segunda-feira, março 08, 2010

1523. O fado é um gajo porreiro



Primeiro, o jantar. O arroz de coentros fez uma excelente companhia à batatinha assada e à salada de alface, no adorno ao (tenríssimo) lombo de porco no forno. As entradas com pequenos pastéis de bacalhau, queijo de cabra e de ovelha, paio da região, a macedónia de cenouras com molho vinagrete, as azeitonas com orégãos já nos tinham deixado de água na boca. A simpatia e, porque não, o profissionalismo da Ana Rita, da Sandra e das outras pequenas que nos serviram não deixaram por mãos alheias os créditos que lhes são devidos. Quanta à rega, ela foi feita com João Pires branco, um terras do Sado escorreito e claro com um alentejano de estalar os lábios, um tinto da Herdade de Lagos no Vale de Açor, Mértola.

Segundo, o fado. Eu gosto de fado de todas as qualidades. Quero dizer eu gosto de ouvir cantar o fado, seja em vinil ou em cedê de plástico, seja no carro ou na hi-fi, seja na TV ou na telefonia. Se eu tiver à minha frente um prato de bacalhau assado, temperado com o belo azeite português, alho, pimenta e coentros picados e também um jarro de vinho tinto e um copo de vidro grosso, ponho a rodar um disco dos saudosos Manuel de Almeida ou Fernando Maurício já que é impossível voltar a tê-los em cartaz. Quem esteve em cartaz foram os, por mim até à data não conhecidos, Ana Tareco e Carlos Filipe. Se o Carlos é de Santarém, cidade com largas tradições fadistas já a Ana é uma fadista de Beja, cidade onde normal e naturalmente pontifica o Cante. Mas esta voz rendeu-se, e muito bem digo eu, à sedução do Menor, do Corrido e do Mouraria e desatou a cantar o fado. Ambos mereceram um fortíssimo BRAVO da assistência que enchia por completo as mesas.




Finalmente, mas não menos importante, a mesa. O Zé Augusto e a Cristina, A Paula e o Fernando, O Álvaro e a São e a Maria José e eu comemos, rimos, acompanhamos com larilolé, com certeza, e batemos palminhas. Alguns mais bêbados do que outros mas todos colhemos a rosa branca, estivemos numa casa portuguesa, perguntamos à comadre Maria Benta pelo seu filho e terminamos (sem dó) na maior.

E agora é que é finalmente mesmo, para deixar registado que tudo isto se passou na Casa do Guizo, Monte do Guizo, Mértola. Parabéns Ana Rita pela organização do evento, pela qualidade e como já se disse pela simpatia.

sábado, fevereiro 27, 2010

1522. Mas não era a mesma coisa


Caro Senhor,

Escrevo para lhe pedir um conselho. Sou cliente de um número substancial de prestadores e/ou fornecedores de serviços. Ele é comunicações fixas, comunicações móveis, gás, água e electricidade, empregada doméstica, correios e respectivo carteiro, bancos e cartões de crédito, internet , radiodifusão, televisão por cabo, serviços de recolha de recicláveis, eu sei lá, um sem número de pessoas e empresas para quem eu pago por não poder ou não saber ser auto-suficiente. Nos últimos tempos passei a andar muito satisfeito com um destes fornecedores, a saber, a ZON, a quem tirei do último lugar na qualidade da prestação de serviços, na minha homemade lista classificativa, desde que a internet passou a estar mais tempo operacional do que inactiva e também, valha a verdade, desde que os operadores do call center de apoio ao cliente passaram a saber responder a duas perguntas consecutivas sem me pedirem para que eu desligasse e ligasse o modem e o meu número de contribuinte. De tão satisfeito eu andava com a ZON que recebo os outros vendedores da concorrência, com crucifixo numa mão e uma cabeça de alhos na outra, para que não caísse em tentações, vade retro, enquanto que, com os vendedores da ZON apenas me benzo quando me batem à porta, dia-sim-dia-não (agora foi exagero, algumas semanas são só 2 vezes) e me perguntam quais os serviços da ZON que eu possuo. Mas não me benzo por eles não o saberem, benzo-me para pedir a todos os santinhos que munem a ZON de uma base de dados que permita aos seus colaboradores saberem quem é quem no que respeita à relação de um cliente com o seu fornecedor. Sabe, caro senhor, eu sou daqueles que ainda acreditam em milagres. Mas adiante que já me estou a alongar e pensará o senhor, com alguma razão, que não estou a ir directo ao assunto. Pois eu vou, rogo-lhe apenas que me conceda mais alguns segundos, muito menos do que aqueles vastíssimos minutos que eu espero nas vossas lojas de atendimento ou “pendurado” no telefone. Vejo com frequência a vossa publicidade na TV e não me leve a mal eu utilizar um dos vossos ex-libris publicitários, para vos dizer que também vejo a publicidade da concorrência, mas não é a mesma coisa. E até me mordo de inveja por em minha casa não poder ter um televisor em cada divisão como aquelas famílias felizes que vão tirando élecedês uns aos outros e colocam um na sala, outro no quarto, outro na cozinha, outro na casa de banho, outro na barraquinha do cão. Mordo-me de inveja mas para lá caminho, não julgue o meu caro senhor que sou algum pelintra. E para provar o que lhe digo, já tenho duas boxes digitais HD em minha casa, pelas quais pago à ZON, pois claro, nem de outro modo eu acho que deveria ser, não sou nenhum borlista. E tal é a minha inveja que decidi comprar um novo televisor, desta vez full HD, veja bem que luxo e, à semelhança das famílias felizes a que já me referi há pouco, assim tipo Nicolau Breyner, está a ver o que eu quero dizer?, fui à vossa loja do Almada Forum para solicitar uma nova box para poder tirar proveito do dito cujo televisor. Ora, qual foi o meu espanto constatar que, afinal, vocês não têm para vender/alugar o produto sobre o qual tanto investem em publicidade, diga-se de passagem de muito bom gosto, com famílias felizes e tudo como o João Pinto e a Marisa Cruz. A vossa colaboradora informou-me que há rotura de stocks e quanto muito haverá boxes para novos clientes, que o técnico levará consigo no momento da instalação e ponto final. Ora é aqui que o seu conselho me vai ser precioso e, posto que já deve ter ficado ciente da problemática pela clara, digo eu, introdução feita, o conselho que se me apraz pedir-lhe é o seguinte: devo eu devolver na loja o televisor, full HD (repito), que comprei na semana passada ou, pelo contrário, devo antes voltar a guardar na gaveta o crucifixo e na caixinha dos ditas, as cabeças de alho e procurar, na vossa concorrência, uma solução à minha medida? Eu tenho a certeza que me saberá responder pois, quem é ZON está ON e o senhor director com certeza também estará. É que já me perguntaram se eu poderia viver sem estas gracinhas da ZON. Poder eu até podia, mas não seria a mesma coisa, não acha?

Nota: Este é o texto completo de um e-mail que enviei ao Director de Clientes da ZON ao qual, entretanto, aguardo resposta.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

1521. Al bejes bejo, al bejes num bejo

Vi o Anti-Cristo de Lars von Trier e ainda não sei se gostei. O filme tem algo de perturbante e também algo de superficial. Não gostei do Anti-Nagisa, isto é, há uma inspiração perversa no Império dos Sentidos. Acho que um dia destes vou voltar a ver em vídeo para me questionar de novo se gostei ou não.

Do que vi e gostei mesmo, juro que é verdade, foi dos quatro a um que o meu Benfica aplicou aos lagartos no seu próprio recinto. Mas, obviamente, o Sporting perdeu por causa do árbitro. Aliás, nem me lembro de nos meus últimos 54 anos de vida ter visto o Sporting perder um jogo que não fosse por culpa do árbitro.

Vi hoje o debate do orçamento na AR, pela TV e, às tantas, adormeci. Já não sei se estava mesmo com sono, se cansado ou se este país não é para velhos.

Vi também a entrevista da Judite de Sousa ao presidente do Supremo e, espanto meu, gostei dos dois. Acho que me enganei na época e ainda não percebi que estamos do Carnaval. Em vez de criticar tudo e todos, estou bonzinho. Acho que é das barbas e ainda me situo no Natal.

Faço hidroginástica e natação e ainda não vi o perímetro abdominal diminuir. Mas também não será neste fim-de-semana de quatro dias. Eu e o meu mano, ou talvez mesmo, os meus manos, não deixaremos os créditos das nossas barriguinhas em paios, queijos e vinhos tintos alheios. Como eu dou graças a Deus ter casado com uma alentejana.

Gosto de amoras silvestres (1).

PS. Vi Nelson Mandela ser libertado, há 20 anos atrás e, como disse num comentário, foi para mim um dia de grande felicidade!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

1520. Allô, allô!

A publicação no youtube das escutas telefónicas a Pinto da Costa e à sua entourage e a publicação no semanário Sol das escutas telefónicas no processo de aquisição da TVI pela PT e não só, parecem constituir uma violação ao Direito e à liberdade individual porque, se no primeiro caso o segredo de justiça não estava em causa, mas sim outros valores da liberdade, no segundo é a justiça que fica em cheque, não só pela violação do segredo, mas também pela desconfiança que isso causa sobre os próprios promotores e aplicadores dessa mesma justiça. É portanto uma imoralidade que merece ser denunciada e que merece ser investigada, quiçá, mesmo, condenada.

Comparar as escutas telefónicas que se fazem em Regime Democrático como meio de aquisição de elementos e eventualmente de provas nos processo policiais/judicias no combate ao crime, seja ele o de colarinho branco seja o de viciação de resultados desportivos, com as escutas feitas pelas polícias políticas dos regimes totalitários, nomeadamente da PIDE ao serviço dos regimes fascistas de Salazar e Caetano no combate aos seus opositores políticos confere-me, a meu ver, a liberdade de achar quem o faz de ter sido acometido de uma estranha cegueira que provavelmente terá tratamento mais fácil em certos hospitais psiquiátricos do que em oftalmologistas de renome internacional. E há por aí, alguns jornalistas e opinistas que o fazem com o maior despudor.

O que me parece também é que, provavelmente, muito maior do que a imoralidade (ou ilegalidade) que se comete ao divulgar tais escutas são as próprias conversas em si mesmo. Ficarmos a saber de viva voz, ou por transcrição das mesmas que tudo aquilo se passou e que os protagonistas disseram mesmo aquilo que depois disseram que não disseram e que, com isso, tenho “abatotado” os resultados finais, sejam eles desportivos ou políticos, não é ilegal. Ilegal não é efectivamente sabermo-lo, mas sim o que foi feito. E se a justiça não o considera ilegal, no mínimo todos consideramos imoral. Não é por não valer, juridicamente a gravação da conversas de Pinto da Costa a encomendar aos árbitros que ele os deixou de encomendar. Está gravado e está escrito. Essa é que é essa!

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

1519. Horas douradas

Hoje vou pintar-vos um conto. A lata de tinta já está pronta e a velhinha sentada num corte de tronco de azinho ajeita o lenço. Vê-se que está impaciente pois atou e desatou o nó por mais de uma vez, tirou o chapéu e voltou a pô-lo, colocou o lenço sobre o chapéu e apertou o lenço de novo. Esta forma graciosa de usar um lenço sobre o chapéu preto é muito típica aqui da região. Víamo-las assim quando em “bandos” ceifavam o trigo ou quando, à tardinha, sentadas no mocho acariciavam o bezerrito que Bonita, a ovelha, acabara de parir. Uma ave, esclareceu-me numa voz meiga, com a ternura do costume, que era um rabilongo, posou na figueira em frente à porta. Comia os restos de um figo maduro que desta vez não teria tempo de passar. Depois aparentando um ar sério e fingindo-se zangada, disse-me, são uns bandidos, comem tudo. Rimos os dois e ficamos ali um pouco à conversa explicando-lhe que a luz do sol ainda não era aquela que eu queria para iniciar a pintura. Teria ainda tempo para atender o telefone e trazer-me uma chávena de chá bem quente que por este tempo, no inverno, faz frio por estas bandas. Um cheiro a lúcia-lima invadiu o espaço. Voltou a sentar-se, esperou que eu terminasse a bebida, enxotou o gato e disse-me, estou pronta. Eu também, avó, esta é a hora de ouro para um pintor. Peguei no pincel mas acabei por terminar o trabalho já sob a luz de uma fraca lâmpada de tungsténio. Vai ali para o lado do meu Joaquim. Nunca mais vais dormir só. Retirou um velho calendário já manchado pela humidade dos anos e no seu lugar pendurou o quadro.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

1518. Erecções

Vamos lá a ver se isto se levanta. Longe vão os tempos em que mais de 150 amigas e amigos passavam aqui pelo PreDatado e, se não liam tudinho (hipótese que até me custa a colocar, mas enfim, modéstia oblige), pelo menos vinham deixar uma palavrinha de apoio, de incentivo, de amizade ou, simplesmente, um olá bem fresquinho. Mas pergunto eu para quê essa assistência hoje em dia se não há por aqui nada, ou quase nada, que os faça aproximar? Pois então, há que pôr de novo a coisa em pé. Vamos lá a ver se é desta. Na verdade, vontade não me falta, tempo também não, a inspiração é coisa de momento e o tempo é feito de momentos, pelo que quando há tempo há momentos e por aí fora. E se os viagras que são as vivências do dia a dia, os desvarios dos nossos governantes, o e-mail mesmo que povoado de anjinhos, as delícias da batota do nosso futebol, a eficácia da nossa justiça, as extravagâncias do patrão da Virgin, a leitura dos blogues dos outros, os meus gatos próprios e os afilhados, um restaurante de raros sabores, uma garrafa de vinho tinto de uma excelente colheita, o crescimento e decrescimento da minha barriguinha apesar da ginástica e das caminhadas entres outros, se nenhum destes viagras resultar, então usa-se o guincho. Ele há-de voltar a ser aquilo que foi. Ele há-de voltar a pôr-se de pé. Longa vida ao PreDatado.

Foto PreDatado©, 2010 – San Lucar del Guadiana

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

1517. Att: Junta de Andalucia

Hoje vou falar mal dos espanhóis. Sei que vou chocar alguns e a outros nem tanto, porque me conhecem bem, ao escrever aqui que não sou fã de Portugal. Bem sei que “fizemos” os descobrimentos, mas desde aí até hoje não fizemos nada mais de que eu me orgulhe. Pode ser uma questão de exigência pessoal e pode encerrar alguma injustiça, mas nada mais me toca. Nada não, mentira. Estou a mentir com os poucos dentes que me restam na boca. Também me orgulho do 3º lugar no mundial de futebol de 1966 e dos golos do Eusébio. Costumo dizer às pessoas que fazem parte do meu círculo de amigos que de Portugal gosto da língua e do clima. Concedo ainda o benefício da dúvida ao cozido à portuguesa, à caldeirada à fragateiro e às amêijoas à Bulhão Pato. Mas eu disse que ía falar mal dos espanhóis e ainda só falei de Portugal. É que eu gosto mesmo de olhar primeiro para dentro de casa antes de olhar para o tapete da porta do vizinho. E dentro de casa… bom, isso fica para depois. O que eu queria dizer era que, se tivéssemos visto isto junto ao castelo do Alandroal, nas piscinas naturais de Porto Moniz ou nas imediações da Citânia de Briteiros, haveria logo quem dissesse que isto só podia ser coisa de portugueses. Que nos outros países, e tal e coiso, nada disto se passaria. Talvez quisessem dizer que o processo Casa Pia não demoraria mais de sete anos a se resolver se fosse nos Estados Unidos da América mas, aqui mesmo ao lado, ninguém acreditaria que numa pacata povoação, um pequenito pueblo de España de apenas 98 km2 e 616 habitantes - El Granado - todos os holofotes, que dão vida ao seu ex-libris, tenham sido barbaramente vandalizados como a foto documenta. (Deixo também uma foto do molino, ele mesmo, para não ter de colocar as fotos de todos os outros holofotes, que o deveriam iluminar, completamente destruídos).


Fotos PreDatado, 2010/02

terça-feira, janeiro 12, 2010

1516. Ponto de interrogação

Por vezes quedo-me a interrogar-me porque é que passo tantos minutos, tantas horas, tantos dias sem escrever.

Por vezes quedo-me a perguntar-me onde guardei aquele bendito lápis que mal sentia o cheiro de uma folha branca logo tratava de a rabiscar.

Por vezes quedo-me a questionar-me se as pontas dos dedos que afagam as teclas já não lhes sentem receptividade às carícias.

Por vezes quedo-me a indagar-me se o poder da mente que levanta o lápis, que acaricia o papel, que movimenta os dedos, que rabiscam na branca folha do processador, se afectou por uma qualquer barreira anti-magnética.

Por vezes quedo-me a tentar descobrir se foram os dias os meus anti-magnéticos minutos que me impediram de acariciar o lápis, de processar os dedos, de rabiscar a mente.

E por isso, porque não encontro respostas a um não sei quê de benditas horas, quedo-me sentado a cheirar o mar e ver as ondas quebrarem barreiras e pousarem como brancas folhas.

Versos e foto PreDatado©2010

segunda-feira, janeiro 11, 2010

1515. Uma ajudinha

Preciso de ajuda. Quase sempre me deito tarde. Deitar tarde e tarde erguer, não parece ser ditado popular que se costume utilizar por não encerrar nele nenhuma virtude ou ensinamento visível. Se bem que não me queixe de falta de saúde a verdade é que pelo menos não me fez crescer. E é neste meu vício de não me deitar cedo que acabo por ver coisas que nunca me passaram pela cabeça ver. Por exemplo, assistir a um palermíssimo programa de TV onde as pessoas por 0,60 € + IVA, se tiverem a sorte da sua chamada ser seleccionada, têm direito a tentar a sorte de adivinhar a palavra de quatro letras escondida dentro de um envelope e que constitui a chave vertical. Entretanto, vão preenchendo cada uma das quatro quadrículas da chave, decifrando na horizontal, palavras, também, de quatro letras. Preciso, portanto, de ajuda. Não exactamente para que me indiquem qualquer coisa que me ajude a dormir, nem tão pouco para me aconselharem qual o canal que eu deva estar a ver a altas horas da noite, se é que deva mesmo estar a ver televisão. A ajuda que eu necessito é a de saber onde posso encontrar o significado da palavra CAXO. Procurei já em muitos dicionários e nunca encontrei. Será que existe ou aquilo é mesmo só para enganar quem telefona?

sábado, janeiro 09, 2010

1514. Bom português

O acordo ortográfico deveria ser para começar a cumprir já a partir deste Janeiro. Há quem insista em não o fazer, outros já o fazem há mais tempo. Agora inventar um novo acordo é que não vale. O Jornal O JOGO online publicava hoje às 12:34h uma notícia sobre o ataque HÁ selecção do Togo. HÁ???????? Que é isto Sr. Jornalista?

domingo, janeiro 03, 2010

1513. Obrigadinho

Podem pensar que sou um chato, que gosto de falar mal de tudo e de todos mas não é verdade. Aliás, quem me conhece e quem foi , digamos que, “comandado” por mim nas minhas várias funções directivas sabe que, antes pelo contrário, sempre fui muito mais de elogiar do que de criticar, pelo menos em público, sempre incentivei os meus colaboradores e se era para “dar na cabeça” , como soy dizer-se, privilegiava o privado e em público isso só acontecia quando era obrigatório fazer crítica construtiva.

O facto de aqui no meu blog eu estar um bocado conotado com o inverso, isto é, com a crítica pública e mordaz, não me impede de vir aqui mandar um ramo de flores a quem o merece. Poderão alguns argumentar que não fizeram mais do que a sua obrigação. Mas, tendo em conta que há tanta gente que não faz a mínima ideia do que é a sua obrigação, não acho nada por demais dar a César o que é de César. Vem isto a propósito do meu post de ontem, mas não só.

No passado dia 11 fui de passeio à Ilha de S. Miguel, Açores. Chegado ao aeroporto dirigi-me ao posto de turismo para recolher alguns folhetos informativos e mapas. Não só obtive a papelada que pretendia, como também fui atendido por uma funcionária excepcional que me inteirou de praticamente tudo o que era passível de visitar no espaço de tempo pretendido, bem como informação, razoavelmente detalhada, sobre cada local. Mas não foi só trinta e um de boca, fez o favor de o assinalar no mapa, legendando-o. Estupidamente não fixei o nome da funcionária que merecia que eu a mencionasse pela sua Graça. Mas aqui fica o meu agradecimento público. Afinal temos lindas paisagens mesmo. Nem que para isso tenhamos de ir aos Açores.

Foto PreDatado©, 2009, Ponta Delgada, S. Miguel, Açores

sábado, janeiro 02, 2010

1512. É só paisagem

Ou este país não existe, ou é só paisagem. Eu sou da velha guarda, do tempo em que se fotografava, pegava-se no rolo, mandava-se revelar (nunca fui profissional e nunca revelei as minhas próprias fotos) e depois mandava-se imprimir em papel. Ainda gosto de tocar as fotografias, neste tempo do digital e, por isso, vai-não-vai, mando fazer algumas em papel para as tocar, "ver" com as mãos, arquivar em álbuns, juntar-lhes outros elementos relacionados, como por exemplo bilhetes de avião ou recibos de portagem, facturas de hotel ou de almoços mais significativos e tal e nem era por nada disto o post que eu ia escrever e que já vai longo e chato, deixem-me interrompê-lo a meio.

Fui anteontem à FNAC no Almada Forum mandar fazer algumas fotografias. Uma empregada da loja de fotografia atendeu-me, enquanto “dava à língua” com um, ao que me pareceu, colega mas não da mesma área. Apesar da dispersão cliente/conversa privada, fez o que lhe competia, transferiu-me as fotos para o sistema da FNAC, ajudou-me a escolher o tamanho das ditas, fez sair o talão de encomenda, e, espanto meu, OOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHH, mandou-me esperar um pouco que uma colega já acabaria de me atender porque tinha de ir almoçar. O que faltava fazer era preencher um formulário com o meu nome, dar-me o canhoto para levantamento e dar-me as boas tardes. Coisa de menos de dois minutos. Neste entretanto, fiquei na seca durante mais de dez minutos à espera que a colega acabasse de atender outro cliente, que chegou depois de mim e que não tinha, obviamente, culpa nenhuma disto.

Só num país da treta como este é que um funcionário de uma loja deixa um cliente a meio para ir almoçar, independentemente dos justos direitos que lhe assistem. Num país da treta como este restam as bonitas paisagens.

Foto PreDatado©2009, Lagoa do Fogo, S. Miguel, Açores

sexta-feira, janeiro 01, 2010

1511. Feliz Ano Novo

Iniciamos mais um ano. Assim o obriga o calendário gregoriano que tem esta coisa mágica de fazer parecer que apenas num dia a seguir ao outro, que por acaso foi o último do ano anterior, torna logo tudo tão diferente, tudo tão cheio de esperança, tudo num tomara que desta vez é que seja. Para muitos é isso, uma renovação de esperanças; para outros, tempo de reflexão e balanços e para outros, os mais pragmáticos, tempo de ficar na cama a curar a senhora bebedeira da véspera. Não escapo ao conjunto daqueles que balanceiam espaços temporais, mas já não me revejo no grupo dos esperançosos. Quanto à curtição, se as palavras escritas não me atraiçoarem, parece que não houve nada de especial apesar de, para espanto meu (oh my God!), ter descoberto em cima da mesa do jantar / reveillon de ontem muitas mais garrafas vazias do que as que esperava.

O ano que findou foi um ano de emoções mistas, um ano de grandes alegrias e de outras tristezas que, infelizmente, não são passíveis de evitar. Ou talvez sim, mas seriam contas de outro rosário que não vou aqui desfiar. Além de outros tive o especial amargo de coração de ver partir o meu sogro, pessoa de quem gostava muito, mas também tive muitas comemorações que, tudo indica, se prolongarão por este ano. Vi o meu filho terminar a sua formação académica, hoje já arquitecto a trabalhar num atelier na Suiça por sua própria opção, vi a minha filha casar-se e vi-a terminar a sua tese de doutoramento, faltando “apenas” a sua defesa em sede de dissertação, o que poderá ocorrer já no início deste ano. No que respeita a coisas da minha própria intimidade está dito o essencial.

Foi também um ano em que se confirmou o que todos já sabiam que iria acontecer mas que era preciso legitimar pelo voto do nosso povo. Os ataques desmedidos aos funcionários públicos, com especial ênfase nos professores, o sistema de ensino que ninguém consegue reformar, o sistema de saúde que ou não funciona ou funciona mal, a justiça que não anda nem desanda com processos a arrastarem-se penosamente nos procuradores e nos tribunais, as situações dúbias relativas a putativos actos de corrupção sem esclarecimento cabal, tudo isso acabou premiado, ao manterem-se os mesmos e as mesmas políticas em frente da governação. Os milhares de desempregados que em cada dia engrossam fileiras, as empresas que teimam em fechar ou a “deslocalizarem-se”, os subsídios escassos a quem efectivamente precisa e que nos vai mostrando uma fileira de pobres a puxar-nos, hora a hora, cada vez mais para a cauda do pelotão do desenvolvimento obriga-me a que, como disse atrás, me exclua do grupo daqueles que ainda mantêm viva alguma esperança.

Por mim, vou bebendo uns copos e deixando que a água corra por debaixo das pontes. Se for vivo, amanhã, brindarei de novo ao Deus Sol.

Feliz Ano de 2010 é o meu voto para vocês, minhas amigas e meus amigos leitores.

Foto, PreDatado©2009, S. Miguel, Açores

quinta-feira, dezembro 24, 2009

1510. Feliz Natal

De arco-íris e negros céus

Se fazem tempestades,

E os gatos ronronam

Em tapetes persas.

As tonalidades e murmúrios de Hossanas

No teu céu, são mundo meu e

Eu te amo.

Cerraste janelas e a noite

Invadiu o teu corpo de desejos.

Era frio e Natal.

E nós envoltos

Num presépio de afectos.


Foto PreDatado©, Dez 2009, Achada, Açores


O vosso amigo Pre vem por este meio comunicar, a todas as interessadas e a todos os interessados nesta quadra festiva, que lhes deseja um Feliz Natal de muito amor e de Paz. E para aqueles e aquelas que são cristãos como o Pre e para aqueles e aquelas que o não são, que Deus vos abençoe.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

1509. Conforto

Ainda não está muito frio, embora lá no interior do Alentejo as noites já comecem a ser fresquinhas. Mas que dá cá um conforto ter o lume aceso, ah isso dá. E até se assam castanhas. Vai um tintinho?

terça-feira, novembro 24, 2009

1508. Mestria e champanhe

Nem eu, nem a minha mulher fomos ou somos pessoas de nos imiscuirmos nas grandes opções dos nossos filhos. Contudo, sendo nós mais velhos, o que aliás, geneticamente falando, não poderia ser de outro modo, teve a experiência a gentileza de nos dotar de instrumentos, que poderemos chamar de úteis, para que, de alerta em alerta, os pudéssemos utilizar, não no sentido do proteccionismo, mas sim no da orientação em momentos de alguma fragilidade (deles) e também no do ensinamento na destrinça do que poderia ter ou não efeitos perniciosos no seu desenvolvimento. Posto isto, não fica difícil de perceber porque é que cá em casa há adeptos de diferentes clubes de futebol, porque é que a opção político-partidária não goza de unanimidade, porque é que temos visões diferentes das religiões ou porque é que uns preferem Radiohead e outros Caetano Veloso e por aí a fora, fico-me por aqui para poupar-vos à, sempre difícil, digestão dos textos corridos do PreDatado. Mas se por um lado tudo acima é verdade (juro mesmo, absoluta), também é verdade que nem só de pragmatismos vive o homem (tomem lá esta) e nunca lhes faltou um colo, um ombro, um abraço, um mimo, um carinho, uma ternura em todos os momentos que não só os necessários. Foi neste misto de afectividade e de céu estrelado, com algumas nuvens a vislumbrarem-se no horizonte (poeta!) que foram calcorreando as ruas do futuro, o qual lhes foi também ensinado que cada dia é o primeiro dia do mesmo. E hoje começa um novo futuro para o meu João Pedro. O meu filho, o meu menino, fez hoje a apresentação e dissertação da sua tese de Mestrado em Arquitectura. É um Mestre nesta arte, que a de gerir todas estas emoções mesmo que com a ajuda de um lenço para lhe afagar aquela teimosa lágrima que não para no canto do olho, mestre mesmo é o pai dele. Para ti meu filho, é hoje a taça de champanhe que eu levanto e, quando tomares a próxima decisão avisa-me que eu sou todo ouvidos.

sexta-feira, novembro 13, 2009

1507. Molhar a minhoca, diz ele

Jaquinzinhos com arroz de tomate, bacalhau à lagareiro, arroz de tamboril com gambas, sardinha assada na brasa, salmonetes na grelha, caldeirada à fragateiro, sopa rica de peixe, salmão fumado com cebolinho, gambas à la planche, amêijoas à bolha pato, salmão marinado com gengibre, pargo no forno à moda da avó maria, mexilhões à marinheiro, fataça na telha à moda do ribatejo, cachuchos fritos com arroz de grelo, pregado frito com açorda, peixe assado no forno com tomate, cebola e salsa, bacalhau à brás, pescada cozida com feijão verde, tímbalo de polvo, chocos assados com e sem tinta, caldeirada de lulas à moda da nazaré, espetada mista de tamboril com camarão e pimentos, lulas recheadas, bacalhau à moda de lafões, sopa de peixe à moda da costa verde, filetes de polvo com arroz do dito, pescada à florentina, vieirinhas recheadas, lagosta suada, lavagante na chapa, ostras frescas abertas ao natural com sumo de limão, açorda de sável à ribatejana, sopa de cação, achegãs de caldeirada em forno de lenha, bacalhau espiritual, espetada de lulas com chouriço, rissóis de camarão, safio com ervilhas à moda da póvoa, fritada mista de peixinhos do rio, carapaus alimados, escabeche de carapaus fritos de um dia para o outro, arroz de sardinhas à algarvia e não me venhas cá tu, grande rafeiro, dizeres que passavas bem com uma sandocha de couratos. Dedica-te mas é à pesca. E podes levar a tua jove contigo que ela ajuda-te a pôr a minhoca no piercing.

quinta-feira, novembro 12, 2009

1506. Rotinas

Vão chegando, entre as seis e as sete, juntam-se no muro com uma mini na mão. Como se fossem um bando de estorninhos que atacam a oliveira. Depois de um largo linguajar, os apertos de mão, dão meia volta e regressam ao lar. No muro fica a fila de garrafas que o tasqueiro, solicito, deita num balde. Amanhã sairá nova rodada. Até que o inverno chegue.

Fico na varanda a vê-los chegar, agora mais cedo porque a hora mudou. Para nós, não para eles, para eles o que muda é o tamanho do dia, o menor intervalo entre a manhã e a noite. Regressam em bandos às árvores, num estranho linguajar feito de chilreios. Não sei se me parecem estorninhos ou se o são.

Agasalhados, porque o vento ribeirinho corta, saímos todos como se fossemos um bando (de estorninhos?) do vapor – já ninguém lhe chama vapor, gente de outras gerações que têm catamarans de usufruto - na outra margem. Acenam em linguajares de até amanhã, de espere aí, de que chatisse, perdeu-se o autocarro, perdeu-se o metro, numa correria de horários. Aconchega-se o cachecol ao nariz, porque o vento ribeirinho corta. Amanhã, pela manhã, quer a luz do alvorecer raie ou não, abandonaremos a árvore e sairemos para os nossos campos (como estorninhos?) à espera de vindouros invernos.

Corta!

(gostaria de conhecer o autor da foto para lhe prestar os devidos créditos, mas infelizmente encontrei-a na net sem referência ao autor)

domingo, novembro 08, 2009

1505. Felicidade


Dizem que não se podem, ou melhor, que não se devem começar textos por determinadas palavras mas apetecia-me começar este por, Até S. Pedro se quis associar à tua festa, pois, na verdade, após os dias invernosos que se fizeram sentir desde meados da semana passada, continuado neste chuvoso dia de hoje, ontem o Sol resplandeceu maravilhoso para te ver sair, deslumbrante, de casa dos teus pais, a caminho de uma nova vida que te auguro risonha, por quem és e porque o mereces e, quem assistiu e testemunhou ajudou-me a encher o ego de pai (estou que nem posso) ao me fazerem saber que foi linda a festa, Anita.

Sabes minha filha, ontem, quando te conduzia na passadeira para “te entregar” ao teu noivo, mordi várias vezes o lábio inferior para que não me viessem aos olhos as pieguíssimas lágrimas, que conheces bem, mas que hoje, ao lembrar-me que vais sair deste ninho para fazeres o teu próprio não as consegui segurar, mas não te preocupes, porque se nisto há um não sei quanto de nostalgia ele há, e aí posso te garantir, um trilião de vezes mais de alegria e sabes porquê, Anita? porque eu te amo.


sexta-feira, novembro 06, 2009

1504. Ye Monks. Champanhe é amanhã

Em 1979, era eu um embarcadiço, assim como que armado em marinheiro (não gostava de whisky) pensava e repensava onde é que havia de gastar o dinheiro que ganhava, não muito diga-se de passagem, não havia centros comercias, o Colombo mais próximo que conhecíamos era um antepassado nosso, também marinheiro e, em Gaia, só passeavam rabelos, que petroleiros daquela envergadura só até ao Mar da Palha, mas isso já é Tejo, são outras águas (põe-se água no whisky, não é?), pois shoppings não havia desses, dos que há agora e então gastava-se o dinheiro na cantina (oh Felix abre ali a tasca que preciso de cervejas) mas era só a partir das quatro e picos quando o tasqueiro largava o quarto do meio-dia, também se encomendavam, através da cantina, ao ship chandler, alguns artigos de luxo (um dia levei uma rabecada por misturar coca-cola num Chivas Regal) entre eles uns sabonetes que só muitos anos mais tarde se começaram a vender por cá e até whiskies (uma queixa crime de quem não o beber puro) de maior prestígio.

Um certo dia (não me atrevo a fazer qualquer mistura) ainda eu não bebia whisky e a minha bolsa não dava para comprar o Royal Salut em bolsa de veludo azul gravada a dourado, comprei uma Ye Monks em garrafa de porcelana, whisky de 12 anos que hoje, passados que são (nem pensar em deitar-lhe água castelo, quanto mais coca-cola) todos estes 30 anos, já estará com os seus 42, já as vi à venda na net por 200,00€, portanto um bocadinho mais velho que alguns dos meus leitores e das minhas leitoras, mas tu nem gostas de whisky e isto custa um balúrdio, portanto vai ser aberta quando se casar o meu primeiro filho e vai daí foi preciso casar entretanto, ir aprendendo a gostar de whisky (uma pedrinha só), esperar os nove mesitos que essa coisa do pré-natal demora e toma lá que é uma menina linda, linda, linda.

Hoje, mais logo pela tardinha, vou abrir a Ye Monks. A Anita casa amanhã, Sábado, e Sábado é mais dia para champanhe do que para (o quê, água lisa, gelo? nem pensar) whiskies. E cá estarão alguns amigos para me acompanhar num brinde à minha filha, ao seu marido e ao seu novo futuro.

No Sábado jorrará champanhe!

(coca-cola, tás mas é maluco)