discretamente, sorrimos. No céu, uma pequena nuvem cobriu a Lua. E fez-se sentir uma brisa.

Foto: PreDatado©2009

segunda-feira, julho 06, 2009

1457. Luso, brasileño, español, madeirense... se calhar é por isso (?)

Tirando os canais Panda e Disney que são mais dados a coisas de criancinhas e que parece estarem já nos preparativos para transmitir as festas funerárias do Michael Jackson e também o canal Odisseia que se presta muito a ficção (no momento em que fiz o zapping estava a dar o julgamento do caso Casa Pia), não há canal de TV que não esteja em paranóia Ronaldiana. Não se vê nem se ouve outra coisa que não seja falar de Cristiano Ronaldo. No entanto, se D. Nuno de Santa Maria não tivesse sido santificado e, portanto, impedido de se meter nestas andanças, seria de chamá-lo imediatamente para invadir a Espanha. Então é lá possível que o ÀS um jornal desportivo espanhol, tenha escrito na versão on-line (vide foto) um texto em que chama “astro brasileño” ao nosso madeirense? Será que o Alberto João anda a fazer coisas nas costas da gente, como vender o seu arquipélago às Canárias? Bom mas não era nada disto que eu queria falar. Era de uma coisa séria. Fiquei a saber por um desses 7896 canais que não param de falar no Ronaldo de que este cobra 150 milhões em contratos com a Nike, o BES, a Castrol, a Soccerade, a CR7 e outras. Cobra? E paga os impostos aonde? Não podem dizer à gente? É que o país que parece que está todo vergado e babadinho com o craque precisa, né?

domingo, julho 05, 2009

1456. Novas referências, ao domingo...

Talvez porque aos fins-de-semana fico com mais tempo livre para visitar os blogs dos outros vou descobrindo coisas bonitas que merecem referência. Por isso, o domingo acaba sendo o dia que mais dá jeito para fazer referência a este ou aquele local. Esta semana encontrei o blog do Alex que fala de plantas de interior. Se o Alex vier a tratar o blog com o mesmo carinho com que trata as plantas, vamos ter obra. Eu estou simultaneamente confiante e expectante. Força, Alexandre avança com isso.

Quem já tem trabalho avançado é a JET. Nos Olhares a sua galeria é um sítio por onde vale a pena passar e ficar. O trabalho não é só fotografia, o que de per si já seria suficiente para lhe chamar artista, mas a autora junta-lhe outras artes por cima. É melhor irem lá ver porque mais de 100 fotos falam muito mais do que 100 000 palavras. Entretanto a Paula Carvalho, é assim que se chama, tem um sítio num projecto de BJS. É um local colectivo com o Hélder e com a Silvana, a quem endereço também os meus parabéns. É aqui!

Imagem de JET retirada de uma das suas galerias em Olhares.

quinta-feira, julho 02, 2009

1455. Deve ser bom

Que será, que será?

R, dez gemas d’ovos e duas de craras e duas colheres de farynha, de prata, tudo muyto bē batido ē huõa tijella noua pequena ou huã certaã muy pequena, e quanto mais alta tanto milhor, meã de mamteygua, que ferua rrijo; e deitem tudo ally por huũa albarada de bico ē voltas como aletrya: e depois que for ffeito, ponhão-no a escorer ē hũa jueira, e deitem-lhe por cima acuquar clareficado, e mais pisado cõ canela.

Dizem ser a mais antiga receita da cozinha portuguesa, data do século XV e foi retirada de um manuscrito existente na Biblioteca Nacional de Nápoles pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, (Ucanha, 7de Julho de 1858 Lisboa, 17 de Maio de 1941) e publicada na sua obra Textos Archaicos.

PS. Ainda estão preocupados com o acordo ortográfico?

quarta-feira, julho 01, 2009

1454. Super-heróis, insónias e lixo


Compreendo perfeitamente que é impossível fazer tudo num só instante. Mesmo Deus que era Deus e, portanto, tinha muitos mais poderes que o Superman, o Homem-Aranha, o Hulk, o Batman e outros, todos juntos, demorou seis dias para criar o mundo, quanto mais os banais humanos. Portanto acho que recolher o lixo nas ruas não pode ser feito total e completamente às 10h, vá lá 10h e 01m da noite porque os homens da recolha do lixo teriam de ser omnipresentes e nem mesmo o Superman, que voa a uma velocidade superior à da luz, o é. Quem de certeza absoluta não é um super-herói, ou pelo menos para mim não o é, é o Senhor Presidente da Câmara do Seixal. E mesmo que ele fosse o Batman, o Senhor Vereador do Ambiente não será, com toda a certeza, o Robin. Mas se eles não conseguem organizar os horários da recolha do lixo de modo que todos os dias, excepto ao Domingo (o tal dia que Deus descansou), às duas da manhã eu não seja acordado pela infernal barulheira que o camião do lixo faz à minha porta, ao menos que troquem o percurso de modo que à porta da casa deles passem a fazer a barulheira que fazem à minha e à mesma hora e, mandem para cá o camião no horário que recolhem o lixo à porta deles. Ou algum de vós acredita que o Sr. Presidente é incomodado todos os dias no primeiro sono? Se ele aceitar a minha proposta não só votarei (de novo, irra!) nele nas próximas autárquicas como lhe enviarei pelo correio a ultima edição especial da Abril do Superman-Bi.

PS. A Amarsul comporta-se de uma maneira bem mais civilizada. Faz as várias recolhas dos eco-pontos durante o dia e nunca os vi aqui aparecerem depois das 10 horas da noite. O lixo não pode?

PPS. Superman-Bi não tem nenhuma conotação sexual. Isto não é propriamente uma parada gay. Era, não sei se ainda é, uma revista bimensal da Abril.

terça-feira, junho 30, 2009

1453. Maramor.




Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)


segunda-feira, junho 29, 2009

1452. Sinais (de crise)

O mercado é pequeno mas é bem organizado. De um lado os legumes do outro, o peixe. As caixas de sardinha prateada, o carapau fresquinho a brilhar e até as sardas tinham os olhos bonitos. Besugos, bicas e salmonetes de tamanhos e preços diversos mas de qualidade igual, as douradas de aquicultura e de mar, o mesmo com os robalos. Safios, moreias, raias, pargos legítimos e mulatos, cachuchos e gorazes, corvinas, garopas e chernes de crescer água na boca. Linguados, pregados, solhas, xaputas e tamboris. Sargos de pesca à linha e amêijoa, berbigão e conquilha. Lulas, chocos e polvos. Também os percebes frescos e o camarão e a gamba da costa. A bela caldeirada já em postas com pata-roxa e cação e outros já mencionados, tinha um aspecto divinal. Espadarte, atum e salmão às postas precipitavam-se para as grelhas. A pescada era linda e o peixe-espada de fazer inveja. As peixeiras e os peixeiros simpáticos e profissionais, as bancas cheias de peixe, o mercado vazio. A crise não perdoa. As enguias ainda estavam vivas.

Foto de Filipe Araújo em Flickr

domingo, junho 28, 2009

1451. Apenas uma nota domingueira...


... para referir o excelente blog de Janette. Mais de 40 posts a pedirem uma leitura sequencial. A não perder desde o primeiro dia.

Foto: Vendetta Li (via Aliciante)

1450. Amanhã ainda é S. Pedro

Fim de festa



Santo António era careca

São João tinha um cordeiro

São Pedro pesca faneca

Eu preciso é de dinheiro.



Só peço esse milagre

Nestas festas animadas

Azeite, sal e vinagre

Para temperar as saladas.



Por falar nas comidinhas

(esta é para ti milagreiro)

Já estou farto de sardinhas

Quando é que toca o dinheiro?



S. João está mais cansado

Mas tu F. de Bulhões

Em vez de pimento assado

Que tal o Euromilhões?



S. Pedro, eu já pressinto

Um pedido em saco roto

Mas troco o jarro de tinto

Por um seis no Totoloto.



Ouve-se já a gritaria:

Alto! E para o bailarico!

Se bater a lotaria

Ofereço-vos um manjerico.



E pronto está-se a acabar

Festa Junina é assim

Com a crise a chatear

E a gente sem pilim.



E saio já de tamanquinhos,

Esperança é coisa que não falta.

Peço a todos os santinhos

Saúde e sorte prá malta!


PreDatado©Junho 2009

quinta-feira, junho 18, 2009

1449. Manel

Se o meu blog fosse um jornal era certo e sabido de que os seus accionistas já teriam declarado falência, fechado as portas e mandado os seus jornalistas procurar emprego em outras freguesias (neste caso apenas um desempregado, dado a escassez de recursos no seu quadro redactorial). Se este blog fosse uma televisão não teria já nenhum anunciante e, creio eu, teria menos audiência que o baby channel da TV Cabo. Aliás, eu acho que tenho razão no que digo porque, quase com seis anos de blog, este ainda não foi visitado (consequentemente ainda menos lido) sequer por 100.00 visitantes. É de facto um número miserável mas que me obriga a respeitar mais ainda quem aqui vem ler. E porque sei que quem cá me vem ler é gente boa e gente bonita é que eu venho aqui de vez em quando trazer novas de alegria. E hoje compete-me fazê-lo e partilhar convosco uma notícia que nos encheu o coração. Nasceu o Manel! O Manel é o primeiro filho de uma jóia que escreve sob o nome de Panamá no blog Chapelaria Janota. O porque nós gostamos muito da Teresa é que nos estamos nas tintas para os blogs que têm dois ou três mil visitantes por dia. Os cinquenta que hoje lerem esta notícia estão com certeza a erguer também a sua taça à felicidade do Manel. E a votar de parabéns a Teresa e o Alexandre.

PS. O Schubert, aqui mesmo ao meu lado, acabou de me dar um enorme miau. E porque isto não é um LTB sabemos os dois, eu e ele, que não me está a pedir para cheirar a comida. Está a relembrar-me que os parabéns são também para os avós e para o tio.

Foto do Manel tirada hoje pela Anita, noiva do tio.

terça-feira, junho 16, 2009

1448. Pessoa e Companhia

Não, do molotov e da gelatina não partilharam, nem tampouco lhes passaram pela garganta a mousse de chocolate, o arroz doce, o semi-frio de natas ou a tarte de amêndoa. Nem o pastel de nata. Não lhes demos paio de porco preto ou presunto de barrancos e muito menos o queijo de Serpa. Mas se eu vos disser que comeram sardinha assada, desfiadinha e sem espinhas, frango e entremeada de novilho no churrasco, peitinhos de frango guizados com legumes além de 25 latas de comida e muita ração granulada, vós amigas leitoras e amigos leitores ides pensar que os afilhados de quatro patas e bigodes do Pre, são uns lordes. Ou uns sires! Pois é, a Cristina, a Maria Faladora I e II (pareceu-nos que um deles é um Mário), a Xubertina Antónia e a Xubertina Clara (Clara por parte da mãe), o Garfield, o Mantorras, O Pai-de-Todos, a Katua, o Pessoa e até o Djaló Júnior entre outros, que não tivemos oportunidade de baptizar pois ainda são infantis, os nossos gatos de rua que nos visitam, não tiveram, como aliás normalmente não têm, razão de queixa dos padrinhos. Em cinco dias tiraram as barriguinhas de miséria e acho que neste momento já estão com saudades nossas. Nós temos saudades deles.

PS. Devia ser obrigatório o(s) blog(s) desta senhora ter(em) comentários. Um dia destes ela escreveu “Devia ser obrigatório dormir-se, pelo menos, uma hora e meia depois de almoço”. E eu teria comentado: “Concordo!".

A foto é do Ricardo, meu sobrinho, e retrata o Pessoa. Cliquem para ampliar para poderem apreciar os olhos carinhosos deste bicho.

segunda-feira, junho 15, 2009

1447. Pequenas decepções

Dantes era selvagem. O chão de xisto, em viés, cortava os citadinos pés, pedaços de seda embrulhados em calçado de fino couro (ena que romântico!). Para a gente rude do campo, isso não fazia diferença e o banho na Tapada Grande era um privilégio de Sábados. Depois de consumido o farnel, às vezes escasso, e a sombra dos eucaliptos convidando à folga ficava o banho para colmatar as calmas (que coisa linda chamar calma ao calor). Nós, os da cidade, calçávamos sandálias de borracha para que não cortássemos a fina epiderme da planta dos pés. Mas os tempos mudaram e tapada se transformou em praia. A praia fluvial da tapada da mina na Mina de S. Domingos é muito bonita e é tão aprazível que existe mesmo, no outro lado da estrada, uma estalagem de 5 estrelas, cujos quartos, com vista para o lago, custam algumas dezenas de contos, sim, dos contos antigos, por noite. Pois este ano fiquei decepcionado. A transformação daquele xisto onde quase não nos podíamos deitar em praia requereu várias, muitas, toneladas de areia ao longo dos últimos anos sendo que é sempre, anualmente, reforçada e renovada. A deste ano é miserável. Um areão grosso, cheio de pequenas pedras, que nos proporciona um andar, no mínimo, bizarro. Espero que o Sr. Presidente da Câmara de Mértola vá lá dar um passeizinho, de preferência descalço e veja a cagada que fez (pronto, quebrou-se o verniz e acabou o romantismo).

quinta-feira, junho 11, 2009

1446. Contrabandos e outras misérias

Disse uma vez o nosso PR quando era primeiro-ministro de que não estava inteirado por se encontrar de férias no Portugal profundo. Nem eu me inteiro ou quero inteirar do que se passa por aí e pelo mundo quando me encontro no mesmo Portugal profundo. Por aqui parece que o tempo não passa, os mesmos campos por cultivar, os mesmos homens e mulheres desempregados, mas agora vários anos mais velhos, sendo que, alguns vivendo de parcas e miseráveis reformas. Alguns revivendo o passado e contando histórias (serão estórias?), alguns deixando testemunhos. Enfim, para que se não perca a memória se vão criando museus. Inaugurados mas raramente visitados porque por aqui estão, no Portugal profundo. De quem parece nunca se quererem inteirar. Se eu cá vivesse pagaria da mesma moeda, não me inteirando de que os senhores de Lisboa se não inteiram de nós. Hoje visitei o museu do contrabando em Santana de Cambas. As histórias de miséria, contadas pelo Diário de Lisboa em Março de 1952, as histórias de miséria em testemunho dos protagonistas. Hoje há outras histórias (serão estórias?) para contar. Umas mais miseráveis que outras. Para que alguém se inteire.

PS. Peço imensa desculpa por nestes dias não estar a visitar os blogs dos minhas queridas amigas e dos meus queridos amigos mas estou usufruindo de alguns minutos numa guerra de portáteis. Cada um trouxe o seu mas só há um kanguru. Para a semana que vem serei muito mais assíduo. Um abreijo em conformidade.

quarta-feira, junho 10, 2009

1445. Without

Erica andevalensis. Provavelmente a muitas de vós amigas leitoras e a outros tantos de vós amigos leitores este nome poder-vos-á não ser familiar. Confesso que a planta, com flor em forma de campânula com pétalas cor violeta, também a mim não me dizia muito até ao dia em que comecei a descobrir o Alentejo profundo. Esta “urze” habita as zonas de minério ferroso, é provável que exista em outras regiões, declaro também que ignoro, mas a verdade é que em Portugal só a descobri na Mina de S. Domingos. Erica andevalensis é também o nome de uma associação cultural. Associação Cultural Erica andevalensis, ACEA, na Mina de S. Domingos. Actualmente ocupando também as instalações do Musical, mesmo por detrás da igreja da Mina, é pólo cultural deste pedaço de Alentejo, que aposto, os nossos amados governantes (agora eu até parecia coreano) ignoram. Hoje, lá nas instalações do Musical, foi inaugurada a exposição de fotografia de Jorge Branco. A exposição tem o patrocínio da ACEA e da C.M. de Mértola, é de justiça dizê-lo. Infelizmente o Jorge confidenciou-me que não acredita muito na internet para a divulgação do seu trabalho mas eu, que acho que ele não tem razão, vim aqui divulgá-lo. E se puderem, tiverem tempo, ficar-vos em caminho (podem mesmo organizar excursões), passem pela Mina de S. Domingos e venham ver a exposição de Jorge Branco.

PS. O título deste post, Without, é também o título da exposição, numa interpretação livre de Os Crimes da rua Morgue de Edgar Alain Poe. “O jeito que ele tem de nier ce qui est et de expliquer ce qui n’est pas”.

sexta-feira, junho 05, 2009

1444. Sméxe?

Hoje tenho vontade de falar de coisas que andam à volta do desporto. E a primeira que me vem à cabeça é o HD. Desde que tenho TV em HD raramente vejo programas que não sejam transmitidos neste protocolo. Infelizmente, tirando a experiência dos jogos olímpicos e outras tímidas tentativas, os nossos canais generalistas nem tão pouco nos dizem quais as previsões para transmitirem em HD. É de facto outra coisa. Experimentem ver um jogo de futebol ou uma partida de ténis.

Por falar em futebol vamos assistir a um roubo sucessivo e permanente de jogadores ao Benfica. Como os jornais desportivos, desde Abril, não param de anunciar novos jogadores que interessam ao Benfica, cada jogador contratado por outros clubes, nacionais ou estrangeiros, será forçosamente roubado ao Benfica. Depois, até ao final da próxima época, em cada jogo que figure um destes jogadores, será também uma constante ouvir-se o comentador “fulano de tal, que esteve quase certo no Benfica, etc etc etc”.

Parece-me que isso já está a acontecer com um defesa direito (ou esquerdo?), um uruguaio que joga na Roménia, que vem para o FCPorto e que já tinha sido vendido ao Benfica por um diário desportivo. Eu por acaso acho que não, que o Benfica não o comprou ao jornal. O que eu acho é que Cissohko, Fucsile, Marec Cheh, Sapunaru, Lucas Mareque, Lino e mais uns quinze defesas laterais que pululam ou pulularam no clube das antas, se andavam a sentir muito sozinhos.

Falei também em ténis e digo-vos que tenho assistido a alguns resumos e a outras partidas (ou pedaços delas) em directo na Eurosport. Eurosport HD, pois claro. Eu sempre pensei, pelos visto enganado, que a terra batida era uma característica do piso. Isto é, o piso é em terra e por força de uma pressão que lhe é exercida por meios mecânicos o pavimento fica batido. Daí terra batida. Pois um dia destes, a tenista russa Kuznetsova caiu e ficou toda suja. Segundo o comentador ficou toda coberta de terra batida. O que a gente aprende.

Apesar de um ou outro lapso, quero aqui deixar a minha opinião sobre a generalidade dos comentadores portugueses do Eurosport, para mim os melhores comentadores portugueses de desporto. Por isso não me custa nada perdoar um tanhamos, em vez de tenhamos, numa reportagem do Giro de Itália. Aliás, Luis Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici só são batidos (e isso é discutível) por Marco Chagas no comentário ao ciclismo. O lapsus lingue, que até alguns com pinta de eruditos cometem, foi por mim imediatamente relevado para segundo plano.

Se no futebol já nos acostumamos a algumas adaptações linguísticas quer sintácticas, quer semânticas, naquilo que vulgarmente chamados futebolês, a verdade é que, ao longo do século XX, fomos assistindo a algumas evoluções positivas na utilização dos termos relacionados com esse desporto. Já não se diz corner nem offside, os backs passaram a defesas e os liners passaram a fiscais de linha sendo hoje, por mariquice, chamados árbitros auxiliares. Até o penalty, que é tão giro de dizer (e gritar), passou a grande penalidade ou, em Gabriel-Alvês, a pontapé da marca de grande penalidade. Mas no ténis, amigas leitoras e amigos leitores, ainda há os puristas. E, portanto, não é nada de admirar se virmos um tenista breakar (eles dizem breicar) o serviço ao outro ou responder com bolas muito topspinadas. Mas mesmo a esses puristas eu gostaria de lhes pedir para não dizerem seméxe. É que um smash é um smash é um smash.

quarta-feira, junho 03, 2009

1443. Se eu podia viver sem champanhe? Podia… mas não era a mesma coisa.

O que se dirá a um homem de quem se gosta muito, mesmo muito? Provavelmente dir-se-á, gosto de ti, gosto muito de ti.

O que se dirá a um homem a quem se respeita muito? O mais natural será dizer-lhe que o respeita muito.

O que se dirá a um homem com quem se aprendeu muito? Poder-se-á, por exemplo, dizer-lhe que ele foi o seu mestre.

O que se dirá a um homem de quem se receberam bens inatingíveis de grande valor, como amor, carinho, paciência, cuidados, sacrifício, valores, princípios, sugestões, conselhos e até ralhetes? No mínimo, obrigado.

O que se dirá a um homem que completa hoje 80 anos de vida? Obviamente, Parabéns!

E se esse homem é o nosso pai? Então terá, forçosamente, de ser assim:

Pai, hoje ergo a minha taça de champanhe para saudar o teu 80º aniversário, dar-te os meus parabéns, dizer-te obrigado por tudo quanto foste capaz de me dar, reconhecer-te como meu mestre, fazer-te saber o quanto te respeito e dizer-te que gosto muito, muito de ti. Parabéns pai!

terça-feira, junho 02, 2009

1442. Quem sai aos seus (cof.. cof.. cof...)

Ele perguntou-me pai e tal eu gramava ter uma máquina fotográfica o que é que me aconselhas, como se eu fosse um expert. Aliás, eu sei que para os meus filhos eu sou normalmente um expert em quase todas as matérias, um pai herói e isso deixa-me, claro, muito babado. Mas nem sempre nós estamos à altura das expectativas e como quem não quer a coisa a gente vai à procura, fala com quem sabe, ainda ouve piadinhas, eu tenho uma Canon, oh pá o que é isso? mas a gente finge que não percebe. Mas falar com quem sabe é que é, mesmo que seja teimoso e da Nikon não saia. Pronto quando surgiu a oportunidade, espreitando campanhas aqui e promoções acolá, lá o rapaz comprou a sua Nikon e o pai volta a ser herói, não pela escolha e conselho, mas sim agora pelos primeiros passos na 8ª arte. E para completar o que uma blogger me disse um dia destes, na apresentação do livro do Rafeiro, o seu filho escreve muito bem, agora eu digo que o miúdo também tem jeito para bater chapas.

Olha o passarinho,

Diz xize, diz xize,

Oh rapazinho não mexa a cabeça,

Vá agora todos. Xiiiiiiiiiiizzzzzzeeeeee....

Passou o passarinho e click,

O rapazinho ganhou um torcicolo

E o grupo tem os dentes bonitos,

(menos a menina que usa aparelho).

O queijo está cheio de buracos

Vê-se carga aos ombros nas docas,

E o rato foi apanhado.



E saiu a foto de um velho

Dobrado ao peso dos sacos.

Então, no meio de umas fotos loucas,

O fotógrafo foi premiado!



Versos PreDatado©, Fotografia, para O Livro das Artes

Foto: João Capote (filho de Sir Pre)

domingo, maio 31, 2009

1441. Destaques ao Domingo

Como algumas das minhas amigas leitoras e alguns dos meus amigos leitores já devem ter notado eu acrescentei na minha lista da direita mais uns bons pares de blogs. Eram blogs que eu já vinha seguindo há uns tempos e que apenas por inércia (palavra bonita para preguiça) ainda não tinha dado para a actualizar o modelo. Hoje, por três ordens de razão, a primeira, a segunda e a terceira como é ex-líbris do Engº Ângelo Correia, vou fazer alguns destaques. A primeira é porque é Domingo, dia nobre para se falar bem das pessoas. Antigamente ao Domingo era o dia de eu ir à missa. Agora já não vou, portanto sempre se ganha um tempo para escrever. A segunda razão tem a ver com os 50º aniversário do Cristo-Rei, com a deportação da Alexandra aliás Sacha, com a saída do Quique e a entrada do Jesus, com a reeleição de Soares Franco encarnado em Bettencourt (encarnado não, esverdeado), com o Oliveira Costa e com o Dias Loureiro, com a Manuela Moura Guedes e o Marinho Pinto e ainda com os comícios presididos por José Sócrates. O que é que todos estes personagens têm em comum, estão em uníssono os meus leitores e as minhas leitoras a perguntar. Pois eu acho que todos de uma maneira ou de outra, todos têm contribuído nas duas últimas semanas a esquecer o estado em que este país vive. A esquecer mesmo que Portugal tem um Governo ou, melhor ainda, no caso de Sócrates a esquecer-se de Governar o País. Sendo assim, não há nada para escrever ao Domingo, nem tão pouco como balanço. Finalmente, a terceira, a mais importante razão dos meus destaques, eles merecem-no. E Por isso aqui ficam:

Vinho e Bom Senso – Até o cheiro do precioso líquido ele nos consegue fazer sentir no meio de histórias deliciosas. A não perder por quem é amante do belo néctar mas também para quem gosta de uma história bem contada.

Rafeiro Perfumado – Não escreve sempre mas escreve sempre bem. E é divertido. Quase tão divertido como eu (ups, isto não era para dizer) e edita livros que nos fazem esquecer que vivemos em Portugal (é mentira, às vezes fazem-nos lembrar) Are you ladrating to me? É hoje na Bertrand da Avenida de Roma, às 16h07m.

Mar Arável – Eu nunca conheci pessoalmente o Eufrázio Filipe mas conheço-lhe parte da sua intervenção política que admirei. Admiro agora uma outra faceta a que dá corpo no seu blog Mar Arável. A não perder a sua poesia. Qualidade é o que se encontra ali.

Histórias de Embrulhar Castanhas – A Castanha Pilada que eu “conheço” de outros blogs com mais uma mão cheia de apelidos (repararam que mais acima eu escrevi modelo em vez de template e aqui apelido em vez de nickname?) escreve com alegria e deixa-nos alegres. Provem-lhe as castanhas e digam se eu não tenho bom gosto.

PS. Este é um destaque com interesse de causa. Não se esqueçam de continuar a ler a Guerra de Travesseiro o colectivo erótico com mais classe da blogosfera. Digo eu que não sou suspeito.

sábado, maio 30, 2009

1440. Toma lá morangos
















Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.


Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
Voltando à cor, afinal


Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

Poema de PreDatado©Março de 2006, in Frutas e outros comeres
Foto: Lyubomir Bukov

sexta-feira, maio 29, 2009

1439. vanity fair

A Directora do Posto Médico do Pragal em Almada é a Dr.ª Deolinda. Hoje fui lá para tratar de um assunto da minha mãe e o atendimento não tinha ninguém. Iam iniciar uma reunião. Confrontei a Dr.ª Deolinda com o facto de um atendimento que pressupostamente deveria estar aberto, dado o horário de funcionamento, estar fechado para reunião. Disse-me a Drª Deolinda que se houvesse algum caso urgente estaria lá uma recepcionista para chamar alguém. A Dr.ª Deolinda transformou hoje (se calhar já o terá feito antes) um serviço que deveria estar aberto ininterruptamente ao público num serviço intermitente de urgência. Provavelmente ter sido boa aluna na escola levou-a a ser boa médica. Não faço ideia pois não é médica de ninguém da minha família, não tenho opinião. Mas ser boa médica não significa ser boa gestora. Nem todos os sapateiros sabem tocar rabecão.

A Dr.ª Deolinda é uma estátua. Conhecemo-nos desde adolescentes e até hoje nunca tivemos o menor quiproquó. Fomos não apenas colegas de Liceu mas sim colegas de turma. Iniciamos e fomos dois dos cabecilhas de um projecto de alfabetização para ciganos e crianças desfavorecidas nos bairros de barracas de Almada, antes do 25 de Abril de 1974. Demos entrevistas e fomos capa de revista em 1972, quando a nossa acção conjunta, além de ser vista em alguns sectores como subversiva, representava de facto uma lança em África. Militamos no mesmo partido político e chegamos até a ser vizinhos. A Dr.ª Deolinda fez tábua rasa de tudo isso e hoje tratou-me por senhor. De facto eu acho que ela tem razão. Eu sou um Senhor. Ela é uma estátua. De vez em quando as estátuas são arreadas dos seus pedestais.

quinta-feira, maio 28, 2009

1438. Vénia





Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

quarta-feira, maio 27, 2009

1437. Champanhe pois claro, Anita


Podem haver palavras repetidas mas haveria algumas coisas que eu não iria repetir. Por exemplo, fumar um maço de tabaco enquanto esperava. Na verdade já não fumo e ponto final. Outra coisa que eu não repetia era ter dito ao obstetra que não ia porque estava nervoso. Não é que não voltasse a estar nervoso, claro que voltava, mas já não seria a primeira vez que eu assistiria a um parto. E andar a correr do trabalho para a clínica e da clínica para o trabalho. O trabalho que se lixasse, eu iria ficar ali, firme e hirto sem abandonar, nem por um minuto, aquela sala de espera. Portanto como há momentos que não se podem repetir minha filha, como é o caso do dia do teu nascimento, vamos aguardar pelos netos para ver o que é que eu repito ou não repito. Mas uma coisa vou repetir hoje e quero repetir ainda por muitos anos, tantos quantos o chefe lá de cima me deixar viver que é abrir uma garrafa de champanhe para festejar o teu aniversário. Parabéns minha querida filha pelo teu vigésimo oitavo e não te esqueças de ir ali ao lado dizer à tua mãe que eu a amo muito. Ou melhor, deixa isso para mim, eu vou lá!

terça-feira, maio 26, 2009

1436. Negócios espirituais


Na minha rua existem vários estabelecimentos a saber, uma garrafeira que se encontra fechada e uma retrosaria também fechada. Uma gráfica que está fechada e um restaurante do qual já lhe conheci mais de uma dúzia de donos e que está fechado. Tem também uma loja dos 300 que acabou de fechar e uma loja de artigos para decoração, pintura e outras artes manuais que está aberta. Não sei se o negócio das tintas e pincéis está indo bem se é porque também vende passes e vai dando para o petróleo. Na minha rua há 4 igrejas evangélicas que nos dias de culto estão sempre cheias. Falta de freguesia não há, há é que ter o patrão certo.

Quem parece não ter o patrão certo é o Jumbo no Almada Forum. Hoje fui lá e encontrei um pacote de massa areada, aquela das bases das tartes com data de validade de 22 de Maio. Abordei uma empregada da Auchan que me disse que não era daquela secção. Apenas quando eu lhe disse que por acaso eu não sou da inspecção mas podia ser é que ela pensou um pouco e disse, vou já avisar os meus colegas. Por outro lado encontrei a pérola cuja fotografia coloco. Um frasco de um produto de limpeza por 2,44€ e uma embalagem ECONÓMICA de 2 frascos do mesmo produto, da mesma capacidade, por 4,99€. Abordei uma funcionária da Auchan que, claro, não era daquela secção. Olhou, não percebeu muito bem, disse que se calhar era mesmo assim e foi embora. Quem é o patrão daquilo? O mesmo das igrejas da minha rua é que não é.

segunda-feira, maio 25, 2009

1435. Por ser verdade, testemunho.

Fácil não é manter um blog com a diversidade e a com a qualidade que nos presenteia desde há 6 anos. Noticia os eventos do seu Alentejo, particularmente os do seu distrito, oferece-nos fotografias excepcionais dos mais conceituados fotógrafos internacionais, deseja-nos fins-de-semana com uma sensualidade desmesurada, são de qualidade inquestionável as suas incursões na poesia e na prosa poética, escreve contos que nos oferece em capítulos para que nunca nos falte o apetite, dá-nos de presente as suas crónicas num dos jornais da terrinha e como se tudo isto não bastasse ainda tem opinião política (com a qual estou quase sempre em desacordo) e é um exímio fotógrafo. De fazer inveja. Refiro-me ao João Espinho, autor do Praça da República, blog que hoje completa 6 anos. Bem hajas João pela tua qualidade e grato por eu fazer parte do teu círculo de amigos.

Foto: João Espinho, surripiada da Praça com a devida vénia.

sábado, maio 23, 2009

1434. Música de Sábado

O meu amigo João desafiou-me no Sábado passado a que eu dissesse que música é que oiço ao Sábado. É um excelente desafio uma vez que ao Sábado (quase que adivinhou) tenho uma rotina suplementar enquanto ando pela casa. Ligo a TV e o leitor de DVD e coloco um sonzinho para ir ouvindo não só enquanto deambulo pela casa, mas também numa de descontração, sentado no sofá. Por isso, ao Sábado, eu não tenho uma música favorita mas é mais ao sabor da disposição do momento. E hoje o DVD que coloquei foi o In the Flesh do Roger Waters. Para quem gostar ou tiver paciência, fica aqui um bocadinho facultado pelo youtube dot com. Tenham um óptimo Sábado e sintam-se desafiadinhos da silva para nos oferecerem uma música de fim-de-semana.



PS. Reparem na classe dos coiros.

quinta-feira, maio 21, 2009

1433. Se eu soubesse


Banana

Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.

Depois, suavemente ou sem demora,
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.

Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
(Embora quase sempre doutras à tona),


Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.


Versos de PreDatado© in Frutas e outros comeres
Foto de PreDatado©, Maio 2009


PS. Tivesse eu tido conhecimento de uma courgette como a da foto e não teria escrito um soneto à banana.
PPS. Com uma courgette destas, não há cozinheira que não tenha um ar feliz.
PPPS. Na próxima encarnação quero ser courgette.

quarta-feira, maio 20, 2009

1432. Abram alas pró Pre



Longe dos olhos, longe do coração. Era assim que os antigos (este provérbio deve ser muito antigo mesmo), diziam. Eu sinceramente espero que não, pois se o Prezinho não tem andado por aqui, digamos assim como que a olhos vistos, a verdade sei-la eu, é que não saio dos vossos corações. Bom, estou a ouvir um ou outro a tossir, está bem pronto, não é do coração de todos, mas é do coração de todas. Confessem, não se acanhem.

Pois andei a banhos por alentejos e sem internet por perto, já que deixei o computador em casa para ter tempo de cortar a relva. Não fiquem com inveja deste dolce fare niente que também não é bem assim. Ainda trabalhei um bocadinho a pintar o portão. Bem, a MJ pintou mais do que eu, a verdade tem de ser dita mas, em compensação, eu dormi mais do que ela.

Já devem ter reparado pelos dois parágrafos anteriores que estou a encher chouriços e a escrever só para não ficar mais um dia em branco.

A verdade é que quase não vi TV, talvez uma ou outra notícia e um jogo de futebol. E como também não li jornais, seria uma chatisse falar aqui das minhas hortênsias e das roseiras, dos amores-perfeitos e dos hibiscos, das malvas e dos malmequeres. Ou então dos nossos “afilhados”, um gatil completo que se instala no nosso quintal desde que chegamos até que partimos. Pois não vou falar disso.

Ah, já sei! Se não fosse triste daria até para rir. Ouvi um responsável do hospital de Faro a pronunciar-se sobre o relatório que ilibou aquele hospital da morte de 8 pessoas com uma bactéria adquirida no próprio hospital. Há relatórios com uma grande lata, não há?

Foto: PreDatado©2009

sexta-feira, maio 15, 2009

1431. Esperas






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)



mantive a foto do posto original :)

quinta-feira, maio 14, 2009

1430. Bolas que o gajo é chato




Agradeço imenso os comentários deixados pelas minhas amigas leitoras e pelos meus amigos leitores. Tal como vários de vós, também eu me intriguei e perguntei-me: então e não trabalhas? Quanto tempo me ocupará a rotina diária? Realmente, quem a faz deveria ter algum rigor horário. Eu juraria a pés juntos que fazia isto tudo numa hora mas, atendendo aos vossos comentários, quedei-me na dúvida. E assim resolvi cronometrar. Deixo-vos a planta tosca da casa, a localização dos objectos mais significativos do meu percurso e o traçado dos percursos. E este gajo não trabalha? – perguntamos, agora, todos em uníssono Ainda tem tempo para cronometrar... Fosga-se!

Legenda:
A – Cama
B – Sanita
C – Lavatório
D – Nespresso
E – Torradeira
F – Computador
G – Duche
H – Comedor dos gatos
I – Balança
J – Mesa
K – Cadeira
L – Closet

Percursos:
a) 20s.
b) 2m. (inclui lavagem de mãos)
c) 15 s.
d) 2m.15 s.
e) 1m.
f) 4m.
g) 4m.(utilizou-se a revista Sábado da semana passada)
h) 3m.25s. (utilizando espuma e gilette)
i) 30s.
j) 6m.
k) 10s.(só pode estar avariada)
l) 3m.
m) 3m.
n) 6m.
o) 3m.
p) 15s.
q) 7m (inclui apertar os cordões dos sapatos)
r) 1m.
s) 32s. (bolas, era cada comentário!)
t) 15s.
u) 4m.27s.
v) 15s.
w) 10s. (sem colocação de gel, nem brilhantina, pois não são de uso diário)
x) 3m.16s.
y) 1m.19s. (inclui espreitar debaixo da cama a ver se ficou alguma peúga esquecida)
z) 25s.

Total: 57m49s

Obs. Para facilidade de leitura, o desenho não inclui nenhum gato, nem vidros ou loiças partidas.

segunda-feira, maio 11, 2009

1429. Doces mesmo quando destroiem


Quase como uma inevitabilidade, eu diria mesmo um desígnio, sou uma pessoa de rotinas. Já aqui vos falei em alguns casos em que fui eu, ou outros que de mim dependiam nesse momento, vítimas das minhas próprias rotinas. Não me considero supersticioso, pelo que as minhas rotinas nada têm a ver com fé. Seria incapaz, como li um dia destes numa entrevista a um automobilista, de competir todas as provas com a mesma roupa interior. Talvez para ele resulte mas isso é superstição, não rotina. Há alguns anos atrás fiz uma série de cursos de formação numa empresa onde trabalhei. Durou várias semanas e um dos monitores apresentava-se à segunda-feira sempre com a mesma camisa, às terças com a camisa das terças, às quartas com as das quartas, etc. Duvido que apenas tivesse sete camisas no guarda-roupa, extrapolando que seguia o mesmo método aos fins-de-semana. Parecia rotina, mas não era. Mas as minhas, rotinas de verdade, são muito menos elaboradas. Por exemplo, de manhã, é sistemático a) ligo a máquina de café; b) vou fazer xixi; c) ligo computador; d) lavo os dentes; e) tomo um café; f) leio os novos e-mails; g) vou para a casa de banho ler 6 páginas de uma revista qualquer; h) faço a barba; i) vejo as cotações da bolsa; j) vou tomar banho; k) peso-me; l) ponho comida aos gatos; m) coloco o pão a torrar e espero; n) tomo o pequeno-almoço; o) finalmente seco-me; p) desodorizo-me e perfumo-me; q) visto-me; r) leio os títulos dos desportivos on-line; s) vejo se tenho novos comentários no blog; t) penteio-me; u) respondo aos e-mails que devem ser respondidos e reencaminho sem ler todos os e-mails de santinhos, correntes, porno e anedotas para a minha lista de contactos v) consulto o saldo bancário; w) penteio-me outra vez porque sou muito vaidoso; x) leio as gordas dos jornais generalistas on-line incluindo o Sun e o Correio da Manhã; y) apanho a roupa toda que deixei espalhada por aqui e ali, incluindo as meias, as cuecas e a toalha e coloco no cesto da roupa. Mas como agora temos 26 letras do alfabeto acordado ortograficamente, acabei por acrescentar mais uma rotina à minha pré-manhã: z) vou ver qual foi a garrafa de cristal que os meus gatos, na brincadeira, resolveram partir durante a noite.

sábado, maio 09, 2009

1428. Ler o Pre pode causar viciação


Eu chego a comentar cá em casa, com a família humana e com a família felina, o que vós amigas leitoras e amigos leitores falarão nas minhas costas sobre o facto de o PreDatado não ter escrito, ultimamente, todos os dias no seu blog. Sei muito bem quanto isso vos intriga e sei até que houve já algumas leitoras e alguns leitores que entraram em desespero a ponto de tentarem cortar as veias e/ou (gosto mesmo deste e barra ou) de esgotarem o stock de cordas de enforcar nas diversas casas de ferragens, quinquilharias e afins. Soube até de um caso de uma leitora que começou a entrar em depressão, sendo que, o seu psicólogo a terá mandado ler os livros da Margarida Rebelo Pinto para que ela pudesse esquecer o PreDatado. Pois bem, a todas vós e a todos vós, eu vos devo uma explicação que só não será mais detalhada para que não encha aqui vários ecrans (telas ou pantalhas) de texto. E se o não faço, não é porque vós queridas leitoras e vós compadres leitores não o lessem. O meu receio é do addict. É que se acabarem viciados em PreDatado poderia haver alguém, tipo mauzinho, que me tentasse levantar um processo por não ter avisado, a seu tempo, que ler o PreDatado pode causar viciação, sei lá, que conduza por exemplo a um estado tão vegetativo que faça o seu leitor ou leitora votar em Vital Moreira. Sendo assim, vou rapidamente explicar que esta não assiduidade diária se deve a pequenos factores que me alteraram as rotinas. Recomecei a dar explicações de matemática, a fazer caminhadas diárias, a ver televisão em alta definição. Tudo isso dizem vocês, assim tipo à laia de chacota, "eu também faço". O que acho que nem todos vocês fazem e que vos tira o tempo todo para escrever por aqui, é ler a Playboy de fio a pavio e explorar cada detalhe da Cláudia Jacques. Estou desculpado?

quinta-feira, maio 07, 2009

1427. Lunch Time Blog ou um filme com azeite.


Estou frita, gritou-me a manga apesar de fatiada. Estou frito gritou-me o abacaxi já com cada uma das rodelas cortadas em quartos. Estamos fritos gritaram os filetes de pescada quando saíram daquela marinada de alho picado, pimenta branca, umas pedrinhas de sal e sumo de um limão. Estamos fritos gritaram os tomates-cereja quando, depois de bem lavadinhos, terão pensado que seriam salpicados com pó de talco (private joke dos tomates cá de casa que gostam de pó de talco depois de lavados), mas não, caíram como os outros na frigideira.

Ai, estamos fritas, gritaram-me a mulher e a filha quando se aperceberam que hoje eu lhes tinha preparado uma fritada para o jantar. Até tive o cuidado de lhes explicar que foi tudo fritinho em azeite do mais puro das oliveiras alentejanas e que depois de fritas as frutas as reservei e reservei também em ambiente quente os filetes enquanto fritei os tomatinhos-cereja naquele molho, entretanto composto com um pouco de vinho do Porto.
Eu e o meu cúmplice azeite extra virgem piscamos o olho um ao outro enquanto elas se lambiam à mesa.

Estou picada, gritou a salsa, que acabaria polvilhada sobre o preparado. Definitivamente, a salsa, embora entre sempre bem em cena, nunca sabe a que filme pertence.

PS. As minhas leitoras e os meus leitores habituais sabem quanto o autor do LTB é um apreciador (não confundir com conhecedor) de vinho tinto. No entanto, ultimamente, tem andado a passear, sem exageros, pelos brancos. O desta noite mereceu-lhe nota positiva pela prova que lhe deu. Apesar do preço razoável, menos de 2 euros a garrafa, o Fonte do Nico, produzido com as castas Fernão Pires e Moscatel é um excelente Terras do Sado. Quem lhe olha para a cor palha muito aberta pode pensar que é água, mas tem um aroma muito elegante com várias notas florais. Os seus 12 graus de teor alcoólico permitem-nos beber mais um copinho para rebater.
PPS. O Schubert bem rondou, rondou, mas se o cheiro a peixe o deixa em transe comê-lo , tá quieto. É um fofinho este meu companheiro de quatro patas e casaca de pêlo.

quarta-feira, maio 06, 2009

1426. Meteo (para ficar quentinho)



Joaninha era a filha mais nova de D. Antónia Vila Real Max. 28ºC Min 14ºC a madame de uma casa de meninas que havia no Porto Max. 24ºC Min 13ºC. Embora criada naquele ambiente a menina sempre foi uma interessada pelo fado Coimbra Max. 26ºC Min 14ºC. Cedo começou a actuar nas mais famosas e castiças casas de fado de Lisboa Max. 27ºC Min 19ºC onde o seu diferente estilo de cantar não só fazia as delícias de Sines Max. 28ºC Min 14ºC toda a gente. Na verdade o Vento moderado a fraco de NW ambiente que se gerava nada tinha a ver com aquele vai vem de coristas que ora Beja Max. 31ºC Min 14ºC ora massaja. Nem tão pouco Castelo Branco Max. 30ºC Min 18ºC se permitia a que alguém lhe dirigisse palavra menos imprópria. Isso seria motivo para uma ondulação de 1 a 1,5 metros na costa ocidental, altercação que no entanto nunca deu vias de facto. Joaninha chegou a cantar com Cesária Évora Max. 31ºC Min 12ºC esse grande nome da Madragoa onde se comem umas sardinhas assadas maravilhosas já a partir deste mês. Provem as petinguinhas e vejam se não estou a falar verdade. E acompanhem com água do mar na ordem dos 17ºC na costa Sul, uma pinga de estalar que podem adquirir em qualquer adega cooperativa do País. Pois Joaninha faria hoje 74 anos de idade e 61 de carreira, já que o seu lançamento foi na grande noite do fado onde Guarda Max. 24ºC Min 15ºC uma carreira sem remoque que pode ser lida no livro a publicar nas Ilhas do Grupo Central o céu estará muito nublado. Eu por mim despeço-me pois ainda tenho de ir ao Funchal Max. 25ºC Min 17ºC escritório mandar um fax e digam lá se para isto da meteorologia não é preciso ter Faro Max. 24ºC Min 16ºC informação correcta da Joaninha.

PS. Agradeço à SIC Notícias a informação meteorológica mas se não fosse o site do Instituto de Meteorologia, com aquela lenga-lenga do Mário Crespo por cima, no Jornal da 9, nem teria conseguido perceber que de 15ºC a16ºC na costa ocidental a água ainda é fria como o caraças para ir molhar a barriguinha.

terça-feira, maio 05, 2009

1425. Provavelmente atrasado



Se há coisa que é comum a todas as clínicas é a existência de revistas atrasadas. Na maioria das vezes são revistas levadas pelos funcionários ou esquecidas pelos utentes pelo que é uma raridade encontrarem-se revistas recentes (a não ser que se tenha a sorte de ler a do dia, acabadinha de esquecer). Hoje estive numa clínica privada à espera de um exame que foi feito com mais de duas horas de atraso. Ao contrário das públicas onde costumamos dizer, andamos nós a pagar para isto, nas privadas até parece que ninguém paga nada e que tudo lhes é permitido. Mas vamos voltar às revistas que é para eu não ficar com azia. Nesta (grande) clínica as revistas eram endereçadas à própria clínica, que tem assinatura de várias. Estranho é que estas revistas estejam também atrasadas um mês. Alguém deve levar as recentes para casa e depois de lidas voltam ao escaparate. Mas só ficando assim horas sem fim à espera é que me convencem a ler coisas que eu não fazia a menor ideia de que era capaz de ler. Não, não me refiro ao artigo sobre swing, nem ao dos acompanhantes masculinos nem mesmo o artigo sobre as experiências vividas por três utilizadoras de cuequinhas com vibrador e comando à distância. Aquela cena da tipa se ter vindo à mesa do jantar, na casa dos cunhados, umas três vezes, com o namorado a dar ao comando nem à Janette lembraria, mas à revista Happy, sim. A Happy de Março. Quanto ao José Castelo Branco ter declarado à VIP (de 09 de Abril) que estar em palco é o climax, é ter um orgasmo, uma sensação assim (comparou ele) como quando está em oração. Olha lá oh Castelo Branco e Deus, Nosso Senhor, nunca te castigou por teres dessas coisas assim ajoelhado?

PS. Meninas, meninas o que é isso todas a correr à Intimissi e à Women’s Secret? Calma que as calcinhas com vibradores e comando à distância podem ser encomendas via Internet e ainda não estão à venda nas lojas de Portugal (informação provavelmente atrasada).

sexta-feira, maio 01, 2009

Viva o 1º de Maio


Como a esperança é a última coisa que morrer no meu coração ergo uma bandeira vermelha pelos dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e pelo meio milhão de desempregados. Vivam os trabalhadores de Portugal! Viva o 1º de Maio.

Entretanto... Bandiera Rossa


quarta-feira, abril 29, 2009

1423. Hoje há caracóis


· Eu bem quero emagrecer mas hoje comi um pacote de amêndoas “tipo Milão”.
· Não gosto de ir às compras com a minha Maria. Hoje comprou um par de calças depois de ter experimentado 14.
· Gosto de comer bacalhau com grelos de nabo. Grelo e nabo juntos ou “a língua portuguesa é muito traiçoeira”.
· Costumo tirar o som da TV quando vejo um jogo de futebol. Normalmente oiço música. Às vezes distraio-me e “deixo” os comentadores falarem. Farto-me de rir.
· Conheci pessoalmente a fadista Maria da Conceição e também o seu marido (para mim, o Sr. Bessa) que ainda foi guitarrista da Hermínia Silva. Maria da Conceição foi a “criadora” de mãe preta. Enquanto a chibata batia no seu amor embalava a mãe preta o filho branco do senhor. Obrigado Dulce Pontes por cantares a versão original. Hoje (re)ouvi-te em Anthologia do Fado.
· Estou a usar e abusar das aspas. Prefiro escrevê-las aqui do que levantar as duas mãos e abanar para cima e para baixo os indicadores e os dedos médios de cada mão. Aliás aqui no blog nem daria para ver o gesto.
· Gosto da fadista Cristina Branco.
· O Victor do Blog “Oficina das Ideias” (mais aspas) ofereceu-me o selo Este blog promove amizade e investe na informação. Agradeço-lhe publicamente, sendo que para mim é sempre uma honra receber uma distinção de alguém distinto. Só não ponho aqui o selo porque caracóis com selos não gruda. Prefiro com imperial. Obrigado Victor.
· Por falar em caracóis, amanhã não posso mas prometo que na quinta-feira vou cortar o cabelo.
· Beijinhos e abraços em conformidade. Santa paciência para aturar o Prezinho, não é?

PS. Esclarecimento: Estive a ver o debate na SIC Notícias com os cabeças de lista, dos maiores partidos portugueses, às eleições para o Parlamento Europeu. O Nuno Melo praticamente só falou de agricultura. Juro que não foi por isso que falei em grelos de nabo.

A foto estava neste blog

terça-feira, abril 28, 2009

1422. Às terças...


Sombras e rumores

Que importa que hajam nuvens no céu
E a que a lua não tenha o brilho de ontem?

E também que importa que as estrelas não cintilem
Ofuscadas pelo véu cinza de cúmulos e de cirros?

Que interessa que o mar se despenteie contras as rochas
E os barcos se silenciem no ranger das amarras?

Que importa se o vento uiva nas frinchas das portas
E nos invadem as palmas de um par de janelas batendo?

Que importa se há névoa no rio
E a buzina do cacilheiro muge à travessia?

Que importa se ladram cães ao longe
E ouves junto à porta passos apressados?

Que importa se a chaleira apita de vapor fervente
Ou se se escuta a água do banho no andar de cima?

Que importa a ausência de luz na rua
E os sons dos fantasmas que nos cercam,
Quando nos perdemos em copulares gemidos?

Nada, meu amor, nada importa
Quando possuímos a noite.


Versos de PreDatado©, 2009
Foto de Ognid na
Catedral

domingo, abril 26, 2009

1421. Lunch Time Blog ou a arte de lamber


Teste a textura do feijão verde e coza-o em água temperada com um pouco de sal entre 3 e 5 minutos, conforme ele seja mais ou menos tenro. Depois retire o feijão e deixe-o escorrer. É assim que começo a confeccionar os meus peixinhos da horta depois de cortadas as vagens pelas pontas e retirados os fios. Hoje este trabalho será feito com meio quilo de feijão verde mas façam a quantidade que quiserem ou, melhor, de acordo com o número de pessoas que gostarem. Sempre gostei deste pitéu que leva a fritar as vagens em óleo bem quente embrulhadas num polme que passo a explicar. Numa malga deitem aí uns cento e vinte e cinco gramas de farinha de trigo e façam-lhe um buraco ao centro. Depois um pouco de sumo de limão, não abusem para que não fique azedo, talvez uma colher de chá. Eu costumo lamber a colher no fim pois gosto do gosto ácido do limão. Abram uma mini sagres ou super-bock e deitem para aí um decilitro na cavidade da farinha. Eu costumo beber o resto da mini e lamber os beiços por causa da espuma. Quem não aprecia cerveja pode substituir pela mesma quantidade de vinho branco. Normalmente eu não costumo beber o restante vinho da garrafa, para não me embebedar logo pela manhã. Já agora, para quem não gostar nem de cerveja, nem de vinho, pode fazer o polme com água. O sabor final não será o mesmo, mas come-se. Acrescentem um colher de sopa de azeite e temperem com sal e pimenta ao vosso gosto. Eu falo-vos aqui sempre do sal, mas na verdade, quando sou eu a fazer dispenso o sal por completo. Depois é só ter a calma suficiente para ouvir os outros protestarem. Eheheheh. Comecem a mexer pelo centro para a farinha não granular. Eu começo sempre a mexer com o indicador direito mas se a ASAE não estiver por perto podem fazê-lo com a colher de pau. Eu lambo o dedo antes de passar à colher de pau e aos ovos. Continuando sempre a mexer, agora com a colher de pau, junto dois ovos, um a um para ligarem bem e, quando a massa estiver leve, paro, deixo-a repousar cerca de meia hora e, vou eu também descansar o braço. Outras vezes aproveito o intervalo para preparar uma caipirinha ou um moscatel de Setúbal com uma casca de limão. Passem o feijão já frio e escorrido pelo polme, um a um ou dois a dois, fritem no óleo bem quente e bom apetite, isto é, lambam-se!

PS. Esta é uma espécie de peixe a que o meu gato Schubert não mia ao cheiro.

A foto foi encontrada aqui. Obrigadinho por deixar usar. Se não me esquecer depois tiro uma foto aos meus.

sexta-feira, abril 24, 2009

1419. Esperança



Esta noite vou me sentar na mesa da sala a estudar. Uma disciplina qualquer porque o exame de Química foi há 35 anos. Vou ligar a rádio e esperar ouvir cantar de novo E Depois do Adeus. Vou-me perguntar porque é que senti uma dorzinha no estômago. Eu sei que os Emissores Associados de Lisboa já desapareceram mas, mesmo assim, vou ficar sintonizado em uma rádio qualquer. Tenho esperança. Depois, vou mudar de posto. E antes de me deitar vou, de certeza, ouvir Zeca Afonso interpretar Grândola Vila Morena. Será na Rádio Renascença. E vou para a cama arrepiado, com a minha pele parecendo pele de galinha e os meus pelos todos de pé. Tenho esperança que vou ouvir e sentir tudo isso de novo. E, quem sabe, amanhã seja de novo 25 de Abril. Outro 25 de Abril que consiga completar aquilo que o de há 35 anos nos prometeu. E que os que não quiseram cumprir Abril se auto-desterrem a escrever memórias. Talvez isso eles o saibam fazer. Eu tenho esperança e quero também que tenham esperança os dois milhões de pobres e o meio milhão de desempregados que este país produziu. Viva o 25 de Abril!

quinta-feira, abril 23, 2009

1418. Porque a terça estava ocupada...



Amor em tempo de dor

Dói-me,
Dói-me de tanto te amar.
Porque, ao te amar, te amo a ti e aos teus ais
E o sofrimento da tua alma é meu.
Dói-me de te amar a ti e à tua dor.


Alegro-me,
Alegro-me de tanto te amar.
Porque, ao te amar, te amo a ti e aos teus sorrisos
E o brilho dos teus olhos é meu.
Alegro-me de te amar a ti e à tua alegria.

Foto: PreDatado, 2009

terça-feira, abril 21, 2009

1417. Para variar


Hoje vou fazer citações. De outros blogs. Não se acostumem, vai, mas uma de borla não é nada mau. Só uma mesmo que eu não sou o super homem.

“E de crianças, aprendem a guardar o resto de uma garrafa de água, por nós desperdiçada, como se de um tesouro se tratasse.” – Ana C. em Vadiagens. Este é um blog novo que não me enganarei se disser que será muito mais do que um fotoblog.

“No Domingo, dia 26, para comemorar a canonização de D. Nuno Alvares Pereira, será inaugurado o Largo D. Juan I de Castela frente ao Mosteiro de Aljubarrota. A festa vai contar com a presença de um grupo de flamengo e, segundo o programa oficial, vai haver "paelha".
A presença da Padeira lá do sítio ainda não está confirmada”. – Teresa em Cabra de Serviço .

“…mas eu estou envergonhada por nunca me ter deitado com o Luís Pedro Nunes. Assim eu teria a certeza que ele não escreveria que mulher que bem escreve fode mal.” – Janette em Guerra de Travesseiro.

“Não sei …se é a alma que detém o corpo ou se é o corpo de detém a alma.” – Madalena em Aliciante.

“Gosto duma certa ideia de unidade que nunca construo senão do dois. Talvez a possível, a tentada no sopro do primeiro beijo. Há, naqueles instantes tacteados, uma procura – e um achamento - de parte de nós que nem sabíamos perdida.” – Hipatia em Voz em Fuga.

“Faço um lombo de porco, assado no forno, que merece sempre grandes elogios de quem o prova” – João Espinho em Praça da República. Quero a receita.


… E um poema

Crava no meu peito a ilusão
rainha do meu poema
razão de uma vida
beija e trinca e agradece
eu ser só eu
musa e fantasia
loucura e esperança
e ganha-me todas as flores
que me apetecem.
Devora-me.
Porque eu, lúcida, te amo.

Poema de Paula Raposo em As minhas romãs.


Pronto vá lá, outro dia darei mais uma… borla.


Foto: PreDatado – Costa da Caparica, Paraíso


PS. Não pedi autorização aos citados para os citar ou “copiar”. Espero que não levem a mal.