segunda-feira, agosto 24, 2009

1474. Fado - uma das minhas paixões

Na verdade não quero que pensem que estou aqui a dar graxa, a donner de la graxe, giving graxation, geben graxichen ou a rasgar seda (mania de complicar né mesmo, mermão?). Eu sei e já tenho afirmado que O PreDatado é o blog que tem os melhores leitores do mundo e, por certo ninguém me desmentirá, também os mais cultos. Obviamente que nem todos terão o mesmo grau de conhecimento em todas as matérias mas é esse ecletismo de cognição, atrever-me-ia mesmo a designar por esse boião de cultura e, se não considerarem exagero meu, até me referiria a esse mix de experiências civilizacionais que honra e prestigia este humilde blog que foi criado no intuito, único e exclusivo, de ser pasto para alguns dos vossos momentos de ócio, ou quando já não houver mais livros do tio Patinhas para ler na prateleira do móvel livreiro da casa de banho, ou ainda para quando acaba o programa da Marta Croft no TVI24.

Posta que foi a brevíssima introdução supra, eu sei que vós merecíeis muito mais, vamos lá ao que interessa mesmo e sobre o qual eu quero a vossa ajuda. Lucília do Carmo foi uma tremenda fadista que malogradamente faleceu há já 10 anos atrás. Dentro da sua vasta discografia consta o fado Loucura. Neste fado, de letra lindíssima, Lucília do Carmo cantava o seguinte refrão:

Chorai, Chorai

Guitarras da minha terra

O vosso pranto encerra

Minha vida amargurada.

E se é loucura amar-te desta maneira

Quer eu queira quer não queira

Não posso amar-te calada.

Ora ontem assisti a um espectáculo da linda Ana Moura (vide PS) onde esta cantou Loucura que eu conheço como Loucura (sou do Fado) cuja primeira vez que o ouvi foi na voz de Carlos do Carmo, filho de Lucília do Carmo e que, no entanto, Ana Moura atribuiu a Lucília do Carmo. Embora utilizando o mesmo arranjo musical, a letra é completamente diferente sendo que o refrão é:

Chorai, Chorai

Poetas do meu país

Troncos da mesma raiz

Da vida que nos juntou.

E se vocês não estivessem ao meu lado

Então não havia fado,

Nem fadistas como eu sou.

E agora pergunto eu: entre os meus leitores e as minhas leitoras há alguém que me consiga informar se o fado Loucura (Sou do Fado), este último, é mesmo da autoria de Lucília do Carmo, ou então, conhecem alguma gravação de Lucília do Carmo cantado esta versão de Loucura? Porque da primeira versão tenho eu e se ficar em branco nesta resposta até as minhas guitarras vão chorar.

PS. Ontem assisti ao concerto de Ana Moura nas festas de Corroios. Eu chamei-lhe linda porque de facto o é. É-o como mulher mas isso não vem ou caso ou se calhar até vem. Deixemos assim. Linda como fadista, pela qualidade da sua voz, pela qualidade do seu repertório, pela qualidade dos músicos que a acompanham, pelo rigor do traje, pela atitude em palco. Linda como pessoa, pela sua humildade. E é este ponto que hoje trago à colação, mesmo correndo o risco deste post scriptum poder ficar mais ou menos chato. O Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Corroios e a Comissão das Festas de Corroios (não sei se é assim que se chama) que tão boa conta costumam dar (e têm dado), do recado com uma “feira” bem organizada, variada na oferta e divertida, diga-se em abono da verdade, com espectáculos de qualidade todos os anos, a qual os do presente ano confirmam e culminam, não poderia criar uma prerrogativa entre os feirante para que, quando um espectáculo do nível e do âmbito do da Ana Moura, todas as outras barracas e locais de diversão desligassem a música? Não custava nada, pois seria pouco mais de 1h30m e escusava de se ter misturado Búzios com Quim Barreiros, Loucura com Emanuel, Aconteceu com Rute Marlene e o meu amigo João com Nelson Ned. Não fosse a humildade que enobrece os grandes e estou convencido que Ana Moura se teria recusado a cantar. Para rever. Se alguém lhe puder chegar este recadinho (ao presidente da Junta, claro), agradecia.

Foto de Lucília do Carmo retirada da net, onde consta em vários blogs e artigos a seu respeito.

sábado, agosto 22, 2009

1473. Andamos por lá perto

Vou-vos contar uma coisa mas não digam a ninguém. Aqui o Pre é um gajo de números, não fosse o tipo ligado às engenharias e às matemáticas, mas há números para os quais não está, definitivamente, talhado. Dou-vos dois exemplos simples com os quais podereis constactar essa sua não afinidade para certas conjugações algaritométicas (nem a palavra existe). Esta semana estava ele, o Pre, aqui confiante que lhe iriam sair os 74 milhões do Euroditos, os quais diga-se de passagem já pouco lhe pertenciam dada a distribuição que, previamente, fez dos mesmos e, tufas, nada de nada que é como quem diz niente. Estais já todas e todos vós leitoras e leitores, respectivamente, a pensar, os números não querem nada, mesmo nada, com o Prezinho, sem mesmo saberem que nem os números nem as estrelas pois o zerão também se aplica a esses dois algaritmozitos suplementares. O segundo exemplo tem a ver com o número de visitas de “O PreDatado”, obviamente coisa muito mais séria do que o Euromilhões, de tal forma que é preciso cuidado para dizer isto. Os outros blogs, os famosos, os dos pilantras como aqueles que andam por aí a trocar bandeiras, os dos gajos amigos dos amigos daqueles que vocês sabem e, finalmente, até os bons blogs, é num ápice. De um momento para outro pimba, tufas (outra vez) e plim, e lá estão eles, nas 10, nas 50, nas 100 mil visitas e, horrores dos horrores, a ultrapassar um milhão de visitantes em pouco mais de um ano. Cá o nosso Pre está nos seus 99.932 (número que não variou desde o início da escrita deste post até à sua publicação), que é como quem diz quase nos 100 mil em cerca uns míseros quase 6 anitos nestas andanças. E isto quer dizer muito. Quer dizer que não é qualquer merdas que vem aqui ler este blog. Os poucos que cá vêm são os melhores leitores de blogs do mundo. São poucos? Ah pois são, mas são os melhores. E mainada!

Pic from Copyright 2009 Kellene Bishop at http://womenofcaliber.wordpress.com/2009/07/20/my-wish-100000-women-strong/

sexta-feira, agosto 21, 2009

1472. Benfica TV

Inenarrável este rapazinho. Não é a primeira vez que vejo um jogo do meu Glorioso S. L. Benfica na Benfica TV e de cada vez que o faço farto-me de rir. A Benfica TV não é uma televisão privada embora seja uma televisão privada. Parece um contra-senso mas não é. Eu explico. Embora seja uma televisão privada de estatuto não é um canal de TV para ser visto à porta fechada, entre confrades que se riem muito das próprias piadas. Está inserida num pacote de oferta de um operador, com licença atribuída por Entidade Pública. Como tal deve ter, independentemente da linha editorial com a qual digo de passagem que embora não a conheça subscrevo-a porque será com certeza em defesa do meu clube, dizia eu deve ter sobriedade mas, essencialmente qualidade. Ter um relator/comentador dos jogos de futebol que não só identifica o nosso treinador como Jota Jota (eu vou assumir para mim a dor e pedir desculpa ao grande Jacinto João, ex-jogador do Vitória de Setúbal, esse sim universalmente conhecido nos meios futebolísticos como Jota Jota), como para ele faz parte da nossa equipa o Angelito (anrrelito), o Pablito, o Fabinho, o El Conejito (el conerrito), o Tacuara e para já fico-me por aqui porque daqui a pouco está a chamar Luisinho ao Luisão. Não se pode melhorar Sr. Luís Filipe Vieira? Pode-se ser Benfiquista sem ser ridículo ou não?

PS. Os ucranianos não têm nome conhecido mas ainda sou do tempo em que o Benfica foi eliminado por um tal Ajax e que toda a imprensa achincalhava o Glorioso por ter sido posto fora da Europa por uma marca de detergente. Pois bem, o Benfica deu quatro aos ucranianos do Poltrava, outros quatro poderiam ter sido marcados e o jogo foi muito bem jogado.

terça-feira, agosto 18, 2009

1471. Bem-ditismos

Quando estou de férias a última coisa que gosto é de ser perturbado com sons que vão para além do dos passarinhos, do balido das ovelhas, do rolar das ondas na areia ou dos verdadeiros sons do silêncio, propícios à reflexão, que as calmas noites alentejanas me proporcionam, enquanto refastelado em faustas cadeiras espaldares ou espreguiçadamente deitado na rede a olhar o céu e a chuva de meteoritos. No entanto, condescendo, de vez em quando, alguns minutos do meu quieto direito à paz, ao barulho e ruído que os jornais e telejornais a transtornam. Quando ouvi na televisão que Isaltino de Morais foi condenado a sete anos de prisão por uma série de crimes (roubos?) que terá perpetrado, a notícia não me aqueceu nem me arrefeceu. Retirei-me e voltei aos meus longos períodos de reflexão. Eu não sei se o tal indivíduo é culpado ou não é. Não sou juiz e além disso o Dr. Isaltino recorreu pelo que, até que transite em julgado, não sou eu quem fará coro com os justiceiros da praça pública. Mas se ele pertence à canalha então que seja condenado. Porque a canalha existe e isto não é resultado de qualquer julgamento popular. Todos sabemos (são os mais importantes e relevantes Magistrados e Procuradores que o dizem) que existe uma canalha, um bando de vampiros que nos suga o sangue a cada minuto que passa. E choque a quem chocar terão um dia de o pagar. Seja em Oeiras, em Felgueiras, em Gondomar, em Alcochete, em Lisboa ou no Porto. Um dia, quem sabe, alguém possa ter umas mãos tão castas e tão limpas que nunca se sujarão a limpar o nosso país da canalhice. Benditas sejam.

PS. Um tal brasileiro Adhemar de Barros, em tempos que já lá vão, candidatava-se com o slogan “Adhemar rouba mas faz”. Infelizmente em Portugal também existe muita gente que apoia este tipo de políticos. Que façam algo e tudo lhes será perdoado. Mesmo que o façam à conta do nosso suor, quiçá do nosso sangue e quantas vezes das nossas lágrimas. Malditos sejam.

segunda-feira, agosto 17, 2009

1470. Menininho


Eu sou exactamente como as crianças. Hoje a família ofereceu-me um leitor MP4 assim com umas funções meio complicadas para mim, mas eu tenho uns amores de filhos para quem não há botão ou tecla que não conheçam e que não saibam para que é que servem. Pois como ia dizendo, ainda não tirei os auscultadores dos ouvidos. O brinquedo é meu e pronto! O pior é se não oiço a rolha da garrafa do champanhe a saltar e o esparramo todo pela mesa. Que se lixe, haja alegria.

domingo, agosto 16, 2009

1469. Regresso auspicioso

De repente a minha mãe escorrega na banheira, dá uma queda, as dores são horríveis, o hospital é logo ali ao lado. A assistência não é rápida nem é lenta, está dentro dos tempos previstos pelo chamado Critério de Triagem de Manchester, as coisas parecem estar a correr bem. Atendida no banco de urgências foi radiografada e como tal teve de esperar o tempo razoável para que a “chapa” estivesse pronta. Não tendo sido detectada nenhuma fractura foi no entanto considerado prudente, pelos clínicos de serviço, que a mesma radiografia fosse observada pelo neurocirurgião. 13 horas e 30 minutos depois, leram bem, treze horas e trinta minutos depois foi dada alta à minha mãe com receituário de ben-u-ron (o que nem sequer se questiona). É esta a qualidade de serviço que temos, é este o SNS que nos legam os partidos do poder. E nós, lá vamos cantando e rindo…

PS. Parece que no Hospital Garcia de Orta em Almada também ainda são conhecedores do Dec. Lei 33/2009 publicado no DR no passado dia 14 de Julho. Nomeada e principalmente os serviços de segurança. Acho que a região de Almada / Seixal / Sesimbra merecia uma melhor gestão hospitalar.

quinta-feira, julho 30, 2009

1468. Vacanças

E pronto, chegamos ao fim de mais um ciclo. Bem sei que não é para todos mas a maioria dos portugueses vai de férias em Agosto fechando, portanto, nesta altura mais um ciclo. Durante um mês não há mais embirrações do chefe. Durante um mês as filas para a ponte na ida e na volta são só para aqueles que não sabem fechar o ciclo no dia exacto. Durante um mês não se vai para a caixa do Continente com o carrinho de compras a transbordar aos Domingos de manhã. É verdade, também, que durante um mês não se tem o prazer de conversar com a boazona que trabalha na secretária ao lado e esta é a época de ela ir de mini-saia até à cintura, mas algum tributo se terá de pagar. Durante um mês não é preciso ir buscar os putos todos os dias ao colégio porque as educadoras também estão a fechar o ciclo delas. Durante um mês não vou pensar se tenho moedas para um dia inteiro de estacionamento. Claro que não vou ter o Destak, o Global, o Metro de borla todas as manhãs mas quem é que precisa de ler jornais no mês fora-de-ciclo? Durante um mês não vou fazer jantar nem lavar a loiça, os outros, os que não fecham o ciclo vão poder fazer o jantar para mim. Durante um mês não há Sócrates nem Ferreiras. Mas vou andar atento ao meu redor e a tomar notas no meu moleskine. Se alguma for interessante depois eu publicarei por aqui. Oh amigo não se importa de desviar um bocadito a sua toalhinha para eu estender a minha? Obrigadinho.

PS. Apesar do Pre ir entrar em férias de Agosto não se esqueçam de vir aqui no próximo dia 17 saudar o seu aniversário e tomar uma tacinha de champanhe, ok?

PPS. Ando muito feliz com as eleições autárquicas. Aqui o meu Concelho anda todo cheio de arranjos e arranjinhos, montes de equipamento prometido e outro a inaugurar e tal. Assim é que é. Eu por mim não me importo de ir todos os anos ali à EB votar. Eleições Autárquicas anuais, já!

Foto: PreDatado©2009

terça-feira, julho 28, 2009

1467. Narzędzia


Nagenda, era assim que nos soava a palavra polaca narzędzia. Ainda hoje quando falamos desse tempo e nos referimos ao assunto é nagenda que dizemos. Já lá vão mais de 3 dezenas de anos em que nos aventuramos a trabalhar na montagem e desmontagem de pavilhões nas antigas instalações da FIL quando ali se realizava a grande exposição anual. A nós calhou-nos o pavilhão da Polónia e logo cedo, antes das 8 da manhã pegávamos na nagenda e íamos trabalhar. Narzędzia é como se diz ferramenta em polaco e eram o martelo na montagem e o arranca pregos na desmontagem as nossas principais ferramentas. Hoje em dia as minhas ferramentas são outras e n’agenda só se for (e é) na electrónica. Utilizar a internet desde antes das oito da manhã e até muito depois do sol se pôr passou a ser para mim quase tão imprescindível como comer. E se bem que em férias me costumo desligar do mundo nem sempre isso é possível para não dizer inconveniente. Vejo agora anunciar por aí, tipo “ora aqui está uma pechincha que nunca lhes passou pela cabeça” banda larga apenas a 10 Euros por 10 horas. Não tenho dúvidas que vai muita gente aderir mas eu gostava de os mandar ir roubar para a estrada porque não estou disposto a pagar 1 euro por hora para aceder à internet, quando em casa pago cerca de 50 cêntimos por dia. Eu não sou nada violento mas quando oiço este tipo de anúncios só me apetece dar-lhes com a nagenda.

sexta-feira, julho 24, 2009

1466. Ensaio sobre a beleza (interior) ou como ficar bonito para este Verão

Às vezes eu finjo que não entendo. Aliás, não é às vezes. Eu sempre finjo que não entendo. Palavra puxa palavra, conversa puxa conversa tipo pezinhos de cereja, ainda a procissão vai no adro e já se ouve o habitual, “o que importa é ser bonito por dentro”. Ah é? E isso também vale para bonita? E se vale como é que vão ser depois os piropos? Parece-me já estar a ouvir o gajo das obras na minha rua debruçar-se na plataforma, onde uns dias depois há-de ser uma varanda, gritar, Ai filha, tens um fígado tão lindo que te comia toda em iscas, ou o camionista à beira da estrada, Se os teus pulmões fossem mais sobressaídos um bocadinho quem te dava uma maré viva era eu, oh Pamela de Alfarim! O que eu gostava mesmo era de assistir às conversas nos consultórios dos cirurgiões plásticos. Doutor nem sabe o que me passou hoje pela cabeça, (…) venho trocar de pâncreas (…) já viu que lindo este no catálogo? (…) Pena é que a modelo é meio anoréctica, mas (…). Acho que quem vai ficar a perder é o governo. É que estas novas cirurgias plásticas com recibo de operação ao pâncreas devem dar para descontar no IRS. Quanto é que abaterá, por exemplo, retirar umas gordurinhas aos pulmões ou fazer uma lipo-aspiração à bexiga? A mim não me enganam, não, com essa converseta do bonito por dentro. Porque é que não dizem logo que um gajo é feio ou vá lá, para não chocar tanto, que é barrigudo? Mas não, ai Pre o que importa mesmo é ser bonito por dentro e tal, mas mesmo assim devias mandar colocar um pouco de botox nos bronquíolos.

PS. Na verdade eu sou lindo por dentro. Já fiz alguns exames, não digo quais porque isto aqui não é confessionário do padre Miguel, em que algumas micro-câmeras me percorreram as entranhas quase todas. É um espectáculo. Ah minha coisinha fofa, pareceu-me ouvir, uma ocasião, da boca de uma enfermeira.

A belíssima foto que se mostra, por dentro e por fora, é do PreDatado.

quinta-feira, julho 23, 2009

1465. Penso rápido

Não há ninguém que eu tenha conhecido que escreva tanto como o Luís. Uma vez, em casa dele, estive uma tarde inteira a contar manuscritos. Daria para dobrar a obra do José Saramago mas assim em formato Guerra e Paz. E isso eram só as chamadas obras acabadas. Contos, romances, ficção, poesia, ensaios, pesquisas e sei lá mais quantos géneros que eu, meus queridos e minhas queridas, sei pouco de literatura para distinguir. Uma vez, por graça, perguntei ao Luís porque é que ele nunca tinha apresentado uma única obra a uma editora. Respondeu-me, com muito mais graça do que a da minha pergunta, que já lhe faltava a paciência para traduzir. É o raio daquela letra com que ele escreve que, na verdade digo isto porque tenho esperanças que ele não me leia e ninguém lhe vá contar, ninguém consegue entender. Diz que começou quando estava na tropa, mas sei eu e sabem alguns outros colegas dele, que era assim mesmo que ele tomava apontamentos nas aulas (assim como que em jeito de parêntesis confessou-me que só tirava apontamentos para exercitar os músculos dos dedos e das mãos pois nunca lia nada do que anotava). Só podia ter-se formado em medicina já que na verdade tinha letra de médico e há que começar por algum lado. Já na tropa foi enviado para a Guiné e, homem do caraças, diz que foi o único período da vida dele em que esteve à beira do paraíso. Quase que foste para os anjinhos? – indagámos – Nada disso, ripostou, foi a época em que escrevia 5 aerogramas por dia. Por falar em aerogramas, foi nesse tempo que Luís conheceu a Esmeralda, sua única, que saibamos, namorada e hoje em dia sua fiel esposa. Uma mulher que lhe dedica tanto ou tão pouco carinho que todos os dias lhe arruma a papelada toda no escritório enquanto no hospital ele se entretém a passar receitas. Mas eu ia falar dos aerogramas. Um dia, quando no início se começou a corresponder com o Luís, entrou-me pela farmácia dentro, passe o pleonasmo mas é só para dar ênfase, a Esmeralda aflita porque não percebia patavina do que estava escrito no aerograma. Aviei-lhe então um xarope para a tosse, uma caixinha de Saridons e duas embalagens de compressas.

Eu sei, amigas leitoras e amigos leitores que do Pre ou Sir Pre, título incluído que tanto custou a adquirir, se espera sempre algo sério, erudito e muito bem elaborado, mas eu hoje estava danadinho para contar uma anedota.

Foto daqui

terça-feira, julho 21, 2009

1464. Redondinhas

Algumas bolas fizeram e fazem, fizeram e já não fazem, não fizeram e agora fazem parte da minha vida e algumas delas da vida de todos nós. Hoje não me debruçarei exaustivamente por um tema tão aliciante sob pena de tornar a escrita redonda e seja por via de um paralelo ou quiçá de um meridiano esta ir sempre parar ao mesmo sítio. Aliás uma bola é o único objecto que faz jus ao velho e popular dito “não tem ponta por onde se lhe pegue”. Da bola e bolas que chutei desde garoto uma delas engoli. A minha médica diz-me que eu devo tentar reduzir o perímetro abdominal que é uma forma eufemística de me dizer que nem o basquetebol se joga com uma bola assim. Outras há, as de Berlim (abro aqui um parêntesis para vos dizer que nunca comi bolas de Berlim tão boas como as que comi em Berlim – eu não vos avisei que este tipo de escrita é redondo?) que se vendem na praia. Este ano tive já oportunidade de estar em praias algarvias e o som agora é quase exclusivamente Bolinha de Bérrlim, com os mais variados sotaques dos nossos irmãos brasileiros (e irmãs que aqui não mora nenhum preconceito). Por acaso também se vendem nas pastelarias, mas não é a mesma coisa (agora fiquei zon). Uma vez vi vender bolas numeradas em Tóquio. Explico. Havia umas casinhas onde se formavam longas filas – saudade de escrever bichas, mas sou lido por muito pessoal do lado de lá que não iria entender – para vender bolas de cortiça de diferentes tamanhos e numeração. Estranho negócio este, pensei eu, só pode ser coisa de orientais, voltei a pensar porque às vezes eu penso mais do que uma vez. Como o jogo a dinheiro era, talvez ainda seja, proibido no Japão fora dos casinos, o fruto do jogo clandestino era pago em bolas numeradas. Alguém nessas casinhas exercia um negócio, perfeitamente legal, de comprar bolas numeradas. E dizem que os portugueses é que são desenrascados. Por acaso eu acho que somos é uns pacóvios de primeira. Está bem que foi no século passado mas a coisa tem uns 20 a 25 anos. Andou a D. Branca a comer as papas nas cabeças de muitos portugueses com uma das maiores vigarices do século em Portugal que até deu direito a uma telenovela em horário nobre e tudo e parece que se esqueceram depressa continuando a cair no conto do vigário agora com uma D. Aurora. Ainda se fosse uma aurora boreal. Bolas que são burros. Ou serão apenas uns cabeças de abóbora muito redondinhas?

Foto daqui

domingo, julho 19, 2009

1463. Ponto de ordem

Tenho uma vaga ideia de que o primeiro ponto que conheci foi o Ponto Azul. A minha tia Felismina tinha um rádio Ponto Azul e a minha prima Helena, a primeira pessoa a ter televisão na família, se a memória não me falha, tinha uma Ponto Azul também. A partir daí os pontos passaram a fazer parte da minha vida quotidiana tão inevitáveis que alguns ainda me causam pontos de interrogação. Um tio meu foi ponto num teatro de revista em Lisboa, a minha mãe fazia doces onde era presença frequente o ponto caramelo, o ponto pérola ou o ponto estrada e mais tarde, era eu assim já espigadote e com pontos negros no nariz e nas bochechas, além do acne juvenil, a minha namorada, quando eu lhe punha sorrateiramente uma mão na perna, picava-me com a agulha com que se entretinha a fazer ponto cruz. Entretanto já eu me acostumara a ir espreitar o livro de ponto entre duas aulas a ver se a professora de História me tinha marcado falta de atraso na única aula que começava antes do meu autocarro chegar, a estudar que nem um marrão para o ponto de química, ou a não perceber nada dos códigos nos cartões de ponto quando comecei a trabalhar na Lisnave. Ficaram aqui muitos pontos por referir como é, por exemplo, o caso das sextas-feiras, dia da semana feito de propósito para os nossos deputados irem lá picar o ponto e pirarem-se para as suas santas terrinhas ou então para Paris ou Nova Iorque que são pontos de encontro muito mais chiques. Mas eles podem porque de quatro em quatro anos lá estamos nós a votar que é como quem diz a marcar o ponto para os legitimarmos. Não sei porque é que falei nisto tudo se a minha intenção era apenas falar nos ecopontos. Os ecopontos são aquelas caixas de plástico grandalhonas que povoam os nossos bairros residenciais e que vieram resolver todo o problema do consumo e exaustão de recursos do planeta. Basta reciclar. Há-os para quase todos os gostos, para embalagens de muitas espécies sendo que, algumas embalagens têm mesmo pontos especiais para elas, que o digam as de vidro e as de cartão. Mas tal como os nossos relvados, sejam os de ao pé da porta que apenas tentam mitigar os efeitos dos aglomerados de betão onde vivemos, sejam os de jardins e parques públicos, se tornaram ponto obrigatório onde madames e cavalheiros levam os seus canitos a defecar (eu por acaso até ia escrever cagar mas, no ponto em que vou, achei feio), também os ecopontos rapidamente se tornaram depósitos dos mais variados lixos. Está-se mesmo a ver qualquer dia as ruas cheias de sofaponto, vesturióponto, movelóponto, frigorificoponto, televisãoóponto e outros objectópontos até chegarmos ao ponto em que um engraçadinho se lembre de intalar o sograóponto. O que nós somos todos é uns grandes pontos e ponto final! (ponto final, ponto e vírgula, que isto é um ponto de exclamação).

Foto: Predatado

sexta-feira, julho 17, 2009

1462. Brilhos


Já não são de sorriso castanho-escuros e maiores que azeitonas como quando antigamente faziam a delicia das moças da região, Só namoradas teve mais de vinte, diz a mulher quando disso se fala, mas continuam a brilhar como antes quando de uma boa brejeirice ou quando nos relembramos, em contos ao serão, do tempo em que as jovens vizinhas, já ele homem casado, o iam fazer levantar da cama para as acompanhar ao chafariz. Hoje é com alguns “papinhos” e outras rugas que sorriem os olhos do Ti Augusto quando de antigamente falamos também das pescarias, não a pesca às namoradas, mas as pescas no rio, à linha e quando relembra que o pai dele, às vezes já chegado a casa com o grão na asa em noite de sexta-feira, lhe dizia, Augusto amanhã vamos aos polvos, Sim pai, que respondia só para o não contrariar. E é com o mesmo brilho nos olhos, talvez de uma lágrima sentida ao recordar o velhote que o Ti Augusto conta que às seis da manhã em ponto o pai o ia acordar, parecendo mais são do que um pêro, Então vens ou ficas? E lá iam eles aos polvos e recordávamos também as vezes que ali no rio, onde há muitos anos namorou uma moça nas rochas sentados a verem passar os barcos (diz que ainda se lembra dos primeiros vapores do Terreiro do Paço) e a roubar beijos que depois nunca os devolveu, relembrávamos, contava eu, que xarroco, pata-roxa, safio e cação, abrótea que na gíria dos pescadores dali chamavam governo-da-casa, tudo ali se pescava, se possível fosse, numa só manhã. De conversa de pescadores, disse-lhe eu, só faltava o Ti Augusto dizer que pescava também os pimentos, os tomates e as cebolas para completar a caldeirada. Isso não, isso havia com fartura por essas quintas a fora e os olhos voltaram a brilhar enquanto se deliciava com mais uma garfada do ensopado de enguias.

Foto PreDatado©2008

quinta-feira, julho 16, 2009

1461. Dominó!


Mestre Jorge, é assim o nome por que ainda o conhecem. Há muitos anos que encostou a fragata mas nunca saiu da beira do rio. Hoje entretém-se a tomar uma cervejinha na Taberna da Lota, onde o Chico já não tem mais rol para assentar os fiados, e a jogar ao dominó. Como o mestre Jorge, muitos outros abandonaram as fragatas e as faluas há já muitos anos. O Josué mantém a dele mas apenas para passeios turísticos no Tejo e o Ti Garoupa, que costumava alugar a muleta aos fins-de-semana para pescarias junto ao pilar, tem-no a doença emagrecido e a vontade de olhar o rio esmorecido, por mor daquela pontada que não lhe sai do meio das costas. Foi Lídia, a filha, quem nos confidenciou, tá acabado o velhote, na sexta à noite quando foi comprar os três decilitros de tinto que lhe durarão toda a semana. Um dia ele se irá primeiro do que a pinga. Meta no rol se faz favor, sô Chico, que no fim do mês fazemos contas. A fábrica de componentes, primeiro alemã e agora dos japoneses, fechou há quase duas semanas e Lídia ainda não tinha arranjado nada. Mestre Jorge, no seu tempo de rapaz ainda chegou a andar embeiçado por Lídia, que era um bom par de anos mais nova. Consta até que fizeram amor no “Lagameças” e se ouviram os gemidos, alguns dizem os ais, de Lídia, numa noite de quarto minguante e calmaria. O Ti Garoupa é que não gostava nada da história, racho o primeiro a quem ouvir dizer isso, mas a sua cumplicidade com Jorge a quem tratava quase como filho não dava margens para muitas dúvidas. Mestre Jorge continua solteiro porque a vida do transporte do sal e de atravessar pessoas para a outra banda nunca lhe deu muito tempo para saias. Dizia ele, porque as más-línguas do cais diziam que o “Lagameças” gemia muitas noites e não era só em quarto minguante. Jogou a última pedra do dominó e puxou uma baforada do cigarro sem filtro. A cerveja estava no fim.

Foto: PreDatado©2009

quarta-feira, julho 15, 2009

1460. Bichos

Enquanto as tartarugas
devoram os camarões,
o meu gato observa-as, atento.

terça-feira, julho 14, 2009

1459. Barracos


Era longe e tinha som. A música celta (ou seria galega?) ecoava vinda das bandas do rio. Pela manhã os sons que se ouvem são outros, são os das gaivotas. Mas aquela manhã nasceu diferente. Tinham feito amor pela madrugada mas os raios de sol através das velhas persianas não fechadas não os deixou dormir mais. Bocejou e foi à janela, acendeu um cigarro e ouviu um ligeiro murmúrio das ondas a fugirem na vazante da maré. Uma nuvem tentava agora encobrir os raios de luz que lhe perturbaram o sono. Outra e mais outra, as nuvens surgiam ameaçadoras. E não sabia o que fazer. Se descer, como todos os dias à beira-rio e aparelhar o barco para mais um dia de pesca e de recados, se voltar para a cama onde se espalhavam os cabelos dela na alvura dos lençóis remendados que outrora foram de cambraia e de outros. Talvez de um príncipe. Ou de um ministro, sorriu. Iria fazer amor, de novo, sob a cobertura de cirros, estava decidido, e contemplou-lhe os lábios. Ao longe ecoava, agora, uma música celta (galega?). Vestiu a calça de sarja com elástico e as sandálias. Na porta do barraco que lhes servia de casa e arrecadação, de refeitório e de ninho de amor, abotoou os últimos botões da camisa. Veloz, chegou à margem do rio e sentou-se a ouvir o velho tocador da gaita-de-foles. Seria com certeza uma música galega. Lá longe, no barraco, ela espalhava os cabelos sobre os lençóis brancos.
Foto: PreDatado©2009

segunda-feira, julho 13, 2009

1458. Luares


Ele tinha, talvez, uns cinco anos, seis no máximo. Era o mais pequenito do grupo que pelas ruas e travessas escuras, como convêm, jogava as escondidas. Devo rectificar porque as ruas, nesse dia, não estariam assim tão escuras. A Lua-cheia tinha já dois dias passados mas o seu brilho ainda prateava as orelhas dos putos. Cabelo curto, esquivo por entre os carros, olhar inteligente. O pai que, entretanto, na esplanada tomava um whisky seguia-lhe os movimentos. O atravessar das ruas em correria desenfreada, mesmo em hora de escasso tráfego, não o deixava sossegado. As silhuetas ou as sombras longas de luar denunciavam-lhe os percursos. E quando de viés olhava o pai, denunciava-se-lhe a inquietude. O pai chamou-o, sentou-o na cadeira e manietou-o. Se continuasse, feito doido, a atravessar as ruas sem olhar para os lados ou a esconder-se fora do campo de observação dele, o pai, o vigilante, o protector, iria para casa. Por enquanto ficaria ali na cadeira. Para aprender!
Os outros detectaram-lhe a falta e indagaram-no:
- Estás de castigo?
- Não. Estou só a descansar. - Olhou para a assistência e respirou ofegante. Nós, discretamente, sorrimos. No céu, uma pequena nuvem cobriu a Lua. E fez-se sentir uma brisa.

Foto: PreDatado©2009

segunda-feira, julho 06, 2009

1457. Luso, brasileño, español, madeirense... se calhar é por isso (?)

Tirando os canais Panda e Disney que são mais dados a coisas de criancinhas e que parece estarem já nos preparativos para transmitir as festas funerárias do Michael Jackson e também o canal Odisseia que se presta muito a ficção (no momento em que fiz o zapping estava a dar o julgamento do caso Casa Pia), não há canal de TV que não esteja em paranóia Ronaldiana. Não se vê nem se ouve outra coisa que não seja falar de Cristiano Ronaldo. No entanto, se D. Nuno de Santa Maria não tivesse sido santificado e, portanto, impedido de se meter nestas andanças, seria de chamá-lo imediatamente para invadir a Espanha. Então é lá possível que o ÀS um jornal desportivo espanhol, tenha escrito na versão on-line (vide foto) um texto em que chama “astro brasileño” ao nosso madeirense? Será que o Alberto João anda a fazer coisas nas costas da gente, como vender o seu arquipélago às Canárias? Bom mas não era nada disto que eu queria falar. Era de uma coisa séria. Fiquei a saber por um desses 7896 canais que não param de falar no Ronaldo de que este cobra 150 milhões em contratos com a Nike, o BES, a Castrol, a Soccerade, a CR7 e outras. Cobra? E paga os impostos aonde? Não podem dizer à gente? É que o país que parece que está todo vergado e babadinho com o craque precisa, né?

domingo, julho 05, 2009

1456. Novas referências, ao domingo...

Talvez porque aos fins-de-semana fico com mais tempo livre para visitar os blogs dos outros vou descobrindo coisas bonitas que merecem referência. Por isso, o domingo acaba sendo o dia que mais dá jeito para fazer referência a este ou aquele local. Esta semana encontrei o blog do Alex que fala de plantas de interior. Se o Alex vier a tratar o blog com o mesmo carinho com que trata as plantas, vamos ter obra. Eu estou simultaneamente confiante e expectante. Força, Alexandre avança com isso.

Quem já tem trabalho avançado é a JET. Nos Olhares a sua galeria é um sítio por onde vale a pena passar e ficar. O trabalho não é só fotografia, o que de per si já seria suficiente para lhe chamar artista, mas a autora junta-lhe outras artes por cima. É melhor irem lá ver porque mais de 100 fotos falam muito mais do que 100 000 palavras. Entretanto a Paula Carvalho, é assim que se chama, tem um sítio num projecto de BJS. É um local colectivo com o Hélder e com a Silvana, a quem endereço também os meus parabéns. É aqui!

Imagem de JET retirada de uma das suas galerias em Olhares.

quinta-feira, julho 02, 2009

1455. Deve ser bom

Que será, que será?

R, dez gemas d’ovos e duas de craras e duas colheres de farynha, de prata, tudo muyto bē batido ē huõa tijella noua pequena ou huã certaã muy pequena, e quanto mais alta tanto milhor, meã de mamteygua, que ferua rrijo; e deitem tudo ally por huũa albarada de bico ē voltas como aletrya: e depois que for ffeito, ponhão-no a escorer ē hũa jueira, e deitem-lhe por cima acuquar clareficado, e mais pisado cõ canela.

Dizem ser a mais antiga receita da cozinha portuguesa, data do século XV e foi retirada de um manuscrito existente na Biblioteca Nacional de Nápoles pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, (Ucanha, 7de Julho de 1858 Lisboa, 17 de Maio de 1941) e publicada na sua obra Textos Archaicos.

PS. Ainda estão preocupados com o acordo ortográfico?

quarta-feira, julho 01, 2009

1454. Super-heróis, insónias e lixo


Compreendo perfeitamente que é impossível fazer tudo num só instante. Mesmo Deus que era Deus e, portanto, tinha muitos mais poderes que o Superman, o Homem-Aranha, o Hulk, o Batman e outros, todos juntos, demorou seis dias para criar o mundo, quanto mais os banais humanos. Portanto acho que recolher o lixo nas ruas não pode ser feito total e completamente às 10h, vá lá 10h e 01m da noite porque os homens da recolha do lixo teriam de ser omnipresentes e nem mesmo o Superman, que voa a uma velocidade superior à da luz, o é. Quem de certeza absoluta não é um super-herói, ou pelo menos para mim não o é, é o Senhor Presidente da Câmara do Seixal. E mesmo que ele fosse o Batman, o Senhor Vereador do Ambiente não será, com toda a certeza, o Robin. Mas se eles não conseguem organizar os horários da recolha do lixo de modo que todos os dias, excepto ao Domingo (o tal dia que Deus descansou), às duas da manhã eu não seja acordado pela infernal barulheira que o camião do lixo faz à minha porta, ao menos que troquem o percurso de modo que à porta da casa deles passem a fazer a barulheira que fazem à minha e à mesma hora e, mandem para cá o camião no horário que recolhem o lixo à porta deles. Ou algum de vós acredita que o Sr. Presidente é incomodado todos os dias no primeiro sono? Se ele aceitar a minha proposta não só votarei (de novo, irra!) nele nas próximas autárquicas como lhe enviarei pelo correio a ultima edição especial da Abril do Superman-Bi.

PS. A Amarsul comporta-se de uma maneira bem mais civilizada. Faz as várias recolhas dos eco-pontos durante o dia e nunca os vi aqui aparecerem depois das 10 horas da noite. O lixo não pode?

PPS. Superman-Bi não tem nenhuma conotação sexual. Isto não é propriamente uma parada gay. Era, não sei se ainda é, uma revista bimensal da Abril.

terça-feira, junho 30, 2009

1453. Maramor.




Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)


segunda-feira, junho 29, 2009

1452. Sinais (de crise)

O mercado é pequeno mas é bem organizado. De um lado os legumes do outro, o peixe. As caixas de sardinha prateada, o carapau fresquinho a brilhar e até as sardas tinham os olhos bonitos. Besugos, bicas e salmonetes de tamanhos e preços diversos mas de qualidade igual, as douradas de aquicultura e de mar, o mesmo com os robalos. Safios, moreias, raias, pargos legítimos e mulatos, cachuchos e gorazes, corvinas, garopas e chernes de crescer água na boca. Linguados, pregados, solhas, xaputas e tamboris. Sargos de pesca à linha e amêijoa, berbigão e conquilha. Lulas, chocos e polvos. Também os percebes frescos e o camarão e a gamba da costa. A bela caldeirada já em postas com pata-roxa e cação e outros já mencionados, tinha um aspecto divinal. Espadarte, atum e salmão às postas precipitavam-se para as grelhas. A pescada era linda e o peixe-espada de fazer inveja. As peixeiras e os peixeiros simpáticos e profissionais, as bancas cheias de peixe, o mercado vazio. A crise não perdoa. As enguias ainda estavam vivas.

Foto de Filipe Araújo em Flickr

domingo, junho 28, 2009

1451. Apenas uma nota domingueira...


... para referir o excelente blog de Janette. Mais de 40 posts a pedirem uma leitura sequencial. A não perder desde o primeiro dia.

Foto: Vendetta Li (via Aliciante)

1450. Amanhã ainda é S. Pedro

Fim de festa



Santo António era careca

São João tinha um cordeiro

São Pedro pesca faneca

Eu preciso é de dinheiro.



Só peço esse milagre

Nestas festas animadas

Azeite, sal e vinagre

Para temperar as saladas.



Por falar nas comidinhas

(esta é para ti milagreiro)

Já estou farto de sardinhas

Quando é que toca o dinheiro?



S. João está mais cansado

Mas tu F. de Bulhões

Em vez de pimento assado

Que tal o Euromilhões?



S. Pedro, eu já pressinto

Um pedido em saco roto

Mas troco o jarro de tinto

Por um seis no Totoloto.



Ouve-se já a gritaria:

Alto! E para o bailarico!

Se bater a lotaria

Ofereço-vos um manjerico.



E pronto está-se a acabar

Festa Junina é assim

Com a crise a chatear

E a gente sem pilim.



E saio já de tamanquinhos,

Esperança é coisa que não falta.

Peço a todos os santinhos

Saúde e sorte prá malta!


PreDatado©Junho 2009

quinta-feira, junho 18, 2009

1449. Manel

Se o meu blog fosse um jornal era certo e sabido de que os seus accionistas já teriam declarado falência, fechado as portas e mandado os seus jornalistas procurar emprego em outras freguesias (neste caso apenas um desempregado, dado a escassez de recursos no seu quadro redactorial). Se este blog fosse uma televisão não teria já nenhum anunciante e, creio eu, teria menos audiência que o baby channel da TV Cabo. Aliás, eu acho que tenho razão no que digo porque, quase com seis anos de blog, este ainda não foi visitado (consequentemente ainda menos lido) sequer por 100.00 visitantes. É de facto um número miserável mas que me obriga a respeitar mais ainda quem aqui vem ler. E porque sei que quem cá me vem ler é gente boa e gente bonita é que eu venho aqui de vez em quando trazer novas de alegria. E hoje compete-me fazê-lo e partilhar convosco uma notícia que nos encheu o coração. Nasceu o Manel! O Manel é o primeiro filho de uma jóia que escreve sob o nome de Panamá no blog Chapelaria Janota. O porque nós gostamos muito da Teresa é que nos estamos nas tintas para os blogs que têm dois ou três mil visitantes por dia. Os cinquenta que hoje lerem esta notícia estão com certeza a erguer também a sua taça à felicidade do Manel. E a votar de parabéns a Teresa e o Alexandre.

PS. O Schubert, aqui mesmo ao meu lado, acabou de me dar um enorme miau. E porque isto não é um LTB sabemos os dois, eu e ele, que não me está a pedir para cheirar a comida. Está a relembrar-me que os parabéns são também para os avós e para o tio.

Foto do Manel tirada hoje pela Anita, noiva do tio.

terça-feira, junho 16, 2009

1448. Pessoa e Companhia

Não, do molotov e da gelatina não partilharam, nem tampouco lhes passaram pela garganta a mousse de chocolate, o arroz doce, o semi-frio de natas ou a tarte de amêndoa. Nem o pastel de nata. Não lhes demos paio de porco preto ou presunto de barrancos e muito menos o queijo de Serpa. Mas se eu vos disser que comeram sardinha assada, desfiadinha e sem espinhas, frango e entremeada de novilho no churrasco, peitinhos de frango guizados com legumes além de 25 latas de comida e muita ração granulada, vós amigas leitoras e amigos leitores ides pensar que os afilhados de quatro patas e bigodes do Pre, são uns lordes. Ou uns sires! Pois é, a Cristina, a Maria Faladora I e II (pareceu-nos que um deles é um Mário), a Xubertina Antónia e a Xubertina Clara (Clara por parte da mãe), o Garfield, o Mantorras, O Pai-de-Todos, a Katua, o Pessoa e até o Djaló Júnior entre outros, que não tivemos oportunidade de baptizar pois ainda são infantis, os nossos gatos de rua que nos visitam, não tiveram, como aliás normalmente não têm, razão de queixa dos padrinhos. Em cinco dias tiraram as barriguinhas de miséria e acho que neste momento já estão com saudades nossas. Nós temos saudades deles.

PS. Devia ser obrigatório o(s) blog(s) desta senhora ter(em) comentários. Um dia destes ela escreveu “Devia ser obrigatório dormir-se, pelo menos, uma hora e meia depois de almoço”. E eu teria comentado: “Concordo!".

A foto é do Ricardo, meu sobrinho, e retrata o Pessoa. Cliquem para ampliar para poderem apreciar os olhos carinhosos deste bicho.

segunda-feira, junho 15, 2009

1447. Pequenas decepções

Dantes era selvagem. O chão de xisto, em viés, cortava os citadinos pés, pedaços de seda embrulhados em calçado de fino couro (ena que romântico!). Para a gente rude do campo, isso não fazia diferença e o banho na Tapada Grande era um privilégio de Sábados. Depois de consumido o farnel, às vezes escasso, e a sombra dos eucaliptos convidando à folga ficava o banho para colmatar as calmas (que coisa linda chamar calma ao calor). Nós, os da cidade, calçávamos sandálias de borracha para que não cortássemos a fina epiderme da planta dos pés. Mas os tempos mudaram e tapada se transformou em praia. A praia fluvial da tapada da mina na Mina de S. Domingos é muito bonita e é tão aprazível que existe mesmo, no outro lado da estrada, uma estalagem de 5 estrelas, cujos quartos, com vista para o lago, custam algumas dezenas de contos, sim, dos contos antigos, por noite. Pois este ano fiquei decepcionado. A transformação daquele xisto onde quase não nos podíamos deitar em praia requereu várias, muitas, toneladas de areia ao longo dos últimos anos sendo que é sempre, anualmente, reforçada e renovada. A deste ano é miserável. Um areão grosso, cheio de pequenas pedras, que nos proporciona um andar, no mínimo, bizarro. Espero que o Sr. Presidente da Câmara de Mértola vá lá dar um passeizinho, de preferência descalço e veja a cagada que fez (pronto, quebrou-se o verniz e acabou o romantismo).

quinta-feira, junho 11, 2009

1446. Contrabandos e outras misérias

Disse uma vez o nosso PR quando era primeiro-ministro de que não estava inteirado por se encontrar de férias no Portugal profundo. Nem eu me inteiro ou quero inteirar do que se passa por aí e pelo mundo quando me encontro no mesmo Portugal profundo. Por aqui parece que o tempo não passa, os mesmos campos por cultivar, os mesmos homens e mulheres desempregados, mas agora vários anos mais velhos, sendo que, alguns vivendo de parcas e miseráveis reformas. Alguns revivendo o passado e contando histórias (serão estórias?), alguns deixando testemunhos. Enfim, para que se não perca a memória se vão criando museus. Inaugurados mas raramente visitados porque por aqui estão, no Portugal profundo. De quem parece nunca se quererem inteirar. Se eu cá vivesse pagaria da mesma moeda, não me inteirando de que os senhores de Lisboa se não inteiram de nós. Hoje visitei o museu do contrabando em Santana de Cambas. As histórias de miséria, contadas pelo Diário de Lisboa em Março de 1952, as histórias de miséria em testemunho dos protagonistas. Hoje há outras histórias (serão estórias?) para contar. Umas mais miseráveis que outras. Para que alguém se inteire.

PS. Peço imensa desculpa por nestes dias não estar a visitar os blogs dos minhas queridas amigas e dos meus queridos amigos mas estou usufruindo de alguns minutos numa guerra de portáteis. Cada um trouxe o seu mas só há um kanguru. Para a semana que vem serei muito mais assíduo. Um abreijo em conformidade.

quarta-feira, junho 10, 2009

1445. Without

Erica andevalensis. Provavelmente a muitas de vós amigas leitoras e a outros tantos de vós amigos leitores este nome poder-vos-á não ser familiar. Confesso que a planta, com flor em forma de campânula com pétalas cor violeta, também a mim não me dizia muito até ao dia em que comecei a descobrir o Alentejo profundo. Esta “urze” habita as zonas de minério ferroso, é provável que exista em outras regiões, declaro também que ignoro, mas a verdade é que em Portugal só a descobri na Mina de S. Domingos. Erica andevalensis é também o nome de uma associação cultural. Associação Cultural Erica andevalensis, ACEA, na Mina de S. Domingos. Actualmente ocupando também as instalações do Musical, mesmo por detrás da igreja da Mina, é pólo cultural deste pedaço de Alentejo, que aposto, os nossos amados governantes (agora eu até parecia coreano) ignoram. Hoje, lá nas instalações do Musical, foi inaugurada a exposição de fotografia de Jorge Branco. A exposição tem o patrocínio da ACEA e da C.M. de Mértola, é de justiça dizê-lo. Infelizmente o Jorge confidenciou-me que não acredita muito na internet para a divulgação do seu trabalho mas eu, que acho que ele não tem razão, vim aqui divulgá-lo. E se puderem, tiverem tempo, ficar-vos em caminho (podem mesmo organizar excursões), passem pela Mina de S. Domingos e venham ver a exposição de Jorge Branco.

PS. O título deste post, Without, é também o título da exposição, numa interpretação livre de Os Crimes da rua Morgue de Edgar Alain Poe. “O jeito que ele tem de nier ce qui est et de expliquer ce qui n’est pas”.

sexta-feira, junho 05, 2009

1444. Sméxe?

Hoje tenho vontade de falar de coisas que andam à volta do desporto. E a primeira que me vem à cabeça é o HD. Desde que tenho TV em HD raramente vejo programas que não sejam transmitidos neste protocolo. Infelizmente, tirando a experiência dos jogos olímpicos e outras tímidas tentativas, os nossos canais generalistas nem tão pouco nos dizem quais as previsões para transmitirem em HD. É de facto outra coisa. Experimentem ver um jogo de futebol ou uma partida de ténis.

Por falar em futebol vamos assistir a um roubo sucessivo e permanente de jogadores ao Benfica. Como os jornais desportivos, desde Abril, não param de anunciar novos jogadores que interessam ao Benfica, cada jogador contratado por outros clubes, nacionais ou estrangeiros, será forçosamente roubado ao Benfica. Depois, até ao final da próxima época, em cada jogo que figure um destes jogadores, será também uma constante ouvir-se o comentador “fulano de tal, que esteve quase certo no Benfica, etc etc etc”.

Parece-me que isso já está a acontecer com um defesa direito (ou esquerdo?), um uruguaio que joga na Roménia, que vem para o FCPorto e que já tinha sido vendido ao Benfica por um diário desportivo. Eu por acaso acho que não, que o Benfica não o comprou ao jornal. O que eu acho é que Cissohko, Fucsile, Marec Cheh, Sapunaru, Lucas Mareque, Lino e mais uns quinze defesas laterais que pululam ou pulularam no clube das antas, se andavam a sentir muito sozinhos.

Falei também em ténis e digo-vos que tenho assistido a alguns resumos e a outras partidas (ou pedaços delas) em directo na Eurosport. Eurosport HD, pois claro. Eu sempre pensei, pelos visto enganado, que a terra batida era uma característica do piso. Isto é, o piso é em terra e por força de uma pressão que lhe é exercida por meios mecânicos o pavimento fica batido. Daí terra batida. Pois um dia destes, a tenista russa Kuznetsova caiu e ficou toda suja. Segundo o comentador ficou toda coberta de terra batida. O que a gente aprende.

Apesar de um ou outro lapso, quero aqui deixar a minha opinião sobre a generalidade dos comentadores portugueses do Eurosport, para mim os melhores comentadores portugueses de desporto. Por isso não me custa nada perdoar um tanhamos, em vez de tenhamos, numa reportagem do Giro de Itália. Aliás, Luis Piçarra, Paulo Martins e Olivier Bonamici só são batidos (e isso é discutível) por Marco Chagas no comentário ao ciclismo. O lapsus lingue, que até alguns com pinta de eruditos cometem, foi por mim imediatamente relevado para segundo plano.

Se no futebol já nos acostumamos a algumas adaptações linguísticas quer sintácticas, quer semânticas, naquilo que vulgarmente chamados futebolês, a verdade é que, ao longo do século XX, fomos assistindo a algumas evoluções positivas na utilização dos termos relacionados com esse desporto. Já não se diz corner nem offside, os backs passaram a defesas e os liners passaram a fiscais de linha sendo hoje, por mariquice, chamados árbitros auxiliares. Até o penalty, que é tão giro de dizer (e gritar), passou a grande penalidade ou, em Gabriel-Alvês, a pontapé da marca de grande penalidade. Mas no ténis, amigas leitoras e amigos leitores, ainda há os puristas. E, portanto, não é nada de admirar se virmos um tenista breakar (eles dizem breicar) o serviço ao outro ou responder com bolas muito topspinadas. Mas mesmo a esses puristas eu gostaria de lhes pedir para não dizerem seméxe. É que um smash é um smash é um smash.

quarta-feira, junho 03, 2009

1443. Se eu podia viver sem champanhe? Podia… mas não era a mesma coisa.

O que se dirá a um homem de quem se gosta muito, mesmo muito? Provavelmente dir-se-á, gosto de ti, gosto muito de ti.

O que se dirá a um homem a quem se respeita muito? O mais natural será dizer-lhe que o respeita muito.

O que se dirá a um homem com quem se aprendeu muito? Poder-se-á, por exemplo, dizer-lhe que ele foi o seu mestre.

O que se dirá a um homem de quem se receberam bens inatingíveis de grande valor, como amor, carinho, paciência, cuidados, sacrifício, valores, princípios, sugestões, conselhos e até ralhetes? No mínimo, obrigado.

O que se dirá a um homem que completa hoje 80 anos de vida? Obviamente, Parabéns!

E se esse homem é o nosso pai? Então terá, forçosamente, de ser assim:

Pai, hoje ergo a minha taça de champanhe para saudar o teu 80º aniversário, dar-te os meus parabéns, dizer-te obrigado por tudo quanto foste capaz de me dar, reconhecer-te como meu mestre, fazer-te saber o quanto te respeito e dizer-te que gosto muito, muito de ti. Parabéns pai!

terça-feira, junho 02, 2009

1442. Quem sai aos seus (cof.. cof.. cof...)

Ele perguntou-me pai e tal eu gramava ter uma máquina fotográfica o que é que me aconselhas, como se eu fosse um expert. Aliás, eu sei que para os meus filhos eu sou normalmente um expert em quase todas as matérias, um pai herói e isso deixa-me, claro, muito babado. Mas nem sempre nós estamos à altura das expectativas e como quem não quer a coisa a gente vai à procura, fala com quem sabe, ainda ouve piadinhas, eu tenho uma Canon, oh pá o que é isso? mas a gente finge que não percebe. Mas falar com quem sabe é que é, mesmo que seja teimoso e da Nikon não saia. Pronto quando surgiu a oportunidade, espreitando campanhas aqui e promoções acolá, lá o rapaz comprou a sua Nikon e o pai volta a ser herói, não pela escolha e conselho, mas sim agora pelos primeiros passos na 8ª arte. E para completar o que uma blogger me disse um dia destes, na apresentação do livro do Rafeiro, o seu filho escreve muito bem, agora eu digo que o miúdo também tem jeito para bater chapas.

Olha o passarinho,

Diz xize, diz xize,

Oh rapazinho não mexa a cabeça,

Vá agora todos. Xiiiiiiiiiiizzzzzzeeeeee....

Passou o passarinho e click,

O rapazinho ganhou um torcicolo

E o grupo tem os dentes bonitos,

(menos a menina que usa aparelho).

O queijo está cheio de buracos

Vê-se carga aos ombros nas docas,

E o rato foi apanhado.



E saiu a foto de um velho

Dobrado ao peso dos sacos.

Então, no meio de umas fotos loucas,

O fotógrafo foi premiado!



Versos PreDatado©, Fotografia, para O Livro das Artes

Foto: João Capote (filho de Sir Pre)

domingo, maio 31, 2009

1441. Destaques ao Domingo

Como algumas das minhas amigas leitoras e alguns dos meus amigos leitores já devem ter notado eu acrescentei na minha lista da direita mais uns bons pares de blogs. Eram blogs que eu já vinha seguindo há uns tempos e que apenas por inércia (palavra bonita para preguiça) ainda não tinha dado para a actualizar o modelo. Hoje, por três ordens de razão, a primeira, a segunda e a terceira como é ex-líbris do Engº Ângelo Correia, vou fazer alguns destaques. A primeira é porque é Domingo, dia nobre para se falar bem das pessoas. Antigamente ao Domingo era o dia de eu ir à missa. Agora já não vou, portanto sempre se ganha um tempo para escrever. A segunda razão tem a ver com os 50º aniversário do Cristo-Rei, com a deportação da Alexandra aliás Sacha, com a saída do Quique e a entrada do Jesus, com a reeleição de Soares Franco encarnado em Bettencourt (encarnado não, esverdeado), com o Oliveira Costa e com o Dias Loureiro, com a Manuela Moura Guedes e o Marinho Pinto e ainda com os comícios presididos por José Sócrates. O que é que todos estes personagens têm em comum, estão em uníssono os meus leitores e as minhas leitoras a perguntar. Pois eu acho que todos de uma maneira ou de outra, todos têm contribuído nas duas últimas semanas a esquecer o estado em que este país vive. A esquecer mesmo que Portugal tem um Governo ou, melhor ainda, no caso de Sócrates a esquecer-se de Governar o País. Sendo assim, não há nada para escrever ao Domingo, nem tão pouco como balanço. Finalmente, a terceira, a mais importante razão dos meus destaques, eles merecem-no. E Por isso aqui ficam:

Vinho e Bom Senso – Até o cheiro do precioso líquido ele nos consegue fazer sentir no meio de histórias deliciosas. A não perder por quem é amante do belo néctar mas também para quem gosta de uma história bem contada.

Rafeiro Perfumado – Não escreve sempre mas escreve sempre bem. E é divertido. Quase tão divertido como eu (ups, isto não era para dizer) e edita livros que nos fazem esquecer que vivemos em Portugal (é mentira, às vezes fazem-nos lembrar) Are you ladrating to me? É hoje na Bertrand da Avenida de Roma, às 16h07m.

Mar Arável – Eu nunca conheci pessoalmente o Eufrázio Filipe mas conheço-lhe parte da sua intervenção política que admirei. Admiro agora uma outra faceta a que dá corpo no seu blog Mar Arável. A não perder a sua poesia. Qualidade é o que se encontra ali.

Histórias de Embrulhar Castanhas – A Castanha Pilada que eu “conheço” de outros blogs com mais uma mão cheia de apelidos (repararam que mais acima eu escrevi modelo em vez de template e aqui apelido em vez de nickname?) escreve com alegria e deixa-nos alegres. Provem-lhe as castanhas e digam se eu não tenho bom gosto.

PS. Este é um destaque com interesse de causa. Não se esqueçam de continuar a ler a Guerra de Travesseiro o colectivo erótico com mais classe da blogosfera. Digo eu que não sou suspeito.

sábado, maio 30, 2009

1440. Toma lá morangos
















Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.


Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
Voltando à cor, afinal


Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

Poema de PreDatado©Março de 2006, in Frutas e outros comeres
Foto: Lyubomir Bukov

sexta-feira, maio 29, 2009

1439. vanity fair

A Directora do Posto Médico do Pragal em Almada é a Dr.ª Deolinda. Hoje fui lá para tratar de um assunto da minha mãe e o atendimento não tinha ninguém. Iam iniciar uma reunião. Confrontei a Dr.ª Deolinda com o facto de um atendimento que pressupostamente deveria estar aberto, dado o horário de funcionamento, estar fechado para reunião. Disse-me a Drª Deolinda que se houvesse algum caso urgente estaria lá uma recepcionista para chamar alguém. A Dr.ª Deolinda transformou hoje (se calhar já o terá feito antes) um serviço que deveria estar aberto ininterruptamente ao público num serviço intermitente de urgência. Provavelmente ter sido boa aluna na escola levou-a a ser boa médica. Não faço ideia pois não é médica de ninguém da minha família, não tenho opinião. Mas ser boa médica não significa ser boa gestora. Nem todos os sapateiros sabem tocar rabecão.

A Dr.ª Deolinda é uma estátua. Conhecemo-nos desde adolescentes e até hoje nunca tivemos o menor quiproquó. Fomos não apenas colegas de Liceu mas sim colegas de turma. Iniciamos e fomos dois dos cabecilhas de um projecto de alfabetização para ciganos e crianças desfavorecidas nos bairros de barracas de Almada, antes do 25 de Abril de 1974. Demos entrevistas e fomos capa de revista em 1972, quando a nossa acção conjunta, além de ser vista em alguns sectores como subversiva, representava de facto uma lança em África. Militamos no mesmo partido político e chegamos até a ser vizinhos. A Dr.ª Deolinda fez tábua rasa de tudo isso e hoje tratou-me por senhor. De facto eu acho que ela tem razão. Eu sou um Senhor. Ela é uma estátua. De vez em quando as estátuas são arreadas dos seus pedestais.

quinta-feira, maio 28, 2009

1438. Vénia





Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

quarta-feira, maio 27, 2009

1437. Champanhe pois claro, Anita


Podem haver palavras repetidas mas haveria algumas coisas que eu não iria repetir. Por exemplo, fumar um maço de tabaco enquanto esperava. Na verdade já não fumo e ponto final. Outra coisa que eu não repetia era ter dito ao obstetra que não ia porque estava nervoso. Não é que não voltasse a estar nervoso, claro que voltava, mas já não seria a primeira vez que eu assistiria a um parto. E andar a correr do trabalho para a clínica e da clínica para o trabalho. O trabalho que se lixasse, eu iria ficar ali, firme e hirto sem abandonar, nem por um minuto, aquela sala de espera. Portanto como há momentos que não se podem repetir minha filha, como é o caso do dia do teu nascimento, vamos aguardar pelos netos para ver o que é que eu repito ou não repito. Mas uma coisa vou repetir hoje e quero repetir ainda por muitos anos, tantos quantos o chefe lá de cima me deixar viver que é abrir uma garrafa de champanhe para festejar o teu aniversário. Parabéns minha querida filha pelo teu vigésimo oitavo e não te esqueças de ir ali ao lado dizer à tua mãe que eu a amo muito. Ou melhor, deixa isso para mim, eu vou lá!

terça-feira, maio 26, 2009

1436. Negócios espirituais


Na minha rua existem vários estabelecimentos a saber, uma garrafeira que se encontra fechada e uma retrosaria também fechada. Uma gráfica que está fechada e um restaurante do qual já lhe conheci mais de uma dúzia de donos e que está fechado. Tem também uma loja dos 300 que acabou de fechar e uma loja de artigos para decoração, pintura e outras artes manuais que está aberta. Não sei se o negócio das tintas e pincéis está indo bem se é porque também vende passes e vai dando para o petróleo. Na minha rua há 4 igrejas evangélicas que nos dias de culto estão sempre cheias. Falta de freguesia não há, há é que ter o patrão certo.

Quem parece não ter o patrão certo é o Jumbo no Almada Forum. Hoje fui lá e encontrei um pacote de massa areada, aquela das bases das tartes com data de validade de 22 de Maio. Abordei uma empregada da Auchan que me disse que não era daquela secção. Apenas quando eu lhe disse que por acaso eu não sou da inspecção mas podia ser é que ela pensou um pouco e disse, vou já avisar os meus colegas. Por outro lado encontrei a pérola cuja fotografia coloco. Um frasco de um produto de limpeza por 2,44€ e uma embalagem ECONÓMICA de 2 frascos do mesmo produto, da mesma capacidade, por 4,99€. Abordei uma funcionária da Auchan que, claro, não era daquela secção. Olhou, não percebeu muito bem, disse que se calhar era mesmo assim e foi embora. Quem é o patrão daquilo? O mesmo das igrejas da minha rua é que não é.

segunda-feira, maio 25, 2009

1435. Por ser verdade, testemunho.

Fácil não é manter um blog com a diversidade e a com a qualidade que nos presenteia desde há 6 anos. Noticia os eventos do seu Alentejo, particularmente os do seu distrito, oferece-nos fotografias excepcionais dos mais conceituados fotógrafos internacionais, deseja-nos fins-de-semana com uma sensualidade desmesurada, são de qualidade inquestionável as suas incursões na poesia e na prosa poética, escreve contos que nos oferece em capítulos para que nunca nos falte o apetite, dá-nos de presente as suas crónicas num dos jornais da terrinha e como se tudo isto não bastasse ainda tem opinião política (com a qual estou quase sempre em desacordo) e é um exímio fotógrafo. De fazer inveja. Refiro-me ao João Espinho, autor do Praça da República, blog que hoje completa 6 anos. Bem hajas João pela tua qualidade e grato por eu fazer parte do teu círculo de amigos.

Foto: João Espinho, surripiada da Praça com a devida vénia.

sábado, maio 23, 2009

1434. Música de Sábado

O meu amigo João desafiou-me no Sábado passado a que eu dissesse que música é que oiço ao Sábado. É um excelente desafio uma vez que ao Sábado (quase que adivinhou) tenho uma rotina suplementar enquanto ando pela casa. Ligo a TV e o leitor de DVD e coloco um sonzinho para ir ouvindo não só enquanto deambulo pela casa, mas também numa de descontração, sentado no sofá. Por isso, ao Sábado, eu não tenho uma música favorita mas é mais ao sabor da disposição do momento. E hoje o DVD que coloquei foi o In the Flesh do Roger Waters. Para quem gostar ou tiver paciência, fica aqui um bocadinho facultado pelo youtube dot com. Tenham um óptimo Sábado e sintam-se desafiadinhos da silva para nos oferecerem uma música de fim-de-semana.



PS. Reparem na classe dos coiros.

quinta-feira, maio 21, 2009

1433. Se eu soubesse


Banana

Vejo-te erecta suspensa no teu cacho
Seduzindo quem de ti se alimenta
E quem da sedução não se aguenta
Te agarra e colhe em poiso baixo.

Depois, suavemente ou sem demora,
Baixando a cobertura em teu redor
Num impulso de vontade e com fervor,
Leva-te inteira à boca e te devora.

Mas, se por desleixo ou acaso ser,
Te desdenha, te despreza e te abandona,
(Embora quase sempre doutras à tona),


Não te resta mais que amolecer.
Banana. Fruta, filha da tropicalidade,
Eterno símbolo da nossa virilidade.


Versos de PreDatado© in Frutas e outros comeres
Foto de PreDatado©, Maio 2009


PS. Tivesse eu tido conhecimento de uma courgette como a da foto e não teria escrito um soneto à banana.
PPS. Com uma courgette destas, não há cozinheira que não tenha um ar feliz.
PPPS. Na próxima encarnação quero ser courgette.

quarta-feira, maio 20, 2009

1432. Abram alas pró Pre



Longe dos olhos, longe do coração. Era assim que os antigos (este provérbio deve ser muito antigo mesmo), diziam. Eu sinceramente espero que não, pois se o Prezinho não tem andado por aqui, digamos assim como que a olhos vistos, a verdade sei-la eu, é que não saio dos vossos corações. Bom, estou a ouvir um ou outro a tossir, está bem pronto, não é do coração de todos, mas é do coração de todas. Confessem, não se acanhem.

Pois andei a banhos por alentejos e sem internet por perto, já que deixei o computador em casa para ter tempo de cortar a relva. Não fiquem com inveja deste dolce fare niente que também não é bem assim. Ainda trabalhei um bocadinho a pintar o portão. Bem, a MJ pintou mais do que eu, a verdade tem de ser dita mas, em compensação, eu dormi mais do que ela.

Já devem ter reparado pelos dois parágrafos anteriores que estou a encher chouriços e a escrever só para não ficar mais um dia em branco.

A verdade é que quase não vi TV, talvez uma ou outra notícia e um jogo de futebol. E como também não li jornais, seria uma chatisse falar aqui das minhas hortênsias e das roseiras, dos amores-perfeitos e dos hibiscos, das malvas e dos malmequeres. Ou então dos nossos “afilhados”, um gatil completo que se instala no nosso quintal desde que chegamos até que partimos. Pois não vou falar disso.

Ah, já sei! Se não fosse triste daria até para rir. Ouvi um responsável do hospital de Faro a pronunciar-se sobre o relatório que ilibou aquele hospital da morte de 8 pessoas com uma bactéria adquirida no próprio hospital. Há relatórios com uma grande lata, não há?

Foto: PreDatado©2009

sexta-feira, maio 15, 2009

1431. Esperas






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)



mantive a foto do posto original :)

quinta-feira, maio 14, 2009

1430. Bolas que o gajo é chato




Agradeço imenso os comentários deixados pelas minhas amigas leitoras e pelos meus amigos leitores. Tal como vários de vós, também eu me intriguei e perguntei-me: então e não trabalhas? Quanto tempo me ocupará a rotina diária? Realmente, quem a faz deveria ter algum rigor horário. Eu juraria a pés juntos que fazia isto tudo numa hora mas, atendendo aos vossos comentários, quedei-me na dúvida. E assim resolvi cronometrar. Deixo-vos a planta tosca da casa, a localização dos objectos mais significativos do meu percurso e o traçado dos percursos. E este gajo não trabalha? – perguntamos, agora, todos em uníssono Ainda tem tempo para cronometrar... Fosga-se!

Legenda:
A – Cama
B – Sanita
C – Lavatório
D – Nespresso
E – Torradeira
F – Computador
G – Duche
H – Comedor dos gatos
I – Balança
J – Mesa
K – Cadeira
L – Closet

Percursos:
a) 20s.
b) 2m. (inclui lavagem de mãos)
c) 15 s.
d) 2m.15 s.
e) 1m.
f) 4m.
g) 4m.(utilizou-se a revista Sábado da semana passada)
h) 3m.25s. (utilizando espuma e gilette)
i) 30s.
j) 6m.
k) 10s.(só pode estar avariada)
l) 3m.
m) 3m.
n) 6m.
o) 3m.
p) 15s.
q) 7m (inclui apertar os cordões dos sapatos)
r) 1m.
s) 32s. (bolas, era cada comentário!)
t) 15s.
u) 4m.27s.
v) 15s.
w) 10s. (sem colocação de gel, nem brilhantina, pois não são de uso diário)
x) 3m.16s.
y) 1m.19s. (inclui espreitar debaixo da cama a ver se ficou alguma peúga esquecida)
z) 25s.

Total: 57m49s

Obs. Para facilidade de leitura, o desenho não inclui nenhum gato, nem vidros ou loiças partidas.

segunda-feira, maio 11, 2009

1429. Doces mesmo quando destroiem


Quase como uma inevitabilidade, eu diria mesmo um desígnio, sou uma pessoa de rotinas. Já aqui vos falei em alguns casos em que fui eu, ou outros que de mim dependiam nesse momento, vítimas das minhas próprias rotinas. Não me considero supersticioso, pelo que as minhas rotinas nada têm a ver com fé. Seria incapaz, como li um dia destes numa entrevista a um automobilista, de competir todas as provas com a mesma roupa interior. Talvez para ele resulte mas isso é superstição, não rotina. Há alguns anos atrás fiz uma série de cursos de formação numa empresa onde trabalhei. Durou várias semanas e um dos monitores apresentava-se à segunda-feira sempre com a mesma camisa, às terças com a camisa das terças, às quartas com as das quartas, etc. Duvido que apenas tivesse sete camisas no guarda-roupa, extrapolando que seguia o mesmo método aos fins-de-semana. Parecia rotina, mas não era. Mas as minhas, rotinas de verdade, são muito menos elaboradas. Por exemplo, de manhã, é sistemático a) ligo a máquina de café; b) vou fazer xixi; c) ligo computador; d) lavo os dentes; e) tomo um café; f) leio os novos e-mails; g) vou para a casa de banho ler 6 páginas de uma revista qualquer; h) faço a barba; i) vejo as cotações da bolsa; j) vou tomar banho; k) peso-me; l) ponho comida aos gatos; m) coloco o pão a torrar e espero; n) tomo o pequeno-almoço; o) finalmente seco-me; p) desodorizo-me e perfumo-me; q) visto-me; r) leio os títulos dos desportivos on-line; s) vejo se tenho novos comentários no blog; t) penteio-me; u) respondo aos e-mails que devem ser respondidos e reencaminho sem ler todos os e-mails de santinhos, correntes, porno e anedotas para a minha lista de contactos v) consulto o saldo bancário; w) penteio-me outra vez porque sou muito vaidoso; x) leio as gordas dos jornais generalistas on-line incluindo o Sun e o Correio da Manhã; y) apanho a roupa toda que deixei espalhada por aqui e ali, incluindo as meias, as cuecas e a toalha e coloco no cesto da roupa. Mas como agora temos 26 letras do alfabeto acordado ortograficamente, acabei por acrescentar mais uma rotina à minha pré-manhã: z) vou ver qual foi a garrafa de cristal que os meus gatos, na brincadeira, resolveram partir durante a noite.

sábado, maio 09, 2009

1428. Ler o Pre pode causar viciação


Eu chego a comentar cá em casa, com a família humana e com a família felina, o que vós amigas leitoras e amigos leitores falarão nas minhas costas sobre o facto de o PreDatado não ter escrito, ultimamente, todos os dias no seu blog. Sei muito bem quanto isso vos intriga e sei até que houve já algumas leitoras e alguns leitores que entraram em desespero a ponto de tentarem cortar as veias e/ou (gosto mesmo deste e barra ou) de esgotarem o stock de cordas de enforcar nas diversas casas de ferragens, quinquilharias e afins. Soube até de um caso de uma leitora que começou a entrar em depressão, sendo que, o seu psicólogo a terá mandado ler os livros da Margarida Rebelo Pinto para que ela pudesse esquecer o PreDatado. Pois bem, a todas vós e a todos vós, eu vos devo uma explicação que só não será mais detalhada para que não encha aqui vários ecrans (telas ou pantalhas) de texto. E se o não faço, não é porque vós queridas leitoras e vós compadres leitores não o lessem. O meu receio é do addict. É que se acabarem viciados em PreDatado poderia haver alguém, tipo mauzinho, que me tentasse levantar um processo por não ter avisado, a seu tempo, que ler o PreDatado pode causar viciação, sei lá, que conduza por exemplo a um estado tão vegetativo que faça o seu leitor ou leitora votar em Vital Moreira. Sendo assim, vou rapidamente explicar que esta não assiduidade diária se deve a pequenos factores que me alteraram as rotinas. Recomecei a dar explicações de matemática, a fazer caminhadas diárias, a ver televisão em alta definição. Tudo isso dizem vocês, assim tipo à laia de chacota, "eu também faço". O que acho que nem todos vocês fazem e que vos tira o tempo todo para escrever por aqui, é ler a Playboy de fio a pavio e explorar cada detalhe da Cláudia Jacques. Estou desculpado?

quinta-feira, maio 07, 2009

1427. Lunch Time Blog ou um filme com azeite.


Estou frita, gritou-me a manga apesar de fatiada. Estou frito gritou-me o abacaxi já com cada uma das rodelas cortadas em quartos. Estamos fritos gritaram os filetes de pescada quando saíram daquela marinada de alho picado, pimenta branca, umas pedrinhas de sal e sumo de um limão. Estamos fritos gritaram os tomates-cereja quando, depois de bem lavadinhos, terão pensado que seriam salpicados com pó de talco (private joke dos tomates cá de casa que gostam de pó de talco depois de lavados), mas não, caíram como os outros na frigideira.

Ai, estamos fritas, gritaram-me a mulher e a filha quando se aperceberam que hoje eu lhes tinha preparado uma fritada para o jantar. Até tive o cuidado de lhes explicar que foi tudo fritinho em azeite do mais puro das oliveiras alentejanas e que depois de fritas as frutas as reservei e reservei também em ambiente quente os filetes enquanto fritei os tomatinhos-cereja naquele molho, entretanto composto com um pouco de vinho do Porto.
Eu e o meu cúmplice azeite extra virgem piscamos o olho um ao outro enquanto elas se lambiam à mesa.

Estou picada, gritou a salsa, que acabaria polvilhada sobre o preparado. Definitivamente, a salsa, embora entre sempre bem em cena, nunca sabe a que filme pertence.

PS. As minhas leitoras e os meus leitores habituais sabem quanto o autor do LTB é um apreciador (não confundir com conhecedor) de vinho tinto. No entanto, ultimamente, tem andado a passear, sem exageros, pelos brancos. O desta noite mereceu-lhe nota positiva pela prova que lhe deu. Apesar do preço razoável, menos de 2 euros a garrafa, o Fonte do Nico, produzido com as castas Fernão Pires e Moscatel é um excelente Terras do Sado. Quem lhe olha para a cor palha muito aberta pode pensar que é água, mas tem um aroma muito elegante com várias notas florais. Os seus 12 graus de teor alcoólico permitem-nos beber mais um copinho para rebater.
PPS. O Schubert bem rondou, rondou, mas se o cheiro a peixe o deixa em transe comê-lo , tá quieto. É um fofinho este meu companheiro de quatro patas e casaca de pêlo.