segunda-feira, novembro 22, 2010

1557. Doces e outras iguarias

Hoje foi dia de saborear. Bem sei que te empenhaste, puseste tudo o que é teu de sabedoria culinária só para me agradares e eu fico feliz quando estás com a colher de pau em riste e com um sorriso nos lábios. Sei que algo de muito delicioso me vai ser presenteado, sei que os sabores dos nosso avós, mesmo se já não nos lembramos deles, nos vão ser servidos à mesa. Sabes como sou bom de mesa, um bom garfo como me costumas dizer. Tiveste até o cuidado de ires à minha garrafeira particular e escolher o vinho, Não é que sejas uma enófila nata mas, provavelmente, porque confias na minha garrafeira particular. Mas sabes também que eu, por mais maravilhosos que sejam os teus cozinhados, por mais cheirosos que sejam os teus temperos e por mais subtileza que tenhas em escolher um dos meus tintos preferidos só fico feliz quando te tenho por sobremesa. Tu, sim, és a minha verdadeira mousse de chocolate.

Foto e texto PreDatado 2010

sábado, novembro 20, 2010

1556. Estados de alma

Estou alegre hoje. Quando estou alegre gosto de escrever. Mas tenho de ter cuidado pois se começo para aqui a debitar frases atrás de frases ou nunca mais paro ou quem me veja escrever acha que estou numa de digito-suicidio. Por isso vou-me conter, vou dar uma sonora gargalhada, vou tomar um abafadinho, vou ver um desenho animado do bip-bip e do coyote, vou ler um bocadinho do Mário Zambujal, vou ouvir cantar uma desgarrada brejeira, depois vejo um tube (ou dois) dos Monty Phyton. Saio para a varanda, respiro uma lufada deste ar fresco que o outono manda e dou, sim dou, ofereço, partilho, sem querer nada em troca, uma sonora gargalhada.

Foto e texto PreDatado 2010

sexta-feira, novembro 19, 2010

1555. A minha cimeira

Um a um fui-os alinhando à minha frente. Fiz um risco no chão, o mais direito que fui capaz com a ponta de uma cana apanhada ali mesmo, no valado. Depois joguei fora a cana (não me lembro bem desta parte, se a joguei fora ou se a pus de lado). Continuei a alinhá-los, todos da mesma cor, camisa azul e calça cinzenta. Peguei na cana de novo (já sei, não a tinha jogado fora pois voltei a usá-la) e fiz um risco em frente ao outro. Mais tarde aprendi que se chamava paralelo. E alinhei os outros. As camisas eram vermelhas, tinham umas correias cruzadas em diagonal, brancas, sobre as camisas vermelhas. Alinhei-os em frente aos azuis. Todos tinham uma arma, alguns em riste, outros alinhada paralelamente, cá está, paralelamente, ao corpo. Mentira, não eram todos, um deles tinha um tamborzinho e outro, com umas bochechas gordas, tocava uma corneta. Atrás de cada fila alinhei os que montavam a cavalo. Também tinha cavaleiros com camisas vermelhas e outros com camisas azuis. Só que os que andavam a cavalo tinham espadas, não eram como os que andavam a pé. Da outra caixa tirei os canhões. Eram quatro e pu-los em cada uma das pontas das filas da frente. Não sei se eram aqueles os lugares deles mas também não me importei. Deixei ali mesmo os soldadinhos de chumbo e fui jogar à bola. Não gosto de guerra.

Foto e texto PreDatado 2010

quinta-feira, novembro 18, 2010

1554. Outono






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

quarta-feira, novembro 17, 2010

1553. Propriedade

Pediste-me para te fazer um poema e eu respondi-te que não se faz um poema sem acreditar no que o Eugéneo disse uma vez. A mão certeira, a intimidade, o coração. Pareceu-me, quando me viraste as costas, ter visto uma lágrima correr no teu rosto. Não te menti apenas acho que não me entendeste. Não posso escrever um poema se não estou certo que o que escrevo é o que é quero escrever, se a mão me treme. Não posso escrever se não te vejo cúmplice dele, se não és a terra que a água precisa de regar e muito menos se não és o coração em que me empenho. Os meus poemas são propriedade privada e ela sabe-o.

Foto e texto PreDatado 2010

terça-feira, novembro 16, 2010

1552. Vagueando nos teus sonhos

Sorris, vejo-te sorrir e tu nem imaginas que te estou a ver sorrir. Ou talvez imagines pois, mesmo sem esperar que nos vigiam, ficamos de alerta. E tu mais do que eu. És mulher, dizem que tens um sexto sentido. E sorris. Gosto de te ver sorrir. E eu sorrio também. E sem sairmos deste poema de sorrisos, viras-me as costas e eu abraço-te. Oiço-te murmurar mas não quero perturbar-te o sono. Nem o sonho. Continua a sorrir.

Texto e Foto de PreDatado - 2010

segunda-feira, novembro 15, 2010

1551. Liberdades


Sobre a almofada, entre o sono e o madrugar oiço uma música de fundo que me perturba e que ao mesmo tempo me comove. Sons de outros tempos e de outros lugares e sons que me soam tão actuais. Quero ficar assim no limbo apesar do sol teimar em invadir-me pela frincha da janela. Os partigiani estão lá longe, e as pálpebras essas continuam teimosamente a não se querer abrir. Não, não há invasores é só o Sol. Bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao. Cobri o rosto com os rubros lençois de cambraia. E abracei-te como se fosses a minha bandiera rossa, a minha liberdade.

Foto e Texto PreDatado 2010

sábado, novembro 13, 2010

1550. Nú

E ali estava eu, nu, sem muito bem saber o que fazer, sem muito bem saber se ir se ficar. Mas é assim que eu gosto de estar, despido de obrigações e à margem dos mandamentos da vida e da sociedade. Sozinho com os meus pensamentos e nem com os botões para partilhar. E ali sim, monto no cavalo da fantasia, o meu pégaso mais-que-tgv e deixo o pensamento tomar as rédeas da liberdade. Não sei se divago se me afago em deliciosos momentos. Que são meus.

Foto e texto de Vítor Fernandes a.k.a. PreDatado

quarta-feira, novembro 10, 2010

1549. Viagem dos Sentidos









Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

sexta-feira, novembro 05, 2010

1548. Este país não é para quem?

Era uma festa. Contavam-se quase os dias e os minutos, anunciava-se antes, avisavam-se os amigos. Preparava-se a data com um texto, uma foto, um poema. Tudo era especial nesse dia. O blog fazia anos, xiribitátátá, urra, urra, urra. Foi assim durante vários anos em muitos blogs, alguns chamados de culto e outros de gente famosa e de intervenção pública mediática. Foi assim também neste modesto blog e noutros blogs que se quiseram projectar como simples e modestos mas que, tinham ou têm por detrás gente de elevada estatura intelectual, moral e sobretudo humana alguns dos quais, autores, me concerderam o previlégio de vir a ser seu amigo. Escrevo isto porque se foi questionando sempre, ao longo da já mediana vida da blogosfera, para que serve um blog. E entre as mais vastas discussões de todos os carizes o blog, não digo que por unanimidade mas até imagino que alguns dos que não o faziam tinham uma pontinha de ciúme, dizia eu, o blog servia também para festejar o seu próprio aniversário. Com muitos parabéns a você e muitos beijinhos nas caixas de comentários. Bem sei que já não tenho 150 leitores diários, mas pelo menos os 10 que religiosamente vêm cá espreitar se tenho novidades, teriam merecido que eu fizesse referência ao 7º aniversário do PreDatado. Foi no passado dia 29 e mando eu agora ósculos e amplexos para todas e todos vós amigas e amigos leitores.

Mas afinal para que serve um blog, principalmente um blog como este que não é actualizado mais do que uma ou duas vezes por mês, deixou de contar piadas, de publicar as fotografias que o seu autor tira pror aqui e ali, que há quase um ano não publica um poema inédito do prezinho (ainda se lembram que eu sou o prezinho, não lembram?), que não fala mal do Sócrates, que não festejas vitórias ou chora as derrotas do seu Benfica, que não emite opinião político-financeira sobre os mercados, que não deixa aqui receitas das belas comezainas que se entretem a fazer ou a inventar na cozinha, que não conta as peripécias do gato Schubert, que não escreve episódios de contos com palavras que até o Aurélio lhe custa enunciar, que deixou mesmo de ser bispo da sua própria igreja?

Eu não sei a resposta completa a tão vasta pergunta e, mesmo que a soubesse, seria complicado detalhar tin-tin por tin-tin. Mas uma coisa é certa e essa eu sei. Seve para dizer que escrevi um e-mail à EDP na passada segunda feira e ainda não recebi resposta. Este país está na mesma e portanto... o blog ressente-se.


Foto: PreDatado, tirada no Pulo do Lobo

quinta-feira, outubro 21, 2010

1547. Egas Moniz

No próximo mês de Novembro terá lugar uma greve geral que se prevê venha a ter uma adesão nunca vista neste canto da Europa. O IVA subiu para 23% e o leite enriquecido com cálcio passou a ser considerado um produto dispensável passando, por isso, dos antigos 6% de IVA para 23% (pelo menos, quem tem osteoporose pode gabar-se de ter uma doença de luxo). Nunca a palavra responsabilidade foi tão bastas vezes dita e redita pelos nossos políticos. Por acaso eu acho uma patetice e diria mais que isso, um logro. Não acredito que nenhum deles alguma vez coloque a corda no pescoço como o fez o velho Egas Moniz, para pagar os erros de governação. Isso sim seria assumir as responsabilidades e o resto é treta. Os salários dos funcionários públicos vão ser cortados em valores que chegam a atingir os 10%, numa medida inédita e que, dizem os economistas sérios, terá graves consequências na nossa economia, enquanto qualquer secretariozeco de estado se passeia em automóvel topo de gama. Estão todos muito empenhados em salvar Portugal, destruindo os portugueses. Provavelmente transformar isto num baldio que não serve para nada. Portugal não é um conceito, Portugal são os portugueses.

Quero eu dizer na minha que com tudo isto e mais algumas coisas o futebol não é tudo na vida, nem tão pouco o mais importante. Mas o Benfica é o meu clube e eu tenho também o direito de saber o que se passa por aquelas bandas. Apenas saíram dois jogadores da época passada e a equipa desmoronou-se. E não é só por culpa dos olegários benquerenças. Ontem em Lyon, como antes em Gelsenkirchen e em mais outra mão cheia de estádios não se encontram o Javi, o Maxi, o David Luiz, o Saviola, o Cardozo que brilhavam no ano passado, nem os novos Jara ou Sálvio parecem ter estofo para se aguentar à bronca, para já não falar nos sempre lesionados Fábio Faria e Ruben Amorim. Nem, tão pouco, já Jesus salta no banco. Está na hora do presidente do Benfica começar a olhar para o futebol tout court e deixar os pintos da costa em paz. É que a nós benfiquistas, apesar da crise, apesar dos sócrates e dos teixeiras dos santos do nosso descontentamento, ainda gostamos de ganhar. E se este estado de coisas continua, senhor presidente, alguém lhe vai pedir, também, as suas responsabilidades, quem sabe exigindo-lhe que se comporte como o velhinho Egas Moniz.

domingo, outubro 03, 2010

1546. Como é que se faz para explicar a um tipo que a PIDE já acabou?

De repente, na net e sem darmos por isso arranjamos um inimigo de estimação. Estava eu muito descansadinho no Facebook, que tenho ultimamente como passatempo, quando achando engraçada uma foto que alguém na minha lista de “amigos” lá colocou, a comentei com todo o prazer. Eis senão quando, passados alguns minutos, sob a mesma foto existia um comentário, entretanto apagado pelo autor da foto, que dizia mais ou menos assim (cito de cor) “mais uma vez tive de apagar um comentário de uma pessoa que é cúmplice de uma mentira a qual eu estou farto de denunciar, bla bla bla,” e cocluia no comentário que eu o teria desmentido. Ora o comentário apagado na foto do gato e da garrafa de vinho era o meu. Entrei depois em diálogo com esse “amigo”, em primeiro lugar para saber de que página eu era cúmplice e em segundo afirmando-lhe que fosse qual fosse o assunto eu, que apenas o conhecia da blogosfera, não me sentia com autoridade para desmenti-lo publicamente.

Sem mais delongas vou concluir. O senhor Vitorino censura-me porque eu aderi (na altura da adesão, convictamente) a uma página que apelava ao não pagamento pela utilização do Facebook. Depois dos desmentidos sucessivos no próprio Facebook feitos pelo senhor Vitorino (a quem eu deveria, publicamente, dar créditos ou elogiar) como eu não anulei a adesão á respectiva página tornei-me um proscrito e alvo de censura. Felizmente que o senhor Vitorino não é coronel de lápis azul, nem governante, nem agente da autoridade. Tenho em crer que se o fosse, provavelmente mandar-me-ia prender. Ou então talvez eu tivesse tempo de me exilar, sem, claro está, poder levar comigo o meu notebook, o FB e a tal página a que estou coladinho com uma grude que não se desfaz nem com a prosápia do senhor Vitorino. Sabe o que eu tenho para lhe dizer? Passe muito bem senhor Vitorino e olhe que a PIDE já foi fechada há mais de 30 anos e que o muro de Berlim também já caiu. Ou não deu por isso?

PS. Aqui poderá comentar à vontade que pode ter a certeza, seja qual for conteúdo, não será censurado. Mas acredito que apesar de tudo seja elevado..

quarta-feira, setembro 15, 2010

1545. Um post com setes

Já lá vai o tempo em que eu fazia um passeio à arrentela, via um caniche a fazer o pino, tirava meia dúzia de fotografias à beira da baía do seixal e ao caniche também, chegava a casa, dava-me um “vaipe” e escrevia um tratado sobre pinos de caniches, um livro de visitas guiadas às ruas da arrentela e ainda elaborava um álbum de fotografias do rio Tejo com caniches e vinha a correr para o blog publicar isto tudo. Ora agora que há matéria para escrever à fartazana tipo, começaram as aulas para crianças que têm a escola primária mais próxima a 30 kms de distância, que o Benfica tem andado escandalosamente a ser roubado pelos árbitros, que o governo aumentou em cinquenta cêntimos o apoio social para manuais escolares, que já estamos bem lançados em setembro e apesar disso a temperatura do ar ainda se manda acima dos 35 graus, que comemorei o meu trigésimo aniversário de casamento no passado dia sete do corrente (corrente não, reserva ou garrafeira que fica mais a condizer), tinha eu tantos motivos para escrever, sei lá coisas como termos novas sete maravilhas naturais ainda não totalmente destruídas pelos incêndios, que já tivemos o orçamento com um queijo limiano saído da cartola e que agora vamos ter o orçamento com passos de magia ou seja passos de coelho sem cartola, isto é, troco um orçamento por uma razão legalmente atendível, ou se a inspiração fosse escassa podia até escrever sobre o despedimento do carlos queiroz ou da sentença casa pia, tanta coisa, tanta coisa e eu aqui paradinho, num blog que até me dá vergonha de dizer que falta pouco mais de mês e meio para fazer sete anos de existência, uma das sete maravilhas da blogosferas, digo eu, tal tem sido o desprezo a que, coitadinho, tem sido votado.

Pois hoje teria uma matéria muito mais interessante que, como já referi, daria para fazer um livro de visitas guiadas, não é que não existam outros mas este seria à moda do PreDatado assim tipo um musical da Broadway mas com cantores convidados porque o Pre não sabe cantar. Na realidade o Pre não foi à arrentela, desviou-se um bocadinho e esteve a passar uns sete maravilhosos dias de férias em nova Iorque, mas anda com tão pouca vontade de escrever ou então com falta de imaginação que para compensar os seus amigos leitores e as suas não menos amigas leitoras, que estão sempre ávidos e ávidas de novidades de tal modo que ainda aqui vêm uns sete visitantes por dia, para compensar dizia eu e não me alongo mais para não maçar as leitoras e as leitoras ficam aqui umas fotozitas. E bye bye que eu agora falo muito bem americano.

segunda-feira, agosto 23, 2010

1544. Remexendo no baú



Ninguém é perfeito, tenho a certeza que será o comentário, quiçá paternalista de muitos vós amigos leitores, quiçá de afecto com que vós costumais me brindar, queridas e amigas leitoras. Pois mesmo assim, sabendo que ninguém é perfeito, custa-me aceitar que da minha pobre garganta não saia um dó que não pareça um mi, um fá que não se assemelhe a um ré. Pronto, resumindo e concluindo entre algumas outras coisas (poucas, passe a imodéstia) para as quais não fui talhado está a arte de imitar canários e rouxinóis. Não sei cantar, é pena mas é verdade. Eu bem tento, quando alguém num grupo de amigos puxa de uma guitarra, eu bem tento, dizia, acompanhá-los mas, ou a corda se parte ou o músico perde a palheta, ou tem de ir comprar cigarros, a verdade é que não sou boa companhia canora. No carro os meus filhos pedem-me encarecidamente para que lhes proporcione uma viagem tranquila, sem poluição de qualidade nenhuma, sei eu porque sou perspicaz que eles se referem a poluição sonora e não poucas as vezes em que quando tento os primeiros acordes vocais logo oiço por perto uma sonora gargalhada e um assobiar para o ar tipo não fui eu que me comecei a rir (isto na vida há sempre engraçadinhos em todo o lado). A pior que já me aconteceu, acreditem ou não, eu se fosse a vós acreditava, foi eu ter ensaiado cantar um fado em pleno duche e acto contínuo ter faltado a água.
Mas nem sempre foi assim. As luzes apagavam-se na plateia e acendiam-se no palco. Seis aves canoras de tenra idade disputavam entre si, sacos de rebuçados, livros de pintar, caixas de lápis de cor. As claques, já que ainda não tinha sido inventado o televoto de valor acrescentado, encarregavam-se de escolher o melhor. O cronometrista contava os segundos, às vezes minutos em que os aplausos troavam pela sala e eis senão quando, este que vos escreve aqui com as pontinhas dos dedos que o chão há-de comer, verdade verdadinha ganhou o primeiro prémio. Uma fotografia dezoito por vinte e quatro e um bolo-rei. Não era o que ele mais queria, mas enfim, não se pode ser primeiro e ainda ter o direito a escolher uma caixa de 6 lápis de cor da Viarco.
A foto, está aí no post, o bolo-rei foi comido há uns 45 anos atrás e a letra era assim. “o ratinho foi ao baile / de cartola e jaquetão / sapato de bico fino / e um par de luvas na mão”. Bom, quem souber o resto da letra que cante que eu não tenho jeitinho nenhum. Antes que o computador crash, o melhor é ficarmos por aqui.

segunda-feira, julho 12, 2010

1543. Lunch Time Blog - Camarão à PreDatado (onde o Pre retoma o caminho da cozinha e inventa coisas que outros já inventaram antes)





Vocês sabem aqueles dias em que o que nos apetece mesmo são pimentos? Não sabem? Bom eu conto-vos, de repente, passam na loja das hortaliças e outros legumes e também de frutas, porque uma loja nunca é só especializada numa única coisa, passe o pleonasmo, por exemplo, eu já tenho ido a garrafeiras, escolher qual o tinto que vou levar para aquele convite para jantar, onde nunca chego a provar o vinho que levei, diga-se de passagem nem isso era pressuposto e, no entanto, essa loja que deveria ser especializada em vinhos, onde não é difícil encontrar os grands crus de Bordéus, lado a lado os Saint-Émilion, os Côtes du Rhon, os Chateau Lafite, mas também as melhores Reservas da Granja da Amareleja, o Syrah das Cortes de Cima, o Pêra Manca da Cartuxa ou um Artadi Pegos Viejos, o Calvario ou o Sierra Cantabria, estes últimos de la Rioja, bom eu acho que me estou a perder, porque o que eu queria dizer é que encontrei à venda nessas lojas, saca-rolhas e termómetros. Vêm agora vocês caríssimas leitoras e não menos caros leitores dizerem-me que faz parte. Pois faz, mas também faz parte venderem coentros onde se vendem melões, tomates e pimentos onde se vendem cerejas, rabanetes onde se vendem azeitonas, paios, chouriços caseiros e alheiras de caça. Faz parte, pois faz parte. Foi assim que me vi com três pimentos na mão, verde, vermelho e amarelo, assim num misto da bandeira portuguesa com a espanhola, em justa homenagem aos nuestros hermanos, um limão um raminho de coentros e uma cebola e, não na mão mas por baixo do boné, o meu subconsciente a incitar-me a misturar aquilo tudo, depois de cortar às rodelas a cebola e às tirinhas os pimentos, dizia eu misturar tudo aquilo numa frigideira onde picadinhos os coentros e raspado meio limão, lhe juntei 3 dentes de alhos esmagados, umas pitadas de sal e também um piri-piri. Refoguei aquele misto em azeite puro de oliveira juntei-lhe umas gotas do meio limão raspado anteriormente e, helas, o que dará nome a este prato, ou seja camarão à moda do Predatado, os camarões já descascados e sem cabeça nem rabo. Acompanhei com um branquinho da adega Cooperativa de Pegões porque o Sr. Engº Sócrates fez-me o favor de me levar no IRS deste mês os trocos que eu tinha reservado para comprar uma garrafinha de Grande Reserva Branco da Adega de Vila Real. E digo-vos que o pitéu que preparei bem o merecia.

PS. Vocês ainda se lembram do Schubert? Pois, esse mesmo, o meu gato. Sempre me acompanhou nos meus LTB só que desta vez, antes de eu me sentar à mesa, retirou-se de mansinho, não sem antes de me olhar olhos nos olhos como quem diz, olha lá rapaz, há gente que não gosta de comida picante. Esse piri-piri pode ser dispensado.

1542. Algumas notas tiradas nas férias (iii)


Resolvi seguir o exemplo do Expresso e adotei o acordo ortográfico. Para falar verdade, faz muito que tou nessa. Tenho amigos brasileiros de montão e teclo com eles e elas nos bate-papos da internet, por isso que estou acostumado demais com esse tal de acordo. Ainda nem se sonhava que iria haver essa bendita reforma e muito menos se pensava que a seleção do Brasil e a de Portugal íam voltar nas oitavas da copa e já eu escrevia ação, ato e seção nas minhas conversas cibernéticas. Aliás, posso até falar para vocês que apesar de eu ser ligado no facebook, tou também no orkut e deveria protestar contra a reforma por não introduzir a grafia orkutchi para ficar muito mais consonante com a dição. Outro dia, uma amiga minha falava para mim que eu não estava sendo justo com eles porque eles tinham acabado de ceder e perder também o trema. Aí eu falei para ela, Ora amiga se você perdeu o trema o pior que pode ter acontecido é que lhe venha a faltar a lingüiça, mas pode mandar vir de aqui um belo chouriço de trás dos montes que é terra de vovô. Quem não está muito de acordo com o acordo é minha esposa que não acha nada legal eu falar que sou espetador da TV. Ela fala que espetar nessa posição pode quebrar a espinha.

PS. (8/7) Estava a ouvir as notícias da manhã, creio que na RTP, quando a jornalista referiu que na volta à França, Rui Costa mantinha o trigésimo oitavo lugar e Sérgio Paulinho o cento e vinte e quatro. Fiquei com a dúvida se hoje em dia ainda ensinam os ordinais na escola. Se calhar só até ao centésimo.

Foto PreDatado - Moinho de Odeceixe

domingo, julho 11, 2010

1541. Algumas notas tiradas nas férias (ii)


Hoje (6 de Julho) foi dia de comprar jornais e de comer caracóis. E de ver o espetacular golo do Van Bronchorst que não sei se se escreve assim, mas sei que foi lindo. Hoje (naquele dia) foi dia de ficar a saber que o Cristiano Ronaldo é pai de um filho de mãe incógnita, ou incónita?, e que José Castelo Branco andou a ser papado por um jogador de futebol nos anos 80. Como se isto tivesse algum interesse ainda venho eu para aqui encher chouriços e a fazer-vos perder tempo, isto é presunção minha como se alguém ainda lesse o meu blog, mas adiante, continuemos para bingo. Há também uma telenovela nos jornais e nas televisões chamada Vivo, vamos a ver quem é que vai abandonar quem no altar. Ops, isto era a capa de uma outra revista, de outras telenovelas. A sardinhada estava espetacular. O que é prometido é de vidro, às vezes quebra-se, mas desta vez eu saltei mesmo para os grelhados, quer dizer, depois de uma breve passagem pelas bifanas, pecado meu. Quem eu não consigo entender muito bem é o dr Jekyll de Sousa Tavares nem o sr Hyde de Sousa Tavares. Como é que escreve com a qualidade que evidencia no Expresso, raiando por vezes o brilhantismo e escreve em A Bola, coisas que, pelo menos a mim, chegam a ir ao vómito, talvez sejam dois diferentes, não sei, adiante que hoje foi dia de caracóis e de mines e de golos, e de golos nas mines, está claro. As águas da costa vicentina estão fresquinhas, como as mines, mas a noite está um show, show de bola. Hoje houve caracóis e jornais e lá estava, num deles, ou em mais do que um, o dr. Marinho Pinto, se não estava pareceu-me que estava, a rezar para que o processo Casa Pia prescreva. Eu não percebo nada de advogados, mas de caracóis…

Foto PreDatado, Zambujeira do Mar

PS. No ano passado, por esta altura, o meu blog atingia quase as 3 dezenas de comentários. Acho que está a ficar moribundo. Vamos lá a ver quanto tempo mais dura.

sábado, julho 10, 2010

1540. Algumas notas tiradas nas férias (i)


Na ementa, vinho branco à pressão. Pergunto ao empregado de mesa, De onde é o vinho, e ele, Não sei, aquilo vem sem rótulo. O empregado não sabe de onde é o vinho. Deu-me vontade de rir, mas não me deu sequer vontade de provar. Será que nunca ninguém lhe perguntou antes? Bem sei que me tinha prometido a mim mesmo que neste verão só comeria grelhados e saladas e, vá lá, condescenderia num ou noutro prato cozido, tipo umas belas caras de bacalhau com hortaliça. Comecei com feijoada de búzios. Prometo que vou recuperar.

Foto PreDatado - Praia de Odeceixe

segunda-feira, junho 28, 2010

1539 . Alugo apartamento



Características:

Alugo apartamento mobilado a estudantes, professores ou profissionais de saúde. O apartamento tem 3 quartos mobilados, cozinha, casa de banho, hall e duas despensas. Todos os quartos têm roupeiro, uma secretária com cadeira e um pequeno sofá. A cozinha está equipada com loiças e acessórios, mesa e cadeiras e, ainda, com máquina de lavar roupa, frigorífico, micro-ondas, fogão e esquentador. Na despensa há aspirador, tábua e ferro de engomar, cestos de roupa e um estendal móvel. No hall existe um sofá e uma televisão. Há possibilidade de se instalar TV por cabo e internet a combinar na altura. O apartamento que está preparado para alojar 3 residentes não será alugado em quartos mas sim como um todo.



Localização:

Localizado no Bairro do Matadouro, Pragal em Almada é contíguo ao Hospital Garcia de Orta e fica muito próximo do Instituto Piaget (menos de 5 minutos de carro). A pé, está a 10 minutos da estação de comboios (ligações a Lisboa e outras regiões) e do Metro Sul do Tejo (ligações a Almada e Universidade Nova – FCT, Monte da Caparica). De carro demora-se cerca de 5 minutos à FCT da Universidade Nova ou à Escola Superior de Saúde Egas Moniz, no Monte de Caparica. É servido também pela rede de autocarros da TST com carreiras para Cacilhas (Almada), Monte da Caparica (Universidades), Costa da Caparica (praias). Além desta rede tem as carreiras da Fertagus para ligações à rede ferroviária.



Contactos:

Posso ser contactado pelo e-mail afixado no cabeçalho do Blog. Será colocado anúncio similar nas escolas referidas Piaget, FCT e Egas Moniz com números de telefones disponíveis.




Divulgação:

Se algum dos meus amigos ou das minhas amigas leitoras tiver conhecimento de procura nesta área, agradeço que informem os vossos amigos deste anúncio. Obrigado.


terça-feira, junho 15, 2010

1528. Emoções

Ele há dias em que as emoções tomam-nos conta do corpo e da mente e por mais que a gente pense o que vai fazer (neste caso escrever) as pontas dos dedos apresentam-se-nos tolhidas, parece até que a caneta emperra ou as teclas queimam, Outros há em que as mesmas emoções se colam à flor da pele e são elas que comandam a mente e libertam o físico e somos capazes de correr como se tivéssemos asas ou voássemos como se fossemos peixes, E ainda outros dias mais ou menos controlados e controláveis pelas ditas emoções, que fazem o papel de racionais o que contraditoriamente não são nada emotivas ou se o foram já foram antes. Em mim, as emoções actuam das três maneiras descritas e se há mais perdoem-me as leitoras e os leitores mas não as consegui caracterizar e, tão depressa me prendem os movimentos como me mandam sentar rapidamente e em força em frente do teclado e ordenam-me que desabafe, que conte, que conte a rir, que ria a chorar, que ria e que chore e que deixe soltar a gargalhada, quando de gargalhada o motivo é e até mesmo que morda um lábio por que é o que está mais perto dos dentes, já que a fazê-lo à língua seria, pressupostamente mais doloroso. Pois é inundado de emoções que hoje vos digo que acabei de assistir ao mais recente (provavelmente amanhã haverá outro) doutoramento no Instituto Superior Técnico. E a doutorada é a minha filha Ana, de quem vos falo amiúde neste blog e que, juntamente com o meu filho João são o orgulho da minha existência. E não me digam que não é para viver as emoções desta maneira, com uma lágrima no olho mas com um sorriso a desenhar-me no rosto um traço de orelha a orelha. E logo a mim que até tenho umas orelhas muito sui generis.